All language subtitles for Out.There.Crimes.of.the.Paranormal.S01E08

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Original subtitles

Existe o bem e o mal em qualquer sociedade.

E n�o � diferente entre os navajo.

NA��O NAVAJO

O mal � algo

com o qual n�o queremos mexer.

H� certas consequ�ncias

se n�o o respeitarmos.

H� uma hist�ria muito triste e sinistra

sobre a falecida Sarah Saganitso.

Ela trabalhava como faxineira no Centro M�dico de Flagstaff.

Certa noite,

ela tinha acabado de sair do trabalho e estava caminhando.

E ela foi atacada.

Eu me lembro de ler os relatos

sobre o que supostamente tinha acontecido com a pobre mulher.

Ela foi completamente reduzida

a nada.

MANCHAS DE SANGUE NO T�RAX PADR�O DE LIVIDEZ

Ela foi encontrada com um peda�o de pau quebrado na garganta

e um tufo de grama de cemit�rio perto do tronco.

Mais tarde, uma pessoa foi acusada.

Mas, no julgamento, a defesa alegou

que foi um skinwalker quem matou Sarah.

Skinwalkers s�o criaturas dif�ceis at� de imaginar.

S�o humanos.

S�o perigosos.

Todo o nosso sistema de cren�as�

n�o � folclore.

Skinwalkers existem.

S�o absolutamente reais.

Mas eu sabia

que poderia haver mais nessa hist�ria.

OUT THERE: CRIMES SOBRENATURAIS

A DEFESA DO SKINWALKER

Este lugar

� uma esp�cie de santu�rio.

Essas seis montanhas sagradas

s�o os territ�rios tradicionais.

� um lugar sagrado.

PRATICANTE DA CULTURA NAVAJO

Um lugar sagrado para 13 tribos.

A reserva que conhe�o desde que me entendo por gente � linda!

Tenho uma fam�lia grande.

IRM� DE SARAH

Mas minha irm� Sarah

me criou como filha, mesmo sendo minha irm�.

Ela era muito prendada.

Ela sabia tecer, cozinhar

e fazer coisas com sucata.

Uma vez, ela estava fazendo p�o caseiro

e me disse para ver se as portas estavam fechadas,

para que os cordeirinhos n�o entrassem.

Eu n�o sabia o que fazer, ent�o corri para dentro.

Os cordeirinhos correram atr�s de mim e avan�aram no p�o.

Ela s� deu risada.

SOBRINHA DE SARAH

Parece que minha tia nunca envelheceu.

� assim que me lembro dela.

Minha tia Sarah era uma tia maravilhosa.

Tenho lembran�as nossas no lago, acampando,

fazendo piquenique e pescando.

Ela tamb�m era m�e solteira.

Era uma pessoa

que, sem muita instru��o,

construiu uma vida para si.

N�o t�-la mais com a gente simplesmente�

mudou tudo e todos.

12 DE JUNHO DE 1987

Sarah era faxineira no Centro M�dico de Flagstaff.

CENTRO M�DICO DE FLAGSTAFF

Ela tinha come�ado o turno da noite e nunca tinha trabalhado nesse hor�rio.

Ela ficava me dizendo:

"Todos esses anos no turno do dia, e agora me colocam � noite.

N�o gosto disso."

Ela dizia: "� assustador, sabe?"

Ela at� me disse o hor�rio em que sairia do hospital.

Lembro que meu tio e minha m�e disseram que tinham anotado o hor�rio novo dela,

ent�o eles sabiam exatamente a que horas ela voltaria para casa.

Ela deveria voltar depois das 23h.

0h30

Primeiro meu irm�o ligou e perguntou se a Sarah estava na minha casa.

Perguntei: "Por qu�?"

E ele disse: "Ela n�o est� em casa. Tem algo errado."

Falei para todo mundo come�ar a procur�-la.

S� havia um caminho do hospital, passando pelo Buffalo Park,

at� a casa dela.

Eu disse: "Vamos do Buffalo Park at� o hospital."

Est�vamos correndo para todos os lados.

E ent�o meu irm�o disse:

"Rose, fomos at� o hospital, e a caminhonete dela est� l�."

Encontrar a caminhonete l� foi um sinal, tipo:

"T�, tem alguma coisa errada."

TELEFONE

- 911. - Ligamos pra pol�cia.

Disseram que n�o podiam fazer nada at� que se passassem 24h.

Depois disso, continuamos procurando.

O estacionamento � aqui e tem um penhasco.

Meu irm�o disse: "Vou come�ar l� embaixo, no penhasco.

Vou vasculhar tudo at� chegar onde ela estacionou."

Por press�o da minha m�e e da fam�lia que estava no local,

os seguran�as do hospital finalmente come�aram a procur�-la.

Ent�o algu�m voltou�

e disse: "Encontramos um corpo."

13 DE JUNHO DE 1987

Foi um peso sobre todo mundo.

Minha m�e estava l�,

praticamente interrogando os seguran�as e os policiais.

"J� verificaram isso e aquilo?"

Disseram: "Desculpe,

mas voc� ter� que esperar na cozinha do hospital."

Minha irm� mais nova estava chorando

e gritando sem parar, e eu estava tentando acalm�-la.

Foi quando outro investigador apareceu e disse:

"S� podemos deixar dois de voc�s verem

para identificar o corpo dela."

Tentando�

tentando n�o chorar,

meu irm�o disse: "� ela."

Foi quando descobrimos que era ela.

Eu s�

me lembro de v�rios parentes chorando.

Sem acreditar.

Todos n�s�

est�vamos procurando um lugar para chorar,

um lugar para lamentar.

Sei que estavam tentando se recompor para fazer perguntas,

falar com a pol�cia, obter informa��es.

Queriam saber o que tinha acontecido com minha tia.

BEM-VINDO � RESERVA DOS NAVAJO

Meu nome � Jolene Holgate.

Trabalho para a Coaliz�o Contra a Viol�ncia �s Mulheres Ind�genas.

Fa�o esse trabalho h� mais de dez anos, desde 2013.

Uma em cada tr�s mulheres ind�genas

ser� abusada sexualmente em algum momento da vida.

O homic�dio � a terceira principal causa de morte entre mulheres ind�genas

nos Estados Unidos.

V�TIMA

No caso da Sarah, o corpo dela foi encontrado na floresta,

n�o muito longo do Centro M�dico.

Ela foi asfixiada.

CRIME: HOMIC�DIO

Estrangulada.

A V�TIMA FOI ASFIXIADA

Ela estava completamente despida.

POSS�VEL AGRESS�O SEXUAL

Todos os pertences haviam desaparecido.

Havia marcas de mordida no corpo.

LACERA��ES POSTMORTEM NO SEIO CONTUS�O NA N�DEGA

A grama ao redor estava toda amassada.

Tinha um peda�o de pau atravessado no pesco�o dela.

At� pelo de animal foi encontrado nos ferimentos.

Isso come�ou a levantar perguntas.

Por que ela foi deixada daquele jeito?

Por que o corpo foi mutilado assim?

Que tipo de pessoa ou coisa faria isso com ela?

Essas foram as primeiras perguntas que surgiram.

Foi algo sobrenatural?

Ser� que havia um skinwalker � solta,

matando ou sequestrando pessoas?

Um skinwalker � uma pessoa.

Eles conseguem mudar de forma.

E eles usam peles de animais

como uma forma de se transformar em algo

que conseguem controlar.

Quase fico com medo de dizer isso.

Na nossa cultura, se falarmos dessas coisas,

dizem que estamos procurando encrenca, atraindo coisas ruins.

Ent�o, com certeza, vou fazer minhas preces e uma limpeza depois disso,

s� para garantir que meu lado espiritual fique protegido.

H� coisas que precisamos

tratar com rever�ncia.

Como o yee naaldlooshii, como o chamam.

O povo navajo tem medo

de mencionar os skinwalkers.

� tabu falar sobre isso.

Porque existe a cren�a

de que quem tem esse poder

pode us�-lo contra n�s.

Ent�o, antes de falarmos sobre isso,

precisamos realizar

uma cerim�nia espec�fica

para nos proteger.

J� ouvi os mais velhos dizerem que os skinwalkers�

ESPECIALISTA EM CULTURA NAVAJO

�j� foram usados s� para coisas boas.

Por exemplo, caso houvesse uma seca

muito extensa,

a comunidade encarregava um jovem de assumir uma forma

e viajar at� as montanhas sagradas.

Dessa forma, elas conseguiam ajudar.

Mas, em algum momento, aqueles que tinham esse poder

come�aram a sentir inveja de certas pessoas.

Eles conseguiram modificar as preces

e us�-las para o mal.

Eu s� vi um.

Minha esposa e eu est�vamos na estrada, voltando para Window Rock.

Devia ser uma ou duas da madrugada.

Eu estava com o farol alto ligado

e vi uma silhueta escura.

Estava atravessando a estrada,

meio que flutuando.

N�o tinha uma forma definida, era s� um borr�o.

Eles existem, sim.

H� uma fascina��o

por parte de pessoas n�o ind�genas

que n�o entendem os skinwalkers.

Mas se voc� n�o os respeitar,

haver� certas consequ�ncias.

OBITU�RIO

SAGANITSO NASCEU EM 6 DE AGOSTO DE 1946�

Eu trabalhava para o jornal The Arizona Republic.

Naquele momento�

REP�RTER

�ningu�m sabia de mais nenhum detalhe,

al�m de que ela estava morta

e de que havia muitas marcas no corpo, basicamente.

LACERA��ES ABRAS�O SUPERFICIAL

ABRAS�ES LEVES, CONTUS�O

Minha primeira rea��o foi falar com os colegas de trabalho dela.

V�DEO DA POL�CIA

Uma mulher que trabalhou naquela noite

me contou algumas coisas, tipo�

O ve�culo dela estava estacionado de um lado,

e encontraram o corpo do outro lado do hospital.

1-V�TIMA 2-VE�CULO

Ser� que a tinham atacado no ve�culo, arrastado e deixado l�?

Isso n�o fazia muito sentido.

POL�CIA CONFUSA COM HOMIC�DIO

A pol�cia de Flagstaff estava apelando para qualquer coisa.

Embora a fam�lia estivesse muito empenhada.

Na verdade, eles at� se encarregaram de vasculhar o local.

Encontraram sangue nas proximidades.

Estavam passando informa��es para os investigadores.

NOS ENCONTRAMOS COM ROSEMARY WILLIAMS

Est�vamos tentando esclarecer o que tinha acontecido e por qu�.

14h55: ROSEMARY LIGOU

"O que descobriram?"

ROSEMARY LIGOU DE NOVO

"Tentem isso e aquilo."

"Este � o caminho, por onde ela passa.

Este � o perfil dela."

Finalmente, o departamento de pol�cia

encontrou um dos primeiros suspeitos.

O ex-parceiro dela, Frank.

IND�GENA, 64KG, 1,75M, CABELO PRETO

A pol�cia se interessou por Frank Nockideneh,

porque descobrimos que Sarah

tinha morado com ele na d�cada de 1970.

Ele era bem mais velho.

Estava morando num caminh�o e trailer, levando uma vida n�made.

Ele teve alguns desentendimentos com Sarah

e j� havia feito amea�as antes.

FRANK COME�OU

A MALTRATAR SARAH

Eles o intimaram.

E A AGREDIR

POR FIM, SARAH SE MUDOU

Na noite em quest�o, Frank disse

que estava em uma tenda do suor no norte de Flagstaff.

E ele foi liberado.

Apesar do interesse da pol�cia,

a fam�lia n�o achava que Frank Nockideneh fosse algu�m

que poderia ter matado Sarah.

Ele tinha ido embora h� muito tempo.

Ent�o�

Ele n�o era presente, que eu saiba.

A fam�lia achava que ele n�o seria capaz disso

naquele momento da vida dele.

N�o havia nenhuma necessidade

ou motivo para que ele incomodasse Sarah.

A BUSCA POR PISTAS CONTINUA

Minha m�e literalmente definiu o que eles precisavam fazer�

13h10: ROSEMARY CHEGOU

�para conduzir uma investiga��o completa.

A lista de pessoas que ela montou n�o foi questionada.

Naquela �poca, o grande problema

era que a pol�cia de Flagstaff s� investigava o povo navajo.

PISTAS DE INVESTIGA��O

HOMEM IND�GENA, 64KG

Acho que o trabalho deles foi muito negligente�

HOMEM IND�GENA

�e cheio de preconceito racial.

Continuamos indo � pol�cia, falando com todo mundo.

Parece que tudo o que eles tentavam fazer

n�o dava em nada.

Ou ent�o estavam mentindo para n�s.

Eles deveriam estar investigando.

Mas Flagstaff � um cidade complicada.

Trabalhei como juiz aqui na cidade de Flagstaff.

E vi muitas�

das coisas terr�veis que existem no sistema,

principalmente em rela��o aos povos ind�genas.

Na hist�ria de todos os assentamentos coloniais,

sempre houve uma mentalidade de que havia ouro nas montanhas.

E est�vamos atrapalhando.

Foi assim que Flagstaff foi colonizada.

Flagstaff � uma cidade fronteiri�a.

NA��O NAVAJO

A linha da reserva fica a 50km daqui.

Mas a rela��o n�o � boa.

Quando nos mudamos para c�,

dava para sentir a animosidade.

Os anglo-sax�es costumam nos afastar

porque somos navajo.

Eu sempre vi isso,

essa postura preconceituosa.

Quando sa�mos das terras dos navajo

e vamos para a cidade, � assustador�

COORDENADORA DA INDIGENOUS INITIATIVES

�porque temos medo de ser parados pela pol�cia

ou pelo departamento do xerife.

Al�m disso,

todos n�s temos experi�ncias pessoais

de atos de viol�ncia contra nosso povo

nas cidades fronteiri�as.

Tem pessoas que dizem

n�o se sentirem seguras aqui em Flagstaff.

Uma vez, Sarah contou � fam�lia

que algu�m a tinha parado no corredor do hospital

e falado com ela de um jeito que n�o parecia certo.

Ela se sentiu amea�ada por algu�m.

Definitivamente se sentiu amea�ada.

Chegou ao ponto em que�

come�amos a encontrar ferramentas e objetos

em lugares inusitados.

Tinha um martelo ao lado da porta.

Um martelo nas duas janelas da sala de estar.

Ao lado da cama, tinha uma chave de fenda.

At� na caminhonete, tinha uma tesoura no porta-luvas

e uma faca.

Acho que tinha uns 9 ou 11 itens

que conseguimos encontrar.

Isso n�o era normal para ela.

Havia algo errado.

Ela estava com medo.

Contamos aos investigadores, mas n�o nos deram ouvidos.

�s vezes isso irrita.

D� vontade de gritar e chorar, mas�

Eu tenho sonhos.

Eu a vi uma vez.

Comecei a correr atr�s dela, mas ela foi para outra dire��o.

N�o consegui encontr�-la.

Tentei gritar.

Eu s� queria perguntar quem a matou.

POL�CIA CADEIA

AGOSTO DE 1987

- Al�. - Sr. Abney?

- Isso. - Aqui � Jerry Blair de Flagstaff.

Meu sogro me disse que voc�s conversaram esses dias.

Ele n�o sabia o que fazer e comentou comigo.

No momento, estamos aceitando ajuda de qualquer um que queira colaborar.

TABERN�CULO DE FLAGSTAFF

O pastor da igreja Tabern�culo de Flagstaff

procurou a pol�cia.

Ele tinha um suspeito, por assim dizer:

George Abney.

GEORGE ABNEY: Que vergonha. N�o achei que ele fosse te ligar.

George Abney era professor de meio per�odo na Universidade do Norte do Arizona.

UNIVERSIDADE DO NORTE DO ARIZONA

Ele tamb�m era um membro ativo na igreja dele.

GEORGE ABNEY: Eu gostaria de manter

o m�ximo de dist�ncia poss�vel dessas coisas.

JERRY BLAIR: Tem medo de levar a culpa se nos der informa��es?

Mas o pastor dele contou para a pol�cia de Flagstaff

que George disse que sabia

que tinha feito uma coisa errada.

SUSPEITO DETIDO POR HOMIC�DIO NO HOSPITAL

Ent�o a pol�cia interrogou o cara.

POLICIAL: George, voc� est� sendo gravado.

Tudo o que disser pode e ser� usado contra voc� no tribunal.

George, est� aqui porque queria que fal�ssemos com voc�, correto?

GEORGE ABNEY: Eu admito isso.

Sabem aquele incidente que aconteceu em Flagstaff uns meses atr�s?

A mulher que foi morta no hospital.

Faz muito tempo que quero conversar com algu�m.

POL�CIA PRENDE SUSPEITO PELO HOMIC�DIO DE JUNHO

Quando o Sr. Abney foi preso,

todo mundo em Flagstaff achou que tinham pegado o culpado.

Mas ningu�m sabia que a pol�cia de Flagstaff

n�o tinha informado � fam�lia o que estava acontecendo.

Acho que soubemos pelos jornais.

Eu n�o conhecia o cara.

Mas, pelo que vi,

pensei: "Deve ser ele."

EX-PROFESSOR DE INGL�S ACUSADO

Meu tio disse que tinham encontrado algu�m.

Mas s� vi o nome e a foto dele quando saiu no jornal.

Crian�as s�o curiosas.

Sei que nossos pais queriam nos proteger daquilo.

Tenho certeza de que ficaram aliviados.

Estavam perto de encontrar respostas.

Dava para sentir que era a chance de fazer justi�a pela nossa fam�lia.

PORTA-VOZ DO J�RI

Fui convocado para o j�ri.

Foi quando fiquei sabendo do caso de Sarah.

SUSPEITO VAI A JULGAMENTO EM 17 DE NOVEMBRO

Nossa tarefa era s� decidir

se aquele cara era culpado.

DETENTO

A impress�o que tive de George Abney foi�

que ele parecia ser um professor indiferente.

Pensei: "Esse cara � parecido comigo."

Um homem branco, magro, que n�o chamava aten��o.

O promotor apresentou a acusa��o.

A acusa��o tinha v�rias evid�ncias.

ARIZONA, ACUSADOR GEORGE ABNEY, ACUSADO

Testemunhas disseram

ter visto George no hospital naquela noite.

ELE O RECONHECEU COMO A PESSOA QUE VIU NA CAFETERIA NAQUELE DIA.

Mesmo depois do homic�dio, George foi visto

andando muito nos arredores do Centro M�dico de Flagstaff.

E a acusa��o�

5. FOTOS DA CAMINHONETE 6. FOTOS DO FERIMENTO NO SEIO

7. FOTOS DE DENTES NA V�TIMA

�queria que o j�ri entendesse que um dos seios tinha sido arrancado.

Morderam e arrancaram.

MARCA DE MORDIDA � PE�A-CHAVE NO CASO DE HOMIC�DIO

A acusa��o disse que Abney tinha uma arcada dent�ria meio irregular.

PROVA DA ACUSA��O

A probabilidade era maior

do que algu�m com dentes perfeitos.

MARCAS DE MORDIDA SERVEM COMO DIGITAL

Mas, no fim das contas,

George Abney se tornou o principal suspeito porque�

ele confessou.

A acusa��o disse que ele confessou ao pastor.

ELE CONCORDOU COM AS INFORMA��ES E ADMITIU QUE LIGOU PARA FLOYD

A pol�cia disse que ele tamb�m contou para a gar�onete de um restaurante.

Ele estava lecionando

na Universidade do Norte do Arizona

e acabou desabafando essas atrocidades para um professor.

INTERROGAT�RIO BLAIR E RICK RHAILSON

Ele procurou um amigo pessoal.

ELE FEZ ALGUM COMENT�RIO SOBRE O CRIME?

Mais uma vez, ele confessou.

ELE DISSE: "TENHO QUASE CERTEZA DE QUE FUI EU."

A acusa��o apresentou o caso sem rodeios.

"Temos provas concretas.

Pegamos esse cara. Ele j� confessou."

E eu pensei: "Bom, ent�o foi ele."

E ent�o a defesa come�ou a apresentar a r�plica.

BASO ABNEY VAI PARA O SEGUNDO DIA

Quando o julgamento come�ou,

� claro que a defesa atacou

o argumento da acusa��o.

Disseram que n�o eram confiss�es reais.

INTERROGAT�RIO - V�DEO #3

Mostraram um v�deo. A defesa alegou

que a pol�cia tentou manipular George Abney

para for�ar uma confiss�o falsa.

POLICIAL: N�o queremos que confesse algo que n�o fez.

Entendemos isso, est� bem?

N�o estamos� N�o � isso que estamos pedindo.

Sabemos que isso aconteceu, ok?

Quanto aos detalhes�

GEORGE ABNEY: N�o sei nenhum detalhe.

Era n�tido

que o coitado queria colaborar.

E a defesa deu o pr�ximo passo.

ESPECIALISTA DA DEFESA � PE�A-CHAVE

A marca de mordida foi apresentada, e a defesa levou um cad�ver.

Eles cortaram o mamilo do seio.

ADVOGADOS DISCUTEM SE FOI MORDIDA OU FACADA

E ficou muito parecido.

T�nhamos certeza de que era uma marca de mordida?

T�nhamos certeza

de que algu�m havia usado uma faca

para cortar o seio?

Mas, por fim, a defesa focou no que queria expor.

Eles alegaram

que ela n�o foi assassinada por George Abney�

TRIBUNAL DE COCONINO

�mas por um skinwalker.

"SKINWALKER" PODE TESTEMUNHAR NO JULGAMENTO DE GEORGE ABNEY

POLICIAL: Me diga seu nome completo e profiss�o.

BARRE TOELKEN: B-A-R-R-E Toelken.

Sou folclorista, ou seja,

estudo as dimens�es culturais das express�es humanas.

ANTROPOLOGISTA, TESTEMUNHA DA DEFESA

Durante muito tempo da minha vida,

estive envolvido no estudo das tradi��es navajo.

POLICIAL: Pode me dizer primeiro quais fotos voc� viu

e quais outras provas analisou?

BARREN TOELKEN: Tive a oportunidade de ver as fotos coloridas.

Um coisa que me chamou aten��o foi o peda�o de pau

atravessado no pesco�o da v�tima,

ao lado de uma lua crescente,

que � um s�mbolo muito usado nas cerim�nias dos navajo.

Encontraram pelos de animal no ferimento no peito

e na boca,

e acredita-se que as bruxas se transformam em animais.

Tamb�m � muito comum remover o bico dos seios.

� muito prevalente nas tradi��es orais. � como a marca registrada de uma bruxa.

Acho que todos n�s da imprensa

ficamos meio que hipnotizados.

E o juiz presidente

pareceu dar muito espa�o para a defesa expor os aspectos culturais.

Parecia que ele tamb�m estava acreditando naquela hist�ria, sabe?

POLICIAL: O que mais, nas fotos no caso,

faz voc� acreditar que seja um homic�dio relacionado � bruxaria?

BARRE TOELKEN: Vi v�rios aspectos naquelas fotos

que me pareceram evid�ncias muito fortes

de bruxaria navajo.

E, sabendo que a v�tima era navajo,

n�o consigo imaginar por que algu�m de fora a mataria dessa forma.

ESPECIALISTA EM FOLCLORE LIGA SUPOSTO HOMIC�DIO � BRUXARIA

Skinwalkers e bruxaria se tornaram o foco nos jornais.

POSS�VEL BRUXARIA EM ASSASSINATO

N�o ficamos sabendo disso.

Foi meu irm�o quem perguntou

se eu estava sabendo.

Eu disse que n�o, e ele: "Est� nos jornais."

PROFESSOR SUGERE BRUXARIA NAVAJO

BRUXARIA ENVOLVIDA

Essa not�cia gerou caos.

"CONSTELA��O" DE PECULIARIDADES

"TERRORISMO ESPIRITUAL"

Com certeza j� ouvi hist�rias.

Existem certos tipos de bruxaria.

Eu acredito, sim, que existam skinwalkers por a�.

Mas geralmente n�o resulta em morte.

N�o resulta no assassinato de algu�m.

Geralmente s� encostam na gente.

O objetivo � tirar a nossa harmonia.

Nunca � algo t�o�

t�o radical quanto nos machucar fisicamente e nos perseguir.

Em todo o meu conhecimento limitado,

nunca houve ningu�m, em lugar nenhum,

nenhum Din�,

que dissesse que os skinwalkers matam.

Eram enviados para perturbar.

Bruxaria e skinwalkers

sempre fizeram parte da nossa cultura.

Mas dizer que essas coisas foram usadas para matar algu�m,

um navajo daqui?

Acho que n�o.

Muitos antrop�logos t�m vindo � nossa reserva.

Eles fazem certas suposi��es

sem nenhuma base concreta.

�NDIOS NAVAJO UM FILME DID�TICO

Em uma regi�o des�rtica no sudoesta dos Estados Unidos,

nas Montanhas Rochosas, vivem os �ndios navajo.

Os navajo se chamam de "Din�". Din�, o povo.

� uma terra onde uma montanha � sagrada e outra, n�o.

Onde o esp�rito de alguns animais � reverenciado

e o de outros � temido.

Antrop�logos e folcloristas

querem extrair elementos culturais das comunidades nativas

para transformar essas hist�rias em algo deles.

Milhares de turistas v�m para esses eventos,

pois esse povo colorido e seus costumes

deixariam uma marca profunda na vida americana.

Aqui encontramos o curandeiro ocupado com os objetos de seu of�cio:

a trouxa ou bolsa de rem�dios.

Eu me lembro de um ingl�s

que queria ser reconhecido como curandeiro.

Tivemos que rir daquilo.

Sempre h� aquele interesse

de querer se associar � sociedade navajo.

Bruxaria � um dos assuntos mais comuns nas conversas entre os navajo.

VOZ DE DR. BARRE TOELKEN

Eles n�o s�o meros conhecidos meus.

J� fui casado com uma mulher navajo

e tenho parentes navajo.

Durante os 30 anos em que conhe�o os navajo,

pude conversar sobre essas coisas.

Levaram algu�m de fora que n�o fazia ideia

de que somos como Din�.

Mas esse � o mundo deles.

Pegaram fragmentos da nossa cultura para dizer:

"Foi um deles."

Isso gerou muita frustra��o e muita raiva.

DEFESA ALEGA BRUXARIA NO ASSASSINATO

O pau, o pelo de animal�

Estamos em Flagstaff.

H� todo tipo de animais aqui,

ainda mais onde ela foi encontrada.

E, sabe, essa bobagem de bruxaria

que alegaram aqui,

n�o sabemos nada sobre isso.

Racismo.

Eu achava que a lei deveria se basear em provas reais.

Porque, quando analisamos o que aconteceu,

acho que h� provas suficientes

de que aquele homem a matou.

Vai ver a defesa falar do skinwalker foi uma tentativa desesperada.

Culpar um skinwalker � loucura.

Nem consigo pensar numa palavra para descrever, mas � loucura.

Al�m da marca de mordida

e de ter visto George Abney no hospital naquela noite,

ele tamb�m confessou

para a pol�cia.

POLICIAL: Neste momento,

n�o podemos deixar este caso sem solu��o.

Estamos tentando te dar a oportunidade�

GEORGE ABNEY: Estou tentando explicar.

Por isso voltei aqui.

O primeiro detalhe de que me lembro � de ter ido ao hospital.

Pedi para ver um m�dico porque n�o estava me sentindo bem.

Ela perguntou se eu tinha conv�nio.

Eu disse que n�o.

Dei meia-volta e fui embora pelo mesmo caminho que tinha entrado.

E acho que ela estava saindo.

Talvez tivesse ido pegar algo na caminhonete.

A Sarah.

Ela parou um pouco

e disse "oi".

Tentei agir de forma normal, educada.

Ela me convidou para sentar com ela e olhar a cidade.

Talvez tenha ficado lisonjeada porque um branco estava interessada nela.

Ela me mostrou fotos da filha.

Me mostrou uma faca que o irm�o tinha dado para ela.

Eu senti uma desorienta��o tomar conta de mim.

Me lembro de ter apagado.

E�

Quando acordei, ela estava ca�da no ch�o.

Eu perdia e voltava � consci�ncia. N�o sei quanto tempo fiquei ali.

E comecei a pensar

em como tudo come�ou.

Carrego muita coisa dentro de mim desde crian�a.

Acho que isso influenciou meu estado mental.

Peguei uma faca

e cada�

cada ferimento que fiz no corpo dela,

depois que ela j� estava morta,

correspondia ao que eu sentia,

a coisas que aconteceram comigo.

Quando mordi a regi�o pubiana dela, agi de forma deliberada.

Correspondia ao que senti quando fui molestado.

Deixei marcas de mordida porque eu sabia que isso seria

uma esp�cie de assinatura.

POLICIAL: Seio esquerdo?

ABNEY: Acho que sim.

Porque eu me sentia ferido no cora��o.

Eu queria deixar uma mensagem, algum tipo de recado

para algu�m me ajudar.

Eu queria ser pego.

POLICIAL: Voc� se lembra melhor de quais pe�as de roupa tirou dela?

GEORGE ABNEY: Eu disse antes que parecia couro cru,

mas n�o tenho certeza.

Acho que � mais prov�vel

que ela estivesse vestida de maneira adequada para o trabalho.

Ela era uma mulher boa.

Ele nem sempre se lembrava de detalhes daquela noite.

Foi dito que George Abney

sofria de problemas mentais.

Mas nessa conversa com a pol�cia de Flagstaff,

foram muito gentis com ele.

POLICIAL: Eu pe�o desculpas.

Realmente acredito que voc� esteja tendo dificuldades para se lembrar.

ABNEY: Estou tentando.

POLICIAL: Est� tentando nos ajudar agora, George.

Tudo bem?

Quero que todos saibam disso, George, n�o s� o Mike e eu.

Quero que todos saibam como voc� � e quem voc� � de verdade.

George?

Quero que voc� receba ajuda, George.

POLICIAL 2: Acho que voc� � uma v�tima tanto quanto qualquer outra pessoa.

O sistema falhou com George Abney.

Ele n�o recebeu o apoio e a ajuda de que precisava.

Mas, no fundo,

� um caso de homic�dio.

N�o houve nenhuma men��o

de compaix�o pela Sarah.

E os documentos

tinham conota��es muito preconceituosas.

- A FAM�LIA DESSA MULHER FOI NOTIFICADA? - SIM.

A pol�cia apostou que a fam�lia n�o se manifestaria.

ELES N�O S�O MUITO HOSTIS.

PELA MINHA EXPERI�NCIA,

OS NATIVOS N�O S�O T�O AGRESSIVOS NESSE SENTIDO QUANTO OS BRANCOS.

Quando interrogaram George Abney, fizeram perguntas como:

"Ela te ofereceu bebida alc�olica?"

ELA OFERECEU BEBIDA

"Ela se insinuou de forma sexual?"

ELA SE INSINUOU SEXUALMENTE

Queriam pintar essa imagem.

Como ela poderia ser respons�vel pela pr�pria morte?

No entanto, houve uma confiss�o. Havia provas.

Havia muitas coisas que indicavam

que ele era o culpado.

Era simples e direto.

Fizemos uma vota��o inicial.

Algumas pessoas disseram: "Olha, ele confessou.

Vamos conden�-lo."

Mas n�o me lembro de ter a impress�o de que George Abney

era um assassino.

J�RI ABSOLVE R�U EM HOMIC�DIO DE 1987

O j�ri considerou George Abney inocente.

Um j�ri inteiramente composto por brancos absolveu um homem branco

pelo homic�dio de Sarah Saganitso.

J�RI N�O DEMORA PARA LIBERTAR ABNEY

Depois do veredicto, o Sr. Abney desapareceu.

Acho que ningu�m em Flagstaff o viu novamente.

Tem algum arrependimento?

N�o tenho nenhum arrependimento por ter considerado George Abney inocente.

N�o me arrependo disso.

Eu s� lamento que ainda seja�

um caso n�o solucionado.

Sim, � isso.

� s� isso que quero dizer.

A fam�lia da Sarah

com certeza merece respostas e justi�a.

E n�o foi isso que aconteceu.

A defesa do skinwalker deixou claro

o que pensam sobre os povos nativos nessas cidades.

Somos um povo visto como�

insignificante.

Somos descart�veis.

A v�tima, uma mulher navajo,

n�o tem valor no sistema deles.

A vida dele tinha mais valor.

Os brancos se protegem.

Foi assim que eu vi.

Depois de tudo, quando voltamos para casa�

eu s� me lembro de muito choro.

Muita raiva e frustra��o.

N�o havia maneira de consol�-los nem de dizer, sabe�

N�o tinha como consertar aquilo.

Ela tinha tanta coisa pela frente�

VOC� EST� SAINDO DA RESERVA NAVAJO

As perguntas que ficaram sem resposta�

s�o coisas que n�o queremos compartilhar com ningu�m.

Mas, de certa forma, isso j� se tornou algo p�blico.

Lendas urbanas de cada estado. Parte um: Arizona.

Quando uma mulher foi morta,

a defesa do acusado no tribunal foi de que tinha sido um skinwalker.

Naquela situa��o em particular, realmente foi um skinwalker.

At� hoje, o caso � romantizado

como a hist�ria de um monstro que continua vagando por Flagstaff.

SKINWALKER LOBISOMEM, BRUXAS

N�o h� fotos da Sarah.

EM 1987, OS SKINWALKERS GANHARAM DESTAQUE

QUANDO FORAM USADOS COMO DEFESA NO TRIBUNAL

N�o est�o falando da minha tia.

Est�o falando de uma desconhecida.

Parece que ela n�o existe mais para ningu�m al�m de n�s.

A Sarah n�o teve a chance de contar a hist�ria dela.

Ela n�o teve a chance de dizer: "Eu n�o merecia isso."

E muitos do nosso povo j� passaram por isso.

A fam�lia de uma mulher navajo desaparecida h� 18 anos est� pedindo ajuda

no anivers�rio do desaparecimento dela.

H� 35 anos, uma mulher da Na��o Navajo desapareceu

a caminho de Flagstaff e nunca mais foi vista.

RESTOS MORTAIS IDENTIFICADOS

Os nativos americanos correm um risco desproporcional de desaparecer,

e o Dep. De Assuntos Ind�genas estima

que hoje existem cerca de 4.200 casos n�o solucionados.

� uma crise.

Fomos feitos de alvo, deslocados e desumanizados.

DELEGADA DO CONSELHO NAVAJO

N�s queremos curar essa dor.

RESPOSTAS PARA PEPITA REDHAIR JUSTI�A POR SHAWNA TOYA

Nas nossas comunidades, o movimento MMIW�

TRANSPAR�NCIA E RESPONSABILIZA��O

�luta por justi�a pelos assassinatos.

N�o podemos mais normalizar a viol�ncia.

N�o podemos mais normalizar quando algu�m desaparece.

N�o podemos mais

ficar em sil�ncio sobre isso.

A mudan�a j� come�ou.

JUNTOS, NOS CURAMOS

CAMINHADA PELOS DESAPARECIDOS

Temos um plano de resposta.

Temos um representante para os casos de desaparecimento.

A pol�cia est� se mobilizando de forma mais eficiente.

E � porque estamos falando de casos como o da Sarah.

MAIS NENHUMA IRM� SER� ROUBADA

Por isso a hist�ria da Sarah � t�o importante.

Pensem no caso do Abney.

ADVOGADO QUESTIONA INTERROGAT�RIO

Policiais, ju�zes, promotores.

INFORMA��O ESCAPA DA POL�CIA

R�U ABSOLVIDO DE HOMIC�DIO

Um dia, seremos julgados pelo que fizemos aqui na Terra

durante esses anos.

Mas, para mim�

Sarah foi para casa.

Temos que acreditar, de alguma forma,

na sacralidade deste lugar

e que a justi�a definitiva vir� para a fam�lia.

Sentimos falta dela.

Foi muito dif�cil aceitar que ela se foi.

Irm�, eu te amo. Obrigada.

A defesa de George Abney manteve

que a confiss�o foi falsa e coagida pela pol�cia.

Tamb�m apontaram aspectos do testemunho dele

que eram inconsistentes.

Os produtores tentaram entrar em contato com George Abney,

mas n�o conseguiram falar com ele.

Legenda: Ana Paula Badar�

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