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Original subtitles

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OLHOS NEGROS

Vamos ver se h� algu�m aqui.

- Bom dia. - Bom dia.

Com licen�a.

- Desculpe-me. - N�o est� aberto ainda.

Abrimos em uma hora.

N�o h� ningu�m agora.

Ou�a, desculpe-me.

Voc� acabou de embarcar?

Sim, chegamos em Atenas por terra.

E decidimos ir � It�lia por mar.

Viajo com minha esposa.

Minha esposa est� no conv�s.

Ela est� dormindo em uma espregui�adeira.

E eu estou com muita sede.

Est� muito quente, sabe?

Mas, aparentemente, n�o h� ningu�m at� a hora do almo�o.

Desculpe a minha curiosidade...

De onde voc� �? Porque o seu sotaque...

...soa muito familiar.

Eu? Eu sou russo.

Voc� j� esteve na R�ssia?

Sente-se, por favor. Deseja algo para beber?

Temos isso, est� bem gelado.

Obrigado, mas eu n�o quero incomod�-lo.

Mas n�o h� problema. O prazer � meu.

Al�m disso, eu n�o gosto de beber sozinho.

Aqui voc� �.

Muito obrigado.

Voc� fala a minha l�ngua muito bem.

Um pouco.

Eu sou comerciante.

E eu fui para o seu pa�s v�rias vezes, a neg�cios.

Voc� est� a neg�cios agora?

N�o, n�o, desta vez n�o.

Desta vez, bem, estou numa...

...em uma lua de mel.

Imagine.

Rec�m casado...

...na minha idade.

� completamente rid�culo, voc� n�o acha?

N�o, eu o invejo, porque � o momento mais bonito na vida.

�s vezes eu penso sobre o in�cio do meu casamento.

Um tempo feliz, muito sereno.

Enfim, voc� se casou recentemente?

Precisamente h� sessenta e sete dias atr�s.

E voc� est� feliz, certo?

Feliz.

Muito feliz.

Muito feliz.

Voc� j� foi casado antes?

N�o, n�o, nunca. Nunca.

V�-se no seu rosto que voc� � um homem feliz.

Tenho inveja de voc�, e estou contente por voc�.

Obrigado.

Oh, me desculpe. Nem me apresentei ainda, permita-me.

Romano Patroni.

Desculpe-me tamb�m.

N�o � nada. Meu nome �...

...Pavel Alexeiev.

- Seria "Paolo" em italiano. - Paolo.

Por favor.

Obrigado.

Vamos ver.

Onde eu coloquei...?

Aqui est�.

Um momento, o isqueiro.

Eu estava olhando para a foto de minha esposa, de modo que n�o me sinto s�.

Tiramos no dia do seu anivers�rio.

Coitadinha, ela era t�o jovem.

Oh, n�o, voc� me entendeu mal.

Minha esposa est� viva e ela tem boa sa�de.

De fato, faz muito tempo que n�o a vejo.

Estive ausente por um longo tempo.

� esta sua casa?

Parece um castelo.

E ainda tem um parque!

N�o, esta n�o � a minha casa, � de minha esposa.

Venho de uma fam�lia humilde.

Meu pai tinha uma pequena hospedaria na periferia da cidade.

Mas como eu era o mais novo dos irm�os...

...os meus pais gastaram as suas economias para que eu pudesse estudar.

- Eu sou um arquiteto. - O que � isso?

Um pequeno presente.

� ador�vel.

E foi na Universidade que eu conheci a minha esposa.

Voc� sabe, Paolo, como estas coisas s�o.

Noites � luz da lua, encontros secretos...

...a raiva da fam�lia dela.

Era natural.

Sendo a �nica filha de um muito rico...

...banqueiro romano. Solvetti. Talvez voc� ouviu falar dele.

No entanto, ela queria casar-se com um estudante pobre, sem dinheiro...

Elisa e eu pensamos que n�o precisar�amos de nada, sabe?

N�s �ramos muito jovens, e...

...os nossos sonhos eram tudo o que precis�vamos.

Quando eu me tornei um arquiteto, fiz um projeto...

...de urbaniza��o brilhante

"Genial".

Sim, uma revolu��o no mundo da arquitetura.

Ent�o seu pai ficou doente, e fomos morar na mans�o.

Em seguida, o banqueiro morreu, e minha esposa, Elisa,...

N�o, n�o, n�o.

- � assim veja. - Certo.

Enfim, Elisa, que era filha �nica,...

...teve de tocar os neg�cios da fam�lia.

Mas o tempo passou, e meu projeto...

Nossa filha, Claudia, nasceu.

E eu, pouco a pouco, devo confessar,...

...comecei a me acostumar com a vida confort�vel,...

...com o prazer de acordar tarde...

...de vestir roupas boas, de ser servido.

Os outros sentimentos...

...inclusive o amor, tornaram-se uma rotina.

Olhe aqui.

Essa � a �ltima foto dos �ltimos momentos felizes...

...e sem preocupa��es da nossa fam�lia.

Esta � a Elisa e por tr�s dela � a nossa filha, Claudia...

...com seu marido Dod�.

Esta senhora vestida de preto � Tina, a melhor amiga da minha esposa.

E este � o seu marido, Manlio.

A senhora sentada � minha sogra, m�e de Elisa.

Senhora, o advogado chegou.

Aten��o.

J� volto.

- Senhora, senhora por favor. - Depois, depois.

- Elisa. - Cuidado!

Eu vi que o advogado chegou. Qual o nome dele?

- Domenico. - Sim.

- Aconteceu alguma coisa? - N�o.

- V� cuidar dos convidados. - Sim.

- Senhora. - Depois, depois.

Gostaria de v�-la subindo as escadas umas cem vezes por dia.

Para cima e pra baixo, para cima e para baixo.

Mamma Mia!.

- Desculpe-me, Senhora. - Eu disse mais tarde.

E n�o reclame.

- Senhora. - Mais tarde!

Mais perto da mesa.

Alberto, quem vai tocar?

Eu n�o sei, uma crian�a.

Vamos tirar uma foto.

Esperem, por favor.

Todo mundo venha aqui.

- Quero que todos venham aqui. - Voc� viu o barulho que eles fazem?

- Eu n�o entendo, tudo isso para qu�? - Apenas para tirar uma foto.

- Eu n�o gosto de fotos. - Eu tamb�m n�o.

- Sempre evito este tipo de reuni�es. - Elas n�o s�o boas, n�o � bom.

Pronto! Agora!

Com licen�a.

Senhora, para o concerto, vamos levar as cadeiras do sal�o?

- Como queira, pergunte ao Sr. Romano. - Sim.

E diga-lhes para deixarem em paz o piano, por favor!

Sim, sim, claro, eu vou esperar.

Eu entendo.

Eu entendo.

Ent�o?

Como eu temia, um desastre.

O pior � que o diretor n�o se apresentou ao conselho administrativo.

- Assim, assim. - Isso, isso!

Eu vou cantar. Mais perto, mais perto.

� incr�vel!

Eu aconselho voc� a manter a calma.

Ningu�m sabe o que aconteceu.

Amanh� ainda pode tentar investir parte das a��es.

Sim, sim, sim!

- Fa�a-me um favor, Elisa. - O que?

Volte para seus convidados, e n�o diga nada a ningu�m.

Elisa, voc� entende?

- Para ningu�m. - Sim claro.

Tina! Manlio! Voltem! N�s vamos fazer outra coisa.

Elisa.

Elisa.

M�e.

Ol�, m�e, como vai?

- Onde voc� estava? - Mas eu estava aqui. Voc� pode ir.

Eles est�o se divertindo, n�o est�o?

Como voc� pode casar com um homem desses?

- Ele deveria ser um palha�o. - Mam�e...

Olhe para ele.

A quem quer vender uma terapia com barro?

- Que idiota. - Mam�e...

Ele nunca vai deixar de ser o filho de um lojista.

- Comerciante - Comerciante

Um pobret�o sem dinheiro que teve a sorte...

...de se casar com uma mulher rica.

M�e, voc� repete isso h� 25 anos.

R�pido! Vamos, o concerto!

Vamos ao concerto!

Hei, voc�s pegaram a pipa sem permiss�o!

Vamos ao concerto! Aonde v�o correndo assim?

N�o podem correr assim! Tomem cuidado!

Um, dois, um, dois.

Onde � o concerto? Onde � o concerto?

Para onde est�o levando essas flores?

O Sr. Romano, ordenou-nos espalh�-las sobre a fonte.

Onde est� o Sr. Romano?

- Eu n�o sei, senhora. - N�o, n�o! Leve-as para dentro.

- Sim, senhora. - N�o fa�am nada que ele mande.

- OK. - Vamos, r�pido.

Dizem que um menino prod�gio vai tocar.

Quem �?

N�o me reconhece mais?

Ol�.

Onde est� Manlio?

- Que Manlio? - "Que Manlio?" Seu marido.

Sim, Manlio, mexa-se!

Est� aqui.

- Como est�, Manlio? - Eu estou bem.

Voc� deve ter ouvido que eu comprei a patente...

...para fabricar esse tipo novo de vidro inquebr�vel.

- Ajuda-me a limpar a mesa. - Julia ir� lev�-los.

E coloque os talheres juntos.

Precisamos de outra toalha.

- Olhe que mancha! - Eu vou limpar imediatamente.

- E traga o a�ucareiro. - Tudo bem.

Vamos abrir a primeira f�brica na Alemanha...

- ... e depois em outros lugares. - Ah, que cabe�a a minha!

- Esqueci-me... Volto logo. - N�o se preocupe.

Acho que ele n�o est� muito interessado no assunto.

Isso � natural.

Voc� pode ir agora. Vai, vai.

Eu vou voltar para meu lugar, ent�o.

Ol� pessoal!

- Ol� pessoal! - Alegre-se, Elisa.

Elisa.

Tina! E Manlio?

- Manlio. - N�o, n�o se incomode.

Onde est� Romano?

Romano? Quem � Romano?

- M�e, vamos come�ar? - Sim.

- Sim, v� em frente. - Ok, vamos come�ar.

Senhoras e senhores. Caros amigos.

Tenho o prazer de apresentar-lhes,

como um perfeito final para esta tarde extraordin�ria,

...um pequeno g�nio...

M�e.

Cale a boca.

Pierre Depois�.

De Wolfgang Amadeus Mozart, a sonata.

J� volto.

Romano!

Romano!

Romano.

Elisa, � voc�, que barulho foi esse?

Ah, desculpe-me por despertar voc�.

Eu estava cochilando.

� que eu me sinto muito cansado.

Eu n�o me sinto bem, Elisa. N�o sei o que est� errado comigo.

Voc�, cansado de qu�? De que voc� est� cansado?

Vov�.

- O que ela est� fazendo? - Bebendo.

Beba.

- Tire o copo dela. - N�o � minha culpa.

N�o vai te fazer bem.

Isso � a �nica coisa que voc� foi capaz de fazer durante toda sua vida.

Voc� come�ou...

...23 anos atr�s, no dia do meu anivers�rio!

O que aconteceu? Diga-me o que voc� tem? Pelos c�us!

O que est� acontecendo � que estamos � beira do desastre, entendeu?

O nosso banco sempre foi uma fortaleza e agora ele est� em colapso.

Se voc� quer que eu me v�, diga-me diretamente.

Ah! Deixe disso.

- Voc� tem que se tratar. - V� embora!

Ali�s voc� n�o sabe nada dessas coisas, voc� n�o entende nada.

- � melhor dormir, sonhar... - Estamos dando um show.

� verdade, eu nunca me interessei pelos neg�cios de sua fam�lia.

Mas a verdade � que voc� e sua m�e nunca...

Ent�o � isso! Agora � minha culpa � de minha m�e!

Pare Elisa.

Se n�o parar, s� Deus sabe onde poderemos chegar.

N�o, n�o!

Voc� acha que eu n�o sei de nada, e n�o vejo nada.

Mas voc� est� errado, eu conhe�o voc� muito bem, voc� � um hip�crita.

- Hip�crita! - Elisa, sem ofensas...

Voc� acha que eu n�o sei que voc� me odeia?

- Voc� me odeia porque eu sou rica. - Elisa.

Voc� se casou comigo s� para ter...

...esta casa e tudo mais.

E nunca me perdoou continua a mentir e me enganar...

...at� o fim de sua vida..

Elisa.

Como voc� pode dizer isso?

Elisa.

Elisa.

Elisa, espera.

Abra.

Abra-a, Elisa.

Romano.

O que voc� est� fazendo?

- Eu estou medindo o tapete. - Voc� est� medindo o tapete.

E por que voc� est� medindo o tapete?

Est� suando.

- Eu medi tudo porque... - Eu entendo.

...ele precisa ser trocado.

- Eu n�o sei porque, eu n�o sei... - O tapete.

- Voc� me fez perder a conta, e Manlio? - Eu n�o...

- Manlio? Manlio, venha c�! - N�o, n�o.

- Eu tenho que medir isso. - Claro que n�o.

Manlio, temos que ajudar Romano a medir o tapete.

Eles v�o trocar o tapete e temos que medir isso.

- Claro, n�s vamos ajud�-lo. - N�s t�nhamos contado seis.

- N�o vamos perder tempo. - � para isso que estamos aqui.

7, 8,...

- N�o seria melhor... - N�o, n�o, n�o...

...14, 15, 16, 17, 18,...

...19, 20, 21, 22, 23, 24, 25,...

...26, 27, 28, 29...

No dia seguinte, eu os deixei.

Mas como? Sem dar qualquer explica��o?

Explica��es? Por qu�? Eu n�o tinha culpa de nada.

Claro, voc� foi se tratar, n�o �?

Voc� estava doente, certo?

- Bom dia. - Bom dia.

N�o estou com humor para dan�ar hoje.

Aqui vou eu!

Isso poderia deixar algu�m louco! Nunca ouvi nada parecido.

Eu n�o quero! N�o, eu n�o quero!

Tchauzinho, Romano.

Bom dia, est� na hora, s�o 8:00.

S�o 8:00.

Bom dia a todos.

Est� na hora.

Ah, de novo.

Est� na hora, bom dia, s�o 8:00.

Bom dia.

Entre.

- Estou mais ou menos. - Sabe, Romano...

.. foi verdadeiramente uma noite horr�vel para todos.

Todos os clientes se queixaram do barulho constante.

- O general fica b�bado de noite... - N�o, imposs�vel.

...e faz uma bagun�a danada, pessoas indo e vindo...

� realmente desagrad�vel...

...Ningu�m dormiu.

� uma vergonha!

Este � um centro de tratamento...

- O que est� acontecendo? - ... ou um bordel?

V�o tomar no cu!

Eu estive em 3 guerras, na B�snia e Herzegovina.

E eu nunca vi algo como isso antes!

Oh, Deus!

Vem, Senhor Romano, vem ver isto.

� uma vergonha Eu n�o posso tolerar isso por muito tempo!

Eu n�o tenho bebido por 30 anos!

E esse desgra�ado, que pela sexta vez...

- E eu j� disse, pela sexta vez! - Bom dia.

Bom dia.

Eu gostaria de saber quem deixa esta porcaria na minha porta!

E voc�, por que est� me olhando?

� a nona vez que voc� n�o sa�da um superior corretamente.

Eu tenho o meu bra�o direito com defici�ncia.

- Isto � uma vergonha! - Deus, Deus.

Gostaria de te mandar para o pared�o. Gostaria de t�-lo executado.

Que inf�mia!

O que este pequeno filhote de cachorro quer de mim?

E lambeu minha bota!

Este animal horr�vel!

Pelo menos, coloque na coleira!

- Pe�o desculpas. - Levem-no por favor.

Sinto muito. Eu n�o quero v�-lo outra vez!

Voc� poderia ter mais cuidado com ele!

- Jesus, que viagem horr�vel. - Tina.

O calor est� insuport�vel hoje.

- Terr�vel. - Sim, sim.

Ent�o...

A comida � boa aqui?

- Bem... - A cozinha � boa?

Olhe.

Os quartos s�o bons?

Sim.

Ent�o vou ficar bem.

O que quer dizer "vou ficar bem"? Voc� quer dizer que voc� est� hospedada?

� claro.

E Manlio?

- Manlio? Que Manlio? - O que quer dizer "que Manlio"?

Ah, Manlio.

O que voc� quer saber?

Bem...

Ele est� na... na �ndia.

O qu�?

Ser� que voc� n�o est� feliz em me ver?

Que id�ia Tina! Claro que estou feliz!

O que me incomoda � que n�o estou bem.

Eu...

Ainda estou sob observa��o, porque...

...eu tenho algo de errado em minhas pernas, sinto como...

- ... se elas me fossem arrancadas. - O que voc� est� dizendo?

Sim, de vez em quando...

...tenho a sensa��o de n�o ser capaz de controlar minhas pernas.

Eu estou bem, mas...

N�o, Romano. Eu tenho medo de voc�, hein?

Est� rindo? Por qu�?

Certo, deixa pra l�.

Manlio foi vender cavalos. Ele estar� aqui em breve.

Satisfeito?

Deixe Manlio fazer alguma coisa!

Tudo bem.

Diga-me com qual delas voc� se envolveu aqui.

Eu estou passando apenas para descobrir isso.

Ah certo! Suas pernas doem, eu esqueci.

Ok, deixe-me adivinhar.

N�o pode ser ela. N�o, n�o pode ser ela.

Ela n�o, n�o pode ser ela, n�o � poss�vel.

Eu estou vivendo como um eremita aqui.

Tudo bem. Deixando as piadas de lado, voc� est� indo a algum lugar?

Estamos indo...

...fazer uma visita aos pais de Manlio.

Quem � essa mulher com esse espelho chato...

...que n�o deixa voc� comer?

Uma mulher russa, que carrega um pequeno cachorro.

� o que sei. Ela n�o mora aqui no hotel.

Ela vem aqui s� para comer e para se tratar.

Voc� viu Elisa?

Como ela est�?

Qual � o nome dela?

Eu n�o sei, eu juro, eu n�o sei nada sobre ela.

Diga-me...

...voc� j� viu Elisa?

Quer saber? Eu acho que voc� realmente a perdeu neste momento.

O qu�?

O que voc� disse?

� s�rio desta vez.

Eu sinto isso.

Finalmente. Aqui est� Manlio. Manlio.

Vai ajudar Romano, coitado...

- ... ele n�o pode nem mesmo andar. - Ol�, Manlio.

Leve-o pelo bra�o. Eu seguro deste lado.

- N�o, n�o, n�o. - Vamos, n�o se preocupe.

Ap�ie-se em mim. Isso, ande.

Muito bem, � isso.

- Ande. - Eu posso fazer isso sozinho.

- Ap�ie-se em mim. - Devagar, devagar.

- Por que inventa tantas mentiras? - Bem...

...voc� me conhece.

- Voc� est� perdido sem mim. - O qu�?

Sim. Voc� est� perdido sem mim. Eu tenho que proteger voc�.

Manlio.

N�s n�o podemos esperar por Giovanna.

Voc� est� perdido sem mim!

Ele n�o morde.

N�o tenha medo, pode se apoiar em mim.

N�o tenha vergonha, eu posso ajud�-lo, eu lhe asseguro.

N�o, � que...

Voc� n�o deve ter medo.

- Mas... - Eu vou ajud�-lo.

...era uma piada.

...conhe�o essa doen�a, porque minha av� tamb�m tinha.

- Mas... - Segure meu guarda-chuva.

Eu ouvi o que voc� disse para a sua amiga.

Que voc� tem a sensa��o que as pernas est�o mortas.

- � isso? - Sim, exatamente.

Deve ser uma sinovite. Eu tenho certeza que � uma sinovite.

Gostaria que fosse uma sinovite!

Tenho calcifica��es em ambos os joelhos.

N�o s�o exatamente Calcifica��es. Tenho estilha�os.

Como isso come�ou?

Deve ter sido por causa do terremoto.

- Ouviu falar sobre o Ves�vio? - Sobre o Ves�vio? Sim.

Mas isso aconteceu antes de Cristo.

Isso � verdade, mas � algo heredit�rio...

Meus antepassados eram de Pomp�ia.

Mas espere!

Agora lembrei.

Um antepassado meu foi curado por uma mulher russa, sabia?

S�rio?

Sim, mas eu acho que � mais uma lenda.

Por favor, conte-me sobre isso.

N�o. Al�m disso, eu n�o acredito nessas hist�rias.

Voc� j� come�ou.

S�o apenas bobagens.

- Imagine voc� sair por a� falando... - Por favor.

- Ok, podemos tentar. - Sim.

Diga uma palavra russa no meu ouvido.

Qual?

Qualquer palavra.

- Qualquer palavra? - Sim.

Ok.

SA-BACH-KA.

Significa "cachorrinho".

O que est� acontecendo?

Estou curado!

� um milagre! Um milagre!

Um milagre!

Senhorita! Espere!

Espere!

Volte!

Espere!

Tinha sido s� uma brincadeira.

Ande que vai passar.

Ontem � noite eu bati na sua porta, mas voc� n�o abriu.

N�o importa, porque n�s nunca mais vamos nos ver outra vez.

Esse p�ssaro voou para sempre.

N�o!

Oh, que desespero! Meu p�ssaro!

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Mastiguem bem, assim a comida chega lentamente ao est�mago.

N�o sei se todas as mulheres russas s�o assim.

Eu n�o sei. Fisicamente, ela n�o era...

...particularmente interessante.

Porque... Como devo dizer?

Onde foi que eu coloquei o sapato?

Mas... ela irradiava um sentimento...

...de pureza,...

...de integridade,...

...e at� de ingenuidade.

Entende o que quero dizer?

O que � isso?

Aqui est�.

Al�m disso, eu estava encantado pelo fato de que...

...ela acreditava em todas as hist�rias que eu contava a ela.

Porque ningu�m mais acreditava.

Apenas ela.

Obrigado.

E isso me fez sentir jovem.

Quando eu tinha 5 anos, eu fiquei �rf�o.

Fui viver com meu av�, que estava sozinho tamb�m.

Ele era um homem muito severo.

Vov� vivia com um pardal.

Ele o chamava, dava-lhe ordens.

Por exemplo, quando era hora das refei��es ele dizia: "vem".

Eu o chamava tamb�m. Dizia: "vem, pequeno pardal,...

...as migalhas est�o prontas para voc� ".

Ele veio e comeu na palma da minha m�o.

Fiquei muito satisfeito porque...

- Olhe, o chap�u. - Que pena!

N�o importa.

Eu tenho outro.

Permita-me, Senhora.

Obrigado, senhor.

Obrigado.

Obrigado.

Olha, olha como eles se divertem.

Eu me lembro quando eu era um menino...

...a minha m�e costumava fazer compras no mercado mais cedo.

Entrei no carrinho de compras e ela empurrou-o.

Eu queria ter uma bicicleta, mas o meu pai n�o podia pagar.

Ent�o ele me fez um patinete, e eu estava feliz com isso.

- Vamos para dentro. - Eu n�o quero ir para dentro

Para mostrar que n�o h� nenhum truque...

...eu vou pedir a uma senhora da plat�ia...

...para ser minha assistente.

Quem faria a gentileza? Talvez essa senhora de chap�u preto?

Sim, ele escolheu voc�.

N�o, Romano.

Aproxime-se.

Por aqui, por favor.

N�o tenha medo, querida.

N�s n�o nos conhecemos, ent�o...

...eu sou grato por sua ajuda.

Voc� acha que n�o h� nada aqui?

Olhe bem, eu vejo alguma coisa...

- Muito bom! - Bravo!

E o que voc� est� escondendo nessa bolsa? Ela diz que n�o h� nada.

Tem certeza? Procure melhor.

Vou ficar de lado, voc� olha.

Bravo!

Eu n�o sabia nada sobre ela.

Eu sabia...

...que ela era casada, que ela n�o tinha filhos,...

...e que ela tinha aprendido a minha l�ngua estudando canto.

Por outro lado, as minhas inten��es n�o eram s�rias.

Mas uma noite...

Vamos l�, temos pressa.

Eu estou fazendo o meu melhor.

Ok, n�o fique zangado.

O que voc� est� fazendo aqui sozinho?

Onde est� a sua dona?

Vem c�, linda.

Quem �?

Anna.

O que acontece?

Por que voc� est� chorando?

O que aconteceu com voc�?

Anna.

Voc� n�o vai acreditar em mim, eu choro porque estou feliz.

- Muito feliz. - N�o me diga que voc� chora...

...quando est� feliz.

- Romano. - Sim.

- Desculpe-me, Romano. - Por qu�?

Voc� deve achar tudo isso muito estranho.

- N�o estou acostumada a ser feliz. - Acalme-se.

Hoje eu tive um n� na minha garganta o dia todo.

Isso acontece quando voc� � jovem.

- Eu gosto muito de voc�, voc� �... - Romano.

- ... t�o bonita. - Romano.

Tenho vergonha que me veja assim, voc� � t�o gentil...

...comigo. Eu sou grata por tudo voc� tem feito por mim...

...o meu Romano.

- Basta. - N�o vou esquecer a sua compreens�o.

Pare de chorar, estou aqui agora.

N�o chore. D�-me um de seus sorrisos encantadores.

Voc� � bonita quando voc� sorri.

O que acontece, Romano?

Romano.

Romano.

- N�o tenha medo. - Voc� n�o deve.

Calma, calma.

Romano.

N�o tenha medo.

Durma.

Voc� chorou.

Por qu�?

Ah, Anna.

Ah! Esqueci de te contar uma coisa que aconteceu ontem � noite,...

...algo fant�stico.

O oficial, que diz que foi baleado foi visitado por um amigo,...

...que tamb�m era um oficial.

Com uma cara de... completamente b�bado.

Nosso amigo estava contando para a gar�onete a hist�ria de...

...como as balas voavam em torno dele na batalha,...

...quando o outro oficial disse na frente de todos:

Se voc� n�o misturasse conhaque com cerveja...

...voc� n�o teria se embriagado...

...e as duas prostitutas n�o teriam te jogado escada abaixo.

E voc� n�o estaria aqui com o bra�o em uma tip�ia!

Voc� imagina a situa��o?

Na frente de todos.

Naquela manh�, ela n�o apareceu no caf� da manh�.

Eu esperei por ela por um tempo.

Ent�o eu sa� para comprar uma melancia, e fui busc�-la.

Ol�.

Ol�.

Bom dia.

Ela foi embora.

- Quem? - A russa.

Eu vim...

Ela tinha se registrado at� o dia 20, mas ela saiu, esta manh�.

- O m�dico... - Quem � voc�?

O m�dico me perguntou... como era o meu caminho, se eu podia...

Isto � seu?

Eu encontrei esta manh� ao lado da cama.

- N�o. - Ok, ent�o se n�o � seu...

- ... � meu. - Claro.

Voc� � o Sr. Romano Patroni?

Ah, sim. Entendi, ela deixou uma carta para o m�dico.

Eu lhe escrevo esta carta em russo,...

...n�o s� porque eu n�o confio no meu italiano...

...mas tamb�m porque...

...porque...

no SPA eu n�o encontrei algu�m que pudesse traduzir a carta.

Abri-a dez vezes por dia, talvez mais.

E cheirava...

...a seu perfume.

Al�m disso, o que poderia aquela mulher ter escrito sabendo...

...que nunca mais nos ver�amos outra vez?

Algumas palavras carinhosas,...

...alguma pequena reprova��o.

Eu devia ter aprendido russo.

Enquanto isso, eu tinha voltado a Roma, onde...

...a vida continuou o seu curso, aparentemente tranq�ila.

Encontrava Elisa para o almo�o,...

...pequenas brigas,...

...o �dio da minha sogra,...

...e eu pensei:

em alguns meses, a lembran�a deste caso...

...ter� desaparecido, como tantas outras.

Pelo contr�rio, um m�s depois...

...a imagem dela ficou t�o clara, t�o precisa...

...como se...

...houv�ssemos nos separado um momento antes.

Ent�o, eu tive uma id�ia brilhante.

Eu cortei...

...a primeira linha da carta, escrito em italiano,...

...onde estava o meu nome, e a �ltima, onde estava a sua assinatura.

Depois fui para a universidade onde eu tinha estudado, com essa folha,

...onde eu tinha certeza que iria encontrar algu�m que me ajudasse.

"Eu escrevo esta carta para voc�...

...n�o s� porque eu n�o confio em meu italiano...

...mas tamb�m porque quando algu�m traduzi-la, vou estar muito longe.

Ent�o...

...que apenas o pensamento me faz tremer.

E naquele momento...

...nada pode ser mudado.

Eu n�o parti, eu fugi.

Eu fujo do amor.

Eu fujo do que...

...do que eu esperei por toda minha vida.

Estou de volta ao meu papel de pessoa med�ocre...

...que n�o poderia pedir mais do que aquilo que ela j� tem...

...e deve continuar a ser o apoio de uma fam�lia infeliz...

...com um pai alco�latra e dois irm�ozinhos.

Para ajud�-los, me casei com um homem que eu n�o amo...

...mas a quem eu permane�o fiel...

...a quem eu sempre permanecia fiel,...

...at� que eu te conheci.

Com voc�, eu encontrei a felicidade do amor, da qual agora eu fujo.

Oh, meu Deus. Para quem se dirige esta carta?

O qu�?

Quem s�o os destinat�rios?

Encontrei-a entre alguns pap�is de um amigo que est� na R�ssia.

S�rio?

E o que ele faz na R�ssia?

Ele morreu congelado em S�o Petersburgo.

"Agora s�o...

quase 7:00.

As malas est�o prontas, e eu estou...

...na cadeira em que voc� sentou um momento atr�s ".

Enquanto ouvia a sua carta...

...eu vi os seus olhos de novo,...

...eu cheirava o seu perfume.

A mem�ria de suas luvas de algod�o me tocou.

O cabelo na parte de tr�s do pesco�o,...

...macia como penas de galinha.

Foi assim que me dei conta...

...que eu a amava desesperadamente.

Tina estava certa.

Eu estava perdido.

E voc� foi atr�s dela?

Sim.

- O que voc� falou em casa? - A desculpa era muito simples.

Eu sou um arquiteto. Meu amigo, Manlio...

...queria montar uma f�brica de vidro e me pediu para pesquisar...

...as possibilidades na R�ssia.

Tr�s semanas depois,...

...carregado com cat�logos de vidros inquebr�veis,...

...eu cheguei a San Petersburgo.

Comecei os tramites da licen�a para ir para a pequena aldeia...

...onde ela morava.

Eu n�o sei como s�o as coisas na R�ssia agora,...

...mas na �poca n�o era f�cil para um estrangeiro...

...viajar de uma cidade para outra.

- Agora � mais f�cil. - Bem, antes era um inferno.

Deram-me um int�rprete...

...que era para me ajudar a obter essa autoriza��o.

Ou melhor, me ajudar a achar algu�m...

...que assumisse a responsabilidade de assinar a permiss�o.

Um documento que autorizava que voc�...

pudesse viajar pelo interior. Isso.

- L� est� ele! - Voc� mostrou o mamute congelado?

- N�o, ele n�o queria ver isso. - Bebe algo?

N�o.

Ent�o porque ele veio aqui?

Ele quer saber da possibilidade

de montar uma f�brica de vidro.

E o que tenho a ver com isso?

Ele quer uma licen�a para viajar at� Sisoev.

Afanasie Matvevich? O que � isso?

- Minha nova assinatura. - Ah! Sua nova assinatura.

Por precau��o, se for preciso assinar

J� pensou se acontece alguma coisa com esse estrangeiro?

Deixamos um espa�o em branco como se outra pessoa tivesse que assinar.

Mas que coisa...

Ah v�o admitir tecnologia ocidental por aqui?

N�o acho poss�vel.

Senhoras e senhores, hoje n�o receberemos mais ningu�m.

- Por favor, senhores, deixem o local - Mas eu vim para...

- Por favor, senhora. Saia agora. - Mas eu preciso...

Sinto muito, hoje � imposs�vel, n�o insista!

Bom dia.

- Obrigado. - Sente-se, por favor.

Excel�ncia, eu vim para mostrar-lhe este vidro, que � inquebr�vel.

Ele � surdo.

Dizia que � um cristal inquebr�vel, que aguenta qualquer impacto.

Vou fazer uma demonstra��o, se me permite.

Olhe com cuidado.

Bem, veja.

Olha, vou bater com toda a for�a.

Voc� v�? Agora voc� tenta, Vossa Excel�ncia.

N�o, n�o � dif�cil, por favor, n�o hesite.

A assinatura.

Est� vendo, Excel�ncia? � formid�vel.

Mas, por favor, novamente, sem medo.

Voc� quer tentar?

Aqui est� a permiss�o, vamos assine por favor.

A assinatura, por favor.

Sua excel�ncia diz que n�o pode assinar.

N�o h� tinta, tinta.

N�o h� tinta?

Em todo o pal�cio n�o h� tinta...

Pois �... n�o h� tinta.

Tudo bem.

Obrigado, obrigado.

Preciso ir.

H� tinta aqui.

O vidro n�o quebra...

...mesmo com o peso do meu corpo.

Ele n�o quebra.

Venha, por favor.

Obrigado.

Que pessoa maravilhosa � Piotr Vasiliev!

Que intelig�ncia! De um grande estadista!

E como resolve problemas rapidamente.

Com que discernimento!

Pare!

Desculpe-me, meu amigo.

Adeus.

Bom dia.

Desculpe-me, voc� poderia...?

Bem-vindo!

Sim.

Prove do p�o da amizade.

Bravo! Bravo!

O povo sa�da o visitante de terras distantes.

Receba nosso p�o em sinal de amizade.

Receba nossas flores mais belas. Do fundo de nossos cora��es

Nos sentimos todos honrados com a sua presen�a.

Se eu fosse um poeta,

poderia escrever um verso em homenagem ao nosso convidado.

Um descendente da antiga Roma que est� vindo at� n�s

Tal qual o pequeno menino que se alimentou da loba romana

Veio atrav�s de nossas grandes florestas,

Cheio de talentos e novidades.

Sim, sim.

Mas eu n�o sou um poeta.

S� posso falar como um homem simples do povo.

Viva o progresso!

Progresso, sim.

Viva

ao visitante

E �s grandes novidades que ele nos traz.

Em nome da nobreza...

...de nossa cidade...

...deixe-me nome�-lo,

...por ser o primeiro estrangeiro...

...que nos honra com sua presen�a,...

...cidad�o honor�rio...

...de Sisoev.

Obrigado.

Beba!

Espere!

Voc� est� acordado! Eu estava esperando por voc�.

Por mim?

Eu n�o gostaria de incomod�-lo, meu nome � Konstantin.

Mas eles me chamam Kosta, Kosta.

� um grande prazer poder falar com voc�!

- Eles v�o me chutar daqui. Venha. - Quem?

Eu queria falar com voc�.

Venha.

Ou�a, ou�a.

Eu sou veterin�rio aqui.

Eu estudei por dois anos na It�lia.

Mas isso n�o importa.

Tenho certeza de que vou ser expulso daqui, mas...

...pela minha alma, n�o construa essa f�brica aqui.

Sim, eu entendo o progresso, aumento da popula��o, e...

...eu n�o sou contra essas coisas, eu n�o sou.

Em Krizhanovsky h� argila, h� turfa.

Tente entender.

M�quinas a vapor necessitam de madeira.

E o que v�o fazer? Transformar nossa floresta de pinheiros...

...em carv�o?

E sobre o rio? O que vai acontecer com ele?

J� est� acordado? Bom dia!

Vou entrar.

O que voc� pensa que est� fazendo?

Enchendo a cabe�a de nosso convidado.

Com suas idiotices contra-revolucion�rias?

Levem-no daqui.

Direto para a cadeia.

Deixem que fique por l�

At� que aprenda a n�o se meter em assuntos de estado.

Mil perd�es, Sr. Romano, esse infeliz � uma vergonha nacional

Ele n�o � muito bom da cabe�a.

Certa vez ele vinha

correndo para atender um caso

de uma vaca que n�o conseguia parir,

quando passou pela igreja.

Uma telha caiu bem na sua cabe�a

Desde ent�o ficou desse jeito. Olhe l�...

Voil�! Ce Moi!

- Sua Excel�ncia diz... - N�o falo russo, um pouco de franc�s.

Ele diz que n�o fala russo, apenas um pouco de Franc�s.

� uma pena que n�o fale russo.

V�o fazer alguma coisa.

Venha comigo. Vou lhe mostrar algumas coisas

da minha inf�ncia.

Eu adorava desenhar, e...

Entre por favor.

Obrigado.

Muito bem.

Meu tio.

Sim.

Sou eu.

Pequenino.

Meus uniformes.

Quando eu era crian�a

e depois, quando adulto.

Cresci muito neste per�odo.

Teatro!

Venha comigo.

Essa � a �nica coisa que posso tomar...

Bem, direi sutilmente,

aquele homem nasceu com um dom de car�ter natural.

Atualmente, acham que � brutal essa coisa de idealismo.

Mas o idealismo diminui quando envelhecemos.

O idealismo se transforma apenas em lembran�as.

Ch�?

Hoje o dinheiro � tudo.

Rublos.

Ah! Rublos.

Certo. � a fonte da vitalidade do s�culo.

Hoje tudo gira em torno do dinheiro.

Apesar daquele homem

n�o ser um b�bado.

Sou eu.

No entanto nesta manh�,

ele causou alguns problemas.

Mas homens como ele, s�o raros por aqui.

Konstantin.

Sou eu novamente.

Realmente n�o deve acreditar nele.

Esse � um conselho que lhe dou,

embora nesta cidade,

ele ainda seja considerado,

como um cidad�o honesto.

N�o ligue para ele.

O que acontece com voc�?

N�o � nada.

� s� um pouco...

Est� no quarto.

De minha mulher.

Minha esposa.

Yin Gou � como um filho.

Vive no quarto com minha esposa.

� um animalzinho lindo.

E uma excelente companhia.

Ali�s, est� precisando de dinheiro?

Se precisar, fale comigo.

Certamente voc� � o nosso homem.

O homem,

que foi talhado para esse trabalho.

O mundo gira, gira.

Preste aten��o.

Realmente n�o precisa de capital?

Mas que coisa!

Mestre!

Saia j�!

J� n�o lhe disse para n�o entrar

quando estou com convidados?

Entendeu?

Como ousou me interromper?

O que voc� quer?

Perd�o mestre...

Mas a senhora me mandou

saber...

Mas que insol�ncia!

... se o senhor tomou o ch�...

Vamos pegue.

Suma com esse ch� daqui.

Fora!

SABATSKA!

Como est� lindo, que belezinha.

Venha, venha.

Sabatska

Bravo!

Est� aprendendo a falar russo.

Bravo.

Bravo.

O cachorrinho � muito bonitinho.

Gostou de voc�!

Chame a madame agora.

Vou apresent�-lo a minha esposa.

Mam�e j� est� vindo,

est� vindo.

Madame disse que n�o pode vir.

Disse que est� ocupada

recepcionando os outros convidados.

Que pena, ent�o devemos ir.

Vamos.

Anda! Mexa-se!

Tenha a bondade.

Viva a bela It�lia!

Leve o cachorro.

Andem! R�pido!

Querida,

est� bem?

Porque est� com essa bandeja?

N�o temos v�rios servos para isso?

Sinto muito.

Estou com um pouco de dor de cabe�a

Realmente sinto muito.

Deve passar logo.

Vou tomar algum rem�dio.

Preciso me deitar um pouco.

Mas o que isso significa?

Estou recebendo o convidado

mais importante que j�

apareceu por aqui,

uma chance real

de ganharmos uma fortuna.

E voc� me vem com essa historia...

de dor de cabe�a?

Mas querido se acalme.

Ningu�m se importar�,

nem notar�o a minha aus�ncia.

Pode ter certeza disso.

Assim que eu melhorar,

eu volto para ficar ao seu lado.

Agora devo ir.

Que seja.

Oh! Meu Deus do c�u...

Anna.

Anna.

Anna.

Anna.

Anna.

Anna.

Anna.

Anna, espera.

Anna, n�o corra.

Eu preciso falar com voc�, espere.

Anna.

Ou�a, por favor, n�o fuja.

Anna.

Anna.

N�o corra.

Pare.

Anna.

Anna, espera.

Por favor, n�o v�.

Anna.

O que voc� est� dizendo?

Voc� n�o percebe que vim aqui s� para te ver?

- Por qu�? Por qu�? Por qu�? - Como voc� pode perguntar?

Voc� tem que me escutar. Voc� deve me ouvir.

- Voc� escreveu uma carta de amor... - Por qu�?

- ... e eu quero saber... - Por que voc� veio?

Por que voc� veio?

Eu n�o posso viver sem voc�.

Eu tamb�m n�o.

Anna.

Agora tudo vai ser simples.

Voc� me ama como eu te amo e n�s vamos ser muito felizes.

Vou deixar tudo.

Vamos deix�-los, sem engana��o ou mentiras.

Voc� vai contar tudo a seu marido, e eu vou falar com minha esposa.

Ele vai entender.

Eu vou voltar para deixar tudo em ordem, ent�o voltarei para voc�.

Anna.

Amor sem mentiras.

Voc� vai esperar por mim.

Diga-me.

Voc� vai me esperar?

Responda-me.

Sim.

Sabatska.

Eu acho que voc� n�o me viu.

Kosta.

- Konstantin. - Sim, sim.

Voltei para pedir desculpas por esta manh�.

Por favor.

Eu disse um monte de besteiras.

N�o.

Eu provavelmente s� o deixei de mau humor.

Eu n�o sou contra a sua f�brica, n�o, mas...

Konstantin.

Essa hist�ria sobre a f�brica � uma mentira.

Eu s� vim aqui...

...� procura de uma mulher.

E voc� achou?

Sim, sim, sim!

Eu a encontrei, sim!

E eu me sinto...

...t�o...

Sim?

Tenho que ir agora.

Konstantin, eu estou com pressa agora. Desculpe-me, mas eu estou com pressa.

Com licen�a.

Minha filha est� dormindo aqui.

Como estou sozinho, eu n�o tenho ningu�m para cuidar dela.

Eu tenho que lev�-la comigo.

Como voc� demorou, ela acabou dormindo. Com licen�a.

Voc� fez muito bem.

Voc� fez muito bem, realmente.

Voc� sabe? Eu tinha uma filha tamb�m.

Bem, eu ainda tenho.

Mas ela � adulta agora.

Qual o nome dela?

- Ollia. - Ollia.

Um nome ador�vel.

Tenho que terminar de preparar a bagagem agora.

Eu tenho que partir.

O qu�? Voc� est� planejando partir durante a noite?

O trem s� sai de manh�.

Eu n�o sei, mas eu tenho que ir a Roma, o mais r�pido poss�vel...

...tomar grandes decis�es. Volto antes do que voc� pensa.

O trem est� a 40 quil�metros daqui. Como voc� vai chegar?

Voc� n�o sabe quem � Romano.

Espere, Romano.

Espere!

Romano!

Espere, Romano!

Voc� decidiu ir andando para l�.

S�o 40 quil�metros.

Gra�as a Deus...

...este homem est� disposto a nos levar.

Um prazer, Romano Patroni.

Um prazer, Romano Patroni.

Todo mundo aqui pensa que sou louco, voc� provavelmente j� percebeu isso.

- Se voc� est� dizendo... - Sim, n�o diga que n�o.

E eu entendo.

Eu n�o sou contra as f�bricas, mas aqui � imposs�vel.

Se as m�quinas destroem a floresta, o rio secar�...

...s� sobrar� desola��o e morte.

� por isso que eu n�o me importo que eles me tomem por louco.

N�o me ofendo com isso.

Os russos s�o pessoas honestas.

Pessoas respeit�veis...

...que s� querem melhorar as coisas.

Mas eles s�o como crian�as...

...que tudo que encontram...

...enfiam na boca.

Dessa forma, eles devoram tudo o que os rodeia.

O que h� de errado com voc�?

Oh, m�e.

Todo mundo quer aproveitar ao m�ximo...

...imediatamente.

Eu posso ajudar tamb�m...

- ... deixe disso. - N�o.

Mas que desgra�a...

Onde � que todos esses avan�os podem nos levar? Ningu�m sabe.

Ningu�m quer saber.

Ou�a, ou�a, eu n�o sei nadar.

- A �gua n�o � muito profunda aqui. - Gra�as a Deus.

Antes era mais funda.

Antes de constru�rem o dique.

Havia uma grande quantidade de peixes.

O que est� dizendo?

Que havia milh�es de peixes.

Sim, sim, tudo diminuiu.

Peixes, aves, tomate, tudo.

Sua casa n�o � apenas...

...o seu peda�o de terra cercado por uma cerca.

Sua casa est� em toda parte.

� este rio, a floresta, o c�u.

� toda a parte.

E devem ser cuidadas como um templo.

A beleza � a for�a da mat�ria.

Cuidado, cuidado, pare, pare, pare.

Obrigado, obrigado.

Quando eu era crian�a...

eu nunca queria... ir para a cama.

Eu costumava pensar que a melhor parte iria come�ar...

...assim que eu fosse dormir.

Minha m�e cantava alguma can��o de ninar para mim,...

...e eu cobria meus ouvidos para n�o ouvir...

...porque eu estava com medo de adormecer.

E acabava por adormecer...

...com os meus dedos nos ouvidos.

Fai la ninna fai la nanna...

...pupo bello della mamma.

fai la mamma pupo bello...

...che te canto un susurmello.

N�s viajamos atrav�s dessas terras �midas...

...acompanhados do tilintar de um balde atado � carro�a.

Eu vi minha m�e nos meus sonhos...

...e eu ouvi a voz dela.

E pela primeira vez...

...depois de tantos anos...

...eu n�o sentia o peso da minha consci�ncia.

Ciganos!

Sou eu, Romano!

Voc�s se lembram? Romano!

Ciganos!

Estou indo embora, mas eu vou voltar muito em breve!

Esperem por mim!

Ciganos!

Volto muito em breve!

Esperem por mim, ciganos!

- Bom dia. - Bom dia.

Seja cuidadoso, n�o risque o guarda-roupa.

- Onde est�o as cordas? - Eu vou busc�-las.

N�mero 127, a mesa...

Essa cadeira aqui, separe-a.

Fernando!

Bem-vindo, Sr. Romano!

O que est� acontecendo?

O Sr. Romano.

- Onde est� a senhora? - L� em cima e a Sra. Tina tamb�m.

Elisa decidiu vender tudo na casa para pagar as d�vidas.

Manlio e eu estamos fazendo o invent�rio...

...e ela est� com alguns compradores. Mas eu lhe digo,

como ela p�de confiar cegamente naquele advogado?

Ela devia estar...

Por que voc� me olha dessa maneira?

Voc� � uma verdadeira amiga.

O que est� errado?

Vou perder voc�.

Voc� sabe o que quer dizer sabatska?

N�o, o que significa isso?

Eu acho que vou lhe fazer uma grande surpresa.

Esta � uma mesa de bilhar muito boa.

� francesa aut�ntica.

Se voc� estiver Interessado, eu vou deix�-la.

- Bem, Nino? - E esta � a sala de m�sica.

Aqui h� um piano excelente Acho que vou deix�-lo.

- Eu vi primeiro. - Crian�as, comportem-se.

Poderia ser �til para as crian�as.

- � meu. - Eu disse calma!

- N�o, � meu. - Quem disse que � seu?

Elisa.

Porque � verdade.

Romano!

Voc� � um mentiroso.

Estes senhores vieram para ver a casa...

...e eles querem compr�-la.

Bom dia.

- Posso olhar ao redor? - Claro.

- Bom dia. - Bom dia.

Venha, os quartos devem estar aqui.

- Bom dia. - Bom dia.

Ida, Ida.

Como voc� queria h� 30 anos.

N�o h� mais casa nem dinheiro, apenas eu e voc�.

- Como voc� est�? - Bem, bem.

Como foi sua viagem?

- O qu�? - A sua viagem. Foi interessante?

- Sim, sim. - Estava frio?

N�o, n�o, pelo contr�rio.

Com licen�a.

Mas, o que voc� foi fazer na R�ssia?

O qu�?

Eu encontrei esta carta...

...um dia...

...enquanto eu estava colocando suas coisas em ordem.

Voc� leu?

N�o, � em russo.

E � perfumada.

Eu n�o sei.

Eu n�o me lembro.

Talvez seja sobre...

...detalhes t�cnicos do vidro.

Romano.

Sim?

- Por que voc� guardou esta carta? - Elisa...

...mas eu n�o a guardei!

Eu n�o sei o que essa carta est� fazendo aqui.

�s vezes, jogo fora essas cartas.

Mas eu n�o sei nada sobre essa carta.

Se eu tivesse a resposta...

- O mais bonito era o branco. - O negro.

- N�o, o bonito era o negro. - Crian�as!

- N�o, era o branco. - Crian�as, que acontece?

Pe�a a este cavalheiro. O que acontece?

Podemos ficar com ele? O cachorro branco.

- Vamos perguntar pro papai. - N�o, vamos perguntar � mam�e.

Acho que a melhor coisa � pedir � mam�e.

- Sim, m�e, sim. - Quanto a mim...

Digam � mam�e que eu vou ver os cachorros imediatamente.

Acima de tudo...

...aconselho voc�s a n�o dar-lhes a��car, porque faz muito mal.

Venham r�pido, comportem-se. Tudo bem.

Venham r�pido.

Romano.

Pela primeira vez na sua vida...

...me diga a verdade.

Mas...

...o que voc� quer saber, exatamente?

A verdade.

Que verdade?

Toda.

Tudo bem.

Tem certeza que n�o vai se arrepender?

Voc� quer saber toda a verdade?

Mas antes disso...

...jura que voc� n�o vai fazer mais perguntas.

Certo?

Sim.

Jure.

E se eu jurar...

...ent�o voc� vai me contar toda a verdade?

Sim.

Ent�o eu juro.

O que voc� quer saber?

Existe uma mulher na R�ssia que voc� ama?

N�o, nunca.

Desculpe, querido.

Mas eu estou t�o cansado.

T�m sido dias dif�ceis e eu perdi muito.

Perdi muito, querido...

O que � isso?

Um disco russo.

Que interessante!

E depois...

...o que aconteceu?

Bem...

...ent�o, naturalmente, eu nunca retornei para a R�ssia.

Voltei para a minha antiga vida.

Os problemas da minha esposa foram se resolvendo pouco a pouco.

Ela at� recebeu uma heran�a de um tio da Am�rica do Sul...

...que ela n�o conhecia.

Dessa forma, ela recuperou a mans�o, os m�veis e o dinheiro.

E eu,

agora estou aqui.

E ela?

- Ela, quem? - Ela.

A outra, a russa.

Ela gostava de voc�, ela esperou por voc�, talvez...

...ela ainda esteja esperando.

Mas se passaram quase 8 anos.

At� mesmo o c�ozinho deve estar morto agora.

Al�m disso, diga-me:

o que t�nhamos, afinal? E se era alguma uma coisa,

...o que era?

Nunca se saber�.

Meu Deus.

Quem vai se lembrar de quem?

Apenas penso nela...

...e a vida torna-se serena e calma.

Voc� pode pensar o que quiser sobre isso.

� seu direito.

Mas isso n�o se aplica a todos.

Mas, meu amigo, abra os olhos.

Abra os olhos e olha ao redor.

Estamos no s�culo 20.

Quem se lembra de alguma coisa?

Quem � capaz de esperar algu�m hoje em dia?

Eu.

Eu!

Eu conhe�o minha esposa desde que �ramos crian�as.

Desde que ela era uma crian�a. Eu sou muito mais velho do que ela.

Ent�o, ela se mudou para outra Cidade, juntamente com seus pais.

Ela casou-se...

...e seu casamento deu errado, a mesma velha hist�ria.

Enfim, h� sete anos, eu a encontrei em Moscou.

Ela morava na casa de uma tia, em uma situa��o desesperadora.

Brigas de fam�lia, quest�es de dinheiro.

Eu n�o pedi nada a ela.

E ela n�o me disse nada.

Para fazer um resumo da hist�ria...

eu me apaixonei.

Eu perdi a cabe�a completamente.

Mas a coisa mais importante...

...para ser realista,

...o fato...

...� que...

...ela...

...n�o me amava.

Ela nunca me amou.

E mesmo quando ela tentou se matar...

e eu a trouxe de volta do outro mundo...

ela chorou e gritou, e beijou minhas m�os.

Mas ela nunca quis saber de casamento comigo.

Ent�o eu entreguei-me � bebida, mas isso n�o � importante.

Em sete anos...

eu a pedi em casamento 8 vezes, e ela sempre respondeu "n�o".

E...

...na nona vez...

...quando eu,

louco de amor, atirei-me a seus p�s,

ela se ajoelhou ao meu lado.

Ela...

me deu um beijo na testa...

...e disse:

..."Eu n�o te amo,

...mas eu vou continuar fiel a voc� ".

Foi o que ela disse.

E ela aceitou.

E eu...

...recebi essa situa��o humilhante com entusiasmo.

Com entusiasmo, voc� v�? Porque eu sou um perdedor...

...uma pessoa t�mida, eu j� lhe disse isso.

Eu n�o sei como fazer as pessoas me amarem.

Mas tudo conta,

...a cada dia, cada gesto.

Vamos levar tudo para o t�mulo.

E � muito prov�vel que...

...este...

...navio apodre�a, e esse mar seque.

Mas o bem que fizemos, e o mal que fizemos,

...vai durar para sempre...

...em algum lugar.

Eu vivia cada dia como se fosse um palco

de segunda categoria.

Eu tive tudo...

...e nada.

Nem uma casa real, nem uma fam�lia real.

Nem mesmo a minha filha, que se assemelha a mim,

...como duas gotas de �gua.

N�o me lembro de nada.

Se eu morresse agora, e o Santo Pai me dissesse...

"Romano...

...o que voc� lembra sobre sua vida?

A can��o de ninar que minha m�e cantava quando eu era crian�a.

O rosto de Elisa na primeira noite.

O nevoeiro russo.

Romano!

Voc� est� louco.

O almo�o � em quinze minutos,...

- ... e voc� n�o fez nada. - N�o se preocupe,

...tudo estar� pronto em quinze minutos.

Eu encontrei um velho amigo que esteve na guerra comigo.

- Na �frica. - Com licen�a?

Se est� b�bado de novo,

- eu n�o vou te ajudar, entendeu? - N�o se preocupe.

- Entendeu? - Em quinze minutos...

...tudo estar� pronto.

Voc� voltar� em quinze minutos, eu estarei esperando.

V� buscar a sua esposa.

Eu vou servir um almo�o digno de rec�m-casados.

Vai, vai, e n�o se preocupe, leve seu chap�u.

Entendi, entendi, Romano.

Romano, volto logo.

Queridinha...

Queridinha

Acorde

Abra os olhinhos

Est� quase na hora do almo�o

Que horas s�o?

Quinze para a uma.

Dormi como um beb�.

Quero lhe apresentar um senhor...

muito interessante que conheci nessa manh�.

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