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Atenção, todas as unidades.
Dando busca na sala.
Agora, andar de cima.
À esquerda, parece uma sala de aula.
Há carteiras e um quadro.
Não há ninguém.
Inspetora,
achamos outra coisa.
Ninguém exceto a técnica deve entrar.
-Pode deixar. -Inspetora.
A cozinha e o banheiro têm muitos restos. Venha comigo.
O que é isso?
Parece peixe marinado.
Anchovas.
Inspetora, o registro de compra que roubaram da farmácia em Palomeque.
-Estava em uma gaveta. -Maldição.
A pessoa de fora que ajuda esteve aqui.
E há menos de 30 horas.
Ponham vigilância nas estradas próximas.
Atenção, bloqueiem as estradas ao redor de dez quilômetros .
O suspeito pode estar perto.
Positivo. Unidades a caminho. Informando.
A inspetora começou a segregar adrenalina e cortisol.
Ritmo cardíaco e pressão subiram,
como um leoa momentos antes de caçar uma gazela.
Estava excitada e sentia sua presa muito próxima.
Temos oito jogos de digitais. Uma delas foi identificada.
Pertence a Silene Oliveira, codinome Tóquio.
Raquel só se perguntava...
se as provas eram realmente pistas para algo...
ou outro beco sem saída?
Não faz nenhum sentido.
Raquel estava certa.
O Professor planejara em detalhes levar a polícia a Toledo,
por isso deixara uma cena de crime digna de um Oscar,
cheia de DNA de pessoas que nada tinham a ver com o roubo.
Mas não estava em seus planos voltar
e deixar digitais de quem a polícia já identificara.
Berlim, Rio... e eu.
E desconcertá-los com as anchovas
e os papéis da farmácia.
Só pretendia levar Murillo a um beco que a faria perder ao menos três dias.
Três dias muito produtivos para nós,
já que se imprimem oito milhões por hora.
Sobretudo com a ajuda dos reféns...
Vamos! Preciso cortar nosso tempo em meia hora.
Qual é o problema? Acorde. Veja, todos estão sorrindo.
Ao trabalho! O trabalho dignifica, caralho!
...convertidos em cúmplices e esperando ganhar um milhão de euros um dia.
Venha comigo!
Algo não se encaixava.
Entre essas paredes, nada havia que já não soubessem.
O que o Professor calculara que levaria três dias,
levou 50 minutos para a inspetora.
Suárez, chame Alberto. Que venha assim que possível.
Alberto, seu ex-marido?
É o melhor técnico. Chame-o.
Atenção, central. Unidade 315, em Toledo.
A Inspetora Murillo solicita a vinda do Inspetor Vicuña, da Técnica.
Raquel, é Julia, professora da Paula.
Queria avisar que o pai da Paula
a levou para almoçar. Disse que era um evento de família.
Gostaria de me reunir com você.
Não por causa de Paula. Ela vai bem.
Mas o pai quer tomar um café comigo depois da aula...
e não sei bem como lidar com isso.
-Não pode passar. -Conheço a inspetora.
Raquel!
-Salva. -Desculpe. Queria me despedir.
-Desculpe a confusão. -Não. É trabalho. Não se preocupe.
Tudo bem.
Vou por onde viemos até a aldeia. Volto de ônibus a Madri.
Espere. Suárez.
Algum carro vai para Madri?
A primeira remessa de provas sai em meia hora.
Não quero incomodar. Eu pego um ônibus.
Seguindo o caminho, à direita, chega à estrada.
-Acho que vi um ponto de ônibus. -Sim.
Não há problema. Um de nós pode levá-lo.
Está bem.
80 HORAS DE ROUBO
Está na hora.
Ainda falta um minuto para as seis.
Bem, dadas as circunstâncias,
sabe onde pode enfiar sua maldita pontualidade britânica.
Terceira chamada sem resposta.
São 18 horas sem notícias do Professor.
Sabemos o que isso quer dizer.
CHAMADAS DE CONTROLE
Faremos chamadas a cada seis horas.
-E se não nos chamar? -Ou se você não nos atender?
Se houver algum imprevisto,
esperem a próxima chamada,
por um ciclo de quatro chamadas. Vinte e quatro horas.
E se, em 24 horas, perdermos o contato com você?
Significará, com quase total certeza...
que fui detido e estou sendo interrogado.
Também não sabemos nada da polícia.
Com certeza, algo acontece lá fora. O que fazemos?
Bem...
ainda falta uma chamada para completar o ciclo.
-À meia-noite. -Que ciclo?
-O ciclo da maldita ratoeira? -Denver, relaxe.
O Professor deve estar resolvendo detalhes.
Não há por que se preocupar. Ainda.
Por ora, continuemos vigiando os reféns e imprimindo dinheiro.
-Vou descansar um pouco. -Está de sacanagem?
Estamos em uma enrascada e vai trepar?
Tóquio, por favor.
-O quê? -Não precisa ser vulgar.
Primeiro, não combina com você. E, segundo...
se eu tivesse de escolher
um de vocês como aliado, falando hedonisticamente,
seria você.
O que houve com o carpe diem?
Houve que o plano se desfez em pedaços.
E talvez você não se importe, porque está desenganado.
Mas eu, não.
-Vou embora. -Filho de uma grande puta.
-Outra. -Está mesmo trepando com uma refém!
Quem? Aquela coitada, que você faz de secretária?
Coitada, não. Ela se chama Ariadna,
Nairóbi. E, sim, nós nos demos bem.
No dia em que entramos, Ariadna tremia...
de um modo que reconheço. Essa...
fragilidade e delicadeza despertaram algo em mim.
Um puta discurso de merda!
Nada é mais desprezível do que trepar com uma refém.
Mas não é tão errado estar com uma refém!
O que foi?
Podem me acusar de trepar bem, de trepar mal,
não de trepar sob mira da arma.
Denver.
Não.
O que foi? É isso mesmo. Também tenho uma relação.
Com Mónica Gaztambide.
-O que está dizendo? -Salvei a vida dela.
Ela me abraçou e beijou. Não a obriguei a nada. Havia amor.
Que amor, monte de merda?
-Não conhece a Síndrome de Escolmo? -Não, desculpe. Não sei o que é.
Mas, se tem síndrome ou doença, vamos superar juntos.
Não! Não vão superar juntos, porque você é a causa!
Síndrome de Escolmo é quando o refém acaba se afeiçoando ao sequestrador.
Essa moça está apavorada!
Mas você é um analfabeto e acha que isso é amor.
-Que porra é o seu problema? -Já chega!
Nenhum de nós é um Prêmio Nobel.
Mas temos de parar de brigar entre nós.
-Estamos em situação crítica. -Não.
Estaremos se o Professor não ligar dentro de seis horas.
Nesse caso, acionaremos o Plano Chernobyl.
O Professor não disse nada sobre isso. O que é o Plano Chernobyl?
Se tudo der certo, nunca chegarão a saber.
Então, por favor, tenhamos paciência.
Está bem?
Agora, se me dão licença, vou clarear as ideias.
Salva...
acha que devo largar o caso?
Dizer que não estou bem, tirar uma licença.
Abandonar.
-É uma pergunta muito pessoal. -Por isso pergunto a você.
Dormimos juntos. Você já conhece minha mãe.
Quero dizer que é uma pergunta...
que só você pode responder. Só você sabe o que sente.
Sinto que isso é maior do que eu.
-Se pusessem outro em meu lugar... -Não faça isso.
Se você está no comando desse caso...
é porque ninguém melhor que você sabe conduzi-lo.
Eu não sei. Mas na tenda...
falando com esse tal Professor, com quem negocio...
eu me sinto útil.
Mesmo que tenha de enfrentar perguntas,
como: "O que está vestindo?"
"O que está vestindo?"
Mas não sei. Aqui, sinto que...
ele é mais forte que eu. Não posso derrotá-lo.
Não sei. Veja. Toda essa gente aí, trabalhando.
Trinta pessoas da Técnica.
E não sei que caminho seguir.
Sinto-me perdida.
Desculpe. Está ficando tarde para você.
Não.
De jeito nenhum.
Inspetora Murillo,
o Inspetor Vicuña, da Técnica, está chegando ao local.
Vem comigo?
Claro.
Olá, Raquel.
Obrigado por me chamar. Foi muito profissional.
Como vai Ángel?
Ainda em coma. Nenhuma novidade.
Este é Salva, um amigo.
Mais como meu atual parceiro.
Salva, o Inspetor Alberto Vicuña.
Salvador...
Martín. Salvador Martín.
-Muito prazer. -Igualmente.
Que bom que está com Raquel.
Não quero incomodar. Não notará que estou aqui, mas me informe.
O que é isso?
Quatrocentos e sessenta mil euros.
Pouco, se formos pegos. Para começar do zero, quando sairmos da cadeia.
Vou esconder aqui. Atrás de nosso ladrilho.
Faço um buraco com a serra, depois, fecho.
Em alguns anos, voltamos e compramos um apê em La Manga.
Se o euro ainda existir.
Merda! Tem razão.
Ouça.
Não vai começar de novo com isso de romper, não é?
Espere até sermos presos e faça por carta, sei lá.
Ouça!
As coisas vão ficar muito feias.
E não sou de ficar quieta.
-Saio atirando. -Eu sei.
Mas você, não.
Preciso lhe pedir um favor.
Quando a festa começar...
entregue-se.
Agite uma bandeira branca e se entregue.
Tornará tudo mais fácil, quando as coisas se complicarem.
Quando as coisas se complicarem...
estarei com você.
Quando a festa começar...
estarei com você.
Não importa o risco.
E digo mais.
Só agito a bandeira branca quando o Real Madrid ganha.
Está bem.
Então? Vamos trepar um pouco?
Está bem. Não é o momento?
Hora da festa?
Hora da festa.
Ei! Venha.
Sabia disso de síndrome?
Síndrome de Estocolmo? Sim. Ouvi falar.
Não a forcei, papai. Juro.
Fui levar comida para ela e... me abraçou o pescoço.
Buscava minha boca e não me soltava, papai.
Foi real, juro que foi. Até comecei a dançar na frente dela.
Olhe para ela.
Quando já teve namorada assim?
Ora, Vane.
-Vane? -Vane era bonita.
Vane não era bonita, nem esperta, nem boa.
Porque era do seu mundo, e tinham coisas em comum...
E qual é meu mundo?
Um mundo de merda?
Olhe bem para ela.
Olhe!
Primeiro, é funcionária pública. Ou seja, estudou. E muito!
Segundo, seu último namorado era o diretor geral
da Casa da Moeda. E, terceiro, é bonita e elegante.
Essa mulher é de outro nível, filho.
É dos campeões. E nós...
-do tipo repressão à luta. -Está bem! Já chega.
Já entendi!
Sou um merda.
E tenho de pensar como um merda.
E tenho de sonhar como um merda. Entendi.
Não se mexam!
Ela disse para não se mexer!
Mãos na cabeça.
O que é isso?
É muito estranho. Ninguém telefona.
Então, se estão planejando nos matar,
ao menos ficaremos sabendo pela TV.
Calma.
Mónica Gaztambide, é sua vez.
Na primeira revista, acharam digitais de oito pessoas.
Há DNA em bitucas, chicletes, palitos, até no iogurte.
Mais de 100 provas classificadas.
Parece que escreveram o plano no quadro.
Estamos tentando reconstruir.
Deixaram o plano escrito?
Sim. Bem...
essa é a pergunta.
Se esta é uma cena contaminada, ou falta de cuidado ao destruir provas.
Estão dentro da Casa de Moedas. Não é descuido nem falta de inteligência.
Tudo isso não vale nada.
Ángel foi mais longe com as digitais que achou.
Que digitais?
Não lhe contou? Conseguiu um objeto pessoal, uma colherinha.
Tinha as mesmas digitais que achamos no carro.
Ángel achou alguém do grupo, ou chegou perto.
Se houver algo aqui, sei onde pode estar. Venha.
Tudo que queriam realmente destruir, terão queimado aí dentro.
É o modo mais seguro de destruir algo. É o que todos faríamos.
Mas só há cinzas ali. E poucas.
E as cinzas antes foram madeira, carvão...
mas também documentos, fotos...
um papel que, ao queimar, perde boa parte de sua matéria.
O fogo cria anéis de fumaça quente,
que levam esses papéis chaminé acima.
Às vezes, essas partículas grudam à superfície áspera da parede.
Se houver algo de valor, está aí. Deixe-nos trabalhar.
Gandia, traga os óculos e a câmera de infravermelho.
Venha, garota, estou com pressa. Ande.
Ande!
Ao trabalho!
Vire-se.
-Está sério hoje. -Não.
Pode parar? Vai me fazer derramar.
Certo. Vai derramar.
Falo sério, Mónica.
O que aconteceu?
Já acabaram nossas 60 horas de amor?
Você é um refém, sou um sequestrador.
Quando isto acabar, sairemos e veremos.
O quê?
O que foi? Venha aqui.
Houve algo? Não notei.
Talvez não tenha notado porque está aqui contra sua vontade...
mas você tem uma síndrome.
-Que síndrome? -Síndrome de Estocolmo.
Apaixona-se pelo filho da puta que a sequestrou.
E perde a cabeça por isso, tratando-me como a seu namorado.
-É algo de psiquiatria que médicos... -Ouça.
-Essa é a maior besteira que já ouvi. -Claro que diz isso.
-Você tem a síndrome. -Não é assim. Ouça.
E se nos cruzássemos na rua?
O que pensaria de mim, se eu lhe pedisse dinheiro?
Teria sequer me notado?
Diga a verdade!
Aí está.
Siga seu caminho...
eu sigo o meu.
E pronto.
Espere.
Você sente algo...
por mim?
-Não tenho síndrome, Mónica. -Denver.
Você sente algo?
Sim.
O que sinto é real. Não é por causa de Estocolmo. Mas você...
Não quero que perca a cabeça.
Não posso.
Não farei isso com você.
Em que está pensando, olhos verdes?
Olho para você e quero saber tudo.
Cada dia que viveu,
cada sorriso, cada lágrima.
Cada momento feliz.
É um mistério encantador para mim, Ariadna.
Por exemplo...
vejamos. O primeiro beijo.
Lembra-se de com quem foi?
Como se chamava?
Raúl.
Raúl.
Raúl deve ter se sentido um homem de sorte.
Como Neil Armstrong, caminhando na lua.
As primeiras vezes são especiais.
Únicas.
Mas as últimas vezes, por comparação, são inestimáveis.
As pessoas, porém...
normalmente, não sabem.
Veja, só tenho mais seis meses de vida.
Ou quatro.
Talvez até menos.
E uma das poucas coisas...
que realmente me importa, agora...
Sabe qual é?
Saber...
que vou viver aqui.
Aqui dentro.
Para sempre.
Dentro dessa cabeçinha linda.
Aconteceu algo. Algo sério.
Com licença. E os agentes que iam a Madri?
No momento, parece que ninguém vai.
Puxa! Então, vou caminhando até a estrada.
Posso me despedir da inspetora?
Venha comigo.
Tem certeza de que quer fazer isso?
Deveria levar tudo com você.
Não.
A partir de amanhã, isso não são lembranças, apenas...
provas contra alguém que tem mandado de prisão.
Além disso, a nostalgia é sedutora.
É duro desapegar-nos das lembranças porque pensamos...
que são realmente momentos felizes, mas...
não são.
O que vamos fazer amanhã exige que pensemos no presente.
Não no passado.
Esse era seu pai.
ASSALTANTE DE BANCO JESUS MARQUINA MORRE EM TIROTEIO
Isso é tudo que importa.
E vamos fazê-lo por ele.
Mais de 50 tropas foram para o sítio de Toledo,
inclusive a inspetora encarregada,
chefe da unidade de operações,
e agentes da unidade técnica, que continuam a trabalhar na casa,
que, segundo fontes próximas, pode ter sido o local
-onde planejaram o ataque... -O Professor foi preso.
Merda, o estão interrogando na casa de Toledo.
O juiz declarou sigilo dos procedimentos, mas a polícia forense
pode ter achado provas que confirmam a presença
de ao menos três...
Caralho!
Merda!
Cortaram o sinal.
-Estamos ferrados. -Não querem que saibamos.
E isso porque vão entrar.
Podemos esperar cinco horas,
ou iniciar o Plano Chernobyl, o que me parece melhor.
Esse plano é para situações desesperadas.
Não acho que seja a mais desesperada das situações.
Aviso. Com esse plano, vocês perderiam todo o dinheiro.
Pessoalmente, não tenho intenção de desistir. Você?
Vai desistir agora pelo que lutou tanto, Tóquio?
Pessoal, pegaram o Professor.
Não haverá nenhum túnel, porque os malditos vão nos esperar!
É uma ratoeira!
O Professor vai ligar em cinco horas. Ainda acredito nele.
Não sou grande fã de democracia,
mas proponho votar. Quem acredita no Professor?
Helsinque?
Eu acredito no Professor.
Rio.
Acredito no que vejo.
E vejo que não podemos contar com o Professor.
Estou com Tóquio.
Moscou.
Entrei aceitando as regras.
As regras não foram violadas.
Confio no Professor.
Denver.
Voto em sair daqui agora.
Isso de ser multimilionário me parece demais.
Perfeito, Denver.
Três, três.
Nairóbi, você decide.
O desempate.
Tenho uma razão muito boa
para estar com o Professor. E, se não o fazem em pedaços,
vou acreditar nele até o fim.
Estou com Berlim.
Raquel?
Desculpe perturbar, mas...
-está ficando tarde e... -Vou levar isto a Canillas.
Ouça. Eu ia pegar o ônibus para Madri.
-Se quiser, dou-lhe uma carona. -O quê?
Bem, para mim, ajuda.
Vamos.
Não o julguem.
Helsinque fez o tinha de fazer.
Como os soldados na guerra.
Como com animais, quando não queremos que sofram.
Sem ódio. Como um ato de humanidade.
Abaixe a arma.
Também fiz o que tinha de fazer.
Não por ódio...
mas como ato de humanidade.
Afinal,
o que é mais humano do que tentar sobreviver?
Legendas: Marcia V. A. Torres
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