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Em epis�dios anteriores...
- Tu e o Burke. Est� tudo bem? - Existimos em sil�ncio total.
Essa m�o vale 2 milh�es de d�lares. Quero-a como deve ser.
Eu e o Mark n�o foi um caso de uma noite. Estava apaixonada por ele.
Pelo menos, pensei que estava.
A sua irm� deu entrada para uma cesariana.
- A Molly n�o � minha irm�. - T�m o mesmo pai.
Porque n�o ficou e lutou por n�s?
- Fiquei. Eu tentei. - Porque n�o tentou mais?
J� n�o est� ao meu servi�o.
Mas fique sabendo que vai sentir a minha falta.
Harold O'Malley, 63, diagnosticado com cancro no es�fago e invers�o da aorta.
Pensas que quero morrer e deixar o meu filho encarregue de tudo?
N�o vais morrer.
Bom dia.
- Estavas a ver-me a dormir? - Talvez.
�s um daqueles esquisitos que observam as mulheres enquanto dormem?
Talvez.
- Izzie. - O que foi?
Deixei cair oito v�rgula sete milh�es de d�lares no ch�o.
E...
Eu n�o devia deixar cair oito ponto sete milh�es de d�lares no ch�o.
Tens de depositar o cheque!
George, a cirurgia do teu pai � amanh�.
Estar�s a descarregar a ansiedade em mim e no meu cheque?
N�o! Nada disso.
Este cheque estragou as minhas manh�s. Todas as manh�s. Devia estar no Banco.
Ser� que me podes fazer o favor
e deposit�-lo no Banco? Por favor?
N�o.
Mas, se fores simp�tico para mim durante os pr�ximos sete minutos,
dou-te boleia para o trabalho.
N�o mereces ter oito v�rgula sete milh�es de d�lares!
� bem verdade. � bem verdade.
- Como est� o Burke? - N�o sei.
Ele foi operado ontem e n�o sabes como � que ele est�?
- Eles n�o se falam. - Pensei que j� tinham feito as pazes.
Fizeram mais ou menos.
- Mas ela ainda n�o fala com ele? - Ele n�o fala comigo.
- Eles n�o falam um com o outro. - Certo.
Perguntaste ao Derek sobre a m�o do Burke?
N�o me quero intrometer. Eu e o Derek estamos felizes.
Ser� que podemos continuar assim?
Podias p�r o orgulho de lado e perguntares-lhe.
- O orgulho dela n�o chega a tanto. - Alex, essa magoou-me.
Fiquem todos sossegados!
- Bom dia a todos. - Bom dia.
- Quem apresenta? - Pode ser o Georgie? Ele � muito bom.
- Sim, Georgie, sim! - V� l�.
Harold O'Malley, 63 anos. Situa��o: p�s-substitui��o da v�lvula a�rtica.
Os raios-X da manh� n�o revelaram colapsos ap�s est�mulos agressivos
nestes �ltimos dois dias.
Tem marcada uma esofagectomia trans-hiatal, amanh� �s 9:00.
E pronto.
Nos pr�ximos minutos, penso que ser� melhor a fam�lia alargada
aguardar um pouco na sala de espera.
S�o s� alguns minutos, depois regressam.
- Est� bem. - Ol�, Georgie.
- Como se sente, Sr. O'Malley? - Ele sente-se �ptimo.
Melhor do que nunca. Por isso � que vieram c� todos hoje.
Calcul�mos que, depois de hoje, ele n�o se sinta bem durante uns tempos.
Depois da cirurgia, quando � que come�amos a quimio e isso?
Esse protocolo depende daquilo que descobrirmos quando o abrirmos, Harold.
- O que quer dizer com descobrir? - Grey?
Pouco podemos dizer a partir das an�lises e dos exames,
por isso � preciso ver bem por dentro para se perceber se o cancro alastrou.
E, se tiver alastrado, altera a necessidade de quimio?
- Altera muitas coisas. - Por exemplo o qu�?
Vou pedir ao Oncologista que lhe explique isso mais logo, Harold.
A Dra. Grey vai acompanh�-lo nos �ltimos testes pr�-operat�rios
antes de come�armos, logo...
Ser� melhor se a festa continuar em casa.
Dr. Shepherd. A m�o do Dr. Burke... Ele teve tremores?
- Isso � confidencial. - Sou uma das m�dicas dele.
E tamb�m �s namorada dele. Pergunta-lhe.
Bom dia. Quem apresenta o caso? Bom dia.
Preston Burke, Dia um do p�s-operat�rio de I e D
a um hematoma compressivo no plexo braquial.
N�o tem febre e os sinais vitais est�o est�veis.
As incis�es est�o limpas, sem infec��o. Deram-lhe morfina �s 2:00 da manh�.
- Pergunta-lhe da m�o. - Pergunta tu.
N�o, � s� uma pergunta. S� minha amiga.
Dra. Yang. H� alguma coisa que queira partilhar connosco?
N�o. Desculpe.
Tens bom ar, Preston. N�o sejas duro com os enfermeiros.
Farei o meu melhor.
O'Malley, a cirurgia do teu pai � hoje?
� amanh�.
- Est�s bem, querida? - Sim.
Podes ajudar-me?
- Escoliose? - Parece um defeito de nascen�a.
Parece um inferno.
Est�o a olhar para onde?
Se est�o � espera que eu seja a rapariga diferente, corajosa e calorosa,
nem pensem. Fa�am l� o que t�m a fazer.
Pois.
Stevens?
Heather Douglas, 17 anos, historial cl�nico de s�ndrome de VATER.
- Que �? - O s�ndrome de VATER � gen�tico
e afecta as v�rtebras, o �nus, a f�stula tr�queo-esof�gica e os rins.
Uau! D�em uma medalha � rapariga. Ela memorizou o acr�nimo.
Garanto-vos que isso � bem mais f�cil do que viver com isto.
- Stevens? - Certo.
A Heather veio fazer uma litotripsia para eliminar pedras dos rins
e uma toracoplastia para aliviar a press�o nos pulm�es.
Sei que estou aqui apenas para remover algumas costelas,
mas j� experimentaram algo mais radical para tratar a curvatura vertebral?
Vejamos... Se com radical se refere
a inserirem-me uma vara de a�o na coluna, sim. J� tent�mos.
A vara dobrou.
Remover as pedras parece insignificante, mas melhora a qualidade de vida.
A s�rio? Ent�o, a cirurgia vai permitir que eu tenha sexo?
- Heather, p�ra! - M�e, desculpa l�,
mas ela est� a falar de melhorar a minha qualidade de vida.
Penso que os m�dicos n�o devem fazer promessas que n�o cumprem.
Laura Grey-Thompson, nasceu h� quatro dias
com atr�sia jejunal, corrigida cirurgicamente.
Estado do p�s-operat�rio?
Lamento. Estou a interromper?
A m�e e a av� est�o com gripe e eu venho saber como ela est�.
Ela est� muito bem, Sr. Grey. Daqui a uns minutos, j� sa�mos.
Dra. Grey, estava a dizer?...
Desculpem. Volto mais tarde.
Grey?
A Laura Grey-Thompson tinha dilata��o do intestino no raio-X da manh�.
Precisamos de um enema baritado para ver se n�o h� estrangula��o intestinal.
ANATOMIA DE GREY
Dra. Grey, esta semana ficas com o Sr. O'Malley.
Yang, Urg�ncias. Karev, Sloan.
Stevens, prepara a Heather Douglas para cirurgia.
- O'Malley? - Sim?
- Vais tirar esta semana de folga? - Sim.
Tira o dia de hoje tamb�m. Passa-o com a tua fam�lia.
Obrigado. Dra. Bailey, � medida que houver progressos com o meu pai...
Sabe, por vezes... com as fam�lias, temos tend�ncia a atenuar as coisas.
Eu agradecia que fosse honesta comigo, � medida que tudo decorrer.
- Est� bem. - Obrigado.
Dra. Bailey? Dra. Bailey? Sei que s� a devo preparar,
mas h� alguma hip�tese de participar na Heather Douglas?
Um paciente VATER � algo raro.
- N�o. - Mas estou pronta. Estou pronta.
O psiquiatra ainda n�o te deu alta.
Ele...
Fiz tudo o que ele me pediu para fazer. Tudo.
Excepto o dep�sito do cheque.
Espera. N�o depositaste um cheque de quase nove milh�es de d�lares?
Ele n�o est� a ser razo�vel. Aquele cheque n�o tem nada a ver...
Est�s a perder milhares de d�lares por dia em juros.
Isso n�o � razo�vel. � evidente que ainda n�o est�s bem.
Penso que � isso que o psiquiatra quer mostrar.
Ol�. Preciso das an�lises completas do Harold O'Malley.
Preciso destas an�lises j�.
- Todos precisam de tudo j�. - Sim.
Por todo o hospital, h� quem morra enquanto ignoras o meu "j�".
- Ol�, est�s bem? - N�o estaria porqu�?
O teu pai? Congelaste durante a ronda. Foi mortificante.
Obrigada.
Tudo bem. N�o foi mortificante?
Quem me dera que a beb� melhore e v� para casa e o Thatcher v� com ela.
Isto � errado?
Seria errado, se desejasses que a beb� n�o melhorasse.
- �ptimo. Obrigada. - Se me quiseres agradecer,
podes perguntar ao Derek se o Burke teve tremores.
- Fala com ele. - N�o. Porque, assim, ele ganha.
Ganha o qu�?
Esquece.
Tens pai?
Tenho padrasto.
Ele � simp�tico. Vejo-o no Yom Kippur.
N�o te expliquei j� a forma como gosto das fichas cl�nicas?
Quero fazer os pr�-op antes dos p�s-op.
Gostas de me fazer perder tempo? � divertido?
- N�o. - Ent�o, faz as coisas bem.
Gostas de abusar dos internos? � divertido para ti?
Sim. �.
Caso te tenhas esquecido, esta semana n�o podes ser arrogante, Addison.
Esta semana, n�o.
Ele � um idiota.
Esta semana, n�o.
Conhece bem o Shepherd?
Muito cabelo, demasiadas mulheres, gosta de elevadores e passear na praia.
Qual � a melhor forma de o levar a fazer algo?
Por exemplo?
Uma consulta que a paciente n�o pediu,
mas que a residente de Orto acha que vale a pena.
O Shepherd pensa que � mais ocupado e mais importante do que os outros.
- A ra�a normal de neurocirurgi�o. - Exacto.
- Certo, ent�o...? - Ele vai dizer que n�o.
- At� olhar bem para ele - Olhar bem para ele?
Olhar bem para ele.
- � demasiado bonita para ser m�dica. - Est� bem.
As pessoas como voc� n�o deviam ser idiotas?
Estou s� a falar. N�o vai participar na minha cirurgia, ou vai?
Sou demasiado nova para morrer.
- N�o vou participar na tua cirurgia. - V�? Eu sabia.
- Nem sequer � m�dica. - Sou m�dica.
Acontece que o meu noivo morreu h� pouco tempo,
fiquei um pouco passada e impedem-me de fazer cirurgias durante uns tempos.
L� se vai a minha teoria de que a vida n�o � m� para as pessoas bonitas.
- Desculpe eu ter sido reles consigo. - Bom, est�s a sofrer.
Por vezes, ajo mal sem ter motivos para isso.
Desculpe incomod�-lo. Sei que est� muito ocupado,
mas est� c� uma paciente com escoliose devido a s�ndrome de VATER.
Ela est� c� porque as costelas est�o a pressionar os pulm�es.
J� fez duas fus�es vertebrais e uma instrumenta��o vertebral sem resultados.
J� est� dobrada 90 graus, o que � uma grande treta.
Grande treta? � essa a sua avalia��o profissional?
A minha avalia��o profissional diz que a pode ajudar.
O meu dia est� imposs�vel.
Passo para fazer uma consulta de manh�.
Sou boa a olhar.
Doutores, posso falar convosco?
- Como se sente, Harold? - Sinto-me �ptimo. Sinto-me bem.
Acontece que o Oncologista...
Ele disse que, se o cancro estiver noutros �rg�os,
talvez voc�s n�o prossigam com a cirurgia.
� verdade. Se o cancro tiver alastrado a outros �rg�os,
isso comprometeria a possibilidade de recupera��o da cirurgia.
Ent�o, se me fecharem e me mandarem para casa, fico com qu�?
- Algumas semanas de vida? - Ter� semanas, meses, sim.
N�o. T�m de retirar o tumor.
Porque consigo sobreviver a isto. Sei que consigo.
Os O'Malley s�o lutadores.
Sr. O'Malley, n�o � boa ideia.
A minha mulher... Estamos casados h� 40 anos.
Ela daria em doida.
Quarenta anos.
Ela precisa de mim. A minha fam�lia precisa de mim.
N�o lhes vou dizer que n�o se pode fazer nada quando sei que consigo lutar.
Por isso... Pe�o-vos a vossa palavra.
Quero que retirem o tumor.
Sr. O'Malley, a minha obriga��o � fazer o melhor por si em termos cl�nicos.
Fecharem-me e mandarem-me para casa morrer n�o � o melhor para mim.
Nem em termos cl�nicos nem de outra forma.
Por favor.
Retirem o tumor.
Est� bem.
Est� bem?
Obrigado.
Isto est� sujeito a confidencialidade?
Se queres saber se podes contar ao filho, a resposta � n�o.
- Voltaste a observar-me a dormir? - �s querida, a dormir.
Tu n�o dormes? Acordas sempre antes do despertador?
Tenho o sono leve. N�o � nada de mais.
- Ent�o, alguma coisa te acordou? - N�o � nada de mais.
- Acontece que... ressonas um pouco. - O qu�?
- N�o ressono! - Ressonas, sim. Adoro.
� encantador ver que tanto barulho � feito por uma pessoa t�o pequena.
- Sabes o que n�o � encantador? - O qu�?
Mau h�lito matinal.
Desculpa? O qu�?
Estou a dizer que, visto que acordas sempre antes de mim,
podias pensar em lavar os dentes.
Olha para mim a lavar os dentes.
Obrigada.
- A cirurgia � hoje? - Sim.
- Eu estou bem. - Sim. Tenho um bom pressentimento.
- Sim? - Sim.
- Nem cozinhei nada para ti. - Obrigado.
� ORDEM DE ISOBEL STEVENS
Dr. Silva, dois ponto cinco. Dr. Silva, dois ponto cinco.
- Cappuccino directo. - Pelo menos, algo reconfortante.
- Nunca p�ra de chover? - Nem por isso.
Fant�stico. � bom saber.
Que porcaria � esta, Karev, baunilha?
Est�s a tentar envenenar-me ou queres piorar o meu dia?
- Mark! - A m�quina do caf� deve estar passada.
Se n�o te entendes com o caf�, n�o te entendes com a Pl�stica.
Ser� melhor voltares para a brigada ginecol�gica
onde a vida � h�mida e rosa.
Ainda que possa ser h�mida e rosa,
hoje, tenho uma cirurgia fant�stica, Karev, se quiser participar.
Sim.
Bom dia, Dr. Burke.
�, sim. Que linda manh�.
- Adoro observar a chuva. - Sente-se bem?
- N�o tem muitas dores? - Sinto-me �ptimo.
E a sua m�o, a sua m�o direita?
Est� bem, hoje?
Lamento, Olivia. Eu... Vai ter de dizer � Dra. Yang
que ainda n�o estou pronto para lhe dar essa informa��o.
Certo. Est� bem. Desculpe.
Pergunta-lhe. Pergunta-lhe.
Sabe que a Cristina anda a rondar o seu quarto?
Sei.
- O teu pai? - Sim.
A cirurgia dele tem uma taxa de morbidade de 50 por cento.
O'Malley, essa estat�stica
significa que 50 por cento das pessoas que fazem a cirurgia sobrevivem.
Se te vais fiar nas estat�sticas,
tens de as encarar das duas maneiras.
Heather, estive a ler o teu historial
e sei que passaste por muitas cirurgias dolorosas e sem �xito.
Mas penso que posso dar uma ajuda � tua curvatura vertebral.
E com "ajuda" refere-se a qu�?
Penso que te consigo colocar direita.
Est� a brincar comigo? N�o � correcto gozar com jovens aleijados.
Est�s a ver esta parte curva aqui?
Eu removo-a.
Quer remover uma parte da coluna da minha filha?
E substituo-a por uma grelha de tit�nio
que vai preencher o espa�o entre as v�rtebras.
J� li alguns estudos de caso. Tem havido �xitos.
E aqueles que n�o t�m �xito?
Resultam em paralisia ou morte.
Mas o Dr. Shepherd � o melhor que h�.
- Ela tem 17 anos. - M�e.
Sei que ainda pensas que a morte � o pior que pode acontecer a uma pessoa.
A morte n�o � o pior.
Alinho.
V�o cortar uma por��o da coluna dela. Da Heather Douglas.
Os doutores Shepherd e Torres v�o endireitar-lhe a coluna.
- E?... - � uma cirurgia �nica na vida.
Por favor.
Ela � minha paciente. Eu conheci-a.
Eu gostaria muito de participar.
- Depositaste o cheque? - O dinheiro � meu.
Eu devia fazer o que quero com ele.
Tens juros de cinco por cento num dep�sito a seis meses?
Enquanto estivemos aqui, podias ter ganhado 400 d�lares.
- Dra. Bailey! - Isso n�o � razo�vel, Stevens.
- Pai, �s tu a descartar. - Desculpa ter atropelado o Bucky.
- O qu�? - O teu c�o. O que ladrava muito, Bucky.
Quando eras mi�do, atropelei-o e disse-te que ele fugiu.
- Pe�o desculpa. - Atropelaste o c�o de prop�sito?
Claro que n�o. Ele ia a correr atr�s do cami�o
e ficou preso debaixo de um pneu.
Eras t�o sens�vel, t�o pacato. N�o te consegui contar.
- Eu n�o era sens�vel. - N�o disse isto por mal, Georgie.
N�o... eras simp�tico e adoravas animais.
Estavas sempre disposto a ajudar as pessoas
e eu n�o tive coragem para te encarar e dizer que matei o teu c�o.
Por isso, menti-te.
- Estou a pedir desculpa. - Est� bem.
�s um bom rapaz, Georgie.
Sempre foste um bom rapaz.
- Quero dizer-te... - Pai.
P�ra de agir como se fosses morrer. N�o vais morrer, sim?
Quero dizer-te que penso que �s parvo,
se deixares a Callie escapar-te. - Pai, por favor!
N�o, ela compreende-te.
Ela compreende-te de uma forma que a tua fam�lia nunca fez.
E lamento por isso.
Enquanto cresceste, sempre te sentiste diferente.
� outra coisa que tamb�m lamento.
Pai, p�ra. P�ra de pedir desculpa. P�ra de te despedires.
N�o podes... N�o � assim que se vai para uma cirurgia.
Um dia, vou morrer, Georgie.
Todos vamos morrer. Estar aqui deitado, nesta cama,
fez-me pensar em tudo aquilo que nunca disse.
Est� bem.
V�, descarta.
- N�o h� nada que me queiras dizer? - Pai!
Muito bem, vou descartar.
Assassino de c�es.
R�PIDAS MELHORAS
HOSPITAL SEATTLE GRACE
- Diz-me o que quero ouvir. - Se eu morrer, d�s cabo de mim.
Ele aprende depressa.
Meredith. Ol�.
- Ol�. - Como est�s?
Bem. Ocupada a trabalhar. Temos um paciente.
- Ol�. - Ol�.
- Ol�. - Ol�.
- Ol�. - Ol�.
Ent�o, est� bem.
- Pe�o desculpa. - Gostei muito de te ver.
Est� bem.
- � o teu ex-namorado? - N�o, � o meu ex-pai.
Est�s a ver, Grey?
Boa exposi��o do hiato esof�gico.
Sim.
Agora, vamos inspeccionar e apalpar a cavidade abdominal.
Estas s�o as met�stases, certo?
Est�o no est�mago, nos n�dulos linf�ticos cel�acos, no f�gado.
- Est�o em todo o lado. - Vamos voltar a fech�-lo?
N�o. Vamos prosseguir.
- Mas pensei... - O paciente pediu que prossegu�ssemos.
- O que significa isso, exactamente? - Este homem quer ter hip�tese de lutar.
Significa que ele vai ter de lutar muito.
Mas consegue recuperar? H� alguma hip�tese?
H� uma hip�tese...
Dra. Grey, o pedido deste paciente...
- Foi em privado. - Sim.
Est� bem.
- Preston. - Addison.
- Como se sente? - Melhor.
Estou ansioso para ir para casa.
De certeza que a Dra. Yang tamb�m est� ansiosa
por o ter, de novo, em casa.
- Talvez. N�o sei. - N�o sabe como?
Acabou tudo?
N�o, n�o acabou. Est�, apenas, silencioso.
Sim. Ouvi qualquer coisa a esse respeito.
Uma enfermeira comentou. Pensei que eram mexericos.
N�o eram.
Ent�o, n�o fala com ela. Porqu�?
- Alguma vez teve de ceder � for�a? - Ceder � for�a?
Algu�m lhe dobra o bra�o para tr�s cada vez com mais for�a
at� dizer "desisto". - E, depois, o que acontece?
A outra pessoa fica com o poder.
Estou a ver. Ent�o, n�o vai dizer "desisto".
- Sim. - Ela tamb�m n�o.
- � o que parece. - Isso � pat�tico.
- Talvez tenha raz�o. - Tenho raz�o.
Quando dizemos algo errado, pedimos desculpa.
- Eu n�o fiz nada errado. - E ela?
Ela n�o considera ter agido mal.
� pat�tico.
- Ol�. - Ol�.
- Est�s sozinho. A tua fam�lia? - Est�o a comer. Gostam de comer.
- Est�s a andar. - Sim.
Acontece que... Est� na cirurgia h� algum tempo.
- Est�o a ser minuciosos. - Ou surgiram complica��es.
Algu�m te teria dito, se houvesse complica��es.
- � normal estares assustado. - N�o estou.
Sabes que, se estiveres, podes falar comigo.
- N�o estou assustado. - Tens a certeza?
- Agora, deixaste-me assustado. - Bolas.
- Eu estava a olhar bem para ti. - Olhar bem para mim?
- Resultou com o Shepherd. - A s�rio?
Espera, espera. Vou tentar novamente.
- N�o, n�o d�. - N�o?
Ainda estou assustado.
Espera. Eu j� venho.
Preparem-se, porque esta cirurgia foi mais extensa
do que a da v�lvula.
Ele tem um tubo na garganta para o ajudar a respirar.
Metade do est�mago foi cortado e parte do es�fago,
por isso vai ficar com uma grande cicatriz. Sim? Preparem-se.
Bem-vindo, querido.
O pai parece que saiu do talho.
A cicatriz � fixe.
Tens de respirar.
- Ele � meu pai. - Eu sei.
Ele � meu pai.
Eu sei.
S� podes estar a brincar comigo!
Onde est� o George?
- Passou a noite no hospital. - E dormiste na cama dele.
- A noite toda? - N�o.
Vim s� depois de adormeceres.
Est�s a dizer que o meu ressonar � muito mau.
Como � que lidaste com isso nas noites antes de eu saber da tua mulher?
Ele costuma dormir no sof�, p�e o despertador
e volta para a cama antes de acordares. - N�o te quis magoar.
Eu vou fazer mais do que magoar-te.
P�ra!
Agora, vou magoar-te.
DRA. ISOBEL STEVENS
OITO MILH�ES E SETECENTOS MIL D�LARES
Posso ajud�-la?
Herdei oito milh�es de d�lares.
- Desculpe? - Por acaso, quase nove.
Desculpe. Pe�o desculpa.
Obrigada.
- Perd�o. Estava a dizer...? - Pegue nisto.
Leve isso, por favor.
Isto �...?
Est� coberto de comida.
Isto � alguma piada?
� uma piada.
Uma piada muito cruel.
- Quer depositar isto? - Se eu o quisesse depositar,
acha que eu estaria assim? - N�o compreendo.
Eu devo fazer algum bem.
Eu devo fazer algum bem e eu...
Ser� que pode depositar essa porcaria?
- Admira-me terem prosseguido. - Tamb�m a mim.
Consideraram que ele tinha for�as para lutar.
Ele est� consciente?
Ainda est� entubado, por isso est� sedado.
Agora, a maior preocupa��o ser� uma fal�ncia m�ltipla de �rg�os.
A cirurgia foi demasiado intensa para os �rg�os enfraquecidos suportarem.
Observa os rins. Se os rins falharem,
tudo o resto come�a a falhar.
Por isso, vamos observar os rins. Obrigado.
Importa-se que eu pergunte como est� a sua m�o?
N�o me importo se perguntares.
Importo-me se contares � Cristina.
Voc�s os dois t�m uma rela��o estranha.
Sim, temos.
E, quando fores para casa, vais ter o teu pr�prio quarto.
Vais, sim.
A tua m�e arranjou um stencil.
E desenhou borboletas e flores.
- Precisas de alguma coisa? - N�o. Tudo bem.
Isto aqui � sossegado.
- Chamou-me? - Comecei o turno h� dez minutos.
O est�mago dela parecia um pouco distendido.
O est�mago est� distendido? N�o reparei.
� dif�cil de ver.
Chame j� a Dra. Montgomery.
Est� tudo bem? � grave?
Vamos esperar pela Dra. Montgomery.
Dr. Cohen � UCI Pedi�trica. Dr. Cohen � UCI Pedi�trica.
O que se passa?
- O meu pai est� c�. - O teu pai?
Aquele com quem n�o falo e que mal conhe�o. Est� c�.
Veio c� para te ver?
- N�o. Est� c� com a outra fam�lia. - Lamento.
- Onde � que dormias, na caravana? - Como?
Quando dorm�amos na caravana, onde dormias?
Sabes a cadeira de lona, l� fora?
Desculpa.
Sou uma rapariga com problemas de abandono.
A partir de agora, tens de dormir comigo.
Est� bem.
Certo.
Um recado do psiquiatra. Posso participar.
- S� quando eu disser. - Depositei o maldito cheque.
Seus sacanas filhos da m�e v�o para o raio que vos parta.
Para o raio que vos parta!
- Sra. Douglas? - Os sacanas da seguradora.
Dizem que a cirurgia � demasiado experimental.
- N�o pagam. - A cirurgia custa 200 mil d�lares.
E ainda a estadia no hospital, a reabilita��o.
Nem que eu tivesse tr�s empregos.
Sacanas filhos da m�e.
Parece que n�o ter�s cirurgia na qual participar. Lamento, Stevens.
Falem.
O abd�men estava distendido e precisa de suporte para respirar.
Desculpem, n�o percebi...
Tem ar sob o diafragma. A Laura tem de ir j� para cirurgia.
Como? Outra cirurgia? Porqu�?
- H� perfura��o do intestino. - Temos de ir imediatamente.
- Est� aqui o consentimento. Assine. - Eu... N�o sei.
- A m�e dela est� com gripe. - N�o tem autoriza��o para assinar?
- Tenho, mas quero inform�-la. - N�o temos tempo, Sr. Grey.
A sua neta n�o tem tempo.
Est� bem.
Retire mais intestino. Preciso de ver melhor.
� t�o pequenino. Tenho medo de o esmagar.
� mais resistente do que pensa. Pode apertar um pouco.
Fixe. Obrigado.
Repare. O tubo nasogr�strico atravessou a parede do est�mago.
Podemos ter de eliminar uma por��o do est�mago.
Ela est� hipotensa. D�em 30 cc de albumina.
Certo.
- � assustador. - A quem o diz.
Esta � a sobrinha da Meredith Grey.
Se a perco, ainda pensam que o fiz de prop�sito.
- Como est� a correr? - Bem.
Houve um susto, h� cerca de um minuto, mas est� estabilizada.
O teu pai est� a andar de um lado para o outro.
Ele est� preocupado.
Talvez o possas ir informar.
Talvez o possa ir informar.
Ele n�o vai muito com a minha cara.
- Tamb�m n�o vai muito com a minha. - N�o acredito que isso seja verdade.
A tua m�e n�o era f�cil.
Se ela queria as coisas de certa maneira...
O teu pai era um bom homem, quando o conheci.
Ele pode ter uma vers�o da qual tu n�o sabes nada.
Acha que ele me enviou um postal todos os anos
e que a minha m�e tem uma gaveta cheia de cartas por abrir?
N�o � invulgar a minha vida acabar dessa maneira.
N�o sei.
Mas tamb�m n�o sabes, enquanto n�o lhe perguntares.
Ol�. Como � que ele est�?
O Georgie est� obcecado com a urina do nosso pai.
Sim, isto � estranho. At� mesmo para o Georgie.
- Rapazes, ent�o? - O funcionamento renal!
Estou obcecado com o funcionamento renal, n�o com a urina.
N�o estou obcecado, estou entusiasmado.
N�o vais beber isso, certo, Georgie?
Cento e trinta cc!
Cento e trinta cc de urina amarela e brilhante!
Cento e trinta em quanto tempo?
- Quatro horas. - N�o posso!
Isso � fant�stico! Sim!
Obrigado!
Obrigado.
Obrigado.
Mark.
Lamento que estejas magoado.
Lamentas que eu esteja magoado ou est�s arrependida?
- Karev. - Ol�.
Vim verificar a circula��o sangu�nea.
N�o, tudo bem. Tudo bem.
Todos precisamos de contacto humano, de tempos a tempos.
� uma treta. Ela nem teve hip�tese de merecer isto.
� por isso que quer ir para Pl�stica?
L�, as pessoas t�m a dor porque querem?
Sim. A maior parte delas, sim.
Tem raz�o.
� uma treta observ�-los a lutar.
E essa parte nunca deixa de ser uma treta.
Mas, quando vemos um beb� melhorar,
ir para casa
e imaginamos toda a vida que ter� pela frente...
N�o h� nada melhor do que isso. E essa parte nunca muda.
Mas, se quiser voltar para a Pl�stica...
N�o.
O caf� com baunilha?
- Fiz aquilo de prop�sito. - Porqu�?
Porque ele foi indelicado consigo.
- Pe�o desculpa. - N�o, eu � que pe�o desculpa.
- V�. Pe�o desculpa. - Desculpe.
N�o, tudo bem. Eu s�... Eu vou...
Tudo bem, sim. Sim.
Ol�. Precisas de ajuda?
Consigo ir � casa de banho sozinha.
Fiz isto a vida toda. E at� nem vai deixar de ser assim, em breve,
por isso, saia da minha frente.
Meredith?
CONTINUA
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