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HOMEM: "A minha mãe", João de Deus.
"Quando a minha alma estende o olhar ansioso
"por esse mundo a que ainda não pertenço,
"das vagas ondas desse mar imenso,
"destaca-se um vulto mais formoso, é a minha santa mãe.
"Berço mimoso de onde na minha infância andei suspenso,
"é em minha santa mãe que vejo e penso,
"verei sempre se Deus é piedoso.
"Como línguas de fogo que se atraem avidamente
"os braços despedimos um para o outro.
"Mas os braços caem, porque é então
"que olhamos e medimos a imensa distância
"de onde saem os ais da saudade que sentimos."
# TEMA POPULAR
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HOMEM 1:Enquanto isto não estiver resolvido, não arrancamos.
Não vou estar a estragar material.
HOMEM 2:Só vêm para cá 30 amperes.
Este ano consegui 40.
HOMEM 1:Quantos amperes pediram no ano passado ?
HOMEM 2:30. Este ano conseguimos 40.
HOMEM 1:Mas está tudo ligado ao mesmo !
Nunca são os 40 para nós !
CANTOR:Agora uma canção antiga.
HOMEM:Em Fajã não se foi nada abaixo.
Ainda ontem não foi nada abaixo.
# TEMA POPULAR
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MARANTE:Quando as pessoas dizem: "é música de baile",
não há música de baile. A música de baile é toda ela.
Vamos a uma discoteca e dançamos.
É evidente que, se estamos a dançar, é música para dançar.
Agora há os conjuntos de música ligeira portuguesa,
assim como fazemos uma retrospetiva do que havia há muitos anos
considerada melodias de sempre.
O Diapasão é um grupo de música ligeira.
Em contrapartida, eu alterno 80% de música mais romântica.
Sempre gostei de ser mais eu, transportar mais o romance.
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Olá, senhores ouvintes, para todos muito boa tarde.
Das 15 horas passam agora 13 minutos.
E porque hoje é quinta-feira
vai ficar com o programa "Nós, as Mulheres".
# TEMA POPULAR
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É um programa de Natália Novais e de Manuela Pinto.
Habitualmente com um convidado em estúdio.
Mas sempre com os convidados do outro lado, que são vocês,
os melhores ouvintes do mundo.
#
Hoje tenho muitos convidados em estúdio.
Uma saudação muito especial para este grupo simpático.
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Além de estarmos "online"
hoje estamos também a colaborar para um filme...
... o que nos orgulha muito na Rádio Clube de Arganil.
RAPAZ:322, 323.
324.
Olá, Quim. Achas bonito o que fizeste ?
JOAQUIM:- O que é esta merda ? - Eram dominós.
Para usarmos no princípio do filme.
JOAQUIM:Não há dominós no filme.
HOMEM:Achas bem o que estás a fazer aos teus produtores ?
Vamos conversar, menino.
# TEMA BANDA FILARMÓNICA
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HOMEM:Não há ninguém que conheça o rio Alva
como o Paulo Moleiro. Não há ninguém.
O Paulo nasceu ao lado do rio Alva.
O pai dele era moleiro, tinha um moinho.
O Paulo Moleiro é um menino do rio,
controla as águas quando acha que deve controlar,
embora nem sempre as águas o controlem
como ele acha que as águas o devem controlar.
O Paulo é um conhecedor nato daquilo que é o rio Alva.
Evidentemente que, com o álcool, as coisas transformam-se
e ele deixa de ter a perceção se conhece ou não conhece.
# TEMA BANDA FILARMÓNICA
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# BUZINAS
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# TEMA BANDA FILARMÓNICA BUZINAS
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HOMEM:Este jornal foi fundado pelo meu avô materno Eugénio Moreira
em 1 de janeiro de 1901.
O jornal começou a dar notícias da região
e as notícias da região levaram a que este jornal,
especialmente para os que foram para Moçambique,
Angola, Brasil, fundamentalmente,
porque mesmo depois aconteceu com a Alemanha e com França
fundamentalmente na parte da imigração,
essa gente começou a denominar o jornal de carta de família.
O jornal levava as notícias de quem estava doente,
de quem tinha feito anos, de quem se casou,
de quem foi para outra localidade.
# TEMA POPULAR
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CONFUSÃO DE VOZES
(...)
(...)
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APLAUSOS
(...)
RAPARIGA:É a Nossa Senhora da Conceição.
# TEMA POPULAR CALMO
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RÁDIO:É a última participação desta hora, é o Ricardo quê ?
Ricardo Santos, liga-nos de Candosa.
- Está tudo bem, Ricardo ? RICARDO:- Está.
HOMEM:Ricardo, quem é que nos patrocina ?
Quem é que nos patrocina ? É o Restaurante da Paragem.
Quer ouvir Tony Carreira ? Qual é a música ? Uma qualquer ?
RICARDO:Quero ouvir aquela da aldeia.
HOMEM:Então, é "Sonhos de Menino".
# SONHOS DE MENINO Tony Carreira
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Lembro-me de uma aldeia Perdida na beira
A terra que me viu nascer
Lembro-me de um menino Que andava sozinho
Sonhava vir um dia ser
Sonhava ser cantor De cantigas de amor
Com a força de Deus venceu
Nessa pequena aldeia O menino era eu
E hoje a cantar Em cada canção
Trago esse lugar No meu coração
Criança que fui e homem que sou Em nada mudou
E hoje a cantar Não posso esquecer
Aquele lugar que me viu nascer
Tão bom recordar aquele cantinho
E os sonhos de menino
Tenho a vida que eu quis Nem sempre feliz
Mas é a vida que eu escolhi
Infeliz no amor Mas no fundo cantor
A vida deu-me o que eu pedi
Se eu pudesse voltar De novo a sonhar
Faria o mesmo podem crer
E aquele menino Eu voltaria a ser
- Quem é que começa ? - Quem veio aqui ter.
Mas percebeste porque é que eu vim aqui ter ?
Explica.
Quando comecei a trabalhar deram-me este guião.
Esperava que fosse o filme que fosses fazer.
Continuo a não ter atores para fazer o filme.
Não tens nada a dizer sobre isso ?
Eu quero pessoas, não quero atores.
Mas precisas de encontrá-las.
Hei de as encontrar.
Isto já vai... Quantos anos tem a Isaura ?
Não sei se são 42 ou 43. Perto de 50, já falta pouco.
- Se ela tem 43... - Casei-me com 18.
Tive a minha filha aos 19. Eu tenho 61.
Agora só contando.
Mas quantos anos é que ela tem ? Eu não sei.
- Isso já não sei. - 40 e tal ?
Sim.
- Quantos anos tens tu ? - 61.
- 61 ou 68 ? - 61 !
- 61, tu ? - Pois.
- E eu 68. - 67, tu.
Qualquer coisa assim.
Portanto, eu vim para aqui com uns 25 anos.
Tinhas menos.
Encontrei aqui esta senhora.
Andei por outras mais coisas, mas esta botou-me a unha.
Botou-me a unha e fiquei aqui. Andei por essas terras todas.
Gajas boas, melhores do que algumas. Calhou.
De maneira que... Casei-me em agosto
e no outro agosto nasceu a minha filha.
Tinha 19.
A minha mulher andou grávida um ano.
No outro agosto nasceu a minha filha.
- Depois estive... sete ou nove ? - Sete.
Sete anos sem ter mais nenhum. Depois nasceu-me um rapaz.
Agora cá estamos todos, graças a Deus.
Muitas felicidades
Muitos anos de vida
Hoje é dia de festa Cantam as nossas almas
Para o menino Gordon Uma salva de palmas
APLAUSOS
Ele veio da Holanda.
Chegou aqui, achou o sítio muito engraçado.
Andava a fugir da Europa do Norte.
E acho que toda a gente veio cair neste buraco.
Eu acho que... Desculpa. Qual é a beleza deste lugar ?
Sim. É liberdade, é tudo muito lindo.
Mas eu continuo a achar que há racismo
entre os portugueses e os estrangeiros.
Mas isso é a minha opinião, não é a dele.
Temos opiniões diferentes. Eu sou portuguesa.
E acho que, só por ser de Lisboa, sou uma achadiça.
Achadiça é toda a gente que não é daqui.
Mesmo os cães.
HOMEM:Porque é que sentes isso e ele não ?
Se calhar, ele não percebe.
Se calhar, não percebe muito bem a língua. Não sei.
Ele foi bem-vindo. Foi um dos primeiros.
Os que vieram a seguir eram "freaks", "hippies",
que vendiam drogas. Ele não foi um deles.
Foi um dos que trabalhavam na terra.
E era considerado um homem muito perigoso
que andava nu com um machado no ar,
na terra dele, a criar os tomates dele.
HOMEM:Vamos iniciar mais uma noite de esperas.
Oxalá que tudo corra bem, que os porcos venham
e que não aconteça como ontem.
A si apareceram-lhe sete e a mim dez
e não conseguimos matar nenhum, porque a lua estava muito fraca.
Desejo a todos boa sorte. Vamos dar início ao sorteio.
Os últimos são os primeiros.
O primeiro vai ser o Zé, um jovem que se formou em Arquitetura.
Hoje é o primeiro.
Mas tens que tirar semolhar lá para dentro.
Depois dizes qual é o número e o nome do posto, está bem ?
ZÉ:Portucel Baixo, número oito.
HOMEM:Portucel Baixo 8. É o Zé Filho.
CHILREAR
PAULO:Estás a ver ? Não estás a ver nada !
HOMEM:Está ali ! Aonde ?
PAULO:Dispara tu !
IMITA TIRO
PAULO:-Ainda não morreu ! HOMEM:- Espera ! Não fujas !
HOMEM:O Paulo não sabe como.
E a melhor maneira que encontrou para dar nas vistas em Coja
foi saltar da ponte.
Não é que ele seja um artista a nível do Rio Alva.
A maneira que ele conseguiu dar nas vistas
foi saltar da ponte na altura do Carnaval.
Não só por estar com os copos, porque lhe pagavam.
Ele era conhecido como o menino do rio,
porque tinha vagar.
Eu também já fui mexido como o menino do rio,
mas antes de trabalhar.
Acho que estão a dar muito valor a uma pessoa que...
Como pessoa, ele até merecia, mas não faz rigorosamente nada.
A única coisa por que é conhecido é no Carnaval.
Chega à ponte e salta.
Ele estava ali só por estar. Chega lá a mãe dele e chama-o.
Isto tem poucas indústrias.
Mas ele era o filho ou o dono das indústrias.
Chegava a mãe dele: "Paulo, vamos para casa."
E ele dizia que era a empregada a chamá-lo.
São coisas aqui da serra que não interessam para nada.
# TEMA POPULAR
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Um copo de vinho na mão
Hei de morrer numa adega Com um copo de vinho na mão
As garrafas são as velas O tonel é o caixão
Hei de morrer numa adega E com um copo de vinho na mão
HOMEM:É a Noite dos Colhões. Isto começou há muitos anos.
No tempo dos nossos avós, dos meus avós.
Só os homens.
Neste dia, matavam-se os carneiros para a festa.
Os túbaros do carneiro era retirados.
E todas as pessoas que matavam os carneiros
tinham de dar os túbaros para a festa dos homens.
E começava com as concertinas, guitarradas.
E começavam a cantar à desgarrada.
Existiam só quatro ou cinco homens a tocar, quando chegava a noite,
porque cada um ia para sua casa.
Esse grupo de tocadores e de cantores
ia de porta em porta e chamava as pessoas
para lhes abrirem a adega para eles irem beber.
Para matar a sede.
Posteriormente, com a evolução da sociedade,
as mulheres começaram a fazer o jantar à parte.
Os túbaros já não existem, já são poucos.
Começou-se a juntar o bacalhau.
Deixou de haver túbaros, passou só a haver bacalhau.
# TEMA POPULAR
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HOMEM:É um prazer mostrar-vos isto passado tanto tempo.
Queria só dar umas palavrinhas de explicação.
Às vezes, as pessoas pensavam que era um documentário
sobre a terra, sobre a Mata da Margaraça
e não é isso.
É uma pequena história que foi feita aqui.
Encontrámos aqui o cenário ideal para fazer esta história.
Mas, na verdade, é uma espécie de história do Capuchinho Vermelho
em versão de terror.
Mas penso que não é demasiado impressionante nem chocante.
De qualquer maneira, queria explicar
o Capuchinho Vermelho em versão terror
passado na Mata da Margaraça, naquela casinha que encontrámos
que foi a ideal para fazer o filme.
Acima de tudo, também vive muito das pessoas daqui.
"- Não voltas a tocar na tua filha." "- Sim, mãe."
"- Quero-te bem longe daqui." "- Sim, mãe."
MULHER:"- O que estás a fazer ?" "- Sim, mãe."
"- Não, filho." HOMEM:"- Sim, mãe."
# TEMA INSTRUMENTAL TERROR
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SINO TOCA
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VENTO VOZES FANTASMAGÓRICAS
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HOMEM:- Com um machado. MULHER:- Qual machado ?
HOMEM:O senhor que matou a mulher.
Como é que foi essa história ?
Esse rapaz era de perto da minha terra.
Eu sou de Casal de Esporão, conselho e distrito de Viseu.
E ele é das Pedrosas, do concelho de Sátão, distrito de Viseu.
MULHER:Foi a bebedeira que fez aquilo.
Compreendeu ?
Eu sou de Casal de Esporão, conselho e distrito de Viseu.
E o outro que matou é do Sátão, distrito de Viseu.
MULHER:Ela bebia e ele bebia. Pronto, foi a bebedeira.
Eu vinha da fazenda. Ele chamava-se Isaías.
Eu dava-me muito bem com ele e ele comigo.
"Ó Agostinho, matei a minha mulher."
"Nem me diga uma coisa dessas." "Matei, matei."
Ele ia com umas janelas para colocar na casa dele.
Encontrei-os ao pé de uma cameleira.
Ela já ia bêbada, ele parece que não ia muito.
Mas a gaja foi atrás dele a chamá-lo.
Ele pousou as janelas, pegou no machado e pumba.
Ele vivia na casa do Sr. engenheiro à minha frente.
Eu estou dali e ele estava dali.
O rapaz lá se foi preparar, lá se lavou.
Quando chegou a GNR já ele estava à porta, à espera.
Entrou para o carrinho, toca a andar e pronto.
Aquilo foi passando. Tinha que meter advogados.
Tinha que meter advogados. Meteram-me lá em testemunha.
Não sei se foi a Junta de Freguesia.
E o Dr. Pedro de Arganil, que era o advogado dele,
manda-me recado para eu ir um bocado mais cedo,
antes do julgamento.
Para ir ter com ele ao gabinete, para falar comigo.
Eu fui mais cedo do que o julgamento,
porque já estava a coisa combinada.
Fui ter com o Dr. Pedro, ao gabinete dele.
"Então, como é que foi isso ?"
"Sr. Pedro, eu não o vi matar ninguém."
Ele agarrou logo na mantilha. Estava na hora.
"O senhor vai lá para cima e diz isto, isto e isto."
Mas eu cheguei lá e envergonhei-me.
Envergonhei-me de dizer como ele tinha dito.
CONFUSÃO DE VOZES
(...)
(...)
(...)
CÃO LADRA
(...)
# TEMA POPULAR CALMO
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MULHER:Boa. Agora és tu, Patrícia.
HOMEM:Joga-se assim. Ponha na palma da mão.
Na ponta dos dedos. Põe-se o dedinho e atira-se.
PATRÍCIA:Já percebi.
HOMEM:Boa, Patrícia !
RAPARIGA:Bom dia. Pode dizer-me uma informação ?
Nós estivemos num café e vimos lá estes papéis.
Sabe quem é a pessoa responsável pelos "castings" que andam a fazer
para o filme "Aquele Querido Mês de Agosto" ?
HOMEM:Eu sou do som. Estou a gravar esta coisa.
Quem trata dos "castings" é aquela rapariga da produção.
Aquela que está na cadeirinha.
RAPARIGA:- Como se chama ? HOMEM:- Patrícia.
RAPARIGA:Quem é a pessoa responsável pelos "castings"
para o filme "Aquele Querido Mês de Agosto" ?
PATRÍCIA:Eu não mando aqui. Se mandasse era tudo diferente.
Falas com aquele senhor de óculos.
RAPARIGA:O de chapéu ou sem chapéu ?
PATRÍCIA:- Não, sem chapéu. RAPARIGA: -Obrigada.
RAPARIGA:Bom dia. Sabe quem é a pessoa responsável
pelos "castings" para o filme "Aquele Querido Mês de Agosto" ?
Fui ali a um café e estava lá este papel.
HOMEM:Agora é complicado. Estamos num jogo de malha.
RAPARIGA:Era só dar uma palavra com a pessoa responsável.
HOMEM:Podes falar com este senhor de vermelho.
RAPARIGA:Podemos falar consigo ?
É o responsável pelos "castings" do "Aquele Querido Mês de Agosto" ?
HOMEM:Sim. Quero jogar.
RAPARIGA:E já decorreram ou estão para decorrer ?
HOMEM:Agora deixe-me jogar. Já acabou.
RAPARIGA:Já acabou ? Não há mais nenhuma oportunidade ?
HOMEM:Quero repetir este. Não mexa nas malhas, por favor.
É aquela do Sr. Miguel. É essa do Miguel.
RAPARIGA:Não há nenhuma oportunidade para nós as duas ?
Achámos esta ideia muito interessante.
HOMEM:Hoje estamos a trabalhar. Não vês que não temos vagar ?
RAPARIGA:- E à tarde ? HOMEM:- Também.
RAPARIGA:E amanhã ?
HOMEM:Jogamos aqui... Estamos a trabalhar.
RAPARIGA:Posso fazer uma aposta ?
Se eu derrubar o pino entro para o filme, pode ser ?
Pode ?
Troca a perna. Não és canhota.
Roda assim. Segura na palma e joga.
Para trás, puxa atrás.
MANUEL:Eu estava cheio de dores e disse que não ia na procissão.
Eu não conseguia mexer-me, não conseguia andar.
E a certa altura,
está um senhor na igreja:
"Falta-me aqui uma pessoa para o andor."
Não sei o que se passou e fui pegar num andor qualquer.
Era a Rainha Santa, não me esqueço.
A partir daí sempre levei a Rainha Santa.
Todos os anos levo a Rainha Santa.
Eu vinha a subir aqui, com a santa ao ombro.
Eu vinha a subir por aqui acima, as doras eram tantas,
as lágrimas corriam-me pela cara com as dores, o sofrimento.
Eu continuo a subir, já estava a dar a volta, a descer,
e cruzei-me com a Senhora da Saúde. Houve aqui um cruzamento.
A procissão chega aqui ao largo, dá a volta e volta a descer.
Eu olhei para a Senhora da Saúde.
Daí até ao resto da procissão não tive mais dores nenhumas.
O senhor diga-me o que foi.
Eu vinha com dores.
Tinha uma operação marcada, para ser operado à hérnia discal.
Não fui operado. Já lá vão 14 anos.
HOMEM:- Isso chama-se ter fé. MANUEL:- Não foi fé.
Eu não sou praticante, não sou religioso, não tenho fé.
Olhei para a Senhora da Saúde. Está ali uma fotografia dela.
A partir daí não tive dores.
Pode ter sido uma coincidência ou qualquer coisa.
Mas eu vinha a subir.
Até o presidente da irmandade se virou para mim:
"Queres que alguém te substitua ? Estás aflito."
"Não preciso, eu aguento até ao fim."
Uma hérnia discal, você nem imagina o que é.
Cruzei-me ali. Quando ia a descer já não tive dores nenhumas.
A Senhora da Saúde vinha a subir e eu ia a descer.
HOMEM:Atribuíste isso ao efeito da senhora ?
Há que respeitar isso. Vais sempre manter essa tradição.
Dizes que vais voltar a pegar no andor
da Rainha Santa Isabel.
MANUEL:Eu não levo a Senhora da Saúde.
Quem leva são as mulheres. Levo sempre a Rainha Santa Isabel.
HOMEM:É como ir a Fátima.
As pessoas vão a Fátima, porque têm uma fé.
MANUEL:Não tenho fé na Rainha Santa.
HOMEM:Porque é que foste buscar isso ?
Porque te está interiorizado. Isso ficou-te.
# TEMA BANDA FILARMÓNICA
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# NOSSA SENHORA Marco Paulo
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Cubra-me com seu manto de amor
Guarda-me na paz desse olhar
Cura-me as feridas E a dor me faz suportar
Que as pedras do meu caminho
Meus pés suportem pisar
Mesmo ferido de espinhos
Me ajude a passar
Se ficaram mágoas em mim
Mãe, tire-as do meu coração
E àqueles que eu fiz sofrer
Peço perdão
Se eu curvar meu corpo na dor
Alivia o peso da cruz
Interceda por mim, minha mãe Junto a Jesus
Nossa Senhora me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida e do meu destino
Nossa Senhora me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida
E do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim
VOZES IMPERCETÍVEIS
(...)
(...)
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL ANIMADO
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RÁDIO - VOZES IMPERCETÍVEIS
(...)
SÓNIA:05E415, escuto.
HOMEM:"À escuta. Transmita."
SÓNIA:É para dar a rendição do posto.
Sai Sónia Bandeira e entra Clara. Escuto.
SÓNIA:Eu sou vigia há três anos.
Quando vim para cá era por ser um emprego de verão
e dá mais tempo livre para fazer outras coisas.
Aqui só tenho mesmo que vigiar para ver se vejo fumo
e transmitir a graduação ao assento do distrito.
Faço o turno da noite ou do dia, mas é sempre doze horas.
Essas doze horas, para além de andar na varanda
a ver se vejo fogo, canto, danço.
HOMEM:Tu cantas ?
SÓNIA:Canto. Para me entreter, ando cá fora a cantar.
Canto só para os pássaros e para o vento.
SÓNIA CANTA
Morrer de amor
É bem melhor do que viver A vida sem te ter
Morrer de amor
É bem melhor Do que viver sem ti
PAULO:Ele até mo quis comprar.
Estava sempre ao pé dele e tinha o guito no bolso.
- Comprar o quê ? PAULO:- Comprar-me o puto.
Não digas isso senão ainda vou preso.
Tem com cada história.
- Comprar o puto ? - Tem com cada história.
Ele entrava em casa da sogra e roubava dinheiro.
Eu emprenhei-a e ela fugiu. Fiquei com tudo o que era dela.
Levou o miúdo.
Daqui ou cinco, seis anos, começa a querer saber quem é o pai
e já cá vem ter.
- Quantos filhos tem o Ramiro ? - Isso não sei.
Eu não tenho nenhum.
Ninguém me veio bater à porta a dizer: "Esse é teu".
Está tudo bem.
HOMEM:O Paulo é uma pessoa... Como é que eu hei de dizer ?
Deixa-se levar muito por outras pessoas.
Naquela noite, eu cheguei ao bar onde estava o Paulo.
O Paulo já não estava, como é que hei de dizer,
não digo nas melhores condições, mas já não era bem o Paulo.
E foi envolvido num ambiente
em que foi quase obrigado a saltar da ponte.
Nós estávamos a beber um copo, houve uma miúda de tenra idade
que duvidou da capacidade do Paulo poder atirar-se.
Se calhar, pela sua tenra idade. O Paulo insistiu.
Eu tentei demovê-lo. O Paulo insistiu de novo.
De repente, vejo os ténis de fora, a roupa de fora.
A mini que ele bebia pendurada no parapeito de uma janela.
E disse assim: "Vou atirar-me para não restarem dúvidas."
Vejo o Paulo a circular em direção ao meio da ponte
e a atirar-se da ponte abaixo.
E percebi que, apesar de o Paulo ser um menino do rio,
quando ele concretizou o mergulho ele lesionou-se.
Vi que ele estava queixoso de um pé ou de uma perna.
O irmão foi lá buscá-lo. O Paulo não estava bem.
Vou buscar um cinzeiro. É melhor.
Se é melhor, é melhor.
Este vinho é bom.
O meu pai já morreu e não fui eu que o matei.
Percebes ? Queres que eu vá fazer o quê ?
Queres que me vá matar por causa disso ?
Andaste a encher o meu copo. O meu copo não estava assim.
De certeza absoluta que não estava.
Eu posso estar bêbado, mas queres emborrachar-me mais.
Não consegues.
Não posso beber álcool, quanto mais vinho tinto.
Vinho tinto não gosto.
- O que vai ser o nosso jantar ? - Ainda temos de o preparar.
Estão a filmar coisas que não era o que eu via para este argumento.
- São extras. - São extras, são.
São extras.
São extras.
"Tânia, 15 anos, morena.
"Não muito alta, mas elegante.
"Preocupa-se com o que veste e pinta-se demais para a idade.
"Paixão pela música herdada do pai
"e uma voz bonita e afinada fizeram dela a vocalista
"dos Estrelas do Alva, desde os 13 anos.
"É inteligente, determinada, afável, sociável,
"disponível e generosa embora possa empinar o nariz
"e amuar com os piropos dos rapazes nos concertos.
"Domingos...
"Domingos é um homem de sucesso a nível local,
possui dois táxis."
- Um táxi. - Um táxi.
"Uma pequena loja de discos."
Sem a loja. Não há dinheiro, não há loja.
"E o responsável máximo pela banda Estrelas do Alva.
"Tem cerca de 40 anos e uma aparência elegante,
"sinais de uma vida regrada.
"Musicalmente é eclético mas tem preferência pelos clássicos:
"Júlio Iglesias, Tony de Matos e Marco Paulo.
"Para além da paixão pela música,
"o seu mundo está circunscrito a Tânia, a sua filha.
"Hélder, 17 anos, primo da Tânia.
"Bem parecido, razoavelmente educado e inteligente.
"Vive com a irmã num apartamento em Loures,
"mas vai este ano para Estrasburgo com os pais emigrados.
"Um toque suburbano, tem um ouvido bestial.
"Sem esforço, consegue tirar músicas de ouvido num instante,
como um sobredotado."
Onde é que estão estas pessoas ?
Tragam-me dinheiro de Lisboa
e eu cá estarei com as pessoas para fazerem essas personagens.
Quanto tempo mais vais filmar com a equipa que tens ?
Sem teres os atores ?
HOMEM:O Fábio é daquelas pessoas que é quase completa.
É um bocadinho de tudo.
É um indivíduo que joga muito bem, que sabe medir as distâncias
e equilibrar muito bem a equipa, joga hóquei com a cabeça
e consegue conciliar aquilo que o hóquei tem de complicado
que é andar de patins, andar com o "stick" nas mãos,
com uma bola e pensar no que fazer àquilo tudo.
O Fábio é um excelente miúdo. É um excelente estudante.
Ao contrário do que muita gente pensa
não troca o que gosta de fazer, tocar viola, inglês, jogar hóquei,
ele não troca isso pelo tempo que tem para estudar.
Ele consegue conciliar e ter uma metodologia bestial.
E serve de exemplo para o grupo.
Sou o treinador dele desde os quatro anos.
Tenho acompanhado o Fábio desde que começou.
Tenho vindo a acompanhá-lo sempre.
Só houve um ano em que não estive com ele.
Mas tem sido um miúdo que tem vindo a evoluir.
Não é um miúdo que fez, de repente, o 8 e o 80.
Subiu gradualmente.
# TEMA CALMO
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# TEMA ROCK
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RAPARIGA:O Zé ?
- Já fazes hóquei há muito tempo ? - Sim, há 15 anos.
Tinha dois anos.
- Como é que conseguias ? - Foi com o hábito.
Mas no início ainda dei umas quedas.
- É em quatro rodas ? - É.
- Deve ser mais complicado. - Não.
Eu estou mais habituado, mas acho fácil.
Tu fazes o quê ?
Eu sou vigia florestal, só no verão.
# PASSEAR CONTIGO Broa de Mel
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Hoje estou feliz Vou estar contigo
Cedo o sol começou a brilhar
Hoje até o tempo É nosso amigo
Mas que bom que está Para passear
Passear contigo Amar e ser feliz
O que mais quero da vida ?
Ter amor e muito amor para dar
Ter amor e muito amor para amar
Passear contigo Amar e ser feliz
Mas que importa que se diga ?
Que assim é a brincar Vem, amor, vem passear
05E415, escuto.
É para informar de uma coluna de fumo aos meus 357 graus.
Vem ver como a tarde está linda
E como é tão bom ficarmos sós
Se o dia acabar O amor não finda
Porque há muito amor Dentro de nós
Passear contigo, Amar e ser feliz
O que mais quero da vida ?
Ter amor e muito amor para dar
HOMEM:Não, ele anda coxo porque foi atropelado.
Depois do que aconteceu ele já voltou a saltar.
Mas ele não teve culpa do que lhe aconteceu.
Foi atropelado por um marroquino.
Contaram que foram uns marroquinos que iam com os copos
e o atropelaram. O rapaz não teve culpa nenhuma.
Infelizmente foi atropelado e ainda não anda muito bem.
Ele andava há muito tempo à espera da indemnização.
Ele queria comprar um casaco aos marroquinos.
Só que papel, não havia.
Ele viu os casacos em cima das mesas, expostos.
Ele trazia um casaco velho.
Despiu o casaco dele e vestiu um casaco novo.
Os marroquinos vieram ter com ele a pedir-lhe o dinheiro do casaco.
E ele não tinha dinheiro.
Confusão mais confusão e sai porta fora.
Ele seguiu avenida abaixo direito à ponte
e os marroquinos saíram do café e deram a volta pela feira.
Quando os marroquinos se encontraram com ele
à entrada da avenida, onde é a farmácia,
ele encostou-se ao muro do rio.
Os marroquinos vinham, saíram fora de mão
e foram com o carro contra ele, bateram contra ele no muro.
Os marroquinos puseram-se em fuga e o moleiro ficou ali agarrado.
Com as pernas todas massacradas.
Os marroquinos atravessaram o rio.
A seguir aos bombeiros tiveram um despiste.
Metros à frente foram apanhados pelo despiste.
A GNR intersectou-os.
Um deles foi preso, o outro escapou.
Um desses marroquinos escapou.
Ainda hoje o moleiro está à espera desse dinheiro da indemnização
que a GNR disse que os marroquinos lhe pagavam.
Conversa puxa conversa, ele disse que tem de ir a tribunal.
Só que eu nunca vi esse tribunal.
E nunca vi o moleiro com dinheiro até hoje.
Ele disse que tem que ir a julgamento no mês que vem.
Só que eu não estou a ver qual é esse julgamento.
Os marroquinos nunca mais se viram cá.
E o moleiro continua aleijado.
Agora imaginem qual é a situação daquele indivíduo.
Ele anda aí.
A sobrevivência dele é mandar-se para o rio.
HOMEM:- Foram mal dadas ? - Claro que não.
Se eu estivesse no lugar dos marroquinos faria o mesmo.
BOMBOS
(...)
# TEMA BANDA POPULAR
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HOMEM:Da última vez que estiveaqui contigo...
... tu estavas aqui a trabalhar e depois...
Estava aqui a trabalhar, mas cheguei a um ponto
em que não dava pelo ordenado que eles queriam dar.
Abandonei isto e nem me pagaram até agora.
Nada, zero.
HOMEM:O que é que foste fazer a seguir ?
Fui trabalhar para a quinta, mas era outro aldrabão.
Só me meto com aldrabões.
Agora no dia 23, ele chegou ao pé de mim no Bar do Couves
para fazermos contas e deu-me 200 euros.
No princípio, ele falou-me em mil euros e até agora nada.
Deu-me 200 euros. É mesmo para esquecer.
HOMEM:Como é que tu vives ?
Vou trabalhando aqui e além para ir comendo e vivendo.
Vai-se fazendo assim.
Batatas, feijão, em tudo um pouco. Agricultura.
Os copos é ao sábado e ao domingo.
Não sou obrigado a trabalhar sábado, nem domingo.
Sábado e domingo era meu. Fazia o que eu queria.
Na hora de trabalho nunca houve álcool nenhum.
Começava à sexta-feira à noite.
Só parava sábado à noite, se não fosse domingo à noite.
Segunda-feira tinha de estar presente ao trabalho. É normal.
Não gosto de discotecas, bailes também não.
Gosto de estar num bar, a beber uns copos.
Está feito. A minha vida é isto.
HOMEM:Nunca te aconteceu não apareceres na segunda-feira ?
Já aconteceu.
Um gajo acordar, dói-me a cabeça e só apareci lá ao almoço.
Mas muito calmo. Ia todo partido.
O fim de semana foi comprido. Óbvio, meu.
Houve várias segundas-feiras.
Mas à terça-feira estava sempre pronto para trabalhar.
Se não trabalhasse na segunda, no sábado tinha de ir trabalhar,
para fazer os cinco dias semanais.
Eu estava no primeiro bar, que era do Couves.
Apareceram lá dois marroquinos com casacos e cintos
para me quererem vender.
Eu já estava bem tratado e houve um que estava a teimar:
"Compra, compra." Eu não queria casaco nenhum.
Passei em frente ao balcão e atirei os casacos para o chão.
Foi logo um filme maluco. Lá dentro queriam bater-me.
Mas como eu reagi à brutidade, os gajos acalmaram.
Um colega meu que é o João Cabaceiro,
o meu irmão tinha comprado um telemóvel a esse gajo,
disse que queriam dar-me um tiro. Não se passava nada disso.
Antes de chegar à ponte eu estava à conversa
com esse João Cabaceiro e os tais marroquinos
vieram por trás a cento e tal e levaram-me à frente.
Foi dente, perna, cabeça, nariz.
Estive duas noites e dois dias em coma.
Assim que acordei tinha um filho com 15 dias.
Nem quis ser operado. Queria vir para casa.
Vim para casa, com os olhos inchados, um dente partido,
a perna toda engessada.
Andei praticamente 16 meses em gesso.
Comecei a tirar o gesso.
Andei mais um mês ou dois a fazer ginástica,
para trás e para a frente de bicicleta.
Comecei a trabalhar nas obras com o Jorge Abreu.
Uma aposta no bar do Couves, por uma mini, saltei da ponte.
O rio estava baixo nesse dia. Eu também não vi nada.
Conforme caio, uma entorse no pé. Está pronto para outra.
Ainda estou à espera do seguro.
Não está nada tratado, nem dinheiros, nem nada.
Estou à espera de receber, mas não sei quando.
Ainda vai demorar uns dias.
Atiro-me da ponte onde estão os dois pregos.
Aqui assim. Não sei onde. Aqui assim.
Estamos quase a lá chegar.
Aqui estão eles. É daqui que faço os meus mortais.
E foi aqui que aleijei o pé. Foi uma entorse grave.
Depois apareceu o meu irmão de mota e foi buscar-me às escadas.
Até tive de subir as escadas com o pé todo inchado.
O meu irmão queria levar-me para o hospital,
mas não fui. Cá ando, na minha.
HOMEM:Espetas os pregos antes ou depois de te atirares ?
Os pregos já aqui estão há anos. Estão aqui há sete, oito anos.
HOMEM:- Foste tu ? - Fui. É a marcação do salto.
Do salto não, vários, centenas de saltos.
Só que, naquele dia, o rio estava mais baixo.
Isto não tinha luz.
Conforme me atirei bati com os pés no chão.
Foi logo na perna doente. É mais curta do que a outra.
E é assim.
Salto mortal em dia de Carnaval é todos os anos.
Este ano não sei se vai haver. Logo se vê.
MULHER:Olá, senhores ouvintes, para todos muito boa tarde.
Das 15 horas passam agora 13 minutos.
E porque hoje é quinta-feira
vai ficar com o programa "Nós, as Mulheres".
Além de estarmos "online"
hoje estamos também a colaborar para um filme...
... o que nos orgulha muito na Rádio Clube de Arganil.
# TEMA POPULAR
#
Ainda te lembras amor Como tudo começou ?
Se te esqueceste eu não
Nosso primeiro beija-beija Foi atrás da Igreja
Num bailarico de verão
A lua estava a sorrir A tua boca a pedir
E toda a aldeia também A querer nos ver acertar
E para me encorajar Ainda me lembro, meu bem
Toda malta gritou Até o padre ajudou
Aperta, aperta com ela
A banda sempre a tocar O povo todo a cantar
Aperta, aperta com ela
Nós apertámos os dois Então aí é que foi
Aperta, aperta com ela
Assim, amor, pois então Começou nossa paixão
Nesse baile de verão
Ainda te lembras amor Como tudo começou ?
Se te esqueceste eu não
Nosso primeiro beija-beija Foi atrás da Igreja
Num bailarico de verão
A lua estava a sorrir A tua boca a pedir
E toda a aldeia também A querer nos ver acertar
E para me encorajar Ainda me lembro, meu bem
Toda a malta gritou Até o padre ajudou
Aperta, aperta com ela
A banda sempre a tocar O povo todo a cantar
Aperta, aperta com ela Nós apertámos os dois
HÉLDER:A guitarra está desafinada.
Parece que temos mais um génio musical na família.
LENA:- Estás toda boa. - Olá.
TÂNIA:Este é o Hélder, o meu primo de Lisboa.
Desculpa ter chegado atrasada. Correu bem ?
O meu Nélson estava em brasa. Vamos dançar.
# TEMA RANCHO FOLCLÓRICO
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DOMINGOS:Para a estrelinha do Alva, que canta sempre tão bem.
És a razão da minha vida. Amo-te muito. Pai.
HOMEM:"A minha mãe", João de Deus.
"Quando a minha alma estende o olhar ansioso
"por esse mundo a que ainda não pertenço,
"das vagas ondas desse mar imenso,
"destaca-se um vulto mais formoso, é a minha santa mãe.
"Berço mimoso de onde na minha infância andei suspenso,
"é em minha santa mãe que vejo e penso,
"verei sempre se Deus é piedoso.
Como línguas de fogo que se atraem avidamente
"os braços despedimos um para o outro.
"Mas os braços caem, porque é então
"que olhamos e medimos a imensa distância
"de onde saem os ais da saudade que sentimos."
LENA:Olha os namorados, primos e casados !
RISOS
HÉLDER:- Não fujas ! LENA:- O que é que foi ?
LENA RI
Podem oferecer-me os ouros
Mais a prata em troca do teu amor
Podem me fazer rainha Ter a terra toda minha
Que eu não quero, não senhor
Podem-me oferecer o mundo E até ser dona de tudo
Em troca do teu amor
Podem dar-me diamantes E os ouros mais distantes
Que eu não quero não senhor
Quero-te a ti E sem ti nada me interessa
De que servia afinal As riquezas sem igual
Sem as dividir contigo ?
Quero-te a ti
E por mais que alguém me ofereça
Eu a nada dou valor Se não tiver o teu amor
Se não te tiver comigo
LENA:Olha o Nélson.
NÉLSON:É só malucas nesta terra.
Quando fores para Estrasburgo vais repetir o ano ?
Espero bem que não. Preferia trabalhar como estafeta.
- O quê ? - Caguei na escola.
Quero é andar de mota.
- Vais arranjar uma francesa. - O quê ?
Se vais arranjar por lá uma namorada francesa ?
Prefiro o produto nacional.
HÉLDER TOCA GUITARRA
(...)
HOMEM:Já conhecias essa música ?
Ouvi-a ontem no concerto. Se calhar, não é bem assim.
Claro que é. Este gajo é um génio da viola.
Vejam lá se topam esta.
HÉLDER TOCA GUITARRA
(...)
(...)
(...)
# A MINHA GUITARRA Tony Carreira
Que bonecas lindas namorei
Por certas eu confesso que chorei
Mas ficar nunca foi muito para mim Eu sou assim
Adeus, amor Mas tenho...
ARMANDO:É sempre a mesma coisa.
Isto tem mais ventoinhas do que o aeroporto.
HOMEM:Querem ajudar-me ou vão ficar na converseta ?
ARMANDO:É verdade que o Couves atropelou um cão ?
HOMEM:Se era um cão ou uma cadela não sei.
Olha a janota. Janota, vai-te embora.
Vai para o quintal da vizinha. Vá, anda !
- Não contaste ao Hélder ? - Não contei o quê ?
Sobre a história do desaparecimento da tua mãe.
Achas, pai ? Imagina lá.
"Hélder, a tua tia não fugiu nem abandonou o marido e a filha
"como vocês julgam.
"Foi mais é raptada por extraterrestres.
"O meu pai viu tudo.
"Mas prefere que lhe chamem corno e a mim coitadinha
a pensarem que morreu."
Há coisas que devem morrer connosco, pai.
Gosto tanto de ti.
# TEMA BANDA FILARMÓNICA
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-Como estão a correr as filmagens ? - Boas.
Até agora, está tudo bem.
- Tens entrado muitas vezes ? - As vezes necessárias.
E algumas que me vão buscar sem estar nos mapas.
Mas pronto. Está a correr tudo bem.
- São um bocado desorganizados ? - Não.
É a maneira de eles trabalharem e acho que o fazem bem.
Tem corrido tudo bem. Os textos não são difíceis.
É fácil de decorar ?
Eu já não sou novo. Já estou cansado.
Isto não é a minha vida.
Vou entrar hoje pela primeira vez.
Tinha o papel programado para hoje. Sabia-o de cor e salteado.
Telefonam-me à última da hora:
"Manel, troca-me a cena. Passa para outra cena."
Como é que eu vou decorar aquela porcaria toda ?
Estou uma carga de nervos. Não sei como vou fazer.
- Só tens é que decorar. - Mas não tive tempo.
- Não durmas. - Venho com olheiras para aqui ?
Dorme à pressa. Faz como eu, dormes uma hora.
És muito esperto.
Andas a montar portas e janelas. Não é a mesma vida que eu tenho.
Agora não ando a montar nada.
Mas eu tenho que aturar uma data de condóminos.
É a minha vida, aturar condóminos. Não é fazer filmes.
- Tens de fazer com gosto. - Não ponho isso em questão.
Estive a semana toda a preparar-me para uma cena.
À última hora telefona-me o assistente de realização:
"Sr. Manel Soares, troca a cena. Vamos filmar outra."
Aí é que está a categoria do ator. Tem de estar preparado para isto.
Já te disse. Isto não é a minha profissão.
Eu sou um amador que vem fazer um filmezinho.
Não sou como tu, que és o campeão da zona.
Claro, sou uma figura.
A coisa boa é que vão filmar na Fraga da Pena.
É uma zona bonita, fresquinha. Vir de fato com este calor todo.
Gravares na Fraga da Pena de fato é de categoria.
- Não é para qualquer um. - Pois não.
Parece que vou casar.
Vimos da missa. Vamos na procissão.
Mas os papéis não são difíceis de decorar.
Olhamos para aquilo e temos de meter tudo na cabeça.
Mas vai devagarinho.
Como é que vieste cair ao filme ?
Estava a cantar no "karaoke".
Apareceram lá uns artistas com uma grande câmara.
Só me lembro da câmara. Não me lembro de nada.
E foi assim. Acharam-me com pinta de artista.
- Mas ainda bem. - Estás a gostar ?
- Estou, espetacular. - Hoje é o primeiro dia.
Chamaram-me quando eu estava ali na carreira.
Uma rapariga da produção veio ter comigo.
"Onde é que se arranja um palco igual a este ?"
Eu tinha sido o mordomo da festa.
Tive de ensinar à menina como é que se fazia uma festa.
Tive de organizar aquilo tudo.
Quando chega a altura da festa do ano seguinte
começaram a filmar-me.
Pediram-me para contar histórias aqui da aldeia.
Comecei a contar histórias da minha vida.
Comecei a contar o problema que tenho na coluna.
E da minha fé pela Rainha Santa. Passei a levar o andor.
Comecei a contar esta história.
E eles a gravarem sem eu saber.
O gajo a gravar com o coelhinho e eu sem saber.
A seguir perguntam-me como nasceu a Noite dos Colhões.
E a gravar sem eu saber.
Depois convidaram-me para ir fazer um teste a Lisboa.
Fiz o teste, convidaram-me.
Assinei um contrato para vir aqui armado em ator.
Da parte que me toca, é pena não ter menos uns anitos.
- Dedicavas-te a isto ? - Era logo.
Largava logo as janelas.
Se me pagassem bem eu largava os condóminos.
Nem pensava duas vezes.
- Olá, D. Conceição. - Está bom ?
Parabéns. Está muito bem.
Já viu as andanças em que me puseram ?
Também já fiz o mesmo, bem ou mal.
Cá estamos.
Deus queira que tenhas muita saúde.
- Obrigado. - Muita sorte para todos.
- Muito obrigado. - Já estou um bocado gaga.
Este é o Armando do Monte Frio.
- Dê cá um beijinho. - Também anda nisto ?
- É verdade. - Não o conheci.
Tive um AVC no ano passado. A fala não ficou a 100 por cento.
- Não ficou ? - É o que se pode arranjar.
- Está jovem. - Fique bem.
Obrigada a todos. Saúdinha.
ARMANDO ASSOBIA "MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO"
(...)
(...)
(...)
MANUEL:Qualquer dia tenho de te levar para França.
Também há drogados, mas estão no espaço deles.
Ninguém os incomoda. A Polícia reservou aquilo.
Cá em Portugal partem tudo. Não pagam o condomínio.
Vamos para tribunal. Estamos dois anos à espera.
Vocês fartam-se de trabalhar e não veem nada ao fim do mês.
Sempre tesos.
Uma pessoa chega ao fim do mês sem dinheiro no bolso.
As únicas saudades que tenho é do bacalhau.
Ponham-se ali. Vai para o pé da tua prima.
Um bocadinho mais para a esquerda.
Hélder, larga o pau. Põe-te direito.
- Digam lá uísque. TODOS:- Uísque !
MULHER:Queres ajuda ?
ESTRONDO
Que país da merda !
Estou a perder o ritmo.
HÉLDER:Calma. Se queres mais rápido escreves tu sozinha.
LENA:"Querido Nélson, sei que posso ser muito má.
"Mas o meu coração também é muito grande.
"Arrependi-me muito de ter rasgado o teu bilhete.
"Fui ao caixote e pus tudo direitinho outra vez.
"Sei agora que sou louca por ti.
"Foi a primeira vez que alguém me escreveu uma carta de amor.
"Contigo conheci muitas coisas novas e acho que ainda não acabou.
Amo-te. Adoro o teu corpo e..."
HÉLDER:- O teu sorriso. TÂNIA:- Acho mal.
O sorriso é mais importante do que o corpo.
Não se mete o sorriso, senão tinha de riscar.
O teu corpo e as tuas carícias.
Pode ser. Mas sorriso era bonito.
LENA:Mais. Não quero que tenha dúvidas. Já sofreu tanto.
Sofro muito por perceber que somos um.
- E que nos zangámos em vão. LENA:- Assim não percebe.
Sofro muito. Fomos feitos um para o outro.
- E não nos devemos separar. LENA:- Devagar.
- Sonho estar nos teus braços. - E devorar-te com mil beijos.
LENA:Estão a gozar comigo ? Tenham lá calma !
- Sentir o calor do teu corpo. - E o brilho dos teus olhos.
- Mexer nas tuas mamas. - E levares um estalo.
LENA:Concentrem-se !
# "A MINHA GUITARRA" Tony Carreira
Esta vai para os nossos amigos bombeiros !
Com a minha guitarra percorri
O mundo e com ela conheci
Coisas tão bonitas Mundo além que a vida tem
Que bonecas lindas namorei
Por certas eu confesso que chorei
Mas ficar nunca foi muito para mim Eu sou assim
Adeus, amor Mas tenho o mundo à minha espera
E a primavera pode acabar
Adeus, amor Eu ando à roda com o mundo
Sou vagabundo Não vou parar
Gosto delas loiras ou morenas
Bonitas Sejam grandes ou pequenas
Que falem grego, russo ou irlandês Ou português
Seguindo sempre em frente Outro caminho
Só uma é que não me deixou sozinho
Sempre andou comigo pela estrada A minha guitarra
Adeus, amor Mas tenho o mundo à minha espera
E a primavera pode acabar
Adeus, amor Eu ando à roda com o mundo
Sou vagabundo Não vou parar
APLAUSOS
(...)
Passaste o concerto todo a martelar fora do tempo.
Eu ? Não dei por nada.
Podia ter-me distraído com o Hélder.
Ou reparas no Hélder ou tocas como ensaiámos.
Ajuda-me a arrumar isto.
HÉLDER:Não tenho culpa nenhuma do que a minha tia lhe fez.
HÉLDER:Está ali o Nélson com uma boa !
Ele já tinha saído. Aposto que estava com aquela vaca.
É tarde. É melhor ires para casa. Falas amanhã com o Nélson.
És ou não és minha amiga ?
Sabes que quando tenho um pressentimento nunca me engano.
Tens pressentimentos todos os dias.
Ali também não está.
O que é que fazias se o visses com a outra ?
Partia-lhe a tromba toda.
Vamos ao bar dos camones, ver se ele está lá.
- Eu vou para casa. Ficas ? - Fico.
TÂNIA:- Boa noite e boa sorte. LENA:- Tânia ?
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO
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Está ali a cunhada do Aníbal. Não olhem.
Não querem dar um pezinho de dança com as meninas ?
- Não sou grande dançarino. - És o rei dos bailaricos.
Se calhar, não foi boa ideia virmos para aqui.
Vou arranjar uma bronca com a patroa.
As meninas são como os padres. Estão obrigadas ao segredo.
- Olha aquela tão bonita. - E boa.
Conheces ?
- O que está a beber ? - Champanhe.
Isso é muito caro. Peça lá um uísque.
É muito bonita.
- Como é que se chama ? - Chamariça.
Porra.
Peça uma garrafa de champanhe.
Mas vai-se juntar ao pé daquele rapaz todo jeitoso.
E vai chamar-se Paulinha, está bem ?
Tão cedo, pai ? Pensei que ia ser até às tantas.
Estou a ficar velho para grandes andanças.
Até acho bem que saias de vez em quando.
TELEVISÃO
(...)
# TEMA POPULAR CALMO
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Sabes, Hélder. Acho que nunca tive um amigo como tu.
- Já estás bêbada. - Pois estou, não estou ?
Lá em Lisboa tiveste uma namorada por muito tempo ?
Tenho umas boas mamas, pois tenho ?
Já deves ter notado. Vocês só pensam nessas coisas.
Gosto mais de ti do que da Tânia.
- Porquê ? - Porque tu estás aqui e ela não.
- O que foi desta vez ? - É o costume.
Não é nada ! O teu primo aproveitou-se de mim !
E eu sou uma burra, porque deixei !
Algum dia voltarei a ser feliz
Sei que não será assim A minha vida
Mas para sempre Seguirás dentro de mim
Tua imagem Será minha companhia
Me diziam: Vai em frente Deixa já de lamentar-te
Que um amor Com outro amor se esqueceria
É mentira É mentira
Há amores Que não se esquecem na vida
É mentira É mentira
Passa o tempo Fica sempre uma ferida
É mentira É mentira
Há amores Que não se esquecem na vida
É mentira É mentira
APLAUSOS
(...)
# TEMA POPULAR
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TINO:Hélder, traz mais uma cerveja ao pai !
Não vou guiar, porra !
Hélder ?
ARMANDO:Não queres dançar com o primo ? Ele dança bem.
TÂNIA:Não, tu danças melhor.
HÉLDER:- É a Lena. TÂNIA:- Atendes tu ?
DOMINGOS:Tino, anda comer uma febra.
Não como !
Estou ? Olá, Lena. Não, hoje não me apetece.
Não, fico por casa. Sei lá, telefona a alguém.
Olha, tenho de ir. Adeus. Puta.
Gostas de lamber o cu às madames ! Tenho honra de ser português !
Maria Rosa ? Maria Rosa, minha irmã ?
Há tanto tempo que não te vejo.
Também não gostas dos franceses, pois não ?
DOMINGOS:Cala-te !
TINO:Tenho tanta pena. Tanta pena.
BATEM À PORTA
HÉLDER:Sim ?
Meu coelhinho... O que fazes, filho ?
Estava a ver estas fotos.
A menina está igualzinha à Maria Rosa.
Até faz impressão.
- Mãe, nunca mais viu a tia ? - Não.
Só ouvi dizer que ela fugiu com um homem de Lisboa.
Mas não vamos falar disso. O teu pai zanga-se.
Nunca se percebia o que ela estava a pensar.
Ficava parada, de repente. Ainda me dá arrepios.
Às vezes, acho que a Maria Rosa está morta.
Que encarnou no corpo da filha. Hélder, ouve-me.
Afasta-te dessa gente. Não são como os outros.
E tem cuidado com essa rapariga.
LENA:Que grandes bois ! São russos ?
Parecem mais alemães.
Olá. Bom dia. Vocês são desta cidade ?
LENA:Sim, somos daqui. Quer dizer, daqui ao pé.
O quê ?
LENA:Sim. Nós portuguesas. E tu ?
- Eric. LENA:- Não, a tua terra.
Tânia, olha o teu primo !
Primo, andas desaparecido.
Olá. Tenho ficado mais por casa.
LENA:Tânia, são belgas !
- Amigos estrangeiros ? - Não tens ido aos ensaios.
Tenho de falar com o teu pai. Acho que vou deixar a banda.
Mas porquê ?
Um ou outro concerto é porreiro. Mas já começa a chatear.
LENA:Olá, Hélder. Tânia, como se diz mercearia em inglês ?
- "Mercerya" ? - "Grocery shop".
LENA:Venham lá ! Estes camones são fixes.
- A Lena orienta-se. - Até parece que não sabias.
Não ia ter sorte nenhuma com a amiga dela.
Quem é que te disse, esperto ?
HOMEM:Boa tarde.
# BANDA FILARMÓNICA
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# MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO Dino Meira
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Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
Porque sei que vou voltar
Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
E trago Deus para me ajudar
Já passaram tantos dias Já passaram tantos meses
E eu ando louco por regressar
Já senti a cada momento Que a saudade é um tormento
Eu ando louco por regressar
Já passaram tantas horas De voltar eu bem preciso
Deitar as saudades fora
E cantar vamos embora De regresso ao paraíso
Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
Porque sei que vou voltar
Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
E trago Deus para me ajudar
Já passaram tantos dias Vivo assim sem alegria
Eu ando louco por regressar
De pôr os pés ao caminho Sentir o gosto do vinho
Eu ando louco por regressar
Já passaram tantas horas De voltar eu bem preciso
Deitar as saudades fora E a cantar vamos embora
De regresso ao paraíso
Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
Porque sei que vou voltar
Meu querido mês de agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto Meu querido mês de agosto
Trago Deus para me ajudar
# TEMA POPULAR
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# BUZINAS
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# BUZINAS
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ARMANDO:Já não sei o que fazer a isto.
Não sei se é a ventoinha.
- Aqueceu ? - Aqueceu.
Pode ser o termostato. Tem água ?
Água tem. Não entendo nada disto.
Se calhar, é um tubo roto.
ARMANDO:Não sei se foi a ventoinha.
HOMEM:Se calhar, é aquele tudo que está roto.
É dali é. Não vês que está molhado ali ?
HOMEM:Pode não ser. Olha o radiador.
ARMANDO:Ultimamente tem andado a fazer destas coisas.
HOMEM:Afinal, está a sair água daqui.
Está a sair daí água. Este tubo está partido.
Iam os dois lá. Que iam, iam.
- Pai, posso sair ? - Dá-me isso.
Vais aonde e com quem ?
Posso ir no cortejo ou ao parque de campismo.
Depende do que eles quiserem fazer.
- Eles quem ? - A Lena e o Hélder.
Mais uns amigos belgas que conhecemos do parque.
Não vais. Não conheço esses gajos.
Qual é o problema ? Os belgas são porreiros.
Ouvi dizer que são uns maluquinhos das motas.
Desde quando é que achas que eu não sei comportar-me ?
Não vais, Tânia ! Acabou-se a conversa !
O que é que se passa ?
Não é por causa dos belgas, pois não ?
Ficas em casa e calas a boca.
HOMEM:Ó da casa, se nos dá licença ?
É entrar !
Quem pensas que eu sou ?
És minha filha e fazes o que eu te digo.
# TEMA FOLCLÓRICO
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Então ? Que cara é essa ?
- Sais connosco ? - Não, fico a arrumar as coisas.
- Arrumas amanhã. - Não, tem de ser hoje.
Eu ajudo-te. Depois vamos para o parque.
Não, Hélder. Falamos amanhã.
É o teu pai ? Quer-te só para ele ?
Não me chateies.
Nesta casa é tudo bom Nesta casa há gente fina
Nesta casa é tudo bom Nesta casa há gente fina
Só cá falta a mulher Para criar a menina
Só cá falta a mulher Para criar a menina
Falar mal da vida dos outros É um ato mesquinho e pequeno
Falar mal da vida dos outros É um ato mesquinho e pequeno
Gostavas que aqui se cantasse
Que o teu irmão Se matou com veneno ?
Gostavas que aqui se cantasse
Que o teu irmão Se matou com veneno ?
Eu já bebi uns copinhos Mas diga-me cá se souber
Eu já bebi uns copinhos Mas diga-me cá se souber
Se aqueles dois é pai e filha Se é marido e mulher
Se aqueles dois é pai e filha Se é marido e mulher
APLAUSOS
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
# TÂNIA SOLUÇA
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DOMINGOS:Não chores. Por amor de Deus, não chores.
Desculpa se fui bruto há bocado. Não quero que fiques triste.
Tenho medo de te perder, como perdi a tua mãe.
Tenho medo que, um dia, já não gostes de mim.
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# TEMA POPULAR CALMO
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Quando eu te conheci eras criança
Vivias no teu mundo de ilusão
E nem sequer sonhavas Que poderias ser
A causa principal desta canção
Morrer de amor
É bem melhor do que viver A vida sem te ter
Morrer de amor
É bem melhor Do que viver sem ti
E o tempo foi passando Lentamente
Mas não morri de amor Sobrevivi
E na minha alma Uma tristeza imensa
Que ditou a canção que te escrevi
Morrer de amor
É bem melhor do que viver A vida sem te ter
Morrer de amor
É bem melhor Do que viver sem ti
Morrer de amor
É bem melhor do que viver A vida sem te ter
Morrer de amor
É bem melhor Do que viver sem ti
RÁDIO
(...)
(...)
(...)
Hoje tocaste muito bem, Hélder.
Porque me vou embora amanhã e estou muito contente com isso.
Mesmo que ficasse cá ia ser sempre o último.
Não quero mais tocar com vocês.
Aliás, não vos quero ver mais à frente.
Não faças esse ar de virgem assustada.
- De virgem deves ter muito pouco. DOMINGOS:- O que estás a dizer ?
O tio sabe muito bem. Já não tenho pena de si.
Talvez a tia Maria Rosa tenha tido boas razões
para se pôr a andar.
Cala-te !
Não tenho medo de ti. Gajos como vocês são cobardes.
RÁDIO
(...)
# TEMA POPULAR CALMO
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TÂNIA:Fica comigo hoje.
MÉDICO:Amanhã já podem vir buscá-lo.
Vou cumprimentar o herói. Querida, não te preocupes.
Ele está bem. As queimaduras foram superficiais.
Amanhã já podem vir buscá-lo. Só fica cá hoje por prevenção.
MOTA ACELERA
PORTA FECHA
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO
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HÉLDER:- Não consigo. TÂNIA:- Eu amo-te.
GALO CACAREJA
Eu amo-te. Não vou para França.
Ninguém me pode obrigar a ir embora.
Nem os meus pais, nem o teu.
HÉLDER:Temos de falar, mãe.
Hélder, chega aqui ao pai ! O que é que andaste a fazer ?
Com quem é que passaste a noite ?
Não vou com vocês para França.
O que andaste a fazer, meu cabrão ?
CONFUSÃO DE VOZES
(...)
(...)
(...)
Um dia destes, a gente volta.
Por muito mal que isto esteja, a gente volta sempre.
- Cuidado. - Desculpa.
DOMINGOS:O vosso filho salvou-me a vida.
Pois salvei.
CONFUSÃO DE VOZES
(...)
PÁSSAROS CHILREIAM
(...)
(...)
(...)
Sim.
(...)
VASCO:Diga, chefe.
Não sei se esta conversa é muito agradável.
Há coisas que se estão a passar no som deste filme
que não era suposto estarem a acontecer.
Ligou-me o João Nicolau, que está a sincronizar o material.
Ele descreveu-me o som de alguns planos
e eu disse que é impossível.
Há sons fantasma nesses planos. Há sons que não estavam lá.
Se eu quiser ter outros sons, tenho muitas pistas no computador
e posso pôr os sons que quiser.
Mas se eu vou para o meio da natureza,
tenho um plano ao pé de um ribeiro e ouço uma canção,
mas não estão lá colunas. Como é que é possível ?
Como é que é possível haver sons que não estão lá ?
HOMEM:É tudo muito estranho. São coisas esquisitíssimas.
Aparecer sons que ninguém ouviu, mas o gravador registou ?
HOMEM:E agora ? Como é que é possível ?
Possível, é. Tecnicamente, não é.
Estava a falar de cassetes com pistas.
Isto não tem pistas. É um disco rígido que está aqui.
Regista as coisas que eu quero. Eu vou às coisas.
Posso é querer coisas.
E elas vêm ter comigo e não vão ter com vocês.
Agora não acrescenta nada. Eu é que vou lá.
Quero tanto que vou lá.
HOMEM:Mas tu estás ao meu lado, a gravar estes planos.
Estás a gravar e, nas cassetes, aparece outra coisa.
Porque eu sou diferente de ti.
HOMEM:Mas eu gostava de ter o som das coisas que estão lá.
Se eu quiser, acrescento coisas.
Mas gostava de ter as coisas que estão lá.
Se quisermos, acrescentamos coisas.
Na serra não há canções.
Não há canções na serra, tu sabes disso.
Por exemplo, aqui não há nada.
# TEMA POPULAR
HOMEM:Isto está a ganhar proporções um bocado...
Acho que não estás a perceber bem do que é que se está a falar.
Essas características que disseste, que encontras sons
e que és diferente dos outros, é por isso que estás aqui.
É porque és esse tipo de diretor.
Se ouvisses o que o João Nicolau diz que ouviu
nos planos de que estamos a falar,
ias também concordar que aqueles sons não estavam lá.
Estamos a falar de coisas diferentes.
Tu próprio saberias que aqueles sons não existem,
se tu os ouvisses.
Vou fazer com que o material chegue cá
para seres confrontado com isso e perceberes do que estamos a falar.
Aquilo não existia mesmo.
Ou seja, a não ser que tenhas um alcance com esse microfone
de quilómetros e quilómetros e apanhes o Marante na sua sala.
Qual é o microfone que estás a usar ?
HOMEM:É omnidirecional ou unidirecional ?
VASCO:Não é uma coisa, nem outra. Olha que pergunta.
São dois microfones.
Um deles aponta para a frente, o outro aponta para os lados
que apanha a informação estereofónica que vem dos lados.
Eu situo... Conforme o microfone situas...
As coisas gravam-se e filmam-se com vontades, memórias.
Está bom. Mas o que interessa é saber se há uma solução ou não.
Como é que se resolve isto ? Não podemos continuar assim.
A ouvir coisas que não fazem parte.
Vamos começar...
Querem chanfana ou polvo à lagareiro ?
HOMEM:Agora quero só gravar ! Quero só gravar !
CONFUSÃO DE VOZES
(...)
HOMEM:Podes mudar isso ? É possível chegares a um...
Fazer à vez ? Eu ter o som que existe.
Posso. Posso fazer mais isso.
É menos interessante...
Estou a fornecer-te coisas menos interessantes.
Eu preferia não ficar igual aos tais...
Toda a gente que não ouve nada. Não ouve nada ?
As pessoas passam o dia todo a ouvir coisas abjetas
e repara que eu não estou lá.
As pessoas normais estão sempre a ouvir coisas
que não servem para nada, a Floribela a bombar na televisão,
todos aos gritos no restaurante, o Benfica, o Sporting.
Para mim, não existem. Também me podia queixar.
Entro num café e está ali uma coisa que não existe.
E eu estou a vir tudo aos gritos. Eu também me posso queixar.
Estão a mudar a realidade, esta merda não existe.
Para mim, não existe. Eu nunca estou lá.
Para mim, existe o Marante a cantar na floresta,
lá muito ao longe, uma coisa muito bonita.
HOMEM:- Vasco, chega aqui. - Porra.
HOMEM:Isto não pode ser assim.
Se é teu, controla-te.
VASCO:É a única coisa que eu posso fazer.
HOMEM:Mas faz isto por esta equipa. Está bem ?
Estamos todos a fazer o filme da maneira que queremos.
Depois fazemos o resto. Controla-te.
VASCO:Sim.
Adaptação e Legendagem - RTP - Conteúdos Adaptados
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