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AS GUARDI�S
Nada mau!
Lutaste por isto.
Foi uma vit�ria merecida.
O teu pai teria ficado t�o contente.
O mestre-escola agora � tenente.
L� somos todos her�is.
Se n�o os tiv�ssemos travado, era o fim.
Estou muito orgulhoso de ti.
E dos outros.
Vamos dar cabo deles.
Sim, vamos.
Bom dia, senhor.
Bom dia, meninos.
Bom dia, Lucie.
Bom dia, Constant.
Sentem-se.
Como vai?
Bem, obrigado.
Prepar�mos uma surpresa.
Baptiste!
"Os Alem�es".
Brutos, sinistros e odiosos, com seus des�gnios maldosos,
matando mi�dos, velhos e m�es,
repugnam at� os criminosos:
os alem�es!
Fazer da honra a chama erguida,
respeitar igreja ou jazida;
nas suas cabe�as sem leis, detestam o bom da vida:
os alem�es!
Franceses, tomai coragem,
enchei o peito � imagem de Gavroches ou D'Artagn�es
e vencer�o com vantagem:
os alem�es!
Obrigado, Baptiste.
- Posso? - Com certeza.
� dif�cil.
Est� toda a gente orgulhosa de ti.
Muito orgulhosa.
Tira isto.
�s bonita, minha irm�.
�s bonita.
Devias aproveitar enquanto o Clovis n�o est� para modernizar a quinta.
Na frente, vemos coisas.
Tractores...
M�quinas de lavar a roupa... Muitas coisas novas.
� Patroa!
Patroa sem empregados n�o � patroa.
Depois da guerra, tudo ser� diferente.
Aos teus filhos futuros que viver�o em paz.
N�o haver� filhos.
N�o posso.
- O Clovis sabe? - N�o.
� vit�ria, ent�o?
� vit�ria.
� vit�ria, ent�o.
Ningu�m estava pronto.
N�o se pode acreditar em tudo o que as pessoas dizem.
Partimos para uma guerra-rel�mpago e seguem-se dois anos de inferno.
No meu regimento houve tipos que enlouqueceram.
Em breve precisaremos de um guarda atr�s de cada um.
Se a colheita for boa,
penso comprar uma ceifeira-debulhadora.
Mas s�o um bocado caras.
S�o caras, mas � um bom investimento.
N�o vais dar cabo das costas...
E vais poupar tempo.
O prefeito disse que podia receber um subs�dio do minist�rio,
se a emprestasse a tr�s outros alde�es.
Isso � bom, M�e.
� uma coisa boa.
Tens de arranjar algu�m para te ajudar.
N�o devias ter despedido o ajudante.
A Solange tinha raz�o, ele n�o fazia nada.
Sim, mas o que ele fazia, ficava feito. Pela metade.
- T�nhamos de ir acabar a seguir. - Dependia...
T�nhamos sempre de ir acabar.
Porque n�o falas com a Suzanne?
O filho dela foi chamado.
Ela tem demasiado trabalho.
N�o queres ir viver para o Paridier?
N�o. Cada um em sua casa.
� preciso encontrares quem te ajude antes da colheita.
N�o queres mesmo que v� contigo?
N�o.
Apetece-me andar.
Boa viagem.
Sejam fortes.
Espera... Espera.
V�.
Nesta situa��o, e para mais com as colheitas,
n�o tenho ajudante para si, nem sequer um jornaleiro.
Vem demasiado tarde.
N�o tive tempo.
Est�o todos tomados?
Poderia haver uma jovem empregada de nossa casa.
� robusta, honesta,
e sobretudo uma trabalhadora perfeita.
Estar� livre em breve.
Mas se a quiser conhecer, ter� de ir a Bellac.
� demasiado longe.
Confio em si.
Diga-lhe que fico com ela at� ao fim das colheitas.
N�o se arrepender�.
A Francine Riant tem s� 20 anos,
mas � t�o capaz de trabalho pesado
como de trabalho delicado.
Agrade�o-lhe.
Assim que ela possa, espero-a em minha casa.
Muito bem.
Vou preparar o contrato.
Meu querido Georges,
Como � horr�vel para uma m�e imaginar o sofrimento do filho.
J� n�o leio os jornais.
Estes combates assustam-me. Custa-me imaginar-te l�.
Longe do nosso pa�s, de que tanto gostas.
O Constant teve a licen�a. Est� bem.
Agora � tenente.
Aqui choveu demais e o trigo cresceu mal.
Diz-me do que precisas.
Envio-te uma encomenda em breve.
A tua m�e, que pensa muito em ti.
- Muito obrigada. - Ora essa.
Senhora Hortense?
Sou a Francine.
Estava � sua espera.
Fico muito contente.
V�!
Vamos andando.
Sabe conduzir o gado?
Sim.
Fi-lo para os meus antigos patr�es. N�o me mete medo.
Como correram as coisas com eles?
Muito bem.
Vai ajudar no trabalho dos campos,
e ajudar a Solange nas lides da casa e da horta.
Pago-lhe 40 francos, como combinado, ao fim do m�s.
Ter� os Domingos de folga.
Excepto durante a colheita.
Pegue nas suas coisas. A Solange leva-a.
Anda, vou mostrar-te o teu quarto.
� gentil e simp�tica,
portanto...
Veremos.
N�o cortes os dedos!
Duas?
Sim, mais uma.
Assim deve chegar.
Agora...
acrescentamos o vinho.
Um casco de um quarto n�o � muito.
Sabes o que � um casco de um quarto?
Um barril, pequeno como esse.
Um barril pequeno.
Cinquenta litros.
Junta mais um.
Est� bom.
- Assim chega? - Sim.
Juntamos mais se for preciso.
Depois vamos provar.
O p�o absorve o vinho.
E pronto. N�o � complicado.
N�o � preciso ter ido � escola para fazer sopas de vinho.
Bom dia.
Chamo-me Marguerite.
Francine.
Clovis!
E os boches?
Quem s�o os boches?
Monstros sanguin�rios?
Nada disso.
Os alem�es s�o pessoas como n�s.
Oper�rios.
Mestres-escola,
como o Constant.
Agricultores...
como n�s.
Eu j� n�o espero nada.
Um dia ganhamos...
Dez metros.
E esses dez metros, no dia seguinte...
Voltamos a perd�-los.
E n�o podemos dizer nada.
Reparaste no Clovis?
Come�ou a beber.
� assim na frente. Bebe-se.
Para aguentar.
Achas que se vai ver?
Um bocadinho.
Mas n�o muito.
Deixas-me ficar com ela esta noite?
Claro.
Aprendeste a costurar no orfanato?
A ler e a escrever tamb�m.
Tenho o meu diploma, sabias?
E tu? S�o dif�ceis, os teus estudos?
Contabilidade das ind�strias agr�colas.
� duro mas, quando acabar, poderei ajudar o meu pai na quinta.
Quero que tenha orgulho em mim.
Ele assustou-me ao jantar.
Nem o reconhecia.
Tenho medo de que volte a partir.
N�o te preocupes. O teu pai ser� corajoso.
Quando a guerra acabar vai ser...
Muito melhor para voc�s.
Depois talvez possa tamb�m ajudar o Georges na quinta.
Ele ter� uma licen�a em breve.
J� s� temos tr�s dias at� � colheita.
Depois volto ao meu supl�cio.
Tens sorte, vais v�-lo antes de mim.
Contratei-te para a colheita,
mas estou contente contigo.
Trabalhas bem.
Se quiseres, prolongo o teu contrato um ano.
Sim.
Obrigada.
- Obrigada, Senhora Hortense. - Ora bem.
Lagorce, Lucien Jean L�on.
Arrendat�rio.
66� Regimento.
Soldado. Ca�do no campo de batalha.
Marchadier, Fran�ois Louis Gaston.
Cantoneiro de Lagache.
63� Regimento.
Soldado.
Ca�do no campo de batalha.
Rifaud, Jean-Louis Alfonse.
Carpinteiro em Lalande.
138� Regimento.
Soldado.
Ca�do no campo de batalha.
Acolhei-os, Nosso Senhor.
Dai-lhes o descanso eterno
e que a tua luz brilhe para sempre sobre eles.
Am�n.
P�ra!
Est� tudo bem.
Tiveram noticias do Clovis desde que teve a licen�a?
Sim.
Recebemos sobretudo ordens.
Acha que se pode gerir uma quinta a partir da frente.
A confian�a reina!
E tu, M�e, andas menos cansada?
Agora tenho a rapariga.
Ela trabalha bem.
Melhor do que muitos homens.
Mimi, anda...
Ouviste alguma vez na colina,
entre as car�cias do vento
cantar a can��o divina
que sopra o trigo estremecendo?
Querida, quando a noite cair sobre a terra,
e o rouxinol vier cantar tamb�m...
- Quando o vento... - Menina Francine?
Georges.
- � voc� a melhor empregada do pa�s? - Fa�o o que posso.
Tenho de voltar ao Paridier, Sr Georges.
"Senhor", n�o.
Georges.
Intimido-a?
N�o.
Vou para o Paridier, Sr. Georges.
Adeus, Henri.
At� amanh�, Francine.
Os dias n�o s�o divertidos no Paridier.
Conhe�o a minha m�e.
A sua m�e tem preocupa��es.
Eu percebo-a.
E a Solange?
Ela � t�o elegante!
� diferente dos outros camponeses.
N�o tem nada a invejar-lhe.
Com tudo isto, n�o tive tempo de lev�-la ao meu bosque.
As �rvores s�o mais bonitas do que estas.
Al�m disso h� um tesouro.
Um tesouro?
O que �?
N�o lhe vou dizer.
� surpresa.
Ent�o? Vir� ver?
Com certeza.
Com a Marguerite.
Gosto dela, mas � como a minha irm�.
Uma crian�a que vi crescer.
Vou-me embora amanh�.
Quem sabe se voltarei?
Vai voltar.
Mas talvez j� n�o esteja aqui.
Isso n�o depende s� de mim.
Precisamos de si, gostamos de si.
Ningu�m a quer mandar embora.
Ent�o, ficarei.
Escreve-me?
Levamos uma �gua e uma vaca.
A �ltima deste ano.
Espero os vales do Minist�rio e ser� paga de Quinta a oito.
Estende-a bem.
N�o pode ter altos. Tira o excesso.
Se tiveres frio de noite, pede mais um edred�o � Solange.
Obrigada, por enquanto, tudo bem.
Mesmo quando a guerra acabar,
ficamos contigo, minha filha.
Caro Georges,
J� que me deixa escrever-lhe,
mando-lhe not�cias do Paridier.
Este � o meu primeiro Inverno com a sua fam�lia.
Ouvimos as not�cias de Verdun.
Aqueceu-nos o cora��o.
A hora da vit�ria aproxima-se.
Tudo corre bem com a sua m�e.
Ela promete que, depois da guerra� ficarei no Paridier.
Se serve de consolo, saiba que, longe, algu�m pensa em si todos os dias.
E agora � uma pessoa na Terra que pensa em mim,
que me conta as suas dores e me convida a partilh�-las.
Rezo por si. Francine.
M�e!
� o Clovis. Foi feito prisioneiro na Alemanha.
Vais voltar a ver o teu marido.
Ele n�o foi desonrado.
E al�m disso...
V� o lado bom das coisas.
Ao menos n�o corre o risco de ser morto.
N�o percebo onde ele est�.
Como era, mesmo?
Mannheim.
� aqui.
At� amanh�.
Quem foi?
O Constant.
Posso fazer alguma coisa?
A minha m�e tamb�m morreu no parto.
Devia ser muito bonita, a tua m�e.
N�o sei.
Nunca vi uma fotografia.
Nunca conhecerei a cara dos meus pais.
Por isso �s vezes tento imagin�-los.
Tens de tentar dormir.
Amanh� tens de ser forte.
Rezemos.
Virgem santa,
v�s que estais na gl�ria,
n�o esque�ais a tristeza na Terra.
Olhai com bondade
para aqueles que sofrem,
para aqueles que lutam,
e que n�o deixam de molhar os l�bios nas amarguras da vida.
Tende piedade daqueles que se amavam
e que foram separados.
Tende piedade da solid�o do cora��o,
da fragilidade da nossa f�,
dos que t�m a nossa ternura.
Tende piedade daqueles que choram,
daqueles que gritam,
daqueles que sofrem
e daqueles que tremem.
Dai-lhes a todos a esperan�a e a paz. Am�n.
Parem de rezar.
As ora��es n�o nos salvar�o.
Chegar � primeira linha � extenuante e perigoso.
Uma ravina com cerca de um quil�metro.
Quem sabe quantos homens foram mortos ali?
Por vezes temo que o Constant esteja no meio deles,
no meio dos corpos decompostos, imposs�veis de identificar.
Mas � preciso passar por ali.
N�o h� outro s�tio.
Sinto a sua falta, Francine.
Uma carta sua animar-me-ia.
Voltarei, prometo-lhe, e hei-de lev�-la ao meu bosque.
Espere por mim. Porte-se bem.
Um grande beijo, minha Francine.
O seu poilu, Georges.
Prometo-te, Hortense.
O nosso professor ter� um enterro digno.
Mas quando?
Quando?
Ele tem de estar nalgum lado.
Ele foi enterrado nalgum lado! Num caix�o!
N�o pode ser assim t�o dif�cil!
� normal que uma m�e queira o seu filho!
N�o pe�o nada de extraordin�rio!
� o meu filho.
Meu caro Georges,
Sofro por sab�-lo t�o infeliz.
Muitas vezes, apesar da fadiga,
n�o consigo dormir, t�o preocupada estou consigo.
Fa�o o poss�vel por consolar a sua m�e.
A sua dor � grande,
mas tentamos ser fortes, como o George.
Veio muita gente � missa pelo seu irm�o.
Os seus alunos cantaram para ele.
Estava toda a gente com o cora��o apertado.
Na ter�a-feira fa�o 21 anos.
Penso que tenho sorte de trabalhar para a sua fam�lia.
Assim sendo, n�o deixo nunca de pensar em si.
A cada carta, espero o an�ncio da sua licen�a.
Anseio por voltar a v�-lo.
A sua Francine.
Francine...
A Assist�ncia devolveu-lhe a sua caderneta.
O tesoureiro p�s-lhe 700 francos.
� bem bom, na sua idade.
Tenho j� 150 francos de poupan�as.
100 em vales do governo e 30 em dinheiro.
Muito bem.
H� muitas filhas de burgueses que s�o menos ricas do que a menina.
� um bom partido, Menina Riant.
Estou certo de que, em breve,
se casar� com um rapaz honesto.
Talvez sim.
O seu diploma.
Depois da guerra, pode ser-lhe �til.
Quanto � a borboleta?
18 francos.
- Levo-a tamb�m. - � muito bonita.
- Obrigada. - De nada.
Marguerite?
Tenho um presente para ti.
O que se passa?
Comprei-te esta borboletinha.
Acho que se parece contigo.
Tens pena de te ir embora, � isso?
Tu n�o tens ningu�m na guerra?
N�o podias ter arranjado outro?
Porque n�o me disseste que ele te escrevia?
Ele recebe not�cias da quinta.
N�o.
Ele ama-te.
Sai do meu quarto.
Sai.
Tudo o que quero � o Georges.
A guerra estraga os homens, Marguerite.
�s demasiado nova para isso.
O Georges mudou.
O meu Clovis tamb�m, como sabes.
� como um sonho mau.
Todos os dias espero que ele volte.
Todos os dias.
Todos os dias.
E o Clovis?
Est� animado.
N�o os tratam muito mal.
Ainda bem.
Bom dia, Sr. Georges.
Deixa-nos, Francine. Estamos tristes.
Chega?
O meu irm�o, Georges.
Eles vieram comprar manteiga e legumes.
Os bons legumes franceses.
Ent�o, gosta da Fran�a?
Muito. As pessoas...
s�o muito simp�ticas.
E as mulheres...
- Muito belas. - Isso mesmo.
� isso. Muito belas.
- O que faz aqui? - Diga?
O que o det�m aqui, porque n�o est� no combate?
Enquanto morremos na lama, como o meu irm�o.
Algu�m devia explicar-me.
- Responda-me! - Georges...
- Ele est� a falar do qu�? - Percebes, tu?
P�ra.
Eles tamb�m est�o longe de casa.
As tuas cartas n�o falavam de americanos que v�m a nossa casa.
Pensei que a Solange lhe tinha escrito.
S�o bons clientes.
Compram muita coisa.
Bons clientes?
Ladr�es!
Pensam que podem fazer tudo com as raparigas daqui.
Percebo que esteja zangado.
Mas � injusto. Esperam ordens para combater.
No Domingo levo-te ao meu bosque.
Vens?
Sim.
Apanho-te ao meio-dia.
No calv�rio.
Sim.
- Bom dia, Francine. - Bom dia.
Est�s confort�vel?
Sim.
Podes abrir.
Meu Deus.
Marguerite?
N�o preciso que um hip�crita me venha buscar.
O que fiz eu para merecer toda esta c�lera?
Escreveste � Francine.
� a ela que amas.
N�o a mim.
Claro que te amo.
Conheci-te ainda nem tinhas 11 anos.
�s a minha irm�zinha.
�s o meu sol.
Agora sou uma mulher.
Sim.
Est�s a tornar-te numa mulher muito bonita.
P�e-se aqui a fruta.
Neste compartimento. Ferve.
Depois, o vapor, que � o �lcool,
passa por aqui, arrefece.
Escorre por aqui.
Serve-se e bebe-se.
Georges!
Vai mostrar-lhes, aos americanos!
Assim.
Bem direito.
Um de cada vez.
� isso.
Francine, sabes onde est� a Solange?
N�o, n�o sei.
Aumentaste a colheita.
� raro, hoje em dia.
Encontr�mos solu��es.
Cuidado, Hortense.
As pessoas est�o com ci�mes.
Defendo os interesses da minha fam�lia como posso.
Andam a dizer coisas sobre a tua filha.
A gente daqui diz muita coisa.
N�o � preciso enganarmo-nos,
posso n�o voltar.
Como o Constant.
Por isso...
Queria dizer-vos...
Marguerite...
Estamos orgulhosos de ti.
Minha irm�...
Vais dar-nos belas crian�as.
M�e...
�s uma mulher magn�fica.
Amo-vos.
Meu Deus,
protegei o meu amor.
N�o deixeis que seja morto ou ferido.
Francine?
Ainda h� �lcool para os americanos?
Penso que sim. Vou ver.
A Francine � uma boa trabalhadora,
mas vem do nada.
Anda a ver os estrangeiros.
Sabias?
Sabias que a tua criada era uma debochada?
Com raparigas assim, tudo � poss�vel.
Est�-lhes no sangue.
Livra-te dela.
Minha filha,
a partir de hoje, j� n�o precisamos de ti.
O que � que eu fiz?
Demasiados boatos.
Sobre o Paridier e os americanos.
N�o h� fumo sem fogo.
Mas, Hortense...
N�o sou eu.
Sabe que n�o sou eu.
Eu n�o fiz nada.
Eu sei.
Mas isto tem de acabar antes que o Clovis volte.
O Clovis...
Ele n�o tem nada a ver com isto.
Trabalho aqui h� dois anos.
Sempre fiz tudo bem.
E gosta de mim. Eu sei.
Tenho de proteger a minha fam�lia.
Eu n�o sou da fam�lia.
� injusto.
� injusto e a senhora sabe.
Eu tinha tudo aqui.
Tinha tudo.
Escrevi-te uma carta de recomenda��o. Pago-te dois meses de sal�rio.
N�o quero.
N�o quero.
A senhora � um monstro.
Tenho vergonha de ti.
O marido preso na Alemanha e tu, puta dos americanos!
N�o sou puta. Ele n�o me pagou.
Como te atreves a falar assim?
Ent�o e tu?
Como te atreves a despedir a Francine que nos ajudou tanto?
S� para salvar o teu projectozinho de casar o Georges com a Marguerite!
Despedi-a porque todos falam dos americanos no Paridier.
Despedi-a para salvar a tua honra, e a honra do teu marido.
N�o te pedi nada.
E n�o fiz nada.
Eu vi-te!
- Ai viste? - Vi-te com ele.
Viste o qu�?
Viste o qu�?
Sim, sou uma mulher jovem.
Sim, tenho desejos.
E sim, achei que ele era bonito.
Queres a verdade?
Ele beijou-me.
Eu beijei-o.
Ele acariciou-me o peito.
Sim, deu-me prazer.
Muito prazer!
E depois pensei no Clovis.
E vestimo-nos, � tudo.
N�o aconteceu nada.
Nada!
Nada.
Bom dia.
Bom dia. Sou a Francine.
Mam�...
Mam�, ela est� aqui.
- Bom dia. - Bom dia. Entra.
Podes p�r os pequenos em cima.
Desculpa.
N�o sei porqu�, tenho andado mal disposta.
Isso aconteceu-me com a Jeanne, ao princ�pio.
Como assim?
� �bvio, minha filha.
Est�s gr�vida.
N�o fa�as essa cara.
Calha em boa altura.
Est� a chegar o Inverno. H� menos trabalho.
N�o, n�o estou gr�vida.
Como vou fazer?
Como toda a gente.
Vem, meu anjo
meu anjinho adorado
Vem comigo cantar sob o c�u puro uma can��o doce
Vem, meu anjo
meu anjinho t�o belo,
O pap� trabalha e s� pensa em n�s.
Est�s cansada?
Cuidado, tens os atacadores desapertados.
"Levaram-no �s duas irm�s,
"que fizeram os poss�veis para lhe enfiar o p�,
"mas n�o foram capazes.
"A Cinderella,
"olhou para ele e reconheceu-o, a rir..."
Vais ficar aqui muito tempo?
Tanto quanto a tua m�e me quiser.
"Quer que veja se cabe no meu p�?"
At� perder de vista, a terra est� coberta de cad�veres.
Tudo mudou.
Os vivos est�o debaixo da terra, e os mortos � superf�cie.
Eis, querida m�e, a disposi��o com que fa�o frente ao perigo.
Garanto-te que a morte n�o me mete medo.
E se �s vezes, nas minhas cartas, deixo passar algum desalento,
n�o quero que se pense que � por medo.
M�e,
pensa em mim.
Nunca ningu�m saber� como � grande o nosso sofrimento.
O teu Georges.
Monette, estou preocupada.
Desde que vim para aqui, as cartas s�o-me devolvidas.
Se calhar aconteceu-lhe alguma coisa.
N�o, tu saberias.
Aqui sabe-se tudo.
Talvez esteja morto.
N�o, n�o te preocupes.
N�o percebo.
Ele sabe que o amo.
Escrevi-lho.
N�o pode julgar que o tra�.
Quando este raio de guerra acabar, voc�s v�o reencontrar-se.
Ser pai muda um homem.
V�! Come um pouco.
Faz uma bola.
Uma bela bola.
- Para fazer uma bola, empurras aqui. - Ai sim?
Assim.
Entre.
Bom dia.
Anda, Jeanne, vamos passear.
Foi o teu marido.
Quero ficar com a mam�.
N�o, vamos passear.
Vamos dar uma volta.
Anda.
O jantar est� pronto. At� amanh�.
At� amanh�. Obrigado, Marthe.
Ele voltou para a guerra.
Recusou-se a responder �s minhas cartas.
Este rapaz portou-se como os outros.
Deixou de a ver, desde que soube do seu estado.
Ele n�o sabe.
Ningu�m sabe. N�o lhe contei.
Ent�o, Francine.
Se ele soubesse, talvez se tivesse portado de outra forma.
Pe�o-lhe que o fa�a.
Se n�o por si, pela crian�a.
Ent�o quer... abandon�-lo?
Nunca.
Tenho dinheiro.
Vou educ�-lo.
Vou trabalhar.
Vou sacrificar-me por ele.
Ele ter� o meu nome.
Defender-me-�.
Sim.
Ele ir� defender-me.
Hesitei muito antes de lhe escrever,
de tal maneira estava zangada consigo.
Foi t�o injusta comigo!
Hoje,
Se lhe escrevo � porque espero uma crian�a do Georges.
Ele j� n�o responde �s minhas cartas.
Tenho a certeza, ele pensa que eu me deixei levar pelo americano.
S� posso contar consigo para lhe dizer a verdade.
Hortense, n�o posso acreditar que a mulher justa e honesta que foi
tenha mudado a este ponto.
Suplico-lhe que escreva ao Georges,
para lhe dizer que nunca amei nem conheci outro homem para al�m dele,
e que em breve ser� pai.
Guardo a esperan�a, por todos os dias passados no Paridier,
a servir-vos com sinceridade
e a a� ser feliz.
Francine.
Ol�, Benjamin!
Victor!
Est�s ferido?
Uma velha ferida.
Faz de n�s, padrinho e madrinha,
ver�s testemunhas do amor de Deus.
Ensina-nos a praticar o que pregamos,
a pregar o que acreditamos,
e a acreditar no que aprendemos sobre ti,
nos nossos cora��es
e no Evangelho.
At� logo � noite.
Consegui-o por um bom pre�o.
Os americanos deixaram tudo para tr�s.
� bom.
O Constant nunca quis saber das suas terras.
- Ele era mestre-escola. - O que fez com elas?
Andava-lhes por cima.
E �s vezes levava l� as turmas.
O meu pai tem raz�o.
A Solange investiu numa debulhadora e num tractor.
� pena n�o os p�r a render.
N�o podemos deixar o bosque ao abandono e as terras irem a leil�o.
Pens�mos que seria bom se o meu pai e a Solange cultivassem os campos.
E que tu ficasses com os bosques.
"Voc�s" pensaram.
E porque n�o sou eu a cultivar os campos, e o Clovis fica com o bosque?
Foi a minha m�e que comprou a debulhadora.
Primeiro comprou-vos o campo da Miraine e agora ainda tenho de vos dar o meu bosque?
Tenho vergonha de voc�s.
A guerra mal acabou e voc�s lutam por um bocado de terra do Constant?
N�o sabemos em que terra est� enterrado o Constant.
N�o sabemos quando ser� devolvido � sua terra.
Eles v�o acabar por chegar a acordo.
Gosto mais de v�-los assim.
Voltaram ao que eram.
Diz-se que para a felicidade, o amor � indispens�vel
c'o cora��o cheio de generosidade
a exist�ncia � agrad�vel.
Ent�o deixamo-nos ir,
ama ao engano, o cora��o.
Mas a felicidade � sonho v�o,
E � preciso admitir...
Os amores s�o fr�geis,
as promessas s�o f�ceis,
como os brinquedos de um mi�do
a bela forma esconde o conte�do.
Pensamos que � para durar,
e afinal s�o feitos de ar.
Ao menor dos toquezinhos...
Crac! O amor fica aos bocadinhos!
E agora, que eu j� sei, gra�as a muita experi�ncia,
que o cora��o, quando quer bem,
� para toda a exist�ncia.
Isto � s� uma can��o, uma musiquinha feliz,
Mas n�o liguem ao que diz este refr�o sem raz�o.
AS GUARDI�S
Tradu��o: Olho de Boi, LDA
Ripadas por: RicardoB/2018
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