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O ANJO DAS TREVAS
Bom dia, vov�.
Bom dia, Kitty.
Toma querida.
� s�bado!
� verdade! Vai se atrasar.
Quero me atrasar, vov�.
� melhor se atrasar uma hora.
�s vezes me atrasava duas e o jovem que me esperava ficava nervoso.
N�o o meu. N�o esperaria.
- Tem o meu segredo seguro? - Sim, est� guardado, est� aqui.
Sabe o que farei com isso?
- Dar� para o Gerald. - N�o, � para o Alan.
Voc� j� sabia.
Pobre Gerald. N�o lhe dar� nada?
N�o, � para o Alan. Me casarei com ele.
Olha, Kitty.
Guarde meu ninho enquanto me visto. Vou me atrasar.
- Bom dia, papai. - Bom dia.
Bom dia, tia Josephine.
Bom dia, Lawrence.
- Tchau. - Tchau.
- Aproveite bem. - Eu vou.
- Tome cuidado. - Sim.
- Tchau, querida. - Tchau!
Precisa de planejamento, Henry?
As crian�as precisam do desjejum em casa.
Lawrence est� em casa.
Sim, est� em casa. Por qu�?
Porque os Shannon n�o o convidam.
Josephine, n�o imagine bobagens.
Claro que a senhora Shannon sabe que sou pobre e que o Lawrence n�o tem pai.
Considerando que ela adotou o Alan Trent,
que n�o tem pai nem m�e e trouxe ele do Canad�.
Alan � seu sobrinho. Mas n�o querem o Lawrence.
Enfim, eu n�o iria. De jeito nenhum.
Bom dia. Bom dia, Martin.
J� come�aram as ora��es, mas bom dia.
- Estou muito atrasada? - Acho que sim.
- Vamos, Kitty. - Ol�!
Deus pai eterno e todo poderoso, cuja provid�ncia divina. . .
a cuja provid�ncia divina devemos. . .
Bom dia.
Bom dia.
a cuja provid�ncia divina devemos a paz desta morada.
Olha, Alan. � um ninho.
Achei debaixo de uma �rvore. Trouxe para voc�.
� apenas um ninho. A m�e o abandonou h� muito tempo.
- D� para mim? - Sim, Gerald, se voc� quiser.
Rezo pelos c�es. Uma ora��o para os c�es.
Quero rins quentes, bem quentes.
Kitty, no pr�ximo s�bado, espero que traga o seu cavalo tamb�m.
Assim teremos todo o reino animal, como na arca de No�.
Voc� n�o trouxe o ninho.
Desculpe, Alan. N�o trouxe, eu deixei em casa.
Tudo bem. Eu ia colocar esses ovos.
- O que foi isso? - Uma rajada de vento.
Mas veio muito r�pido. J�, j� passou.
Talvez tenha sido um turbilh�o.
N�o foi um turbilh�o.
N�o era s� um vento. Foi um sinal. Um aviso.
Voc� est� louco. J� lhe disse para n�o comer demais.
Bem, eu vou procurar mais ovos.
Se houver outro sinal, me avisem.
Alan, o que foi aquele sinal?
N�o foi nada. Eu inventei para assustar o Gerald.
Se gaba por ser mais velho que eu.
Era um aviso especial s� para voc� e para mim.
Significa que nos casaremos.
Eu j� lhe disse, j� disse muitas vezes.
N�o vamos come�ar isso novamente.
Voc� prometeu me responder.
N�o vou passar os melhores anos da minha vida esperando se decidir.
Kitty, vou me decidir em breve. Muito em breve.
Quando?
Em uma semana.
Bem, vou te dar mais uma semana.
Vai dizer sim?
N�o h� mais com quem me casar.
O que foi agora?
Nada, absolutamente nada.
Sorria. Vamos, sorria.
Olha, Kitty. Se sorrir me casarei com voc�.
- Vamos procurar mais ovos. - Sim, sim. Vamos.
- Bom dia, vov�. - Bom dia, querida.
- Ainda � cedo. - Hoje � s�bado.
Um s�bado muito especial.
O mais especial de todos.
Vov�.
No in�cio eu gostava de ver os soldados.
Nunca pensei que os mandariam embora.
Mas agora, estou com medo.
- Eu sei. Mas n�o deixe que eles saibam. - N�o.
Claro que n�o.
Me prometeram que voltariam logo.
Vov�, eu gostaria de saber.
Desejaria estar segura.
- Voc� n�o est�? - N�o.
N�o. Quando se ama tanto e por tanto tempo, nunca se tem certeza.
Quando crian�a era mais f�cil. Lhe pedia para se casar comigo.
Agora. . . como crescemos.
As coisas n�o s�o t�o f�ceis.
N�o posso dizer: "Alan, por favor, case comigo."
Por que n�o? � a melhor maneira.
Economiza muito tempo!
Aposto que � o que voc� faria.
- Olha a hora. Tenho que ir. - Chegar� mais cedo novamente.
Sim? Que horror.
Sempre chegarei cedo. Tchau, vov�.
Tchau, querida.
Lembran�as para o Alan e o Gerald.
- Bom dia, papai. - Bom dia, querida.
- Bom dia, tia Josephine. - Bom dia, Kitty.
Bom dia, Lawrence.
- Tchau, papai. - Tchau, querida.
N�o corra, filha. Tem tempo de sobra.
- Lembran�as para os rapazes. - Eu darei.
N�o est� na hora da Kitty se comprometer com um desses rapazes?
N�o ter�o proposto.
Bem, n�o se sair� mal.
Ambos s�o bons rapazes.
Acho que � uma indireta para o Lawrence.
Bobagem, Josephine. As cantinas tamb�m s�o necess�rias.
Voc� est� sendo injusto.
Sabe bem que o Lawrence teria se alistado na infantaria n�o fosse o defeito no dedo do p�.
Mam�e, n�o pode esquecer esse dedo?
- Bom dia. - Bom dia, Martin.
Pobre Peter. Est� muito velho, n�o?
Tem um 14 anos. Equivale a 98 num ser humano.
Tem vivido 2 anos mais que seu amo.
- Ol�, Kitty. - Ol�, Kitty. Bom dia.
Bom dia.
- Nossa! - O qu�?
O novos uniformes . Deixe-me ver. Fique longe.
Mais., Vire-se para eu ver.
Quer ver de perfil?
Gerald, voc� est� lindo.
Olha, de perfil.
Acho que o Gerald est� melhor.
N�o tenho palavras para te descrever.
O caf� est� friando.
Precisar�o de gravatas, len�os e muitos livros porque. . .
- N�o teremos tempo para ler. - E um smoking. J� temos um cada um.
Um chap�u, um violino, os sonetos de Keats.
Vamos usar quando nos atacar.
O inimigo vai gostar.
Gerald, corte o cabelo todo m�s. Sen�o, ficar� feio quando crecer.
Capit�o Gerald Shannon. Diz o coronel, olhe para o seu amigo, o tenente Trent.
Uma vergonha! Tem os cabelos compridos!
Mam�e, vai a Londres conosco?
N�o, querido, n�o gosto de despedidas.
Est� na hora. Temos que ir.
N�o se preocupe mam�e, voltaremos logo.
O que voc� est� levando a�, Kitty?
Vai adorar. Um para voc� e outro para o Gerald.
Um livro para ler no trem, um pijamas e cigarros.
- Da marca que eu fumo? - N�o, da sua.
Obrigado, Kitty.
E meias, tamb�m. Tr�s pares para cada um.
Meias quentinhas de l�. Eu que fiz.
- Voc� fez? - Esteve ocupada v�rios dias.
Garanto que n�o usaremos.
Eu vou usar todas que fez.
Vai lutar com seis pares colocados.
- Est� tudo pronto, Martin? - Sim, senhor Alan.
- Tchau. - Tchau.
Tchau, Martin.
- Tchau. Boa Sorte. - Obrigado.
- E cuide das senhoras, sim? - Sim, eu farei.
- Mam�e. . . - Eu sei.
Lembra das ora��es do vov� no caf� da manh�?
Agora eu farei uma.
Que Deus os aben�oe e os traga de volta.
Que Deus os aben�oe e os traga de volta.
Que os traga. Para uma vida longa e feliz para todos.
Agora vou entrar. N�o quero v�-los ir.
Meu amor vai com voc�s.
- Vamos, Gerald. - Sim.
Por favor, Kitty. Fique com ela hoje.
- Alan, tome cuidado. N�o. . . - Eu sei, eu sei.
Desde crian�a sempre disse o que n�o devo fazer.
- Agora se comporte bem. . . - Vai me escrever?
Um cart�o-postal de cada cidade.
Comporte-se bem e lhe compraremos um presente em Paris.
- Tchau, Gerald. - Tchau, Kitty.
- Vai me escrever? - Sim. Cartas muito longas.
Que Deus os aben�oe e os traga de volta.
Est� atrasado.
Em 20 minutos.
N�o � muito depois de 11 meses.
S�o 20 minutos. Nos roubam o tempo. N�o est� certo.
Acha que ser�o os mesmos? Ter�o mudado?
Vamos reconhec�-los. Vimos eles por muito tempo.
L� est�o eles!
- Gerald! - Kitty!
- Alan. - Kitty.
Alan.
N�o se preocupe. Vamos ficar 10 dias em casa.
Olhe para ela, Gerald! Est� linda.
- Gerald! - Tia Sheila!
Est� em casa! Fico feliz em te ver.
E voc� est� aqui. Nossa Kitty.
- Est� mais bonita. - As duas.
Temos que lev�-as para Londres para mostr�-las.
- Preparou bastante comida, tia Sheila? Estamos com uma fome de lobo. - Sim, muita.
Obrigado.
Haja comida.
Agora, pode nos servir um lanche, tia Sheila?
E depois o jantar.
V�o passar 10 dias comendo?
Passamos meses decidindo. Comer, dormir e tomar banho. Comer, dormir e tomar banho.
Poderiamos achar um jeito de comer enquanto dormimos.
N�o pensamos com fazer isso.
- Est�o muito aborrecidos, n�o �? - Muito aborrecidos.
Quando foi a �ltima vez que comeu porco?
Foi das m�os brancas e puras do seu primo Lawrence Bidley.
N�o o tinhamos visto na Inglaterra a 11 meses e nos recebeu com uma garrafa t�rmica na m�o.
O Gerald queria voltar. Disse ter melhores pessoas nas trincheiras.
Kitty e eu tinhamos planejado algumas coisas.
Sim, vamos ver.
Primeiro um almo�o com os Restons.
Na sexta tem uma festa para a Cruz Vermelha.
Isso n�o cabe a n�s.
Querido, querem que abram a festa.
- Voc� n�o disse que fariamos? - N�o, nem tanto.
Creio que deveria ir abrir a festa.
No s�bado tem um concerto em benef�cio do hospital.
E depois � noite nos levar�o ao hospital.
Isto � pior que a guerra.
Falando de �gua quente. Que tal um banho quente?
Podemos continuar falando atrav�s da porta, se quiser.
Esperaremos.
� ador�vel t�-los de novo aqui.
Estava com saudade deles.
Bem, nos veremos todos no jantar.
Voc� n�o vai ficar? Em uma ou duas horas sair�o do banho.
V�o querer te ver a s�s.
V�o querer ver voc� a s�s.
Eles vieram para isso.
Queria te dizer isso a muito tempo.
Os dois te amam muito.
- Eu tamb�m os amo. - Sim, mas Kitty. . .
quero que voc� saiba que entenderei a sua escolha.
Voc� entende tudo. Voc� � um amor.
Aonde vai?
Quer um peda�o de bolo?
- N�o, vou para casa. Estou cansada de v�-los comer. - Ei, espere um pouco!
N�s vamos com voc�. Vamos comer na sua casa.
- Espere! - N�o, tchau.
Kitty!
Veja. Se n�o esperar, vou pular.
Vai para dentro, idiota.
Voc� vai esperar?
N�o.
Alan!
Alan, querido, n�o se machucou?
Alan, querido. Alan.
Palha�o!
Est� brava porque estou bem?
Eu esfolei a m�o. � grave, vou pegar lepra.
- Bem. - Kitty, voc� mudou, est� sedenta de sangue.
Voc� n�o. Continua sendo uma crian�a.
- N�o sente. . . - O que n�o sinto?
- N�o sente nada. - N�o?
Como voc� sabe o que sinto? O que sabe dos meses que passei longe?
Da angustia que passei por voc�?
Do medo de voltar e ach�-la mudada, de voltar. . .
me diz que sentia o mesmo?
Sabe que tenho medo de dizer o que tenho que dizer.
Eu n�o posso te dizer tudo.
Nem uma parte, porque tenho medo.
Kitty. . .
Kitty, te amo tanto que. . .
� como se durante toda a minha vida tivesse perdido algo sem saber
e de repente encontrei tudo.
Alan.
Alan, querido.
Queria tanto te ouvir dizer isso.
Querida, certamente voc� sabia.
Eu n�o tinha certeza.
- Estive sempre ao seu lado. - Eu sei.
- Quando olhei pela primeira vez pelas barras do meu ber�o, vi voc�. - N�o � verdade.
Quando vi a minha primeira �rvore, vi voc�, olhando para baixo.
Estava l� quando vi meu primeiro p�ssaro, meu primeiro esquilo e minha primeira flor.
� isso que me assusta. Voc� se acostumou comigo.
- E se conhecer outra garota? - N�o seja boba.
Nunca mais diga isso.
Nunca haver� outra mulher, nunca.
Eu tentei, minha querida. Foi em v�o.
Se te perdesse, deixaria de viver.
N�o poderia respirar. Eu n�o iria querer.
Nunca deixe de olhar para mim, meu amor.
N�o me deixe nunca.
- Vamos dizer para a tia Sheila. - E ao papai.
- O que vamos dizer? - Que vamos nos casar.
- Quando? - Amanh�!
Que coragem!
Tia Sheila!
Ent�o voc�s decidiram. Depois de tantos anos.
Parab�ns.
Gerald!
Gerald, querido.
Eu amo muito, Kitty. Os dois.
- Parab�ns. - Obrigado.
Tinha de ser assim. Estou muito feliz.
Mam�e!
Mam�e, venha aqui!
Temos que te dar uma not�cia.
- A Kitty e o Alan se comprometeram. - Nos casamos amanh�.
Querida, isso � �timo. Estou muito feliz.
E sei que voc�s tamb�m ser�o.
Agora estaremos sempre juntos.
Se importa se eu ir? Quero contar ao meu pai.
- Venha comigo, por favor. - Claro que sim.
Voltaremos.
N�o se preocupe, mam�e.
Gerald, isto acabou de chegar. � para voc�.
O carteiro me deu.
Espero que. . .
Temos que voltar.
- Saimos de Folkestone amanh� cedo. - Gerald, n�o.
Deve ser importante. cancelaram as licen�as.
Aqueles dois pobres. Queriam se casar.
Sim, tenho que dizer-lhes.
Ent�o n�o podemos fazer nada? N�o tem como?
Tem que haver uma forma. Nos conhece desde crian�as.
Isso � muito importante para n�s.
Talvez nunca possamos. . .
Eu sei e sinto muito.
H� duas horas teria conseguido uma licen�a especial, mas agora � tarde demais.
Sei como se sente, mas Alan, pense que logo estar� de volta e casarei voc�s aqui.
Prepararemos tudo com anteced�ncia e ser� logo.
Quem sabe quando ser�?
Mas gra�as de toda forma.
Foi muito paciente conosco.
Que Deus os aben�oe e que voltem logo a esta igreja para poder cas�-los como querem.
Obrigado.
Voc� v�, Kitty. Ningu�m quer nos casar.
Depois de tantos anos, chegamos duas horas atrasados.
Eu queria tanto isso.
Por apenas duas horas.
Duas hora que teriam mudado as nossas vidas.
N�o. N�o mudar�o nossas vidas.
Alan, n�o precisamos que ningu�m nos case.
Vou para Folkestone com voc�.
Meu amor.
Eu me caso com voc�, Alan Trent, diante de uma igreja.
E eu me caso com voc�, Kitty Vane, para sempre.
At� o dia da minha morte.
- Este � �nico quarto que temos. Fiquem � vontade. - � muito bom.
Fechem as cortinas quando a luz estiver acesa.
Devem ter cuidado nas noites sem lua.
O que foi isso?
Canh�es.
Se ouve bem quando o vento vem da costa.
Sempre digo para meu marido que esses canh�es lembram sempre a guerra.
- Eu sempre digo. . . - Sim. Obrigado, boa noite.
Boa noite.
Se quiserem alguma coisa, toquem o sino.
- Querida. - Todos queles homens que vinham. . .
Milhares e milhares e milhares.
Em breve voc� ser� um deles.
Voc� ir� como eles.
Kitty, eles foram e eu tamb�m irei.
N�o podemos fazer nada.
Ou�a, querida.
N�o temos muito tempo e s� temos uma certeza.
Que no pouco tempo que temos esta noite, temos que viver uma vida inteira juntos.
Vamos fingir que n�o est� tensa. Que somos muito felizes.
Que � uma noite comum.
S�o t�o poucas horas.
T�o pouco tempo juntos.
Vamos fingir que durante toda a vida, s� terei que te deixar para. . .
para ir comprar um p�o e uma garrafa de leite.
Estamos casados, n�o sabe?
Estamos casados a muito tempo.
Hoje � s�bado. Estamos em casa e viemos visitar a sua tia Josephine.
E voc� chora porque n�o queria vir.
Ser� que tem que ser a tia Josephine?
Sim. Tem que ser a tia Josephine.
Est� com fome? Eu estou.
Quer que eu v� comprar o p�o e a garrafa de leite?
Prefiro carne e vinho.
Certo.
- Frango, vinho, bolo e um pouco de queijo. - Com muito prazer, senhor.
- Pode me fazer um favor? - Sim, senhor.
- Pode me dar essas flores? - Naturalmente, senhor.
- Comemora alguma coisa, senhor? - Mais ou menos.
Esperarei no corredor.
Muito obrigado.
Valha-me Deus, Alan, o que est� fazendo aqui?
Ol�, Lawrence. Est� de servi�o?
Os soldados t�m que comer. O ex�rcito precisa de barriga cheia.
Ah, gosto disso. Vinho, frango, flores. . .
Acho que n�o est� sozinho, certo?
- Pense o que voc� quiser. - Ent�o vou pensar o pior.
- Desculpa. - Est� com pressa, heim?
- N�o o culpo embora. . . - Saia do caminho.
Bem, aqui est�.
Querido, que esbanjamento.
- Nossa festa de casamento. - E as flores.
- Onde as encontrou? - As vi crescer. E colhi para voc�.
Aqui est� o p�o.
E salada.
E queijo. Deve estar muito bom.
- Direto da ratoeira. - Bobo.
S�o lindas.
Espero que a camareira n�o se importe.
Espero que goste do vinho, querida.
Quer servir o frango?
Agatha, Bertrand, Mimi, Harold.
- Comemoramos o nosso 25� anivers�rio de casamento. - � o 15�.
Por favor, querida.
Meus filhos, a 25 anos, vossa m�e se casou com vosso pai.
Vossa m�e. . .
Vossa m�e era uma mulher ador�vel.
A garota mais bonita que j� tinha visto na vida.
E vosso pai, crian�as. . . Vosso pai. . .
Mimi!
Kitty, repreenda esta menina. Ela mordeu o Harold.
Se comporta, Mimi.
Agora sejam bons, crian�as.
Como dizia, o vosso pai. . .
foi o melhor homem, am�vel e carinhoso. . .
Vosso pai amava a vossa m�e como nunca ningu�m jamais amou.
Alan!
N�o escute, querida.
Vai parar logo.
Agora tenho que ir, querida.
Quer fazer algo para mim?
O que quiser.
Ent�o fique sentada aonde est�.
Feche os olhos e n�o abra at� eu ter saido.
Eu te amo.
Te amarei sempre.
Adeus, meu amor.
Adeus.
Roger, Stuart, Perkins.
Vamos para o barco.
- Sim, n�s vamos para o mar, senhor? - Certo, espero estarem prontos. - Assim espero.
Alan!
- Ol�. - Ol�, Gerald.
Apenas mais seis minutos.
Vamos no terceiro barco. Deve ser algo realmente importante.
- Se despediu da Kitty por mim? - Sim.
Eu n�o voltei. Sabia que queriam ficar s�s.
Ela j� sabe, Gerald.
Vamos, vamos, se apressem. As ordens s�o para tomar algo quente antes de sair.
Nos dar�o algo quente quando zarparmos, n�o se preocupe.
Sabe Lawrence, n�o p�ra a duas horas.
J� me ofereceu cinco x�caras de caf�.
E a Kitty?
- Aceitou bem a sua partida? - Sim.
Caf�! Caf�, caf� Gerald?
Ah, ol�, Alan.
- Quer caf�, senhor? - Creio que n�o me envenenarei.
N�o quer caf�, Alan? N�o precisa?
- Prefere um u�sque? - N�o, obrigado.
N�o acha terr�vel estar t�o ativo a esta hora da manh�?
- N�o sei se sou t�o ativo, mas n�o posso deixar de saber das coisas. - Cale-se, Lawrence.
Deviam se tratar um pouco melhor. Agora que ser�o primos.
Sim, � verdade . Voc� e Kitty. Eu tinha me esquecido.
Esta noite foi sua despedida de solteiro? N�o parece muito bem.
Sabe Lawrence, �s vezes acho que Voc� n�o � certo da cabe�a.
Sou muito sensato para saber o que vejo.
Pergunte a ele sobre a garota de ontem � noite.
- Vamos. - Pergunte-lhe sobre o jantar que levava para ela.
Com champanhe e rosas.
Alan, se me disser o nome dela, posso mandar-lhe lembran�as suas.
Aha! N�o se preocupe, n�o vou roub�-la. N�o tenho tempo.
Vamos, rapazes. Caf� quente.
T�m que beber caf� antes de zarpar.
Vejo que temos um comboio conosco.
- Est�o nos protegendo. . . - Alan, do que ele falava?
Eu n�o sei.
Nunca ou�o o Lawrence.
Parece incomod�-lo o que disse.
Prefiro me esquecer disso.
Tenho que lhe fazer uma pergunta.
Sim?
Havia alguma verdade no que o Lawrence disse?
Sim, em boa parte. Isso � suficiente?
N�o, n�o �. Tenho o direito de saber mais.
Desde quando?
Desde ontem.
- Esqueceu o que aconteceu ontem? - Talvez eu tenha esquecido.
N�o posso acreditar que passou a noite com outra garota.
Alan, n�o poderia deixar a Kitty e depois vir aqui e. . .
Voc� estava b�bado?
- Voc� estava? - N�o, n�o estava b�bado, estava s�brio.
E houve uma mulher.
Agora pense o que quiser. Como quiser, qualquer coisa.
Se importa de assinar isto?
- Um pedido de licen�a especial? - Sim.
Assine e levo ao coronel.
Por que quer a licen�a?
Na �ltima me chamaram antes do tempo.
N�s cumprimos nossa miss�o. Agora est� bem tranquilo.
- N�o, isso n�o � uma boa raz�o. - N�o �?
Ent�o vamos ver o que diz o coronel. Voc� n�o faz obje��o, n�o �?
- N�o vou assinar. - Olha, Gerald, n�o podemos continuar assim.
Quero ir para casa para me casar com a Kitty.
Tenho certeza que me entende.
- Entenderia antes da sua aventura em Folkestone. Agora n�o. - Vai me segurar aqui?
- � isso que quero dizer. - Diabos. Est�pido, se tivesse. . .
- Boa noite, Shannon. - Boa noite. Sente-se.
Shannon, sabemos de atividades do inimigo no setor norte.
- Temos que saber do que se trata. - Sim, senhor.
Tem que ser esta noite. N�o h� lua.
- Um ataque a�reo? - Sim, necessito doze homens.
Pode reuni-los?
Posso conseguir seis ou oito, senhor. Estamos muito esgotados.
Eu sei, eu sei. O que me do diz Trent?
Acaba de pedir uma licen�a, agora.
S� quero levar volunt�rios, os que querem ir.
Eu vou. Fico feliz, senhor.
Este � o setor.
Devo adverti-lo que podem estar esperando por voc�.
Agora, gostaria de sugerir. . .
- Mais alguma coisa, senhor? - N�o, isso � tudo.
- Boa sorte , senhor. - Obrigado, Spiggs.
- Boa sorte, senhor Trent. - Obrigado, Spiggs.
Cuidem um do outro. Kitty.
Saimos em quatro minutos. J� conhecem as ordens.
Cuidem um do outro. Kitty.
Alan. Meu Deus.
Alan.
Kitty, est� aqui.
- Gerald. - Mam�e.
Querido, que alegria t�-lo em casa.
Pensei que nunca voltaria.
- Est� mais magro. - Sim? Estou me sentindo muito bem.
Como voc� est�, Martin?
Muito bem, obrigado. Fico feliz por estar de volta.
Eu tamb�m.
- O campo est� bonito. - Tem feito um ver�o perfeito.
- Leve para o quarto do Gerald, eu mesma desfa�o. - Sim, senhora.
Martin, a senhorita Kitty n�o ficar� para o jantar.
- A Kitty? - Est� aqui.
Vou deix�-lo com ela.
Ol�, Gerald.
Kitty.
Que alegria v�-lo novamente.
- Quanto tempo ficou no hospital? - Dois meses.
Espero que esteja bem.
Me deixaram bom de novo.
Onde, onde est� o Peter?
- Ele morreu, Gerald. - Ah, n�o!
Era um c�o muito velho.
Sua m�e o encontrou uma manh� enrolado no seu cesto como se estivesse dormindo.
Pobre Peter.
A casa n�o ser� igual sem ele.
N�o.
- Kitty. - Oh, Gerald.
Caro Gerald, desculpe. Que boas-vindas mais triste .
Queria que fosse diferente. Muito feliz para voc�.
N�o, n�o poderia.
Gerald.
- Foi na noite do dia 17, certo? - Sim.
A que horas foi?
Eu n�o sei, querida.
Houve uma explos�o e n�o o vi mais.
Mas acho que foi pouco depois. . .
Pouco depois das oito. Eu sabia.
Eu estava t�o feliz.
Disse que lhe dariam uma licen�a e ent�o, ent�o. . .
Pediu uma licen�a. Queria vir te ver.
E n�o lhe deram?
Eu n�o lhe dei.
O qu�?
Poderia dar, mas me recusei.
O que est� dizendo? O que disse?
Gerald, voc� teria feito. Teria feito qualquer coisa por ele.
Estou dizendo o que fiz para ele. Eu o matei. Voc� n�o entende?
Se tivesse dado a licen�a, ele estaria vivo.
Eu matei ele.
Por que voc� n�o deu? Por que n�o quis que viesse?
Eu n�o vou dizer. Foi um mal- entendido.
- Diga-me. Tenho que saber. - Agora n�o importa.
- Deixemos isso. Me equivoquei. - Chega, chega!
O que foi que n�o quer me falar? O que importa agora?
Diga, Gerald. Eu preciso saber.
A d�vida me torturaria a vida toda.
Foi na noite que cancelaram nossas licen�as,
naquela noite , eu pensei. . .
eu pensei que. . .
Achou que ele n�o estava sozinho?
- � isso? - Pelo amor de Deus.
Voc� n�o se enganou.
Eu estava com ele.
Kitty.
Ent�o foi isso.
Aquela noite, causou. . .
Disse que matou ele. Voc� n�o matou.
N�s o matamos.
Foi aquela noite.
Foi porque o amei muito.
Porque o amei muito, morreu.
N�s o matamos.
De alguma forma, entre n�s.
N�s o matamos.
Alan!
Alan!
Alan!
Cada um de voc�s, homens,
Todos voc�s aqui reunidos, fizeram um grande sacrif�cio.
O maior sacrif�cio que se pode fazer para servir o seu pa�s.
Sen�o dar a sua vida por ele.
Amigos, agora
devem substituir as coisas f�sicas pelas espirituais.
O que s�o as coisas que via com os olhos, a grama verde, os c�rregos,
colinas multicoloridas e as folhas das �rvores.
O que s�o em compara��o com a beleza interior que s� voc�
que perdeu a vis�o defendendo seu pa�s, pode descobrir?
O seu pa�s o ajudar� sempre, porque n�o perdeu.
Ent�o voc� nos diz o que n�s perdemos?
Malditas sejam as coisas espirituais! Que sejam amaldi�oadas!
S�o as outras coisas que queremos ver e suas palavras n�o ajudam.
Queremos ver a grama verde e os c�rregos.
As colinas multicoloridas e o rosto das pessoas que amamos.
� o que queremos ver e o que nunca veremos.
O que nos importa a sua gratid�o?
Quero ver a minha namorada de novo.
- Isso � tudo que quero ver. Isso � tudo que quero ver! - Cale-se!
Cale a boca!
N�s sabemos o que voc� sente.
Mas o que adianta? Cale-se e sente-se.
Desculpa, n�o consegui evitar.
Acho que estamos todos cansados.
Pe�o desculpas ao nosso convidado, o senhor Tanner.
Tenho certeza que ele vai entender.
Agora, acho melhor irmos dormir, Espero que todos descansem bem.
- Apagaram as luzes? - Como vou saber?
Al�m disso, o que importa?
N�o, n�o apagaram.
- N�o percebe quando apagam? - N�o.
Ainda n�o me acostumei.
Acabam de apagar.
- Percebe a diferen�a? - N�o.
- Boa noite, George. - Boa noite.
Ei.
O qu�?
Obrigado por me fazer parar.
De nada.
- Boa noite, Crane. - Boa noite.
Boa noite, Kitty.
Meu amor.
Espero que n�o se alegre demais por ir embora.
N�o, eu sinto muito.
- Quer sair com os outros? - N�o, obrigado. Eu vou logo.
Acho que n�o o ajudamos muito, Crane.
A culpa foi minha, n�o vossa.
Luta com voc� mesmo, certo?
Sim, acho que � algo assim.
N�o quer falar sobre isso?
N�o, senhor George.
Tudo bem, Crane. Devo lhe dizer algumas coisas de rotina.
Lhe designamos um assistente.
� um homem muito bom.
- Te acompanhar� at�. . . - Melhor n�o.
- S�o as regras. O levar� para casa. - N�o vou para casa.
N�o tenho casa.
Tamb�m n�o se chama Roger Crane.
� um nome t�o bom como qualquer outro.
Acho que sim. De todo jeito isso � problema seu.
Tenho algumas coisas aqui que pertence a voc�.
Algumas libras.
- Um cachimbo muito usado. - Obrigado.
E uma fotografia.
- Posso? - Guardei essas coisas por uma raz�o.
Veja Crane, voc� nos foi enviado de um hospital inimigo.
Sua ficha dizia que tinha destru�do todos os seus documentos,
mas timha dado o nome de Roger Crane.
Poderia ter investigado sua verdadeira identidade, mas eu n�o fiz.
Eu sei. E agrade�o. Posso?
Sabia que queria esquecer o passado.
Mas hoje o passado voltou e deve enfrent�-lo.
A foto. . .
Nesta fotografia h� tr�s pessoas.
No verso tem uma inscri��o: "Cuide um do outro. Kitty".
Conhece essas pessoas. Por que n�o volta para casa?
Por medo de causar-lhes pena, ser um inc�modo.
- Esse � o seu problema? - Sim.
Ent�o lute para resolv�-lo e volte para casa.
Quero que fa�a algo por mim.
Prove que n�o fracassei.
Voltando para sua fam�lia e amigos, vivendo entre eles como uma pessoa normal.
N�o deve nada a ningu�m, mais que a voc� mesmo.
Voc� precisa de amor e amizade.
N�o posso viver sem eles.
Volte para casa.
- Acha que posso? Que devo fazer? - Sim, Crane. Sim.
- Acredito em voc�. - Eu queria, cada dia, cada hora.
- Faz sol, n�o? - Sim.
E antes que anoite�a pode estar em sua casa.
Antes que anoite�a estarei em casa.
� verdade. Imagine.
Antes que anoite�a estarei em casa.
Estamos chegando em Medford. Costumava vir muito aqui quando era pequeno.
A paisagem � bonita, n�o �?
Que horas s�o?
- 12:20hs, senhor. - Estamos perto.
Acho que s�o 12:23. Seu rel�gio est� atrasado.
Faltam 22 minutos. Os �ltimos s�o mais demorados.
Sim, senhor. Se importa de eu sair no corredor para fumar um cachimbo?
N�o, n�o, v�. Garanto que est� cansado de tanta conversa.
N�o se preocupe, senhor.
- Quer ler o jornal? - Obrigado.
Desculpe, eu n�o sabia.
- N�o fazia id�ia. - N�o importa, foi muito am�vel. Eu queria dissimular.
O senhor George teria gostado.
Eu tamb�m sairei para fumar e para esticar as pernas.
Desculpa.
- Sua casa fica muito longe? - N�o muito.
Antes tinha um t�xi fora da esta��o.
N�o avisou da sua chegada, senhor?
N�o.
Eu decidi voltar na �ltima hora.
Desculpe perguntar isso, mas. . .
sabem que voc�. . . ?
N�o.
Lhes surpreender� bastante, n�o senhor.
Estou aqui, querido.
Alan, n�o consegue me ver?
N�o consigo ver mais nada, mas posso ver voc�.
Todo esse tempo, te vi a cada minuto.
Seu rosto est� voltado para mim.
Esse sorriso prolongado faz voc� parecer uma menina novamente.
Kitty, voc� est� sorrindo, n�o est�?
Sim. Sim, querido.
Des�a, Alan. Me d� sua m�o.
Vou te ajudar.
Est� cego.
- Acho que volta para sua casa. - Que pena!
Pobre mo�a, casada com ele.
Dia ap�s dia, ajudando-o.
Ajudando-o, sempre ajudando. . .
Me d� sua m�o, querido.
Vou te ajudar. Vou te ajudar.
Me ajudar? Me ajudar?
Estamos chegando.
Chegamos em Camden.
N�o vamos descer.
Senhor, o que acontece?
- Disse que era essa esta��o. - N�o vamos descer aqui.
Esse foi o trem de Londres.
Claro, passa todos os dias nesta hora.
Sim, eu sei.
Mas hoje percebi que passava.
N�o sei o porqu�.
Betty! Betty, venha aqui.
Eu desfiz a sua bagagem, senhor.
Se quiser algo, use o sino.
Cuidado com a l�mpada a �leo no criado-mudo.
- Quer algo mais, senhor? - N�o, obrigado.
Boa noite, descanse, senhor.
Antes de ir fecharei o g�s, senhor.
Acha que. . . ?
Posso entrar?
Sou eu, a Betty. Trago �gua.
Por que est�o parados a�, os dois?
Parecem bobos.
Anda, pergunte para ele.
S�o meus irm�os. Voc� se importa?
Eles queriam v�-lo, Nunca viram uma pessoa cega.
Est� zangado com a gente?
N�o, olhem para mim. Podem olhar!
Mas o que foi agora?
Vamos, n�o fique assim.
N�o chore, por favor.
Toma, pega o meu len�o.
� isso.
Voc� � a senhorita Gallop, n�o?
Sim. E esses s�o os meus irm�os.
Obrigado pela visita. N�o nos sentamos?
Por aqui tem uma poltrona.
- Est� aqui. - Obrigado.
Aqui. Pensei que estava zangado com a gente.
- N�o est�, n�o �? - N�o, claro que n�o.
- Aqui, o seu len�o. - Obrigado.
Pode me apresentar os seus irm�os?
- Este � o Joe e este o Ginger. - Ol�.
- Ol�. - E eu sou a Betty.
Voc� me chamou de senhorita Gallop.
- Deixe eu te ver, Betty. - Como voc� pode?
Tem um rostinho muito bonito!
Um rosto muito alegre.
J� sei como voc� �.
Quer me ver?
- Voc� � o Ginger? - Sim.
Voc� tamb�m � muito bonito.
- Seu nariz � meio arrebitado, n�o? - Sim.
Agora o Joe.
N�o, n�o quero que me veja. Vamos.
- Nos vemos amanh�. - Est� bem.
Vamos num piquenique.
- Quer ir conosco? - Vamos pescar.
Sim?
- Boa noite. - Tchau, Betty.
- Boa noite. - Boa noite.
Boa noite.
Boa noite.
Boa noite.
Crian�as!
Vou dizer pela �ltima vez.
Tirem os gorros e fiquem em casa.
Continuar� chovendo.
Desculpe. A mam�e disse que n�o podemos ir ao rio porque chove.
O qu�? Desculpe eu tinha me esquecido.
- Mas o levaremos amanh�. - Muito bem.
O que vai fazer hoje?
Eu n�o sei.
Eu achava que os adultos sempre tinham alguma coisa para fazer.
Eu tamb�m, mas agora acho que n�o � verdade.
Quando eu crescer, vou ser uma baleia branca
e viver no rio.
N�o d� ouvidos a ele. Outro dia queria ser um cavalo.
Em todo caso, parece que ele n�o gosta da forma humana.
Quando eu crescer, vou ser costureira ou cantora.
Quer que eu cante?
N�o, n�o.
- Quando crian�a o que queria ser quando adulto? - Escritor.
- E por que n�o �? - N�o sei.
Acho que pelo mesmo motivo que o Ginger n�o ser� uma baleia branca.
Escritor, que bonito!
Eu tenho um l�pis, quer escrever alguma coisa agora?
N�o, n�o. Isso foi h� muito tempo.
Talvez na beira do rio possa nos escrever alguma coisa.
J� disse esta manh� que ele n�o pode ver o rio.
Voc� n�o pode ver nada, certo?
N�o preciso muito dos olhos, Joe.
Talvez eu veja no rio coisas que voc� n�o pode ver.
Como o qu�?
Vamos, diga.
Voc� s� v� um rio.
Um belo rio que atravessa o campo.
Mas eu vejo que � profundo e largo
e que em suas margens cresce uma estranha vegeta��o,
como voc� nunca viu.
H� sons que voc� nunca ouviu.
H� p�ssaros coloridos voando.
Os macacos gritam nas �rvores e h� grandes crocodilos no rio.
Voc� ouve os crocodilos e n�o gosta do som que eles fazem
porque deve atravessar o rio nadando para salvar a Betty, capturada por um canibal.
- Quem, eu? - Voc�.
Atrav�s da selva, eles, Joe e Ginger ouvem seus gritos
misturados com o canto dos p�ssaros
e os gritos estridente dos macacos.
De repente, voc� e o Ginger se lan�am no rio. . .
Jack e Peter estavam com ela na viagem, isso era o que importava para Jennifer.
Os dois rapazes, cansados de pescar,
pularam na �gua para nadar um pouco
deixando Jennifer a bordo, cuidando dos cani�os.
Na precipita��o. . .
tinham se afastado um pouco do barco
quando o vento encheu as velas. Sinto cheiro de bolo ou estou enganado?
Acha que devemos comer o bolo agora?
Enquanto eu estou aqui,
para saber se ficou bom ou n�o.
N�o, temos que esperar Hannah.
Eu n�o provaria, eu n�o faria.
Mas se meus irm�os estivessem aqui, eles provariam.
Eu n�o faria isso.
N�o, n�o. Voc� n�o.
Tinham se afastado um pouco do barco quando o vento encheu as velas.
O barco se agitou e Jennifer deu um salto.
Aterrorizada, ela percebeu que o barco estava se movendo.
Se aproximou da borda e gritou: Peter, Peter!
Jennifer ficou brava e bateu no Peter? Isso � o que eu faria.
N�o, n�o. Ela gosta dele.
E Peter, gosta dela?
Sim, ele gosta muito dela.
Mas n�o sabe quanto at� muito tempo depois.
Isso tamb�m sair� no livro?
N�o. Isso n�o sair�, Betty.
A COVA DO PIRATA, de ROGER CRANE
Em que plataforma chega o trem de Dover, por favor?
- Na n�mero 5. - Obrigada.
- Kitty! - Gerald!
- Gerald, fico feliz em v�-lo. - Eu tamb�m.
Eu n�o sabia, n�o sabia que voc� viria.
V�-la significa muito para mim.
E a mam�e, veio?
Est� te esperando. Queria que me visse primeiro.
Bendito seja.
N�o vamos ficar aqui . Vamos pegar as suas coisas.
O carregador vai cuidar disso.
O papai e vov� est�o ansiosos para v�-lo.
Segundo a vov�, voc� joga bem baralho.
Dissemos que voc� pode querer fazer outras coisas, mas n�o entende.
Por que n�o veio antes? Por que demorou tanto?
Eu n�o podia at� estar em paz comigo mesmo.
Eu entendo, passei pelo mesmo.
N�s dois nos equivocamos.
Eu sei, mas demorei muito para perceber.
Eu queria voltar. N�o sabe o quanto queria v�-la.
Mas n�o sabia o que voc� sentia. Estava com medo.
N�s sempre fomos amigos.
- N�o deixaremos de ser agora. - N�o, n�o.
- George! - Ol�, Roger!
Ol�!
Queria estar limpo como um manequim para receb�-lo.
- Fico feliz em v�-lo novamente. - Eu tamb�m.
- Parece bem, Roger. - Obrigado.
- Como vai, senhorita West? - Muito bem.
- Fico feliz em te ver. - Obrigado.
Senhor Sanders, a bagagem, por favor.
- Como vai o novo livro? - Acho que come�amos bem.
N�o creio que me deu a id�ia.
Espero que o passeio dure. Gosto disso.
Ainda falta bastante. Umas 10 milhas.
- Como o jardim est� bonito. - Sim.
Como vou passar bem aqui.
S� vou dormir, comer e ler o seu �ltimo livro.
Uma carruagem de cavalo. Vi a primeira antes de voc�s nascerem.
� do senhor George Mourdant.
- Sim? - Tem os melhores c�es de ca�a por aqui.
Isto � conhaque.
Napole�o, 1814.
- Voc� foi muito generoso. - Obrigado.
Quando crian�a, achava que era o Napole�o que fazia,
que passou aquele ano todo fazendo conhaque.
Pois os livros de hist�ria. . .
d�o uma vers�o muito diferente.
Eu n�o entendia como ele teve tempo para ir a Waterloo.
Com todo o conhaque que ele fazia.
Est� bom?
�timo.
- Roger, voc� serviu o ex�rcito com os engenheiros, n�o? - Sim.
Conheceu um homem chamado Shannon?
Sim, estavamos na mesma companhia.
Se lembra da foto que lhe devolvi quando voc� saiu?
- Sim. - Acho que essas s�o as outra duas pessoas.
Gerald Shannon e Kitty Vane.
S�o eles?
Tem uma foto deles no jornal.
V�o se casar.
Sim?
Fico muito feliz.
Eramos muito amigos.
Se conhecem a vida toda.
Esperava que isso acontecesse.
� o que tinha que acontecer.
Bem, eu vou para a cama.
Eu gosto de dormir cedo. O que voc� vai fazer?
Vou ficar para fumar outro cachimbo.
Estou cansado. Ultimamente tenho trabalhado duro.
- Boa noite. - Boa noite.
George, voc� viu quando se casam?
Acho que no dia 3.
A pr�xima segunda-feira.
Sim.
- Boa noite. - Boa noite.
- Se precisar de algo me chame. - Est� bem.
Passou muito tempo a�.
Voc� n�o se move faz muito tempo.
Eu estava te olhando.
Nunca vi ningu�m t�o quieto.
Falei com voc� e n�o me ouviu.
O que est� pensando, querida?
Vamos entrar?
Est�o dan�ando.
- Bem crian�as, aonde vamos hoje? - � �rvore do barranco.
Parece divertido.
� um lugar perigoso, mas n�o se preocupe.
H� uma lagoa ao lado da �rvore.
Pescamos um pouco e depois dormimos.
Parece interessante.
Pescarei e dormirei enquanto os guerreiros vigiam.
Olha a minha vara. As sua s�o melhores.
- A minha � mais curta. - Os peixes n�o se importam.
H� perigo � frente!
Passe o aviso. Cuidado com os crocodilos!
Cuidado com os crocodilos.
Cuidado com os crocodilos.
Olhem! Eu n�o disse que havia perigo?
Vejam, c�es de ca�a.
- Vejam! - Quantos s�o?
- Eles s�o bons? - Sim.
Que salto bonito.
- � lindo. - Sim.
- Est�o vindo para c�. - Se aproximam.
- S�rio? - Sim, se aproximam.
Que queda feia.
Ele se levantou!
Bom salto.
- Vejam! - � uma mulher.
Venha, vamos ajud�-la.
Joe, molhe meu len�o na �gua.
- Est� bem? - N�o sei, est� muito quieta.
Joe foi pegar �gua.
Se machucou?
N�o, foi a queda.
- Est� consciente? - N�o, meio atordoada.
Est� voltando a si.
Calma. Se sente melhor?
Uma bela queda, n�o foi?
Quem �?
- Kitty. - Sim, Kitty Vane.
Pobrezinha, est� bem?
Muito obrigado.
De nada. Fico feliz em ajudar.
- Tem certeza que est� bem? - Sim.
Belo espet�culo dei.
Voc� foi infeliz.
Aquele cavalo odeia �gua,
mas queria mont�-lo.
- George. - Sim?
Kitty, voc� est� bem? Que susto me deu.
Vamos.
� hora de me levantar.
Isso mesmo.
- Est� muito p�lida. - Voc� tamb�m, querido.
Por que ca�am aqui?
Nunca tinham feito.
A duas milhas de casa e tenho que encontr�-la.
E quer que me relacione com as pessoas?
Teria que ir a 1000 milhas daqui, mas n�o tenho coragem de ir.
Mas irei.
Agora mesmo. Antes de voltar a encontr�-la de novo.
Eu menti para mim mesmo.
Fingi que tinha refeito a minha vida e estava feliz.
E hoje voltei a me encontrar.
Tantos anos de esfor�o para nada.
Voc� teve azar, muito azar.
Desculpe, se me empolguei.
Devia me envergonhar.
Vou dar um passeio no jardim.
Fico feliz que voc� estava l�. Obrigado.
- N�o aconteceu nada com ela? - N�o, s� a queda e uns arranh�es.
Foi muito corajosa.
Com certeza. Mas estar� furiosa pela queda.
Monta desde que tinha 6 anos.
Deve ser sua primeira queda.
E eu estava l�.
- Estava muito pr�ximo dela? - Sim.
Bem perto.
Pesa muito pouco, certo? � muito pequena e muito bonita.
Muito bonita.
Roger Crane?
Eu acho que. . . Mas n�o me lembro.
Sim.
Dois anos � muito tempo. Deixe-me pensar.
Crane.
N�o, desculpe, n�o me diz nada.
Disse que estava no meu regimento?
Posso falar com ele?
Bem, se n�o quer. . .
Claro que n�o me importo. Diga ao senhor Crane que ficaria feliz em visit�-lo.
Que tal amanh�?
Agora? Agora mesmo?
Bem, se voc� acha. . . Parece um assunto s�rio.
Diga-me, como ele �?
Sim, me lembro da fotografia, � a mesma.
Tem que ser.
Por favor, me d� o endere�o.
Vila Rosemary.
Foxley Heath.
Estarei a� em uma hora.
Quanto demorou?
O que foi, Gerald?
Parece que voc� viu um fantasma.
- Aconteceu alguma coisa? - N�o.
Kitty, espero que. . .
Tem alguma coisa.
N�o pode me dizer?
Tenho que dizer.
Alan.
Alan.
Est� vivo.
Vivo?
Vou te levar at� ele.
Eu sabia.
Eu sabia.
Eu sabia.
Espero que entenda porque fiz isso. � melhor esclarecer esta situa��o.
Espero que n�o mude comigo.
Pelo menos, n�o muito.
George, voc� disse que estou cego?
N�o, apenas que est� aqui.
Ser� que ele vem sozinho?
Eu n�o sei, n�o me disse.
Senhorita West.
- Senhorita West! - Sim, senhor Crane?
Venha aqui.
Est� tudo no lugar?
Sim, senhor Crane.
Tenho que ter certeza. Olhe bem.
H� alguma coisa fora do lugar?
N�o, nada.
Tem certeza?
- Sim , por qu�? - O que tem no vaso?
Rosas amarelas.
Coloque outra cadeira aqui.
Quero que guarde todos os meus livros em braille.
Tem um ao lado da poltrona.
- Mais alguma coisa, senhor Crane? - N�o, obrigado. Espere!
Havia um jornal por aqui.
Sim, est� sobre a mesa.
Traga algumas bebidas e acenda bem o fogo.
Espero visita.
Tudo bem, senhor Crane.
Senhorita West, o que foi?
Eu trouxe as bebidas. Estou incomodando?
N�o.
H� mais alguma coisa que possa fazer por voc�?
N�o, obrigado.
Senhorita West, como se sente ao viver ano ap�s ano, com um cego?
Para mim voc� n�o � cego.
N�o?
N�o tem que estar sempre me vigiando para n�o trope�ar?
N�o tem que ter cuidado com o que diz para n�o ferir meus sentimentos?
Responda. . .
Eles chegaram.
S�o eles?
Sim, uma senhora e um cavalheiro.
Uma senhora? Jovem?
Sim. E muito bonita.
Eu vou abrir.
- O senhor Crane? - Sim, est� esperando. Entrem.
Obrigado.
- Alan! - Kitty! Gerald!
- Alan! - Kitty!
Ol�, Alan.
Alan.
� voc� realmente?
- Sempre soube que. . . - Voltariamos a nos encontrar?
Eu tamb�m. Os tr�s.
Fico muito feliz em v�-los.
Sente-se nesta cadeira.
Gerald, sente-se.
Quer beber alguma coisa?
Se quiser cigarros, est�o na mesa.
Alan, tem muito para nos contar.
� verdade.
� uma longa hist�ria. Primeiro voc�s.
E a tia Sheila? Como est� indo?
Ter�o que falar durante dias.
D� um cigarro para a Kitty, Gerald. Tem f�sforos na mesa.
Obrigado, eu tenho.
Aonde voc� estava?
Aqui. Agora sou escritor.
Se lembra que eu queria ser como Shakespeare?
Eu n�o sou. Escrevo livros para crian�as.
Eu gosto e me faz bem.
N�o sou uma maravilha, mas o primeiro livro vendeu bem.
Quer mais soda, Kitty?
Aqui est�.
- Alan, por que. . . ? - Est� bem assim?
Gerald.
Obrigado.
Sente-se.
Se importa se eu fumar?
Depois vou mostrar o meu jardim.
Estou orgulhoso das minhas rosas.
Alan, o que aconteceu conosco?
Por que nos ignorou?
Vi o vosso noivado no jornal.
Fiquei feliz quando vi a sua foto. Est� a�, Gerald.
Desde ent�o quero fazer uma coisa, brindar.
Meu amor pelos dois e que sejam muito felizes.
� por isso?
� por isso que nos tortura?
Isso n�o explica nada.
Durante tr�s anos acreditamos que estava morto.
Mam�e. . . Kitty. . . Kitty!
Sabe o que isso significa, o que sofremos?
Por que fez isso?
E agora, depois de tanto tempo,
nos encontramos com um estranho.
Se isso � porque. . .
Alan, olhe a Kitty para saber o que est� fazendo.
- Para saber que. . . - N�o, por favor.
Gerald.
Quero falar com ele a s�s.
N�o h� raz�o para isso.
Alan.
Diga-me agora.
Tenho muito pouco para dizer.
Alguma coisa te machucou?
Vai me dizer?
Alan, por que n�o voltou para casa?
N�o sei como dizer, mas devo fazer.
A guerra me afetou.
Eu mudei.
Mudou?
Uma guerra muda a todos, certo?
Passei meses num hospital alem�o, num campo de concentra��o.
Quando voltei, queria passar um tempo sozinho.
Queria come�ar de novo, viver outra vida,
longe dos velhos amigos e das lembran�as.
Por isso vim para c�.
Pensava um dia voltar.
Mas me acostumei a viver aqui, por isso n�o voltei.
Descobriu que tinha deixado de me amar, certo?
Foi isso?
Eu te amo, Kitty.
E te amei ent�o,
embora de um modo diferente.
N�o tive coragem de lhe dizer.
Eu entendo.
Desculpa t�-lo atormentado.
- Isto significa que. . . - Que n�o voltaremos a nos ver mais.
Sim.
Mas antes que isso aconte�a, quero te dizer que eu te amava.
Eu te amo muito,
com todo o meu cora��o.
Nunca amei nenhum outro, nem amarei ningu�m.
Adeus.
Adeus, Kitty.
- Alan. - Adeus, Gerald.
Que sejam felizes, voc�s dois.
Adeus.
Senhorita West?
Me desculpa.
Estou cansado.
Muito cansado.
Esta noite n�o vamos trabalhar.
Quero falar com voc�.
Ultimamente tenho pensado em deixar este pa�s.
Tenho motivos para isso.
Vou sentir sua falta.
Foi muito gentil comigo.
Naturalmente. . .
Senhorita West?
Senhorita West!
Alan!
- Meu amor! - Kitty!
Meu amor, eu sei. Foi por isso?
- Sabe o que isso significa? - Significa que vivo novamente.
Estive morta, meu amor. Foi muito cruel.
- Como me conhecia pouco. - Ou�a.
N�o, n�o te ouvirei.
Uma vez me disse para te vigiar, para n�o deix�-lo e nunca farei.
Ponha na sua cabe�a. Nunca voltar� a estar sozinho.
Aonde quer que esteja, eu sempre estarei com voc�.
- Nunca pude escapar de voc�, certo? - Nunca.
- Voc� sempre aparecia. - Sempre.
Gra�as a Deus que voc� apareceu mais uma vez.
Gra�as a Deus.
LEGENDAS : Laercio GRUPO ALLIED FORCE Tradu��o da legenda em Espanhol
F I M.
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