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ELE VEM À NOITE
LICAÃO, REI DA ARCÁDIA, MALDADE DA HUMANIDADE.
VOCÊ SACRIFICOU UMA CRIANÇA NO ALTAR DE ZEUS
E ASSIM DESPERTOU A FÚRIA DOS DEUSES.
AGORA VOCÊ DEVE UIVAR COM OS LOBOS E VAGUEAR PELA NOITE.
VOCÊ VAI MORAR EM CAVERNAS, SANGUE HUMANO SERÁ SEU PÃO.
VOCÊ NÃO ENCONTRARÁ A MORTE ATÉ O DIA DO GRANDE DILÚVIO,
QUE ACABARÁ COM A HUMANIDADE DEGENERADA.
Mãe.
Quero ficar com você.
Mãe, por que preciso deixar você?
Mãe.
Mãe, ele está me chamando.
Ele está nos meus sonhos.
Mãe, estou com medo.
Quero que isso pare.
Ei, Minthe. Dormiu demais?
Cadê você? O chefe estava perguntando de você.
Levante a bunda da cama! Depressa.
Onde você está?
Cacete!
- Bom dia pra você. - Obrigada, pra você também.
Minthi, minha irmã vai voltar das férias neste fim de semana.
Você precisa sair do apartamento. Ela não sabe que deixei você ficar lá.
Ela não sabe?
Não.
Isso não importa. Você precisa sair.
Também não pode ficar na minha casa.
Você entende?
- Seria um problema. - É, eu entendo.
Tudo bem. Obrigada por tudo.
Venha junto na próxima semana. Eles pagam bem.
Não sei.
Vá atender o cliente logo!
Srta. Hellheim,
eu já preparei tudo.
Sabe o que quero dizer, os documentos.
Era só enquanto a srta. Seitz estava doente.
Bom, agora, ela está bem.
- Certo? - Sim, claro, eu entendo.
Já tínhamos falado sobre isso.
É.
O fato de você ainda vir aqui...
E então? E hoje à noite?
São 500 por hora.
500!
- Por hora! - Não sei.
Sabe que gosto de você.
Quero te ajudar.
Sei qual é o seu problema.
Eu sei o que os caras querem.
Não vai conseguir nada sendo tímida.
Não dê ouvidos aos psiquiatras. O que sabem da vida real?
Sua melhor chance é se jogar com tudo.
Depois, você vai nadar como um peixe.
Onde fica?
- No pavilhão de esporte. - Pavilhão de esporte?
É, no pavilhão de esporte. Você vai ver.
Meu pai não pode descobrir. Entendeu?
Mas antes, preciso ir à agência de empregos na cidade.
Olá? Srta. Hellheim.
A fábrica fica fora da cidade. Um lugar perto de Helheim.
Sim, claro, você ouviu bem.
Hellheim, igual ao seu sobrenome.
Bom, se isso não for coincidência...
- É um bom sinal. - Não.
Não.
Não tem outra coisa?
Você é carpinteira.
Você tem experiência com carpintaria, trabalhou em obras.
Eu desisti disso rapidinho.
Você estudou arquitetura.
- Merece respeito! - Eu larguei o curso.
Você ficou internada, e sofre de depressão.
Não é à toa que algumas coisas deram errado.
Ainda está tomando medicação?
Você tomou algum medicamento hoje?
Acho que isso não é da sua conta.
Como você sabe disso?
Isso não importa. Eu só quero te ajudar.
Não quero ir pra lá.
Não te entendo. Qual é o problema?
Que droga! Hellheim.
Eu nasci em Hellheim.
Em algum lugar lá, me tiraram da barriga de uma mulher
e depois, me largaram em todos os orfanatos do país.
Agora, me responda uma coisa.
Alguém vai me dar um abraço, um beijo na testa?
"Que bom ter você em casa, minha filha?"
Não. Ninguém vai fazer isso porque não há ninguém lá que poderia.
Ninguém!
O trabalho paga bem.
São só algumas semanas. Pense bem.
- Não! - Pense por uns dias.
Ah, legal.
Nada mal.
- Ei. - Ei.
O que ela tem?
A OPORTUNIDADE FAZ O LADRÃO
Olá. Você sabia?
Meu amigo e eu acabamos de fazer uma aposta.
Apostamos em quem te deixou com essa linda orelha de porco.
Cai fora!
E eu acho que você é uma vaca imunda.
É, com certeza foi seu namorado quem mordeu sua orelha.
Enquanto trepava com você.
Sabe o que eu acho?
Acho que você é um babaca com bolas e uma boca grande demais.
Estou imaginando o que aconteceria...
se eu esmagasse essa pequena parte de sua identidade, hein?
Não é? Entendeu?
Aí, você seria um nada.
Aí, você seria só um monte de bosta sem bolas.
Srta. Hellheim?
Tem urina ali.
Alguém mijou no elevador.
Está me ouvindo?
Onde está o dinheiro?
O ministro precisa de uma explicação.
Tem gente morrendo todo dia.
Não sei como fez isso, mas você não vai se safar.
Vou repetir: a testemunha sofreu um acidente de trânsito.
Ele não pode ser interrogado. Nenhuma acusação contra meu cliente.
A jurisdição seria no Burundi. Os contratos, sabe?
Bom dia pra você.
Tchau.
Estou feliz que você veio. Já viu a cidade?
Como sabe, trata-se de um antigo moinho.
O moinho pertence ao banco local.
O banco me deixou como administrador.
Não querem que vire ruínas.
As autoridades estão pressionando.
O banco não queria investir muito, então...
encontramos você.
- Então me encontraram? - Sim.
Você é avaliador e construtor ao mesmo tempo.
Desculpe.
Avaliadora e construtora.
Foi isso que discutimos com seu agente de empregos.
Se não for muito exigente, você pode ficar...
Você pode ficar hospedada no moinho.
De graça, não vai te custar nem um centavo.
E o que devo fazer lá?
Sim, claro.
Todas as vigas de suporte precisam ser testadas e talvez trocadas.
O mesmo vale para as engrenagens.
Há um conjunto de requisitos das autoridades e um prazo.
Precisa ser cumprido.
Ah, e há a roda do moinho.
- Precisa de restauração. - Existe alguma planta?
Uma planta, sim.
Você vai precisar de dinheiro e ferramentas.
Materiais e...
Sr. Strasser, o diretor do banco...
Ele é um bom amigo meu.
Por favor, fale com ele. Ele vai cuidar de tudo.
- O que é isto? - Perdão?
É uma câmara subterrânea.
Ainda bem que você mencionou.
A câmara e o anexo estão fora dos limites.
Uma mulher mora lá. O nome dela é Goost.
Não sei muito sobre essa mulher.
Ela é estranha e muda.
Ela tem permissão para morar lá. Tenho certeza que vão se dar bem.
Mais alguma pergunta?
Bom, eu teria que dar uma olhada antes e...
Está bem.
Olá.
Certo.
A estrada faz uma curva na frente e vira uma estrada de terra na floresta.
Mas eu não vou até lá.
Isso estragaria meus amortecedores.
Mas ali tem uma trilha. É um atalho.
É só seguir direto até o vale.
Está sinalizado.
Até o Moinho do Lobo.
Não se preocupe, não há lobos.
Além disso, eles só saem com lua cheia, certo?
Um minuto.
Aliás, o sinal lá é péssimo.
Área sem cobertura e tal.
Sua melhor opção é vir até a estrada. O sinal aqui é melhor.
Aqui está meu cartão.
A parada é sempre aqui. Tchau.
Sim, eu estarei lá. Até mais. Tchau.
Então você é a sra. Goost?
Sou Minthe, Minthe Hellheim.
Vou consertar a roda do moinho.
Obrigada pelo café. Tenho coisas a fazer.
Você deve ser a srta. Hellheim. Strasser.
Por favor, me acompanhe.
Sente-se.
Um adiantamento e uma conta caução para o trabalho e materiais necessários.
Você deve registrar tudo.
Tudo deve ser rastreável.
O banco investiu muito dinheiro.
Confiamos em você.
Então, tem cinco mil na conta caução.
E aqui está sua conta, com adiantamento de cinco mil pra você.
Você estava desempregada há muito tempo, certo?
Está vendo? Agora você está subindo na vida.
Dê uma boa olhada no moinho. Há muito o que fazer.
Se precisar de mais dinheiro, podemos discutir tudo.
Nós precisamos de você.
Você é bem-vinda.
Se houver algum problema, é só vir falar comigo.
Uma boa relação é pré-requisito para uma boa colaboração.
Sabia?
Não queria ser mal-educada, mas não estou disposta a isso.
Isso eu não faço.
E eu pareço que sim?
Por favor, eu pareço esse tipo...
Sou um homem de negócios, não um cafajeste.
Desculpe.
Está tudo bem.
Um pouco de desconfiança é comum nos negócios.
Eu entendo, mas...
Você pode confiar em mim.
O emprego é seu.
Vai ficar tudo bem.
Você vai precisar de um carro. Você dirige?
Um revendedor de carros usados.
Peça uma camionete picape. Ele vai te emprestar uma.
- Diga a ele que eu mandei você. - Obrigada.
Por que aqui?
O que significa isso tudo?
Faz ideia do quanto essa viagem é cansativa?
Meu carro emperrou. Vai sair caro.
Não foi esse o acordo. Onde está o dr. Schwarz?
Pois não?
Alô?
Alô?
É, o sinal está ruim.
Sim.
Quando você pode entregar?
Alô?
Alô!
Droga.
Sua vadia desgraçada! Vou te matar!
Não terminei com você.
Se arrume logo, vadia maldita!
Ei, Ralle, quem é essa?
Normalmente você só leva vovozinhas ao pedicure.
Oi, moça.
- Está perdida? - A moça precisa de um carro.
- Você tem uma caminhonete? - Se tenho uma camionete? Claro que sim.
Aquela ali?
Bom, eu tenho que ir. Preciso...
Claro, vá buscar as vovozinhas!
Eu te ligo se der ruim.
Aí, você pode levar a moça de volta.
Eddy, não faça nenhuma besteira, ouviu?
Como o quê?
- Você sabe. - Cai fora!
Ih, quem diria? Ela entende da coisa, uau!
É uma boa picape. É meu motor particular.
Ótima manutenção e cuidado. Olha só as molas.
Impossível quebrar.
Por que estou explicando? Você sabe. Percebi na hora.
E quem diria?
Malditas pichações! Quando eu pegar o cretino...
Quem se importa, certo? Tem pichações por toda parte.
A caminhonete não se importa. Continua rodando bem do mesmo jeito.
Moça, olha isto.
ESTUPRADORES, NÓS VAMOS PEGAR VOCÊS
É a minha esposa.
Mandei que ela consertasse a escada, mas ela sabe o que faz, né? Pof!
Caiu de cara no chão.
Se vou me separar desta querida, preciso de grana extra pra compensar.
Não se preocupe. As negociações do Eddy são justas.
Você não é daqui, é?
Não. Quem diria?
Se posso saber, quem fez propaganda do bom e velho Eddy?
Quem diria? Foi meu cunhado, certo?
Sr. Strasser, do banco, disse que você me emprestaria sua picape.
Emprestar? Ele disse isso?
Disse. E ele mandou lembranças a você.
Esse pessoal do banco é gente boa.
Quer saber, moça? Leve a caminhonete, teste-a.
Cuidamos da papelada mais tarde. Vamos chegar a um acordo.
Esse é o bom e velho Eddy. Sempre solícito e prestativo.
Vou ter que botar meu velho Unimog pra funcionar.
Não é tão bonito quanto esta picape, mas moça...
eu tinha um cachorro, mais feio impossível, mas era forte.
Ele pegava todas as cadelas daqui. Ele subiria até o Kilimanjaro.
Eu tinha orgulho dele. No fim, ele já não tinha mais fôlego.
Então eu o removi da estrada. Estava achatado como uma panqueca.
Bom, enfim.
Moça... quem diria?
Cacete.
Sim.
Sim, está bom. Bom trabalho.
O conteúdo histórico foi mantido.
E aqui, esta viga...
Não, nenhuma mudança aqui.
Está ótimo.
O departamento de preservação de monumentos não impedirá seu trabalho.
Eu estava brincando!
Quis dizer que não vou dificultar sua vida.
Estou feliz que alguém finalmente esteja cuidando do moinho.
Você esteve na câmara subterrânea?
Certo, a câmara.
Só estou aqui há alguns anos e só fui ao moinho uma vez.
Quando fizemos o inventário. Eu dei uma espiada.
É bem profunda mesmo. Como um labirinto.
E a sra. Goost?
Só a vi uma vez.
Mas se estou bem informado,
sempre existiu uma mulher nos arredores do moinho.
Eles estavam morando lá. Um tanto improvisado.
Eles?
O moinho sempre foi um legado.
Passado de mãe pra filha, até a próxima geração.
Mas acho que tenho algo.
Isso aqui...
Esta fotografia em preto e branco foi tirada há cerca de 50 anos.
E, segundo as autoridades, para uma reclamação sobre o moinho.
E aí está. Este bebê pode ser a velha, quer dizer a sra. Goost.
De qualquer forma, agora o moinho pertence ao banco.
E o administrador, dr. Schwarz, é muito dedicado a essa propriedade.
Então, não devemos desapontá-lo.
Que seja uma boa cooperação.
Faça seu trabalho meticulosamente.
Não existem mais muitos moinhos antigos como esse.
Um tesouro que merece ser preservado.
Onde está?
Caramba.
Já não paguei o suficiente?
Não, aqui não.
Não podemos continuar assim. Quero vê-lo agora.
Eu preciso tocar nele. Me prometeram isso.
Onde está você? Vamos.
Ah, você gosta de fazer suspense, hein?
Sinta-se em casa.
Eddy fez um espaço aconchegante pra nós.
Não acredito! Você é a gata mais gostosa que conheço.
Vem pro Eddy. Eu te pego.
Não, eu não.
Você vai me pegar.
Vem pro Eddy, e vamos fazer um rala e rola.
Sim?
Sim, estou bem, obrigada.
Já comecei a consertar a roda, sim.
Sem problemas, está tudo bem.
Posso fazer isso.
O dinheiro é suficiente, sim.
Obrigada.
Vou te dar a placa do carro. Pode descobrir quem é o dono?
Foi sufocado.
Com aquele saco.
Foi colocado em cima da cabeça dele... Obrigado. Isso aqui... "Et voilà".
Isto estava enfiado na bunda dele.
A flecha é de uma balestra.
Obrigado.
Eddy Kyll.
Uma pessoa desprezível.
Bandido e estuprador. Ficou preso alguns anos por isso.
Com certeza, ele pegava bundas de homem lá também.
Karon, o que você acha?
Ouvi falar de um caso na Bélgica.
Também tinha uma flecha de balestra. Bem no olho.
A vítima tinha ficha criminal.
Crimes sexuais contra mulheres, igual ao Eddy, mas...
- Mas o quê? - Não, ele não era gay.
Eu disse que Eddy era gay?
E mais três casos em Luxemburgo, e dois no sul da Alemanha.
Cafetões. Caras terríveis.
Estou investigando esses casos há anos.
O que é isso, Karon?
O que faço com isso?
Olha, vou ser sincero com você.
Você já está aqui há uma semana.
Recebi ordem de cima. Não pude fazer nada quanto a isso.
Alocaram você no meu departamento porque queriam se livrar de você.
Não sei o que aconteceu.
Você não é o primeiro policial a recorrer ao álcool.
Na cidade grande, dá pra esconder. Aqui não.
As coisas são diferentes aqui.
Desculpe. Você não é meu pessoal.
Não mexa comigo, e nos daremos muito bem.
Detetive inspetor-chefe Karon.
- Inspetor Herda. - Um prazer.
Sr. Karon vai te dar uma mão.
Mas não o sobrecarregue. Ele está aqui para descansar um pouco.
- Eddy? - Isso.
Eddy Cara de Bunda apertou as nádegas.
O que você acha?
Investigue a cena gay.
Alguém prestou queixa de lesão corporal contra Eddy.
Supostamente, ele deu um soco no nariz.
Olha só aquela garra.
Que nojento.
Alguns desses dentes precisam ser trocados.
A base está boa.
Isto aqui? É um pentagrama.
Eles usavam esses símbolos para combater fantasmas e bruxas.
- Fantasmas? - Superstição.
Não te contaram?
Não me contaram o quê?
Vale do Lobo. Moinho do Lobo.
Esses nomes vieram de um julgamento que ocorreu aqui em 1630.
Crianças morreram.
Foram terrivelmente mutiladas.
Provas de que serviram de alimentação, para um lobo.
Eles ainda acreditavam em lobisomens.
As pessoas achavam...
que a maldade era uma força lançada sobre o mundo pelos demônios.
E quando coisas ruins aconteciam em um lugar,
essa força começava a crescer, a se concentrar.
O homem que comete essas maldades não percebe nada.
Mas, no fim, a força se descarrega.
Pequenas mudanças no corpo dele se tornam perceptíveis.
Algo inexplicável surge.
Uma criatura híbrida, metade homem, metade besta.
Por que está me contando isso?
O coitado do lobisomem era moleiro.
E este moinho era dele? Ele comeu todas aquelas crianças?
Superstição.
Não é preciso ter uma pele de lobo para cometer atos malignos.
O que aconteceu com ele?
Quando abriram o calabouço dele para ser executado,
ele tinha sumido.
Ninguém o viu mais desde então.
Olá?
- O que está fazendo aí? - Oi, meu nome é Karon.
Sou do Departamento de Investigação Criminal.
Aqui está meu dispositivo.
- Algum problema com a caminhonete? - Não, não. Está tudo bem. Só que...
Podemos entrar?
Obrigado.
Fui transferido para cá recentemente.
Meu apartamento ainda está ocupado, e todos os hotéis ao redor também.
Estou dormindo no meu carro no momento.
Infelizmente ainda não instalaram um chuveiro, então...
Nem sempre tenho essa aparência.
Mas é temporário. Só por alguns dias.
Obrigado pelo café.
- Você mora aqui? - Sim, é temporário.
E tenho o mesmo problema com chuveiro. Não tem nenhum.
- Estou consertando a roda. - Ah, está consertando?
Presumo que seu carro também não faz café?
- É por isso? - Sim, não. É por causa da picape.
Mais especificamente, por causa do tal Eddy.
Ele foi encontrado morto, a oito quilômetros daqui.
Assassinado.
Precisamos revistar a picape em busca de provas.
- Eddy? - Sim.
- Peguei emprestada porque Strasser... - É, sim, nada a ver com você.
É procedimento de rotina. É sempre assim.
Strasser? Você disse Strasser?
- Você vai levar? - O quê?
Ah, a caminhonete. Sim. Temos que levá-la, lamento.
- Por quanto tempo? - Bom, vai demorar alguns dias.
Você precisa da caminhonete?
Preciso dela para ir à cidade às vezes.
Lamento.
A caminhonete tem umas pichações vermelhas na porta.
O grafite foi borrifado em cima. Você pegou o caminhão neste estado?
Acha que isso tem a ver com a morte de Eddy?
Bom, é possível.
Mas talvez não seja nada.
Você está bem?
- Seu perfume. - Perdão?
Seu perfume. Você não devia usar tanto. Senão, incomoda.
Eu estou incomodando? Desculpe. Não tive intenção.
Achei que era uma boa ideia colocar um pouco mais.
Afinal, eu dormi no carro e eu...
Mas preciso ir agora, de qualquer forma. Então...
- Não! Por favor, não! - Desculpe!
Vá embora logo! Por favor.
Você me interpretou mal.
Eu sou detetive.
Cacete!
Não aguento pinguços.
Dizem que ele dá em cima de qualquer rabo de saia.
Melhor deixar a esposa em casa.
Do que está falando? Você não tem esposa.
Cachaceiros.
E gays me dão nojo.
Você?
Sim, eu...
Como posso ajudar você?
- Você esqueceu uma coisa. - Meu Deus.
- Deve ter caído do seu bolso. - Que péssimo. Desculpe.
Venha, entre, por favor.
- Que longa jornada. Você veio... - De táxi.
- Eu... - Sim?
Te interpretei mal. Eu queria pedir desculpas.
Não. Não, aquilo foi culpa minha.
Você se assustou, eu entendo.
Sou um estranho... Quero dizer, você mal me conhece.
E aí isso...
Podemos mudar isso.
- O quê? - Podemos nos conhecer melhor.
Sim, claro, se você quiser.
Não sou muito complicado.
Você precisa de ajuda com o moinho? Eu posso te ajudar.
- Sei usar uma serra. Neste Domingo? - Sim, eu adoraria.
Te vejo no domingo então.
Muito bem.
- Você é um bom artesão. - Obrigado.
Eu cresci na fazenda.
Tem sempre algo pra consertar. Você aprende a usar ferramentas.
E por que virou policial e não fazendeiro?
Quando era criança,
eu estava convencido de que era preciso lutar contra o mal.
Então fiz um distintivo com uma lata,
e condenei o ladrão de madeira da vila vizinha.
Meus amigos ficaram muito orgulhosos de mim.
Meus pais nem tanto, quando lhes disse que queria entrar pra polícia.
Eles me avisaram.
Eles me conheciam bem.
O que aconteceu?
Nem ideia.
Nem ideia.
Eu só remexi demais na terra.
Com tanto trabalho...
Você encara muitos abismos.
A uma certa altura, se torna demais.
De qualquer forma, o recruta especial foi rebaixado.
Aí, minha esposa me deixou.
Queríamos ter filhos.
Uma família.
Bom, e agora, estou aqui, construindo rodas de moinho.
E você?
O que seus pais acham
da filha carregando tábuas de carvalho sozinha na floresta à noite?
Não tenho pais.
Morreram?
Mais ou menos.
Eu tive professores, pais adotivos.
Eu sou sozinha.
Lamento.
Você se acostuma.
É mesmo?
Desculpe.
Eu não devia falar tanto.
Tudo bem.
Vou me afastar por alguns dias.
Pela mudança. Preciso resolver umas coisas.
Vai ter que se virar sem mim.
Pode ficar muito solitário aqui fora, toda sozinha.
Eu adoraria receber uma ligação.
Você primeiro.
- Eu sou totalmente... - Descomplicado?
EU GOSTO DE VOCÊ
- Olá, você é... - Eu sabia que você viria um dia.
Você estava me esperando?
Hoje é meu último dia aqui.
Naquela época, era meu primeiro dia neste departamento.
Me disseram que você sabe...
Recebemos uma chamada.
Era o carteiro.
Tinha algo errado. Devíamos verificar.
Então fomos lá.
A cena não era bonita.
Fui eu quem pegou a criança pequena e suja nos braços.
Ela estava chorando.
Depois, ela colocou a cabecinha no meu ombro e ficou quieta.
Tinha folhas de menta crescendo por toda parte.
Minthe. Nome para uma criança sem nome.
Minha mãe ainda está viva?
Ela não tinha nenhum documento, nada. Nenhuma identidade.
Houve processos judiciais.
A mulher ficou calada, só gesticulava descontroladamente.
Ela foi internada.
Se ela teve alta e quando, não faço ideia.
Havia algum homem?
Pai desconhecido.
Se veio aqui pra matar sua curiosidade,
cometeu um grande erro.
Curiosidade.
Mas aqui é o Departamento de Bem-Estar Juvenil.
Deve ter um arquivo, algo que possa me ajudar.
Que se dane.
Pode ficar. Mas não é oficial.
Que carro chique o seu.
Não é meu.
Abra o porta-luvas.
Está vendo o chiclete?
Passe pra mim.
Aquele tal Eddy...
Ele morreu.
Você deve deixar o moinho antes da lua cheia.
Nem pense muito. Só vá embora.
Ei, o que quis dizer com isso?
Ei, espere aí!
Espere.
Com licença, sei que é hora do almoço, mas preciso da ajuda de vocês.
Sou o detetive inspetor-chefe Karon.
Preciso de sua avaliação ou opinião, não vai demorar muito.
Algum de vocês tem tempo disponível?
- Do que se trata? - Venham, eu mostro a vocês.
Venham, venham comigo.
O que vocês repararam?
Cara bem feio.
Posso ver um buraco de bala.
De calibre pequeno.
Ou é uma ferida de faca?
Não é disso que estou falando.
Posso ver marcas de estrangulamento.
A vítima apresenta anormalidades.
Não tem mãos normais.
Me lembra garras de um animal.
O corpo tem pelos em lugares não comuns.
Você precisa olhar mais de perto.
Ah, e a vítima é macho.
Que palhaçada é essa? Pessoal, isso é um teste.
Querem saber se não estamos com uns parafusos a menos.
Desculpa, Mandy, você falhou no teste.
Vamos comer.
Licantropia?
Achei que estava treinando para caçar homens, não monstros.
Monstros são simplesmente criados quando muitas ações ruins se juntam,
cometidas por criaturas verdadeiras.
Sua percepção é extraordinária.
Nem sempre isso é uma vantagem nesse trabalho,
por causa do que você tem que reprimir aqui em cima.
E você vai ter que fazer isso, porque você vê mais do que os outros.
Em algum momento, isso vai parar mais abaixo, e é onde fica.
Não se esqueça disso.
Mas seu colega estava certo sobre uma coisa.
Não leve este teste tão a sério.
"Como a criança não está registrada em uma autoridade alemã,
e o pai da criança não pode ser determinado,
o tribunal distrital autentica um nome na data deste decreto que,
para proteção da referida pessoa,
se manterá conhecido somente das autoridades competentes até que...
a identidade da mãe da criança...
a identidade da mãe da criança possa ser determinada."
"Ele vem à noite."
"Está queimando na minha barriga. Estou morrendo queimada."
"Está queimando na minha barriga."
"Estou morrendo queimada."
"Ele mordeu até a morte."
"De novo, ele...
mordeu até a morte."
"É menina."
"É menina."
"Posso ficar com ela."
"Mas onde?"
Abram! Abram a porta!
Olá, espere! Por favor.
Olá?
Onde?
Onde me encontraram?
Você é minha mãe?
Você é minha mãe?
Venha pra fora!
Não precisa se esconder!
Você é minha mãe?
Mãe!
Mãe!
Mãe...
Beba isto.
- Quero vê-lo. - Você o quê?
Eu investi. Quero vê-lo.
Você sabe do que isso se trata?
Devo ser o único que sabe do que se trata.
Você o viu, tocou nele.
Agora, ele dá a você o poder que precisa.
Você era um pobre cretino.
Uma bosta de advogado trapaceiro. E agora?
Olhe só para você.
Você é forte, intocável.
Ele tem êxito em tudo que toca.
Ele criou sua rede pelo mundo inteiro.
Ele estabeleceu uma rede na África subsaariana.
E a fez crescer lá.
Investindo um pouquinho ali e acolá,
intervindo, e no fim, conseguiu compensar.
Se quer vender armas, você precisa de uma guerra.
E o sr. Schwarz sabe como fazer isso, quais pauzinhos mexer.
Onde há guerra, não há o que comer. E onde está toda a comida?
Armazenada e embalada na casa do nosso tio Schwarz.
Só precisa ser recolhida.
Eddy está morto.
A polícia está fuçando o local.
Não sei quanto tempo mais a moça vai durar.
Dane-se Eddy! Dane-se a moça! Eu quero vê-lo!
Que cacete, quero finalmente vê-lo!
Estou preso nesta maldita província. Quero ir para Londres.
Londres é onde se ganha dinheiro. Dinheiro de verdade.
Mas se você me deixar vê-lo, se ele me conceder o poder, então...
tudo será possível.
Do que você está falando?
Quem é ele?
Você não vai...
Você não vai machucá-la?
Schinckel, você está fora. Vai ser melhor pra você.
Você cumpriu sua obrigação.
Sua casa na Toscana está com um belo telhado novo.
Azulejos naturais históricos.
Conforme solicitado.
Pode ir, era só isso.
Qual é o seu plano pra ele?
E agora? Eu...
- Eu entendo tudo... - Entende?
Você não entende nada.
Como a maioria das pessoas, você acha que entende, mas não entende.
Vivem como você, na indiferença,
na infinita estupidez e cobiça.
Milhões de pessoas.
Nada além de um rebanho de carneiros castrados seguindo o pastor.
Que pega o cajado e traz os cachorros para morderem a bunda das ovelhas.
É preciso alimentá-los e dar-lhes água, acariciar seu pelo.
Eu entendo, sou um bom pastor.
Mas não beberei no cocho em que bebem os carneiros.
Meu fruto...
prospera no campo da maldade.
Alimenta-se do pus do povo,
pus que escorre do fundo da alma humana,
de feridas que não saram.
Eu o encontrei.
Ele me encontrou.
Ele me ajuda a colher os frutos só por estar ali, só por existir.
Ele é minha fonte de vida.
Farei de tudo para garantir que ela não seque.
Ele precisa da garota. Ele vai ter o que precisa.
Eles a tiraram dele naquela época, e quebraram o ciclo.
Ele a gerou, ela pertence a ele. E ele precisa dela.
Há gerações, ele vem rejuvenescendo e reproduzindo.
E mantendo contato com nosso mundo, o mundo dos cordeiros.
Por que não lidamos logo com isso e entregamos a moça a ele?
Por que tanto alvoroço com o moinho?
Ela não irá à força...
e sim inocente e ilesa até o altar. Ninguém toca nela.
É o rito dele.
Ele precisa da luz da noite.
Até lá, você ficará quieto.
Aceite o que ele te dá.
Segure sua onda, entendeu?
Até que enfim, hora de ir pra casa. Vamos.
- Olá. - Olá.
- Sim? - Rick?
Rick?
- É... - É, é o Rick.
Que bom que você ligou.
Penso na sua bundinha linda o tempo todo.
Quero beijar sua bundinha linda.
Vai, ande.
Abra a porta!
Me deixe em paz!
Saia dos meus sonhos.
Eu odeio você. Eu odeio você.
Odeio você!
Por favor, me deixe em paz.
Por favor...
Por favor...
Eu confiei em você.
Nós confiamos em você.
Não me sinto muito bem.
Também não estou me sentindo bem. Estou triste.
Você está tomando drogas.
Você furtou veículos de construção.
Quer fazer uma viagem?
Você recebeu dinheiro, gastou dinheiro, meu dinheiro, dinheiro do banco.
Você está ficando encrencada.
Vou mandar um relatório a você.
A avaliação, o departamento de preservação de monumentos está feliz.
Pergunte ao sr. Schinckel.
Eu não estou feliz.
A roda do moinho. Você está atrasada.
Primeiro, termine a roda.
Depois, você pode se mandar.
Sra. Goost?
A sra. Goost mora na cidade agora.
Vou levar a caminhonete. É do banco.
Voltarei em alguns dias pra te buscar.
Está pronta?
Ele mordeu até a morte.
Ele mordeu todos até a morte.
Olhem, estou machucado.
Contei tudo aos seus colegas.
Ele deve ter perdido controle do carro.
Ele estava dirigindo na minha direção, bateu em mim e depois na árvore.
Não sei quanto tempo fiquei deitado ali, inconsciente.
Depois, olhei dentro do carro e vi...
Ele quebrou o pescoço.
Estava sem cinto.
- O que está fazendo aqui? - O que aconteceu?
Vá pra casa, Karon. Já terminamos aqui.
Onde está a srta. Hellheim? Tem algo estranho aqui.
- Quem é? - Cai fora, Karon.
Você começa a trabalhar amanhã.
Onde está a srta. Hellheim?
- Cadê ela? - Como vou saber?
Ela se mandou, sumiu.
Tem algo errado aqui. Kuschak! Onde ela está?
Onde está a srta. Hellheim?
Tem algo errado aqui. Onde está a srta. Hellheim?
Quer saber onde está aquela vadia?
Você devia saber. Ela estava abrindo as pernas pra você!
Agora, caia fora, seu babaca!
Seu canalha.
Canalha!
Vou acabar com você, babaca!
Vou acabar com você! Vou te matar!
Acabou! Acabou, Karon.
Acabou tudo.
Seu fracassado!
Socorro!
Minha filha...
Nada de sonho.
E agora...
você pertence só a mim.
Dê-me vida.
A mim... A mim...
Pai.
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