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O meu período não veio.
- Olá. Posso entrar? - Olá.
- Estamos aqui. - Olá.
Que cena adorável. Cães à espera do almoço.
Descansaste?
Pobre de ti.
Que choque.
Um choque terrível.
Sinto muito.
Fazias ideia do que se passava com ele?
Qual é o mal?
Tu é que mandas.
Ela vem?
Querida?
Muito bem.
- Estás pronta? - Olá.
O pijama é bonito.
Não é um pijama.
É bonito na mesma.
- O que estão a fazer? - Parem com isso.
Querem ir dar um passeio. É isso que se passa.
Serve-te à vontade.
Espero que fiques por muito tempo.
O mais possível, querida.
Sem dúvida.
Queres?
Cresces, erva verde, por cima de mim,
com uma mistura de chuva e orvalho.
E se vos lembrardes,
e se vos esquecerdes.
Marland, já está.
Vem ter com a Julie, agora.
Ela vai explicar enquanto revemos o
Acho que vamos
Obrigado por teres vindo.
Trouxe o resto das coisas dele.
Estou a ler um livro,
um livro de Jack Pincher, e, sabes,
é sobre pessoas que tiveram vidas duplas.
Sabes, eu
Só espero encontrar uma referência sobre um amigo dele,
ou algo que me dê alguma esperança
de que estava envolvido no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Quero dizer, seria
Não consigo descobrir
ninguém com quem falar nos negócios estrangeiros.
Ele era
Não falava do trabalho dele connosco, pois não?
Sabes se estava preocupado com alguma coisa?
- Não? - Não.
O James teve de o identificar.
Não parecia nada ele. Eu
Custou-me muito a aceitar que era ele.
Há um pequeno presente para ti.
Está exatamente igual.
- Adeus. - Adeus.
- Olá. Julie? - Sim.
- Entre. - Obrigada.
Parece-me que ele era muito sombrio na sua natureza.
Aposto que tiveram mais desavenças
do que tiveram durante esse período. Vamos recuar seis meses.
Tinham tido mais desavenças.
Não necessariamente guerras, mas desavenças.
Nessa altura, quando ele estava com dificuldades,
estava a trabalhar num pensamento, um pensamento consciente,
que não sabia como avançar com a vida
nesta mentira que se tornara a sua vida.
Enquanto estou aqui a falar consigo,
a forma como lido com esta informação sem invadir a privacidade de ninguém
é perguntar-me o que sei sobre os seus últimos dias.
Como estava o humor dele?
Tinha motivos para continuar?
E tenho a sensação de que, no final, não tinha.
Ele queria parar o que se passava na vida dele.
Então, fê-lo. Desistiu da vida.
Ação!
Sim. É só um ensaio.
E um, dois, três, quatro, cinco, seis.
- Sim, há um - Graham.
Isso é um desafio.
Mas é só tentar ir ao encontro de uma personagem
que tem várias camadas.
Não tem a ver com a escuridão,
é sobre a sua razão de ser como é.
Também é um filme bastante político.
- Sim. - Certo.
Muito bem, eu
Espere um minuto.
- Só para ver uma coisa na câmara. - Tens de Estás a
- Sim. - A Julie está aqui.
Olá, Julie.
Continua. Não queria
- Desculpa. - Não faz mal.
É bom ver-te!
- É bom ver-te. - Ótimo!
Julie, é o Jim.
- Olá. Jim. - Olá. Julie.
- Prazer. - Já nos conhecemos.
A sério?
Em Knightsbridge.
Foi breve.
Lamento a sua perda.
- Obrigado. - Eu
Encontrei-me com o Anthony algumas vezes, tinha uma mente linda.
Tinha mesmo.
Julie, estás pronta?
Cuidado com os cabos. Está bem?
- Senta-te. - Obrigada.
- Um, dois, três, quatro. - Boa, vamos parar aí.
- Corta! - Corta!
Ótimo. Tranquem a
Muito bem, ótimo.
Vamos por partes agora.
Jim, não é linear.
Em termos de ação.
- Estou só a decorar as marcas. - Não tens de repetir.
E eu pareço um imbecil de merda.
Um minuto para repor a película.
Só um minuto, para repormos a película.
É possível reunirmos
mais meia dúzia de pessoas à volta deste monitor?
Muito bem, aguardem.
Cada plano que possamos usar, mesmo que não seja o mesmo,
desde que tenha a mesma emoção
Metam o playback.
Olha para ele.
Está bem, estou a voltar.
Cinco, seis, sete, oito.
Continuamos depois do ponto fixo.
E agora volta. Volta aqui.
Para trás, a direito. Certo.
Queria perguntar-te porque decidiste fazer um musical.
Olha para nós, à chuva.
Não preferias estar num estúdio, com ecrã panorâmico,
em vez de estar aqui,
numa merda de local típico de filmes ingleses feitos quando está a chuviscar.
É por isso.
Para mostrar vida aos miúdos.
Para usar a forma, o movimento, a música,
a montagem, em vez de
- É por isso. - Certo.
Diria que é um musical político?
Tudo é político. Tudo é político.
Ótimo. Terminámos.
Como pode ver, não é boa altura.
- Desculpe. - Pois.
Nós esperamos.
- O mal já está feito, diga. - São só cinco minutos.
Só lhe queria fazer umas perguntas sobre o Anthony e o trabalho dele.
É má altura.
Má altura. Podem ir embora.
- Lydia, podes - Obrigada por ter vindo.
Organize-lhe um memorial.
Também representa os homens negros como uma espécie de animais.
Depois vimos a miúda e, de repente, transformamo-nos em
Percebes? Em loucos. E ficamos
só obcecados com uma mulher. - Mas os brancos são iguais.
Não sei, para mim
Acho que é mais sobre a pergunta, e
Sim, e as cores do figurino.
- Parecem desenhos animados. - Sim.
Queres contribuir para o cinema, certo?
- Ser algo. - Acho que
Acho que ele está a contribuir para o cinema.
- Acho mesmo. - A contribuir com merdas.
Só contribui com isso, sejamos sinceros.
Adoro quando és assim.
- Estou só a ser sincero. - Eu também.
- Estou só a ser sincero. - Aquele toquezinho dissimulado.
Controlei-me durante todo o dia.
- Estava a rir-me, também me ri. - Sim?
Achei que os comentários foram bons,
mas eu
É um daqueles trabalhos em que temos de cuidar de nós.
É a prova de fogo, meu. É isso.
Julie, já viste o vídeo?
- Viste os rushes? - Sim, alguns.
- Sim? - O que achaste?
Tem bom aspeto.
É só uma questão de tempo. O Patrick trabalha muito.
É como todos os grandes.
Mas vocês não estão muito felizes.
- O quê? - Não estás muito contente.
Sim, dá para ver.
- É assim mesmo, não é? - É só o stresse.
É tipo
Ele tem uma ideia muito romântica daquilo que quer
sem ter nenhum
- Certo. - rumo a dar-lhe.
- Sim. - Sim, apercebemo-nos disso.
Mas vai cair-nos em cima.
Porque, obviamente, ele não consegue os planos que quer.
E quando estamos diante da câmara,
parece que somos sempre nós a fazer merda.
Especialmente com o Jim, Deus o abençoe.
Está sempre a chamá-lo, e
A afastá-lo, a conversar a sós com ele.
- Isso e - Dois minutos parados.
Percebes?
Olá.
Posso entrar?
Estava aqui por perto.
Estás bem?
Tens a certeza?
Para.
Estou com o período.
Não me importo.
Obrigado.
O quê?
- Está bem. - Temos tempo.
Temos tempo porque eu sou muito rápida!
És muito rápida.
- Sim, mais uma vez. - Pronto, cuidado.
Sim.
Vá lá, pessoal. Vamos.
- Quanto do carro - Vamos lá começar.
- Quanto do carro queres - Queres um sinal
no início? - Quero que seja
Não, eu sei. Como vocês
Notório. Perfeito.
Sim.
Ensaio, ensaio.
Não duvides de ti, não gosto disso.
Não deixarei que o faças!
Já te vi. Já vi do que és capaz.
Tens demasiada fé em mim.
- Digo sempre isto. - Mas
Não é baseado em algo falso.
É, sabes
És! Acho que tens
És brilhante, tens sempre ideias inteligentes.
Tens sempre uma perspetiva interessante das coisas.
Sim, mas não é
extraterrestre, lutador, sensual. - Certo. Não é.
Não é um filme futurista.
Sim, mas tem de ser assim?
- Tem de ser interessante? - Não, mas
Não tem de ser.
Mas tem de ser algo que as pessoas não vão esquecer
assim que passarem os créditos.
Certo, mas estás a preocupar-te com os outros.
Concentra-te no que queres. O que queres fazer para ti.
Se estiveres satisfeita
Mas tu sabes o que quero dizer.
Se estiveres satisfeita, se deres o teu melhor,
corre tudo bem. Mas se pensares:
"Espero que seja impactante.
Espero que seja tão bom como o filme da Garance."
Tu não precisas disso.
Se pensares apenas no que te faz feliz,
o que funciona para ti, o que te interessa,
acho que isso se vai notar.
Estás bem, querida?
- Quem és tu? - A Julie.
Senta-te.
Eu era namorada do Anthony Reeves.
Espera. Vou ver uma coisa.
A tua pele é muito suave.
És bonita.
O Anthony tem muito bom gosto. Ou melhor, tinha bom gosto.
Deu-me isto. Foi um presente dele.
Mas às vezes não funciona.
Às vezes tenho de pedir ajuda ao Stephen.
Posso usar o teu isqueiro?
Não.
Ele veio cá?
Antes de morrer?
- Quer dizer, nesse dia. - Porquê?
Não sei o que ele fez nesse período.
Porque fui embora,
e ele esteve sozinho durante uma tarde
e eu não sabia o que ele tinha feito.
Estou muito transtornada com o que aconteceu ao Anthony.
Quase me destruiu.
Ele era muito especial.
Sei como te sentes.
- Excelente, Lee. Obrigado. - Sem problema.
RAYNHAM, ESCOLA DE CINEMA E TELEVISÃO
Vou procurar a placa para trocar.
Há aquela para fazer e terminamos.
Isto vai ser provavelmente
a coisa mais importante que farás na escola de cinema.
Este é o teu projeto final.
E claro, trouxeste imensas imagens poderosas
e imagens do Sunderland, com a ideia de uma história.
E via-se uma interação com a vida,
com a vida das pessoas.
Apesar de ser disforme, ainda eras iniciante,
e sentimos que havia outras coisas
em ti, nessa altura,
que precisavam de se desenvolver.
Não consigo ligar isso a este guião
que tenho agora à minha frente.
Estas imagens,
estas personagens,
parecem não combinar contigo.
O que mudou? O que se passa?
O que aconteceu para criares este novo
Onde se meteu o outro mundo, o mundo do Sunderland?
Não quero mostrar a vida a desenrolar-se em tempo real.
Quero mostrar a vida como a imagino.
O cinema é isso.
O que estás a dizer à plateia com estas imagens?
É sobre uma relação num conto de fadas, numa fantasia.
Espero que muitas pessoas se identifiquem com isso,
à sua maneira.
Queremos encorajar a inovação,
a busca dos jovens cineastas pelas próprias vozes.
Mas também a prática profissional,
e olho para isto e não vejo nada
que se pareça com um guião profissional.
Posso saber o que considera um guião profissional?
Nem vou falar do laço vermelho.
Mas, nesta fase, podia ter um título. Embora pareçam preferir
ter um subtítulo, Art is Life.
Mas não há cabeçalhos das cenas.
Estamos a discutir a estrutura do guião como sendo uma razão?
A estrutura captura a precisão
com que estão a pensar no vosso projeto.
Não se percebe como estão a ajudar os colaboradores
a abrir caminho pelo conjunto de imagens que propuseram.
O que estão a tentar capturar.
A acho que a nossa preocupação mais premente
é que também há falta de precisão no vosso pensamento.
Quais são as intenções.
O que querem expressar e explorar aqui.
Desculpa, Julie, mas
se continuares a trabalhar neste filme, tal como o apresentaste agora,
receio que a escola não vos possa apoiar e não vos vá apoiar.
Assumo que haja um técnico
a lidar com as coisas do filme.
Não, nem por isso. Quer dizer
Temos despensas e pessoas a cuidar delas.
Não. Refiro-me à pessoa atrás da câmara.
É um perito, certo?
Não! Claro que não, são alunos.
- São todos alunos. - Todos?
Sim. Toda a equipa são alunos.
- E ninguém vos está a orientar? - Só eu. Sou a realizadora.
Não, não me refiro ao realizador. Ninguém te diz como fazê-lo?
Não.
Parece típico de uma escola de arte.
É melhor vires trabalhar um pouco na quinta.
Mas é emocionante.
Quero dizer, juntam-se e ajudam-se uns aos outros
em todos os vossos projetos, certo?
Vais ajudar outra pessoa com o filme dela, e
Bem, que emocionante.
O guião está feito?
E é sobre o quê?
Não quero falar mais sobre isso.
- Querido. - Só queremos entender.
Eu sei que querem, mas isso irrita-me bastante.
Ter de explicar mil vezes.
Não queremos ser irritantes.
- Só estamos interessados. - Não te irrites.
Seja como for, estamos ansiosos.
Não, obrigada. Não como açúcar.
- Deixaste de comer açúcar? - Sim.
Nunca pensei que isso acontecesse.
Não reparaste no açucareiro.
É o primeiro artefacto da mãe.
- Fizeste-o? - Estou muito orgulhosa.
- É muito bom. - Devias estar.
A parte de cima está torta. Não encaixa bem
Está fantástico.
Pegas etruscas antigas.
O que
És muito querido por dizer isso.
- Achei que - Não atrapalham um pouco?
- Ainda bem que reparaste. - Bem
Ainda não aprendi a fazer as pegas.
Está bem.
É muito rústico, mas foi a primeira tentativa.
Para um mês de trabalho, é
- Um mês? - um sucesso.
- Mais ou menos. - Não.
Quando começaste o curso?
Há um mês,
mas o açucareiro não demorou um mês.
Mas estou a adorar, devo dizer.
Adoro ir à faculdade,
e esta é a primeira de muitas coisas.
Vou encher esta casa de artefactos.
Como estava ele naquela sexta-feira?
Quero ouvir outra vez.
Bem, como te disse,
ele parecia particularmente feliz.
Ele
Ele fez-me uma chávena de chá.
E tomámos
um pequeno-almoço encantador juntos.
E foi à vida dele.
O que achaste dele, quando o conheceste?
Quando veio para cá?
Eu estava aberta a gostar dele porque tu gostavas.
Gostaste dele porque eu gostava?
Não, eu
Acabei por me afeiçoar a ele.
E o que sentiste quando ele morreu?
Estava muito preocupada contigo.
Não estou a falar de mim. O que sentiste?
Quando recebeste a chamada?
Senti através de ti.
És muito bom. Adorável.
Saíste-te muito bem.
Vamos.
Vamos.
Tens tudo?
- A mala está lá em cima. - Mala?
- Eu vou lá. - Obrigada. Está na entrada.
Não podes ficar mais uma noite?
- Desta vez, não. - Só mais uma.
- Na próxima vez. - Certo.
- Em breve? - Prometo.
Muito tempo, para descansares.
- Quero pedir-te uma coisa. - Diz.
Desculpa, mas preciso de mais dinheiro.
Para este filme, o projeto final.
- A sério? - Sim.
- Prometo que te pago. - É para o filme?
É para o filme. São dez mil libras.
Querida, isso é muito dinheiro.
- Eu levo isso. - Está pesada.
Eu sei.
- Adeus, querida. - Adeus.
Muito bem. Tu também.
- Adeus. - Aqui tens.
Adeus, querida.
- Espero que os preparativos corram bem. - Tem cuidado.
Obrigada, papá.
Até breve.
Liga-nos quando chegares.
Sempre.
Temos, tipo
dez. - Certo. Preciso
Ainda nem temos o elenco principal.
Eu sei. Isto é muito mais importante.
Lamento. É mais importante.
Temos de ter os dois, pelo menos. Vi algumas pessoas.
Quero dizer, algumas delas são muito diferentes.
Ele é demasiado bonito.
- Ele é demasiado elegante. - Sim, exato.
Não gosto muito destes dois.
Ia dizer que estes são demasiado
- Sim. - Este é giro.
Isto não São demasiado glamorosos.
Também achas?
Pode ser das fotos, mas concordo.
- Têm muita maquilhagem. - São muito sofisticados.
- Sim. - Concordo.
Gosto muito desta.
Não sei, o que te parece? Ela é meio
Tem algo frágil, mas ainda assim, um pouco nobre.
- Gosto muito disso. - Sim, sim.
Pomos a miúda no elenco, e o rapaz também.
A Julie disse que tratava disso.
Ela parece estar bem.
Preocupa-me um pouco, mas confia nela.
Vamos ver, sim? Está bem? Ótimo.
James, estás bem?
Talvez este, mas não gosto muito dele.
Não.
- Não. - Ainda bem que não gostas dele.
Chama-se Pete.
Vi-o há duas semanas, em palco.
É muito especial. Acho que
Se entendi bem o projeto, acho que devíamos escolhê-lo.
Ele tem algo indescritível.
Tens de o conhecer. Se puder ser
- Sim. - podemos vê-lo amanhã.
- Sim. Adoro. - Perfeito.
- E a rapariga? - Vou ligar ao agente dela.
- Tento falar com ela amanhã. - Perfeito! Fantástico.
- Ótimo! Brilhante. Obrigada. - De nada, obrigada.
o mais depressa possível.
Podemos esticar o orçamento para eu arranjar um editor ou
O orçamento não estica.
O orçamento mantém-se exatamente como está.
- E se for um caloiro? - Longe das janelas
e recuam. - Peço que se voluntarie.
Se te responsabilizares.
Porque pelo menos podia haver alguma luz ou assim.
- O que achas? - Vamos a isso.
Garance, posso falar contigo?
Sim, claro.
É só uma ideia que tive.
Não tens de responder já.
Mas eu
Ocorreu-me subitamente que podias
estar interessada no papel da rapariga.
- Queres ajuda? - Não é preciso.
- Estamos tão perto. - De certeza?
- Está bem. - Cuidado com os dedos dos pés.
Aonde vai ele com a tua cama?
É para o cenário.
- Para o filme? - Sim, exato.
Certo.
- Então, vai para a tua escola? - Sim.
- Bem - Sim.
Quando é isso?
Para a semana, começamos.
- Para a semana? - Sim.
Sim.
Está bem. Não pensei que fosse tão cedo.
Na próxima semana.
- Está tudo tratado? - Sim, mais ou menos.
Já tens o elenco?
Sim.
Sim, eu
Na verdade, queria falar contigo sobre isso.
Sabes que tenho ido a castings
e que não tem corrido bem. - Sim.
Também não têm corrido mal,
mas não estou a conseguir papéis.
Estás a dizer que já tens atores?
Sim, tenho duas pessoas
que são muito boas para os papéis.
Mas não tem nada que ver contigo. A questão é essa.
Então, não entro no filme?
Neste não.
- E foi tão - Está bem.
Sinceramente, eu
Isto não tem nada a ver com
És uma atriz fantástica.
Não tem a ver com as tuas capacidades.
É só que
A rapariga que tenho em mente, ela não é atriz.
- É realizadora. - Não é atriz?
Não.
Mas ela é realizadora, e eu queria algo assim,
para que possa acrescentar um pouco da sua experiência.
Está bem.
- Bem - Mas não tem
Não tem nada a ver contigo.
Pois, mas tem. Se não me estás a selecionar em algo, tem.
Não estou
Não vou levar isto a peito,
mas não digas que não é nada comigo.
O casting está relacionado com a pessoa.
Onde está o muro?
O muro estava, mas cessou de estar.
Foi o meu padrinho que ma deu.
Uma andorinha?
Olá.
- Olá, Pete. - Estás giro.
- Olá, pessoal. - Olá.
- Olá. - Estás ótimo!
- Obrigado. - Fica-te bem.
- Sinto-me confortável. - Sim?
Apresentamos-te ao diretor de fotografia?
- Ben, este é o Pete. - Claro.
- Olá, meu. - Prazer.
- Como estás? - Prazer.
- Aí. - Ali?
- Mais para cima. - Para cima?
Perfeito. Não, para.
Não te preocupes em estar firme,
mas também não estejas
demasiado documental. - Certo, não te preocupes.
Aquela música é tão estranha para mim.
Se ouvirmos um pouco
- Os sapatos são estes? - Sim.
Está bem.
Mas adoro a cor.
Gosto da cor.
Estou a tentar perceber.
Podemos inventar algo.
O ritmo é estranho.
Podemos fazer o que quisermos, certo?
Então, vamos
Sinto que a minha energia foi muito elevada, muito animada.
Sabes o que quero dizer?
Eu achei muito vivaz.
Fiquei muito feliz.
Portanto, é bastante preciso.
É muito bom. Mas tu és muito mais
Não, tu és perfeita. És perfeita. Não te preocupes.
Estamos prontos para a filmagem?
- Estamos prontos quando quiseres. - Sim.
Estou a olhar para isto e acho que é o ângulo errado
para o que quero.
Acho que, na verdade,
isso devia estar do outro lado da porta.
Não me parece correto
termos esta câmara a ver mais do que ela vê.
Não quero ver exatamente o que se passa,
na casa de banho, porque ela também não vê.
Sei que é uma coisa de última hora.
- Eu sei que - Estamos prontos.
- Estamos prontos para a cena. - Eu sei!
Queres a câmara aqui?
- Queres a câmara aqui? - Aqui, sim.
Com a porta fechada. Vemos a casa de banho?
Talvez aqui.
Aqui, porque ela vem aqui, tem de passar aqui.
Está bem.
Não queremos ver a casa de banho.
Talvez quando tu
Na verdade, não. Desculpa. Aqui.
- Desculpa. - Sim, obrigado.
Ele é bom a escondê-lo.
- Durante um ano? - Mas tu
Sim, durante um ano.
Durante um ano. Mas também tens suspeitas.
E não queres acreditar.
Isto não é fácil.
Não é algo fácil de aceitar sobre alguém que amamos.
Sabes?
- Percebes o que digo? - Não.
- Bem, é - É
Estás a dizer que ela não quer acreditar?
- Mas - Exato.
- Isso entendo. - Mas
Esta é apenas uma das vezes que vemos
Tens uma sensação,
quando dançam juntos, o tempo todo,
durante o dia, ao jantar,
o tempo todo, antes de começarem a dançar,
antes de vos vermos, sentes que ele está a pensar nisso,
que se questiona quando será a próxima vez que sairá sozinho
para fazer sabe-se lá o quê,
que não sabes bem o que se passa.
Porque lhe dou espaço e o respeito.
Há uma sensação de
Dás, mas ele também não permite mais nada.
Está bem.
Portanto, fazes tudo o que podes.
Nesta relação, ele tem o poder.
Sim, completamente.
Pode haver algumas batidas.
Sim, vamos descobrir isso.
- Está bem. - Algumas batidas.
- Já agora, parece-me bem, Ben. - Sim?
- Sim? Está bem. - Fica bem no monitor.
Bem, há muita parede.
Não sei o que consigo pôr aqui.
Vou ver se há alguma coisa no quarto.
Qual é o objetivo desta cena?
Porque se começarmos com isso
e disser: "Meu Deus, ele está a consumir heroína."
Então, temos de nos sentar
na casa de banho, começar a falar
Não falariam sobre isso.
Não me parece que se fale logo sobre isso.
Não queres diálogo?
A sério, não é esse o foco.
- Sinceramente, não - Julie, podemos trazer o elenco?
Para começarem a posicionar-se?
- Sim. - Sim.
- Sinceramente - Não posso vê-lo
e ficar calada.
Bem, eu fiz isso. Foi assim que aconteceu.
Não digas nada, eu não disse nada.
- Está bem. - Podemos ver as posições?
Alfie, por favor! Por favor.
Por favor, abre a
Eu quero ver-te.
- E corta. - Corta aí!
Corta aí.
- Tu estás zangada. - Certo.
- Estás irritada com ele. - Certo.
Como se fosse uma criança a ir-se embora.
Estás numa relação adulta e ele está a fugir.
Deparaste-te com alguma tristeza?
Sim, bastante.
Bastante, portanto
Não sei. Talvez seja por isso que ele
Parece que está a pedir ajuda. Por isso, vou
- Foi um péssimo almoço. - Correu bem.
- Sim? - É pesado.
- Pesado? - Só um bocadinho.
Sabes o que estamos a fazer?
Para de perguntar isso.
- Estou a brincar. - Sinto que sabes mais.
Nem por isso, sinceramente. Quanto mais nós
Olá.
Quanto mais
trabalhamos nisto, mais percebo que não sei nada.
Sinceramente.
Não compreendo
- A relação. - Sim, a origem da relação.
Sabes o que quero dizer?
Andas na escola com ela.
- Conhece-la bem. - Nem por isso.
Ela não aparecia muito.
- Na escola? - Sim.
Gosto dela porque é
muito sensível e acho que tem algo a dizer,
mas é demasiado ingénua, demasiado frágil.
Também acho que é preguiçosa. Ela não trabalha o suficiente.
Ela devia estar na escola.
Devia estar mais aberta à ideia
de que tem de aprender com os outros.
Isto foi
Na vida real, isto foi três dias antes da morte da tua personagem.
- Está bem. - Pode ser o teu último
momento de intimidade. Quero dizer, não é bem a intimidade.
Mas antes da intimidade.
Então, sentes um pouco de ressentimento.
Porque não sabes se ele consumiu ou não.
Pode estar a ressacar de algo.
E, depois, olho para o passado
Ele está um caos.
e percebo que, possivelmente, ele esteve sempre sob o efeito de algo,
a ressacar de algo. Prestes a consumir.
- Então - É também a isso
que me oponho. - Eu entendo.
Não estamos nessa onda.
E vocês os dois quase não estão presentes.
Como se sentiu ele com o facto de ela pagar tudo?
Como foi essa dinâmica?
Havia um elemento de vergonha?
Não estou a tentar
Não penses que quero justificar as ações dele.
- Não. - Estou só a tentar
justificar os problemas dele, na verdade.
Neste momento, sinto que não sei
quais são.
Neste momento ele roubou tudo e vendeu.
Sinto que isso
é um momento de desespero para ele.
Não sei como abordar isto, sabes?
É que, se alguém tivesse
Um amigo meu roubou dinheiro à mãe dele
e todos à sua volta pensavam
que ele era o pior ser humano do mundo, nessa altura.
Mas eu sabia que ele não estava bem.
Eu sabia que ele não estava
a agir normalmente, eu sabia disso.
Isto é muito difícil para ti?
- Estou a torná-lo mais doloroso? - Não, não.
Não, não estás. Não é doloroso.
Isto é bom.
Acho que é difícil
porque estou a lidar com a tua ideia dele
e não a sua realidade, o que é compreensível.
Mas
Torna muito mais difícil
abordar isto de uma forma genuína.
- Se é que me entendes. - Tudo bem?
Precisamos do Pedro aqui para decorar o cenário.
Qual é o plano?
Vamos só captar uma imagem simples dos dois.
E não podem andar por aí ou levantar-se.
O que se passa?
Estão só a conversar.
- É de noite, Julie? - Está bem.
Sim, desculpa. É muito tarde.
- De noite? - De noite.
- É por volta das dez ou onze. - É
Está bem.
- Talvez dez. - Estive aqui o dia todo.
- Tens de fechar a - Passaste o dia todo aqui.
Estiveste aqui enquanto a Garance estava na faculdade.
Certo.
- Então, estiveste aqui o dia todo. - Está bem.
- Então - Eles estão só a conversar
e é muito estático.
Estás pedrado?
- Provavelmente. - Por isso acho que, talvez
Sim. Isso é cansativo.
- Talvez aqui? - Vou despir o casaco.
- Sim? - Sim?
Quer dizer
Não era suposto ser noite. A iluminação não é noturna
Isto não é "noite".
Pois.
Noite tardia?
Sim, onze, dez.
- Eu sei. Desculpa, eu só - Sim, por favor.
- Pensei mesmo que tinha dito. - A sério? Aquilo foi
Vamos fazer com o que temos.
Se é assim, trabalharemos com isso.
- Temos de começar. - Vamos lá.
Podes começar
a posicionar-te. - É isso.
Esse é o problema, é o mesmo.
Não sei que dia é suposto ser.
Perdi a noção do tempo.
Nada muda.
É sempre a mesma coisa.
Nenhum de nós faz ideia do que se passa.
É completamente ridículo.
E o Marland tem-se queixado.
- Sinto-me confiante com isto. - Foi só um dia.
E o Marland tem-se queixado
sobre o que temos de aguentar.
- Como se - Já temos mais agora, está tudo bem.
Podemos só
- Não dá para continuar assim. - Acho que
Não dá, é tipo
Tu sabes
- Somos estudantes. - Sim.
- Somos estudantes, mas - Houve conversas
durante os preparativos. - Sim.
Sei que somos estudantes.
Ainda estamos a aprender.
Mas é o nosso projeto final. É mesmo muito importante.
- Claro. - E agora devíamos ser
mais profissionais. - Sim.
Podemos começar a implementar as mudanças necessárias?
- Para mudar as coisas. - Para quê?
Nem sabemos o que se passa.
Estou a antagonizar ou a defender?
Não, tu não Eu
- Estou a antagonizar? - Não.
- Não acho que esteja. - Estamos a lidar
Estamos a lidar com um grande ego.
Não sei qual é o problema dele.
Ele foi impossível o dia todo.
Vamos esquecer isto. Vamos esquecer isto.
Está tudo de pantanas. Não sabemos o que se passa.
É isso, mais do que qualquer coisa.
Então, podes
Podes ser mais específico sobre aquilo de que precisas de nós?
Especificamente.
- Especificamente? - Porque estás a dizer
que precisas que tudo seja claro. - Ter uma lista de planos seria bom.
Seguir o guião seria bom.
Ter alguma ordem todos os dias,
em vez das luzes mudarem a meio
porque de repente é de dia, mas depois já é de noite,
e depois é dia outra vez.
- Está bem, Ben. - É como se
Vamos resolver isso, está bem?
Já tivemos esta conversa tantas vezes!
Então, o que queres fazer?
- Queres ir embora? - Quero que alguém
- Que queres fazer? - Estou quase.
Estou bem perto de desistir.
- Boa. - Muito bem.
- Fá-lo, então. - Não digas isso, Marland.
Pessoal, tenham calma.
Ele não vai desistir.
É preciso aprenderes a receber críticas
e fazer com que as coisas resultem para todos.
És como um capitão num barco. É o que és.
Já trabalhámos juntos
e é por isso que queremos trabalhar com a Julie,
pela forma como trabalha.
Mas, desta vez, parece que não sabemos o que se passa.
Já falámos sobre isto,
e sinto que temos de o dizer agora
porque estamos a ficar cansados - Pronto, está tudo dito.
Mas não me estás a ouvir.
- Estou. - Não estás.
Não sei como explicar.
Queres que eu seja gentil e tal?
Estou a falar assim porque ninguém ouve!
- Estou tão cansada. - Estamos todos cansados.
Tem de haver outra forma.
- Compreendemos mesmo. - Temos de arranjar um sistema.
- É demasiado. - Sim.
Vamos resolver isto.
Têm razão, as coisas
- Percebes isso, Julie? - Tem sido demasiado.
Onde está a minha menina alegre?
Podes guardar isto, querida?
Não quero que fiquem com a ideia errada.
Não, já bebeste que chegue.
Merda!
Desculpa!
Lamento muito.
Que merda.
O que aconteceu?
É o açucareiro etrusco?
Que pena.
- Vandalizado? - Desculpa, mamã.
Eu não
Não te preocupes, acontece.
- Foi sem querer. - Desculpa.
- Lamento muito. - Não faz mal.
- Acontece. - Desculpa.
Podes levá-los para fora?
- Há pedaços afiados. - Podíamos
- Vá lá, vamos. - Mesmo afiados.
- Lamento muito. - Sim.
Levas os cães? Não quero que se magoem.
Não, está tudo bem.
Vamos.
- Meu Deus. - É algo que acontece, não é?
- Cortaste-te? - Só um bocadinho.
Lamento muito.
Desculpa, o teu dedo está bem?
- Vou buscar - Há coisas piores na vida.
uma pá e uma vassoura.
E colocar a chaleira ao lume.
Não te preocupes. Ela faz outro.
Não te aproximes daqui, por favor.
- Ela pisou algo? - Não, não.
- Não mesmo. - Ótimo.
Mais alguém quer bolo?
Não, obrigada.
Encontrei vestígios desse na cozinha.
Estamos a fazer um trabalho rápido com o bolo.
- Parece estar a resultar. - E muito bem.
- É da loja. - Fizeste-o?
- Não, eu - Acho que
O da Sra. Daley é bom, não é?
Lamento muito.
Lamento muito.
Enquanto o coração acelerado de Horatio para lentamente
e a adrenalina de boas-vindas se lhe drenou das veias,
tomou consciência da formação de frases
sob a forma de clarões e fragmentos de visão da situação,
que só poderiam ser do seu eu futuro
cujo destino foi muito diferente deste início pouco promissor.
- Experimentei isto hoje de manhã. - Estou a ver.
É muito melhor.
Gostava de ti como cowboy robô no Westworld.
Já como editor de filmes, não tanto.
Mas gostaste?
- Que achas? - Gostei.
O que pensaste?
É entusiasmante. Gosto do que vejo.
Certo.
- Quem me dera que fosse o meu filme. - Certo.
Maravilhosamente genérico.
Quer dizer
Acho que precisamos de mais detalhes das caras.
Talvez ver algumas das caras como
Pedi mais dois dias.
Lydia, podemos ter mais dois dias para filmar close ups?
- Não. - Não podemos incluir isso.
Está bem.
Não podemos incluir planos que não temos.
Não.
O que achas? O que te faz sentir?
Está bem.
Está a obrigar-me a fazer birra.
É entusiasmante.
- Já disseste isso. - É uma boa opinião.
Sim. Uma vez é suficiente.
É tudo o que tem de ser.
Devíamos pôr recortes. É o que devíamos fazer.
Recortes da audiência à frente do monitor.
- É o que o Scorsese faz. - Está bem.
Para se lembrar de que é cinema.
- É cinema, sim. - E não algo
que vês durante a semana com o teu tio. -Está bem.
Eu acho que está fantástico.
- Vai à merda! - Tem energia.
- Diz o que pensas. - Tem mesmo.
Não digas coisas que podem ser ditas de outra coisa qualquer.
"Está ótimo. É entusiasmante."
- Diz algo específico. - Certo.
Para decidirmos que sentimento deve invocar a cena seguinte.
- Está bem. - Para termos
uma continuidade emocional através de algo.
Acho que começa muito bem, mas é um pouco monótono
no meio, emocionalmente. - Estarei eu
O que te faz sentir?
Vão-se foder. Sinceramente.
Que porra!
- Desculpa. - Eu adorei.
- Gostei muito. - Está fantástico.
Ele não sabe o que diz. Ele está stressado.
Sim.
Bêbedo, talvez.
Vamos ver outra vez.
Vou deixar-te. Adeus.
Não sei se tenho que chegue
da Garance sozinha.
Quem me dera ter tido algumas cenas individuais.
- Aqui? - Sim.
Mudaria isso, porque é só
Aparecem demasiado os dois.
Gostava que houvesse um momento só para ela.
- Tens esta cena. - Não é bem
- Sim. - Pois.
É um bom plano. Acho que vamos conseguir algo.
Por favor?
Dá para ver que tinham química.
O Pete e a Garance.
Tinham mesmo.
Dá para ver nos olhos dela.
Acho que encaixa bem.
Eles trabalham bem em conjunto.
Sim, muito bem, acho eu.
Gostavam muito um do outro. Acho que foi
Foi muito bom para as personagens.
Embora haja um clima
muito diferente entre os dois.
Podemos sempre ajustar as coisas.
Sim.
Acho que é perfeitamente normal chegar à edição,
ver os rushes pela primeira vez e sentires-te hesitante.
Deve ser muito estranho ter uma ideia de algo
e depois vê-lo pela primeira vez.
Isso é completamente normal,
mas à medida que vamos vendo, juntando as peças,
brincando com os momentos, vamos encontrando o que querias.
Está bem. Ótimo. Obrigada.
Precisava de ouvir isso.
- Vai correr bem. - É estranho.
Ótimo. Sim.
- Queres ver mais? - Sim. Vamos fazer isso.
- Obrigada. - De nada.
- Saúde. - Saúde. Obrigada.
Eras próxima dos pais dele?
Falaste muito com eles desde então,
ou conheceste-os bem quando estavas com ele?
Fiquei a conhecê-los bem.
E não sei se
Não sei se estou mesmo ocupada, ou se estou a arranjar desculpas.
Porque
Sinto que, quando os vejo e falo com eles,
sinto que estou
"Invadir" não é a palavra certa, mas
Perderam o seu único filho.
E eu
Eu fiz o luto de uma forma tão diferente da deles.
E sinto que já não pertenço lá.
É curioso,
mas sinto-me muito mal por não ter falado mais com eles.
É óbvio que nunca passei pelo que tu passaste,
mas tenho a certeza de que, do ponto de vista dos pais,
eles estavam obviamente a lidar com uma perda inimaginável
e um acontecimento trágico,
mas isso não significa que não estejas também.
E de certeza que estão solidários com isso.
E, sabes, acho que não devias julgar-te
de uma forma destrutiva e negativa.
Do meu ponto de vista, daquilo que disseste,
não devias fazer isso.
Obrigada.
E estás a fazer este filme na escola,
não sei se eles sabem,
mas de certeza que a tua família já sabe.
É uma coisa corajosa de se fazer.
Sim, acho que não podes
Aquilo por que passaste, em qualquer fase da vida,
é algo inimaginável.
Passar por isso tão jovem
Não acho que tenhas de te julgar.
Não é justo para ti.
Queres outra bebida?
Não, estou bem, obrigada.
Queres ir beber um copo lá a casa?
Se tiveres tempo.
Hoje à noite?
Eu
Na verdade, disse ao meu namorado que ia ter com ele.
Então, hoje não posso.
Está bem. Sim.
Eu compreendo.
- Desculpa, percebi mal. - Não tem problema.
Eu prometi-lhe que cozinhava algo.
Ele não tem estado muito bem
há algum tempo, por isso
- Desculpa. - Não faz mal.
Eu disse que lhe fazia o jantar.
Então, devia fazê-lo.
É muito querido da tua parte.
Bem, ainda não o fiz.
- Exato, talvez devesses - Sim, tenho de ir.
- Está bem? - Sim, claro.
- De certeza? - Completamente.
- Muito bem. - Vemo-nos em breve.
Muito obrigada.
- De nada. - Muito obrigada.
Muito obrigada. Obrigada.
- Boa sorte. - Obrigado.
- Divirtam-se. - Tu também.
- Até amanhã. - Até amanhã.
Estou?
Olá, Barbara. Está bem? O que se passa?
Está no hospital?
Ou em casa?
Não, obrigada por ligar.
Ele consegue falar?
Quer que eu vá, Barbara?
Quer que vá ter consigo?
Sim, claro.
Obrigada por ter ligado.
Não, de todo.
Lamento muito.
Adeus.
Até breve.
Não consigo perceber bem
se tenho saudades do Anthony como um todo,
pela pessoa muito forte que ele era,
o que continua muito presente na minha mente.
Ou se sinto a falta
de ter um companheiro, ter aquela intimidade.
Uma espécie de líder misterioso
que toma decisões por mim,
me leva a sítios.
Que a ajuda a correr riscos.
Mas riscos controlados.
Controlados por ele.
Continue.
Sinto falta de ter essa intimidade com alguém.
Não sei se estou pronta para ter isso com outra pessoa.
Porque quero mesmo muito.
Quero muito poder
estar perto de alguém na cama,
e falar com alguém com quem não estudo.
Alguém para além dos meus pais, ou os pais do Anthony.
É a única que pode fazer com que isso aconteça, sabe disso?
Acha que tenho de mudar?
Não vai mudar a sua personalidade, mas tem de mudar alguns hábitos.
Não só de pensar, mas de ser.
Fê-lo na escola de cinema.
E, na escola de cinema, conseguiu conhecer pessoas.
Agora, a sua tarefa
Não é bem uma tarefa. Ou até é.
É um ser humano com uma vida para viver. É a sua tarefa.
Passo, dois, três, quatro.
Patrick.
Olá. Como estás?
Estou mediano.
- E tu? - Bastante mediana também.
- Ótimo. - Sim.
Que tal o teu filme?
Já não lhe chamo isso. Fui convidado a abandonar a produção.
Então
Podia ter feito o filme deles.
Mas eu queria fazer o meu filme.
Portanto, foi uma decisão fácil.
Lamento muito.
Eu sempre quis ser como o Orson Welles.
- Eu e a Lydia voltámos a namorar. - Boa.
- Ótimo, fico contente. - Eu pu-la de castigo.
Perdeu essa batalha.
Mas ainda está na produção.
- Certo. - Então, talvez esteja a ganhar a guerra.
- Como está o teu memorial? - Neste momento, terminado.
Está editado, está feito.
Estou só à espera de me formar. Vamos ver.
Evitaste a tentação de ser óbvia?
- Acho que sim. - É a única coisa que ambicionamos, não é?
Achas que ele trabalhava nos Negócios Estrangeiros?
No final de contas?
O Anthony era um drogado.
Certo.
- Está bem. - Para diante.
- O meu caminho é por ali. - Vou por aqui.
Boa escolha.
- Até breve. - Boa decisão.
Julie, por favor, vem ter comigo.
A Julie Harte.
É uma grande alegria ter-te aqui.
Quebraste algumas regras
e foi uma longa viagem.
Mas enfrentaste-a com coragem e determinação.
Houve uma altura em que eu,
o Jonathan, o Steven, em que pensámos que não te veríamos aqui, a formares-te.
Mas todos nos orgulhamos de ti.
E é um prazer enorme ver-te a terminar o curso,
tenho a certeza de que gostarias de dizer algumas palavras.
Obrigada.
Este filme é dedicado a amigos ausentes
que não podem estar cá.
E se pudéssemos todos erguer um copo imaginário de champanhe
a estes amigos ausentes
É uma prenda para alguém que conheci e amei muito.
É isso. Obrigada.
RFTS APRESENTA
UM FILME DE JULIE HARTE
Gostas dela?
Amo-a.
Acabou de receber notícias do seu amado
e está a gravar as iniciais dele na árvore.
Estás perdida.
E estarás sempre perdida.
Eles são mais reais do que nós?
Consumiste hoje?
Não mintas!
- Não acredito em ti. - Dás-me umas libras?
- Mamã. - Tens dez?
- Dá-me dez. - Emprestas-me dinheiro?
Mais dinheiro?
Umas centenas de libras.
Se não queres saber, não perguntes.
- Desiree. - Como se chamam?
Miriam.
Caroline.
- És um cavalo negro, Julie. - E Angela.
Angela!
Se não queres saber
Quero saber, quero mesmo saber.
Para de te torturar. Para de me convidar a torturar-te.
Por favor, vai-te embora.
Ainda me amas?
- O que achas de - Depende.
Eu adoraria.
Tiveram mais desavenças?
- Desentendimentos? - Tiveram mais desavenças?
Ele estava em apuros, não sabia como agir nesta fraude.
Desculpa. Desculpa.
Achas que isso te torna especial?
Que triste que é
estares por tua conta.
- Uma dor abrasadora. - Para que é tudo isto?
Não tinha motivo para continuar.
Parabéns a você.
Parabéns a você.
Parabéns, querida Julie.
Parabéns
- O Anthony era um drogado. - Estou muito apaixonado.
- És um ser humano com a vida para viver. - Para diante.
Eu conseguia ver, uma espécie de clarividência.
És tu quem tem o poder.
Emprestas-me umas libras?
Tens dez? Dá-me dez.
Julie.
E renasci.
Estás perdida e sempre estarás.
E renasci.
Estamos um pouco mais atrasados do que achávamos.
- Há uma greve detestável no metro. - Snowy!
- Que inconveniência. - Claro, a greve.
E apanhaste um táxi ou quê?
Olha!
- Vês? - Estou a ver.
- Tentei explicar-te. - Estou a ver.
- Agora compreendo. - Foi difícil.
Desculpa, estava com pressa.
- E dobram. - É uma grande melhoria, querida.
Estou a ver.
- E dobram. - Exato.
Fizeram um ótimo trabalho.
Nem reparei que dobravam.
- É maravilhoso! - Mesmo.
Com o bónus de te livrares daquele espelho
que não nos deixava parar de olhar para nós mesmos.
- Olha. - Queres chá?
Adoraria. Frutos do jardim.
- Olha, querida. - Sim?
- Põe-nas em água. - Obrigada, mamã.
- Obrigada. - Sim, adorava um chá.
Não é uma coisa extraordinária,
apanhar um táxi em King's Cross na hora de ponta.
Mas encontrar alguém
que aceitasse um animal selvagem foi desafiante.
Muito obrigada.
Encontrámos um homem tão encantador.
Na verdade, vou à casa de banho, se não te importares.
Perfumei-me com o aroma celestial que tens no lavatório.
- É o Bluebell do Penhaligan? - Sim.
Absolutamente glorioso.
- Vamos, sobe lá. - Deixa-me cheirar.
Glorioso, não é?
- Isto é para ti. - O que é?
- Não consigo ver. - Uma parte do dinheiro.
- Minha querida! A sério? - Sim.
Não precisas dele?
- Eu posso esperar. - Esperaste o suficiente.
Sei que me vais pagar, posso esperar se
Não tem problema.
Já estava na hora.
Se não pudesse, não te pagava.
- Bem. - Está tudo bem.
Muito obrigada. Muito bem.
- Obrigada. - É um prazer negociar consigo.
Onde está o meu chá?
Mamã, porque continuas a fumar?
É horrível.
Eu sei.
- E tu achas - Eu sei.
Bem, é
O que acha o papá disso?
O pai finge não saber.
É uma das qualidades que mais gosto nele.
É uma pessoa verdadeiramente carinhosa.
- Deve amar-te muito. - Acho que sim.
Snowy.
- O teu cabelo está tão comprido. - Sim, eu sei.
Fica adorável.
- Gostas? - Sim.
- Ótimo. - Gosto mesmo.
Eu também gosto.
Está muito parecido ao da minha mãe.
Ela usava o cabelo assim.
O cabelo dela era mais escuro do que o meu.
Sim, mas usava-o num puxo assim.
E era sempre tão empolgante quando o desfazia, à noite.
- Quando dava para ver. - Viste alguma vez?
Sim.
Estão a tratar de si? Não?
Está bem. Queres que nós
Está bem.
A Anna sabe?
Ela move-se com câmara? Ou apenas
Acho que vamos tentar um estático,
ela vira-se assim - Mantém a linha de visão.
E estava a pensar em fazermos um dela sozinha.
- Depois pode mover-se. - Certo.
Terá mais movimento com a guitarra.
Não quero que esbarre contra ninguém.
A Anna está a chegar, Julie.
Olá.
Estás linda.
Outra coisa, tem cuidado com os saltos,
não queremos que caias.
- Então, queria-la - Mesmo no centro.
E vais levantar-te, sim,
e a plataforma irá rodar muito devagar.
Certo.
Se vires que vais cair, levanta a mão e paramos.
Combinado.
Mas acho que te vais virar com ela.
E sempre
Vamos fazer isto girar.
Quando estiver pronto, filmamos.
Marca. Depois vamos ao playback.
Contagem de oito e é isso.
Perceberam todos?
Sim? Boa.
- Ótimo. - Deixa-me
- Não, continua. - Tens a certeza?
- Sim? - Sim.
- Está tudo bem. - Muito bem.
- Certo. - Muito bem, aguardem.
Todos calados.
Pronto, o James vai Vamos pô-la a girar, por favor.
Vamos lá, silêncio. Vamos aguardar.
- Vamos gravar. - A virar.
- A câmara está a gravar. - E claquete.
Um um.
Saiam do enquadramento, por favor.
Ajuste e playback!
Meu Deus, quero ir para casa.
Mas quero ficar lá fora.
É uma coisa dos diabos,
fazer algo que se deseja.
Espero junto ao telefone,
a tocar no corredor.
E escrevo em giz
na parede de esqueletos.
Só há isto?
Só há isto?
Sabe os temas que quer explorar?
É algo que tem mesmo definido?
- Não, não é. - Não é.
- Espero - Pelo menos é sincera.
Espero
Espero ter mais. Espero ter algo a dizer aos trinta,
quando lá chegar.
Espero ter algo para dizer.
Será que se sente quase como um hamster
a armazenar experiência? - Estou a armazenar, sim.
Estou a reunir experiência e informação.
- Estou a reunir todas - Muito bem.
todas essas coisas.
Para descobrir o que fazer com elas.
Ao amanhecer, estavam em solo comunista a colocar símbolos de paz.
Milhares deles a olhar para leste
e a gritar: "Abaixo o muro."
No topo, os berlinenses, que ainda não tinham nascido
quando o muro foi construído, lideraram o canto da multidão.
Hans Yanke tinha 14 anos quando foi construído.
Disse que hoje mudou tudo.
Achava que o muro nunca cairia.
- O que está a pensar agora? - O muro irá ruir.
Olá! Muito bem!
- Parabéns! Como está a correr? - Obrigada.
- Estás bem? - Estou tão bem.
- Já estás tão bêbedo! - Já pareces mais velha.
Não, estás incrível. Tenho uma coisa para ti.
- Ponho cima da mesa? - Sim, muito obrigada.
Feliz aniversário.
És a única pessoa que quero aqui.
- Porra, o meu brinco. - Desculpa.
- Já agora, belo vestido. - Obrigada, querido.
Trabalho muito com a Federação Fiscal Antipoluição.
Está bem.
Falo com as pessoas sobre isso tudo.
Já ouvi falar disso na França.
Sim.
- Vinho. - Tens um tinto?
Tenho, sim.
- Boa. - Este.
Deem-lhe um cigarro.
Espera, não quero
Isso seria fantástico.
Sim.
Tenho imensas fotos com esta barriga grande.
Sim!
Estás a fazer-me mil perguntas.
- Acabei de a conhecer. - Foi?
Pensava que estavam juntos.
Há quatro meses, mas essas perguntas são intensas.
Não consigo evitar, meu. Exagerei?
Não faz mal.
- Não fui eu que fiz. - Compraste-o?
- Então, quem foi? - Não fui eu.
Eu não trouxe isso, só o vi lá fora.
- Achei que fosse da festa. - Tu
O quê? Encontraste-o na rua?
- Como assim? - Não, não.
Estava à porta.
Isso é de loucos.
Não é verdade, pois não? É uma piada.
Estava lá fora, à porta.
- Estás a brincar. - Sim, fui eu.
- Fui eu. - Já estava assustada.
Já comi metade.
- Fui eu, mas veio de uma lata. - Parece delicioso.
Podes ir para ali?
- Vai buscar o bebé. - Está alguém escondido.
Vamos lá.
Isto vai ser bom.
- Meu Deus. - O que se passa?
Digam todos: "30!"
- Trinta! - Trinta!
Muito bem, é isso mesmo.
- Aqui está. - Está ótimo!
O que vamos comer?
Estás à espera de alguém?
Como assim?
Talvez um jovem cavalheiro.
Um jovem Não.
- Claro que não. - Não?
- Não estás com ninguém? - Sou só eu.
- Boa. - Estou muito feliz.
Ótimo. À tua, amiga.
Assim é que é, anda cá.
- Adoro-te. Obrigada. - Adoro-te.
Corta!
Ripadas por: n0Te
Legendas: Sofia Espada
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