Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bihari
Bosnian
Breton
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Polish
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Sundanese
Swahili
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Muitos anos depois,
diante do pelotão de fuzilamento…
o Coronel Aureliano Buendía
havia de recordar aquela tarde remota…
em que seu pai o levou para conhecer o gelo.
CEM ANOS DE SOLIDÃO
José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán eram primos.
Cresceram juntos na antiga aldeia
que seus antepassados transformaram em um dos melhores povoados da província.
José Arcadio Buendía, deixe a pobre Úrsula respirar.
Só mais um pouco!
Vamos comemorar! A festa é de vocês.
- Vamos, rapaz! - Vamos!
Embora o casamento deles fosse previsível,
quando expressaram seu desejo de se casar, seus parentes tentaram impedir.
Tinham medo de que os resultados dessas duas raças,
que se cruzaram ao longo dos séculos,
sofressem a vergonha de gerar iguanas.
Teriam sido felizes, se a mãe de Úrsula não a tivesse aterrorizado
com todos os tipos de previsões sinistras sobre seus filhos.
Ei! Vem!
O que é isso?
Minha mãe me deu.
Não acredito que ela ainda te atormenta com superstições,
nem que você a escuta.
Isso não é superstição. Ela me disse algo horrível.
O que seria mais horrível do que isso que está usando?
Parir um monstro.
Uns primos dela se casaram e tiveram um filho.
Ele nasceu com uma malformação que só lhe trouxe vergonha.
Que malformação?
Um rabo de porco.
Um intestino enrolado com uma ponta peluda.
Por que ela inventaria isso?
O coitado sangrou até a morte
depois de cortarem o rabo dele com um cutelo.
Não me importo de ter porquinhos,
desde que possam falar.
Eu me importo.
Não vou parir porcos!
Durante o dia, ele cuidava de seus galos de briga,
e ela bordava.
À noite, lutavam por várias horas com uma ansiosa violência
que parecia ser um substituto para o ato de amor.
José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán viveram assim por vários meses.
Achei que não viria.
Apostei muito no seu galo. Ele está pronto?
Eu o trouxe porque ele está pronto.
Magnífico, quais são as chances?
José, eles têm fé em você, como sempre.
Chegou, Buendía!
Você esperou tanto para me enfrentar, só para ser derrotado hoje.
Incrível!
Prepare a canja de galinha, porque ele vai morrer.
Ouviu?
Vamos!
Vamos!
Bica!
Mata!
Bica!
Bica! Mata!
Mata!
Vamos!
Bica!
Vamos, porra! Bica!
Isso! Mata!
Vamos!
Vamos! Levanta!
Meu galo!
Meu galo!
Vamos.
Compadre, a vida é assim.
Você tem um bom animal.
Parabéns.
Vem cá, coisa linda.
Buendía!
Talvez o seu galo
dê conta da sua esposa.
Vá para casa e pegue uma arma, porque vou te matar.
Ele ficou bravo.
Ele ficou bravo.
O que é isso?
- Estava ótimo. - Verdade.
José Arcadio.
José Arcadio!
Se você tiver iguanas, criaremos iguanas.
Mas não haverá mais mortes neste povoado por nossa causa.
Como principais autoridades deste povoado,
o prefeito e eu chegamos à conclusão
de que a morte lamentável do Sr. Prudencio Aguilar
foi resultado de um duelo de honra legítimo.
Portanto, o jovem José Arcadio Buendía, homem de bem,
foi considerado inocente.
- Não! - Não é justo!
É injusto!
Chega! Respeitem a lei!
Bom trabalho. Obrigado.
Um pouco de bebida e você vai esquecer tudo isso.
O que está fazendo aqui?
Você sabe que procurou isso.
Vá à merda.
Enquanto continuar voltando, vou continuar te matando.
José Arcadio Buendía não ousou arremessar sua lança,
e Prudencio Aguilar não foi embora.
Nunca mais tiveram paz.
Foram atormentados pela imensa desolação
com que o morto olhou para eles naquela noite…
a profunda saudade com a qual ansiavam os vivos…
a ansiedade com a qual rondava a casa,
buscando água para molhar a atadura de esparto.
Úrsula ficou tão emocionada ao ver o morto abrindo os potes
que colocou jarros de água por toda a casa.
O que preciso fazer para você ir embora?
Tudo bem, Prudencio.
Vamos para o mais longe possível desta cidade
e nunca mais voltaremos.
Para onde iremos?
Encontraremos o mar além das montanhas.
Que absurdo. Ninguém jamais fez essa viagem.
Por isso mesmo.
Encontraremos um lugar
onde não teremos que carregar o medo dos nossos antepassados,
onde poderemos nos amar em paz…
e ter uma família.
O mar.
O mar.
Obrigada, pai.
Adeus, mãe.
Úrsula…
não importa aonde vá…
você nunca escapará do seu destino.
Cuidem-se.
Vamos, compadre.
Foi assim que cruzaram as serras.
Vários amigos de José Arcadio Buendía, jovens como ele,
animados com a aventura,
desmontaram suas casas e fizeram as malas, com suas esposas e filhos,
para ir até a terra que não fora prometida.
Perigo.
O Enforcado vê o mundo de forma diferente.
Ela leu as cartas para você?
Já faz um tempo.
Obrigada.
Faça força.
Mais uma vez! Força!
Com força! Lá vem ele!
Com o estômago estragado pela carne de macaco e sopa de cobra,
Úrsula deu à luz um filho que era todo humano,
com a ajuda de Pilar Ternera.
Vamos!
Calma. Calma, rapaz!
Parem-no!
Vamos, Geri.
Não se preocupe, Gerineldo. Estamos perto do mar agora.
Em uma manhã, depois de quase dois anos de travessia,
se tornaram os primeiros mortais a verem a vertente ocidental da serra.
Do cume nublado, contemplaram a imensa extensão aquática do pântano,
que se espalhava até o outro lado do mundo.
Mas eles nunca viram o mar.
- Onde diabos está o mar? - Ei! Pare!
Gerineldo, calma!
Deve estar depois do pântano.
Ei!
Parem, por favor!
Parem!
Estamos andando em círculos.
Ele não faz ideia de onde estamos.
Precisamos achar um caminho por terra.
Numa tarde,
depois de perambular por vários meses pelos pântanos,
acamparam nas margens de um rio pedregoso
cujas águas pareciam uma enxurrada de vidro congelado.
O pântano tem que acabar em algum lugar.
Temos que achar um caminho para o outro lado e chegar ao mar.
José Arcadio Buendía,
precisa sair da sua cabeça, agora.
Viu como está seu povo?
Naquela noite, José Arcadio Buendía sonhou
que ali se ergueria uma cidade barulhenta
com casas de paredes de espelho.
Ele perguntou que cidade era,
e responderam com um nome que ele nunca tinha ouvido falar,
que não tinha nenhum significado,
mas que teve um eco sobrenatural em seu sonho.
Macondo.
Vamos.
Vamos.
Gerineldo.
Sei que não encontramos o mar
nem um lugar para morar,
mas é ridículo continuar procurando.
Todos são livres para escolher seu próprio caminho,
mas vamos ficar aqui.
Vamos construir esse lugar sonhado.
O lar dos nossos filhos.
Onde ninguém pode decidir pelos outros, nem mesmo como morrerão.
E esse lugar…
será chamado de Macondo.
José Arcadio, por que está nu? Volte para casa.
Macondo era uma aldeia de 20 casas de barro e junco,
construída à margem de um rio de águas claras
que corria ao longo de um leito de pedras polidas,
brancas e enormes, como ovos pré-históricos.
- Oi, papai! - Meu filho!
O mundo era tão recente que muitas coisas não tinham nome,
e para mencioná-las era preciso apontar.
José Arcadio!
Meu filho, dê esses corozos para sua mãe fazer um suco gostoso.
Obrigado.
José Arcadio Buendía organizou a posição das casas de tal forma
que de cada uma podia-se ir ao rio
e trazer água com o mesmo esforço.
Ele traçou as ruas com tanto bom senso
que nenhuma casa recebia mais sol na hora do calor.
- Oi, mamãe. - Nu de novo?
Não tem vergonha?
E esses corozos?
Quer um suco?
Certo. Vamos.
Veja!
É lindo!
- Onde ele vai morar? - Vamos.
O passarinho vai morar aqui.
Nos anos seguintes,
José Arcadio Buendía encheu com turpiais, canários,
azulões e soldadinhos, não só sua própria casa,
mas as de todos da aldeia.
O concerto de tantos pássaros diferentes era tão desorientador
que Úrsula tapava os ouvidos com cera
para não perder o senso de realidade.
Ponha ali.
Úrsula!
Uma cama.
É confortável.
Vamos provar.
Agora?
O que foi isso?
Quem é você?
Meu nome é Melquíades.
E esta é minha família.
Nossa feira vem de longe.
Como nos acharam?
Os pássaros.
Estávamos viajando pelo pântano
e fomos atraídos pelo canto poderoso deles.
É um prazer.
Sou José Arcadio Buendía,
e Macondo é o nome deste povoado.
Senhoras e senhores, trouxemos para estas terras distantes
a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedônia.
Todos que desejam testemunhar esta invenção extraordinária
venham comigo, por favor.
Hoje verão as coisas ganharem vida.
É só uma questão de despertar suas almas.
É bruxaria!
Senhora, não.
É ciência.
E se quiser ver mais,
são todos bem-vindos à nossa feira.
José Arcadio Buendía,
cuja imaginação desenfreada
sempre ia além do engenho da natureza, dos milagres e da magia,
achou ser possível usar aquela invenção inútil
para extrair ouro da terra.
Você não vai levar.
Mas essas coisas atraem os metais!
E precisamos de cabras para viver.
Mas poderíamos estar cheios de ouro.
De que serve ouro nesta cidade?
Amor, Macondo não vai ficar assim para sempre.
Precisamos pensar no futuro.
Não posso vender os ímãs para o que você planeja.
Sua lógica faz sentido.
mas, paradoxalmente, metais preciosos não são atraídos por eles.
Pode não funcionar com pequenas quantidades,
mas sei que vai funcionar para desenterrar rochas grandes
ou tesouros inteiros.
Eu posso pagar.
Não posso vendê-los para isso, acredite.
Perderia seu investimento.
Me deixe comprovar.
Você não tem nada a perder.
Está bem.
Gosto do seu entusiasmo.
Gerineldo, o que está fazendo?
Já tentamos aqui. Olhe ali.
Por que não disse antes?
Isso é óbvio. Você é um idiota.
Eu vou para lá.
Tudo bem. Volte ao trabalho.
Venham cá!
Tem que ser algo grande.
Um morto.
A única coisa que conseguimos encontrar depois de uma semana foi um morto.
Cadê a mina de ouro que você ia desenterrar?
Traga as cabras de volta.
Não são mais nossas.
Se não falar com aquele cigano enganador, eu vou.
Não podemos dar nossos animais.
Muito menos agora.
Muito menos agora?
Estou grávida.
Que notícia maravilhosa!
Minha mulher nem as quer na casa.
Pelo menos viu com seus próprios olhos.
A experiência é tudo na vida.
Pode levar suas cabras. Estão esperando por você.
Melquíades…
posso perguntar uma coisa?
Claro.
Como não se perdeu naqueles pântanos?
São traiçoeiros.
Foi uma travessia longa e difícil,
mas sempre fomos guiados pelos nossos instrumentos.
Que instrumentos?
Só um momento.
Veja. Isto é um astrolábio.
Durante séculos, os humanos tentaram estudar os céus para entender a Terra.
Aqui.
A ciência está eliminando a distância.
Olhe. Isto é uma bússola.
E um sextante.
Logo, o homem será capaz de ver o que está acontecendo
em qualquer lugar do mundo
sem sair de casa.
Mapas portugueses. Eles são velhos.
Veja.
Isso ajudará você a aprender a usá-los.
São seus.
Obrigado, Melquíades.
Nesse dia, José Arcadio Buendía teve a certeza
de que foi o começo de uma grande amizade.
Ele passou noites inteiras observando o curso das estrelas.
Quando se tornou um especialista no uso e manipulação de seus instrumentos,
desenvolveu uma noção de espaço
que lhe permitiu navegar por mares desconhecidos,
visitar territórios desabitados
e estabelecer relações com seres esplêndidos.
Não sei o que faz com os mapas, mas faça em outro lugar.
Quero entender onde Macondo está
para ver se consigo um caminho para a civilização.
Eu sei a resposta.
Macondo está aqui, e você, no mundo da lua.
José Arcadio, hora de comer!
Vamos lavar as mãos antes. Estão cheias de terra.
Vamos.
Tchau, pai!
Tchau, filho!
Este galeão deve ter uns 200 anos.
Tem que estar perto.
O que está perto?
O mar!
Essa descoberta despedaçou o espírito de José Arcadio Buendía.
Considerava brincadeira do destino
ter procurado o mar sem encontrá-lo,
ao custo de sacrifícios,
e tê-lo encontrado sem procurar.
Desistimos um pouco antes de encontrar o mar, Úrsula.
Macondo está cercada de água.
Precisamos de mais medições para completar o mapa.
Precisamos de outra expedição.
Precisamos falar com o mundo.
Não pode ir de novo, José Arcadio Buendía.
Não vê que precisamos de você?
José Arcadio.
Escute.
O que é isso?
Venha cá.
Escute.
O bebê está chorando na minha barriga.
Matilda, as compressas!
- Rápido. - Cheguei!
Respire! Respire fundo!
Não force. Só respire.
Úrsula estremeceu com a certeza de que o grunhido profundo
foi o primeiro indício do temido rabo de porco.
E rogou a Deus para que morresse a criatura em seu ventre.
Eu o sinto. Está vindo.
Lá vem ele!
Lá vem!
Mais uma vez! Isso!
Aureliano foi o primeiro humano a nascer em Macondo.
Nasceu com os olhos abertos,
olhando o mundo com uma curiosidade sem assombro.
Úrsula não lembraria da intensidade daquele olhar
até anos depois,
na tarde que Aureliano Buendía teve sua primeira premonição.
Mãe, o vaso vai cair.
Não vai, Aureliano.
Quando começou a ficar ciente de suas premonições,
o Coronel Aureliano Buendía achou que a morte seria anunciada
com um aviso definido, inequívoco e irrevogável,
mas, quando faltava pouco para sua morte,
o sinal não havia chegado.
BASEADO NO ROMANCE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Legendas: Airton Almeida
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.