All language subtitles for Victory at Entebbe (Marvin J. Chomsky, 1976).portuguese

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Original subtitles

Aeroporto de Atenas Domingo, 27 de Junho de 1976

Chegada de Telavive - 11 :35 Partida para Paris - 12:25

VlTÓRlA EM ENTEBBE

Controlo de terra de Atenas. Aqui voo 139 de Air France.

lnstruções, por favor.

Air France 139. 456B à direita. Virar a 32 norte.

Confirmado. Air France 139.

Bom dia, senhoras e senhores.

O comandante e a tripulação dão-vos as boas-vindas a bordo.

Sim, obrigada.

Sim, obrigada.

Mandaremos um telegrama de Paris para a esperarem em Nova lorque.

Mãe? Mãe, sente-se direita.

- Ele tem uma caixa. - Quem?

É de lata. Está entre os pés. É de tâmaras.

O quê?

Por que alguém viajaria com uma caixa de tâmaras?

Sabe-se lá o que está lá dentro!

Uma arma, uma bomba...

Mãe!

Devíamos ter viajado na El Al.

- Estavam esgotados. - Não gosto de Atenas.

Eu sei. A segurança é muito má.

Pode chegar-se a Atenas vindo de qualquer lado

e ninguém verifica nada nos cais de trânsito para apanhares outro avião.

Torre de Atenas, fala Air France 139 em 32 Oeste.

Peço autorização para descolar.

Pode descolar, Air France 139.

Ligação electrónica entre 1000 e 3000 pés.

Recebido, torre de Atenas. Air France 139.

Air France 139, a passar de 2000 para 3500 pés.

Air France 139, aos 3000 voo 1 79 passará a 2000 pés acima.

Estabilizar aos 8000 pés.

Recebido Air France 139.

Tomaste o tranquilizante?

Tenho-o aqui.

Não acredito! Fomos de propósito ao bar para os tomares antes de embarcar.

Esqueci-me. Em vez disso fui à casa de banho.

O meu tio não vive mesmo em Paris, mas lá perto.

É engraçado, o meu tio vive em Paris. Está no negócio dos tapetes.

Assim como a minha família toda.

A sério? E tu também?

Silêncio! Todos sentados e calados!

Calados!

Silêncio! Sentados e calados!

Não toquem em nada. A cavilha da granada está tirada.

Se a solto... explode tudo.

Qual é o rumo? E não minta! Eu sei ler os instrumentos.

Estamos a 1 79.

Vire à esquerda a 185 e suba aos 30.000 pés.

Tenho de comunicar a alteração de rumo à torre de controlo de Atenas.

Oiça bem... eu sei o que faço, estou muito bem treinado.

Se me obrigam a abrir a mão,

a cavilha saltará e a granada explodirá em 4 segundos.

Entendido?

Virar a 185.

Sentem-se! Todos sentados!

Ninguém se mexe!

Atenção a todos: a Frente Popular para a Libertação da Palestina,

o Grupo CheGuevara e a Brigada de Gaza

estão aos comandos deste voo.

Se todos ficarem sentados e sem qualquer atitude suspeita,

não sofrerão nada.

Serão todos revistados

e se alguém tiver uma arma ou um objecto cortante

deverá entregá-lo imediatamente.

Se não obedecerem imediatamente, seremos forçados a tomar medidas

e todos morreremos.

lSRAEL

Já ouvi tudo o que tinha a ouvir sobre boas intenções.

Estas aldeias tão bem intencionadas sobreviverão

apesar de estarem submetidas aos árabes, há centenas de anos.

- Rabin... - Deixa-me acabar.

Qualquer decisão a ser tomada, será aqui, no gabinete.

Entendido, senhores?

Se vou ser um primeiro ministro eficaz e é exactamente isso que vou ser,

não consentirei que seja um bando de selvagens a fazer política.

- O que eu gostaria de dizer... - Eu entendo a tua posição.

Como Ministro da Defesa, talvez me consigas convencer.

Mas quem vai convencer Washington?

Precisamos do apoio de Washington para comprar novos mísseis

e modernos sistemas de defesa que só os Estados Unidos nos oferecem.

Atenção, senhores:

Radiotransmissores informam-nos que o voo 139 da Air France

em rota de Telavive com escala em Atenas, perdeu o contacto rádio.

A última transmissão foi às 12:54, há 25 minutos atrás.

Assumimos por isso que se despenhou ou foi sequestrado.

Quantos judeus?

A nossa segurança em Ben Gurion informa pelo menos 83 israelitas.

Talvez mais, com os de dupla nacionalidade.

O avião levava 240 passageiros quando descolou de Atenas.

Atenas? Em Atenas até se pode passar um canhão sem darem por nada.

Senhores, trataremos do assunto num comité de crise. É tudo.

Shimon, tens uma linha directa

com os controladores de voo e as comunicações.

No teu escritório daqui a meia hora.

- E o chefe do Estado Maior? - Também.

Shimon, se for um sequestro,

quero todos os detalhes pelo Serviço de lnformações.

Quero a relação de todos os passageiros

de todos os aviões que descolaram hoje de Atenas.

Vê se há alguns com passaportes árabes, japoneses ou sul-americanos.

Rabin? Onde vais?

À casa de banho. Quem sabe quando poderei lá voltar?

Quero um relatório dos Serviços Secretos.

Localizem-me George Habash, o Dr. Wadi Haddad,

os líderes do Setembro Negro, Al-Fatah, OLP, etc.

E passe-me ao General Gur.

Acha que é sensato estar com a granada assim?

Porquê?

Acho que não é nada profissional.

Se tivermos turbulência, pode cair.

Eu preocupo-me com isso.

Tu pilota o avião.

É alemão, não é?

Se uma bala atingir o vidro ou a instalação eléctrica, vamos pelos ares.

Eu estou preparado para morrer.

Está preparado para morrer, mas há muita gente neste avião,

há crianças, mulheres...

Eu sei o que estou a fazer. É um plano bem detalhado.

Suponho que não querem aterrar num sítio muito seguro, não é?

O combustível não é ilimitado, sabia?

Tem que chegue.

Asa esquerda, combustível a 3l4.

Depósito direito, 3l4. Chega.

Eu sei ler os instrumentos.

Mantenha a rota.

Parabéns. E se se sentasse?

Não.

Eu dei-lhe as indicações.

185. Está 5 graus ao lado.

Não quero matá-lo.

Tenho de dirigir o meu ódio para os instrumentos.

Vamos!

Vamos!

Tinha reservas na EL AL, mas cancelei.

Vão matar-nos!

Cala-te, mulher, não chames a atenção.

- Onde vais? - Quero ajudar aquela mulher.

- Não te metas em sarilhos. - Aceite a minha palavra,

eu sou velho, sobrevivi ao Holocausto. O que sabe da vida? Nada.

Eu estive em Auschwitz, eu sei.

Quer um chocolate?

São israelitas.

São deliciosos. Prove.

Quer um? São 'kosher.

Tu, rapariga, és a seguir!

Vá.

Não me sinto bem.

Posso sentar-me? Estou enjoada.

Vá! A próxima mulher.

Schnell!

- Tem alguma arma? - Não.

- Facas? - Nada.

Siga. Próxima mulher! As mulheres primeiro. Schnell!

- Quer um chocolate? - Não.

Não consigo. Obrigado.

Próxima mulher. Rápido!

O que é isto?

O frasco pequeno é para a tensão arterial,

o maior são tranquilizantes que tomo quando preciso,

mas nunca mais que seis por dia,

o castanho é para o coração e este...

não sei para que é este, deve ser para alguma coisa.

É sacarina...

Mãos para cima!

Mãos para cima!

Olá!

Mãos para cima!

Não há problema, já fui revistada.

O que faz aqui?

Nada, só pensei que alguém quisesse um chocolate.

- Chocolate? - Quer um?

Não.

Quer um?

Vá, rápido!

Dizem que em Paris os chocolates são melhores,

mas eu só tenho destes.

É muito simpática!

Saia daqui, já!

Volte para o seu lugar. O chocolate anima muito,

mas na Air France há uma norma inviolável;

só o pessoal de voo pode entrar na cabina.

Obrigada.

Saia daqui!

Um de cada vez.

Eu disse um de cada vez, à casa de banho, será que vocês não entendem?

- Pensei que tinha dito... - Silêncio!

Mãe, de certeza que está bem?

- Sim, estou bem. - De certeza?

Tomei um Valium antes de descolar, por isso quero lá saber!

Vamos, vamos... Schnell, schnell!

A mulher é uma nazi!

Mãe, não se excite.

Não estou excitada, eu tomei um Valium.

Mas a mulher é uma nazi.

- Desculpem, chamo-me Aaron Olav. - Como está?

Oiçam, estou na reserva do exército, Brigada de Blindados 43,

faço os meus 45 dias de serviço todos os anos.

O que me dizem? - Sobre o quê?

Olhem lá para trás.

Não, não... sejam discretos.

Vêem? Eles não olham quando saem da casa de banho.

Sim, e então?

Suponham que eu vou à casa de banho.

Eu estou nas costas deles ao mesmo tempo que você avança pelo corredor.

Eu saio... e pronto.

E pronto o quê?

Atiramo-nos a eles e já está.

Então?

Sr. Olav, suponhamos, apenas suponhamos,

que conseguimos dominar 3 terroristas com pistolas e granadas.

Estou só a falar hipoteticamente...

Quem é que julga que fez o anúncio do desvio do avião no altifalante?

O que quer dizer?

Um homem com pronúncia alemã. E onde acha que ele está?

No coc'kpit, com uma pistola apontada à cabeça dos pilotos.

- Se apanharmos aqueles três... - Sr. Olav, estamos a 22.000 pés.

Se uma bala atingir uma janela ou uma granada explodir, morremos todos.

Os sequestradores são... eles estão mais assustados que nós,

provavelmente. Por isso temos de agir com cuidado.

A mais pequena dúvida pode assustá-los.

Até aterrarmos algures, estamos num grande perigo.

Está com medo?

Claro que estou com medo. Quem não estiver, é um idiota.

Oiça... eu sou um israelita.

Não me limito a ficar sentado, eu faço algo!

Sr. Olav, eu também sou um israelita e neste momento,

ficar sentado é a coisa mais racional a fazer para permanecer vivo.

Está com medo. Eu consigo fazer isto sozinho!

Sr. Olav, o meu filho contou-me muita coisa

sobre a Brigada 43 nos Montes Golã

mas nunca tinha conhecido ninguém que lá tivesse servido.

O senhor é uma celebridade.

Mas suponho que deve estar farto que lhe digam isso.

Quem era aquele teu amigo que esteve na 43, Benjamin?

Chamava-se... Capitão Margolitz.

Não... era Tenente Margolitz.

Sim, Max Margolitz.

Sim, acho que ele era tenente.

Diga-me, Olav, o que aconteceu à 43 na Guerra do Yom Kipur?

Foi nos Montes Golã. Estávamos prontos a ocupar as colinas,

os tanques lançaram-se...

Voo Air France 139 chama controlo de Bengasi.

Bengasi?

Air France 139...

- O que foi? - Espera...

Controlo de Bengasi,

avião sob controlo da Frente Popular de Libertação da Palestina,

Grupo Che Guevara, Brigada de Gaza...

- O que é isto? - O que achas?

Pede pista para aterrar.

Bem, teremos uma ideia mais clara quando fizerem as suas reivindicações.

lsso já se sabe o que é.

É a mesma história de sempre: libertação de terroristas presos.

O japonês Kapuchi, a lista toda.

Diplomaticamente, não podia ter vindo em pior altura.

- O que queres dizer? - As consequências diplomáticas...

Não me venhas com as malditas consequências diplomáticas...

Meu caro amigo, puseram-nos numa posição

em que o que quer que façamos é mal feito.

Se não fizermos nada, somos fracos.

Se negociarmos com os terroristas, somos fracos.

Somos presos por ter cão e por não ter.

Ao menos, o avião agora está no chão.

Mas não por muito tempo.

Estão em Bengasi e o governo líbio não vai permitir que fiquem lá.

Gur, quem comandava as acções em Lot em 72?

O Shomron. Está em manobras no Negev.

Chama-o. Dá-lhe os melhores coronéis, o Yohan e o...

- Mottan. - Dá-os ao Shomron.

Rabin, alguma declaração oficial?

É a última coisa que faria.

- Mas não temos outro remédio... - Não!

Não entendem? Se vier do meu gabinete,

é a aceitação por parte de lsrael da sua responsabilidade.

Neste momento, o resto do mundo está connosco.

E temos de os manter connosco.

Rabin...

Devem estar uns 100 judeus naquele avião.

Temos de dizer alguma coisa.

Está bem, mas que seja pelo Ministério dos Transportes.

Mas que fique claro que o principal responsável é a França,

o avião é deles.

No entanto, lsrael tomará todas as medidas necessárias

para proteger os cidadãos no estrangeiro.

Na esfera política e outras.

Que outras esferas?

Que outras esferas, Sr. Primeiro-Ministro?

Como hei-de saber? Eles ainda não fizeram as exigências deles.

Mas serão as de sempre. Ameaçam matar os reféns. Certo?

Claro.

E pedem a libertação de prisioneiros terroristas senão matam os reféns.

É sempre o mesmo. Certo?

O governo de lsrael não negoceia com terroristas!

Shimon, sabes que já negociámos antes.

Não vou fechar as minhas hipóteses por frases feitas por políticos!

É a nossa política! O governo de lsrael...

Está bem! A nossa política não mudou.

O governo de lsrael não negoceia com terroristas.

BENGASl, LÍBlA

Durante a paragem em Bangasi, os explosivos estarão ligados às portas.

Se houver algum problema, serão detonados.

Entreguem os vossos passaportes, vistos e documentos

quando forem pedidos.

Quem esconder seja que documento for, será severamente punido.

Acha que é grave?

Talvez.

E torná-lo ainda mais sério? Assim talvez os convença a libertá-la.

- O que é? - Esta mulher está doente.

Saia daqui!

Está grávida de sete meses e está com dores.

O pulso está fraco e começou com contracções.

Contracções?

Sim, contracções, quando uma mulher começa a...

- Contracções? Não entendo. - Mas eu entendo, sou enfermeira.

Ele pode ter um aborto assim.

Quer ser o responsável pela morte de uma grávida de sete meses?

Não reflectiria a preocupação humana do movimento revolucionário.

Vou dizer-lhe para chamar um médico.

Eu já vos informo.

Ele vai chamar um médico. Vai ficar bem.

Já vimos bem o número de terroristas. São quatro.

Têm armas automáticas e granadas.

Fazer essa informação sair seria muito importante.

Com quem é que ela está a falar lá fora?

Não sei, ele chegou naquele Peugeot.

Palestinianos!

Num Peugeot? Não, deve ser o cônsul francês em Bengasi.

Talvez nos tire daqui!

Pode tentar, mas o cônsul tem um poder muito limitado.

O que quer dizer?

- Como é que sabe? - Já fui um.

O objectivo de qualquer funcionário diplomático

abaixo do cargo de embaixador

é evitar de se responsabilizar pelo que quer que seja.

- Podemos fazer algo. - Duvido.

Estamos na Líbia. Um país árabe que financia os terroristas.

Ao menos estamos no chão. Já é uma melhoria.

Espero que sim.

Passaportes e documentos.

Todos os documentos!

- É só a minha carta de condução. - Eu disse todos os documentos!

lnglês?

Claro. Não percebeu pela minha postura anglo-saxónica?

Mãe, os terroristas armados não têm muito sentido de humor,

não pode... - Eles nem prestaram atenção!

Mãe, tem de perceber que esta situação é muito perigosa!

Benjamin, por que não tomas um dos meus tranquilizantes?

- Então? - Apanhei uma rádio da Líbia.

Cuidado, vem aí um.

Era em árabe. Não percebi tudo, mas acho que vão reabastecer.

As pessoas sabem? As que estão em casa?

Acho que sim. Houve um comunicado de Paris.

A minha mãe deve estar a subir as paredes.

Ela não queria que eu fosse a Paris.

Ela preocupa-se tanto! Acho que todas as mães são assim.

- A minha mãe morreu. - lsso é horrível!

Já foi há muito tempo. Depois vivi no 'kibutz em Carmel.

Não me recordo muito dela.

A minha mãe chorou tanto no aeroporto...

Toda a gente ficou a olhar... Senti-me tão envergonhada!

A minha mãe é horrível!

Edra? Edra?

Onde estás?

Edra...

Ouviste no rádio?

Eu... deixei as compras em cima da mesa.

Ouviste? Do avião?

Está lá sumo de laranja congelado.

Tem de ir para o frigorífico.

Por amor de Deus, que conversa é essa do sumo de laranja?

A Chana está no avião. Com terroristas!

Estive a pensar...

Não a devia ter deixado levar aquela fita vermelha.

Que fita vermelha?

À volta do pescoço.

Nada no rádio.

Ela queria crescer para ir a Paris.

Ela pode morrer! Que conversa é essa da fita?

Supõe... supõe que deixam sair as crianças.

Eles nunca vão ver que ela... ainda é uma criança.

Vão pensar que é uma mulher!

Não!

Sempre disseste, com a maior convicção,

que nunca devíamos negociar com terroristas.

lsso não é justo!

Depois do avião belga ter sido sequestrado,

tu disseste para nunca ceder aos terroristas.

Edra!

Depois de Malat, quando mataram as crianças...

- Por favor... - Foi o que disseste, não foi?

Foi.

Foi o que eu disse.

- lsrael não negociará com... - Cala-te!

Ouve, Edra...

Tem de ser qualquer coisa. Não há só israelitas naquele avião,

há franceses, americanos... Eles vão encontrar uma solução.

Eles vão negociar e vai correr tudo bem.

lsrael não...

o quê?

A minha menina...

Eles vão salvá-la...

Têm de o fazer...

Chana...

Tira a fita vermelha...

Atenção por favor:

senhoras e senhores, retornem aos vossos lugares imediatamente.

Até agora têm cooperado bem.

E para vosso interesse, continuem a fazê-lo

durante o resto da vossa viagem.

Vamos descolar assim que for possível.

Vamos voar para o vosso destino final.

Destino final...

Assumindo que a velocidade deste avião é 670 Kmlh,

e estamos a voar há 2 horas e 15 minutos,

isso dá... - 1507 quilómetros.

Essa é a distância. - O que importa para onde vamos?

Faz muita diferença. Se for um governo árabe moderado,

há uma hipótese de fazerem pressão sobre os terroristas.

Moderado? O que é um país um árabe moderado?

Bem... Pode ser o Sudão.

Cartum. A OLP é muito forte aqui.

Pode ser a Somália, o Habat tem lá o seu quartel-general.

O que interessa isso? A questão é que temos de fazer algo.

O que podemos fazer?

Oiçam... Onde quer que aterremos, eles vão abrir a porta.

Eles têm de tirar os explosivos da porta que vai abrir,

o que podemos fazer então? - Sr. Olav, baixe a voz, por favor.

O que quer dizer com isso? O que quer que eu seja? Cortês?

Oiça, eu sou um israelita, não sou cortês.

Oiça, não queremos que partilhe o seu plano com os terroristas.

Eu vou só à casa-de-banho. E quando sair de lá... dou-lhe em cheio.

Sr. Olav, mais baixo, por favor.

E ao mesmo tempo, dois homens agarram os terroristas e...

Olav, cale-se!

Onde é que acha, Sr. Olav?

O senhor que tem um extenso passado militar, para onde acha que vamos?

O quê?

O meu filho diz Cartum. Por outro, lado, aqui o Sr...

Haroun.

... diz Somália. Quanto a mim...

Acho que é a Índia. - Índia?

Por que não? Nunca estive na Índia.

Disseram-me que eles têm templos eróticos. Nunca vi nenhum.

lsso é ridículo!

Nunca se ouviu falar de um avião ser desviado para a Índia.

Toda a gente tem direito a uma opinião. Agora é a sua vez.

Não sei!

Pense. E quando decidir, diga-nos, está bem?

Índia? Índia...

- Está a falar a sério? Índia? - Claro!

Ou China.

Estão aos círculos em Thevi, Uganda.

Talvez vão para Nairobi, o que acham?

São 4000 quilómetros.

Chegou o relatório dos Serviços Secretos de Londres.

A mulher grávida libertada em Bengasi deu informações há uma hora atrás.

Disse que entraram 4 terroristas em Atenas:

dois árabes, um homem alemão e uma mulher alemã.

Estão a transmitir...

Continue.

Não há identificação dos árabes,

mas o homem alemão será William ou Wilfred Buze,

de um grupo terrorista alemão, o Baader-Meinhof.

Pedem autorização para aterrar.

Combustível quase a esgotar.

A mulher alemã pode ser a Gabriella Tiedmann-Krieger,

esteve metida no rapto dos ministros da OPEP em Viena.

Deram-lhes autorização para aterrar.

Estão armados com pistolas e granadas.

Os explosivos estão escondidos em latas de tâmaras.

Puseram-nos nas portas do avião.

Estão em aproximação à pista.

Aterraram.

- É irónico... - O quê?

Uganda.

Quando o Herzl convocou a conferência sionista em 1903,

estudou-se a possibilidade de vários sítios para ser a nova pátria dos judeus,

para além da Palestina. O Uganda foi um desses lugares.

Reúnam tudo o que temos sobre o Uganda.

ENTEBBE Segunda-feira, 28 de Junho de 1976

São israelitas! Vão tirar-nos daqui!

Não acho que sejam israelitas.

Não, são judeus! Vê-se logo, estou a dizer-vos.

Não acho que sejam judeus.

De onde é que eles vieram?

Provavelmente de Kampala. É a 30 quilómetros daqui.

Quem são eles?

Árabes.

Árabes, vê-se logo... Árabes.

Atenção. Atenção, por favor.

Fala o comandante do avião

sob controlo da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

Queremos agradecer a vossa cooperação durante a viagem

até ao nosso destino final.

Têm de entender que não desejamos fazer mal a nenhum de vocês.

Não somos assassinos impiedosos.

Não interessa o que a propaganda mundial diz de nós.

O nosso objectivo é chamar a atenção da opinião mundial

para a causa justa do povo palestiniano

na sua luta pelas suas terras e direitos contra o governo colonialista.

Os assassinos não somos nós

enquanto os verdadeiros terroristas do governo israelita

assassinam traiçoeiramente em nome da suposta verdade.

Eu... eu sou um ser humano.

Eu... não quero matá-los, mas...

... estou muito cansado...

e um pouco confuso.

lsto pode ser...

a imagem de um lunático a trabalhar.

Podem esticar as pernas livremente pelo corredor agora,

mas não se aproximem demasiado da porta aberta.

Tenham cuidado e não se arrisquem.

Bem... o pesadelo acabou.

Está tudo acabado.

- O que dizia eu? - Estamos salvos!

Estamos salvos!

O que se passa?

Lembra-se quando estive colocado aqui em 1973

no programa de assistência técnica?

Eu vi-o antes de sermos expulsos.

Quem é?

ldi Amin Dada, o presidente do Uganda.

Quando estive aqui, o seu projecto era construir um memorial.

A quem?

A Adolf Hitler.

Mexam-se! Mexam-se!

Qual é o atraso aqui?

Mexam-se! Mexam-se!

Lá para dentro!

Vamos! Rápido!

Lá para dentro! Rápido!

Mexam-se!

Preciso de ir à casa de banho.

Desculpem, o meu filho precisa de ir à casa de banho.

Obrigado.

Atenção! Atenção, por favor!

Quero recordar que ainda estão sob o comando do Grupo Che Gevara

e da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

Foram colocados explosivos dentro e à volta do edifício.

Se houver resistência, não hesitaremos em fazer explodir tudo e todos.

Em breve chegará comida.

A casa de banho e a água estão ao fundo deste vestíbulo.

É tudo.

Receberão mais instruções mais tarde.

Sente-se, mãe.

Prefiro ficar de pé.

- Vá lá, mãe... - Sente-se.

Não está surpreendido?

Que ainda não tenha acabado? Não.

Essa é a realidade nesta parte do mundo.

Estas coisas não acontecem sem uma razão política.

Estamos apanhados a meio no jogo.

- Está bem, mãe? - Está calor.

Com licença, tenho algumas acções a tomar.

Capitão, não há nada que possa fazer.

Há sempre algo que podemos fazer.

Com uma guarda armada?

Farei exigências. Coisas simples.

Fazê-los recordar que somos pessoas,

fazê-los perceber isso.

Envolvê-los na nossa sobrevivência.

Capitão, quando chegar a altura de eles estarem prontos para matar,

delicadezas e subtilezas psicológicas não vão ajudar.

Mas atrasará a chegada dessa altura final.

- Pó! - O quê?

Este sítio está nojento, devia ser limpo.

Tem razão senhora, vou pedir-lhes que o limpem imediatamente.

Espere até a mulher se ir embora.

Mas se eu lhe disser que há crianças e...

lsso fará matar as crianças primeiro.

Mãe!

Benjamim, faz-me um favor, pára de me chamar ''mãe!'' assim.

Capitão, peça ao homem alemão. Ele quer ser amado.

Talvez, mas foi ele que ameaçou fazer-nos explodir a todos.

Sim, ele far-nos-ia explodir a todos.

Mas mesmo assim, quer ser amado.

- É ele? - Sim, é ele.

É gordo.

Um certeiro na barriga e caía...

É um palhaço!

Não é um palhaço.

Lembrem-se que o podemos ver como infantil, ou louco, se quiserem,

mas ele é muito mais perigoso que isso.

Ele sabe o que tem a fazer para permanecer no poder.

Ele já matou milhares

e não hesitará em matar mais.

Para trás, para trás...

Boa tarde... Boa tarde...

Para aqueles que não me conhecem,

eu sou o marechal-de-campo Dr. ldi Amin Dada.

Dou-vos as boas-vindas ao Uganda,

país do qual sou presidente.

Espero que a vossa estada no meu país seja o mais agradável possível.

Já negociei a vossa segurança com os palestinianos que vos capturaram.

Convenci-os a vos deixarem sair do avião e virem aqui para o terminal.

O que estás a fazer? Ele está com os terroristas.

Eu sei, mas isso não interessa.

Se ele mudar um pouco de ideias, talvez tenhamos uma hipótese.

Quem sabe o que lhe vai na cabeça?

Sim... eu tive muitos amigos em lsrael.

O General Moshe Dayan é um grande amigo meu.

Tenho aqui uma recordação dele. Vêem?

As asas dos pára-quedistas israelitas.

Vêem? O meu filho tem as asas dos pára-quedistas israelitas.

O meu filho tem um nome hebreu.

Chama-se Sharon.

Estive nesse hotel em lsrael.

Diverti-me muito no Hotel Sharon.

Tenho outro filho cujo nome é Gemal Abdul.

Esse é o problema.

Os palestinianos têm de ter o seu próprio espaço.

Os sionistas roubaram-lhes a terra.

lmpedem os palestinianos de exercer os seus direitos na sua própria terra.

Eu farei tudo o que puder para salvar as vossas vidas,

mas cabe ao vosso governo, se quiser negociar de boa fé,

libertar os valorosos combatentes pela liberdade

que estão nas vossas prisões sionistas.

E se o fizerem, vocês estarão a salvo.

Se não o fizerem...

... irão certamente morrer.

Não posso fazer mais nada.

Eles puseram dinamite à volta dos edifícios.

Há explosivos nas caixas aqui nesta sala.

Se os meus soldados entrarem, fazem explodir tudo.

O vosso governo tem de desistir, tem de cooperar,

evitar a catástrofe

ou eu não poderei salvar as vossas vidas.

Entretanto, estejam à vontade,

eu mandei vir mobília para aqui...

Aí vem ela. Estão a ver?

Como vêem, eu faço o meu melhor por vocês,

por razões humanitárias.

Shalom!

Shalom!

Não querem falar directamente com ninguém

excepto com o Embaixador da Somália que depois fala com o ldi Amin,

que depois fala com o Embaixador Francês

que depois comunica com Paris, com a nossa embaixada e chega aqui.

Que mais?

O sequestro do avião foi condenado por Arafat pela OLP

e por Habash pela FPLP.

Shimon, o que tens?

Conseguimos identificar um dos terroristas que se juntou em Entebbe.

Hadj Faiz Jabel. Dissidente do Habash há uns anos atrás.

A OLP do Cairo mandou o nome, mas foi recusado.

Shimon... Desculpem, senhores.

Senhores, temos as exigências.

''Exigimos a libertação de palestinianos

em lsrael, RFA, França, Suíça e Quénia.''

E o que querem de nós?

Querem 50 prisioneiros. lncluindo o A'koso Kamoto.

Qual é o prazo?

''Serão infligidos castigos pesados e graves aos reféns

se as exigência não forem cumpridas até quinta-feira ao meio-dia.''

Quinta-feira ao meio-dia?

São 60 horas.

Muito bem, agora temos de decidir as opções.

Que opções?

Libertar 50 assassinos é uma opção?

Talvez haja complicações extraordinárias.

Já decidimos que o governo de lsrael

não negoceia com terroristas... - Não podemos deixar...

Shimon!

A situação está fora do nosso controlo. Não podemos correr o risco.

Risco? Há risco maior que ceder a terroristas?

E não há maior risco militar que a vergonha da submissão.

Não estamos a falar de risco militar.

Estão 256 pessoas a bordo desse avião, dos quais 100 são judeus.

Cada cidadão israelita é um soldado em potência.

Já ouvi isso mil vezes, não preciso que me relembres.

O que preciso do meu Ministro da Defesa

é que me digas se podemos fazer mais alguma coisa sem ser negociar.

Ou começamos a entoar o canto da morte.

O General Gur está a trabalhar num plano...

Neste momento é 00:10 de segunda-feira.

O prazo é quinta-feira ao meio-dia.

Que opção militar tens pronta para mim neste momento?

E que possa ser posta em marcha.

Uma operação militar que possa ser montada agora

e que seja posta em marcha antes de quinta-feira ao meio-dia,

não a tenho, Sr. Presidente. Espero tê-la, mas ainda não tenho.

Bem...

O que vamos fazer agora?

Nada.

O prazo é quinta-feira ao meio-dia.

Temos tempo.

Ele vai fazê-lo, Capitão. Acredite no que lhe digo.

lsso é absurdo!

Por que não?

Por que iriam matar tanta gente de tantos países poderosos?

Não se atreveriam, não acha?

Pergunte-me quando passar um minuto do meio-dia na quinta-feira.

Devem estar agora a fazer esforços diplomáticos.

O governo francês... - Com todo o respeito, comandante,

o governo francês também precisa do petróleo árabe.

Não acha que está a falar com demasiado despeito?

O mundo inteiro não pode estar a conspirar contra vocês.

Acha que ele é uma invenção da minha paranóia?

Estava tudo planeado. Sabiam que vínhamos para aqui.

- Não há prova que... - Duvida?

E os outros terroristas que estavam aqui à espera deles?

Quando estávamos a jantar, falei com o director do aeroporto

e disse-lhe que devia ser difícil para ele

cozinhar para tanta gente em cima da hora.

Ele respondeu: ''não, eu sabia que vocês vinham''.

Ainda acredita no contrário, capitão?

Eles disseram que nos matavam ao meio-dia.

Na quinta-feira.

Não vejo razão para duvidar deles.

- Mãe, tomou o Lanoxin? - Tomei.

- O que está a ler? - Agatha Christie.

Mas já leu esse em Talavive.

Eu sei, mas felizmente já estou velha e esquecida

e não me lembro quem é o assassino.

Estás bem?

Estou. É só do pó.

Fico sempre assim. É uma alergia.

Por que não bebes um pouco de água?

Está sempre fila na casa de banho das senhoras.

Eu fico bem.

Eu vou buscar-te água à dos homens.

Não é preciso, a sério.

Não, eu não me importo de te fazer isso.

Não saias daqui.

Capitão, por favor.

A minha doente está cada vez mais nervosa,

só tenho aqui um comprimido. Consegue arranjar-me mais?

E um penso para o joelho dela. Obrigada.

Capitão, por favor...

Diga ao meu marido que ele tem de comer.

Eu, senhora?

Por favor, ele diz que não come porque não é 'kosher.

Eu sei que eles trocaram a carne por bananas.

Mas as bananas acabaram.

Só tenho uma barra de chocolate com passas.

Capitão, diga-lhe que até no Talmude

está escrito que se pode comer não-'kosher para salvar a vida.

Uma barra de chocolate com passas nem sequer é não-'kosher.

Senhora, não percebo nada disso, 'kosher ou não-'kosher...

Deixe-me ver se há algum rabino entre os passageiros.

Obrigada.

Por favor, até o rabino te vai dizer que nestas circunstâncias,

uma barra de chocolate com passas é 'kosher.

Menina, tenho de lhe agradecer a sua oferta de chocolates.

Foi uma estupidez entrar naquela maneira.

Pelo contrário, foi muito importante.

A sério?

A sério, foi no momento exacto para quebrar a tensão.

É muito difícil dar um tiro num homem enquanto come um chocolate.

Não se consegue!

Viaja sozinha?

Então é a ''Anna'' Vilnofs'ky.

''Chana''. Não têm o som ''Ch'' em francês, pois não?

- Não, não temos. - Mas como é que sabe?

Tive a oportunidade de ler com cuidado a lista de passageiros.

Capitão... o que vai acontecer?

Bem, suponho que vai haver negociações

e que voaremos todos juntos para Paris.

Eles não negoceiam com terroristas.

Cada cidadão israelita é um soldado em potência.

Eles não vão negociar.

Não se preocupe, Anna... Chana. Prometo que voltaremos a Paris.

Boa noite.

- Entornei um bocado. Aqui está a água. - Obrigada.

Gostava que estivessem lá.

Mesmo. Gostava que todos estivessem lá.

Para partilhar contigo alguma da glória.

O Rabin disse que temos um prazo, quinta-feira ao meio-dia.

Que operação militar tens que possa partir agora?

Não soube o que lhe dizer.

Eu quero esse plano.

Agora.

Não é fácil planear uma operação no Uganda

a 4000 quilómetros de distância.

Por que não?

Temos os aviões de transporte americanos C-130

para levar 1000 homens até lá.

Sim, mas não os podemos trazer de volta sem reabastecer.

E onde o vamos fazer?

Estuda a possibilidade de usar depósitos suplementares.

Lembrem-se que não estamos a falar de uma acção punitiva.

Vamos tirar os reféns de lá vivos.

Como? O relatório diz que o edifício está minado com TNT.

Vamos descobrir.

Diz-me, Yonni, consegues meter os teus homens num Hércules

a tempo de libertar os reféns antes que eles os matem?

- Não sei. - O que queres dizer com isso?

- Preciso de mais informações. - Que informações?

Em que local estão os reféns? A que distância estão do ponto de fuga?

Há tropas hostis?

E se existem explosivos, há poucas hipóteses de os tirarmos de lá.

Acho que podes contar com tropas hostis.

Não, não estou a falar dos terroristas.

Falo dos próprios ugandeses.

O Amin disse que os homens deles não podem fazer nada

por causa dos explosivos.

Não quero saber do que o Amin diz,

não me interessa o que pode acontecer, quero saber o que está a acontecer.

Quero factos, informações.

Algo concreto que nos conduza à elaboração de um plano,

um plano que funcione e salve vidas.

Há aqui alguém que não entenda exactamente,

precisamente, sem excepção, o que vos estou a pedir?

Óptimo. Onde está o café? É tudo, senhores.

Shimon!

Shimon!

Se tivéssemos começado ontem...

Não há maneira de juntar informações, planear e fornecer uma operação,

treinar tropas e executá-la antes do meio-dia de quinta-feira.

Não há tempo que chegue!

Fá-lo na mesma!

TERÇA-FElRA 29 de Junho de 1976

Não apanhas outro posto?

''Rádio Uganda''. Mais nada.

Alguma novidade?

Não. Jerusalém continua a recusar-se a negociar.

Óptimo, óptimo...

Óptimo? O que quer dizer com isso?

lsso mostra-lhes que não se podem meter com lsrael.

O que julga que isto é? Um jogo de futebol em Telavive com as fãs a gritar?

Nomi, por favor, não te metas.

É claro que a política de não negociar com terroristas

faz sentido de um ponto de vista estratégico.

O Rabin pode dar-se a esse luxo, ele está em Jerusalém.

Nós estamos em Entebbe.

Eu acho que a grande diferença é termos aqui pessoas de muitas nações.

Franceses, americanos, a minha mãe tem dupla nacionalidade...

Da minha parte, que vão para o diabo, nós sabemos cuidar de nós.

Você é um idiota da pior espécie!

Espere lá, oiça...

Não digas essas coisas, isso não é nada simpático.

Larga-me! Estamos prestes a ser mortos por terroristas

e tu preocupas-te com a simpatia? - Pára!

Deixa-me em paz... Tenho tanto com que me preocupar, deixa-me em paz...

Ela está muito perturbada...

Peço desculpa por ela.

Com licença...

Meu Deus!

Mãe! O que se passa?

Já me lembrei quem foi o assassino!

Atenção a todos!

Oiçam com atenção. É um comunicado importante.

Devem obedecer imediatamente sem fazer perguntas.

As exigências razoáveis da Frente Popular para a Libertação da Palestina

para a libertação de heróis palestinianos e outros revolucionários

ainda não foram cumpridas.

O prazo limite mantém-se: o meio-dia da próxima quinta-feira.

Por motivos administrativos, a seguinte reorganização será efectuada:

Preparámos uma lista das pessoas que têm passaporte israelita.

Quando o seu nome for chamado, irão para o lado direito

e esperarão por mais instruções.

Meu Deus!

O que foi, Sr. Salomon?

Está bem?

A selecção.

Para a direita, para a esquerda...

Quando saíamos dos comboios, esperavam-nos com uma lista.

Para a direita, para a esquerda...

Para a direita, os que vão para a câmara de gás.

Os nomes serão chamados duas vezes.

Devem levantar a mão e caminhar para a direita.

Estas pessoas estavam no meu avião.

Para trás!

Aviso-o que o governo francês o responsabilizará disto!

Está bem, somos os responsáveis. Agora para trás!

- Eu protesto contra isto! - Para trás!

Por favor...

A mãe tem um passaporte britânico. Fique com os outros!

Não sejas tolo. Eles têm o meu bilhete de identidade israelita.

Além disso, diz: Etta Grossman-Wise.

Até um alemão suspeitaria de algo.

Atenção! Oiçam!

Toda a gente para este lado da sala.

E levem a vossa bagagem de mão.

Quem não se mexer depressa será severamente punido.

Quando chamarem o vosso nome, vão para a direita.

A'kiba Bern!

Quando disser o vosso nome, levantem a mão e caminhem para a direita.

Rápido, para a direita!

Aronton Lodgi!

Aronton David!

A'koen Joseph. A'koen Elisa.

Livi Arien!

Rabinowitz William.

O senhor tem passaporte belga?

Tenho.

Quando for libertado, lembre-se do mais pequeno detalhe.

É muito importante para todos nós.

Wise Benjamim.

Adeus, Sr. Mayer.

Wise Etta.

Vilnofs'ky Chana.

Eu vou já lá ter...

Mayer Moshe. Mayer Ann.

Mayer, rápido!

Levante a mão ou será punido.

Há um erro, não está a entender.

Rápido, façam o que vos mandaram.

Nós temos passaportes belgas, pode ver que há um erro.

Para a direita! Já!

Não está a entender! Nós somos belgas!

Não, não, não!

Ela está enganada!

Nós temos passaportes belgas, podem ver se quiserem.

Mayer? Moshe Mayer? Vocês vão com os judeus.

Nós somos belgas, não somos cidadãos israelitas!

Não são judeus?

Para a direita!

Entenda, nós somos belgas, não temos de estar com eles.

Está tudo bem...

Koen Martin.

Rosenblum Estern.

Rosenblum Samuel.

Stein Eri'k.

Stein Martha.

Agora que a selecção está terminada...

Está terminada? Estão os judeus todos? Não há mais?

Está terminada.

Agora que a selecção está terminada,

não haverá mais comunicação entre os dois grupos.

Entendido?

Agora...

Agora vão marchar para a outra sala.

Marchar!

Estamos prontos para a sua chamada para Kampala, Uganda.

lsto não vai resultar, sabes?

Ele pode ser louco mas não é estúpido.

É verdade, mas vale a pena tentar.

Estou? Estou?

Sim?

É de Kampala?

Sim.

Quero falar com Sua Excelência o marechal-de-campo Dr. ldi Amin Dada.

Quem fala, por favor?

Diga-lhe que é o seu velho amigo Bar-Lev.

Coronel Barou'k Bar-Lev.

Um momento, por favor.

Se me perguntar o motivo da chamada, o que...

Estou?

Sua Excelência? Fala Bar-Lev.

Bar-Lev?

Sim, Excelência, lembra-se, o seu velho amigo.

Dos velhos tempos.

Sim, o meu amigo Bar-Lev.

Como estás, meu bom amigo?

Já estou reformado, Excelência, abri uma loja.

Gramofones, rádios...

Reformado? Também não me importava.

Mas não posso, fizeram de mim presidente para o resto da vida.

Excelência, quero falar consigo sobre...

... sobre a situação. Sobre o sequestro do avião.

Sim, tenho estado muito preocupado, há duas noites que não durmo.

Como estão os passageiros, Excelência?

Sim, eu fiz o meu melhor por eles.

Mandei-lhes cobertores e cadeiras.

E mandei um médico.

Excelência, onde é que eles estão agora?

Estão bastantes confortáveis.

Os judeus estão no átrio antigo,

mas eu mandei limpá-lo e pôr tudo em ordem, imaculado.

Os judeus, Excelência? O que quer dizer com isso?

Os palestinianos juntaram no mesmo sítio

todos os que têm passaporte israelita.

No edifício antigo do terminal?

Sim, eu fui lá vê-los. Ficaram muito felizes por me verem.

Disse-lhes que ia tentar salvar-lhes a vida.

Excelência, tem soldados aí, podia prender os piratas, salvar os reféns.

Oiça, meu amigo, eu não posso fazer nada.

Eles têm explosivos à volta do edifício, estão armadilhados.

Se carregarem num botão... bum!

Mas se pudesse, Excelência...

Oiça... meu bom amigo Bar-Lev.

Tem de ir ter com o seu governo e dizer ao Rabin

e ao meu bom amigo Moshe Dayan

que têm de fazer exactamente o que os sequestradores pedem

senão eles fazem explodir o avião e matam os passageiros todos.

Diga-lhes que se se recusarem a negociar,

eu não poderei salvar a vida dos reféns.

Mapas de Entebbe?

Sim. Estes são os planos que vieram da construtora de Telavive

que o construiu. - Já viste o que precisas?

Em parte.

Este é o velho edifício do terminal onde estão os reféns.

Eu sei onde eles estão. Quero é saber como os tirar de lá.

Não sei. Ainda não sei.

Por que não?

Temos as gavetas cheias de planos para ocupar aldeias hostis, aeroportos...

lsso são planos para matar pessoas

e o objectivo aqui é não matar pessoas.

És um filósofo. De Harvard, não é?

Tens escrúpulos em matar assassinos e terroristas?

Os terroristas também são homens e mulheres.

O velho Ben Gurion disse-me uma vez:

''entre judeus e árabes está uma guerra de cem anos.''

Em 1879 em Jaffa, doze estudantes judeus foram mortos por árabes.

É uma guerra de cem anos.

Então achas que vai acabar em 1979?

Está bem, é uma guerra de 150 anos.

Não pode durar para sempre.

Tens todas as informações de que precisas?

Lembra-te: quinta-feira ao meio-dia os reféns serão fuzilados.

Tenho algumas, não todas.

Sabemos que estão lá tropas ugandesas.

Não sabemos onde estão, quantos são,

que tipo de armas têm, se estão nos telhados,

se as estradas estão desimpedidas...

Mas o problema principal, o grande problema

é se há explosivos à volta dos reféns.

E se forem detonados... nada os poderá salvar.

Nada no mundo.

QUARTA-FElRA 30 de Junho de 1976

- Está limpa? - Está.

Posso ajudá-la, Sra. Mayer?

Sr. Mayer, oiça-me...

O senhor chorou a noite toda, está na altura de parar.

- A senhora não entende. - O quê?

Todos os outros... estão preocupados em se vão morrer amanhã.

Eu tenho a minha consciência...

Eu renunciei a lsrael.

Eu neguei que era judeu.

Tive medo de ficar ao lado dos meus irmãos.

Eu neguei o Santíssimo.

Sr. Mayer, sejamos práticos.

O senhor não renunciou a lsrael, só disse que tinha passaporte belga.

E tem mesmo um passaporte belga.

Onde está escrito no Talmude

que qualquer um de nós tem de ir voluntariamente para o cadafalso?

Não há vergonha em tentar sobreviver.

A única coisa que não pode fazer

é tentar salvar-se à custa da vida de outra pessoa e não foi isso que tentou.

Não se deve culpar.

Onde está escrito que um homem não pode tentar salvar a vida da sua mulher?

Onde está escrito que tem de facilitar a vida àqueles estupores?

Oiça, Sr. Mayer, tome um destes comprimidos.

Tome.

Muito bem...

Agora deite-se e descanse.

- Vamos embora! - Largue-me!

Hiperventilação.

- O quê? - Hiperventilação.

Sim, senhora.

Ela precisa de Terapina. Tem?

Não, mas tenho Stelasina.

Se tivesse outra coisa, era mais rápido.

A menina entenda que no hospital não temos tudo o que precisamos.

É muito difícil no Uganda.

Alguns colegas meus foram mortos

por dizerem que os produtos não eram tão bons como o ldi Amin diz que são.

Não temos medicamentos modernos em quantidade suficiente.

Levem-na daqui!

Todos para trás, rápido!

Já acabou tudo.

Quero todos sentados.

lSRAEL

''Salvem os reféns'' ''Negociar salva vidas''

Todos para fora! Vamos!

Oiçam, por favor. Eles estão agora reunidos.

Oiçam! Eu posso trazer uma delegação ou um comité,

mas têm de esperar...

Tem de os salvar! São mulheres e crianças inocentes.

São vidas de judeus!

Sr. Primeiro-ministro, quantas vidas...

Por favor!

Eu sei!

Eu aprecio e entendo o que sentem.

Como é que sabe?

Com todo o respeito, Sr. Primeiro-Ministro,

como pode saber o que sentimos?

A minha filha só tem 15 anos,

não tenho mais ninguém.

Não tenho família, a minha mãe, a minha irmã, o meu pai,

morreram todos nos campos.

É um tempo difícil para todos nós, não...

O senhor... O senhor pode salvar a minha filha. Faça-o!

Não é assim tão fácil, é uma questão internacional,

estamos a fazer tudo o que podemos.

Ora, faça o que eles pedem!

O que interessa um terrorista a mais ou a menos nas prisões?

Devolva-me a minha filha com vida.

Há questões militares e diplomáticas...

Sr. Rabin, não nos fale de política.

Em 1968, lsrael entregou prisioneiros terroristas

para salvar reféns judeus de um voo que foi sequestrado na Argélia.

Cada caso tem de ser examinado...

Rabin!

Depois da guerra de Yom Kipur, trocou 100 prisioneiros

pelos corpos mortos dos nossos soldados.

Temos de esperar para trocar pelo corpo morto da minha filha?

Negocie, Rabin. Negocie!

Devolva-me a minha filha com vida!

Sr. Primeiro-ministro...

Resta-nos algo a dizer?

Há algumas palavras, em alguma língua, algum pensamento, alguma reza

que o ajude a mudar de ideias?

Repito: farei tudo o que puder.

O problema, meus amigos

é que a data limite é amanhã ao meio-dia.

lsso torna muito difícil para mim salvar as vossas vidas.

Sim, eu lamento muito por todos vocês.

Eu sei que são inocentes, mas o vosso governo é teimoso.

Os sionistas de Telavive não se preocupam com as vossas vidas.

Senão, negociariam.

Eu disse ao meu bom amigo coronel Bar-Lev

que o vosso governo tem de medir as consequências.

Eu dei sempre bons conselhos aos meus amigos de lsrael.

Eu disse à Golda Meir que o melhor que tinha a fazer era voltar à América.

Eu falei várias vezes ao telefone com o meu amigo Bar-Lev.

Eu disse-lhe que lsrael tem de desistir,

que é a única maneira de salvar as vossas vidas.

Essa é a prova da minha boa fé.

Eu consegui a libertação de alguns passageiros,

47 mulheres e crianças.

Com passaportes franceses e outros.

É boa vontade, não acham?

Eles irão para casa assim que tiverem transporte.

Sr. Presidente...

Sr. Presidente, não!

Tratem-me por marechal-de-campo Dr. ldi Amin Dada.

Marechal-de-campo, Dr. ldi Amin Dada,

diz que serão libertadas 47 mulheres e crianças francesas?

Como gesto de boa vontade.

Os palestinianos são pessoas humanitárias.

Não seria um gesto de boa vontade

se também libertasse as mulheres e crianças israelitas?

Mas a questão é exactamente essa, não é?

Está nas mãos do governo.

Eu disse ao Bar-Lev para lhes dizer que amanhã ao meio-dia

terão sangue inocente nas mãos.

Por que são assim tão insensíveis?

Eles têm de negociar.

lsrael tem de desistir ou vocês morrem todos.

Despacha-te, se queres que os libertados te levem a carta.

Grande carta...

O que se diz a três crianças que nunca mais verão os pais?

Eles voltarão a ver-nos.

''Queridos filhos: aqui faz muito calor.

As moscas são piores aqui que em Telavive.''

Nós amamo-los.

O que está a escrever?

- Nada. Recuso-me a escrever. - Porquê?

O que há para dizer?

Escrever sobre o quê?

O que está a acontecer aqui não vale nem as letras gordas do jornal

ao fim de uma semana.

Na última vez, no Holocausto, perdi a minha família toda.

Desta vez, a minha nova família pode perder-me a mim.

O que tenho para dizer a um rapaz de 18 anos?

Que algo de bom pode sair disto?

Talvez algo de bom tenha saído do Holocausto. lsrael.

Mas e disto? Não. Não, não tenho nada a escrever.

Algum problema?

Não, claro que não.

Estou só a tentar escrever o meu testamento. Não é fácil.

A maioria das coisas nunca é.

Que parvo!

- Quem? - O meu irmão. É um parvo!

É o único parente vivo que tenho.

lrrita-me ter de lhe deixar tudo a ele.

- Por que não deixa à caridade? - À caridade?

Alguma vez ouvi falar em deixar um posto de combustíveis à caridade?

- Desculpe, Sr. Wise? - Sim, Chana...

Sabe onde está a sua mãe? Não a encontro.

Não sei.

Lá está ela.

Já a vi. Obrigada.

Sabe, a caridade não pode fazer lucro.

Nunca ouvi falar de um posto de combustíveis não lucrativo,

principalmente no Médio-Oriente.

Sra. Wise, posso pedir-lhe um favor?

Espero que sim.

Escrevi uma carta aos meus pais e gostava que a lesse,

para corrigir os erros. - Claro.

Vamos lá...

''Queridos pais: as coisas aqui são tão tolas,

''os adultos estão todos preocupados em podermos não sair daqui,

''mas eu sei que eles estão errados.

''Sei que daqui a um ou dois dias estarei em casa

para vos contar tudo o que aconteseu.'' Aconteceu é com 'c'.

''Conheci muitas pessoas simpáticas aqui

''e acho que alguns de nós ficaremos bons amigos

''depois desta tolice toda estar acabada e esquecida.

''Conheci aqui muitas pessoas simpáticas que me ajudaram.

''Um grande abraço e beijo para vocês.

''Tenho saudades vossas e gosto muito dos dois, foram uns pais excelentes.

''Sei que vos verei em breve. Tenho tantas histórias para vos contar.

''Com muito amor, Chana.

P. S. Por favor não se esqueçam de dar de comer ao meu peixe.''

É uma carta muito bonita, Chana.

Não precisa de nenhuma ajuda minha.

QUlNTA-FElRA 1 de Julho de 1976

A outra possibilidade que foi sugerida

foi prender os parentes de todas as guerrilhas palestinas

que vivem da Margem Ocidental e fazer deles contra-reféns.

- Não. - Porquê?

Porque não é praticável, os terroristas são 'kami'kazes.

Vamos, estamos a perder tempo.

Somos obrigados a considerar alternativas.

Que alternativas? Por favor, digam-nas. Dêem-me alternativas.

Shimon, o prazo limite é daqui a três horas.

Há alguma operação militar possível a tempo e horas?

Não conseguimos nada antes de sábado.

No mínimo sábado.

Muito bem, por mais amargo que seja o remédio, vamos então a ele.

A moção presente é aprovar negociações com os terroristas

para autorizar concessões às suas exigências

com vista à libertação segura dos reféns.

Mais alguma coisa?

Muito bem.

Quem está a favor de autorizar negociações?

Shimon, o prazo limite é o meio-dia de hoje.

Disseste-me que não podes fazer nada antes de sábado.

Tendo isso em mente, peço-te que votes.

Unanimidade.

Amigos...

Estive a negociar com os palestinianos a noite toda.

E estive ao telefone com o meu bom amigo Bar-Lev em lsrael.

E como resultado dos meus esforços,

recebemos uma comunicação rádio de Telavive

dizendo que o vosso governo anunciou que vai negociar

para salvar as vossas vidas.

Assim sendo e também devido à minha intervenção,

os palestinianos concordaram em libertar os reféns da outra sala,

somente os que têm passaportes franceses e não-israelitas.

Quando eles partirem, vocês poderão passar para a sala grande

para terem mais conforto.

Amanhã, tenho de partir para a reunião da Organização de Unidade Africana

nas Maurícias.

Afinal de contas, eu sou o presidente da OUA.

Mas também em consideração a mim,

os palestinianos também concordaram em estender o prazo limite.

O vosso governo tem até Domingo ao meio-dia

para libertar os seus reféns e salvar as vossas vidas.

Os homens que vão pelos Golã. E sejam discretos.

Tem de parecer um passe normal de fim-de-semana.

Ministro, sabe que eles vão adiar o prazo limite?

Sabemos que o Amin foi às Maurícias à conferência da OUA.

Achamos que ele não quer que aconteça nada

enquanto ele está ausente. - Já sabia disso, ministro...

Yonni, às vezes também é preciso ter um pouco de sorte.

Tens mais dois dias e meio. Usa-os bem.

Já lhe disse que nem o senhor nem ninguém

tem o direito de perguntar nada.

É o responsávels? É a autoridade aqui?

lsso não interessa, a decisão está tomada.

Eu quero saber...

Os franceses e os outros vão ser libertados.

Chega um avião da Air France às 3 horas e...

Só quero saber quem é o responsável por isto.

Mas para quê tantos problemas? Vocês vão ser libertados.

Vocês vão para casa. Não é isso que querem? Vão!

Não vou perder mais tempo consigo.

Oiça...

Aqueles homens também são meus passageiros.

Eu sou responsável por eles e nem eu nem ninguém da minha tripulação

vai sair daqui até todos estarem a salvo. Entendeu?

Tem de me dar um tiro. Eu não vou.

Choraste a noite passada.

É mentira.

- Eu ouvi-te. - Era a minha alergia.

- Chana, que idade tens? - Porquê?

Bem... eu tenho 18 e... vou para o exército quando regressar a casa

e pensei que...

Se tu também fores para o exército, podíamos estar lá juntos.

Eu tenho 16. Só vou daqui a dois anos.

Bem... Eu vou ter fins-de-semana livres depois da recruta.

Posso ir à boleia para Jerusalém e podemos ir ao cinema ou...

Desculpa, o que disseste?

Nada. Não interessa.

Assim que o vosso governo mostrar a sua boa fé e libertarem os prisioneiros,

poderão partir.

E o que vos impede de nos reter aqui e pedir mais e mais?

Têm de ter boa fé. Confiar.

Que tipo de confiança há com armas e ameaças a crianças?

Por que está envolvido nisto? Não é palestiniano.

''Alle Männer sind Brüder.''

''Todos os homens são irmãos.''

Diz isso com uma arma na mão pronto a matar a sangue-frio...

Não entende. Existe um movimento revolucionário mundial

e eu faço parte dele. - Quem são?

Os palestinianos têm direito às suas terras.

Os sionistas ocuparam-nas pela força.

Quem começou a guerra em 1948?

Os árabes partiram, abandonaram as terras.

lsso é mentira! O meu pai foi obrigado a sair da aldeia dele na Galileia.

A questão não é essa.

O governo árabe manipulou o projecto de refugiados árabes...

Eu não sou um problema de refugiados.

A minha mãe não é um problema de refugiados.

Somos palestinianos.

O problema é que quando os sionistas

começaram a falar de uma terra para os judeus,

se esqueceram que o meu avô já lá vivia.

E é só isso que eu quero.

A nossa terra e o nosso país.

Muito bem. Muito bem, eu entendo o nosso jovem amigo.

Podia discutir com ele factos e história, mas...

eu entendo o que ele quer.

E o que é que você quer?

Quero um mundo novo.

Ajudar os fracos contra os poderosos.

Diga-me, meu amigo, quando os seus irmãos árabes

nos empurrarem para o mar, então estará do nosso lado?

Não sei.

Não estarei vivo nessa altura.

O problema da navegação ainda levanta questões.

Queria fazer um voo de ensaio

para que a força aérea chegue às suas conclusões.

No terreno, o general Shomron sugeriu alterações

que cumprem as minhas objecções, mas ainda há pontos fracos.

- Que pontos fracos? - O reabastecimento.

Garantir o salvamento dos reféns.

Mas a questão do avião resulta, sim ou não?

Não posso dar o plano como operacional neste momento.

Há demasiadas incógnitas para garantir o êxito.

É para isso que temos um plano, não é?

O maior problema ainda é a segurança.

É óbvio que se não conseguirmos a surpresa total, será um desastre.

Não esperem ajuda de governo nenhum.

Como é costume, estamos nisto sozinhos.

General Shomron, diga-me,

se começar agora um treino de abastecimento, quando pode partir?

- Não antes de sábado. - Não antes de sábado...

Oiçam com atenção...

Com a mão no coração, quero que cada um de vocês me diga:

estão contra ou a favor deste plano?

Preciso de saber se os homens no terreno têm confiança.

Digam-me: são a favor deste plano?

Yonni?

Ainda estou preocupado com a possibilidade dos explosivos.

Se o edifício está minado, não interessa o quão rápidos somos,

vamos todos morrer.

Explosivos, explosivos, isso é um problema dos serviços secretos.

Muito bem, escolham os homens e preparem-se. É tudo.

lsso quer dizer que tens a aprovação do Rabin para avançar?

Yonni, o Ministro da Defesa teve sempre a autoridade

para ordenar exercícios de treino sem a autorização do governo.

Eu estou a definir esta operação como exercício de treino.

Perez.

Esperem.

O grupo de reféns libertados chegou a Paris.

Os nossos serviços secretos estão a interrogá-los neste momento.

Não... Não...

Espere...

Havia um. Este é aquele a que chamámos ''o peruano''.

Eu sei que falava espanhol.

Pensei que fossem quatro.

Posso estar enganada.

Quando vos puseram no átrio principal, eles tinham granadas na mão?

Não, dentro do terminal não.

E diz que os soldados ugandeses não estavam dentro do terminal?

Não, estavam do lado de fora.

Quando nos trouxeram para fora, para entrarmos no avião e voltarmos,

eu vi os soldados no telhado. - Do terminal ou da torre?

Em ambos.

lrmã, muito poucas das pessoas com quem falei aqui em Paris

estiveram dentro da sala onde os israelitas estavam presos.

Acho que a irmã esteve lá. - Sim.

A minha doente estava muito agitada e correu lá para dentro.

Eu fui atrás dela e a mulher alemã bateu-lhe.

Estou interessada na questão dos explosivos.

As cargas estavam em caixas à volta da sala, é isso?

- Sim. - Aproximou-se das caixas?

Não, mas a minha doente atirou algumas caixas ao chão.

E eu reparei que estava lá um jovem, um árabe,

que não ficou muito excitado com as caixas...

Estava lá a Sra. Allade, toda a gente começou a gritar por causa dela,

eu estava ajoelhada ao lado dela, estava lá uma enfermeira israelita

e estava lá um homem que viajava com a mãe.

Sim, o Benjamim Wise.

lsso não sei, mas reparei que ele deu um pontapé na caixa.

Um pontapé?

Ou melhor, tocou-lhe com o pé, fê-la deslizar pelo chão.

E...

Eu estava com atenção à Sra. Allade, mas agora lembro-me de algo...

A caixa moveu-se facilmente, como se estivesse a deslizar em gelo.

A caixa era muito leve.

Eu diria que estava vazia.

Primeiro, o Hércules entra pelo norte

e percorrerá a pista como um avião normal até ao terminal antigo.

Estará a coberto da torre nova por este monte.

E se soar o alarme?

Não apanharás o terminal de surpresa.

A Força Aérea tem essa responsabilidade

depois dos homens no terreno.

lrão três grupos especializados no primeiro avião.

Primeiro, o Yonatan.

Vai com a sua equipa para o terminal garantir a segurança dos reféns.

Depois, o Mothan, para criar uma zona de segurança.

Tens uma pergunta?

Eu tenho 15 segundos para levar os meus homens

do avião para o interior do terminal.

Se houver explosivos, não teremos tempo.

Os serviços secretos dizem que o edifício não está minado.

Eu falo do interior do terminal, as caixas...

As caixas estão vazias, Yonni.

Se quiseres apresentar agora o plano ao Rabin, podemos fazê-lo.

Não, ainda não.

Precisamos da aprovação do governo.

Com uns retoques dos serviços secretos, fica pronto.

A questão é se o Rabin quer falar ou lutar.

Está bem, eu gosto deste plano.

Preparem a operação. Gur...

Alerta os teus homens. Amanhã todos preparados às 4:30

para começar o exercício às 5:00.

Não quero reservistas.

Se começamos a chamar comandos e pára-quedistas de todo o país,

suspeitarão que planeamos algo. Quero segurança absoluta.

Caso contrário, teremos cem túmulos de judeus em África.

SEXTA-FElRA 2 de Julho de 1976

Mas se o governo decidiu negociar,

por que é que o Amin Dada diz que as vossas vidas estão em perigo?

Há uma diferença entre negociar e decidir negociar.

Jerusalém tem de ter a certeza de que se libertar os prisioneiros árabes

eles nos vão entregar a todos.

Tem de haver alguma confiança...

Conhece a história do escorpião nas margens do Jordão

e da tartaruga que o levou a atravessar o rio?

A tartaruga disse: ''não, tu picas-me e eu morro''.

E o escorpião disse:

''Por que faria isso? Se te picasse a meio do rio, eu também me afundava''.

A tartaruga concordou. O escorpião subiu para as costas dela...

Mas a meio do rio, o escorpião picou a tartaruga.

E a tartaruga, quando se estava a afundar e a morrer, disse:

''Por que fizeste isso? Também vais morrer.''

E o escorpião disse: ''Estamos no Médio-Oriente, está-me no sangue!''

Wise, o que foi?

Mãe!

Água, por favor.

Ela é enfermeira, ela sabe o que fazer.

Calma, calma...

Dobre-se. Ajude-me.

Sente-se.

Calma... Calma...

Sra. Wise, tente não se mexer.

- Calma, calma. - É só um minuto, Sra. Wise.

Com licença, eu sou médico.

Ela devia ir para o hospital.

Pode ser que precise de uma traqueotomia,

mas talvez não seja necessário.

Asseguro-lhe que será bem tratada lá.

Calma, Sra. Wise...

Temos de a levar ao hospital.

Ajudem-nos aqui, por favor.

Calma, calma...

- Ela vai ficar bem? - Não se preocupe.

Esta mulher está doente.

Ninguém lhe deu autorização para tirar pessoas daqui.

- Oiça lá... - Ninguém!

Eu sou médico. Sou o director do Hospital de Kampala.

Estou sob ordens do marechal-de-campo Dr. ldi Amin Dada.

Quando ele voltar,

terei de lhe dizer que não mostrou respeito pelos seus desejos.

Agora afaste-se!

Mãe! Vamos levá-la para o hospital. Não tente falar.

Vai correr tudo bem...

Ela vai ficar bem.

O que quer que aconteça quando chegar o prazo limite,

ela estará mais segura no hospital. - Obrigado, doutor.

Para trás, para trás!

Todos para trás!

Entre.

Está frio.

Não faz mal.

Amanhã às dez da manhã, reunião de gabinete.

Fazes ideia do que decidiram?

Não.

Diz-me...

Supondo que não aprovam o plano militar... o que acontece?

Não há tempo para planear outra operação.

Acho que teremos de depender das negociações.

As negociações foram canceladas há meia-hora atrás.

O plano militar tem de avançar.

Temos de os convencer a aprová-lo.

Por isso, se não aprovarem o plano, os reféns morrem.

Capitão...

Há alguma maneira... Podemos pedir-lhes velas?

Velas?

É sexta-feira à noite. O Sabat! Temos de fazer uma bênção.

Não acredito que nos dêem velas, mas...

Eu tenho uma vela.

Levava-a para a minha prima em Paris.

Comprei-a numa loja na praça de Shior.

Tome. É verdadeira, acende.

Aceite, por favor.

Obrigada.

Tem vinho para o Sabat?

Eu tenho.

São amostras que trouxe para oferecer a um amigo.

Pode levar. Cereja, amora, uva e... ameixa.

É demasiado doce, mas é 'kosher. Tome.

Acha que é mais fácil...

... salvar a vida se rezar a Deus?

Não tenhas medo, Chana. Eles vão negociar, têm de o fazer.

Estava a pensar...

O meu pai veio da Polónia

e esteve num dos campos.

Eu estava sempre a discutir com ele.

''Como se pode entrar num daqueles campos...

...sem fazer algo?''

E ele dizia-me: ''Tu sabes lá. Graças a Deus nunca saberás.''

É engraçado, não é?

Sim...

És religiosa?

Não muito.

Nem eu.

Sabe o que é isto?

Este número tatuado no meu braço. Sabe o que é?

Foi num campo de concentração alemão. Auschwitz.

A minha família foi morta lá.

Os alemães mataram-nos. Olhe para ele.

Sabe, eu disse ao meu neto que havia uma nova geração na Alemanha,

disse-lhe que os nazis tinham desaparecido,

que os alemães agora eram diferentes...

Mas menti-lhe.

Eu não tenho nada a ver com os nazis.

Mas continua a fazê-lo. E a mulher também.

Não. Essa não é a nossa linha política.

O ''Baader-Meinhof'' é o líder na luta contra o capitalismo mundial.

Eu não tenho nada a ver com o nazismo.

Não?

Não é o mesmo.

Qual é a diferença?

Qual é a diferença entre si e o seu pai?

Um alemão com uma arma a matar judeus.

Eu nem sequer sou alemão.

Já não tenho país.

Lugar nenhum para onde ir.

Eu sou um homem morto.

É o mesmo.

Não sei a letra.

Não faz mal, eu sei.

SÁBADO 3 de Julho de 1976

Com tempo favorável ontem à noite

o primeiro avião estava pronto a sair

55 minutos depois de ter aterrado no objectivo.

Está dentro dos parâmetros de uma operação bem sucedida.

Tivemos mais informações dos serviços secretos a noite passada

dizendo que as tropas do Uganda ocuparam a zona de Entebbe.

E se falhar algo?

Corre-se sempre algum risco em qualquer acção.

Exactamente. Corremos riscos em Mala'k e morreram 22 pessoas.

Não podemos ter outro Mala'k.

Gur, pode garantir que não haverá outro desastre?

O Gur diz que pode haver baixas entre 3 e 8 % .

Onde foi buscar um número destes?

Senhores...

Por favor...

Os aviões de transporte Hércules com uma brigada de comandos

já estão a voar há 30 segundos. - O quê?

São sete horas até ao Uganda.

Sem autorização do gabinete?

Por favor... Podemos ordenar-lhes que voltem a qualquer momento

antes de aterrarem em Entebbe.

Mas se ia haver aprovação, eles tinham de partir.

Terão uma escolta de caças até estarem fora de alcance.

Senhores...

Temos sete horas para debater.

Ou vamos proteger os judeus contra os terroristas

ou vamos render-nos.

Atenção...

Senhores...

Pela primeira vez esta semana, temos uma opção militar.

O que é uma opção?

É uma escolha.

1 : Não eliminámos totalmente a possibilidade de negociar.

Os contactos diplomáticos indicam que a possibilidade de atraso no prazo

é quase uma utopia.

No entanto, os serviços secretos informam-nos

que estes terroristas em particular matarão os reféns.

2: É um facto que violaremos a soberania do Uganda.

3: Se a incursão falhar, se os aviões forem destruídos

e se os reféns forem mortos, haverá uma reacção.

Este governo cairá.

Todos nós.

Por outro lado, mesmo que consigamos negociar

e dar-lhes tudo o que eles querem, talvez consigamos salvar os reféns.

Talvez.

Mas será mais uma derrota.

Será mais uma vitória para o terrorismo como estratégia

e haverá mais e mais e mais...

Ainda que alguns sejam mortos,

daremos ao nosso povo algo que não têm desde a guerra de Yom Kipur:

esperança.

Acreditem que precisamos de esperança para sobreviver

tanto quanto precisamos de armas, de roc'kets e de crédito de exportação.

Eu digo que os deixemos ir até ao fim.

Muito bem...

A moção em questão é a seguinte:

quem está a favor da aprovação da operação militar

apresentada pelo Chefe do Estado-Maior?

Unanimidade.

Se isto avançar, tu controlas o perímetro e neutralizas os guardas.

Depois tens 20 minutos para destruir o radar.

Vamos até ao fim.

ECA 2400.

Estudem as fotografias com cuidado, os alvos são estes,

não quero que os confundam com os reféns e matem as pessoas erradas.

Marechal-de-campo, Presidente,

Doutor e demais cargos ldi Amin Dada, eu o saúdo.

Estão a 2300 pés sobre o Mar Vermelho.

Vão continuar assim.

Se algum radar os apanhar,

há dois voos do Kuwait e um avião da Air Índia nessa zona.

Podem passar por trânsito aéreo civil.

lnformação do rádio-monitor: não há mensagens rádio especiais

do Sudão, Somália, Quénia e Etiópia.

Quero silêncio rádio absoluto até o primeiro avião aterrar em Entebbe.

- Sabes a posição deles? - Não.

Temos algumas lanchas no Mar Vermelho que nos informarão por radar.

Quando sobrevoarem terra, pela Etiópia, perdemos o contacto.

Ela foi a rainha de A'ksum e Sabá, Bal'kis, rainha de Sheba.

Estamos a sobrevoar o país dela.

A rainha de Sheba veio da Etiópia?

A capital era perto de Adis Abeba.

Tinha 16 anos e era uma rainha muito poderosa

quando se apresentou perante Salomão, filho de David,

o mais sábio e rico de todos os reis de lsrael.

Ela levou-lhe presentes de ouro, prata, especiarias,

marfim e perfumes.

E o rei Salomão, que tinha 700 mulheres e 900 concubinas,

apaixonou-se por ela.

''Eu sou negra mas gentil, filhas de Jerusalém.

''Eu sou a rosa de Sharon.

''E o lírio do vale.

''Ergue-te, meu amor, e vem comigo.

''E as flores apareceram na Terra, chegou o tempo do canto dos pássaros,

e a voz da tartaruga ouviu-se na nossa terra.''

Boa noite.

Da próxima vez que o ldi Amin aqui vier, eu ponho-me atrás dele,

bato-lhe com um dos pés da mesa e...

Sr. Olav... depois. Agora estamos a tentar jogar bridge.

O Sr. Wise falou com o médico ugandês.

Diz que a mãe está a descansar confortavelmente no hospital

mas quer que lá fique mais um dia.

Sim, eu ouvi. Obrigado.

Sabem o que fez com que tanta gente tivesse diarreia e vómitos esta manhã?

Carne podre. Os que comem 'kosher não comeram. Não adoeceram.

Um a zero para Moisés.

- Um de copas. - Dois de espadas.

- Alguma coisa? - Nada.

Vão descer a qualquer momento.

Pelo Lago Vitória, fora do raio de acção do radar, circulam pelo norte

e entram pelos pântanos.

Como é que sabes? Não ouviste nada.

Há um canal aberto no avião de comunicações.

Se alguma coisa correr mal, seremos informados.

Estão a sobrevoar Entebbe.

Liga o carro.

Carro alemão. Tinha de pegar.

Baixem-se. Somos israelitas. Não se mexam.

Todos deitados. Somos israelitas.

Não se mexam. Todos deitados.

Todos deitados. Somos israelitas. Todos deitados.

Os reféns estão em segurança.

Quebraram o silêncio rádio.

Aqui Yonni. Os reféns estão em segurança.

Os reféns estão em segurança.

Dispara a bazuca. Faz fogo!

Fogo!

Apanhámos os terroristas. Os reféns estão em segurança.

Todos deitados. Todos no chão.

Vamos começar a tirar os reféns.

Repito, vamos começar a tirar os reféns.

Viemos buscar-vos para vos levar para casa. Agora estão em segurança.

Está um avião à vossa espera. Estão a salvo.

Venham depressa.

Agora estão a salvo. Está um avião à vossa espera.

Não! Não!

Levem-na, por favor.

Por favor, a minha mãe está no hospital.

Traz uma maca, vamos levá-lo connosco.

Vamos, vamos.

O perímetro está em segurança.

Mantenham a pista livre.

Yonni...

Está escuro...

É de noite, Yonni.

Não tem nada a ver com o teu ferimento. É de noite em Entebbe.

Está frio. Tenho tanto frio...

Tenho tanto frio...

Ponham os reféns todos no primeiro avião.

Os veículos vão no outro.

General, oiça...

- Unidade de posição 4. - General, oiça...

A minha mãe está no hospital. Teve um problema de coração.

Tirem este homem daqui.

Não a podemos deixar!

Diga-lhes que têm 12 minutos para explodir o radar, senão têm de partir.

Atenção, sentem-se todos e agarrem-se. Vamos descolar.

Vamos a caminho de casa.

Aqui posto 1. Estamos a voar.

53 minutos. Menos dois que nos treinos.

Alguma hipótese de serem perseguidos?

Não. Os MlG que estavam no aeroporto foram destruídos.

Vamos reabastecer em Nairobi.

Quantas baixas tivemos?

Ainda não acabou, não sabemos. Há mais dois transportes a descolar.

Estão todos no ar. Estão a caminho de casa.

Fantástico!

Obrigado.

Oiçam isto: falei com o Bar-Lev. Ele telefonou para o Amin

há dez minutos atrás. Acordou-o. O Amin não sabia de nada.

O Bar-Lev agradeceu-lhe pela sua cooperação.

E o Amin disse: ''eu fiz alguma coisa?''

Ele não sabia que tínhamos feito 4000 quilómetros

e os tínhamos tirado de lá mesmo debaixo do nariz dele.

Tivemos sorte.

Sorte? O que queres dizer com isso? Tirámo-los de lá!

Foi tudo planeado, todas as contingências consideradas.

Ainda assim, tivemos sorte.

Só Deus sabe quanta.

O que acontecerá da próxima vez quando a sorte acabar?

O que faremos então?

Tivemos sorte, Shimon.

Senhoras e senhores...

Bem-vindos a casa.

À vida!

Os mortos:

3 reféns

7 terroristas

20 soldados ugandeses

1 comando israelita

''Uma mulher deixada para trás no hospital em Kampala,

declarada assassinada pelas forças de segurança ugandesas.''

Os sobreviventes:

103 homens, mulheres e crianças.

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