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Original subtitles

BASEADO EM INVESTIGAÇÕES DE HOMICÍDIOS REAIS

OCORRIDOS EM SKANE, SUÉCIA, DE 1989 A 2004.

OS DIÁLOGOS E EVENTOS FORAM RECONSTRUÍDOS

APÓS AS INVESTIGAÇÕES E ACONTECIMENTOS.

NÃO SÃO RECRIAÇÕES EXACTAS, BASEIAM-SE EM DECLARAÇÕES E RELATÓRIOS.

ALGUNS NOMES FORAM ALTERADOS.

Esperava-se que o assassinato de Helén, a rapariga de dez anos de Hörby,

estivesse quase resolvido.

Mas o detido foi libertado.

Pusemos em liberdade o suspeito,

que já não é relevante para a investigação.

Mas ainda estamos a trabalhar para encontrar a pessoa responsável.

Exacto. E vamos encontrar a pessoa ou pessoas que o fizeram.

Obrigado. Já se passaram quase 12 anos

desde o desaparecimento de Helén Nilsson na Páscoa de 1989.

O seu corpo foi encontrado seis dias depois num saco perto de Tollarp.

- Pelle. - Estou a falar com Per-Åke Åkesson?

Sim.

Prenderam a pessoa errada.

Fui eu.

A sua voz não me é estranha. Já falámos antes, não já?

Sim, há mais de cinco anos.

- Matou a Helén? - Isso foi o Ronny Ek.

Obrigou-me a participar.

- Então foi você e Ronny? - Éramos quatro.

Quando éramos crianças, Ronny Ek acolheu-nos a todos.

Ronny usou um preservativo. Não deixou vestígios de sémen,

mas os outros sim.

Tenho de desligar antes de que localizem a chamada.

A CAÇA A UM ASSASSINO

PARTE 5

Recebi chamadas semelhantes em '93 e '96.

A primeira vez, enviei carros de patrulha para a estação de Malmö. Estava lá,

mas escapou. Não obtivemos nada com isso.

- E é a mesma pessoa. - Sim, penso que sim.

E as notas.

As primeiras têm letras recortadas.

Estas outras podem ser de qualquer pessoa.

- Porque é que ele está a ligar agora? - Quer mostrar-se.

Ou que o apanhemos. Quem sabe.

A sua antiga colega Birgitta falou-me de um certo Ulf Olsson.

OFICINAS DE BILSOM HÖÖR, CONDADO DE SKANE JANEIRO DE 2003

que trabalhou aqui.

Podem dizer-me do que se lembram dele?

Era um homem muito nervoso.

E tinha um problema com a bebida.

Tentou integrar-se com as pessoas do trabalho, a conversar, a brincar.

Ele tentou, mas não lhe saia. Não era natural.

Sim, não é que era estúpido, mas não sabia como se comportar.

Tentava brincar, mas não era engraçado.

- Que tipo de homem era? - Um pervertido.

E ofensivo. Mais do que outros homens.

- Depois apareceu na televisão. - É verdade.

- No documentário de Tom Alandh. - Também o vi.

...o que, como dizia, é muito importante...

- Qual é o seu rendimento? - Subsídio de desemprego.

- Não trabalhou num navio? - Sim.

Alguma vez usou linguagem violenta quando se falava de mulheres ou crianças?

Ele disse coisas de quando esteve no mar.

Que gostava de meninas pequenas de oito ou dez anos de idade.

- Mas que horror. - E tinha oscilações de humor.

- Ficava zangado por nada. - Sabe se tinha um cão?

Sei que tinha um preto que matou.

Penso que depois de a Helén ter sido assassinada.

Houve contratempos no caso da Helén Nilsson.

Foram cometidos erros e foram seguidas pistas falsas.

Já passaram 14 anos desde o assassinato e ainda não temos o perpetrador.

Já sabem disso. Mas gostaria de vos lembrar

que não desistimos e vamos encontrar o assassino.

Também ainda estamos a trazer suspeitos para interrogatório.

Chegaram algumas novas pistas.

Por exemplo, em Malmö, apareceu um saco com pedaços de roupa de criança.

Isso é muito comum.

E, para resumir,

Helén Nilsson desapareceu em 20 de Março de 1989 em Hörby.

Seis dias mais tarde, o seu corpo foi encontrado num saco de plástico em Bröd.

Sofreu violência extrema.

A análise forense determinou que foi mantida viva durante vários dias,

sem comida ou bebida, até à sua morte.

Vejamos...

SERVIÇO DE CIÊNCIAS FORENSES BIRMINGHAM, INGLATERRA

Estão treze graus. Uma trégua depois de tanto frio.

Tenciono sair e aproveitar o sol.

O tráfego. Se forem visitar Londres...

Arne?

Aprovaste isto?

São quase 100.000 coroas.

Que diabos pensas que estás a fazer? Achas que vale tudo.

Que podes gastar o dinheiro da divisão.

Como é que se pede um teste de ADN de Inglaterra sem a minha aprovação?

- O que querias que eu fizesse? - O que eu mandar!

Mas o Serviço de Ciências Forenses em Birmingham é o melhor do mundo.

Podem extrair ADN a partir de amostras pequenas e antigas.

Eu sei disso. Mas outros casos importantes não terão os fundos que gastaste.

Se obtivermos resultados, seremos capazes de analisar os suspeitos.

Não fazes mais que falar, foda-se!

Isto é insubordinação, é motivo de despedimento.

É uma honra.

aceitar o cargo de chefe da polícia do Condado de Skåne.

Tenho tido a mesma posição em Simrishamn e eu venho de Vårby,

por isso, conheço bem a área.

É uma grande responsabilidade, e prometo fazer o meu melhor.

Vejo muitos rostos familiares, Estou ansioso por trabalhar com vocês.

Simplificando as compras de alimentos podíamos comer melhor.

Seria bom para o moral.

É bom investir em certos confortos.

E os avisos dos casos criminais...

- Lars! Parabéns pela posição. - Obrigado.

Agora vais estar realmente no comando. Uma grande mudança depois de Borrby.

É o que se vê. Vou tomar conta de todo Skåne.

Vou buscar o carro.

Estamos a percorrer toda a região, agora vamos para Malmö.

Passo por lá quando puder.

Claro, tomamos um café e conversamos.

Pelle! Ainda bem que te apanho, Queria falar contigo um minuto.

- Tenho muito em que pensar, é importante? - Sim, precisamos de falar.

Desde que voltaste, não falamos.

- Como estás, tudo bem? - Tudo bem.

Diria que já encontraste o teu lugar?

Um lugar onde, na cave?

Tenho visto sinais de que estás a ter dificuldades de adaptação.

Concordas?

Penso que apanhar criminosos é mais importante do que a papelada.

Se é a isso que te referes.

Tens dificuldade em cumprir as regras, não é?

Não se pode agradar a todos.

Gosto de ti, Pelle. Quero que saibas isso.

E percebo que és especial.

Acho que devias pensar se trabalhar na polícia

é o trabalho adequado para ti.

Imagino que sabes que tenho tido problemas com o Berg.

Agora que és o seu superior,

Gostaria de poder vir directamente a ti... se for necessário.

Não podemos contorná-lo, mas farei o que puder.

PRIMAVERA DE 2004

Estes são os resultados do laboratório de Birmingham.

Temos o perfil. Agora, vamos apanhar esse filho da puta.

É um grande avanço, certamente.

Mas de agora em diante, têm de seguir as regras.

Claro.

Têm uma lista? Só vamos analisar os que constem da lista.

Tem de haver uma suspeita razoável. E é inteiramente voluntário.

- E se recusarem? - O procurador emitirá um mandado.

É possível juntar vinte nomes. E têm até ao Midsommar.

Isso não é uma grande margem.

São os cortes. Não há recursos suficientes para isto.

O prazo é Midsommar, nem mais um dia. Boa sorte e espero o apanhem.

Onde estávamos nós com a lista?

Bengt Karlsson. Nem ele não sabia se tinha matado a Helén ou não.

Este grupo, O Porco, o fotógrafo e o do atelier, vão para a lista.

Os primos Storm. Ambos.

Thomas Quick. Ele terá de ser incluído para que Berg não se queixe.

O dentista do grupo sadomasoquista, também.

Nós temos... 28 nomes. Quem devemos remover?

- O quê? não podemos tirar ninguém. - Somos oito a mais.

O chefe precisa de saber o que estamos a fazer, mas não em detalhe. Os 28 ficam.

E Ulf Olsson? Aquele que trabalhou em Bilsom.

- Será que temos provas suficientes? - Devia ser incluído.

Já temos demasiados.

Se o critério for ser um tipo esquisito, teria de analisar metade de Skåne.

Quero testá-lo.

Ulf Olsson, em 1989 tinha 38 anos.

Vivia em Höör e mudou-se para Vimmerby.

Solteiro, com um filho de uma relação que teve nos anos 90.

Sem antecedentes, de acordo com os nossos registos.

Mas as suas colegas dizem que ele é esquisito, retorcido e com tendências violentas.

Ele tinha um cão e um Volvo, e cresceu em Hörby.

Quero inclui-lo, Tenho um palpite com ele.

E um saco também.

- Parece-me estar a bater no ceguinho. - Permanece na lista.

Eu digo que não, a dada altura vamos ter de parar.

- Sim, 28 é suficiente. - Não! Fica na lista e ponto.

Bem, vamos pô-lo. Ficamos com 29.

Eu sou Erik Johansson da polícia de Kristianstad.

Queremos analisar o seu ADN para o caso Helén Nilsson.

Sim, porque o seu nome aparece no ficheiro.

Assim poderemos excluí-lo.

Ouve, Erik.

Na lista telefónica, Ulf Olsson está na lista com o título de barão.

Porque está no ficheiro. Isto provará que não o fez.

- Não o vou fazer. - Muito bem, veja.

É um suspeito de homicídio.

Se aceitar, podemos descobrir se está inocente.

Bem, então vamos a isso.

Um de cada lado da boca.

30 segundos em cada lado.

Precisamos do seu ADN para excluí-lo como um assassino.

Nem pensar. Não quero fazer estes testes.

O seu nome aparece num processo,

pode-nos dar uma amostra de ADN para que possamos excluí-lo?

É isso que fazem? Assediar cidadãos inocentes?

É nisto que os nossos impostos pagam?

Esteve num clube masoquista

que parece estar ligado ao homicídio de uma prostituta chamada Jannica.

E acredita no que umas putas dizem?

- Queremos o seu ADN para Jannica. - Não há problema.

- Sente-se. - Prefiro ficar de pé.

Partiu-se.

Tirava-lhes fotografias a brincar na lama.

Enganava-as para que entrassem na lama e tirassem a roupa.

Mas eu só tirava fotografias.

Assim vou poder provar aos meus amigos que eu não ando por aí a assassinar crianças.

Só o mecânico recusou.

Disse que não queria cooperar com a polícia.

- Os outros concordaram. - Ainda nos restam doze.

E é quase Midsommar.

TER A COMPETÊNCIA DE GESTÃO É CONSIDERADO MAIS IMPORTANTE

- Pelle. - Sou Allan Östlund. Alguma novidade?

Compreendo que esteja curioso, mas não se pode ser tão insistente.

É verdade que encerrarão o caso depois de Midsommar

- e que não há suspeitos? - Sem comentários.

Berg diz que este caso é demasiado grande para ele.

- Anda para a cama. - Vou já.

Já lhe liguei várias vezes, mas não atende.

Podes passar por lá e dizer-lhe que quero falar com ele?

Estou a caminho para falar com a ex de Ulf.

- Eu tinha 16 anos quando nos casámos. - Conseguiu uma autorização especial?

Ele cortou a garganta do meu cão.

A escadaria inteira estava a derramar sangue.

E quando mudámos de casa, de Höör a Vimmerby,

partiu o pescoço o seu próprio cão, Quanto.

Bebia como um maníaco.

Na mesa de cabeceira havia sempre uma cerveja.

Mas a mim controlava-me a comida.

Depois de ter dado à luz o nosso filho, ela quase me arrancou as orelhas.

porque tinha chocolate na mesa do hospital.

Não suportava pessoas gordas.

Eu estava em pânico.

Mas ele conquistou-me com o seu humor.

Estava sempre zangado e tinha ataques de raiva.

A única vez que o enfrentei, arrancou-me madeixas inteiras de cabelo..

Olsson.

Boa Tarde, o meu nome é Monica Olhed, sou inspectora.

Preciso de o ver e fazer-lhe algumas perguntas.

Poderia passar pela esquadra de polícia de Vimmerby?

- Estou? - Sim, claro. Sem problema.

- Amanhã às 14:00? - Compreendido, lá estarei.

Se não puder vir por qualquer razão, por favor, avise-me

para que eu não vá até Vimmerby por nada.

Não, não, eu estarei lá. Não se preocupe.

Isto chegou hoje com o correio. É anónimo.

Só havia isto no envelope?

Sim, só a disquete.

Ele está a observar-me.

"O que posso dizer?

Se eu não tivesse sido intimidado na Escola Primária de Hörby,

certamente que isto não teria acontecido. Eu sou o único envolvido.

Helén e Janika".

É ele. O mesmo que enviou as notas com as letras recortadas.

Escreveu da mesma maneira, "Janika", com ka e só um N.

Quando lhe telefonou da última vez, soou igual ao de há dez anos atrás?

Acho que sim. Ele tem sotaque do nordeste de Skåne.

Desta vez ele pareceu mais concentrado. Da outra vez ele parecia estar a chorar.

É disso que me lembro.

Pelle, queres vir a Vimmerby?

Eu adorava, mas não posso saltar a coisa das "palavras importantes".

- Melin diz que é obrigatório. - Está bem.

ESQUADRA DE POLÍCIA VIMMERBY 9 DE JUNHO DE 2004

Monica Olhed.

Estou a investigar o homicídio de Helén Nilsson em Hörby, em 1989.

- Viveu lá? - Sim.

Fale-me de si.

Como é, o que se faz e assim por diante.

Não me deixam ver o meu filho.

Vai fazer 14 anos.

A mãe é a culpada.

Só o vi duas vezes desde que tinha cinco meses.

Apresentei uma queixa e escrevi cartas para os jornais, mas nada.

- Todos eles se juntaram contra mim. - Ulf,

Pode falar-me da sua infância?

Nasci em Höör, mas depois mudámo-nos para Hörby.

Tenho quatro irmãos e irmãs.

Mudei-me para Vimmerby na Primavera de 1990, acho.

Restaurei dois carros, mas retiraram-me a carta.

Por excesso de velocidade e conduzir sob os efeitos do álcool e da condução.

- Alguma vez contratou uma prostituta? - Não. Nunca.

Interessa-me o o caso de Helén Nilsson, de Março de 1989.

Lembra-se de alguma coisa daquela época?

Sim, lembro-me do alvoroço e isso.

Eu tinha ido ver a minha irmã mais nova em Hörby. Faz anos na Páscoa.

Estava também a minha mãe e o meu irmão, mas...

não me lembro de mais nada.

Como sabe, temos um perfil de ADN e estamos à procura de uma amostra correspondente.

Poderia dar-me a sua amostra?

- Tomei uma cerveja esta manhã. - Não faz mal.

Este é um teste voluntário que você mesmo fará na minha presença.

Esfregue o interior da sua bochecha durante 30 segundos.

Estou contente por vos ter a todos juntos, é muito raro.

Antes de mais, tomem alguns post-its cada um de vocês.

Qualquer cor que vos agrade. Vão. Muito bom.

E agora, escrevam palavras importantes nos post-its e entreguem-mos.

Têm de ser palavras que possamos trabalhar em conjunto.

Escolheremos palavras que ajudarão o vosso trabalho e a organização.

É por isso que é tão importante que participem.

É essencial que tenhamos os mesmos valores no trabalho.

Algumas palavras úteis são "qualidade" ou "transparência".

Mas escolham palavras que são importantes para vocês.

Isto é uma treta.

Agora vai haver mais transparência escrevendo-o num pedaço de papel.

- Com todo o trabalho que temos. - Tu faz tudo o que eu te disser para fazer.

MELHOR SALÁRIO

Berit! Podes pegar nisso?

Está fora.

Na cozinha?

- Per-Åke Åkesson. - Arne Svensson?

- Está a perguntar pelo Arne, de Kristianstad? - Não, estou a perguntar por si.

- Porque é que telefona? - Helén.

- Qual Helén? - Helén de Hörby. E Jannica.

Matei-as às duas.

- Como se chama? - Acha que sou parvo?

Acho que se enganou na pessoa.

Há um inspector em Kristianstad que tem o mesmo nome que eu.

ESQUADRA DE MALMÖ CONDADO DE SKANE

Olá. Estou aqui para ver Krister Berg.

- Per-Åke, prazer em ver-te! - Sim.

- Como é a vida de reformado? - Nada mau de todo.

Mas eu queria informar-vos sobre uma coisa. Recebi um telefonema estranhíssimo.

Depois de amanhã é Midsommar.

Precisamos agora de um positivo ou eles encerram o caso.

- Faltam os resultados destes três. - Quando é que vão estar prontos?

Não faço ideia. Eles sabem que é urgente, mas na segunda-feira será demasiado tarde.

Já não suspeita de Ulf Olsson?

Dificilmente. Há algo de muito estranho nele,

- mas deu a amostra sem hesitar. - Seja como for, tentamos.

Já não se pode fazer mais. Tenho de ir.

Merda.

Está perto.

E ainda não encontrámos o bastardo.

Sou o Tonny.

- Vai-te mudar. - Para quê?

Muda de roupa e vem comigo.

Há um positivo.

Andersson.

Åkesson, Polícia de Kristianstad. Precisamos de ajuda.

O endereço é Ängsvägen 3C, em Vimmerby.

Vão imediatamente e prendam Ulf Olsson, 52 anos.

Ele vive sozinho no apartamento. Tem um cão.

Pode tentar o suicídio.

Comeste? Trago-te alguma coisa?

Não, estou bem.

VIMMERBY, DISTRITO DE VÄSTERVIK 23 DE JUNHO DE 2004

Está preso pelo homicídio de Helén Nilsson em Março de 1989..

- Tem direito a um advogado. - Tem de parar com isto. É ridículo.

- Quero ir para casa com o meu cão. - Como?

É ridículo?

Eu não fiz nada, não preciso de um advogado.

Ei, menina, onde vais?

É suspeito no homicídio de Helén Nilsson.

Ulf, já me tinha dito que tem problemas.

Que está a sofrer. Porque acha que tem estes problemas?

Eu penso que é porque está a carregar um fardo pesado.

Nem pensar.

Está enganado. Não vou dizer nada, estou inocente.

Eles analisaram a amostra que me deu em Vimmerby

e corresponde ao ADN que encontrámos no corpo de Helén.

Isso é impossível. Façam o teste de novo.

- Reconheço a sua voz. - O teste é óptimo.

Há anos que está a manter o segredo.

Agora tem a oportunidade para contar a sua versão da história.

Tem estado a beber?

Um par de bebidas esta manhã.

Alguns... vodka durante o dia e à noite.

- Não quero estar em Vimmerby. - Estamos em Kristianstad.

Eu não sabia.

Quer um pouco de água?

Poderia falar-me da sua infância e sobre si?

Não há nada a dizer. Sou um merdas.

É claro que tem algo a dizer. Todos nós temos.

Fui à escola durante oito anos.

O meu pai está morto, mas não sei onde é o enterraram.

A minha mãe ainda vive em Hörby.

Tenho dois irmãos mais velhos, um irmão mais novo e uma irmã mais nova.

Não tivemos qualquer contacto desde que fui para Vimmerby.

- E alguns amigos? - Não tenho amigos.

Deve ter algum.

Não. Não tenho amigos.

Ulf. Por favor, preste atenção.

Ulf!

Vais continuar, não vais?

Antes, tem de dormir e passar a bebedeira. Está completamente ausente.

- Queres alguma coisa? - Oh, um pouco chocolate. Obrigado.

Fale-me de Março de 1989.

Não me lembro nem o que eu fiz há quinze dias.

Sim que se lembra. Ulf, quando alguém faz algo assim, lembra-se.

Porque é que me está a fazer isto?

Eu não fiz nada, Que caralho estou eu a fazer aqui?

Compreendo que se sinta mal.

Tenho saudades do Attas, o meu cão. É um Golden retriever.

O Attas está bem. Está num canil.

Tente lembrar-se do que aconteceu nessa Páscoa há quinze anos.

Não vou dizer nada.

Não tenho futuro. Nada faz sentido. Quero estar com o meu Attas.

Fale-me sobre os empregos que teve.

Estive nalguns ateliers.

Agora vou fazer um estágio de carpintaria para o município de Vimmerby.

Pode falar-me das mulheres que conheceu?

Já teve uma parceira?

O nome da minha primeira esposa era Åsa.

Foi com quem estive melhor.

- Durante quanto tempo foi casado? - Não me lembro.

Muito tempo, penso eu.

Depois vivi com Lisbeth, ou Elisabeth.

Não me lembro do seu apelido.

Era fisiculturista.

Era uma mulher muito forte e robusta.

O nome da minha segunda esposa era Louise.

Porque estou aqui?

A sua mãe. Como é que ela o tratava?

Não como uma mãe, não.

Ela batia-me.

Com o sacudidor de tapetes. O meu pai também batia.

De uma forma animalesca. Quando era pequeno, deu-me um pontapé na cabeça.

Tenho a certeza que os vizinhos o ouviram.

Hoje em dia os serviços sociais viriam, mas nessa altura não importava.

Não tinha amigos na escola.

Aos fins-de-semana costumava esconder-me na floresta.

Quero estar com o meu cão.

Pessoas como eu não se encaixam.

O que estou a fazer aqui?

Tenho saudades do meu cão. Não consigo dormir. Já não vejo os meus irmãos há anos.

O único que me ama é o meu cão.

Ulf, pode ajudar-nos. Pense na sua situação.

- Quero ir para casa. - Não quer dizer mais nada?

Preciso de alguém que fale em meu nome.

Acho que preciso de um advogado.

OK. Ficamos por aqui.

- Tudo bem? - Olá.

Feliz Midsommar.

Queremos que saiba que temos um ADN positivo.

Prendemos o suspeito e estamos a interroga-lo.

Obrigado.

Um homem foi detido

suspeito no rapto, violação e assassinato de Helén Nilsson.

Até agora não estava entre os suspeitos.

O seu ADN é compatível com o obtido na investigação.

- Tem 52 anos. - É da zona?

Não podemos revelar.

Mas posso dizer que é o avanço que há tanto tempo andamos à procura.

- Comissário... - Obrigado.

Agora Berg chega e fica com a glória.

Não me interessa desde que isso não nos empate.

Como está a correr o interrogatório?

- Está a resistir. - Precisamos de o fazer falar já.

Falei com o procurador. Precisamos de provas materiais ou uma confissão.

- O ADN só prova a violação. - Sairá em liberdade num instante.

- Vamos conseguir. Ele vai confessar. - Confissão ou prova material.

Vamos encontrar as provas.

Há técnicos de Småland a procurar no apartamento de Vimmerby.

Tem seis semanas. Depois disso, vamos acusá-lo de violação.

- Achas que consegues fazê-lo confessar? - Não, não é claro.

Está desligado. Não reage.

- Dá-me vontade de vomitar. - Está a enervar-me.

Continua a tentar.

- Ia muito a Malmö? - Não.

PRIMEIRO REGISTO DA HABITAÇÃO

- Alguma vez esteve com prostitutas? - Se nem sequer tinha o dinheiro para tabaco.

Não é motivo de vergonha..

Depois de apanhar sífilis, já não me interessava tanto.

Isso foi muito antes, quando embarcava.

Se os meus colegas me pressionavam, às vezes ia com uma prostituta.

Alguma vez pensou em ter relações sexuais com crianças?

Não, nunca.

Acontece a muita gente. Sabe, pedófilos.

Não consigo sequer imaginar como poderia funcionar com uma criança.

É algo que nunca me interessou.

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