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BASEADO EM INVESTIGAÇÕES DE HOMICÍDIOS REAIS
OCORRIDOS EM SKANE, SUÉCIA, DE 1989 A 2004.
OS DIÁLOGOS E EVENTOS FORAM RECONSTRUÍDOS
APÓS AS INVESTIGAÇÕES E ACONTECIMENTOS.
NÃO SÃO RECRIAÇÕES EXACTAS, BASEIAM-SE EM DECLARAÇÕES E RELATÓRIOS.
ALGUNS NOMES FORAM ALTERADOS.
MALMÖ, CONCELHO DE MALMÖ VERÃO 1989
- Que horas são? - São quase as sete e meia.
Já chegou.
Não quer subir?
Tem vergonha.
Não gastes tudo, por favor.
- Adeus. - Adeus, avó.
A Yannica estava drogada. Tinha uma seringa.
Tornei-me agressivo. Não suporto que as pessoas se droguem.
Tive de lhe pagar 2.000 coroas para a noite inteira.
Assim que entrou no carro, começou a falar de drogas.
Embrulhei-a num tapete Não a vão encontrar.
Queimei a roupa da Jannica e da Helén.
A CAÇA A UM ASSASSINO Estou sozinho. Não tenho família.
Explica isso aos pais da Helén. Não lhes posso dizer mais.
PARTE 3 Não aguento.
Olá...
Inez Jannica Lolita Ekblad.
Nascida em 1963. Vivia em Malmö.
Viciada em heroína. Pagava pelas drogas, prostituindo-se.
Então, saíram juntos pai e filho?
Vista com vida pela última vez a 3 de Agosto de 1989.
Há semelhanças com o caso da Helén Nilsson. Ambas tinham pêlos de cão e de gato.
E ambas tinham sido transportadas em sacos de plástico.
A Yannica foi espancada ferozmente e tinha hematomas por todo o corpo,
POLÍCIA NACIONAL SUECA KRISTIANSTAD, SKANE lesões no rosto e na cabeça,
VERÃO 1997
e fragmentos de crânio no cabelo, tal como Helén.
Porque é que não coordenaram as investigações?
Berg não achava que o perpetrador fosse o mesmo. Eu tinha a certeza.
Eles não queriam entrar noutra jurisdição, sabes como é.
Medo de cometer um erro, de perturbar outras pessoas...
- Tens um momento? - Estamos no meio de algo.
- Podem voltar dentro de meia hora? - É melhor ser agora.
- Avisa-me se houver alguma coisa. - Claro, obrigado por terem vindo.
Temos recebido queixas sobre a tua forma de trabalhar.
É por causa de Jesper Larlsson?
Transferi-o porque não estava a fazer o seu trabalho.
É mais do que isso. Não se trata de um caso isolado.
Vamos investigar o ambiente de trabalho no teu departamento.
Compreendo que isso te pode afectar.
Tens de o levar mais a sério. Moderniza-te.
E as avaliações do ano passado? Sou o director mais bem classificado.
Sim, mas tens ignorado os teus deveres administrativos.
Do que estás a falar?
Não fazes as avaliações dos trabalhadores seguindo o modelo.
Também não preencheste o planeamento.
Há empregados sem mobília. São muitas coisas, Pelle.
Arne, de que se trata isto?
Tens de utilizar o modelo. É para controlo de qualidade.
E sem o cronograma, como é que sabemos as tuas previsões para o próximo ano?
Está a brincar? Arne, conhecemo-nos.
Esse questionário não faz sentido.
Não posso saber com precisão tudo o que vou fazer no próximo ano.
Como é que vou planear 1650 horas, uma a uma?
Não importa. Tens de seguir as regras, como os outros.
Foi aberta uma investigação sobre a tua liderança.
Considera-te avisado.
Declaração proferida às 13:10 do 19 de Agosto de 1997.
Monica Olhed no comando.
A entrevistada é Vera Persson, avó de Jannica Ekblad.
Recolhemos a declaração em sua casa.
- Diga-me o que fez nesse dia. - Eu estava a vender bilhetes de lotaria.
Quando cheguei a casa, a Jannica já cá estava.
Fiz-lhe uma sanduíche e dei-lhe 200 coroas..
Havia um homem na rua, à espera dela.
Ela disse-lhe alguma coisa sobre este homem?
Que lhe ia dar algum dinheiro.
Sentava-se sempre ali.
Veja como era bonita.
A imprensa apenas contou que se drogava e se prostituía.
Mas era a nossa menina. Era amorosa e divertida.
E muito sensível. A minha pobre Jannica.
Esta rapariga parece-lhe familiar?
Olá.
- Conhece a rapariga da fotografia? - Não.
Não a conhece?
Viu-a várias vezes?
Ela está bem?
Queria perguntar-lhe se reconhecer esta rapariga.
Aqui estão os que saíram de lá, não conseguiram nada em Malmö.
Há vários lugares como este, para aqueles que se querem esconder.
Porno de baixo orçamento e ar puro.
- Não o prendemos esse? - Sim, era o que eu pensava.
Agora está à solta e a receber a sua pensão.
Posso ajudá-los?
- Estamos à procura de informação. - Não estamos a fazer nada de ilegal.
Bebemos umas cervejas, passamos a tarde.
- Queremos falar com Jenny. - Sobre o quê?
Precisamos de lhe perguntar sobre Jannica,
uma prostituta que foi assassinada em Malmö há alguns anos.
- OK. Ela está naquela caravana. - Obrigado.
- Que diabo querem eles? - Jenny?
Isabella, vai embora... e leva o maldito cão a brincar.
O meu nome é Monica Olhed.
- Reconhece-a? - Ah, Jannica.
- Isso já foi há muito tempo. - Sim, o tempo voa.
Jannica falou-lhe de algum homem antes de morrer?
- Já não me lembro. - Deve lembrar-se de alguma coisa.
Já foi há muito tempo.
- Alguém ameaçou a Jannica? - Estou a dizer que não me lembro.
Penso que a melhor coisa a fazer é falar com a Lena.
Ela e Lena eram muito amigas. Fale com ela.
Lena? Sabe o apelido?
Foi para aquela comuna religiosa perto de Höör. Com a sua criança.
- Que lugar é esse? - Um grupo cristão.
Acho que é uma coisa meia retorcida.
E depois houve aquele cliente.
- "O Porco". Sempre em cima dela. - O Porco? Sabe como se chamava?
Não faço ideia. Isso é tudo o que sei.
O Porco. Que tipo nojento, nojento.
Lembro-me que ele penhorava a sua tralha na loja de segunda mão.
Prometam-me que vão investigar o Porco. A sério.
- Sim. - Cabrão de merda.
Ele não tinha todos os parafusos, era um psicopático de merda.
Acha que isto é bom para a criança?
Eu sei. Eu não queria acabar aqui, mas é o que há.
- Queremos ir embora. - Venha connosco.
Má ideia.
Iremos embora. A sério.
- Cuide-se. - Isabella! Vem!
Li umas declarações da amiga de Jannica.
Identifica um possível assassino. E encontrei esta nota no ficheiro.
Liga os assassinatos de Helén e de Jannica.
A nota não levou a nada. Pode não ser genuína.
O ASSASSINATO DE HELEN E JANNIKA PORQUÊ?
Recebi uma chamada telefónica de um homem que diz ter assassinado Helén e Jannika.
Há sempre maluquinhos que ligam.
Essa pessoa telefonou-me a mim em 93 e ao Arne em '89.
E não levantaste um dedo, fizeste merda.
Voltou a ligar. É o mesmo assassino.
Não sabes isso.
Mas precisa de ser investigado.
E vamos investigá-lo. Malmö ocupa-se de Helén, vocês de Jannica.
Não. A separação dos casos foi um erro. Têm de ser investigados em conjunto.
Eu compreendo-o. Sei que não te agrada, mas vamos fazê-lo assim.
A investigação interna sobre mim, o que é isso?
Falaremos sobre isso noutra altura. Não posso comentar neste momento.
- Teve alguns grandes resultados. - Sim, é muito bom.
Mas as pessoas estão insatisfeitas com ele. Tenho de investigar.
Precisamos de uma visão geral. A nova organização
precisa de facturação interna, pedidos e relatórios.
Isso sim é assumir a responsabilidade pelo pessoal.
Não tem havido diálogo, relatórios de desempenho... nada.
E ali está aquela mulher, Lena,
que está há meses à espera de uma nova cadeira.
É inaceitável. Não posso deixar que as pessoas façam o que querem.
Tu percebes.
Não sei se posso falar sobre isto.
- Nós somos a polícia, claro que pode. - O Porco trabalhava nos correios.
Eu não queria saber nada, mas roubava coisas do trabalho.
- E trazia-as para aqui? - Sim, imensas coisas.
Às vezes até precisava de um reboque.
Tínhamos de as pôr na rua.
- Alguma vez viu a Jannica? - Sim, claro.
Jannica, a sua amiga e Ann-Charlotte eram as que recolhiam tudo.
Algumas coisas ficavam guardadas, mas vendíamos quase tudo aqui.
- A Jannica trabalhava aqui? - Sim. Ela ajudava-me.
Há muitas pessoas como ela.
Assim não tinha de se prostituir.
- Mas não funcionou. - Não.
Ann-Charlotte levava a Jannica e a sua amiga como pagamento para O Porco.
Com sexo.
Sim, com favores sexuais. Precisamente.
- E as pessoas na loja sabiam disso? - Claro.
Ann-Charlotte estava no comando e ficava com uma parte.
- A sério? - Completamente.
É uma coisa horrível de se fazer. Horrível.
Mas o que é que eu podia fazer? Eu só trabalho aqui,
- Não me podia envolver. - Nós compreendemos.
Era muito nojento.
Mais alguém tinha conhecimento disto?
Que eu saiba, não.
A maioria das pessoas aqui são boas pessoas. A sério.
E nenhuma destas boas pessoas fez alguma coisa a esse respeito?
Não me parece.
Quando foi a última vez que viu Jannica?
Penso que deve ter sido na primavera de '89.
Sim, acho que sim. Já se passaram alguns anos.
Onde podemos encontrar Ann-Charlotte?
Penso que no escritório principal.
- Mas não lhe fale de mim, por favor. - Não, não se preocupe.
O novo sistema de pensões inclui bónus de poupança.
Dois por cento dos rendimentos devem ser investidos em fundos de acções...
- Agora querem-nos obrigar a investir. - Sim, que coisa.
A mim parece-me uma loucura.
Diversas testemunhas o corroboram.
Não vou dar ouvidos a embustes anónimos de um maluco qualquer.
- Porque não nos sentamos? - Está bem, mas não tenho muito tempo.
Serviu uma jovem prostituta chamada Jannica no final dos anos 80?
Não me lembro de todas as raparigas que ajudámos.
É lógico. Mas Jannica foi assassinada em 1989.
Jannica? ela tinha cabelo escuro?
Sim, talvez tenha sido ela. Vou ter de verificar.
- Conhece um homem apelidado de Porco? - Não me soa nada.
Como pode comportar-se assim?
Encobrindo um puteiro miserável.
Aproveita-se das mulheres no limite! Elas precisam de protecção!
- Åkesson. - Sou Allan Östlund.
Está ciente de que o seu departamento está a investigá-lo?
- Sim, eu soube. - Tem algo a declarar?
Dizem que assediou um inspector,
que utilizou o carro para assuntos pessoais e criticou a nova organização.
Na verdade, não houve tal assédio.
Posso imaginar de onde vem tudo isto, mas não vou comentar sobre isso.
Falei com os meus superiores, obrigado por telefonar.
- O que é que se passa? - Não é nada.
- Que estupidez, as regras de despesa. - Nem me digas nada.
Não se pode tomar um café sem preencher um formulário.
Jannica foi encontrada apenas a 33 quilómetros de Helén.
Ambas foram estranguladas e espancadas com um tubo metálico.
Também tinham sido lavadas e tinha pêlo de cão.
De momento, não é possível analisar o ADN que temos.
A tecnologia está a melhorar, mas a amostra é pequena e antiga.
Temos uma pista sobre um homem com o pseudónimo de Porco.
Procurei-o e o seu nome é Bo Andersson.
Cumpriu pena por roubo e fraude,
que cometeu enquanto trabalhava nos correios de Helsingborg.
O Porco era um cliente habitual de Jannica.
Foi condenado por violação com faca de uma menina de 16 anos.
O psiquiatra declarou-o "perigoso e com graves problemas sexuais".
Ele disse ao psiquiatra que amava Jannica.
- Foi assistente social da Jannica? - Sim. Há muito tempo.
Lembra-se se tinha medo de alguém?
Não me lembro de ninguém específico,
mas estava rodeada de muitas pessoas que davam medo.
Estava sempre a arriscar.
Conhece um cliente seu chamado Bo Andersson?
O nome não me é estranho, já ouvi falar dele. Só um segundo.
Sim, era uma boa peça.
- Não deveriam deixá-lo à solta por aí. - O que é que quer dizer com isso?
Há com cada um... O que estava aqui há pouco
queria ser fechado à chave. Acha que vai cometer um crime violento.
Mas não o posso prender antes de o fazer.
Nos centros de saúde mental não há vagas. Estão a fechá-los.
Aqueles que mais precisam de ajuda estão por aí, à solta.
É horrível. Mas lembra-se se Jannica estava com algum homem?
Não é assim tão fácil. Vejo muita gente.
Assim que são apanhados, trazem-nos para falar comigo.
- Não parecem ser a alma da festa. - Pois não.
Esse é o Martin, 49 anos. O seu vício é dormir com prostitutas
que acabam de estar com outro homem, e ainda tem o seu sémen dentro delas.
Divorciado, dois filhos, consultor.
Quando ele entrar, vai começar a chorar e jurar que não o vai fazer mais.
Mas se amanhã eu for com a polícia ao bordel de Värnhem,
adivinhem quem vou encontrar.
Anders, 36 anos.
Canalizador independente. Mijou-se quando a polícia o deteve.
Diz que quer ajudar as raparigas. Vê as prostitutas como namoradas.
Pensa que elas sentem o mesmo.
Não compreende que têm outros clientes.
E depois há o Jan-Olof, o agressivo. Funcionário público.
Deixou de beber, os seus chefes ajudaram-no a consegui-lo.
Ele diz que só se quer divertir com elas.
Canta no coro da igreja. Aos domingos, almoça com os sogros.
Implorou à polícia que enviasse o relatório para o trabalho, não para a sua casa.
Todos eles dizem que vão parar, mas isso está fora de questão.
Não o conseguem evitar.
A verdade é que. Este trabalho afunda-te.
Tira-te a alegria. Completamente.
Há alguém maior do que todos nós!
Jesus!
Depois de ter conhecido Jesus, só queres e mais e mais!
Louvado seja o Senhor!
Chegaremos a todo Skåne! Um milhão e setenta mil pessoas!
- Aleluia! - Aleluia!
Para isso precisa de falar com o Jonatan.
Estou à procura de uma mulher cujo nome é Lena,
É suposto viver neste centro.
Lena? Não sei, o que é que quer dela?
OK, pode ver a Lena. Mas lembre-se queremos paz e sossego.
Está aqui um homem para te ver. É um polícia.
É sobre Jannica Ekblad.
- Conto contigo na reunião. - Sim, eu lá estarei.
Não tenho muito tempo. Tem de ir antes da minha filha voltar da escola.
Vai às aulas aqui?
Sim... temos uma escola.
No início pensei que o melhor era fugir de Malmö.
Agora não sei.
Como conheceu a Jannica?
Estivemos no mesmo reformatório aos 13 anos.
- Ela já consumia drogas nessa idade? - Não, nada disso.
Ela era uma criança espectacular. As drogas vieram mais tarde.
Ouvíamos o Dr. Hook e íamos para a praia.
Ela era linda.
Os carros apitavam para ela, tinha muitos ciúmes.
Frequentou um reformatório pela mesma razão que eu.
Foi violada aos 12 anos e depois tudo correu mal.
O seu irmão ficou viciado muito cedo em heroína.
Queria perguntar-lhe sobre alguém apelidado O Porco. Ele pagava por sexo.
Lembra-se dele?
Um filho da puta. Como poderia esquecer?
Costumava ir muito a uma loja de segunda mão consigo e com a Jannica.
O Porco roubava coisas.
A loja ficava com quase tudo e nós levávamos algumas coisas.
Foi repulsivo. Metia medo. E muitas vezes batia-me.
- Sabe se agrediu alguma criança? - Não, que eu saiba, não.
Mas eu não me surpreenderia. Ele era capaz de qualquer coisa, o cabrão.
Na altura, eu namorava um camionista
e ambas nos escondíamos no camião quando O Porco estava à nossa procura.
Lena, acha que O Porco poderia ter matado a Jannica?
Não sei.
Ele estava realmente fora de si, por isso talvez.
Mas havia outros tipos que eram sinistros. Havia um com um Volvo,
outro que viveu em Limhamn. Ele era realmente assustador. Não sei.
Sabe se O Porco tinha outra casa para além do apartamento em Malmö?
Sim, uma casa perto de Hässleholm. Fui com Jannica uma vez.
Lembra-se onde? É importante.
Sim, eu digo-lhe, mas quero que se vá embora.
Não é algo que eu goste de recordar. Tento esquecê-lo.
E quanto a essa marca?
Estão a tentar expulsar os meus demónios. Os que arruinaram a minha vida.
Jonatan diz que eu estou possuída e que eles têm de os tirar de mim.
Têm de os expulsar a todos. Ele diz que é muito difícil.
Vão-me tirar a Linda se eu sair daqui.
Ela diz que não posso tomar conta dela, que eu sou uma má mãe.
Vá embora agora! Vá embora, não aguento mais!
Ei! saia!
Saia daqui! Aqui não gostamos de polícias.
Vive aí?
- Sabe quem vive naquela casa? - Ali não vive ninguém.
Foda-se!
- Pelle. - Estou em Malmö por outro assunto,
- mas adivinha quem vi? - Quem?
- O nosso amigo O Porco, está aqui. - De que estás à espera, vai-te a ele!
Bo Andersson?
Vou-me a ele!
- Pára! Foda-se, que agressividade! - Vá, cala-te.
- Cuidado com o casaco! - Roubaste-o a algum velhote?
Tens de revistar minuciosamente o apartamento do Porco.
Não te deixes fugir nada, Tonny.
Tinhas um carinho especial pela Jannica?
Acho que estava apaixonado.
- Mas tornou-se arrogante. - Ai sim? o que fez?
Nada de especial, mas não queria saber de nada.
- E não gostava disso. - Não.
Mas não lhe fiz nada. A sério.
- Tem a certeza? - Absoluta.
DE QUEM É A DÍVIDA?
Karlsson, de Cobranças.
- Pode sentar-se na minha cadeira. - Desculpe?
- Aqui, na cadeira da cozinha. - Ah, muito obrigado.
Tem impostos por pagar. É por isso que estou aqui.
- Qual é o seu rendimento? - Subsídio de desemprego.
- E quanto é que recebe por mês? - Entre 3200 e 3300 coroas.
- Está desempregado há muito tempo? - Sim. Seis meses.
- A sua casa está quase vazia. - Desde que não me leve o cão...
Pode ficar com ele. E o rádio também.
- Muito obrigado. - A você.
UM AMIGO DE JANNICA FORNECE UMA GRANDE PISTA
- Já viu Arne? - Não. Conseguiste sacar alguma coisa ao Porco?
Estou a tratar disso.
Passei pela sua antiga casa em Hässleholm. Há quanto tempo a tem?
Não sei. Cinco anos ou assim.
- Levou a Jannica até à casa? - Não.
Eu nunca a levei lá.
- E onde é que se viam? - Em vários lugares.
No meu apartamento. Por aí.
Diz aqui que violou à ponta de faca uma menina de 16 anos em Hässleholm.
Não estava a tentar levá-la para casa? Não levou lá nenhuma rapariga?
- Às vezes. - Mas não Jannica.
Não, já disse.
Temos uma testemunha que o viu lá com Jannica.
Estou-me a cagar. Quem é esta testemunha?
Tem alguma prova contra mim?
Vai prender-me? Porque se não, vou para casa.
Tem alguma ligação com o assassinato de Jannica?
Não, nenhuma.
Teve a má sorte de se deparar com um cabrão pior do que eu..
E eu já sou má sorte.
É uma vergonha vê-los livres, sabendo o que fizeram.
Finalmente apanhámo-los.
Olha que dois!
Enquanto durar a investigação,
não podes continuar a ser director da divisão de Kristianstad.
- Porque não? - Vais ficar subordinado a Malmö.
Amanhã, Arne Svensson passará ao comando.
Não é esse o protocolo. Tens de informar
com pelo menos seis meses de antecedência para dar tempo de preparação.
- Foi informado. - Eu faço bem o meu trabalho!
- Não me podem despedir. - Já não estás no comando.
Em Fevereiro, excedeste o orçamento em 100.000 coroas.
Estás sempre a criticar a organização, é intolerável.
Mas podes continuar com o caso Jannica.
Considera-o uma demonstração de gentileza. Poderia ter-te suspendido.
O Berg lixou a nossa unidade...
Desmantelou-a. Arne estará no comando.
Isso é uma loucura. Quantos casos já resolvemos?
É a merda da investigação interna. Eles preocupam-se mais com as estatísticas.
Intimaram um suspeito 30 vezes para contabilizar 30 interrogatórios.
- O que é que eu faço agora? - Tem cuidado.
Mantém a cabeça baixa. Mesmo que tenhas razão.
Bando de inúteis.
O que estás a fazer ao Pelle... não é correcto. Não te apoiarei.
Se fosse a ti, não me fixaria. É melhor preocupares-te com a tua carreira.
Dizem que ele está sob as ordens de Malmö e que está sob investigação.
- Preciso de um comentário da tua parte. - Não vou fazer declarações.
Um chefe de polícia sob investigação. Isso tem de constar na imprensa.
Devo ter irritado algumas pessoas e querem vingança.
- A quem? - Não sei. Talvez não me encaixe.
Ou têm ciúmes de mim. Não faço ideia.
Ligue durante o horário de expediente.
INSPECTOR CHEFE: "ELES FORÇAM-ME A AFASTAR-ME".
APESAR DO SEU SUCESSO, INVESTIGA-SE O INSPECTOR CHEFE DA KRISTIANSTAD
Arne, porque não disseste nada?
Pelle, tu próprio trouxeste esta situação.
Posso ver o relatório sobre o ambiente de trabalho?
- Claro que não, é confidencial. - E porquê?
Não acho que seja assim tão grave.
Desculpa, Pelle. As minhas mãos estão atadas.
Compreendo que te sintas deslocado.
Nunca encontraste o teu lugar na nova organização.
O meu espaço foi-me tirado e eles não me deram uma razão.
Compreendo o que estás a dizer, estou a ouvir.
Mas não te vemos assumir responsabilidade da organização.
Não é um transmissor da cultura.
- Compreendo que aches frustrante. - Deixa-te de tretas.
Podemos oferecer-te três sessões gratuitas com um psicólogo.
Queremos ajudar-te, Pelle.
Sim?
Sou Allan Östlund, do jornal Kvällsposten.
Per-Åke Åkesson, falta de sono, dor abdominal, dor de cabeça.
O paciente sente-se deslocado no seu trabalho.
Outra pessoa ocupou o seu gabinete e mandaram-no para um casebre.
Baixa devido à depressão. Foram prescritos benzodiazepínicos.
HÖRBY, CONDADO DE SCANIA PÁSCOA DE 1999
ASSASSINATO DE HELÉN NILSSON
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