Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
INSPIRADO EM FACTOS REAIS
Bom, basta!
Agradecia que... Obrigada.
Gostaríamos de começar. Obrigada.
Bom dia, senhoras e senhores.
Dou por aberta a sessão de hoje do processo contra Ernesto Perez,
517-12/20.
A primeira pessoa que ouviremos hoje é o pediatra Dr. Liessen.
Dr. Liessen.
Inga.
Tenho de regressar à rapariga.
Encontrou...
Só um instante...
Cá está.
No seu primeiro exame,
"vermelhidão da pele" no traseiro e na boca da menina.
- Sim. - "Vermelhidão da pele".
Sim, exactamente.
Espere... Cá está.
Qual era o aspecto?
O que é isto? Toda a gente sabe o que é vermelhidão. É pele vermelha.
Vermelha? É isso?
Sim, claro. Avermelhada.
A testemunha pode dizer-me que número vê aqui?
- Como? - Que número vê, Dr. Liessen?
Eu...
Não vejo número nenhum.
É um 2.
- Objecção! - Porquê?
A pergunta não é admissível.
Vai ter de fundamentar isso.
Pergunta autorizada.
Ou solicita uma ordem judicial agora
ou o seu protesto não terá valor no recurso.
Mas óptimo, vou continuar.
E agora, que número vê?
Não vejo nenhum número.
Continuamos?
Não, eu...
Sou daltónico.
Então isso significa que para si,
"vermelhidão da pele" não é vermelho.
É apenas perceptível como um diferente grau de luminosidade.
Foi só isso que observou na Inga.
Sim.
Não ouvimos bem.
Sim.
- Na Inga e em todas as outras raparigas? - Sim.
Óptimo.
Quando foi a última vez que fez formação de pediatria?
Desculpe?
A última vez que fez alguma formação médica, Dr. Liessen?
Terminou os seus estudos há mais de 30 anos.
- Pratico medicina regularmente. - Mas não faz formações?
Leio revistas da especialidade, não tenho tempo para formações.
Muito bem.
Passemos às conclusões que despoletaram estes processos.
O seu primeiro exame, o da Franziska.
Sim, fiz à Franziska um exame médico.
- A abertura himenal... - O que é isso?
O hímen é um pedaço de tecido mucoso, fino e elástico,
que fecha parcialmente a abertura vaginal.
A abertura himenal estava muito dilatada.
O hímen e o vestíbulo, ou seja, o vestíbulo vulvar,
estavam avermelhados.
A membrana mucosa genital apresentava-se inflamada.
Havia duas cicatrizes verticais de cerca de dois a três milímetros
na comissura posterior.
Comissura?
A comissura é a junção dos grandes lábios.
A comissura labial posterior
é onde os dois grandes lábios se juntam ao períneo.
- Então, perto do períneo? - Exacto.
O que concluiu daí?
Que se tratava, para lá de qualquer dúvida médica razoável,
de um caso de abuso penetrativo sexual crónico.
"Para lá de qualquer dúvida médica razoável"?
Conhece este livro?
"Maus-tratos Infantis: Diagnóstico, Inter- venção Médica e Enquadramento Legal".
Sim, é uma obra científica de referência.
Importa-se de abrir na página 164?
Importa-se de ler as partes assinaladas a verde?
"As medições da largura da abertura, a largura do hímen,
"não desempenham qualquer papel na análise dos exames genitais.
"Não permitem tirar quaisquer conclusões
sobre a eventualidade de abusos sexuais passados."
E agora a página 170.
As partes sublinhadas a verde.
"Vermelhidão ou eritema do vestíbulo,
"hímen ou tecidos perianais
"são com frequência mencionados como evidências.
"Contudo, são igualmente detectados
"em mais de metade das crianças não-abusadas,
e considerados uma variável normal."
Isto significa, em palavras simples?
- Significa... - Sim?
Significa que há uma explicação alternativa.
Um momento...
O senhor apresentou as suas conclusões, Dr. Liessen.
Interpretou-as de uma forma muito clara:
"Para lá de qualquer dúvida médica razoável", afirmou.
Mas na realidade, a sua interpretação não é a única possível.
Na verdade, é até bastante improvável.
- É isso que está a tentar dizer-nos? - Sim.
Significa que aquilo que considera estar
"além de qualquer dúvida médica razoável"
não é sustentável pelos actuais conhecimentos da investigação científica.
Sim.
Portanto, não sabemos com certeza se a Franziska foi ou não vítima de abusos.
- Sim, se o senhor o diz... - Não, não. Não é se eu disser.
É a ciência. A obra científica de referência.
- O estado actual da investigação. - Sim, mas...
Mas?
Foram também encontrados vestígios de esperma no corpo.
Vestígios de esperma.
Isso leva-nos ao ponto principal da nossa avaliação.
Naquela noite, o doutor determinou haver vestígios de sémen na Franziska.
- Sim. - Só para esclarecer.
Ela foi a única das 16 crianças,
continuamente examinadas por si,
em quem esses vestígios foram encontrados.
Sim.
Como sabe, no bar,
onde se diz terem ocorrido centenas de casos de abusos sexuais,
apesar de exaustivas buscas,
não foram encontrados vestígios de sémen.
Sim.
Nem nas mesas, nas cadeiras,
nas toalhas de mesa ou de mãos, nem no chão.
- Absolutamente nada. - Sim, nada.
Muito bem.
Voltemos à Franziska.
Fiz um esfregaço e continha sémen.
Como é evidente, analisou imediatamente o esfregaço.
Já era tarde...
Estou a ver. Foi fora do horário de expediente.
Fê-lo no dia seguinte?
- Não. - Desculpe, não?
Enviou-o para o departamento forense?
- Não. - Também não.
Então, onde foi o esfregaço analisado?
- Não foi. - Não foi analisado?
Então, onde está neste momento? No congelador do seu consultório?
- Foi... - Sim?
- Eliminado. - Eliminado?
Deitado fora.
Não está a falar a sério, não?
A única prova
nos três julgamentos, julgamentos criminais,
que decorrem há dois anos e sete meses,
a única prova para 26 pessoas que se encontram em prisão preventiva
foi deitada fora?
Eu...
Também não sei explicar como aconteceu.
Também não sabe explicar...
Portanto, caso se tratasse realmente de sémen,
não sabemos sequer a que homem pertencia.
Sim. Ou antes, não.
Mas era sémen.
Seria realmente?
Agora não temos a certeza.
Nem o podemos examinar.
Se compreendi bem,
após o exame, recomendou que a Franziska fosse levada à Sra. Reuth.
- Sim. - Porquê?
- Como assim, porquê? - Não faz parte das suas funções.
Devia ter levado a Franziska à assistência social a jovens.
Porquê a uma organização privada?
Porquê logo à Sra. Reuth?
É uma organização que protege crianças de abusos sexuais.
Não terá sido antes porque a conhecia?
- Sim, já nos conhecíamos. - Como?
- De seminários... - Que género de seminários?
- Seminários de fim de semana... - Dr. Liessen, por favor!
Não me dificulte as coisas!
Esses seminários eram sobre...
Como é que aquilo se chamava?
"Noções de abusos sexual infantis"?
- Sim. - Seminários de fim de semana?
Dez dias no total.
Onde mulheres e homens de profissões diversas,
são formados para reconhecer abusos sexuais infantis.
- No final, recebem um certificado. - Sim.
É como ver um curso de cozinha na TV
e achar que se sabe cozinhar.
Não, claro que não.
Claro que não...
O doutor gravou uma das conversas com um rapaz, o Peter.
Vou agora reproduzi-la, se o tribunal me autorizar.
Faça o favor.
Peter...
Porque estás aqui hoje?
Para ser examinado.
Exacto. E porque tens de ser examinado?
Não sei.
Queres que te diga?
Sim. Porquê?
Certo...
A Franzi disse que tu...
podes ter estado presente uma vez...
quando outros homens e mulheres...
e uma ou outra criança tiveram...
de se despir...
Outras crianças tiveram de se despir...
E, às vezes, os adultos também se despiam.
Acham que um menino desta idade compreende esta pergunta?
É verdade que devia tê-la feito de forma mais simples...
É por isso que tenho de te examinar.
Vou ver o teu traseiro. O teu rabinho.
O quê?
- É só para ver. - Não.
Peter, ninguém pode proibir isso.
Eu sou médico, eu sei.
Sim...
Vêm cá imensas crianças.
E quando...
quando lhes examinamos o rabinho, eles...
eles não se importam.
Não dói nada, sabes?
Peter...
Eu...
Parece-me que tens medo de arranjar sarilhos
se eu te examinar o rabinho.
Não!
Receias que eu conte o que tu não queres contar.
Tens medo que eu diga que é verdade.
Que parece que alguém pôs a pilinha
dentro do rabinho do Peter.
O quê?
- Lembra-se desta entrevista? - Sim.
Lembra-se do que escreveu no seu relatório?
Não exactamente, mas...
Passo a citar:
"Peter recusa-se a ser examinado por medo."
"Não há dúvida de que foi vítima de abusos sexuais."
"Não há dúvida de que foi vítima de abusos sexuais."
O que o levou a esta conclusão, por amor de Deus?
- Pensei que... - Pensou o quê?
Só porque um rapazinho não quer que um homem que faz perguntas confusas
lhe examine o ânus?
Aprendeu isto com a Sra. Reuth naqueles cursos duvidosos?
Meu Deus, Dr. Liessen!
- Eu... - Mas voltemos à Franziska.
Falou com a Sra. Reuth acerca da menina?
Sim, liguei à Sra. Reuth.
Partilhou as suas conclusões com a Sra. Reuth?
Sim, acho que sim.
Acha que sim?
Deve ter-lhe explicado porque motivo mandou a Franziska ir ter com ela.
A Franziska fora vítima de abusos
"para lá de qualquer dúvida médica razoável".
Disse isto, ou algo semelhante, à Sra. Reuth?
Sim.
Nesta conversa telefónica assentam todos os três processos.
A Sra. Reuth já não pergunta se a Franziska foi vítima de abusos,
mas apenas por quem.
Dado o diagnóstico médico, não podia pensar outra coisa,
mas isso não melhorou as coisas, antes, piorou-as.
Foi exactamente neste ponto que este julgamento deu para o torto.
Não tenho mais perguntas para a testemunha.
Alguém deseja fazer perguntas à testemunha?
Não?
Nesse caso, pode retirar-se, Dr. Liessen.
É uma da tarde. Vamos interromper a sessão durante uma hora.
Regressem, por favor, às duas.
ESTOU NO TRIBUNAL.
O ADVOGADO ARRASOU COM O MÉDICO.
ADVOGADO RIDICULARIZA MÉDICO EM OTTERN.
OS ADVOGADOS SÃO COMO OS CLIENTES, UNS FAJUTOS.
DIAGNÓSTICO CLARO DE ABUSOS SEXUAIS
FEITO POR PEDIATRA EXPERIENTE.
CRIANÇAS NOVAMENTE VÍTIMAS DE ABUSO EM TRIBUNAL.
ISTO JÁ NÃO TEM NADA QUE VER COM JUSTIÇA.
Mais alguém tem perguntas para a Sra. Laubach?
- Eu tenho. - Faça favor, Dr. Schlesinger.
Encontrou algumas provas no bar do meu cliente?
De abuso sexual?
Sémen, pornografia, preservativos, sei lá, qualquer coisa?
- Não. - Muito bem.
O seu relatório menciona um buraco no tecto da cave.
Uma das crianças disse que tinha sido feito um filme durante a orgia sexual.
A criança descreveu uma câmara pendurada no tecto.
Daí a acusação presumir tratar-se de um círculo de pornografia infantil.
Então e a câmara?
Encontrámos um buraco no meio do tecto.
- Um buraco? - Sim.
- Com a câmara? - Não, apenas o cabo eléctrico.
Apenas o cabo. No tecto.
Observem, por favor, o tecto.
Um cabo eléctrico no meio do tecto.
Como na maioria das salas, sempre no meio.
É onde os electricistas os colocam.
Isso não invalida a possibilidade de lá poder ter estado uma câmara.
Nem invalida a possibilidade de lá se ter grelhado frango.
Mas é pouco provável.
Isto é uma carta da mais antiga loja de artigos eléctricos,
a Electro Nadler, em Ottern.
Nela, o proprietário confirma ter feito ele a instalação eléctrica no bar.
E também na cave.
Uma instalação normal.
Electricidade. Fusíveis. Coisas desse género.
Isso corresponde à informação que temos, sim.
Acondicionámos o cabo que ainda se encontrava no lugar.
Um cabo eléctrico disponível em qualquer lado.
Encontraram uma objectiva na cave.
- Sim. - De uma câmara de vídeo?
Não, de uma máquina fotográfica.
O senhor foi ter comigo a este respeito
e, desde então, a questão não me saiu da cabeça.
E?
A objectiva é da polícia.
O quê?!
Investigámos o bar e a cave durante dias.
Também lá esteve um fotógrafo da polícia.
Ele esqueceu-se lá da objectiva.
Outro polícia encontrou-a e introduziu-a na lista de provas.
Muito bem.
O que levou a que o bar do meu cliente
fosse considerado o local das orgias?
Um dos rapazes, o Klaus.
Ele descreveu o bar
como ficando próximo de um campo de futebol,
um campo de ténis e de uma piscina.
- Posso? - Agora estou eu a interrogar.
Mas pode.
Podem ver La Bonita aqui no mapa da cidade.
Fica a 300 metros de um campo de ténis,
a 250 metros de uma piscina,
e a um quilómetro de um campo de futebol.
Uma descrição bastante exacta para uma criança de 6 anos.
Isto está correcto?
Sim.
- Mas não é tudo. - Que mais há?
Há vários bares em Ottern,
todos quase exactamente à mesma distância
do campo de futebol, do campo de ténis e da piscina.
É uma cidade pequena.
Tenho aqui uma lista de 17 bares
que correspondem às informações do rapaz.
De uma perspectiva criminológica, isto não passa de uma pista.
É como marcar um encontro em Veneza, numa igreja perto de uma ponte.
Como?
- É igualmente claro. - Dr. Schlesinger, por favor.
Foi isso que disse à acusação?
Quero dizer, que as indicações do rapaz não tinham valor?
- Sim. - E?
- Bem... - Sim?
Pouco tempo depois,
a investigação foi mais ou menos transferida por completo para a Sra. Reuth.
Fomos totalmente afastados.
A Sra. Reuth...
Mas ela não é agente da polícia.
Prefiro não comentar isso.
É comentário suficiente.
Não tenho mais perguntas para a testemunha.
- Então a testemunha pode retirar-se. - Não. Espere.
Ainda tem perguntas, Dr. Cordelis. Perdoe-me o descuido.
O rapaz, isto é, o Klaus,
descreveu outra coisa que apenas se aplicava a este bar.
Sim, tem razão.
Ele disse que vira lá uma pintura de um koala.
E?
Um koala com cerca de dois metros por três
está pintado na parede do La Bonita.
Este koala pode ser visto da rua?
Por quem passa de carro, por exemplo?
Não, fica na parede das traseiras do bar.
- Perto da entrada para a cave? - Sim.
A cave onde ocorreram os abusos.
- "Alegados" abusos. - Os alegados abusos.
A pintura do koala foi descrita por outras crianças?
Sim, por outras três crianças.
Que só a poderiam ter visto se estivessem perto da porta da cave?
Penso que isso poderia ser uma explicação.
Julgo que isto responde às suas perguntas algo estranhas.
Está aqui só a baralhar as pessoas.
Obrigada, Sra. Laubach. Pode retirar-se.
Boa tarde, Sra. Laubach.
Boa tarde.
Por favor, traga-me tudo o que ainda temos sobre os casos de abusos.
Sim, eu sei quantos volumes são.
Sim, todos.
É tudo?
Sim.
Procura alguma coisa específica?
Diga à Menina Meier que preciso de uma grande chávena de café.
E não quero ser incomodada hoje.
Muito bem.
Segundo o meu programa, vamos agora ouvir a Sra. Reuth.
Faça o favor.
Interrogou todas as 16 crianças no seu apartamento.
- Correcto? - Sim.
As entrevistas demoravam com frequência muito tempo. Fazia pausas?
Claro.
Ia dar um passeio com as crianças, para apanharem ar?
Não, mas elas podiam deslocar-se livremente pelo meu apartamento.
- Podiam ir à varanda? - Como?
As crianças podiam ir à sua varanda?
Claro, porque haviam de não poder?
Vive no Nº. 14 da Händelstrasse.
- No segundo andar. - Sim.
A sua varanda é virada para oeste?
Sim.
Se estiver à varanda, o que vê?
- Que perguntas são estas? - Eu também gostaria de saber.
Dr. Schlesinger?
Consegue ver a Brahmsstrasse da sua varanda?
Dr. Schlesinger!
Consegue ver a rua? Sim ou não?
Sim.
E o bar, La Bonita? Consegue vê-lo?
- Sim ou não? - Sim.
- A parte da frente? - As traseiras.
As traseiras...
Consegue ver o enorme koala na parede das traseiras do La Bonita?
Ou se acredita nas crianças ou não se acredita.
Consegue ver?
Têm de compreender uma coisa, todos vocês, presentes nesta sala:
se as crianças dizem ter sido vítimas de abusos, não estão a mentir!
Sra. Reuth...
Pela última vez,
consegue ver o koala da sua varanda?
Sim.
Sim. Está mesmo à frente da sua varanda.
Dois metros por três.
As crianças não inventaram isto.
Como é que sabe?
Nenhuma criança conseguiria inventar coisas tão horríveis.
Entrevistou o Pascal, que tinha 7 anos na altura. Recorda-se?
Sim, lembro-me de todas as crianças.
Pascal disse que ele e a irmã
tinham sido vítimas de abusos no bar do meu cliente
cometidos por homens e mulheres com máscaras.
Sim, eu sei.
Estes casos foram incluídos no auto da acusação
e validados para o julgamento.
Sim, eu conheço as acusações.
Hoje, a irmã dele tem dois anos.
Estes criminosos não se deixam impressionar por nada.
- Dois anos e quatro meses. - Sim.
Não tinha sequer nascido na altura do alegado abuso.
Como?
Volume 46, folha 104.
Encontram lá as datas de nascimento.
Não tenho mais perguntas.
Como representantes do poder judicial, cometeram o pior dos crimes.
Isto vai muito para além deste processo.
É um crime contra os milhares de crianças
que são realmente vítimas de abusos todos os anos.
Todos vocês aqui presentes representam um sistema de justiça
que reage com uma indignação emocional cega.
Fracassaram miseravelmente.
A vossa raiva e o vosso zelo de perseguição
beneficiam os verdadeiros criminosos,
pois agora cada vez se acreditará menos nas crianças.
E é esse, Sra. Presidente, senhores desembargadores, Senhor Procurador...
É esse, senhoras e senhoras da imprensa...
é esse o verdadeiro crime de Ottern.
É o vosso crime.
São vocês os culpados.
Deviam ter vergonha.
Não é habitual que o tribunal...
se pronuncie imediatamente
sobre declarações feitas por uma das partes do processo.
Contudo, temos de determinar
se o mandado de prisão se mantém ou não válido.
A este respeito, quero dizer o seguinte:
investigaremos, evidentemente, as alegações do advogado de defesa.
Mas mesmo que estas sejam verdadeiras...
devemos distinguir entre o cerne e a periferia
das declarações destas crianças.
Pode acontecer que as crianças tenham esquecido, distorcido, confundido
ou até inventado algumas coisas.
Mas tal refere-se também apenas à periferia das suas declarações.
O cerne das suas declarações, o abuso sexual,
não tem necessariamente de ser afectado.
Estas incertezas não devem levar-nos a concluir
que o cerne das declarações não é verdadeiro.
Por conseguinte, devemos investigar mais a fundo
se as crianças mentiram ou disseram a verdade.
- Venha comigo, Doutor. - Tenho de trabalhar.
Faz isso à noite, venha comigo agora.
Mais uma vez, nada digno...
- O que quer? - Quero mostrar-lhe uma coisa.
Ottern.
Linda.
Tem a certeza?
De quê?
Tem a certeza de que estes arguidos estão inocentes?
Sou advogado de defesa, Azra, não juiz.
Não me compete julgar essas pessoas.
Estou apenas a defender o meu cliente.
Eu sei.
Azra?
Azra.
Tem uma profissão estranha, Doutor.
Bem...
Você também.
Tradução (do inglês) CLÁUDIA BRITO
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.