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Original subtitles

ESMIRNA

Miúda...x

- Onde está a Kumru? - Casa de banho.

Espero que não tenha visto as fotos do casamento.

Mesmo que as tenha visto, não se pode fazer nada.

FELICIDADE ONUR GÖNENSAY

Estás bem?

- Estou ótima. - Ainda bem.

Venham!

Vou-me embora.

- Estamos a divertir-nos! - As músicas dos anos 90 irritam-me.

- Vamos comer qualquer coisa. - Vão sem mim.

Não fiques sozinha esta noite.

Já estou sozinha.

Não conduzas, pelo menos.

Está bem. Adeus.

- Tem cuidado. - Está bem!

LOVE IN 39 DEGREES

O que és?

- Gerente. - Quem tem os dados?

3 ANOS DEPOIS

- Eu tenho. - Lança-os.

ESFORÇO - LUTA - CARREIRA LIMITES - VITÓRIA - APROVAÇÃO

Viste?

Apressaste-te pela glória e carreira. O que ganhaste?

A aprovação dos outros.

Se fosses por aqui...

ESCOLHA - DECISÃO - JORNADA

... abria-se um caminho novo.

Hoje tenho uma viagem de negócios. Um divórcio.

Uma coincidência.

A minha cliente é a melhor amiga da minha chefe.

Se correr bem, posso vir a fazer parte da sociedade.

- Mas não pode haver defeitos. - Porque haveria?

Porque o trabalho é em Esmirna.

- Não importa onde é. - Importa.

Esmirna fará tudo para me travar.

Quantos casos ganhaste na firma?

- Ganhei 37 de 37. - Incluindo divórcios incontestados?

102 de 102.

Porque falamos disto? O teu nome estará na placa.

- O meu apelido. - Vai e faz o teu trabalho.

Voltas esta noite e acabou.

Dados.

PRESENTE - RESSURREIÇÃO - TESOURO

Está sob o teu controlo. És tu que mandas.

Está sob o meu controlo. Sou eu que mando.

Vai apanhar o avião.

Se entrares em pânico ou precisares de algo...

Doruk, muito obrigada.

Obrigada por me receberes tão cedo.

Traz bollos de Esmirna e ficamos quites.

- Mas eu pago. - Não te preocupes.

Por falar em dinheiro, o valor da sessão foi atualizado.

E agora é em dólares.

Envio-te um IBAN novo.

- Claro. - Lembra-te de respirar.

- Quatro, sete, oito. - Quatro...

Fatih!

- Estou a ir! - Abre!

Que se passa, Cemo? Enlouqueceste?

Está tudo bem. Não atendias e decidi vir. Tenho uma notícia louca.

Entra, não te acanhes.

Fiz uma canção fantástica. Escreveste a letra?

- Não pude, Cemo. - Até gravei uma demo.

Eu sei, meu. Eu ouvi. Era boa.

- Podíamos tocá-la esta noite. - Como assim, "tocar"?

- No concerto. - Que concerto, Cemo?

Dos Pinhâni. Conheci o Sinan ontem à noite e convenci-o.

Vamos abrir para os Pinhâni esta noite, em Bodrum.

- Nós vamos abrir. - Espera aí. Nós?

Nós os dois. Porquê?

Percebi isso. Quando foi a última vez que estive no palco?

Vais estar esta noite. O Sinan disse: "Tudo pelo Fatih."

Eu não vou estar.

Vais estar. Já lhe enviei mensagem e nós vamos.

- Aceitou por tua causa. - Toma.

Vai.

Não me desiludas.

É só uma noite. Leva o carro e vamos embora.

Não tenho carro.

Porque não?

O meu pai levou-o. Disse que não há carro para quem não trabalha para ele.

- O que vamos fazer? - Não sei. Devias ter-me perguntado.

Ele falou dos Pinhâni! Eu não pedi.

Cemo, esquece.

Sabes que só atuo quando estou bem preparado.

Espera! Não me podes abandonar.

Prepara-te para uma surpresa, então.

Tens uma desculpa válida?

- Não sejas infantil. - Tens uma desculpa válida?

- Tens namorada? Não. - Não. E depois?

Fatih... Eu alguma vez te desiludi?

- Não desiludiste. - Pois.

Por isso, peço-te duas coisas.

Primeiro, vais arranjar um carro. Vamos a Bodrum.

- O Sinan vai ver-te. - Já são duas coisas.

Podes dizer que ficaste sem voz ou que perdeste a cabeça, é contigo.

Talvez encontre outro cantor.

Terceiro, vais escrever a letra para esta canção até esta noite.

Está bem?

TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA

TRANSFERÊNCIA CONCLUÍDA

RAPARIGAS DE ESMIRNA - 20 MENSAGENS

GRANDE DIA!

O que vão vestir? Não encontrei nada :(

Estou em Foça, não sei. Imaginem-me assim.

Vamos enviar todas selfies.

Divirtam-se por mim.

Para onde vais?

Para o tribunal de Çağlayan.

Gostava que pudesses vir!

Senti muito a tua falta.

Boa sorte, Fatih.

A que devo este prazer de manhã cedo?

Por favor, pai. Eu não tinha nada para fazer.

Decidi seguir o teu conselho e passar o dia no trabalho.

- Boa ideia. - Não foi?

- Pode ser que gostes e fiques. - Sim, veremos.

- Não ganhas dinheiro a cantar. - Exatamente!

Terias de aturar bêbedo.

Uma desgraça.

Vais cantar em casamentos?

Fatih!

- Diz o que queres. - Está bem.

Preciso de um carro para esta noite. Só até amanhã de manhã.

Precisas assim tanto do carro?

- Sim. - Para quê?

Para quê?

Vai haver um concerto.

- Concerto? - Mas é só um dia.

O que dizes? Posso levá-lo?

Com certeza! É todo teu.

Obrigado, pai.

Com uma condição.

- Qual? - Vem uma cliente de Istambul.

- Sim? - Volta para casa ao fim da tarde.

- Vais transportá-la. - Vou ser motorista?

Então? Ficaste ofendido?

Não, mas...

E se fizer asneira no primeiro dia?

Não faças. Depende de ti.

Ela vai avaliar-te no fim do dia.

- Se te der 10 pontos, ficas com o carro. - Dez pontos? Pai...

Maldito nepotismo! Oito ou nove são suficientes.

Senão, esquece o carro.

Combinado. A chave...

Obrigado.

ALUGUER DE AUTOMÓVEIS

Como é que o nosso inventário de caráter afeta a nossa vida amorosa e familiar?

Indivíduos com uma grande concentração das letras E e I no seu mapa

podem parecer discordar no início,

mas vão completar o elemento em falta no outro

e poderão mostrar harmonia.

Dada a importância das relações românticas para melhorar a qualidade de vida,

essa união é uma possibilidade que merece ser explorada.

Tripulação de cabine, preparar para a aterragem.

Está sob o meu controlo. Sou eu que mando.

Está sob o meu controlo. Sou eu que mando.

ESMIRNA

Estava à minha espera?

Estava, sim. Bem-vinda.

- Onde está o carro? - Por ali.

Por ali.

Agradeço que se apresse.

- Devia ter ligado. - Liguei. Devia ter atendido.

Desculpe, estava no silêncio.

Estaremos em Konak às 10h30. Depois Zeytinalanı e o tribunal.

Se terminarmos cedo, apanho um voo antes.

Tudo bem.

- Também temos de passar por Alsancak. - Tudo bem.

- Vamos comprar bollos. - Gosta de bollos?

São para um amigo.

Vamos lá.

Escreve a letra.

Desculpe. O bluetooth liga automaticamente.

Pronto, já está.

Já tinha estado em Esmirna?

Nasci cá.

Certo. Vejo pelo seu nome.

É por causa da ave, não da sandes.

Certo. Eu só...

Vem cá com frequência?

Não vinha há três anos.

Três anos.

Não tem saudades?

Não, gosto de Istambul.

Eu não podia viver em Istambul.

A nossa Esmirna é linda.

Churrasco na varanda, fim de semana à beira-mar. Perfeito!

Istambul é uma colmeia.

Porque todos têm trabalho.

Vai receber uma mensagem no fim do dia.

Ser-lhe-á pedido para avaliar o serviço.

Ficaria grato se me desse uma boa avaliação.

Chamo-me Fatih, já agora.

O carro alugado não tem gasolina. Isso também é típico de Esmirna.

Só estou a trabalhar hoje.

Os outros não devem ter visto, mas isso resolve-se. Não se preocupe.

- Porquê só hoje? - Este não é o meu trabalho.

Inacreditável.

- Bem-vindo. - Obrigado. Pode atestar.

- Amêndoa? - Não, obrigado.

Faz com que se sinta cheio.

Não, estou a trabalhar.

Ela é de Istambul?

Meu...

Quer comprar um terreno em Urla?

Não quero.

- Por favor. - Então?

Devia comprar e encher a cidade como Istambul.

Preciso de gasolina.

- Pode pôr gasolina? Tenho pressa. - Segure.

Está bem.

Credo!

- Desculpe. - Não percebo.

Não é motorista?

O meu pai é dono da empresa de aluguer.

Estou só a dar uma ajuda.

Tem carta, certo?

- Por favor! - Sim ou não?

Sim. Claro que tenho.

Felizmente.

Então, qual é a sua profissão?

Sou músico.

A canção que tocava era sua?

Por acaso, era uma demo de um amigo.

Quero ouvir uma canção sua.

- Costumo cantar ao vivo. - Onde?

Atualmente, não dou concertos.

As minhas amêndoas.

- Aqui estamos. - Obrigada.

Não posso estacionar aqui. Avise quando terminar.

Claro, mas não deixe o telemóvel no silêncio.

EM MANUTENÇÃO, NÃO USAR

Está sob o meu controlo. Sou eu que mando.

O que se passa?

Desculpe?

Está aí alguém?

Estou presa no elevador. Está aí alguém?

Está aí alguém?

Calma. Está tudo bem.

Socorro!

Estou presa no elevador. Está aí alguém?

Foi rápido.

Sr. Fatih, estou presa no elevador. Pedi ajuda, mas ninguém me ouve.

- Pode ajudar-me? - Claro. Tenha calma, Sra. Kumru.

Estaciono e vou já para aí. Tenha calma.

Está bem.

Calma. Está tudo bem. Vais ficar bem.

Calma.

Tem calma. Vai ficar tudo bem.

Bom proveito.

Aqui têm os chás.

Desculpe!

- Desculpe... - Confio-lhe o carro.

- Não pode estacionar aqui. - Eu sei, mas...

Faça 25 sandes kumru. Juro que as venho buscar daqui a pouco.

Comece a prepará-las.

- Está bem. - É o máximo!

PADARIA

Tem calma. Está tudo bem.

Calma.

Desculpe, trabalha aqui?

Tire isso.

- É o porteiro? - Não, vim arranjar o elevador.

- Está alguém preso lá dentro. - A sério? Outra vez...

Veja isso, por favor.

- Eu trato disso, não se preocupe. - Sra. Kumru!

- Sra. Kumru! Cheguei. Tenha calma. - Sr. Fatih, estou aqui.

Tenha calma.

Calma. O técnico vai tratar de tudo.

Não consigo respirar.

Tente abrir a porta.

Força. É capaz.

Um pouco mais de força.

Outra vez. Com mais força.

Pronto. Conseguiu.

Detesto Esmirna.

Do que não gosta na nossa linda Esmirna?

O que há para gostar? Olhe para mim.

- O tempo? - Abafado.

Calções, chinelos, bebidas, é perfeito! E as pessoas?

- Descuidadas e preguiçosas. - São descontraídas e calmas.

- São irresponsáveis. - Não, são descontraídas.

As pessoas descontraídas vivem mais.

Temos de estar sempre de pé atrás nesta cidade.

Estar sempre de pé atrás não faz bem.

Já dizia o poeta:

"A vida é o que acontece enquanto fazemos planos."

- Esse poeta deve ser de Esmirna. - É de Liverpool. John Lennon.

E também: "Persegue a vida em Istambul, mas a vida acompanha-o em Esmirna."

Cemal Süreya disse isso, de Pülümürlü.

Isso é um autocolante de carro, um cântico ou um poema.

É INFP, sem dúvida.

- O que é isso? - Mediador.

É um típico sonhador INFP.

Compara uma das cidades mais bonitas do mundo

com uma aldeia gigante como Esmirna.

Está a funcionar!

Estou aqui há poucas horas e já estou assim.

- Desculpe, fazia a manutenção... - Pede desculpa?

Isto não estava aqui quando entrei no elevador.

Já está a funcionar. Pode usá-lo.

"Pode usá-lo." Vou processá-lo.

Não é preciso.

- Vou processá-lo, compreende? - Calma. Obrigado por tudo.

- Porque é que vim? - Desculpe o incómodo.

É um elevador antigo. Acontece. Não se preocupe.

Obrigado.

Está bem?

Pareço estar bem?

Acalme-se. Agora está tudo bem.

"Acalme-se. Agora está tudo bem."

Tudo bem.

O que murmurava enquanto eu lutava pela minha vida?

Fez uma boa defesa de Esmirna.

Provoquei uma discussão para a distrair.

Não tem de adorar Esmirna. Que me importa isso?

Não sou o presidente da câmara.

Desculpe.

Obrigada.

De nada.

Porque está tudo vazio? Ninguém me ouviu.

É sexta-feira. Devem ter ido todos para Çeşme.

- Típico em Esmirna. - Sim, é um clássico.

Sra. Kumru!

Sra. Hale, bem-vinda.

- Como está? - Nada bem.

Acho que o Şevket voltou atrás. Vem com um exército de advogados.

Não se preocupe. Viemos preparados.

Permita-me que lhe apresente o Sr. Fatih, um dos nossos advogados.

Palavra? Muito prazer, Sr. Fatih.

É bom tê-lo cá. Como está?

Sabe como é. Leis, julgamentos... A justiça é a base de tudo.

- Vamos? - Sim, claro.

- Por favor. - Obrigada.

Pode subir. Não cabemos todos. Nós vamos pelas escadas.

Certo. Obrigada.

Eu fecho.

Que patife. Mudou de ideias.

Tenta intimidar-me, mas não vai conseguir.

Desculpe interromper. Pode dizer-me o que estamos a fazer?

Divorciamos a Hale e o Şevket. Temos de convencer o outro lado

a assinar o protocolo até à audiência desta noite.

Como assim, "temos"?

Qual é o meu papel nisto?

É muito simples. Fique ao meu lado e terá a avaliação no fim do dia.

Percebe?

Percebo.

Estamos a negociar há muito tempo.

Julgo que chegámos a um acordo que agrada a ambos.

- Saúde. - Obrigada.

- Santinho. - Obrigada.

Desligue o ar condicionado. Ela é alérgica. Vai espirrar 40 vezes.

Estou bem. Obrigada.

- És alérgica... - Estou bem.

Está bem.

Esta é a declaração de bens de que falámos.

Tenho de intervir.

O que é isto?

Uma nova proposta.

Porque voltaste atrás?

Queres que seja tudo à tua maneira, mas isso não vai acontecer.

Estou a ser pouco razoável?

Será possível? Alguma vez tiveste um pedido pouco razoável?

Tens sempre razão.

Queres piorar as coisas?

Exato.

Se queres que isto acabe hoje, este é o protocolo.

- Vês? Eu bem disse. - O que disseste?

O que disseste? Nem tu sabes.

Engoles as tuas palavras.

As mensagens não resultaram e agora ligam-te.

Está bem.

Sou um homem inútil.

Deixa-me em paz. Que se dane.

Vai procurar alguém melhor. Talvez já tenhas encontrado.

Tento na língua!

Com licença.

Porque pousa o telefone para baixo?

- Também reparei. - Os homens são todos assim?

- Como quer que ele saiba? - Desculpe?

- Precisamos de uma abordagem jurídica. - Pergunto de forma humanista.

E eu respondo de forma humanista.

Temos de tirar a lei dos tribunais frios e pô-la no meio da vida...

O ar condicionado.

- Podemos fazer uma pausa? Volto já. - Claro.

Estou?

Desculpa, querida. Não pude atender logo.

Ótimo.

Seria ótimo. Espera.

Estou a ouvir.

Certo.

- Café, Sra. Hale? - Muito obrigada.

De nada.

Está bem?

Pensam que as relações terminam quando o amor acaba. Não é assim.

Termina quando não conseguimos falar.

Não vai demorar.

Adeus, querida.

Adeus.

- Lembre-se do que disse. - Muito bem.

Podemos continuar.

A Hale não quer o divórcio.

Deixou-se envolver demasiado.

Está muito transtornada.

Costumam estar, no dia do julgamento. É normal.

Certo.

Está tudo bem?

Se não quer chegar a acordo, nós vamos lutar.

Certo. Vamos lutar.

Deem-nos licença, então.

Hale, vemo-nos hoje no casamento.

Como te atreves a ir ao casamento?

Claro que vou ao casamento da Meltem.

- Meltem? - Meltem.

A mãe dela é minha amiga.

Vamos dividir os bens, não os amigos. Tenham um bom dia.

Sra. Hale, sei que tem pressa, mas posso pedir-lhe uma coisa?

- Pode anotar a matrícula dele? - Para quê?

Tenho só de verificar umas coisas. Não se preocupe.

Quando terminar, ele vai arrepender-se de não ter assinado este acordo.

- Vai encontrar-se com uma mulher. - Como sabe?

Nunca me engano nestas coisas. Anotou um número.

- Que número? - Vi-o a escrever.

Se o apanhar e tirar uma foto, posso dar cabo dele.

- Onde está o carro? - Na loja de sandes.

Use um arrumador. Estacionar numa loja de sandes?

É a vantagem de Esmirna. Não pode estacionar assim em Istambul.

Não devia. Seria roubado e vendido às peças.

Quando ligou, só a quis salvar. Não pensei em mais nada.

Como vamos encontrar o Şevket?

Se Esmirna fosse uma aldeia, chamávamos por ele na praça principal...

Devemos contratar um detetive?

Isso não é ilegal?

O Şevket merece.

IARP. Insensível, desleal, teimoso.

O que são essas letras? Um signo do zodíaco?

Não, é científico. Inventário de carácter.

Podia ligar ao Iskender. Tem bons contactos.

- É amigo de um polícia. Posso perguntar. - Sim, claro.

Está bem. Ouça...

Muito obrigado. Vou sair.

Olhe.

Vê? Está inteiro.

Como são de Esmirna, não pensam em grande.

Vou já.

Baixe.

É de graça para quem tem o nome da sandes.

- Fique com uma. - Não tenho fome.

Pode comer depois. Tome.

Está bem.

Rapazes!

Querem uma sandes?

- Aqui têm. - Obrigado.

- Obrigado. - Eu também como uma.

Adeus.

Pronto.

Comprei muitas para agradecer pelo estacionamento grátis.

E para dar aos miúdos.

O que quero dizer é que Esmirna tem um equilíbrio cósmico.

São todos anjos. Eu sei.

Porque diz isso?

Ficou presa no elevador e salvei-a. Além disso...

- Encontrei um detetive. - A sério?

Sim. O cunhado do Iskender é polícia. Dei-lhe a matrícula e está à espera.

- O cunhado? - Não, o Iskender.

Disse que seria mais útil se soubesse. Está de bom humor.

- Está bem. Onde está ele? - Não está longe.

Vamos.

Deve estar algures por aqui.

Vai adorá-lo. É muito fixe. É um homem cheio de contactos.

Conhece toda a gente em Esmirna.

Vai adorá-lo.

Ali está ele.

- Iskender? - Olá! Como é que tu estás?

Bem, mas...

O que aconteceu?

Nada. Foi um encontro com um polvo aguerrido,

só isso.

Entrem, por favor.

Não, a audiência é às 16h30. É uma corrida contra o tempo.

- Ele não tem pressa. - Não me enlouqueçam. Entrem.

Um típico morador de Esmirna.

Sr. Iskender, o número de telefone e a matrícula que enviámos...

Enviei e depois dizem-me. Entrem.

Vê? Está a tratar do assunto. Vamos fazer-lhe a vontade.

Não. Fatih, não!

Tive saudades.

Tens razão. Eu ia ligar-te.

Aqui está ela.

Tem medo do mar?

Não é isso.

- Venha. - Fatih, não!

Venha, não há problema. Pronto. A Sra. Kumru é uma convidada de Istambul.

Bem-vinda. Muito prazer. É um nome lindo.

- É da ave, não da sandes. - Claro.

Qual é a beleza de uma sandes, comparada com a ave?

Fiquem à vontade. Sentem-se.

- Sente-se. - O barco é vosso.

Vamos beber algo primeiro.

Sr. Iskender, porque não falamos antes?

Vamos falar, mas bebemos primeiro. Devia descontrair.

A vida torna-se perfeita.

- Abre. Há raki e copos. - Está bem.

Ora bem...

És diabólico.

Vou pôr aqui.

Devias beber e tomar o comprimido? Aqui tem.

- Para si. - Fico bem.

Segure.

Espera, eu partilho.

Saúde!

Quer uma boa avaliação, não quer?

Força, pode beber. Saúde.

Fatih.

Fatih!

Não acha que nos afastámos demais? Estamos no meio do mar.

Aqui apanham-se ótimos sargos.

Sr. Iskender, e o telefone e a matrícula?

Quando terá a informação? Nós temos pressa.

Está bem. Esperem.

Onde está o meu telefone?

Vai dizer-nos agora.

Sim! Eis a notícia por que esperavam.

Tenho as respostas todas.

Şevket...

... Güngören.

- Sim. - A matrícula é dele.

Não perguntámos isso.

Perguntámos onde o carro está, mas não nos ouviu.

- Calma, princesa. Resolve-se. - Não me chame princesa!

E não diga que vai resolver tudo.

Em Esmirna, isso quer dizer que vai esquecer tudo.

Os direitos da minha cliente foram violados. O que faço aqui?

- Vamos voltar. Podemos voltar? - Está bem.

Gosto dela. Tem garra.

- Pode acalmar-se? - Porquê?

Acalmar-me? Ele trai a mulher e eu ando atrás de sargos!

Acredita que ele a trai. Como pode ter tanta certeza?

Eu mostro-lhe. Veja.

Filmou-o em segredo?

Veja, está a falar com a amante.

- Não é nada estranho. - Como assim?

- Não vê? Anotou um número. - De uma acompanhante.

Será que é possível? Deixem-me ver.

Ouça, não sabe como isto é importante.

A minha carreira depende deste caso, mas não quer saber.

Pescar, comer, sonhar à beira-mar.

- Ele vai falar com o cunhado... - Dario Moreno.

- Li os lábios. Ele diz "Dario Moreno". - E então?

Vai à Rua Dario Moreno.

- Aqui tem. - Dê a volta!

Devagar! Vá devagar!

- Devagar! - Está bem.

Não tão devagar. Mais depressa! Assim vamos perdê-lo!

Não sei o que fazer. Pode conduzir.

- Não sei conduzir. - Então, não dê palpites.

Sei, mas não conduzo.

- Polvo... Não, demasiados tentáculos. - O quê?

É o resultado dos comprimidos com álcool. Ele não sabe o que diz.

O que faz?

Quatro, sete, oito. Inspira e expira.

- Passe com o verde! - Está bem.

- Está bem. - Depressa! Fatih!

Vá devagar.

Segure-o. O coitado vai bater com a cabeça.

O que está a fazer? Kumru, não!

O que é que eu estou a fazer?

Uma sandes de carnes frias.

- Espere, também vou. - E o carro?

Iskender.

Se a polícia aparecer, diz que não demoramos.

Os amigos são os melhores.

Sem dúvida.

Depois ligo-te.

- Arranjaste um carro? - Vou arranjar.

- Era bom que cantasses. - Não te ouço. Depois ligo.

Desculpe.

- Vamos lá. Todos. - Com licença.

- Mãos! - Peço imensa desculpa.

- O que faz? Pare! - Misturo-me na multidão.

Vamos perdê-lo.

- Procure-o. - Pare.

Dança bem.

O que está a fazer? Vamos!

Basta!

Fatih!

Foi por ali.

Fatih!

- O Şevket... Vamos perdê-lo! - Entusiasmei-me. Deem-nos licença!

- Vamos. - Não.

Eu nunca entraria ali.

O que vamos fazer?

Vamos subir. Venha.

Kumru, está muito calor para isto.

Devíamos ter ido de elevador.

Não quero morrer nova.

Nunca o vamos apanhar!

Passei a vida toda a lidar com matreiros como ele.

Não vou deixar escapar um patife de Esmirna.

Desapareceram.

Vamos encontrá-los. Não se preocupe.

Vou ligar ao Iskender.

Escreve uma letra?

Não, estou só a anotar ideias.

Tenho de dar crédito a Esmirna por uma coisa.

Como mulher, é fácil andar pela rua.

Ninguém se vira para olhar.

Finalmente, entrou-lhe no sangue.

Só uma coisa.

Tudo bem.

- Quer este? - Sim.

Dão-nos o carro em dez minutos.

Felizmente, eu conheço-os. Toma.

- Eu podia tratar disso. - Não faz mal, foi por minha causa.

Rebocaram-no por minha causa. Vocês tiveram de vir até aqui.

Desculpe. Estraguei os vossos planos.

A culpa não é sua. Esmirna está a brincar comigo.

A propósito, falei com o meu cunhado.

Pedi-lhe para procurar um sinal ou uma matrícula.

O que disse?

Disse qualquer coisa sobre a lei de proteção de dados.

Respondi-lhe: "Não me chateies. Trata disso."

- Disse-me para ligar pelas 15h. - Ótimo. Então ainda é possível.

- O teu cunhado? - Não. Esqueci-me disto.

Vou a um casamento esta noite.

De quem?

Meltem, a filha de um amigo.

Estou?

Espero que sim.

A Hale e o Şevket também vão. Parece um casamento de aldeia. Vão todos.

Como temos a certeza? Pode ser outra pessoa.

Iskender, como se chama o noivo?

Mert.

Certo.

Vamos visitar a minha mãe enquanto esperamos por notícias.

Quando houver novidades, vamos atrás do Şevket,

depois para o tribunal e para o aeroporto.

Sim, é o nosso novo horário.

É gerente?

- EARD. - EARD.

E eu?

Não faço ideia. Quer descobrir?

Posso fazer isso agora?

É simples, basta fazer um teste. Dê-me o seu telefone.

Aqui tem.

Muito bem.

Responda a estas perguntas.

Está bem.

TENHO DIFICULDADE EM APRESENTAR-ME

EVITO EVENTOS COM MUITA GENTE

É-ME DIFÍCIL EXPRIMIR O QUE SINTO

GUARDIÃO - ILFD

Guardião.

ILFD.

Claro.

Porquê? Isso é mau?

Não é mau, só se prejudicam a si próprios.

"São 1% da população, mas deixam a sua marca."

Se deixarem a timidez.

"Intuitivos, perfecionistas."

São mais obcecados.

"Apaixonados, criativos."

A criatividade é desperdiçada, porque têm medo de subir ao palco.

Então, é como um horóscopo?

Qual foi o seu resultado?

EARD.

- EARD. - Eu digo-lhe.

Disciplinada, de confiança, leal, determinada, honesta.

Rígida, teimosa.

Crítica. Por alguma razão é advogada.

E o Fatih?

É o quê?

Trabalha em aluguer de carros ou é músico?

Um problema normal com o meu pai. Está sempre a chatear-me.

Para quê cantar, se tem uma empresa à sua espera?

Exato.

Sinto que vou desistir, mas até agora tenho aguentado.

Mas isso é bom. Gostava de ter esses problemas.

Perdi o meu pai.

Os meus pêsames.

Obrigada.

Passaram 15 anos,

mas sinto falta dele.

Gostava que estivesse cá para me chatear.

O meu pai gosta de me chatear. O seu fá-la chorar.

Suponho que é o mesmo.

Escrever letras tornou-se um hábito seu.

Não tentei rimar, mas saiu.

- Porque se está a rir? - Desculpe. Está bem?

Desculpe. Quando a vi cair...

O carro está pronto.

Certo. Então...

Onde te podemos deixar?

Em lado nenhum. Agora sou responsável por ti.

Mas eu expliquei-te.

Carro alugado, a Sra. Kumru é nossa cliente.

Se estiver a incomodar...

Não, eu não me importo.

- Vamos. - Tudo bem.

Deixei dinheiro.

E os bollos?

Esqueça isso.

Eis o plano. O Iskender espera no carro e nós vamos buscar uns. O que acha?

Não olhe para o relógio.

Lembra-se dos 15 minutos livres na sua agenda?

Não demora mais do que isso.

- Combinado. - Combinado.

Obrigada.

De nada.

Para quem são estes bollos?

O Doruk pediu-me.

Suponho que é o namorado.

Não, o meu coach de vida.

O que é isso?

Basicamente, é um treinador da vida. Orienta-me quando eu me perco.

Parece perder-se com frequência.

- Está bem? - Sim.

Kumru?

O que fazes aqui?

Gülcem!

- Surpresa! - Miúda, tu és louca!

- Não estava à tua espera! - Sabes como é.

Tinhas um julgamento em Istambul, mas vais ao casamento, certo?

- Visita surpresa! - Sacana!

Estive com a Burcu e as outras...

Vi-te, mas pensei que era impossível.

- Foi uma coincidência. - Foste apanhada.

- Quem é este jeitoso? Apresentas? - Fatih. Muito prazer.

Igualmente. Gülcem. Veio para o casamento?

Não.

- Vim para o caso. - Que caso?

São assuntos de trabalho. Quis tratar disso, já que estou cá.

O Fatih está a ajudar-me.

Íamos separar-nos agora.

- Então, não têm planos? - Não.

- Porque não avisaste que estavas livre? - Não sei. Foi tudo tão rápido.

Vou despedir-me. Espera aqui.

Não faças isso.

A Burcu está a falar do ex desde esta manhã. Estou aborrecida.

Gülcem, não estragues os teus planos.

Não te via há muito tempo. Espera aqui, eu vou contigo.

- Estamos tramados. - O que aconteceu?

O casamento a que a Hale, o Şevket e o Iskender vão?

Da Meltem e do Mert.

A Meltem é minha amiga.

Também é sua amiga.

E é amiga da Gülcem. Disse-lhe que não podia ir ao casamento.

Qual era o significado daquelas letras?

Estável, honesta, de confiança.

Não me vou conseguir safar. Tenho de ir ao casamento.

O trabalho não termina às 18h30?

O plano é este. Vou livrar-me da Gülcem e vamos comprar um vestido.

Depois, vou à minha mãe, ao tribunal e ao casamento no fim do dia.

E apanho o último voo para Istambul. É o plano novo.

Porque não fica cá?

Era só uma ideia.

Aqui estou eu.

Gülcem, fizemos-te mudar de planos, mas os nossos também mudaram.

O Fatih tem de ir ajudar um amigo. Vão deixar-me em casa da minha mãe.

Vemo-nos no casamento, sim?

Porquê? Vou contigo. Tenho muitas saudades da tia Gönül.

Mas se preferem ficar sozinhos, claro que não vou.

Não.

- Quer dizer... - Não.

- Então vamos. - Por aqui.

Está bem. Vamos.

Tenho de fazer um telefonema. Vemo-nos no carro.

Onde o encontraste? É lindo.

É um amigo.

Tem uma energia grande. Deste tamanho, pelo menos.

- De certeza. - Não sejas ridícula!

Se não estás interessada, deixa-me ficar com ele.

O que aconteceu? Estás sem palavras?

Estou só a brincar. Não te preocupes, eu não lhe toco.

Cemo, para um pouco e ouve-me.

Ouve, eu vou, está bem? Encontro-me com o Sinan.

Estou a tratar agora do carro. Não me ligues na próxima hora.

Deixa-me em paz. Vou desligar.

- O que aconteceu? - Não digas nada. Preciso de ajuda.

- Com o quê? - Como está a tua carrinha?

- A descansar à porta de casa. - Ótimo.

A Kumru vai ao casamento contigo, esta noite.

Leva-a no meu carro e eu vou a Bodrum na tua carrinha.

Pode avariar pelo caminho.

Depois conto tudo. Gülcem.

- Amiga da Kumru. Iskender. - Muito prazer.

- Muito prazer. - Igualmente.

- Entramos? - Sim.

- Entra. - Obrigado.

A minha mãe está em Karantina.

Vamos buscá-la lá.

Está bem.

O pavilhão onde Yıldız Tilbe foi descoberta é nesta zona.

- É aqui? - Sim, deve ser por aqui.

Sezen Aksu veio uma noite para a ouvir cantar,

mas a Yıldız já tinha terminado.

A Sezen ficou triste, sem saber o que fazer.

Depois, ela viu a Sezen ir à casa de banho.

Foi atrás dela.

"Estava à sua espera. Ouça-me."

A Sezen concordou.

A Yıldız subiu ao palco e cantou.

A Sezen levou-a para Istambul.

E o resto é história.

Teve alguma sorte.

Iskender, há novidades?

Vou ver.

Não.

URGÊNCIAS

HOSPITAL DE URLA

A minha mãe está ali.

Está ali uma senhora. É ela?

- É ela. - Eu vou ter com ela.

- Não vás. Eu ligo-lhe. - Não faz mal, estou de sandálias.

Eu acompanho-a. Como se chama a sua mãe?

Gönül.

Exato.

Tia Gönül!

Tia Gönül!

Gülcem, querida!

De onde vieste?

Apanhei a Kumru em Alsancak e estraguei-lhe a surpresa.

- Minha senhora, muito prazer. - Olá.

- Sou Iskender. Gönül. - Gönül.

- Já decorei. - É muito gentil, Sr. Iskender.

Há algum problema?

Julgo que sim.

O meu pai morreu aqui.

Mudámos muito de casa quando eu era nova.

Ele era funcionário público. A minha mãe nasceu aqui.

Ela queria que nos mudássemos para cá.

O meu pai pediu transferência várias vezes.

Finalmente, aconteceu.

Assim que chegámos, alguém ficou obcecado com o meu pai.

Dois residentes angelicais da linda Esmirna.

Acusaram o meu pai de desvio de dinheiro.

O meu pai ganhou o processo.

Ganhou, mas não voltou a ser o mesmo homem.

E depois...

Passámos dois meses aqui.

Era o Hospital de Urla.

Nunca me esquecerei...

Um dia, descíamos aquelas escadas.

O meu pai tinha emagrecido muito.

Estava muito magro. O fim era evidente.

Segurei a mão quente dele...

Ergui a cabeça e olhei para ele.

Ele sorriu.

"És igual a mim, mas não sejas igual a mim, sim?

A vida é sinuosa e difícil, mas seguimos em frente.

Não tenhas medo de nada."

Na semana seguinte...

Ele morreu aqui.

E a minha mãe vem nadar aqui.

Em abril, em novembro, a minha morada nunca muda.

- Porto de Narlıdere. - Também tenho um barco pequeno.

- Tem? - Chama-se "Nostalgia".

- Como o de Tanju Okan. - Como o de Tanju Okan.

Minha bebé!

Querida!

- Bem-vinda, minha bebé. - Obrigada, mãe.

O Fatih, um amigo.

- Olá, querido. - Olá.

Vai.

- Por favor. - Eu enjoo à frente.

Desde quando, mãe?

- Vai tu à frente. - Sra. Gönül, pode entrar.

Mãe, vem comigo.

Preciso de um vestido para o casamento, mas não digas à Gülcem.

- Arranjamos um em casa. - Como arranjamos um vestido em casa?

Não te preocupes. Vamos resolver isso. Vem, minha querida filha.

- Por favor. - Vamos.

- Desculpe o incómodo. - Não incomoda. Está bem?

O que faz, Sr. Iskender?

Sou reformado da indústria automóvel, mas no fundo sou marinheiro.

- Que maravilha! - E a senhora?

Desculpe.

Bom...

É importante, tenho de atender.

Estou?

Sim, querida?

Estava em Karantina. Vou agora para casa. Diz.

Claro que vou.

Não tens de quê. Vou desligar. Beijinhos, querida.

Vire à esquerda nos semáforos, por favor.

- Mãe, não tenho tempo. - São só cinco minutos.

Não tenho cinco minutos. O meu dia está arruinado.

- Ela está em apuros. - Quem é?

Uma jovem, minha cliente. Não ligava se não fosse urgente.

- O que pode ser tão urgente? - Como queres que saiba?

Ela disse que eu devia ir lá hoje.

"Dê-me algo apropriado."

O que é que faz? Trabalha numa farmácia?

- Roupa interior. - Como?

Que emergência.

Tornei-me consultora espiritual que lida com estas situações.

As jovens ligam e fazem perguntas.

É mais uma consultora sexual!

Não digas isso. Ela é recém-casada.

- Ela e o marido nunca se entenderam bem. - Mãe...

Ele diz que ela vai para a cama como um dos colegas dele do exército.

Mãe...

Não pode partilhar isto com ninguém.

Como eu tenho muita experiência...

Mãe!

- Porque estás a gritar? - Vais atender clientes agora?

E vais nadar ali, com tantas praias!

Só vou ficar umas horas.

Porquê só umas horas?

Vem viver comigo.

Não vens muitas vezes.

Já que vieste de longe, sai do carro e fala com a tua mãe.

Vou ligar à minha mãe para discutir. Estou com inveja.

Desculpem interromper, mas aonde vamos, afinal?

Vamos para casa.

E a rapariga?

Trato disso mais tarde.

Estão todos a tratar de tudo.

- Entrem. - Está tanto calor. Tenho sede.

Há limonada no frigorífico.

- Tem fome? - Tenho.

Tenho qualquer coisa para comer.

Três, cinco, oito?

Entre.

- Belo quarto. - É verdade.

É o seu pai?

Fui muito dura com a minha mãe, não fui?

Um pouco.

Disse que não ia discutir, mas assim que cheguei...

Os pais são todos assim.

Os outros adoram-nos, mas deixam-nos sem energia.

A minha mãe é assim! ELFP. Provocadora.

O que é aquilo?

As muletas.

Recordação de noite de casamento.

É uma longa história.

Deve haver uma versão curta. Conte.

Tive um namorado.

Estava perdidamente apaixonada.

Ele deixou-me de repente.

Nesse mesmo verão, ele casou-se.

Letra típica de canção de amor.

Disse-lhe que era evidente que ele me tinha traído com ela.

Ele negou.

Na noite do casamento dele,

eu saí para me distrair.

Exagerei um pouco.

Enfiei o carro numa parede.

Tenho uma placa aqui e outra nas costas.

Passei um mês no hospital.

"Se sair daqui a andar, não volto a pôr os pés em Esmirna."

Mas aqui está.

Aqui estou.

Enfim...

Esse namorado era o Onur.

Vai estar hoje no casamento, com a mulher.

Era por isso que não queria ir.

É por isso que não posso conduzir.

Porque continuam aqui?

Já não precisa delas.

- Experimenta isto. - O que é, mãe?

O meu vestido de noivado.

Estava no armário, à espera deste dia.

Mãe...

Obrigada.

Minha filha linda.

- Experimenta-o. - Está bem.

- O que andas a fazer? - O que achas?

Não parei a manhã toda.

- Arranjei um carro. - Onde estás?

Perto de Güzelbahçe.

Encontraste um cantor?

Vens esta noite ou não? Diz-me.

Fatih, pela primeira vez na tua vida, ouve o teu coração.

Prometi ao Sinan.

Estou? Vens ou não?

Não posso ir, Cemo.

- Não volto a falar contigo. - Tenho uma desculpa válida.

- Mentira. Esta manhã não tinhas. - Mas agora tenho.

Como estou?

Gostas?

Kumru, estás linda.

Minha filha linda. Não é linda, Sr. Iskender?

Tem a beleza da mãe.

Mãe, muito obrigada.

- Fico muito grata. - Querida...

Quem liga?

A rapariga de que te falei. Lido com ela depois.

Atende.

É evidente que precisa de ti.

Sim, querida?

- Comecei a comer. - Bom proveito.

Ainda não há novidades?

Não. Enviei mensagem, mas não respondeu.

Não o encontraram.

Vou perguntar de novo. Um momento.

Está linda.

Obrigada.

Já era bonita.

O vestido fê-la brilhar.

Fala com o cunhado?

Não parece ser bom.

Já estava à espera.

Procuraram todos os códigos e números.

Não encontraram este número em Esmirna.

Está bem, querida. Claro!

Eu levo. Não há problema. Só preciso da morada.

Rua 1286.

Sim, sei onde é. Alsancak.

Vou já, querida. Beijinho e até já.

O que é que disseste?

Rua 1286, Alsancak.

- Não é um número de telefone. - Desculpe?

Não é um número de telefone, é uma morada.

Às três e 45, Rua 1286. É a morada do encontro.

Que horas são?

São 15h10. Não chegamos lá a tempo.

Se formos atrás dele, chegamos tarde ao julgamento.

Esperem, é possível. Podemos separar-nos.

Vocês vão ao tribunal. Eu tiro uma foto ao Şevket e envio.

Seria ótimo.

Sr. Iskender, tem a mão magoada. Vou consigo.

Que se passa?

Há uma novidade importante sobre o julgamento.

Tenho de ir ao tribunal. Vemo-nos no casamento.

Nem penses!

- Parece divertido. Claro! - Quantos mais, melhor. Vamos.

- Gülcem, depressa! - Está bem.

- Mãe, chama um táxi. - Já chamei.

Como o vão reconhecer?

Envie o vídeo dele.

Certo!

- Kumru, cuidado! - Está bem. Vamos!

- Kumru? - Não andam.

- Estamos a andar. - Estão tão descontraídos.

É Esmirna.

Cemo, por amor de Deus, podes deixar-me em paz?

Estou com pressa.

- Segues na direção que te disse? - Sim.

- Vais para sul? - Sim.

- Estás perto de Kültürpark? - Sim, Cemo.

- Passaste Montrö. - Passei.

- Viras da Lozan. - Sim, agora.

- Atenção à estrada. - Fatih!

- Devagar! A estrada está molhada. - Entra.

Que homem és tu? Não respeitas os teus sonhos nem os meus.

É a noite da minha vida!

- Vai-te... - Calma.

Sereia?

Sou a Gülcem.

- Cemo Moreno. - És parente de Dario Moreno?

É o meu nome artístico, com respeito pelo mestre.

É este homem.

Deixe ver.

- Espero que não seja tarde. - Vamos conseguir.

- Afastámo-lo do seu trabalho. - Desde que o deles fique feito.

- Tem filhos, Sr. Iskender? - Dois.

Do casamento anterior da minha falecida esposa, mas amo-os como se fossem meus.

Ele está ali!

- Pare aqui. - Iskender! Pare o carro!

Corra!

Pare! Vou sair. Espere.

Primeiro andar, certo?

O que aconteceu?

Foram para o primeiro andar.

Venha.

- Estranho. - A casa parece vazia.

- Fantasia de casa vazia. De certeza. - Não pode.

Venha.

Ligaste ao Sinan?

Enviei mensagem, estou à espera.

Não te preocupes, eu ajudo-te.

O crime dele é abandonar os amigos.

Não atuamos porque é fantasioso. Diz que há uma desculpa válida.

- Falamos sobre isso depois. - Desculpa válida?

- Cemo. - Traíste-me.

Não. Como vês, tenho estado ocupado.

- Não atuas, não lhe ligaste. - Enviei mensagem.

- Qual é a desculpa válida? - Cemo, esquece isso.

Assunto de miúda.

É válida.

Os assuntos de miúdas são sempre válidos. Se há uma miúda, não abandona.

- Espero que não seja a sereia. - Não.

- Devo ir? - Não. Fique aqui.

Não vá sozinha. E se aparecerem muitos?

Eu estava a brincar com o Cemo, para que me deixasse em paz.

Se não lhe dissesse aquilo,

ele ia ser muito chato. Conheço-o muito bem.

Não diz nada? Pelo menos revire os olhos.

Não, está tudo bem.

- Encontraram-no. - O quê?

O Iskender e a minha mãe encontraram o Şevket.

Isso é bom.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA TRIBUNAL DE FAMÍLIA

Devagar.

- Deixe-me subir. Está magoado do braço. - Mas ainda não morri, Sra. Gönül...

Devagar. Suba devagar.

Consegue vê-los? Estão aí?

O que achas da casa de banho?

Vamos ver lá atrás.

Vê? Em plena luz do dia. Sacana!

- Está bom? - Sim.

Venha, desça. Devagar.

O Şevket vem?

Parece que só virá o advogado dele.

Não me surpreende.

O juiz vai fazer perguntas?

Como disse, é um caso grave de incompatibilidade.

Devo dizer a verdade?

Ele deixou-me sozinha.

Posso dizer que estava sempre distante, mesmo quando estava comigo?

Os tribunais não querem saber de solidão, infelizmente.

O Sr. Fatih é um advogado único.

Devia juntar-se à nossa equipa.

Queixoso Hamdi Şahin!

Advogado Çağdaş Aslan!

Ré Melike Güral!

Advogado Celal Karadeniz!

Sra. Hale, tenho de lhe mostrar uma coisa.

O quê?

Ela é tão jovem.

Gostava de estar errada.

Infelizmente, a situação é esta.

Queixoso Şevket Güngören! Advogado Orhan Musluoğlu!

Vamos despachar isto.

Ré Hale Arı Güngören! Advogada Kumru Tanyas!

Espere aqui.

Ela ficou de rastos.

Vai erguer-se mais forte. É o que acontece sempre.

Ganhas muito como músico?

Ainda não, mas vou ganhar. Fiz uma canção fantástica.

Gostava que o Fatih se desse ao trabalho de escrever a letra.

- Tu compões, ele escreve. - Exato.

Mas faço outras coisas. Sou instrutor de condução e barman.

Sou perito em cocktails.

- Podes fazer-me um? - Claro.

Mas eu não bebo qualquer cocktail.

- O Bloody Mary é o melhor. - Isso é xarope para a tosse?

Gostarás de que tipo de cocktail?

Tenta adivinhar.

Whiskey Sour?

Pareço azeda?

Não.

Pink Dream, então? Rum, vermute, água de rosas.

Água de rosas? Como os avós.

Pois, também não.

London Mule?

Londres é fria e chuvosa.

Qualquer coisa mais quente,

mais apaixonada, como...

Esmirna Mule.

Já sei! Tenho a receita perfeita para ti.

New Adventure.

Bom nome. Nova aventura.

- E o sabor? - Intenso.

Agridoce.

- O que achas? - Não sei se posso confiar em ti.

Porquê?

Ouviste falar do New Adventure e deixaste a tua favorita, a Sra. Mary.

Queres dizer que não és a rapariga para mim.

Não.

Sou a rapariga ideal para ti.

Doruk, ficou tudo bem no último momento. Parecia um milagre.

Não há milagres. Diz-me o que és.

Gerente.

Bravo! Agiste como uma gerente e o universo abriu-te as portas.

Detesto aquele casamento. Vai estar toda a gente lá.

Estás na sombra de novo. Os outros são apenas um pormenor.

Vai ao casamento, faz o que tens a fazer e volta.

Pensei ficar um ou dois dias.

Esmirna não tem nada para ti. Não deixes que te atrapalhe.

- Diz-me, o que és? - Gerente.

Vou desligar.

Vamos?

- Está de bom humor. - Digamos que estou descontraída.

Já acabou? Estão divorciados?

Não, mas o mais difícil acabou. Faltam as formalidades.

- As fotografias resultaram. - Não as apresentei.

- Porquê? - O juiz diria que são inválidas.

Podemos usá-las depois, se for preciso.

Porque nos demos ao trabalho?

Pela Hale.

Senão, ela teria desistido.

Ela precisava de uma razão concreta para se livrar dele e nós demo-la.

- Gülcem, querida. - Kumru, querida.

- Muito bem. - Obrigada.

- Cemo, estás com sorte. - O que fizeram?

Não fizemos nada. O Sinan enviou uma mensagem.

- O que disse? - "Venham atuar, se quiserem."

O carro está em Balçova. Posso dar-te boleia.

- Não é preciso. Eu não vou. - Estranho.

Vou ao casamento. Tenho uma desculpa válida.

- Pensei que seria hoje. - Haverá mais concertos.

Não sei quando voltarei a encontrar outra aventura.

Gostava que houvesse uma pessoa sã, mas, infelizmente, estamos em Esmirna.

Vai ao casamento, certo?

Como motorista, claro.

Não seja parvo, está convidado. Não está, Kumru?

Se ele quiser.

Vamos para nossa casa se o casamento acabar cedo.

- Tens de provar o cocktail. - Claro.

A minha situação é complicada. Tenho de voltar para Istambul.

És mesmo desmancha-prazeres, Kumru!

Vamos antes do casamento.

- Sim! - Uma festa antes.

- Que tal? - Vá lá.

- Está bem. - Viva!

- Mas antes tenho de passar por casa. - Claro.

Gülcem EARP, Cemo EAFP.

Desembaraço e diversão. Perfeitos um para o outro.

Não devia encontrar o homem certo com essas suas letras?

- Não resultou com o seu ex. - Não conhecia o inventário de caracteres.

Agora conhece.

Do que precisa? O que é bom para uma gerente?

Não um guardião, já sabemos. Trabalhador? Escravo?

Cemo!

Estão a chegar.

Vais adorar.

Tonguç, dois New Adventure.

- Onde estiveram? - Temos novidades.

Esperem! Vão casar?

Não. Eu demiti-me e vou ser agente do Cemo.

Se calhar, deviam ter casado.

O nosso nome de casal é o máximo! Gülcemo. Gülcem-Cemo, Gülcemo.

Brangelina, o tanas!

Que relação tão rápida.

- Gülcem! - Acredita, estamos apaixonados.

Assim de repente?

- Sim. - Não é possível?

O amor à primeira vista é impossível?

Suponho que é possível em Esmirna.

O que foi agora? Ainda não gosta desta cidade?

Porque devia gostar desta cidade?

Correu tudo bem. Arranjámos um detetive, tirámos a foto.

Ajudou a sua cliente. Até mostrou a foto à Hale.

Separou a Hale e o Şevket.

- O que é que eu fiz? - Separou-os.

- Querem o divórcio por minha causa? - De quem é a culpa?

De ninguém. Eles quiseram.

- Suspeitou do Şevket e foi atrás dele. - Estava certa.

Estava certa e separou-os.

A culpa disso também é minha?

Ele não quis dizer isso.

Como quer que...

Viu que a Hale não estava contente.

É normal que esteja triste. Era feliz quando estava casada?

Se deixasse, eles podiam ter tentado de novo.

Se deixasse?

Quantos divórcios é que viu?

Nunca viu uma pessoa divorciada feliz com outra?

Os meus pais são divorciados. Nenhum deles é feliz.

É isso que o torna especialista.

Devíamos ter pedido ao tribunal para o chamar como perito.

Divórcios não são o meu trabalho.

Tentava manter a Hale e o Şevket juntos ou os seus pais?

Foi atrás do Şevket ou do seu ex?

Faço o meu trabalho.

Certo. Pode orgulhar-se disso. Fez um ótimo trabalho.

Obrigada. Voltamos a falar quando tiver o seu negócio.

Como assim?

É músico, mas não atua nem lança canções.

Incrível.

Escreve letras desde manhã, mas nem cantarolou porque tem medo.

- Porque diz que foi por medo? - A sério?

É tudo por medo.

Fala da Yildiz Tilbe e a história dela baseia-se em coragem,

mas chamou-lhe sorte.

Que observação! Bravo.

Porquê? Estou errada?

Acho que é por isso que não gosta de Istambul.

O palco e a ribalta estão lá.

Vive feliz aqui, no meio do seu próprio lixo.

Desculpe, o seu pai tentava que parasse, não era?

Se acreditar...

Era bom que tivesse ouvido o seu pai.

- O que quer dizer? - Nada.

Não, estou a ouvir.

- Eu digo-lhe, então. - Força.

- É a cobarde. - Sou?

É. Tem medo de Esmirna e de tudo. É obcecada por inventários de carácter.

Só vê letras, não vê pessoas.

Não fala nem faz nada sem planear tudo antes.

Porque não tenho uma vida folgada como a sua.

Tenho um plano e um rumo.

E Esmirna bloqueia esses planos? Acredita nisso.

Exatamente, Esmirna tenta travar-me.

Por favor! Quase fugiu. Teria ido, se a Gülcem não a tivesse visto.

Espera, também ias fugir de mim?

- Eu não ia ao casamento. - Porquê?

Como assim, porquê? Tu sabes.

- Não sei. - O Onur vai.

Ele enganou-me e mentiu-me. Devo sentar-me à frente dele?

Que mentira?

Supostamente, conheceu a mulher antes de termos acabado.

Ainda insistes nisso?

Falámos sobre isso e disse-te que começou depois de ti.

- Disseste isso para me consolar. - Não, perguntei.

Por amor de Deus, Gülcem. Eu nunca me engano.

Desta vez, estás enganada.

Estás sempre a falar de pessoas que são felizes depois da separação.

O Onur está feliz com outra pessoa.

Não importa com quem está. Devia dizer-me a verdade.

Ele diz a verdade, mas tu não gostas.

- O que importa isso? - Tudo!

Não consegues aceitar que uma pessoa pode conhecer alguém

e casar-se em pouco tempo.

- Achas? - Sim.

A vida não é assim.

O amor não é assim.

Podes não viver assim, mas há quem viva. É assim que eu vivo.

Estou a ver.

Encontraste um desempregado e despediste-te em duas horas.

Não somos dignos de ti, Kumru.

Desejo-te felicidade para a tua vida perfeita.

Gülcem.

Nunca te vou convencer. Vai contra uma parede outra vez.

Vamos.

Vamos!

A conta, por favor!

Não estacionámos aqui?

Foi rebocado.

As minhas coisas, o meu tablet, os documentos, perdi tudo.

- Não se preocupe, eu trato de tudo. - Não.

Não faça mais nada. Basta!

Estou farta de si, do seu carro e de Esmirna!

Cuidado!

CENTRO DE ESMIRNA

- Está bem? - Que ideia foi essa?

- Está bem? Peço desculpa. - Salih, estás bem?

- Estou a ligar. Venha. Estou? - Está bem?

- Mulher! - Vocês estão bem?

ESQUADRA

O que aconteceu?

Prestei depoimento.

E os músicos?

- Não apresentaram queixa. - Isso é bom.

Mas não vão poder tocar no casamento.

O casamento...

Da Meltem com o Mert.

Não me espanta.

Esmirna conseguiu de novo.

Vou voltar para Istambul.

- O carro está no mesmo sítio. Posso ir... - Não é preciso. Apanho um táxi.

Tem as coisas no carro.

Enviam-nas para casa.

Vai-se embora.

Fique bem.

Igualmente.

Aeroporto, por favor. É urgente. Pode chegar lá em meia hora?

Há muito trânsito, mas vamos conseguir.

Sim, Sra. Hale?

Olá, Kumru. Como está?

Estou bem, obrigada. De regresso a Istambul. O que se passa?

Tenho uma notícia que a vai surpreender.

Acusou-me falsamente!

As coisas não eram o que pareciam.

- Claro que não! - Sra. Hale, com quem está?

Espere. Ela pergunta por ti.

Sou eu, o Şevket.

A rapariga que pensávamos ser a amante era filha de um velho amigo.

- Sim. - Como assim?

Eu não a via há anos. Não a reconheci.

É agente imobiliária e mostrava casas ao Şevket.

Kumru, querida, vamos reconsiderar o divórcio.

Não se preocupe, fica com o caso.

Sra. Hale...

Peço imensa desculpa.

Não se preocupe. Não era o que parecia.

Às vezes, temos de nos enganar para que a vida nos dê alegrias.

Certo. Depois falamos, então.

- Até à próxima. - Adeus.

MENSAGEM

DEIXAR DE SEGUIR CANCELAR

ESTA CONTA É PRIVADA

- Entra. - Depressa!

Não desiludimos ninguém!

- Aonde é que vamos? - Ao casamento!

Eu digo que não vou e tu queres tirar uma selfie.

Passei a manhã toda a transpirar! Olha para a minha roupa!

- Nós tratamos disso. - Paramos para mudar de roupa.

- O carro não pega! - Deixem-me ir para casa.

Isso! Lindo menino. Vamos lá!

Vai onde a vida te leva. Esperem por nós. #CasamentoMeltemMert

Estou aqui!

- Tenho os relatórios. - Que hospital?

- Hospital de Urla. - Isso é bom.

Mencionaram outros sítios, mas insisti em Urla.

- Ótimo. Gosto do sítio. - Eu também. Será bom para ti.

Mas tens de tentar, sim? Sem protestar.

Não dês tanta importância a tudo. Não leves tudo tão a sério.

Não te foques nos problemas. Isso deixa-te doente.

A tua mãe tem muita razão.

Não tem, Kumru?

Posso sair aqui?

Bem-vindos, amigos. Vamos avançar para a frente.

Em 2013, éramos uma mão-cheia de mulheres neste passeio.

Hoje, o Passeio Feminino de Bicicleta acontece em 28 países

e em 160 cidades.

Podemos ter ideias e crenças diferentes,

mas temos algo em comum e isso é Esmirna!

Desculpe.

Tem uma bicicleta a mais?

O que há mais aqui é bicicletas. Tome, leve esta.

Não é para o passeio.

Tudo bem. Dê-me o seu número.

- Obrigada. - De nada. Espere.

Cuidado.

- Muito obrigada. - De nada.

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Olá. Estás no aeroporto?

Não, vou na direção oposta. Vou ficar em Esmirna.

Não te rendas a Esmirna. Está sob o teu controlo.

- És tu que mandas. - Exato, Doruk.

Tens razão. Sou eu que mando.

É por isso que vou fazer isto.

Uau! Que dia que tivemos.

Sim, podes crer.

Bem-vindos.

- Parabéns. - Bem-vindos. Por aqui.

- Ficamos em mesas diferentes? - Não, nós tratámos disso.

Meltem!

Está bem.

Querida.

- Os músicos não podem vir. - Porquê?

Tiveram um acidente. O que fazemos?

O meu conselho é que falem um com o outro.

Altos e baixos, discussões... Um casamento é isso.

Lembrem-se de falar um com o outro e de se ouvirem.

Desejo-vos felicidade.

Disseste que te casarias depois de nós, mas afinal foste a primeira.

Desejo o mesmo para mim.

É normal cometer erros antes de acertar.

Parabéns!

As histórias de amor têm um truque.

Acabam aqui, onde os amantes se unem.

O verdadeiro truque...

Desculpem! Os travões não funcionam.

Onur, olá. Podes dar-me isso?

Desta vez, não bati.

Boa noite a todos. Chego tarde.

Peço imensa desculpa.

Meltem, estás linda.

Desejo-vos felicidade eterna.

Vejo muitos casais abraçados neste momento.

Alguns passarão a vida juntos.

Outros separaram-se e fizeram as pazes.

Outros conheceram-se hoje e apaixonaram-se imediatamente.

Esmirna parece mesmo ter um equilíbrio cósmico e estranho.

Quero pedir desculpa à Gülcem e ao Cemo

e ao Onur e à mulher dele.

Tinham razão.

Eu estava errada.

Suponho que é possível apaixonarmo-nos num só dia.

Quando a vida nos chama, devemos ir.

Mas não é assim tão fácil.

É preciso coragem para ignorar os medos e partir.

Dou os parabéns à Meltem e ao Mert por terem essa coragem.

Espero que, um dia, eu tenha a mesma coragem.

Obrigada.

Boa noite a todos.

Sejam bem-vindos.

Senti-me inspirado pelo discurso da Kumru sobre coragem

e gostava de dizer algumas palavras.

Sim.

Não é fácil ignorar o medo e avançar,

mas julgo que é mais fácil quando temos alguém que nos inspira.

É aí que se abre uma porta na nossa vida.

Surge um caminho novo e encontramos coragem para o seguir,

só com amor.

Estou pronto para esta jornada, Kumru.

Estavas certa em relação a tudo.

Tu também.

Todas as coisas horríveis que dissemos um ao outro são verdade.

Julgo que devias ser mais como Esmirna.

Mais descontraída, mais espontânea.

Concordas?

Sim.

Acho que tens de ser mais como Istambul.

Mais na ribalta, mais imprudente.

Concordas?

Sim.

É assim mesmo!

Ouve, tu és EARD.

Eu sou ILFD.

Vai resultar?

Não te preocupes com as letras. Nós resolvemos isso.

Nós resolvemos isso?

Durante muito tempo Pus o coração a dormir em salas escuras

Como se esperasse sempre por ti Há algo entre nós

Compreendo, não te vou cansar

Escondo-te de tudo

Serei o teu parceiro no crime Onde quer que estejas

Abraça-me

Nunca me largues

Fui desvendado como um mistério Quando sorriste para mim

Dá-me a mão e vamos

Não vamos adiar o amor

Deixa-o cair no meio do meu coração Como um pássaro no meu ramo

- O que é? - Vem.

Tens a letra.

- Vem. - Vai!

Estás pronta?

- Não. - Vais estar.

Abraça-me

Nunca me largues

Fui desvendado como um mistério Quando sorriste para mim

Dá-me a mão e vamos

Não vamos adiar o amor

Deixa-o cair no meio do meu coração Como um pássaro no meu ramo

Bravo!

Bravo!

Ana Rita Santos

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