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Once I had a pretty little girl
I lose my baby, ain't that sad?
Once I had a pretty little girl
I lose my baby, ain't that sad?
You know you can't Spend what you ain't got
You can't lose What you ain't never had
Well you know you can't Spend what you ain't got
You can't lose What you ain't never had
- Vamos deixar bonito. - Bem, assim est� bom.
- Mas que beleza. - Estamos chegando l�.
- N�o h� nada para mudar a�. - N�o mesmo.
Am I wrong
Only in loving you?
Tell me Am I wrong
Only in loving you?
While your other man was out there
Cheating and lying Stepping all over you
Am I wrong
Voc� vai l�?
Como voc� est�?
Bem.
- O qu�? - Que vid�o.
Vamos come�ar direto. Um, dois, tr�s.
I'm known as a rambler
And my home is in No one man's town
I'm known as a rambler
And my home is in No one man's town
And I ain't gonna let nobody
Ever gonna tie me down
The judges all knows me
As a man with a smilin' face
The judges all knows me
As a man with a smilin' face
And there's no man
There's ever gonna take my place
You gotta to find, my baby
If you wanna get along with me
You got to got to got to Got to got to got to
Find, my baby
If you wanna get along with me
Hand to the child Hand to the child
I'm not that fool that I used to be
PETER KING SAXOFONISTA
NASCIDO EM 1940 EM KINGSTON UPON THAMES, REINO UNIDO
JON CLEARY PIANISTA
NASCIDO EM 1962 EM KENT, REINO UNIDO
HOJE MORANDO EM NOVA ORLEANS
Every morning the sun comes up
With the evening
In the evening the sun goes down
Every morning the sun comes up
In the evening the sun goes down
I gotta live
Fast in your town
Escala de Mi?
Est� bem, mas � uma escala dif�cil para o contralto.
Verdade.
- Que tal assim? - Uma beleza.
OS ANOS DO P�S-GUERRA
E a forma mais popular de m�sica popular...
era o estilo das "Big Bands" dos hot�is de luxo.
Ambrose e sua orquestra, do Mayfair Hotel.
Sidney Lipton, do Dorchester, e todos aqueles.
As bandas de baile eram famosas naquele tempo.
Os m�sicos tocavam nas "big bands"...
escravizando-se para ganhar a vida...
e depois sa�am para tocar Jazz de gra�a, s� por amor.
Nos anos 40, a cena jazz�stica acontecia em boates...
onde as pessoas tocavam discos e discutiam tudo a s�rio.
N�o havia um ambiente de Blues.
Poucos na Inglaterra sabiam o que era Blues.
Tudo come�ou em fins dos anos 40...
mas s� alcan�ou o grande p�blico em 53 com Ken Colyer...
e em 54, quando eu assumi a banda. Nessa �poca.
A primeira banda de Jazz que eu vi foi a Freddy Randall Jazz Band.
Logo ap�s isso, eu vi a banda de Humphrey Lyttelton...
que era muito mais, eu diria, aut�ntica.
Quando cheguei a Londres...
descobri que havia um movimento liderado por Humphrey Lyttelton...
o "revivalist movement", que n�o era o tradicional...
tocando o Jazz do tipo que era gravado nos anos 20 em Chicago.
Oliver, Armstrong, Morton e outros.
Era um movimento de retomada. Quem tocava, e eu era um deles...
teve a id�ia de retomar de onde Morton e os outros haviam parado.
Woke up this mornin'
When chickens was crowin' for day
Felt on the right side of my pilla'
My man had gone away
By his pilla'
He left a note
Readin', I'm sorry, Jane
You got my goat
No time to marry
No time to settle down
I'm a young woman
And ain't done runnin' 'round
Esse movimento n�o tolerava o Bebop, por exemplo.
S�rio?
E o pessoal do Bebop n�o suportava o "revivalismo".
Eles nos chamavam de "figos podres".
Ent�o surgiu Ken Colyer, que novamente dividiu os divididos.
L�DER DE BANDA, TROMPETISTA, REINO UNIDO
Ken era um homem estranho. Grande trompetista.
Ele � um homem que foi, eu creio, muito mal-representado...
por muitos que diziam representar seus ideais e tal.
Eu conheci Ken... Minha banda era de estilo "revival".
N�s nos conhecemos em 1948.
Ele gostava de George Lewis e se inspirava na Nova Orleans arcaica.
N�s nos inspir�vamos na Nova Orleans cl�ssica, ent�o, n�o deu certo.
N�o creio que tivemos um trompetista ao estilo de Nova Orleans como ele.
Finalmente ele deu um jeito de ir para Nova Orleans.
Ele se alistou na Marinha Mercante, desembarcou em Mobile, Alabama...
e foi para Nova Orleans sem passaporte nem visto de trabalho.
Ele foi para l�, conheceu a velha guarda e tocou com ela.
E adotou o modo deles tocarem.
H� a lenda de que ele fazia...
- a banda tocar fora do tom... - N�o.
- N�o � verdade? - Bobagem.
N�o, bobagem!
Pura bobagem. Ken jamais tocou desafinado.
Ele tinha um ouvido maravilhoso. Pena que ele n�o estudou m�sica...
pois ele teria sido bem melhor.
Ele nunca me socou. Ele s� amea�ou.
Mas isso, eu j� disse, n�o tinha nada a ver.
Ken Colyer foi o m�sico mais pr�ximo de George Lewis...
deste lado do Atl�ntico. Mas eu n�o sabia.
� interessante para algu�m que estava longe de ser...
um conhecedor musical � �poca. Eu era um adolescente, eu n�o sabia.
Ent�o, foi algo intuitivo.
O interessante era que l� estava Ken Colyer na boate.
Louis Armstrong tocava, e eu observava Ken...
porque ele fora o grande divergente...
o homem que mudara o Jazz ao matar a tradi��o de Nova Orleans.
- O dem�nio. - Isso.
Ent�o, quando ele terminou de tocar maravilhosamente com Humph...
eu fui at� Ken e disse: "O que voc� acha, Ken?"
Eu fui malicioso. E Ken disse: "Ele chega l�."
CANTOR DE BLUES E GUITARRISTA 1893-1958, EUA
Eu tamb�m fiquei ouvindo encantado a Big Bill Broonzy...
sentado numa cadeira no meio do sal�o, tocando viol�o...
e falando de Blues.
Ele foi um dos primeiros a vir para c�.
Era apresentado como o �ltimo dos "bluesmen" do Mississippi...
em 1951, quando ele veio. Desde ent�o, apareceram v�rios "�ltimos".
N�s tamb�m fizemos turn� com Big Bill Broonzy...
que era ador�vel.
Um mentiroso terr�vel, � claro.
Ele dizia ser dono de oito fazendas e tal...
mas quando morreu, n�o tinha nada. Mas e da�?
Broonzy teve uma obra ampla, mas nem todos a conhecem.
Tocou em bandas, com pianistas.
Escalamos Broonzy para um show, mas pedimos que n�o tocasse guitarra...
mas sim o Blues de raiz, "country Blues".
Ele vivia uma mentira, como descobrir�amos depois.
Tinha-se a impress�o que ele vinha direto do Delta...
para o est�dio e para a fama.
Mas essa foi uma mentira importante, n�o?
Mentira importante, mas a verdade era que ele era de Chicago...
onde ele cantava Rhythm'n'Blues. N�o importava, n�o �?
Ele tocava e cantava magnificamente.
Ele foi o precursor de Muddy Waters, Buddy Guy e afins.
Pense nas pessoas inspiradas por Big Bill Broonzy.
Ele foi o Art Blakey do mundo do Blues.
Ele influenciou Memphis Slim, o Sonny Boy Williamson original...
Jazz Gillum, Big Maceo, Josh Altheimer.
Tanta gente.
Broonzy tamb�m apareceu na TV.
Outro motivo pelo qual ele fez sucesso aqui.
Em um programa tipo "News Night"...
foi mostrado um filme dele que era t�o fascinante...
que acho que todos que foram por aquele caminho se inspiraram ali.
Big Bill Broonzy foi o primeiro cantor que eu ouvi.
Ele se apresentou no Six-Five Special, eu creio.
Eu adorei a crueza dele, mas ele era muito musical tamb�m.
Para mim, at� ent�o, a "black music" era ac�stica.
E o Rock'n'Roll dos brancos era el�trico.
E tamb�m Brownie McGhee.
Eu sei que Brownie tocava na boate que eu freq�entava.
Eu sempre estava l�, quando garoto, aos p�s dele.
Aquela foi a primeira vez que eu vi algu�m tocar Blues ao vivo.
Hey
Hey
Hey Lord, Lord hey, Lord
Hey, hey, hey Lord, Lord, Lord
O cego quis urinar...
e o aleijado disse: "� melhor ir com ele. Ele n�o acerta a mira."
Nessa hora, o cego voltou e disse: "O que voc� disse?"
Eles correram em volta da mesa.
O aleijado tentando fugir das bengaladas do cego.
E o sal�o estava cheio de fotos e objetos valiosos.
Foi um momento �nico.
SISTER ROSETTA THARPE CANTORA GOSPEL E GUITARRISTA, EUA
Em 57, Rosetta Tharpe apareceu com uma Fender s�lida...
e um amplificador.
Em 58, Sonny e Brownie tinham um pequeno amplificador...
e um viol�o com captador.
E mais tarde em 58, Muddy Waters, com amplificador e guitarra.
Sister Rosetta j� era importante em minha vida na �poca.
Sister tocava um �timo Blues Rock'n'Roll na guitarra.
Arrasando em can��es de Gospel, ela tocava guitarra...
e tinha uma Hammond B3 e um baterista...
como partes da m�sica de igreja. Nossa!
O caso � que Sister Rosetta Tharpe no palco, � �bvio...
parecia ter uma aur�ola...
mas fora do palco ela bebia e era bem atrevida. A rima � proposital.
E se comportava muito mal, fique sabendo.
Mulligan estava muito preocupado antes de nossa turn� com ela...
mas logo passou. Na verdade, era preciso tranc�-lo no quarto.
We came on the old John Bee
My grandpappy and me
Old seven sea
We did
Foi realmente minha introdu��o ao "skiffle" de Lonnie Donegan.
Todas essas coisas estavam acontecendo quando comecei a tocar.
Mas foi algo bastante instrutivo para mim.
Became too broken I wanna go home
O "skiffle" tamb�m foi uma influ�ncia.
Tent�vamos tocar em bandas de "skiffle" quando �ramos jovens.
Quando eu ouvi Lonnie Donegan, eu corri atr�s de um viol�o.
O lance do "skiffle" era que era uma m�sica acess�vel...
- que dois m�sicos podiam... - � um som brit�nico, n�o �?
Ele era puramente brit�nico.
Toc�vamos Spirituals, Gospel, Blues, Jazz...
can��es populares da �poca.
Quando Lonnie Donegan surgiu e teve seus sucessos...
eu n�o sabia � �poca que as can��es eram de Leadbelly.
Me and my wife settled down But me and my wife have parted
Foi bem mais tarde, no fim dos anos 80...
foi que eu me dei conta de que aquelas m�sicas...
vinham de 30 anos antes.
Bem, � uma mistura total...
principalmente de m�sica afro-americana, mas n�o s� isso.
Donegan era muito famoso naquela �poca.
E o fen�meno do "skiffle" estava no come�o.
Houve um movimento an�logo a esse nos EUA?
Houve um movimento an�logo sim. Foi a m�sica folk.
A gera��o dos estudantes americanos descobriu sua pr�pria m�sica.
Como Peter, Paul and Mary?
Isso. E o Kingston Trio e outros assim.
Na primavera de 55, Jack e June chegaram a Londres...
e descobriram uma cena florescente e muito apaixonante de "folk".
Aspirantes a cantores de "folk" davam um toque novo...
�s can��es tradicionais.
Esta inova��o na m�sica "folk" ficou conhecida como "skiffle".
I don't know what train he's on Won't you tell me where he's gone
O "skiffle" n�o tem valor nenhum. Eu nem quero falar disso, � nojento.
Era um bando de m�sicos sem talento...
que resolveram comprar um viol�o, aprender um acorde e cantar...
"S� um homem nervoso canta uma can��o nervosa".
Voc� foi influenciado por gente como Ramblin' Jack Elliot?
Voc� o conheceu quando ele veio a Londres?
Sim.
- Ele o influenciou? - N�o. Pr�xima.
- N�o mesmo? - N�o.
Sempre o considerei um charlat�o. Eu sou mais Woody Guthrie.
Algu�m que imita Woody Guthrie n�o me impressiona. Eu fa�o isso.
Eu acho que Lonnie Donegan pegou o nome de Lonnie Johnson.
E o nome dele teria sido Alonso em Espanhol. Alonso.
Turn your face a little And turn your head a while
But everybody knows She's only putting on this time
Certo? Isso n�o � um "folk", � uma can��o pop.
Na verdade, como tenho ido muito ao Tennessee...
eu agora sei de onde vieram muitas dessas can��es "skiffles".
Eram vers�es de "bluegrass"...
que eram oriundas dos Apalaches...
por influ�ncia dos colonos escoceses e irlandeses.
Apesar de as letras terem sido recriadas...
como "Down in the Mines" e "Rock Island Line".
Ken Colyer tocava "skiffle"...
nos intervalos de suas bandas de Jazz tradicional.
Quando Chris Barber formou sua banda e come�ou a tocar tamb�m...
Lonnie Donegan fazia parte, ele tocava banjo...
mas tocava viol�o no estilo "skiffle".
Isso evoluiu do que se considerava Jazz da �poca. Isso saiu do Jazz.
H� dois anos eu fui com Van Morrison para Belfast...
e tocamos em shows de "skiffle".
Quando l� chegamos, descobrimos que Dr. John trabalhava ali perto.
N�s o chamamos e ele veio correndo.
"Lonnie Donegan, meu Deus!"
"'Rock Island Line' � o melhor disco que existe. Voc� me iniciou!"
Eu disse: "Eu o iniciei? N�s entendemos direito?"
Havia um h�brido entre o "skiffle" e o Jazz tradicional...
que ocasionalmente flertava com o Blues...
e isso era bem interessante.
A primeira grava��o brit�nica de Blues que eu ouvi...
foi "Bad Penny Blues", de Humphrey Lyttleton...
que era instrumental...
e o pianista Johnny Parker tocava um �timo "boogie-woogie" nela.
Isso, e n�o p�ra.
Um trompete abafado...
Parece que gravaram a m�sica assim...
porque metade da banda n�o apareceu. Ent�o, foi s� uma sess�o r�tmica.
- Belo trabalho. - Exato!
Eu disse a Johnny Parker, o pianista na ocasi�o...
"Vamos tocar aquilo que tocamos na boate."
Quando eu ouvi, fiquei horrorizado.
Se eu tivesse ouvido o disco de teste antes de viajar...
eu n�o o lan�aria.
Ele disse que tinha poucos m�sicos...
ent�o, tinha de fazer parecer grandioso.
A m�o esquerda do piano estava distorcida...
tinha um som batido.
A bateria estava muito fora do ritmo.
V�rias passagens fora de ritmo foram gravadas.
Tudo foi equalizado no est�dio por Joe Meek...
que ficou famoso no circuito popular.
Isso, Joe Meek.
Pois eu gravei com ele no come�o dos anos 60.
Ele disse que o microfone... Foi por isso que o piano saiu t�o alto.
Eu sempre o considerei o primeiro dos editores de som criativos.
Em outras palavras, ele fazia muitas coisas...
que eu n�o aprovaria na �poca. Mas quando voltei de f�rias...
a m�sica estava em 19� lugar no "top 20", e eu fiquei quieto.
JOE MEEK, PRODUTOR DE DISCOS, REINO UNIDO
Com Joe Meek... A C�sar o que � de C�sar, sabe?
Eu n�o tenho nada contra ningu�m, mas quando...
Mas quando isso atrapalha a m�sica...
em vez de fazer a m�sica, h� segundas inten��es.
Com mo�as bonitas h� o "teste do sof�".
Entendeu? Isso para homens heterossexuais.
Pois ele vivia falando: "Puxa, como voc� �...", sabe?
"Esses jeans caem bem em voc�, n�o?"
E eu: "Claro!"
Ele: "Parece que voc� tem um bem..."
E eu: "Ele d� conta do recado."
Eram essas coisas. E eu pensava no que ele queria.
Ele ficava nessa.
Da� ele dizia que ia enviar as fitas, que a EMI ia receb�-las.
Da� eu fui � EMI, e eles n�o sabiam de nada.
Fui � Decca, e n�o sabiam de nada.
Ent�o, eu voltei l� com ele e disse: "Cretino."
Eu fui para cima dele e foi a 1� vez que eu vi algu�m voar.
Foi inacredit�vel. Ele parecia o Peter Pan.
De repente ele estava...
Numa hora ele estava � mesa e num salto ele foi para a lareira.
E eu: "Como � que ele foi parar a�?"
"Bad Penny Blues".
"Bad Penny Blues", claro.
O solo de Johnny Parker em "Bad Penny Blues"...
foi usado em "Lady Madonna", n�o foi?
Tenho quase certeza.
Lady Madonna
Children at your feet
Wonder how you manage To make ends meet
Nota a nota. Tinha o mesmo compasso.
Era um quatro tempos, mas com uma oitava elevada por cima.
BANDAS VISITANTES
Quando chegamos ao ensaio, Eddie Cochran estava l�...
com seu blus�o e cal�as de couro, sua guitarra Gretsch...
e botas de caub�i e ele disse: "Algu�m aqui conhece Ray Charles?"
E eu acho que ningu�m conhecia, eu n�o conhecia.
E ele disse: "Eis uma m�sica que eu quero tocar em meu show."
E tocou...
Tocou "What I'd Say", do Ray Charles.
E n�s pensamos: "O que � isso?"
Hey mama Don't you treat me wrong
Come and love your daddy all night long All right now
Hey hey
Eddie Cochran apresentou Ray Charles ao p�blico da Inglaterra...
naquela tr�gica turn� em que ele morreu.
Porque John Lee Hooker foi o primeiro a vir em turn�.
Ele j� tinha vindo em uma caravana de Blues...
mas aquela vez que ele veio fazer uma turn� conosco...
foi um grande sucesso.
N�s tocamos com Muddy Waters, John Lee Hooker, T-Bone Walker...
Champion Jack Dupree...
Memphis Slim e Jimmy Witherspoon.
Quando toquei com John, eu fui convidado a tocar por Mike Vernon.
Era para tocar com Muddy e Otis Spann.
Eles vieram a Londres para fazer uma turn� promocional, algo assim.
Aquilo foi inacredit�vel. Eles estavam no auge.
Eles usavam enormes ternos de seda...
e eu fiquei pasmo, mal podia me mover.
Had a little girl
But I lose my baby boy Ain't that bad?
Had a little girl
I lose my baby boy Ain't that bad?
You can't spend What you ain't got
You can't lose some girl You never had
Quando fui chamado � sess�o...
tudo estava afinado em F� sustenido...
ou Si.
E naquele tempo eu s� sabia tocar em poucas afina��es, D�, Sol, F�.
Agora, tendo tocado com guitarristas...
eu consigo tocar em Mi e L�.
Desde que eu conseguisse manter o tempo...
eu me sentia orgulhoso, pois eu jamais tive a t�cnica...
e eu nunca me interessei por ela. Minha �nica t�cnica � a padr�o...
pois toco h� tanto tempo, ou quando algu�m muda algo no refr�o...
eu ainda nem sei qual � o refr�o.
E l� estava eu, tocando com Sonny Boy...
e eles mudavam toda hora.
E, acredite, eles estavam certos e eu errado.
Had money in the bank
But I got busted people Ain't that bad?
Eu vi Muddy alguns anos depois...
e disse para ele: "Aquela sess�o de grava��o, cara.
Foi horr�vel.
Tudo estava em F� sustenido ou em Si.
Eu estava muito mal, desculpe-me."
Ele disse: "Ora, voc� devia ter me avisado. Eu teria mudado o tom."
Mas voc� ficava t�o pasmo com algu�m como Muddy Waters...
que n�o dava para dizer: "Ei, pode mudar o tom?"
Had a sweet little home
But it got burned down people Ain't that bad?
Had my own home
People, ain't that bad?
You can't spend what you ain't got
You can't lose some new girl You ain't never had
Bem, T-Bone Walker fez uma turn� conosco.
Ele foi o segundo a fazer a turn� completa...
e depois eles fizeram apresenta��es com Sonny Boy Williamson.
Sonny Boy Williamson veio tocar com os Yardbirds...
e acabou ficando um bom tempo na Europa...
porque Georgio tinha uma banda, "The Yardbirds".
E parecia uma boa id�ia unir as duas coisas.
E aquela foi uma experi�ncia da pesada.
Bastante assustadora, quase me fez abandonar tudo.
O que me salvou foi que eu n�o era um grande f� de Sonny Boy.
E como eu era um falastr�o tamb�m...
eu acho que n�s n�o nos demos bem.
Mais com alguns m�sicos que com outros.
John Lee Hooker era not�rio por fazer todo o tipo de...
E era isso que tornava sua m�sica �nica.
� meio dif�cil, pois ele...
n�o tinha id�ia de mudan�a de acordes...
nem de nada, ent�o voc� tinha de ficar esperto.
Tudo o que voc� tinha de saber era tocar em Mi...
prestar aten��o e intuitivamente sentir onde ele faria as mudan�as.
Mas John Lee n�o dava deixas. Voc� tinha de ouvir e sentir.
Mas essa era a magia do Blues original do Delta.
Eles mudavam tudo na hora que queriam.
N�o se limitavam a uma estrutura, mas tocar com eles era instrutivo...
pois eles nos levavam �s ra�zes.
Love letters straight
From your heart
Keep us so near
While apart
I'm not alone
In the night
When I can have
All the love you write
I memorize
Every line
And I kiss the name
That you sign
And darling then
I read again right From the start
Love letters straight
From your heart
I'm not alone
In the night
When I can have
All the love you write
I memorize
Every line
And I kiss the name
That you sign
And darling then
I read again Right from the start
Love letters straight
From your heart
- Essa foi a melhor, n�o �? - Estava demais.
Essa foi linda.
BOATES Jumpin' with my boss Sid in the city
Jumpin' with my boss Sid in the city Mr. President of the DJ committee
Eu tinha ouvido tudo isso antes de come�ar a trabalhar na Flamingo.
Ent�o, adicionamos um pouco disso e de Ray Charles debaixo da manga.
Ent�o, quando come�amos na Flamingo...
todos os soldados americanos negros iam para l�: "Estamos em casa."
Eu podia ir � West End, ao Sin Club quando tinha 15 anos...
e � Flamingo quando eu tinha 17, 18 anos.
N�s arrumamos um bico perto da boate Flamingo...
que era uma boate de Jazz...
mas nos fins de semana era alugada por um cara...
que depois se tornou nosso empres�rio, Rick Gone.
Ele fazia sess�es a noite toda, em uma boate de Jazz...
com uma banda de R'n'B para o p�blico dan�ar.
O local era freq�entado por soldados negros americanos da Aeron�utica.
O melhor lugar, e o que eu mais tinha medo de entrar...
at� eu realmente tocar nas bandas, era a Flamingo.
Numa noite tinha Larry Williamson e John Guitar Watson.
Na seguinte, seria John Lee Hooker e na outra noite, Howlin' Wolf.
Havia muita gente de fora, o povo da noite...
gente que trabalhava em outras boates at� as 3 da manh�...
e depois ia para a Flamingo, pois �amos da meia-noite �s 6 da manh�...
�s sextas e s�bados.
Nos domingos, toc�vamos � tarde...
para os atrasados que n�o podiam voltar para a base.
No fim de semana seguinte, seriam Chuck Berry e Nina Simone.
Voc� podia ir l� e ver todas essas pessoas e aprender com elas.
Please write my mama
Tell her the shape I'm in
Please
Write my mama
Tell her the shape I'm in
Tell her to pray for me
Forgive me for my sins
A Flamingo era uma boate de Jazz de renome.
Havia um pequeno piano meia-cauda l�...
para os m�sicos de Jazz.
Eles n�o me deixavam tocar, pois eu tocava Fats Domino.
Era um lugar que parecia que nunca fechava...
especialmente nas madrugadas.
Gente como John Mayall sa�a de Manchester no fim de semana...
para ficar na boate, tocar l�, ambientar-se...
antes de John ter uma chance de trazer seus m�sicos de Manchester.
Era principalmente uma boate de negros.
A maioria ia l� para ouviu o ritmo do Blues...
Ska, Jazz, ou o que fosse.
E tocavam a noite inteira, quase todas as noites.
Nos fins de semana, tinha gente que sa�a machucada.
Voc� podia fazer 10 apresenta��es por semana s� na Flamingo...
e nas cercanias de Londres.
- Ficava sempre lotada? - Sim, totalmente.
Havia um grande DJ jamaicano chamado Count Suckle...
que tinha uma boate jamaicana na Carnaby Street...
justo nela, que se chamava "The Roaring Twenties".
E era apenas uma boate jamaicana. N�s a abrimos como banda...
usando os discos de Count Suckle. Ele tinha uma discoteca fant�stica.
O "Night Train" de James Brown. Ele tinha um bom fornecedor em Memphis...
que lhe mandava discos dos negros, e ainda tinha tudo do Caribe.
"The Roaring Twenties", tocava muito Ska nos prim�rdios, a Flamingo...
Est�vamos tocando uma noite na Flamingo...
e algu�m me disse: "Viu aquele negro na primeira fila s� olhando?"
E s� havia negros, soldados.
Eu disse: "S�o soldados negros que vem aqui no fim de semana."
"N�o, ele � Otis Redding." E eu: "At� parece. Pare com isso."
Da� eu estava no camarim quando Otis Redding entrou.
Ele veio para mim e disse: "Voc� � um �timo cantor."
Eu disse: "Minha nossa � Otis Redding mesmo!"
"Como vai, Otis?"
Ele disse: "Vou a um programa de TV na semana que vem...
chamado 'Ready, Steady, Go' e quero que voc� seja meu convidado."
E eu disse: "Belisquem-me. Isso n�o est� acontecendo."
I've been loving you
Too long
To stop now
Meu empres�rio e eu abrimos uma boate em Brixton...
chamada Ramjam Club.
E eu vi o an�ncio sobre Otis na Stax no domingo � tarde...
e fui de bicicleta de Chelsea at� Brixton...
para ver aquela apresenta��o de domingo. E foi fant�stica.
Muito emocionante, pois eu venho de Guilford, um caipira...
que vinha e dormia na Esta��o Charing Cross e coisas assim.
Muito emocionante.
E eu detestava o nome Georgie Fame...
pois eu fui apelidado assim por Larry Ponds...
como um cantor ex�tico de Rock de seu "plantel".
Mas quando fomos � Flamingo, os soldados diziam...
"Ei, Fame, mano!" E soava bem, soava legal.
And in return
You could give up yours Before we think
Bem direto, n�o �? Eu preciso olhar para voc� ent�o.
What would we do later on?
What kind of life would we have
Just in case we both were wrong?
I'd give up my woman
You'd give your man
VINIL But it don't make sense to
A coisa toda decolou para mim quando conheci John Mayall.
Eu j� tinha um longo caminho...
mas ele tinha uma discoteca incr�vel.
Morava em Blackheath, eu morava em um "arm�rio" no s�t�o da casa dele.
Eu passava a noite inteira ouvindo os discos dele...
e decidindo o que a banda iria tocar. Deus o aben�oe.
I know you told me
Vou tocar.
Precisamos da letra. Se formos repetir isso, quero a letra.
That you want me
That you want me
Eu ficava ouvindo Ray Charles e Mose Allison...
e depois comecei a ouvir gente como Oscar Brown Jr.
Havia um EP do Muddy Waters.
Acho que tinha um EP do Little Walter.
E talvez, Josh White.
Josh White, isso.
Na verdade, Josh White cantando "House of the Rising Sun".
- S�rio? - Isso.
O lado B era "Strange Fruit".
E alunos da faculdade de Artes que eram entusiastas...
levavam-me �s lojas e me davam discos.
Quando ouvi Sarah Vaughn, ela virou uma de minhas favoritas.
Jeri Southern era minha cantora favorita.
Comecei a ouvir algumas das primeiras grava��es da Vee-Jay.
John Lee Hooker, Jimmie Reed.
Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard.
Eram grandes guitarristas, foi isso que me impressionou.
Havia Cliff Gallup com Gene Vincent...
James Burton que tocava com Ricky Nelson.
Sonnie Terry, Brownie McGhee, Lightnin' Hopkins...
e, claro, Ray Charles, que foi uma grande descoberta.
- My mother told me - My mother told me
- Before she passed away - Before she passed away
- Said son when I'm gone - Said son when I'm gone
- Don't forget to pray - Don't forget to pray
- 'Cause there'll be hard times - There'll be hard times
- Hard times - Hard times
- Oh yeah? - Oh yeah?
- Who knows - Who knows
- Better than I? - Better than I?
Ent�o, eu descobri Monk, Mingus e todos os caras da �poca...
e ficava ouvindo-os direto.
Eu comprava um disco de John Lee Hooker...
um disco de Lee Morgan na Riverside...
e, para mim, eram todos a mesma coisa.
I had a woman, Lord
- Who was always around - Who was always around
- Ele subiu uma oitava. - But when I lost my money
- But when I lost my money - She put me down
- Guarde isso. Guarde-se. - She put me down
Depois disso eu ouvi Leadbelly e Lonnie Johnson.
Em minha cole��o eu tinha muita gente.
Tinha Mahalia Jackson, na �rea de Gospel...
e John Lee Hooker, Memphis Slim, Muddy Waters.
"Canal Street Blues", "Dippermouth Blues".
- Eu comprava de tudo... - Desde que tivesse "Blues".
Exato, desde que tivesse "Blues" na capa.
N�s ach�vamos uma lista em algum lugar...
ou alguma loja de discos americanos...
onde peg�vamos listagens de coisas e compr�vamos na sorte.
Eu comprei de uma revista chamada "Vintage Jazz Mart"...
que era um lance a venda ou em leil�o, para colecionadores.
Eu comprei a maioria desse jeito.
O primeiro LP que eu tive foi aos 14, 15 anos...
e era um LP de Fats Domino, com �timas m�sicas.
I'm goin' to the river Gonna jump all board and drown
Meus pais me deram um toca-discos de Natal...
que veio com dois discos.
Os discos vieram de um marujo que morava no andar de baixo...
e que sempre ia aos EUA.
Se algu�m fosse para os EUA, sempre trazia um disco de Blues.
Eu ganhei uns discos de Blues, tr�s ou quatro discos...
e eu ficava estudando-os, descobrindo o que eu gostava.
Oh tell me baby
Oh tell me baby
Stay that night
But don't you hear me crying
Na faculdade de Artes, me deram o disco "Folk Festival of the Blues"...
com Buddy tocando umas coisas incr�veis.
O disco de Muddy Waters, Buddy Guy, Howlin Wolf...
que tinha capa azul.
Sonny Boy Williamson cantando "Bring It On Home"...
Howlin' Wolf cantando "Sugar Mama"...
e ainda tinha Buddy Guy cantando "Worried Blues"...
e "Don't Know Which Way to Go".
Eu nunca tinha ouvido aquele estilo de se tocar.
Aquele disco � simplesmente um marco do Rock'n'Roll, n�o �?
N�s faz�amos festas para ouvir discos...
nas noites de s�bado e atravess�vamos a noite ouvindo.
Eu costumava receber... Isso era na �poca dos LPs...
e eu recebia os importados americanos...
com os mais recentes de Horace Silver, Erroll Garner...
Cannonball Adderley, essas coisas. Com as capas de papel�o.
O papel�o era grosso.
Esse � o lance verdadeiro, os discos da Prestige e da Riverside, sabe?
- Sitting on top of the world - Sitting on top of the world
A� tem um extra.
Parece ter um ou dois compassos extras.
Esse � Wolf tocando gaita, eu acho.
Depois ele usou James Cotton, Little Walter.
Isso.
Little Walter, isso.
Sitting on top of the world
Outra grande fonte era a "American Forces Network".
Toda casa tinha um bom r�dio...
e voc� podia sintonizar na AFN, que transmitia de Frankfurt.
Eu ouvia a "American Forces Network".
Eles mantinham um programa de r�dio.
"Aqui fala Willis Conover, direto de Washington D.C."
E, para n�s, Washington D.C. Era outro planeta.
Ent�o, eu tive uma bela exposi��o � m�sica "folk" americana.
Eu fazia pedidos de discos de Jazz na "March of Dimes", pela AFN.
Bunk Johnson, Kid Ory e Louis Armstrong.
They call it stormy Monday
They tell Tuesday's just as bad
Yes, they do
They call it stormy Monday
They tell Tuesday's just as bad
They tell me Wednesday is no good
And Thursday's just as sad
"Stormy Monday Blues", parte I e parte II.
Est�vamos fazendo uma grava��o para Chris Blackwell...
da Island Records, e Guy Stevens.
Enquanto eles arrumavam o equipamento...
pediram que toc�ssemos alguma coisa...
para acertarem os microfones. E tocamos "Stormy Monday Blues".
Depois tocamos outra coisa. E meses depois...
eu vi que ela sa�ra no disco de "Little Joe Cook".
Ningu�m me dissera que ia sair com esse nome.
Nunca nos contavam nada naquele tempo.
The eagle flies on a Friday
And on Saturday
I go out to play
The eagle flies on Friday
And on Saturday I go out to play
E Vicki Wickham, do "Ready, Steady, Go", ouviu-a...
e ela entrou em contato com Rick Gunn...
querendo agendar Little Joe Cook para o programa...
e disseram que ele n�o estava dispon�vel e ela perguntou por qu�.
Disseram que n�o podiam contat�-lo. Ela foi atr�s da Island Records...
E eles disseram que ele era Chris Farlowe...
que Joe Cook era um pseud�nimo de Chris Farlowe...
ela n�o acreditou: "Ora, vamos. N�o sejam bobos."
E �ramos n�s. Eu, Albert e a banda.
'Cause I like to sing the blues
I also like to sing the rock 'n rolls
Vamos ouvir um pouco de guitarra.
E eu estive nos EUA no ano passado...
e fui apresentado a um m�sico de Blues, mas esqueci o nome.
Bem conhecido.
E o cara disse: "Quero lhe apresentar um cantor ingl�s."
E o outro disse: "Qual o nome dele?" "Chris Farlowe".
"Chris Farlowe? Nossa! Agora conhe�o dois Chris Farlowe."
Eu olhei para ele e disse: "Dois Chris Farlowe?"
E ele: "Voc� e tem um outro Chris Farlowe...
que cantava 'Stormy Monday Blues'."
E eu disse: "Mas sou eu".
E ele me olhou e disse: "N�o, n�o. Aquele era negro".
And wherever round I'm gonna do They call it Stormy Monday Blues
Ent�o, este � um disco muito importante para mim...
e creio que para todos n�s...
pois � tido como um dos grandes discos de Blues da Inglaterra.
GUITARRAS
Comecei com viol�es baratos.
Passei um ano tocando com guitarras emprestadas, qualquer uma.
Mas ganhei minha primeira guitarra decente em 1958.
No Natal de 58, meus pais me deram uma H�fner Archtop.
Com uns 11 ou 12 anos.
Com duas cordas, pois eu n�o tinha dinheiro para comprar o resto.
Mas era uma guitarra feita � m�o.
Era dif�cil de acreditar vendo-a, mas era.
Eu peguei um viol�o com 9 anos.
Eu acho que eu tinha uma H�fner Senator.
Era um viol�o, mas n�s coloc�vamos microfones por tr�s...
e o lig�vamos em um amplificador caseiro.
Eu comecei tocando numa guitarra havaiana...
pois a afina��o do viol�o de meu pai era t�o apertada...
que voc� tinha de tocar com alicate.
Eu comecei com a havaiana...
pelo m�todo autodidata de George Formby.
Meu primeiro viol�o foi um espanhol, com cordas de metal.
Sem a ponte.
Algu�m me levou em casa e tocou Lonnie Johnson.
Eu achei a melhor coisa do mundo.
Acho que a primeira guitarra que tive foi uma H�fner.
Depois eu comprei uma guitarra com tr�s captadores e tr�molo.
E achava que era a mesma guitarra de Buddy Holly.
Na verdade era uma imita��o barata, marca Grazioso, algo assim.
Quando entrei no ex�rcito, fui para a Cor�ia...
e comprei uma de seis cordas, da� eu tinha as duas de baixo.
Harmony.
Eu tive duas Harmony.
Uma era semi-ac�stica e a outra era s�lida.
Eric Clapton me trouxe uma Gibson.
Era uma Les Paul.
Havia uma... O que Eddie Cochran tocava?
Era uma Gretsch. Uma Gretsch ou talvez uma Gibson.
Era uma Gretsch.
N�o dava para arrumar instrumentos americanos na �poca.
Voc� comprava o que dava.
Tinha uma cor de acabamento que eles chamavam de "cereja".
Mas a cor desbotava. Tinha muito acabamento nela.
Havia outras marcas europ�ias esquisitas...
que �s vezes, ligadas em um bom amplificador...
davam um bom som.
S� t�nhamos os velhos amplificadores Vox, muito bons.
Tinham uma l�mpada enorme, como uma luz de igni��o.
A guitarra de Scotty Moore em "Trying to Get to You"...
e de Leiber e Stoller, em "My Baby Left Me".
Eu adorava a t�cnica de Scotty Moore.
Eu teria adorado... Se eu fosse m�sico de Blues e nada mais...
eu teria tentado imitar Scotty Moore de algum modo.
A primeira vez que ouvi foi com Freddie King.
E eu, ou um amigo, tinha "Hideaway" em um "single".
E o lado B do "single" era "I Loved the Woman"...
que tinha um solo de guitarra de uma nota s�...
com muitos "bends", muitas flex�es.
E era quase uma composi��o raps�dica.
Era perfeito e se tornou meu novo "Santo Graal".
Voc� ouvia os discos cheios de "bends"...
e dizia: "Como eles fazem isso?"
Depois voc� entendia que eles usavam cordas muito leves.
Eles j� torciam as cordas l� atr�s, com Johnny Otis.
Voc� conhece Johnny Otis.
Qualquer coisa.
E bem no meio ele fazia...
E eu pensava: "� isso que quero fazer para o resto da vida."
"Milk Cow Blues", e eu n�o sei quem a comp�s nem quem gravou.
Eddie Cochran foi o primeiro que eu ouvi tocando-a.
E ele fazia uma introdu��o � T-Bone Walker.
E eu pensei: "Puxa, isso que � uma guitarra de Blues."
Dava para ver que havia algo ali. N�o era...
Era...
Era um grande "bend".
Eu pegava a guitarra e tremia minha m�o.
Muitos jovens pensam que eu a for�ava para cima e para baixo.
Mas eu s� fazia assim.
A EXPLOS�O NOS ANOS 60
Everybody knows I'm here
Now, knows I'm here, man
Everybody knows I'm here
E depois quando Alexis Korner e Cyril Davies tocaram na Marquee...
o que foi um lance bem experimental...
eles abalaram o mundo das boates dominadas pelo som tradicional.
Quando Alexis formou a "New Blues Incorporated"...
ele levou Graham Bond, Dick Heckstall-Smith...
Ginger Baker e Jack Bruce com ele...
e eles eram do grupo de Jazz fixo da sexta-feira na boate Flamingo.
E foi aquele lance de ver um ingl�s...
A primeira vez que vi um ingl�s tocando guitarra foi com Alexis.
Eu peguei a "Melody Maker" um dia e a manchete era...
"Alexis leva amplificadores para a boate."
E tinha um som ensurdecedor.
Devia ser um amplificador Marshall.
I'm gonna make you pretty women
Lead me by my hand
Till the world will know
The hoochie coochie man
- Ele tinha uma Kay. - Isso.
E eu tamb�m tinha uma, coberta de Fablon preto...
pois eu n�o gostava da cor.
Quando Eric Clapton entrou na banda...
� claro que isso revolucionou tudo...
pois ele conhecia m�sica a fundo...
e tinha o toque certo que ningu�m mais tinha na �poca.
ERIC CLAPTON NA MANOR HOUSE
JOHN MAYALLL COM ERIC CLAPTON
Eu achava que Clapton era um grande "bluesman".
Eu n�o o achava Deus, apesar do que pichavam nas paredes.
"Clapton � Deus", eles pichavam.
N�o sei o que Deus achava disso.
Mas ele era mesmo um �timo guitarrista de Blues.
Eu j� tinha f�s da banda chamada "Yardbirds".
Eu deixei a banda publicamente, eu "chutei o pau da barraca"...
porque eles queriam ter um sucesso...
e eu sentia que tinha uma miss�o no Blues.
Ent�o, eu disse que estava saindo da banda.
Da�, John me convidou.
Eu fiquei um m�s mais ou menos sem saber o que ia fazer...
- e ent�o, John me chamou... - De onde vinha a miss�o?
Interessante, eu n�o sei.
Eu sentia que...
Eu estava convencido desde a adolesc�ncia...
de que se eu n�o fizesse algo, ningu�m mais faria...
ou de que algu�m tinha de fazer e eu era o escolhido.
- � mesmo? - �!
- Voc� era t�o apaixonado assim? - Era, e arrogante tamb�m.
Eu me autonomeei "embaixador do Blues" neste pa�s.
E eu recriminava todo mundo que n�o fazia...
o que eu achava que devia ser feito.
Nos anos 60, n�o havia aceita��o para nenhum outro tipo de m�sica.
Hoje eu sei que as pessoas se formam em Jazz e outros estilos...
mas, nos anos 60, me lembro bem de me perguntarem na faculdade...
do que eu gostava.
Eu disse que gostava de Paul Hindemith e Igor Stravinsky...
mas tamb�m de Fats Domino e Ray Charles.
O professor disse...
"Voc� tem uma escolha, ou esquece isso ou suma daqui."
Chegamos � universidade de Birmingham...
para tocar em um baile, um de nossos primeiros shows fora de Londres...
e est�vamos levando o equipamento para onde �amos tocar...
e j� havia uma banda no palco, era "The Spencer Davis Group"...
e Steve cantava "Georgia on My Mind".
Nunca vou me esquecer do som e da pot�ncia daquela voz.
Georgia, yeah
Oh, Georgia
A song of love
Comes as sweet and clear
As the moonlight through the pines
Como m�sico, digamos, e como pianista tamb�m...
tendo aprendido a tocar gaita e a tocar em Mi bemol e tal...
eu me interessava mais pela m�sica do que pela mudan�a social...
que era o que estava acontecendo na verdade.
Black cloud crossed my mind
Blue mist round my soul
Feel so suicidal
Even hate my rock and roll
I wanna yeah
I wanna die
If I ain't dead Already
Ooh girl you know the reason why
Os Beatles estavam fazendo o que chamavam de Rock'n'Roll...
um neg�cio diferente, mas eu ainda podia sentir...
e ouvir o Blues no que eles faziam.
Eu acho que os Beatles influenciaram e encorajaram...
muitas pessoas que n�o sabiam ler ou compor m�sica.
Elas podiam pegar um instrumento, tocar algo e realmente ser aceitos.
E bastou eles chegarem ao topo das paradas: "� poss�vel. Vou tentar."
Os Beatles eram mais sofisticados.
Eles compunham seu pr�prio material baseado na cultura americana...
mas o modo como levaram isso para os EUA...
com seu charme inocente e seu frescor, fez todos abrirem os olhos.
E isso levou essa m�sica a todos nos EUA...
quando antes ela era renegada.
Os Beatles cantaram alguns Blues bem no come�o e tal...
mas no geral eles eram criativos.
Os Stones eram menos, n�o eram?
Havia gente que chamava isso de "os algodoais do vale do T�misa".
I don't want 'cause I'm sad and blue
I just want to make love to you, baby
Love to you, baby Sweet love to you, baby
Love to you
Os Stones eram uma banda de Blues de vanguarda, basicamente.
Jagger tinha jeito para Blues, assim como Richard.
E suas primeiras m�sicas tinham uma forte...
e definida influ�ncia negra, mas n�o eram imita��es.
Alguns artistas negros comentaram quando eles foram para os EUA...
"�timo, com brancos tocando isso...
mais gente vai nos ouvir." O que provavelmente � verdade.
I'm gonna get high
I'm gonna get high Sure
Wait no more
Stick by my riffle
I ain't gonna be messing Around with no cocaine
O Blues brit�nico foi com John Mayall.
Ele � o mestre disso.
Ele foi o primeiro a realmente mostrar o Blues aqui.
Mas depois eu comecei a ouvir muitos outros.
Quando surgiu o Cream, foi demais.
Eu conhecia Jack e Ginger l� da boate Ealing e da Marquee.
Eu os admirava muito...
pois eles eram de uma gera��o antes da minha.
Eles estavam no palco e eu na plat�ia da Marquee.
Isso era o lance verdadeiro, foi uma volta �quilo.
Mesmo j� na banda, quando come�amos a tocar...
eu ainda ficava naquela posi��o de ser p�blico...
para as perip�cias deles.
Na �poca, toda a cena de Blues, de Blues Rock...
estava com tudo no mundo todo.
Ou seja, alguns anos antes, ningu�m sabia o que era.
Depois, era "a" m�sica. O Blues dominava tudo.
LEVANDO DE VOLTA AOS EUA
Well I'm going down to Rosedale
Take my rider by my side
Going down to Rosedale
Take my rider by my side
You can still barrelhouse, baby On the riverside yeah
O Cream era famoso nos EUA.
E gra�as a Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker...
essa banda em particular...
que tinha muita influ�ncia de Blues e de Jazz...
ela foi tocar ao vivo para o p�blico americano.
No in�cio de 1968, fui para os EUA com o Traffic, um trio...
com Jim Capaldi e Chris Wood.
E, � claro, a id�ia era...
que eu queria muito...
parar de tentar copiar aquele som.
N�s �ramos levados �s profundezas de Chicago...
n�s, os branquelos.
Mike Vernon, respons�vel por nosso selo, Blue Horizon...
conseguiu que f�ssemos gravar no est�dio Chess.
E l� estavam Willie Dixon, Buddy Guy...
J.T. Brown, o trompetista de Elmore James...
e Shakey Horton.
Participar de uma grava��o na Stax/Volt...
vendo Otis Redding gravar "Daytripper"...
Sam e Dave mixando "Hold on, I'm Coming"...
tocando com uma banda inter-racial, com negros e brancos.
Quando vi Jeremy tocando com J.T. Brown na sess�o de metais...
foi como vivenciar as mais incr�veis fantasias poss�veis.
Peter tinha confian�a no que ele tocava...
e no que podia tocar, mas estava... Todos n�s est�vamos emocionados.
I had a woman, Lord
Who was always around
But when I lost all my money
You know she put me down
Talking bout hard times
You know about hard times
And who knows
Better than I?
Yeah, Lord
You know better
One of these days
There'll be no more sorrow
When I pass away
Talking bout hard times
I said no more hard times
And who knows
Better than I?
Desde que voc� se sa�sse bem...
eles n�o importavam se voc� era branco nem nada.
Desde que fizesse direito. Eu achava isso �timo...
pois sentia que podia ficar mal...
de cantar certas coisas sendo branco.
Sendo sincero, para n�s, tocar a m�sica deles...
nos est�dios em que eles gravavam poderia ter sido p�ssimo.
Mas na verdade n�o foi.
Mas houve um momento em que nossa situa��o foi testada.
Eu me lembro disso.
E, de repente, e eu acho que foi isso mesmo...
eles ficaram surpresos com o som que aqueles garotos ingleses faziam.
J.T. Brown se virou, e eu sei que ele disse...
"Isso est� muito legal mesmo."
Pois o som vinha de nossos cora��es mesmo.
Quando eles tocavam can��es gravadas...
por, digamos, Big Boy Crudup, Muddy Waters e tal...
seja quem for que comp�s a m�sica teria ficado feliz...
pois ela se tornaria um sucesso...
e seria vendida para mais gente do que eles teriam conseguido vender.
Aquele foi o come�o daqueles encontros fant�sticos...
em que voc� tinha Freddie Kings tocando com Richie Havens...
e Fleetwood Mac e Janis Joplin.
Foi quando eu notei que a Am�rica branca come�ou a ouvir Blues.
E come�aram a abrir muitas portas que estavam fechadas para n�s.
Albert King disse que ele ficou impressionado...
com a lota��o do Fillmore, ele n�o tinha id�ia...
de como o que ele tocava pudesse agradar tanta gente.
Tantos brancos, sabe? "De onde eles vieram?"
E n�s nos divert�amos. N�s nos divert�amos muito.
Mas musicalmente, eu ficava com o p� atr�s...
pensando que aquilo n�o era o que eu queria fazer...
ou "N�o � por isto que eu luto."
"Isto n�o est� dentro dos princ�pios que eu venho seguindo."
Conseq�entemente, quando ouvi a m�sica de Big Pink...
pensei: "Eis uma banda contempor�nea...
que est� perto de onde se pode levar o Blues."
And
You put the load right on me
E n�o tinha de ser como era, pois aquilo estava se tornando um circo.
Tocando em lugares em que todo o p�blico estava drogado...
fazendo turn�s pelos EUA, no Fillmore, Fillmore East...
e todos os tipos de lugares onde �ramos encorajados...
a fazer bobagens, ruminando m�sicas bobas...
e auto-indulgentes.
Eu queria levar a s�rio.
Minha m�sica era algo muito s�rio para mim...
e eu sentia que estava me traindo.
Tell me how long
Oh baby how long
Has that evening
Has that evening train been gone
How long
Has that evening
Train been gone
Minha defini��o daquilo seria de algu�m fazendo m�sica...
puramente para si mesmo...
sem nenhum esfor�o para ser comunicativo.
Um bra�o da m�sica "folk"...
portanto tinha uma express�o natural e n�o t�o elaborada.
� uma m�sica edificante.
N�o diria que seja necessariamente alegre...
mas certamente edificante, energizante...
esse tipo de coisa que voc� sai dizendo: "Puxa...
- aquilo foi demais." - Tell me how long
Has that evening
Train been gone
O Blues � tanta coisa...
mas basicamente � desenvolvido em 12 compassos...
com progress�es simples de acordes...
que podem ser estendidas e, assim como o Jazz, ficar mais moderno.
O significado real do Blues � que o cantor ou m�sico...
est� realmente tocando com o cora��o, cantando a verdade.
Ele � simples, qualquer um pode toc�-lo.
Ele possui a estrutura m�gica de tr�s acordes...
compar�veis a Terra, Sol e Lua ou homem, mulher e Deus.
A vida. A vida como � hoje.
A vida como era no passado...
e a vida, como eu creio, que teremos no futuro.
Ele tem a ver com as pessoas.
Esse � um dos motivos por que os jovens gostam dele.
Blues tem a ver com gente, lugares e coisas.
� como uma religi�o, o Blues.
S� recentemente que eu comecei a entend�-lo melhor, sabe?
Pois �...
Vejamos o caso de Bill Broonzy. Tome a letra e a m�sica dele...
ou ou�a a guitarra. Mesmo quem n�o toca ou que n�o entenda a letra...
ainda pode captar o Blues e entender do que se trata.
S�o duas linhas que s�o iguais.
A primeira linha � mais ou menos repetida...
e a terceira vem completar o sentido.
Mas Blues � mais o sentimento.
Acho que � o sentimento, n�o �? � uma emo��o.
N�s nem sab�amos as letras.
N�s n�o entend�amos muitas das letras que eles cantavam...
mas o sentimento geral...
N�o existe branco ou negro.
Ele tem a ver com a verdade. Blues � a verdade.
Eu acho que � um apelo, � um apelo musical por algo.
� um modo de expressar uma necessidade ou um desejo.
Ele pode e deveria ser parte de toda a m�sica...
e se ele n�o �, ent�o, quem sai perdendo � a m�sica.
Ainda estamos aqui conversando sobre algo t�o real, t�o vivo...
bem quando se pensava que tinha sumido.
E acho que o Blues jamais sumir�, devido ao poder que ele tem.
It brings a tear
Into my eyes
When I begin
To realize
I've cried so much
Since you've been gone
A CENA DE BLUES NO REINO UNIDO FOI SIGNIFICANTE?
Eu tenho certeza de que se voc� perguntar a um "bluesman" negro...
se a vida dele melhorou ele vai dizer que sim.
Seria melhor perguntar para eles.
Eu mesmo n�o sei o quanto n�s contribu�mos...
mas Robert Johnson � um nome conhecido hoje.
I just sit and cry
Just like a child
Os EUA de repente come�aram a respeitar o legado maravilhoso...
das ra�zes do Rock'n'Roll e do Blues...
e gra�as a este mecanismo reverso das bandas inglesas vindo...
Ora, voc� via os Rolling Stones, quando foram aos EUA...
falando s� de Muddy Waters e tal e as pessoas diziam: "Quem � ele?"
That you gonna be home soon
It's alright
I believe I'm gonna
Drown
In my own tears
Os brit�nicos pegaram o que os americanos...
culturalmente haviam jogado no lixo.
Houve realmente um movimento para acabar com aquela cultura...
e mant�-la longe dos jovens brancos.
Oh some rain
I know some rain is gonna pour
Havia um sentimento nos prim�rdios do Blues ingl�s...
de querer chamar a aten��o das pessoas para esta m�sica...
para lhes mostrar esse interessante e maravilhoso estilo.
That it just keeps raining
Raining, raining, raining, raining
More and more
Why don't you Come on home
Sem isso, eu n�o acho que os m�sicos negros americanos...
teriam conseguido o sucesso que tiveram...
pois se voc� falar com qualquer um deles...
eles dir�o que os ingleses foram l�...
divulgaram todos eles...
e aumentaram seu p�blico em escala mundial.
'Cause if you don't think
That you gonna be home soon
It's alright
I believe I'm gonna
Drown in my own tears
Isso deu �s pessoas a chance de tocar e de ser algu�m...
e de fazer algo com sua m�sica.
Gente que era renegada, que n�o valia nada l� na �poca.
Foi assim tamb�m com o renascimento do Jazz.
Isso deu aos americanos a sensa��o...
de que tinham feito algo importante para a m�sica.
Drown in my own tears
Yes, I'm gonna
Drown in my own tears
A cultura negra americana, se quiser cham�-la assim...
� a grande forma de arte que surgiu nos EUA modernamente.
Sing a song tonight
Sing a song tonight
Se n�o fosse pelos m�sicos brit�nicos...
muitos de n�s, m�sicos negros americanos...
ainda estar�amos no inferno em que viv�amos antes.
Ent�o, gra�as a eles, gra�as a voc�s...
abriram-se portas que n�o acho que teriam sido abertas em minha vida.
Muito obrigado.
My own
My own
Tears
Good God Almighty
Essa ficou boa, exceto por essa �ltima parte...
em que eu n�o dei nenhuma indica��o...
Ficou muito boa.
- Vamos tentar... - Vamos repetir ent�o.
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