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OS PIRATAS DO RIO SANGRENTO Tradução de Cjamango
NO FINAL DO SÉCULO XVII HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS
VIAJARAM DESDE DAS SUAS LONGÍNQUAS TERRAS NATAIS
À PROCURA DE REFÚGIO CONTRA A PERSEGUIÇÃO.
ELES ERAM CONHECIDOS COMO HUGUENOTES. ENCONTRARAM REFÚGIO
NUMA ILHA A QUE CHAMARAM DEVON E AGRADECERAM A DEUS PELA SUA SALVAÇÃO.
MAS NOS ANOS SEGUINTES, AS LEIS JUSTAS DA COLÓNIA GERARAM A GANÂNCIA E A TIRANIA.
A FELICIDADE TORNOU-SE UM ECO DO PASSADO E A LIBERDADE UMA MERA RECORDAÇÃO.
Sarilhos.
Maggie.
Maggie. Maggie.
Maggie?
- Jonathon... - Ainda estás com medo?
Estou com medo. Estou com medo de todos eles.
Eles são duros e cruéis. E um dia seremos descobertos, e isto...
Simplesmente esperaremos por esse dia.
Amo-te, Maggie.
Vou levar-te daqui.
Deve haver algum lugar fora desta ilha onde possamos encontrar a felicidade.
Já acreditas em mim, Standing? O teu filho e a minha mulher.
Nunca acreditaria se não visse com os meus próprios olhos.
- Posso explicar, pai, vamos conversar. - Pecaram aos olhos de Deus.
- Serão castigados. - Por Deus?
Sou o representante de Deus aqui.
- O meu castigo é o Dele. - Ámen.
Prendam-nos.
Vão atrás dela!
Volta, rapariga!
Piranhas.
Maggie, não! Maggie, volta!
Maggie, volta!
Não.
Um julgamento.
Será feita a Vossa vontade.
Não cometerás o adultério.
É um mandamento do Senhor.
Esta mulher infeliz não levou isto em consideração
e foi castigada por Deus.
Mas este homem não foi castigado.
Por isso, é nosso dever julgá-lo aqui.
Negas a acusação apresentada contra ti?
Sim. E reivindico o direito de defender a virtude de uma mulher
que não se pode defender.
Sim.
Godfrey Mason, nego-lhe o direito de estar sentado aí.
Sou um eleito desta comunidade.
É também o meu acusador.
Que espécie de lei permite o queixoso julgar o acusado?
Pois!
Jeová, olho por olho.
- O julgamento já terminou? - Não, ainda não, Henry.
- Estão lá há muito tempo. - E tu?
É trabalho do diabo e eu e o Tom não queremos testemunhar.
Com aquele bando a julgar, tenho pena do pobre Jonathon.
- Deus o salve. - E a todos nós.
Ele não está a ser julgado por ser imoral.
Não, é porque ele representa tudo aquilo que eles contrariam.
Os anciãos têm medo dele.
Vão aproveitar esta oportunidade para usarem o pai para condenar o próprio filho.
Então terão tudo à sua maneira.
Estamos à espera do veredicto, Henry.
Receio que seja uma conclusão inevitável.
O teu pai não terá alternativa.
Custa-me acreditar que o meu pai seja tão cruel
ao ponto de condenar alguém do seu próprio sangue.
Jason Standing é um homem doente, Bess.
Mas ele não está acima de todos os sentimentos humanos.
Estamos à tua espera, Jason.
Jonathon Standing...
és acusado de quebrar uma das leis mais sagradas de Deus.
Devido a esse pecado, causaste a morte
de uma mulher infeliz que foi tua cúmplice.
Foste considerado culpado.
E como representante de Deus, nesta comunidade,
é meu dever decretar a a tua sentença.
Antes de eu o fazer, tens algo a dizer?
Sim.
Estou inocente.
A causa da morte da Maggie foi o medo.
Medo do seu marido brutal.
Sim, o medo é a vossa arma e é uma arma perigosa.
Porque um dia isto virar-se-á contra vocês.
Apoiado!
- Já ouvimos o suficiente. - Prossegue.
Os Dez Mandamentos...
são as principais leis que governam a nossa colónia.
E a pena por quebrar os mais importantes pode,
como sabes, a morte.
Mas porque o nosso Deus é piedoso, então seremos piedosos.
Apoiado.
Assim, decidimos que serás levado daqui,
e amanhã, transportado para a colónia penal,
onde permanecerás durante 15 anos.
Não!
- Não! - Nem pensar!
Impiedosos. Não.
Encarreguem-se do vosso prisioneiro.
- Vergonha. - Vergonha.
Tem coragem.
Sabe o que fez, Pai?
Mandou-lhe para a morte. Ninguém sobrevive naquele lugar.
Enviou o Jonathon para a morte. O seu próprio filho.
Não percebe que estes homens estão a usá-lo?
Não, Bess. Não vale a pena. Só estás a magoar-te.
O seu avô ficaria muito orgulhoso de si, Jason Standing.
Vá lá, Bess, não chores. Não te quero recordar assim.
Lamento que isto tivesse que acontecer, Jonathon.
Avisaste-me.
Era diferente desta vez. Eu amava a Maggie.
Tu não compreendes.
Também estou apaixonado, Jonathon.
Sim, eu sei.
Cuida dela, Henry.
Verifica se não acontece nada de mal ao meu pai.
Não importa o que ele fez ou o que se tornou, ele não estava em si.
Farei o que puder quando chegar a hora.
Tem de haver alguma mudança neste lugar dominado pela perseguição e pela tirania.
Chegará a hora.
Talvez não da tua maneira, Jonathon, mas chegará.
Vamos.
Anda!
Sr. Jonathon Standing.
Estamos honrados com tão ilustre companhia, Sr. Standing.
E que bela figura temos aqui.
Não admira que as senhoras gostem de si.
Providenciaremos que não engorde muito.
Vamos começar consigo muito devagar.
Não te esqueças de agradecer às tuas estrelas da sorte antes de comeres.
Agradece às tuas.
- Levem-no! - Para trás! Para trás!
Vamos lá, mexam-se!
Subam e vão atrás deles!
Vão atrás deles!
Cuidado!
Corre. Corre!
- Vão direitos ao pântano. - Sim.
- Ajuda-me. - Já te apanhei.
- É menos um para enterrarmos. - Sim.
Levanta-te.
Levanta-te!
Levanta-te.
Olá, marujo. O que temos aqui?
- De que navio és tu? - Não venho de um navio.
- Talvez uma águia te tenha largado. - Quem disparou contra ti?
- Vamos. - Quem te colocou as correntes?
- Quem te colocou as correntes? - Responde às minhas perguntas.
- Vá lá. - A colónia.
No interior. Estava preso. Fugi.
É melhor vires falar com o nosso capitão.
Ele é especialista em castigos.
Obrigado, Sr. Hench.
O meu nome é LaRoche.
Soube que vive nesta ilha.
Que tem estado numa colónia penal,
onde tem sido sujeito a castigos.
Onde fica a colónia principal?
No interior a cerca de 80 km para norte.
Não sabíamos se a ilha era habitada.
Quando foi fundada esta colónia?
- Há 100 anos. - Por quem?
Pelo meu bisavô.
- Um refugiado? - Sim.
- Um Huguenote? - Sim.
O rei deve estar descontente por ver esta riqueza escapar-lhe por entre os dedos.
Não falei em riqueza.
Não, claro que não falou, não.
Esta ilha parece um paraíso, não parece?
Exactamente o tipo de lugar com que sempre sonhamos, capitão.
Deve ter sido difícil para si deixar a colónia.
- Vou voltar. - Vai voltar?
- Para se vingar? - Não. Para ajudar os meus amigos.
Como eles o ajudariam, parece-me.
Faz aos outros aquilo que gostarias que te fizessem a ti. O nosso lema.
O nosso lema, sem dúvida.
Iremos consigo.
Comigo? Porquê? Não há nada lá para si.
Pelo contrário, acho que há muita coisa para nós os dois lá.
Estou pronto para o ajudar, digamos,
o livrar de alguns elementos indesejáveis na sua colónia?
Estou a falar com um pirata. Qual será o seu objectivo em querer ajudar-me?
Subestima-nos, Sr. Standing.
Os piratas, às vezes, têm outros interesses além do dinheiro.
Vou admitir que há outro motivo
para eu querer estabelecer relações amistosas com o seu povo.
Aparentemente existem nesta ilha há muitos anos
sem serem detectados.
Para mim, nesta profissão,
há uma enorme vantagem em ter um lugar que é seguro e protegido.
Onde podemos descansar entre viagens e repor as provisões.
A nossa vida é muito dura, Sr. Standing,
e consegue perceber perfeitamente quantas vezes ansiamos
por um abrigo tranquilo como este para descansar.
Em troca disto,
ajudar-me-ia a estabelecer um governo justo na colónia?
Tem a minha palavra.
Precisamos um do outro.
Tire as algemas ao cavalheiro.
Dê-lhe comida e roupas limpas.
Partiremos ao nascer do sol.
Vamos, marujo. Vamos cuidar de si.
Não explicaste nem metade, marujo.
- Sr. Hench. - Sim, capitão?
Pretendo chegar à colónia amanhã ao anoitecer.
Diga aos homens que têm de andar mais depressa.
Capitão, os homens não descansam há seis horas.
Isto não é um piquenique de domingo à tarde, Sr. Hench.
Toca a mexer, seus labregos!
O capitão quer que andem mais depressa.
Podes dizer ao capitão para ir...
Dizer o quê ao capitão, Brocaire?
Muito bem, rapazes.. Mexam-se!
Vamos! Vamos!
Para o capitão é indiferente, ele não precisa de dormir.
Temos de dormir.
O capitão não precisa de comer, beber, de dormir ou de nada.
Se te ouve a resmungar, ele não vai precisar de ti.
Não preciso que mo digas.
Diamantes, rubis, safiras.
Estás a sonhar, homem.
Desta vez pode ser verdade.
Que vai fazer com a sua parte, Sr. Hench?
Não conto as minhas galinhas antes de as ver.
E depois espero até os ovos chocarem.
Se o capitão tiver razão sobre este ovo, terei o meu próprio navio.
- Brocaire? - Para mim, acabou-se o mar.
Só uma ilha como esta, algures. Muito pacífica.
Para amar. Cheia de mulheres douradas... e sem homens.
Pacífica? Ó, marujo!
Tens uma ideia muito distorcida do que é uma coisa pacífica.
Sr. Standing, já imaginou o que faria se encontrasse uma fortuna?
Nunca estive perto de uma. Nunca tive oportunidade de pensar nisto.
- Tem a certeza disso? - Sim, bastante.
Não é o que o capitão pensa.
Parece saber muito bem o que o capitão pensa.
Sou muito próximo do capitão, Sr. Standing.
Entendo a mente dele, consigo lê-lo como a um livro.
O capitão é um grande homem.
É forte como um leão, astuto como uma fuinha.
E cruel como uma cobra.
Um grande homem, sem dúvida, Sr. Standing.
E conhece todos os truques do ofício.
Não é como os outros homens, nem sequer transpira.
O que está ele a pensar, Mack?
És tão próximo dele, deves saber o que ele pensa.
Estava a sonhar acordado, Sr. Standing.
Estavas a falar de uma fortuna.
Não devia fazer caso do que um homem diz a dormir.
Bons sonhos, Sr. Standing.
- Capitão LaRoche. - Sim?
Fizemos um acordo de começarmos a viagem.
Está perfeitamente correcto. O acordo mantém-se.
Espero que não partilhe da mesma ilusão que os seus homens.
E qual é?
Para além das vantagens naturais que a colónia tem para lhe oferecer,
não há mais nada.
Não há fortuna, não há dinheiro e não há tesouro.
Acho que já chamou a atenção a isto.
Quanto mais insiste nisto, mais convencido fico.
Sabe, os meus homens estão sempre a sonhar com tesouros.
Eu fomento isto.
Homens que enfrentam a morte quase todos os dias das suas vidas
têm de ter um incentivo.
Sugiro que descanse um pouco, Sr. Standing.
Boa noite.
Boa noite.
- Adeus, papá. - Adeus, filho.
Mulheres. Estamos à espera de quê?
Anda, anda.
Anda, anda.
Vá lá. Vem cá.
Não!
Não, não.
O Sr. Hench não está propriamente a divertir-se, marujo.
Marujo!
Outra vez a fazer das suas, Sr. Hench.
Ele atacou-me quando eu não estava a olhar, capitão.
Uma manobra muito estratégica, se me é permitido dizê-lo.
Mas parece que não lhe beneficiou muito.
- Essas pessoas são suas amigas? - Sim, são minhas amigas.
Esta missão ia ser pacífica.
Ia, sem dúvida. Infelizmente, a natureza humana é capaz de determinar
onde acaba a paz e começa o conflito.
Sr. Hench, considere-se severamente repreendido.
Repreendido, hã?
Exactamente como na esplêndida Marinha Real, não é, capitão?
Estamos prontos para partir, Sr. Standing.
- Não vou. - Muito bem.
Acho que conseguimos encontrar o caminho para a colónia daqui.
- Que pretende de lá? - Fizemos um acordo.
Fizemos uma acordo quando não o conhecia, agora conheço.
Como observou anteriormente, Sr. Standing, somos piratas.
E às vezes, temos propensão para a dureza.
Contudo, nunca tolerarei um motim. Amarrem-no.
Marujo.
Com a sua permissão, Sr. Standing, partiremos agora.
Papá.
Papá. Papá.
Não, Timothy, não.
Não podes ajudá-lo.
O papá, mataram-no?
Encontra o tio Henry e conta-lhe o que aconteceu.
Vai, depressa. Vai.
Tio Henry!
- Tio Henry! - Que se passa, Timothy?
Uns homens mataram o meu pai.
- Mataram-no. Uns homens... - Espera. Quais homens?
Não sei, nunca os vi.
- O Jonathon estava com eles. - O Jonathon?
- Tens a certeza que era ele? - Sim..
- Onde estão agora? - Dirigiram-se para a colónia.
- A tua mãe e a tua irmã estão bem? - Sim.
Leva o meu cavalo e vai para a colónia.
Avisa-os que podem ser atacados. Vou ter com a tua mãe.
Vai-te embora daqui.
Deus considerou oportuno avisar-nos de uma catástrofe.
Vamos, como Noé, prestar atenção.
- A nossa ilha foi invadida. - O que aconteceu, Pai?
O Blackthorne foi assassinado. Levem as crianças para a grande muralha.
Vão para a paliçada, levem as armas. Armem-se!
Os portões! Fechem os portões!
Venham buscar as armas!
Calma, não empurrem!
Vamos, tenham calma.
Tomem as vossas posições. Mosquetes, posicionem-se nos meus flancos.
Levem a pólvora.
Podem ir.
Carreguem os mosquetes!
Não atirem até eu ordenar.
Se está a tentar avaliar as hipóteses que eles têm a combater-nos,
deveria também olhar para os homens à sua volta.
Quantas armas de fogos acha que os seus amigos têm?
Sr. Standing?
Se os quer salvar da destruição, vá falar com eles.
Diga-lhes que se resistirem, não esperem misericórdia.
Diga-lhes para nos deixarem entrar.
Assim podem roubá-los e matá-los a todos?
Se mato, é para alcançar um propósito, não pelo interesse de matar.
- Tem a minha palavra. - A sua palavra?
Então, Sr. Standing?
Como diz, se eles resistirem, o resultado será o mesmo.
Uma dedução sábia. Desejo-lhe todo o sucesso.
Toca a mexer.
Devem ser 30, pelo menos.
Todos armados, imagino.
Entre nós todos, temos cerca de 15 mosquetes.
Deus está do nosso lado.
Eles vêm em paz.
Deus respondeu às nossas preces.
Ora, é o Jonathon.
Pai, tenho uma mensagem para vós da parte do líder destes homens.
- Quem são eles? - São piratas. Sou prisioneiro deles.
Fui obrigado a fazer-vos um ultimato.
Continua.
Estão à procura de um saque.
Eles acreditam que existem riquezas nesta colónia.
Estão obcecados com a ideia de que há um tesouro aí.
- Disseste-lhes que isto é verdade? - Não. Como podia se não há nenhum.
Só ficarão convencidos se permitir que eles procurem.
- E se eu recusar? - Atacarão.
Pai, imploro-lhe, renda-se.
É a única hipótese de salvar as vidas do nosso povo.
É um truque. Ele está em conluio com eles.
Seja o que for que eu fiz, não sou traidor. O meu pai sabe disto.
Permitam que ele pense e fale por si mesmo.
- Qual é a sua resposta? - Esta é a nossa resposta.
Não disparem.
Apontem.
Abram fogo.
O capitão quer falar contigo.
- Mack. - Certo, companheiro.
Sr. Hench, leve seis homens e contorne a paliçada por trás.
Reúnam as mulheres e as crianças.
Tom.
Os cavalos.
Jonathon.
Os portões.
Vamos!
Vocês aí atrás, venham ocupar estas posições.
Mason! Mason!
Jason, cessar fogo!
Cessar fogo! Parem!
Parem! Cessar fogo!
- Cessar fogo! - Esperem.
Não disparem! Não disparem!
- Parem! - Parem!
- Cessar fogo. Vamos. - Parem.
Forby, cuida dos cavalos. Brocaire, trata dos colonos.
Os restantes ficam comigo.
Levem-nos para dentro.
- Jonathon, Jonathon! - Para trás.
Levem-nos todos para trás.
Felizmente para si, tenho um motivo para o manter vivo.
Qual destes homens é o seu pai?
Sou eu, Jason Standing. Líder eleito desta colónia.
Se o motivo da sua vinda aqui é encontrar um saque ou um tesouro,
procurará em vão.
Tenho uma opinião diferente.
Refugiados ricos raramente deixam os seus tesouros para trás.
Diga-nos onde está e partiremos.
Que edifício é este?
É o nosso tribunal e local de culto.
Cuidem do nosso amigo e levem os outros lá para dentro.
As nossas condições para não vos molestar são muito simples.
Não há nenhum tesouro.
Permaneceremos aqui até um de vós falar.
E usaremos todos os meios necessários.
A cada dia que permaneçam calados, dois de vós serão enforcados.
Oh, não. Oh, não.
A começar agora.
Os nossos amigos irão a sorteio pela honra de serem os primeiros a morrer.
Vamos lá, meus amigos.
Juntem-se ao jogo da sorte do velho Mack. Vá lá, senhor, tire um.
E você, meu amigo, não seja tímido. Só dois de vocês vão morrer.
Você, avô, teve uma boa vida. Não se importa de morrer, creio.
Levantem.
Jason, eu...
Capitão?
Levem-nos lá para fora.
Não!
- Esvaziem este sítio. - Não!
- Não! - Oh, não!
Não!
É um homem de sorte, Sr. Standing. Da próxima vez, pode ser a sua vez.
A resposta será a mesma.
Não nos rendemos ao diabo.
Um sentimento muito nobre e louvável.
Pode mudar de ideia quando descobrir o quão persuasivo o diabo pode ser.
Ele causa arrepios, não é, capitão?
Acho que ele não gosta de nós.
Bem, talvez ele goste mais de si do que de mim.
Olá, meu velho companheiro.
Olá. Estás divertir-te? Toma uma bebida.
Esperem aí, marujos. Esperem pelo tio Mack.
Vamos, meus amigos!
Caramba, é uma bestinha bem quente.
Um trotar suave como eu gosto.
É bom para o fígado. Vamos lá.
Bolas, ela mudou de aspecto desde a primeira vez que a vimos. Em frente.
Capitão.
Eu mesmo o teria feito, mas depois não tinha hipótese de a comer.
A primeira fatia é para o capitão.
Para onde vais, minha linda?
- Deixa-a em paz. - Eu vi-a primeiro, Hench.
Sr. Hench, e mandei-te largá-la.
Agora não estamos a bordo, Sr. Hench, por isso, esta mulher fica comigo.
Está bem, Brocaire.
Se é assim que tu queres. Sou o imediato desta tripulação.
E quando eu mando fazer alguma coisa, tu fazes.
Portanto, agora vou cortar-te o nariz
e depois veremos como fascinas as mulheres.
Sr. Hench?
Uma disputa?
Não é nenhuma disputa, capitão.
Apenas uma discussão amistosa.
É verdade, capitão.
Apenas amistosa.
Tu, rapariga...
... vem cá.
Cá acima.
És a causa disto tudo?
Fiz-te uma pergunta.
Este dois homens estão a discutir por tua causa?
Não me importa. São ambos porcos.
- Responde-me, por favor. - Sim.
Bem, Sr. Hench,
temos formas de resolver estas questões.
Muito bem, capitão.
Mack.
Sr. Hench.
Marujos, dêem-lhes espaço, afastem as mesas.
Jonathon?
Silêncio. Há guardas lá atrás.
- Estás bem? - Sim.
- Onde têm a nossa gente? - A maioria está no fortim.
Vamos.
Cinco. Que querem estes assassinos?
- Um tesouro que não existe. - Um tesouro?
- Enganas-te, Jonathon. Existe. - Como assim?
O meu pai falou-me do tesouro antes de morrer.
Quando o nosso povo chegou à ilha, eram muito ricos,
e trouxeram os seus bens com eles, principalmente ouro.
Há um homem que sabe onde está escondido, o teu pai.
Vou lá dentro buscar um pouco de água.
Sr. Hench.
Comecem.
Tem de os impedir. É uma barbaridade.
Estão a lutar por tua causa, devias sentir-te honrada.
Marujo, mata-o.
- Restam três. - Aguarda.
- Quantos cavalos há no curral? - Cerca de 12.
Então libertaremos dez dos nossos rapazes.
Contando connosco, dará um homem por cavalo.
Vou ficar aqui.
- Vais o quê? - Se vamos salvar o nosso povo,
alguém tem de convencer o meu pai a entregar o tesouro.
- Achas que consegues isso? - Só me resta tentar.
Se libertarmos os homens, ataca os piratas só quando estiverem em campo aberto.
Mais cedo ou mais tarde serão obrigados a partir com ou sem tesouro.
Oh, Mamã.
Conseguiste!
Muito bem, Sr. Hench. Muito bem.
Pronto, rapariga.
Anda lá. Estás à espera de quê?
Anda lá.
Queres brincar?
Bess.
Vai abrir o portão principal o mais rápido que puderes.
Silêncio!
- Silêncio! - Cala-te!
Vai deixar-nos, capitão?
Levem o cadáver para o navio e coloquem-no no meu camarote.
E se ele reclamar, dê-lhe 100 chicotadas.
Sr. Brocaire, levante-se e faça continência ao capitão.
O que é isto? Insubordinação?
Capitão, há um motim a bordo do navio.
- Que castigo determina? - Já chega.
Mas é um motim, senhor. Um motim tem que ser punido.
Disse que já chegava.
Sr. Hench,
dê 250 chicotadas naquele homem.
Ele não está nada bem.
Vem cá.
Sim, senhor. Capitão LaRoche.
É um motim, senhor. Um motim tem que ser punido.
Correcto.
Vai aprender que ninguém é indispensável.
Vamos, despachem-se! Recolham armas e vão buscar os cavalos.
Cessar fogo.
Cuidem dos outros prisioneiros.
Sem dúvida que é responsável por isto.
Por que não se juntou aos seus amigos?
Espero servir melhor o meu povo ficando para trás.
Hench?
- Sr. Hench? - Ele está aqui, capitão.
Onde estão os homens que deviam estar de sentinela?
Vai encontrar dois deles ali com os pescoços partidos.
Use aqueles que têm os pescoços intactos.
Duplique a vigilância em redor da paliçada. Agora vá.
Sim, capitão.
Há uma maneira de poder ajudar o seu povo
e salvar as suas vidas.
Encontre o tesouro.
Então, deixe-me falar com o meu pai.
O seu pai sabe onde está o tesouro?
- Deixe-me falar com ele. - Muito bem.
Tem a noite inteira para falar.
Aproveite-a ao máximo.
- Desejas falar comigo? - Sim, Pai.
LaRoche disse-me para lhe fazer um ultimato.
Ele diz que se não lhe disser onde está o tesouro até de manhã,
matará todos os homens, mulheres e crianças da colónia.
Oh, Pai, não tem consciência?
Consciência?
Atreves-te a falar-me de consciência?
Tu que já vendeste a tua alma ao diabo?
Que valor tem a vida na terra à custa da tua alma?
As pessoas têm o direito de examinar as suas consciências.
Têm o direito de viver.
Pai, imploro-lhe que tenha misericórdia deles.
Fala com o teu amigo, o diabo.
Pede-lhe para ele ter misericórdia.
Mesmo que me implorares de agora até ao fim dos tempos, a resposta será a mesma.
O senhor também morrerá, Pai.
Temo a morte quando posso encarar o meu criador com as mãos limpas
e pensamentos puros?
Qual seria a resposta dele?
A resposta de um homem temente a Deus.
Tu, Jonathon Standing, és uma vergonha para o teu nome.
Discípulo do diabo.
Não entenderias nada disto.
Amaldiçoo o dia em que nasceste.
O segredo do meu avô morrerá comigo.
Lá do alto, ele regozijar-se-á da minha decisão.
O espírito dele já entrou no meu para me dar força.
Ontem, ordenei a execução de dois dos vossos eleitos.
Todos sabem porquê.
Desde então, no entanto, fiz uma descoberta.
Se tiver razão, partiremos imediatamente
sem magoar ninguém.
Se estiver errado...
Retirem a estátua.
Não! Não!
Não devem! Não podem!
Vamos, ponham mãos à obra.
Chegamos ao fundo, capitão.
Não há nada para além de rocha.
Parece que o tesouro não quer ser encontrado, pois não, capitão?
Sr. Hench...
Vai assegurar-se que ninguém permanece vivo.
Levantem-se! Vigiem as portas!
Ninguém escapa!
Despachem-se! Despachem-se!
Pela última vez, diga-lhes onde está antes que seja tarde de mais.
- Não. Não lhe toques! - LaRoche! LaRoche!
Capitão.
Alto!
- Aqui está o seu ouro. - Ouro.
Ouro maciço.
Afastem-se.
Agora deixe-nos em paz.
Paz?
Os seus amigos que fugiram querem paz?
Coloquem isto na carroça mais forte e preparem-se para partir.
Sim, vamos levar dois reféns connosco.
E quem serão?
Pai e filho.
Muito bem, Sr. Hench, liberte essa gente e comecem a sair.
Vamos, libertem-nos!
Levem-nos lá para fora, rápido.
Peguem na corda. Puxem.
Puxem.
Eles deixaram a colónia, Henry.
Levaram o Jonathon e o pai.
- Que direcção tomaram? - Para Leste.
Vão para a foz do rio, de volta para o navio deles.
- E o tesouro? - Eles têm algo numa carroça.
Parecia a estátua do velho Simeon Standing, o fundador.
Pode ser o tesouro.
Se é, é muito pesado.
Vão contornar o pântano e tomar o trilho principal através do mato.
Estarão em Pine Valley a cerca de uma hora depois do nascer do sol.
É onde faremos o nosso primeiro ataque.
Vamos lá, rapazes, vão dormir um pouco.
O que irá acontecer ao Jonathon e ao meu pai?
Vamos libertá-los, Bess.
Receio estar a deixar-me iludir pela ocasião, Bess.
Não sou um homem de acção.
Se calhar penso demasiado para ser corajoso.
Enfim, é a minha desculpa.
Mas não gosto de lutar e matar. E não gosto daquilo que tenho de fazer.
Mas agora os piratas encontraram o tesouro,
porque não deixas que fiquem com ele?
Não é assim tão simples, Bess.
O tesouro significa mais do que apenas ouro.
Para nós, quero dizer.
É uma...
Uma espécie de símbolo da liberdade.
Foi o que o bisavô do Jonathon defendeu
quando organizou a luta contra a perseguição.
E alguém pensou homenageá-lo com uma estátua.
Alguém, ao longo do caminho,
homens gananciosos e ambiciosos, traíram o velho Simeon.
Mas acho que ele continua a olhar por nós.
E os piratas não vão levá-lo desta ilha,
não se eu o puder evitar.
É melhor ires dormir um pouco.
Sr. Hench?
Mande os homens avançar.
Vamos, toca a mexer.
Vamos embora já.
Levanta-te. E tu.
Tu também.
Não puxe demasiado por nós hoje, Sr. Hench,
se sabe o que é bom para si.
O capitão sabe o que é bom para ele, pois sabe.
Sim.
Não faz trabalho nenhum, só dá ordens.
"Vem cá. Faz isto. Vai para ali."
Depois fica com 10 vezes mais do que nós quando divide o ouro.
Pois.
Abriguem-se!
- Vamos a isto. - Atacar.
Todos eles.
Jonathon, salta para trás. Anda.
- Pai, vem. - Deixa-o.
Jonathon, deixa-o.
Afasta-te.
- Afasta-te de mim. - Jonathon!
Acho que está a perder um dos seus reféns, capitão.
Parem! Sr. Hench, mande-os voltar para aqui!
Voltem para aqui!
O capitão quer-vos todos de volta!
Anda, para a carroça.
Tu também.
Vamos.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis.
Restam sete ou oito deles, capitão.
Eles conhecem esta ilha melhor do que nós.
- Quantos perdemos? - Seis.
Seis. Sobram 15. 15 contra 8.
Eu já disse que eles conhecem esta ilha melhor do que nós.
Segundo os meus cálculos, alcançaremos o rio amanhã ao anoitecer.
- E depois? - Não sou profeta.
Muito bem. Mexam-se.
- Onde está o pai? - Cuida do Henry.
Traz água e arranja umas ligaduras para os rapazes.
Não leves isto tão a peito, Jonathon.
Devia ter ficado para o proteger.
Eles vão matá-lo, Henry.
Se calhar ficou por causa disto. Se a estátua for levada,
acho que o teu pai não desejaria viver.
Porque não?
Na mente dele, está a proteger a estátua, não porque é ouro.
Ele vê a religião e os ideais do teu bisavô
em vias de serem destruídos.
Sim, mas...
Talvez tudo isto lhe tenha aberto os olhos para a verdade.
Na colónia, ele foi demasiado fraco para combater os homens
que há muito tempo esqueceram porque viemos para cá.
Jonathon, há alguns meses disseste-me:
"Verifica se não acontece nada de mal ao meu pai.
Não importa o que ele fez ou o que se tornou, ele não estava em si."
Tinhas razão.
Sim, entendo.
Só espero que não seja tarde demais.
Estão a seguir o mesmo trilho, Henry.
Estamos prontos para a primeira armadilha.
Óptimo.
É tarde demais, marujo.
Haverão mais armadilhas como esta.
Soltem a estátua. Vamos carregá-la o resto do caminho.
Teremos de a carregar.
Não é altura de usar o nosso refém?
Sim, ele pode mostrar o caminho.
Standing.
Vamos, vou precisar de seis. Os restantes peguem nas armas.
Cuidado, a árvore!
Sr. Hench.
Sr. Hench?
Está à espera de quê?
Os homens vão causar problemas, capitão.
Pelo menos, alguns causarão.
Problemas? A quem?
Estão assustados. Não querem continuar.
O único outro caminho a seguir é para trás.
Talvez eles preferissem isso?
Quais são os seus planos quando chegarmos ao rio?
Diga-lhes, capitão.
Estamos apenas a alguns quilómetros do rio.
Quando chegarmos lá, vamos construir uma jangada
e boiar a estátua rio abaixo até alcançarmos o navio.
E quem vai com a estátua, capitão?
Quem desejar ir.
Terá de ser uma jangada enorme para levar a estátua e todos nós.
Não serão tantos como são agora.
Os ilhéus certificar-se-ão disso, capitão.
O que vão eles fazer enquanto estivermos a construir a jangada?
Duvido que eles nos negligenciem, mas ainda somos mais do que eles.
Éramos mais do que eles quando as árvores tombaram.
Sim, capitão, éramos mais do que eles
quando o Baily e o Shaw espetaram as tripas nas estacas de bambu.
- Sim. - Sim.
Vamos prosseguir, Sr. Hench.
Para ele está tudo bem, ele fica com a parte de leão.
- Sou a favor de voltar para o navio. - Sim, eu também.
Que hipótese temos numa jangada?
Com sorte, alcançaremos o navio numa hora. Comecem a construir a jangada.
Capitão, é o mais longe que nós vamos.
É verdade, o mais longe que vamos.
Vamos deixar a estátua aqui.
Deixem-na onde está.
Deixem-na onde está. Voltemos para o navio.
E quem será o próximo?
Eu não, capitão.
Estou consigo.
Largue a pistola...
capitão.
Vamos construir a jangada e correr os riscos,
como sempre fazemos.
Mas não irá connosco.
Tire-lhe a pistola, Sr. Hench.
Gosto do vinho na minha barriga, capitão, não afogar-me nele.
Muito bem, comecem a cortar as árvores para construir a jangada.
Vamos lá, despachem-se.
Se ele causar problemas, mate-o.
Se eu tiver juízo, talvez faça isso.
Vamos.
Peguem nas armas. Abriguem-se.
Boa menina.
Carrega isto.
Ainda tenho uma bala para si, capitão.
- Pólvora! - Acabou!
Vão para a jangada.
Bess, olha.
FIM
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