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Original subtitles

Aqui está.

Alguém se esbaldou ontem à noite.

O pânico me manteve acordada.

Nina, é tão bonita como há 10 anos.

Jean Pelletier tem sorte de dividir o palco com você.

Acham que vai durar para sempre.

E sabemos que não.

Logo só servirão para um reality show patético.

Uvas azedas fazem vinho azedo, Elodie.

- Não dou a mínima. - E por que mencionar isso?

- Ela está incomodando você? - Onde esteve?

Conversando com Yves, Camille, Diane.

Estão todos aqui.

Só o que importa é que você está aqui.

Não quero atrapalhar o bom trabalho de Ellis.

Vejo você depois.

Boa sorte.

O nome dela é Nina Okoro.

Convidada de um evento de moda no primeiro nível.

Uma testemunha no térreo a viu primeiro.

Ninguém a viu cair.

Nina Okoro? Era modelo há 20 anos.

É da costa do Senegal. Eu era apaixonado por ela.

Srta. Okoro, alguém fez isso a você?

Pode me ouvir?

Alguém tentou agarrá-la antes de cair.

O agressor se arrependeu.

Ou tinha outros planos para ela.

- Não posso falar com o médico? - Sinto, vai ter que esperar.

Não me dizem nada...

- O que acha que houve? - Não sei.

Ela estava muito nervosa por hoje.

Ela o fez por Jean Pelletier. Foi inspiração dele por anos.

Ia dar um prêmio a ele.

Chamaram seu nome, mas ela não veio.

- E o que você fez? - Fui procurá-la.

Ela não atendeu o celular,

achei que tinha tido um ataque de ansiedade.

Mas você ficou.

Caso ela voltasse.

- Há quanto tempo estão juntos? - Há alguns anos.

Mudei para a casa dela no ano passado.

Queremos começar uma família. Já tenho filhos, mas...

- Nina sempre quis um filho. - É divorciado?

É amigável, cuido da minha mulher e filhos.

Não há animosidades.

Você mencionou um ataque de ansiedade.

Ela não encara uma multidão desde que encerrou a carreira.

As últimas semanas foram estressantes para ela.

Profissionalmente?

É, foi contratada para ser jurada num reality show.

Sua primeira oportunidade em muito tempo.

Estava nervosa,

- achando que seria demitida... - Achamos isto numa escada.

Este colar, na torre. Reconhece?

Dei a ela há 6 meses.

Estava usando quando a vi.

Com licença.

É maldade me manter aqui a noite toda.

- ¿Onde estava durante o show? - Aqui, fumando.

- Viu ou ouviu alguma coisa? - Não, a música estava alta.

Quando viu a Nina pela última vez?

Enquanto a maquiavam nos bastidores.

Brigaram?

Brigar? Somos amigas desde os 18 anos.

Sim, mas contrataram a ela, não a você.

Um contrato de um milhão de dólares.

Sim, teriam me contratado, mas ela me enganou.

Posso ver suas mãos, por favor?

Claro

Obrigado.

Como a enganou?

Nina não quiz assinar um contrato que a proibia engravidar.

Os produtores me chamaram, não tenho problema com isso.

Nina soube, mudou de idéia e assinou o contrato.

Bonitas unhas.

Obrigado, pode ir.

Obrigado.

Não foi ela.

Teria quebrado as unhas na briga.

Nina assinou o contrato.

Mas o namorado dela disse que quer ter filhos.

Por que mentiu para nós?

O hospital disse que a Srta. Okoro faleceu.

Agora é homicídio.

Causa da morte: traumatismo craniano,

- da queda. - Marcas de estrangulamento?

Estrangulamento manual, duas mãos, talvez masculinas.

- Com que força? - Houve hemorragia petequial.

Ele queria matá-la.

Neste hematoma, vemos marcas de mãos.

Ela lutou, ele tentou impedi-la.

- E isto? - Arranhões de unhas, até atrás.

E os arranhões no tornozelo?

Executados de cima para baixo.

Ou quando o tornozelo escorregou de suas mãos.

Quero fotos de tudo.

O eletrocardiograma não mostrou anormalidades.

O exame de sangue parece normal

para alguém que infartou há 5 meses.

Diminuiu o consumo de álcool?

E outras substâncias também?

Ótimo. Vamos começar com exercícios.

Esteira, malhação, ioga.

Certo, o exame de estresse.

Essas manchas aqui são cicatrizes do infarto.

Não tem muito sangue passando. Há melhorias, mas não visíveis.

Sim? Já vou sair. Um minuto...

Eu sei o que quer que eu faça.

O farei.

Farei com que suas vidas sejam melhor.

Não vou desapontá-lo.

Há semanas que não vejo o Sr. Serge.

A Srta. Okoro disse que estaria viajando.

Essa é a Nina Okoro de quem me lembro.

Alguém chegou antes de nós.

Levaram o computador, mas deixaram os brincos.

Seja quem for, tinha a chave daqui.

Tem certeza de que o Sr. Serge não veio hoje de manhã?

Não tenho certeza, havia muitos fotógrafos lá fora.

Quem sabe não quer que saibamos alguma coisa.

Não está viajando, se mudou daqui.

O colar da Srta. Okoro foi achado aqui.

É a escada usada pela manutenção.

Alguém a trouxe aqui por um motivo.

O parapeito é mais baixo aqui.

Seria mais fácil empurrá-la.

Normand, fique ali, de costas para o parapeito.

- Jo, tenho medo de altura. - Feche os olhos.

Bayard, ponha as mãos em volta do pescoço dele.

Normand, levante seu braço esquerdo.

Bayard, agarre-o com sua mão direita.

Sim, as digitais de Nina estavam aqui, da mão direita.

Ela girou para a esquerda e segurou no parapeito.

Normand. Isso.

Ele agarrou seu ombro direito,

ela começou a subir para escapar dele.

Não vou subir, Jo!

Ele segurou o tornozelo dela, mas era tarde.

Ele a estava estrangulando, mas não queria que caísse.

Não a queria quebrada, desfigurada.

Porque se importava. Serge Montaigne, o namorado.

O Sr. Montaigne não quer ninguém no seu escritório.

- Ele veio hoje? - Saiu há uma hora.

Está recalculando os lucros dos últimos 8 trimestres.

- A empresa está com problemas? - Não sei.

Ele está morando aqui. Ele deixou a Nina?

Há 3 semanas.

Não queria mais que eu passasse as ligações dela.

Por que ele a deixou?

- Sua intuição. - Acho que ficou com medo.

De se casar com ela. Ela queria.

Há 3 dias, me pediu cópia da certidão de nascimento,

do contrato de aluguel e da conta de luz.

O necessário para uma licença de casamento.

Ele mudou de ideia.

Talvez sua esposa saiba por quê.

Não é mistério, concordei com o divórcio.

- Nós seguimos em frente. - Sim, mas ainda usa a aliança.

- Só Serge seguiu em frente. - É especialista em casamentos?

Não o deixaria ir assim. Ele a deixou por uma modelo.

- Como se você não fosse bonita. - Ele é bom pai, é o que importa.

Falou com ele recentemente?

Não. Tenho muito que fazer até as crianças voltarem.

Não, não, fique conosco.

Quem os pega na escola? As aulas não acabaram?

Têm aula de música hoje, eu os pego mais tarde.

Aqui diz que a aula de música é amanhã.

Mostrem seus desenhos à mamãe.

Mamãe! Mamãe!

Nina insistia, mas eu não sabia se queria me casar de novo.

Precisava de espaço para pensar.

Então vi que queria passar o resto da vida com Nina.

- Sabe que ela o tinha nas mãos. - O quê?

Achamos isto no seu porta-malas, com o computador dela.

Ela tinha cópias de e-mails entre você

e 4 escritórios de advocacia sobre taxas ilegais.

Você roubou $ 12 milhões de seus investidores.

No último ano, ela estava feliz só por morarmos juntos.

Há 3 semanas, começou a insistir no casamento.

Eu não estava pronto, queria minha família, e a deixei.

Ela começou a me chantagear, ameaçou me destruir.

Não podia permitir isso, então cedi.

Uma premissa muito romântica.

Ela não se importou, estava entusiasmada.

Como se tirasse um peso dos ombros.

Estava feliz com esse casamento-armadilha?

Há coisas piores, ela era linda.

Linda ou não, quando não há mais amor, acaba.

- É melhor do que a cadeia. - É.

Mas não sabia se podia confiar nela.

Eu não a matei.

Você ligou para sua mulher 5 minutos após acharem o corpo.

Precisava falar com alguém.

Ligou para chorar pela amante morta?

Não, foi para dizer que a matou, que você podia voltar.

Não.

- Não liguei por isso. - O quê?

Foi para saber onde ela estava.

Tinha medo de que ela a tivesse matado.

Tenho que ir ao mercado. A Sra. Montaigne volta logo.

Podem voltar então.

O que é?

Fale com ela. Ela gostou de você.

Senhorita, com licença. Tem namorado?

Meu parceiro quer saber, mas é orgulhoso para perguntar.

Deixe para lá. Voltamos depois.

Eu não...

tenho ninguém em especial.

Estou surpreso.

Você estava em casa segunda à noite?

Estava. Sempre fico em casa, lendo.

Ótimo. E a Sra. Montaigne estava em casa?

Saiu para correr depois que as crianças dormiram, às 21h.

Sempre faz isso. Isso ajuda?

Sim, muito.

- A que horas ela voltou? - Depois das 22h.

Eu a ouvi limpando a antiga sala do Sr. Montaigne.

- No meio da noite? - Disse que ele voltaria.

Estava muito feliz. Tinha tirado dois sacos de lixo.

Papo legal. Meus encontros nunca terminaram no lixo.

Sua vida é encantadora.

Nada de roupas com sangue.

Sabe de que canal é o programa que contratou Nina?

Acho que é o Paris One Studios.

A Sra. Montaigne tem recibos do estacionamento deles.

Sei que esteve na minha casa.

Paquerando minha empregada. Bem baixo.

Nina Okoro era bonita pessoalmente como é nas fotos?

Não sei, nunca a encontrei.

Foi vê-la no estúdio da televisão.

Parece que a deixou muito nervosa.

Ela estava chantageando meu marido.

Queria uma conversa civilizada, mas seu narcisismo era incrível.

Teve o cinismo de bancar a vítima comigo.

Disse que eu não sabia o que era ter uma arma na cabeça.

Era ela que ameaçava a segurança dos meus filhos.

Onde foi correr segunda à noite?

Jardins das Tulherias, como sempre.

E não fui com ninguém, mas centenas de pessoas me viram.

- Por que não as procura? - Faremos isso.

Mas poderia chegar à Torre em 10 minutos.

Seriam 7 minutos, mas não fui lá.

Então correu nas Tulherias e foi para casa.

Limpou a sala do seu marido.

Por quê?

Por que disse à empregada que seu marido voltaria?

Por causa da mensagem que ele me deixou.

Ele disse:

"Acabou. Vou voltar para casa."

Achei que ia deixar Nina de uma vez.

Nunca imaginei que a mataria.

Acha que ele a matou?

Acho...

Vocês não?

Sim, eu tinha motivos para matá-la.

Mas tenho 3 filhos.

Não faria nada que me afastasse deles.

- Ela acha que foi o marido. - E ele acha que foi ela.

Significa que não foi nenhum dos dois.

Voltamos à estaca zero. Perdemos dois dias.

- Soube que está se cuidando. - Não é da conta de ninguém.

Trabalha para mim, tudo é da minha conta.

Está fazendo isso sozinho?

É imprudente.

Aceite isso de quem está sóbria há 10 anos.

A Sra. Montaigne disse algo estranho.

Nina disse a ela que tinha uma arma na cabeça.

- Em quem as modelos confiam? - Talvez no homem que inspirou.

Conheci-a quando tinha 18 anos.

Fugiu do Senegal para escapar da circuncisão feminina.

Garota corajosa, mas ingênua.

Quando a vesti, senti que minhas roupas eram feitas para ela.

Ela disse ter uma arma na cabeça.

- Faz ideia do que significa? - Não.

Mas, há 3 semanas, ela olhava este álbum

e falou sobre Galliano e Kate, gente arruinada por escândalos.

Disse que havia coisas em seu passado de que ninguém sabia.

Temia ser demitida do programa da TV.

Por quê?

Insegurança.

Essas modelos.

Nós as transformamos em deusas, mas são só garotinhas nervosas.

Falta uma foto aqui.

Estava aí quando Nina olhava o álbum.

Talvez ela tenha pegado. O que era?

Ah, sim, a saia com estampa de banana.

Muito extravagante. Foi tirada em 1995.

Estava no auge da carreira. Devia ter 21 anos.

- Tem cópia dela? - Não.

- Mas Egon deve ter. - Egon?

Egon Kroemer, o fotógrafo.

É o único que conhece Nina há mais tempo que eu.

Na verdade, ele nos apresentou.

Com esqueceria a saia com estampa de banana?

A linha de Pelletier na época era uma grande salada de frutas.

Pelletier, verão de 1995.

- Por que Nina roubaria a foto? - Você acha que teria um motivo.

Nina era impulsiva. Afinal, pulou da Torre Eiffel.

Está grande demais!

- Por que acha que ela pulou? - Quando a vi na semana passada,

- estava totalmente irracional. - O que ela fez?

Me ligou histérica, ela estava em Pigalle.

Insistiu que que fosse buscá-la

e tentou me levar a uma boate de striptease.

Talvez quisesse seduzi-lo.

Eu aceitaria, como agradecimento por ajudá-la com o programa.

Mas ela só falava no namorado medroso.

Levei-a para casa. Diga que estamos prontos!

Obrigado.

E, você, não mexa um músculo.

Fotografe... agora!

Perfeito! Vamos fazer com o preto agora.

Está vendendo tinta?

Estou vendendo uma ideia.

Uma linda moça.

Devia tê-la visto aos 16, quando a descobri.

Trabalhava em uma padaria.

Iluminava o lugar com um olhar.

Aqui, sua alma está morrendo.

Há 3 semanas,

Nina temia que um escândalo destruísse sua carreira.

Foi quando começou a pressionar Serge para se casar.

Talvez como segurança contra o escândalo.

"La Danse Sauvage". Josephine Baker.

A dançarina.

Não deve ter caído na sua prova na faculdade.

Era uma moça negra, americana.

Dançava no Folies Bergères na década de 20.

Apresentou "La Danse Sauvage" usando só uma saia de bananas.

Nina com o vestido de Pelletier é uma piada interna.

Entendo, mas não explica por que Nina pegou a foto.

Uma coisa de cada vez. Ligue a sirene, fure o trânsito.

Por que a pressa? Tem um encontro?

Sim, com a sua mãe.

Sabe, Jo, sou seu parceiro há dois anos. Mereço respeito.

Sabe por que se tornou meu parceiro?

Todos os outros desistiram, como você fará em alguns anos.

Mas devo dizer que foi meu parceiro mais inteligente.

E o mais bonito.

A pele estava aberta, e o médico pediu que Adèle limpasse.

Eu estava na mesa, com a perna pra cima, sangrando.

Ela se curvou em cima do meu joelho,

e percebi na hora que era a primeira vez dela.

Era o meu segundo dia no pronto-socorro.

Ela estava tirando pedrinhas do meu joelho com a pinça,

tremendo muito, exagerando no antisséptico.

Estava doendo muito, mas eu queria parecer tranquilo,

falando sobre o acidente, e vi lágrimas nos olhos dela.

Ela estava chorando porque estava me machucando.

As lágrimas caíam sobre o meu joelho,

e foi quando eu soube que ia passar o resto da vida com ela.

Um brinde a acidentes de moto.

Não devíamos deixá-la dormir? Não trabalha cedo amanhã?

Às 7h, mas podem ficar.

- Também vou começar cedo. - Eu cuido disso com Adèle.

- Fiquem sentados. - Vou fazer quentinhas pra vocês.

Obrigado de novo por aquele emprego.

- É ótimo. Marty é muito legal. - Não estrague tudo.

Adèle e eu estávamos escolhendo o nome do bebê,

e queríamos colocar os sobrenomes meu e dela.

Adèle usa o nome da mãe, mas queremos usar Saint-Clair.

Saint-Clair não tem nada de especial.

A minha mãe trabalhava na mesma coisa

que a mãe da Adèle.

Deu meu nome em homenagem à rua onde eu nasci.

Rua Saint-Clair, próxima à Bastilha.

O seu filho merece um nome melhor.

Um nome limpo.

Ele tem um bom coração.

- É o que veremos. - Você é difícil.

Eu vou por aqui.

Boa noite, Jo.

O que acha de me fazer companhia esta noite?

Meu café da manhã é bom.

Me arrastou para um show de striptease?

Estava lendo para o meu filho.

Vai gostar mais desta história.

Vá.

É a boate para onde Nina queria trazer o fotógrafo.

...a rainha da era do jazz, a Vênus de Bronze,

Josephine Baker!

Ela é maravilhosa.

Como a mãe dela nessa idade.

- Jasmine Bellan? - Sim?

Queremos falar com você sobre Nina Okoro.

- Por quê? - Já lhe disseram

- que se parece com ela? - Boa noite, Jaz.

- Dizem muitas coisas em boates. - Maçãs do rosto altas,

o formato dos olhos. Podia ser sua mãe.

Minha mãe trabalha no metrô em Villiers-Le-Bel.

- Conheceu Nina? - Modelos não se dão comigo.

O segurança disse que ela veio vê-la na semana passada.

Não olho para os clientes quando danço.

Última coisa. Já viu esta foto?

Nina tinha 21 anos. Como você, imagino.

Usando uma saia de banana, como você.

Soube que essa pessoa morreu.

A vida dela e a minha são partes diferentes do universo.

Com licença.

Yannick é um bom funcionário. Chega cedo, fica até tarde.

- Tem boas mãos. - É o funcionário do mês?

Ontem eu o vi num bar perto de Saint-Louis.

Com 3 bandidos. Estavam preparando um esquema.

Senti de longe.

Jasmine Bellan, nascida em 1991 em Paris.

Dada para adoção. Orfanato, família adotiva até os 17 anos.

Algum parente sanguíneo?

Tem um X. A mãe escolheu ficar anônima.

Sei que há registros confidenciais.

Formulários que citam parentes sanguíneos.

Esta é a mulher que poderia ser a mãe da garota.

Nina Okoro? A modelo que morreu?

- Sim. - Meu dia ficou interessante.

Os registros do hospital foram anexados à ficha de Jasmine.

Aparece, como mãe, Nina Okoro.

Quanto ao pai,

só as iniciais EK.

EK. Egon Kroemer.

"Descobrir" Nina deve significar engravidá-la.

Por que esse registro foi posto recentemente na ficha dela?

Há um mês, ela quis fazer contato com a mãe biológica.

Queria que entregássemos uma carta para ela.

A Srta. Okoro recusou o pedido de contato.

O escândalo que preocupava Nina era Jasmine.

Nina tinha 16 anos quando engravidou.

Kroemer tinha uns 30.

Há outros nomes no registro do hospital?

Um médico? Uma enfermeira?

Há a assinatura da parteira que fez o parto,

uma irmã Anna Giuliana. Sem sobrenome.

Uma freira sem sobrenome. Fácil, fácil.

Chame-a de madre, não aperte a mão.

Ela não tem muito contato com homens, ainda mais policiais.

Madre Anna?

O detetive de que falamos ao telefone.

- Olá, madre. - Puxa, você é grandão.

Queria falar sobre Nina Okoro.

Ajudou-a no parto há 20 anos.

Lembra-se?

Como a conheceu?

Ela veio à clínica onde eu era enfermeira.

Estava apavorada.

Tinha sido estuprada, estava sangrando,

o corpo todo machucado.

- Não informaram isso à polícia. - Ela não confiava na polícia.

Confiava em mim porque cresceu com freiras no Senegal.

- Ela disse quem a estuprou? - Não.

Não quis causar problemas para ele.

Mesmo quando soube da gravidez.

Ela decidiu dar o bebê para adoção.

Mas não resistiu e segurou-a quando nasceu.

- Encontrou a menina? - Sim.

É linda, como a mãe.

É dançarina. Muito talentosa.

"Dançarina"? Significa que tira a roupa?

A vida é bem difícil para qualquer moça,

ainda mais uma que cresceu em lares adotivos.

Foi bom falar com você, detetive.

Deus o proteja.

Obrigado.

Não conhece nenhuma freira normal?

Que cante músicas populares e salve gatinhos? Não.

Não contei porque não achei que importasse.

Ela não quis me ver e agora está morta, então...

acabou.

Ela a encontrou? Ou foi você?

Eu a encontrei.

Fui ao seu prédio.

- Ela nem disse 5 palavras. - Ela disse por que foi à boate?

Não, ela me deu uma foto.

Disse que era só o que podia fazer.

Nada de dinheiro ou ajuda na minha carreira.

Como se eu quisesse isso.

E o que você queria?

Um relacionamento com ela. Ela disse que era impossível.

Desagradaria as pessoas com quem trabalhava.

- Ela disse alguém em particular? - Um cara...

Um fotógrafo importante.

Ele não sabe sobre mim, acha que ela fez um aborto.

- Você está bem? - Estou exausta.

Preciso dormir antes de ir trabalhar.

Nina lhe disse como engravidou?

Ela foi estuprada.

Ela disse que me amava mesmo assim.

Me amava e me jogou fora.

Nina transou comigo para subir.

Foi inteligente, eu a ajudei na carreira.

A enfermeira disse que ela estava machucada e sangrando.

- Sua primeira vez, é natural. - Derramou seu café.

O quê?

Estragou meu equipamento.

Não é com o equipamento que deve se preocupar.

Eu posso com você, detetive.

- Bayard, vá dar uma volta. - Espere.

O que quer comigo?

O que aconteceu no desfile, minuto a minuto?

Por que eu a mataria?

Talvez fosse contar que a estuprou aos 16 anos.

Foi há 20 anos. Ela sequer tinha provas de que transamos.

Ela tinha. A filha.

Por isso o chamou para a boate. Sua filha trabalha lá.

Quando me disse que estava grávida,

eu disse para tirar, se quisesse uma carreira.

Achei que tinha feito isso.

Sua filha achou Nina, tudo viria à tona.

Achamos que tentou impedir. Escreva.

Aquela vaca manipuladora...

Mostre algum respeito.

Se Nina estava me ameaçando, por que tentou me seduzir?

Na noite em que me ligou de Pigalle,

insistiu em ir para a minha casa

e se jogou para cima de mim.

Mordeu o meu lábio.

Sim, tenho uma foto.

Foi o maior tesão, na verdade.

Mas ela mudou de ideia.

Usou um lenço para parar o sangramento,

jogou o lenço na bolsa e saiu correndo.

Ela me deixou em um estado deplorável.

O que teria feito se eu o deixasse lá?

Não pode fazer isso, Jo.

O lenço com o sangue.

E se ela queria o sangue dele para um exame?

De paternidade? Ela já sabia que ele era o pai de Jasmine.

Quero confirmar isso, ver se ela pediu um exame recentemente.

Ela pediu um exame de tecido HLA.

De compatibilidade para um transplante de medula.

- Ela tinha câncer de medula? - Não, queria ser doadora.

- Para quem? - Não disse.

Trouxe o sangue do receptor, mas o nome estava riscado.

A maior probabilidade é entre parentes, como pais e filhos?

Sim.

- Ela servia? - Não, ficou muito chateada.

Mas voltou no dia seguinte com um lenço com sangue

dizendo que era de um parente do receptor.

Queria um exame, mas não deu. A amostra estava seca.

Esta pessoa está na lista de transplantes?

Jasmine Bellan.

Claro.

Por isso ela queria encontrar Nina.

Está com câncer, precisava de Nina para um transplante.

Por que não nos disse?

Por que esconder? Nina tentou ajudar Jasmine.

Mas não de início. Se preocupou com um escândalo.

Depois mudou de ideia.

E se Nina não contou a Jasmine que testou seu sangue?

Estava nervosa demais

ou esperava melhor resultado com Egon.

Tem câncer, e a única pessoa que pode ajudá-lo não ajuda...

É para ficar com raiva.

Sim, Jasmine Bellan está na lista de espera.

- Registrada no Hospital Didot. - Onde Nina morreu.

O hospital mais perto da Torre Eiffel.

Células de medula podem ser colhidas de uma pessoa morta?

Sim, se só há morte cerebral.

Órgãos e tecidos são colhidos de pacientes com morte cerebral.

Obrigado.

Os arranhões nos tornozelos de Nina.

O assassino tentou segurá-la.

Não queria que caísse na calçada a 60m.

Queria ela inteira. Queria estrangulá-la

e deixá-la em um lugar onde seria achada rapidamente.

E levada ao hospital mais próximo.

Onde Jasmine esperava um doador.

Jas só fez o 1º show na segunda. Estava cansada, foi para casa.

Isto é dela?

É.

Em que ela está metida, a Srta. "Sapatinhos Bonitos"?

- Ela não bebe, não sai. - Ela é bailarina, faz aulas.

- Ela dirige uma lambreta? - O namorado, Dariel, dirige.

- Ele a pega toda noite. - Esse Dariel tem sobrenome?

Dariel "Baterista que Jolie Quer Pegar".

- É o baterista no palco com ela? - Não.

Ele é da nossa idade e é branco.

Conheço você.

Você ia ao Lucky Star e ficou um tempo com a Koko.

A dançarina japonesa. Ela disse que era divertido.

Tenho meus momentos.

Sabem como Dariel ganha a vida?

- Consertou nossa iluminação. - Estava sempre com defeito.

- O patrão é pão-duro. - Dariel fez de graça.

Obrigado.

Eletricista.

É, talvez faça serviços maiores.

O serviço na Torre Eiffel foi há 3 meses.

Só demos permissão durante o trabalho.

Um rapaz trabalhou para você, Dariel Bissonette.

Os negócios vão mal. Eu o dispensei no mês passado.

Uma pena, é um bom garoto, confiável.

De quem são estas ferramentas?

De ninguém.

Isto é corda para um tambor djmbé.

Um baterista não deixaria isso para trás.

Ele disse que ia sair da cidade, coisas de família.

Não sei onde.

E, se soubesse, não diria. Gosto do garoto.

Os que tocam tambor africano são um grupo unido.

Frequentam o Parc de la Villette.

Está em um abrigo para imigrantes em Goutte D'Or.

O que está dizendo? Um branco aqui? Viajou?

Está fumando haxixe? Sinto o cheiro!

Levantem-se! É a polícia!

Caso não tenha notado, está preso, Dariel.

Achamos isto no seu smartphone. Alertas do Google, Twitter.

Segue Nina Okoro há duas semanas.

Sabia que ela estaria na Torre Eiffel.

Só estávamos interessados nela.

- Ela é a mãe de Jasmine. - As marcas no pescoço são suas.

Você a sufocou para que fosse levada ao hospital

onde Jasmine esperava por um transplante.

Belo plano. Exigiu inteligência e comprometimento.

Você teve isso. Partiu seu coração ver Jasmine

enfraquecer enquanto a mãe não fazia nada.

Arriscou sua liberdade para salvá-la, admiro isso.

Eis o que vamos fazer.

Tentou convencer Nina a ajudar Jasmine.

Ela ficou com raiva, bateu em você.

Você a agarrou para se defender.

Ela subiu no parapeito para se livrar de você.

Você tentou salvá-la.

Agarrou os tornozelos dela.

Conte essa história, e convenço o promotor a acreditar.

Jasmine não será acusada de cúmplice.

Faria qualquer coisa por ela.

Faça isso.

Não.

Não vou dizer nada.

Ela não ia me ajudar.

Não queria que soubessem do estupro,

que tinha uma filha stripper.

Tinha medo pela carreira,

medo do cara que a estuprou.

Ela pirou.

- Não ficou com raiva dela? - Confio em Deus.

- Ele vai achar um doador. - E seu namorado?

Confia em Deus?

Ele só sabe que ama você e que quer que você viva.

Sabemos que Dariel matou Nina.

Ele acha que, se não falar, escapa da cadeia

- e pode cuidar de você, mas... - Isso não é realista.

A escolha dele é entre 15 ou 30 anos de prisão.

Isso, não fale, mas não ache que ele não falará.

Podemos mantê-los aqui por 3 dias.

Sabe o que acontece nesses 3 dias?

As pessoas se cansam. A língua se solta.

Se Dariel disser que você sabia o que ele ia fazer,

você também vai presa.

Estou morrendo mesmo.

Ouça, sinto muito que tenha câncer.

De verdade.

Mas, antes de ser presa, precisa saber disso:

4 dias antes de Dariel matar a sua mãe,

ela fez um exame para saber se era compatível.

Sabia disso? Ela queria ajudá-la.

Ela não faria isso. Era egoísta demais.

Dariel é a única pessoa no mundo que se preocupa comigo.

O plano quase deu certo, os tecidos e órgãos de Nina

foram colhidos no hospital, mas ela não era compatível.

Vai me fazer chorar, tenente. Quero encerrar esse caso.

- Ninguém o viu no desfile. - Ou seja, vocês não têm provas.

Quanto à confissão, a combinação deles está funcionando.

Solte-os.

Para que sumam do mapa?

Jasmine é fiel a Dariel. Quero ver se ele é a ela.

Meu Deus... Veja.

- Vou ligar para eles. - Não, vamos.

Vamos sair logo daqui. Venha.

Achamos um doador compatível.

Começamos o pré-transplante quando assinarem os formulários.

- Quem é? - Só posso dizer que é mulher,

- quase 40 anos. - Esperem!

Esta senhora é do gabinete da Promotoria.

Uma liminar será emitida para impedir esse transplante.

Com base em quê?

Nas emendas 18 e 19 do artigo 39.1

do Código de Processo Penal,

que impede que criminosos se beneficiem de seus crimes.

Os dois são suspeitos da morte da doadora.

Liguei para o seu supervisor.

Não, não.

Não!

- Lamento, não posso fazer nada. - Não, não, não!

- Jasmine não fez nada. - Não diga nada.

Até que me convençam do contrário,

ela é tão suspeita quanto você.

- Ela não fará o transplante. - Vamos achar outro doador.

A cada dia, ela fica mais doente.

- Cale a boca! - E seu comprometimento, Dariel?

É mais profundo do que uma tatuagem?

Ela não sabia.

- Não contei até depois... - Dariel, não.

- Preciso de você comigo. - Depois do quê?

Encontrei Nina na festa.

Disse que faria um escândalo se não viesse comigo.

- Levei-a à área de serviço. - Não...

- Pus as mãos no pescoço dela. - Não, por favor...

Estava sufocando-a.

- Pensei em Jasmine. - Solte.

A linda e gentil Jasmine.

Terá seu transplante agora.

Poderá viver.

Tudo bem.

Obrigado, detetive.

- Detetive? - Disse que era promotora!

- Espere! - Foi um truque?

E a doação? E o transplante?

Sua mãe fez o exame, mas não era compatível.

Ela queria ajudá-la.

- A minha mãe? - Sim, a sua mãe.

Outra pessoa pode ter aquilo de que precisa.

Conheça o seu pai.

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