All language subtitles for Il Tigre (1967) WEBRip Oldies

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Original subtitles

Roma. Procedente de Los Angeles,

Miss Universo acompanhada de seu namorado barbudo.

A californiana, de formas perfeitas,

declarou de uma maneira pouco correta, mas muito deliciosa:

- Estou feliz, obrigada. - Sim..

Estou de visita a essa cidade maravilhosa.

Sim.

- A Villa Borghese... - Sim.

- A Fonte de Trevi... - Sim.

O Coliseu...

� a minha primeira vez e quero que saia tudo bem.

Tomara...

Vamos para Roma, onde o Ministro Brini Breschi

visitou as instala��es de um conhecido complexo industrial,

situado na periferia,

que nos �ltimos anos alcan�ou...

uma produ��o t�o boa como os das grandes ind�strias do norte.

O din�mico Diretor Geral, Francesco Vincenzini

serviu de guia,

destacando a efic�cia das instala��es, que est�o entre as mais modernas do mundo,

como as particularidades dos �ltimos modelos que ser�o lan�ados no mercado

e se distinguem por suas avan�adas caracter�sticas,

com est�tica e funcionalidade.

O sr. Ministro se interessou, sobretudo, pelos refrigeradores,

e quis abrir uma para ver se, no seu interior, havia algo para comer.

Alto!

Parem! Malaspina! Mas o que � isso? Outra vez com palha�adas?

Imbecil!

- Pensei que um pouco de humor... - � t�o sutil que n�o consegui captar.

N�o acha que � muito sutil para o nosso p�blico?

Eu pago o document�rio pela publicidade indireta.

Importunam um Ministro, e voc�s se divertem.

- Quando deve passar? - Pois... na quinta.

Tirem esse coment�rio est�pido.

Se n�o estiver resolvido,

eu despe�o voc�.

Entendido? Vamos, Oscar!

O TIGRE

Resync: LABOK

Deixe! N�o percebeu que era minha?

Aten��o! Sr. Francesco Vincenzini

atenda ao telefone, lhe chamam urgente da cl�nica Santa Signora.

Nasceu!

- Senhor! - Elpidio!

O que �? Homem ou mulher?

Veja o que aconteceu...

M�e e filho est�o bem, chorei de emo��o.

- Onde est�o? - Por aqui. Vamos.

A segunda porta a esquerda.

Francesco, � homem!

- Pesa 3kg 400g. - Bom.

Oi, papai.

Pegue-o nos bra�os.

Est�s contente de ser vov�?

Mas � claro, vov�!

Continue..

E ent�o, Padre Santorelli, eu me disse..

Sim, estou feliz de ser av�.

Porque, de verdade, acreditava estar feliz de...

ser av�.

Mas depois me dei conta de que n�o me fazia gra�a alguma.

H� algum tempo,

sofro de depress�o,

uma melancolia angustiosa.

Meu signo � de Le�o, n�o sei se isto pode lhe interessar.

Em absoluto.

Quantos anos tem?

45, Padre.

Ent�o somos irm�os.

De acordo.

� um home de sucesso.

Mas ao final de tudo, j� atingiu os seus objetivos.

J� chegou ao topo, terminou o seu caminho.

O que agora o entristece, sem que voc� se d� conta, � o "sensus finis".

"Sensus finis"?

Sente que se aproxima o fim.

Resumindo, acredita estar dominando a situa��o,

mas � dominado por ela.

Acredita que voc� empurra, mas voc� � empurrado.

Cria a ilus�o de perseguir,

mas foge. - Perdoe...

Mas...

A que se refere?

Escapa das boas obras,

porque s�o o testemunho dos bons tempos que j� n�o voltam.

A consequ�ncia � que o bebezinho que nasce, o entedia

como lhe contrariou profundamente

que sua filha se casasse.

E seu filho!

Seu filho que cresce e come�a a ter personalidade pr�pria.

Mas voc� n�o quer admitir.

Imp�e-lhe sua vontade porque ainda o considera uma crian�a.

E tudo isso por qu�?

Porque voc� acredita ser um garot�o.

Sim...

E assim...

perturbado entre a ira e ang�stia,

continua pisando no acelerador.

E corre, corre...

Mas para onde, desgra�ado?

Supondo que esteja certo, o que devo fazer?

Detenha-se de uma vez!

E trate de descobrir os aspectos mais belos da vida.

Considere os valores do esp�rito, que s�o os adequados para sua idade.

Voc� tem 45 anos!

45!

- A idade dos ex-combatentes. - Ah, de modo que...

Perdoe irm�o, mas n�o me sinto, de fato, um ex-combatente.

Creio haver dito que nasci sob o signo de Le�o.

Claro que disse, e tamb�m recordo de haver falado que me n�o importa nada.

A verdade � que voc� est� vacilando.

Nem em sonhos. Voc� que diz!

- Ent�o, por que veio ver-me? - Porque me equivoquei.

- Repetir� muito essa frase, no futuro. - Me atrai m� sorte...

V�. Tem mais gente aguardando. Tome.

Tr�s "Pai-Nossos" e tr�s "Ave-Marias" todas as noites.

N�o podem lhe fazer mas que bem. E agora saia daqui, av�!

D� gra�as por usar h�bito, sen�o...

Pr�ximo!

Queridos rapazes, ontem saiu de nossa f�brica

o aparelho de n�mero 1 milh�o.

O presidente da empresa decidiu dar um pr�mio de produtividade

que v�o receber junto com o pr�ximo sal�rio. Felizes?

Obrigado e bom trabalho. Vamos.

O slogan da lavadora Queen:

"A rainha das lavadoras."

Um pouco pobre, n�o?

"A lavadora das rainhas" � um pouco mais chamativo.

Uma carta do comiss�rio sovi�tico de importa��es.

Espere, o convite � para ir na casa de Pinetta.

Querido! Muito bem, estarei ali com voc�. Adeus.

- Al�? Sim. - Aqui em Moscou...

� o presidente.

Ol�, Giannino? Como est�?

Tenho novidades para voc�.

Teve a ideia generosa de dar um pr�mio a todo o pessoal.

Bravo, obrigado.

De nada.

E quanto custar� esse pr�mio?

Quer saber demais.

Que quer? Seja r�pido, temos muito o que fazer. N�o...

somos como voc�s, os milaneses.

Li o seu projeto para os mercados orientais.

Acredita de verdade que existe alguma probabilidade?

Todas as probabilidades, � uma simples quest�o de pre�o.

E quando vir� novamente?

Bem, estupendo. Nos vemos.

Isso � tudo, pode ir embora.

Oscar, atende, por favor.

N�o estou para ningu�m, exceto para L�pez, Ercolani, Ungaro,

De Matteis, Olivetti Picchiy.

� o advogado L�pez, � sobre o bloqueio do nosso envio para a Alemanha.

N�o � nossa culpa. Diga-lhe para invocar for�a maior.

Nossos clientes n�o t�m outro rem�dio al�m de aguardar.

Mas somos n�s a parte demandante.

Ent�o a coisa muda.

Melhor refutar de plano a for�a maior,

que apenas � uma sa�da c�moda para livrar responsabilidades.

Alegue inaptid�o, corrup��o, etc.

Mas eu devo ensinar-lhe o que tem de fazer?

Fale.

Voc� tomou nota?

Veja...

Mas o que sucede na Se��o n� 4?

N�o h� ningu�m trabalhando.

Nem mesmo nas demais se��es. J� terminou a jornada.

Exato.

Obrigado.

Agora � minha vez, Francesco.

N�o, minhas queridas meninas. O espet�culo j� terminou.

S�o mais de uma hora e, com sua permiss�o...

N�o vou me ofender se voc� for para a cama comigo tamb�m

Antes de irmos, dan�a uma vez comigo.

Voc�s o monopolizaram.

Mas onde voc� me trouxe, querida? J� n�o aguento mais.

Pobrezinhas...

N�o tem outras amigas al�m dessas esposas abandonadas?

Por que n�o convidou a Maria Carla? Ela vive com seu marido.

- Assim, ser�amos dois casais. - Vivia com ele.

- At� quinta passada.. - Tamb�m...

Por qu�?

Que queres? As mulheres envelhecem e os homens s�o uns pilantras.

Como � isso?

Exceto voc�, querido. � o melhor de todos.

Tamb�m penso em fazer modifica��es no closet.

Sei perfeitamente porque j� n�o faz os seus 10 minutos de bicicleta,

porque somente v� a parede branca e deslumbrante diante de ti.

Mas vou mandar colocar uma bonita paisagem francesa.

Assim, ao pedalar, parecer� estar correndo no Tour da Fran�a.

Quanto n�s bebemos esta noite.

Mas o quanto voc� bebeu.

Deveria ter mais cuidado. Sabe que n�o tem muita resist�ncia.

Quem disse isso? Como n�o aguento a bebida, hein?

Mas o que est� fazendo?

- Acreditava que n�o poderia, n�? - Que louco.

- Que cheiro � esse? - Perfume "Tendre de Lanvin".

Lanvin? Isto fede a g�s.

Elpidio deve ter deixado aberto.

Sempre teve a cabe�a nas nuvens!

Qualquer hora todos vamos voar.

Meu Deus! O que voc� fez?

Sim, querida. N�o � nada, est� tudo bem.

Que tolo...

O que voc� fez?

Idiota!

Fica de p�. Voc� est� bem?

Sente melhor? Fala, est�pido!

Como est�?

N�o fa�a barulho, imbecil.

Vamos poupar a sua m�e desse penoso espet�culo.

Vou lhe trazer um pouco de Cognac

e depois me explicar� tudo.

Cognac n�o. J� bebi meio litro.

Muito bem. Vamos.

Conta. Por que fez essa idiotice?

N�o � uma idiotice.

Sim, querida. N�o aconteceu nada. Deita, j� vou em seguida.

Vai deitar-se, papai.

Ah, ent�o n�o � uma idiotice.

Se soubesses a vontade que tenho de dar umas patadas em voc�...

Mas como isso pode ter passado por sua cabe�a?

Sim, ria. N�o acho que seja motivo de risada.

� mais para chorar.

Veja, o imbecil ri.

Por acaso te parece divertido?

Um pequeno susto, � o que me deu. E menos mal que sua m�e n�o te viu.

Quem s�o esses? "Los Rocks"?

N�o, "Los Giants".

"Los Giants"? S� medem 50 cm.

Olhe, Luc. Se agora n�o tem vontade de falar, n�o precisa.

Mas dem�nios, por que fez isso? Posso saber?

Pelo col�gio n�o. O que te importa...

N�o creio tamb�m que foi por uma garota...

Foi por uma garota.

E quem �? Como se chama?

Carolina.

E o que aconteceu para tomar uma semelhante decis�o?

Penso que os homens de hoje...

Como falou?

Boa tarde, senhor.

Viu quantos jovenzinhos? Com a permiss�o da senhora, claro.

Oi, pai!

Oi!

Desculpe, papai. Na verdade, Carolina deveria dar esse beijo em Elpidio.

Era uma penit�ncia.

E resulta que a penit�ncia quem fez fui eu.

N�o � poss�vel. H� duas Carolinas?

N�o, n�o tem mais que uma Carolina.

Tudo � culpa de minha filha.

� terr�vel.

Meu Deus!

Senhora, eu pe�o. Anime-se.

Tem algu�m aqui? Em que posso ajud�-la?

Os sais...

Dentro da caixa.

Aqui. Respire fundo.

� gasolina!

Verdade, n�o tinha visto.

- Est� melhor senhora? - Sim, muito melhor.

- O que aconteceu? - A agulha...

Agora siga-me senhor engenheiro.

Vamos esclarecer as coisas.

- Est� bem. - � um absurdo.

Seu filho tentou se suicidar por culpa de minha Carolina?

- Eh, sim. - Eu n�o posso crer.

- O mesmo acontece comigo. - Mas conhece a minha filha?

- Sim, senhora, sim. - � terr�vel!

Sim?

Esta � Carolina?

Ol�.

Quanto tempo fazia que n�o nos v�amos? Aproximadamente 2 anos.

Sim, dois anos...

Diga-lhe.

N�o, diga-lhe voc�. Acho melhor.

O filho do Sr. Vicencini,

Luca... � terr�vel...

Diga-lhe voc�.

A noite passada tentou...

Suicidar-se. Por minha culpa?

Voc� sabia?

Eu lhe avisei para n�o fazer bobagens. Como est�?

Voc� sabia e n�o falou nada?

- Como � t�o m�? - Gra�as a Deus est� bem.

Cheguei a tempo de impedir-lhe.

Mas creio que sua m�e tem raz�o, em parte.

E o que deveria ter feito?

Deveria envergonhar-te.

Vamos.

Em primeiro lugar, n�o acreditei em nada.

E, veja, se eu lhe dissesse:

"Ama-me e foge comigo

ou me jogo pela janela."

O que faria voc�? Cederia � amea�a?

Basta por ora, Carolina.

Esse pobre rapaz... Quem sabe o quanto estar� sofrendo?

Na verdade, ser pai e m�e � um grande problema.

E tenho que enfrent�-lo sozinha desde que aquele tratante me deixou.

Que tratante?

Meu marido.

- Senhora... - At� a vista.

Espero que me desculpe, eu fui muito antip�tica.

Esquecido.

Tamb�m, foi bastante h� dois anos, verdade?

N�o, ao contr�rio...

Fazia de prop�sito porque era feia.

T�pico caso de agressividade provocada por excessiva timidez.

Voc� me...

Eu o qu�?

N�o quero o seu filho. N�o me interessam os garotos como Luca.

De resto, Luca � vol�vel e logo ver�, dentro de dois dias estar� enamorado de outra.

Agora sei com quem voc� se parece.

Sabe que estudo Bellas Artes?

Muito bem.

E a quem lhe pare�o?

De perfil, sobretudo.

A Guidarello Guidarelli.

Quem �? Talvez um namorado seu?

N�o sabe quem � Guidarello Guidarelli?

Tontinha. � claro que eu sei.

Bem, at� a vista.

E desculpe-me. Adeus.

Guidarello Guidarelli...

"Guidarello Guidarelli, homem de armas de Ravena

"cujo monumento na Academia de Bellas Artes

"� objeto das paix�es rom�nticas de mulheres de todo o mundo,

"que muitas vezes depositam sobre ele flores...

"e beijos."

Stifer. Que � isso?

Stifer! Solte. Deixa-me ver.

Veja quem eu achei.

- Deixa-me ver tamb�m. - Espere um pouco.

- Onde est� o telefone? - Atr�s da porta.

- � uma mulher? - N�o. � um homem de cuecas.

Como?

Sabe que eu lhe imaginava muito melhor de cuecas?

- Quem �? - Adivinhe.

- Quem est� a�? - N�o me reconhece?

Quem �?

Se me perdoa, eu digo quem sou e como lhe vejo.

Quem est� no telefone?

Perdoada? Sou Carolina.

Mas onde est�s?

Estamos na casa de um amigo de Academia.

Estudamos e de vez em quando fazemos um pouco de espionagem.

� muito divertido.

E como pode me ver? Onde est�?

A dois quil�metros, na via de Conque d'Or.

O amigo que me trouxe vai ficar aqui

essa noite e terei de voltar a p�.

Idiota! N�o, n�o � voc�.

Se apertar o passo, quando sair do trabalho, me leva?

N�o sei. Tenho muito o que fazer. Temo que n�o ser� poss�vel.

Que l�stima. De qualquer modo, se resolve aparecer,

�s cinco horas estarei aqui, diante do posto de gasolina Esso.

Sem compromisso, mas ficaria muito feliz.

- Adeus. - At�.

Meu tenente!

Agora se diz "meu coronel". Vamos, esse truque � velho.

Francesco. Mas � poss�vel que n�o me reconhe�a?

Quem �s?

Tazio Menichelli, 6� Companhia, terceiro pelot�o.

Frente Lucio, Setor do Don.

Tazio!

Francesco!

Tazio!

Onde est�? Estou perdido!

Onde est�? Me ouve?

Te ou�o, mas n�o te vejo.

Estou aqui!

Francesco, ol�!

Tazio, � voc�!

Mas pareces...

Como estou? Muito envelhecido, n�?

Voc�, em contrapartida, � o mesmo. O que faz, la Voronoff?

Bonito carro. As coisas lhe v�o bem.

N�o quero que me interprete mal,

n�o venho te dar um abra�o, e sim te pedir um emprego.

O que aconteceu?

Uma trag�dia, Francesco. Uma cat�strofe...

Eu vou lhe contar tudo.

Melhor outro dia, porque hoje tenho um pouco de pressa.

De toda forma, n�o sei o que dizer-lhe. Por ora n�o temos vagas.

A Presid�ncia est� em Mil�o. Que refer�ncia tem?

- Ex-combatente. - E quem n�o �?

N�o � t�o f�cil, Tazio.

N�o. N�o posso aceitar.

Tome. Para sobreviver. Falaremos outro dia.

Vem na quarta, n�o esque�a. E agora desculpa, tenho um encontro muito importante.

Uma noite dessas, jantamos juntos.

Francesco! O cachecol!

- Adeus. - Desculpe.

"Detenha-se de uma vez" disse o Padre Santorelli.

"Trate de descobrir os belos aspectos da vida."

Se referia a isto, Padre Santorelli?

Creio que n�o.

Enfim. Vou ou n�o vou buscar Carolina?

- Venha. - Voc� me ligou?

- Uma pergunta. - � para a televis�o?

Diga-me apenas uma coisa. Vou ou n�o vou?

Aonde?

N�o importa. Responda.

Eu que sei! V� se voc� quiser.

N�o � da minha conta. Pois n�o vou.

Covarde!

Abre bem.

Aperta forte.

Com quem estuda russo, hein? Sempre pensando nos seus mercados.

Encontrou um professor?

Por que n�o toma li��es com a Condessa Irina Pietorovna?

Eu anoto o seu telefone.

Paga-lhe bem, para ver se assim acaba de liquidar a fatura.

N�o sei o que �, mas ningu�m me paga.

- N�o, o tonto ser� voc�. - Ah, voc� entendeu.

- Estou acostumado. - Que te chamem de tonto?

A ouvir falarem de boca fechada, imbecil.

Maldito seja, que feio estou! Mas o que voc� fez?

Aumentam os anos e diminuem os dentes.

Amanh� voltarei a coloc�-los.

Nos vemos amanh�.

- Adeus. - Adeus.

Oh, veja quem �!

Que coincid�ncia!

Vou � classe de desenho. � aqui mesmo.

Me acompanha? Venha.

Eu li que na Am�rica inventaram um alucin�geno para crian�as

um comprimido e a crian�a v� brinquedos, bonecas e alca�uz.

Assim fica quieto e n�o irrita ningu�m.

� piada, mas seria �til

para economizar o sal�rio da bab�.

Por que diz isto?

Ah, sim.. Algumas noites cuido de crian�as

e algumas vezes volto para casa muito tarde.

Escuta-me, jovenzinha. N�o tenho inten��o de...

N�o esperava isso de voc�. � desses homens am�veis que ficam ao lado da mulher.

� muito bonito, mas uma rel�quia...

E as mulheres de hoje preferem homens sem preconceitos.

Bem... At� a vista.

E Luca como est�? N�o veio buscar-me no outro dia.

Faz o favor de ir para sua classe, entende?

Por que fala com a boca torta?

Est� raivoso?

Era para dizer algo.

Voc� poderia buscar-me uma noite em que for cuidar de crian�as?

Escuta-me, jovenzinha.

Quer fazer o favor de deixar-me em paz?

Disse que pare�o Guidarello. Bem, pois olha isto.

V�? Dois dentes!

Claro, os anos aumentam e os dentes diminuem, isso todo mundo sabe.

Fale o que quiser, que sou antiquado, que s� penso em minha fam�lia e no trabalho.

Sou feliz assim.

Eu vivo para ganhar dinheiro, sou um homem comum

e n�o desejo deixar de s�-lo.

E muito menos de ficar brincando. Est� claro?

Se quisesse cometer uma loucura,

n�o seria precisamente com uma intelectual chatinha como voc�.

E quem quiser ouvir, que ou�a.

Eu n�o fiz nada de mal para voc�.

Se tirasse a cabe�a enxergaria melhor!

Voc� est� louco.

Uma e meia e esse sem vergonha n�o voltou para casa.

Eu disse claramente: "Luca, hoje � noite n�o sai. Basta".

E ele saiu.

Quero ser obedecido nessa casa, est� claro?

Querido, acalma-te. N�o deve trat�-lo assim.

- S�o jovens. - Estou de saco cheio destes jovens!

N�o os entendo. E tampouco quero entender.

Que querem de mim, essas crian�as?

E eu que sei...

Teve um mal dia? Foi ao dentista?

N�o tem nada a ver com o dentista.

Al�?

Desligaram.

Hoje j� foram duas ou tr�s vezes.

Anda, entra na cama.

Deite-se, vamos.

Est� bem.

Desculpe-me.

E como fico perante Luca? Vou passar por bobo, n�o �?

Valha-me Deus. Que nervoso est� esta noite meu tigrezinho.

Amanh� eu falo para Luca que chegou em casa mais tarde que ele,

e o que tem de fazer � fingir

que n�o saiu de casa.

Isto te parece digno?

Vamos, amor...

- � Luca. - Papai!

N�o, ele ainda n�o voltou. Voc� teve sorte.

- Posso entrar? - Para qu�?

Um minuto.

Est� bem, entre.

Por voc� eu direi uma mentira. Direi que saiu.

Mas deve ter vergonha. E espero que esta seja a �ltima vez.

- E agora vai para a cama. - Faz uma semana que

papai sabia que hoje eu tinha uma uma festa na casa de Simonetta.

Eu lhe disse. E ele havia me dado permiss�o.

Por que de repente me proibiu de sair e ainda me deu um tapa?

Ser� que est� louco?

N�o permito que fale isso.

Tem estado um pouco nervoso por causa do trabalho.

Estava tamb�m na festa a garota que voc� gostava?

Como se chama?

Carolina.

N�o, n�o estava. Ademais, n�o tenho mais gosto por ela.

Adeus, mam�e.

Boa noite.

Quero dizer outra coisa sobre papai.

Amanh� falaremos dele, Luca. Est� muito tarde. Deite-se.

Me d�i, mas meus amigos tem pais mais inteligentes que ele.

Quero dizer, mais tolerante, mais em dia, mais atualizado.

Por exemplo, sobre nosso jeito de vestir. Ele n�o faz outra coisa a n�o ser criticar.

"Olha como anda por a�." "Veja se corta o cabelo."

"Com esse pul�ver parece isto." "Com essas cal�as, aquilo"

Como se n�o soub�ssemos como eles se vestiam na nossa idade.

"Juventude, juventude... "

E � o suficiente. V� para a cama.

Ademais, est� a ponto de chover.

Estamos em baixo do teto.

Enfim, boa noite.

Boa noite.

Desculpe, mam�e.

Eu pensei melhor. N�o quero que mintas por minha causa.

Diga-lhe que sai e que voltei para casa nessa hora.

Devo raciocinar contra o medo.

N�o quero ser submetido por sua personalidade como todos os que dependem dele.

Por que n�o me escuta?

Que me castigue, se quiser. Sou respons�vel por meus atos.

- E ele deve ser dos seus. - Est� bem. Agora � hora de deitar-se.

- Boa noite, mam�e. - Boa noite, filho.

Estive mais de uma ano no Don, nas estepes dos Kalmouks,

e naturalmente me relacionei com a popula��o local.

Por isso, tenho certa no��o de russo.

Bem, diga alguma coisa. Fale.

E ent�o?

Acha que isso significa saber russo?

Voc� falou: "Eu te dou um cigarrinho e voc� me d� um beijo"

"Eu te dou um p�o e voc� me apresenta a tua irm�"

"Como voc� tem as carnes t�o pretas!"

"Me deixe que chega o seu pai."

Esse n�o � o russo do nosso grande Pouchkine,

mas frases sem sentido.

- Veja voc�... - Posso?

Bom dia, Condessa. Estou atrasada?

Voc� � Carolina?

- Sim. - Muito bonita.

Que coincid�ncia!

Sente-se, senhorita. Sempre junto os meus alunos.

Facilita o meu trabalho,

j� que que n�o tenho muito tempo.

Senhor, n�o quer tirar o casaco?

N�o, obrigado, sinto um pouco de frio.

Eu n�o sinto o frio que voc�s falam.

Nunca ligo o aquecedor.

Roma � uma cidade caloros�ssima.

N�o vinha aqui desde meus anos de estudante,

quando tinha sol e quando n�o, mas tinha exame de grego..

Voc� voltou para a casa daquele amigo do telesc�pio?

Oh, azeitonas! Compra algumas para mim, por favor?

� o mesmo simp�tico homenzinho de antes.

N�o somos t�o velhos. D�-me 100 liras, Ant�nio.

Eu n�o sou Antonio, sou seu filho.

At� eu �s vezes me sinto velha.

Dizem que... enquanto se pensa no passado � quando come�a a envelhecer.

E eu �s vezes penso no passado.

Vamos ouvir um pouco desse passado seu.

Pois,

�s vezes penso em velhas can��es, em velhos filmes...

Coisas como "Divorcio a la italiana",

na viajem de Gagarin, no rock'n'roll...

- Bravo! - Grandalh�o!

Veja onde aquele bastardo colocou isso?

Afinal acabou se tornando um assunto chato, n�o �?

Mudando de assunto, um homem como voc�, em sua idade e sua posi��o...

Sabe Deus as coisas misteriosas e estranhas que nasceram em sua cabe�a.

Nunca traiu sua mulher?

� uma pergunta.

N�o responde que sim porque n�o quer parecer um c�nico.

E n�o diz que n�o, porque n�o passar por ing�nuo.

Ficou chateado?

- N�o. - Brincadeira.

Mas n�o muito.

N�o poderia ser mais?

Mais o qu�?

Mais doce?

Assim?

� sedutor.

Como disse?

� um encanto, Francesco.

- Mas o que falas? - Estou dizendo que te amo.

E te quis no minuto seguinte do primeiro dia em que te vi.

Em 27 de fevereiro de 1965.

Entende agora?

Ol�, Luca.

Que fazes aqui agora? Deveria estar na classe.

N�o me fa�as rir, papai.

Entendido?

Com licen�a, um momento.

Luca, espera. Preciso falar com voc�.

Desculpe, garota. Se incomoda?

- Me telefona? - Sim, sim, claro. Anda, adeus.

Escuta, Luca. Eu reconhe�o que as apar�ncias me acusam.

Por que te justifica? N�o � necess�rio, papai.

Eu me justifico? E por que deveria faz�-lo?

Colocou os sapatos que comprei na Inglaterra, hein pilantra!

Bem, escuta-me.

Voc� j� � um homem, eu sou um homem.

E deve concordar que tudo isso fique entre n�s, os homens.

Foi uma molecagem inocente. E ponto final.

Inocente? Com Carolina? Voc� seria o primeiro, papai.

Que quer dizer com isso?

N�o estaria com ci�mes n�o �?

- Como podes? - A mim, Carolina j� n�o interessa mais.

Ent�o voc� deve confiar em mim. Carolina dorme com todo mundo...

sem pensar duas vezes.

Pergunta ao Chirico, o professor de gin�sio, para Ugolino, para Rod.

Pergunta a...

Carolina dorme com todo mundo sem pensar duas vezes.

2000 liras, est� bem?

Sim, suba.

Ol�. A senhorita Carolina?

Um amigo. Obrigado.

- Mil�o, senhor. Atende? - N�o, estou falando com Genebra.

Oi, Carolina. Como est�?

O que voc� queria?

Sim, fui eu quem te liguei. O que queria falar?

Olhe menina... Carolina,

gostaria de falar com voc�... s� um momento.

N�o, nada importante, mas...

como tenho muitas coisas para fazer, eu pensei que logo o melhor � me esquecer.

E eu me disse...

N�o, n�o. Luca n�o tem nada a ver com o assunto.

Repito, n�o � nada importante. � uma bobagem.

�s cinco?

N�o sei se posso a essa hora. Sim, sim, posso. Aonde?

Um est�dio? Piazza Navona, 1,7...

1,7,9. Claro que encontrarei.

Francesco! Vai para a cidade?

- Anda, sobe. - Me deixe no ponto de �nibus.

Tem novidade na minha coloca��o? Ainda que seja um emprego modesto.

Preciso trabalhar.

N�o sabes que era contador dos estaleiros de Sestri?

300 mil liras mensais, mulher, filhos, apartamento, carro. Que mais poderia querer?

- Mas eu me deixei arrastar.. - Espionagem?

N�o, pudera... Uma desalmada.

Wilma, se chamava.

Entende? 23 anos.

Bonita, sensual... Abandonei a fam�lia.

Me sentia um garoto.

Depois se mostrou como era... Desgostos, enganos...

Bebia desde que come�ava o dia. Me fez comprar-lhe joias.

E eu fui assinado promiss�rias, e logo...

O esc�ndalo e a demiss�o.

Faz dez meses que n�o vejo a minha mulher e a minha filha.

Veja, aqui a tenho.

Quem �? Sua filha?

N�o, Wilma. Maldita!

Veja o que fa�o para ver que eu a arranquei do cora��o.

E voc� esperou at� agora para arranc�-la do cora��o.

Fala s�rio, T�cio.

Eu vou te dar uma m�o. Mas desta vez a cabe�a no seu lugar!

Eu prometo.

Saia, Tazio, vamos. Aqui est� o ponto de �nibus.

N�s choramos de rir.

Mas, na sua idade, como pode ir com minissaia?

Diga a verdade, a verdade...

- Carolina? - Aqui.

Bonito lugar.

� um armaz�m de sucata?

� o est�dio do meu professor, o escultor Rivueltas.

Est� fora para uma exposi��o.

E onde exp�e, numa loja de cer�mica?

Refinado, hein, esse tal de Rivueltas.

O nascimento de V�nus. Magn�fico...

Eu sou tolerante. Aberto a toda classe de inova��es.

"Up to date".

Se as novas gera��es n�o desmancharem de vez em quando o mundo dos velhos,

ainda estar�amos no paleol�tico.

N�o se mexa.

E, at�, admito qualquer renova��o. Nos costumes.

E n�o nego que, diante minha falta de preconceitos,

n�o deixaria de cercar-me das novas problem�ticas sexuais.

De modo que me disse: "Francesco, o que sabe voc�?"

Pequeno tubo!

"Voc� que gosta de aprofundar nessa Carolina que � t�o simp�tica..."

Porque me �s simp�tica.

"Que sabe dela?"

Como voc� �, Carolina? Quais s�o os seus sonhos?

N�o te movas. Quieto.

Tem paix�es? Aspira��es?

Qual a sua personalidade?

Quer saber se na minha vida j� houve algum homem.

Quatro.

Quatro?

O que quer dize, quatro?

Quatro.

Perfeitamente normal.

- Quatro homens. - Quieto.

E quem foram esses Don Juans pilantras?

N�o s�o pilantras. O primeiro tinha 30 anos.

E como se chamava?

Mas para que queres saber? Raimondo.

Ah, Raimondo. E os demais?

- N�o est� com ci�mes, est�? - Eu, ci�mes?

Mas que bobagem...

Depois Giulio, Ugolino...

e o americano Rod. E s�.

E Chirico?

Sabia que na Su��a as mulheres n�o tem direito a voto?

Eu estou falando do professor de gin�stica.

E eu mudei de assunto porque percebi que � um hip�crita.

Hip�crita? N�o me importa nada, mas n�o quero passar por ing�nuo.

- Ing�nuo? Duas caras, sim! - Olha a santinha!

Tem apenas 20 anos e est� como uma Messalina...

- A� est�. Apareceu por fim o italiano. - Sim, sou italiano.

O que disse te deixou maluco, mas tem uma vontade louca de entrar no jogo.

Eu? N�o se preocupe.

Desculpe, n�o entendo. Em que jogo?

- N�o entende? - N�o, na verdade.

� mesmo?

Que faz agora?

Vai tomar banho vestida?

Bem, n�o te cair� mal uma ducha.

Uma ducha fria.

E lave tamb�m a consci�ncia, de passagem.

O qu�?

Ent�o n�o era um vestido? Estava pintada?

N�o tem vergonhas?

N�o, e voc�?

Sim, eu tenho vergonha. E vou.

Pois v�. O que espera?

Claro que vou. Esteja segura disso.

E vou para sempre.

Entendeu?

"Voc� perde tudo assim, perde tudo.."

Sim, sim!!

Sou italiano!!

M�e, que coisa.

Saia da�.

N�o, n�o veio ainda.

- Bom dia. - Tudo pronto?

Sim, tirei os sapatos e deixei em seu escrit�rio,

enviei as flores...

V� direto ao ponto!

De tamanho grande!

18h sauna, massagem, manicure...

Muita atividade, n�?

Ol�, Malaspina.

E consertou o controle el�trico da garagem?

Sim, eu desmontei e me deu um choque.

Paci�ncia, deve trabalhar, Tazio.

E corta o cabelo, est� muito grande. E n�o comas durante o trabalho.

Mas quando?

Amedeo Atanasio, administrador parmesano.

- Meu amigo. - Emin�ncia.

Gianni Renzi Morassutti,

Presidente da Stifer de Roma e da Mayer de Mil�o.

Francesco Vincenzini,

diretor geral e administrador delegado da Stifer.

Realmente muito jovem.

Levante-se.

Quisera pudesse, Emin�ncia...

N�o � devo��o, � artrose.

Seria bom um milagre.

Giorgio Bianchini, conselheiro delegado da Ferti de Turim,

e administrador do "L'immobili�re" de Cuneo.

Al�.

Oi, querida.

J� est� no mundo dos sonhos?

Sim...

Estava dormindo.

Desculpe.

Faria tudo para ser esse telefone que tem em seus l�bios.

� uma interfer�ncia?

N�o, sou eu, querida.

Sou eu que te mando beijinhos.

Voc� sabe quanto tempo falta para nos vermos novamente?

17 horas.

Bom, desconta as oito horas que dormimos.

- Sim, claro. - Boa noite.

Boa noite.

Boa noite, tesouro.

Boa noite.

Que dor de cabe�a tenho, � como um martelo pneum�tico.

J� tomei tr�s aspirinas.

Que cansa�o...

Artrose, palpita��es,

enxaqueca...

� o trabalho, que mata a todos os chefes de empresa.

Muitas vezes me digo: "Francesco, at� onde vai?"

"Detenha-se de uma vez, desgra�ado!"

Desligo a m�sica e ponho o vibrador?

Sim, eu te agradecerei.

De vez em quando, � preciso renovar algo em n�s.

Talvez fosse bom se voltasse a apaixonar-se.

Mas o que fala?

Abandonar tudo. Mudar de vida durante uns dias.

Um pouco de tempo e depois tudo ser� diferente.

Quem dera fosse verdade.

Uma viagenzinha. � o que est� faltando.

Visitar um lugar

bonito e divertido,

onde uma mulher possa fazer compras

e usar conjuntos sensuais.

Um pouco de ar puro, esquiar,

restaurantes da moda, boates noturnas...

Um pouco de despreocupa��o.

Afinal, a vida � breve, n�o?

Saia do caminho!

Espera!

Al�?

Dr. Oscar. O patr�o no telefone, de Li�ge.

Ol�, papai.

Oscar? Oi, querido genro.

Rapaz, rio para n�o chorar.

Trabalhar com estes metal�rgicos belgas � cansativo.

Dez horas de discuss�o todo dia. � assustador, eu te asseguro.

Como? Sim, contava regressar amanh�,

mas n�o acho que seja poss�vel.

N�o se esque�a que na quarta chega a Roma o comiss�rio sovi�tico e seus colaboradores.

Certo, n�o se preocupe.

Fique tranquilo, eu chegarei a a Roma �s 11h45

e o avi�o dos russos chega de Praga �s 12h00.

Tenho tempo.

Que � isso? Uma interfer�ncia?

O presidente telefonou de Mil�o.

- Elp�dio, sirva o caf� aqui. - Sim.

Mam�e! Quer falar com voc�.

Como? Quem �?

Ol�, querido. Como vai?

Nada de ar puro e sal�es de festas, como querias.

Este congresso � uma aut�ntica maratona, uma condena��o.

Como? Estas vozes? Os delegados, que discutem animadamente.

Como est�o todos em casa? Bem?

Luisella... Carlino, Luca?

Minha dor de cabe�a? Nem me fales.

Francesco, est� resfriado?

Por que, querida? Tenho a voz anasalada?

D� beijos em todos por mim.

Sonho em voltar. Se soubesses quanto sinto sua falta.

Me sinto s�, francamente.

N�o fique cansado em demasia. Volte logo.

Aqui � Dino Michelotti, de Cortina d'Ampezzo.

Estamos no 'Gato Verde', um local atualmente na moda.

Pen�ltima parada nesta r�pida passada pelos clubes.

Pobre papai, n�o para de trabalhar.

Oscar!

Necessita tanto descansar...

Vou tentar falar com o presidente, quando vier a Roma.

O que foi, mam�e?

Nada. Por qu�?

Pare!

Lembrem-se que a boa sociedade de Roma vir� nos assistir.

Somos pobres f�s, n�o f�s pobres.

Um pouco mais de gra�a!

Tem certeza de que era ele? Assito t�o pouco a televis�o.

Eu o vi muito bem, em Cortina.

Agarrado a uma rameira qualquer.

Deve ser uma aventura ocasional. Fa�a vista grossa.

N�o. � uma coisa premeditada.

De repente, caiu-me o v�u dos olhos.

Nos �ltimos tempos nunca estava na f�brica.

E ao deitar, sempre tinha dor de cabe�a.

"Boa noite" e dormia.

E logo, os sinais telef�nicos.

Que sinais?

Na hora do almo�o.

Pode acompanhar-me ao antiqu�rio Retalcati l� pelas sete horas?

� uma c�moda 'Early American', sublime.

E pensar que os americanos desprezam o 'Early American'.

- �s sete? Com certeza. - �timo.

Al�.

Al�.

Elp�dio! Quem �?

N�o sei, senhora. Desligou.

�s sete n�o ser� poss�vel, querida.

Sinto, mas as sete tenho uma reuni�o no Minist�rio do Trabalho.

Mas �s sete trabalham no Minist�rio?

Claro. Se n�o, que tipo de Minist�rio seria?

Vamos, Esp�ria. Posso lhe dar um conselho?

Em assuntos de trai��o, poderia ter doutorado.

- Finge nada saber. - Que?

Qual � o papel mais dif�cil para um homem que tem uma amante?

Encontrar coragem de dizer � sua mulher: "Eu sinto, quero a outra. Adeus."

No fundo, espera que sua mulher lhe facilite as coisas

fazendo uma cena dram�tica.

Assim s� tem que dizer "Pois sim". Desaparece e n�o o voltas a ver.

Nunca lhe d� ocasi�o de admitir.

Eu cometi esse erro com Luciano.

Se me tivesse calado...

Boba que sou. A estas horas ainda o teria debaixo do me sapato.

Pinetta, � a sua vez!

Condessa!

Finge nada saber, querida. Evitar�s a cat�strofe e ver�s como isso n�o d� em nada.

Senhora Vincenzini, n�o fa�a cara de funeral.

A� est�. S�o eles.

Agora chega Malaspina. E o sr. Engeniero?

Eu esperei, mas no voo 218 n�o estava o Sr. Vincenzini.

Que fazemos? Em russo s� sei dizer 'vodka'.

Bem vindos.

Apresento o Sr. Malaspina.

� uma grande honra...

O comiss�rio est� perguntando pelo Sr. Vincenzini que fala russo.

Parados. Sorriam, por favor.

Bem. Muito obrigado.

Quando estar�o prontas?

No s�bado.

Como no s�bado? Que dia � hoje?

Quinta-feira.

Quinta?

O que foi?

Al�.

Oi, Carolina est�? � Liliana.

Um momento, por favor.

O sr. Vincenzini.

Ol�.

Voc� � t�o louco!

Acabamos de chegar e j� me telefonou sete vezes.

O que estava fazendo?

Tomando banho.

Como gostaria estar debaixo do mesmo jato d'�gua...

Que momentos... lembra-se?

� dif�cil para mim voltar as coisas normais de todo dia.

Tudo me � estranho.

Tudo. Os russos, a f�brica,

at� a fam�lia.

Meus olhos seguem vendo, toda hora, a imagem dos seus gestos.

Ainda me parece sentir seu perfume.

E me lembro agora daquele refr�o...

Sim, o que tocavam em Cortina.

Claro, assim �, Roberto Gallotti.

Sim, Tazio tinha certeza de estar sozinho,

todavia, eu ouvi toda a conversa, do princ�pio ao fim.

At� essa can��o francesa, cantou o idiota.

De modo que eu lhe disse:

"Escuta... se te humilhas dessa forma perante essa mulher,

"logo chorar� pelo nariz, como um urso."

Viu como tenho raz�o, Roberto?

Como est� a minha pr�tese? Bem, alguns inconvenientes.

Com o frio. Mas me acostumarei.

Adeus, coelho.

Adeus, Roberto Gallotti.

Estava ouvindo?

Tazio Menichelli. E se visses que mulher...

Eu a vi numa foto.

Tazio mostrou seu retrato. Uma pequena com uma peruca avermelhada.

E se o ouvisses... Diz que est� loucamente apaixonado.

E que corta as veias com uma l�mina por essa mulher, numa atitude impensada.

Tazio Menichelli, sim.

O que foi? N�o acredita no que disse?

Por que n�o haveria de acreditar?

Naturalmente que sim.

Caroli... Esp�ria...

Percebo certa ironia em suas palavras, n�o acha que falava com meu dentista?

Com qual outra pessoa estaria a conversar? Francesco...

Mas como podes pensar que duvidava de ti?

Est� claro que acredito.

S� faltava.

- Que faz aqui? Saia. - Espera, papai...

Ao col�gio, ao inv�s de mexer no cabelo o dia todo.

- Ao col�gio num domingo? - Sempre com uma resposta pronta.

Oh, Virgem! Meus selos de Saint-Marin!

Senhora, n�o fique assim.

Acabar� me fazendo chorar tamb�m.

Claro. Voc� tem a sua mulher, seu trabalho,

e eu deveria estar em casa o dia todo fazendo bordado,

esperando que chegue o meu venerado sult�o.

Mesmo no domingo...

porque o bom pai passa todos os domingos com a fam�lia.

H� algo que n�o quer compreender.

Eu quase prefiro que n�o force a situa��o com tua mulher,

pois antes cedo do que tarde, isto h� de terminar.

Melhor acabarmos o quanto antes.

Temos toda a vida diante de n�s. Eu pelo menos.

Oh, n�o. N�o penso...

Sr. Vincenzini, quer algo mais?

Sim, um pouco de queijo.

Depois do sorvete de morango?

Sim, Pellegrino.

Depois do sorvete de morango.

N�o penso em deix�-la, Carolina.

- N�o tenho inten��o. - Me machucas.

Compreende?

Querida...

Olha-me.

Eu estou olhando.

Mas... sorria-me.

Assim est� melhor.

Desculpe, tenho que fazer uma chamada para a f�brica. Quase n�o apare�o por l�,

e � por tua culpa.

Vamos. Deixem de elogios.

- Aqui se come muito bem. - Se voc� fala...

Querido presidente, como est�?

Desde ontem estou te procurando.

Como sabias que estava aqui?

N�o sabia, mas me disse que aqui come-se bem.

Sim, � �nico.

J� almo�ou?

N�o, acabo de chegar. Vamos sentar, por favor. Tomemos esta mesa.

Pellegrino! Agora tens que demonstrar seu valor.

Cuide bem desses clientes.

- Eu comerei com eles. - Entendido.

Grande cozinheiro.

Como o seu encontro com a delega��o sovi�tica foi por �gua abaixo?

Como foi?

O avi�o � mais r�pido que o trem, mas n�o � t�o pontual.

48 minutos de atraso, meu avi�o de Paris.

- Voc� fez uma conquista, Francesco. - H�?

Aquela garota ali n�o faz nada mais que olhar-te.

Olha voc�... Que � isso...

Nosso Giannino sempre foi terr�vel com as mulheres.

Essa quer flertar, desde j�. Vejam como olha..

Tem um rosto bonito de baladeira.

N�o, n�o me parece...

Bem, como dizia...

Nem sempre o atraso de um avi�o causa preju�zos.

Enquanto isso, recebi uma proposta da Rom�nia.

E sabe as vantagens que podemos conseguir.

Entre a Rom�nia e a URSS existe certa tens�o, e podemos...

O que dizia voc�?

Eu continuo tendo confian�a em voc� como sempre,

porque estou convencido de que a merece.

Mas temos que nos defender

com unhas e dentes.

Claro.

- Me escutas ou n�o? - Claro.

Veja.

N�o demoraram para se acertar.

P�e-me vinho, Francesco.

Um garota que sai com um tipo como esse, certamente n�o o faz por dinheiro

mas por puro v�cio. S�o as que gosto mais.

Mas o que faz, Francesco?

Sou um distra�do.

Quer que fa�a por escrito?

Falo que n�o sei quem era aquele homem de barba. Est� claro?

Falamos um pouco, tomamos caf� e cada um seguiu seu rumo.

Que esc�ndalo!

M�e, que noite.

Estou farta.

Essas palavras s�o duras, Carolina.

Todo o dia em cima miando. V�o-se, gatos asquerosos!

Se queres tanto que uma mulher seja s� sua, voc� deve ser s� para ela.

E n�o deix�-la sozinha em uma mesa como uma qualquer. Entendido?

Oh, n�o digas isso.

Era o presidente. Me procurava desse ontem. Eu n�o podia...

Eu serei franca.

Finalmente. N�o pe�o outra coisa.

Estou ouvindo.

Eu gostei de voc� porque acreditava que era um tigre.

Mas sabe o que �s?

Um gato caseiro, � o que �.

Prudente, ajuizado, tedioso...

Resumindo em uma palavra.

- Eu? - Sim.

� irreproch�vel. Usa fixador no cabelo e tamb�m nas ideais.

Que voc�...

Ademais, � comendador.

� um t�tulo honor�fico. E aos meus funcion�rios os pro�bo

que me chamem assim.

Mas parece que isso � uma falta. E, ainda que fosse...

Eu n�o te amo, est� bem?

Olhe, Carolina...

N�o. Deixe-me, eu tendo.

Al�

Al�!

Al�.

Ol�.

� voc�?

Que bobo.

Mas claro.

A que hora?

De acordo. Adeus.

Quem era?

Algu�m.

Muito bem, farei o que quiser.

Tomarei uma decis�o.

N�o est� contente?

N�o era o que queria?

Falarei com minha mulher.

E depois?

Como depois?

Deixarei a minha fam�lia. Viveremos juntos.

Quando come�amos?

Quando seja poss�vel.

Em seguida, se quiser. N�o tem mais que decidir.

- Meu amor. - Deixa-me escutar.

N�o fa�a essas coisas de velho.

Esp�ria, escuta-me. Tenho que falar contigo.

Quando parecia que mais nada podia mudar

o curso da nossa vida em comum,

aconteceu algo imprevis�vel. Algo que o Padre Santorelli n�o aprovaria,

mas que sem embargo poderia tirar de de ti, o horr�vel... sensus finis.

Explicarei o que � mais tarde.

Sim, Esp�ria.

Se a carne imp�s a sua raz�o sobre a raz�o,

n�o admito que a hipocrisia prevale�a sobre a lealdade.

Por tanto, devo dizer-te, querida Esp�ria,

ainda que me custe.. ainda que me humilhe e te machuque,

devo dizer-te que desejo outra mulher.

Sim, deveria dizer-te. Mas que lhe dize? Tu?

N�o me fa�a rir...

E onde vai encontrar a coragem para tanto?

Mas, todavia, deve sab�-lo.

Mas � poss�vel que n�o exista um jeito de ser feliz?

Bastaria, com t�o pouco...

Filhos, uma grande noticia. Vosso pai arrumou uma namorada!

- Oh, papai! - Parab�ns.

� t�o legal! Obrigado a todos. Bravo, papai!

Parab�ns. Voc� vai nos mostrar.

Oh, Esp�ria! Minha boa, minha doce Esp�ria!

- Boa tarde, senhor. - Boa tarde, Elpidio.

Ol�, querida.

Chegou o correio?

Um cart�o postal dos Massetti de Honolulu,

o aviso do telefone e o folheto de an�ncios.

- Nada mais? - N�o, por qu�?

N�o, � um erro grave. Eu n�o posso.

E n�o devo.

Escuta-me, Carolina, depois de pensar,

n�o tenho o direito de ferir minha mulher e destruir minha fam�lia.

Tem que escolher. Ou n�s ou eles.

� dizer... ou eu ou voc�... digo, ou eles.

Est� claro, n�o?

As rela��es seguem como est�o, e teremos que deix�-las.

Uso as tuas mesmas palavras.

Exatamente as tuas mesmas palavras.

Este assunto nosso � algo que tarde o cedo h� de terminar.

Portanto...

� melhor acabarmos o quanto antes.

Temos toda a vida diante de n�s.

Certo?

Que responde a isso?

Que devo decidir?

Est� de acordo?

Completamente.

Adeus, Francesco.

N�o era isso que querias?

Sim, claro.

Pois est�s feliz.

N�o!

Como n�o? N�o pensa em segui-la...

Posso ao menos telefonar?

Que falta de dignidade.

Se tanto lhe interessar, ser� ela quem deve pensar e voltar atr�s.

Parado. N�o se mexa.

N�o, ela n�o voltar�.

E o que te importa?

Nada lhe faz voltar atr�s.

N�o sejas est�pido. Fique aqui.

Concordo, sou um est�pido. Carolina!

Espera!

Ei, forasteiro!

Eu, em teu lugar, deixaria a Carolina em paz.

Entendeu? Sen�o te converterei numa peneira.

Armando!

Outra vez com essas! Deixa de importunar as pessoas.

Perdoe-o.

V� para casa, quando voltar,

seu pai ver� o que � bom...

Ol�, sou Liliana. A Carolina est�?

Sou eu.

Ah, � voc�?

Tenho que ver-te. Ainda que apenas cinco minutos.

N�o digas que n�o ou fa�o uma insensatez.

Onde?

Est� bem.

Sim.

Mas como fala que os chineses n�o te d�o medo?

Eles s�o pequenos, com um metro de altura.

Mas s�o 600 milh�es.

Que � o mesmo que 300 milh�es de homens com 2 metros.

Oh, meu Deus.

Pe�o que perdoe o engano, Sr. Vincenzini,

mas era necess�rio.

Ent�o voc� sabia de tudo. Carolina lhe disse?

N�o. O cora��o de uma m�e n�o se engana.

E minha filha outra noite falou de voc� em sonhos.

E o que disse?

"Francesco, n�o me incomode mais"

- Veja. - Sim.

De modo que disse isso...

Enquanto dormia. Voc� � inteligente e deve compreender.

� t�o jovenzinha ainda, minha Carolina...

Isso, e eu sou velho, n�o?

Eu n�o falei isso.

N�o pense que eu tamb�m seja cruel.

Sofres? Eu n�o posso ver ningu�m sofrer.

Quero dizer que o compreendo,

mas deve raciocinar. Tem mulher e filhos...

- � uma loucura. - Sim, uma loucura.

Pior ainda, � uma enfermidade.

Estou gravemente enfermo.

- Senhora... - Sim.

Voc� disse que n�o quer ver ningu�m sofrer.

Ent�o fale com Carolina. Trate de convenc�-la.

Talvez pense melhor.

V� como estou me humilhando?

Por favor, diga-lhe.

Sabe como me chamam os meus empregados?

N�o.

Agora, senhora...

O tigre est� chorando.

O tigre?

N�o...

Sou eu, o tigre.

Francesco... Permite que lhe chame Francesco?

Minha Carolina n�o � para voc�. Esque�a-a.

- A juventude � cruel. - Isso � verdade.

N�s, todavia, somos bons. Nos compreendemos.

Tire do seu cora��o a Carolina.

� melhor para todos n�s.

Tente, Francesco. Voc� � forte.

� forte. E eu sou tua amiga.

Francesco, eu pe�o. Trata de esquec�-la.

Francesco, voc� far�, n�o � verdade?

Voltas a estas horas?

Como diz? Quem volta?

Eu que volto?

Essa � boa! Estou levantando, querida.

N�o volto, nada disso.

Tenho que receber agora, no aeroporto...

os emirados do Oriente M�dio.

H� milh�es em jogo. N�o, n�o acendas a luz.

N�o � preciso.

J� vou, sen�o chegarei atrasado. Dorme, querida.

Tamb�m eu dormia t�o bem. Sonha com os anjos.

Adeus, querida.

Que dif�cil � a vida.

Adeus!

Venha, senhor Deputado.

Permita-me apresent�-lo meu Diretor Geral...

"Querido Francesco, volto para Mil�o.

"Te deixo estas linhas porque n�o consegui despertar-te.

"A amizade se baseia sobretudo na sinceridade.

"E eu n�o seria um amigo sincero

"se calasse que nos �ltimos tempos, tem causado a nossa empresa

"mais danos que a Crise de 1965.

"N�o serei, de qualquer modo, t�o injusto

"de n�o reconhecer teus muitos m�ritos passados

"e em virtude deles, me limito a aconselhar-te

"um largo per�odo de repouso longe da f�brica.

"Um abra�o, Giannino."

Que Judas!

Sa�da-lhes Ruggero Orlando falando de Nova York.

A cidade est� vivendo uma de suas jornadas memor�veis.

O engenheiro Francesco Vincenzini,

e o homem que com seu prodigioso talento,

conseguiu criar um dos mais fabulosos complexos industriais

da Europa e do mundo.

Que logrou erguer

audaciosas pontes comerciais entre o leste e o oeste.

O homem a quem principalmente deve

a sociedade o bem estar nos cinco continentes,

e, portanto, a salvaguarda da paz e da democracia.

Este homem din�mico, cortejado pelas mais belas mulheres,

porque como todo o mundo sabe, � bel�ssimo.

Mam�e, tenho fome!

Agora j� vem o papai.

Esse arcanjo do progresso e do amor

est� por fim aqui.

Chegou a Nova York...

S� pude comprar quatro.

Despois continuar� at� Washington, para ser h�spede do Presidente Johnson.

Ao ilustre personagem, foi atribu�da uma acolhida...

que permanecer� at� a volta.

Veja, voc� me deu o tal�o do estacionamento.

Fica tamb�m com o carro.

Bravo!

Nega agora se tens coragem!.

- Desavergonhada! - Papai!

E te atreves a...

Cachorro!

Vou te matar!

Solta!

Assim aprender�.

Quero trinta como voc�s.

N�o, Francesco!

Nos olhos n�o!

Vamos, filha.

Seu Fiat 500 a fez se apaixonar.

Tazio!

Quem �?

Permita-me.

Venha.

Sr. Tazio!

Agora tamb�m traz garotas a minha casa? Ir�o tirar a minha permiss�o.

N�o, est� errada, senhora.

A senhorita somente veio falar com meu amigo. Vai embora em seguida.

Acredite.

Veja quem est� aqui.

Vamos, desperta. N�o v�s quem �s?

Poderia ter avisado. �s um imbecil.

Dou-lhe essa agrad�vel surpresa e ainda me chama de imbecil.

Ou�a, em tua casa est� tudo arrumado.

Acham que est� em Terni e que voltas esta noite. Entendido?

Sim. Estou em Terni e volto esta noite.

N�o comeu nada.

Pensei que n�o voltaria a ver-te.

Tazio me encontrou por sorte. Estou quase indo.

Vais? Aonde?

A Paris. Curso de inverno da Academia de Bellas Artes.

Paris...

Bem. Boa viajem.

Francesco, tu me amas?

Voc� pergunta se te amo?

Claro que te amo. Eu...

Tazio, que fazes aqui? N�o tem mais o que fazer?

Poderias sair, n�o? Fora!

Desculpe. N�o quis incomodar.

Ent�o porque n�o vens comigo?

Como?

Se me quer, � o momento de demonstrar. Vem comigo.

E deveria abandonar a minha fam�lia.

Claro, irmos a Paris.

De verdade o deseja?

N�o � essa a primeira vez que falamos disso.

Como podes perguntar-me ainda se quero de verdade?

� um passo grave, Carolina.

Eu sei perfeitamente.

Se n�o est� disposto,

� porque para ti valho muito pouco.

N�o se preocupe, s� queria ver sua rea��o. Nada de Paris.

A verdade � que no m�s que vem caso com Raimondo Castelucci.

Quer ser testemunha?

Eu n�o pedi para vir.

Se veio para brincar, podes ir o quanto antes!

Claro que vou. Tinha a esperan�a de que pudesses ter mudado.

Mas n�o, voc� est� mais covarde ainda.

Cale-se!

N�o, meu amor! Perdoa-me!

Eu vim para ir comigo a Paris.

Tem raz�o.

V� embora, seu homem mau! Na verdade, n�o vou me casar.

Vamos, eu abandonarei tudo. Seremos felizes.

N�o importa nada, quero estar sempre contigo.

Agora sei que j� n�o me prendo.

Que ocorre? Monta a guarda para seu amigo, n�?

N�o deve dizer isso.

Eu provarei que n�o menti. Posso comprovar.

Muito bem. Esta � uma casa honrada, o que se acreditava!

Vou contar ao meu marido.

Que vergonha! Eu n�o creio que digo isso ao meu marido.

N�o quero isto na minha casa, n�o senhor.

Afrontar cara a cara a situa��o ser� muito penoso, Esp�ria,

e n�o tenho coragem.

Perdoa-me isso tamb�m.

Escolhi um caminho que percorrerei at� o final.

Adeus, Esp�ria.

Se voc� e os meninos n�o quiserem perdoar-me,

pe�o-lhes que pelo menos n�o me odeiem.

- Recolheu tudo? - Tudo.

Os calmantes, o anti�cido, tamp�es para os ouvidos, as vitaminas...

Eu esvaziei a caixa de rem�dios, mas apressa-te, que podem chegar os teus...

Sim, dem�nios.

Mas o que faz!

Anda!

Vamos.

Idiota!

Que faz? � o toca-discos!

Vai por aqui enquanto eu vou pelo outro lado.

Que m� sorte!

- Tazio! - Que?

Onde est�?

Que faz? Vamos, mexa-se.

Minha filha.

Por ali.

D�-me!

Anda, vamos, depressa!

Corre, Nunzio. Ladr�es!

P�e tudo no carro, vem o guarda.

N�o ocorre nada.

N�o se preocupe. N�o fa�as perguntas.

Isto � para voc�.

E esta carta, para minha mulher.

Entrega, mas n�o antes das nove. Compreendeu? N�o antes das nove

Certo?

- Compreendo, senhor. - Bem.

Compreendo perfeitamente.

Vamos embora!

Aten��o! O r�pido Mil�o-Paris est� pronto para sair pela via 1.

Est� certo?

De qu�?

De que n�o fa�o uma bobagem.

O que est� feito, est� feito.

Por favor, manda-me noticias dos meus, hein?

Se encontra um jeito de falar com Esp�ria,

explica-lhe tudo habilmente.

N�o, veja. Acho que � melhor que fales com Luca.

V� Luca de vez em quando, n�?

Pelo que sei, no futebol, no Piper Club.

Procura estar ao seu lado, por favor. Eu pe�o.

Em 14 de mar�o � o anivers�rio de Esp�ria.

Manda-lhe quatro dezenas de rosas.

Baccarat s�o as suas preferidas.

Sem cart�o. Talvez entenda.

E me mande uma fotografia do beb� de Carlino.

Que seja bem grande. Ainda que n�o tenha data. S�...

Eu me esquecia. Toma, as chaves de casa.

Pegue-as. E que mais...

Adeus.

Agora vai-te.

Vai e n�o volte. Adeus.

Querida.

- Vou ao coche-restaurante. - Te acompanho?

Maldita! Tudo por tua culpa.

"O melhor � fingir que nada sabes. Acredite. Eu sou sua amiga.

"Nunca permita ao marido a ocasi�o de admiti-lo."

E ele se adiantou por sua conta.

Est�s contente agora? Toma!

Come esta carta.

Esp�ria, n�o fiques assim.

Agora eu estou como voc�, como Giusi, Sandra e Maria Carla.

N�o me resta m�os do que suicidar-me.

N�o fales besteira.

Maldita bruxa, fez de prop�sito.

Por inveja. Porque eu tinha marido e voc� n�o.

O senhor voltou. Eu o vi da janela.

- Que? - Francesco voltou.

Onde est� a carta?

Eu dei a Elpidio faz dez minutos.

� melhor pensar que voc� n�o a tenha lido.

Come�amos de novo?

Quieta e deixa comigo. Devolva-a ao guarda, Elpidio...

N�o, espera.

O guarda n�o te entregou uma carta?

Oh, esqueci de entregar � senhora!

- Onde est�? - Na cozinha.

O que fez, senhor? � a s�rie completa do Papa Jo�o.

- E a carta? - Ali.

Eu comprarei outra s�rie do Papa Jo�o.

E at� uma do Papa Pacheli. De acordo? Obrigado!

Senhor...

Filhos! Venham! � mesa.

O papai chegou. Sentem-se.

E, por favor, n�o lhe perguntem nada.

Estes �ltimos dias tem tido um pouco de esgotamento nervoso.

Como se nada tivesse acontecido.

Falem animadamente.

Um pouco de vinho. Obrigada.

Um pouco de queijo.

Boa noite. Desculpem o atraso.

- Boa noite, querido. - Querida...

- Ol�, Pinetta. - Ol�.

Bem, j� estamos aqui.

�nimo papai, j� superamos tudo.

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