All language subtitles for A.Different.Man.2024.HDR.2160p

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak Download
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

UM HOMEM DIFERENTE

- Art Subs - 16 anos fazendo Arte para você!

Legenda - zumBRAL -

Legenda - jufadinha -

Legenda - NikaBrasil -

Legenda - Rissardo -

Legenda - Vekka -

Legenda - Spa -

Legenda - BethRockefeller -

Legenda - willian_as -

Revisão - willian_as -

SISTEMA DE MONITORAMENTO RESPIRATÓRIO

Está tudo bem, cara? Precisa se deitar?

Não, isso acontece de vez em quando. Vai passar.

Mas obrigado por perguntar.

Bom, se precisar de alguma coisa, estou na minha mesa.

Sr. Lemuel…

Isso talvez tenha sido um pouco intenso.

Na verdade, nós… Acho que queremos…

que não pareça um aneurisma e, sim, algo do tipo…

atordoado, entendeu?

Certo?

Não queremos assustar as pessoas.

O que acha?

- Ótimo. - Alguma recomendação para mim?

Não, você está ótimo.

Está tudo bem, cara?

- Você está nisso há muito tempo? - Um tempinho já, eu acho.

Acabei de me formar na Julliard. Este é meu primeiro trabalho pago.

Meu primeiro trabalho, na verdade.

Experiência interessante.

Eu sei o que vocês estão pensando,

mas estão errados. Eu só quero orientações.

Para onde esse trem está indo?

Onde está o condutor? Perguntem a ele pra onde vai esse trem.

Glory? Este não é meu destino final.

Fort Lee, Nova Jersey, é meu destino final.

Não sei vocês, otários, mas eu tenho um cunhado.

Este trem está transportando os bons, os maus,

e, principalmente, os feios pra caralho!

Então, quem será o herói? Você?

Sou diretor de elenco,

especializado em fisionomias únicas e incomuns.

- Já pensou em atuar? - Sim,

já me disseram que tenho presença marcante.

Eu acredito nisso. Pegue…

O OLHO MAIS AZUL

Salamunovich disse: "Deixa pra lá, é só uma glândula."

Ei, 4F, você cria um cão em seu apartamento?

- Não, por quê? - Deve ser outra pessoa.

Ei. Vamos, cara.

Cuidado, cuidado…

Ei, ei. Não, venha aqui.

Sinta isto. Toque aqui.

Aqui.

- Não parece um caroço? - Um pouco protuberante.

Sabe quem esse cara me lembra?

Woody Allen, quando era mais novo e um tanto quanto nervoso.

Sim, ele é meio nervoso.

Escute, seja confiante, irmão.

Pratique jiu-jitsu brasileiro

ou aquele Krav Maga de Israel.

Escute, rapaz.

Toda infelicidade na vida

vem de não aceitar as coisas como elas são.

Sabe quem me disse isso?

- Seu psiquiatra. - Não, sério.

Sabe quem me disse que toda infelicidade na vida vem de…

- Minha nossa. - Não aceitar as coisas como elas são?

Lady Gaga! Conheci aquela danada quando ela…

Oi.

Você quer entrar?

Com licença.

Perdão, ele vai…

Minha nossa, pessoal…

Em seu nível mais básico, assoviar é…

juntar os lábios e soprar.

Certo? Todos sabem disso.

Toda criança de 5 anos sabe disso.

Mas, obviamente, é mais complicado do que isso.

Como todo mundo, quem já tentou assoviar sabe,

que se você juntar os lábios…

Todos esses músculos,

os músculos do esfíncter ao redor dos lábios…

Oi.

Sua mão!

Acabei de abrir meu kit de primeiros socorros.

Já volto, espere aí.

Tem algo a ver…

Peguei.

Vou consertar isso. Não se preocupe.

Podemos sentar aqui?

Não sou médica e não me responsabilizo. Você consente?

Pomada antibacteriana e compressas de gaze é o que tenho de…

é até um exagero dizer experiência.

Vencido. Recentemente?

- Ainda deve servir, certo? - Sim.

Toalhas de papel. São ruins para o planeta.

Vamos examinar a ferida aqui.

Merda… Talvez precise de pontos.

- O que acha? - Eu acho que…

O que aconteceu com você?

Não é da minha conta.

Muito bem.

Vamos ver.

Aqueles babacas e eu ficamos lá parados como idiotas.

E pensei: "Tenho um inimigo no meu novo prédio."

Isso vai arder.

- Não ardeu? - Um pouco.

Certo, isso é bom. Provavelmente é bom.

Corajoso. Esse negócio é forte.

Certo, vamos apenas…

Antes que…

Tudo bem?

Merda, eu manchei o sofá.

- Foi mal. - Não, tudo bem.

Me diga se não sair.

Caiu na minha coxa.

Que desagradável.

É melhor você verificar isso.

- Seu apartamento é tão acolhedor. - Sim. Bem, faz sentido…

O meu é uma zona de guerra.

- Você é daqui? - Sou.

Eu sou de Alesund. Já ouviu falar?

Desculpe, qual é seu nome mesmo?

- Edward. - E. Lemuel.

Eu vi na caixa de correio.

Sou Ingrid. Eu já disse?

Essa é sua mãe?

Sim.

É você?

Sim.

- Ela está viva? - Não.

Então, o que você faz?

Eu estava cortando algumas cebolas…

Você é escritor.

Encontrei isso na rua.

Sério? Parece valiosa.

"Eles zombam de mim e imploram para eu mostrar meu rosto,

só para darem as costas horrorizados na hora que eu mostrar."

O que é isso?

Eu… estava apenas testando.

É interessante.

Na verdade, eu sou dramaturga.

Eu atuo.

Incrível.

Estou tentando lembrar se já vi algum trabalho seu.

Não… Provavelmente não.

Bem, talvez possamos cavalgar juntos para a glória.

Talvez.

Conhece o antigo morador do meu apartamento?

- C. Pulaski? - Sim.

Ele pediu emprestado uma vez um pouco de sabão em pó.

- Um idoso. Viúvo, talvez. - Ele morreu?

Eu nem sabia que ele tinha ido embora.

Na verdade, não foi por isso que vim.

Mas pode me emprestar um pouco de sabão em pó?

Sim. Posso, claro.

- Pode? - Claro, eu…

Sim.

Está aprendendo a assoviar?

No geral, tudo parece relativamente estável.

Uma hora, teremos que checar o caroço acima do seu olho esquerdo.

- Já afetou a sua visão? - Eu me adaptei.

Já são pouco mais de dois anos sem cirurgia.

- Trégua muito necessária. - Sim.

Esperemos que sejam três anos.

Mas devo ser franco, mais cedo ou mais tarde,

o olho irá se debilitando.

Quanto ao colesteatoma, acho que deveríamos removê-lo.

Mas a perda auditiva é mínima,

então, provavelmente podemos esperar um pouco.

Vários outros tumores mostraram um pequeno aumento,

mas não há impacto em quaisquer estruturas importantes.

Então, há só algumas coisas que devemos ficar de olho.

Digo isso para que tenha uma ideia do caminho à frente.

Não que isso seja novidade para você,

mas um caminho alternativo surgiu.

Uma colega minha, Eugene Flexner, bastante renomada,

está à procura de pacientes…

Um paciente como você, para um teste de medicamento.

Esse medicamento parece ter potencial para…

Em minha profissão, palavras como "cura" são execradas,

mas ele pode realmente curá-lo, até mesmo totalmente.

Pode mudar a sua vida completamente.

Eu não deveria prometer nada

porque é o primeiro experimento em que acredito.

Talvez o potencial risco valha a potencial recompensa?

É algo a se pensar.

Oi, vizinho.

Presente de boas-vindas, pela porta.

- Não foi sua mãe que lhe deu isso? - Não, eu encontrei na rua.

Certo.

Tudo bem.

Só quero me livrar disso, e você é escritora de peças.

Sim, mas você poderia ganhar uma grana por ela.

Escreva um papel para mim.

Sim. Certo.

Já vou fazer isso. Não, mas obrigada.

É… muito pesada. Muito generoso da sua parte.

Obrigada.

Oi!

- Oi, cara. - Oi. Este é meu vizinho.

- Entra. Obrigada de novo. - De nada.

Minha nossa.

Por quem mais eu me apaixonaria, senão a mulher mais linda do mundo?

É claro.

A mulher mais linda de todas.

A mais cativante, a mais inteligente.

Às vezes, nas sombras azuis do entardecer,

eu me enterneço.

Vou para um jardim,

sinto a fragrância primaveril com meu nariz monstruoso e…

vejo um homem e uma mulher

passeando juntos sob o luar,

e penso como eu também…

gostaria de estar sob o luar de braços dados com uma mulher.

Eu me deixo levar.

Esqueço de mim mesmo.

E então eu…

de repente, percebo a sombra do meu…

perfil, na parede do jardim.

Por mais triste que seja, não é nenhuma surpresa.

Pessoas atraentes têm vantagem em quase todas as áreas,

e o trabalho não é exceção.

É provável que você se espante ou se assuste se vir um rosto assim.

Você pode ficar encarando, ou, pelo contrário, desviar o olhar,

mesmo que, normalmente, seja uma pessoa gentil.

Esses sentimentos de desconforto podem diminuir

após repetidas exposições ao seu colega com um rosto diferente.

Seja gentil consigo mesmo ao ter essas reações.

Não temos controle sobre a resposta de luta ou fuga

da parte reptiliana de nosso cérebro.

Mas como seres desenvolvidos e empáticos,

podemos adotar estratégias para sermos mais inclusivos.

Aqui estão algumas técnicas, segundo os especialistas.

Faça seu colega desfigurado se sentir incluído na equipe,

e se esforce para considerar sua opinião.

Luther, tem algum feedback para a Sally?

Parece uma ótima ideia.

Quando apropriado, convide-os para eventos sociais.

Morris, é meu aniversário neste fim de semana.

Sério? Quantos anos você tem?

É um marco, vamos deixar por isso mesmo.

Mas vou receber umas pessoas em casa

e pensei em te convidar.

A Sally vai.

Demais, obrigado por pensar em mim.

Significa muito.

E pode trazer quem quiser, alguma namorada ou…

Obrigado.

Feliz aniversário.

Pergunte como eles estão, como você faria com qualquer um.

Se parecer que estão com problemas,

pergunte gentilmente se precisam de ajuda,

sem assumir que dependem de você.

Oi.

Está tudo bem, cara? Precisa se deitar?

Não, isso…

Isso acontece de vez em quando. Vai passar.

Mas obrigado por perguntar.

Bom, se precisar de alguma coisa, estou na minha mesa.

Você viu a Sally por aí?

Não.

É basicamente isso.

- Você aparece mais? - Não.

Bom, isso… O que é isso? É tipo…

Isso passa em escritórios?

É, acho que é algo assim.

Parece ser uma mensagem importante.

E você foi muito bem.

- É? - Sim.

Temos que começar de algum lugar.

Nossa, você está com um cravo no nariz.

Eu…

Posso tirar?

É… Eu tiro.

Posso?

Tudo bem.

É… Não. Tudo bem se você não quiser.

Não, tudo bem.

Você tem a pele bem oleosa. Posso te dar um creme.

- Tá. - Eu adoraria testar.

- Sério? - Claro.

Então você não aparece mais?

- Não. - Não? Beleza.

Acho que eu vou…

- Ei, desculpe. - Não, não peça desculpas.

Eu esqueci que tenho um negócio e…

Nos falamos depois. Até mais.

Psicólogos começaram a descobrir de onde vem o nojo…

alguns pesquisadores acreditam que essa emoção é similar ao medo.

"O medo evoluiu para nos afastar de animais que querem nos devorar",

diz Valerie Curtis, cientista comportamental

na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Certo, e depois…

Tudo bem, é só uma foto de perfil,

mas acho que todos entendemos a ideia.

Vamos em frente, Drª. Trutz.

Certo, como devem saber,

esse medicamento foi criado, a princípio,

para tratar alopecia androgenética.

É uma área que promete muito.

Está na fase três dos testes?

Mas o que buscamos aqui,

apesar de ser para um mercado mais nichado,

é algo totalmente diferente.

Na dose que propomos administrar,

modificações físicas de tecidos duros e moles,

tanto de redução quanto de aumento,

foram observadas, sem raspagem manual ou enxerto.

Existe o potencial de restaurar forma e função

a corpos com diversos defeitos,

o que é fundamental para a aparência do paciente,

enquanto reduz o custo geral com um nível moderado de morbidade.

Houve um valor diferente de zero

de deiscência das feridas e dano vascular…

Vamos usar este para medir o progresso

e vamos adicionar quaisquer inconsistências

de volta na máquina.

Que magnífico!

O livro de registro.

Marque um número ao lado de cada efeito colateral.

Zero é não existente, um é mediano

e dez é…

Estes aqui vão ajudar a proteger seus rins.

Tome a cada quatro horas, em ponto.

Podem ser placebo?

Esses, não.

Todos vão tomá-los para a proteção dos rins.

O placebo é para o Turpidol e o Ochiprosoponib.

Então, teoricamente, com eles, você não vai saber.

Mas não fique pensando nisso.

Agora, vamos trocar esse curativo.

Drª. Trutz.

Drª. Trutz! Troca de curativo.

Esse está…

Até amanhã.

E pagava muito mal, então…

- Não foi a decisão certa. - Não foi mesmo.

Eu lembro de ir a uma loja de discos ótima.

CHOCOLATE FINO! ESPERO QUE NÃO SEJA DIABÉTICO.

OBRIGADA PELO SABÃO. TROUXE O CREME PARA O ROSTO.

BEIJO, C. PULASKI. PS: ADIVINHA COM O QUE ESCREVI ISTO?

Me deixa doida. E sabe o que eu penso sobre dinheiro?

Vou te contar o que penso.

Tá vendo isso? É isso que eu penso.

Isso, entendeu? Então vá em frente.

Pronto? Pode jogar na minha cara.

Vamos, faça o que diz. Diga! Diga!

Diga como paga as contas.

Como gasta seu dinheiro. Como pagou o aluguel mês passado.

O que você quer, que eu me ajoelhe?

Que eu beije seus pés?

Bom, pode esquecer, cara.

Porque este lugar existe muito antes de você me trazer,

e vai estar aqui depois.

Certo? Então não me fale de dinheiro, não me fale de dor,

e não me diga quando acha que acabaria.

Certo? Eu te digo quando acaba.

Vai ser o primeiro a saber.

Vou te contar, cara. Eu vou…

Vou sussurrar no seu ouvido.

Eu direi "Acabou!"

Ah, qual é.

Não quero passar outra noite aqui, vendo TV.

Mas não temos dinheiro.

Mas achei que tinha recebido sua…

- A sua… - Pensão.

A sua pensão hoje.

Eu recebi, mas paguei o aluguel.

Não temos nenhuma droga?

Não temos nenhum dinheiro?

Não temos…

Eu não aguento mais!

Por que não liga para um dos seus amigos e sai?

Porque eu não tenho amigos.

Abra a porta!

Não, por aqui. É o 4B! 4B!

Vamos, vamos, andem!

- Pode cortar. - Sim.

Corte.

- Segurou ele? - Sim.

Cuidado, não o deixe cair.

Peguei, peguei ele.

- Tudo bem? - Sim.

Estou bem.

É, estou cansado, cara.

Certo, coloque ali. Boa noite, príncipe.

Acha que ele era poeta?

O que estava fazendo, cara?

O quê?

Olá?

Dê a volta. Precisa dar a volta.

Vamos! É uma ambulância, porra!

Aprendam a estacionar, filhos da puta.

Onde estavam quando a minha mãe teve um derrame?

Fala sério, cara!

Vá embora. Você precisa voltar!

O nome dele era Ostermeier, de acordo com a caixa de correio.

É, Ostermeier.

- Você o conhecia? - Não.

Você se mataria?

Não sei. Talvez.

Depende das circunstâncias.

Não diga "talvez".

Diga "não".

- Você faria isso? - Que pergunta!

Eu sei que perguntei primeiro.

O que houve com o seu curativo?

Já sarou.

É um milagre. Sou igual ao São Francisco.

Escolhi a profissão errada e agora vou retalhar você,

para obter mais prática.

Desculpe. Nervosinho.

Não estou com medo.

Sobre o que são as suas peças?

Não me pergunte. Prefiro falar sobre suicídio.

- Desculpe. - Não, é só que…

É constrangedor falar sobre, ainda mais sem estar finalizada.

Eu me considero escritora, mas é…

meio ambicioso.

Não, eu escrevo mesmo. É…

Traduzi algumas peças de um italiano. Você não conhece, ele não é famoso.

Ganhei um prêmio por isso. Pequeno, mas… É.

Estou tentando escrever a minha primeira peça original,

mas ainda estou desenvolvendo.

Deve querer sua máquina de escrever de volta.

Pode jogar fora, nem ligo.

Eu não jogaria fora.

No mínimo, ela me faz parecer uma escritora.

No mínimo, ela me faz parecer uma escritora.

A presença dela debocha de mim.

Ela inspira você.

Foi a coisa mais positiva que já ouvi você dizer.

Quais são as suas peças favoritas?

Não sei.

Aquela sobre…

a venda…

O vendedor.

É.

Vi uma muito boa na TV, sobre nazistas.

Qual é essa?

Não lembro o nome,

mas tinha cantoria, dança e nazistas.

- Nazistas cantando e dançando? - Não, os…

- Os outros… - Judeus.

Acho que sim.

Judeus cantando e dançando?

Acho que sim.

Parece um sonho esquisito que você teve.

Devo estar me confundindo.

Quem é?

Eu não sei.

Por que está acenando para você?

Eu não faço ideia.

O que ele queria?

Por que ele achou que conhecia você?

Às vezes, isso acontece comigo.

É mesmo?

Eu gostaria de ir ver…

- a sua peça quando… - Você não vai ver.

Você vai estar nela, não é?

É incrível.

Significa que não estou no grupo de controle?

Não posso revelar nenhuma informação oficialmente.

Isso pode ser o que chamamos de efeito placebo.

Tenho que admitir,

estou começando a me sentir meio…

assustado e…

Isto é seguro?

Meu rosto está…

se desmanchando…

em pedaços.

Só parecem pedaços para você.

Pedaços grandes.

Fragmentos de pele se separando dos planos fasciais.

Você está se curando, Sr. Lemuel.

Você faz parte da história médica.

Talvez um dia você seja o tema de um documentário.

Se não estou no grupo de controle.

Se possível, eu gostaria que tirasse fotos do seu rosto.

Umas dez por dia, para monitorar o ritmo de mudança,

que parece ser muito rápido.

Talvez o risco valha a recompensa.

É algo a se pensar.

O que faço com isto?

Guarde como recordação.

Uma lembrança.

Do quê?

Você está ouvindo isso?

Aquele alarme.

Você é ator, certo? Ator de cinema.

Já vi você por aí.

Precisa ter cuidado, cara.

O banheiro é só para clientes, amigo.

Então, o que vai querer?

Pelo jeito, algo bem forte.

Puro ou com gelo?

Não vamos diluir o valor medicinal dele.

Oi, cara.

Eu conheço você.

De onde conheço você?

Eu não sei.

Você me conhece? Me reconhece?

Sou Guy Gaunt.

- Não sei. - Soa familiar?

- Não sei, talvez. Não sei de onde. - Certo.

- Bombeiro voluntário. - O quê?

Você trabalha no Facebook?

Não, mas ouço muito isso.

Não. Não é isso.

Eu vi você.

Eu não me esqueceria de você. Não esqueço um rosto.

Com licença, tem…

Acho que tem sangue em você.

Qual é o seu nome?

- Edward. - Sobrenome.

Lemuel.

- Lemuel. - Leemwell.

Edward Leemwell.

Tudo bem?

Isso é um mistério, não é mesmo?

Como eu disse, sou Guy Gaunt.

Mas eu vou me lembrar.

- Pense nisso também, está bem? - Está bem.

Certo.

Aproveite a sua bebida.

Não!

Devo dizer que esse é o lado bom.

- Não é… - Não é o quê?

Se você juntar os lábios e soprar,

às vezes é isso que consegue.

E, a maioria dos comentários frustrados que recebo são:

"Cosmo, juntei meus lábios e assoprei,

mas isso foi tudo o que consegui.

Pareço uma chaleira, mas não está assoviando.

É óbvio que há algo mais a ser feito."

O que você realmente quer é a sua boca…

bem fechada.

Não necessariamente…

pequena, porque isso varia com o tom.

Uísque.

Com gelo ou puro?

Não quero diluir o valor medicinal.

Você o quê?

Mais uma dose?

Vamos, cara!

Vamos lá, cara. Conseguimos!

- Que loucura, cara! - Vamos lá!

É!

- Vamos, cara! - É!

Hora de botar pra quebrar!

- É! - É!

O buraco é aqui?

Que horas são?

- O que você fez? - Eu não fiz nada.

Não deveria ter deixado ficar assim.

O que deveria ter feito? Eu não sabia o que…

Eu disse ao cara lá embaixo e…

- Onde você estava? - Pedras na vesícula.

- Não foi a sua mãe…? - Este é o 4F?

É.

Você é o homem que mora aqui?

Bem…

Sim.

Mas outro homem mora aqui.

Às vezes. Talvez.

Por quê?

Foi você quem ligou para reclamar desse buraco.

- O homem com o cachorro. - Não.

Quer dizer, eu tenho um gato.

Um gato?

Como ele chama?

Não sei.

- Aquele é o cara que mora aqui? - Isso é arte.

- Como uma máscara? - Como um busto.

Coisa bem esquisita.

Tudo bem, vou consertar o…

- Esse é o gato? - É.

Tudo bem, vou consertar o buraco.

- Devo sair? - Faça o que quiser.

Precisa de ajuda? Quer água?

Espero ter o material para isso.

Isso é um problemão.

Deveria ter consertado antes.

Oi. Desculpe, estava aberta.

Este é o apartamento do Ed Lemuel?

Sei que é cedo.

Estou procurando o Sr. Lemuel. Ele é meu paciente.

Ele não dá notícias há uma semana,

e ninguém no meu consultório conseguiu falar com ele.

É. Bom, o que aconteceu foi que ele…

O Edward morreu.

O quê?

- Ele morreu? - Aconteceu muito de repente.

Como? Quando…?

Com licença.

Obrigado.

Sou Guy, um amigo da família.

- Família? - É.

- Vai haver um funeral? - Não. Já acabou.

Ele está morto e enterrado. Cremado.

Ele estava doente?

Desculpe. Com licença, pessoal.

Não sabemos.

Queremos descobrir.

Foi suicídio.

Suicídio?

- Ele tinha depressão? - Desculpa.

- Ele tinha depressão? - Não sei. Não sei.

- Disse que foi cremado? - Creio que sim.

Tem certeza que o Sr. Lemuel morreu?

Tenho. Está mortinho da silva.

Do nada.

Acho que tem ratos aqui.

Vi cocôs pela casa.

Precisa arrumar um gato.

Pronto. Até daqui a pouco.

Guy Moratz!

Sabe que vou apostar

Nessa baita propriedade

Vender para as moças

É isso aí!

Olha só esse cara!

- Olha só esse cara! - Pois é.

Este é o maioral.

- Um pedaço de mau caminho. - Abaixa isso.

- Olha só. - Não, não vou abaixar.

Que pedaço de mau caminho! Já estou desnorteado.

- Ele está ótimo. - Senta aí.

- Mão na massa, gênio. - Ficou legal.

Isso não apareceu no totem de papelão.

- Foi mal. - O quê?

Esse buraquinho no seu rosto. Ninguém vai perceber.

É imperceptível. Tenho certeza de que…

tiraram na edição.

Vai precisar mudar de nome quando ficar famoso.

Guy Moratz parece um nome inventado.

- Ele é foragido. - Ele é foragido, né?

Matou alguém? Vou guardar segredo.

- Matou alguém? - Não.

Humildade, Fabio.

Já está se achando.

TEATRO

AUDIÇÕES EDWARD

Eles zombam de mim e imploram para eu mostrar meu rosto.

Só para saírem correndo horrorizados na hora que eu mostrar.

Obrigada, Sr. Silverheels.

Obrigado pela atenção.

Estou preocupada.

Em que posso ajudar?

Oi.

Veio por causa da peça?

- Ele está na lista? - Silverheels era o último.

- Como é? - Está com as falas?

- Falas? - Viv, dê as falas do Theo.

- Está bem. - Cena 12.

- Fiona, você pode… - Posso.

Assim que estiver pronto.

"No seu lugar, eu me mudaria do prédio,

abriria mão do que paguei.

Não moraria perto daquela coisa.

Sem saber se vai encontrá-lo ao sair de casa.

Estar o tempo todo atenta. Meu Deus, eu teria pesadelos."

Que isso! Não seja babaca. Não está falando sério.

"Nunca falei tão sério.

E nem me sinto mal por isso.

Somos programados para temer

e desprezar os doentes e feios.

Bebês deformados eram deixados do lado de fora para morrer de frio.

Pelo menos mande-os para um abrigo.

Estou respaldado pela ciência.

Sabe que é verdade, mas…

Você só está sendo politicamente

correta."

Preciso que me escolham, cara.

Eu me sairia bem.

Eu nasci para esse papel.

Você sabe como é.

Só quero mostrar para a minha mãe:

"Olhe, todo o esforço valeu a pena."

É a vida que escolhemos, né?

É.

Quem é Guy Moratz?

Isso dói?

- Não. - Ótimo.

Naquela foto ali, é você criança?

Com licença. O que está acontecendo?

Bem, eu…

O quê?

Desculpe a pergunta, mas isso é uma máscara?

É um protótipo.

Protótipo?

- De quê? - Do rosto.

É que, em algum momento,

vou precisar de maquiagem. Não sei como vai ser.

- Quem é você mesmo? - Sou o Edward.

Guy Moratz, eu acho.

- Eu era… - Você é Guy Moratz.

Nasci para esse papel.

Então…

Eu sou esse cara.

Você é deformado?

Eu sou esse cara.

Nós…

É uma produção off-Broadway.

- Não sei se terá maquiagem. - Vamos fazer a cena.

- Onde arrumou a máscara? - Comece, por favor.

Comece. Vá em frente.

Pronto.

Bem melhor.

- Está doendo? - Não.

Ótimo.

Naquela foto ali.

É você criança?

É.

Então presumo que não tenha nascido…

Desculpa. Não é da minha conta.

Sem problema.

As pessoas devem te encher de perguntas.

Não são as perguntas que me incomodam.

Não?

As pessoas devem ser cruéis.

Tem um cílio caído, me deixe tirar.

Eu…

Eu preciso ir embora.

- Sinto muito. - A hora passou que nem vi.

Sinto muito, é que…

ninguém…

Ninguém nunca…

encostou no meu… meu rosto.

Sua primeira audição foi meio…

Eu estava traumatizado,

porque um amigo,

meu melhor amigo de infância era…

Tinha esta mesma doença. Como o Edward da sua peça.

Vai dizer que ele se chama Edward.

Não, não.

- Ronnie. - Ele sabe atuar?

Ele morreu.

Eu fiquei bem abalado.

E é por isso que tenho tanta convicção

de que esse papel é para mim.

Bela maneira de homenagear um amigo.

- Olha só. - Já conheceu um Edward?

Um Edward?

Não pode ser uma história que minha mente brilhante criou?

Já conheci muitas pessoas.

Está mais para… Qual a palavra mesmo?

- Tributo. - Amálgama.

Sou eu também.

Parte do personagem é inspirado em mim de certa forma.

- É uma… - Como… Como é possível?

Sinceramente, queria escolher alguém que parecesse…

que parecesse como aquilo, de preferência.

Mas é complicado. Você insiste na sua ideia,

mas, se não for a coisa certa, não adianta.

Você já tinha um perfil em mente.

Escolheria alguém com a doença mesmo não sendo o ideal?

É errado escolher alguém que tem deformação?

Seria exploração?

Tiraria o foco do público? Onde fica a ética?

O curioso é que

o Edward sente essa estranheza em relação a si,

e é até genial, de certa forma, ver você do jeito que é,

mas sem ser você.

Você usa a máscara, que cria uma dissonância,

e caiu a ficha para mim.

Foi estranhamente tocante.

Foi como ver o nascimento da minha criação.

- Oi, Sr. Sablosky. - Oi.

Ele é cego. Tire os sapatos, por favor.

- A bolsa, não. - Como é?

Estou zoando.

Pode deixar no chão.

É aqui que escreve os roteiros?

Nunca cheguei a usar. Nem sei se funciona.

Parece que funciona.

É toda sua. Faça bom uso.

De onde veio?

Parece italiana.

Oi!

- Oi. - Como se chama?

- C. Pulaski. - C. Pulaski.

- C. Pulaski. - Isso.

Oi.

Está com fome?

Que inferno!

Quem fez isso?

É a bruxa velha insuportável do apartamento debaixo.

Nem andar descalça dá mais.

Tá legal.

- Tem um barzinho ali. - Já bebi demais.

Faça uma bebida pra mim.

Há quanto tempo mora aqui?

Não sei se a bruxa velha vai levar numa boa.

Bem, o que é pior?

Eu tendo que andar na ponta dos pés

pra não chatear aquela megera sensível,

ou ela ter que viver

com uma sacana barulhenta no andar de cima?

Eu preferia viver sozinho numa casa.

Isso não é uma resposta.

- Está fugindo da polícia? - Quê?

- Você ficou apreensivo. - Eu me assusto fácil.

É. Nervosinho.

Acha que é a megera?

- Olá. - Oi.

Eu estava na vizinhança, pensei em dar um alô.

Você não mora perto. O que veio fazer aqui?

Você parece tão animada de me ver,

- quanto eu estou de ver você. - Sim, Carl.

Não é um jogo. Acabou.

Desculpe, Carl. Eu estou com visita.

Sim, bem aqui.

Eu vim para visitá-la, conversar.

Eu tenho companhia, entendeu?

O que isso significa? Tipo, um entregador?

Não. Você sabe o que significa. Não se finja de besta.

- Você sabe o que eu quis dizer. - Está bem.

Não era bem o que eu esperava…

ELES ZOMBAM DE MIM E IMPLORAM PARA EU MOSTRAR MEU ROSTO,

SÓ PARA DAREM AS COSTAS HORRORIZADOS NA HORA QUE EU MOSTRAR.

Bu!

Eu precisava fazer isso.

Quem… quem era aquele?

Um amante ressentido.

Há tantos deles.

Eu deixo um rastro de tragédia por onde passo.

Você foi avisado.

A triste realidade é que meu rosto é frágil.

E é imprescindível

que eu leve minha vida com base nisso.

Na dúvida, estou sempre com medo.

Esse é o meu mantra.

Ficar longe de festas, ou multidões, em geral.

Ser gentil com as pessoas. Ser atencioso. Ser maduro.

Argumentar, se preciso, mas é melhor não precisar,

e sempre de uma distância segura.

Ou sob a proteção de um amigo poderoso,

se eu tivesse algum,

e se eu pudesse contar com ele.

Eu digo a mim mesmo,

"Edward, não chame atenção para si."

É um conselho inú…

É um conselho… inútil.

Me perdoe a intromissão.

Eu conheci um diretor de elenco,

especializado em fisionomias únicas e incomuns.

E ele me falou de uma peça interessante,

na qual eu me encaixaria muito bem.

Eu não sou ator, mas pensei em vir até aqui, dar uma conferida.

E pelo pouco que acabei de ver,

parece ser uma peça bastante curiosa.

Mas vejo que o papel foi preenchido, e com maestria, devo dizer.

Então parabéns a todos os envolvidos.

E desejo muita sorte. Muita merda, como dizem.

Vou assistir assim que estrear.

Até mais ver.

Espera, espera.

- O quê? - Espera um pouco.

Você trouxe a máscara?

Quê?

Coloca.

- Por quê? - Só faz o que eu disse.

Não quer olhar pra mim?

Vai, por favor. É a minha criação.

Não, pode parar.

Qual é o problema?

Isso é tão zoado.

Como assim?

Você está ridículo.

Só quero brindar ao homem

que vendeu a propriedade de Cortland, finalmente.

O Rei de todos!

Uma espelunca com meio banheiro.

Tim-tim, rapaz.

- Tim-tim, de fato. - Edward.

Oi, você deve se lembrar de mim. Nos conhecemos…

no teatro. Sou o Oswald.

- Eu… - Edward?

- Desculpe. Edward? - Ah, oi.

- Como é? Edward? - Não… não é nada.

Ah, você só é o Edward no palco. Desculpa, péssima piada.

Qual é o seu nome entre os civis?

- Guy. - Guy Moratz.

- Eu o chamo de Fabio. - Quer puxar uma cadeira, Oswald?

- Claro, eu tenho uns minutinhos. - Isso é tudo muito misterioso.

Que segredos de estado você tem sobre nosso amigo enigmático?

Apenas que seu querido amigo, o Sr. Moratz,

está prestes a estrelar uma produção teatral clássica.

Estrelar? Como um ator?

Não, é… É uma pequena produção.

- Uma peça. - Entendi.

Bom, valeu por contar. Me sinto tão mais próxima de você.

- É difícil de… - Ele interpreta um homem

com um rosto desfigurado, que se chama Edward.

Rosto desfigurado?

E ele usa uma máscara muito convincente.

- Bem, é um protótipo. - É uma espécie de A Bela e a Fera.

- É um modo de ver. - Eu adoro A Bela e a Fera!

- Bem, se chama… - Se chama "Edward",

o que significa que você é a estrela do show.

O nosso Guy, uma estrela da Broadway?

Off-Broadway.

- O primeiro passo rumo à glória. - Show business.

Eu vi um pouco da peça e fiquei estupefato.

- Você tem uma vida dupla, eu sabia. - É uma traição, isso sim.

Tenho a sensação de que criei um problema para você.

Você o entregou. Olha como está envergonhado.

- Tão tímido. - Está sempre envergonhado.

Ele é o Nervosinho.

Devia ver quando ele fica sem graça.

Quer uma bebida, Oswald?

Na verdade, preciso dar no pé. Mas adorei conhecer todos vocês.

E mil desculpas se causei qualquer desconforto.

Não cabia a mim revelar o seu segredo.

- Ah, tudo bem… - Espero vê-los novamente.

E verei você no palco, meu amigo, aplaudindo da primeira fila.

- Se cuidem. Foi um prazer. - Tchauzinho, Oswald.

Estou envergonhado pela minha imprudência

e espero que isso não mude nossa relação.

Eu só queria que soubesse o quanto gostei da sua atuação.

- Até mais, Guy. - Quando é?

Digo, podemos ir assistir?

Gostei do sotaque dele. Ele é daqui?

- Então, Edward… - Não me chama assim.

"Edward" cai bem em você, em primeiro lugar.

Eu só não entendo.

Ele fala com a plateia

nesses longos e filosóficos monólogos.

E quando fala com a Fiona,

- ele é monossilábico. - Isso. Você quer mais falas?

Mal consegue se lembrar das que já tem.

- E por que ele é tão grato a ela? - Ele não é grato!

Está em dívida por ela ter falado com ele?

Não. Ele fica nervoso pois não tem muita experiência.

- E como você sabe? - Está de sacanagem?

Talvez ele teve uma vida plena. Não sabemos.

Eu sei a história do meu personagem, obrigada.

E então ele tem que se matar, é claro, tão deprimido

- por ser deformado. - Olhem quem eu encontrei.

Guy, meu chapa!

- É tão bom revê-lo. - Vocês se conhecem?

Sim, esbarrei com ele e os colegas corretores dele no bar.

- Corretores? - Galera encantadora.

Aliás, estou procurando um apartamento.

- Ah, perdão. Oswald. - Eu sou a Ingrid.

Ah, a maravilhosa escritora.

- E diretora. - Claro, a maestra.

E essa é a Fiona, que interpreta a Iris.

- Olá. - É um prazer.

- E você já conheceu a Vivian. - Claro.

Eu não sei se tudo bem por você, mas…

Gostaria de ficar e assistir?

Estou criando uma certa reputação de me meter onde não fui chamado.

Não, de jeito algum. Sério.

Vai ser estressante pra gente. A peça ainda é um embrião.

Nada está escrito em pedra.

Todo mundo é tão inseguro no showbiz. Adoro.

Mas devo admitir que me intriga todo esse processo.

Bem, se não estiver ocupado…

Não, acabei de sair do jiu-jitsu, então estou um pouco suado.

E agora eu ia sentar no parque para ler um livro.

- O que está lendo? - O Olho Mais Azul, do Toni Morrison.

- É um dos meus livros favoritos! - Sério? Não acredito!

Fiquei inspirado pelo Guy. Ele tem esse olhos azuis penetrantes.

E quando os vi, pensei: "Me lembra o livro."

Eu nunca tinha reparado nos seus olhos, Guy.

Certo. Sente onde quiser. Vai ser cheio de interrupções.

Vocês nem vão me notar.

Isso, cena 16.

Do início. Muito bem.

Beleza.

Fiquei triste quando ele se matou no final.

- Bem, é uma tragédia. - Eu sei.

Não há nada a fazer quanto a isso. E gostei muito do Edward.

Um sujeito bem apático. Até, claro, o suicídio.

Mas, sinceramente,

eu torci para que o Edward e a Fiona vivessem felizes para sempre.

- É. - Mas o público acreditaria nisso?

Adoro seu sotaque.

Ouço muito isso. Vocês ianques, adoram meu estilo lírico melódico.

Mas em casa, sou apenas um cara. Ninguém presta atenção em mim.

Meu Deus. Edward deveria ter um sotaque.

Os críticos achariam uma criação elegante.

Ótima ideia. Guy, fale igual ao Oswald.

Não… não consigo.

- Claro que consegue. - "E aí, cara".

- "E aí, cara". - Isso.

"Como vai a patroa?"

"Como vai a patroa?"

Horrível.

Precisa de um acerto, mas chegaremos lá.

Agora faz o sotaque americano.

"Eu podia ter sido um competidor."

"Adrienne!"

"Não sou um pilantra."

Que sensacional. Não consegue fazer isso?

Não é o Master Harold mesmo.

Não o ensinaram sotaques na Julliard.

Sério, Guy. Gosto de sotaques desde criança, me mudava muito,

e meio que se transformou em um dos meus talentos inúteis.

- Quais são os outros talentos? - Eu canto tirolês.

Faço malabarismo, sei cantar.

Toco sax, mas não sou um Coltrane.

Estou aprendendo a tecer. Envergonho-me de dizer.

- Algo que não saiba fazer? - Não sei assoviar.

Posso te ensinar.

Basta juntar os lábios e soprar!

Também não dirijo bem.

Sabe atuar?

Que horas são?

Ele tem razão.

Edward é apático demais.

O que ele sabe sobre Edward?

Eu o tornei uma vítima.

Caí na armadilha mais óbvia.

O que ele deveria ser? Um herói?

Uma inspiração?

Ele é apenas… Edward.

Você mesmo disse.

Você queria mais falas.

E aí você ficou brava comigo.

- Mas já que Oswald falou… - Por favor.

- O cara que matou Lincoln. - O quê?

Oswald.

Oswald matou Kennedy.

Tanto faz.

Lincoln, não é?

Um ator insatisfeito matou Lincoln,

dentro do teatro, não foi?

Hinkley.

Booth.

Dentro do camarote.

Perdão.

Isto parece muito desumano.

É muito delicado.

Me deixa em paz! Não toca em mim!

Eu só estava tentando…

Você sempre está tentando ajudar, não é?

Sim…

Não quero que tenha pena!

Eu sei que você…

sente nojo de mim!

Não é verdade.

Acha que não sei o que todos seus coleguinhas falam de mim?

"Por que está saindo com esse esquisito?

Ele vai entender errado."

Pois você é a pior de todos eles!

Eu não ligo pros seus cuidados e sua preocupação!

Merda.

Eu te odeio.

Sir Guy.

O que está fazendo aqui?

Yoga no parque.

Você faz yoga?

- Não. - Ah, devia tentar.

É bem terapêutico.

- É. - Cá entre nós, é meio penoso

mas dizem que é bom para um corpo definhando.

Acho que estou sentindo o resultado,

mas talvez seja placebo. Não sei.

Olha só pra isso.

Eu descia sozinha a rua um dia

Já ia esquecendo.

Você testou o modelo hoje, não foi?

De látex, né? Como ficou?

Você ficou sabendo disso?

Sim, Ingrid estava um pouco estressada.

- Deu certo? - O quê?

Teve o efeito desejado?

- Bom, ainda está… - Sendo finalizado, certo?

Mais um ajustezinho para ficar nos trinques.

Foi o que Murray falou, o maquiador.

Sabia que ele é metade norte-irlandês?

Ele disse que é a coisa mais complicada em que trabalhou.

Mal vejo a hora de ver como ficou.

Uma parte de mim quer esperar a noite de estreia para sentir o impacto

mas acho que vou passar lá amanhã.

Ingrid quer uma opinião sobre as novas páginas,

e é sempre bom ver a galera.

- Você não trabalha? - Honestamente, eu não trabalho.

Tive sorte em uns investimentos quando estava na universidade

antes de fugir para Tânger com minha professora.

Agora estou procurando um apartamento na cidade,

e por isso pensei em vir aqui bater um papo com você.

- Olhe só quem é. - Estou enxergando direito?

- Oswald, você me deve um jantar. - Estou sem graça.

Oi. Sou Sadie.

Oi.

Este é Guy. Um ator maravilhoso.

Essa não. Não tenho sorte com atores.

Estamos trabalhando juntos numa peça.

Você nunca para, não é?

Oswald é uma das minhas pessoas preferidas no mundo.

Que tal eu te ligar… semana que vem?

Só acredito vendo.

Foi um prazer, Guy.

Cuidado com este aqui.

- Quem é essa? - Sei o que parece.

Mas não fique pensando coisas.

E agora, teremos Oswald.

Torça por mim, senhor.

Sentado aqui

Nessa cadeira

Esperando por você

Ah, amor Pra ver as coisas do meu jeito

Mas você não diz uma palavra

Você nem olha pra mim

Garota, estou gastando meus trocados

Perdendo meu tempo

Conversando até ficar quebrado

Você não vê

Que quero ficar perto de você?

Sonhos de você e eu passam voando

Sempre que seus olhos Encontram os meus

Você é tão linda

E garota Você me faz sentir tão inseguro

Você é tão bela e pura

Por que precisa ser cruel?

E me dizer que não sou seu tipo

Me deixando maluco

Garota, minha grana tá curta E eu sei

Que não posso te levar Aos lugares chiques

Que você pode querer ir

Não sou mais o Edward?

Você é, sim, depois da transformação dele.

Do que ele está falando?

Eu estive pensando,

e reconheço, Guy, que você estava certo

e Oswald também.

O suicídio era ridículo.

Essa não é uma história trágica de amor.

Por que eles não podem ser felizes?

Oswald e eu conversamos sobre A Bela e a Fera

e como no final ele vira um lindo príncipe.

- Um príncipe? - E você é esse príncipe.

- E você é a fera? - Não, não sou a fera.

Sou Edward. Isto não é A Bela e a Fera.

Foi só a forma de explicar.

Certo.

Não entendo como ele se transforma.

Como… Como isso é possível?

Ele não se transforma. Não literalmente.

- Ela apenas o vê de forma diferente. - Por quê?

Sabe quando idealizamos as pessoas quando apaixonados?

Sou a versão idealizada de Oswald?

Não minha. De Edward.

Por que não pode ser ele?

Por que idealizá-lo para ele ser alguém que não é?

Honestamente, Guy,

para manter você na peça.

Foi difícil para mim, mas preciso que Oswald seja Edward,

e ele só aceita se houver um papel pra você, pois ele te adora

e não queria parecer que estava te substituindo.

Você devia agradecer ao Oswald. É a minha decisão.

Tive que implorar a ele. Não é nada contra você, Guy.

É tudo… A máscara, a maquiagem. É uma loucura. E Oswald…

Ingrid insistiu.

E tenho que admitir, é uma oportunidade rara

para um papel que eu nasci para interpretar.

Está se subestimando. Poderia interpretar Hamlet.

Ela é uma diretora astuta, me elogiando assim.

Sério, Guy, fizemos várias mudanças

e você não tem conseguido memorizar as novas falas.

- Não é isso, é que é um processo. - Enquanto Oswald,

tem memória fotográfica.

Claro que tenho memória fotográfica, tecnicamente, mas isso será útil

- nesta situação? - Você já sabe suas falas.

Sei minhas falas, claro, mas sei atuar?

- Essa é a questão. - Você sabe. Ele sabe.

Vocês viram. Nós todos vimos.

Oswald tem um talento inato. Então não se discute.

Você sabe as falas?

Vocês o viram atuar? Quando tudo isso aconteceu?

Quando pedi a opinião dele.

Guy, você é um ator magistral, por isso isto é tão trágico.

Sério, não sei qual é a coisa ética a fazer.

O certo a fazer é você assumir o papel

e você ainda interpreta Edward, Guy, só que transformado.

E não terá que esconder o rosto atrás daquela coisa.

Ganhará mais reconhecimento.

- Por uma cena. - Mas que cena! O final.

Ninguém vai acreditar que Edward se parece com ele

- e de repente fica igual a mim. - Mágica!

Mas ela o ama pelo que ele é. Se mudar, então quem é ele?

- O mesmo. - Mesmo cara, novo rosto.

- É uma pessoa diferente! - É metafórica.

Como em A Bela e a Fera. Ela o ama, e voilà,

ele parece mais belo para ela.

Mas finge ser uma fera para testar o amor dela.

Não quer ser amado pela aparência.

- Ela o ama porque ele é uma fera. - Ou apesar disso.

- Estão te chamando de fera. - Nos referimos a Edward.

- Edward não é uma fera. - Não. Céus, não.

Mas, se vamos usar A Bela e a Fera

como comparação hipotética,

vamos começar a ser sinceros conosco mesmos, meu caro.

- Acabarei esquecendo. - Botarei isso na minha agenda.

- Oi. - Certo, ótimo.

- O que é? - Vamos para casa.

- Vamos beber algo. - Não.

- Não fique deprê. - Não estou com sede.

Venha ou vá embora. Você decide.

Venha.

Venha. Só uma bebida.

NOITE DE ESTREIA

No início, o pensamento me aterrorizou,

ter meu rosto divulgado em telas no mundo inteiro,

que a qualquer hora as pessoas estariam me vendo,

rindo de mim,

horrorizadas comigo.

E que mesmo depois de eu ter morrido,

minha imagem permaneceria para os outros a desprezarem.

Mas então, essa ideia

me deu algum conforto.

Que se não era de mim que riam,

se eu não ficasse conhecido,

se eu não tivesse que encarar meus algozes,

estariam rindo de outra pessoa,

alguém diferente.

Você estava na peça, não estava?

Adorei. Parabéns.

- Oi. Ron Belcher. - Obrigado.

Aquele cara é fantástico, não é?

Vou ser sincero com você,

pensei que fosse maquiagem. Eu disse para minha esposa…

Aliás, é nosso aniversário de casamento. Ali está ela.

Eu disse a ela: "Como fazem essa maquiagem?

O que é isso? Um tipo de polímero, certo?

Como conseguiram verba para isso?"

Mas ela disse: "Acho que é o rosto dele."

E eu disse: "Não, amor, você está doida.

Tem que ser algum tipo de máscara."

O tempo todo assistindo à peça, eu ficava pensando:

"Isso é de verdade ou algum efeito esquisito?"

De todo modo, não conseguia acreditar.

Eu nem sabia o que eu queria que fosse.

E então, como foi trabalhar com ele?

Suponho que sob aquilo tudo ele seja apenas um cara comum.

Queria saber se quem escreveu a peça

o conhecia antes de escrevê-la

ou se inventou um personagem assim

e torceu para que o cara certo aparecesse por sorte.

Certo? Isso me parece arriscado.

Como se faz para achar aquele cara? Exatamente igual ao que imaginou.

Ele também sabe atuar.

Como se pode descrevê-lo? E se quiserem encenar em Boise?

Bota o cara num avião? E se ele morrer?

Terão que achar a versão Idaho dele.

Não sei, uma máscara funcionaria? Seria convincente?

Outro cara com outra deformidade serviria?

Não sei. Talvez escolham

um cara normal como você. Ou como eu.

Como fazem Shakespeare agora, com negros.

Isso dá um toque diferente.

Fiquei pensando em tudo isso durante a peça.

Para ser sincero, há três horas, eu dizia para mim mesmo:

"Quero mesmo ir a um teatro sem ar condicionado

sabe Deus por quanto tempo,

para ver uma peça que nunca ouvi falar?"

Mas é nosso aniversário, e como pensei nisso tudo,

então posso dizer que é uma peça interessante.

O NOVO ROSTO DA OFF-BROADWAY?

Porcaria.

Porra.

Babaquice. Babaquice!

Porra.

Você mesmo disse.

Como ele pode se tornar você? Não são nada parecidos!

Não é crível, e não é necessário.

Ela o ama pelo que ele é.

Isso foi forçado.

Ainda acho que a ideia é, em teoria, sólida.

Porém, o que não contávamos,

talvez devido a eu ser um novato,

é que o público acaba de passar duas horas torcendo por Edward.

Que, nesta iteração específica, sou eu.

E se outra pessoa chega e diz: "Agora eu sou Edward",

mesmo que seja Sir Kenneth Branagh ou quem quer que seja,

a plateia se sentirá enganada.

Quebramos nosso pacto com ela. Ela se rebelará com razão.

Olhe, ainda quero que sejamos amigos

e pensarei em você para futuros projetos.

A máscara é minha.

Vou ficar com ela.

Sempre gostei daquela máscara.

Uma máscara fantástica.

Sabe o que acho?

Acho que Os Miseráveis é uma obra-prima.

O Livro de Mórmon é gargalhada garantida.

O que você… Tem planos para…

- Onde está o cara cego? - O que está fazendo aqui?

- Por que está tão zangada? - Por que está aqui?

Por que Oswald esteve aqui?

Como você… O que você tem a ver com isso?

Sei porque sei.

Estava passando por aqui e…

Não te devo explicações.

O que sabe sobre ele? Quem é ele?

O nome dele é mesmo Oswald?

Pois escuta essa, ele tem uma filha e uma namorada.

Ele estava beijando outra garota, estavam passeando no parque.

Ele tem uma vida dupla. O que acha disso?

Para começar, ela é Jolie,

ex mulher de Oswald e mãe da filha dele, Kelly.

E eles ainda são bons amigos.

E acontece que Oswald vai se mudar para ali.

O sr. Sablosky sofreu um acidente

e Oswald precisa de um lugar para morar.

Nem sei por que estou te explicando isto.

Não há mais nada para dizermos um ao outro.

Lamento.

Que merda está fazendo?

Tem que dar o fora daqui, cara.

Acontece que agora sou Edward.

E este aqui é Guy.

Guy…

ele é um ator magistral.

Obrigado, cara.

É, você é como…

Kenneth Branagh.

Venha, venham comigo.

Depressa, depressa, mexam-se! Mexam-se!

O que acham?

É sensacional?

Ou é sensacional?

Gostou deste quarto, garotinha?

Sei que é bem pequeno e delicado como você.

É um quarto onde você pode fazer o que quiser.

Sabe disso, certo?

Você conhece Peppa Pig?

Ela está um pouco nervosa, ela é tímida.

Não chore, não suspire

Há um lado positivo no céu

Evidentemente, é um pouco decepcionante,

mas espero que possamos continuar amigos.

Não guardo ressentimentos.

Guardemos nossos ódios para o inimigo comum.

Parabéns!

Obrigado.

- Pode… - Muito grato!

- Certo. - Credo! Desconecte.

Então tudo certo.

Medo é uma reação.

Coragem é uma decisão.

É de você que sentirei mais falta, querida.

- Que porra é essa? - Tchauzinho, por ora!

Talvez alcancemos a glória juntos.

- Como quiser, querida. - Com licença, meu velho!

Acho que está beijando minha garota!

Creio que meu substituto bebeu demais.

Substituto? Não, não!

- Falemos sobre isso após… - Nada de substituto,

- …a apresentação. - Sou Edward!

- Você não é Edward. - Certo, você é.

Esta é a minha porta vermelha. Meu sofá.

- São minhas falas! - Você é Edward.

Venha aqui! Você roubou minha vida!

- Me larga! Ele tomou tudo de mim! - Que isso, Guy!

- Eu sou Edward! - Acalme-se para podermos conversar.

Está bem. Me soltem. Podem me soltar!

Eu vou embora. Vou embora.

Está tudo bem. Se você se sentar, podemos conversar.

Não!

Tire isso!

- Tire isso agora! - Tirar o quê?

Venha aqui!

Guy.

Não!

Ai, meu Deus. Guy!

Essa não. O que eu fiz?

Guy! Não, Guy!

O que eu fiz?

Não tenho noção da minha própria força.

Guy! Guy.

Sei que fico repetindo isso, mas é uma grande honra.

- De verdade, a honra é toda nossa. - Estamos muito animados.

- Para mim, o papel deveria ser seu. - Que nada. Eu nem ousaria.

Não, é sério, acho que você tem algo especial.

Carisma de verdade.

Precisa ter renome para financiar essas coisas, como sabe.

Mas quero que saiba

que é importante para mim fazer direito.

E é por isso que eu queria passar um tempo com você e…

não estudar, mas observar, fazer perguntas.

Pesquisa, como dizem nessa área.

Acho importante que o interprete como quiser.

Edward foi idealizado por Ingrid,

e Guy foi o precursor de tudo o que eu fiz antes.

- Isso aí. - Eu interpreto Guy,

que interpreta Ingrid.

E você é o próximo e último passo no processo evolutivo.

Isso é muito legal.

Eu adoraria fazer algumas perguntas a você também.

Muito legal. Uma coisa meio colaborativa.

Eles usarão alguma máscara

- ou algum tipo de maquiagem? - Por quê?

Não sei. Está fora da minha alçada.

Eu não me envolvo nessas conversas.

Hoje dá para fazer muita coisa para que pareça real.

Bem real.

Mas eu não me preocupo com essas coisas.

Acho que contanto que eu interprete o Edward corretamente,

dará tudo certo.

- O resto é só a cereja do bolo. - É verdade.

Saúde.

Saúde.

Não está funcionando.

Porra!

- Porra. - Número um.

Máquina de escrever bacana.

Pode ficar com ela.

Eu gostaria de ter uma mulher também, caminhando comigo sob o luar,

segurando meu braço e sorrindo.

Então eu sonho e esqueço.

E então vejo a sombra do meu perfil na parede.

Isso. Outro passo.

Muito bom.

Outro pé. Perfeito.

Muito bem. Devagar e com calma, vamos lá.

Um pé atrás do outro.

- Perfeito. Continue. - Vou fazer compras.

- Precisam de alguma coisa? - Não, obrigado.

- Vou sair. Querem alguma coisa? - Acabei de perguntar.

Se precisarem de algo, me liguem. Vou deixá-los em paz.

- Eu o acompanho. - Volto lá pelas 8. Tchauzinho.

Que merda está acontecendo aqui?

O que é aquilo no rosto dele?

Porra, ele é rico ou algo assim?

O que ela… Ela…?

Essa é a parada mais louca que já vi.

Esqueci meus fones. Foi mal.

Podem continuar.

Tranquilo, chefia.

Vamos fazer uma pausa, tenho que mijar.

Continue. Só colocar um pé na frente do outro.

Se importa se eu pegar um desses seltzers?

Eu ouvi um barulho.

O OLHO MAIS AZUL

Ei, cara, belos sapatos.

Onde fica Fort Lee, cara? Nova Jersey.

Não tem educação?

Você deve ter tido pais feios.

Espero que você morra de câncer,

e que seus filhos feios morram de câncer.

E que toda a sua linhagem feia

de degenerados feios

seja varrida da face da bela terra de Deus.

Belos sapatos, cara.

Belos sapatos.

"VOLD É UM TESOURO NACIONAL" The New York Times

"FORMIDÁVEL!" Bloomberg Media

Estou enxergando direito?

"DOIS DIAS DEPOIS E AINDA PENSO NISSO" John Defore - Hollywood Reporter

É, nós adotamos Lucy, a filha dela.

E é uma loucura dizer isso. Ela já está na pós-graduação.

Pois é.

Você tem que vir ver a peça, Guy.

- Não o pressione. - Ele quer vir.

- Certo, Guy? - Claro que quero.

Quando está livre? Esta noite?

- Quando… Que horas? - 20h, em ponto.

- Tudo bem. - Pode sentar ao meu lado.

- Você não está na peça? - Não.

Não, não sou ator. Quero dizer, claro, "Edward".

Mas aquilo tudo foi…

Uma porcaria. Nem permito mais que a encenem.

Não, não. Foi a sua primeira obra,

e isso nos uniu, então serviu a essa causa nobre.

Graças a Deus, não fizeram o filme.

Fiquei tão decepcionado.

Eu queria mesmo ver aquele cara tentando me interpretar.

Mas, enfim, foi ótimo termos encontrado você,

porque nos mudaremos no mês que vem, quando a peça terminar.

Para onde irão?

Canadá. Um lugar chamado Shepperton.

Já ouviu falar?

Poderia ser descrito como uma colônia de nudismo.

É uma parte de lá, pequena parte.

- Mas sim, basicamente estaremos… - Como Deus planejou.

Por quê?

É uma longa história.

- Conhecemos uma mulher… - Atravessando os Andes.

E descobrimos que ela é uma pessoa incrível

com seguidores e tudo mais.

E é uma espécie de filosofia ecológica.

E… E amor livre.

- Sim, mas também é… - E LSD.

- Às vezes, sim, mas… - Sim. Já usou LSD, Guy?

E as bad trips?

Pode acontecer.

Mas tudo depende da sua perspectiva, Guy.

Não acho que ele suportaria.

Ele só precisa de alguém para guiá-lo.

- O que eu posso fazer. - Recém certificado.

- E os seus filhos? - Não. Acham que é uma seita.

Você provavelmente pensa isso também, certo?

Bem, para mim, parece uma seita.

Claro, em termos gerais, é o que parece.

Só que não tem uma liderança.

Mas e a mulher dos Andes, ela não é a líder?

Fundadora. Sim, ela pôs tudo em prática. Mas…

Ela não é uma guru… Bem, ela é uma espécie de guru.

Sim. Ela é uma guru no sentido puro.

Não podemos falar sobre isso sem soar…

Absolutamente malucos.

Sim. Mas sinceramente,

é… é o paraíso.

- Verdadeiro paraíso. Uma utopia. - Sim, utopia.

O mais próximo disso.

E a sua carreira?

Bem, eu alcancei tudo que sempre quis…

Estou pronta para a próxima fase.

Ela só quer tomar LSD e trepar o tempo todo agora.

Chega de falar da gente, o que tem feito ultimamente?

- Conte-nos tudo. - Sim.

Bem, o que posso dizer… Não sei.

Já sabem o que querem pedir?

O que vai querer, Edward?

Podem pedir. Eu ainda estou…

Certo. Como estamos comemorando,

então precisaremos de mais saquê.

Vamos querer mais uma garrafa de Dassai Hayata.

E para a mesa, o wakame,

o agedashi tofu,

e ele precisa experimentar a torrada uni.

E um hamachi kama, por que não?

E para mim, de entrada, um pedaço de wagyu.

Bacalhau negro marinado no missô, por favor. Obrigada.

E para o senhor?

Precisa de um instante?

Sim. Eu…

Ah, meu velho amigo.

Você não mudou nada.

- Art Subs - 16 anos fazendo Arte para você!

Curta a gente no Face: facebook.com/ArtSubs

E siga a gente no Insta: instagram.com/ArtSubs_Legendas

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.