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Original subtitles

UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX

No primeiro ano com o Anthony, como amigos e a trabalhar…

CONHECIDO DE ANTHONY

… ele passou seis meses no Casino Foxwoods.

Uma vez, foram 30 dias seguidos.

Quando fomos ao casino, todos conheciam o Anthony.

Percebi que era um grande jogador.

Limusinas, suítes grátis.

E mandava-te um carro para Nova Ioque

para te ir buscar e ir para o Foxwoods.

No início, senti que ele tinha dinheiro. Não há mal nenhum em ser jogador.

Se ganhares dinheiro, podes gastar sem problema.

Às vezes, estava em alta, outras em baixo,

mas tinha sempre dinheiro por perto.

Às vezes, jogava com três slot machines

e uma roleta ao mesmo tempo.

E eu dizia: "Anthony, devias abrandar.

Não é assim que funciona." E ele: "Sei o que faço."

E eu: "Bem, algo de errado se passa."

Passávamos seis, sete horas nas slot machines.

Ia para o quarto. Dormia umas oito horas.

O Anthony? Não está aqui. Por isso, desço. Ele ainda está a jogar.

A Sarma estava chateada com ele. Ligou-lhe.

Estava em alta voz e começou a gritar com ele:

"O que estás a fazer?" E pediu o dinheiro.

Foi aí que percebi que parte do dinheiro

que vinha do negócio do restaurante ia diretamente para o bolso do Anthony

e ele brincava com esse dinheiro, a tentar ganhar a sua fortuna.

A certa altura, acreditei mesmo nele,

que se ganhasse dinheiro, estaria disposto a ajudar a Sarma.

Ele não é um sujeito muito mau.

Ele é um jogador viciado, mas quando o descobri,

já era tarde porque já lhe tinha dado dinheiro.

Dei ao Anthony, como investimento, segundo ele,

mais de 100 mil dólares.

Se me afastasse nessa altura, perderia tudo.

Sabia que não conseguiria recuperar todo o meu dinheiro.

E pensei: "Está bem, se passarmos um mês no Hotel Park Avenue, qual é o mal?"

Entendem? E se passarmos algum tempo

a conhecer pessoas famosas, porque não?

Não me levem a mal. Não há anjos no inferno.

Todos fazemos parte deste colapso.

PARTE III NÃO HÁ ANJOS NO INFERNO

Uma vez, o Anthony pediu-me para ir com ele de Nova Iorque à Florida.

Ele não podia voar porque pensava que seria preso.

Na altura, estava em liberdade condicional em Sarasota

porque tinha roubado um carro de luxo.

Não me interpretem mal. Para mim, como sou da Rússia,

são histórias normais, ser preso e coisas assim.

"Está bem". É meu amigo. "Ajudo-te. Na boa."

Ficámos no Ritz Carlton com a melhor vista.

Gastou muito dinheiro nisso.

Levei-o ao tribunal. Algemaram-no.

Depois de 20, 24 horas, foi libertado.

Ele estava tão feliz. Ele disse: "Podemos ir a um sítio?"

E eu: "Sim. Na boa. Não me importo."

Ele estava a conduzir. Era tarde.

Ele passou pela casa.

E eu: "Porque fomos ali?"

E ele: "Só quero ver

a minha ex-mulher e a minha filha."

Querem saber as mentiras que o Anthony me contou?

EX- MULHER DE ANTHONY

Todas as histórias? Porque tenho imensas.

TAMPA, FLÓRIDA 2004

Esta é uma foto minha e do Anthony.

Dá para ver como estou feliz aqui. Estava grávida da Riley.

Não havia nada de anormal na minha vida até conhecer o Anthony.

Disse-me que era da Marinha e fora alvejado em serviço,

que estava na Florida a recuperar.

O pai dele confirmou que o Anthony era da Marinha

e que fora alvejado em serviço.

O pai dele confirmou-me todas estas histórias.

Por isso, acreditei nos dois.

Disse-me que éramos amantes reencarnados

que se encontravam ao longo do tempo.

E eu: "A sério?"

Estava apaixonada, pensei: "Talvez seja verdade."

Fomos a Las Vegas e casámos três meses depois de começar a namorar.

Disse-me que a tia dele tinha morrido e lhe deixara cinco milhões de dólares.

Chegou ao ponto de ir à Raymond James

abrir conta para gastar dinheiro.

Abriu-me uma conta para gastar o meu dinheiro.

Abriu uma conta para a minha filha, para a faculdade dela.

Quando as coisas desmoronaram a sério,

foi quando o cheque da tia nunca chegou,

com os cinco milhões.

Estávamos falidos e o Anthony não arranjava emprego.

Na altura, estava grávida.

Depois de a Riley nascer, ele disse-me:

"Sabes que podes matar um bebé, dando-lhe sal,

e não aparece na autópsia?"

E eu: "Estás louco?"

E nunca deixei a Riley sozinha com ele.

Aquele homem fez-me acreditar que os demónios andavam atrás dele.

Chamava-lhes "eles". Dizia: "Não entendes.

Sempre andaram atrás de mim, perseguem-me a vida toda."

E eu: "Porque não estás morto?"

E ele: "Não me encontram.

Se alguma vez tiveres um sabor metálico na boca, foge."

Eu e o Anthony discutíamos muito

e ele andava entre a minha casa e a do pai.

Uma vez, estavam a jogar póquer e começaram a discutir.

O pai do Anthony disse-lhe que ia matá-lo à facada.

O Anthony disse ao pai que ia estrangulá-lo.

Assustou-me de morte. Eu ia-me embora.

E ambos pediram desculpa. Voltaram logo a jogar póquer.

O pai dele era alcoólico…

JORNALISTA DA VANITY FAIR

… um jogador violento, que era polícia em Massachusetts.

A dada altura, o Anthony estava a jogar com dados

em casa, e diz em voz alta:

"O bebé precisa de sapatos novos," que é o que um jogador diz

quando está a atirar dados numa mesa de dados.

E a mãe fica horrorizada ao perceber que

o pai deve ter segurado o Anthony num braço

e atirado os dados com o outro.

E isto torna-se um confronto entre os dois,

e ela quer expulsá-lo de casa,

e depois aparece bêbedo com uma arma

e mantém a família refém por um tempo.

Por fim, decide não matar toda a gente. Não houve homicídios nem suicídios.

Sai de casa. Ela chama a Polícia, certo?

Mas ele é polícia. Os polícias defendem os seus.

Em vez de enviarem ajuda para a mãe,

chamam o pai. Ele volta,

arranca o telefone da parede e volta a sair.

Como as coisas acabaram, por fim?

Fomos ao hospital porque o pai dele teve um ataque cardíaco.

E fez uma cirurgia ao coração.

Saí com a minha filha, que tinha jogo.

Ele diz: "Vou ficar um pouco." E eu: "Não te atrases.

Hoje é a nossa vez de trabalhar no bar."

Nunca mais vi nem ouvi falar do Anthony.

Foi um ano depois da partida do Anthony.

E depois, lentamente, comecei a recuperar a minha vida,

mas demorou muito tempo a esquecer o Anthony.

Ainda o amava.

Sinto que foi um dos maiores amores da minha vida.

Havia algo nele

que me fazia pensar que, se lhe desse oportunidades

e acreditasse nele, podia mudá-lo.

Mas não podia fazer nada. Acho que ele encontrou outra como eu.

Sinto que, o tempo todo,

era como se tivesse um pé na realidade do Anthony

e outro na verdadeira realidade.

E, sabem, era como se houvesse um puxa e empurra.

Mas, de alguma forma, a realidade dele ganhava sempre.

Ele manteve-me sempre desse lado.

Houve vários testes de resistência cósmica

que o Anthony disse à Sarma para fazer,

para chegar ao mundo prometido.

Ele mandou-me para Roma sozinha.

PORQUE VOU? VAIS TER COMIGO?

O QUE SE PASSA?

NENHUM PROBLEMA LEGAL. NEM OLHOS NO QUE FAZEMOS.

SEM SER ISSO, ABRIU A CAÇA

OLHOS? QUE RAIO

Era um bilhete só de ida, por isso, não sabia quanto tempo ia ficar lá.

ROMA, ITÁLIA 2014

PORQUE RAIO ESTOU EM ROMA??

Ele tinha organizado tudo

e eu estava num hotel estranho, numa parte estranha da cidade.

Ele fez parecer que algo ia acontecer,

que a viagem tinha um motivo.

Basicamente, ele disse-me que a família, ou quem quer que fosse:

"Acham que não consegues passar por isto."

Se ela conseguisse fazer isto e manter

o coração sossegado e fiel em todo o processo,

depois a família, os juízes, que estavam acima de tudo,

davam-lhe os méritos e ela aproximava-se mais

a ser levada para um mundo mágico,

onde teria riqueza ilimitada,

imortalidade e poder.

Eu usava um cartão que ele me deu.

Tinha uma certa quantia com a qual podia ir a um bom restaurante,

ou ir aonde quisesse.

Tenho memórias muito boas de andar sozinha por Roma,

especialmente pela diferença horária

que fazia com que ninguém me ligasse de casa.

Estar lá foi… Às vezes, pareceu surreal no bom sentido,

porque provavelmente queria afastar-me de tudo o que estava a acontecer.

GERENTE

Ela era muito boa a responder a mensagens ou e-mails,

especialmente comigo no restaurante, mas no geral também.

E começou a acontecer cada vez menos,

ela responder sobre coisas de trabalho.

Ela estava a desaparecer, mas tínhamos mais notícias do Shane,

o que não fez sentido para nenhum de nós

e também não deixou ninguém confortável.

Ninguém sabia quem era este tipo…

FUNCIONÁRIO

… ou o que fazia no restaurante.

Os restaurantes têm hierarquias muito específicas,

como ajudantes, empregados de mesa.

Ele dizia: "Sou o braço-direito da chefe.

Basicamente, deem-me o dinheiro que ganharam

e eu vou depositá-lo no banco."

Ele mandou-a embora para se certificar de que ela não ia

impedir quaisquer decisões que ele tomasse

relativamente ao restaurante, ao dinheiro, aos movimentos.

E sim, foi divertido. Estávamos a viver num bom hotel.

Encontrei-me com o Anthony…

GERENTE DE BEBIDAS

… num hotel e,

o Nazim estava… Veio ter comigo à receção

e eles estavam no andar superior do mezanino,

algo alugado, muito bonito.

E o Nazim estava a tomar conta do cão da Sarma na altura.

O Anthony pagava-me o almoço,

falava sobre como melhorar o Pure Food and Wine.

Esperava que fosse verdade, o que o Anthony estava a dizer.

Estamos prestes a melhorá-lo.

O Shane começou a ir mais vezes ao restaurante.

Ele convocou uma reunião…

DESIGNER GRÁFICO

… o que foi estranho.

A Sarma devia estar nesta reunião.

E depois, basicamente, foi o Shane que apareceu

e a Sarma não apareceu.

Muito bem. A Sarma está em Roma. Foi visitar uma prima.

São questões de negócios e falam melhor assim.

Então, é isso. É a primeira coisa. O segundo rumor.

A empresa vai mudar de dono? Sim, vai. No papel.

Vou comprar o Pure Food and Wine e o One Lucky Duck.

A Sarma não vai a lado nenhum.

Vai continuar a gerir, como sempre, e tudo mais.

É só uma jogada para finalmente sairmos

da alçada do Jeffrey Chodorow, nada mais.

E depois, com a sua tomada de posse da empresa,

vai envolver-se mais? Dirigimo-nos a si ao invés da Sarma?

Sim e não. Isso abordaremos quando estiver finalizado.

Quando estiver tudo terminado, todos terão a sua recompensa.

É importante para mim que estejam todos felizes.

E se houver algum contratempo, saibam que, no final,

serão recompensados vezes dez.

Ele usa essa oportunidade para dizer que está tudo bem.

A partir de agora, se houver problemas de dinheiro,

alguém pode contactá-lo e ele garantirá o pagamento de tudo.

Se tivesse de ir buscar o meu dinheiro,

100 mil dólares, pagar a todos em dinheiro, fá-lo-ia.

É que… Adoro a minha mulher. Ela tem este negócio.

E quero fazer o que puder

para manter isto perfeito para sempre.

E qualquer um que vá, sabem…

contra isso…

Alguns funcionários ameaçaram-na e já não estão connosco.

E só aquela ideia de qualquer negatividade ou disparate…

É esse o objetivo. É só isso.

- Entendido? - Sim.

Muito bem. Boa.

Ninguém se sentiu seguro. Ninguém acreditou nele.

Ficaram mais chateados.

Este tipo, que pode ser um vigarista,

vem ter contigo e mente na tua cara.

Enquanto eu estava em Roma,

mandou-me transferir dinheiro para ele,

mais de 100 000 dólares, o que significa que não havia dinheiro para pagar.

Estava em Roma, num quarto de hotel,

a tentar encontrar alguém que me emprestasse esse dinheiro.

Isto foi uma mensagem entre mim e a Sarma.

Ela diz: "A menos que a empresa se safe ao devolver os fundos, vou para casa."

Eu respondi: "Deves fazer o que achares certo."

Ela disse: "O certo é não me foder.

É cuidar de quem depende de mim."

Eu disse: "Calma. Tens de saber que isto é sério.

É uma situação fácil de resolver, mas não uma piada ou um jogo.

Tens de ser esperta."

Acho que estive lá dez dias sozinha.

Era como se isto fizesse parte

de um teste fodido que eu estava a passar

e tinha de provar o que valho, que conseguia fazer isto.

E consegui. Arranjei alguém que me emprestasse 100 mil dólares para pagar.

Já falámos sobre isto, querida.

É a forma como lidas com a situação

que fará a diferença.

Como te comportas,

sobretudo quando és criticada e nos últimos estágios.

É só isso.

É sobre o que te julgam. Só isso.

Só isso.

Se arranjar algo com o meu irmão…

Não, não vais arranjar nada.

Não fazes mais negócios com o meu dinheiro.

Não te vou encurralar. Estou na tua equipa.

O Anthony disse à Sarma

que ia a Roma para conhecer o irmão dele.

E o perfil que lhe tinha sido apresentado

era de um soldado da fortuna internacional

que só podia conhecê-la em Roma.

Ela sentiu-se realmente numa missão.

Missão impossível.

Não havia missão. Era só uma mentira, outra mentira.

Mas ela acreditava nele.

ESTOU MUITO ORGULHOSO DE TI.

VENS PARA CASA NO DOMINGO.

1.ª CLASSE.

NÃO DIGAS A NINGUÉM.

ESTIVESTE BEM.

Isto é o que é tão perturbador,

mas bonito, no que o Anthony criou.

Está a criá-lo a partir da sua própria

sensibilidade de coisas importantes no mundo.

Não vejo muitos filmes, mas ele vê.

E percebi que ele gostava do Chris Hemsworth, que interpreta o Thor.

Devia ter percebido:

"Aquele filme não é sobre irmãos

que lutam pelo controlo do universo?"

Foi assim que ele o apresentou.

Ele e o irmão estavam em guerra e o irmão era poderoso.

Acho que o Anthony percebia

que era tudo treta.

Mas depois,

também devia estar apaixonado pelo mundo que criou.

Quando voltou para Nova Iorque, nunca mais saiu de casa.

Disse: "Se não te vir dentro de 15 minutos…

AMIGO DE SARMA

… arrombo a porta."

E ela desceu, mas não conseguia olhar-me nos olhos.

Ela desceu e disse: "Estou bem."

E afastou-se.

Estávamos a gerir o restaurante por ela.

Faltava a presença dela.

Pensávamos: "O que se passa?

Onde está ela? Onde está a Sarma?" Sabem?

"Onde está a nossa Sarmama? Foi-se embora." Sabem?

Houve uma altura em que percebi que a Sarma não estava bem.

Pensei em ligar para o 112, mas liguei à Sarma.

IRMÃ DE SARMA

O Shane não me deixou falar.

Disse que estava bem, precisava de descansar, para não me preocupar.

Insisti para falar com ela e falei, mais tarde.

Mas esse foi um dos momentos

que estava sempre na minha cabeça.

Pensei: "Isto é estranho. Quem é este tipo

que se mete entre a minha irmã e a minha família?"

OLÁ ILZE, GOSTAVA QUE TOMÁSSEMOS UM COPO…

O Anthony tentou falar com o meu pai

da mesma forma que tentou falar comigo em privado.

… OU JANTÁSSEMOS, UMA NOITE, NESTA SEMANA OU NA PRÓXIMA, PARA CONVERSAR.

OLÁ SHANE ADORAVA CONVERSAR CONTIGO,

MAS PARECE QUE SERIA MELHOR COM A SARMA, NÃO?

SENTIR-ME-IA MELHOR A SÓS

PARA TE DAR CONHECIMENTO DE TUDO.

ADORO A SARMA, MAS HÁ DIAS MUITO DIFÍCEIS.

QUANTO MAIS APOIO FAMILIAR TIVER,

MAIS RÁPIDO SERÁ O SEU PROCESSO DE CURA.

DE NOVO, OBRIGADO SHANE

QUERO AJUDAR, MAS NÃO ME AGRADA

ENCONTRARMO-NOS SEM A SARMA SABER.

ENTÃO… LAMENTO NÃO SEGUIR O TEU PLANO…

Achei inadequado e fiquei nervosa.

Algo nele me deixou nervosa.

E o meu pai também recusou

por achar que era inadequado, creio eu.

Ele ligou-me e pediu-me para lhe dar dinheiro, ou implorar.

Esta era a terceira chamada sobre esse assunto.

PAI DE SARMA

Disse: "Tem de a ajudar. Agora somos família."

E eu: "O que queres dizer? Nem sei o teu apelido."

A minha mãe conheceu o Anthony pela primeira vez…

Acho que foi na Ação de Graças de 2012.

Ele foi muito…

encantador

e exagerou com a minha mãe,

mas ela gostou dele.

A MINHA MÃE E O SR. FOX A CONVERSAR À LAREIRA.

Pedia-me para lhe mandar dinheiro e depois ia buscá-lo.

Arranjou uma intermediária.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS

E OBRIGADO POR SERES SEMPRE TÃO AMÁVEL COMIGO.

BEIJOS SHANE

DAVA A VIDA PARA PROTEGER A SARMA.

É TUDO PARA MIM.

IREI PROTEGÊ-LA SEMPRE.

NÃO SE PREOCUPE COM ISSO.

NÃO REVELE AS NOSSAS CONVERSAS

DESABAFO, MAS É PORQUE CONFIO EM SI.

ACABAREI POR LHE CONTAR QUE FALO CONSIGO, MAS AINDA NÃO.

Convenceu-a de que me estava a ajudar.

E: "Tem de me ajudar e a ela."

E, de alguma forma, arrastou-a para isto.

ESTÁ TUDO PRONTO.

A SARMA COMPLICOU AS COISAS.

ELA TORNOU ISTO MUITO DIFÍCIL COM AS SUAS EXPLOSÕES E AMEAÇAS.

Estamos em 2014 e recebo um aviso do banco…

… sobre uma transferência de 90 mil dólares para New Hampshire.

E eu sabia que a mãe da Sarma vivia lá,

mas depois descobri que o Shane tinha estado em New Hampshire.

E depois começou a irritar-me.

A falta deste dinheiro ia dificultar

o pagamento dos salários e das contas.

Falei com a Sarma por e-mail,

onde fui um pouco mais agressivo do que devia,

e disse que sentia que ela nos estava a roubar.

E a resposta dela foi que não sabia do que eu estava a falar.

Eu não sabia do que estava a falar.

E o negócio era dela

e podia fazer com o dinheiro o que quisesse, o que é verdade.

E fui despedido.

Lembras-te porque o despediste?

Não, não me lembro. Não me lembro do motivo.

Lembro-me de encontrar o Jim uns meses depois.

Abraçámo-nos, comecei a chorar e…

O Jim sabia como me sentia e que algo estava errado.

E não sei. Não sei o que aconteceu, mas foi o que aconteceu.

Foi como olhar para trás e dizer que foi tão bom

na altura, apesar de não ter sido há muito tempo.

Era como se ela estivesse numa fase completamente nova da sua vida.

As pessoas tentaram intervir.

Sempre que alguém alertava: "Passa-se isto,"

"O que se passa?" Eram despedidos.

E, nessa altura, parecia um jogo perdido.

Sinceramente, na altura,

a Sarma estava em pânico.

Aconteça o que acontecer, continua.

Não é por acaso que tiveste de enfrentar tantos obstáculos.

Uma pergunta: se te pedir uma transferência amanhã,

independentemente da quantia,

vais enviá-la? Sim ou não?

Dei-te mais de 1,5 milhões de dólares.

Como assim?

Achas que me consegues assustar?

Não te quero assustar. Não é uma ameaça.

Não vai acontecer.

Agora nem fazes isso!

Quem és tu?

Quem és tu?

O que te tornaste?

Quem raio és tu e onde está a minha mulher?

SHANE ESTÁ A ESCREVER

ESTAMOS NUMA ENCRUZILHADA.

APRESENTO-TE DUAS OPÇÕES.

ESTÁS PRONTA?

SÃO…

SHANE ESTÁ A ESCREVER

FICA NO ESCURO UM POUCO MAIS.

CONTINUA A CONFIAR EM MIM, NÃO IMPORTA O QUE POSSA PARECER.

OU?

SHANE ESTÁ A ESCREVER

OU NÃO.

E VAMOS PARA O MÓNACO NO SÁBADO.

JUNTOS. E ACABAR COM ISTO.

Levámos o meu carro até Montreal, deixámo-lo lá,

e voámos de lá para Paris.

PARIS, FRANÇA 2014

E depois andámos pela Europa

durante umas semanas.

Porquê Montreal em vez de sair de Nova Iorque?

É o que estou a dizer. Não sei.

Seria pela liberdade condicional?

Não sei, talvez fosse por isso. Não sei.

Mas presumo que, se não é suposto… Não sei.

Talvez fosse mais fácil.

Não sei porque fomos para Montreal.

Andávamos de um lado para o outro na Europa

e, às vezes, voltávamos para onde tínhamos estado, por todo o lado.

Pediu-me para conhecer alguém e tentar arranjar alguém que eu conhecesse

para me emprestar dinheiro ou investir no meu negócio ou assim.

Isso não correu muito bem.

Houve muitas vezes em que ele saiu.

Muitas das cidades aonde íamos tinham casinos.

O dinheiro que ele ganhou nos casinos

foi gasto em coisas que…

Coisas desnecessárias. Viagens caras,

roupas caras, relógios, pulseiras.

Tudo custa dinheiro

e ele gastava muito dinheiro e desperdiçava-o.

Neste momento, estou sozinho no escritório. A Sarma nunca aparece.

Ela não explicava. Só dizia:

"Estou na Europa. Depois explico tudo."

Muitas vezes dizia: "Depois tudo fará sentido."

Um amigo meu disse que não iam receber naquela semana.

Umas semanas depois, não receberam

e passaram para um salário mensal.

SE ESTÁS TÃO PERTURBADO POR UM DIA DE ATRASO,

ÉS CONVIDADO A SAIR.

NÃO QUERO RAIVA E RESSENTIMENTO NA EMPRESA.

Estão todos zangados. O ambiente… Estão todos chateados.

Todos querem saber o que se passa. A moral estava incrivelmente baixa.

ATUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS

Mas depois mandou-nos um e-mail. Era para toda a empresa

e disse-nos que todos os nossos cheques iam ser devolvidos.

QUEM TIVER DEPÓSITOS DIRETOS…

Um aviso: não gastem o dinheiro

porque vai ser retirado da vossa conta.

E lamenta muito, mas para a semana,

ficará tudo bem.

DESCULPEM!

Apesar destes e-mails,

assegurando-nos que tudo ficaria bem,

só tínhamos vislumbres das suas vidas no Instagram.

A Sarma começa a publicar fotos na Europa e a viajar por todo o lado.

Já ninguém confiava neles.

Falei com ela em várias mensagens de texto e e-mails e,

"Acabou, Sarma.

Se não… Não aguento mais.

Tens de pagar a estas pessoas.

Vais perder tudo.

Isto vai acontecer. Vão todos embora."

Ela enviou um e-mail a todo o pessoal

mas foi… Parecia distante. Nem parecia ela.

Só dizia: "Aguentem-se," sabem?

Não fazia sentido nenhum.

Não sei, mas posso ter começado a greve.

GERENTE

Só porque eu era a líder da cozinha.

Estava a tentar comunicar com a Sarma e ela não respondia.

Então, disse que, se não respondesse,

não podia voltar.

FECHADOS DEVIDO A CIRCUNSTÂNCIAS INFELIZES

Quando voltei, o meu pessoal não tinha sido pago

e foi-se embora. O restaurante fechou enquanto estive fora.

GORJETAS PARA EMPREGADOS

Perdeste a comunicação

e depois descobriste o restaurante fechado.

Mas o que pensavas que ia acontecer durante esse tempo?

Como se estivesses a gerir.

Bem… Não é isso… Houve muitas vezes, no passado,

em que eu estava fora durante um tempo

e as coisas seguiam, mas obviamente não quando…

eram precárias, financeiramente,

porque todo o dinheiro tinha sido desviado.

O Pure Food and Wine fica sem dinheiro,

são forçados a fechar um tempo.

MUITOS PATOS SEM SORTE

Para reabrir, tive de pagar ao senhorio as rendas atrasadas.

E também devia dinheiro ao pessoal. Tudo tinha de ser pago.

Tive de angariar muito dinheiro.

Como explico? "Sou casada com um tipo

que me obrigou a transferir dinheiro.

Perdi-o. Dá-me dinheiro para reabrir o restaurante?"

Fui muito vaga em relação a isso.

"Houve problemas e o dinheiro desapareceu,

e tenho de reabrir o restaurante," enfim.

E isso enojava-me,

mas a minha prioridade era reabrir.

REABERTURA EM BREVE!

A Sarma está a esforçar-se

para reabrir o Pure Food and Wine.

E, de alguma forma, recebem dinheiro novo dos investidores.

RESTAURANTE VEGAN REABRE TRÊS MESES DEPOIS

É muito difícil angariar dinheiro para um negócio falido que acabou de fechar.

Acho que ela angariou perto de 850 mil dólares.

Disse-lhe: "Orgulho-me muito de ti."

A rapidez com que angariou dinheiro para investir

na reabertura…

foi sem precedentes.

Acabei por trabalhar em consultadoria,

abri um restaurante na esquina

do Pure Food and Wine. Pegámos em toda a equipa

e pusemo-la a trabalhar na nossa cozinha.

Uns meses depois,

o Pure Food and Wine reabriu

e recuperaram os empregos.

E todos voltaram o mais rapidamente possível.

Há muitos apoiantes da Sarma.

E por uma boa razão.

Todos nós ainda acreditávamos que ia correr bem.

Tinha muita fé e confiança nela,

e uma relação de dez anos com ela.

Mas a nossa interação ao telefone não me fez sentir bem.

Por isso, optei por sair.

Sei que ganhava uma certa quantia quando era barman e,

quando ela me pediu para ser gerente,

não quis aceitar um corte.

Não queria mais. Só queria a mesma quantia.

Ela disse-me algo sobre o importante para mim ser o dinheiro.

E eu pensei:

"Com quem estou a falar ao telefone, que pensa…"

Sinto que dei o meu sangue, suor e lágrimas naquele restaurante.

Pareceu-me muito deslocado.

São funcionários muito leais que querem que isto continue.

E lembrem-se de que o motivo pelo qual estava a falhar

não era porque não estava a fazer dinheiro, porque estava.

Estava a falhar porque

o dinheiro estava a ser desviado.

LÊ TUDO. TODAS AS PALAVRAS. REPETIDAMENTE.

FIZESTE EXATAMENTE O QUE TE DISSERAM E RECEBESTE DINHEIRO QUANDO PRECISASTE

E O QUE ACONTECEU QUANDO FIZESTE TUDO ISSO SEM TRETAS?

A PORRA DO RESTAURANTE REABRIU.

MANTÉM A CALMA E SEGUE O PLANO = TERÁS TUDO.

Ia haver uma reestruturação

e os novos donos iam assumir

a gestão financeira.

Queria muito sair das contas bancárias,

porque se saísse, ele não me podia tirar mais dinheiro.

O Anthony disse que isso ia estragar tudo.

EU AVISEI-TE. TU NÃO ÉS DURONA. TENS ZERO VANTAGENS.

Ele estava sempre a criticar-me

por alguma jogada errada ou fazer algo errado.

NÃO HÁ LUGARES NA MESA PARA COVARDES

NÃO ESTOU A CHAMAR-TE COVARDE,

ESTOU A PERGUNTAR-TE SE ÉS

E SE A RESPOSTA FOR SIM,

ENTÃO, DEVIAS DESISTIR.

Dizia: "Estavas prestes a ter tudo o que querias

e estragaste tudo."

Que estava a afastar-me do meu futuro utópico

que ele estava prestes a dar-me e…

Estava numa posição estranha, sem saber o que fazer.

Mais uma vez, o negócio estava ótimo.

Era muito concorrido.

Passava a maior parte do tempo no restaurante, todos os dias.

Estava a aceitar o dinheiro. Depositava-o para os salários.

Estava a fazê-lo porque não queria que mais ninguém o fizesse,

nem que fosse o Anthony, porque tinha medo que fosse roubado.

E lembro-me de que alguns empregados

pensavam que eu também fazia parte da conspiração do Anthony.

Não confiava no Nazim,

sabia vagamente o que se passava

e não sabia o papel dele.

E lembro-me de me questionar

porque é que ele estava lá e porque é que dava a sua opinião.

NÃO ENTENDO O PAPEL DELE

Não acreditariam que estava a tentar ajudar a Sarma.

E, nessa altura, ela estava completamente decidida a salvar a empresa.

Temos de pensar em algo e tirar os estranhos da empresa.

A Sarma e o Anthony estavam sempre a discutir.

Viviam juntos, mas viviam em quartos separados.

Ela ficou zangada porque descobriu que ele falava com os investidores

através do e-mail dela, sem ela saber.

Não devias ter mudado a tua palavra-passe. Excluíste-me.

Isso irritou toda a gente.

Claro, ficaram todos chateados.

Se alguém comprasse a tua empresa esta noite,

ainda teríamos de resolver o problema da treta da palavra-passe,

a relutância nas transferências, as perguntas,

parece que te estás a afastar.

Dei-te mais de 1,5 milhões de dólares, está bem?

- É muito dinheiro. - Fiz tudo o que disseste.

- E eu só… - Quase tudo.

A Sarma escreveu sobre o Shane:

"Ele fica zangado pelas razões erradas."

Respondi: "Isso é entre vocês.

Eu protejo o Shane. Portanto, protejo-te.

Gosto de ti.

Penso em ti como numa irmã."

E a Sarma respondeu:

"Era bom conhecer-te e acabar com a sensação

de que estou a falar com o Shane a fingir ser o Will."

E disse: "Nunca falámos quando ele está.

Quando o posso ver.

Estou só a desconfiar, pode ser uma boa qualidade."

Respondi: "A paranoia é uma qualidade, se for aguçada e aplicada,

mas demasiada é má."

A Sarma diz: "Nunca tive provas de que não é o caso."

E eu: "Nunca podes ter provas, na verdade.

Se falarmos na presença dele,

podia ter mandado alguém falar por ele.

Se me vires e ao meu CC,

ele podia ter arranjado alguém como eu

e um CC só para te calar.

A certa altura, Sarma, só tens de confiar nele.

Ele ama-te. Podes confiar nisso ou não.

Afinal, tudo se resume a isso."

É estranho pensar

no quanto eu o confrontava por mentir.

Chegou a um ponto em que

eu o acusei de o Will ser uma treta.

Mas isso já foi tão tarde

que me perguntei: "E se o Will for treta? O que faço agora?"

Não havia Will.

Era só mais uma conta de e-mail que ele criou.

Não havia nenhum tipo da tecnologia, era o Anthony.

Quando ele tem controlo sobre todas as comunicações dela,

não só sabe o que ela está a pensar,

como poder fazer-se passar por ela.

As pessoas estavam a receber e-mails

que não pareciam ser ao estilo da Sarma

e não entendiam o que se passava.

Mas eram da conta dela, por isso, acreditaram.

BEIJO ENVIADO DE OUTRA DIMENSÃO

Com o tempo, tornou-se mais óbvio que ele estava a monitorizar-me.

Às vezes, mandava-me um e-mail da minha conta,

mas continuava com esta farsa.

DA MINHA PRÓPRIA CONTA, E COM A MINHA ASSINATURA DO IPHONE?

E TODO ESSE TEMPO

PENSEI QUE TIVESSE ACESSO SECRETO

A INFORMAÇÕES OU ALGO ASSIM

E AFINAL LIA O MEU E-MAIL.

Fiquei furiosa e frustrada.

E chegou a um ponto em que não me deixavam zangar-me.

Se me zangasse e recuasse, era uma fraqueza.

Tive de me controlar e não me zangar.

Para de dizer que não te amo.

Eu amo-te.

Não quero que…

metas outra coisa na cabeça ou…

alguém te dê a volta, ou…

A única pessoa que me dá a volta és tu.

Tens razão.

- De propósito, admito. - Então…

Certo. Está bem.

É isto que me preocupa.

Tu aceitaste isto.

Disseste que me amas. Queres a eternidade.

Disseste que querias o "felizes para sempre".

De alguma forma, quanto mais se avança,

mais distorcida se torna a perspetiva.

E mais queremos acreditar no que ele diz,

porque a alternativa é dolorosa demais,

acabamos presos.

Temos de atravessar este pântano.

Esta situação. Vamos passar por isto.

Podes fazer a escolha, certo? Podes escolher acreditar em mim.

ENTRE OS ASPETOS MAIS DESAFIADORES DE TUDO ISTO ESTÁ

COMO É QUE EU EXPLICO TANTAS COISAS

É COMO UMA HISTÓRIA DIFERENTE PARA PESSOAS DIFERENTES.

ACHO QUE É UM PAPEL.

UMA PARTE.

NADA DISTO É REAL.

Pouco depois de o restaurante reabrir, ela ligou-me e disse:

"Estive em contacto com…

uma pessoa de Boston, apresentada através de pessoas que conheço,

e que verifiquei através de pessoas que conheço na Bain Capital,

e chama-se Michael Caledonia.

Ele quer comprar o negócio

e pagar a todos os investidores, e ficar com o negócio,

mas a maior preocupação dele és tu."

Ela deu-me o número dele e eu liguei-lhe.

Não suspeitei de nada, ao falar com ele,

exceto por ter sido um pouco maníaco ao telefone.

Só dizia: "Sabe, recebo o dinheiro da Europa.

Não posso revelar de onde."

E eu: "É legal, correto?

Não me interessa que me tragam três malas cheias de dinheiro."

E ele: "Não, é legal, mas os investidores

querem manter o anonimato."

Marcámos encontro num restaurante

em Nova Iorque, às 17h30, no bar.

Esperei. Cinco e meia, 17h45, 18h00.

Ele não chegava.

Liguei-lhe. Não atendeu.

E cerca de 15 minutos depois, liga-me.

E diz: "Meu Deus, perdi o avião."

Está bem. Perdeu o avião. Eu entendo,

mas não perdeu o avião às 18h00.

Se vem de Boston, perdeu o avião às 16h00.

E depois aconteceu uma segunda vez.

Ela liga-me e estou em Miami.

E diz: "Queria marcar uma reunião.

O Michael Caledonia estará uma semana em Miami.

E eu também vou,

para que saibas que ele vai aparecer."

O Anthony devia ir comigo a Miami.

Na linha de segurança, ele afastou-se e disse: "Vais sozinha."

E eu: "O quê?"

E ele diz: "Tens de fazer isto sozinha," e vai-se embora.

Fui para Miami com um lugar vazio ao lado.

MIAMI, FLÓRIDA

Houve uma troca de e-mails

entre mim e a Sarma,

e também entre mim e o Michael Caledonia.

- AMANHÃ ÀS 11-11 - H30 ESTÁ BEM.

HÁ UM LUGAR CONVENIENTE PARA TI?

ONDE ESTÁ ALOJADO?

O Michael Caledonia estava no Hotel Mandarin Oriental,

a meio quarteirão do meu restaurante, o Miami.

Eu disse: "Está bem. Posso chegar ao hotel às 16h00."

Ela liga-me e diz que ele perdeu o voo.

Eu pensei: "Comprem-lhe um relógio."

PERDI O VOO (NÃO TIVE CULPA)

ESTOU A TENTAR REMARCAR. PODEMOS FAZER UMA CHAMADA HOJE?

SIM, PODEMOS ENCONTRAR-NOS AMANHÃ À MESMA HORA

Eu disse, "Olha, não vou estar

perto do Hotel Mandarin Oriental, mas vou estar na praia.

Podemos encontrar-nos no átrio de um dos hotéis

em que estou envolvido."

Decidimos uma hora.

A Sarma liga-me e diz:

"Ele não pode vir. Surgiu algo."

"Podemos ver-nos?" Eu estava na praia,

disse: "Sabes que mais?

Eu vou."

Tomámos café no átrio de um hotel onde tinha um restaurante.

Ela contou-me sobre ele.

Disse-me: "Não posso falar com os investidores.

Tens mesmo de falar com eles por mim

e tens de lhes pôr juízo na cabeça."

E que:

"O Michael vai entrar e tirá-los,

mas não podem pedir o que pedem,

porque assim nunca acontecerá."

Concordo em ligar a essas pessoas.

Na verdade, sinto-me mal por lhes ter ligado, mas…

na altura, achei que era a coisa certa a fazer.

Já agora, em nenhuma altura durante todo este tempo,

ela disse: "Sou casada com este tipo."

Se és a mulher dele, porque estamos a passar por isto?

QUANDO O JEFFREY ME PERGUNTAR

PARA ONDE FORAM OS 2 MILHÕES,

O QUE VOU DIZER? VOU DIZER-LHE PARA TE PERGUNTAR.

SHANE ESTÁ A ESCREVER

NÃO PRECISAS DE LHE DIZER NADA.

Quem é o Michael Caledonia?

Sim, foi quando ele usou este nome, Michael,

porque… Não sei porquê, mas para mim, não parecia importante

porque ele ia comprar toda a gente.

Para mim, ter de dizer que ele é uma pessoa chamada Michael…

Qual é o mal disso? Toda a gente vai ser comprada.

Escreveste ao Jeffrey a falar sobre o Michael

e que tinhas votado nele através da Bain Capital.

Acho que, no início, o Anthony queria que eu…

lhe assegurasse que o Michael Caledo… que este Michael era legítimo.

Acho que disse: "Sim, é legítimo."

E ele quer comprar tudo

e, por mim, tudo bem.

Porque achas que não conseguiste ser sincera com o Jeffrey na altura?

Como… O que ia dizer?

Incomodou-te não lhe contar

que um tipo chamado Michael…

Achei que o Jeffrey também ia recuperar todo o seu dinheiro.

Todos deviam recuperar o seu dinheiro

e, eventualmente, ainda mais, e tudo partiria daí.

FAZER BLUFF COM O JC = ASSUSTADOR

Acho que fazer bluff comigo é assustador. Está bem? Sabes o que quero dizer?

É difícil acreditar que não estava preocupada.

Ela era da família.

Portanto, o sentimento de ser traído

é muito difícil quando nos esforçamos

para ajudar alguém a ter sucesso.

Quando saí de Miami, nunca mais voltei a Nova Iorque.

Acho que ele me mandou para o Connecticut.

Daí, entrámos num carro.

Era um carro emprestado de um amigo.

E foi aí que partimos

e não voltámos durante muito tempo.

Nessa altura, eu ainda controlava as contas bancárias.

Nunca chegámos ao ponto de me transferir

para outra pessoa.

E o Anthony disse-me para lhes enviar…

Acho que me disse para lhes enviar 50 mil e eu não queria fazê-lo.

Mas tinha acesso às minhas coisas e fê-lo por mim.

E conseguiu esse resto do dinheiro.

A loucura tinha chegado a tal ponto que…

Não sei. Desliguei.

E essa foi, acho eu,

a altura mais estranha e assustadora,

ele a afastar-me de tudo.

Porque eu sabia que era…

Nessa altura, tudo tinha acabado.

Esta é uma mensagem de texto do dia

em que deixei o restaurante pela segunda vez.

Mandei uma mensagem à Sarma.

"Adoro-te e espero que estejas bem,

mas tenho de ser sincera contigo.

Voltei na esperança de que pudéssemos pôr as coisas nos eixos.

Esperava que me respeitasses o suficiente para comunicar comigo,

mas não.

Tentei ligar-te

para te dizer que a tua equipa vai sair outra vez.

Esperava que pudéssemos resolver isto em equipa, mas não.

Acreditei no regresso e pensei ser importante nele,

mas não posso, dada a visibilidade limitada do negócio.

Se não resolvermos isto esta noite, saio do restaurante.

Espero que entendas."

E ela não respondeu.

E três dias depois, escrevi-lhe:

"Só queria que soubesses que estou a pensar em ti

e me preocupo contigo, espero que estejas bem."

E ela não respondeu.

Um dia, estava a passar pelo restaurante

e vejo uma multidão de pessoas em frente ao restaurante

com cartazes e com fita adesiva por todo o lado,

e a foto dela, e estão a falar mal dela.

- Comida crua? - Mau negócio!

- O que queremos? - O nosso salário!

- Quando o queremos? - Agora!

Fui ao restaurante porque não consegui falar com a Sarma.

O Anthony também desapareceu.

E vi os rostos dos funcionários muito zangados comigo.

Disse: "Se fosse eu a roubar o dinheiro,

porque ainda estaria aqui quando…

Isto é como o Titanic debaixo do oceano.

Então, porque estaria aqui?" E…

um dos gerentes chamou-me a Polícia.

O que queremos?

Salário!

Foi dividido a meio. Tínhamos um lado que dizia:

"Só queremos o nosso dinheiro."

E o outro lado era:

FUNCIONÁRIO

"Basicamente, lixaste-me. Quero manchar o teu nome."

O nome e a marca dela eram tudo.

COMIDA CRUA? MAU NEGÓCIO!

PAGUEM AOS VOSSOS TRABALHADORES!

Para mim, era mais raiva em relação a ela

por mexer com o dinheiro dos outros.

O porteiro que não recebe assim tanto,

mas trabalha muito e não recebe,

e tem três filhos em casa.

Tens uma família inteira onde, tipo,

a mãe e a filha trabalham lá.

O marido dela trabalha lá. E ficaram sem salários.

Isso, para mim, foi a parte mais difícil de passar por isso.

Foi ver tanta gente com azar.

Senti-me tão devastado por eles.

E depois senti: "Mas que raio?

Como podes fazer isto de novo?"

Conheci alguns investidores

e disseram: "Sim. Ela não se vai safar disto.

Vamos persegui-la."

RECLAME

É difícil aceitar a última ronda de chamadas

e reuniões com investidores e a extração final de dinheiro

com a ideia de que a Sarma era inocente.

Nesta altura, parece claro que

o Anthony está a tramar um esquema

e ela devia saber.

Ela tinha reuniões com pessoas

para continuar a negociar o anterior sucesso do restaurante

para conseguir dinheiro que dificilmente pagará.

RESTAURANTE FECHA DE NOVO

Se ela ficasse, seria condenada.

O dinheiro foi retirado, não pagou impostos.

Corria um grande risco.

E ela decidiu fugir.

DONA DO RESTAURANTE E MARIDO DESAPARECIDOS

Ele disse: "Bem, vamos só por uns tempos."

Nem me lembro, mas…

Não havia plano, nem discussão, nem nada.

Foi só…

Não sei bem o que estávamos a fazer.

Não percebi que estávamos em fuga.

Se tirares o dinheiro do restaurante,

deixares os empregados sem receber e partires, fisicamente,

o que significa isso? Significa fugir.

Estão a fugir.

Legendas: Alexandra Pedro

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