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Original subtitles

Estou?

Sim.

Recebeste uma chamada…

UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX

- Sobre quê? - … sobre um filme que estão a fazer,

parece um documentário?

Não. Isso não pode acontecer.

Tens de lutar contra isso.

Não dês entrevistas nem aceites nada.

Não fales. Faz tudo para o impedir, garante que não acontece.

Mas parece que já existe.

Tipo, já foi feito?

A porra dum documentário da Netflix. Cum caralho.

Porque não o faria?

Vais colaborar com essa gente?

Acho que sabes duas coisas sobre mim.

Uma, que te amo.

E que tu me amas, me amaste, seja o que for,

e não aceitas ou lidas com isso.

Neste momento, não é conveniente.

Duas, não sou insignificante, caralho.

Não é para me foderem.

Ouve, Sarma.

Lamento que tenha sido mau. A sério.

Mas sim, o "felizes para sempre" existe.

- Destruíste-me e humilhaste-me. - Mas eu…

- E agora dizes… Mas fizeste-o. - Não o fiz. Mas…

- Como não? - Não o fiz.

Estou preocupado com esta merda.

Passaram dois anos e meio e ainda estou amarrado.

E se for novamente enxovalhado por essa gente,

vai ser horrível, caralho.

Especialmente o cabrão da Vanity Fair.

Não volto a fazê-lo. Não, caralho.

Sentir-me-ia mal a gravar outra pessoa, mas este cabrão?

Ele que se foda.

Fui a um jantar ontem à noite. "Pure Food and Wine."

É tudo raw food. Nada é cozinhado.

Na mesa ao lado, uma loura muito sensual.

E era a dona do restaurante.

Comecei há nove anos e as pessoas não entendiam o conceito vegano.

Crescemos consistentemente ano após ano.

A Sarma era a rainha do raw vegan.

NEGÓCIO NO MERCADO DE CHELSEA DA RAINHA DA RAW FOOD

Era um movimento.

É o logótipo da empresa.

Se faço algo assim, tem de funcionar.

Ela tinha poder. Mandava naquilo.

Aos olhos da maioria, ela não parece o tipo de pessoa

que ande fugida da Polícia durante um ano.

Raw food?

Mau negócio!

- O que queremos? - Salários!

Os donos de um popular restaurante de Manhattan estão presos

por roubar trabalhadores e investidores.

Foi acusada de desviar

muito dinheiro dos seus próprios empregados.

Isso fá-la mesmo parecer a Bernie Madoff vegana.

Os dois estão em fuga, com mandados de captura.

E a Polícia diz que a junk food os levou aos fugitivos.

Rastrearam o cartão de crédito num Domino's no Tennessee.

O casal que supostamente pregava o veganismo,

encomendou uma piza.

A Sarma começou a dizer-me que era uma vítima…

A VEGANA FUGITIVA

… que foi manipulada e que estava aterrorizada…

ESPECIALISTA EM VIGILÂNCIA

… pois ele tinha ligações à CIA.

Então, do que era ele capaz?

Tu comprometeste-te.

Disseste que me amavas.

Querias o "felizes para sempre".

Torna-se uma confusão crescente.

Como é que alguém acredita que o seu cão será imortal?

É uma loucura total.

Começamos a pensar: "O que é real aqui?"

E depois percebemos que é uma história sobre o que é real.

"PARTE I SENHOR E SENHORA FOX"

CIDADE DE NOVA IORQUE 2019

Perguntam-me sempre: "O que aconteceu?"

Sabes, adotei deliberadamente uma postura de não pensar nisso,

não pensar no que aconteceu.

Porque, se pensar, é uma existência miserável,

e não consigo viver assim.

Quantas pessoas chegadas a ti sabem tudo o que aconteceu?

Sinto que ninguém sabe tudo, exceto ele.

Há muita gente que me ignorou e abandonou,

por ser demasiado estranho,

porque veem as coisas de fora,

enquanto eu era boa a gerir o negócio e conquistei todas essas coisas,

não tenho nenhuma… Não há resposta fácil.

É apenas uma espécie de…

uma rara combinação de eventos em que tudo parecia estar certo

para que aquilo pudesse acontecer.

Graduei-me em Economia

e cheguei lá por um processo de eliminação.

Portanto, fui para a UPenn Wharton em Filadélfia.

O que aconteceu foi que, quando estava lá:

"O que estão todos a fazer? Todos querem trabalhar

em investimentos."

Fui contratada pela Bear Stearns.

Alguém com quem trabalhava disse-me:

"Gostas mesmo deste trabalho? Queres fazer isto?"

E eu pensei logo: "Tu gostas? As pessoas gostam?"

Ele confrontou-me com isso. Nunca ninguém o tinha feito.

Ele disse: "Pareces interessada por comida."

Os meus colegas

subscreviam o Wall Street Journal

e eu subscrevia a revista Gourmet e a Food and Wine.

Podia ser um sinal de que não estava no caminho certo.

Saí após um ano e meio.

Na altura, não tinha nenhuma pressão financeira para arranjar trabalho.

Fui para a escola de culinária.

Terminei o Instituto Culinário Francês em 1999

e foquei-me em trabalhar com comida.

Hoje vamos começar o churrasco do Dia do Trabalhador

com o Chefe do restaurante Matthew em Manhattan.

- Bom dia. - Bom dia. É um prazer.

Era fã do Matthew mesmo antes de o conhecer.

MELHORES CHEFES

O Matthew era famoso em Nova Iorque.

IRMÃ DA SARMA

Tinha um restaurante de renome.

Ele era muito talentoso.

Descobri que estava a escrever um livro.

Fui ser entrevistada para trabalhar nesse livro de culinária.

No final, fiquei com o trabalho.

Eu e o Matthew formámos um casal muito rapidamente.

Matthew Kenney e Sarma Melngailis.

Queríamos abrir um restaurante juntos.

E começámos a trabalhar

com um restauranteur chamado Jeffrey Chodorow.

O Jeffrey ia financiar-nos.

Ele era conhecido por ter aberto muitos restaurantes famosos na cidade.

O conceito era um restaurante vegano, de raw food,

o que eu não fazia ideia do que era.

Atraem-me muito as novas ideias e novas formas de fazer comida.

Sinceramente, fiquei impressionado. Disse: "Está bem, vamos lá."

Desde o início, o restaurante tinha um propósito,

que era tornar a raw food vegana algo que não era estranho,

mas torná-la mais mainstream.

Sou a Nikki King Bennett, chefe executiva.

Tamale, lasanha e Pad Thai.

Era moderno

e uma boa experiência, de alta qualidade, vegana,

que não existia. Tornou a dieta vegana atraente,

ao contrário de hippie. Era um sítio muito popular.

O Owen Wilson passava lá e entrava na cozinha.

EMPREGADO

Andava descalço pelo restaurante…

EMPREGADO

… pedia um sumo e saía pela porta da frente.

A Gisele dirige-se à Sarma e depois o Tom Brady.

E eu: "Que sítio é este? Que loucura."

Esta é a Bonnie. Está aqui há seis anos. Não a largamos.

- Nem quero. - Não é opção.

Havia algo de especial,

especialmente quando cresceu.

Era um restaurante bonito, muito convidativo,

bastava descer as escadas, as pessoas queriam entrar.

Chamo-me Jim. Sou gerente do Pure Food and Wine.

Uma sala minúscula parecia gigante e uma grande festa.

GERENTE OPERATIVO

Este é o Joey. Está cá há quase sete anos.

Tínhamos uma grande ligação

e havia um propósito.

E a Sarma era muito genuína. Costumávamos chamar-lhe "Sarmama".

Lembro-me de pensar: "Isto é o resto da minha vida.

É isto. A minha vida vai ser isto."

Fora o que aconteceu,

era um ótimo ambiente de trabalho.

Se nada tivesse acontecido, ainda trabalhávamos lá.

LOS ANGELES, CALIFÓRNIA 2020

Quando vi nas notícias que a Sarma tinha sido presa, soube logo…

JORNALISTA

… que a história não era simplesmente aquela

de que a Sarma anda fugida das autoridades

e tinha encomendado piza, e os polícias a tinham apanhado.

RESTAURANTEUR VEGANA PEDE PIZA APÓS BURLA DE 2 MILHÕES

Achei que, se pudesse contactá-la…

Tínhamos uma boa relação. Confiava em mim como jornalista.

Talvez ela me contasse aquela história.

Este é o meu arquivo da Sarma.

Sim, aqui está… Vejam. É a certidão de casamento dela.

Mais papelada que enfiei aqui.

E aqui está…

pesquisa de delitos.

Aqui estão alguns dos blocos loucos

de quando fiz as entrevistas.

Na Rikers, nem podes levar isto contigo.

Acho que as pessoas cometem o mesmo erro

que os tabloides e veem apenas a imagem de uma mulher bonita

que tem uma vida saudável.

Essa não é toda a história da Sarma.

A Sarma não era absolutamente perfeita

nem fez todas as melhores escolhas na sua vida até agora.

No ano em que abrimos,

a minha editora estava no jardim

e disse: "Quero publicar o teu livro."

Ele e a Sarma juntos na capa desse livro de culinária

era parte da marca. Era o que vendiam.

Podem ser assim.

SAKE-TINI DE PERA COM ESPECIARIAS

Como muitas imagens, há podres por detrás.

Em qualquer negócio, há uma história.

E acho que, de fora, as pessoas veem:

"Têm um restaurante movimentado. Tem montes de gente.

Deve ter sucesso. Devem fazer muito dinheiro.

Vejo a vossa foto nas revistas de vez em quando."

E presumem que tudo é ótimo e nadas em dinheiro,

e está tudo bem.

Mas não veem os bastidores,

que podem ser muito diferentes.

Portanto, há uma história por trás.

Foi um desafio, ao longo dos anos.

Sempre tive cuidado com o dinheiro

e ele tinha menos cuidado.

O Matthew Kenney não era um empresário respeitado.

Falava-se muito em Nova Iorque

que o Matthew não pagava as contas,

que enganou muitos investidores e só dava problemas.

Comecei a ressentir-me cada vez mais e não estávamos a dar-nos bem.

A Sarma tinha uns ténis que diziam, atrás:

"Amo o Matthew". Usava-os quando ia ao meu gabinete.

E depois reparei que não os usava.

Então, uma vez, disse-lhe: "Como vão as coisas?"

E ela disse: "Bem, há alguma tensão.

Estamos a passar um mau bocado."

A nossa separação tornou-se muito pública.

Nessa altura, iam ao restaurante

e olhavam à volta, à espera de ver uma espécie

de luta de reality TV, porque estávamos lá os dois.

Eu não saía, ele também não, estávamos ambos lá.

Recebi uma chamada do Matthew

e ele disse: "Não posso trabalhar mais com a Sarma.

Preciso que a expulses do restaurante."

Depois recebi uma chamada da Sarma: "O que aconteceu foi isto," sabes?

"Tens de decidir o que fazer."

Quando pensei nisso, disse:

"As minhas opções são:

tenho o Matthew, muito talentoso,

com um mau historial financeiro

e, do outro lado, tenho a Sarma."

Ela era uma pessoa muito realizada.

A Sarma andou na Wharton, a escola em que eu andei.

Presumi que tinha uma mentalidade boa para o negócio.

Portanto, escolhi a Sarma.

E disse ao Matthew para sair,

o que, sinceramente, acho que o chocou.

O Jeffrey concordou vender-me o restaurante

por uma dívida de dois milhões de dólares.

Fiquei com uma dívida de dois milhões,

mas era dona do restaurante.

Quando o Matthew saiu, foi uma altura muito assustadora para mim

porque nunca tinha gerido um restaurante sozinha.

Foi um pouco avassalador.

A Sarma estava a lidar com montes de problemas.

Estava tão orgulhosa da sua vida que acho que estava disposta

a aceitar desafios incríveis,

especialmente de negócios. Ela adorava o restaurante.

E estava lá a toda a hora.

Estava lá a liderar, o Facebook estava sempre a bombar

e tinha uma grande presença.

Ela sabia o que era preciso para ter sucesso.

Ela tinha visão, ímpeto.

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O 'MINT SUNDAY' É INCRIVELMENTE BOM

TIRAMISU VEGANO? POSSÍVEL E DELICIOSO

TENDÊNCIA EM REVIEWS DE RESTAURANTES?

15 RESTAURANTES DEMAIS EM NOVA IORQUE

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QUANDO FOREM A NOVA IORQUE,

VÃO AO PURE FOOD AND WINE.

Conheci o Alec Baldwin no restaurante.

Falámos muito por telefone e por e-mail.

Às vezes sentes que já conheces a pessoa.

Tive esse sentimento com ele.

O que sei da relação dela com o Alec Baldwin é que

ele era um cliente habitual do restaurante

e que, como muitos dos homens que lá iam,

tinha um fraquinho pela Sarma.

Quando o Alec lhe falou sobre

querer ter alguém importante na sua vida,

ela, ao invés de se oferecer, potencialmente, como essa pessoa,

sugeria que ele devia adotar um cão.

Mandava-lhe e-mails com links para cães.

E ele não estava interessado em ter um cão.

Mas eu encontrei

uma foto específica de um.

Fiquei incrivelmente atraída por ele, não consigo explicar porquê.

Senti que tinha de o ter.

E quando adotei o Leon,

tinha-me separado do meu namorado na altura.

Foi a primeira vez na vida que me senti destroçada.

Nunca me sentira assim.

Sentia-me triste e insegura,

estava a envelhecer, e sentia-me um pouco…

Não sei, uma espécie de… Não sei se…

Digamos que era algum arrependimento por nunca…

Nunca me aproximei mais do Alec porque tinha uma relação.

E alguns meses depois

acabamos por nos separar e o Alec encontra outra pessoa.

Sempre senti que ele era muito mais velho do que eu.

Mas depois ele acaba com alguém que é muito mais nova do que eu.

O Alec foi ao restaurante, uma noite, e a Hilaria estava noutra mesa.

Ele não a conhecia. Foi apresentar-se.

Portanto, por causa da Sarma, o Alec conheceu a sua esposa.

Só que a esposa não era a Sarma.

HÁ 8 ANOS, VI UMA MULHER QUE MUDARIA A MINHA VIDA

Então, apesar de o Pure Food and Wine estar muito bem financeiramente,

a Sarma não estava bem.

Apesar de ter uma imagem fabulosa, estava destroçada, sozinha.

Há uma espécie de dicotomia entre quem era em público e em privado.

Havia uma versão da Sarma do restaurante,

em que ia ao restaurante, estava muito feliz e sociável.

Mas, no escritório, era muito reservada.

Havia uma espécie de parede

para ter defesas que erguia

perante qualquer pessoa.

Ser uma empresária de sucesso aconteceu naturalmente,

ser uma pessoa social, não.

A Sarma sentava-se ao fundo do bar.

Era-lhe doloroso fazer conversa fiada

e depois voltar a casa, à noite, e aninhar-se com o seu cão.

Ela florescia ao estar sozinha

e sempre teve a sensação de ser diferente das outras pessoas.

A Sarma…

falou-me sobre um tipo

com quem falava online

sobre o qual estava muito entusiasmada.

Era alguém que falava com o Alec no Twitter.

PRECISO DE UM FATO NOVO. CONCELHO DO MEU LIFE COACH?

Era divertido e o Alec interagia com ele.

Parecia que ele e o Alec se conheciam.

A Sarma vê isto, e como ele é inteligente, porque ele é inteligente online,

fazia comentários gracioso e fazia desenhos de bonequinhos,

numa inteligência online pateta.

HILARIA - YETI - EU - 6 DUENDES MONTANHA TIBETANA FANTÁSTICA

EUA - ALEC BALDWIN

CERTIFICADO NÃO-TERRORISTA

Parecia que era uma espécie de: "Tenho o Leon por causa do Alec,

o Alec conheceu a Hilaria no meu restaurante."

E agora é adequado que eu

conheça este sujeito através do Alec. Parecia que tudo fazia sentido.

Chamava-se Shane Fox

e vivia em Massachusetts, a minha terra natal.

Estava na moda o Words With Friends.

Jogávamos um contra o outro

e conversávamos no chat.

Foram alguns meses de mensagens.

Acabámos por falar ao telefone.

Ele fazia-me sempre rir.

Era muito pateta e engraçado.

Apresentou-se como um homem forte.

Lembro-me de ter dito que podia levantar-me com um braço

e ao Leon com o outro,

e algo nisso foi atraente.

Senti que me apaixonara por ele antes de o conhecer.

A SRA. FOX ESTÁ APAIXONADA PELO SR. FOX. NÃO HÁ REMÉDIO.

Lembro-me de ela contar que conheceu um tipo no Words With Friends.

APAIXONEI-ME NO WWF. VAMOS CASAR.

Ela disse: "Ele disse-me que está apaixonado por mim há mil anos."

Foi a minha única impressão sobre a situação,

ela dizer-me que encontrou o amor da sua vida.

Demorou, mas acabámos por decidir

que ele viria à cidade.

Conheci-o, em pessoa, finalmente, no final de 2011.

Ele não era parecido às fotografias que me mandara.

Era um pouco mais pesado.

Parecia um daqueles jogadores de futebol, defesas,

que são muito fortes e musculados, mas também têm peso a mais.

Parecia superficial da minha parte ser crítica em relação a isso.

Queria que fosse um homem forte que ia entrar na minha vida,

um homem que me entendia, que parecia entender-me muito bem,

que parecia entender os meus…

objetivos, motivações, medos e frustrações.

E o Leon gostou muito dele.

Acho que, como o Leon gostou muito dele,

pensei: "Bem, deve ser fixe. Isto deve ser a sério."

Acho que estava cá na primeira noite em que o trouxe ao restaurante.

Lembro-me de ela lhe mostrar o local.

Pareciam estar a passar uma noite divertida.

Ele era muito simpático e presumi que tinham uma ligação.

Ele era alegre e dava-me abraços, sabes?

E era grandalhão. Parecia um mamute, sabes?

Abanava-me como se eu fosse uma boneca de trapos.

Quando conheci o Shane, achava que ele era um amigo da escola da Sarma,

foi assim que mo apresentaram.

Ela veio ter comigo e disse que um primo vinha visitá-la.

E apareceu o Shane. Não pareciam primos.

A relação era estranha. Era difícil definir.

Ele não parecia encaixar-se,

pelo menos não à primeira vista.

Mas depois foi aquela sensação estranha…

Encontrámos o Twitter, 50 mil seguidores

e o Alec Baldwin respondia-lhe.

E pensámos: "Certo, talvez estejam no mesmo mundo."

Todos nós, no restaurante, nos perguntávamos:

"Quem é ele? E, ao mesmo tempo,

era amigável com ele, porque era divertido, e pensei:

"Certo. É um par único, tudo bem. Portanto…"

Quem sou eu para julgar?

Mas era tudo muito misterioso.

E a Sarma também não dizia o que se passava.

Então, o mistério… Era tudo um mistério que nós…

"Certo. Vamos aceitar isto. É muito estranho."

Ele era sempre muito misterioso sobre quem era,

o que fazia.

Estava envolvido numa espécie de operações especiais.

Coisas secretas, que ninguém relata,

não oficiais.

E nunca respondia diretamente a nada, e fazia-me quase sentir que,

para me proteger, não devia questionar.

O computador dele era muito protegido.

Eu entrava e ele escondia algo.

Ou no portátil, tinha uma espécie de selo

que parecia o selo da CIA ou algo assim.

e tinha de pôr a palavra-passe.

Uma vez entrei e havia umas filmagens de drone que ele tinha de rever.

Ele falava em viajar, em estar em vários locais,

e falava em ter um assistente, e um motorista.

Usava um Rolex. Uma vez, vi-o num Bentley.

IMPRESSÃO DIGITAL

SE NÃO ESTÁS NA LISTA, NÃO PODES CONDUZIR O MEU CARRO

Uma vez, fomos a Midtown e ele mandou-me sentar no carro.

Entrou num prédio e saiu um pouco depois,

e tinha um daqueles envelopes pequenos

cheio de diamantes soltos.

Parecia que vinha de um armário de provas.

Tive a impressão de que ele era muito rico.

Não perguntei: "Então, quanto dinheiro tem?"

PAI DA SARMA

Sondei-o sobre a sua carreira,

o que fazia na vida e foi assim que obtive resposta.

Eram operações secretas. E tentei saber um pouco mais.

"Algo do género da Blackwater?"

E ele: "Sim, é como isso."

Eu pensei: "Não quero saber demasiado sobre…

o que eles têm ou… sobre ele."

Mas tudo bem, porque ele também parecia não querer revelar muito.

Mas uma noite, no bar,

ele disse-me: "Bonnie, só quero sair da lama e do sangue."

Uma vez, disse algo do género:

"Faço o que faço para que pessoas como tu possam dormir."

Quase uma coisa de super-herói, a meio da noite,

que ia conquistar as forças do mal.

Era um submundo ao qual estava ligado,

muito ilusório, e vago, e confuso.

A ideia de que ele tinha um passado em agências de espiões ou no exército,

em si, é impossível de refutar, certo?

Podemos pesquisar se andou no exército,

mas não há base de dados para procurar agentes secretos.

Senti que tinha uma relação com ele.

Mas ele vivia em Massachusetts. Ia e vinha.

Não tinha notícias durante vários dias.

E depois voltava

e ficava aliviada por ter notícias dele.

Mas ficava sempre confusa e a tentar perceber as coisas.

Não me lembro da primeira vez que me pediu

para lhe dar dinheiro,

mas, a certa altura, fê-lo.

De repente, precisava de algo, seis mil, dez mil dólares.

Precisava de imediato.

Era questão de vida ou morte.

E a minha natureza é: "Claro. Deixa-me ajudar."

Não sei. Portanto…

O que quer que fosse, eu dava-lhe.

A Sarma é inacreditavelmente generosa.

Quando andava na universidade, a Sarma tinha 14 anos e foi visitar-me.

E, em Montreal, havia muitos jovens

a viver em abrigos e nas ruas,

e ela dava dinheiro a toda a gente.

Ia a andar pelo passeio

e ficava tão tocada por aquelas pessoas necessitadas.

E tinha de lhe dizer:

"Sarma, não dês a toda a gente.

É sábado à noite. Dá a alguns."

Acho que ficou muito tocada pelo que viu.

Conheço a Sarma há nove anos, a idade do Leon.

AMIGO DA SARMA

Vejo toda a gente que passa. Tento fazer contacto visual.

Um dia, ela passou e cruzámos o olhar, e ela sorriu.

E eu… fiz isto, entendes?

E começámos a falar.

Ela contou-me algumas coisas sobre ela

e eu contei-lhe porque é que sou sem-abrigo.

Daí, nasceu uma ótima amizade.

A Sarma começou a trazer um homem que disse que conheceu na rua,

que gostava do Leon, o cão dela.

E o Anthony ficou…

Ele vinha conviver com a Sarma no jardim. Almoçavam juntos.

Até veio a um dos nossos jantares de Ação de Graças.

Respeito a Sarma porque ela se dá com toda a gente.

Guardava-me coisas no apartamento.

A minha roupa de inverno, para não ficar com ela no verão.

Tocou o meu coração como nunca ninguém o fez.

- Sim. - Como?

Não sei explicar.

- Tente. - Não consigo.

Ninguém me faz isto.

Não me peças para tentar.

Há coisas que têm de ser secretas, certo?

A primeira vez que vi o Shane,

estava enfiado numa cadeira no apartamento dela.

Disse o habitual: "Se precisares, não hesites em chamar-me."

E o gordo vira-se e diz:

"Ela tem-me a mim. É por isso que aqui estou," e riu-se para mim.

Não se apresentou.

Saí do apartamento…

com os cabelos da nunca de pé,

a pensar: "Quem caralho é?"

Não tinha nada de bom.

Foi o primeiro sinal de alerta.

Um amigo que trabalhava no escritório corporativo,

estava lá mais vezes e tinha tanta desconfiança dele.

Uma vez ele ligou, e era ele,

mas a identificação dizia "Anthony Strangis".

Nunca ouvimos esse nome.

Ficámos curiosos sobre o que era.

Pesquisámos "Anthony Strangis".

Apareceu a fotografia policial.

Descobrimos que o Shane Fox não se chamava Shane Fox,

mas sim Anthony Strangis.

Outros empregados diziam:

"Ele é suspeito. Já esteve preso."

Andavam a pesquisá-lo. Tinham medo dele.

Levaram essa informação à Sarma

e ela…

ou não quis ouvir, ou não ligou.

Não entendi bem.

E a Sarma dá-nos uma história inútil:

"Não faz mal. Isso é passado."

Há uma parte de ti que pensa: "Está bem. As pessoas cometem erros.

Não conheço a história. Não sei o que aconteceu."

Talvez tenha vindo

para Nova Iorque para ultrapassar o passado.

Havia um registo criminal com o seu nome verdadeiro e foto

que alguém me enviou.

Acho que fiquei alarmada, e depois ele explicou-me

que tinha várias identidades

conforme o que fazia.

FAZER-SE PASSAR POR AGENTE

Teve uma situação na Flórida…

MOSTROU O DISTINTIVO

… que queria resolver.

DISSE SER UM AGENTE POLICIAL

A partir daí, chamou-lhe Anthony ou Shane?

Ou o que é que isso alterou?

De início, conheci-o como Shane.

Por isso, pensava nele assim

mais frequentemente.

Eu e o Jim

tentámos dizer-lhe que a apoiávamos.

Tipo, se precisares, podes vir falar connosco,

podemos ajudar-te como precisares.

Mas ela não nos disse

o que se passava entre eles.

Acho que, meses depois, fiquei frustrada e zangada

e senti que já não tinha uma relação com ele,

da minha perspetiva.

Não sei se estava confusa ou zangada, ou o quê,

mas estava farta de tanta confusão.

Disse a mim mesma: "Chega."

Sabes? "Não vou deixá-lo voltar. Não vou voltar a vê-lo."

Fui para casa da minha mãe em New Hampshire por uns tempos.

Não me sentia bem e ela tinha onde ir,

e eu ia lá estar sozinha.

Gosto de andar na rua à noite, sozinha,

mas no campo, onde não há ninguém, fico cheia de medo.

Ofereceu-se para ir lá ficar comigo

e levar-me o Leon, e levar-nos de volta a Nova Iorque. E eu…

Não quero reiniciar isto, mas…

Era ótimo ter aqui alguém, e ofereceu-se para me levar.

"Certo, está bem."

E o pai dele levou-nos de New Hampshire a Nova Iorque.

Conheci o pai dele, que confirmou tudo o que ele tinha dito sobre ele,

o que foi tranquilizador.

Então, conseguiu convencer-me de novo.

Lembro-me de sentir que me entendia, o que significava muito.

Sentia que entendia que estava a tentar fazer crescer o negócio

e a marca, nos quais acreditava,

e isso era tudo para mim, e tinha de ultrapassar tudo aquilo.

Então, era difícil afastar isso.

A MINHA FOTO FAVORITA DO SR. FOX

Sinto que houve vezes,

aqui e ali, em que tinha

uma sensação que aquilo estava destinado a acontecer.

Ele quis que eu fosse ter com ele à Tiffany's um dia.

E era naquele piso muito exclusivo onde nos trazem champanhe.

Fez-me experimentar alguns anéis.

Inclusive um anel de 800 mil dólares.

O vendedor tratava-nos como realeza e mostrava-nos o local.

Tipo: "Do que gosta aqui?" E eu: "O que fazemos aqui?"

E ele: "Diz-me o que gostas daqui."

DIÁRIO DA SARMA

NÃO ADORO DIAMANTES, MAS ENTENDO PORQUE SÃO DIFÍCEIS DE RESISTIR

E TE FAZEM SENTIR DA REALEZA.

A Tiffany's não é longe de St. Regis.

Sabia que o King Cole Bar era agradável.

Fomos lá beber um copo.

De repente, senti algo no coração.

Tive um momento em que senti amor por ele.

Por isso, disse-o.

Queria que me lembrasse sempre desse sentimento.

Depois, dizia-me sempre:

"Lembra-te do que sentiste no King Cole Bar."

SOU TEU ALIADO. AMO-TE. LEMBRA-TE DISTO E DO KING COLE BAR.

LEMBRA-TE DE ST. REGIS. É QUEM NÓS SOMOS.

E depois começou a procurar casas para comprarmos.

Fez-me ver casas geminadas

e, particularmente, uma na 15th Street,

a dois quarteirões do restaurante.

Uma casa geminada renovada,

à venda por 15 milhões de dólares.

Acontece que o agente era o mesmo

que vendera o apartamento ao Alec na 10th Street, e pensei:

"Lá vamos nós outra vez, outra ligação estranha."

Ele mostrou algo, assegurou ao agente, que tinha todos os fundos.

Disse-me que tinha o dinheiro guardado em vários países.

DIAMANTES NUMA CAIXA DE DEPÓSITO 20 MILHÕES DE DÓLARES

CAIXA DE DEPÓSITO

Ele mostrou ao agente que seria

o seu maior cliente de sempre

e que íamos comprar edifícios, e uma propriedade no Norte.

Ele disse: "Vamos fazer uma oferta."

E depois marca uma reunião com uns banqueiros do Barclays.

Aparecemos. Há uma grande sala de conferências.

Oferecem-nos várias coisas.

Ele é um cliente muito luxuoso que eles querem ter.

Andámos a debater um contrato

com o advogado imobiliário, os termos do contrato.

A CARTA DE COMPROMISSO ESTÁ ANEXA.

OBRIGADO, SCOTT. BEBEMOS UM COCKTAIL NA VARANDA QUANDO FECHARMOS.

ISSO JÁ FAZIA PARTE DOS MEUS PLANOS!

Mas depois, os fundos nunca chegaram.

PODEM DIZER-ME QUAL É A SITUAÇÃO?

Ele disse que havia problemas

e, para conseguir o dinheiro, ia demorar mais do que previsto,

e não ficámos com a casa.

Nessa altura, estava exausta, no geral,

de anos a sentir

que passava por várias dificuldades sozinha.

E não tinha um parceiro de negócio.

Estava com imensas dívidas.

Só queria sair daquela situação.

Falhei totalmente o plano de pagamentos ao Jeffrey.

Então, de vez em quando, levava-lhe um cheque de 10 mil,

sabes, quando podia.

O Jeffrey apoiou-me

no que fazia e no que queria fazer,

e sempre quis que se orgulhasse de mim.

Nunca quis desiludi-lo de nenhuma forma.

Se ela me dissesse:

"Não tenho dinheiro por isto ou aquilo",

e fizesse sentido, eu acreditava nela, e confiava nela.

O Anthony dizia-me que a dívida de dois milhões

para comprar o restaurante não era nada.

Ele faria com que ela desaparecesse.

Ele estaria lá comigo e ajudar-me-ia

a fazer todas as coisas que queria fazer.

Sabes? Seria protegida

pelo menos, de forma significativa, financeiramente.

E lembro-me de pensar que isso seria

uma espécie de sonho realizado.

Lembro-me de perguntar ao contabilista

se ele podia simplesmente dar-me esse dinheiro

ou se pagaríamos imposto, ou como podíamos fazê-lo.

E ele disse, meio a brincar, meio a sério:

"Bem, casa com ele,

assim pode dar-te o dinheiro sem ser uma situação passível de imposto."

E no dia seguinte,

pedimos a licença. Tens de esperar 24 horas. Assim,

em 24 horas, casámos.

Casámos em novembro de 2012.

Perto de um ano depois de o conhecer.

CERTIFICA QUE SARMA MELNGAILIS E ANTHONY STRANGIS CASARAM

Houve uma pequena… não uma cerimónia, mas tivemos de contratar alguém,

e foi no Parque Tompkins Square.

Estava a chover e nós de guarda-chuvas.

Pareceu um pouco romântico casar porque…

Não sei. É difícil não parecer.

E a mulher que nos casou,

o discurso que fez foi incrivelmente doce e romântico.

Por isso, senti-o, no momento.

A Sarma mandou-me mensagem: "Vou para LA."

Fui buscá-la ao aeroporto. Ela entra, rimo-nos.

A caminho de casa, mostra-me a aliança.

E diz: "Casei."

E eu: "Meu Deus! Parabéns!"

Tipo, não fazia ideia.

Depois conta-me como o conheceu e que ele é muito fixe.

E depois diz: "Ainda não contei a ninguém no restaurante."

E faz-me pensar:

"O quê? Porquê?" Tipo…

Se estás com alguém e concordas casar,

não queres que as pessoas que gostam de ti saibam?

Foi muito específico.

Ela nunca me disse que ia casar.

Foi como se não tivesse acontecido. Tipo…

Podem achar peculiar, mas, sabem, é como…

Sim, sem celebração.

Pensei: "Raios, podias fazer melhor do que isso."

Uma noite, no restaurante,

o Shane mandou-me mensagem e disse-me que tinham casado.

E pareceu romântico.

E, de certa forma, pensei: "Ele parece animado."

E eu queria ficar. Mas, o tempo todo, tinha sido, tipo:

"Sarma, o que… Tu não… O que se passa?"

Acho que lhe mandei mensagem, porque queria confirmar isto,

e ela confirmou sem qualquer entusiasmo.

Ela tinha um anel fantástico. Está na capa do livro,

um anel que adorava, com coisas penduradas.

Era letão. Ela é letã. E sempre a elogiei por isso.

E depois, um dia, reparei que o tinha no anelar, no restaurante,

e mais ou menos a brincar…

Esperava estar a brincar, mas acho que sabia que não estava,

e disse: "Puseste aí esse anel para distrair da aliança?"

E ela disse: "Sim."

Como casal, não eram realmente como um casal, sabem?

Nunca davam as mãos. Não eram muito afetivos.

O quê? Vocês casaram?

Tipo, foi uma grande surpresa para toda a gente.

Não parecia uma história de amor. Era apenas estranho.

Há montes de teorias da conspiração

sobre porque é que ela casou com ele, se houve chantagem,

ou o que pode ter sido.

Ele disse-me que tinha uma espécie

de afiliação militar a um governo secreto.

Então, agora, eu seria protegida, como sua esposa.

TENHO A MINHA NOVA ID E DISTINTIVO.

TRAGO O TEU ARQUIVO NA SEXTA.

Então, a certa altura, ele, por e-mail,

apresentou-me a um Will Richards,

um especialista em computadores

que trabalha no governo, algures na Europa.

Eu e o Shane trabalhámos juntos durante anos.

Há muito que não posso divulgar.

Estive envolvido em certificar-me que a Sarma não se desviava da rota.

CONHECIDO DO ANTHONY

ANTHONY STRANGIS NÃO RESPONDEU AO NOSSO PEDIDO PARA COMENTAR

Legendas: Alexandra Pedro

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