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Original subtitles

Ancara, 01 de Setembro de 1977 06h20min

-Por favor, Yilmaz! Depressa! -Estamos quase l�, Neriman.

Vamos, depressa!

-O que houve? Por que parou? -O sinal est� vermelho, Neriman!

-Porque n�o disse! -Devo parar ou seguir, diga-me?

-Est� louco? Pisa fundo! -Certo, Neriman.

Estamos quase l�. Aguenta!

Disse que faltavam 10 dias, certo?

Sim. Mas o beb� n�o se mexe desde ontem.

-Ent�o, o que acha? -Nada com que se preocupar.

O batimento card�aco � normal.

Vamos esperar que entre em trabalho de parto.

-N�o se preocupe. Est� tudo bem. -Obrigada.

Agora tenha cuidado.

-R�pido! -Aguenta, Neriman! Aguenta!

-Por que n�o se mexe? -Vamos l�, Inci.

Voltamos � noite se alguma coisa acontecer. Vamos!

Aguenta, Neriman!

-O que houve, Neriman? -Olha, Yilmaz!

A minha bolsa arrebentou, Omer!

Sorria! Sorria!

Tudo bem, Neriman.

Envio uma c�pia, se quiser.

Isso seria �timo.

LOVE LIKES COINCIDENCES

Al�, querido?

Estou bem, a caminho do teste. E voc�?

Tenho umas coisas para acabar, depois eu vou.

Aparece perto das 20H.

Vou assim que acabar.

� o restaurante � direita a caminho de Sariyer, certo?

Certo. O Onur vai te buscar.

N�o � preciso, querido. Eu sei onde �. Deseja-me sorte.

N�o se preocupe. Vai dar tudo certo.

Eu te amo. Tchau.

Eu tamb�m.

-Muito bem, preparem-se. -Merda!

N�o se atreva a arrumar tudo m�e. J� fez isso, n�o foi?

Certo m�e, voc� � um anjo. Tchau.

Centrum Produ��es. Sim. At� �s 19H.

A sua ag�ncia n�o te deu o endere�o?

-Estou aqui para o teste do filme. -Aqui tem.

Desculpe mant�-la � espera, mas...

Sem problema.

Ter� a foto da capa amanh�.

E o Ozgur vai reservar todo o dia de amanh�...

-E aqui est� ele! -Bem-vindo. Como vai isso?

-Desculpe o atraso. -Ayse. Prazer em v�-lo.

-Queria muito te conhecer. -�timo.

Por que n�o come�am imediatamente? E eu vou buscar a sua m�e.

-Obrigado, Onur. -Por aqui.

Ol�, bem-vindos. Podem apresentar-se, por favor?

O meu nome � Deniz Usman. Nasci em Ancara, a 1 de Setembro de 1977.

Nasci em Ancara, a 1 de Setembro de 1977. Vivi l� at� 2002.

Aos 14 anos fiz aulas de teatro

na Escola de Arte Ancara.

Depois mudei para Istambul e trabalhei para uma revista.

Quando comprei meu est�dio, trabalhei sozinho.

Tenho 168 cent�metros e peso cerca de 58 kg, acredito.

Voc� teve muito sucesso internacionalmente.

Mas tamb�m faz capas de revistas, realiza coisas mais comerciais.

-Qual deles � voc�? -Os dois, na verdade.

Estando em sintonia, qualquer um � gratificante.

Fala franc�s?

Sim. N�o falo h� muito tempo, mas posso tentar.

Mas n�o, n�o preciso de uma atriz que fale um franc�s perfeito.

Preciso de algu�m que fale franc�s com sotaque turco.

Ou usaria uma francesa. Por isso estou aqui.

Certo.

H� muitos fot�grafos...

fazendo todo o tipo de fotos. Mas, o seu trabalho se destaca.

Qual � o seu segredo?

O que o faz diferente?

N�o digo que tenha um segredo.

Acho que no que tenho sorte � que o meu pai tenha sido um fot�grafo.

Aqui est� ela! M�e, n�o fale de trabalho!

Certo, filho! Voc� j� disse 50 vezes!

-Ol�. -Boa noite, querida.

Desculpem estar um pouco atrasada. Como vai?

-Meu pai, Sadik. Minha m�e, Gulsen. -Prazer em conhec�-los. Ol�.

Certo, vamos sentar.

Querido, n�o vai acreditar no que aconteceu.

Espera, querida. Pode me contar mais tarde.

Por favor!

Oh, o meu garoto!

-� maravilhoso. -Bem-vinda. Obrigado.

Neriman Teyze?

Me d� a honra de acompanh�-la pela exposi��o?

-Est� bem. Vamos l�. -Logo me junto a voc�s.

Quanto tempo v�o ficar em Istambul?

Voltamos amanh�. O trabalho n�o espera, como sabe.

-Certo. Pai, vinho? -Por falar em trabalho...

quando Burak disse que voc� era atriz, ficamos preocupados.

S�rio? Por qu�?

N�o entenda mal, somos de mente aberta...

M�e, me d� o seu copo, por favor?

N�o beba demais, filho. Vai dirigir.

N�o se preocupe comigo. Tenho a mais linda motorista.

-Todos os atores t�m vida ca�tica? -N�o.

Mas t�m altos e baixos, para ser honesta.

-N�o � bom para a vida familiar. -Vamos pedir?

Vamos pedir o nosso peixe, m�e?

-Quer ver o menu, pai? -Felizmente parece ser sensata.

M�e, n�o �amos discutir isto.

Filho, n�o me deixa dizer uma palavra! Bom, eu me calo.

Vamos beber � nova loja em Moscou.

Tomou a decis�o certa, querida.

-Sobre o qu�? -Por que ningu�m nos procura?

-Sobre atuar. -Por favor!

Desculpem.

-Podemos ver o menu? -Faz bem desistir de atuar.

Obrigado.

Pai, o que vai pedir?

Se n�o for congelado, vou querer o robalo.

-M�e? -Salmonete listrado.

Deniz, o que voc� quer?

Para ser honesta, n�o sei porque pensa isso.

-� �poca do salmonete, querida! -N�o. Sobre mim e de atuar.

Fiz um teste hoje. Tenho uma boa chance de ser chamada.

E se isso acontecer, vou filmar principalmente na Fran�a.

Se acontecer, n�o tenho nenhuma inten��o de desistir de atuar.

Desculpem, tenho que atender.

Para um jantar com os pais, isso atrapalha, Zeynep.

Mas est� uma loucura... Estou prestes a perder.

Eles pensam que vou desistir de atuar.

Como posso saber? Claro, � um assunto a ser discutido com Burak.

Ela disse que ficaram preocupados ao saberem que sou uma atriz.

"N�o � profiss�o para uma mulher de fam�lia".

"Temos nossos pr�prios pontos de vista".

"Ainda bem que desistiu".

Como pode ver Zeynep, estou ferrada, para ser sincera.

Eu te ligo mais tarde, certo?

-Devo enviar flores ou o qu�? -O que est� feito est� feito.

-Por que mentiu para eles? -Vire para a direita, Deniz.

Temos que virar.

-Por que disse que vou desistir? -Bem, o que eu devia ter feito?

Eles me enchem a paci�ncia h� anos.

Por que acha que ainda n�o tinham te conhecido?

Burak decidiu em meu nome e persuadiu os seus pais.

Estas coisas acontecem, certo Burak?

Se me tivesse dito, poder�amos t�-los persuadido juntos, n�o?

Persuadi-los de qu�, Deniz?

A atitude deles � �bvia.

-Como vai persuadi-los? -� a minha carreira, Burak! Certo?

E n�o pretendo desistir.

-Use o retrovisor! -Estou usando!

N�o mude de assunto!

Preste aten��o com rela��o ao retrovisor!

Certo, mentiu para mim. E ent�o?

Como n�o vou abrir nenhuma loja, o que planeja fazer?

-O que h� de errado em abrir uma? -O qu�?

-Por que diz "o qu�"? Por que n�o? -Deve estar brincando.

-N�o. -Voc� n�o sabe o que diz.

N�o sabe o que faz! Hoje � o filme franc�s, amanh�...

-Pode ser a chance da minha... -� sempre a chance da sua vida!

Tudo � a chance da sua vida!

Seja qualquer tipo de vida. Qualquer que seja o teatro.

-Est� fazendo outra vez. -O qu�?

Sempre que surge uma oportunidade tenta se meter no caminho.

-O que est� falando? -D� um tempo, meu Deus!

N�o, o sal�rio � ruim! N�o, � fora da cidade! N�o, � isto!

Tenho culpa de ser um fracasso? Eu te impe�o de ganhar um Oscar?

-Acha que sou um fracasso? -Olhe para voc�, Deniz.

Olhe bem para voc�, Deniz.

Se n�o � a chance da sua vida, � um filme franc�s. Acorda, Deniz!

O que est� fazendo, Deniz? Onde voc� vai?

Deniz, venha aqui!

O que foi, meu Deus?

Vamos l�, vou contar at� tr�s!

Mas tem que sorrir. Aqui vamos n�s. Um, dois, tr�s!

-Por favor, de quem � a exposi��o? -Acho que ele est� ali.

Bem-vindo a todos.

Estas fotografias foram tiradas...

Por um artista de est�dio, um profissional.

-Vou desligar, Burak. -Deniz.

S�o algumas das muitas que ele tirou durante mais de 40 anos.

Na verdade, s�o as poucas que sobreviveram entre milhares.

-Burak, o que �? -Estacionei no pior lugar.

Posso ser multado a qualquer hora. Pode sair, por favor?

-Eu posso te ver. -Certo, vou sair.

Foto Turgut era um pequeno est�dio no bairro de Gazi em Ancara.

E Yilmaz Turgut...

tirou fotos l� todos os dias por mais de 40 anos.

Costumavam vir ao est�dio dez pessoas por dia.

Isso d� 70 pessoas por semana.

Significa ver 300 rostos por m�s ou 3.650 por ano.

Ou 36.500 a cada 10 anos.

Depois de um tempo, para de se sentir sozinho.

Porque � medida que o tempo passa todos se tornam um rosto familiar.

Quando o perdemos, � cerca de um ano...

senti que realizar uma exposi��o seria uma forma de agradecer

em meu nome e em nome de todos os fotografados.

Obrigado a todos por terem vindo.

Deniz.

N�o vamos nos separar assim. Vou para a R�ssia pela manh�.

-N�o me mande embora assim. -Tenha uma boa viagem.

Olha, fiquei um pouco chateado.

Certo?

Burak, se pensa como os seus pais, dev�amos conversar.

Se pensasse, n�o estaria com voc�, em primeiro lugar.

Mas quando voc�...

Quando come�a a falar na "Chance da sua vida"...

Bem, fico transtornado. Entenda-me um pouco.

N�o somos a chance das nossas vidas, um para o outro?

-Conversamos mais tarde. -Certo.

Ent�o me d� um beijo.

Isto s� acontece porque te amo muito. Sabe disso, n�o sabe?

De verdade?

De verdade.

Tenha uma boa viagem.

-Zeynep! -Estou aqui.

Droga, Zeynep! N�o disse que n�o conseguia andar de salto?

-Viu? Quebrou! -Bom! � para aprender.

-Por que n�o ligou mais? -N�o vai acreditar no que houve.

Falei com voc�, olhei no espelho e a mulher estava atr�s de mim.

-Est� brincando! E da�? -Ela ouviu. Estraguei tudo!

-Bom! Ela ouviu de voc� mesma. -Esque�a isso.

Vou te mostrar uma coisa. Olhe bem, certo?

� voc�?

Acho que sim.

Onde arranjou isto?

Ozgur, n�o se zangue, mas se puder voltar algum dia...

-antes da loja ser alugada. Eu... -Eu volto, eu volto.

Olha, estou ocupado nas pr�ximas semanas...

Mas vou depois disso. Prometo, certo?

Est� bem, est� certo.

-Filho! -Mam�e.

Me deixou t�o feliz, Ozgur. E ao seu pai tamb�m.

Sabe de uma coisa? Se ele realmente nos puder ver...

-Certo, m�e. Certo, querida. -Ele deve estar muito orgulhoso.

Ele deve estar muito orgulhoso.

Certo, vamos l�. N�o se atrase. Liga quando chegar, certo?

-Ligo chegando em casa. -Est� bem.

N�o sei usar o celular.

Mam�e, quero te perguntar uma coisa.

Lembra de uma foto minha

quando tinha cerca de oito anos, tirada num lugar chamado Turgut?

Estou com um vestido florido, e o cabelo � altura dos ombros.

-Est� falando do seu tio Turgut? -Certo. Esquece, m�e.

-Escuta, vou desligar, certo? -Est� bem, querida.

-Boa noite. -Boa noite.

Por que fui perguntar?!

Todos adoraram a exposi��o.

Espere at� a capa da revista sair e as pessoas v�o ficar malucas.

-Olha, n�o pretendo ficar por aqui. -A que horas nos vemos amanh�?

-Para qu�? -Por que "para qu�"?

Para fotografar a capa, certo? Est� ficando senil na sua idade?

-O que foi? -Podemos sair daqui?

-Ozgur, o que foi? -Preciso de ar.

Certo. Vamos. Meu Deus, o que foi?

Voc� est� bem?

Olhe as escadas. N�o corra. Vou acender a luz, depois sobe.

Certo.

-Est� um pouco melhor? -Estou bem, estou bem.

-Apoie em mim, se quiser. -N�o, estou bem se for devagar.

-O que aconteceu de repente? -Eu me senti um pouco tonto.

Certo, agora deite e descansa. De qualquer maneira, eu fico aqui.

-N�o seja tolo. Volte para casa. -N�o, eu vou ficar.

-N�o precisa. Estou bem, s�rio. -Tem certeza?

Absoluta, � s�rio.

H� trabalho para fazer amanh� mesmo.

-Se precisar, me liga. -Certo.

-A qualquer hora. Boa noite. -Obrigado. Boa noite.

Exames Laboratoriais

Um pouco para a direita.

-N�o se mexa. Um segundo. -Pai, tamb�m devia sair nela.

Filho, n�o te mexas. Espera um pouco.

Muito obrigado. Pode seguir.

Consegue ir para casa sozinho?

Ent�o vai. Mostra para mim.

Yusuf, chegou o chiclete Turbo?

As crian�as da rua ao lado levaram o lote, Ozgur.

-Querendo aparecer, hein? -Volte para a sua rua!

Esta rua � nossa!

E a loja � nossa! Voc�s ficaram com todos os Turbos!

O que voc� tem com isso?

-Suma ou te quebro a cara! -Se me pegar.

Volte aqui e repete!

Duas colheres. N�o muito! Isso � o bastante.

Ozgur! Essa bicicleta era para ser seu presente de anivers�rio!

-Seu pai n�o podia esperar, n�o? -Posso andar mais um pouco?

Ent�o leva o almo�o ao seu pai e pelo caminho tr�s iogurte.

Voc� est� aqui? Espera, s� um momento.

O que est� fazendo? Eu n�o disse que massa crua n�o!

-Tenha cuidado. -At� logo.

-Tchau. -Ah, basta olhar para voc�!

N�o te dissemos para ficar longe?

O que est� acontecendo?

Continue at� ficar satisfeito.

-Eu cuido do outro lado. -Obrigado.

Eren, tem como adiar o outro lado por meia hora?

-Certo, n�o h� problema. -Voc� � maravilhoso. Obrigado.

-Com licen�a, um pouquinho! -Sim?

Acha que posso falar com o expositor?

Pai, o seu almo�o...

Sabe quem � esta menina?

-Por que pergunta? -Acho que sou eu.

Parece muito comigo quando crian�a, exceto que n�o me lembro da foto.

Ent�o n�o sabe se � a menina da foto?

Sei que � estranho, mas n�o tenho fotos da inf�ncia.

-� por isso que n�o sei. -� de Ancara?

-Sim. -Onde � que morou em Ancara?

O pessoal de Ancara se encontra

e acaba sempre por se conhecer de algum lugar!

Mor�vamos em Cankaya. O est�dio de seu pai era l�?

-No bairro Gazi, na verdade. -� onde meu av� morava!

Belezinha do vov�!

Pai, vamos busc�-los � noite e voltamos para minha casa.

Tem que ir trabalhar agora.

N�o saia sem o seu bon�. Certo, meu amor?

Tens que fazer sempre uma cerim�nia disto?

Como � que tem essa sorte toda?

-Desculpe, como se chama? -Deniz.

Sou Onur. Prazer em conhec�-la.

Deniz, que tal tirarmos algumas fotos agora?

-Mas, com o cabelo assim? -Claro. Est� �timo.

Em frente � sua foto de inf�ncia, por exemplo.

E que tal a usarmos mais tarde para uma capa de revista?

Para divulgar a exposi��o.

-Na verdade n�o sei. -Muito Obrigado!

Salvou a minha vida.

E agora? O que devo fazer?

Basta ficar em frente da sua foto.

Assim?

Estranho, n�o �? N�o me lembrar de uma foto como esta.

Talvez nunca a tenha vindo buscar. � por isso que n�o se lembra.

Devo dizer algo mais que n�o se lembra?

-Sim? -Enquanto a estava tirando...

eu tamb�m estava l�.

Nos conhecemos?

Desculpe.

Se encontrasse a coisa.

Ol�, Zeynep?

Estou a caminho.

Tenho que correr.

A minha mem�ria � terr�vel. Pode me falar agora?

Se vier ao est�dio amanh�, eu te dou uma c�pia da foto...

e temos chance de conversar. Onur, me traz um cart�o?

-Obrigado mais uma vez Deniz. -Obrigado Onur Bey.

-Prazer em conhec�-lo, Ozgur Bey. -Prazer.

Tchau!

Vov�, o que eles est�o fazendo?

Gravando um filme, querida.

M�e, grava filmes com o pai?

A filmagem acabou, querida. Agora, come o jantar.

Vov�, quando eu crescer vou ser uma atriz como voc�.

Deniz, come se quiser. Sen�o, vai direto para a cama.

Certo.

M�e, pode sair da frente?

Um... Dois...

Vamos gravar um filme?

A pequena fora-da-lei do vov�! Venha aqui, vamos l�!

� isso a�.

Agora, Ozgur, vamos ouvir o seu cora��o.

Estimo as melhoras, rapaz.

-Para voc� tamb�m. -Ah, para voc� tamb�m!

Ozgur? D�i muito, querido?

Oh, querido! Levante-se e vamos embora.

N�o, n�o. Tem que ficar.

� s�rio, por qu�? Disse que n�o era nada s�rio?

-Ele tem uma arritmia. -� o cora��o dele?

Precisamos fazer um ECG. Devia consultar um cardiologista.

-� o cora��o dele? -Sim. Vamos l�.

O homem nem sequer pode cuidar dele mesmo!

Quantas vezes disse para n�o deixar ela sair!

N�o, acabou. N�o tem mais vov�! Ela n�o vai!

Mas temos que deix�-la com ele at� a escola come�ar!

-Tire uma licen�a, ent�o! -Como? N�o tenho f�rias para tirar!

-Deixa o trabalho, ent�o. -Deixar? Legal!

-Quem vai pagar a escola, ent�o? -Coment�rios sarc�sticos agora!

-Zeynep! Sou eu! -S�rio?

-Sim! -Sim?

Al�m disso, o cara me conhece. Mas n�o consigo descobrir de onde.

-Telefone de Ozgur Turgut. -Posso falar com Ozgur?

-Quem fala? -Preciso falar com ele.

Algo a acrescentar? Se n�o, eu acabei.

-N�o, fez um bom trabalho. -Posso ajudar?

-N�o posso dar mais detalhes. -Pode esperar um segundo?

-Ol�? -Ozgur Bey, ol�.

-Tenho o Dr. Erdem na linha. -Certo. Estou aqui.

-Ozgur Bey? -Ol�. Como est�?

-Bem, obrigado. -J� o agendamos.

Para total recupera��o, precisa ser internado.

Compreendo. Quanto tempo tenho que ficar?

Pelo menos uma semana, Ozgur.

Quarta est� bem?

N�o vamos adiar isto. Amanh� � melhor.

Certo, obrigado. At� logo.

-O que foi? -Pode cancelar a agenda?

-Por qu�? -Depois explico. Esquece.

-O que digo �s pessoas? -Arranja uma desculpa. Vou embora.

N�o vou tomar estes comprimidos!

Pai, o que significa "gravar um filme"?

Gravar um filme?

Veja, o bot�o est� aqui.

Mas tirar uma fotografia n�o � apenas apertar o bot�o.

Se souber como olhar do �ngulo certo...

vai encontrar beleza em tudo.

E se capturar essa beleza, ent�o tirou uma boa fotografia.

Vamos.

A� est�! Agora, num lugar mais agrad�vel.

Ozgur Turgut.

Meu Deus! O cara � lindo!

N�o ria!

Fot�grafo nascido em Ancara. Premiado. Bl�, bl�, bl�...

Tem certeza que ele n�o est� brincando com voc�?

Viu que n�o lembrava.

"Como entrou na fotografia?"

"Meu pai era fot�grafo, as fotos fizeram parte de toda a minha vida,

mas diria que o meu interesse come�ou realmente

depois de um acidente de bicicleta que tive na inf�ncia".

O qu�? O que voc� disse?

-Ele teve um acidente na inf�ncia. -� ele? Como � que n�o percebi?

-Percebeu o qu�? Quem? -Eu n�o acredito!

Por aqui, linda. Vamos sentar naquele banco. Linda menina!

-Toma, um di�rio secreto para voc�. -Como a minha caixa secreta?

Mais secreto que isso.

Deve escrever no di�rio tudo o que sente no cora��o.

As mentes esquecem, os cora��es nunca.

Posso escrever sobre o garoto da bicicleta vermelha?

Malandrinha!

Bem, dizem que os grandes romances come�am com uma briga.

O seu come�ou com um acidente, n�o foi?

-Vov�, como acontece o amor? -Ningu�m sabe verdadeiramente.

Mas h� alguns sinais, � claro. O seu cora��o acelera, por exemplo.

Quer sempre, sempre, ver e estar com essa pessoa.

Ela significa o mundo para voc�. N�o se preocupa com mais nada.

-Estava apaixonado pela vov�? -Ainda estou apaixonado por ela.

N�o h� como saber se � sorte, destino ou coincid�ncia...

mas o cora��o vai e escolhe uma pessoa.

Quando vi a sua m�e pela primeira vez...

disse para mim mesmo "Vou me casar com aquela mulher".

�s vezes, sabe � primeira vista que aquela pessoa � o seu destino.

�s vezes, procura a vida inteira e nunca encontra aquela uma.

Meninas, partimos para Ancara amanh� �s 9:30H de Taksim.

-Ningu�m se esque�a de nada. -Certo.

-Essa foi dirigida para mim. -Claro que foi!

Vou ao est�dio do cara para buscar a foto.

-Quer vir tamb�m? -N�o. Por que havia de querer?

Est� bem. � sempre t�o desmancha-prazer.

-Ol�. -Entre.

-Este lugar � t�o bonito. -Obrigado.

-� aqui que trabalha? -Sim. Bem, onde moro, na verdade.

-Olha, podemos deixar o "voc�"? -Certo.

Perfeito.

Tem... Voc�... Desculpe...

Fotografou todas elas?

Sim, exceto aquela.

� voc�, n�o �?

-Acabou por se lembrar, hein? -Sim. Mais que isso, na verdade.

-Digamos que li sobre isso. -O que � isso?

O meu di�rio. Olhe, vou mostrar uma coisa.

-Olhe. -O qu�, aqui?

Sim.

"Finalmente conheci o rapaz da bicicleta vermelha.

Pulei em frente da bicicleta como fazem nos filmes.

Doeu bastante, mas tudo bem".

O que quer dizer? Saltou de prop�sito?

Parece que sim.

Fui atormentado pela culpa durante anos e voc� pulou de prop�sito?

Eu realmente sinto muito.

-Ch�? -Claro.

Como � que n�o tem fotos da inf�ncia?

Perderam-se.

Bem, quando nos mudamos, algumas caixas se perderam.

Todas as fotos e �lbuns estavam nessas caixas.

Quando n�o tem fotos da inf�ncia, at� se esquece de como era.

Por isso foi t�o estranho ver aquela foto ontem.

Tem muita sorte. Aposto que tem centenas de fotos.

Milhares.

O que faz?

Sou atriz.

Certo. Devia ter adivinhado.

N�o sou t�o boa como era na inf�ncia, mas bem, eu tento.

-Onde atua? -Temos um grupo de teatro.

�s vezes vou a testes. Filmes, s�ries de TV e outras coisas.

Atualmente h� uma chance de atuar num filme. Saberei logo.

Isso � �timo. Que tipo de filme?

Um romance. N�o sei se vou conseguir o papel, mas gostaria.

-Aposto que vai. -S�rio?

-Tenho um pressentimento. -Deus, espero que sim.

Parece saber escolher pessoas realmente especiais.

E esta � uma delas.

-Quantos anos passaram? -Vinte e cinco.

Vinte e cinco.

Mas os seus olhos n�o mudaram nada. Ainda s�o os mesmos.

Ele parece realmente profundo. T�o quente.

-Quer conhec�-lo? -O que quer dizer?

O capit�o � um grande cozinheiro e n�o est� longe. Pod�amos ir.

-O qu�, agora? -Que tal numa pr�xima vez?

-Claro. -Vinte e cinco anos mais tarde.

Certo. Vamos sim.

Desculpe!

Segura firme!

-O qu�? -Segura firme!

Capit�o.

-Ozgur! Bem-vindo! -Obrigado. Como est�?

Bem, pronto para partir!

-E voc�? -Bem. �timo, obrigado.

-Deniz. -Ol�. Como est�?

-Prazer em conhec�-la. -Muito prazer.

Obrigado. Sentem-se.

� a primeira vez que vem com uma garota.

E acertou na quina. N�o a deixe ir, certo?

Somos amigos de inf�ncia, capit�o. H� s�culos.

Melhor ainda. Sente-se.

-O que bebem? -O que tem?

Raki?

-Certo. Alguns mezzes... -Eu cuido disso, n�o se preocupe.

Obrigado, capit�o.

-Em que escola estudou? -Kolej. E voc�?

Deneme.

Tenho muitos de amigos de Deneme!

-Como quem? -Irem, Aysegul, Idil...

-Deve conhecer o Alp. Alto, fino... -Curly...

-Certo. Curly Alp. -Sim, conhe�o o Alp.

Aqui est�.

-Obrigada. -Obrigado Capit�o.

Estudei na universidade com o Alp, depois disso.

Mas n�o sei o que fez depois.

-Nem eu. -O que fez na universidade?

Eu j� trabalhava para o meu pai, n�o estava muito preparado.

E ent�o, para ser honesto, n�o tentei realmente entrar.

Ent�o sempre quis ser fot�grafo.

Sim. N�o desde sempre, mas quase. Quer �gua?

-Vou beber puro. -Aqui est�o, os mezzes.

-Obrigado, capit�o. -Obrigada.

Vou deixar para que voc� se sirva.

Certo, muito obrigado.

Obrigado. Parece tudo �timo.

� estranho nunca termos nos encontrado antes em Ancara.

-Talvez sim. -Talvez.

Nesse caso...

ao nosso encontro de inf�ncia e � foto que encontrei anos depois.

O seu rapaz da bicicleta ainda n�o passou?

-N�o estou � espera dele. -Claro que n�o est�!

-Estou s� brincando. Agora vamos! -Para onde vamos?

Tirar uma bela foto sua, hein?

-N�o quero! Vou ficar aqui. -Ficar aqui, hein? Venha!

"Sozinho para todo o mundo ver N�o � justo"

"Como pode ir t�o impiedosamente N�o pode partir assim"

Ozgur? O que est� fazendo, filho? N�o prometeu n�o correr por a�?

-Vai ficar todo suado. -M�e, por favor! Estou t�o triste.

-N�o posso sair? -Desliga isto. Triste, �?

Ou�a, se prometer n�o correr, pode levar o almo�o ao pai, t�?

-Palavra de honra! -Palavra de honra.

Certo, ent�o vai.

-Viva! -N�o t�o r�pido!

O que foi? Perdeu a coragem sem a bicicleta?

Vire a cabe�a um pouco para a direita.

Paci�ncia, j� vai acabar.

Olha, assim. Vai sair perfeito.

Vou dizer "Um, dois, tr�s!" e um p�ssaro vai voar daqui.

Mas sorria tamb�m. Aqui vamos n�s.

Um, dois, tr�s! Sorria um pouco. Sorria, agora.

Pai, o seu almo�o...

Ozgur, o que voc� fez filho? Desculpe, Kemal.

Limpa essa confus�o a�. Venha que te dou um ticket.

-Venha tamb�m, querida. -Certo.

Vamos gravar um filme?

-Muito obrigado. -De nada.

Raki?

N�o, n�o devia beber mais. Basta.

Certo.

-Onde vai atuar em Ancara? -No Teatro Sinasi.

-Conhece? -Sim.

-Quanto tempo vai estar l�? -Tr�s semanas mais ou menos.

Ainda n�o est� claro o que acontece depois.

Ozgur, podemos ir? � que sa�mos muito cedo amanh�.

Claro.

-Capit�o, podemos... -Onde v�o?

Acha que te deixava ir sem alguma halva?

-Capit�o, outro dia? -� agora ou nunca.

-Certo, vamos comer alguma. -Tem certeza?

Claro que tenho certeza!

-Certo, capit�o, ganhou de novo. -Desculpem.

-Al�? -Querida?

-Burak? -S� consegui ligar agora.

Devia ter visto a multid�o na abertura. Como voc� est�?

-Estou bem. -E, novidades sobre o filme?

-N�o. Ainda n�o ligaram. -N�o deu certo, ent�o.

-Foram s� dois dias, Burak! -Eles v�o ligar, espere.

Bem, j� teriam ligado se te quisessem.

Sei que fica zangada comigo, mas estou sempre certo.

-L� vem voc� de novo. Vou desligar. -Continua, se quer ser teimosa.

-Vou desligar, Burak! -Esteve bebendo, hein?

Parece estranha. Est� fora? Onde est�?

Estou na Academia do Oscar, Burak... Certo, adeus.

Obrigada.

-Est� tudo bem? -Sim.

�timo.

O seu namorado?

Sim.

Est�o juntos h� muito tempo?

Sim.

Tempo demais.

E voc�? Tem namorada?

N�o.

O capit�o esqueceu os garfos.

Acho que n�o posso subir na moto neste estado! Estou tonta!

-E acha que eu posso? -N�o fa�o ideia.

-N�o, olha, vamos de t�xi. -Certo.

Ol�.

-Deniz, onde mora? -Cihangir.

Primeiro para Cihangir e depois para Balat.

Deniz.

Deniz, chegamos a Cihangir. Deniz?

Deniz?

Vamos direto para Balat.

# Com o teu rosto no meu peito

# Fiquei � deriva novamente

# Enquanto a madrugada desliza pelo teu quarto

# O sol espalha-se pelo teu cabelo

# Pela primeira vez a minha vida despeda�ada est� inteira

# Apenas uma noite contigo e eu estou completo

# Ainda se desaparecesse, que visse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Ainda que desvanecesse, que conhecesse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Todas as minhas vit�rias s�o para voc�

# Levantei-me silenciosamente do seu lado

# Entrei no novo dia

# A tua respira��o � ouro em p� no ar

# Sou estranho a este sentimento

# Pela primeira vez a minha alma perdida est� calma e em paz

# Na noite passada, nasci de novo contigo

# Ainda se desaparecesse, que visse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Ainda que desvanecesse, que conhecesse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Ainda que desvanecesse, que conhecesse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Ainda que desvanecesse, que conhecesse o meu fim

# Ainda que saboreasse a morte, mesmo assim n�o estaria derrotado

# Todas as minhas vit�rias s�o para voc� #

-Vov�! -Deve estar l� dentro.

Pai!

Pai?

Pai?

Ele est� dormindo?

Deniz. N�o vamos ver o vov� novamente.

Como assim?

Porque...

-Porque ele foi para outro lugar. -N�o, n�o foi! O vov� est� ali.

Deniz.

N�o. O vov� j� n�o est� mais aqui.

-Nesse caso, eu vou com ele. -N�o, n�o. N�o diga essas coisas.

-Tenha um bom dia, Yilmaz. -Bem-vindo, Yusuf.

-Soube do funeral? -Funeral de quem?

Ele morava na pr�xima rua. Kemal.

-O ator? -Sim, ele faleceu.

-Oh n�o! -Temo que sim.

Ainda h� dois dias, tirei fotos da neta dele.

A sua alma descanse em paz.

Ozgur!

Merda!

Merda! Merda!

Onde est�? Estava preocupada! O telefone estava no silencioso.

-Estou a caminho. Esperem-me! -Estamos esperando!

-Tenho que pegar a mala. -Eu j� peguei.

-� uma do�ura. -Onde est�?

-Depois eu conto. -Certo, tchau!

-Estou aqui, estou aqui! Desculpem! -Onde se meteu, Deniz?

-Estou aqui. -Fale onde estava!

-Desculpe. -Antes de entrar!

-Fiquei na casa do Ozgur. Acho eu. -O qu�?

Lamento muito, s�rio.

-Como est�, Deniz? -Bem, n�o mal. E voc�?

Por que demorou?

Fiquei na casa de um amigo. Acho que adormeci.

Bom dia!

Por que est� dormindo a�?

Vou te dar boas not�cias para te acordar.

Ligaram da revista. Adoraram as fotos da capa.

-Onde est� a Deniz? -Quem � a Deniz?

Deniz!

Ela foi embora?

Desculpe o trabalho que dei. Obrigado por tudo. Perd�o, Deniz.

A Deniz � aquela... Oh, Deus!

Deniz, a garota da capa! Ah, seu traidor!

Onur, minha moto est� no Capit�o. Pode ir busc�-la?

-E deixa-me o carro, certo? -Para que quer o carro?

Inacredit�vel! N�o responde, age arrogantemente!

-Al�? -Ozgur Bey?

-Sim, sou eu. -Dever� ser hospitalizado hoje.

O Dr. Erdem pediu para confirmar com voc�.

Hospitalizado?

Certo. Volto a te ligar daqui uns minutos. Obrigado. Tchau.

Quem era?

Acho que devo te desejar melhoras. Vai ser hospitalizado.

-O que foi, Ozgur? -Olha, n�o � nada s�rio.

Outra noite voc� desmaiou. Cancelou uma semana de trabalho.

Vai para o hospital. E n�o � nada s�rio!

-N�o vou ser hospitalizado. -Ent�o o que era o telefonema?

-Bem... -Olhe, agora estou preocupado!

N�o h� motivo para preocupa��es.

E tamb�m n�o vou para o hospital. Onde est� o carro?

Se quer o carro, primeiro fala. Sente-se.

Entramos no t�xi e � tudo o que me lembro.

Eu estava totalmente apagada.

Depois, quando acordei, tinha vinte chamadas suas.

Acordei, estava no quarto dele.

S� isso. � tudo.

-Est� dizendo que n�o houve nada. -E n�o! Para com isso, meu Deus!

Ele � t�o lindo ao vivo como � naquela foto?

Zeynep!

Sim, Deniz?

Burak, como est�?

Bem. Almo�ando? E voc�? Ainda no Oscar?

Estou em Bolu. A caminho de Ancara para a turn�.

Esqueci completamente. Desculpe, n�o consigo acompanh�-la.

Burak, lamento ter desligado o telefone ontem. Certo?

Mas n�s temos problemas. Volta e conversamos cara a cara.

Mas, vai estar em turn� quando eu voltar, n�o vai?

De qualquer maneira � isso. Certo, querida?

Tenho que ir. A van vai sair.

Ligo em breve. Tchau.

Ozgur! Vamos l�, n�o vai buscar o seu relat�rio?

Vou sim!

N�o se esque�a de passar pelo seu pai no caminho!

Certo!

Na verdade, sou uma vagabunda da noite. Dou gra�as a Oberon...

-O que est� havendo? -Pratico para o teste de teatro.

Escola de Arte Ancara.

Precisam-se de jovens talentos!

-Inci! -Sim?

-Sabia disso? -O que � isso?

A Missy est� se preparando para o teste de teatro.

E o exame para a escola de ci�ncias?

Eu n�o quero fazer ci�ncia! Eu quero ser uma atriz.

�timo. Ent�o, vamos tir�-la da escola.

N�o desperdi�amos dinheiro. Certo, Inci?

J� que a Missy quer ser atriz.

-Bem, se n�o gritar... -Ent�o n�o me fa�a gritar!

-Esquece o teatro! Tire da cabe�a! -N�o, n�o tiro!

-O que disse? -Vou fazer o teste!

-Deniz! -O que lhe deu?

-Ela est� crescendo! -�timo!

Herdamos do seu pai.

Pai, sou eu!

Venha aqui agora. Estava � sua espera.

Fecha os olhos. Tenho uma surpresa.

Estica as m�os. Estica as m�os.

Abre seus olhos.

Pai. Obrigado. � realmente muito bom.

O seu presente pelo relat�rio. Gosta?

� realmente muito bom.

Caner. Algum dia vamos ter guitarras como aquelas?

-Pode ter hoje se quiser. -O que quer dizer?

-Se tiver coragem. -O que quer dizer?

-Quem atirou isso? -Vamos, esquece.

-Nem pense! Quem atirou isso? -Est� tudo bem. Esquece.

Deixa-me apenas lavar as m�os. Fica quieto. Olha, segura isto.

Aqui estamos, finalmente.

-Zeynep, n�o acredito! -O que foi?

Fora, r�pido. Leva a minha mala.

-Como � que..? -Esqueceu isto.

-Voc�... veio me trazer isto? -Disse que lhe significava muito.

Al�m disso, esqueci de te dar o meu n�mero.

Muito obrigada.

-S�rio. -N�o foi nada.

Vamos come�ar os ensaios a qualquer momento. Ent�o...

Talvez quando eu terminar...

-Podemos tomar uma bebida... -Seria �timo.

Vejo voc� mais tarde ent�o.

At� logo.

-O que foi? -Toma isto, toma isto.

Ele est� olhando, ele est� olhando.

Eu n�o acredito!

-H� quanto... -Agora que...

Voc� primeiro.

Eu ia perguntar h� quanto tempo n�o vem aqui.

Agora que estou aqui, percebo como tenho saudades de Ancara.

O meu pai dizia que para qualquer

pessoa de Ancara, Istambul era como o filho de outra pessoa.

Quando ela sorri, voc� a ama, quando ela chora, quer fugir.

� exatamente isso, acho eu.

-Fui uma chata ontem. Desculpe. -Sou eu quem se deve desculpar.

Quero dizer, quando n�o acordou, n�o sabia o que devia fazer.

-Ent�o o que vai fazer em Ancara? -Ver o est�dio do meu pai.

Precisa de arruma��o antes de alug�-lo.

Inquilinos t�m de ser encontrados. A minha m�e tem que gostar deles.

Deve ser dif�cil para a sua m�e.

N�o � f�cil. Mas ela � uma mulher forte.

-Como est�o os seus pais? -Bem. Est�o bem.

A minha m�e deve estar me esperando com um monte de comida agora.

Certo. Ent�o vamos.

-Muito obrigada por tudo. -De nada.

Bem, a estreia � amanh�. Talvez voc� queira vir.

-N�o � assim t�o chato, s�rio! -Nunca poderia me aborrecer.

-At� mais. -Tchau.

Oi, est� tudo bem. Esquece.

Deniz?

-Qual � o problema, querida? -Nenhum.

-Tem certeza? -Tenho. Estou bem.

Est� bem, querida.

Riram todos de mim, no inicio. "Como vai viver vendendo cremes?"

"Se ficar s� com a pens�o, eu conto".

-Passa os picles, irm�. -Toma.

Mas obriga suas vizinhas a comprar os cremes.

-Elas correm quando te v�em. -Nada! N�o as obrigo.

Elas tem cara de bunda e ainda dizem que n�o! Isso � obrigar?

Irm�...

-Como est� Burak, Deniz? -Bem, tio.

Abriram uma loja nova na R�ssia. Ele foi l� para isso.

-R�ssia? N�o � "diferente" l�? -De que maneira?

-Tipo "Quer tomar banho comigo?" -N�o! O Burak n�o � assim.

-Vamos � estreia, n�o vamos? -Claro que sim!

J� vou dar os convites.

Vou te dizer, quero um neto. Quero um neto.

Mas parece que n�o tem planos de casamento enquanto for atriz.

Por que haveriam de se casar? Eles s�o felizes como est�o.

Se ao menos tivesse estudado farm�cia.

O seu tio vai entregar a dele. Podia ter trabalhado l�.

M�e, n�o acredito nisso. N�o muda!

A fantasia da m�e com a farm�cia nunca vai acabar, suponho.

Ignore o que ela diz. Todos sabem da sua pe�a.

Verdade?

Lembra da s�rie que voc� fez?

-Quem n�o viu foi para o inferno. -Est� brincando!

-M�e? -Ningu�m comeu feij�o.

-Vamos comer agora. -Nem comeram nada disto.

Ah, nem v�o comer mais!

-Orhan, comeu demais. -Qual �, irm�.

-S�rio, voc� comeu. -Irm�!

Nem sequer tocou nisto.

Se o Omer estivesse aqui, ele tinha polido os pratos.

O que est� acontecendo?

Tem estado assim ultimamente. N�o para de falar do Omer.

-Devo ir ver se ela est� bem? -Espera, espera.

Aqui, trouxe a sobremesa.

-Eu terminei. Estava delicioso. -Oh n�o! N�o t�m pratos.

-Aqui tem, o seu ch�. -Obrigado.

Sabe que ultimamente tem sido dif�cil subir e descer escadas?

Bem, podia ir ao est�dio amanh�?

Claro. Hoje ligaram umas pessoas. V�o ao est�dio amanh� de manh�.

-N�o vai embora logo, n�o? -N�o.

Sorriam!

Obrigado.

Obrigado.

Na verdade, esta c�mera s� vale um viol�o.

Mas n�o posso fazer isso com voc�.

Ozgur, o que �...?

De onde surgiu esse viol�o?

� do Caner.

Ozgur, continue a pular assim que vai ficar todo vermelho.

Por que faz isto, filho?

Ozgur? Neriman!

O que disse o m�dico, Yilmaz?

O que ele pode dizer, Neriman? O mesmo que os outros m�dicos.

-Vai ser sempre doente. -Est� bem, est� bem.

Pai.

Onde est� meu viol�o?

-M�e! -Venha aqui.

-Encontrei o vestido de noiva. -M�e, de onde veio isso?

Venha. Olhe.

Venha.

Apertamos um pouco dos lados.

E vai servir perfeitamente.

Ainda nada � definitivo.

Ele te apresentou aos pais.

O que acha?

Lindo!

O seu pai tamb�m vem ao casamento?

N�o deixe que ele venha. Fa�a o que fizer!

M�e, est� bem?

O Burak � um bom rapaz.

Bom no trabalho dele. E ele te ama.

Eu sei, m�e. Por que est� dizendo isto?

Apenas estou!

N�o � f�cil encontrar algu�m em que possa confiar.

Apaixonei pelo seu pai. E olha o que aconteceu!

Eu, na verdade...

Ainda bem que me lembrou. N�o desliguei a m�quina de lavar.

-Leia! O que est� escrito aqui? -� s� a garota imaginando coisas!

-Imaginando coisas? Ela te viu! -Olha, para de fazer cenas!

Como pode fazer isto � sua pr�pria filha?

M�e?

M�e, o que est� fazendo?

-Bom dia! -Bom dia! Deixa-me te dar um beijo.

A esta hora j� tinha nascido. Uma coisinha pequena e torta!

-M�e, n�o posso ficar para o caf�. -O que est� dizendo?

Est�o � minha espera no ensaio.

O qu�, de est�mago vazio?

N�o, eu como por l�. Posso levar o carro?

As chaves est�o na caixa.

N�o devia ir assim.

N�o se preocupe m�e. Vejo voc� no teatro, certo?

-Ah, meu amor! -Acho que cresci, m�e.

Cresceu? Qual �! N�o cresceu nem um pouco.

Tem todo o jeito da crian�a que era.

-Ainda esconde coisas de mim. -O que est� dizendo?

O que estou dizendo? Que est� muito agitado.

Por que estaria agitado, m�e?

O pessoal vai ao est�dio daqui a 15 minutos.

-S�rio? Est� bem. -N�o posso me atrasar.

-Ent�o vai. -Obrigado.

-Pai! - Filho!

# Sozinho para todo o mundo ver N�o � justo

# Como pode ir t�o impiedosamente N�o pode partir assim #

Tem algu�m?

Sim?

Ol�. Estou aqui pelo aluguel. � um bom momento, agora?

-Que neg�cio pretende abrir? -Um cybercaf�

Ozgur! Vamos, filho. Vamos, filho.

Certo, pai.

-Vou s� limpar aquilo, depois vou. -Est� bem.

-Ozgur! Vou trancar a porta. -Certo.

# Sozinho para todo o mundo ver N�o � justo

# Como pode ir t�o impiedosamente N�o pode partir assim

# Pensei que te esquecia, querida Mas tenho estado � tua espera #

Esta � a nossa �ltima noite aqui. A estrada vai nos levar a Istambul.

Mas os nossos cora��es nunca v�o deixar Ancara!

Divirtam-se, pessoal!

Isto parece legal.

-Ol�. -Ol�, pessoal.

-Tem m�sica ao vivo, n�o? -Acho que j� acabou.

-Est� brincando. -Mas rola uma festa.

O DJ vai come�ar agora.

-O que acha? Tem DJ... -N�o, queremos ao vivo.

-Pod�amos ir ao Kibele. -Bem, � uma ideia.

Obrigada.

-O que vou fazer? -O que quer fazer?

N�o sei. O que faria na minha posi��o?

-Est� perguntando � pessoa errada. -Por favor, diga alguma coisa.

Pergunta o que eu faria se eu fosse voc�, certo?

Ent�o eu sou voc� e Burak � o meu cara. Certo?

Enfim, as coisas est�o bem com o Burak.

Alguns problemas com os pais dele, mas nada que n�o se resolva.

A�, um dia, o Burak e eu temos uma briga.

E, por acaso, vou de encontro ao meu amor de inf�ncia no mesmo dia.

Mas, infelizmente, aquele chor�o de sete anos...

tornou-se um cara lindo, com carisma, talento e enigm�tico.

E me fez sentir coisas que ningu�m me fez sentir antes.

Nunca olhei para ningu�m daquela maneira antes.

Obrigada. Est� ajudando muito.

Desculpe, mas o que devia dizer?

N�o sei.

Podia dizer, "controle-se, Deniz", por exemplo.

"Controle-se. O Ozgur pode ter sido o seu amor da inf�ncia".

"Ele pode ainda mexer com voc�".

"Pode sentir-se prestes a ter um enfarte sempre que o v�".

"Mas est� com o Burak h� s�culos".

"Ele nunca te magoou de verdade, nunca te traiu".

Acha que sou feliz com o Burak?

Posso fazer uma pessoa feliz se n�o estou feliz com ele?

-Ele te ama de verdade. -N�o, n�o ama!

Que tipo de amor � esse?

Pode amar algo que n�o sente ou n�o compreende?

Al�m disso, se te ama, por que quer que desista

das coisas que fazem de voc� quem voc� �?

Olha, n�o chore.

Em todo o caso, vive como quer viver, Deniz.

Vou engan�-lo. � tudo.

Diga numa palavra algo que perdeu e que te importava muito.

-Tem tr�s segundos. -A minha caixa de tesouros.

Bem-vinda � Escola de Teatro Ancara, Deniz!

-A minha m�e est� aqui. -Onde?

-A minha m�e, meu tio, minha tia. -Ah, Certo. Estou vendo.

Como � que eles est�o na fila tr�s? Bem, acho que v�o ver melhor.

Zeynep, Zeynep!

-Parab�ns a voc�, -Parab�ns querida Deniz.

Obrigada a todos.

-Deniz Usman? -Sim.

-Temos rosas. E um cart�o. -De quem ser�o?

L� vamos n�s.

"Para a Deniz mais bela do mundo, te amo".

Me d� isso. Mais tarde eu... Agora deixem-me pedir um desejo.

Certo.

Bravo! Bravo!

-N�o vai voltar tarde, n�o? -Hoje � noite vou, m�e.

-Devo lev�-las? -Sim, claro.

-Tchau. -Tchau.

Em Istambul.

-Em Istambul? -Sim.

-Ent�o, o que achou da pe�a? -Gostei.

N�o ligo muito a teatro, mas acho que foram fant�sticos.

Obrigada.

Estamos planejando algo. Quer vir conosco?

-Claro. -Vamos comer alguma coisa.

Me come, Zeynep. Me come!

-Devia ter vergonha! -Acabamos de nos encher de bolo!

-Est� bem. -Algum lugar para sair em Ancara?

Claro que h�. Que tal o Manhattan, por exemplo?

Tenho que atender esta chamada. J� encontro voc�s.

-Ol�? -Querida?

Desculpe ligar t�o tarde. Esperei a pe�a acabar.

Feliz anivers�rio!

Obrigada. E obrigada pelas rosas, Burak.

-Chegaram a tempo? -Sim. O timing foi perfeito.

# O meu di�rio secreto

# Talvez o esconda no meu cora��o Pensei em abrir um buraco

# Talvez os rios dentro de mim cheguem ao mar um dia

# Vou esperar pelo ver�o #

Obrigado, obrigado.

Uma pequena pausa, pessoal. Voltamos em cinco minutos. At� l�.

-Eu conhe�o o cara, sabe? -S�rio?

-H� s�culos. -Quem?

-Como est�? -�timo. E voc�?

-Est� aqui. Por que n�o avisou? -Bem. Foi meio repentino.

-Est� tudo bem com voc�? -�timo. Fazemos shows e isso.

Querida, por que est� sendo fria?

Foi a discuss�o?

N�o estou sendo fria. Por que diz isso?

-Bem, o que h� ent�o? -� meu anivers�rio, Burak.

O pessoal me espera. Por isso que estou com pressa.

-Certo, certo. -Vou desligar. Certo, tchau.

Tchau.

Tenho aqui um amigo que n�o via h� muito tempo.

Ele � a raz�o porque entrei na m�sica.

Al�m de um grande fot�grafo, ele tamb�m � um grande m�sico.

Ent�o deixem-me cham�-lo ao palco. Ozgur.

Hoje � noite �...

o anivers�rio de uma velha amiga muito especial.

Uma amiga muito especial que conhe�o h� 25 anos.

Isto � para ela. Feliz anivers�rio, Deniz.

Obrigada.

# Por raz�o nenhuma, ou por raz�o desconhecida

# Acho que perdemos a cortina e dissemos algumas coisas"

# Quando havia tantas raz�es e o tempo era o certo

# N�o fizemos nada nem dissemos nada

# Dissemos a outras pessoas que as am�vamos ao mesmo tempo

# Pusemos a cabe�a em outros ombros com uma sensa��o de confian�a total

# Pode n�o ter acontecido Pode ter acontecido

# Voc�, aqui todos estes anos

# Eu, aqui todos estes anos

# Nossos caminhos nunca se cruzaram exceto nesta noite de Setembro #

-Zeynep. -Sim, querida?

-Vamos dar um passeio. -Certo.

-Vejo voc� amanh�. -Certo.

-Obrigada por tudo, Ozgur. - Sem problema.

Parab�ns. A pe�a foi maravilhosa.

-Vamos sentar? -Claro.

No dia em que nasci houve um acidente.

Meu pai levou minha m�e ao hospital para um exame.

Eles sa�ram, entraram no carro...

e outro carro bateu por tr�s.

Rompeu a bolsa e minha m�e foi para a sala de parto.

E perceberam que eu estava enrolada no cord�o umbilical.

Imagina, se o carro n�o batesse, a minha m�e nunca teria sabido.

Teria ido para casa e eu teria morrido antes de nascer.

Lembro-me desta hist�ria em cada anivers�rio.

Digo a mim mesma que podia n�o estar aqui.

Que se estou, tenho um destino. Devia ser algo, fazer algo.

-Estou balbuciando, n�o? -N�o, n�o, n�o.

Quando � o seu anivers�rio?

-Com o sol nascendo, foi ontem. -Como? No mesmo dia?

-N�o acredito! � s�rio? -Sim, � s�rio.

-Parab�ns, ent�o! -Parab�ns para n�s dois.

Porque n�o disse?

N�o queria te roubar a aten��o.

Obrigada.

Ozgur, isto tudo n�o � muita coincid�ncia?

-Podia n�o acontecer? -Podia acontecer.

Onde esteve este tempo todo?

Tenho que te dar uma coisa.

O qu�?

Uma surpresa.

Alguma pista?

Temos que ir a um lugar onde n�o vai h� 25 anos.

# O tempo cai das minhas m�os ao ch�o

# E de l� para a varanda de madeira

# Os rel�gios tocam sempre na dire��o do amanh�

# As imagens est�o claras sem sol, os sentimentos mudam

# Os amigos dispersam-se no vento, seguem os seus pr�prios caminhos

# E voc� e eu, somos guerreiros perdidos contra moinhos de vento

# Vamos fluir para os mares como rios

# Talvez isso seja melhor #

Lembro-me vagamente.

Eu...

estava aqui.

O meu av� estava aqui.

E voc� deixou cair a comida mesmo aqui.

Fecha os olhos.

N�o abra ainda.

Abre.

# N�o vivemos mais que as borboletas

# Fomos feitos para amar, vamos come�ar j�

# Que mais temos a perder

Mantive-a aqui para o caso de um dia voc� aparecer.

# Tenho tudo o que o amor precisa

Obrigada.

# Antes que consiga respirar

# Antes que consiga respirar

# Antes que consiga respirar, eu te amo

N�o... chore.

# Voc� cresceu em volta do meu cora��o como hera

# Brincou com o meu sangue, injetou o seu veneno

# Fiou a sua rede na minha mente, como uma aranha

# Quanto mais penso em voc�, mais eu te quero

# Antes que consiga respirar

# Antes que consiga respirar

# Antes que consiga respirar

# Como �lcool correndo pelas veias

# Fico mais e mais intoxicado por voc�

# � como se tivesse perdido a minha alma

# E vivesse apenas para voc� #

Al�?

Querida, desculpe ligar t�o cedo.

Burak, j� te ligo, est� bem?

Certo. Liga quando der jeito.

Tenho algo para te dizer. Algo muito importante.

Ozgur.

Tenho que terminar uma coisa.

Se tem que tomar uma decis�o...

eu vou compreender, o que for que decida.

-Voc� est� bem? -Sim, estou.

-Tem certeza? -Absoluta.

Vai l�. V�, vai.

Podemos ir para Cankaya?

-Al�? -Adivinha onde estou, querida.

-Onde est�, Burak? -Em Ancara.

Est� em Ancara?

Ozgur?

O que foi, filho?

Tivemos uma oferta para tocar em Istambul, m�e.

E?

Vamos embora hoje � noite.

Embora para o Ano Novo? � isso?

N�o, m�e. Um trabalho regular. O dinheiro � muito bom.

E vou ter um apartamento com o pessoal.

Ozgur, n�o me meti no seu caminho antes e n�o quero come�ar agora.

Ozgur, olha. Voc� n�o est� bem, filho.

-M�e, eu estou bem. -Neriman, n�o perca tempo!

Ele fez as malas, fez os planos dele, os amigos est�o esperando.

-N�s n�o contamos para nada! -Acalme-se.

-Pai, olha... -Filho, voc� � doente!

Pai, j� passei tempo suficiente em hospitais.

Esta vida � minha. O risco tamb�m. Agora deixem-me, por favor.

Ah, tem uma vida! Bem, n�s n�o, droga!

Basta olhar para a sua m�e. "Ele est� bem? Tomou os rem�dios?"

"Ligaram da escola? Desmaiou?"

-Yilmaz. -Espera! Imagina como �

pensar que pode n�o voltar cada vez que sai pela porta?

-Chama a isso "vida"? -Ent�o a culpa � minha, pai?

-Acha que queria que fosse assim? -Filho, os seus limites s�o claros!

-E n�o pode ir al�m deles. -Quais s�o os limites, pai?

Quero ouvir!

Uma vida entre o hospital e o est�dio fotogr�fico?

N�o quero.

N�o quero uma vida assim, pai!

-O que quer ent�o? -Parem com isso!

Morrer num bar? Quer isso?

-Pelo amor de Deus! -Sil�ncio, Neriman!

Quis uma vida segura para ele desde que era crian�a!

Tentei que tivesse uma profiss�o, alguma seguran�a!

Quis que ele fosse independente se n�o estiv�ssemos por perto.

� contra isso que est� se rebelando.

Veja como quiser. Vou embora, pai.

Desculpe, m�e.

Ozgur? Est�...

Sai por aquela porta e deixa de existir para mim!

N�o vim para perturbar ningu�m.

-Quando nos encontramos? -Estou pronta numa hora.

-Encontramos no Cafemiz, certo? -Est� bem, querida.

Falo s�rio, n�o beba de garrafa aberta em bares e outros locais.

Sim. N�o se preocupe.

Se n�o se sentir bem por l�, volta logo para c�.

M�e, n�o vou para sempre, sabe.

Conhece algu�m de Ancara que fosse para Istambul e voltasse?

-Inci. Estamos atrasados. -Vamos ou perco o trem, m�e.

-N�o est� bem assim. -Est� bem. Perfeito.

Tio.

-Cuida da m�e por mim. -N�o se preocupe. V�, n�o atrase.

-Liga assim que chegar. -Est� bem, mas n�o fique esperando.

-Com licen�a, o lugar est� livre? -Sim, claro.

-Oh, desculpe. -Desculpe.

-Vai para Istambul? -Sim. Istambul.

Querida?

Olha o que encontrei no aeroporto. Nunca me falou nisto.

Est� maravilhosa. D� uma olhada.

-Temos que falar. -Claro que sim. Daqui a pouco.

Burak, n�o fa�a isso!

Deniz, quer casar comigo?

N�o posso.

-Como assim? -N�o posso casar com voc�.

-Porque n�o? -Porque...

Deniz, o que est� acontecendo? Qual � o problema?

Olha, se � por causa de atuar, tenho pensado sobre isso, Deniz.

Continue. Est� certa sobre isso. Vou te apoiar at� ao fim.

Deniz, o que foi? O que est� acontecendo?

N�o estou apaixonada por voc�, Burak.

N�o seja rid�cula, Deniz! O que significa isso?

Sinto muito.

Quando decidiu isso? O que houve enquanto estive fora?

Seja franca comigo, Deniz.

Por que diz, de repente, "N�o estou apaixonada por voc�?".

-Que hist�ria � essa? -Porque...

-Porque...? -Me apaixonei por outra pessoa.

N�o seja rid�cula, Deniz. Est� zangada comigo.

Por que diz que se apaixonou por outra pessoa?

O que houve nos �ltimos tr�s dias? Quem � ele? O que ele faz?

N�o importa quem ele �. Burak, mesmo que n�o acontecesse,

sabe que nunca fomos perfeitos. Faltou sempre alguma coisa.

O qu�, Deniz?

-Est� tudo perfeito. -Burak, n�o fa�a isso.

O que te fiz, Deniz? O que faltou? Te controlei demais?

Ou n�o me importei o suficiente? Sempre fiquei do seu lado.

Sempre... te apoiei nos seus piores momentos.

Quando foi a �ltima vez que tremeu por dentro ao tocar em mim, Burak?

Algum lugar te pareceu bonito s� porque eu estava l�?

Ou j� se sentiu realmente feliz s�,

e apenas s�, porque eu estava com voc�?

Um momento fugaz juntos alguma vez significou tudo para voc�?

O que fizeram, Deniz?

Dormiram juntos?

Que tipo de pergunta � essa?

-Dormiram? -O que importa?

-Deniz, dormiram? -Quer saber?

Quando? Enquanto estive fora?

Ou quando estava aqui? Quando foi a �ltima vez? Quando...

N�o v�.

-Isto n�o � real. -Engano, � real.

-Olha o que est� perguntando! -Uma �ltima chance, por favor!

Acredite em mim. Vou, para nos dar uma chance.

Pode at� ser tarde demais.

Uma �ltima chance.

Gostaria de ver o Dr. Cem Yorgancioglu.

Receio que o doutor tenha a agenda cheia nas pr�ximas duas semanas.

N�o posso esperar tanto tempo. E tamb�m sou um antigo doente dele.

Pode falar que Ozgur Turgut est� aqui?

Se quiser esperar, tento falar com ele.

Est� bem, obrigado.

Ent�o, pegamos o trem ou n�o?

Liguei para casa dele. Saiu � 5 minutos. O que fazemos?

-Entramos ou n�o? -Vamos sim. Vamos entrar.

A repara��o da v�lvula vai proporcionar al�vio por um tempo.

Mas n�o resolve o problema, como sabe.

Quer dizer que nunca vou recuperar totalmente?

O problema � o enfraquecimento do m�sculo card�aco.

Por isso, depende de voc� o al�vio que a v�lvula ir� proporcionar.

Tem que evitar coisas como festas, o palco, o stress excessivo.

-Entendo. Obrigado. -Espero que melhore logo.

-Lamento sua prova��o. -Obrigado.

-Ozgur. Pelo amor de Deus. -M�e, passaram quatro semanas.

Tendo em conta que estou melhor, posso ir.

-Oh Deus! Para onde? -Para Istambul.

-Mas Istambul. Ozgur... -M�e, n�o se preocupe.

Vou fazer como o pai quer e ser um fot�grafo.

-Mas n�o com ele. -Filho, eu...

Pai, disse que se sa�sse, deixaria de existir para voc�.

Parece ter esquecido. Mas eu me lembro.

At� mais.

Sim, Ozgur. Os seus resultados chegaram.

Parece que n�o tem tido muito cuidado consigo desde a opera��o.

Tamb�m vi seu arquivo de Istambul. Pode atender, se quiser.

N�o, continue.

O seu estado piorou muito, mesmo no espa�o de uma semana.

� muito grave?

Deixe-me explicar desta forma, sabendo que gosta de carros.

Quando a luz do combust�vel come�a a piscar...

pode andar mais 30-40 km, certo? � exatamente a� que est�.

Temos que resolver agora.

N�o faz sentido esperar pela sua vez.

Est� dizendo que eu...

Eu devia ser hospitalizado agora?

Pode me dar algumas horas?

Para ser honesto, Ozgur, precisamos intern�-lo j�.

E tamb�m pode precisar de suporte ventilat�rio algum tempo.

Mas a decis�o � sua.

Aqui est� o meu cart�o.

Ligue, se houver uma emerg�ncia.

E, entretanto, n�o fa�a esfor�os.

Est� bem, obrigado.

O cara � artista, mas o material � horr�vel!

Deniz! Pare de se lamentar. O Burak vai ultrapassar isto.

Cheguei a pensar que ele nunca largaria minha m�o.

Fez a coisa certa.

Al�?

Srta. Usman?

Sim?

Deniz Usman, certo?

Sim. Sim, sou eu.

Fez um teste para o nosso projeto. Gostar�amos de trabalhar com voc�.

S�rio?

Sim, � s�rio.

Oh, meu Deus! Muito obrigada.

Decidimos devido as fotos. Ent�o, podemos v�-la?

-Sim. Ligo depois. -Certo.

Est� bem, at� logo.

Me chamaram para aquele filme franc�s!

O cara decidiu quando viu as fotos.

N�o acredito! Tenho que contar ao Ozgur.

N�o sei o que fazer.

Quero contar para ela, mas n�o consigo telefonar.

-Tem que contar. Deve contar. -Ent�o o que eu digo?

Isto est� muito confuso. Posso nem sair vivo disto.

N�o fale bobagem! O que quer dizer?

Ama a garota?

Claro que sim. Sim! Sou louco por ela.

Est� bem, vou desligar.

Liga para Deniz agora mesmo. Eu te vejo l�.

Ele deve estar ocupado.

"O que est� fazendo, filho? N�o prometeu n�o correr?"

-"Olha, vais ficar todo suado". -"Estou entediado. Posso sair?"

"Ozgur"

"Filho, se est� ouvindo..."

"ou se um dia ouvir..."

"Tenho algumas coisas para te dizer".

"Quando uma pessoa v� o fim da sua vida a se aproximar..."

"Bem..."

"pensa de modo diferente".

"Perdoa-me, filho".

"Sei que tamb�m se sente mal".

"A raz�o por n�o ter vindo comigo..."

"� por ser como eu".

"� por isso que n�o posso ficar zangado com voc�".

"N�o posso, mas..."

"Sinto terrivelmente a sua falta, Ozgur".

"Lembra do que te disse?"

"Disse que tinha limites definidos, que n�o podia ir al�m deles".

"Eu n�o estava vendo o problema, filho."

"O problema n�o s�o esses limites".

"O problema � como preenche o espa�o dentro desses limites".

"Seja o que for, seja quem for, que d� sentido � sua vida..."

"Nunca os abandones".

"Nunca desista deles, filho".

"Todas os seres vivos conclu�ram o c�rculo da vida e morreram".

Posso entrar?

"A minha m�e... sim, o meu tio adoeceu na quinta-feira"

"e chamamos a minha m�e".

"Por que me disse que beijou a terra que eu pisei?"

"Eu devia estar morta".

"Lamento".

"Estou t�o cansada".

"Se pudesse descansar..."

"Se pudesse descansar um pouco..."

"Sou uma gaivota".

"N�o, n�o sou. Sou uma atriz. Sim."

"Ent�o ela est� aqui, tamb�m."

"Bem, tudo bem. O que pode ser feito?"

Calma. Tenha calma.

Dou a volta pelo outro lado.

Estou aqui. Tenha calma.

Vamos.

Vamos para o Hospital Medicana. Pise no acelerador.

"Eu amo ele".

"Na verdade, amo mais que antes."

"Amo com todo o meu cora��o. Irremediavelmente".

-Parab�ns. Foi maravilhoso. -Obrigada.

Al�, Ozgur?

Al�? Ozgur?

Al�?

Deniz?

Burak?

Ozgur n�o est� bem. Estamos indo ao hospital.

Hospital?

Familiares ou amigos de Deniz Usman.

Se n�o acharmos logo um cora��o, vamos perder Ozgur.

-Qual a sua rela��o com ela? -Sou a m�e dela.

Temos os resultados do exame cerebral.

Receio que ela n�o reagiu aos testes de fun��o.

Temos que concluir que ocorreu morte cerebral.

FORMUL�RIO DE CONSENTIMENTO PARA DOA��O DE ORG�OS E TECIDOS

Boas not�cias para voc�s! Achamos um cora��o compat�vel.

-S�rio? -Sim.

"Estou cansada de me perder enquanto te procuro"

Um colega vai falar com voc� sobre os procedimentos necess�rios.

# Quando penso que te encontrei, sinto-me separada de mim mesma

# Esta ser� uma despedida estranha

# Porque a verdade � que est� sempre dentro de mim

# N�o importa qu�o longe eu vou, est� comigo em todos os lugares

Estou aqui meu amor.

# N�o h� palavras para dizer

Voc� vai melhorar. # Estou indo embora

# Adeus

# Adeus

# Adeus

# Adeus

# Acho que nasci com a alma de uma �gua

# Est� no meu sangue empinar e galopar

# Adeus

# Um pouco de �gua, um pouco de ch� o lar � em qualquer lugar

# Carrego o mundo nas minhas costas

# Todas as linguagens s�o minhas

# Mas n�o h� palavras para dizer

# Que estou indo embora

# Adeus

# Adeus

# Adeus

Tradu��o: Paula Coelho Revis�o: Drcaio

Resinc: Marinhojmc

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