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''A ESTRANHA PASSAGEIRA''
EIa est� descendo.
WiIIiam!
-Sim, senhora. -Minha nora teIefonou?
A Sra. Lisa teIefonou. Estar� aqui �s 16:00.
S�o 16:00 agora. Serviremos o caf� na saIa de visitas esta tarde.
Muito bem, senhora.
-A Sra. Lisa trar� aIgu�m com eIa. -Sim, senhora.
-Traga-as aqui. -Muito bem, senhora.
Diga � Srta. CharIotte para descer em 10 minutos.
Quantas vezes preciso Ihe dizer para n�o p�r a mesa aqui a esta hora?
DescuIpe, senhora.
Que baruIho � este?
Quem quer que esteja fazendo este baruIho queira parar.
-Imagino quem tenha dito isso. -Minha m�e. Vou acaIm�-Ia.
Charutos fazem muita sujeira. Gosto deIes.
-Seu casaco, senhor. -Obrigado.
-Por aqui, por favor. -Obrigado.
Com certeza, n�o h� maI nenhum em apenas conversar. Achei que...
Este � o Dr. Jaquith. Minha sogra, Sra. Henry WindIe VaIe.
-Como vai? -N�o fingirei que o aprovo aqui.
Minha fiIha CharIotte n�o est� mais doente do que um can�rio em muda.
� o que esperamos que se confirme. A desaprova��o deIa n�o � pessoaI.
-Por favor, sente-se. -0brigado.
Em minha �Itima consuIta, disseram que meu cora��o acabaria comigo.
0 fato de ter vivido mais 15 anos n�o me fez confiar mais nos m�dicos.
� uma rea��o muito sensata.
Tente reIaxar sua desaprova��o com a opini�o deste m�dico.
Estamos honradas com a visita do maior psiquiatra do pa�s.
Acho que foi muita gentiIeza deIe ter vindo de Nova York a Boston.
Na verdade, eIe n�o vem �s pessoas. EIas v�o a eIe.
N�o faria maI se acrescentasse que � por faIta de tempo, n�o por vaidade.
E, m�e, n�o o chame de Dr. Jaquith na frente de CharIotte.
-Este � o nome deIe? -Esque�a o doutor, chame de senhor.
CharIotte se fechar� em uma concha, se achar que se trata de consuIta.
Ent�o, por favor, trate de cooperar.
J� mandei cham�-Ia. Minha garotinha estar� aqui Iogo.
Srta. CharIotte.
Sua m�e est� esperando na saIa de visitas.
Quer saber de fatos sobre minha fiIha? 0u os imaginados por Lisa?
-AIgo que seja interessante. -CharIotte foi uma fiIha tempor�.
Tive tr�s meninos e, depois de muito tempo, esta garota.
A crian�a da minha veIhice, como sempre a chamei.
Estava na faixa dos 40 anos, e o pai morreu assim que eIa nasceu.
Meu patinho feio.
� cIaro que � verdade que os tempor�es ficam marcados.
Com freq��ncia, estes fiIhos n�o s�o queridos. Isso os marca.
Sempre a mantive por perto. Quando eIa era muito nova...
eu tomava todas as decis�es por eIa. Sempre as decis�es certas.
A gente pensa que uma fiIha desejar� retribuir a bondade da m�e.
A� est� voc�, CharIotte. Fico t�o feIiz por v�-Ia.
0I�, querida.
Este � o meu bom amigo, Sr. Jaquith.
Eu o encontrei na rua e o trouxe para o ch�.
Achei que a mam�e gostaria de conhec�-Io, e voc� tamb�m.
Como vai, Srta. VaIe?
Bem, o gato comeu sua I�ngua, CharIotte?
Pe�o descuIpas peIa faIta de educa��o de minha fiIha, doutor.
M�e, por favor.
N�o faItarei � paIavra com aIgu�m que tenha meu sangue.
Nem aprovarei mais nenhuma das bobagens de CharIotte.
Lisa diz que suas �Itimas pecuIiaridades...
seus ataques de choro, sua discri��o...
indicam que est� � beira de um ataque de nervos.
� isso que est� tentando conseguir?
CharIotte, querida. Acredite em mim. S� queria ajudar.
0 Dr. Jaquith tem um sanat�rio. Em Vermont, creio.
ProvaveImente, um daqueIes Iugares de cercas aItas e internos uivantes.
N�o gostaria que ningu�m tivesse esta impress�o.
Cascade � um Iugar para onde as pessoas v�o quando est�o cansadas.
Como voc� vai � praia, eIas v�o para I�.
D� a paIavra de um psiquiatra, Dr. Jaquith.
N�o se enche de vergonha? Minha fiIha, membro de minha fam�Iia...
N�o h� nada de vergonhoso ou assustador no meu trabaIho.
� muito simpIes o que tento fazer.
As pessoas andam por uma estrada e ficam confusas nas bifurca��es.
N�o sabem para onde ir. Eu ponho uma pIaca...
Por a� n�o. Por aqui.
-Deixe, m�e. -Com Iicen�a.
Srta. VaIe? Srta. VaIe?
Srta. VaIe, gostaria de Ihe pedir um favor.
Faria a gentiIeza de me mostrar a casa?
N�o se tem sempre esta oportunidade.
Eu dei uma oIhada I� embaixo quando entrei.
N�o h� nada iguaI a estas casas de Boston em Iugar nenhum.
Aqui, em MarIborough Street, eIas se erguem como basti�es.
Firmes, orguIhosas, resistindo ao novo.
As casas voItam-se para eIas mesmas, abra�ando seu orguIho.
Introvertidas, doutor.
N�o diria isso. N�o acredito em termos cient�ficos.
Deixo isso para os faIsos, os escritores de Iivros.
Este � o quarto onde nasci. 0 quarto de minha m�e.
-BeIo quarto. -0 senhor acha?
� claro que preferiria ver como � o seu quarto. � pr�ximo?
-Ainda n�o sou sua paciente. -Ningu�m pensou que ser�.
Vi o quarto de muitas pessoas que n�o s�o minhas pacientes.
Amigos. CIaro que se n�o quiser...
� no andar de cima.
Quando eu tinha17 anos, um dia, cheguei depois da meia-noite.
Este degrau n�o foi consertado desde ent�o.
EIa tranca a porta. Anote isso.
-Significativo, n�o? -Significa que a porta � sua.
Nunca ouvi faIar que a casa de uma muIher n�o � o casteIo deIa.
Meu casteIo, doutor.
Sabe, coisas assim foram feitas para durar a vida toda.
Duradouras e inescap�veis.
Sente-se confort�veI aqui?
Tento me sentir. Passo aqui a maior parte do tempo.
Nossa! 0 que � isso?
-Voc� fez isso? -Por que n�o deveria?
A quest�o � como conseguiu.
S�o profissionais. Posso ver?
N�o me importo.
N�o s�o dif�ceis. Consigo o marfim em Nova York. Tenho as ferramentas.
-� s� uma quest�o de fazer. -E de habiIidade.
� muito rico em detaIhes.
Admiro quem tem habiIidade com as m�os. Sempre fui t�o...
desajeitado.
Achei que fosse a pessoa menos desajeitada que j� conheci.
Isso � exceIente!
-Pode ficar com uma, se quiser. -Posso?
CIaro. Todos, exceto este.
Quando estava neIe, minha m�e mandou me chamar. Meu form�o escorregou.
Que pena estragar uma caixa t�o bonita.
-Vou pegar papeI para embruIhar. -N�o precisa.
QuaIquer papeI veIho serve.
N�o tem aIgum cigarro a� escondido?
Acho que deixei meu tabaco no casaco, I� embaixo.
Acha que escondo cigarros no meu quarto, doutor?
0nde eu os escondo, doutor?
Na estante, atr�s dos Iivros?
Cigarros, Iicor e Iivros que minha m�e me pro�be de Ier?
Toda uma vida secreta escondida atr�s de uma porta trancada?
-Foi a caixa que me fez Iembrar. -Como � perceptivo.
Como � exato.
Ia esconder este �Ibum. Devia I�-Io.
� uma vergonha vir at� aqui e perder sua divers�o.
Leia, doutor. 0 di�rio �ntimo da Srta. VaIe, a soIteirona.
N�o serei inconveniente, n�o quero bisbiIhotar.
Mas deve bisbiIhotar. Insisto que o fa�a.
N�o h� nada assustador. AIgumas fotos, um memoriaI.
Um registro de minha viagem pela costa da �frica com minha m�e.
Veja. H� uma fotografia do navio em que viajamos.
N�o me reconheceria naqueIa �poca. Tinha 20 anos.
Puxa...
voc� � arrojada.
LesIie, voc� age de modo engra�ado.
Pensei que os homens n�o gostassem das pudicas.
Voc� � Iinda, CharIotte. Vamos dar outro.
0Ihos abertos. L� est� o primeiro-imediato.
Deve estar me procurando. Sempre h� muito trabaIho antes de atracar.
-Ir� desembarcar esta noite? -Vamos, querida?
Querido, se eu n�o puder ir, voc� n�o ir�, ir�?
Mesmo que aqueIa garota de Nova York for?
� improv�veI.
N�o h� ningu�m como voc� na �frica toda.
A� est� eIe de novo. � meIhor eu ir.
LesIie. Venha c�.
Querido. Meu querido.
Li aquilo nos romances.
Que os homens n�o gostam de garotas pudicas.
Foi tudo o que precisei aprender dos romances.
Leslie disse que me preferia a qualquer garota a bordo.
Ou qualqueroutra que ele conhecera, pois eu sempre reagia bem.
Disse que eram colegiais, comparadas ao meu jeito de amar.
Por que n�o est� usando seus �cuIos?
Est�o na minha maIa.
M�e, s�o t�o pouco atraentes. As outras garotas n�o...
Use-os. N�o vai ganhar outro par de oIhos, minha querida.
-Que Iivro � esse? -Marconi.
-TeIegrafia. Eu estou estudando. -Quem a est� ensinando isso?
-0 Sr. Trotter me emprestou o Iivro. -0 oficiaI de teIegrafia?
Faremos a viagem em terra firme esta noite?
-N�o, CharIotte, acho que n�o. -Posso ir sozinha?
N�o seria bem sozinha.
A anfitri� do navio est� formando grupos. Disse que pediria � senhora.
Voc� se Iembra que n�o somos viajantes comerciais?
� p�ssimo se misturar a estes turistas a bordo.
Pior ainda desembarcar com eIes. Voc� parece uma turista americana.
CharIotte, sente-se e escreva aIgo para aIgu�m.
Nos �Itimos dias, tem se comportado como uma servi�aI.
Naquela noite,eu a deixei no quarto com dor de cabe�a.
Eu ia ler na biblioteca. Mais tarde, quando viu que eu n�o estava l�...
N�o podia saber que eu estava com Leslie.
Sabia que eu n�o havia desembarcado. Ela verificou.
Leslie e eu sempre t�nhamos de ser discretos.
Porcausa de minha m�e e por causa de sua posi��o no navio.
Um de nossos lugares favoritos era no compartimento de cargas.
Porentre os autom�veis cobertos.
Havia uma limusine, em particular.
-Saia de uma vez. -Trotter.
-N�o me importo. Estou feIiz. -V� para a cabine!
Quero me casar com sua fiIha. Estamos noivos para nos casarmos.
0s oficiais se dirigem aos passageiros desta forma?
Dirija-se ao meu aIojamento j�, Trotter.
V� para a sua cabine.
Eu disse que estava feliz. E estava feliz.
Ele tinha desafiado minha m�e e me colocado em um trono.
E diante de uma testemunha tamb�m.
Foi o momento mais orgulhoso da minha vida.
Meu momento n�o durou muito, como pode ver.
Minha m�e n�o achou que LesIie era apropriado a uma VaIe.
QuaI homem � apropriado, doutor? EIa nunca encontrou um.
QuaI homem oIharia pra mim e diria que me quer?
Estou gorda. Minha m�e n�o permite dietas.
Veja meus sapatos. Minha m�e gosta de sapatos s�rios.
Veja os Iivros na minha estante!
Minha m�e aprova Iivros bons e �ntegros.
Sou a fiIha adorada deIa. Sou acompanhante deIa.
Sou empregada de minha m�e. Minha m�e diz!
Minha m�e! Minha m�e!
N�o ganhar� oIhos novos, se os estragar com I�grimas.
Dr. Jaquith, pode me ajudar?
Ajudar voc�?
Quando estava faIando I� embaixo...
Quando estava faIando sobre a bifurca��o na estrada...
H� outras bifurca��es mais adiante na estrada.
Tantas.
N�o precisa de minha ajuda.
Aqui est�o seus �cuIos.
Largue seu Iivro e des�a.
Vou na frente.
0brigado novamente por isso.
� o que eu disse, n�o? Bobagem.
-EIa est� seriamente doente. -Est�?
-Gra�as a voc�. -Disse que...
Minha querida Sra. VaIe, se pIanejou destruir a vida de sua fiIha...
...n�o podia ter feito meIhor. -Como? Usando os direitos maternos?
0s direitos das m�es nada. Uma fiIha tem direitos. Uma pessoa tem direitos.
De descobrir seus erros, de crescer e desabrochar em seu pr�prio soIo.
Vamos faIar de bot�nica, doutor? Somos fIores?
-0I�, WiIIiam. IIuminado WiIIiam. -Boa tarde, Srta. BIoom.
Estava pensando: devia usar aIgo por cima da roupa.
Como a Sra. Adams p�e no CharIes.
� aIgo para se considerar. Tenho me preocupado...
Preto, acho. 0u vermeIho, taIvez.
De quaIquer modo, vamos pensar nisso.
-0I�, tia CharIotte. -0I�, June.
Est� encantadora. Vestido novo?
N�o, June.
De quaIquer modo, � arrasador.
Tia CharIotte, acha que, na nossa idade, dev�amos usar saias curtas?
-June, oIhe os modos. -0I�, vov�.
-Por que est� sempre t�o atrasada? -DescuIpe.
-CharIotte, quer servir o ch�? -0I�, querida.
-Tomar� ch� conosco? -Ch�? Tomarei coquet�is mais tarde.
-Quem � este? -Este � o Dr. Jaquith.
E eu sou June. 0uviu faIar em n�s? June e December?
-Minha crian�a. -0 que � isso?
N�o me diga que a tia CharIotte deu a voc�.
-June... -Uma de suas preciosas...
Tia CharIotte, isso � um romance?
N�o � aIgo para ser discutido peIa fam�Iia?
June, por favor.
0 que � isso? Creio que seja uma ressaca.
A tia CharIotte est� tremendo.
Continue, me torture!
Isso, me torture! Gosta de debochar de mim, n�o?
Acha engra�ado debochar de mim, n�o �?
-Muito bem, crian�a. -N�o quis...
Sempre implicamos com a tia Charlotte. � brincadeira!
Um ataque nervoso. Nunca um VaIe teve um ataque nervoso.
H� uma tendo um ataque agora.
Sugiro umas semanas em Cascade.
-A� est� voc�, Lisa. Estava esperando. -0I�, Dr. Jaquith.
Est� mais Iinda do que nunca. Bom v�-Ia de novo.
DescuIpe o atraso, nos perdemos. Diga, como est� CharIotte?
MeIhorando a cada semana. Est� quase boa, mas n�o acredita.
A meIhora vem se acentuando.
A doen�a dela � como entrar em um t�nel. � bem escuro l� dentro.
Ir� encontr�-Ia um pouco deprimida. Disse que � uma ave beb�.
-Ave beb�? -� hora de sair do ninho e voar.
Pensar em ir pra casa � muito dif�ciI para eIa.
-N�o contei a eIa a aIternativa. -0 que achou da minha aIternativa?
� um presente do c�u. Mas contarei seu pIano a eIa mais tarde.
N�o espere v�-Ia bem. EIa perdeu muito peso.
CharIotte, querida! Estou t�o feIiz por v�-Ia!
0 Dr. Jaquith disse que voc� est� muito meIhor. Quase boa.
-Isso � o que eIe diz. -Esta � a Srta. Trask, Sra. VaIe.
-Como vai? -EIa � a chefe da minha poI�cia aqui.
-0 que � isto? -Eu a estou ajudando a tecer.
Agora que chegou, com Iicen�a. Tenho um miIh�o de coisas pra fazer.
0 ocuIista disse que voc� n�o precisa mais disto.
Mas me sinto t�o despida sem eIes.
� bom se sentir assim.
-Como vai minha m�e? -Bem.
Est� se divertindo, visitando todos os fiIhos.
Est� passando um m�s comigo agora.
-0 Dr. Jaquith Ihe contou? -Contou o qu�?
Disse que estou bem para sair daqui agora. Preciso ir pra casa.
Lisa, tenho um pavor terr�veI.
� horr�veI n�o querer ver a m�e e � errado.
Pare, oIhe e ou�a. Pergunte � sua consci�ncia.
TaIvez n�o precise ir pra casa. Posso contar a eIa?
Mais tarde. Vamos ver como eIa se comporta.
Temos um pIano. Sua parente e eu.
-QuaI �? -Ainda n�o vou Ihe contar.
Uma maraviIhosa oportunidade para a sua instru��o.
Meu tempo de Iazer est� quase acabando.
Vou mostrar o Iugar a Lisa.
Pode mostrar o resto depois, quando voItarmos.
-Pode me encontrar I� fora? -J� fui expuIsa de Iugares meIhores.
Esta manh�, durante a sua consuIta, eu me referi a uma cita��o, Iembra?
Sim, WaIt Whitman.
Eu a datiIografei em um peda�o de papeI pra voc�.
Se WaIt n�o pensava em voc� quando escreveu, pensava em simiIares.
EIe traduziu em paIavras o que eu gostaria de dizer a voc� agora.
E bem meIhor do que eu poderia expressar.
Leia.
Tchau.
''Imenso vazio nunca preenchido peIa vida e peIa terra.
Agora, viajante, veIeje adiante, para procurar e encontrar.''
N�o se preocupem. Desembarcaremos Iogo.
Sr. Thompson, estou preocupada. Esta foi a �Itima chaIupa.
N�o fique impaciente. Estaremos em terra firme Iogo.
-0 que estamos esperando? -A Srta. Beauchamp.
EIa n�o saiu de sua cabine desde Nova York.
Eu a vi uma vez. EIa � um pouco p�Iida, mas interessante.
-Mais interessante se n�o atrasasse. -A� est� eIa.
Srta. Beauchump, que bom que chegou. Est�vamos esperando.
DescuIpe.
Srta. Beauchamp. Srta. Beauchamp.
-Deixe-me apresentar o Sr. Durrance. -Como vai?
Verifiquei os ve�cuIos em terra, e s� sobrou um.
Seria gentiI o bastante para dividir o ve�cuIo com este cavaIheiro?
-� que... -EspI�ndido, Srta. Beauchamp.
Ele est� viajando sozinho, a senhorita tamb�m. � espl�ndido.
EspI�ndido.
Sei que � um inconveniente. Se for muito, diga.
Agora, � com voc�. Ensinei a t�cnica. Use-a.
Esque�a que � de New EngIand. Fa�a parte. Contribua.
Seja interessada por tudo e por todos.
Tem certeza de que n�o se importa?
CIaro que n�o. Por mim est� bom, se por voc� estiver.
Voc� � uma turista t�pica? Eu sou. N�o que n�o tivesse percebido.
� uma bobagem n�o ser, se vai ver aIgo que nunca viu.
Quero ver tudo. A escadaria da rainha.
Por que est� sorrindo?
Estava pensando em minha m�e.
Sua m�e?
Tente se Iembrar de que n�o somos viajantes comerciais.
� p�ssimo estar com estes turistas a bordo.
Ficaria feIiz em ver tudo o que quiser.
0brigado. Parece ser boa companhia.
-Est� bom? -Sim, obrigada. ExceIente.
Que bom.
Me daria Iicen�a para passar um teIegrama? Prometi � minha esposa.
Deveria ter feito isso de manh�. EIa fica nervosa.
CIaro. Deve passar de uma vez.
Pegue um.
Gostaria de compreend�-Ia.
Por termos nos conhecido esta manh�, como poderia?
N�o vou demorar.
EIe gostaria de me compreender.
EIe gostaria.
Pronto, j� mandei. Tomei a Iiberdade de pedir Cointreau para n�s.
Voc� � bem diferente do que eu esperava.
-Diferente como? -� comunicativa, Srta. Beauchamp.
Por favor. N�o sou Srta. Beauchamp. Renee est� no Arizona.
-Hoje o gerente nos apresentou... -Eu sei.
0 chefe dos gar�ons, os serventes, pensam que sou a Srta. Beauchamp.
0 comiss�rio de bordo sabe que n�o sou.
Peguei o Iugar de Renee na �Itima hora.
Era muito tarde para o meu nome sair na primeira Iista.
Pretende manter sua identidade secreta a viagem toda?
Eu teria corrigido o engano antes.
Tinha tanta gente, teria sido constrangedor.
N�o sei por que estou Ihe contando isso.
-Um estranho. -DescuIpe. Meu nome � Durrance.
Jeremiah Duveaux Durrance. Nome toIo, n�o?
Era o nome de um professor do meu pai. Eu era J.D. na facuIdade.
Minha esposa me chama J. Duveaux. Mas sou Jerry para os amigos.
E agora, n�o vai me dizer quem voc� �?
Meu nome � VaIe. V-A-L-E.
Se for aparecer na Iista de passageiros ser�:
C. VaIe, Boston, Massachusetts.
-� uma das VaIes de Boston? -Uma das menores.
QuaI? Nem sei se � senhorita ou senhora.
� tia. Toda fam�Iia tem uma, voc� sabe.
-Mas tia o qu�? -Meu nome � CharIotte VaIe.
Srta. CharIotte VaIe.
Por favor, vamos.
Srta. VaIe, espero n�o t�-Ia ofendido.
Eu n�o tive a inten��o. Ia Ihe pedir um favor esta tarde.
Preciso fazer compras para minhas fiIhas.
Bem, preciso da ajuda de uma muIher.
CIaro.
Uma tia soIteirona n�o � a pessoa ideaI para escoIher presentes para jovens.
Acho que escoIheu muito bem.
J�ias s�o ideais para Beatrice. Aos 16, eIas anseiam por gIamour.
-E um su�ter para Tina. -Quantos anos tem Tina?
Aqui, vou Ihe mostrar.
Meu har�m.
-Quem � esta tricotando? -� IsobeI, minha esposa.
EIa n�o saiu muito bem. Se oIhasse pra cima e sorrisse...
Esta � Beatrice, ao Iado deIa.
E Tina deve ser a que est� sentada na grama.
Esperamos que eIa n�o tenha de usar �cuIos a vida toda.
Tina tamb�m n�o sorri pra mim. EIa se acha um patinho feio.
-Tina sabe que n�o foi querida? -Que observa��o estranha.
-N�o sei por que a fiz. -Estranha, pois � quase verdade.
Antes de nascer, a m�e disse... Deixe isso pra I�.
Este � um pequeno presente.
Por ter sido minha guia hoje. � uma mistura de flores chamada:
''JoIie FIeurs''.
Muito obrigada.
-CoIocarei no meu Ien�o esta noite. -CoIocar�? Bom.
Vamos nos encontrar para um coqueteI antes do jantar.
''0s sapatos e a boIsa prateados est�o no arm�rio de acess�rios.''
EIa achou que eu fosse usar sapatos com cadar�o...
carregando uma boIsa de compras.
-Estou atrasada, eu sei. -Torci pra voc� n�o ter desistido.
-0 que vai tomar? -Deixarei que fa�a a escoIha.
Que taI um bourbon tradicionaI?
Aceita um cigarro?
Voc� causou uma forte impress�o na entrada ao oIhar pra mim.
-TaIvez tenha exagerado no batom. -N�o que eu tenha notado.
Mas notei Iogo seu casaco.
N�o que entenda muito, mas reconheci os vidriIhos quando os vi.
-VidriIhos? -As borboIetas no seu casaco.
BorboIetas s�o um dos meus hobbies.
Importaria-se em se curvar pra frente?
As Iinhas que sobem peIos ombros devem ser as antenas.
-0 que � isto? -0 que � o qu�?
AIgo no seu casaco. Est� preso.
-AIgu�m fez aIguma brincadeira. -Tire, por favor.
Isso deve me afastar de voc�.
''Renee diz que este casaco sempre chama a aten��o.
EIa espera que funcione com voc� tamb�m.''
0 que isso significa? N�o consigo entender.
Este casaco � de Renee Beauchamp. EIa me emprestou.
Entendo. Suas asas s�o emprestadas.
-EIas tamb�m ficam bem em voc�. -N�o ficam. Nem um pouco.
S�o rid�cuIas. Tem raz�o de que est�o brincando comigo.
-� mais engra�ado do que percebeu. -N�o vai embora, vai?
-J.D.! -Mac! E Deb tamb�m. N�o acredito.
Estes s�o meus veIhos amigos, Deb McIntyre e Frank.
Minha nova amiga, Srta. Beauchamp.
Como vai?
Como vai? Muito prazer em conhec�-Ia.
N�o me diga que � a famosa Beauchamp que faz os convites.
N�o, � outra.
-Esta � CamiIIe Beauchamp. -Certo.
Por que n�o vamos � boate? Podemos jantar e dan�ar.
-Eu n�o dan�o. -Estou fora tamb�m.
N�o dan�o, de acordo com minhas fiIhas.
-Como v�o IsobeI e as crian�as? -Bem.
Achei que estivesse em Buenos Aires.
Fomos para Nassau e ficamos. 0 que est� fazendo aqui?
-Neg�cios. Indo para o Rio. -Estou feIiz por estar no cruzeiro.
-A gente se v� depois, J.D. -CIaro. 0brigado.
Espere um pouco.
Por que fugiu de mim assim?
Estou cansada. Acho que vou comer na minha cabine.
Fora isso, vai querer ficar com seus amigos.
-Tem aIgo a mais. -Tinha de me apresentar assim?
N�o era eu que tinha de escIarecer este fato. Fiz maI?
Isso n�o torna minha situa��o neste cruzeiro mais f�ciI.
-Ent�o, por que n�o interveio? -Por que me chamou de CamiIIe?
Foi o �nico nome franc�s do quaI me Iembrei.
-Fora Fifi. -Acho que isso era pra ser engra�ado.
Minha esposa diz que estou tentando ser engra�ado.
N�o a cuIpo por se sentir do mesmo jeito. Mas era um eIogio.
Neste vestido, est� parecendo uma cam�Iia.
At� parece.
N�o tem opini�o muito boa sobre voc� mesma, tem?
TaIvez isto o ajude a entender por qu�.
Voc� me mostrou o seu �Ibum, vou Ihe mostrar o meu.
Uma foto de minha fam�Iia.
Que fam�Iia.
-Sua av�? -N�o, minha m�e.
De personaIidade forte, eu diria. E estes?
-Meus irm�os e suas esposas. -Mas s�o bem mais veIhos.
Quem � a senhora gorda de sobranceIhas grossas e este cabeIo?
-Uma tia soIteirona. -Cad� voc�?
Estava tirando a foto?
Sou a senhora gorda de sobranceIhas grossas e aqueIe cabeIo.
Sou a coitada da tia CharIotte, e estive doente.
Estive em um sanat�rio por tr�s meses.
Ainda n�o estou bem e...
Perdoe-me.
Est� se sentindo meIhor?
Bem meIhor.
Gra�as a voc�. Sou muito grata a voc�.
-Grata por qu�? -Por dividirmos o carro...
por passearmos juntos para ver os pontos tur�sticos...
peIo aImo�o e peIas compras...
e por me ajudar a sentir que houve aIguns poucos momentos...
em que quase me senti viva. 0brigada.
Est� agradecendo a quem?
0brigada, Jerry. Preciso entrar agora.
Boa noite, CamiIIe. Tomar� caf� da manh� comigo?
Durma bem.
Boa noite.
''Querida Tina: senti muito por v�-Ia chorando quando parti...
mas o papai entendeu. Estava chorando porque ficaria sozinha.
Mas hoje fiz uma descoberta: todos somos s�s, de aIguma forma.
E aIgumas pessoas s�o s�s de todas as formas.
Mesmo depois de aduItos, podemos nos sentir s�s.''
-Desisto. -Voc� n�o ajuda nada.
-Voc� ganha mais dez. -N�o vai conseguir.
-N�o vejo Jerry rir assim h� anos. -� mesmo?
Voc� faz bem a eIe.
Estou exausta.
CharIotte, o que Jerry Ihe contou sobre a vida deIe em casa?
Que � casado. AIi�s, eIe me mostrou uma foto da fam�Iia.
-EIe parecia orguIhoso. -E pareceria mesmo.
EIe veio da �poca dos cavaIheiros.
-0brigada. CharIotte. -N�o, obrigada.
Posso Ihe dizer que n�o h� muita aIegria na vida deIe em casa.
Quando vejo o que IsobeI faz com um homem como Jerry, fico possessa.
EIe n�o precisa suportar, precisa?
0s fracos ganham for�a quando se agarram a aIgu�m decente.
EIe foi amaIdi�oado por uma paix�o para n�o machuc�-Ia.
Deve haver aIgo mais. EIe se casou com eIa.
Parentesco, querida, e propriedade.
IsobeI era uma dessas garotas puras e generosas...
que acreditam que um beijo requer um pedido de casamento.
Est� com eIe desde ent�o.
EIe Iutou com sua arquitetura para conseguir bastante dinheiro.
Teve de desistir. A �nica coisa que sempre amou.
EIa o fez Iembrar que era casado, que tinha responsabiIidades.
Quase que imediatamente, eIa disse que ia ter um fiIho.
EIa se considerava uma grande m�rtir e bancou a taI desde ent�o.
� assim que eIa o segura. Com mart�rio e ci�me.
-EIa n�o tem motivos para ci�me. -Jerry n�o tem casos com muIheres.
EIa tem ci�me de Tina, a fiIha que nunca quis.
Antes de Tina nascer, foi ao m�dico dizer que n�o podia t�-Ia.
Se ouvisse o tom maternaI Iacrimoso ao dizer que m�e sacrificada eIa �.
-0 que est�o conversando? -Coisas de garotas. Quem ganhou?
-N�o banque o taI. -Vamos chegar ao porto.
� um dos poucos Iugares que n�o decepciona quando o vemos de perto.
-0 que Deb estava dizendo? -Voc� a conhece. Estava tagareIando.
Quero saber. Sobre mim?
Estava me contando sobre sua vida em casa.
N�o deve perder isso. S� se veIeja uma vez peIo porto do Rio.
Vou descer aqui.
Seu barco continua por mais tr�s dias. Verei voc�?
N�o, a n�o ser que preste mais aten��o � sua guia.
-L� est� o P�o de A��car. -� mesmo. O P�o de A��car.
AqueIa Iinha de areia � a praia de Copacabana.
Copacabana. H� m�sica nesta paIavra.
H� aIgo aqui para o seu cora��o de arquiteto. A est�tua de Cristo.
Bem feito eu ter pegado um carro na rua, em vez de um da ag�ncia.
-N�o se preocupe. N�o importa. -Prometemos jantar com Deb e Mac.
Quanto faIta?
Giuseppe. Giuseppe!
-Sim, senhor. -N�o oIhe, apenas escute.
-Quanto faIta? -Bananeiras.
Dist�ncia, miIhas, quiI�metros.
Corcovado, P�o de A��car, periquitos, papagaios...
borracha.
Borracha.
0 cartaz dizia que o motorista faIava ingI�s.
EIe precisa de passageiros que faIem portugu�s.
Jerry, sente-se. EIe sabe aonde est� indo.
-Aonde estamos indo? -Deve ser o ataIho de que Ihe faIei.
Depois da igreja antiga que eu queria ver.
Tem certeza de que este � o caminho certo?
Aposto que eIe n�o sabe mais do que a gente.
-Vou pedir para eIe voItar. -EIe vai dizer: ''Certo. Bananeira.''
-Giuseppe, vamos voItar. -Certo, senhor.
Eu Ihe disse.
Giuseppe. Pare, vire e voIte.
-N�o est� bom? -Vire.
-VoIte! -0 senhor quer que eu voIte?
Acho que sim. Tente fazer isso.
Certo, senhor.
-CaIma. V� em frente. -Sim, pra frente.
Pra frente.
Senhor! Senhor, por favor. N�o morra.
N�o morra.
Por favor, senhor. N�o morra.
-Est� tudo bem? -Acho que sim.
Tem certeza?
Giuseppe. Giuseppe, est� tudo bem. N�o chore.
-N�o chore, Giuseppe. -Veja!
Vou tentar.
Por favor, senhor.
Tudo bem. Tudo bem. 0 que eIe est� dizendo?
Acho que est� tentando dizer que vai pegar um cavaIo e uma corda.
N�o, Giuseppe. CavaIo e corda, n�o. Agora, n�o.
Arranje outro carro e motorista. A senhorita precisa ir para o Rio j�.
-Pegar o barco grande. Barco. -Barco?
Giuseppe, fique aqui. N�s dois vamos para o Rio.
Pegue o cavaIo e a corda e v� para o Rio mais tarde. Entende?
Jerry, pegue um peda�o de papeI. Fa�a um desenho para eIe.
-Como se diz esta noite? -Desenhe um reI�gio.
Esta noite.
0 barco grande vai partir.
Tchau, senhor e senhorita. Vou pegar o autom�veI!
Teremos de nos proteger, ou congeIaremos esta noite.
Dizem que dormir de roupa � um h�bito reverenciado em New EngIand.
0brigado. Tchau.
A ag�ncia de turismo mandar� um carro.
-Que bom. -0 barco esperou por duas horas.
Foi? Mandou um teIegrama para Deb e Mac?
Mandei. Pode se reunir com eIes amanh�, em Buenos Aires.
Tem um v�o para I� Iogo de manh�.
H� um outro avi�o que partir� dentro de cinco dias.
Chegar� I� no mesmo dia que o seu navio.
Conhece aIgu�m em Buenos Aires?
Que pena ter de passar cinco dias I� sozinha.
-Voc� estar� ocupado. -Meus neg�cios podem esperar.
-N�s sa�mos seguindo um roteiro. -Sa�mos rumo a um destino.
E se eu prometer sentar em outra mesa e disser:
''Bom dia, Srta. VaIe. Espero que tenha dormido bem.''
Para que ou�am e n�o vejam que estou perdidamente apaixonado por voc�.
N�o diga n�o, CamiIIe. Diga: ''Vou pensar''.
Vou pensar.
Concede-me esta dan�a?
-Acho que n�o sei dan�ar. -Tente. S� esta vez.
-Como chegou aqui? -PeIa sacada.
Meu quarto � Iogo aIi. 0 hoteI inteiro foi pra cama.
-Tamb�m devo ir. � muito tarde. -N�o peIa hora de Boston.
Ainda nem � hora do jantar em Boston, sabia? Por favor, n�o v�.
-N�o vou Iutar com voc�. -Isso mesmo.
N�o sabe os instintos primitivos que pode acordar.
N�o � Iindo?
Acredita na imortaIidade?
N�o sei. Voc� acredita?
Quero acreditar que haja uma chance para esta feIicidade existir.
Levada de aIgum modo, para aIgum Iugar.
-Est� muito feIiz, ent�o? -Quase.
Est� cada vez mais quente, como diz�amos quando crian�as, Iembra?
Cuidado, ou vai se queimar, costum�vamos dizer.
Tem medo de se queimar, se chegar bem perto da feIicidade?
Sou imune � feIicidade. Portanto, a queimaduras.
-N�o estava imune nas montanhas. -Chama aquiIo de feIicidade?
Uma pequena parte deIa. H� outros tipos.
-Tais quais? -Divertir-se juntos.
Desfrutar de coisas simpIes, de uma beIeza como esta.
Trocar confid�ncias que n�o trocaria com ningu�m mais no mundo.
CharIotte...
n�o quer ser sincera e me dizer que ficou feIiz tamb�m?
Desde a noite no navio em que me faIou da sua doen�a...
que n�o a tiro da cabe�a. Nem do meu cora��o.
Se eu fosse Iivre, haveria s� uma coisa que gostaria de fazer.
Provar que voc� n�o � imune � feIicidade.
Quer que eu prove, CharIotte? Diga-me que quer.
Ent�o, irei embora.
Minha querida, voc� est� chorando.
Sou t�o boba.
Uma veIha boba.
S�o apenas I�grimas de gratid�o.
A gratid�o de uma veIha empregada peIas migaIhas oferecidas.
-N�o faIe assim. -Nunca me chamaram de querida.
Deixe-me ir.
Tive sorte. Comprei de um vendedor I� fora.
S�o Iindas. 0brigada.
-0deio despedidas. -EIas n�o t�m import�ncia.
-0 importante foi o que veio antes. -N�o, � o que n�o pode continuar.
-TaIvez possamos nos ver de novo. -N�o, n�s prometemos.
Devemos ir para nossas casas.
Ajudaria se eu Ihe dissesse que sentirei sempre sua faIta?
Tamb�m sentirei, Jerry. Tamb�m sentirei.
-Adeus. -Querida...
Jerry.
O que estou fazendo aqui? � o que eu gostaria de saber.
Seja boazinha com CharIotte. N�o vai Ihe fazer maI.
Ser boazinha com a tia CharIotte?
� CharIotte!
-Aqui estou eu. -CharIotte!
-Lisa! -N�o tinha Ihe visto!
Este � o Sr. Hunneker. Essas s�o duas outras VaIes.
-Como vai? -Como vai?
Estou t�o feIiz. Conte-me todas as novidades. Fez boa viagem?
Recebi seu teIegrama.
A mam�e piorou?
HamiIton Hunneker? 0 jogador de p�Io?
Isso � uma pergunta, ou uma acusa��o?
Preciso ir. N�o se esque�am de GIen Cove e das corridas de barco.
Seja boazinha e fa�a suas preces, CamiIIe. Sejam aben�oados...
...e estarei na cerim�nia. -QuaI cerim�nia?
L� v�o os Ricketts. Acenem.
-M�e, beIisque-me. -Estou ocupada me beIiscando.
-Ham, � meIhor voc� ir agora. -Vejo voc� em breve.
-Espero que sim. -Posso fazer mais aIguma coisa?
N�o, Ham, muito obrigada.
� meIhor passarmos na aIf�ndega. Vamos.
Achamos que j� tinha ido. Que confus�o!
Procuramos voc� por toda parte. Quer�amos nos despedir.
N�o digam adeus. Digam apenas ''au revoir''.
� um momento triste, mas quero Ihe dizer uma coisa.
N�o houve senhora mais popuIar que voc� neste cruzeiro.
-0brigada. -''Au revoir!''
Querida, precisamos correr! N�o se esque�a de escrever Iogo.
-Prometo que escreverei, Deb. -Isso. Escreva mesmo.
0 que � isto? 0I�, at� Iogo, me procure, escreva mesmo...
-Lisa, onde estar� minha bagagem? -L� est�o os ''V''.
-Pode me bater com uma pena. -Voc� n�o, rechonchuda.
Rechonchuda? E onde conseguiu esta nova siIhueta, tia CharIotte?
Conheci um m�dico no Rio que era muito inteIigente.
-Quieto! -Papai!
-Johnny, meu garoto, como vai voc�? -QuaI � o programa para hoje?
Primeiro, o Dr. Jaquith. Disse que o encontraria em uma hora.
Vai contar a eIe sobre seu novo namorado?
QuaI deIes?
Quer cigarro, tia CharIotte?
A ponta � de corti�a. Veja se est� do Iado certo.
0brigada peIa instru��o, rechonchuda.
Se eu fosse voc�, June, desistiria. E depois do Dr. Jaquith?
VoItarei para Boston. Meu v�o � �s 15:00.
-De voIta pra casa. -Irei com voc�.
-0I�, Jerry! -Fico feIiz por ter vindo me ver.
June ficar� em Nova York por aIguns dias.
De jeito nenhum. N�o perderia este show por nada.
Ficarei em aIguma esquina vendendo ingressos.
-Deseje-me sorte, Lisa. -N�o quer mesmo que eu v�?
N�o, obrigada. Leve a Sra. VaIe pra casa...
e traga as maIas quando voItar. Vejo voc� esta noite.
-Boa sorte! -Adeus.
0I�, WiIIiam.
Sim, WiIIiam, sou eu.
Bem-vinda, Srta. CharIotte. Sua m�e a espera I� em cima.
-Espero que seja a Srta. CharIotte. -Sim, sou.
0uvi o carro e tentei descer antes que tocasse a campainha.
Pickford � meu sobrenome. Dora, n�o sou Mary. Sou a enfermeira.
N�o vamos ficar aqui faIando. 0uve como gato e ouviu a campainha.
-0 que houve com minha m�e? -Est� muito bem disposta.
EIa tem cora��o. Nega isso, mas eIa tem um.
Com a idade deIa, quem n�o tem? N�o � nada s�rio.
-Pode durar anos, se eIa n�o se abaIar. -Quanto tempo precisar� de enfermeira?
N�o diria que precisa. EIa nos usa para Ievar e trazer coisas.
Antes de mim, passaram umas tr�s por aqui, no prazo de um m�s.
� cIaro que eIa me despediu hoje, mas � porque voc� est� em casa.
� meIhor se apressar, porque eIa est� esperando.
Quando espera, fica brava. Quando fica brava, causa transtorno.
EIa est� vestida para a festa desta noite. A n�o ser peIo roup�o...
que � t�o bonito quanto uma carro�a.
Se precisar de ajuda, estarei no andar de cima fazendo as maIas.
At� mais tarde.
Lembre-se de que honrar os pais � uma boa id�ia.
Voc� ser� um choque para ela. Amenize o impacto.
D� tempo a ela para se acostumar.
Lembre-se de que,apesar de tudo o que fez,� sua m�e.
Bem, m�e. 0I�.
M�e, voc� est� �tima. Lisa disse que esteve doente...
Lisa n�o sabe nada de mim. Fique aIi de onde eu possa v�-Ia.
Vire-se.
Ande peIo quarto.
Est� pior do que Lisa me fez pensar. Bem pior.
-Se quiser que eu v�, m�e... -N�o v�.
Tenho coisas para Ihe dizer. Sente-se.
Convidei a fam�Iia para jantar �s 19:30.
Lisa me contou. Muito gentiI de sua parte, m�e.
Estar�o LIoyd e Rosa, HiIIary e Justine...
Lisa e June, o Sr. Livingston e o tio Herbert.
-E EIIiot Livingston? -Usarei meu vestido branco.
Gostaria que usasse seu preto-e-branco de fuIar.
-Perdi 11 kg. N�o vai entrar. -Vai.
A Srta. TiII veio aqui na semana passada. HiIda � do tamanho de Lisa.
Seus vestidos foram todos apertados.
Pedi � Srta. TiII que ficasse at� mais tarde...
caso aIgum ajuste precisasse ser feito.
Pensou em tudo, n�o foi, m�e?
Espere um pouco. Tem mais uma coisa que quero Ihe dizer.
Agora que est� curada, pode voItar. E reassuma sua fun��o de fiIha.
Dispensei a �Itima enfermeira.
Vou coIoc�-Ia em um quarto no mesmo andar que eu.
Devido ao meu cora��o, � bom tomar as precau��es.
0cupar� o quarto de seu pai de agora em diante.
WiIIiam Ievou todas as suas coisas ontem. Seus m�veis, Iivros e tudo.
Mas, m�e...
n�o tem o direito de Ievar minhas coisas.
N�o tenho o direito de mudar dentro da minha pr�pria casa?
N�o estou surpresa por ter ficado ruborizada.
Eu estava no quarto quando WiIIiam tirou os Iivros da estante.
E deixe-me dizer que o que encontramos escondido I�...
foi um grande choque pra mim.
S� espero que este epis�dio vergonhoso na sua vida...
...esteja totaImente no passado. -Com sua Iicen�a, m�e.
Acho que, se usar �cuIos esta noite, chocar� menos os outros.
E tire o que estiver usando no rosto.
E, quanto ao seu cabeIo e sobranceIhas...
digamos que, ap�s uma doen�a s�ria, o cabeIo caia...
mas est� deixando o seu crescer o mais r�pido poss�veI.
Sim, HiIda. Sou eu.
Seja bem-vinda, Srta. CharIotte.
Isso veio peIa Air Express, de Nova York.
A Srta. TiII est� aqui por causa do vestido. Quer que eIa entre?
Daqui a pouco.
Pegarei outro cobertor. Vou trazer suas roupas assim que poss�veI.
N�o, obrigada, HiIda. N�o precisa se incomodar.
0 que vai fazer neste quarto?
-Vou dormir aqui. -Pode ir.
Sim, senhora.
N�o sabe que quero que aIgu�m durma no mesmo andar que eu?
Podemos coIocar uma empregada, ou mesmo trazer a enfermeira de voIta.
N�s? Como pago as contas, eu administro a casa.
Por favor, Iembre-se de que � uma h�spede.
Se sou, trate-me como taI, m�e.
Sua h�spede prefere dormir neste quarto.
-Se n�o se importar. -N�o � hora para brincadeira.
Se isso acontecer, eu me importo. De onde vieram essas fIores?
-De Nova York. -Quem as mandou?
Eu me esqueci do nome do fIorista. Acho que est� na caixa.
J� vi. A caixa foi entregue a mim antes.
Voc� sabe muito bem o que quero dizer. Quem Ihe enviou as fIores?
N�o mandaram cart�o.
Em outras paIavras, n�o quer me dizer.
M�e, n�o quero ser desagrad�veI ou indeIicada.
Vim para casa morar com a senhora de novo.
Mas n�o pode ser do mesmo jeito.
Tenho vivido minha vida e tomado minhas decis�es h� muito tempo.
� imposs�veI voItar a ser tratada como crian�a de novo.
N�o acho que eu v� fazer nada para Ihe desagradar...
mas, m�e, de agora em diante, precisa me dar totaI Iiberdade...
incIuindo decidir o que visto, onde durmo, o que Ieio.
0nde comprou este vestido?
Lisa e eu compramos em Nova York hoje.
� ofensivo. 0nde est� o de fuIar preto-e-branco?
Dei � Srta. TiII. EIa ficou t�o agradecida.
M�e, por favor, seja boazinha e me encontre I� embaixo.
EIes me disseram que minha recompensa por ter uma tempor�...
era o meu conforto na veIhice, principaImente se fosse menina.
Em seu 1� dia em casa, ap�s uma aus�ncia de 6 meses, age assim.
M�e, espere por mim. Vou descer com a senhora.
0brigada. Prefiro descer sozinha.
HiIda! HiIda, venha aqui!
-M�e. EIa caiu escada abaixo. -N�o se preocupe. N�o a Ievante.
Chame o m�dico no fim da rua, o Dr. Reagan.
EIa est� consciente?
Mesmo n�o estando, � o maior rompimento de Iigamento que j� vi.
-Vai inchar. EIa n�o pode andar. -Sinto-me respons�veI. Discutimos.
CharIotte, creio que haja convidados esperando I� embaixo.
0u descartou suas boas maneiras tamb�m?
Diga � minha fam�Iia que podem subir para me ver. Um ou dois de cada vez.
Acho que sua m�e est� gostando da como��o que vai causar.
Voc� precisa sussurrar? N�o devo receber aten��o nenhuma?
0I� a todos.
Voc� est� t�o Iinda! Adoro seu vestido.
0brigada, June.
0I�, tia Hester, como vai?
-Nossa! -Bem...
Puxa, tio...
-Rosa, estou feIiz por v�-Ia. -CharIotte!
Como voc� mudou! Mas voc� n�o, LIoyd. Fico feIiz por dizer.
-Justine. -N�o podia ficar mais surpresa.
Foi um choque, n�o? Mas o m�dico disse que foi s� um Iigamento.
-Estava se referindo � minha m�e, n�o? -NaturaImente que sim.
Irm�o querido.
0brigada, WiIIiam.
Como foi?
N�o sei, Lisa, mas acho que ganhei o primeiro round.
Bom. A prop�sito, conhece EIIiot Livingston?
-Como vai? -Como vai?
Diga-me: j� n�o nos conhecemos?
Bem, o mundo � um Iugar pequeno, mas Boston � um Iugar grande.
-Est� certa, �. -Vamos acender a Iareira.
-A Iareira? -N�o, a mam�e n�o vai gostar.
Voc� me fez Iembrar. EIa pediu para subirem aos pares.
Tio Herbert, o senhor vai primeiro. � o mais velho.
PeIo que me Iembro, esta Iareira nunca foi acesa.
Ent�o, j� est� mais do que na hora, LIoyd.
0brigada. Voc� se importa?
N�o sabia que jogava bridge. Tem compromisso na quarta?
Gostaria que jogasse, caso a mam�e a dispense.
Eu adoraria, Justine. Se acha que me enquadro.
Voc� se enquadra em quaIquer Iugar. AI�m do mais...
Por favor, chega, ou come�arei a chorar.
-Boa noite. -Boa noite.
Boa noite.
Estou orguIhosa. 0 Dr. Jaquith estaria tamb�m.
-Boa noite, Lisa. -Boa noite, querida.
-Pode me perdoar aIgum dia? -Nunca.
Ainda n�o me conven�o de que nunca fomos apresentados.
Na verdade, fomos.
-Uma e quase duas vezes. -Estou intrigado.
Quando crian�as, foi o �nico garoto que dan�ou comigo no baiIe da escoIa.
Depois, iria me acompanhar na festa, mas n�o compareceu.
Estou coberto de vergonha.
N�o devia ter Ihe contado. N�o foi simp�tico.
Bem, espero que me permita compensar minha grosseria do passado.
-Posso Ihe teIefonar quaIquer hora? -CIaro, quando quiser.
-Boa noite. -Boa noite.
-EIa quer v�-Ia de uma vez. -Sim, eu sei.
-Boa noite, tio. Boa noite, tia. -E obrigado peIa noite incomum.
Boa noite.
-EIa quer v�-Ia. -Eu sei. J�.
EIa dormiu duas horas, e est� agitada.
EIa sentiu cheiro de fogo e mandou HiIda verificar.
Deixe-a extravasar. Pus cherry e son�fero no Ieite quente deIa.
N�o vai demorar muito. Esperarei do Iado de fora.
Dora, suspeito que voc� seja um tesouro.
-Como est� seu tornozeIo? -Muito doIorido.
-Sinto muito. -Estive pensando aqui, com dor...
ouvindo voc�s se divertindo I� embaixo.
-Quanto custou este vestido? -Foi extremamente caro.
-Eu Ihe conto peIa manh�. -Para quem enviou a conta?
Para quem sempre pagou minhas roupas, m�e.
E espera que eu pague por artigos que n�o aprovo?
Bem, posso pag�-Io eu mesma. Economizei um pouco de dinheiro.
-Tenho aIgo em torno de US$ 5 miI. -US$ 5 miI n�o vai durar muito.
PrincipaImente se sua mesada for cortada.
M�e, quero Ihe perguntar uma coisa.
Quando meu pai abriu uma conta para os dois fiIhos...
por que n�o abriu uma para mim tamb�m?
Porque era uma crian�a. E, sabiamente, deixou voc� por minha conta.
Tenho certeza de que sempre teve tudo o que quis no mundo.
-N�o tive independ�ncia. -� isso.
� sobre isso que quero faIar. Independ�ncia.
Comprar o que escoIher. Vestir o que escoIher.
Independ�ncia. � o que acha que isso significa, n�o?
0 Dr. Jaquith diz...
que independ�ncia � confiar na pr�pria vontade e juIgamento.
Eu tomo as decis�es aqui, CharIotte.
Deve ficar em seu antigo quarto at� eu dispensar a enfermeira.
EIa ocupar� o quarto do seu pai por enquanto...
e voc� cumprir� seu papeI de fiIha iguaI ao das enfermeiras.
Isso Ihe dar� uma boa chance para pensar no que Ihe disse.
Fico feIiz por dar a uma fiIha dedicada um Iar junto a mim...
e pagar todas as suas despesas...
mas n�o se eIa refutar minha autoridade.
Posso ganhar minha vida, m�e. AIi�s, j� pensei nisso.
-Posso ser uma boa gar�onete... -Acha isso muito engra�ado.
Garanto que n�o acharia gra�a, se coIocasse em pr�tica o que sugeri.
Acho que sim. N�o tenho medo, m�e.
N�o tenho medo.
-N�o tenho medo, m�e. -CharIotte, sente-se.
Quero que saiba de uma coisa que nunca Ihe contei antes.
� sobre meu testamento.
Voc� ser� o membro mais poderoso e rico da fam�Iia VaIe.
Se eu n�o mudar de id�ia. AconseIho que pense bem.
0nde est� Dora? Quero a Dora.
Quero a parte de tr�s da minha cabe�a massageada...
meu tornozeIo enfaixado de novo, meus travesseiros arrumados...
...e outra x�cara de Ieite quente. -0 que quer antes, rainha EIizabeth?
A cabe�a massageada.
Isso � bom. N�o pare.
Voc� � uma boa garota, Dora. Uma garota boa e dedicada.
N�o enfiaria o nariz em um pote cheio de ouro, enfiaria, Dora?
Est� faIando coisas sem nexo.
Ningu�m est� ouvindo. CharIotte foi dormir.
Est� grogue, querida vov�.
Querido Dr. Jaquith:ver�o,inverno, e agora primavera de novo.
N�o direi que o tempo voa,mas n�o se arrasta mais como antes.
H� uma tr�gua armada entre mam�e e eu.
Ela amea�a, mas n�o age.
Eu sigo seu conselho, continuo armada,mas n�o atiro.
H� um homem aqui que foi gentil comigo.
Ele me prop�s casamento, e n�o sei por que n�o aceitar.
A maioria das mulheres quer seu homem,sua casa e seu filho.
O nome dele � Elliot Livingston.
� de uma boa fam�lia de Boston e � um bom homem tamb�m.
Um vi�vo com dois filhos quase crescidos.
N�o sei por que lhe conto isso, mas � que lhe conto quase tudo.
� cIaro que n�o posso Ihe for�ar a me contar.
-Ganhei de EIIiot. -Por que n�o o aceitou?
Imagina um Livingston esperando por voc� em cada esquina?
Estava esperando para ver o que acha, m�e.
Sabemos que n�o faz diferen�a pra voc� o que acho.
Voc� sempre faz exatamente como quer.
-Acho que Ihe agrada. -N�o sou deste tipo.
S� estou surpresa de que Iogo voc�, em toda a fam�Iia...
v� deixar todos t�o orguIhosos.
Ent�o, se aprova mesmo, querida m�e...
Guarde toda essa conversa moIe para o EIIiot.
M�e, n�o existe ningu�m como voc�.
Entre!
-Suas fIores acabaram de chegar. -0brigada.
-0 Sr. Livingston a est� esperando. -Est�?
Pode continuar a fazer o arranjo, HiIda? Deixe-as aqui para a minha m�e.
N�o me espere acordada! H� um jantar e um concerto!
Esperarei acordada, se eu quiser.
-Boa noite, CharIotte. -0I�, EIIiot.
-N�o quis sentar? -Estamos atrasados.
-Voc� est� Iinda. -0brigada.
E peIas rosas tamb�m. S�o Iindas.
Mesmo assim, usa cam�Iias. Por que, CharIotte?
S�o aqueIas idiossincrasias a que todos n�s temos direito.
Mas nunca me deixa compr�-Ias. Por qu�?
-Voc� n�o � cheio de perguntas? -Voc� n�o � cheia de mist�rios?
-Eu? Boa noite, WiIIiam. -Boa noite.
Boa noite.
CharIotte, h� tantas coisas a seu respeito que n�o entendo.
Voc� usa evasivas e n�o me diz por qu�.
N�o sei nem se est� gostando, ou se n�o est� gostando.
Estou gostando, EIIiot. S�o tantas coisas para pensar.
Entrar no dom�nio de outra... A casa deIa, os fiIhos deIa.
Pode reformar a casa. Construo outra pra voc�.
EIaine era uma pessoa maraviIhosa. Voc� pensa neIa?
Quero ser honesto.
N�o precisa temer que EIaine v� retornar, de forma nenhuma.
-EIa � s� uma Iembran�a. -Sei que � bem mais substanciaI.
Voc� tem fiIhos deIa.
E eu tenho apenas um corpete seco...
e um vidro vazio de perfume. N�o posso nem falaro nome dele.
Quero que entenda que estarei come�ando uma vida nova...
com voc� e pra voc�.
Se tivermos um fiIho, imagino com quem ir� se parecer.
-Um fiIho? -Deixei voc� chocado.
No entanto, quando casarmos, este ser� um dos principais motivos.
Bem, quaIquer que seja a raz�o, se voc�...
N�o disse ''se'', EIIiot, disse ''quando''.
-Tome outro coquetel. -�timo.
CharIotte, querida!
-0I�, EIIiot. -Sei que estamos atrasados.
Foi minha cuIpa. 0I�, George.
0s �Itimos s�o os meIhores. � o que dizemos. Vamos pegar um coqueteI.
Temos bourbon e mart�nis. QuaI deIes voc� quer?
-N�o quero... -0 que foi? Viu um fantasma?
N�o, acho que conhe�o o homem que est� conversando com Barbara.
J.D. Durrance. Est� trabalhando pra mim. � arquiteto do centro m�dico.
� bom camarada. N�o � de Boston, mas � boa gente.
Temos tentado convid�-Io para jantar o inverno todo.
Posso dizer a eIe seu nome, ou o deixo adivinhar?
-Deixe-o adivinhar. -Certo. J.D.!
Tem aIgu�m aqui que acha que j� o conhece.
CIaro que sim. Voc� me parece famiIiar.
N�o me diga o nome deIa, George.
Espere um pouco. J� sei. Beauchamp, n�o �?
-CamiIIe Beauchamp. -DescuIpe, J.D., mas n�o �.
Meu nome � VaIe. Eu o conheci em um cruzeiro tur�stico.
Sim, Srta. VaIe. Espero que me perdoe. CIaro.
Vou Ihes deixar sozinhos para fazerem as pazes.
George me disse que tem vindo a Boston com freq��ncia.
-E eu n�o sabia. -Sim, v�rias vezes.
-Voc� est� gIoriosa. -Um arquiteto?
Eu podia chorar de orguIho.
Estou fazendo um trabaIho interessante para o George.
Quis Iigar pra voc� desesperadamente.
-No centro m�dico, n�o �? -Passo peIa sua casa sempre.
Uma vez, quase toquei a campainha.
Conte-me sobre Deb e Mac. Voc� me apresentou a eIes, Iembra?
EIes est�o bem.
Como est� Tina?
Bem, Tina... Passei por um momento dif�ciI com Tina.
-Conte-me. -Terei de mand�-Ia a aIgum Iugar.
0 m�dico deIa acha que n�o deve ficar com a m�e.
Eu a Ievei ao Dr. Jaquith, que me foi muito recomendado...
por CamiIIe Beauchamp.
CamiIIe, ainda estou perdidamente apaixonado.
Venham todos! Precisamos jantar, ou n�o chegaremos ao concerto.
CamiIIe...
preciso ver voc�. Posso ir � sua casa esta noite?
S� ficarei uns dez minutos. Preciso conversar com voc�.
Sim, pode.
QuaI � o nome, por favor?
-� para mim, HiIda? -Sim, senhorita.
-AI�. -Charlotte...
-Jerry, por que voc� n�o... -Estou partindo � meia-noite.
-Mas por qu�? -Preciso voItar ao trabaIho.
A Sra. Weston me deu a not�cia. Voc� est� noiva do irm�o deIa.
-Eu queria Ihe dizer. -Eu achei que eIe fosse...
uma pessoa formid�veI. Espero que sejam feIizes.
Jerry, onde voc� est� agora? Preciso ver voc�.
N�o, CharIotte, acho que � meIhor n�o nos vermos.
Adeus.
HiIda, HiIda...
chame um t�xi rapidamente, est� bem?
Jerry.
CharIotte. N�o devia ter vindo.
Precisava ver voc�. Queria conversar sobre o EIIiot.
Por que est� se casando com eIe? Voc� o ama?
N�o como n�s nos amamos. N�o como n�s.
Pensei que o sentimento fosse crescer, ou aIgo parecido.
Pensei que eu fosse superar voc�, Jerry.
N�o pensei que fosse v�-Io outra vez.
Fizemos um pacto, e o est�vamos cumprindo.
De viver assim? Que tipo de homem eIe �?
Como voc�, em v�rios aspectos.
N�o tem seu senso de humor, nem seu senso de est�tica...
nem sua esportiva, mas � um homem bom.
Um tipo de ref�gio que nunca pensei que pudesse ter.
Voc� n�o est� bravo comigo.
S� comigo mesmo.
Fui um grosseir�o ao faz�-Ia gostar de mim e me esquecer.
E n�o h� nada que eu possa fazer.
IsobeI depende cada vez mais de mim. Est� doente. E piorando.
E tem a Tina.
-Se pudesse jogar tudo pro aIto... -Eu n�o o deixaria, Jerry.
Jerry, quaI � o feminino da sua IeaIdade? Sou eu.
Sabia que voc� era casado e andei com os oIhos bem abertos.
-Disse que o faria mais feIiz. -E fez.
Consegui meu trabaIho de voIta. E foi gra�as a voc�.
-Queria que dissesse isso. -Compreendo mais Tina.
Sou at� mais gentiI com IsobeI. Ent�o, n�o se cuIpe.
-Voc� tamb�m. -� diferente.
N�o �!
Posso Ihe dizer o que voc� me deu?
No 1� dia, um pequeno frasco de perfume me fez sentir importante.
Voc� foi meu primeiro amigo.
Ent�o, quando se apaixonou por mim, fiquei t�o orguIhosa...
que, quando voItei pra casa, precisava de aIgo para me sentir orguIhosa.
E suas cam�Iias chegaram. Ent�o, sabia que estava pensando em mim.
Poderia ter passeado dentro de uma toca de Ie�es.
AIi�s, passeei, e os Ie�es n�o me machucaram.
Por favor, retire o que disse.
Se se casar com aqueIe homem e viver uma vida feIiz, eu retiro.
-Vou tentar. -Todos a bordo!
Vou procurar por voc� em cada esquina.
-Adeus, querida. -Adeus, querido.
Todos a bordo!
Sabe onde estaremos daqui a duas semanas?
No meio do oceano, indo para San Francisco.
� t�o cedo, EIIiot.
Quero ter certeza.
Sabe o que eu gostaria?
Gostaria que me Ievasse a um restaurante bo�mio quaIquer noite.
0nde possamos nos divertir, tomar coquet�is e champanhe.
Poderia fazer amor comigo e...
Bem, o que quero dizer �...
se eu puder me Iivrar de minhas inibi��es de uma vez...
taIvez eu ganhe mais confian�a.
0 tempo Ihe dar� confian�a.
-N�o foi isso que eu quis dizer. -0 que quis dizer, CharIotte?
Eu Ii um romance, certa vez, sobre uma muIher...
uma muIher muito reprimida.
EIa estava em um autom�veI com um homem, em uma noite muito fria.
EIe Ihe deu um drinque, para eIa ficar aquecida...
e, por causa do drinque, eIa perdeu suas inibi��es.
Viu? EIa era apenas...
Temo ter parecido muito depravada.
-EIIi... -Cha...
Ser� que vamos dizer a mesma coisa?
Sobre a viagem.
Se quiser, posso trocar as passagens e Ievar os garotos.
-Faria isso? -Certamente.
CharIotte, estive pensando sobre n�s.
-TaIvez n�o sejamos feIizes. -N�o ser�amos, EIIiot.
Deve se casar com aIgu�m que gosta do que voc� gosta.
N�o vamos proIongar isso, EIIiot.
Bem...
suponho que uma hora encontrar� aIgu�m.
N�o, acho que nunca vou me casar.
AIgumas muIheres n�o s�o do tipo que se casam. Mas achar� aIgu�m.
0brigada por pensar que seria eu.
Vou me Iembrar sempre disso, de quaIquer forma.
-Dou-lhe um beijo de despedida? -� melhor n�o.
� mesmo uma despedida? Vamos nos ver de novo, n�o vamos?
CIaro que vamos. Bem, adeus, at� nos vermos de novo.
Adeus, at� nos vermos de novo.
Foi como quando meu pai morreu.
A respira��o simplesmente parou. Acabou, terminou.
Encerrou-se para sempre.
Boba,sua boba!
Agora,nunca ter� uma casa sua, ou um homem seu...
ou um filho seu.
0I�, m�e.
Pensei que EIIiot fosse ficar para o aImo�o.
-Por que a pressa deIe? -N�s rompemos o noivado.
-0 que disse? -Disse que rompemos o noivado.
-Por que fez isso? -Porque n�o o amo.
N�o tem senso de obriga��o com sua fam�Iia?
Voc� tem a chance de juntar seu nome...
a uma das meIhores fam�Iias da cidade, os Livingston...
e vem aqui me dizer que n�o est� apaixonada?
Est� se comportando como uma garota rom�ntica de 18 anos.
N�o tenho d�vida.
E o que pretende fazer da sua vida?
Comprar um gato e um papagaio e Ievar uma vida de soIteira.
Pare de baIan�ar!
Nunca fez nada para orguIhar sua m�e.
0u para orguIhar a voc� mesma tamb�m.
Devia ter vergonha de ter nascido e ser CharIotte VaIe.
Srta. CharIotte VaIe.
0 Dr. Jaquith diz que a tirania �, �s vezes,...
a express�o de um instinto maternaI.
Se isso � o amor de uma m�e, n�o o quero.
N�o queria ter nascido! E voc� tamb�m n�o!
Foi uma caIamidade de ambos os Iados!
M�e, n�o vamos discutir.
Temos nos dado t�o bem uItimamente.
� uma coisa horr�veI...
de se dizer.
Dora!
Dora!
N�s discutimos. Fui eu.
Fui eu.
Fui eu.
Fui eu.
''Aos empregados da casa, que ainda me servirem quando morrer...
deixo a cada um a quantia de US$ 3 miI.
Todo o res�duo e restante da minha propriedade...
Ieg�tima, pessoaI ou mescIada...
eu dou, transfiro e deixo para minha amada fiIha, CharIotte VaIe.''
Fui eu. Fui eu.
Fui eu. Fui eu.
Nunca fiz nada que orgulhasse minha m�e.
Preciso vero Dr. Jaquith.
Jerry...
Jerry, onde est� voc� agora, quando preciso tanto de voc�?
0I�, Scuda.
0I�, Scuda. Voc� se Iembra de mim?
Lembra-se?
-Srta. Trask! -Veja quem est� aqui!
PeIo amor de Deus! Quase n�o a reconheci.
CIaro.
Ia mandar a poI�cia atr�s de voc�. 0 doutor avisou que viria.
Foi uma viagem muito Ionga.
Estou cansada. Posso ir direto para o meu quarto?
Colonquei-a no quarto 18. � seu velho quarto, lembra-se?
Far� com que se sinta em casa. Como vai Jaquith?
0 mesmo. Distribuindo senso comum, em vez de soIidariedade.
-0Iha... -Samson, pode Ievar minhas maIas?
Samson? Tire as maIas da Srta. VaIe do carro.
-Como est� indo? -Tudo bem.
-Como deve ser? -N�o sei.
Aqui est� o outro chineIo da garotinha.
Importa-se se eu me juntar a voc�?
QuaI � o t�tuIo da foto?
''A Proposta''.
Vou juntar todas as pe�as cor-de-rosa. Se n�o se importar.
AIguns preferem montar o quebra-cabe�a sozinhos.
-Sei quem voc� �. -Sabe? Quem sou eu?
-� minha nova enfermeira. -N�o, est� errada.
N�o pode me enganar. E sei por que veio aqui.
Para garantir que eu n�o fuja de novo.
J� fugiu daqui uma vez? Eu n�o sabia.
-Como voc� se chama? -Voc� sabe meu nome.
� por isso que ficou aIi parada oIhando pra mim.
Foi muita faIta de educa��o minha.
Mas � que voc� me fez Iembrar aIgu�m.
Quem?
Se quer saber, eu mesma.
� cIaro que na sua idade.
Tem uns 14 anos, n�o tem?
Tenho 12...
...quase 13. -A� est� voc�.
Christine, deve passar a noite com os jovens na porta ao Iado.
-EIes n�o me querem I�. -CIaro que querem.
Mas aposto que v�o querer mais, se voc� fizer um esfor�o.
Tenho um jogo de pingue-pongue acertado pra voc�.
Barbara e Betty contra voc� e Bob.
-Mas eIe � o meIhor jogador daqui. -Por isso jogar� com eIe.
-Para equiIibrar as dupIas. -Mas serei a pior.
-Vou morrer. SimpIesmente morrerei. -N�o vai. N�o dramatize, Christine.
Por favor, por favor. N�o me force.
-N�o me force! -N�o a force.
0 m�dico quer que Christine se exercite � noite.
-E estou aqui para... -Farei um exerc�cio com eIa.
Preciso Ievar meu carro para a cidade para ser Iavado.
Christine podia ir comigo. VoItaremos andando.
0u correndo, se quiser.
Isso se Christine for gentiI o suficiente para ir comigo.
Voc� iria?
-DescuIpe, Christine. -Por favor, deixe-me ir.
Prometo tomar todo o meu chocoIate esta noite.
Christine, n�o continue.
V� buscar seu casaco.
DescuIpe, Trask. N�o pude evitar.
Pensei que estivesse cansada para chegar at� a cama.
Acho que Cascade fez mais um miIagre em mim.
Diga a Christine que j� vou descer. Vou I� em cima.
A prop�sito, o quarto deIa � ao Iado do seu. Usar�o o mesmo banheiro.
N�o se incomode com o choro deIa. EIa faz muito isso. Ignore.
� uma das tiranias deIa, como recusar-se a comer.
Ignore isso tamb�m.
Se conseguir faz�-Ia comer esta noite, ser� bom.
Vou tentar.
-H� quanto tempo est� em Cascade? -Dez dias. Quase 11.
Voc� n�o gosta muito, gosta?
Nem eu, depois de dez dias. As duas primeiras semanas s�o as piores.
Nunca vou gostar.
Quer ir pra casa?
-Para onde quer ir? -N�o sei.
Minha m�e n�o me quer em casa.
Por isso que estou ajudando meu pai ficando aqui.
-Para onde foi quando fugiu? -A um teIefone p�bIico na cidade...
...para Iigar para o meu pai. -Para eIe vir busc�-Ia?
Prometi a eIe ficar aqui por duas semanas.
S� queria ouvir a voz do papai de novo.
Tenho quase certeza de que meu pai est� morrendo.
EIe est� doente?
N�o me deixam faIar com eIe, ent�o n�o sei.
0u�a, Christine. AIi tem uma cabine teIef�nica.
E aqui est� minha boIsinha de moedas.
Acha que eIe vai estar em casa esta noite?
-Posso ligar pra ele agora? -� exatamente o que quis dizer.
V� em frente.
Ajude-me, por favor. N�o sei se consigo discar.
CIaro.
-N�mero,por favor. -Interurbano, por favor.
lnterurbano.
-Quero fazer uma Iiga��o para... -Jeremiah Duveaux Durrance.
Mount Vernon, 2.940.
Para o Sr. Jeremiah Duveaux Durrance. Mount Vernon, 2.940.
-2.9O? -Sim, obrigada.
Deposite 50 centavos, por favor.
Tudo isso?
-0I�, papai! -Tina.
-AIguma coisa de errado? -N�o, papai.
Voc� est� bem?
Papai, s� queria ouvir voc� faIar comigo.
Quando vem me ver? Estou t�o soIit�ria aqui.
Por que n�o vem amanh�?
Mas, papai, voc� prometeu.
Sim, eu me Iembro. Tchau.
0brigada por deixar que eu Iigue pra eIe. 0brigada. 0brigada.
Quero terminar meu sorvete agora.
� meIhor tomarmos um mais novo.
Pode trazer dois de bauniIha, por favor?
Mas vou ficar Ihe devendo tanto. 0 papai faIou para eu pagar.
EIe queria saber quem me trouxe para Iigar...
disse que era uma mo�a gentiI e Ihe escreveria dizendo o nome.
-Como � seu nome, por favor? -N�o acha os segredos divertidos?
Refira-se a mim como a mo�a gentiI. Parece t�o misterioso.
Eu n�o mencionaria o teIefonema � Srta. Trask.
-TaIvez fique maI para mim. -Nem para o Dr. Browns...
ou para o Dr. Jaquith. N�o contarei a ningu�m!
Prefiro ficar doente e morrer a coIoc�-Ia em situa��o dif�ciI.
-� mesmo, Tina? -Voc� me chamou de Tina.
Chamei? Que estupidez a minha.
� um apeIido para Christine, n�o �?
Mas ningu�m me chama assim agora, a n�o ser meu pai.
-N�o chamarei. -N�o, por favor.
Quero que me chame de Tina.
Sou eu, Tina. N�o tenha medo.
QuaI � o probIema?
Tina...
-Tina... -N�o me deixe.
N�o me deixe.
N�o irei at� que durma.
-Diga-me: quaI � o probIema? -Sou feia.
-E ningu�m gosta de mim. -Tina, n�o �.
No m�nimo, n�o sou bonita. Sabe que n�o sou!
Quem quer este tipo de beIeza, Tina?
H� aIgo mais que voc� adquire.
-Certo tipo de beIeza. -Que tipo?
AIgo que n�o tem nada a ver com seu rosto.
Uma Iuz que emana de voc�, porque voc� � uma boa pessoa.
Pense nisso. Um dia, saber� que estou certa.
-V�o gostar de mim, ent�o? -Quem s�o eIes?
Todo mundo. 0s coIegas da escoIa, a Srta. Trask...
as enfermeiras e os m�dicos.
Deve haver aIgo de muito errado comigo.
Gosta deIes, Tina?
Dos coIegas da escoIa, da Srta. Trask, enfermeiras e m�dicos?
N�o, eu os odeio.
Isso � outra coisa que precisa aprender.
Se quer que as pessoas gostem de voc�, precisa gostar deIas.
� por isso que a Srta. Trask pediu para cooperar.
E � o que o Dr. Jaquith quer dizer quando pede para jogar.
-Aposto que est� me enganando. -Experimente e ver�.
Enquanto isso, se Ihe ajuda saber...
gosto de voc�.
Acho voc� muito bonita, muito doce.
Est� bem?
Est� bem? Por que � t�o boa para mim?
Porque aIgu�m foi muito bom pra mim quando eu precisei.
Agora, v� dormir.
Feche os oIhos e deixe seus m�scuIos reIaxarem.
Assim � meIhor.
Vou Ihe contar uma hist�ria.
Era uma vez, uma garotinha que tinha medo.
Uma garotinha, Tina...
que tinha medo, pois achava que era s�.
Esta � a filha de Jerry em meus bra�os.
Esta � a filha de Jerry agarrada comigo.
Impertinente. Quebrando as regras. EIa acha que pode Iiderar.
Sou p�ssima!
CIaro que �! Eu tamb�m!
QuaI � a diferen�a? N�s vamos aprender.
-Quero conversar com voc�. -Comigo?
-Sim, voc�. -Achei que ia querer.
Pegue, Tina.
-Soube que est� chefiando Cascade. -Dr. Jaquith...
Est� ordenando meus m�dicos. Est� ordenando a Srta. Trask.
-N�o dei ordens, eu pedi. -Veio para ter um coIapso nervoso.
Bem, decidi n�o ter um coIapso, se me permitir.
J� que n�o � mais minha paciente, e virou minha funcion�ria...
-Tenho sido impertinente. -Continue, taIvez eu goste.
Esta crian�a est� t�o infeIiz. N�o est� no tratamento certo.
Costumava ter orguIho de voc�. Agora, tenho vergonha.
N�o � maraviIhoso que agora esteja percebendo meIhor?
Tenho uma proposta. N�o tenho nada a fazer com o meu tempo.
N�o posso ser uma enfermeira?
Prometo n�o fazer nada sem pedir sua permiss�o antes.
J� dispensei a enfermeira. Continue. Diga o que vai fazer.
Fique com eIa. Preste aten��o neIa.
Fa�a-a se sentir querida e importante.
Assim que permitir, eu a Ievarei para acampar no bosque.
-EIa adora acampar. -Parece aIgo maraviIhoso pra eIa.
N�o poderia fazer isso sem a permiss�o dos pais deIa. N�o faria.
0 que acha que a m�e deIa diria?
Aceitaria quaIquer coisa que a Iivrasse da fiIha inoportuna...
mas eIa iria protestar, se eu pedisse a eIa.
E o pai deIa? QuaI seria a atitude deIe?
SoIid�ria e protetora. TaIvez at� demais, para o bem de Christine.
ResuItado do ressentimento da m�e.
A aus�ncia da garota foi desejada por todos, ent�o a trouxe pra c�.
Fui recomendado ao pai deIa por uma amiga deIe...
mas eIe p�s a crian�a sob os meus cuidados, n�o sob os seus.
Suponho que seja meIhor eu Ihe perguntar uma coisa.
Quanto voc� sabe da Am�rica do SuI?
-Bem, geograficamente... -N�o quis dizer isso.
Sobre meu acidente de autom�veI e o homem que estava comigo.
Voc� me disse que eIe me Ievou de uma dificuIdade pra outra.
Uma paciente minha que tinha fobia de aItura...
contou-me sobre um acidente com um casaI no BrasiI quando esteve I�.
Sabia o nome da muIher, mas n�o do homem, e acabou me contando.
-Quem Ihe contou o do homem? -Ningu�m.
N�o sei o nome deIe.
Ent�o n�o sabia que o pai de Christine e eu j� nos conhec�amos.
N�o sabia.
Se soubesse, n�o a deixaria vir. N�o sabia que conhecera Durrance.
Isso aItera toda a situa��o. Mas acabou de admitir.
N�o sei nada sobre seu reIacionamento com Durrance.
N�o sei quanto est� envoIvida emocionaImente com eIe.
N�o posso fazer isso com uma crian�a envoIvida no caso.
Vou Ihe contar tudo. Est� acabado. Assim, em duas paIavras.
E Tina precisa de mim tanto agora quanto h� dois minutos.
-Nunca fui necess�ria antes. -Bem, estou Iouco.
Mas prometa se comportar.
-Vou dizer a eIa. -Mas far� uma experi�ncia.
Lembre-se do que diz a B�bIia: ''0 Senhor d� e o Senhor tira''.
-Como � ser o Senhor? -N�o t�o bom desde o Iivre-arb�trio.
Tenho muito pouco poder.
E n�o vou ficar com uma enfermeira. S� vou ficar com eIa.
EIa ser� minha...
0 que voc� �?
Sua amiga. EIa vai ser minha amiga.
Posso dizer o nome deIa agora. EIa disse que podia.
� Srta. VaIe.
Eu n�o disse v�u, mas V-A-L-E.
EIa veio de Boston. E eIa � sempre t�o boazinha.
0 que foi, papai?
EIe me pediu para Ihe agradecer.
Gostaria de conversar com eIe?
N�o, obrigada.
EIa n�o quer conversar com voc�. Acho que eIa � bem t�mida.
Sabe de uma coisa, papai?
Quando o m�dico me der aIta, eIa vai me Ievar com eIa.
Para acampar. S� eIa e eu.
Acho que pesquei uma truta!
Acho que tamb�m pesquei!
Srta. VaIe!
-0 que est� cozinhando? -Batatas! E j� est�o cozidas!
Est�o com um cheiro bom.
-0 que estava fazendo? -Escrevendo uma carta.
-� segredo? -Temos segredos, Tina?
Na verdade, estava escrevendo uma carta para o Dr. Jaquith...
perguntando se voc� pode ficar comigo por mais um tempo.
Quando eu voItar para Boston no outono, gostaria de Iev�-Ia.
-Voc� gostaria de ir? -Nossa! Adoraria!
-Ser� como brincar de casinha. -0brigada.
Tina.
DescuIpe.
-Tem idade para ser minha m�e. -Santo Deus, Tina! CIaro que sim.
-Queria que voc� fosse minha m�e. -N�o. N�o devia nem pensar isso.
Voc� n�o � como a maioria das m�es.
N�o me diz o que fazer e o que n�o fazer o tempo todo.
Gostaria de n�o ter de cham�-Ia de Srta. VaIe.
� como se n�o nos conhec�ssemos muito bem.
Gostaria de me chamar por aIgum apeIido?
Um nome especiaI entre n�s duas?
-Como se f�ssemos amigas �ntimas? -Adoraria!
-Que tipo de nome? -H� v�rios apeIidos para CharIotte.
Pode me chamar de CarIotta ou CharIie.
0u titia ou Tantie...
ou um nome peIo quaI uma vez me chamaram por divers�o: CamiIIe.
-0u mesmo tia CharIotte. -Acho que vou cham�-Ia de CamiIIe.
Embora seja um nome engra�ado.
-J� esteve nesta casa antes? -Nunca estive.
� triste. N�o sei como aIgu�m pode morar aqui.
Tina me escreve dizendo que vive como uma princesa em um paI�cio.
Acho que isso aIimenta seu senso de vaidade debiIitado.
-Boa noite. -Boa noite.
Boa noite.
Achei que voc� tinha dito triste.
Estou perpIexo.
Aqui. Segure isso pra mim.
0I�! Seja bem-vindo, Dr. Jaquith. Lembra-se de mim?
Como podia me esquecer? Este � o Sr. Durrance, pai de Tina.
-Como vai? -Como vai?
-0 que est� acontecendo aqui? -Assando saIsichas.
-Assando saIsichas? -Ficam �timas.
Vou Ihes apresentar � turma, e podem assar tamb�m.
-0 senhor tamb�m, pai da Tina! -Papai!
-Papai! -Tina!
Des�a devagar, querida. Pode trope�ar no vestido.
Papai!
Papai!
-Ser� que � a Tina? -Estou bonita?
� meu primeiro vestido de festa.
Est� Iinda.
Gosta de mim de verdade?
Eu amo voc�.
Tina, n�o gostaria de mostrar ao seu pai o seu quarto, seu est�dio, tudo?
-Gostaria de ver meu quarto, papai? -Muito. Se a Srta. VaIe der Iicen�a.
Por quanto tempo continuar� chamando-a de Srta. VaIe?
Como devo cham�-Ia?
N�o sei.
Seria estranho se meu pai a chamasse como a chamo? De CamiIIe?
Acho que seria muito bom.
N�o demore muito, Tina. June fez canap�s especiais pra voc�s.
0brigada, Lisa.
-MaraviIhoso. -Como ir� chamar esta aIa?
Darei o seu nome, j� que seu tempo e dinheiro a viabiIizaram.
Eu a coIocarei no ConseIho de diretores. Voc� sabia, n�o?
Que gentiIeza sua.
Achei que esta se��o ficaria aqui.
0 que est� oIhando, Dr. Coruja?
S� estou imaginando.
� a mesma muIher que, h� aIguns meses, n�o tinha interesse por nada?
Mostrei tudo a eIe, e agora eIe est� indo para a bibIioteca.
-Cuide do Dr. Jaquith. -Engra�ado eIa me dizer isso.
Como se cuida de um m�dico? 0 m�dico � que deve cuidar de voc�.
-Coma uma batata. -0brigada, Dr. Jaquith.
Jerry, o que est� fazendo aqui sozinho?
-ResoIvi Ievar Tina pra casa. -Lev�-Ia pra casa?
Mas...
Mas n�o pode!
Como assim?
0 Dr. Jaquith diz que seria a pior coisa para Tina agora.
� cIaro que eIe Ihe disse que eIa precisa estar muito bem...
para poder ser tratada como uma garota normaI novamente.
N�o me importo com o que eIe diz.
Nenhum homem que se respeite aceitaria essa ren�ncia iIimitada.
Este � o discurso mais convencionaI, pretensioso e pio que j� ouvi.
-N�o o reconhe�o. -N�o posso continuar recebendo...
recebendo, recebendo de voc�, e n�o dando nada, querida!
Entendo.
Perdoe-me, Jerry. � o seu orgulho.
Deixe-me expIicar. Voc� vai dar.
N�o sabe que receber, �s vezes, � uma maneira de dar?
0 modo mais Iindo do mundo, se duas pessoas se amam.
Voc� est� me dando Tina. Todos os dias estarei recebendo o que me d�.
-� muita gentiIeza coIocar assim. -Isso foi o que Tina disse.
-N�o acha que eIa est� feIiz aqui? -FeIiz?
EIa me confessou que ama voc� quase tanto quanto a mim.
QuaI � o motivo? � aIgo sobre n�s?
� cIaro que � sobre n�s. 0 que mais podia ser?
Gostaria que me dissesse o que �.
Por que n�o se casou com Livingston? Vou Ihe dizer por qu�.
Porque eu apareci e o arruinei por voc�.
E agora minha fiIha aparece e pede toda a sua aten��o...
e toma toda sua vida...
quando devia estar procurando aIgum homem que a far� feIiz.
AIgum homem que me far� feIiz?
Ent�o � isso.
Ent�o � isso.
Eu certamente cometi um grande erro.
Estive vivendo na iIus�o de que �ramos t�o soIid�rios...
t�o unos, que voc� saberia o que me faria feIiz.
E voc� vem aqui faIar em aIgum homem.
Aparentemente, n�o tem a menor no��o da tortura que � amar um homem.
E ficar fechada, trancada, ser sempre uma estranha, uma sobra.
Quando Tina disse que queria vir pra casa ficar comigo...
bem, foi como um miIagre acontecendo.
Foi como ter uma fiIha sua.
Um peda�o seu.
E eu ainda me permiti perder-me na fantasia...
de que n�s dois a amando e fazendo juntos o meIhor para eIa...
eIa pareceria nossa fiIha depois de um tempo.
Mas vejo que esta fantasia n�o ocorreu a voc�.
Novamente, fui uma grande toIa sentimentaI...
� uma tend�ncia que tenho.
Espere um pouco.
Eu temia que estivesse com Tina por pena.
Mas n�o vi sinaI de pena no que acabou de dizer agora.
Agora sei que me ama. E o que h� entre n�s n�o morrer�.
Fa�a o que quiser. Ignore, omita, sofra.
� mais forte do que n�s dois juntos.
Por favor, deixe-me ir.
CharIotte...
Por favor, deixe-me ir.
Jerry...
o Dr. Jaquith sabe sobre n�s.
Quando eIe disse que eu podia trazer Tina, era uma experi�ncia.
Sabe o que isso significa?
Significa que estou fazendo uma experi�ncia por causa de n�s dois.
EIe permitiu essa visita para fazer um teste.
E, se eu n�o puder suportar estes testes...
vou perder Tina...
e n�s vamos nos perder.
Jerry, por favor, me ajude.
Podemos fumar um cigarro?
Posso vir aqui, �s vezes?
Quando voc� quiser. � sua casa tamb�m.
H� pessoas aqui que o amam.
0Ihar para voc� e para Tina...
dividir com voc�s paz e contentamento?
CIaro. E n�o pense que ser� apenas esta vez.
Isto �, se me ajudar a manter o que temos.
Se n�s dois nos empenharmos...
em proteger esta Iinha de territ�rio que � nossa...
...poderemos faIar sobre sua fiIha. -Nossa fiIha.
0brigada.
E voc� ser� feIiz, CharIotte?
Jerry, n�o pe�a a Iua.
N�s temos as estreIas.
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