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- Equipe Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - Hirschen -

Legenda - gustavohdh -

Legenda - Murrice -

Legenda - Vekka -

Legenda - willy_br -

Legenda - BethRockefeller -

Legenda - Durenkian -

Revis�o - Matvix -

INSPIRADO EM UMA HIST�RIA REAL

CIDADE DE NOVA YORK

13 Ol�, Nova York, sou Bobby Rydell e estou feliz por estar aqui!

Obrigado por virem nos ver hoje. � noite de s�bado no Copa!

Vamos nos divertir muito esta noite.

Faremos o nosso melhor para que isso aconte�a.

Nosso agradecimento especial

ao Sr. Jules Podell por nos receber.

Vamos come�ar.

Ol�, querida.

Aqui est� o meu casaco.

E est� vendo este chap�u aqui?

Quero que guarde-o como se fosse a sua vida.

- Foi um presente da minha m�e. - Sim, Sr. Loscudo.

E isto � para voc�.

Obrigada, senhor.

- Gio! - Carmine!

- Como vai, amigo? - Bom te ver.

Obrigado! N�o precisa.

Vamos! Venha! Andiamo.

Eu vi esse garoto Bobby Rydell h� dois anos e meio

no Sul da Filad�lfia. Ningu�m o conhecia.

Agora conhecem.

D�-me o chap�u do Loscudo.

- Ele disse para guard�-lo... - Eu ouvi.

D� para mim, pode ser?

Certo.

Tony Lip!

Colocou suas m�os em mim, valent�o?

Fa�a um favor a si mesmo. V� embora com seus amigos.

Voc� n�o me diz aonde ir! Sabe quem sou?! Vou voltar l�!

Avise ao Jules Lipobdell!

Se eu n�o recuperar meu chap�u, queimarei esta pocilga!

Ele vai aparecer. Juro por Deus que vai.

Mesmo? Diga �quele gordo judeu desgra�ado

que se n�o recuperar meu chap�u, botarei fogo no Copa!

ESGOTADO - BOBBY RYDELL

COPA - FECHADO PARA REFORMAS NOVEMBRO E DEZEMBRO

Vou ter que voltar a dirigir caminh�es de lixo.

Jesus Cristo!

Dane-se ele! Ele est� fora de si.

Merecemos nosso dinheiro de hoje.

Lip, achei que ia matar aquele cara.

�! Antes ele do que eu.

O que vai fazer enquanto estivermos fechados?

Sei l�. Talvez trabalhar na droga da pizzaria do meu tio.

- E voc�? - Vou beber por dois meses.

Leve-me para casa, Lip.

Boa sorte. At� breve, Carmine.

- Isso n�o deveria acontecer. - N�o quero ser um...

Meu chap�u!

Ouvi dizer que estava sumido, ent�o tentei encontrar.

- Eu queria matar aquela vadia. - N�o. N�o foi culpa dela.

Quem teve culh�o de pegar o chap�u do Gio?

- Relaxe, j� cuidei dele. - Espero que tenha batido nele.

Aqui. Pegue isso. Coloque no seu bolso.

N�o. N�o, obrigado. Foi um prazer, Sr. Loscudo.

Pare de besteira! Pegue.

A partir de agora, n�o me chame de Sr. Loscudo, est� me ouvindo?

Sou seu amigo Gio.

O BRONX NOVA YORK

Bom dia.

Boa noite.

- Qual �, Roger! Rebata uma! - Quieto, Johnny! Vai dar azar.

Johnny, acha que pode gritar um pouco mais alto?

- Maris est� acordada. - �, e agora eu tamb�m.

O que diabos est�o fazendo aqui?

Viemos para fazer companhia � Dolores.

Vamos!

N�o fique dormindo enquanto minha filha est� aqui sozinha

com esses "sacos de carv�o".

Entende o que estou dizendo?

Eu n�o sabia quem iriam mandar.

N�o sabia que seriam os berinjelas.

Isso � trabalho de italiano! Desgra�ado!

Obrigado, senhora.

Vamos l�, Roger! Por favor!

- Acompanho voc�s at� a porta. - Certo.

Quando voc� voltou a esses jogos de tabuleiro? Vamos!

- Muito obrigada. - Foi um prazer.

Conseguimos! Conseguimos!

Fa�a novamente. Vamos fazer de novo. Vamos l�, cara!

N�o! Tony, v� se vestir. N�s vamos comer.

- Isso mesmo! - Nada de deixar o sete jogar.

...de Sua generosidade, Cristo, nosso Senhor, am�m.

- Am�m. - Am�m.

Se algu�m souber de um trabalho para o Tony, avise-nos.

- Dolor! Por favor. - O qu�?

- O que houve? Foi demitido? - N�o.

N�o, o Copa fechou para obras.

Ele s� precisa de algo por uns dois meses.

O Sr. Figur�o. Gasta, gasta, gasta.

Chega, pai. O piso estava mofado.

T�nhamos que troc�-lo.

Ele conhece muita gente, encontrar� algo logo.

Ele tinha um �timo trabalho no Departamento de Saneamento.

Voc� n�o deveria ter esmurrado o capataz.

Ele n�o deveria ter me acordado.

Esse � o Tony.

Estou te dizendo, v�o ser as 50 pratas

- mais f�ceis que vai ganhar. - Sim, veremos.

Oi! Aqui est�o eles. Oi, Johnny.

- Tony! - Oi, Paulie. Como est�?

Estou bem. Ent�o, o Johnny me disse que voc� comeu

48 hamb�rgueres da White Castle de uma vez.

X-burgueres.

- Conte a eles, Frankie. - N�o acredito em voc�.

E acha que eu ligo se voc� acredita?

Gorman. Qual � o recorde aqui para cachorro-quente?

Dezoito. Paulie Gord�o.

Por que Lip n�o estava no concurso?

Que concurso? Eu estava com fome.

A aposta � simples. 50 pratas.

Quem comer mais em uma hora, vence.

Com recheio.

Quanto voc� pesa?

- 118 kg. - Isso s� na n�dega esquerda.

Que minha sogra caia morta se eu estiver mentindo.

- Tudo bem. Sua vez. - Beleza.

Vai, Lip! O filhote de elefante acaba comer o de n�mero 19!

Vamos, Lip! Anda! Vai!

Voc� est� envergonhando o seu filho.

Ele est� arrasando voc�.

- Oi, Nicky. Fazendo a tarefa? - �.

Muito bem.

- Onde voc� estava? - No Gorman's.

Estou fazendo o jantar!

Paulie apostou 50 pratas que ele comeria

mais cachorros-quentes do que eu.

Ele engoliu 24. O cara � um animal.

Voc� � doido? Perdeu 50 d�lares?

Dolores. Qual �.

Eu comi 26.

Voc� tem muita sorte.

Sabia?

O aluguel vence na segunda-feira.

Vai atender?

- Sim? - Oi. Escute...

Um cara ligou pra c�, um doutor. Ele est� � procura de motorista.

- Est� interessado? - Estou.

V�o entrevistar uns caras amanh� � tarde.

O endere�o �...

S�tima Avenida, 881. �s 14h15.

- Com licen�a. - Ainda n�o abrimos,

mas pode comprar ingressos para o show desta noite.

N�o. N�o se trata disso.

Acho que anotei o endere�o errado.

Mas h� algum consult�rio m�dico aqui?

Consult�rio m�dico?

- Dr. Shirley. - O endere�o est� certo.

O Dr. Shirley mora no andar de cima.

Como v�o?

Estou aqui para a vaga de motorista. Tony Lip.

Nenhum Tony Lip.

N�o? Deveria estar a�.

N�o...

- Tenho um Tony Val... Valle... - Vallelonga. �, sou eu.

- Preencha enquanto espera. - O qu�?

Preencha enquanto espera.

Sente-se.

Sr. Vallelonga, desculpe por te deixar esperando.

Sou o Dr. Donald Shirley.

- Tony. - Sim. Por favor, sente-se.

Que lugar incr�vel este aqui.

Aqueles chifres s�o de verdade?

Presas de elefante. Sim.

E isso a�?

Isso � um molar?

- Um o qu�? - Um molar.

Tipo um dente de tubar�o?

De tigre, talvez.

Foi um presente.

Achei que eu estava indo para um consult�rio m�dico.

Disseram que um doutor precisava de um motorista.

Foi tudo que te disseram?

- Sim. - � um pouco mais complicado.

Voc� j� dirigiu profissionalmente antes?

Saneamento. Caminh�es de lixo.

E levo meu chefe para casa � noite.

Mas posso dirigir qualquer coisa.

Limusines, caminh�es de reboque.

Rebocadores de neve, qualquer coisa.

Entendo. Possui outras experi�ncias?

Trabalhei em muitos locais.

The Wagon Wheel, Peppermint Lounge, Copa.

- Em quais compet�ncias? - Como assim?

O que fazia nesses locais?

Rela��es P�blicas.

Primeiramente, Tony, n�o sou m�dico. Sou um m�sico.

- Voc� quer dizer... m�sicas? - Sim.

Estou prestes a embarcar em uma turn�,

a maioria dos shows ser� no Sul.

- Atlantic City? - N�o.

Bem para o Sul. Primeiro, come�aremos no Centro-Oeste,

depois iremos um pouco � esquerda.

Kentucky, Carolina do Norte, Tennessee

e para baixo atrav�s do Delta.

Voc� prev� algum problema em trabalhar para um negro?

N�o!

N�o, n�o. Um dia desses,

minha esposa e eu recebemos dois negros em nossa casa.

Para umas bebidas.

- Entendo, voc� � casado. - Sim.

Dois filhos.

O trabalho n�o � muito adequado para um homem casado.

Por qu�? Vai levar mo�as?

Minha quest�o � que voc� se ausentar�

por oito semanas consecutivas, sem folgas, at� o Natal.

Pode mesmo deixar sua fam�lia por tanto tempo?

Depende de quanto vai pagar.

Cem d�lares por semana, mais quarto e alimenta��o.

Mas deixe-me ser bem claro...

N�o estou contratando s� um chofer.

Preciso de algu�m que cuide do meu itiner�rio.

Seja um assistente pessoal. Um ajudante.

Preciso de algu�m que lave minhas roupas,

engraxe meus sapatos...

Boa sorte, Doutor.

Tony.

Fiz minha gravadora perguntar por a� para achar o cara certo.

Seu nome apareceu mais de uma vez.

Voc� impressionou v�rias pessoas com sua...

capacidade inata de lidar com problemas.

Por isso que liguei e perguntei sobre sua disponibilidade.

Eis o acordo. N�o tenho problema em estar na estrada com voc�.

Mas eu n�o sou mordomo.

N�o passo camisas, n�o engraxo sapatos de ningu�m.

Precisa de algu�m para levar de A at� B?

Para n�o haver problemas no caminho?

E, acredite em mim, voc�, no Sul, ter� problemas.

Ent�o, se me quer, s�o 125 d�lares por semana.

Ou contrate o amarelinho que saiu daqui,

veja at� onde voc� chega.

Bom, Sr. Vallelonga...

obrigado por ter vindo.

Oi, Bobby.

D�-me uma Rheingold.

Bem gelada.

Sr. Tony.

Augie est� perguntando por voc�.

- Estou morrendo de sede aqui! - Calado! Estou conversando.

- Quando? - Agora.

Ele est� no reservado dele.

Tony Lip.

O que diabos aconteceu no Copa?

Soube que arrebentou o rosto de um cara.

O cara em que voc� bateu. Mikey Cerrone.

� da gangue do Charlie, A M�o.

Ele deveria ter se comportado.

A M�o me pediu para cuidar disso.

Eu falei com Podell. A coisa toda foi uma...

cagada de uma noite, certo?

Sim.

Coisas assim n�o deveriam acontecer dentro da boate.

Eles passaram dos limites.

Ent�o resolvemos o problema.

Voc� est� procurando ganhar um pouco mais de dinheiro?

Posso te ocupar enquanto o Copa n�o reabre.

O que tenho que fazer?

Coisas...

Eu agrade�o, mas vou passar um tempo com minha fam�lia.

N�o seja idiota.

Ganhe um dinheiro extra, compre algo bom

para sua bela esposa.

N�o, estou bem.

Estou bem de vida no momento.

PENHORES EMPR�STIMOS EM J�IAS

Aqui est� US$ 50.

Pague US$ 60 at� o ano novo e ter� de volta.

Lip.

Est� tudo bem?

O qu�? N�o consegue fechar o bico, Charlie?

Cuide da sua vida.

Estou curiosa para saber o que aconteceu

na entrevista com o doutor.

Ele n�o � um doutor de verdade. � um pianista.

N�o entendi. Por que disseram que era um doutor?

N�o sei. Acho que � um doutor em tocar piano ou algo assim.

Isso � poss�vel?

Acredito que sim.

Ele mora em cima do Carnegie Hall.

Devia ter visto o lugar, Dee.

Era repleto de est�tuas e coisas chiques.

E ele estava sentado em um maldito trono

vestido como o rei dos macacos da selva.

Ele � negro?

Ent�o n�o duraria uma semana com ele.

Pelo pre�o certo, duraria.

Sim.

Bom...

Mesmo?

Tudo bem. Espere um segundo.

� o Dr. Shirley.

O cara do piano. Ele quer falar com voc�.

- Comigo? - Sim.

O qu�? N�o!

Venha aqui. Atenda.

� s� falar.

Al�?

Bom dia, doutor, que bom falar com voc�.

Sim, � muito tempo.

�.

Sim. Tenho certeza.

Obrigada por ligar.

Tchau.

O que ele disse?

Ele queria saber se eu estaria de acordo

com ele levando meu marido para longe da fam�lia por dois meses.

Ele disse que te pagaria o que pediu.

� um bom dinheiro.

N�s precisamos.

N�o posso ficar comendo 26 cachorros-quentes por dia.

Eu sei.

Disse que estava de acordo com voc� ir.

Certo. Essa � a primeira metade do seu pagamento.

Receber� o restante na final da turn�.

Tenho que receber toda semana.

Desculpe, n�o � como a empresa faz.

Temos que ter garantia de que terminar� o servi�o.

Por que n�o terminaria? Eu aceitei, n�o?

Ent�o n�o precisa se preocupar.

O neg�cio � o seguinte, Sr. Vallelonga.

� seu trabalho levar o Don para os concertos a tempo.

Se ele perder algum show, n�o vai receber� sua parte.

- Ele n�o vai perder os shows. - �timo.

Vai precisar disso.

Este � o livro que falei.

Algumas vezes ficar�o no mesmo hotel, outras n�o.

LIVRO VERDE - Sim, claro.

PARA MOTORISTAS NEGROS - N�o me decepcione. Vamos.

Esse � o novo?

Sim. A gravadora alugou.

- Bonito, n�o �? - Lindo.

O que a minha irm� diz de voc� ficar fora por tr�s semanas?

Oito semanas.

Aposto que deixa esse preto de lado

e volta para casa em menos de um m�s.

- Certo, garotos. - Despe�am do seu pai.

Frankie, Nicky, venham aqui.

Oi, ser�o bons meninos?

Ouvir�o a m�e de voc�s?

Certo, deem-me um beijo.

Estou contando com isso.

- N�o v�o muito longe. - N�o vamos.

- Foi at� a AAA pegar os mapas? - Sim. N�o. Quer dizer...

A gravadora me deu mapas, o itiner�rio e isto.

"O Livro Verde dos Motoristas de Negros"?

Mostra lugares em que os negros podem se hospedar no sul.

Tipo, viajar enquanto negro.

Viajar enquanto negro?

Se for negro e precisar viajar por algum motivo.

Tem um livro s� para isso?

- Parece que sim. - Pegou o ferro?

- N�o vou levar o ferro, Dee. - Como passar� as cal�as?

Irei coloc�-las debaixo do colch�o.

Quero que me escreva uma carta

- toda vez que puder. - N�o consigo escrever cartas.

- Sim, consegue. - N�o sei escrever.

- Leva 5 minutos. Prometa. - � constrangedor.

- N�o ficar�o boas. - � mais barato

do que ligar de longe, Tony.

Prometa que ir� escrever para mim.

Eu prometo.

Aqui. Deposite isto no banco hoje.

� metade do meu pagamento.

Alguns sandu�ches para voc� e o Dr. Shirley.

- Obrigado. - Tome cuidado.

- Pode deixar. - Eu te amo.

Eu tamb�m te amo, amor.

� melhor estar em casa para o Natal ou nem volte mais!

Quem chega tarde fica sem cama!

Entendi, vov�. Entendi.

Oi! Sou o Tony.

O motorista. Empresta um cigarro?

Obrigado.

Est�o com a banda?

Oleg. Violoncelo.

George. Baixo. E n�o somos uma banda,

somos um trio.

Um trio? Certo.

Bom dia.

Bom dia.

Obrigado, Amit.

Tenha uma �tima viagem, senhor.

Tony, a primeira coisa que quero que fa�a ao chegar na cidade

� checar o piano que tocarei, assegurar que seja um Steinway

como est� no meu contrato.

E certifique-se de que haja uma garrafa de Cutty Sark no quarto

toda noite.

Toda noite?

Se alguma vez precisar de ajuda com ela...

N�o precisarei.

As duas m�os no volante, por favor.

Doutor.

Vi que, no itiner�rio,

o �ltimo show � em 23 de dezembro. Certo?

Birmingham, sim. � um show de Natal.

Teria como pegarmos a estrada cedo no dia seguinte

para estarmos em casa na v�spera de Natal?

Veremos.

Agrade�o.

Pode apagar o cigarro, por favor?

Por qu�?

N�o consigo respirar aqui atr�s.

O que est� falando? A fuma�a vai para os meus pulm�es.

- Fa�o todo trabalho aqui. - Obrigado.

Est� tudo bem?

Sim. Est� tudo bem.

�timo. Encontramos voc� no hotel em Pittsburgh.

Fa�a a reserva do jantar. Vamos ensaiar logo depois.

O que est� olhando?

- Ent�o fala alem�o? - Isso foi russo.

Eu fui designado para a Alemanha no ex�rcito.

Posso entender um pouco do que estavam dizendo.

Cuidado com os Krauts.

S�o todos cobras.

Kennedy deveria t�-los explodido quando teve chance.

Agora tem os bastardos cubanos.

N�o deveriam estar nos seguindo?

Eles t�m o itiner�rio. Contanto que cheguem a tempo no show,

n�o me preocupo e voc� tamb�m n�o deveria.

N�o estou preocupado com nada.

Quando me vir preocupado, saber�.

- Saber� se eu estiver. - Tony, que tal um sil�ncio?

Claro.

�timo que disse isso.

Que tal um sil�ncio?

Dolores, minha mulher, diz isso sempre.

N�o sempre, voc� entendeu...

Ela diz isso quando chego do trabalho,

ela fica com as crian�as o dia todo

e costuma dizer: "Tony, que tal um sil�ncio?"

Exatamente como voc� disse.

Ou seja... Incr�vel!

Como estava?

Salgado.

J� pensou em ser cr�tico de comida?

N�o. Na verdade, n�o.

Por qu�? Isso d� dinheiro?

S� estou dizendo

que tem um dom com as palavras para descrever a comida.

"Salgado".

T�o v�vido. Pode-se at� sentir o gosto.

S� estou dizendo que est� salgado.

E salgar � trapacear.

Qualquer cozinheiro pode salgar.

Mas fazer saboroso sem o sal, s� com os outros sabores,

esse � o truque. O b�sico...

Devemos ir logo se quisermos chegar em Pittsburgh no jantar.

Quando estava no ex�rcito,

conheci um cara de Pittsburgh.

S� que ele chamava de "tetas-burguer",

dizia que todas as mulheres de l� tinham peitos grandes.

Isso � um absurdo.

Por que mulheres de Pittsburgh teriam seios maiores

- que as de Nova Iorque? - � o que vamos descobrir.

Logo que me contratou,

minha esposa comprou um de seus �lbuns,

aquele sobre os �rf�os.

�rf�os?

Sim.

A capa tinha v�rias crian�as em volta de uma fogueira.

Orfeu.

- Isso. - Orfeu no Submundo.

� baseado em uma �pera francesa.

E n�o eram crian�as na capa.

Eram dem�nios nas entranhas do inferno.

N�o brinca. Devem ter sido crian�as levadas.

O que est� fazendo?

Tenho que me aliviar, Doutor.

- Aqui? Agora? - Quer que eu mije nas cal�as?

PITTSBURGH PENSILV�NIA

Oi, Doutor, boa tarde.

Pegue isso para quaisquer incidentes que precisarmos.

Se quiser comprar algo, n�o precisa perguntar,

s� guarde os recibos, por favor.

Quando estiver acabando, avise-me.

- Obrigado. - Mais uma coisa.

Participaremos de v�rios eventos antes e depois dos shows,

interagindo com alguns dos mais ricos e bem-educados do pa�s.

Tenho impress�o que sua dic��o,

por mais charmosa que seja na �rea dos tr�s estados,

precise de um refinamento.

Est� falando de dic��o em qual sentido?

No �nico sentido que a palavra � usada.

Tudo bem.

Sua entona��o, inflex�o, sua escolha de palavras.

J� tenho problemas, agora tenho que me preocupar

com o que as pessoas pensam quando falo?

H� t�cnicas simples e eficazes que posso te ensinar.

- Posso te ajudar. - N�o preciso de ajuda!

Se n�o gostam do jeito que falo, podem ir � merda.

Os palavr�es s�o outro problema.

Por que est� pegando no meu p�?

Porque pode fazer melhor, Sr. Vallelonga.

O que me lembra de mais uma coisa.

Como convidado de honra, serei apresentado ao entrar

nesses eventos privados. Voc� tamb�m ser� apresentado.

Na minha humilde opini�o,

Vallelonga pode ser dif�cil de pronunciar.

Ent�o, estava pensando...

Valle seria mais apropriado. Tony Valle.

Curto e doce.

N�o!

Se tiverem problema, podem me chamar de Tony Lip.

Eles s�o cavalheiros.

"Tony, o Lip" pode soar um pouco...

mundano para eles.

Ent�o ser� Tony Vallelonga.

Todos esses riquinhos, muito mais inteligentes que eu,

com a intelig�ncia e habilidades de fala,

diz que n�o sabem pronunciar meu nome?

Se n�o gostarem, podem enfiar no rabo, esperarei de fora.

Isso soou melhor.

Senhoras e senhores, hoje temos o privil�gio

de apresentar um grande artista americano.

Ele se apresentou pela primeira vez aos tr�s anos de idade.

Aos 18 anos, com o convite de Arthur Fiedler,

nosso convidado fez seu concerto de estreia com os Boston Pops.

Tem doutorado em Psicologia, em M�sica

e em Artes Lit�rgicas,

e se apresentou na Casa Branca duas vezes nos �ltimos 14 meses.

� um verdadeiro virtuoso.

Virtuoso. � italiano.

Significa que ele � muito bom.

Ent�o, senhoras e senhores, recebam o Don Shirley Trio!

� isso, senhoritas!

O dado � seu. S� estou tendo sorte.

- Est� trapaceando? - Tony.

O chefe est� chamando.

N�o � meu chefe. Trabalho para a gravadora de discos.

Eu tamb�m trabalho para a gravadora de discos.

Qual �! D� uma chance de recuperarmos o dinheiro.

Desculpe, rapazes, o dever chama!

O dever chama?

Meu dever � recuperar meu dinheiro.

Estive procurando voc�.

Desculpe. Os caras estavam jogando.

Quando precisar de um dinheiro a mais, s� pe�a.

� mais divertido ganh�-lo.

E se voc� perdesse?

Em dados e cartas eu n�o perco, Doutor.

N�o perco.

Ent�o ficar sentado no ch�o jogando dados por um troco

faz de voc� um vencedor?

Por que est� reclamando? Todos estavam jogando.

Eles n�o tinham escolha de ficar do lado de dentro ou fora.

Voc� tinha.

E limpe seus joelhos, tem sujeira neles.

OHIO

Cara Dolores, como voc� est�?

Eu estou bem.

Estou comendo muito bem. Hamb�rgueres, na maior parte.

Ent�o n�o se preocupe se estou me alimentando bem.

Vi o Dr. Shirley tocar piano. Hoje � noite.

Ele n�o toca como um homem de cor.

Toca como o Liberace, s� que melhor.

� como um g�nio, eu acho.

Quando eu olho para ele, no retrovisor,

sei que ele sempre tem muita coisa na cabe�a.

Acho que os g�nios s�o assim.

Mas n�o deve ser divertido ser t�o inteligente.

Sinto muito a sua falta.

- Quem � esse? - Esse quem?

No r�dio.

Lilttle Richard.

S�rio? Esse � o Little Richard?

�. Acha que pode tocar assim, Doutor?

N�o sei. Parece muito complicado.

� verdade.

Ent�o, de onde veio esse apelido "Tony, o Lip"?

N�o � "Tony, o Lip".

� Tony Lip. Uma palavra.

Ganhei na inf�ncia. Meus amigos falavam

que eu era o melhor "artista enganador" do Bronx.

- Por que est� sorrindo? - Como assim?

N�o te incomoda que seus amigos,

pessoas pr�ximas a voc�, te consideram um mentiroso?

Quem falou em "mentiroso"? Eu falei "artista enganador".

- Qual � a diferen�a? - Eu n�o minto. Nunca.

� que sou bom em persuadir os outros.

Enganando-as.

E sente orgulho disso?

Assim que consegui este trabalho.

Espere a�. Voc� est� brincando! N�o conhecia o Chubby Checker?

Claro que conhecia, s� nunca tinha ouvido a m�sica dele.

Mas gostei. � legal.

Ele tem uma voz sedosa, bem suave.

Ele � �timo.

� com isso que as pessoas dan�am.

Olhos na estrada, Tony.

Conhece essa m�sica?

- Acho que n�o. - Como voc� n�o conhece?

Aretha Franklin.

Chubby Checker, Lil' Richard, Sam Cooke.

Que isso, Doutor! S�o da sua tribo!

- Quer algo? Comprarei cigarro. - N�o, obrigado.

- Pegou e colocou no bolso. - Obrigado, Oleg.

Boa tentativa, Mike. O que est� inventando?

Pegue uma ma��, Doutor.

Antes de sairmos, Tony, precisamos conversar.

- �? - Oleg me disse o que voc� fez.

- O que eu fiz? - Roubou uma pedra jade da loja.

- N�o roubei, n�o. - Ele te viu roubar.

N�o roubei nenhuma pedra!

Voc� pegou e colocou no bolso.

Peguei uma pedra do ch�o. N�o roubei da caixa.

Por que voc� pegaria uma pedra do ch�o?

N�o sei.

Porque n�o � roubo. � apenas uma pedra normal.

E por que voc� ia querer uma pedra normal?

Para ter. Para dar sorte, talvez.

- Uma pedra da sorte. - �.

Deixe-me ver.

Leve de volta e pague por ela.

Puta merda.

Falei que aquele Kraut era uma cobra.

Dedurou-me por algo que nem fiz!

Pague por ela. Vai se sentir melhor.

Eu me sinto bem.

N�o pagarei por uma pedra comum que achei no ch�o.

N�o dirija, Sr. Vallelonga.

Devolva a pedra.

- Sente-se melhor? - N�o.

Se quiser, Tony, compro a pedra para voc� com prazer.

N�o precisa. Voc� acabou com a divers�o.

HANOVER INDIANA

Com licen�a, senhor.

- Estou com a banda. - Est� tudo pronto.

- Esse n�o � o piano, certo? - � esse mesmo.

N�o � um Steinway.

- E da�? - Dr. Shirley s� toca

nos Steinway Grad Pianos. Est� no contrato.

- Quem � Dr. Shirley? - Dr. Shirley...

O Don Shirley Trio. Eles v�o tocar hoje � noite.

- Faz tanta diferen�a? - Sim, faz, est� no contrato.

Cara, esses pretos tocam em qualquer coisa que aparecer.

Mas isso � uma merda. E ainda tem lixo dentro.

- Ent�o tire. - O que voc� disse?

Voc� me ouviu.

Voc� tem 2, 3 horas. Arrume um Steinway limpo.

- N�o temos Steinway aqui. - N�o � problema meu.

N�o deve haver dois Steinway em todo o estado.

Ent�o � melhor voc� se apressar.

Com quem pensa que est� falando, italianinho?

"Querida Dolores...

Hoje de manh�, comi bife e ovos no caf� da manh�.

A banda tem tocado em v�rios clubes elegantes.

Dr. Shirley e eu estamos nos dando bem,

mas, �s vezes, acho que ele fica triste

e � por isso que ele bebe tanto.

Nunca soube o qu�o lindo este pa�s �.

Agora que estou conhecendo, eu sei.

Voc� n�o acreditaria na natureza.

� linda como dizem.

E praticamente n�o h� tr�nsito no interior, o que acho �timo.

Agora mesmo estou comendo espaguete e alm�ndegas

em uma lanchonete e tem gosto de macarr�o chin�s com ketchup.

Estamos indo para o sul.

Escreverei outra carta quando chegarmos. Eu te amo.

Seu marido, Tony.

P.S.: d� um beijo nas crian�as por mim."

BEM-VINDO AO KENTUCKY

Voc� tem fam�lia, Doutor?

- Na verdade, n�o. - Na verdade, n�o?

Ou voc� tem ou n�o tem.

� uma longa hist�ria, Tony.

Estamos com pressa agora?

Quero ouvir.

Tenho um irm�o em algum lugar.

�s vezes, n�s nos encontr�vamos,

mas se tornou cada vez mais dif�cil manter contato.

Acho que � a maldi��o de ser um m�sico.

Sempre na estrada,

como o integrante de um circo.

Ou um criminoso.

Tamb�m prejudicou meu casamento.

- Voc� � casado? - Era.

June...

uma pessoa boa.

Gram�tica horr�vel, mas uma alma gentil.

- Voc� gostaria dela. - June?

Igual a junho, o m�s?

Infelizmente, n�o posso ser marido e pianista.

N�o consegui conciliar os dois mundos.

Frango Frito do Kentucky.

Em Kentucky! Quando isso iria acontecer?

FRANGO FRITO DO KENTUCKY � DE DAR �GUA NA BOCA

FRANGO FRITO COMA AQUI OU LEVE PARA VIAGEM

- Quer? - Estou bem, obrigado, Tony.

Acho que este � o melhor frango frito do Kentucky que j� comi.

Mas acho que � fresco aqui, n�o �?

Acho que nunca vi ningu�m com o seu apetite.

N�o, comprei o balde para que voc� comesse tamb�m.

Eu nunca comi frango frito na minha vida.

A quem voc� quer enganar?

Voc�s adoram frango frito, a s�mola, as verduras coloridas.

Eu tamb�m adoro. Cozinheiros crioulos

preparavam isso sempre quando servi no ex�rcito.

Voc� tem uma opini�o muito limitada de mim, Tony.

N�o �? Sou do bem.

N�o, voc� n�o � do bem, voc� � do mal.

S� porque outros crioulos apreciam certas m�sicas,

n�o significa que eu tamb�m. Nem que todos comemos o mesmo.

Espere. Voc� disse que todos os carcamanos

gostavam de pizza, espaguete e alm�ndegas.

- N�o serei insultado. - Voc� n�o est� entendendo.

Supor que todos os crioulos...

- Quer ou n�o quer? - N�o.

Tome. Vamos.

- N�o tem um cheiro bom? - Cheiro normal.

Prefiro n�o engordurar meu cobertor.

Vou engordurar meu cobertor. Pegue um s�, vamos.

N�o vai te matar. Sem problema.

- N�o. - Pegue.

- Vou jogar a� atr�s. - Nem ouse.

- Ent�o pegue. - Como? Tem pratos? Ou talheres?

V� se ferrar! Coma com suas m�os,

- � assim que deve ser. - N�o posso.

Coma. Pegue, eu preciso dirigir!

As duas m�os no volante! Pegue. Vamos.

A� est�.

- N�o consigo, Tony. - Coma essa coisa logo.

Jesus.

N�o gostou?

Parece ser...

t�o anti-higi�nico.

E quem se importa?

Relaxe e aproveite.

Meu pai costumava dizer:

"Independentemente do que faz, fa�a o seu melhor."

Quando for trabalhar, trabalhe, quando for rir, ria.

Quando comer, coma como se fosse sua �ltima refei��o.

Quer mais um peda�o? Pegue um peito.

Delicioso.

Pegue. A� est�.

O que faremos com os ossos?

Faremos isso.

� isso que faremos.

Pronto.

Qual o problema? Os esquilos v�o comer mesmo.

- Pegue. - A natureza se encarrega disso!

- Pegue. - Jesus.

LOUISVILLE KENTUCKY

APENAS PARA PESSOAS DE COR

N�o pode estar certo.

Est� dizendo aqui.

"Aconchegante como sua pr�pria casa."

Este lugar parece minha bunda.

Este � o lugar.

A mala grande, por favor.

- Apenas esta? - Obrigado.

Se precisar de algo, estarei na Pousada Easton, subindo a rua.

Obrigado, Tony.

- Floyd, estamos prontos? - Tulley, n�o posso. Meu ombro.

Voc� e esse ombro do cacete.

Figur�o, quer tocar?

- Como? - Vamos, est� faltando um.

Eu... prefiro n�o tocar.

Por qu�? Voc� � rico e poderoso demais?

N�o, deixe-o em paz.

Ele s� tem medo de empoeirar esse uniforme de mordomo!

Eu s�...

Estou indo visitar um amigo.

Obrigado por nada!

- Floyd, vamos, cara. - Cale a boca, deixe-me em paz!

POUSADA EASTON

"Viajar sem se preocupar."

Belos jantares para pessoas particulares.

- Sim? - Levante! � o George. Levante.

Tony, venha! Depressa!

O Dr. Shirley est� em apuros.

Sa� pra tomar uma bebida, entro no bar

e o Dr. Shirley est� l�, cambaleando!

Eu n�o quis deix�-lo, mas n�o sabia o que fazer!

Quem o deixou sair da jaula? E botaram a gravatinha tamb�m?

Est� fantasiado de quem?

Tirem as m�os dele!

Que droga n�s temos aqui, pessoal?

Entregue-o, n�s sa�mos. Sem problema.

Eu s� queria uma bebida, Tony.

Eu j� disse, vamos embora. Sem complica��o.

- Vamos. - Ele n�o sai daqui!

Queremos palha de a�o para lavar os pratos.

Ou�am, idiotas. Fa�am um favor a voc�s mesmos e deixem-no ir.

Agora!

Fale com jeito.

Eu falei com jeito.

Esse garoto vai receber o que ele merece.

E voc�... voc� n�o vai dizer nada!

Talvez... mas o que quer que haja aqui,

vou colocar um bala bem no meio do seu cr�nio.

Ele est� desarmado, Ray!

Ele est� mentindo!

E se ele n�o estiver?

Eu, com certeza, n�o estou.

E n�o vou deixar isso acontecer no meu bar!

Deixe o esquisit�o ir. Deixe-o ir!

Vamos!

Tire-o daqui.

Quero esses nortistas fora da minha propriedade!

- V�o para casa. - Vamos, George. Vai!

Peguei voc�, Doutor.

V�o para casa!

- Perdeu o ju�zo? - Sinto muito.

N�o queria te colocar nessa situa��o.

Espere, espere...

Voc� quer vomitar de novo?

Estou bem.

Puxa vida, Doutor, eu n�o te entendo!

Podia ter bebido aqui. Tinha uma garrafa inteira!

- Eu s� queria um pouco de ar. - Ar?

Voc� sabe onde est�?

A geografia realmente importa?

- O qu�? - Se eu estivesse em um bar...

no seu bairro...

a conversa seria diferente?

Daqui em diante, voc� n�o vai a lugar nenhum sem mim.

Lugar nenhum!

- Entendeu? - Eu entendi.

- Onde � o seu quarto? - Tony...

O qu�?

Voc� tem mesmo uma arma?

Claro que n�o.

Doutor, onde � o seu maldito quarto?

- Venha. Por ali. - Est� ali...

Deixe eu te levar para cama. Ter� um grande show amanh�.

Louisville! Obrigado pela calorosa hospitalidade!

Obrigado!

- Deixe de pregui�a, Tony. Diga. - N�o tenho!

"Betina botou a batata na bolsa..."

Betina botou...

Betina botou... batata... Quem diz isso?

- Batata... - Deve come�ar por algo, Tony.

Um cantor faz exerc�cios vocais,

um atleta se aquece antes de ensaiar.

Atletas treinam, eles n�o ensaiam!

Merda!

RALEIGH, CAROLINA DO NORTE - Senhoras e senhores,

nosso convidado muito especial, do distante norte...

Don Shirley!

Acompanhando o Sr. Shirley, os membros do seu trio...

Oleg Malakhovich, George Dyer e seu parceiro,

Tony Valle... "Vallelongia"!

Esta � a minha linda esposa Margaret.

Se n�o se importarem, vou roubar o Donnie um pouco

para algumas apresenta��es.

- O que � isso? - Sandu�che de queijo pimento.

Sim, vou experimentar.

Desculpe, n�o � para mim.

No in�cio desta semana, perguntamos � equipe

o que o Sr. Shirley poderia gostar de jantar.

Ent�o os garotos da cozinha fizeram algo especial

em homenagem a nosso convidado.

Cavalheiros.

Frango frito caseiro!

A� est�. Podem trazer! Sirvam quente!

Obrigado!

Retornaremos ap�s um breve intervalo.

Com licen�a, Don.

- Lindo trabalho l� dentro. - Obrigado!

Est� procurando o sanit�rio? Deixe-me ajudar.

L� fora, na frente daquele pinheiro.

Eu preferiria n�o usar aquilo.

N�o seja bobo, Don. De fora, parece pior do que �.

Suponho que voc� saiba por experi�ncia.

Nunca houve reclama��es.

Eu poderia voltar ao meu hotel e usar as instala��es de l�.

Mas isso levaria pelo menos meia hora.

N�o nos importamos em esperar.

Por que eu n�o encosto? Voc� pode mijar na floresta?

Os animais v�o na floresta.

Vai levar ao menos 20 minutos se eu voltar ao seu hotel!

Ent�o vamos l� para que eu volte e termine o show.

Essa � a diferen�a entre n�s.

- Eu iria na floresta tranquilo. - Sei bem disso.

Por que est� magoado comigo? Eu n�o fa�o as regras aqui.

N�o?

Ent�o quem faz?

Diz isso s� porque sou branco e eles s�o brancos?

� algo muito preconceituoso o que acabou de dizer.

Algo muito preconceituoso.

Tenho mais em comum com judeus do Second Avenue Deli

do que com esses caipiras daqui!

- Olhos na estrada. - Voc� sempre diz isso

- quando n�o gosta do que digo. - Olhos na estrada!

Eu n�o entendo.

Como ele sorri e aperta as m�os deles assim?

Se eles tentassem aquela merda comigo,

eu mijaria bem no ch�o da sala deles.

N�o fa�a isso.

Ainda temos muitas datas de concertos.

Sim... e da�?

Sabe que somos obrigados, por contrato, a realiz�-los?

Claro que sim. Se n�o tocarmos, n�o recebemos.

Onde quer chegar?

Circunst�ncias ruins v�o acontecer novamente.

Ent�o se controle.

N�o me repreenda, seu dedo-duro!

Dr. Shirley podia ter ficado no Norte,

sendo bajulado nas festas da Park Avenue

por tr�s vezes mais dinheiro,

mas ele pediu por isto.

Por qu�?

O que nesta terra de Deus voc� est� fazendo?

Uma carta.

Parece mais um bilhete de resgate.

Posso?

"Carro" Dolores...

C-A-R-A, isso n�o � um autom�vel.

Estou conhecendo todos os cidad�os de classe da cidade.

Gente que usa palavras bonitas, todos eles...

Mas voc� me conhece. Eu me viro.

Eu sou um bom "enrrolador".

Apenas um "r" em "enrolador".

Enquanto escrevo esta carta, estou comendo batata frita

e estou come�ando a ficar com sede.

Eu lavei minhas meias e as sequei na TV.

Deveria ter "trago" o ferro... Sabe que isto � pat�tico, n�o �?

Diga-me o que est� tentando dizer.

N�o sei...

- Como sinto falta dela e tal... - Voc� n�o disse isso.

Mas fa�a de uma maneira que ningu�m fez antes.

E sem ser profano.

Algo como...

Escreva isso.

- Cara Dolores... - Essa n�o!

C-A-R-A Dolores...

Quando penso em voc�...

eu me lembro das belas plan�cies do Iowa.

Que "planos"?

As plan�cies. P-L-A-N-�-C-I-E-S.

Aqueles grandes campos que vimos.

Sim, aquilo era legal. "Plan�cies"...

que eles chamam...

de grandes campos... por aqui.

Tony, sem explicar!

- O qu�? - Apenas escreva o que eu digo.

Certo.

A dist�ncia entre n�s...

est� enfraquecendo o meu esp�rito...

Entre n�s...

O tempo e as experi�ncias sem voc�

n�o t�m sentido para mim.

Apaixonar-me por voc�

foi a coisa mais f�cil que j� fiz.

Apaixonar-me...

por voc�...

� rom�ntico para caralho!

...foi a coisa mais f�cil que j� fiz.

Nada importa para mim, s� voc�.

E, em todos os dias que vivo, estou ciente disso.

Amei voc� no dia em que te conheci,

amo voc� hoje

e vou amar voc� para o resto da minha vida.

A� posso p�r "P.S.: beije as crian�as"?

Um "P.S."?

Sim, tipo no final.

Seria como bater um chocalho

no final da 7� sinfonia de Shostakovich.

Certo... ent�o est� bom?

Est� perfeito, Tony.

MACON GE�RGIA

Todo mundo fala de Willie Maze, 1954.

Nem foi o maior apanhador nos campos de polo.

Foi o Joe DiMaggio, 1936, segundo jogo da World Series...

�ltima fora, 500 p�s...

Gostou disso, Doutor?

- Esse � um lindo terno. - Elegante.

O cara parece com voc�.

Ele parece?

O tamanho, � isso!

Ele deve ser 42.

Por que n�o experimenta?

Voc� precisa usar smoking no palco todas as noites?

Voc� poderia misturar um pouco.

Vamos ver como fica em voc�. Temos bastante tempo.

Eu volto j�.

- Como vai? - Posso ajudar, senhor?

Sim, queremos experimentar o belo terno cinza da vitrine.

- Voc� tem no tamanho 42? - Claro.

Esse mesmo.

O provador � nos fundos, senhor.

Obrigado. Vai levar s� um momento.

N�o se apresse, Doutor. Verei umas gravatas para voc�.

Com licen�a, voc� n�o est� autorizado a provar isso.

Perd�o?

Se deseja compr�-lo primeiro,

teremos prazer em adequ�-lo �s suas necessidades.

Eu entendo.

Sim?

Sou eu.

ASSOCIA��O CRIST� DE MO�OS MACON

Ol�, policial!

Recebi uma liga��o sobre o Dr. Shirley.

Venha.

O amigo dele chegou.

Obrigado.

D� uma toalha para o cara, pelo amor de Deus!

- Voc� � advogado? - N�o.

Devia chamar um. Levaremos sua bixinha.

- Por qu�? - O gerente pegou ele

e o outro cara...

N�o podemos tirar as algemas, deixar ele colocar as cal�as?

Conversar sobre isso?

Claro que podemos, mas n�o vamos.

Certo. Escute...

Estaremos fora daqui amanh� de manh�,

voc� nunca mais nos ver�.

Deve haver algo para resolver isso.

E se o deixarem ir e eu der algo em agradecimento?

- Est� nos subornando? - N�o! Claro que n�o.

Um presente, um agradecimento.

Que tipo de agradecimento?

Como... uma doa��o para a for�a policial.

Para voc�s.

O que voc�s quiserem.

Voc� gosta de ternos?

Estava andando por sua simp�tica cidade hoje

e vi uma loja que vendia ternos.

Ternos Primo.

E se, em agradecimento, em doa��o...

eu comprasse um terno para cada?

Voc�s ficariam bem vestidos, levariam a esposa para jantar.

Quero dizer... caras como voc�s trabalham duro, voc�s merecem.

A forma que me trataram foi errada e voc� os premiou.

Fui contratado para te levar de um show a outro.

Como fa�o isso n�o deveria importar.

- S� queria que n�o os pagasse. - Fiz o que precisei fazer!

Se isso vazasse, acabaria com sua carreira.

Certo, Tony.

Preciso que pare com o falso altru�smo

e sua preocupa��o com minha carreira.

- O que quer dizer com isso? - S� estava pensando em si mesmo

porque sabe que se eu perder um show, pesar� no seu bolso.

Claro que n�o quero que perca um show, filho da m�e ingrato!

Acha que fa�o isso a troco de nada?

Esta noite, livrei sua cara,

ent�o que tal mostrar alguma gratid�o?

E eu disse para nunca ir sem mim a lugar algum!

Presumi que voc� iria querer que essa fosse a exce��o.

MEMPHIS TENNESSEE

Quer que eu arranje maquiagem ou outra coisa para o show?

N�o, est� tudo certo.

Tem certeza? O hematoma � vis�vel.

Eu disse que est� tudo certo.

Tudo bem.

Tony Lip?

Dominic! Mags! Que diabos fazem aqui?

Brooklyn nos mandou para resolver umas coisas.

- Quem � o berinjela? - Trabalho para ele.

O que houve? Perdeu uma aposta?

Que diabos voc� est� fazendo?

Se precisa de trabalho, procure-me.

Arranjo trabalho para voc�.

Ali�s, posso usar voc� esta semana.

- Voc� ganhar� muito dinheiro. - Um monte de dinheiro.

J� estou ganhando dinheiro.

Pago-lhe o dobro.

Aqui n�o � lugar para falar sobre isso.

Estou trabalhando aqui.

Encontre-me no bar �s 20h em ponto.

Entendido?

- Certo, vejo voc� mais tarde. - Beleza.

Esque�a aquele cara.

Desculpe, Doutor. S�o uns amigos de Nova York.

Pode pegar a bagagem do Dr. Shirley?

Tudo bem.

Liguei para o quarto dele. Ele j� vai descer.

- Oi, Doutor. - Aonde est� indo?

S� vou l� embaixo. Beber algo.

Com seu amigo Dominic?

Antes de aceitar a oferta dele,

precisamos conversar.

Tony...

acho que est� fazendo um trabalho incr�vel.

Ent�o...

gostaria de oferecer formalmente o cargo de meu gerente de turn�.

Com o t�tulo,

tamb�m v�m mais responsabilidades, mas...

tamb�m significa um aumento de sal�rio.

N�o. N�o. N�o, obrigado.

Acertamos em US$125 por semana, mais despesas.

Esse � o nosso trato. Certo?

N�o vou a lugar algum, Doutor.

S� ia descer para dizer a eles.

Tony...

desculpe por ontem � noite.

N�o se preocupe com isso.

Trabalhei a vida toda em casas noturnas de Nova York.

Sei que �...

um mundo complicado.

Ent�o, onde aprendeu a tocar assim?

- Com minha m�e. - Com sua m�e? � mesmo?

Ela me ensinou a tocar em uma velha espineta.

Assim que aprendi a andar.

Viaj�vamos pela pen�nsula da Fl�rida.

Fazia meus showzinhos em par�quias e sal�es.

Por sorte, um homem que me vira tocar

arranjou para que eu estudasse

no Conservat�rio de M�sica de Leningrado.

Fui o primeiro negro a ser aceito l�.

Foi l� que te ensinaram todas as m�sicas que toca?

Na verdade, fui treinado para tocar m�sica cl�ssica.

Brahms, Franz Liszt, Beethoven, Chopin...

� tudo que eu sempre quis tocar.

Mas fui persuadido pela minha gravadora

a seguir uma carreira na m�sica popular em vez disso.

Insistiram que o p�blico jamais aceitaria

um pianista negro no palco cl�ssico.

Queriam me transformar em s� mais um "artista de cor".

O cara que fuma enquanto toca,

bota um copo de u�sque sobre o piano

e depois reclama porque n�o � respeitado

como Arthur Rubinstein?

N�o se v� Arthur Rubinstein

botar um copo de u�sque sobre o piano.

N�o sei. Acho que teria sido um grande erro

se tivesse ficado no lance cl�ssico.

Um erro?

Tocar a m�sica que treinei a vida toda para tocar?

Treinou? O que voc� �, uma foca?

As pessoas adoram o que voc� faz!

Qualquer um pode tocar como Beethoven ou "Joe Pan"

ou os outros caras que voc� disse.

Mas a sua m�sica, o que voc� faz...

S� voc� consegue fazer aquilo.

Obrigado, Tony.

Mas nem todos sabem tocar Chopin.

N�o como eu sei.

"As �rvores deixaram cair suas frondosas coberturas

e as cores delas desbotaram para cinzas e marrons.

Vi milh�es de �rvores polvilhadas com neve

como se sa�das de um conto de fadas."

Ele � t�o expressivo!

Devo admitir, as cartas de Lip...

- n�o s�o nada m�s. - � de fam�lia.

Dizem que nosso tetrav�

ajudou Da Vinci na Capela Sistina.

- Voc� quer dizer Michelangelo? - Certo.

O que Michelangelo tem a ver com escrever cartas?

S� digo que somos uma fam�lia art�stica.

"Eu conto as horas, os minutos e os segundos

at� ter voc� em meus bra�os."

Amo voc�. Tony.

P.S.: d� um beijo nas crian�as."

- John! - Sim?

Quero uma carta.

Claro, assim que voc� fizer a comida.

LITTLE ROCK ARKANSAS

Olhos na estrada!

- Tony! - Muito bem, pessoal,

Vamos dar as famosas boas-vindas de Louisiana

a Don Shirley e ao Don Shirley Trio!

BATON ROUGE LOIUSIANA

TUPELO MISSISSIPPI

JACKSON MISSISSIPI

No rabo da sua m�e, seu monte de bosta!

Que droga esse cara est� fazendo?

Filho da puta!

Habilita��o e documentos!

Estou contente em ver voc�!

Sa�mos da estrada principal e agora estamos perdidos.

- Saia do carro. - O que foi que eu fiz?

Saia do carro!

Por que est� nesta estrada?

Eu j� disse. Tivemos que fazer um desvio

e nos perdemos.

E por que est� conduzindo ele?

Ele � meu chefe.

Ele n�o pode estar por aqui � noite.

Esta � uma cidade segregacionista.

O que � isso?

Tire-o do carro e verifique a identidade dele.

- Qual �, est� chovendo! - Senhor...

Posso pegar pela janela.

Tire-o do carro!

Venha. Saia j�! Saia!

Tem identifica��o?

Como se pronuncia este sobrenome?

Vallelonga.

Que diabo de nome � esse?

� italiano.

Agora entendi. � por isso que o est� conduzindo.

Voc� � metade negro.

M�os para o alto! Agora, agora!

Com licen�a.

Com licen�a, senhores.

Entendo por que meu parceiro est� preso,

mas de que exatamente estou sendo acusado?

Voc�s parecem ser homens sensatos.

Talvez possam me soltar para falarmos sobre a situa��o.

Deixe a conversa mole de lado, rapaz.

Voc� n�o vai a lugar algum t�o cedo.

N�o pode me manter aqui sem motivo.

Eu tenho motivo.

Porque deixou o sol se p�r no seu rabo preto.

Quero falar com meu advogado.

Quero o meu telefonema!

Esta � uma viola��o flagrante dos meus direitos!

Sabem...

ele tem mesmo...

direitos.

D� ao crioulo o maldito telefonema dele.

Est� contente?

Conhece um advogado? Ligue para ele.

Como minha m�e sempre dizia: "Que tipo novo de tolo voc� �?"

Olhe para eles ali.

D� uma boa olhada no policial em que bateu.

Olhe para ele. Ele est� ali se divertindo,

papeando com os colegas,

curtindo uma boa x�cara de caf�.

E voc�, onde est�?

Aqui dentro, comigo, que nada fiz.

Ainda assim, sou eu quem paga o pre�o.

Sou eu que vou perder o show de Birmingham.

Tamb�m perderei muito dinheiro

se voc� n�o tocar em Birmingham.

E aquele seu ataque de raiva? Valeu a pena?

Nunca se vence com viol�ncia, Tony.

Vence-se apenas quando se mant�m a dignidade.

A dignidade sempre prevalece.

E esta noite, por sua causa, n�o vencemos.

Eu n�o tocaria nesse colch�o, Doutor.

N�o, senhor.

N�o, n�o sou, senhor.

Sim, ele est� bem aqui, sim senhor.

- Sim, senhor. - D� aqui.

Chefe Pratt. Quem fala? Besteira.

Sim, senhor. Posso ouvir agora, governador.

N�o, senhor, desculpe. Claro que reconheci sua voz.

Senhor...

Est� dizendo que o rapaz que trancafiamos

ligou para quem?

E ele ligou para o senhor?

N�o, senhor, mas um policial foi atacado no cumprimento do...

N�o, n�o, tamb�m n�o quero a Guarda Nacional

vindo at� aqui, senhor.

Sim, governador, imediatamente.

Boa noite para o senhor e sua senhora.

- Solte-os. - O qu�?

- Liberte-os. - Aquele carcamano me bateu!

Quer manter seu maldito emprego?

Ent�o fa�a o que mando voc� fazer,

quando eu mandar voc� fazer!

Agora estou mandando solt�-los, porra!

Para quem diabos voc� telefonou?

Bobby Kennedy acaba de salvar a nossa pele.

Nossa Senhora! N�o � incr�vel?

N�o � incr�vel.

De jeito nenhum. � humilhante.

Do que est� falando?

Est�vamos ferrados, agora n�o estamos.

E acabei de botar o Procurador-Geral dos EUA

- em uma posi��o desconfort�vel. - E da�?

� para isso que o cara � pago. O que mais ele tem para fazer?

Aquele homem e o irm�o dele est�o tentando mudar o pa�s,

� isso que ele tem mais a fazer!

Agora ele pensa que sou algum tipo de...

Ligar de uma cadeia caipira no p�ntano,

pedindo que atenue acusa��o de agress�o, quem faz isso?

Lixo, � quem faz. N�o deveria ter batido nele.

N�o gostei de como ele te tratou,

- fazendo voc� ficar na chuva. - Por favor!

Bateu nele por causa do que ele te chamou.

Tenho aturado aquele papo a minha vida toda,

voc� poderia aturar ao menos por uma noite.

N�o posso me zangar com o que ele dizia

porque n�o sou negro? Sou mais negro que voc�!

- Como �? - Voc� n�o sabe nada

sobre sua pr�pria gente!

O que comem, como falam, como vivem.

Voc� nem sabe quem � Little Richard!

Ent�o saber quem � Little Richard

torna voc� mais negro do que eu?

Tony, queria que, �s vezes, voc� se ouvisse.

- Voc� n�o falaria tanto. - Bobagem!

Sei exatamente quem sou.

Sou o cara que viveu na mesma vizinhan�a no Bronx

a vida toda, com minha m�e, meu pai,

meu irm�o e agora com minha mulher e filhos.

� isso a�, � quem eu sou.

Sou o babaca que tem que se virar

todo maldito dia para botar comida na mesa.

Voc�? O Sr. Figur�o? Vive no topo de um castelo,

viajando pelo mundo dando concertos para ricos.

Eu vivo nas ruas, voc� se senta em um trono.

Ent�o, sim, meu mundo � muito mais negro que o seu!

Encoste o carro.

- O qu�? - Encoste!

- N�o vou encostar! - Pare o carro, Tony!

O que foi? O que est� fazendo?!

Doutor!

Doutor, que diabos est� fazendo?

Doutor, volte para o carro!

Sim, eu vivo num castelo, Tony! Sozinho!

E brancos ricos me pagam para tocar piano

porque isso faz com que se sintam cultos!

Mas, assim que deixo o palco,

volto a ser apenas mais um crioulo para eles!

Porque essa � a verdadeira cultura deles.

E sofro sozinho porque n�o sou aceito pela minha pr�pria gente.

Porque tamb�m n�o sou como eles!

Ent�o se n�o sou preto o bastante,

nem sou branco ou homem o bastante,

ent�o diga-me, Tony, o que sou?

Preciso dormir um pouco.

Est� bem.

Pararei no pr�ximo lugar que virmos

e te levarei escondido para meu quarto.

N�o, n�o. Recuso-me a ficar em um lugar

em que n�o sou bem-vindo.

Beleza. Tudo bem.

Tony, precisa fumar em toda parte?

N�o sabia que isso te incomodava.

Poderia ter me dito.

Tudo que precisa � mandar o papo, Doutor.

Percebe que estaria em casa antes daquela carta chegar?

�, sei.

S� pensei em lev�-la comigo. Economizar no selo.

Tudo bem. Tony, d� aqui, eu conserto.

Sem ofensas, Doutor, mas acho que j� peguei o jeito.

"Cara Dolores. �s vezes, voc� me lembra uma casa.

Uma casa com lindas luzes

onde todos s�o felizes do lado de dentro."

�, Tony! Pegou mesmo o jeito.

�?

Obrigado.

Doutor, obrigado por me ajudar com as cartas.

- Voc� � muito bom nisso. - O prazer foi meu, Tony.

Sabe, ao voltar para casa,

talvez deva escrever para seu irm�o.

Ele sabe onde estou se quiser retomar contato.

"Se..." Eu n�o esperaria.

Sabia que... o mundo � cheio de solit�rios

com medo de dar o primeiro passo.

�, termino de manh�.

Sabe, Doutor? Algo me r�i em toda esta viagem.

Tittsburgh me desapontou demais.

N�o notei diferen�a alguma, voc� notou?

Boa noite, Tony.

BIRMINGHAM ALABAMA

SHOW DE NATAL ESTA NOITE

- Ol�, bem-vindos. - Bem-vindos, entrem.

Certo.

Bem-vindo, Sr. Shirley.

Graham Kindell, gerente geral. � um prazer te conhecer.

Obrigado, Sr. Kindell. Este � o Sr. Tony Vallelonga.

- Muito prazer, Tony. - Como vai?

Deixe o carro aqui na vaga do convidado de honra.

� por aqui, senhores.

- �timo! - Como foi a viagem?

- Maravilhosa. - Bom ouvir isso.

Como podem imaginar, nosso show de Natal

� o maior do ano e estamos t�o contentes

em ter voc� aqui, Sr. Shirley.

Ent�o, se precisar de algo, o menor que seja, avise-me.

- Muito obrigado. - Aqui estamos...

Falta cerca de uma hora para o show. Perguntas?

- Onde � o restaurante? - Siga o corredor aqui, Tony,

� direita, atravessando o sagu�o.

- Boa sorte. Merda para voc�s. - Obrigado.

Temos uma hora, segundo ele. Deve estar faminto, Doutor.

V� em frente, encontro voc� l�.

Podemos sentar juntos?

V�o em frente.

- Coquetel, cavalheiros? - Estou bem.

- Tr�s doses de vodcas. - Nossa!

�ltimo show, fim da guerra fria, hora da tr�gua.

- O Dr. Shirley est� no camarim? - �.

Est� mais para uma dispensa.

Vou dizer, n�o sei por que ele atura esta merda.

Seis anos atr�s, em 1956,

Nat King Cole foi convidado a se apresentar

no Audit�rio Municipal aqui em Birmingham.

O Sr. Cole foi o primeiro negro solicitado a tocar

em um estabelecimento branco desta cidade.

Assim que come�ou, um grupo de homens o atacou

por cantar m�sica de brancos.

Arrancaram-no do palco

e bateram nele pesado.

Jesus Cristo!

Uma vez, voc� me perguntou: "por que Dr. Shirley faz isso?"

Vou lhe contar.

Porque ser genial n�o � suficiente.

Mudar o cora��o das pessoas requer coragem.

Obrigado.

Obrigado.

- Eu entendo, mas... - O que foi?

Este cavalheiro diz que n�o � permitido que eu jante aqui.

N�o, n�o entendeu. Ele tocar� esta noite.

- � o evento principal. - Lamento,

mas � a pol�tica do restaurante.

- Est� tudo bem? - N�o, n�o est�.

Esse cara disse que Dr. Shirley n�o pode jantar aqui.

Minhas desculpas, mas h�... tradi��es de longa data.

Regras da casa. Estou certo de que entendem.

N�o, eu n�o entendo.

Sinto muito.

Espere, est� me dizendo que os bozos da banda dele

e todos que v�m aqui para v�-lo tocar

podem comer aqui, mas a estrela do show,

o ponto de excel�ncia, n�o pode?

Receio que n�o.

Pois bem, ele precisa comer. Precisa jantar.

Certo. � o seguinte.

Por que n�o levamos algo ao camarim dele?

- John, mostre o card�pio a ele. - N�o.

N�o irei comer naquela dispensa.

Certo. Se prefere, h� um estabelecimento

muito popular na estrada, o Orange Bird.

Ficar�o felizes em te alimentar.

Doutor, venha aqui.

� r�pido, aguarde.

Pode ser que aquele lugar seja melhor.

Os p�ezinhos aqui s�o duros como pedra.

Vamos at� l�. Vamos e voltamos.

� o �ltimo show.

Fim de hist�ria. Vamos passar por cima disso

e podemos ir para casa, ficar longe desses babacas.

Prontinho. O peixe est� maravilhoso esta noite.

Ou eu como nesse sal�o...

ou n�o toco esta noite.

Posso ter uma conversinha com voc�?

Sr. "Villanueva", tem de p�r ju�zo no Sr. Shirley.

Por favor, fa�a-o entender. N�o � um insulto pessoal,

� s� como as coisas s�o por aqui.

�, mas ele n�o � daqui.

S� pe�a para ele ser razo�vel. Tenho 400 convidados ali

aguardando por divers�o esta noite.

E o Dr. Shirley aguarda comer esta noite.

Por que n�o pode abrir uma exce��o s� esta vez?

Deixe-me contar uma hist�ria.

J� ouviu falar do time de basquete Boston Celtics?

- J�. - J�. Aqueles rapazes

chegaram aqui uns anos atr�s em uma turn� entusiasmante.

Vistos como os campe�es mundiais e tal,

ficamos empolgados com eles comendo aqui

e sa�mos dos trilhos no vag�o de boas-vindas.

Sabe em que mesa os neg�es comeram naquela noite?

- N�o. - Nem eu.

Mas n�o foi nenhuma das nossas.

Agora, chega de palha�ada.

Diga-me quanto ir� custar.

Digamos 100 d�lares e p�e seu menino para tocar?

Pensa que pode me comprar?

Com todo respeito, senhor, mas voc� n�o estaria

em um trabalho assim se n�o fosse compr�vel.

Pare! Tony.

Est� tudo bem.

Eu me apresento...

se voc� quiser que eu toque.

Est� bem. Vamos cair fora desta bosta aqui.

O que quer dizer com cair fora daqui?

Aonde diabos pensam que v�o?

Don, n�o fa�a isso! Assinou um contrato

e sei que � o tipo de homem que honra um contrato!

Reconsiderem. Ficar� tudo bem.

Est� tudo certo. Voc� tem um show, mister!

Pode voltar, e j�, maldi��o!

J�!

� por isso que n�o d�o certo aqui,

porque s�o irrespons�veis, ouviram?

Eu trouxe aquela droga de Steinway

de Atlanta para voc�s!

Tony.

Est� com fome?

A Betina gosta de batata?

Ela?

- Voc� � policial? - Pare�o irland�s?

- O que quer, querido? - Dois Cuttys, sem gelo.

Saindo.

Seja qual for a especialidade da casa, eu quero.

Dois P�ssaros Alaranjados!

Gostei do que fez l�, Doutor.

Voc� se defendeu.

� como seu amigo, o Presidente, disse.

"N�o pergunte

o que seu pa�s pode fazer por voc�,

pergunte o que voc� pode fazer por si mesmo."

N�o �?

E a�, querido,

o que faz da vida vestidinho desse jeito?

Nada particularmente importante.

�.

N�o se deve julgar um homem pela sua roupa.

Ele s� � o maior pianista do mundo.

� mesmo? Voc� � bom?

N�o se acanhe, Doutor.

- Conte quem voc� �. - N�o conte nada,

mostre para mim.

Cara!

� assim que se alcan�a um pico.

Foi um bom momento, faria uma vez por m�s, gr�tis.

- Voc� � inacredit�vel. - Tony...

Aposto que, indo embora agora, conseguiremos.

- O qu�? - Noite de Natal, em Nova York.

Nunca mostre um ma�o de dinheiro em um bar.

Sabia que voc� tinha uma arma!

Est� piorando, Doutor.

Pois �.

Pena n�o termos algo para nos proteger no caminho.

J� sei! Que tal p�r sua pedra da sorte no painel, Tony?

Ande, Tony. Precisamos de toda ajuda dispon�vel.

Obrigado. J� me sinto mais seguro.

Voc� � um babaca, sabia?

Mas que merda!

Maldita pol�cia.

O que fazem aqui fora?

Queremos chegar em Nova York.

- Algum problema, guarda? - Sim.

Notei seu carro puxando para a esquerda.

Parece que seu pneu traseiro furou.

�.

Continue, continue.

Muito bem. Tomem cuidado, cavalheiros.

- Feliz Natal! - Feliz Natal!

Obrigado, guarda.

Aviso meteorol�gico: nesta noite de Natal,

h� uma grande tempestade de neve atingindo a costa leste

com mais severidade no leste da Pensilv�nia,

norte de Nova Jersey e cinco distritos.

Recomenda-se aos motoristas evitar Jersey Turnpike...

Certo. A� est�. Chega.

- Paramos no pr�ximo motel. - Continue enquanto der, Tony.

N�o consigo manter os olhos abertos!

Estou ficando hipnotizado.

Acho que meu c�rebro vai explodir.

Tentamos, Doutor.

O que faremos?

Muito bem, mesa posta, senhoras e senhores.

N�o corram dentro de casa!

Tony. Tony, acorde.

Voc� est� bem?

Voc� est� em casa, v� para dentro.

Boa noite.

Espere, suba, venha conhecer minha fam�lia.

Feliz Natal, Tony.

Feliz Natal!

Olhe s� quem �! Shakespeare chegou em casa!

Pai!

Como voc� est�?

- Conseguiu voltar! - Est� tudo bem.

Tony, que Deus lhe aben�oe!

- Est� com fome? - Morrendo de fome.

Sobrou alguma coisa?

- Bem-vindo ao lar, Dr. Shirley. - Obrigado, Amit.

Preparei sua cama, senhor. Devo desfazer suas malas agora?

N�o, n�o. Por favor. V� encontrar sua fam�lia.

Obrigado, senhor.

- Feliz Natal, senhor. - Feliz Natal.

Qual �. Voc� nunca me beijou desse jeito � mesa.

Tudo bem, relaxe.

E a�, Tony, tudo bem? Parece um pouco quieto.

�, n�o � isso. S� estou cansado.

Foi uma longa viagem.

Cuidou daquilo?

- Obrigado. - Claro, voc� me deve 75 paus.

75? Charlie falou em 60.

Fa�o isso de gra�a?

Tony, fale-nos da viagem. Foram 2 meses.

�, como foi com o neguinho? Ele te deixou bravo?

N�o fale assim dele.

Est� bem.

Tony, devia ter visto o dia semana passada

quando o pequeno Frankie subiu na TV.

Tirei uma foto dele. T�o lindo!

Estava t�o engra�ado l� em cima.

Enlouqueceu, Dee?

Com aqueles tubos l� atr�s, podia ser eletrocutado.

- Do que est� falando? - N�o fa�a estardalha�o.

N�o d� para ser eletrocutado com uma TV!

- Charlie? - Oi, Lip. Johnny me convidou.

- Entre logo. - Obrigado, lembra da Marie?

Oi, Marie!

Charlie, veio mesmo? Eu estava brincando.

E com a mulher tamb�m?

- Feliz Natal. - Feliz Natal, oi! Que surpresa!

- Entre e sente. - Venham.

Pessoal, � o Charlie da casa de penhores!

N�o trouxe nada. No Natal. Acredita?

- Aqui, sentem-se. - Sentem.

Doutor!

Seja bem-vindo!

- Pessoal... - Chega, chega.

Este � o Dr. Donald Shirley.

Feliz Natal.

Vamos l�, abram espa�o. Deem um prato a esse homem!

- Ol�! - Voc� deve ser a Dolores.

- Bem-vindo. - Buon Natale.

Obrigado por partilhar seu marido comigo.

Obrigado por ajud�-lo com as cartas.

DR. DONALD SHIRLEY CONTINUOU COM AS TURN�S, A COMPOR

E A GRAVAR COISAS ACLAMADAS. IGOR STRAVINSKY FALOU SOBRE ELE:

"A VIRTUOSIDADE DELE � DIGNA DOS DEUSES."

FRANK "TONY LIP" VALLELONGA VOLTOU AO ANTIGO EMPREGO

NO COPACABANA, TENDO SE TORNADO GERENTE.

TONY E DOLORES NO COPA, EM MEADOS DE 1960.

TONY LIP E DR. DONALD SHIRLEY CONTINUARAM AMIGOS

AT� QUE AMBOS MORRERAM EM MESES PR�XIMOS EM 2013.

- Equipe Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

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