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Original subtitles

Tenho que dizer, eu posso com muitos sentimentos por vez.

Posso estar completamente feliz e dolorido ao mesmo tempo.

As d�vidas da vida me consomem, e n�o me preocupa a morte.

Esta combina��o � poss�vel se seu esp�rito � forte,

se � robusto. Ou seja, para algu�m que quer lutar at� o final...

e � t�o c�nico como o rei de Si�o.

Algu�m como eu.

Sou assim, tenho essas d�vidas e sentimentos que mudam.

Fui t�o a fundo a ponto de dizer que esses sentimentos dirigem meu trabalho.

Aparte isso, trope�o como todos.

Procurando ver por que lado sopra o vento...

e assegurando-me em n�o tornar-me louco. Isso � tudo.

O pre�o da fama?

� um fen�meno estranho. N�o guardo em segredo o fato de viver em Ostend.

E as pessoas v�m e me incomodam de vez em quando.

Alguns chegam at� a tocar a campainha e pedir-me um aut�grafo.

H� ocasi�es em que garotas pensam que quero transar com elas.

Pessoas estranhas, visitantes estranhos.

Como ontem. Tr�s deficientes vieram ontem.

Verdadeiros perdedores.

E eram deficientes.

EX DRUMMER Tradu��o: Postmaster

Tinham um grupo de rock sem baterista e andavam buscando um.

Perguntei a voc�s como chegaram a mim...

e o primeiro disse que a m�e dele pensou em mim.

O segundo gritou que havia ouvido que eu era bom com a bateria.

O terceiro n�o falou. S� esteve sentado, olhando minha mulher.

Um cara perigoso. Era o vocalista.

E sua incapacidade era um impedimento da fala. L�ngua presa.

Usualmente n�o se toma a l�ngua presa...

como uma incapacidade, mas neste caso sim.

Tamb�m havia ido a pris�o por assalto. Mais de uma vez.

Disse que nesse momento era como especialista em assaltos.

Koen De Geyyter, acostumado a bater em mulheres.

Putas arrogantes de merda.

Eu gostaria de quebrar a voc�s a cara, se me entende.

A forma como tragam o cigarro. J� viu?

-Como? Viu? -Sim, todos os dias.

Como chupam com seus malditos l�bios. Eu gostaria de arrebent�-los.

Entende o que digo? Entende?

Veja na pr�xima vez. Tenho visto. E n�o fica assim!

E como sempre pisam nas po�as quando chove.

Nunca as rodeiam, pisam. Como se n�o vissem as po�as.

N�o, posso dizer que n�o percebi isso.

E como falam ao telefone.

Jamais notou isso? Como falam ao telefone?

Uma vagabunda ao telefone...

Eu gostaria de dar a voc�s uma surra.

De meter a voc�s o telefone no cu.

E quando estacionam... Finalmente est�o bem estacionadas...

e andam um pouco para frente. E um pouco para tr�s.

E depois para frente outra vez. E outra vez para tr�s. E para frente.

E de novo para tr�s. E ent�o est�o bem estacionadas.

O segundo tinha um bra�o teso. Bom, um bra�o que n�o podia dobrar.

Era gay, mesmo n�o parecendo afeminado.

Ele era o �nico que continuava com sua m�e,

o que me fez decidir, que seu intermin�vel complexo materno...

poderia tomar-se como defici�ncia.

Seu nome era Jan Verbeek, o �nico filho de Gaston e Suzanne Verbeek.

Seu futuro se via brilhar em um mundo como este.

E a fam�lia parecia repleta de sorte.

Mas logo tudo deu errado.

E por que Jan tem um bra�o teso e sua m�e � careca?

N�o sei.

Mas Koen disse que tem a ver com o primeiro amor de Jan.

Ao que parece foi uma experi�ncia traum�tica.

Meu bra�o! Meu bra�o! V� embora.

Um dia, arrumar a erva foi muito para Papai Verbeek.

De a� em diante Jan teve que fazer os trabalhos caseiros.

Perdedor!

O terceiro era quase surdo.

Mesmo que, � primeira vista, parecesse cego.

Seu nome � Ivan, ele era o guitarrista da banda sem baterista.

Ivan pensa que ser surdo � a mais rid�cula incapacidade que se pode ter.

Ivan queria ser uma estrela de rock. Os...

surdos n�o se tornam estrelas de rock.

'� melhor ser cego', dizia. 'Tem mais oportunidades.

Um cego tocando � t�o pat�tico que se segue ele,

mesmo que seja por pena.

Estava casado com Marleen e tinham uma filha, Mia.

Veja! Que � isto? Que � isto?

-Eu n�o posso jogar sem tomar algo. -Eu sei, � o mesmo cada semana.

-Que? -� o mesmo cada semana.

Te digo, hoje ser� meu dia.

Os caras estavam na porta. S� os deixei passar.

Que monte de fracassados!

-S�o deficientes. Basta olhar. -Cheire-os. Fedem.

Fant�stico, hein? Tr�s deficientes com um grupo de rock sem baterista...

-buscando a fama. E o sucesso. -Querem seu sucesso.

-� �bvio, n�o �? -Querida, usaremos eles.

H� uma hist�ria nisto. Que quer?

Somos f�s h� anos. Te vemos na TV... seus livros... entrevistas.

-� conhecido, hein? -Lemos que podia tocar bateria.

-Que? -Pode tocar bateria.

Sim, precisamos de um baterista.

Mas acho que h� um problema.

-S�rio? Qu�? -Como?

-Que problema? -N�o � deficiente.

O quarto membro da banda deve ser deficiente.

Mas sabiam que eu n�o era.

N�o tem que ser muito. Uma mancha ou...

uma verruga ou algo que n�o possa ver.

-Dries, n�o � um deficiente. -Que? Que disse?

Isso � tudo, amigos. Sem defici�ncia, sem baterista em sua banda.

Sim, mas...

-Pode tocar? -Ele n�o quer.

-Pode tocar bateria? -Pensarei. Venham mais tarde.

Que?

-Pensar�. Viremos depois. -Amanh�?

Certo.

-Eu te disse. -Estamos fora.

-Ele � muito limpo. -Eu poderia apenas perguntar, hein?

-Pode-se ver que � muito limpo. -Vamos. N�o � o momento certo.

-Dries falando. -Aqui � De Geyyter. Esqueci algo.

Que?

A banda tocar� s� uma vez. S� uma apresenta��o e acabou.

Est� bem. Agora que te tenho ao telefone, me unirei � banda.

S�rio? �timo! E a incapacidade?

Tenho uma, um pouco chamativa. N�o sei tocar bateria.

-Ah, certo. -E tenho um bom nome.

-The Feminists. -O qu�? Feministas?

Sim, quatro incapacitados s�o t�o bons...

quanto quatro putas feministas. Entende?

Ah. Sim. �timo. At� amanh�. Diga 'Ol�' a Lio.

Est� bem, nos vemos amanh�.

-Quem era? -Koen De Geyyter.

Que imbecil! Disse a ele que n�o sabe tocar bateria e acreditou.

-N�o posso tocar bateria. -Pode sim.

E voc� fala franc�s perfeitamente.

Por que quer tocar com essa sujeira de grupo?

N�o sei. Acho que quero sair fora de meu mundo feliz.

Descer aos abismos da estupidez, fealdade,

torpeza, falta de f� e falsidade.

Unir-me � vida dos perdedores...

mas sem pertencer a esse mundo e sabendo...

que sempre posso voltar a meu pr�prio mundo.

E a voc�.

Mam�e?

Mam�e?

Mam�e? Ficou surda? Por que n�o me responde?

Esse � o pr�ximo passo? Ficar surda?

Este � Dries Vanhegen. Esta � minha m�e.

� o escritor famoso? N�o li nenhum de seus livros.

Muita gente diz isso. � o pre�o da fama.

-Voc� n�o tem bebida. Quer cerveja? -N�o, obrigado.

-H� cervejas? -Sabe onde est� a geladeira.

-Sim. E onde sua est�pida cabe�a est�. -Vou ver Papai.

V� a veja como ele est�.

E sabe que n�o se pode fumar aqui dentro!

N�o me diga!

-Diga a ele... -V� ver Papai, vadia suja!

Estou de saco cheio de voc�!

-N�o quer tomar nada? -N�o, obrigado. Que h� com seu pai?

Papai n�o est� bem. Sempre temos que cuidar para que n�o se machuque.

Se machuque? Poderia se pendurar? Com uma corda ou algo assim?

Vamos l� para fora. Te mostrarei algo.

Vive h� muito tempo aqui?

Claro, n�o se pode comparar com onde voc� mora.

E seu pai est� l� em cima?

Aqui ensaiamos. Podemos fazer barulho aqui.

-Quer que toque algo? -Sim, certo.

Isto � um bar.

-Um bar? -Sim, com toda essa cerveja.

-Certo. -Aqui tocamos. S� um minuto.

-Onde aprendeu isso? -N�o sei. S� fiz.

S� fiz, droga. Como est� Papai?

-Se cagou outra vez. -Outra vez? Porco imundo.

-Ouvi que tocava bateria? -N�o.

-H� algo que possa fazer? -Sim.

Posso ver de muito longe se algu�m usa peruca.

-Fora daqui! -Fa�a algo com a geladeira, vadia!

Tire-o daqui! Fora, eu disse!

-J� vou. Meu bra�o! Calma. -Fora daqui!

-Maldita vadia! -Cale a boca!

-A peruca dela � um assunto delicado. -Ela nem sempre usa.

Que h� com seu pai? Est� doente?

-Como? -Sim, est�...

-N�o tem trabalho? -Vivo do subs�dio do governo.

Consigo dinheiro f�cil assim. Para que um trabalho?

-Tem fogo? -Que?

-Tem fogo? -Espera.

Me d� isso.

Pensamos em fazer uma vers�o da m�sica 'Mongoloid' do Devo.

-Mongoloid? Isso vai com nossa imagem. -Mongol�ides, incapacitados.

-Porque somos, n�o �? -Eu n�o sou um mongol�ide.

N�o � o mesmo? Deficiente ou mongol�ide, � o mesmo. Droga!

Que foi?

Droga!

-Minha cabe�a! -Calma!

-E sobre a vers�o? -Mongoloid do Devo!

-Quem? -Mongoloid.

Ah, certo.

Onde porra est� o marroquino? Quanto tempo estamos aqui?

-Como est� seu pai? -Que h� com papai?

-H� quanto tempo est� assim? -N�o sei. Muito.

-Sinto por sua m�e. -Sim, eu tamb�m.

Ela � meio louca e est� presa a seu pai.

-Quanto tempo est� sem transar? -N�o comece, hein? N�o comece.

-Quanto? -N�o comece.

N�o estou come�ando. S� fiz uma pergunta, nada mais.

-Como? -N�o sei.

-Acho que � uma mulher meio louca. -Deve saber disso mais que eu.

N�o me importaria transar com ela. Suas tetas me excitam.

Cale a boca!

N�o, n�o vou me calar. Acho que � uma vadia gostosa.

-Quero avan�ar entre suas tetas. -Dane-se, cara.

-Dane-se voc�! -Pode pegar para voc�.

-N�o ria assim. -Eu estava fazendo bem, n�o �?

Cante mais baixo. N�o posso me ouvir.

Est� bem. Tr�s, dois, um...

N�o sei a letra, voc�s t�m que cantar.

Puta que pariu! N�o pode cantar mais baixo?

Isso � baixo, n�o �?

N�o me escuto, Ivan. N�o pode cantar mais baixo?

-Cante mais baixo. -N�o � t�o dif�cil, certo?

Retardado, era um retardado, mais feliz que voc� e eu.

-Vamos, outra vez. -Tenho que cantar?

-Cale a boca! Posso? -Devo cantar?

Est� bem. Tr�s, dois, um...

Droga!

Quero transar com voc�.

Agora n�o, Jan vai chegar. N�o deve fazer isso agora.

-Venha aqui. -Ei!

Acalme-se!

-Quero meter minha rola em sua xana. -Deixe-me em paz.

-Porra, venha aqui. -Eu disse n�o.

Vamos, Jan n�o est� aqui. Vamos, droga.

-N�o! -Vamos!

-Eu realmente vou te pegar. -E que vai fazer se Jan chegar?

Deixe-me ter essa xana! Tem uma barriga sexy. Droga!

Que barriguinha sexy!

-Vai parar? -Que barriguinha!

Caia fora!

Quer um chute no saco?

Tocar bateria n�o � f�cil.

-Claro que n�o. Voc� pode tocar. -Sim, mas n�o posso fazer isso.

� realmente dif�cil.

E a can��o?

-Est�o encantados. -Est�o?

-Sim, � uma boa can��o. -Mas podem mesmo tocar?

S�o m�sicos fant�sticos.

N�o poderia saber ao olh�-los. Parecem um bando de retardados.

Bom, pois realmente s�o m�sicos fant�sticos. Todos eles.

S�o bons. Realmente bons. Estamos indo bem.

-Quem � este? -Que?

-Que est� fazendo aqui? -Veio nos ver.

-Tire essa bicha daqui! -Veio nos ver.

-Verbeek, tire esse marica. -Mas s� veio nos ver!

-Porra, est� dormindo outra vez? -Era s� um cochilo.

-Quer dizer que passou o dia dormindo! -Sim, claro!

Traga-lhe uma cerveja! Eu vou pegar tabaco. Se apresse!

-J� vou! -Meu Deus!

-Para mim n�o, obrigado. -N�o?

-Em que ele trabalha? -S� fica vagabundeando por a�.

S� vagabundeia.

-� menino ou menina? -N�o tem pau nem tetas.

-Ent�o � uma menina pequena. -Sim.

-E quanto a voc�? � o escritor? -Sim.

-N�o li nenhum de seus livros. -Sabe ler?

N�o estou muito interessada em ler.

-Foi � escola? -At� os 15 anos.

Ent�o... certo. Tem um cigarro?

Sim. Aqui est�.

-Obrigada. Fede. -Sim.

-Minha xana tamb�m. -Sua xana?

Sim. A peixe. Peixe podre.

E est� feliz por isso?

Que voc� pode fazer? Se fede, fede. Provavelmente est� podre.

T�nhamos um jardineiro e seu pau era todo grudento.

Fedia a merda de pomba, era todo fedido.

-A rola dele fedia a merda de pomba? -Sim, e era toda grudenta.

De que est� falando?

-Est� resmungando de novo? -N�o.

Tem que resmungar na �nica vez que temos visita? N�o est� feliz?

-Sim, sim. -Estaremos juntos no palco.

Sim, claro! Mas tenho que vomitar primeiro.

-Que? -J� vou. Tchau.

D� um 'al�' a Lio.

-Quem � ela? -� Christine.

Christine � a filha do Ministro da Higiene.

Higiene? Ent�o a vagina dela n�o feder� a peixe podre, n�o �?

Al�. Dries falando.

Ol�, Dries. Sou Christine. De ontem. Dormimos juntos.

Sim, sei quem �. Que deseja?

Ligo para te fazer uma pergunta.

Se � para transar tem que esperar que Lio chegue em casa.

S� transo com outra mulher se Lio estiver aqui.

N�o, n�o � para transar. Pelo menos n�o � a raz�o principal.

-Quero te perguntar algo. -Mesmo? O qu�?

Estou na metade de minha tese e ando fazendo uma investiga��o.

-Que tipo de tese? -Para minha licenciatura em sociologia.

O t�tulo � 'Dor Coletiva'.

Bom t�tulo. Os t�tulos me deixam louco. Fa�a sua pergunta.

Em que estava pensando, digo, quero saber onde estava,

o que pensou e qual foi a primeira coisa que disse...

quando escutou que o Rei Boudewijn havia morrido?

Bem, bem. Doce Christine...

com suas tetas que inspiram e uma xana em que se pode comer mel.

Ent�o pensa que eventos como a morte...

de Sua Majestade o Rei Boudewijn I levam a dor coletiva?

Querida. Primeiro, a dor coletiva n�o existe.

Segundo, s� aconteceria se...

o pre�o do petr�leo ou do p�o subisse de repente at� o c�u.

Mas n�o quando algu�m morre.

Certamente n�o por um maldito imbecil como o Rei Boudewijn.

Est� bem, os primeiros dias ap�s algo como isso...

poderia haver algo como surpresa coletiva.

Algo como 'quem pensaria?' e 'semana passada estava muito bem na TV'.

Mas n�o pode chamar dor coletiva, sua vadia safadinha.

N�o � o tipo de dor da qual possa se fazer toda uma tese.

Porque, como disse, a dor coletiva n�o existe.

S� h� dor pessoal.

O Rei de Si�o foi o �ltimo rei que quase provoca algo coletivo.

-Ainda quer participar ou n�o? -Sim, claro. Por que n�o?

Que pensou ao escutar que o Rei Boudewijn havia morrido?

�s 3 em ponto, essa noite, Lio foi dormir...

e havia uma triste e quase insuport�vel m�sica no r�dio.

E me dei conta de que havia ocorrido um terr�vel desastre...

ou algu�m importante havia morrido.

E que sua viagem atrav�s do Limbo era acompanhada por uma estranha m�sica...

que n�o era constantemente interrompida pelas idiotices usuais do DJ.

N�o era eu. Seguia vivo.

N�o eram Phoebe ou Gloria, podia sentir...

sua pulsa��o em minhas art�rias, como sempre.

Nem minha m�e, ela j� havia falecido.

E de repente soube.

Era o rei. Tinha que ser ele.

Lio.

Lio.

O rei morreu.

Sim? Que quer?

-Vim te buscar para ir ao ensaio. -Ensaio?

-Temos que ensaiar. Vamos. -Vou por minha jaqueta e des�o.

A� est�. Verbeek.

-Est� tremendo? -N�o, n�o estou.

-Aconteceu algo? -N�o.

-N�o? -N�o, tudo est� bem.

-Ol�. -Puta que o pariu! A gente j� tinha!

-Por qu�? Qual � o problema? -Hare Mulisch vai a Leffinge.

-Quem? -Hare Mulisch. Tocam Hard Rock.

-Os conhece? -Sim.

Qual � o problema? E da� se v�o?

-Encontrei-me com o vocalista ontem. -Sim, Big Dick.

Big Dick?

O chamam Big Dick. Deixem de me interromper!

� quase fim de semana, quero arrumar minha erva!

-Que? -Um jogo de...

palavras, uma met�fora. Jesus!

Por que o chamam Big Dick?

Porque se chamasse Big Pussy seria mulher.

Estive em um bar ontem, com Big Dick.

-Que bar? -Droga! N�o sei como se chama.

Continue, Van Dorpe. N�o importa que bar era.

Estava sentado l� com Big Pussy... Big Dick, quer dizer.

De repente disse, 'Hare Mulisch participar� do concurso de Leffinge. '

-Eu disse, 'The Feminists tamb�m'. -'Quem?', perguntou.

'The Feminists,' eu disse. Ele n�o sabia de que eu falava.

Disse-lhe que t�nhamos um novo grupo.

E que... N�o.

E que t�nhamos uma can��o, uma can��o nova, Deep Fish.

Para encurtar a hist�ria, ele tamb�m tem uma chamada assim.

Disse que um de n�s teria que escrever outra can��o ou mudar o nome.

-Seria rid�culo, com dois... -Que?

Se h� dois grupos com...

Qual � o problema? Hare Mulisch pode escrever outra m�sica.

N�o, disse que a gente pode.

E por que o grande filho da m�e disse isso?

Disse que ele escreveu Deep Fish faz cinco anos.

Fant�stico. E voc� respondeu que n�s a escrevemos faz seis.

Que escrevemos Deep Fish faz seis anos.

N�o disse isso. Disse que a escrevemos faz duas semanas.

Fant�stico. Brilhante, Van Dorpe. Obrigado.

De nada. Tamb�m disse que se toc�ssemos Deep Fish,

subiria ao palco e nos quebraria a cara.

-Quebrar o qu�? -Alguma vez apanhou dele?

N�s tocaremos Deep Fish, n�o Harry Mulisch. Tenho que falar com Big Dick.

-O conhece? -Estudamos juntos Holand�s.

Que?

-Estudantes de Holand�s? -Sua garota � t�o gostosa como parece?

Quer que eu v�?

Sabia que meu pai foi o primeiro por aqui que trouxe negros?

-Seu pai? -Sim, meu pai.

Era um vendedor de enguias. Vendia enguias. A pele e coisas assim.

-Talvez por isso tenho a rola grande. -Pode ser.

Estava farto dos trabalhadores belgas, achava que n�o trabalhavam duro.

Teve a oportunidade de contratar um hindu, um negro.

Um hindu negro, um verdadeiro hindu. Ent�o contratou o hindu.

Veio trabalhar para n�s. Boa pessoa, um cara decente.

Mas ele n�o parava de falar de 'fickie fickie'.

-'Teve fickie fickie?', me dizia. -Que � isso?

-'Fickie fickie'. -Ah!

Todos os negros v�m aqui transar com nossas mulheres.

Dever�amos mand�-los todos de volta!

Trouxe sua esposa. Se reproduziam como coelhos.

Acho que Ostend est� cheia de hindus. Droga!

-E pagamos por eles. -Exato, pagamos por eles.

Eles recebem benef�cios e n�s...

N�o devemos dizer nada, porque logo dizem que � racista.

Puta que pariu!

Por Deus, veja quem �! Que quer?

-Como est�? -Bem. Sente-se. Quer beber algo?

Ou n�o bebe como todos os velhos b�bados?

-�gua. -�gua! Erna, duas cervejas e uma �gua.

Porra, olhe para voc�.

Quem pensaria que se tornaria famoso?

-Aconteceu por acidente. -Por acidente? Puta sorte!

-Como vai sua carreira? -Minha carreira?

-J� come�ou seu livro? -Sim, j� comecei meu livro.

Eu fodo todo mundo! Que se fodam todos!

� tarde ensaiei com Hare Mulisch. � minha banda de rock.

Vamos participar do primeiro concurso de rock de Leffinge.

Falando em grana, vamos ganhar.

"O primeiro concurso de rock de Leffinge" � um nome est�pido.

E "Falando em grana" � uma est�pida express�o.

Algo mais que queira saber?

Bick Dick. Por que te chamam assim?

-� metaf�rico? -Uma rola metaf�rica.

Erna! Venha aqui, puta.

Mostre a nossa visita por que me chamam Big Dick.

Venha, vagabunda. Vamos.

Vamos, mostre.

� algo mais, hein?

Eu fiz isto. Com minha rola.

Minha cria��o.

Assombroso, hein?

Jesus, aqui fede!

Acho que quer mijar. Vamos sair daqui.

J� entendi, Erna.

-Perd�o. -Desculpe por isso.

N�o h� nada que ela goste mais que mostrar sua xana gigante �s visitas.

N�o acha que "xana gigante" soa est�pido?

-Sim. Algo mais? -O assunto de Deep Fish.

� muito simples. The Feminists mudam sua vers�o...

e n�s n�o. T�o simples como isso.

-Tenho uma sugest�o. -N�o se incomode.

-D�-me papel e uma caneta. -Erna, papel e uma caneta...

para o escritor, aqui.

Porra, vadia lenta! Vamos!

Volte para sua jaula!

-Que est� fazendo? -Um minuto.

-Diga-me quando acabar. -Aqui est�.

Se desistir de Deep Fish, pode ter estas letras.

Droga!

Como faz?

� uma boa can��o. � uma grande can��o.

� um mega hit.

Mas como faz? Brindemos por ele.

-Erna, quatro cervejas e uma �gua. -N�o, obrigado. J� vou.

-Cinco cervejas e nada de �gua. -Nos vemos em Leffinge?

-Assegure-se de ficar em segundo lugar. -Voc� tamb�m.

Ei.

-Quem � voc�? -� nosso roadie.

Roadie? Quem � voc�?

Vai a Leffinge para ajudar-nos com as coisas.

-Quem �? -Sou Dorian.

-Roadie. Vem conosco... -Ou pediu que...

-viesse para que... -E des�a as coisas, etc.

Voc� fode ele?

-N�o, � para ajudar. -Voc� fode ele?

Sim. Mas isso n�o tem nada a ver desde que se fa�a o trabalho.

-Por que tanto esc�ndalo? -Pode ir embora, M�e Verbeek?

Esta � uma reuni�o entre o baterista, o baixista e o roadie do The Feminists.

Entende minha l�ngua?

Saia daqui, M�e. Vamos para dentro e limpe algo.

Droga! N�o meta o nariz nisto.

-Est� bem? Ele pode vir? -Sim.

Est� bem? Ele pode vir?

Verbeek. Verbeek!

Duas coisas...

Primeiro, nada de beijos franceses com o roadie, em p�blico.

-Est� bem. -E algo mais, Dorian.

Onde estava quando ouviu que o Rei Boudewijn deu seu �ltimo peido?

Seu �ltimo peido?

Quando ouviu que ele morreu, sua florzinha!

-Quando morreu? Onde eu estava? -Sim. � r�pido para as perguntas!

Voc� e eu teremos boas discuss�es!

Repetirei a pergunta, caso a tenha esquecido.

Onde estava quando o Rei Boudewijn morreu?

-N�o sei. -S� responda!

-Isso aconteceu faz tempo. -� t�o dif�cil?

-N�o, n�o � dif�cil mas... -Onde estava? Responda-me.

Ouvi no r�dio, acho. Sim, no r�dio.

-Em meu quarto. Estava na cama. -Com quem estava na cama?

-Como? Com quem estava na cama? -Koen n�o vai vir hoje.

-Que houve com ele? -Problemas. Graves.

-Devo ir v�-lo? -Sim, v� v�-lo.

-Certo. -Devo ir tamb�m?

N�o, fique. Eu vou. Nos vemos.

Onde estava?

-Onde? -T�nhamos um ensaio.

-Ah. Como foi? -Excelente. Sem vocalista.

H� sangue na parede.

Sim, e da�? Bati nela e seu nariz sangrou.

-Quem? -Quem?

A uma puta suja de um bar.

Com cabelo loiro tingido.

Ela pediu por isso. Quis vir a meu apartamento.

'Est� bem', eu disse. 'Vamos. '

O que ela fez errado? Fumou um cigarro? Tomou uma ta�a de vinho?

Ela telefonou para algu�m? Tinha nariz...

afilado? Lembrou-se da sua puta careca da SS?

Malditos imbecis!

-Quer cantar em Leffinge? -O que voc� acha?

Ent�o n�o me insulte, idiota!

Certo, n�o continue!

Um dia destes vou pegar sua Lio.

Obrigada.

Dries, mencionou o Rei de Si�o antes. Pode dizer-me algo mais?

N�o sou o bi�grafo dele, mas sei algumas coisas.

Que foi um rei muito querido. Um honesto chefe de estado. Esse tipo de coisas.

Mas era tamb�m muito ativo em outras �reas.

Era tamb�m inventor, por exemplo.

De todas as inven��es que se podem atribuir a ele,

-o xadrez � a mais importante. -Xadrez?

De Geyyter, onde estava quando o Rei Boudewijn morreu?

Na cama?

Aquele selo impotente? O Rei Boudewijn? Sua Majestade? O santo?

Qual � a gra�a?

Que h� de engra�ado na morte de um homem decente e monog�mico?

Te direi algo. Ouvi que �s vezes fazia com meninos pequenos.

Verbeek, jogue este monte de merda numa fossa e procure outro roadie.

-Era uma brincadeira. -N�o, de verdade. Foi o que ouvi.

Voc�s maricas pensam que o mundo � simples.

Pensam 'somos maricas, todo mundo � maricas. O rei e o gato tamb�m'.

N�o gosto deste tipo de coisa. Outra coisa, Dorian...

Minha bateria n�o est� bem. Poderia ir v�-la?

J� vou.

Era uma brincadeira.

Koen, ainda n�o sabemos onde voc� estava quando o rei morreu.

-Veja, meu bem! -Voc� outra vez?

-Ivan ligou. -Quem?

Ivan. A filha dele morreu.

Vou mat�-la! � culpa dela!

-Onde est�? -Que?

-Onde est� sua mulher? -Com a m�e dela, claro!

As coisas ficam um pouco dif�ceis e vai embora! Ao inv�s de ficar!

-Ela ferra tudo! -Ivan, como a menina morreu?

-Que? -Como morreu?

N�o sei. Teve dor de est�mago por tr�s dias.

A menina esteve na cama por tr�s dias.

Mas ela ferrou tudo. Deu-lhe um pouco de coca�na.

N�o sou, doutor. N�o sei!

Tenho que enfrentar tudo sozinho.

-Gente como voc� n�o deveria respirar. -Que?

N�o deveria respirar. Sempre gritei mas ningu�m me escuta.

Tenho que enfrentar tudo sozinho. Que fa�o agora?

Voc� pode... Droga!

Te digo, n�o pode fazer nada. N�o entende?

A menina esteve l� deitada por tr�s dias e o que ela fez?

-Ivan! -Ela n�o teve a m�nima preocupa��o.

Vamos � praia.

-Que? -� praia. Vamos!

Tem que ajudar-me, Dries.

-N�o posso. -Como?

N�o posso te ajudar.

N�o sei o que fazer. N�o...

N�o pode fazer nada? � um cara inteligente.

-Poderiam te meter no manic�mio. -Que?

Que poderiam te meter no manic�mio.

M�e, Marleen est�?

Onde est�, puta?

-N�o comece! -Onde est�?

Que, n�o comece? Vou te matar!

-Vou te matar. -Deixe-me em paz!

Vou te matar!

Ouve-me? Com uma faca de cozinha. A uma puta como essa com uma furadeira!

De Geyyter conhece todas as respostas. Sabe de um novo guitarrista?

-Sabe? -N�o.

De fato...

Dorian tocava guitarra.

Claro, Dorian � um fant�stico guitarrista. Dev�amos saber!

-Sim, Dorian. -Podemos dar...

uma oportunidade a ele. Sim?

Toca algo.

-Se n�o for bom, n�o � bom. -Certo.

Cuidado. � a guitarra de Ivan. Se quebr�-la vai pagar.

N�o vai quebr�-la. J� tocou a guitarra.

Quando e onde aprendeu a fazer isso, assombroso marica?

J� � um problema a menos. Mas agora n�o temos roadie.

N�o precisamos de verdade.

-Jimmy poderia fazer isso. -Quem?

-Jimmy. -Esse maricas?

-Vai encontrar mais algu�m? -Ei! Que n�o seja maricas!

-Vai encontrar algu�m? -Porra, duas bichas s�o suficientes!

Jimmy ent�o.

Estamos no s�culo XXI, um marica a mais ou um a menos n�o importa.

Eu acho que sim.

-Ent�o consiga algu�m. -Algo mais.

-O qu�? -� um maricas...

-mas tem outra incapacidade? -Sim.

-Sim? -Sim.

-Sim, realmente. -Aqui.

Droga, que � isso? Nojento!

-Isso � repugnante. -Te importa?

N�o � segredo que as pessoas em centros de reabilita��o...

s�o usadas para experimentos m�dicos.

Testaram umas de suas �ltimas t�cnicas em Van Dorpe.

Diferente ao que poderiam esperar, isto funcionou em Ivan.

Voltou a escutar.

-Quando ficou surdo? -Ah, o senhor � m�dico?

N�o, � simples curiosidade. Camaradas que...

Camarada? Usa a palavra camarada? � um babu�no podre!

Ei, se quer saber, vou te dizer.

Um dia, caminhava pelo quarto de minha m�e...

e olhei atrav�s da fechadura e a vi debaixo de um cara.

-Fiquei surdo nesse momento. -Surdo? N�o cego?

Que faz aqui? Dane-se, maldito! Caia fora!

-Qualquer um pode entrar? -Sempre � o mesmo.

Preciso de coca�na. J� n�o tenho coca�na.

-Quero minha menina. -Sua menina est� morta.

Por que a deixou comer merda?

Talvez porque andava louco, fora de si.

Talvez nunca a vi comer. Talvez pensei que fosse chocolate.

Olhe sua cerveja. Comporte-se, viu? Comporte-se!

-Voc� tamb�m, viu? Comporte-se. -Tem algum problema?

N�o tenho problemas. Voc� tem?

-N�o tenho problemas. -N�o tem problemas. Eu tamb�m n�o.

Voc� pode me dizer se tem.

Aqui est� outro grupo de mocinhas! The Feminists.

-Big Dick. Como est�? -Como est�?

-Bem. -Bom?

Quer uma cerveja? Cervejas?

Quatro cervejas, digo, cinco e uma �gua.

-Dries, ele � Big Dick? -Sim.

-Fala de mim? Que quer? -� Big Dick, ent�o...

-Sou Big Dick, ent�o? -Pois...

Sou Big Dick. Quem � voc�? Little Cock?

Quer v�-la, minha grande rola? Quer? Pode ver minha rola. Aqui est�.

Aqui est�. Aqui est�.

Se importa?

-Uau! -Boa?

-Essa � a grande rola? -Sim.

Lamba-a, maricas nojento!

-Chupe-o. -Vem ao banheiro comigo?

Vamos. Meterei no seu cu!

Nunca vai com ele, certo?

Nunca vai com ele!

-Est� bem, est� bem. Baixe as cal�as. -Espera, espera.

-Baixe. -Espera, querido.

Vou meter. Vou met�-lo.

Vou meter em voc�. Vamos. Venha aqui. Sim, a�.

Sim. Sim, sim, sim.

Sim, mais. Mais. N�o t�o fundo. N�o t�o fundo.

N�o t�o fundo! N�o t�o fundo! N�o!

-Cale-se, maricas! -Tire-a!

Droga! Puta que o pariu!

Puta que o pariu!

Com voc� deitado assim, n�o posso dizer o que gosto.

Quer saber algo?

Gosto de chupar rolas.

Tenho feito h� muito tempo.

Chupei minha primeira rola quando tinha dezesseis.

� estranho, a primeira vez.

Como um cigarro. N�o sabe t�o bem.

Tem que encher-se dele. Fazer todas �s vezes que for poss�vel.

-Eu fa�o muito. -Muito?

-Sim. Com seu bra�o teso. -O baterista.

-Tudo junto. Isso � melhor. -N�o, s� por cima.

-Aqui est� Jimmy. Ainda d�i? -Ainda d�i?

-J� se fechou? -Precisarei de fralda at� meus 50 anos!

-Puta que o pariu. -O que � isso?

O p�ster de Leffinge. Veja, aqui estamos.

-Pegue. -Vamos!

-Hare Mulisch tocar� �s 8. -Um monte de idiotas.

-Tocaremos �s 10 e meia. -Malditos maric�es!

The Fake Of Gentlemen tamb�m estar�. Um desses caras tem c�ncer.

-Isso seria bom para n�s. -Six Million Jews.

Grande nome! Como n�o pensei nele?

Porque nunca pensa em nada, exceto transar com alguma m�e careca.

N�o falem disso! N�o diga nada sobre minha m�e,

certo? Por favor,

cale-se! Estamos aqui para...

-Como est� seu pai? -A que se refere?

Como est� seu pai?

Bom... Como est� seu pai?

N�o anda bem.

-Pergunto como est� seu pai. -N�o anda muito bem.

Ouvi que n�o anda muito bem e quis saber como ele est�.

N�o estou pedindo que salve a economia mundial, certo? Idiota.

Como est� seu pai?

Meu pai n�o anda muito bem.

-Posso ir v�-lo? -N�o.

Gostaria de ir v�-lo agora. Posso? Vou agora.

N�o, n�o pode ir v�-lo. Est� proibida a entrada.

-Por que n�o? -Porque n�o.

-Por que n�o? -Ningu�m pode passar.

-Por que, Verbeek? -Minha m�e n�o quer que ningu�m entre.

Sua m�e? Uma filha morta � ruim, mas seu complexo materno...

-� s�rio tamb�m. -Deixe-o em paz!

Esteve fodendo sem salpicar de sangue a parede?

-Nos vemos, at� depois de amanh�. -Certo, d� o fora.

N�o pode ir agora. Temos que... Qual � sua incapacidade?

-Nos vemos em Leffinge, come merdas. -Que faremos agora?

Como tocar� bateria? N�o temos o incapacitado ainda.

Claro, quem mais poderia ser? Quem mais poderia ser?

-N�o tem nada a ver com ele. -Ent�o � minha culpa?

-Sempre �! -N�o tem nada a ver com ele.

Quem pediu que se sentasse?

Quem pediu que falasse comigo?

-Serei breve. -Sua peruca est� torta.

Me d� vontade de vomitar.

N�o ligo merda nenhuma que voc� seja um escritor famoso.

Eu fa�o tudo por Jan.

Pelo grupo dele.

Por que n�o consegue outro baterista?

Porque precisa de algu�m famoso. E tire seus p�s da mesa.

Dries? Venha aqui dentro, quero te perguntar algo.

-Quem pediu que se sentasse? -Quem pediu que falasse comigo?

-Serei breve. -Sua peruca est� torta.

Me d� vontade de vomitar.

Pode ser um bom escritor mas � um monte de merda.

A �nica raz�o pela qual pode entrar em minha casa � por meu filho.

-Por que n�o consegue outro baterista? -Porque precisa de algu�m famoso.

E tire seus p�s da mesa.

E deixe de fazer tantas perguntas. Nos deixe em paz.

Deixe Koen em paz, deixe Jan. Deixe a todos n�s em paz.

Primeiro, quer que eu pare de perguntar sobre Pai Verbeek.

Segundo, quer que eu pare de brincar com voc� por foder com outro careca.

-D� o fora! -Eu tamb�m tenho uma primeira e segunda.

Primeiro, onde estava quando ouviu que o Rei Boudewijn foi assassinado?

Assassinado? N�o o assassinaram.

Morreu na cama dele. Foi um homem decente.

Mas um insignificante como voc� n�o tem...

respeito por ningu�m. D� o fora daqui.

Segundo, quando vou a algum lugar ponho meus p�s onde achar que devo.

Maldito idiota! Veja isso! Meu arm�rio! Veja!

Desgra�ado! Escritor sem c�rebro! Com sua boca suja!

Verbeek!

Verbeek! Que faz essa vaca gorda aqui?

-� nossa manager. -manager?

Quem precisa de uma manager para um evento de merda?

Pode ajudar. Dizer-nos quando temos que subir ao palco e tal.

Pura merda!

-Que pode fazer? N�o pode... -Certo, certo.

Quero apresentar a voc�s a Ivan Van Dorpe.

Ex-drogado, ex-pai, ex-parceiro...

-e hoje roadie de baterista. -� ele?

Estamos de acordo que sou o roadie.

-Deveria estar feliz por seguir vivo. -Seis milh�es de judeus?

S� restam poucos e se propagam como coelhos.

-Quem � voc�? -Sou StefVanneste.

O filho do prefeito, o organizador... Tire suas m�os.

E apresentador de tudo isto.

Preciso de um pouco de coca�na e de erva.

-Tem uma bunda �tima. -Quem s�o voc�s?

-Quem voc� acha? -N�o sei.

-The Feminists. -Ah, est� bem.

S� tenho seis passes. Mandarei fazer outros.

-Cerveja? -Cuidado!

The Feminists. O que enfia rolas no cu est� aqui tamb�m. J� n�o d�i?

-Deixa Jimmy em paz. -Cale-se! Quer minha rola em sua boca?

Mete no meu cu. Como a Jimmy.

Porra, voc� fala como um homem! Ensinou isto a ele?

Ei, Nico, com seus truques de novo? � porque Erna n�o est� com voc�?

Traz algu�m para transar com voc�?

Sim. Mas ela n�o tem uma xana gigante entre as pernas dela.

Idiotas.

Aqui est�.

-Isso tamb�m n�o est� certo. -Feche sua maldita boca ou...

E n�o diga a meu roadie que cale a maldita boca.

-Est� bem, demente? -Demente! Gostei!

-Deve se lembrar disso. -Por qu�?

Por que, sim, certo. Vamos, j� vai come�ar.

Boa tarde, Leffinge. Poesia de Hare Mulisch de Ostend.

Filhos da m�e!

Agora escutar�o boa m�sica!

Ora, ora, veja quem �.

Est� escrevendo outro livro?

-Sim. -Eu li todos.

-Qual ser� o t�tulo? -O Trem das 12:07.

Ser� outro livro grosso?

Sim. No primeiro cap�tulo chegar� tarde meia hora.

-Quem? -Seu tumor cerebral.

-Ah. Ser� um livro grosso? -Sim.

J� tem um t�tulo?

-Adeus, vou embora. -Ah. Bom t�tulo.

J� fez um boquete em algu�m?

Escute, m�e de todos os empres�rios. Diga a StefVanneste que nos anuncie...

como The Feminists, quatro deficientes de Ostend. Est� bem?

Talvez tenha mulheres ou maricas no j�ri. Isso ajuda.

Tire essa sujeira vermelha da cara. As pessoas come�ar�o a se perguntar.

Encontrou uma nova v�tima?

Fodam-se!

Puta que o pariu! Minha rola ficou presa no z�per!

Droga! Minha rola est� presa!

Minha rola enganchou na porra do z�per!

Os pr�ximos s�o Funeral Dress!

E todos podem beijar minha bunda!

Leffinge!

Bando de desgra�ados!

A pr�xima banda vem de Ostend!

Quatro deficientes. The Feminists.

E voc� com o colch�o preso na cabe�a, � um idiota!

Leffinge! Vamos fazer um puta estrago!

Isso foi uma droga de m�sica! Uma puta que o pariu!

E agora o j�ri vai decidir quem � o ganhador.

Enquanto isso, escutaremos o maior punheteiro de toda B�lgica,

o est�pido que pensa que vai ser um hit na Fran�a,

Aqui est� Aldo!

N�o temos que dar tantas voltas. S� um grupo esteve bem...

Hare Mulisch.

N�o estou de acordo.

-O escuta uma vez e fica na sua cabe�a. -Deixe que fique, n�o importa.

� lixo.

N�o sei. Tem um puta potencial.

The Feminists foram os �nicos que estiveram bem. Eles devem ganhar.

S�o deficientes, podem precisar de ajuda.

-Isso � um argumento. -Malditos, deficientes!

Vanhegen � deficiente, claro! Deficiente uma ova!

-Se ele � deficiente, eu sou uma freira. -� uma freira.

Sabem o qu�? Cara ou coroa.

-Estou fora. -Sempre � o mesmo.

-Cara ou coroa. -Sim, cara ou coroa.

Est� bem. Sortearemos assim. Assim ser�.

The Feminists s�o Cara.

A� vamos.

-The Feminists ganharam. -Deu coroa. Mulisch ganhou.

N�o, n�o � assim. Digo que The Feminists ganhou!

Que h� com voc�? Digo que The Feminists ganhou.

Filhos da m�e!

Parem de jogar copos!

Aqui est� a droga do resultado do concurso de rock em Leffinge.

Leffinge que vota por meu pai.

E meu pai � um gordo maldito,

que n�o sabe diferenciar entre a esquerda e a direita.

Pare isto! Ou quer que eu v� esmagar essa maldita cara?

Aqui est� o resultado. Em terceiro lugar, Six Million Jews.

Em segundo lugar, Hare Mulisch.

E em primeiro lugar, The Feminists!

Subam ao palco. Vamos.

Tenho umas perguntas. Vamos.

Como pode ser famoso com essa maldita boca?

Uns dias depois Verbeek me telefonou para dizer-me uma coisa.

Soou bem oficial, dizendo que The Feminists tinham uma reuni�o �s 8h.

Tive que rir.

Disse a ele, 'Feminists? Que porra de Feminists? Est� louco?

Perdeu a cabe�a?'.

Ele s� disse, 'nossa manager tem outros planos. 8 em ponto. Nos vemos. '

Eu fui. Fiquei curioso.

Sabia o que tramavam mas tinha curiosidade por ouvir como diriam.

Lio disse que devia ir, que provavelmente seria embara�oso...

e poderia contar-lhe tudo. Lio adora minhas hist�rias.

Entrei. Apenas pude conter a vontade de vomitar.

Disse a M�e Verbeek que ela estava louca.

Disse a eles que tudo havia sido uma brincadeira de minha parte,

que se alongou demais.

Todos come�aram a gritar.

Jimmy disse que finalmente poderia ser o baterista.

Encurtando, Jimmy foi o novo baterista e StefVanneste o vocalista.

Todos pareciam determinados. M�e Verbeek n�o podia ceder.

Disse a eles que esqueceram uma coisa, um detalhe...

que a bateria era minha e eu poderia fazer o que quiser com ela.

Acho que entenderam.

Usa peruca? N�o sabia.

Mais tarde escutei o single do Hare Mulisch no r�dio.

E foi nesse momento que Christine me telefonou.

Falei-lhe do Rei de Si�o, que suas esposas o deixaram 4 vezes.

N�o era porque ele n�o mostrou amor ou amizade ou afeto.

Era o marido perfeito para cada esposa. O �nico problema era sua ferramenta.

Um pau que s� posso comparar com o que vi em um festival de rock.

Disse a ela que o vocalista do Hare Mulisch baixou as cal�as.

E que nesse momento s� pude pensar no pau do Rei de Si�o.

Christine come�ou a respirar fortemente enquanto eu contava,

ent�o disse que com Big Dick falamos de poesia, literatura,

pol�tica e relacionamentos. E depois de 15 minutos esqueci...

do monstro que havia entre as pernas dele.

Perguntou-me se poderia arranjar um encontro com ele.

Disse-lhe que n�o podia prometer nada mas que faria o poss�vel.

-Que faz aqui? -Est� bonito e limpo de novo.

Tive uma negra ilegal ontem.

Estranho... O sangue da negra � t�o vermelho como o nosso?

O sabor � um pouco diferente. Mais amargo.

-Mas tinha um xana gorda. -Sim, De Geyyter.

E sobre a M�e Verbeek? Hein?

-Que? -Ainda pensa nela?

O que voc� acha? Claro que ainda a tenho na cabe�a.

-Que significa para voc�? -Dane-se tudo.

-Mas h� Pai Verbeek, trancado. -E o que tem o lun�tico?

-Que acontece se o deixarmos livre? -Que?

� uma id�ia est�pida, mas amaria ver a cara da M�e Verbeek quando entrar...

e ele n�o estiver l� deitado, amarrado, mas salte-lhe por tr�s...

ou esteja sentado � mesa da cozinha.

Se mijaria. Grande id�ia! Por que eu n�o pensei?

-Quando? -Agora.

The Feminists est�o tocando em um bar e sua manager sempre est� com eles.

O cara est� deitado l� sozinho.

Certo. Est� bem. Legal. Vamos fazer.

-H� um problema. -Que?

Teremos que entrar � for�a. Tem chave?

Claro que tenho. Tive um romance com essa mulher.

Eu a fodia dia e noite.

Iremos separados. Se algo der errado, escaparemos cada um para seu lado.

-Preparou tudo, hein? -N�o.

-Apague a luz. -Acenda, Koen.

Use seu c�rebro. Quem vive por aqui? Ningu�m.

Acenda-a.

Est� louco.

Sim, �s vezes. Quando me conv�m.

-Deixe-me destruir o lugar. -N�o seja est�pido!

-Sinto-me destruidor... -Est� bem, est� bem.

Tenho outra id�ia. Onde est� o velho?

L� em cima.

Reto. Espere um minuto, est� fechado.

Desamarre-o.

Mostre a eles que � um homem.

-Tenho sede. -Vamos cair fora daqui.

-Tomemos uma bebida primeiro. -Descer� em alguns minutos.

Temos tempo suficiente.

Que quer, Dries? Vinho? Gim?

Uma cerveja.

M�e Verbeek.

Tratava-me como merda �s vezes.

Batia em mim, insultava-me.

Mas prestava aten��o em mim, dava-me afeto.

Estou contente com isso.

Desde meus 12 anos ia de bicicleta todos os dias � f�brica.

Nesses tempos n�o falavam de trabalho infantil.

Os garotos ricos iam � escola e a esc�ria ia ao trabalho.

Agora gritam aos 4 cantos por isso.

Mas n�o devem esquecer que nosso pa�s se construiu assim.

Estou orgulhosa dele.

Sou HIV Positivo. Tenho AIDS.

Contagiei todos os que pude.

N�o quero morrer s�. Todos podem vir comigo.

At� estive com uma mulher.

Eu costumava jogar futebol.

Adorava.

Especialmente depois do treinamento.

No vesti�rio.

Com todos os rapazes do meu time.

Eu gostava de todos.

Mas quando cresci,

ent�o...

Ent�o se tornou um problema.

Sempre me excitava.

Ningu�m gostava disso.

Tive que ir.

Jan.

Jan.

Jan.

Cinq�enta cent�metros quando est� mole.

Imagina isso entre suas pernas, como mulher.

Mas todas voltam.

N�o sei por que. Curiosidade m�rbida, talvez.

Mas nenhuma quer transar, s� chupar.

Mas me encho disso um pouco depois.

Logo est�o deitadas de costas.

N�o sei. Uma rola grande, todos os...

homens querem uma. Podem ficar com a minha.

Quando eu tinha seis anos, transava freq�entemente com meu pai.

N�o era ministro nesse tempo.

E...

Posso lembrar claramente sentir aquela enorme rola dentro de mim.

At� ent�o a rola dele me parecia gigante.

E...

Estive buscando essa sensa��o.

Ali�s, agrade�o-lhe por tudo.

Perdedor!

Tradu��o: POSTMASTER http:/postmaster-br.blogspot.com

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