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- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - JuLima -
GAROTOS CHORAM
Minha nossa, parem tudo.
Essa chic�ria estava dentro da cueca de algu�m.
- Quanto te deram hoje? - Trinta euros, como sempre.
Nossa, as pizzarias fizeram um acordo?
Eu faria o mesmo, Manolo. Trinta euros.
Com todos os pirralhos que tem por a�.
- Certo? - Vanessa ganha 50.
O que isso tem a ver? Ela trabalha num lugar maneiro.
Voc� � doido? L� todos s�o almofadinhas.
Imagine voc� vestido como a Vanessa.
- Ia parecer um peru. - Estou pouco me fodendo.
N�o sabe o que eu faria por 20 euros a mais.
- O que faria? - At� dan�aria.
Ent�o fa�a uma dancinha para mim.
Meu Deus.
Jesus! Isso deixa com um bafo! Voc� quer um?
Pegue.
- Roubei do bar mais cedo. - Tamb�m tem gosto de chic�ria?
Chiclete sabor chic�ria.
Vou colar no vidro.
N�o acredito, puta que o pariu.
N�o aguento mais ir para a escola, te juro.
E voc� n�o sabia que era assim?
Ao menos voc� tem a Ambra. Quem eu tenho?
Vai dar uma de ciumento?
Fizemos o prim�rio e o ensino fundamental juntos,
- s�o s� mais dois anos... - Somos dois imbecis.
Vamos aguentar mais dois anos
e depois arranjaremos um emprego bacana.
Eu nem queria fazer hotelaria, j� me enchi disso.
"Vamos estudar hotelaria para ficarmos � toa."
Veja s�! Voc� queria fazer escola agr�cola?
E da�? Todo mundo � gar�om.
Os romenos, os albaneses...
- � verdade. - Mano, at� os ciganos.
- Voc� tem raz�o. - Eu juro, eles s�o gar�ons.
Acho que voc� deveria fazer curso de barman.
- Voc� acha? - Acho.
- N�o acha? - � a coisa certa para mim.
- Voc� leva jeito. - Sim, claro.
- Mas assim n�o nos veremos. - Por qu�?
Voc� vai ficar na cozinha, eu na sala.
Ent�o tamb�m vou virar barman.
� mesmo? Que fofo!
E a hist�ria da voca��o? "Quero ser chef!"
De novo! Isso foi porque o pai da Dani disse:
"Quando terminar a escola,
venha para a minha cidade que te darei emprego."
Quem � Dani?
A filha do namorado da minha m�e.
Que nem � mais t�o namorado, eles vivem brigando.
Por qu�?
� problema deles. Cuide da sua vida.
Viu como muda de assunto? Que diabos vamos fazer?
Que diabos vamos fazer?
Estou falando do emprego, seremos barman?
- Seremos barman. - Com as romenas e os romenos?
Sim, estou pouco me lixando.
Que porra...
N�o acredito. Meu Deus.
- N�o acredito. - Ligue o carro.
D� partida! Ligue o carro!
N�o acredito nisso.
- Algu�m nos viu? - N�o sei.
- Acha que est� morto? - N�o sei. Que morto? Quem?
Voc� est� falando merda. O qu�?
Caralho!
O que faremos, vamos voltar?
O qu�? Vai voltar? E dizer o qu�?
Como diabos � poss�vel? Aquele viado surgiu do nada!
N�o acredito!
- Viado de merda! - Calado. Fique quieto.
Isso vai arruinar nossas vidas! Vai estragar tudo!
Cale a boca, n�o diga nada! Fique quieto.
Vamos fazer assim: vamos procurar a pol�cia
- e dizer que �amos a 90... - Procurar quem?
- A pol�cia! - Como assim?
- Vamos dizer que n�o o vimos. - Acha que eles ligam para isso?
- E ainda fugimos do local. - O que faremos, porra?
Estou pensando, vou pensar.
- N�o acredito. - Vamos ver meu pai.
- O qu�? - Vamos atr�s do meu pai.
- O que diremos a ele? - Anda logo.
- O que vai dizer? - Ele vai nos ajudar.
Vai dizer o que fazer. Veja como voc� est�, porra!
Tem certeza?
- O que houve? - Deixe a gente entrar, pai.
Mas o que aconteceu?
Posso saber o que houve? Que caras s�o essas?
Ent�o?
Atropelei uma pessoa, pai.
Atropelaram uma pessoa com o carro?
- Mas quando? - Quando? Vinte? Quando foi?
- H� meia hora. - Vamos nos acalmar, sentem-se.
Sentem-se. Sentem a�. Vamos manter a calma.
- Algu�m viu voc�s? - N�o.
N�o tinha ningu�m, n�o foram vistos?
Ningu�m. N�o tinha ningu�m.
E como foi? O que voc�s fizeram?
Esse cara apareceu, eu n�o o vi e o acertei.
S� senti a batida depois.
- Voc�s fugiram? - N�s s� continuamos.
"N�s s� continuamos." Voc�s fugiram!
Qual era a velocidade?
Noventa.
- Onde foi? - No gin�sio de esportes.
- N�o entendi. Grite, fale! - No gin�sio de esportes.
- Foi culpa de voc�s? - N�o.
Falem a verdade, ajudarei mesmo assim.
- Voc�s tiveram culpa? - Vai, fale.
Se fosse n�o estar�amos aqui.
Onde mais estaria. Claro que estaria aqui.
Voc�s atropelaram uma pessoa, n�o � qualquer merda.
Se a casa caiu, voc�s devem saber.
Voc�s estavam l�, n�o eu.
Sen�o n�o teria acontecido porque sei dirigir.
Voc�s dois n�o sabem dirigir.
J� disse mil vezes para n�o sair com ele
porque n�o sabe dirigir!
Mas o mais importante ainda n�o disseram.
Ele morreu?
Ele est� morto? Diga alguma coisa!
Sim.
E voc�s v�m aqui.
N�o d� para fazer nada e n�o faremos nada.
Agora v�o dormir
e amanh� ir�o para a escola e agir�o normalmente.
Entendeu?
Voc� vai dormir aqui, ligue para sua m�e.
Avise que ficou tarde e vai dormir na casa do Manolo.
- Vou ligar para ela. - Muito bem.
Ele estava dirigindo, o que voc� tem com isso?
- Como assim? - � isso mesmo.
E ent�o?
- N�o atendeu. - N�o atende. Entendo.
- Vou mandar uma mensagem. - Isso.
Amanh� ela v� e n�o vai suspeitar de nada.
N�o escreva nada que a fa�a se preocupar.
Beleza.
Voc� dorme aqui. Tire isto. Amanh� ir� para a escola.
Ainda bem que seu pai est� aqui. Sorte que estou aqui, n�o?
Roccia! Puta merda, como voc� � preocupado.
Tudo vai se arranjar, seu pai est� aqui.
- Voc� entendeu? - Pare.
Fique sossegado. Seu pai est� aqui.
- Oi, m�e. - Amor da mam�e.
N�o nos encontramos ontem � noite.
N�o. Mas voc� viu a mensagem?
Sim, hoje cedo. Como foi na escola?
Normal.
- J� vai sair? - S�o 15h30. Preciso ir.
- O que voc� vai fazer? - Ficarei um pouco em casa.
- Certo. - Preciso descansar.
Se der depois apare�o l� e voltaremos juntos.
- Certo. Tchau, amor. - Tchau, m�e.
- Lindos! Boa tarde! - Oi.
- Oi, Na. - Novidades?
Tudo em ordem.
Minha nossa, est� uma calmaria aqui.
- � mesmo? - Pois �...
Vamos levar um doce?
- Tem certeza? - Sim. Um para cada.
Vamos l�! Que comece a inspe��o. Voc� est� pronto?
Tamb�m sou bom com as m�os! At� com as m�os!
Caramba, eu poderia fazer qualquer coisa na vida.
Voc� � ruim � be�a. Pegue!
Puta que o pariu...
- E isso? Foi ruim? Foi? - Estou suando!
Vou fazer um gol para voc�.
- Melhor, farei cesta com o p�. - Beleza.
Cesta com o p�, amor!
Ou n�o?
Talvez a gente tenha se enganado.
Talvez fosse um cachorro.
Era um homem, Manolo. Eu vi.
Mas quando o atropelou, voc� n�o viu.
S� estou feliz que deu tudo certo.
Vai pensar nisso a vida inteira?
- Voc� n�o est� feliz? - Estou. Vamos nessa.
- Oi, pai. - A� est� voc�!
Onde diabos estava? Tenho uma grande not�cia.
- O que foi? - Descobri quem voc�s mataram.
- Quem �? - Voc�s mataram um tra�ra.
- N�o entendi. - O cara que voc�s atropelaram
era um canalha que estava se escondendo.
- Como voc� soube? - Por pura sorte, Manolo!
Eu estava no bar jogando nos ca�a-n�queis
e ouvi o que conversavam na mesa vizinha.
Ouvi que h� dois dias, onde voc� disse...
- Onde era mesmo? - No gin�sio de esportes.
L� mesmo. Tinham matado um ex-membro do grupo deles.
Um filho da puta que se separou deles
e se vendeu para a pol�cia.
Entendeu? O filho da puta se escondia l�, estava com medo.
S� sa�a � noite para comer.
Por isso voc�s n�o o viram, porque ele n�o podia aparecer.
- Entendeu ou n�o? - N�o.
- N�o entendeu? - N�o.
Ent�o, antes de tudo, me escute.
Ningu�m vai procur�-los porque pensar�o em..
Como se chama? Uma rixa entre gangues.
N�o pensar�o em moleques que n�o sabem dirigir.
- E isso � bom? - Claro que �.
E tem mais uma coisa. Ainda n�o entendeu?
Mas quem voc� puxou?
Voc� n�o percebe a sorte que tivemos?
N�s, agora, sem querer e sem saber
fizemos um favor imenso � gangue dos Pantano.
Entendeu agora? Captou a mensagem?
- N�o. - Ainda n�o.
Os Pantano. Agora n�s com essa coisa...
- Voc� matou esse tra�ra? - Sim.
Vamos l� nos apresentar, diremos que quisemos isso
e contaremos tudo o que houve.
Essa � uma carta para mudar, de uma vez por todas,
essa porra de vida de merda. Mas acho que voc� n�o percebe.
- Beleza. - Voc� s� diz "beleza".
S�o os Pantano.
Quantas vezes falei deles? Eu cresci com o Giorgio.
Eu estudava com o Angelo, o irm�o dele.
Voc� lembra daquele simp�tico? J� falei dele.
- Aquele da Lazio, sim. - Esse mesmo.
- Eu falei dele mil vezes. - Vou ligar para o Mirko.
- Para quem? - Mirko.
Voc� � idiota? Por que diabos vai ligar para o Mirko?
Como assim?
Isso vai mudar o destino de toda a fam�lia.
- Quem � sua fam�lia? - Mas ele estava...
Quem � a fam�lia? Eu e voc�, ningu�m mais.
- Beleza. - N�s viramos o jogo.
Sorria, bonit�o. Eu vou dormir.
Puta merda, que sorte!
Uma vez na vida um pouco de sorte
para n�s tamb�m.
- N�o ligue para ningu�m. - N�o vou.
Ali�s, acho que me aceitariam num talent show.
N�o s� pela voz.
Estou falando de personalidade.
Porque sou verdadeira, falo tudo sem papas na l�ngua.
N�o � mesmo?
Sei l�, tente se inscrever.
Mas precisa ter no m�nimo 18 anos.
E tamb�m preciso melhorar meu canto,
mas as aulas que estou fazendo est�o ajudando muito.
� mesmo?
Cante alguma coisa para mim.
- N�o. - Vai, quero ouvir.
- N�o, imagina... - Quero ouvir.
- Quer mesmo? - Sim. Cante uma m�sica.
Vai.
Nenhum lugar � minha casa
Pensei nisso indo embora
Vou sofrer nos primeiros dias,
Mas sei que vou me acostumar
Vou te procurar Nos primeiros dias
Depois me acostumarei
Porque sempre voltamos...
Meu Deus...
- Voc� gostou? - Foi comovente.
- Por que sempre zoa comigo? - N�o, juro. Falei s�rio.
Gostei muito, juro.
Ent�o por que n�o chorou?
Porque n�o deu vontade.
Voc� nunca chora.
N�o tenho vontade de chorar.
Porque nunca aconteceu nada grave com voc�.
Como assim? Pare com isso, coruja.
� verdade. Nunca te aconteceu nada grave.
Tipo o qu�?
Tipo se nos separ�ssemos.
Voc� choraria?
Eu choraria.
Manolo!
Esse merda...
- Onde voc� se meteu, porra? - Oi, Mirko.
"Oi, Mirko" uma ova! Onde estava?
N�o atende o telefone, n�o aparece na escola.
- Quer repetir de ano? - J� repeti h� tr�s meses.
Onde diabos voc� se meteu? Nem respondeu as mensagens.
- O que aconteceu, Manolo? - Nada. Por qu�?
- Est� me zoando? - N�o.
- Tem a ver com aquilo? - O qu�? N�o tem nada a ver.
Aonde vai, porra?
Voc� at� comprou um sapato de viado.
S�o os mesmos de sempre.
Como voc� que sempre foi idiota, n�o?
Sou seu irm�o, Manolo. N�o lembra?
Sou o Mirko, est� me vendo?
Sabemos tudo um do outro. Pode contar o que aconteceu?
- � uma longa hist�ria. - Ent�o conte.
Voc� lembra daquilo?
Lembra daquela coisa?
Ent�o...
Meu pai descobriu quem matamos.
Era um judas que estava escondido
e era procurado por uma gangue h� um bom tempo.
Ent�o, ele, enfim...
Com essa hist�ria nos fez entrar no jogo
e houve essa reviravolta. Por isso n�o atendi o telefone
e n�o tenho tempo para mensagens.
Estou ocupado.
E por que diabos n�o contou antes?
- O que deveria contar? - Essa merda que voc� fez.
- Por que n�o contou? - Por que isso te interessa?
Voc� n�o deve pensar, deve me dizer e pronto.
- Desculpa. - N�o desculpo porra nenhuma!
Porra nenhuma!
Meu Deus...
Aonde est� indo?
- Ao menos explique a situa��o. - O que quer saber?
Quem � esse grupo? Que merda fazem?
- Do que se trata? - O que acha que fazem?
- Certo, diga como entrar nessa. - Como entrar nessa?
- Por que riu, porra? - Acha que � uma festa?
Eu tamb�m estava naquele carro!
Estava dirigindo, Manolo! Voc� esqueceu?
S� lembro de voc� chorando: "Vamos chamar a pol�cia".
Voc� � uma bixa, seu filho da m�e!
Fiz isso porque n�o entendia a situa��o,
n�o sabia como me comportar.
Porque eu matei ele e n�o voc�!
Quem fez isso render? Eu e meu pai.
- Que filho da m�e. - Sim.
Voc� e seu pai s�o dois viados miser�veis.
Voc� � um viado filho da m�e como seu pai, entendeu?
V� reclamar por a�. Procure a pol�cia.
"Atropelei uma pessoa, mas outro cara levou o cr�dito."
Seu bosta, filho da m�e, traidor!
Puta que o pariu, seu merda! Saia do caminho!
Cai fora, coelho.
Boqueteiro, voc� � um bosta, como seu pai!
V� dormir, imbecil! Voc� est� louco.
Voc� � um boqueteiro.
Seu amigo da on�a, boqueteiro!
Voc� n�o pode continuar com essa bosta de rem�dio.
Deve fazer algo por essa merda de dente.
- Solicite o aux�lio-doen�a. - Claro. Como se resolvesse.
Deve fazer algo. Pode procurar o m�dico? Entrar na fila?
Sen�o eu vou, o encho de pancada
e quero ver se esse � o m�todo para fazer voc� sarar.
Est� gostoso?
- O que foi? - Vou trabalhar.
- Aonde vai? - Trabalhar.
N�o, hoje n�o. Voc� vai ficar deitada aqui.
J� estou acostumada.
Enquanto n�o sarar, n�o sair� daqui. Entendeu?
N�o se mexa enquanto n�o estiver bem.
Eu vou trabalhar.
N�o saia daqui, certo?
Tchau.
- Oi. - Oi.
- Como vai? - Bem. E voc�s?
Tudo em ordem.
- Oi, Manolo. - Oi, Ambra.
Oi, Maria.
- Como est�o? - Bem.
Quer ver a cal�a que ele me deu?
Mostre a�.
- Veja s�. - Bonita. Ficou rico, Manolo?
Se tivesse ficado rico, estaria aqui?
Mas n�o custa nada.
E ela � alta. Quanto voc� mede? Um e trinta, um e quarenta.
- Por que, qual a sua altura? - Tenho um e noventa.
- Quanto? - Um e noventa.
- Como fala merda. - Quer ver minha carteira?
Tamb�m est� escrito que voc� � viado?
- Vem c�, amor. - Venha aqui voc�.
- Tchau. - Tchau.
- A pequena dormiu? - Dormiu.
E voc� n�o dorme?
�s vezes, estou muito cansada para dormir.
E at� para morrer.
Por que voc� n�o est� dormindo?
N�o tenho conseguido esses dias.
Foi bonito aquilo que voc� disse.
Fale.
Achei um jeito de voc� entrar.
O que significa?
Significa que me mandaram matar um marroquino.
E se fizermos em dois, posso te fazer entrar.
Vamos mudar de vida, mano. Confie em mim.
Algo n�o cheira bem, sen�o voc� n�o teria me dito.
Como farei? Como farei voc� entrar?
N�o tenho todo esse poder.
Tem sim, por isso te mandaram matar esse cara.
Viu como n�o entende porra nenhuma?
Fazem isso s� para assustar a gangue dos marroquinos.
� isso, fim de papo.
S� precisamos matar outra vez.
Outra vez? Quando foi que voc� matou algu�m?
Eu estava dirigindo o carro, eu o matei.
J� esqueceu?
Eu tinha esquecido, desculpa. Voc� tem raz�o.
Porque n�o foi sorte, n�?
Agora era sorte.
Foi sorte...
Beleza, me viro sozinho.
Sabe o que mais me deixa grilado?
Que voc� nunca duvidou de mim.
- Continue bancando a bixa. - Voc� que � bixa, seu babaca.
- Boiola de merda. - V� se ferrar!
Voc� veio aqui me pedir ajuda: "Por favor, me ajude".
- Vai brincando. - "Devo matar o marroquino."
Voc� est� se borrando de medo. Sinto o cheiro de merda daqui.
N�o sabe o que pode acontecer com voc�.
O que pode acontecer, Manolo? Chupe aqui!
- Beleza, rapazes? - Oi, Simone.
- Ele � o Mirko. - Simone, prazer.
Foi ele que me ajudou a acabar com aquele bosta.
Caramba, quantos! Voc�s estavam de �nibus?
N�o, eu estava dirigindo e ele do meu lado.
� mesmo? Beleza, vamos subir.
- Voc� j� atirou? - J�.
- E voc�? - N�o.
Estas armas sabem atirar.
� s� deixar que fa�am tudo. Este arredondado � o c�o.
Trava de seguran�a ativada, desativada.
Deixe assim, sen�o n�o dispara porra nenhuma.
O carregador j� est� inserido.
Se voc� precisar, empurre at� ouvir o "clique".
Para carregar, segure o cano do obturador,
puxe para tr�s at� o ponto morto e depois � s� soltar.
Agora est� pronta para atirar.
Se precisar recarregar, aperte o bot�o e isto sai.
Coloque de volta.
- Precisa de mais alguma coisa? - N�o.
Pode travar e guardar.
O que v�o beber? �gua t�nica?
- Sim. - Pode ser.
Pegue. Vamos bater um papo l� fora.
O que voc�s v�o fazer n�o � dif�cil,
mas devem ter o m�nimo de consci�ncia.
Todos os marroquinos, inclusive o de voc�s,
assim que come�am ter problemas para fazer os pagamentos,
j� esperam ser mortos, eles quase contam os dias.
S� que o de voc�s est� numa regi�o p�ssima
perto da esta��o Termini, no meio das lojas dos cineses,
e dos turistas com malas.
Tirando isso, ningu�m se importa se algu�m atirar nele.
O �nico que poderia foder voc�s � algum pedestre
que estiver ali por acaso feito um idiota
e que talvez obrigue voc�s a atirar nele.
E a� pode dar merda, porque vira loteria.
- Voc�s t�m carro? - Ele tem.
- Sim. - Sem carros.
N�o usem o carro. S� um imbecil faz isso.
- � um empecilho. - Claro. Na esta��o ainda.
Afastem-se a p�. Escolham aonde ir e v�o.
Quando chegarem � s� esperar que algu�m vai busc�-los,
assim ningu�m notar� nada.
Meu pai. Meu pai pode ir. Afinal, ele � um dos nossos...
Beleza, mas n�o pense no seu pai agora.
Cada um tem seu pr�prio caminho e voc�s n�o est�o aqui por ele.
N�o estou dizendo que n�o gosto dele.
Quanto tempo precisam para organizar tudo?
- Uma hora. - Imagina! Sem pressa.
- Vamos deixar para amanh�. - Amanh�? � perfeito.
- Perfeito? - Sim.
� perfeito para o marroquino tamb�m.
Mano. Pare a� um pouco.
- O que foi? - Veja onde coloquei a arma.
Quem voc� pensa que �.
Fiquei assim o tempo todo. Eu estava morrendo.
Se quiser, posso ir sozinho.
- N�o contarei para os outros. - Fique de boa.
Vamos.
Eu estava passando mal.
Pode me dar um DVD?
Manolo, ele n�o morreu. N�o morreu, voc� n�o o matou.
- Que porra � essa? - N�o o matamos, eu o vi.
Por que diabos n�o falou antes?
- Eu vou. - Aonde vai?
Agora est� morto. Vamos nessa.
Agora estamos dentro, eu te disse, n�o?
Eu e voc� temos qu�mica. As coisas d�o certo para n�s.
N�o sei por que, mas d�o certo.
Agora vamos relaxar.
Aos poucos vou te apresentar para os outros.
Depois acharemos duas gatas para nos chupar.
- Tudo est� dando certo. - Quando seu pai vai chegar?
- Estamos aqui h� duas horas. - N�o sei.
Pronto, ele chegou.
Espere.
Coloque aqui.
- Angelo! - O qu�?
Esses s�o os rapazes.
- Voc� eu j� conhe�o. - Sim. Oi, Angelo.
- Oi. Voc�, n�o. - N�o. Sou o Mirko.
Oi.
Beleza.
Max, vamos l�.
Quer ajuda, Simone?
Eu te dou uma m�o.
Carmine, ainda com esse molho. Sai da frente.
- Voc� quer fazer? - N�o, sai da�.
- Saia do caminho! - Precisam de ajuda?
Cale a boca!
Foi voc� que trouxe essas coisas?
Sim.
Como pagou essa compra?
N�o paguei, ganhei de presente.
- Ganhou de presente? - Isso.
- De quem? - De um amigo.
Eu conhe�o esse amigo?
� um amigo do tio do Manolo que tem...
Trabalha em um supermercado onde vendem essas coisas.
Ele deu porque v�o vencer.
Por que ao inv�s de estar sempre com o Manolo,
voc� n�o fica um pouco com sua m�e?
Hoje podemos assistir o cl�ssico juntos, n�o?
N�o, hoje sairei com o Manolo.
Vamos para a casa do tio dele, precisamos consertar uma coisa.
Devo ir a� te matar? Quer que fa�a esse favor?
Imbecil, faz duas semanas que n�o me d� um centavo.
Que porra � essa? N�o estou nem a� se voc� n�o tem. Arranje.
Muito bem. Arrume o dinheiro.
Vou te dar mais uma semana, pois nos conhecemos faz tempo.
N�o me tire do s�rio. Eu vou atr�s de voc�.
Vou tirar uma selfie com o Angelo.
Vou tirar uma selfie com ele.
Assim mesmo, arranje. Muito bem.
Isso mesmo. Tchau. Uma semana.
Tchau.
Ele far� hoje de novo com tanta press�o?
Eu acho que n�o.
Que horas as garotas chegar�o?
Arby disse onze e meia, meia-noite.
- S�o albanesas ou... - N�o, tem de tudo um pouco.
Negras n�o t�m. Albanesas, polonesas, ucranianas...
Elas sabem que v�o trabalhar?
Deviam achar que est�o vindo de f�rias?
Certeza que ter� uma chorona p� no saco
que deu para vinte caras e j� se encheu...
- As ucranianas s�o duronas. - Sim, s�o mesmo.
Uma vez eu sa� com uma ucraniana.
- Era muito bonita. - Quando foi isso?
- Outro dia. - Outro dia! Puta merda!
Hoje tem mu�arela de b�fala. Amor, abra espa�o.
Isto � mu�arela de b�fala bem fresca. Tire o prato da�.
- Vou cortar! - Corte!
Coloque seu prato aqui. Passe para c�.
Onde diabos voc� se meteu?
Carmine est� comendo uma menina. Venha ver.
N�o estou a fim, Manolo. Deixe-me em paz um pouco,
estou pensando nos meus problemas.
Beleza, fa�a o que quiser.
Agora v� devagar, devagar.
L� vamos n�s.
Arby?
Ela est� piscando para mim por acaso?
N�o, os olhos dela s�o assim mesmo.
Ela est� me deixando de pau duro.
Venha comigo.
Cheguei.
Pegue.
Pegue mais porque voc� � dessas.
Os biscoitos.
A �gua.
Espere a�.
Sen�o depois voc� me chama de novo.
Voc� sempre me chama para essas merdas de camisinha.
Pegue.
Pegue. Est�o esfarelados, eu sei,
Espere, sen�o depois tenho que voltar para voc� tamb�m.
Agora v� dar uma voltinha.
D� uma volta e n�o olhe para mim.
Ent�o, pessoal, quem fez isso?
Eu.
- E este? - Eu, professor.
Ambra, vem c�.
Fa�a outro, vamos ver.
O que vai fazer com essa panela?
Acha normal um crepe com buraco?
Outra vez.
Vai, Ambretta.
Ontem um cara chegou para mim e falou:
"Quanto custa para comprar uma daquelas?"
Eu respondi: "O qu�?"
E ele: "Uma pirralha."
E eu respondi: "Dez mil".
Juro que fiquei cinco minutos falando para ele:
"Pode lev�-la embora. Ela lava, passa, faz de tudo".
Quase fechei neg�cio.
Ela tinha 15 anos. Quinze anos.
Ando me sentindo muito mal. Sou um lixo.
Porque voc� pensa. N�o deve pensar, n�o pense.
N�o pense.
Extravase. Fa�a como eu, compre presentes.
Conhe�a uma mo�a e diga: "Prazer, como vai?"
E saia comprando tudo para ela.
Eu dei um computador para a Clara.
Agora com certeza vamos come�ar a namorar.
Voc� n�o vai comer, m�e?
M�e!
Que diabos est� fazendo? Que porra � essa?
Voc� est� doida? Est� chapada?
- Tem merda nesse telefone. - Cuide da sua vida!
Essa a� � louca! Ela � louca...
Seu telefone � de um ped�filo.
Deveria apagar as mensagens.
Juro que nunca vi algu�m me odiar
- como voc� me odeia. - V� se foder, Mirko!
Passei semanas fingindo que est� tudo bem
e que voc� trabalha naquela merda de pesqueiro.
- Voc� se acha esperto, n�? - Fale baixo. Fale baixo, porra.
Como se seu pai n�o contasse as mesmas mentiras!
Ao menos ele n�o mandava garotas se prostituirem.
Tenho nojo de voc�. Seu cafet�o de bosta!
- Fale baixo, louca varrida. - N�o encoste em mim.
Voc� � cachorro para me morder? Aonde diabos vai, sua louca?
- Por qu�? - Por que o qu�?
Por que deixa dinheiro na gaveta da c�moda?
- Mas voc� pega, n�? - Claro que sim!
Porque preciso de dinheiro e quando acho, pego mesmo!
- N�o encoste em mim. - N�o estou chapada.
- Faz um m�s que descobri. - Pronto, agora chegou a hora.
Vou te matar. N�o me toque.
Vou te jogar da janela.
Chegou a hora de te jogar da janela, entendeu?
Deixe-me em paz!
Que louca psicopata. Que doida.
Aonde vai, porra? Aonde vai?
- Como pode ficar perto de mim? - Que diabos voc� quer, m�e?
Eu j� li suas mensagens? Responda.
J� li as merdas do seu telefone?
N�o! Ent�o cale a boca.
Vai bancar a santa agora? � uma santinha do pau oco.
Quando eu era moleque, embaixo da sua cama
tinha um monte de piroca preta enrolada em jornal.
Eu te disse alguma coisa? N�o!
- O que significa? - O que significa?
Porra nenhuma. Como o que est� me dizendo.
D� um trago.
J� que agora estamos abrindo o jogo...
O qu�?
N�o terminei de ler. Quanto custa uma garota?
Quinze mil euros? N�s temos esse dinheiro, Mirko?
Porque n�o seria ruim ter uma garotinha
que fa�a boquete quando voc� quiser.
Est� me machucando. Mirko!
Voc� est� me machucando, pare!
Est� doendo! Babaca!
Que merda!
- Desculpa, amor. - N�o desculpo porra nenhuma!
Fume seus baseados de dia, entendeu?
N�o sou nenhuma puta!
- J� vai embora? - Vou.
Voc� precisa me levar.
Voc� n�o pode fazer o que bem entende.
� hoje o anivers�rio da Dani?
Sim, mas n�o venha. S� vai ter crian�as.
Ent�o agora virei ped�filo? Vamos ver se entendi.
Eu mandei voc� n�o vir.
� a festa de uma garota que teve poucas festas na vida.
N�o � ambiente para voc�. N�o venha.
- E a festa nem ser� aqui. - Onde ser� essa merda de festa?
Ser� no pr�dio do babaca do pai dela?
Aquele viado voltou para Roma.
Todo mundo � viado para voc�? Ser� que devo me preocupar?
E a�, mano.
Ficarei ocupado por uma horinha.
- Nos vemos depois. - Tchau.
Eu gosto quando as bexigas das crian�as estouram.
Por qu�?
Elas assustam. E eu gosto disso.
Eu gosto.
Vamos esperar um estourar para voc� ver.
- N�o vai estourar. - Estourou. Voc� que assustou.
Mirketto chegou! Cad� minha princesa?
- Mirko! - Princesa! Como vai?
- Tudo bem. - N�o esperava por essa, n�?
- S�o para mim? - S�o para voc�, tudo para voc�.
Veja s�. Ficou feliz?
- Fiquei! - Est� feliz? Muito?
Vamos sentar, vou te mostrar tudo.
- Oi, pequenos. - Oi.
- Como est�o? - Bem.
Que bom. Pegue uma cadeira para mim, assim nos sentamos.
- Oi. - Oi, Mirko.
- Vejam s�. � tudo para a Dani. - Quanta coisa!
- Talvez seja demais. - Imagina!
Vou encher seu quarto. Espere, vou come�ar pelo melhor.
- Que bonito este! - Eu queria um desses!
Viu que computador bonito? S� voc� tem um desses.
Nem eu tenho, s� voc� tem.
Fui atr�s deste porque sabia que voc� gostava.
D� uma olhada.
- Os sapatos! - Que lindos!
Eles acendem! Na escola, todos v�o te seguir no recreio.
- A princesa da escola. - Lindo.
Bonito, n�? Voc� est� feliz?
O que mais temos aqui?
- Agora vou pegar pesado. - N�o.
O que eu disse? Pode abrir. Cuidado.
Minha nossa! � maior que voc�. Viu como � bonito?
Quantos beijos vou ganhar por isso?
- Quantos? - Infinitos.
Pode me dar um por enquanto. Est� feliz, pequena?
Eu tamb�m.
- Vamos brincar agora? - Sim!
- Rouba-bandeira? - Sim!
- T�m certeza? - Sim!
Vamos brincar de rouba-bandeira.
As crian�as me matam de rir. Elas s�o demais.
- Aquele com o tapa-olho... - Voc� � um babaca, Mirko.
- Sou babaca? - Voc� estragou a festa da Dani.
Que diabos est� falando? Eu melhorei a festa.
Quando cheguei, estavam todos tristes.
Voc�s oito racharam 100 euros para os presentes.
- Eu gastei uma grana com ela. - Pode vir aqui conversar?
- Que porra voc� quer? - S� conversar.
Sem estragar a festa da sua m�e e da minha filha.
Claro, agora � sua filha.
Que vive na minha casa, com minha m�e e comigo.
Voc� liga para a sua filha?
Quem diabos � voc�? Responda, quem �?
Fora que seu sotaque de merda enche meu saco.
E com os dentes da minha m�e? Voc� j� ligou para eles?
Responda. E a grana? Voc� p�e dinheiro em casa?
N�o se preocupe, eu coloco dinheiro em casa.
Na sua casa voc� coloca, n�o na minha.
Voc� p�e dinheiro em casa s� por n�o saber onde coloc�-lo.
Pegue. � aqui que coloco dinheiro.
� a �ltima vez que te dou dinheiro.
Esse bosta que te sustente agora.
E alugue meu quarto, n�o volto para aquela casa.
E v�o tomar no cu. V�o se foder!
V�o se foder, todos voc�s!
Desculpa.
Voc� pode ficar em casa quanto quiser.
N�o, preciso achar algo definitivo,
um lugar onde ficar tranquilo, tipo um hotel.
Um hotel?
- Maneiro um hotel. - D� hora, n�?
- Nunca fiquei num hotel. - E eu j� fiquei por acaso?
Servido e reverenciado. Imagina que bom. Tudo limpo.
Eu estava mesmo pensando,
por que fazemos as mesmas coisas que faz�amos antes?
Alugue um quarto de hotel, leve a Ambra.
- Quem? - Ambra.
Estou pouco me fodendo para ela.
Vou levar alguma das putinhas que estamos aliciando.
Voc� tem raz�o.
Enfim, � muito louco.
O qu�?
Que tudo acabou. Assim, num segundo.
Que demos a volta por cima. N�s demos a volta por cima.
Imagina se ainda estiv�ssemos entregando pizza.
Voc� ainda pensa naquela noite?
�s vezes.
Eu sempre penso.
Estranho, n�? De zero a mil. Assim.
� isso que devemos fazer, n�? Precisamos matar.
Falou tudo.
Fazer essas coisas, as prostitutas, essas merdas.
Eu e voc� devemos matar.
Precisamos pressionar Angelo, Carmine...
- Est�o pouco se fodendo. - Simone...
Falo isso para eles todo dia. Eles n�o ligam.
E vamos rir deles. N�s queremos fazer isso.
O que faremos? Vamos mat�-lo?
� o mais certo.
Vamos mandar os assassinos.
- Quem? - Tico e Teco.
E quem s�o eles?
Voc� � doido? Dois moleques contra aquele filho da puta?
Voc� n�o os conheceu, Angelo.
Ainda preciso entender por que for�aram tanto
para trabalhar conosco.
Eles n�o ligam para merda nenhuma.
Acho que eles gostam e basta.
S�o marginais, s�o dois loucos.
Entendi que s�o loucos, mas quem eles mataram?
Aquele tra�ra do Sepe e o marroquino.
N�o � quest�o de preparo e experi�ncia.
Eles n�o t�m consci�ncia dos atos,
s� fazem e pronto, por isso que � f�cil.
Eles nasceram para isso. � a vida deles.
Foda-se que � a vida deles!
Vamos mandar o Alfredo que � mais seguro.
E se der errado?
Arriscamos nossos homens, retalia��o.
Eles s�o novos, ningu�m os conhece.
Se conseguirem, ter�o feito a parte deles
e n�s ficamos de boa.
Sen�o teremos dois moleques a menos para cuidar,
sem que ningu�m possa lig�-los a n�s.
O que eles fizeram para te deixar t�o puto?
Voc� quer que eles morram?
Vamos ver.
Acho que eles conseguem. Quer apostar?
- Pode cham�-los. - Meninos, venham aqui.
Sentem-se.
Precisamos fazer um acerto de contas.
Temos que matar um cara. Voc�s d�o conta?
- Claro. - Claro.
Tem um cara tentando nos foder. Quer roubar nosso territ�rio.
Devemos mostrar que ele errou, que n�s mandamos aqui.
Sen�o todos se sentir�o livres para nos foder.
- Certo? - Certo.
Esse cara que preciso matar � um indultado.
Ele se chama Ruggero Perego.
� um ex-lutador, mas come�ou ganhar dinheiro depois.
Ele mora em Rieti, num barraco. Depois Simone explicar� tudo.
Deixa comigo.
Ele mudou para l� porque os neg�cios v�o bem
e quer um pouco de paz.
E n�s queremos dar paz para ele. Mas queremos dar a paz eterna.
Isso � diferente de tudo o que voc�s fizeram at� agora.
Mas andei de olho em voc�s e quero dar essa chance.
Fui claro?
Se der tudo certo, conhecer�o o Capit�o.
- Obrigado. - V�o se divertir.
Obrigado.
Entendeu?
Comporte-se, est�o de olho na gente.
Do jeito que voc� falou,
parece que n�s devemos defender o territ�rio.
Deixa pra l�. Os jovens devem sonhar.
Deve ser feito de madrugada. �s duas ou �s tr�s.
Calculem que para chegar em Rieti leva uma hora e meia.
Chegando em Poggio Fidoni
pegar�o uma longa estrada de terra.
� s� terra e ningu�m mora l�.
Num certo ponto, ter� um monte de barracos
onde Ruggero mora
e o pai dele tamb�m morava antes de morrer.
Na frente do barraco dele, com certeza encontrar�o
- um ou mais c�es de briga. - At� isso?
Eles s�o mesti�os, pulam direto na garganta.
A arma de chumbinho n�o adianta nada.
Vou deix�-los levar o taser, relaxem.
Quanto a ele, o melhor jeito de mat�-lo
seria peg�-lo de surpresa. Enquanto dorme seria o ideal.
Mas de qualquer forma, se algo der errado,
se forem vistos ou pegos
a �nica coisa que n�o devem fazer � fugir.
Com todo o terreno em volta daquele barraco de merda,
se tentarem, ele pegar� o jipe e ir� atr�s de voc�s.
Tamb�m evitem o corpo a corpo.
Ele � lutador e os socos dele s�o como armas,
iguais o rifle que pode ter embaixo do travesseiro.
A melhor op��o � a dist�ncia m�dia.
Atirem nele, saiam de l� e voltem para Roma.
Se algo der errado, nem preciso explicar, n�?
Improvisem como quiserem e est� feito.
- Combinado? - Perfeito.
E se n�o for perfeito, faremos ser.
- Mirko... - Fala.
Voc� j� pensou em matar o Angelo?
Ou Carmine ou aquele bosta do Passatolocchio?
Assim tiraremos todos do caminho.
Manolo, voc� precisa relaxar.
Primeiro vamos cuidar de matar esse cara.
N�o entendi porra nenhuma.
N�o entendi nada.
N�o entendi merda nenhuma.
N�o entendi porra nenhuma. Porra nenhuma.
N�o entendi porra nenhuma do que estava acontecendo.
E a culpa � minha. Toda minha. Desculpa.
Desculpa.
Desculpa. Desculpa...
Desculpa, desculpa. Desculpa, me perdoe.
Por favor, me desculpe. Perdoe-me.
Desculpa, porra.
A culpa � minha, � minha culpa.
Perd�o. Perdoe-me.
Perdoe-me, perd�o, perd�o.
Desculpa, mano. Desculpa, porra.
N�o! N�o!
Caralho.
E a�? Pode falar.
N�o dev�amos ter ido, Danilo.
Voc� sabe como seu filho �. Ele tem colh�es.
Eu sei que ele tem, � meu filho.
Como foi?
Eles ficaram cara a cara e atiraram.
Ele desabou no ch�o.
Eu fiquei parado feito um idiota.
Como assim? Voc� fez o que p�de, n�?
Eu te conhe�o, n�o fale isso.
N�o sei que diabos fazer.
O que quer fazer? N�o pode fazer nada.
� o que acontece com quem leva essa vida.
O que quer fazer?
S�o quatro da manh� e voc� n�o se aguenta em p�.
Deite ali para dormir. Descanse.
Voc� est� certo. Estou exausto.
Meu filho morreu.
Oi, m�e. Tentei n�o fazer barulho.
Por isso me acordou.
- Vou usar o banheiro. - Certo.
Faz tempo que n�o nos vemos.
Voc� viu que Roma ganhou de dois a zero?
M�e, te juro que sinto muito por tudo o que aconteceu.
Eu n�o queria que tiv�ssemos nos afastado.
Estamos aqui, n�o estamos?
Ou�a, vou te fazer uma pergunta.
E voc� deve responder.
Onde gostaria de morar? Um lugar que n�o seja Roma.
Que lugar?
Um lugar qualquer. O primeiro que pensar.
Molise.
Molise?
Quem sabe cedo ou tarde os sonhos se realizem.
Vou ao banheiro.
Tenho que fazer uma coisa.
Vou nessa.
Tchau, m�e.
Desculpa, minha boca est� suja de caf�.
N�o se preocupe.
M�e?
M�e.
- Oi. - Oi, querida.
Oi, Na. Me d� o tabaco, por favor?
- Oi. - Oi. Como voc� est�?
- Cansada. - Acredito, com tantas sacolas.
O que est� fazendo aqui?
Nada. Vim com uns amigos, nada de mais.
J� ia esquecendo. Veja s� isso. Voc� gostou?
Assim o levo sempre comigo.
O que acha?
Pensando bem, por que voc� n�o faz uma tamb�m?
Fa�a uma escrito "Mirko".
N�o d�i nada.
Ele � meu amigo, se quiser, pe�o um desconto para voc�.
Certo, vou embora que preciso fazer o jantar da pequena.
Qual vai ser o card�pio?
O que tiver em casa.
GAROTOS CHORAM
- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!
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