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Original subtitles

NA TEIA DA ARANHA

Não sabia se tinha escrito um outro conto...

ou se na verdade tinha visto...

uma pintura alucinanate.

Me lembro que eu estava sentado na biblioteca.

Estava um pouco amarrotado, quando ouvi alguém bater na porta.

E pálido como um habitante de uma tumba...

um criado entrou caminhando na ponta dos pés.

Tinha o semblante dominado pelo terror.

E falou comigo com uma voz trêmula, sufocada, baixíssima.

Entendi somente alguns fragmentos da sua conversa.

Falava de um grito enlouquecedor, solto na calada da noite.

No recolher de toda a família.

E da procura na direção do som.

Depois, o tom de sua voz tornou-se pavorosamente distinto.

Enquanto sussurrava sobre uma tumba violada.

De um corpo envolto num sudário. Desfigurado.

Mas que todavia respirava, palpitava! Que ainda estava vivo!

Sim, devia ser verdade.

Ele chegou mais perto de mim e apontou para minhas roupas.

Estava ensopada, rasgada.

Tinha horrendas manchas vermelhas.

Era sangue.

O criado, em seguida, me pegou delicadamente pela mão.

Ele me mostrou...

Tinha marcas de feridas.

Feridas profundas feitas por unhas humanas.

E começou então a me fitar com um olhar apavorante.

Depois direcionou seu olhar para um objeto contra uma parede.

Leventei-me e me virei para ver!

Era uma pá.

Também toda suja de sangue.

Tinha mesmo acontecido, não havia mais dúvida.

Me precipitei e corri para a mesa!

Agarrei uma caixa que estava em cima dela!

Mas não conseguia abri-la.

Ela caiu das minhas mãos!

E dela saltaram 32 minúsculos objetos brancos.

Que se espalharam pelo chão. Eram...

Eram os 32 magníficos dentes de minha prima Berenice.

Que me obcecaram durante sua doença.

- "O Conto do Impossível". - E que 6 meses após a sua morte...

encontrei naquela noite terrível...

que eu não lembrava o que tinha acontecido.

Sr. Poe? Eu já tinha lido esse seu conto...

mas narrado por você parece quase real.

Sr. Poe? Sou Alan.

Alan Foster.

Não se lembra de mim?

Você tinha me prometido uma entrevista.

Alan! Não estava reconhecendo-o.

Sente-se!

Quero apresentar-lhe meu amigo Lorde Blackwood.

Que me ofereceu um ótimo conhaque inglês.

Francês!

Perdoe minha ignorânica, mas eu só quis ser patriota.

Francês ou inglês, é melhor que meu médico não saiba disso.

Não sei o que pensa a respeito, Foster...

mas não sabe o que está perdendo sem beber.

Eu bebo, mas nesta noite não. Desejo somente entrevistá-lo.

Você é muito famoso para que venha a Londres...

e ninguém fale sobre isso.

É verdade. É a primeira vez que venho à Inglaterra.

E talvez seja a última.

Por quê? Londres o decepcionou?

Estou decepcionado com a vida. Mas vamos começar a entrevista.

O que foi certamente a única razão do nosso encontro.

- Ao menos, eu acho. - Sim, a menos que me conceda outra.

- Provavelmente. - Senhor?

Não sei se nosso convidado aceitará alguma coisa?

Sim, claro. Um scotch, por favor.

Agora que me corrompeu ao álcool...

espero conseguir falar seriamente do seu trabalho.

Sim. E já vou logo dizendo que não sou um verdadeiro romancista.

Mas sou um colega seu, um cronista.

Por que tudo que escrevi até agora...

realmente aconteceu.

Mas somente na sua genial fantasia de escritor, Sr. Poe.

Sim, porque os mortos...

não podem retornar à esta terra, como nos seus romances.

Confunde a morte com a tumba.

Por que você...

Sr. Poe...

Eu o estimo demais para me permitir contradizê-lo, mas...

estou convencido que o ciclo vital se conclui com a morte.

Não há nada além do túmulo.

E mesmo se houvesse algo, certamente não seria nada de terreno.

Não há nada além do túmulo, nada.

Então não acredita na veracidade de minhas histórias?

- Não, num plano realístico. - Um scotch, para o cavalheiro.

Obrigado.

À sua saúde.

Saúde.

Uma lápide de mármore que lacra uma sepultura...

te dá a certeza da tumba.

Não no além, que é povoado de um número incalculável...

de habitantes não oficiais.

Um homem da sua inteligência...

acredita apenas no fim da arte?

Eu não concordo!

Aposto 100 mil libras esterlinas que não tem coragem...

de passar uma noite em meu castelo em Providence...

sozinho.

Acha que vou fugir morrendo de medo?

Não. Não vai fugir.

De todos que já tentaram, e o Sr. Poe sabe disso...

nenhum jamais saiu do meu castelo.

Lamento, mas não posso aceitar sua aposta.

É uma pena, Foster.

Já ouvi falar muito do castelo de Lorde Blackwood...

e quero escrever uma história.

Por isso que pedi o Sr. Poe que me ajudasse a encontrar...

um corajoso que aceitasse o meu desafio.

Para desmentir esta lenda.

Mas você é um bom rapaz, e fico satisfeito...

que não tenha aceitado minha aposta.

Só porque são 900 libras. Se fosse pelo menos 10...

É sério? Aceitaria por 10 libras?

Sim, claro! Quando quiser.

Esta noite então.

Talvez você viva uma aventura que o convencerá...

que eu não conto histórias de fantasia.

Aceite.

Está bem.

Se será esta noite, devemos partir imediatamente.

O castelo é distante. E levaremos ao menos duas horas.

Tudo bem, mas...

Mas e quanto à minha entrevista com o Sr. Poe?

Se isso é um obstáculo, podemos conversar durante a viagem.

O senhor também vai?

- Claro. - Eu agradeço.

Boa noite, Sr. Poe! Adeus, excelência!

Gostaria de ler um trecho de uma poesia sua. Escute.

"Desde a infânica, eu não era como os outros.

"Eu não via como os outros.

Não experimentava sensações que, para os outros, eram comuns."

Por que, na realidade, eu via a vida de uma forma diferente.

Seja ela, material ou espiritual.

Em muitos dos seus contos...

seus personagens primeiro...

- Perdem a razão, depois a vida. - Sr. Foster!

Para lhe dar coragem.

- Não, eu não vou precisar... - Pegue!

- Está carregada? - Claro.

Está bem.

Não poupou da morte nem mesmo as sua heroínas.

- Não estou certo? - E por qual motivo?

De todos os temas melancólicos, Foster.

Qual é o mais melancólico? Evidentemente, a morte.

Sobre isso, estamos de acordo, Sr. Poe.

E quando esse tema é o mais poético?

Quando está aliado à beleza.

Portanto, a morte de uma bela mulher...

é sem dúvida, o tema mais poético que comove o mundo.

- Chegamos? - Sim.

Ainda está em tempo de voltar conosco.

Não! Estou muito interessado nas suas 10 mil libras.

E aliás nós, americanos, não temos sua tradição...

de velhos castelos assombrados.

Você é jovem e um pouco afobado.

Até porque não temos castelos antigos.

Ou talvez esteja convencido de ser imortal?

Nossa megalomania é provável.

Voltaremos amanhã ao amanhecer. Boa sorte.

Obrigado.

Sr. Poe! Continuaremos a nossa entrevista...

amanhã de manhã, se não se incomoda.

Com certeza, amanhã terminaremos.

Boa noite.

- Tinha me esquecido! - Sim?

Encontrará uma tocha numa casinha no fundo do jardim.

No fundo do jardim? Grato.

Por que fez tanta questão que ele aceitasse?

Por que toda história precisa de um protagonista.

Nada mal pra começar.

Boa noite!

Vamos, Allister!

Boa noite!

Coincidência.

Uma lápide de mármore que lacra uma sepultura...

te dá a certeza de um túmulo.

Não no além, que é povoado de um incontável número...

de habitantes não-oficiais.

Confunde a morte com a tumba.

Uma ilusão de ótica.

Só uma estúpida ilusão de ótica.

Deve estar quebrado.

Ei! Quem são vocês?

Boa noite.

Me confundiu com um quadro?

Foi meu irmão que o mandou?

Se Lorde Blackwood é seu irmão, sim.

Me chamo Alan. Alan Foster.

Eu me chamo Elizabeth Blackwood Dollister.

Peço desculpas, mas...

seu irmão me disse que o castelo estava completamente desabitado.

Sim, porque para ele eu...

- Estou morta. - Morta?

Talvez sim.

Meu irmão nunca mais quis me ver.

Desde que abandonei seu mundo para procurar aqui...

com o homem que eu amava, a felicidade que jamais encontrei.

E nunca pensaram em fazer as pazes?

Não.

E permaneci sozinha por todo este tempo.

- É melhor eu ir andando. - Por quê? Está com medo de mim?

Não, claro que não!

Mas talvez não devesse ter aceitado a aposta.

Ah, sei! A aposta que meu irmão faz todo ano...

para dar crédito à lenda que ronda este castelo.

De qualquer forma, se ficar não ficará mais rico.

Mas em compensação, o ajudarei a fazer um despeito ao milorde.

Venha. Preparei um quarto para você lá em cima.

Com licença, já sabia da minha vinda?

Vou pegar as velas.

- Veja! - O quê?

Aquele quadro ali!

Mais uma vez, como quando entrei, as luzes das velas...

me pregaram uma peça.

Que peça?

Me fez ver a figura do retrato...

Como uma imagem viva, é isso.

Quem é? Uma antepassada?

Não.

Julia não é uma Blackwood.

Certamente você a conhecerá.

A verá viva muito em breve.

Sim.

Julia não perderá a oportunidade de conhecê-lo.

Não é meu! Eu o encontrei no estábulo e o trouxe.

Quanta gentileza. Obrigada, é meu.

Fez muito bem.

Há muito tempo que eu o procurava.

Vim preparado para passar uma noite entre terríveis fantasmas...

mas ao invés disso, me deparei com uma deliciosa companhia.

Se é da minha que está falando, talvez.

Eu não decepciono quem me agrada.

Por favor, por aqui. Está mais arrumado.

Não temos mais empregados e tive que abandonar o plano terreno.

Me diga o que está acontecendo fora daqui, no mundo.

Nada demais, pode acreditar.

Você é a primeira coisa bonita...

que tive o prazer de ver.

Desde muito tempo.

Você é muito gentil. Ou está me bajulando?

Não, é sério, pode acreditar! Beleza como a sua é rara.

E você sabe disso.

Faz muito tempo que não ouço um elogio.

Ou algo assim.

Por favor, me fale de você.

De mim? Há muito pouco. Sou americano.

Escrevo crônicas e, às vezes, sou jornalista.

Sou pobre. Moro em Londres, e me sinto terrívelmente só.

Sou solitária também, Alan.

Deseperadamente solitária.

Posso fazer-lhes companhia?

Você deve ser Julia?

É um prazer conhecê-la pessoalmente.

Por quê? Elizabeth falou de mim?

Sim, sobre o seu retrato.

- E o que ela disse de mim? - Só o seu nome!

- Nada mais. - Devo agradecê-la por sua discrição.

Não. Mas acho que teria feito muito bem em não ter vindo.

Por quê? Estou incomodando, talvez?

Não, só estávamos conversando um pouco antes de irmos dormir.

Ah, sim! Juntos?

- Julia! - Oh, me perdoem.

Não me referi ao que Elizabeth imaginou.

Quis dizer ao mesmo tempo, não na mesma cama.

Já chega!

Boa noite, Foster.

Não me resta outra opção a não ser dar-lhe boa noite.

Até porque para você não será tão boa.

Francamente, não estou te entendendo.

- Não minta, Alan. - Eu não...

Quem lhe disse meu nome?

O conto que Elizabeth lhe contou foi apenas uma entrada.

Boa noite.

Vou lhe dizer pela última vez, Julia.

Pare de me ofender. De me humilhar assim.

Se continuar a me perseguir, ai de você!

Você não sabe do que eu sou capaz!

Eu sei, eu sei.

Mas o que você pode fazer contra mim? O quê?

Maldita! Você foi a causa da minha ruína e continua sendo!

Você gosta de Alan, não é?

Diga, confesse que você gosta mesmo dele.

Sim, eu gosto dele.

- E não o ama? - Sim, eu o amo.

Eu o amo!

Coitadinha!

Se eu não tivesse chegado estaria feliz nos braços dele.

Sim, eu estaria feliz!

Não! Não é verdade!

Você sabe que nunca será feliz!

Mas talvez dessa vez eu seja!

Eu imploro, deixe tentar mais uma vez.

Não. Só ao meu lado você encontrará o verdadeiro amor.

Afaste-se de mim!

Eu sou uma mulher! Uma mulher de verdade!

Não aquilo que você imagina!

Na minha vida jamais haverá lugar para você!

Qual vida, Elizabeth? Por que não raciocina?

Eu te odeio! Eu te odeio, Julia!

É você? Me desculpe.

Isto...

Foi um presente do seu irmão.

Vim ver se já estava dormindo. E...

- Me desculpar pelo que aconteceu. - O quê?

Pelo que Julia disse? Não, fique, por favor.

Só estava lendo.

Venha, fique à vontade.

- Não estou mesmo incomodando? - Claro que não.

Não se incomoda então...

- Se eu lhe fizer companhia? - E por quê?

Será um imenso prazer.

Não estou conseguindo dormir.

Quer beber alguma coisa?

Sim, eu agradeço.

Esta garrafa era de um hóspede que esteve aqui antes de você.

Dizem que era um verdadeiro especialista.

Espero que goste.

Sim, é excelente, obrigado.

Carmus.

- Se interessa por medicina? - Sim, já fui.

Meu Pai era médico. Quando menino, eu lia seus livros.

É uma leitura que não combina com sono.

Deixe eu pegar um outro.

Não, por favor.

Fique aqui, comigo.

Se lê quando se está cercado pela solidão.

E seus olhos são lindos, deixe-me ler seus olhos, por favor.

E o que está escrito nos meus olhos, Alan?

Não sei, mas vou descobrir. Pode ter certeza.

Eu te digo.

Abrace-me.

Me aperte.

Me pegue.

É isso que está escrito.

Eu sou sua, Alan.

Sua.

Mesmo que só por um momento.

Me dê seu calor.

Tire-me desse meu frio sem esperança.

Eu te peço.

Beije-me.

Beije-me.

Sim, Alan! Sim!

Você me devolveu a vida! Sim, amor, sim!

Me sinto viva nos seus braços.

Eu vivo só quando amo.

Oh, sim, Alan!

Sim, amor, sim!

Sim, amor!

Vadia maldita! Eu sabia que ela o levaria para a cama!

Desta vez, ela me pagará caro!

Julia!

- O que pretende fazer? - Fique fora disso, William.

Isso não lhe diz respeito.

Apesar de tudo, eu ainda a amo.

- Não faça isso. - E por que não deveria?

Para que ela me trate sempre assim?

Herbert deve ficar sabendo! E imediatamente!

Nos encontramos tarde demais.

O que importa é que eu a encontrei.

Jamais a deixarei. Ficaremos juntos para sempre.

Para sempre divididos, Alan.

Eu, aqui, e você lá, no seu mundo.

Que será seu porque você estará comigo.

Impossível. É muito mais fácil que você fique no meu.

Elizabeth? Elizabeth!

Elizabeth!

- Sim, Alan. - Que medo!

Por um momento...

Parecia que seu coração tinha parado de bater.

Herbert!

- Não, ele não! - Pare!

Elizabeth?

Elizabeth!

Não!

Não é possível! Não posso ter sonhado!

Abrace-me.

Me aperte.

Me sinto viva nos seus braços.

Eu vivo só quando amo.

Oh, sim, Alan.

Sim, amor, sim.

Elizabeth.

Elizabeth!

Elizabeth! Elizabeth!

Elizabeth, onde você está?

Não é possível.

Não é possível.

Tudo é possível aqui nesta noite!

Quem é você? Onde está Elizabeth?

Temos que encontrá-la, não pode ter sumido!

Fique tranquilo, ela voltará...

em breve.

Ela está ferida! Diga-me onde ela está, temos que ajudá-la!

Venha, acalme seus nervos.

Por gentileza.

Creio que compreendo como deve estar se sentindo, Sr. Foster.

Seu nome é Foster, não é mesmo?

- Como sabe meu nome? - Ouvi conversando com Elizabeth.

Com Elizabeth?

Estava ouvindo enquanto eu conversava com ela?

Eu ouvi e vi tudo.

Mas não pude interferir de modo algum.

Mais tarde você entenderá porquê. Está tremendo, Foster.

Talvez precise beber algo forte.

Tenho uma reserva de um excelente uísque.

Eu não sei quem você é. Mas sei que é um ótimo voyeur.

É mesmo, Foster?

Sou o Doutor Carmus.

Sei que já leu alguns de meus estudos sobre medicina metafísica.

É verdade. Mas não se tem notícias suas há muito tempo.

- Pensaram até que estivesse... - Morto?

Sim.

Seria melhor dizer que deixei de viver inutilmente num mundo...

que não me dava mais a possibilidade de completar meus estudos.

Mas agora beba tranquilamente seu uísque.

Você presenciou uma aventura puramente metafísica.

Povoada de personagens fora do seu tempo.

Uma aparição momentânea, como a de Elizabeth...

é uma experiência notável para um jornalista do seu talento.

Como seria para um poeta.

Me desculpe, Dr. Carmus.

Mas não consigo convencer-me que Elizabeth tenha sido só uma aparição.

Não foi fruto da minha fantasia.

Eu senti seu corpo tremer, eu senti...

O seu calor. Eu a beijei.

E posso garantir...

Sim, posso garantir que entre meus braços, ela estava viva!

Só porque, naquele momento, ela vivia com a força dos seus sentidos.

Que não conseguem morrer.

Não entendo o que está querendo dizer!

Todo ser humano possui três formas de vida.

A do corpo, que é a mais frágil.

A do espírito, que é indestrutível.

E a dos sentidos.

Que mesmo não sendo eterna, pode perdurar por muito tempo.

Mesmo depois da morte.

Especialmente se este ser humano tiver sua vida tirada...

devido a um ato de violência.

E num momento em particular que os sentidos vivem uma intensa emoção.

Resumindo, não se morre completamente...

quando não se está preparado para morrer.

Mas esta é uma teoria absurda, completamente absurda!

É o que pensa? Eu posso demonstrá-la.

Observe.

Por favor! Fique afastado, ela é extremamente venenosa.

Neste momnento, seus sentidos...

estão todos empenhados a uma violenta emoção de defesa.

Está vendo?

Teoricamente, o réptil devia ter morrido no exato momento...

em que eu lhe apliquei o golpe.

Ao invés disso, continua a viver.

Já fiz esta experiência quando era mais novo, com uma lagartixa.

A cauda continua a se debater por alguns segundos...

E depois... É isso.

E neste momento, cessa completamente de viver.

Está morto.

Tente tocar na cabeça dela.

Sim.

Cuidado!

Suas glândulas ainda guardam veneno.

O réptil está mortro, mas seu senso de defesa continua vivendo.

Mas não por muito tempo.

Naturalmente. O sangue entra em processo de decomposição.

E o senso motor também morre.

Me mantive recluso aqui para estudar distante do mundo...

esta minha teoria.

Está bem, certo.

Sua teoria pode ser aplicada à algumas formas de vida animal.

Mas em seres humanos, jamais.

Está equivocado, Sr. Foster.

Eu lhe demonstrarei, venha comigo.

Só mesmo a mente insana de Poe, poderia mandá-lo aqui...

na noite de 2 de Novembro.

Dr. Carmus!

Como sabia de Poe? Precisa me dizer!

Como soube do meu encontro com Poe?

Fale, Carmus! Eu preciso saber!

Tem que me dizer! Por favor!

Não pode saber de uma coisa que aconteceu fora daqui!

Agora chega! Palavras não servem mais de nada.

Observe.

Elizabeth e William estão descendo?

Sim. Em breve estarão aqui.

Estão demorando.

- Estavam se beijando! - Edith!

Não é verdade! Tia, mande-a dormir.

Maurice!

Maurice!

Estão noivos, ano que vem estarão casados.

- Tudo está nos seus conformes. - Vamos aproveitar a festa.

É mais lindo do que eu jamais sonhei.

Fico feliz que tenha gostado.

Agradeço, William. É estupendo.

É você que o torna mais bonito.

Talvez tivesse pensado que eu não teria um presente para você.

Aceite, mesmo que atrasado.

Mas eu o perdôo porque as jóias, são realmente como você prometeu.

Obrigado, meu senhor. São as pedras mais belas que eu já vi.

Lamento a demora, mas a viagem de Paris à Londres é longa.

Boa noite.

É melhor voltarmos ao baile ou pensarão que nós fugimos.

Talvez fosse um presente importante demais para mim.

Acho que não o mereço.

Por que não o mereceria?

William... foi muito triste, você esteve fora por tanto tempo.

- E eu aqui, sozinha. - Eu voltei, Elizabeth.

E ficaremos juntos. Só isso que importa.

Elizabeth, finalmente.

- Que maravilha! - Explêndida!

Tudo para fazê-la perdoar sua longa ausência, não é, William?

- Você está linda, Elizabeth. - Obrigada.

- Vamos dançar? - Sim.

Com licença.

- Quer beber alguma coisa? - Sim, obrigada.

William!

- Uma noite bastante divertida! - Muito divertida!

- Vamos andando, está tarde. - Também iria, se tivesse companhia.

- Já está muito tarde, vamos. - Como quiser, Thomas.

James!

Nossos casacos.

- O que quer? - Venha já para fora!

Não suporto vê-la do lado daquele homem!

Me espere no estábulo. Saia daqui, vá embora!

Aqui está você! Te perdi de vista!

Não se preocupe, estou aqui para vigiá-la.

Agradeço, Julia. Mas já fez isso nos quatros meses que estive fora...

agora deixe que eu mesmo cuido da minha esposinha.

- Boa noite. Bela foto de familia. - Mas já estão indo?

Sim, William. Volto para Londres esta noite.

Amanhã eu acordo muito cedo e sabe que odeio dormir tarde.

Não é você o famoso caçador que acordava sempre de madrugada?

Parece que você mudou, irmãozinho.

Deixo para você... a honra da grande caça.

Agradeço pela ótima noite e pelo prazer de vê-los finalmente juntos.

E você, tente não deixá-la tanto tempo sozinha.

Vendi todos os meus bens que tinha na América.

Agora não tenho mais motivos para viajar, a não ser por diversão.

O que me diria de todos juntos em um cruzeiro na primavera?

França, Itália, Espanha...

Sim, não é uma má idéia. Venham nos visitar em Londres.

E conversaremos sobre isso.

Está bem. Eu os acompanho.

Não, William, eu faço isso. Dê atenção aos nossos convidados.

Eu já volto.

- Boa noite. - Adeus, Margareth.

- Adeus, William. - Até logo, Thomas.

Caro, William. Estamos muito felizes que esteja conosco.

Esperamos que desta vez, seja para ficar.

Desta vez, acho que sim.

- Tchau, Elizabeth e obrigada. - Boa viagem, Margareth.

Tchau, irmãzinha. E dama das caçadas.

Obrigada e até logo.

Tchau, Elizabeth!

Elizabeth, não volte lá para dentro!

Ficou louco?

Quieta! Venha!

Não quero que volte para aquele homem.

Não diga besterias, ele é meu marido!

Não quero! Elizabeth, não pode voltar para ele.

Você é minha! Minha!

Nestes últimos meses, já ficou provado que nosso amor é verdadeiro.

Todas as nossas lembranças agora são inesquecíveis.

Talvez ele deva ir embora. Agora me deixe!

Não! Você irá com ele, eu sei.

Eu te mato se voltar para William!

- Me deixe! - Não!

Fique um pouco. Depois se quiser, você pode ir.

Me deixe! Me deixe, por favor!

- Não quero! Não, Herbert! - Elizabeth...

Não quero. Não.

Não, Herbert...

O que acabou de ver do passado, é apenas um pequeno prelúdio.

A verdadeira tragédia começa agora.

Venha, siga-me.

Sim...

Sim, me beije. Eu ainda o amo.

Eu me sinto viva só quando amo.

E nos seus braços, eu me sinto viva, meu amor.

Eu vivo só quando amo.

Sim! Sim! Sim!

Sim...

Não!

Não! Não, Herbert!

Não!

Não chore, Elizabeth! Não chore!

Você sabe que não aguento vê-la sofrer.

Já acabou!

E estou aqui com você, só eu. E jamais nos separaremos.

Estaremos sempre juntas, sempre unidas!

Querida... querida Elizabeth!

- Saia daqui, Julia! - Não, por favor.

- Suma daqui! - Não me despreze.

Eu te quero tão bem! Só eu, só eu!

Elizabeth... Elizabeth...

Eu te odeio! Te desprezo!

Não, não é verdade. Me diga que não é verdade.

Sim, prefiro morrer do que...

Não me diga isso, não pode!

Por que eu te amo! Eu te amo!

Eu te amo, Elizabeth!

Carmus...

Me solte, Carmus! Me solte!

- Não é verdade! - Ninguém está lhe prendendo.

É tudo uma mistificação, Carmus! Para tentar me convencer...

que tudo não passa de uma conspiração!

Está equivocado novamente, Foster!

Observe!

Não há nada atrás de você!

E à sua frente, o presente voltou.

Observe!

Carmus!

Carmus!

Carmus!

É inútil tentar se esconder.

Onde você está, Carmus? Cadê você? Carmus!

Carmus, está me ouvindo?

Não pode ter sumido também!

Apareça, Carmus! Apareça!

Carmus!

Carmus, onde você se escondeu? Onde?

Você e seus livros estúpidos!

Eu sei onde você está escondido!

Apareça, Carmus, ou mesmo te tiro daí...

e à força, se for preciso!

Abra essa porta ou eu a derrubo! Carmus, está me ouvindo?

É melhor que saia daí!

Ou eu te denuncio, você e suas absurdas teorias metafísicas!

Eu vou embora, Carmus!

Deixo esta casa, está me ouvindo? Deixo esta casa, vou embora!

E perco a minha aposta.

Carmus!

Carmus!

Eu...

Não finja que não está me vendo! Estou aqui na sua frente! Responda!

Isto aconteceu há muitos anos atrás.

Agora você viu, Foster. Como e porquê eu fui morto.

Venha, quero que veja mais uma coisa.

Veja... Elizabeth...

E os outros...

Repousam todos lá...

no pequeno cemitério da família.

Carmus!

Carmus!

É maravilhoso, amor! Passaremos uma noite de núpcias inesquecível!

Silêncio!

Uma noite de amor e de terror...

se o que Lorde Blackwood disse for verdade.

- Não me deixe só um momento. - Não falem, eles vão ouvi-los!

- Não falem! - Está com medo?

Sra. Perkins?

Sim, mas poderia traí-lo com um fantasma.

Não estão me ouvindo? Não estão me vendo?

Eu estou aqui! Não subam! Não! Não subam!

Não!

Não podem ficar aqui! Vão ser vítimas de um jogo cruel!

Não vão! Vocês serão mortos! Voltem!

Voltem! Vocês serão mortos!

Não!

Não, Maurice!

Não escapará de mim!

Se está em meu castelo, tenho o direito nesta noite!

Quer fugir, é?

Sim, meu senhor. Porque eu amo um outro homem.

Sim, e quem é ele?

Eu amo... o meu Maurice.

E o ama tanto assim?

Sim.

Sim, meu senhor, muito.

E se o ama tanto mesmo...

então porque me beijou?

Por que tenho sede de um beijo como de champanhe.

Lembro que me disse que encontraríamos aqui...

uma cantina fabulosa à nossa disposição.

É mesmo. Lorde Thomas me deu a achave.

Vou pegar uma garrafa.

Não me deixe muito tempo sozinha.

Só um momento!

Não! Não a deixe sozinha!

Sr. Poe...

O que está acontecendo? Você deve saber!

Não... meu marido estará aqui em breve.

Vá embora daqui! Saia ou eu grito, entendeu?

Elsie!

Elsie!

Elsie!

Não...

Não!

Não!

Não!

Vocês não me assustam! Não me assustam!

Porque vocês estão todos mortos! E eu estou vivo!

Eu estou vivo!

Não pode fugir, Alan.

Agora é sua vez, Foster.

Fuja, Alan! É seu sangue que eles querem!

Vá!

Elizabeth!

Elizabeth!

Elizabeth!

Não pode fugir, Alan!

Venha, Alan. Venha comigo, depressa!

Depressa!

É inútil fugir, Alan!

Elizabeth...

Elizabeth?

Onde você está?

Car... mus.

Vão embora! Vão embora daqui!

Está amanhecendo!

Está amanhecendo! O pesadelo acabou!

A hora mais escura é aquela antes do amanhecer.

É tarde demais para você, Alan.

Não pode fugir, Alan.

Seu destino está traçado! Não queremos renunciar à vida!

Sumam!

- Agora é sua vez, Foster. - Seu sangue agora é nosso.

Queremos o seu sangue, Alan.

O sangue é a vida.

Vão embora! Vão embora!

Está em nossas mãos agora.

Seu destino está traçado.

É a sua hora, Alan. Seu sangue será a nossa vida.

Queremos a sua fonte, Alan.

- Alan. - Você?

Sim, Alan! Talvez eu consiga salvá-lo!

Por que tudo isso está acontecendo? Não pode ser verdade!

Eles querem de você, o mesmo que eu deveria.

Eles querem sua vida, Alan.

Porque com o seu sangue...

eles ainda tem uma chance de reviver nesta noite dos mortos.

Venha, depressa!

Venha!

Elizabeth, não consigo acreditar!

Por que está me ajudando? Você está viva!

Estou fazendo isso porque te amo.

E por isso quero que retorne ao lado a mim negado.

Venha!

Depressa!

Fuja, Alan! Fuja!

Fuja antes que seja tarde demais!

Por favor, Alan! Vá! Vá!

Mas com você, Elizabeth!

Não, Alan! Não posso ir, me deixe! Está quase amanhecendo!

Sinto que estão vindo, Alan! Por favor!

- Sim. - Atrás dos portões estará livre!

Vá, não posso ir com você! Me deixe!

Por favor, Alan, me deixe! Vá!

Sim, mas com você, amor.

- Venha, venha! - Não, me deixe!

Eu estou morta, Alan! Estou morta!

Eu sinto que está viva, Elizabeth! Viva!

Não posso ir com você! Eu estou morta, Alan!

Para mim você está viva! Viva!

Não! Não me pegaram! Eu venci!

Vou embora! Vou embora! Eu venci!

Eu consegui, Sr. Poe!

Ele conseguiu!

Está nos esperando na frente de portão.

Alan!

Ninguém jamais sobreviveu à noite dos mortos.

Infelizmente, você perdeu a aposta, rapaz.

Providenciarei que ele seja enterrado no parque do castelo.

Você venceu, Poe. E conseguiu seu protagonista.

Sim.

Sim.

Mas quando eu escrever esta história...

Sim.

Mais uma vez, ninguém acreditará em mim.

Como sempre.

Agora, na escuridão eterna, ele conhecerá a verdade.

Você ficou por mim, Alan?

Sim, Elizabeth.

FIM

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