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Quem luta pode perder
Quem luta pode perder Mas quem não luta já perdeu
Explosão de cólera diante do gabinete do diretor.
vaias, insultos.
Há até quem tente forçar a entrada.
Onde estão as tuas promessas?
Os 1100 trabalhadores da Perrin Industrie, em Agen, acabam de ter a confirmação:
a fábrica, fornecedora de componentes automóveis,
fechará definitivamente.
sentem-se todos traídos.
A administração comprometera-se há dois anos a manter a atividade
a troco da eliminação de vários abonos
e à passagem a 40 horas de trabalho por semana sem aumento salarial.
Recebemos 35 horas, mas fazemos 40.
Há dois anos que trabalhamos como loucos e o resultado é este.
Os trabalhadores dizem-se revoltados.
Lembram também que a empresa, filial do grupo alemão Dimke,
teve o ano passado um lucro de 17 milhões de euros.
confrontado, o diretor da fábrica em Agen invoca uma quebra de competitividade.
O setor das componentes automóveis tornou-se hoje muito competitivo.
E a fábrica em Agen...
... infelizmente, chegou hoje ao limite da sua capacidade de competitividade.
Vá explicar isso! Explique às pessoas!
Fale-lhes da não competitividade da indústria.
O senhor fala-me de trabalhadores, eu não vou pedir...
Trabalhadores, não! Falo-lhe de 1100 pessoas! Explique-lhes!
Explique-lhes!
Não posso pedir-lhes que trabalhem 50 horas por 35!
Não, vá ouvi-los!
Explique-lhes como é que uma empresa que lucrou o ano passado 17 milhões...
Explique-lhes...
... que vão perder o emprego porque a fábrica não é suficientemente competitiva.
A nossa margem de lucro o ano passado foi de 3,8%.
Os objetivos do grupo em termos de margem são 7%.
Há um momento em que...
É impossível fazer balanços financeiros com margens destas!
Desculpem, mas há que entender que hoje
não há trabalhadores dum lado e do outro a administração.
Estamos todos no mesmo barco, entendem?
Se estamos todos no mesmo barco, Sr Borderie,
então nós estamos no convés inferior, com os ratos e a merda,
e vocês estão no superior! - Fale como deve ser, Sra Rover.
Falo como deve ser, não. Não pense que me acalma.
Alem disso, não vos pedimos piedade,
só pedimos que respeitem a vossa palavra, dada há dois anos.
Nós respeitámos a nossa, respeitem vocês a vossa.
Não é uma questão de piedade, Sra Rover,
é simplesmente uma questão de analisar os números.
Não é isso que vos peço e sim que cumpram a vossa palavra.
É simples.
Penso que há uma coisa em que todos concordamos,
é que lamentamos todos o encerramento da fábrica.
A realidade do mercado e extremamente dura,
nem vocês nem eu podemos fazer nada!
Aquilo que todos nós aqui estamos a ver
é que aprovemos ou não um acordo com a administração, o resultado é o mesmo.
O resultado é o mesmo! Sim, sim, sim!
É o mesmo, porque quando não vos dá jeito,
quando não vos dá jeito, acabou... acabou-se o acordo.
É a mesma coisa, não diga o contrário.
- Vai dar ao mesmo! - Não vai nada dar ao mesmo.
Não posso deixá-Io afirmar isso.
Nós oferecemos 5 horas de trabalho por semana nestes últimos dois anos.
Fizemos uns cálculos, não quero inventar.
Sabem quanto dá? Dá 470 horas em dois anos.
Nós somos 1100 operários. Certo?
Se contabilizarmos isto,
cada trabalhador deu 4600 euros a Perrin. Certo?
Sendo nós 1100 trabalhadores, chegamos ao seguinte montante:
5 milhões de euros.
Cinco milhões de euros em dois anos.
E isso é só o salário.
Se acrescentarmos a isso as cotizações...
... os encargos patronais com a segurança social,
acrescentamos-lhe 50% de encargos e chegamos a 8 milhões de euros. Certo?
Ainda não acabei!
Há também os subsídios.
Aqueles de que aceitámos prescindir, lembram-se?
Nós lembramo-nos, assinámos o acordo.
Foram 6 milhões de euros em subsídios. Certo?
Tudo somado dá 14 milhões de euros.
São 14 milhões de euros que os trabalhadores da Perrin
ofereceram à Perrin em dois anos. São os números.
Da forma como apresenta a coisa,
parece que esses 14 milhões de euros foram uma prenda
que serviu para enriquecer sei lá quem...
... a empresa ou o grupo...
Não foi nada disso.
Esses 14 milhões de euros não foram para o bolso de ninguém.
- Nem para os nossos. - Para que serviu esse acordo?
Serviu para nos tornarmos competitivos, para não fecharmos a fábrica há dois anos.
Então devíamos agradecer-vos isto só ter acontecido hoje? E isso?
Isto está a assumir contornos que não me parecem construtivos.
Acho que é pena, porque não há interesse em crispar a nossa relação.
Estamos conscientes de que as coisas não aconteceram como nós teríamos gostado,
é evidentemente uma desilusão, para não dizer pior.
Essa dor, acreditem...
... é algo que nós, na administração, sentimos tanto como vocês.
Não nos faça chorar!
Não se trata de vos fazer chorar, mas quero simplesmente lembrar...
... mas quero simplesmente lembrar que estamos todos ligados à empresa.
Mas há que enfrentar as coisas.
Não fazê-Io é entrar em negação, e isso não nos traz nada de positivo.
Mas quem é que está em negação?! Isto e inacreditável!
Quem está em negação?
As pessoas que tentam salvar o seu emprego,
ou são aqueles que se aproveitaram disso durante anos
e que embolsaram milhões de euros?
Quem é que está em negação? É incrível!
O que importa hoje é estarmos todos juntos aqui nesta mesa...
- Mas nós não estamos todos juntos! - ... para tentar encontrar...
- Não estamos todos juntos! -... medidas de acompanhamento...
Estamos no mesmo barco, Sr Amédéo.
Volto a repetir!
Falo do acordo que assinámos, do acordo que aprovámos todos.
- Não contesto isso. - Vocês comprometeram-se...
- Não contesto isso. - Sr Borderie!
Os senhores comprometeram-se...
... a proteger o nosso emprego não um ano, dois, três ou quatro...
... mas no mínimo, cinco anos! No mínimo, cinco anos!
E combinámos rever isso ao final dos cinco anos
para ver se mantínhamos ou não o acordo para continuar.
Os trabalhadores mantiveram a sua promessa.
E o senhor manteve a sua palavra?
Sim, o grupo manteve o compromisso de investimento.
Não, pergunto se o senhor cumpriu a sua palavra.
O que eu vejo é que assinámos um acordo.
Nós cumprimos a nossa promessa e vocês faltaram a vossa palavra.
O senhor faltou à sua palavra. O senhor e o grupo.
Já expus a situação o mais claramente possível.
As coisas são muitíssimo simples:
ou vocês mantêm a vossa palavra e nós conservamos o emprego,
ou vocês faltam a vossa palavra, não cumprem o acordo que aprovaram,
e nós continuamos a bloquear a produção e o stock.
E não há mais conversa.
A minha mãe quer trabalhar
1100 em luta
futuras filhas de desempregados
filhos da luta
EM GUERRA
Antes de apresentarmos o relatório, Sébastien...?
Qual o interesse em insultar a senhora dos recursos humanos?
Não há nenhum interesse,
mas dirigi-me a ela e ela não me respondeu.
E por isso insulta-la? Insultas quem não te responde?
Sinto-me insultado por ela me ignorar, por isso...
Ela não te responder não é um insulto.
Falei com ela e ela não respondeu. Ficou a perceber quem manda.
Mas tu não mandas, Sébastien.
Viu quem manda, faltou-me ao respeito!
Que queres dizer com isso de "viu quem manda"?
Quer dizer que viu quem manda, viu quem tem à frente.
Queres que nos tomem por idiotas? É isso que eles querem.
Mas somos uns idiotas, agora zangamo-nos todos!
- Se queres lutar, luta com inteligência. - A mim, ninguém pisa!
Então luta com inteligência, se não queres que te pisem!
- Ela não pode olhar as pessoas de alto! - Usa o cérebro!
- Eu uso! - Não insultes as pessoas!
Não insultes as pessoas.
Nós temos de conversar. Não insultamos. Isto não é um combate de rua.
A mim, ninguém pisa!
- Para de repetir isso! - Não nos pode olhar de cima!
- Ouve o Laurent! - Toma-nos por uns merdas!
A gente quer conversar, mas ela trata-nos como merda!
Estávamos a conversar, não nos tomou por merdas.
- Mas estás a defendê-Ia? - 'Tás parvo? Ouviste o que eu disse?
Ouve o que dissemos!
Não os insultamos, só te pedimos...
Não queremos passar por idiotas, é isso que eles querem.
Queremos entrar! Queremos entrar!
Luta de classes, esta tarde, junto à Câmara de Agen.
Perto de 400 trabalhadores da Perrin Industries
mobilizados para reclamar o apoio do poder político.
Ele não tem de nos procurar, estamos aqui.
Após duas semanas de bloqueio total da empresa,
os sindicatos exigem ao presidente da Câmara,
próximo do presidente da república,
a sua ajuda para obter um encontro no Eliseu.
Precisamos que o Presidente da República se envolva.
É a única forma de nos fazermos ouvir pela administração.
Ainda não houve reação do Eliseu ou do Governo,
mas o presidente da Câmara promete dar o recado.
O meu combate,
já o era enquanto deputado e mantém-se agora na Câmara,
é um combate pela salvaguarda do emprego na região e na nossa cidade.
Os trabalhadores fazem também pressão no plano judicial,
com uma queixa apresentada ao Tribunal da Relação.
Os trabalhadores foram ao tribunal
a solicitar que este exigisse que uma vez que o acordo não foi respeitado,
fosse declarada a suspensão da decisão de encerrar a empresa em Agen.
Vocês assinaram o acordo, respeitaram a vossa assinatura,
têm respeitado o vosso compromisso, mas eles não.
A Justiça está aqui hoje para dizer não ao encerramento da empresa.
Após 23 dias de conflito,
os sindicatos da fábrica Perrin Industrie de Agen serão recebidos daqui a minutos
pelo conselheiro social do Eliseu,
que foi pessoalmente encarregado pelo próprio chefe de Estado,
de tentar encontrar uma saída para esta crise
que surge após o anúncio brutal do encerramento total da fábrica de Agen,
pelo grupo alemão Dimke.
Solidariedade!
Solidariedade!
Primeiro, uma pequena nota.
A Constituição consagra a liberdade de empreender,
o que significa que um patrão pode abrir e fechar uma empresa.
Claro que de acordo com regras previstas pela lei.
Em segundo lugar, vocês falam em acordo.
Quando há um acordo, ele é celebrado por duas partes.
Vocês respeitaram a vossa assinatura,
o empregador respeitou-a durante algum tempo,
e hoje, ele considera que não consegue continuar a manter a empresa em França
e quebra esse acordo de manutenção de emprego.
Se bem entendo, nada funciona a nosso favor.
Nós assinámos um acordo há dois anos, a empresa recebeu ajudas do Estado,
em troca do seu compromisso de manter os empregos.
Mas a verdade é que o nosso emprego não foi garantido
e a empresa recebeu as ajudas na mesma.
Mais uma vez entendo, mas o Estado tem os seus limites.
Resumindo, ninguém pode ajudar-nos?
Somos um país democrático.
O presidente da República ou as forças políticas não intervêm na justiça,
e quando isso acontece, acho lamentável.
Por conseguinte, não podemos intervir junto dos juízes,
nem isso seria desejável, porque prezamos a independência da justiça.
Permite-me insistir, Sr Conselheiro,
no que acaba de dizer relativamente ao Estado.
A ação do Estado tem limites, mas penso que neste caso,
o Estado tem uma responsabilidade moral.
Sim, porque se ninguém impedir o encerramento da fábrica,
quais vão ser as consequências?
Mesmo que haja um excelente apoio social,
daqui a dois anos,
considerando o estado da nossa região,
já muito castigada no mercado de emprego,
haverá mais de 50%, no mínimo dos mínimos 50%,
de gente que terá de ter rendimento social mínimo.
Haverá famílias que se vão desagregar.
Toda a gente sabe isso.
É sempre assim, é escusado fingir que não.
Eu sei que não é fácil de compreender, dada a vossa situação,
mas uma intervenção demasiado forte por parte do Estado
também seria contraproducente,
pois corria-se o risco... Eu sei que não é fácil.
Eu compreendo que não é fácil ouvir isto na vossa situação.
Mas isso enviaria uma mensagem negativa aos investidores,
nomeadamente, aos estrangeiros,
de quem também precisamos para criar emprego no país. Isso convém a todos.
Eu compreendo a vossa situação e sei que não é fácil ouvi-Io,
mas não podemos fazer da situação particular da Perrin Industrie um caso global.
Nesta situação particular,
o Estado não pode substituir-se aos empregadores para resolver o caso.
Então concluímos que, por um lado, diz-me que não pode intervir junto dos tribunais,
por outro lado, diz-me que as empresas podem abrir e fechar quando o desejam,
podem pedir ajudas ao Estado,
assinar acordos connosco,
e mesmo assim, fechar a fábrica quando lhes dá jeito.
Portanto, de momento, concretamente,
aquilo que nós vemos, é de que momento, vocês não podem fazer nada por nós.
O que o Estado pode fazer é apoiar-vos, na voz do Presidente da República.
Antes de vir para aqui, conversei com o Sr Presidente,
que estava mais do que ao corrente da vossa situação,
há uma cimeira franco-alemã daqui a dois dias,
ele pedirá a palavra para afirmar que vocês têm razão sob o ponto de vista moral
e que a empresa e os patrões da Dimke devem reconsiderar o encerramento.
Isto não é uma intervenção junto dos tribu- nais, mas é um apoio moral muito forte.
Significa que o Estado está do vosso lado, que apoia as vossas iniciativas,
e isso é um elemento suplementar que dará força à vossa causa.
- Tudo bem? - Sim, e tu?
Temos tudo o que é preciso, mas não encontrei o champô que pediste.
Não faz mal.
Bom dia, Mãe.
Tudo bem?
Estás em alta-voz e o Pai está aqui.
Olá, Pai.
Veio cá, trouxe-me compras.
Olá, meu amor, estás bem?
Vai mais ou menos, isto nunca mais acaba.
Mudei-me e isso provocou-me contrações. Não o devia ter feito.
Os médicos disseram para não te mexeres.
Tens de fazer o que eles dizem.
Eu sei.
Não podes correr riscos, querida, ainda te faltam três meses.
Eu sei, mas eu sentia-me bem,
o Mathis não estava cá e era preciso comprar uma coisa e fui lá abaixo.
Como fazes, quando ele não está?
Quando ele não está...
Com as refeições e tudo isso...?
Ele deixa-me comida em Tupperwares e tenho um microondas no quarto.
Rostos fechados, operários em choque.
Para os trabalhadores da Perrin Industrie,
o anúncio da decisão do tribunal é um novo duro golpe.
Sei que esta decisão é dolorosa.
A Justiça indeferiu o pedido de anulação do encerramento da fabrica.
Uma decisão de imediato louvada pela direção.
É um alívio,
porque é uma decisão judicial que vai por uma vez no bom sentido.
E proporciona finalmente a possibilidade de poder dialogar serenamente com o pessoal
o que não tem sido possível desde há várias semanas,
para lhes apresentar o pacote de rescisão.
A direção promete indemnizações acima das previstas pela lei,
em complemento daquelas que a legislação prevê.
Uma proposta desde já rejeitada pelos sindicatos
que continuam a recusar a ideia do encerramento.
Mil e cem pessoas na rua!
São quatro mil pessoas, famílias inteiras!
Filhos, pais e mães! Onde está a palavra deles?
Será então este encerramento inevitável?
Para este economista,
o principal problema da fábrica de Agen não é a competitividade,
mas sim a rentabilidade.
A rentabilidade é o que os acionistas exigem das empresas que financiam.
Neste caso, podemos compreender ou inferir
que os acionistas não sentiram como atempada ou suficiente essa rentabilidade
de forma a manter aberta a fábrica,
daí a sua decisão de relocalizar a empresa.
Os sindicatos exigem uma reunião de urgên- cia com o diretor executivo do grupo Dimke,
proprietário da fábrica.
Quis vir falar convosco, como expliquei aos vossos delegados sindicais, porque...
Imagino o que foi para vocês
receber a decisão do tribunal,
que dá à empresa o direito de vos despedir.
Queria dizer-vos em primeiro lugar que continuam a ter o nosso apoio.
Têm o apoio do Presidente da República,
que continua a dizer que a empresa é viável
e portanto continua a apoiar-vos incondicionalmente.
E antes de vir aqui, falei com o Ministro do Trabalho,
que por seu turno, fez também os seus esforços
para tentar falar com o Sr Hauser, o diretor executivo do grupo,
da casa mãe, o patrão alemão,
para que ele vos receba e ouça.
E até hoje, o Sr Hauser não se dignou a responder.
Sr Grosset, apercebe-se do que nos diz?
Diz-nos que um diretor executivo tem mais poder do que um ministro.
- É isso que está a dizer? - Não, senhor.
Ele não tem mais poder que um ministro, tem é poderes diferentes.
Um diretor executivo manda na sua empresa
e um ministro tem o poder, em França, sobre os direitos do trabalho
e sobre o seu trabalho. Não são os mesmos poderes.
É mais do que isso!
Significa basicamente que um diretor executivo disse a um ministro:
"Vá-se lixar. Vá-se lixar! Eu faço o que quero".
É isso que quer dizer.
Compreendo a vossa ira e a vossa emoção,
mas o Ministro do Trabalho não tem poderes para convocar o patrão alemão.
O patrão alemão tem uma estratégia
que é de evitar meter-se diretamente nos assuntos franceses
e fazer com que os representantes do grupo empresa em França,
o Sr Borderie da Agen e o Sr Censier, da Perrin Industrie France,
façam o seu trabalho e aguentem o embate. - Desculpe, Sr Grosset.
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta que me ocorreu agora.
- Faça favor. - E direi sem floreados.
Afinal para que serve o senhor?
É natural que nos organizemos, é para isso que aqui estou.
Mas para que sirvo?
Sirvo para fazer a ligação... daí ter vindo aqui hoje...
... entre vocês, a Presidência da República e o Ministro do Trabalho,
e sirvo para fazer ouvir a vossa palavra.
E isso permite ao Presidente da República manter publicamente
o apoio às vossas iniciativas.
Sr Grosset, de acordo com o que está a explicar,
não houve até ao momento qualquer alteração.
Nós queremos uma coisa, que é ver o Sr Hauser,
porque é o único nesta situação que tem poder.
Compreendo o que dizem.
Mas terão percebido também que tanto o Sr Presidente que continua a apoiar-vos,
como o Sr Ministro do Trabalho que exige que o Sr Hauser vos receba,
dizem todos a mesma coisa.
Desculpe lá, Sr Grosset, mas a declaração do Sr Presidente não serviu para nada.
Devia ter peso e não tem;
devia ter invertido a relação de forças e não inverteu...
Isso seria como eu dizer-vos: o vosso movimento de nada serve,
pararem de trabalhar e bloquearem a mercadoria também não.
Servem para fazer pressão!
Portanto, como podem ver...
Como poderão compreender, podemos ter uma iniciativa comum,
vocês mobilizaram-se para o conflito laboral,
e nós desenvolvemos estratégias para assegurar que serão recebidos.
Continua a haver gente que diz...
... como o Sr Presidente, que a empresa é viável.
Só sabe dizer: "O Sr Presidente isto, o Sr Presidente aquilo..." Lamento.
O que eu vejo é que paramos de trabalhar há um mês
e estão todos a passar-nos a perna! - Espere lá...
Sr Amédéo, não. Desculpe lá...
Podíamos ter considerado a causa perdida, mas não foi essa a nossa posição.
Ao envolver-nos e ao assumirmos esta responsabilidade, definimo-nos.
Perante os outros e perante vocês.
Não lhe admito que diga isso.
Mas digo, porque vejo que o senhor não se apercebe do estado em que...
Sr Amédéo, apercebo-me, sim, foi essa a razão da minha vinda.
- Não se engane no adversário. - Não me engano.
Nós estamos convosco, para apoiar as vossas iniciativas.
E mais uma vez... Eu trago-vos o nosso apoio.
Se vocês não o querem, retiramo-nos.
Sim, vai ser possível.
Menina!
Temos um pedido a fazer, precisamos de cinco minutos.
Mantenha a calma. Telefone e diga que estamos aqui em baixo.
Queremos só fazer uma pergunta.
Cinco minutos.
Repito o que disse: o Sr Presidente está muito ocupado e não pode receber-vos.
Últimas notícias com Angélique Bouin.
Eles não desistem, nova ação espetacular esta manhã,
quando cerca de 200 a 250 trabalhadores da Perrin lndustrie invadiram o MEDEF,
a Associação Industrial, em Paris.
Em greve há 43 dias,
os trabalhadores de Agen exigem falar com o presidente da organização,
para que ele pressione o seu congénere alemão.
Pretendem que ele consiga convencer Martin Hauser,
diretor executivo da Dimke, a empresa-mãe, a sentar-se à mesa das negociações.
Peço-lhe que abandone o recinto.
Ela está a ligar!
Sim?
Menina...
- Diga que queremos pedir... - Assim não ouço.
- Deixe-a falar. - Espere.
Só queremos entregar um documento. Depois vamos embora.
Só lhe tomamos cinco minutos.
Ela está a falar com o presidente.
Está bem, está bem. Um momento. Muito bem.
Falei com a presidência. Vão receber-vos.
Desculpe, esperamos há 20 minutos, o que se passa?
O presidente já foi informado, tem de ter paciência.
Esperamos há 20 minutos, começa a ser ridículo!
Não pode telefonar?
Não pode telefonar? Não devem ter percebido o que queremos.
- Não faço telefonemas - Pode pedir às meninas?
- Já vos disseram que ele foi informado. - Mas já lá vão 20 minutos!
Mas já vos disseram que ele sabe, ele acabará por vir.
Acalmem-se! Acalmem-se!
Nada de provocações.
Para! Para!
Mantenham a calma!
Não provoquem!
Não foi isto que se combinou. Não é leal!
Ligue-lhe, isto vai descambar!
Eu acalmo-me, mas ligue-lhe.
É precisamente assim que começam os problemas.
Isto não está certo.
- Acalmem-se, por favor. - Não está certo.
Não é o presidente.
Bom dia.
Bom dia.
Vimos da parte do presidente.
Ele pediu-nos que recolhêssemos calmamente o vosso pedido
e de lho entregar pessoalmente, daí virmos ao vosso encontro.
O presidente não vem? Mandou-vos a vocês.
- Queremos falar com o presidente. - Compreendo, caro senhor,
mas viemos em sua representação, para ouvir o que têm a dizer-lhe.
Nós queremos ver o presidente.
Compreendo, mas é impossível, ele não está de momento.
Por favor!
Não recomecem! Por favor!
Nós vimos a agenda dele, ele às 11 h está aqui. Não pode dizer o contrário.
Não saímos daqui sem falar com ele.
A agenda sofreu alterações, há sempre imponderáveis.
Como disse o meu colega, é verdade: o presidente não está de momento.
- Não é má vontade, ele não está. - Esperem.
Nós queremos uma coisa muito simples:
queremos entregar este documento ao presidente da Associação Industrial
para que ele contacte o seu homólogo na Alemanha
para que ele ligue ao presidente da Dimke para que possamos encontrar-nos.
É isso que nós queremos.
Entregamos e partimos. E saímos daqui.
Esperem... Ele não está sempre a dizer que quer salvar o emprego em França?
Tem aqui uma bela ocasião para o fazer. Nós estamos aqui e ele pode fazê-Io.
Precisamente, nós viemos recolher os documentos...
Ouçam!
Por favor!
- Não vos damos os documentos. - Porquê?
Porque queremos entregar-lhes pessoalmente.
- Ele não está cá. - Está lá em cima.
Não nos tomem por imbecis! Ele está lá em cima!
Ninguém vos toma por imbecis.
Fizemos oito horas de viagem, 800 quilómetros...
Mais três horas, menos três... Não faz diferença, pois não?
Não muda nada, temos a nossa missão.
- Não saímos daqui. - É escusado esperarem, ele não está.
É idiota!
É idiota o que está a fazer. É estúpido! Estamos a perder tempo. É idiota.
Têm a nossa palavra, entregamos-lhe tão depressa quanto possível.
Pois, pois...
Diga-lhe que desça! Diga-lhe que desça!
Não estamos contra vocês. Mas ele não está.
Passou o dia fora e já não volta.
- A quem está ele a ligar? - Não sei.
Deve estar a ligar à secretária do presidente para ver onde é que ele está.
Tentamos fazer as coisas como deve ser.
Não dizemos o contrário.
Não sabemos mais do que vocês. Ele não está.
Ele nunca está, nunca estão. Quando que- remos falar aos dirigentes, nunca estão.
- Têm muito que fazer. - Claro.
Mais alto, não ouvimos aqui.
Senhoras e senhores, daremos conta da vossa visita...
Daremos conta da vossa visita... Por favor!
Informaremos o presidente da vossa visita, pois ele de momento não está.
Pedimos que partam tranquilamente, que abandonem o recinto, por favor.
Por favor.
- Não saímos daqui. - Saiam tranquilamente.
Desejamos-vos um bom dia.
Agradecemos desde já.
Não vamos sair daqui.
Não ouviu o que dissemos? Não saímos daqui!
É idiota! Completamente idiota!
Senhoras e senhores, recuem, por favor.
Aguardamos tranquilamente. Vamos manter a calma.
Usem os escudos.
Estamos à espera. Estamos tranquilos.
Acalmem-se.
Não somos nós!
Não somos nós!
Não somos nós!
Não somos nós!
Merda, o meu braço!
Convidei-vos esta manhã para esta reunião,
porque sinceramente, sempre o deixámos bem claro entre nós
e penso que isto não está a correr bem.
Vocês tiveram uma ronda de iniciativas esta semana,
acharam que seria interessante
invadir a sede da Associação Industrial Francesa.
Francamente...
O Estado e o Executivo continuam a apoiar-vos,
mas a imprensa transmitiu uma imagem desastrosa da vossa ação.
Não acontecia nada, tivemos de nos fazer ouvir.
Lamento, Sr Grosset.
Há medidas a tomar,
mas, lamento dizer-vos, mas aquilo foi apenas espalhafatoso.
Chame-lhe espalhafatoso, se quiser,
mas nós precisamos de ter um diálogo com um interlocutor credível.
E para já, não temos nenhum.
- Não há nenhum! - Ouça.
A Justiça pronunciou-se. Querem ignorar a decisão?
Justiça?
Acha que a Justiça foi justa?
Que a decisão foi justa?
Ouça, foi tomada uma decisão.
Foi tomada num novo contexto.
- Querem ignorar a decisão da Justiça? - Sr Conselheiro, permita-me intervir.
Ninguém está a ignorar a decisão da Justiça.
Só que os trabalhadores não querem ser considerados variáveis de ajustamento
dos lucros dos acionistas.
Que fique bem claro que eles não são peões que se podem descartar
consoante os interesses financeiros do grupo.
Desculpe. Ninguém pensa isso.
Eu convidei aqui os representantes da empresa em diferentes níveis;
proponho que eles se dirijam aos sindicatos.
O Sr Censier, que é o diretor executivo do grupo France-Perrin...
Portanto proponho que o senhor dialogue com os sindicatos
e que tentemos encontrar uma solução.
Faça favor, Sr Censier.
Começo por dizer que a direção e eu, em particular, vos ouvimos.
Mas vocês têm também de perceber que uma empresa não está isolada.
Ela deve evoluir num ambiente.
E acontece que o ambiente pode ser hostil.
E a fábrica de Agen está num ambiente hostil.
Não consegue fazer face à concorrência mundial.
É falso, é falso...
E por conseguinte, um grupo como o grupo Dimke tem de fechar a fábrica.
Desculpe, mas todos nós sabemos que a fábrica de Agen tem lucro.
Sustenta muitas famílias.
São 1100 famílias. Faz-lhes o quê? Mete-as na rua? São pessoas!
Nós trabalhamos todos para salvaguardar os empregos.
Quando nos levantamos de manhã,
eu, o Sr Borderie, o diretor executivo do grupo...
... nós não acordamos a pensar quantos empregos vamos eliminar.
Pelo contrário!
Sr Censier, alegra-nos saber que a sua prioridade é o emprego.
Mas o que eu queria que nos explicasse, se posso permitir-me...
- Diga. - Eu gostaria...
Gostava que nos explicasse como é possível
que a direção nos tenha dito quando assi- námos o acordo há dois anos, e antes até,
pois isto dura há uma eternidade,
que a empresa esteja em dificuldades. Explique-nos! Que dificuldades?
- Mas está com dificuldades! - Dizem vocês, não é a realidade.
Não! Eu vejo os números! Vejo os números...
Se quer números, eu dou-lhos.
Acontece que nós arranjámos o relatório dos vossos acionistas.
Os vossos acionistas... os acionistas do grupo...
- Não é os "vossos" acionistas... - Nossos é que não são!
Esperem... Não são meus, eu sou funcionário como vocês.
Vou continuar, se me permitir.
Leio que os vossos acionistas tiveram um aumento de mais de 25%
dos dividendos do ano anterior.
E não falo da remuneração do diretor executivo do grupo alemão, o Sr Hauser,
que aumentou 18%.
O que eleva o seu salário para 9 milhões por ano.
Sabe ou não o que são 9 milhões por ano?
São coisas muito diferentes, está a misturar tudo.
Fala da fábrica de Agen, fala dos acionistas,
fala da remuneração do Sr Hauser... - Não misturo nada tudo!
Quer queiramos quer não, a dada altura está tudo ligado, Sr Censier.
Sabe que o grupo Dimke tem variadas empresas, certo?
Há a fábrica de Agen e há outras.
Há empresas com bom desempenho, felizmente, e outras com um desempenho menos bom.
A fábrica de Agen põe em perigo todo o grupo!
Não é o grupo que corre perigo, somos nós, os trabalhadores!
Repare que são 25% a mais para os acionistas.
Os nossos especialistas disseram todos, e usarei o termo exato:
ninguém alcança...
... nenhum acionista da indústria terciária automóvel ganha isso.
Ninguém!
Sr Amédéo, já falámos disso.
Os especialistas dos sindicatos ilustram o que querem ilustrar.
Já não temos tempo para usar de má-fé.
Isto incomoda-vos porque os especialistas tocaram com o dedo na ferida!
Desculpem. O problema é sempre o mesmo.
A realidade é que para os acionistas os lucros nunca são suficientes.
- Nunca ganham dinheiro suficiente. - É isso.
E o que fazem para aumentar os lucros? É muito simples.
Fecham a fábrica de Agen
e transferem-na para a Roménia,
para uma fábrica do mesmo grupo
onde os trabalhadores recebem cinco vezes menos.
Faço-lhe uma pergunta, Sr Censier.
O que é de nós nesta história? O que vai ser de nós?
O que acontece aos trabalhadores?
- O que nos acontece? - Ouçam-nos.
Passamos o tempo a ouvir-vos.
Propusemos um pacote de rescisão. E ninguém quis olhar para ele.
Sr Censier, se me permite...
Desculpe, queria dizer uma coisa.
Não nos interessam os pacotes de rescisão. O que nós queremos é trabalhar.
Durante dois anos, fizemos um esforço e hoje descartam-nos como se fôssemos lixo.
Como é que as nossas famílias vão comer? Como vamos alimentar os nossos filhos?
Sabe muito bem que não há trabalho na região, não sabe?
Terão de se mudar para outra região.
O quê?!
Mudarmo-nos para outra região?! Mas ouviu o que ele disse?!
Ouviu o que disse?!
- Parvalhão! - E dizem que nos respeitam?!
Esperem!
- Ouviu o que ele disse ou não? - Ouvi. Ouvi.
Se ninguém gritar, é dez vezes melhor.
Por isso peço aos dois...
... que retirem o que disseram.
Eu posso retirar. Retiro.
Se vos choquei, peço que me desculpem.
Vamos continuar a reunião. Retomo o assunto da nossa reunião de hoje.
Houve uma decisão da Justiça.
Restam-nos dois meses.
Há propostas que não resultam.
Volto-me de novo para a empresa: o que decidiram vocês fazer?
Nós fizemos propostas.
Fizemo-Ias desde o início das negociações, nas conversas.
Construímo-Ias, tendo o cuidado de procurar propor decisões equilibradas,
sempre com o objetivo
de não nos focarmos exclusivamente na parte financeira,
mas propondo também medidas de acompanhamento que preparem o futuro.
Não de curto-prazo, mas em preparação das ações...
Podemos repetir indefinidamente os mesmos argumentos,
mas temos de reconhecer que isto está bloqueado.
E estando isto bloqueado,
será que o senhor consegue, enquanto representante da empresa,
reunir os trabalhadores e o diretor executivo do Grupo Dimke, o Sr Hauser?
- Há dois meses que o esperamos. - Pergunto-lhe.
O encerramento foi decidido de acordo com a lei francesa.
Ouça... Há a lei francesa,
há a decisão que foi feita, nós sabemos isso tudo.
Pergunto-lhe o seguinte:
vai ou não vai pegar no telefone para ligar ao Sr Hauser,
porque lhe digo, de forma muito solene:
hoje, quando nos reunimos,
se não houver um encontro, uma saída que retome o diálogo,
isto vai realmente descambar. Quer que isto descambe?
Estou absolutamente convencido
de que a retoma do trabalho é o preâmbulo da retoma das negociações.
Não vamos retomar o trabalho! Não retomaremos!
- Já percebi, Sr Amédéo. - Não retomaremos!
É claro? Estamo-nos nas tintas.
Já percebi.
Sr Borderie, ouça-me.
- A retoma... - Estamos num impasse.
Depende da possibilidade de um diálogo,
por isso pegue no telefone e mande chamar o Sr Hauser,
para que receba os trabalhadores.
E faço-lhe este pedido muito solenemente.
Temos 1130.
Aqui na caixa há 1130.
Entre cheques e notas.
"Olá, gente de Perrin, nós temos os mesmos Cretinos..."
Não conheço esta palavra.
"De todos nós em Sunderland para todos vocês em Agen."
Vou repetir: "temos aqui os mesmos buracos do cu."
"Eles estão em todo o lado. Partilhamos o vosso combate."
"Somos todos Perrin, mandamos a nossa coleta 354€."
"De todos nós em Sunderland para todos vocês em Agen."
Não desistam, camaradas E sem usar quaisquer pomadas
Enfiem bem o vosso punho No cu desses miseráveis
Amigos poetas...
Reconhecem-se?
"Estamos fartos de vocês, das vossas maneiras, da vossa violência."
"Há anos que chateiam os patrões'
"merecem bem o que vos aconteceu."
Vamos guardar essa!
Que nojo!
O quê?
- Mandaram-nos merda. - O quê?!
- A sério? - Merda.
Sim, que cheirete!
Que horror! Tira isso daqui!
Eu mostro-te.
Já me cheirou.
É verdade.
Não sei se vês bem, mas...
Que nojo!
Se o apanhasse, cagava-lhe em cima!
Cagava-lhe em cima.
- Que idade tem o mais velho? - Cinco.
- E o outro? - Dois e meio.
E é complicado.
Seja como for, há muito tempo que não nos entendemos.
- Porque isso faz-me... - Mas ele não te admira?
Não te diz... - Não.
Que isto é belo, tu bateres-te...
Não, ele só vê que agora tem de ser ele a gerir tudo e portanto...
Isso irrita-o.
O teu neto!
Está aqui!
A tua filha em ação...
O meu homem!!!
O meu outro homem...
O meu herói!
Podemos...?
Como sabem, tínhamos falado em reunir amanhã.
Mas eu e o Laurent decidimos adiantar a reunião.
Estão a surgir conversas de corredor que começam a ser perturbadoras,
portanto perguntamos diretamente ao Bruno:
é verdade que vocês falaram com a direção a propósito da indemnização?
Para começar, não fomos nós que pedimos,
foram eles que propuseram a reunião.
Não perguntei quem procurou quem, mas sim se te reuniste com eles.
Sim, não foi às escondidas, eu não fui sozinho.
Precisamente, foram falar com a direção sobre a indemnização, sem nos consultar.
O problema é esse.
Consultar-te porquê? Sabemos bem o que dirias.
Sim, diria o quê? Diria que... Tu sabes qual a minha reação.
Eu não viro a casaca, mal me acenam com um cheque.
Desculpa, mas nós não virámos a casaca.
É escusado estar com discursos grandiosos.
Não são discursos grandiosos.
Chama-se a isto virar a casaca.
Ir discutir indemnizações com a direção no momento em que estamos
equivale a dizeres que estás de acordo com o encerramento da fábrica.
Sim, sim! O problema é esse.
Quando as coisas bloqueiam, a certa altura há que mudar de estratégia.
Estamos num impasse há dois meses, estamos em luta há dois meses, certo?
E qual o resultado?
A direção francesa não alterou o seu discurso
e os nossos pedidos para dialogar com a direção alemã têm sido recusados.
Chega um ponto em que temos de parar de ser parvos.
- Há que parar de ser parvos. - Calma com as palavras.
Sinceramente, Olivier, o que esperavas?
Passaram-se dois meses, pensavas que eles iam ceder em duas semanas?
Agora sentem a pressão, começam a ceder
e vocês entregam-se?
- Estás a brincar?! - Eles não sentem pressão nenhuma.
- Claro que sentem! - Eles estão-se nas tintas.
- Não estão. - Estão!
Estão preocupados, porque perderam o acesso ao material e à fábrica.
E os clientes estão enervados, as enco- mendas não chegam e eles ligam-lhes.
São eles que sofrem a pressão!
E isto quer dizer que tudo o que fizemos nas últimas semanas não serviu para nada.
- Serviu, sim. - Não, não serviu!
A prova é que vocês estão prontos a ceder.
- Serviu para alguma coisa. - Para quê?
Serviu, no mínimo, para aumentar a indemnização.
Certo...!
E sabes que mais?
Então desde o início,
a vossa intenção foi bloquear a fábrica para aumentar a indemnização, é isso?
- Deixa-te disso. - Enquanto nós... deixo-me disso?!
Temos problemáticas diferentes: nós queremos conservar o trabalho.
Não é propriamente a mesma coisa.
- Há que encarar a realidade. - É isso que eu faço.
Há dois meses que estamos aqui. Há dois meses que nos batemos.
As pessoas estão absolutamente esgotadas. Reparaste?
- Reparei, como tu. - As pessoas estão nas últimas!
- Estão desesperadas. - Achas que eu não vejo isso?
Não vês, porque estás no teu mundo!
Com os teus preconceitos e o teu bando de fãs.
- Com o meu quê?! - Sim, o teu clube de fãs.
Mas que história é essa?!
Já que queres, falamos. Falemos do que se passou ultimamente.
Vamos à sede do MEDEF e o que acontece?
Somos agredidos pela polícia, escorraçados do edifício,
e acabámos todos por passar por arruaceiros.
E hoje... hoje...! O que se passa? Ouve o que te digo.
- Ouve! - Estou a ouvir!
- Na imprensa, na Internet...! - Sim, passámos por provocadores.
Passámos por provocadores.
Referem-se às imagens na televisão? Mas que culpa tenho eu?
- Passámos por provocadores! - O teu problema é a televisão?
- Passámos por provocadores. - Ouve, Cédric.
Ele estava lá, não quis reunir connosco e nós é que provocámos?
Ele não quis reunir connosco, certo.
Devíamos ter ido embora e arranjado outra estratégia.
- Como cãezinhos dóceis. - Assim passámos por idiotas.
- E quem passa agora por idiota? - Digo-te que passámos por idiotas.
Laurent, o Cedric tem razão. Sinceramente...
Baixa lá esse tom. Começas a irritar-me.
- Tu também começas a irritar-me! - Irritas-me!
- Irrita-me que tenhas cedido... - Estamos a explicar que as pessoas...
- Ouve bem! - Vai lamber o cu à direção!
Dás vontade de vomitar!
Estamos a tentar explicar-te que as pessoas estão no seu limite.
É o que o Bruno está a tentar explicar... E o Cédric também.
- Sabe qual é a proposta de indemnização? - Não, mas não me interessa.
Estamo-nos nas tintas.
Vocês estão-se nas tintas, mas os outros talvez não.
Eu gostava de saber.
Eram 17 mil a princípio.
Já vai em 25 mil.
E eu acho que devemos lutar por aumentar o valor para 30 mil,
40 mil, mais ainda! É por isso que devemos bater-nos.
- Para que te servem 40 mil? - O problema não é esse.
Prefiro partir com um cheque no bolso do que com as mãos a abanar.
Prefiro salvar os móveis a incendiar a minha casa!
Há famílias que me procuram
que nem têm dinheiro para a cantina dos miúdos este mês.
É por isso mesmo que nos batemos! Não percebes? Eu respondo-te!
Batemo-nos precisamente para pagar a merda da cantina!
Mas não por um ano ou dois, é para a pagar sempre.
- É por isso que nos batemos. - Tu estás-te nas tintas.
A tua filha é grande, já não tens despesas.
O que sabes tu da minha vida?
Comprei a parte da minha ex, da casa, tenho um empréstimo altíssimo!
Queres trocar de lugar comigo? Diz lá!
Queres trocar?
Armas-te em bom porque apareceste no noticiário?
Ouves as pessoas? Não! Tu não ouves ninguém!
- Sempre no teu mundo! - Eu ouço toda a gente!
Eu ouço! Eu ouço as pessoas!
- Não temos é a mesma opinião. - Posso...?
Deixem-no falar.
Lamento, é a primeira reunião em que participo.
Não tenho muito crédito, não estive nas precedentes,
sou administrativo, contrariamente a maioria de vocês,
logo, mais próximo da direção. O que se passa, esta divisão...
... isto de nos estarmos a desentender, é isso que a direção quer.
Eu estive presente há dois anos aquando da assinatura do acordo.
E o discurso da direção foi claro:
deem pouco flanco, aguardem que passe, os operários hão-de desentender-se.
Ganharam. É o que está a acontecer.
É o que eles querem. A estratégia deles é dividir-nos. Só têm esta, não têm outra.
Temos de nos manter unidos.
Quando uma empresa propõe um cheque chorudo, é porque sente a pressão.
Vocês sentem a pressão, mas a deles é maior.
E porquê? Os alemães pressionam-nos.
Ligam todos os dias para que resolvam rapidamente o problema.
Se eles aumentam o valor do cheque, como dizia o Laurent,
é por sentir a pressão, não devemos ceder, temos de nos manter unidos.
- Diz lá quanto ganhas. - Que interessa isso?
Não, vá lá, responde! Diz lá quanto ganhas!
- Não chateies! - Ele está no mesmo barco!
Fiz uma pergunta simples: quanto é que ele ganha.
- Que interessa saber quanto ganho? - Fiz uma simples pergunta!
- Ele está na mesma merda que nós. - Não está nada.
Eu tenho 25 anos de casa.
Ganho 1400 euros líquidos, tenho três filhos.
Como queres que me desenrasque? Quanto tempo vou aguentar-me?
Ele ganha três vezes mais do que eu!
Parem, parem!
Temos um problema de estratégia.
O Laurent e a Melanie expuseram a sua opinião, nós temos outra.
Quero perguntar diretamente ao Laurent:
quanto pesa o teu sindicato?
Só faltava esta...
"Quanto pesa o teu sindicato?"
- Já viste que pergunta tão estúpida?! - Sim, vi.
O importante é que o Sindicato Independente da Perrin Industries (SIPI)
que, eu e o Bruno e alguns de nós aqui representamos é o mais representativo.
O nosso ponto de vista deve ter mais peso do que os outros.
Mais representativo do que quê, Olivier?
Perante uma decisão importante tens de te aliar com outros sindicatos.
E francamente, no ponto em que estamos, queremos lá saber dos sindicatos!
Não podes dizer isso, Melanie. Não nos borrifamos para os sindicatos.
Batemo-nos para que as pessoas votem nas eleições profissionais!
Eu explico porquê! Quanto estivermos desempregados,
ninguém quererá saber quem pertence a este ou àquele sindicato!
Isso é verdade.
Não terá qualquer importância saber quem é mais ou menos representativo.
Só sei que há dois anos assinámos um acordo com a direção.
E eles traíram o acordo!
Fomos todos enganados. Todos juntos!
Por isso é todos juntos que temos de lutar! Todos juntos!
Porque se a fábrica fecha, acabou-se.
Tu nunca mais trabalharás.
Tu também não! Tu nunca mais trabalharás.
Que idade tens? Tens 55?
Vais fazer o quê?
Terás um ano de subsídio de reclassificação,
dois anos de subsídio de desemprego, mesmo assim penarás entretanto,
e depois vais ter o quê?
Cinco, seis, sete anos antes da reforma?!
O que tu vais fazer quando acordares de manhã, Bruno?
Vais fazer o quê?
Não há trabalho num raio de 50 km!
Há aqui gente que nunca mais vai trabalhar! É isso que têm de ouvir!
E tu vens falar-me da minha filha, da minha mulher...?!
Sabes que mais? A minha filha tem 21 anos.
A casa, vendo-a quando quiser.
E depois vou à pesca. Vou à pesca!
Lavo daí as minhas mãos.
Eu não me bato só por mim, bato-me por todos!
Para conservarmos o emprego.
Luto por um cheque, mas não uma indemnização!
Um cheque ao fim de todos os meses!
É por isso que eu luto! É por isso que devemos lutar todos juntos!
Temos de estar unidos!
Porque quando a fábrica fechar, acabou-se.
Ouçam bem a palavra:
acabou-se!
1100 em luta
Vai ser um sarilho mijar nisso!
Vamos fazer um jogo.
Temos de dizer, mas dizer depressa, não assim...
Eu vou dizer a frase devagarinho.
Depois vocês repetem depressa! Quem não conseguir, tem um castigo.
Ouçam:
nós-não-nos-des-so-Ia...
Merda!
Castigo!
Esperem!
Nós-não-nos-des-so-li-da-ri-za-re-mos!
Digam depressa, depressa!
Digam rápido, rápido!
Diz lá tu...
Vá lá!
Tu, diz lá!
E tu?
E tu?
Diz depressa!
Vá lá, malta!
Está bem.
Laurent!
Vem aí o Borderie e o SIPI.
Já te ligo.
Bom dia, senhoras e senhores.
Estou aqui esta manhã para pedir aos operários em greve,
um direito que lhes assiste...
Mas vim pedir que nos deixem aceder à fábrica e às oficinas.
Pedi a presença dum oficial de justiça que testemunha o que se passa.
- Que ideia foi esta? - Estamos fartos de não fazer nada!
Pedimos que deixem passar aqueles que querem retomar o trabalho.
Fora de questão.
- Que jogada é essa? - Deitam assim tudo a perder?
Mete-te na tua vida, só queremos que as pessoas tenham a liberdade de escolher.
Ela não tem de receber ordens tuas, sobretudo fazendo tu isto.
- Baixa o tom. - Não, não baixo.
É simples, ninguém entra aqui.
- Arriscamo-nos a quê? - A um despedimento com justa causa.
Queremos conservar o nosso emprego e despedem-nos com justa causa?
Sabem-no bem, é um entrave à liberdade de trabalhar. É um direito fundamental.
Queremos conservar o emprego e chama a isso entrave a liberdade de trabalhar?
Vocês não cumpriram o acordo,
se tivessem cumprido a vossa promessa, não estaríamos aqui, Sr Borderie.
Não aceito lições suas!
Nem deles! Não aceito lições vossas!
Como já explicámos,
arriscam-se a sanções pesadas, se continuarem assim.
Que sanções? Gostava bem de ver! Que sanções?!
Há uma decisão judicial.
Certo?
Portanto vai deixá-los passar,
é um direito fundamental dos operários que optaram por continuar a trabalhar.
É isso, ele que vá para casa.
Ele que vá para casa.
E que pare de se armar em herói.
Tu é que de herói não tens nada!
Chega, Melanie.
Sabes que mais? Vai fazer um broche ao teu Laurent.
Parem! Parem!
É a lei!
O respeito pela lei aplica-se a toda a gente.
Acabou-se!
A fábrica fechou! Percebes?
A fábrica fechou.
Acabou-se!
Estragaram tudo aquilo que construímos!
É só isso que eles querem, lá em cima!
Vamos morrer à fome e estamos aqui a discutir!
Eles ganharam!
Estão contentes? Estás contente? Eles ganharam!
- Não, não estou contente. - Sim, eles estão radiantes!
Deram-te uma pá para cavares a tua sepultura.
Deram-te uma pá para cavares a tua sepultura!
És parva ou quê?
Tu não! Tu não!
Desliga a máquina, Desliga a máquina.
Outro ali! Desliga a máquina!
Alguém que desligue aquela máquina!
Agen! Montceau! Solidariedade!
Agen! Montceau!
- Está desligada a tua máquina? - Sim, está.
Qual é a tua máquina?
- O sindicato assinalou presença. - As máquinas estão desligadas?
Explica-lhes, eles ainda não sabem.
Desligaram a máquina dele?
Laurent!
Eu desligo, eu desligo.
Agen! Montceau! Solidariedade!
Agen! Montceau! Solidariedade!
Agen! Montceau! Solidariedade!
Percorreram 500 km para vir até aqui, a Montceau-les-Mines.
Os grevistas da Perrin Industrie de Agen ocupam esta outra fábrica da empresa.
Uma demonstração de forças a quatro semanas do final das negociações,
para fazer pressão sobre a direção alemã do grupo.
Estamos com os trabalhadores que nos seguiram,
e os nossos colegas daqui ajudam-nos a fazer o cerco
e só sairemos daqui quando conseguirmos uma reunião com os alemães.
O diretor da fábrica reagiu de imediato.
No seu entender, a ocupação da fábrica só agrava a situação.
Penso que certas pessoas têm claramente uma vontade de agravar a situação
enquanto que a direção faz o que pode para sair deste impasse.
Os alemães não negociam com a faca na garganta.
Isso não serve de nada.
Eu fiz o que pude. Liguei-lhes e eles não querem encontrar-se convosco.
- Não posso fazer nada! - Mas tem poder?
- Não tenho o poder de... - Sim, sim!
Tem poder quando lhe convém.
- Tem poder? - Mas não para isto.
Acalmem-se, acalmem-se.
As ordens vêm da Alemanha.
O que lhe pedimos é que peça aos alemães que se sentem connosco à mesa.
- Só saímos daqui, quando eles vierem. - Não podemos impor-lhes nada!
- Não saímos daqui! - Não podemos impor-lhes nada!
- Não é assim que vão negociar! - Não temos nada a perder!
- Não negoceiem assim. - Não temos nada a perder.
Peço-vos que partam, esta ação é ilegal.
- Ligue mas é aos alemães! - Isto e propriedade privada!
A responsabilidade é sua.
Os trabalhadores que estão ali podem partir,
mas depois das 14 h ninguém entra.
Não entrará nenhum!
Nenhum trabalhador entrará aqui depois das 14 h.
- Isso não vai fazer avançar nada. - Seja.
Não vai fazer avançar nada.
Não têm o direito de estar aqui.
- Não temos nada a perder. - Está bem.
- Vocês estão a... - Queremos falar com os alemães.
Queremos falar com os alemães.
- Você que trate disso... - Vocês misturam tudo.
Queremos falar com os alemães! Queremos falar com os alemães!
Queremos falar com os alemães! Queremos falar com os alemães!
- Está a ouvir? Está a ouvir? - Queremos falar com os alemães!
Queremos falar com os alemães!
Sr Grosset...
O senhor pediu ao Sr Censier que ligasse aos alemães
para lhes pedir que viessem falar connosco. Sim ou não?
Não foi numa reunião obscura, foi em Paris.
Éramos 15 àquela mesa.
Foi o senhor que lhe pediu, o senhor estava lá.
Não foi feito nada! Ele não lhes telefonou.
Não fizeram nada, portanto digo-lhe:
acabou-se, perdemos a confiança. Acabou-se.
Ouça bem.
Ouça bem o que lhe digo.
Estamos hoje na fábrica e não saímos daqui.
Só sairemos daqui quando tivermos uma reunião com o raio dos alemães! Fui claro?
Um sinal pacificador?
Nós é que temos de mostrar um sinal pacificador?
Vocês só fazem merda há meses e nós e que temos de dar um sinal pacificador?
Espere... Mas vocês estão doidos?
A sua palavra...
Se eu fosse ordinário, dizia-lhe onde meter a sua palavra.
Já não acredito em si.
Só acredito em pessoas que mantêm a sua palavra.
Nem o Sr Borderie, nem o senhor, nem o...
Vá, Censier, mostra-nos o rabo Vá, Censier, mostra-nos o cu
Vá, Censier, mostra-nos o rabo Vá, Censier, mostra-nos o cu
Falei com o diretor do departamento mundial de recursos humanos da Dimke,
que falou pessoalmente com o Sr Hauser,
o que não foi nada fácil,
porque o Sr Hauser encontra-se de momento nos Estados Unidos
e com a diferença horária é complicado.
E o Sr Hauser está disposto a considerar
encontra r-se convosco
para conversar convosco, na condição que a Agen retome a produção.
Ele está disposto a considerar? Disposto a considerar uma solução, é isso?
O Sr Hauser está a gozar connosco!
Limito-me a comunicar o que me foi dito.
- Ele está a gozar connosco! - Comunico apenas o que me foi dito.
Pegue no seu telefone, vá ao seu gabinete e ligue ao Sr Hauser
e diga-lhe que enquanto ele não fizer uma declaração oficial
de que deseja encontrar-se connosco e falar connosco,
nós não sairemos daqui.
Eu não posso ir mais longe, já fiz o máximo.
Não pode ir mais longe? Nós também não podemos!
E como não podemos ir mais longe, vamos ficando por aqui.
Vamos ficando aqui. Nós também não podemos ir mais longe.
Além disso, temos o apoio do pessoal de Montceau.
Temos o apoio do pessoal de Montceau.
Precisamente, essa não será a melhor ação para os trabalhadores de Montceau.
- Não será a melhor ação. - Diga-lhes, diga-lhes!
Diga-lhes que não é a melhor coisa que fazem.
Aconselho aos trabalhadores de Montceau a retomar o seu trabalho.
Estão a criar dificuldades à empresa.
Agen! Montceau! Solidariedade!
Olhem que ele também vos despede!
Vai ter uma bela desculpa para fechar também esta fábrica!
- Espere, espere... - Pode fechar também esta fábrica!
Por favor...
Sr Grosset...
Não, não, eu falo como quiser. E digo-lhe...
Não sairemos daqui enquanto não tivermos uma data.
Uma data, um local e uma hora precisa para o encontro. Não sairemos daqui.
Há três meses que dão connosco em doidos!
Três meses!
Há três meses que dão connosco em doidos!
E que nos prometem coisas que depois não acontecem.
Eu explico-lhe: aqui em Montceau,
aqui o trabalho não continuará.
Há 200 colegas de Agen que vêm aí para nos ajudar a aguentar o cerco.
Quero lá saber que seja uma má opção! Não percebe? Não temos nada a perder!
Já não temos nada a perder, Sr Grosset! Nada!
Após numerosos telefonemas entre a Alemanha e os Estados Unidos,
pediram-me que vos dissesse
que o Sr Hauser vai reunir-se com os representantes sindicais
daqui a 8 dias, em Paris.
Deixem-no falar! Deixem-no falar!
Deixem-no falar!
Por favor...
Por favor, deixem-me acabar.
Estará também presente o conselheiro social do Palácio do Eliseu.
Todos juntos, todos juntos!
Sim! Sim!
Todos juntos, todos juntos!
Sim! Sim!
Todos juntos, todos juntos!
Sim! Sim!
Todos juntos! Todos juntos!
Obrigado por ter vindo.
Apresento-vos o Sr Barral, presidente do grupo Alcam.
Antes de lhe passar o microfone, quero dizer-vos duas coisas.
Conseguimos finalmente um encontro com o diretor executivo alemão.
Não quero ser desmancha-prazeres,
mas vamos ter com o tipo que sempre quis correr connosco.
Foi só o que conseguimos. Por favor.
É certamente uma vitória.
Mas é a vitória de uma etapa, é preciso ir mais longe.
Se queremos que o encontro com o diretor alemão tenha frutos interessantes,
temos de ir preparados, não podemos aparecer de mãos vazias.
Já compreendemos todos
que o diretor alemão não vai ceder facilmente.
Se chegamos e dizemos: "É uma vergonha despedir 1100 trabalhadores"
"dum dia para o outro,"
ele está-se borrifando, o problema não é dele.
Portanto é preciso chegar com propostas sólidas.
E hoje temos propostas sólidas.
Esta manhã, em reunião com os sindicatos,
conhecemos o Sr Barral,
que fez uma proposta de retoma da fábrica.
Vou já passar-lhe a palavra,
mas quero dizer-vos uma coisa também muito importante.
Esta manhã, falei pelo telefone com o conselheiro social do Eliseu,
da Presidência da República.
E ele disse-me, assegurou-me...
... que a proposta do Sr Barral, e passo a citá-Io...
"é arqui-viável".
Queria confessar-vos...
... porque também já bebi um pouco...
... foram três meses muito complicados.
Toda a gente sabe, todos têm a sua família,
tem sido muito fatigante a nível familiar,
ao nível da luta e tudo isso.
E quero confessar-vos que quis desistir muitas vezes...
Não! Sim!
Deixem-na falar!
É isso.
Esmoreci em dadas alturas, deixei de acreditar,
e queria agradecer ao Laurent porque nesses momentos ele foi...
Vou chorar, mas pronto.
Ele foi simplesmente...
Bravo, Laurent!
Senhores, por favor! Peço-vos que saiam da sala.
Por favor. Obrigado.
Por favor.
Obrigado.
Bom dia a todas e a todos.
Estão todos cientes da importância desta reunião.
Era exigida pelos trabalhadores há muito tempo.
Estamos numa situação que todos conhecem,
temos três semanas até à data final de discussão
e penso que é muito importante que hoje consigamos conversar
e desejo que cheguemos a uma conclusão.
É por isso que, para perder o mínimo tempo possível,
passo a palavra ao Sr Peeters
que é o diretor administrativo e financeiro do grupo Dimke. Faça favor.
Falo hoje em nome de uma pessoa, o Sr Hauser,
que é sincera e particularmente partidário
de um diálogo social qualitativo
que é uma tradição na Alemanha.
Ele está hoje diante de vós e alegra-se por este encontro ter sido possível.
Porque me parece haver aqui uma questão essencial, uma questão central,
uma questão que talvez nos púnhamos todos: a questão "porquê?"
Porquê este encerramento
que pode parecer a alguns de vocês injusto?
A outros de vocês, indecente.
Porquê?
A resposta a essa questão incontornável
não está no meu processo nem está nas nossas fábricas.
A resposta está no exterior das nossas fábricas.
A resposta tem um nome, tem um rosto: o mercado.
No interior do qual eu me bato, nós nos batemos,
todos os dias.
Trata-se de decisões muitíssimo difíceis de tomar.
São decisões que me tiram o sono.
Nós também temos dormido mal.
Muito bem, continuemos com a sua exposição.
Imagino e acredito que todos aqui dormem mal.
Mas pareceu-me importante colocar a questão à sua correta dimensão.
De explicar porquê,
antes de tentarmos olhar juntos na mesma direção, em busca de soluções de futuro.
E passo a palavra ao Sr Hauser.
Obrigado, Sr Peeters.
Renovo os bons dias a todas e a todos.
Estou muito contente por estar aqui convosco,
estou contente por ter a oportunidade de dialogar convosco.
Há um pormenor que talvez não conheçam, sinto-me muito ligado a França.
A minha mãe é francesa,
sempre que tenho algum tempo, vou a Camargue, onde tenho uma casa,
e mantenho um relacionamento privilegiado com este lindo país.
Essa foi aliás uma das razões, entre outras,
que me levou a fazer questão que o grupo Dimke,
que tenho a sorte, a honra e a incumbência de presidir,
investisse nas duas fábricas do grupo Perrin Industrie,
especificamente, em Montceau-Les-Mines e Agen.
Dito isto, enquanto dirigente da empresa,
cabe-me ter uma visão global das coisas.
E nenhum dos presentes pode negar
que estamos confrontados com graves dificuldades,
uma competitividade que prejudicou muito a fábrica de Agen
e que levou à absoluta necessidade de a encerrar.
Se me permite, Sr Hauser, nós não partilhamos essa análise.
E tentámos em vão fazê-Io ouvir a nossa mensagem.
Eu ouvi aquilo que me disseram,
mas, mais uma vez, sabe, tal como eu e todos os presentes,
que a justiça francesa não partilhou dos argumentos
que vocês desenvolveram com os traba- lhadores desde o início deste assunto.
O encerramento da fábrica de Agen foi validada pela justiça francesa.
E a senhora é jurista, por isso estou confiante de que vai respeitar a lei.
É verdade, mas trata-se aqui de diálogo social
e o diálogo social não se faz nos tribunais
e sim à mesa das negociações, entre a direção e os trabalhadores.
É para isso que aqui estamos.
E o dialogo social, se não me engano, é algo que os alemães valorizam muito.
O que nós queremos é que este encerramento definitivo e brutal...
Na verdade, neste enquadramento, o que pretende o grupo Dimke?
Ele não pretende proteger os seus trabalhadores.
Lamento, mas não é isso que pretende.
Pretende sim proteger os lucros dos seus acionistas.
Permite-me intervir,
porque isso que disse é uma interpretação dos números.
Não assenta de maneira nenhuma em dados objetivos.
É interessante ouvir os vossos pontos de vista diferentes sobre a globalização,
mas gostava que debatêssemos o assunto que todos sabem ser a nossa urgência.
Tanto mais que...
... há um interessado...
... uma empresa, a Alcam, cujo diretor geral é o Sr Barral.
E o Estado apoia essa iniciativa,
corajosa, mas uma iniciativa sustentável, validada e apoiada por quem...?
Pelos especialistas da Banca Pública de Investimentos.
Portanto penso que nos encontramos aqui numa situação diferente,
e a partir deste momento, volto-me para a empresa...
Quais são as vossas propostas? Pois é esse o tema desta reunião.
Acreditem que analisámos com muita atenção o projeto da Alcam.
Podem estar certos disso.
Trata-se de uma proposta fundamentada, muito pormenorizada,
no entanto consideramos que a abordagem estratégica da Alcam
decorre mais de uma utopia do que dum realismo que...
... do que dum realismo que corresponda às exigências do mercado atual.
- Pode explicar melhor? - Claro.
A proposta de retoma feita pela Alcam
não comporta nenhum elemento sério que permita garantir...
Deixem-me terminar.
Que permita garantir a viabilidade do projeto.
- Na realidade... Deixe-me acabar. - Deixo-a acabar, mas já percebi.
Na verdade, o projeto assenta
em hipóteses económicas, financeiras e estratégicas completamente erróneas.
Está a dizer o quê? Que o grupo Dimke não quer vender à Alcam? É isso?
- Aquilo que eu disse... - É isso que quer dizer?
... de forma extremamente clara, Sr Amédéo, aquilo que eu digo,
é que o projeto hoje não interessa a ninguém.
Porquê?
Não interessa a ninguém porque assenta em... Ele cria ilusões.
Acha mais interessante para um operário estar desempregado do que trabalhar?
- E por isso "não interessa a ninguém"? - Não, a questão não é essa.
- Sim, é a questão. - A questão...
A questão não é essa.
A verdadeira questão é se a retoma pode ser viável.
A questão é que... os especialistas do Estado...
Os especialistas do Estado...
... eles pensam, e dizem, que o projeto é ultra válido.
Não são os nossos especialistas.
A senhora diz que eles dizem o que queremos ouvir,
são os especialistas do Estado, e dizem que é válido.
Se o Sr Hauser e os alemães acham que a fábrica não é viável,
lamento imenso.
Mas deixem ao menos às outras pessoas o consolo de pensar o contrário
e de tentar salvar uma região que vai morrer.
É isso que exigimos, é por isso que estamos aqui. Não é por mais nada!
Nós colocamo-nos unicamente sob o ponto de vista do Direito.
E a lei francesa impõe uma exigência ao grupo
que é de encontrar um cessionário. É verdade.
Mas a lei francesa não impõe à Dimke que venda a quem quer comprar.
A única obrigação do grupo Dimke é encontrar um cessionário,
mas cabe à Dimke apreciar o projeto industrial que lhe propõem.
No interesse dos acionistas, mas também no dos trabalhadores.
E porque é que o grupo Dimke não quer vender à Alcam?
Porque se o projeto funcionar, o que vai acontecer?
Eles vão ter um concorrente direto no mercado.
E é precisamente isso que eles não querem! É essa a verdade!
Essa é a sua análise, eu e a minha colega temos outra.
Não é a nossa análise.
Eu gostaria de ouvir da boca do Sr Hauser, que aqui está,
gostaria de ouvi-Io dizer que não quer vender
porque se o projeto vingar, ele terá um concorrente direto no mercado.
É isso que eu quero que o Sr Hauser admita.
Peço que, se possível, mantenham o civismo, dadas as questões.
Em que é que a discussão não é cívica?
- Estamos todos compostos. - A discussão é civilizada.
Mas eu quero que o Sr Hauser nos diga qual a verdadeira razão
que o leva a não querer vender à Alcam.
Quer que lha dê, Sr Hauser? Quer que lha dê?
Eu dou-lha!
Eu dou-lha!
Não quer vender à Alcam, porque se está nas tintas para o nosso emprego!
Só lhe interessa o seu balanço, os seus acionistas,
e encher ainda mais os vossos bolsos. É isso que lhe interessa!
Sou obrigado a pedir-lhe que não recorra aos insultos pessoais.
Eu não o insultei.
Já respondemos às outras questões.
Sr Hauser, por favor. O Sr Amédéo não o insultou.
O que ele disse foi o que se passa nas suas empresas.
Em Inglaterra, em Espanha e mesmo na Alemanha,
três fábricas que receberam subsídios fecharam em oito anos.
E ao longo desse tempo, as ações da Dimke subiram 38%.
E sabe muito bem que eu tenho razão.
Porque, caso contrário, não teria nenhuma razão para não vender.
Tem uma razão para não vender? Tem alguma?
Sr Amédéo, vejo que é muito estratégico,
daria um excelente empresário.
Está a ser irónico... Muito bem, se nos pomos com ironias...
Eu não me armo em espertinho.
A minha vantagem sobre si
é que eu tenho o apoio de centenas de trabalhadores
e que confiam em mim para lhes recuperar o trabalho.
É isso que eu tenho. O senhor não tem nada.
Sr Amédéo, não se trata apenas de centenas de trabalhadores,
trata-se de 140 mil trabalhadores do grupo Dimke, em todo o mundo.
- São 140 mil empregados... - Pelos quais sou responsável.
E está-se nas tintas para eles!
Eu falo de centenas que o senhor vai matar à fome!
É disso que lhe falo!
Recusar-se a avaliar a realidade deste mercado
equivale na realidade a querer outro mundo, a viver noutro mundo.
Não me levem a mal, mas eu vivo no mundo que me rodeia.
No nosso mundo.
E aplico as regras desse mundo.
- Mas Sr Hauser... - Deixe-me acabar.
Na sua torre de cristal, talvez não o tenham informado porque estamos aqui.
Eu informo-o, talvez não saiba.
Pensa que estamos aqui para lhe pedir dinheiro?
Queremos Ia saber do seu dinheiro! Queremos é trabalhar!
O senhor tem o seu trabalho. O senhor trabalha.
O senhor também, ele tem um emprego. Vocês gostam de trabalhar?
Sabe-vos bem acordar e ir trabalhar! Nós queremos o mesmo!
Só pedimos isso! Sobretudo quando temos uma fábrica que dá dinheiro!
- Deixe-me responder. - Insultei-o? Disse algum palavrão?
Não há cessionário, eles não querem! Eles não querem vender!
Eles manipularam-nos desde o princípio! Estamos mortos!
Os trabalhadores revoltados contra a direção da fábrica,
mas também contra a maioria dos sindicatos da empresa
que aceitaram a última proposta de indemnizações.
consequência: os 1100 postos na empresa serão suprimidos.
O diretor executivo do grupo foi colhido à saída da reunião.
Os trabalhadores furiosos multiplicaram os insultos.
Houve até quem tentasse esbofeteá-lo.
Uma vez no exterior, protegido pelo seu guarda-costas,
foi projetado para dentro do carro em plena onda de violência.
Gritos. Pancadas.
O carro estava cercado por cerca de uma centena de trabalhadores da Perrin Industria.
Portas bloqueadas, pontapés
e lixo no para-brisas.
Chegaram a virar o carro.
Os pontapés retomaram, sem interrupção,
enquanto o diretor, o motorista e dois guarda-costas continuavam no interior.
Foi necessária a intervenção de alguns agentes de segurança
e de alguns sindicalistas
para tirar dali Martin Hauser.
visivelmente ferido, com sangue no rosto e atordoado.
Levou longos segundos a levantar-se.
Cenas violentas que chocam até o Estado.
compreendemos o desespero e a cólera dos trabalhadores,
mas não aceitamos a violência, o espancamento e a agressão.
Assim, o Presidente da República e o Ministro do Trabalho
retiram-se de todas as negociações e de todas as discussões neste caso.
Esta firmeza é também exercida pela direção da Dimke,
os treze trabalhadores que pactuaram com esta violência
já foram despedidos sem direito a indemnização.
E a empresa descarta qualquer discussão para melhorar o plano social.
Estamos mesmo na merda.
E se estamos na merda,
é porque há uma mão-cheia de imbecis, há que chamá-los pelo seu nome...
Os parvos e idiotas que decidiram armar-se em extremistas.
Nós, eu, o Bruno e o Cédric, há semanas e semanas
que dizíamos que a direção não cederia um milímetro,
mas eles continuaram a marrar, com as suas ideias,
e em consequência, isto é tudo culpa deles.
É acima de tudo a responsabilidade do Laurent.
Lamento imenso.
A responsabilidade é dele.
Há semanas que ele conduz as pessoas com as suas más escolhas.
Há semanas que incita os seus partidários.
Este resultado era de esperar! Não podemos admirar-nos.
Aqueles que vão ser despedidos...
Podem agradecer aos colegas.
Vão-se embora de mãos a abanar!
Não é com um cheque de 25 mil, mas partem de mãos a abanar!
Pior ainda!
É que se eles mantiverem a queixa, vocês ainda poderão ser presos!
Podíamos ter recebido 30 ou 40 mil!
E agora recebemos todos 25 mil por causa da vossa estupidez!
Por causa da vossa estupidez!
Já recuperaste os tomates? Já estás mais descontraído?
Nós não somos como vocês, não preci- samos que alguém nos diga o que fazer.
Temos as nossas convicções.
Parem com isso! O Laurent nunca nos pediu nada!
Descontrai-te.
Descontrai-te, rapaz.
O Laurent defende os interesses de todos nós desde o princípio.
Os teus, os meus, os vossos também.
- Interessa-te ser despedido com justa causa? - Isso não tem nada que ver.
- Claro que tem! - Que vos interessa o que nos acontece?
Interessem-se mas é com a merda do vosso cheque!
Vocês gostam de linchar! Estão radiantes.
As imagens repetem-se, é preciso compreendê-Io.
Com aquilo que aconteceu, estamos todos na merda.
Estamos todos na merda agora!
Vocês! Nós! Toda a gente!
Os vossos amigos também!
- Os vossos amigos também! - Viram as imagens?
Já pensaram nisso?
Viram as imagens?
Estão sempre a passar na Internet, na televisão, nos jornais...
Estão sempre a passá-Ias! Ininterruptamente.
Acham que a direção vai poder negociar agora, com esta situação?
Acabou-se, o Cédric já disse.
Podíamos ter arrancado 40 mil euros.
Podíamos ter recebido 40 mil, vamos sair com migalhas.
Já tinham feito aquela cena no MEDEF.
E agora, com o que se passou, acabou-se.
Mas ficaram muito contentes quando o Laurent nos levou a todos ao Eliseu!
- Não estamos a falar disso! - Ficaram contentes!
O que vamos fazer com aquelas imagens?
Com aquelas imagens?! O que fazemos?
- Fazemos o quê?! - Têm a memória curta.
Falamos do que acaba de acontecer, não temos de voltar sempre ao princípio.
Cédric, é claro que quando nos deitamos aos pés na direção não há nada a temer,
não corremos riscos. - Começas a irritar-me!
- És mesmo parva, isso irrita-me! - Vai à merda! Vai-te foder!
Passas o tempo nisso!
- Passo o tempo nisso porque tenho razão! - Começas mesmo a chatear-me!
Cala mas é a boca, isto começa a chatear-me!
- Cala tu a boca! - É sempre a mesma coisa!
- Não tens tomates! - Sempre com a mesma conversa!
- Não falas assim à Mélanie! - Larga-me!
Para! Para!
Vocês são uns idiotas!
Para!
Para, já chega.
Para!
Para!
Quero falar! Quero dizer uma coisa.
Quero dizer uma coisa.
Deixem falar o Laurent.
- Quero dizer uma coisa. - Não tens nada a dizer.
Deixem-no falar.
Tenho de falar, porque estão a falar de mim há dez minutos,
e não quero ser arrastado para a lama. Só peço que me deixem responder.
Deixem o Laurent responder.
Deixamos o Laurent falar e ele depois que se vá embora!
É isso. É sempre bom ser claro. Eu falo e depois vou-me embora.
Já viste como tu és?
Não vou alongar-me.
É evidente que nenhum de nós
queria ir àquela reunião para deixar que a coisa se degenerasse.
Nem eu, nem a Mélanie, nem o Teddy,
nem o Seb... Ninguém. E o Michel também não, ninguém.
Não te vais armar em vítima?!
Não me vou armar em vítima.
Deixem-no falar.
E para de dar lições, Giles!
Quando a pessoa diz uma coisa à frente e outra atrás...
- Para de dar lições. - Vai à merda!
Nós também vos mandamos à merda!
Tudo bem, manda-me à merda, não há problema.
Não foste assim tão forte diante dos patrões e dos chuis!
Ninguém tinha a intenção...
Ninguém queria que aquilo degenerasse.
Fomos para a reunião super confiantes e toda a gente sabe isso.
Mas pronto...
Não começamos o dia a querer que aquilo acabasse assim.
- Mas derrapou, pronto. - Sim, derrapou.
Foi mais do que uma derrapagem, vê se aterras!
Se nos tivéssemos mantido unidos, isto podia não ter acontecido.
- Também é preciso ouvirem isso! - Agora a culpa é nossa?
Se nos tivéssemos mantido unidos, talvez isto não tivesse acontecido.
Para! A culpa é nossa?!
Não te preocupes, fica calmo, eu assumo a culpa toda.
Só quero dizer uma coisa...
Quero dizer uma coisa...
... a todos aqueles que foram discutir o cheque com a direção.
Comprometemo-nos a ficar unidos, a impedir que o grupo fechasse, a fábrica,
combinámos que a ideia era conservar o trabalho.
Pois eu digo-vos uma coisa. O nosso adversário...
Eles nem sempre estão de acordo, são como nós. Também discutem.
Mas quando se trata de defender os seus interesses, eles são assim.
São unidos. Não se largam! Sabem defender o dinheiro deles.
Sabem defender o dinheiro deles. E querem que vos diga uma coisa?
Perante adversários como vocês, eles estão tranquilos.
E durante muito tempo.
Estás bem, querida?
Olá, Laurent.
- Estás bem? - Sim.
Olha o Avô!
Deixa-me pousar isto.
Olá!
Olá...
É incrível pensar que saiu de ti!
- Queres pegar-lhe? - Sim.
Vai ao Avô.
É tão querido!
Está descontraído.
No colo do Avô...
É parecido contigo.
Era o que estávamos a dizer, é parecidíssimo com a Emma.
"Perdemos tudo, parvo"
Ele foi a figura emblemática da luta dos trabalhadores da Perrin Industria.
Esta manhã, Laurent Amédéo pôs fim aos seus dias.
Imolou-se pelo fogo num local muito simbólico,
diante da sede do grupo Dimke, na Alemanha.
Uma morte violenta que a direção alemã se recusa a comentar.
No entanto, o grupo reagiu,
renunciou ao despedimento com justa causa de treze trabalhadores,
na sequência dos incidentes da semana passada
e anunciou igualmente a retoma das negociações com os sindicatos.
Realização
Argumento
Música original
Produção
Tradução SARA DAVID LOPES
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