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Portanto, é você.
A cabeça por trás do Sangue Azul.
O Enzo não precisa da minha cabeça.
Mas precisa da droga que lhe dá.
A Camorra... Fomos nós que a inventámos.
Como pôde pensar que alguém de Secondigliano podia vir cá
e ficar com as nossas zonas?
Em primeiro lugar, já não sou de Secondigliano.
Em segundo lugar, as vossas zonas já são nossas.
E se já não é de Secondigliano,
quem é agora?
Uma pessoa que quer fazer negócios com justiça.
De que justiça está a falar?
Roubou a droga do Santo.
e não quer ver mais mortos, tem de restituir o Sangue Azul.
Aqui ninguém roubou nada. O Santo arrependeu-se.
Não podemos manter a família de um traidor
e deixá-lo comandar Forcella.
Mas até dentro da sua casa tem arrependidos.
Ou não?
Acho que essa regra de merda já não resulta.
O que acontece...
... se as coisas correrem como diz?
Vai perceber que o Sangue Azul, ao contrário de si,
é uma pessoa que paga o que está certo.
GOMORRA
Juraste que a merda do teu marido já não existia para ti.
E é verdade, papá.
Tu sabes.
Pensava que sabia.
Mas só porque me fizeste acreditar.
Agora sei que não é verdade.
O pai dele morreu.
Quanto mais cedo ele perceber isso, melhor é para todos.
Mas, papá, não é o que tu pensas.
- Amor? - Gennaro?
- Como estás? - Mal!
Ele percebeu tudo.
- Tens a certeza? - Sim, tenho.
- Gennaro... - Diz.
Tinhas razão quando disseste que ele era um problema para resolver.
Tens de fazê-lo depressa.
O Stregone aceitou.
Isto é água que não mata a sede, Ciro.
Se queres ver o teu filho crescer, tens de fazer o que está certo.
Para chegares aonde queres é preciso tempo.
O tempo para ti não é um problema.
Para mim é.
Estou disposto a dividir contigo toda a Maddalena.
Mas tens de deixar a Forcella para ele.
Ruggero...
Não temos escolha, Edoardo.
Ou cedemos ou temos guerra.
E uma guerra aberta sai-nos muito mais caro.
Forcella é nossa!
Com todo o respeito, Enzo, assim o Ciro meteu-nos no sistema.
- E então? E se nos meteu? - Sempre fomos contra o sistema.
Eu não tenho tanta soberba, Ronni.
Para mim, estar no sistema é uma coisa boa.
Chegámos aqui graças ao Ciro di Marzio.
Ele ensinou-nos tudo, ele deu-nos armas.
Todos vocês o sabem!
Eu dei a minha palavra.
Nós queríamos o bairro. Agora só temos de tomá-lo!
Toma isto. Fica atento.
Aqui está. Fique bem.
Vamos ter com o tio, mãe?
Para quê descer? Daqui vê-se tudo na mesma.
Vá lá!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
Sangue Azul! Sangue Azul! Sangue Azul!
- Espera, já venho. - Despacha-te.
- Olá, Carmela. - Olá.
Conseguiste.
Conseguiste ter tudo o que o pai nunca conseguiu.
Agora todos no bairro gostam de ti, viste?
Mas ninguém é intocável.
É neste momento que tens de estar ainda mais atento.
- O que queres dizer? - Agora sentes-te como o Santo.
Mas o mundo mudou, Enzo.
Antes o respeito estava acima de tudo.
A palavra tinha valor.
Hoje todos se traem. Até um irmão te pode trair.
- Os meus amigos são diferentes. - Mas tens de estar sempre atento.
Estás comigo?
Estou contigo.
Mas tens de me prometer uma coisa.
Não metas o Cosimino nisso.
Não te preocupes, Carmela.
O primeiro que o meter na rua, corto-lhe a cara.
Boa noite, Sangue Azul.
Cosimo?
Cosimo? Vens comigo?
Compro-te os ténis novos. Queres?
O que é que tens?
Todos os rapazes do bairro trabalham.
Mas a mim disseram-me que não. O Ronni, o Golia, o Bello e Buono...
Dizem que o tio não quer.
Nessa vida só se acaba morto ou preso.
Mas eu sou como o tio, a morte não me mete medo.
Ouve-me.
A morte não presta.
Tremes, falta-te ar, mijas-te.
E é um desperdício.
Mas tu estás orgulhosa do tio.
Quero que te orgulhes de mim.
O tio fê-lo para recuperarmos aquilo que era nosso.
E fê-lo por ti.
Porque a certa altura partirás e farás uma vida diferente da nossa.
E assim eu e o tio ficaremos orgulhosos de ti.
Então? Vens?
Está bem.
Porta-te bem. Vemo-nos depois.
E tem o telemóvel ligado.
- Bom dia. Quero experimentar este. - Claro.
- Os provadores estão aqui, à direita. - Está bem.
- Olá, rapazes. - Cosimino, estás aqui?
Vamos.
Esperem, rapazes.
- Olá, querido. Está tudo bem? - O que queres, mãe?
Ainda estás chateado?
- Fizeste os deveres? - Sim, sim.
Queres ver o vestido que comprei para o jantar do tio?
Mando-te uma fotografia.
Cosimino, despacha-te.
Cosimo? Onde estás?
Mãe? Mãe?!
O que é, mãe?!
O que aconteceu? Estás bem, mãe?
Diz.
O quê?
Os outros estão contigo,
mas dizem que responder já seria suicídio.
Tu achas o mesmo?
Sim.
Então, o que queres fazer?
Estou contigo até à morte, Enzo.
A paz acabou.
Só lhe posso garantir que a ordem não partiu de mim.
Nem de nenhum dos meus aliados.
Estamos à procura dos culpados, mas precisamos de tempo.
Não temos tempo.
Tem a minha palavra de honra.
Vou encontrar quem foi e entrego-o.
Não foi fácil fazer os meus aliados aceitarem a questão de Forcella.
Agora estão zangados.
Se o Sangue Azul responde, não posso pará-los.
Pense nisso.
E faça a sua escolha.
Achas mesmo que este macaquinho vai fazer tudo para parar o Enzo?
O Ciro di Marzio é tudo menos um macaquinho, Edoardo.
Eu aceito tudo, tu sabes. Tudo o que dizes, para mim, é lei.
Mas tenho de te perguntar uma coisa.
Se não fomos nós,
quem foi?
Lamento.
Já falámos.
Dizem que estão à procura dele. Mal o tenham, trazem-to.
Foi o merdas do Charmoso.
Não sabemos, Enzo.
O Stregone diz que precisa de algum tempo.
Nós demos cabo dele.
Ciro, pensa bem.
Com o acordo que fizemos, quem é que ficou sem Forcella?
E se acabar esse acordo, quem é que volta?
Estás envenenado.
Eu percebo-te.
Mas antes de fazeres seja o que for, Enzo,
tens de pensar.
Não preciso que me digam o que tenho de fazer.
Já o sei.
A Manuela chegou. Quer dizer-te algo importante.
Vá, diz-lhe.
A filha de uma amiga minha é colega da sobrinha do Charmoso.
Diz que no sábado é a comunhão, perto de Marechiaro.
- Não, não o fiz por dinheiro. - É pelo sorriso da Carmela.
A sua irmã era um anjo.
E do céu pede justiça.
Falei com o Stregone, Gennaro.
Diz que não foram os confederados.
Acredito nele.
Senão nunca teria tirado os seus rapazes de Forcella.
E nunca teria tocado na Carmela.
Eles sabiam.
Era a única coisa que podia irritar o Enzo.
Foste tu.
Como é que disseste? Nem em ti confiavas, só em mim.
Mataste a irmã do nosso aliado. Não foi isso que combinámos!
Tinhas de falar comigo.
Eu falaria com o Enzo. Porque é que não o fizeste?!
O tempo acabou, Ciro.
Tenho de recuperar a minha família.
Quem é o teu irmão? Eu ou o Enzo?
Explica-me de que lado estás.
Eu já fiz a minha escolha.
E não volto atrás.
O Enzo pensa que foi o Charmoso.
E assim continuará a pensar.
Estão a chegar.
Está cheio de homens armados.
Enzo!
Enzo!
- Isto tem de ser confidencial. - Já me conhece.
Obrigado.
Vamos, vamos.
Fizeram um grande disparate.
Não é altura para falar nisso.
O que queres dizer? Que tenho de me calar?!
Se há aqui alguém que não deve falar és tu! Silêncio!
Achas-te muito forte, é? Alguém das ruas...
Eu vi o que foste capaz de fazer.
Devias comer merda!
Quando voltares a querer fazer algo, tens de me pedir permissão.
Espera aqui.
- Procurem por todo o lado. - Eu trato disso.
Quem é?
Uma senhora quer falar consigo.
- E quem é? - Não a conheço.
Está sozinha e não vem armada.
- Temos a certeza? - Sim, senhor.
Espera aqui. Não te preocupes.
Boa noite. Por favor, por favor.
Obrigada.
Agora que o tenho à minha frente, percebo por que lhe chamam Charmoso.
Elogios de uma mulher bonita são sempre bem-vindos.
Mas eu, ao contrário de si, não sei quem é.
Annalisa Magliocca.
Mas o meu nome não importa.
O que importa é o nome de quem apoia o Sangue Azul.
Está a falar do Ciro di Marzio?
Estou a falar do Genny Savastano.
Podia tê-lo matado, mas não o fez.
E o Gennarino reergueu-se.
Está a tentar tramá-lo.
É por isso que estou aqui.
Achei que esta notícia podia ser importante.
Fiz bem?
Se for assim, isto pode ser o início de uma bela amizade.
E como saberá, tenho os meus amigos no coração.
Era o que eu esperava ouvir.
- Com licença, Don Edoardo. - Por favor.
Sou eu. Temos de falar.
Trouxeste-a?
Vamos.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Tradução e Legendagem JOSÉ GONÇALO SILVA RTP - Produção
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