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- Até ir ao barbeiro é um transtorno. - A quem o dizes.
Estes putos do beco são uns filhos da puta! Têm vigias em toda parte.
Primeiro atraiçoam-nos, depois caçam-nos!
- Devia ter dado cabo deles. - Tens toda a razão!
Espreita aí.
Está limpo.
Bom dia.
Há cá alguém?
Sasà!
Tudo bem?
Depressa!
Não percebemos como chegaram tão longe.
Talvez não devesses ficar aqui.
Eles avançam de dia para dia.
Toda a gente sabe onde estás.
Pai!
Anda acabar o jogo.
Eu já vou, vai andando e espera.
Não vou a lado nenhum.
O Don Pietro envia-vos cumprimentos.
Em vez de cumprimentos, queremos o ponto de venda.
Cada coisa a seu tempo.
Primeiro, livrem-se do Raffaele.
Mas sem estardalhaço. Há bófia por toda a parte.
- Senão, não conseguimos vender nada. - A bófia vai e vem, Mallamore.
Claro, mas ninguém compra quando eles andam aí
e nós precisamos de fregueses, percebem?
Ouvi dizer que tiveste um menino.
Parabéns.
Vamos.
Ele nasceu ontem... e os tipos já sabem o nome dele!
- Como devo entender isto, Cardillo? - Entende como um aviso.
Fizemos a escolha certa, descontrai.
O Mullato foi morto pelo seu próprio pessoal.
- Temos que ripostar! - Tem calma, Raffaele!
Tenho calma, o caralho, Ciro! Vamos esperar que nos matem a todos?
Temos que encontrar o Savastano, ele é que é o nosso problema!
Achas que não estamos a tentar, Zingarello?
Temos de manter a calma.
Estamos a comparar informações.
Se não formos cautelosos, seremos mortos.
Ou se não soubermos com quem estamos.
Sabem o que estou a ver?
Dois tipos borrados de medo.
Somos mais fortes, temos um exército.
Não devemos ter medo.
É a única coisa que nos pode foder. É o medo.
Isto está uma confusão. Não posso fazer tudo sozinha.
Para quê? Mais cedo ou mais tarde temos que sair daqui!
- Estamos seguros aqui. - Quem nos garante isso?
Tu?
Vá lá, ajudem-me a arrumar a casa.
Quem raio és tu para nos dar ordens? Quem raio és tu?!
Já viste bem a merda em que nos meteste, Patri? Já viste?
Rapazes...
Estive a pensar...
Está na hora de voltar para casa.
Para a casa do meu pai,
a nossa casa.
Onde vivíamos antes desta confusão com os Savastano.
Temos que dar um passo atrás.
Enquanto ainda temos algo para oferecer.
Bom dia, Don Pietro.
Olá, Patrizia.
Ainda não lhe agradeci pela casa nova.
Sentes-te mais segura?
Os meus irmãos estão revoltados comigo.
E talvez tenham razão.
Não terão mais problemas para o resto das suas vidas.
Dou-te a minha palavra.
Obrigada, Don Pietro.
Pára de me chamar Don Pietro, está bem?
As suas coisas já chegaram.
Quer que vá ver?
Sim, vai lá verificar.
Cometemos um grande erro, Don Pietro.
- Mas não tínhamos escolha. - Um homem tem sempre escolha.
E tu, como a Scianel, fizeram tudo mal.
Aliaste-te aos assassinos do teu pai.
Vendeste a tua alma.
E agora, o que queres de mim?
O seu perdão.
O seu perdão e a sua protecção.
- E o meu ponto de venda... - Esse nunca foi teu.
Eu devolvo-lho, Don Pietro.
Explica-me uma coisa...
Queres o perdão e em troca dás-me uma coisa que já é minha?
Eu recuperarei esse local mais cedo ou mais tarde.
O perdão e a protecção vais ter de os ganhar, Zingarello.
Tens de me entregar o merdas do Ciro di Marzio.
- O que quer esse Avitabile de mim? - Não se preocupe, senhor.
O Sr Avitabile só quer conversar.
Vamos!
Tem a certeza que o Avitabile está aqui?
Está aqui dentro.
Onde raio vai você, idiota?
Só tinhas de o assustar, agora arranjaste-nos um problema.
Deixa que eu resolvo as coisas com o Avitabile.
Venezuela?
Alfredo...
...mataste um vereador!
Dá graças a Deus o Giuseppe não nos matar aos dois.
Agora mete-te na porra do avião
e volta só quando eu disser, entendeste?
Está bem.
Conseguimos todos os lotes: os molhes, os cais, alojamentos! Tudo!
Bom trabalho, Vereador!
Enrabámo-los bem!
Deixo-o com a família.
Hoje mesmo receberás um sinal da minha gratidão.
- Obrigado, até logo. - Adeus.
Esta obras vão render-nos mais de 200 milhões de euros.
E renegociando, renderá o dobro.
Tudo através de uma empresa limpa e imaculada.
Gennaro, sem ti...
...e sem o dinheiro da tua droga, isto nunca seria possível.
Juntos, eu e tu somos uma potência.
Estás a brincar, Giuseppe?
Eu é que agradeço.
Ensinaste-me a usa a cabeça.
Don Giuseppe!
Está tudo pronto, já nos livrámos dele.
E o meu irmão partirá imediatamente.
Tommaso...
Sabes que se ele não fosse teu irmão, já estaria morto?
Eu sei.
Don Giuseppe, estou consigo há 20 anos,
dou-lhe a minha palavra: o Alfredo vai sumir, como o vereador.
Está tudo bem, não se preocupe.
Vai-te embora.
Vai!
Está tudo bem.
Tudo bem, Giuseppe? Algo com que devamos preocupar-nos?
Apenas com o vosso casamento.
Estou tão contente!
Pelo contrato, pelo casamento,
pelo bebé...
...e por te tirar daquela carnificina em Nápoles.
Salvaste a tua vida.
Vai com calma...
Cuida-te.
- Adeus, Giuseppe. - Adeus, Pai.
Ciro, está tudo pronto.
Reforçámos todos os locais.
Colocámos mais vigias.
Estamos a dar mais dinheiro pelas informações.
Mil euros, para quem matar um dos homens do Savastano,
ou qualquer um dos putos do beco.
Dois mil por um dos cabecilhas, e dez mil pelo chefe.
Ciro...
O Zingarello sabe onde se esconde o Savastano.
E quer encontrar-se contigo.
Onde?
Na garagem, como da última vez.
Tudo bem.
Pensa, se encontrarmos o Don Pietro...
Acaba-se tudo.
- Mas vêm a pé ou quê? - Como queres que saiba?
Já chegaram lá, parece que está tudo a postos.
- Quantos carros? - Dois.
Devia estar com muito medo para levar só 2 carros e uns tipos...
E o que fazemos?
Rezamos-lhe pela alma.
E então? Vêm aí?
Os tipos ligaram-me. Voltaram para trás.
Entrem nos carros, vamos lá!
Depressa!
Tudo bem, bebé?
- Olá, malta. - Olá, Capaebomba.
Querida, tenho umas coisas para fazer.
Até mais logo.
Entra!
Não saias daí!
Anda cá!
Não te preocupes.
Eu fiz o que pude, mas o idiota é muito cauteloso.
Nós tentámos
e tentaremos mais uma vez.
Não te preocupes, isso não muda nada para ti.
Bom...
Pomos os tipos da comissão de cons- trução mais perto da mesa do Pai...
Trocamos estes dois
e os dois jornalistas...
Jornalistas também?
O teu pai paga-lhes!
Ele tem razão, o poder deve ser mostrado.
É estranho não conhecermos os convidados do nosso casamento.
Mas é assim que as coisas são.
- Vou tomar banho. - Gennaro...
Para mim, basta a tua presença.
E mesmo com estes desconhecidos todos, vai ser o nosso casamento.
És tão bonita!
O tempo está a acabar.
Também sabes que espero um filho?
Ou referes-te ao meu casamento?
O teu pai está a destruir tudo.
É só uma forma de dizer que estás a perder, Ciro.
Estamos todos a perder, Gennaro.
Tu mais do que todos.
Aquilo lá no Sul está o caos.
Há polícia por toda a parte, corpos por toda a parte...
Não estamos a vender nada.
Achas que terei dificuldade em vender o meu produto?
O mundo é grande.
E estou-me nas tintas para Secondigliano.
Isso é conversa fiada.
Porque tu sabes...
...que aconteça o que acontecer, não será bom para ti.
Se o teu pai perder,
vão dizer que a culpa é tua, que tu fodeste tudo.
Ou se ele, pelo contrário, ganhar,
significa que terás que passar a negociar com o teu pai.
Só tens uma escolha,
e essa escolha sou eu.
Não há muito tempo.
Dá-me os parabéns, Ciro.
Eu conheço-te.
Nós dois somos iguais.
Isto está a corroer-te.
É como um veneno.
Está a consumir-te.
Obrigado na mesma, Ciro.
Gennaro, somos iguais.
- Bom dia. - Bom dia.
Onde está a noiva?
Será que vamos chegar a horas?
Não te preocupes.
Estás tão bonito, Pai!
Hoje, sinto-me como se tivesse uma coroa na cabeça.
Já vi o alojamento, está perfeito.
- A sério? Estás feliz? - Sim.
Agora fecha os olhos.
Fecha-os!
Abre.
São lindíssimos, Pai!
Obrigada.
Eu é que devia agradecer-te,
sabes o que este casamento significa para mim.
Eu sei.
Arranja-te, não faças esperar o noivo!
Tudo bem. Adeus.
Obrigado.
Parabéns, Genny.
Muito obrigado, Don Aniello.
- Muitas felicidades. - Obrigado.
Confio-te o que tenho de mais precioso.
Eu sei.
- Olá. - Olá.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Pára!
Baixa-te! Para o chão!
Para o chão!
Não te mexas!
Dêem a vossa mão direita,
e expressem o vosso consentimento diante de Deus e da Sua Igreja.
Eu, Gennaro, recebo-te, Azzurra, como minha esposa.
Na graça de Deus, prometo ser-te fiel,
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença.
Amar-te-ei e honrar-te-ei todos os dias da minha vida.
Eu, Azzurra,
recebo-te, Gennaro, como meu esposo.
Na graça de Deus, prometo ser-te fiel,
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença.
Amar-te-ei e honrar-te-ei todos os dias da minha vida.
Está bem assim?
Parece que esteve sempre aqui.
Como se nada tivesse mudado.
Don Pietro, a minha tarefa está concluída.
Já não precisa de um mensageiro.
Mas não é verdade que tudo acabou.
Só parece que sim.
As coisas alteraram-se e ainda não chegámos ao fim.
O que quer dizer?
Que ainda preciso de ti.
Para fazer o quê?
Ainda não acabou.
Don Pietro, eu não sou um soldado.
Esta é uma casa grande.
Gostaria muito que tu ficasses aqui.
Além disso, ela é ainda mais segura.
E não precisarias de andar para cá e para lá.
São mais de 15 milhões de metros cúbicos.
- É trabalho suficiente para um exército. - Muito bem!
Giuseppe, ouve, há uma hora que foram para a sessão de fotos.
- O que faço, telefono-lhes? - Calma, não te preocupes.
Aniello, queria apresentar-te o vereador e umas pessoas influentes.
Tudo gente minha.
Sr Vereador!
Ele nunca me vai perdoar.
Azzurra, hoje eu sou o homem mais importante da tua vida.
E nós jurámos...
...amar-nos e apoiar-nos um ao outro todos os dias das nossas vidas.
E por isso estou aqui.
A nós, meu amor!
Pela vida que nos espera.
Nada ainda?
Não, nada.
Eles não atendem, começo a preocupar-me?
Eu ligo-lhes.
Dá atenção aos convidados e verifica se todos se sentam nos devidos lugares.
Tommaso, temos de encontrar aqueles dois idiotas!
Localiza o motorista e o fotógrafo, quero saber onde estão!
Tu decides.
Estou com fome, pedimos?
Cá estou eu! Eles vêm aí, estão presos num engarrafamento.
Então, façamos um brinde!
Façamos um brinde! Saúde!
- Saúde! - Aos noivos!
Aqueles idiotas não atendem, já mandei o Tommaso.
É estranho, deve ter acontecido alguma coisa.
- É o Giuseppe Avitabile? - Sou.
Acompanhe-nos, por favor.
- Porquê? O que se passa? - Com a nossa filha?
Não é nada com a sua filha. Acompanhe-nos.
Agora? No casamento de minha filha?
Temos um mandado de prisão. Por favor...
Desculpem-me, tenho a certeza que não é nada.
- Não, espere... - Liga ao nosso advogado!
Vamos!
Com licença.
Não se levantem.
Fiquem tranquilos, não é nada.
A acusação é grave, Luisa.
O Alfredo Natale confessou o assassinato do vereador,
ainda que involuntário,
mas disse que foi o Giuseppe que o mandou intimidá-lo.
Entendo, Sr Dr, mas como o encontraram? O idiota não tinha partido?
Não sei o que dizer-te. Foi preso esta manhã.
- Mas quem? Quem sabia? - Isso é o que menos importa.
O lado bom é que agora é a palavra do Natale contra a do Giuseppe.
Sem mais provas, terão que o libertar. E rapidamente.
Vou andando.
Adeus, Luisa.
Adeus, Azzurra.
Lamento muito pelo vosso casamento.
Não se preocupe, basta-nos que o liberte.
Não te preocupes, Gennaro, o Alfredo Natale não está a par de nada
e o irmão não é homem para abrir a boca.
Pelo menos, as empresas estão seguras.
Entretanto, marcarei uma reunião urgente para que saibas como gerir as coisas.
- Obrigado, Sr Dr. - Não tens de quê.
Mantemo-nos em contacto.
No próximo episódio...
Tradução e legendagem Sara David Lopes / Il Sorpasso
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