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Don Pietro...
Agradeço-lhe por ter vindo cá.
O que tem para me dizer?
Rapazes...
Sentimos a sua falta.
Acharam que se sairiam bem sem mim,
mas agora viram que não é bem assim.
Tudo bem, eu já entendi.
Acabemos com a conversa fiada.
A esposa do meu filho,
aquela grande cadela...
Primeiro tentou fazer com que os putos do beco matassem o meu filho.
Depois, foi à polícia...
denunciar-me...
pela morte do Mario, o meu motorista.
O que quer de mim?
Recupere o seu lugar.
Estamos nesta confusão por causa da Aliança.
Por causa da Aliança...
e por causa daquele estupor...
O Ciro di Marzio.
Está afogado na sua própria merda.
Diz.
Os telemóveis do Mallamore foram todos clonados.
Os putos fazem sempre isso!
- E os telefones? - A mesma coisa.
Então não descobriste porra nenhuma?
Porquê o suspense? Vá, desembucha!
Há três telefones com retorno.
Mudam os cartões, mas os aparelhos são os mesmos.
E o mais importante é que as ligações são feitas sempre no mesmo local.
Sou eu.
E então, viste o meu filho? O que disse ele?
Ele sabe de tudo. E quer saber o que o senhor quer fazer.
Exactamente aquilo que já estou a fazer.
Vou livrar-me do Ciro di Marzio e da porra da Aliança.
Ele, ao invés, faz-se amiguinho.
Ele disse que o senhor sabia que o Príncipe trabalhava para ele.
O Príncipe foi útil para o meu jogo.
Diga-lhe isso pessoalmente, ele precisa de o ver.
Claro...
Estou mesmo à disposição dele!
Ele sabe de tudo, até mesmo sobre o Nano.
E eu devia ficar com medo?
Ele não é parvo.
- Nunca disse que ele o era. - Sim, mas acha que ele é.
Se me permite, o senhor não entende o seu filho.
Vocês são exactamente iguais.
Está?
Sou eu, a sua tia concordou.
- Quando? - Amanhã, ao meio-dia.
Encontramo-nos primeiro e eu levo-o lá.
- Onde? - No mesmo sítio.
Está bem.
É ela, a Patrizia.
Vá, Pitbull, segue-a!
Como é que ninguém percebeu que era ela?
Porque ela não mora aqui.
E não mantinha contacto com o tio.
Aquele Mallamore de merda!
Ninguém a conhece.
Sim?
Entendido.
O que aconteceu?
A Scianel traiu-nos.
Deste os Sette Palazzi ao filho dela!
Agora a cadela matou o nosso irmão, e juntou-se ao Don Pietro contra nós!
Vertemos sangue por ti, Ciro, e agora?
Pela primeira vez, concordo com ele, temos que reagir.
Tens razão.
A culpa é toda minha.
Mas eu tenho um presente...
Eles abriram-me os olhos para algo que eu ainda não tinha visto.
Eu sei quem é o mensageiro de Pietro Savastano.
É uma rapariga.
A sobrinha do Mallamore.
Ela não sabe, mas agora tudo o que ela diz...
Eu posso ouvir.
Mantenham a calma.
Vou segui-la um pouco mais.
Depois vamos dar o Pietro Savastano a comer aos cães.
E quando ele se for...
a Scianel e o filho...
...não valerão a ponta dum corno.
Vais para a loja?
Se vais trabalhar, o que faz ali um carro à tua espera e porque estás tão elegante?
Puxa aí o fecho, por favor.
Dantes contavas-me tudo, Patrizia.
Trabalhava 15 horas por dia, e não tinha dinheiro para as contas.
Agora tenho mais tempo para ti.
Comprei-te uma moto e uma televisão.
É o preço que se paga para mudar de vida.
Tenho que ir.
Às vezes, parece que gostas de pagar esse preço.
Vês aquela saída?
Sim.
Sai por ali.
Agora vamos ter com o Genny.
Está bem.
Qual é o problema?
Sai na primeira saída.
Eu não vejo ninguém.
Não me enganei, estamos a ser seguidos.
- Aquele carro? - Sim.
Agora faz o que vou dizer.
Sai na primeira saída, e bem rápido!
Pára ali no restaurante.
Dá-me o telefone.
Espera aqui.
Eles estão no estacionamento. Há mais dois carros.
Não sei de quem são, não vi ninguém.
O que esperamos, a Virgem Maria?
Vamos lá e matamos todos.
Se o Pietro não estiver lá deitamos tudo a perder.
Não teremos outra oportunidade como esta.
Voltem para lá, fiquem a vigiar.
Está bem.
- Sou eu. - Onde raio estás?
Há duas horas que te espero!
Desculpe, mas não posso ir.
Mais uma bronca da Tia?
Não, eu é que não me sinto bem.
Quis ligar antes, mas não tenho saldo.
Felizmente deixaram-me usar o telefone num restaurante.
Olha, liga-me tu, assim sai-lhes mais barato.
Está bem, mas...
- Está? - Pode saber-se que farsa é esta?
Ouve, descobriram que sou o mensageiro e fui seguida.
- Tens a certeza? - Sim.
Fui sempre cautelosa,
mas eles devem ter interceptado os telefonemas.
ou não saberiam deste encontro.
Onde estás?
Isso não importa.
O que importa é que vás ter com o teu pai.
Esse número é seguro?
Estou num bar, não te preocupes.
Há uma pensão em Fusco, na Marina di Minturno, apressa-te.
O teu pai espera-te lá.
Ele que não volte ao esconderijo, o sítio já não é seguro.
O que tu, o que vais fazer?
Farei o que deve ser feito.
Obrigada.
Pelo transtorno.
Adeus.
Estamos por nossa conta.
Ela saiu.
Entra e vê se o Pietro está lá.
Pitbull...
- Segue a Patrizia. - Certo.
Vai ver ali.
- Seu merdas, onde está ele? - A Menina saiu.
- E os outros filhos da puta? - Eu não sei, eu juro!
- Ela entrou sozinha. - E fez o quê?
Nada! Pediu para usar o telefone e eu deixei.
- Rebento-te os miolos! - Juro, foi só um telefonema!
- Tens a certeza? - Juro, foi só um telefonema!
- Encontrei isto na casa de banho. - Não há ninguém lá em cima.
Vigia este merdas.
Ciro...
Leva-me até ele.
Depressa!
Pode abrir?
Sai da frente!
Temos que partir, o Ciro sabe de tudo.
O teu esconderijo foi descoberto, não uses o telefone. Vamos lá!
Gennaro!
O que é?
Onde está a Patrizia?
Falas a sério?
Está onde deveria estar.
Gennaro!
Onde está a Patrizia?
Não sei onde está.
Ela percebeu que a seguiam e eu vim salvar-te. Vamos!
Ela está em apuros.
Filho da puta!
Presta atenção!
Cuidado!
Sai do carro, meu pedaço de merda!
Vou rebentar-te os miolos! Sai do carro!
Sai!
Vai chupar outro, idiota!
Fizeste-nos a todos de parvos, não foi, Patrizietta?
"Patrizietta" é só para quem me conhece.
Conheço-te melhor do que pensas. Entra!
Patrizia!
Patrizia, ajuda-me!
O que eles querem de mim? Não fiz nada!
Ele é uma criança, não fez nada!
Não vais salvar o teu irmão com essas tolices.
Se lhe tocares, mato-te!
Só depende de ti.
Ajuda-me, Patri, por favor.
Filho da puta, não vales nada, percebeste?
Onde está o merdas do teu patrão?
- Só quero saber isso. - Diz-lhe o que ele quer.
Patri, porque não falas?
Faz alguma coisa!
Por favor, ajude-me!
Tira-me daqui!
És um merdas!
És um merdas! Deixa-o em paz!
Faz alguma coisa!
Faz alguma coisa!
- Ajuda-me... - Alessio!
Abre a torneira.
Alessio!
Deixem-no em paz!
Faz qualquer coisa, Patrizia!
- Faz qualquer coisa, por favor! - Deixem-no em paz!
Faz qualquer coisa...
Onde raio está o Pietro Savastano?
Eu conto tudo! Puxa-o para cima!
Desliga a água!
Eu conto tudo.
Entendido.
O teu patrão não estava lá.
Avisaste-o.
Não sei como, mas avisaste-o.
Mentiste-lhe e agora ele vai matar-nos!
A mensageira sou eu, é a mim que deves matar.
Tens razão, é isso que devo fazer.
É isso o que fazem os soldados, assassinos e pessoas como nós.
Leve-os lá para fora.
Os mortos vão-se acumulando.
Todos os mortos que deixei para trás...
procuram-me à noite...
Gritam e eu não tenho paz.
É por isso que já não posso matar.
É essa a diferença entre eu e ele.
Trago uma mensagem para o Cardillo.
Mallamore, o que quer o Don Pietro para teres vindo cá?
Quero propor uma troca.
Mallamore, não temos nada para trocar, sai daqui.
Tens a certeza?
Não querem o ponto de venda da Scianel?
Mas têm que me dizer onde está o Ciro. Agora!
Estão em Literno, na fábrica de peixe.
Viste?
Os teus amigos aceitaram a minha proposta.
Quando mataste o Príncipe e o Nano, não hesitaste em ficar contra mim.
Tu agora fizeste o mesmo.
É normal, não é?
O Secondigliano é muito importante para todos.
Eu não posso confiar na Scianel.
Foi por isso que me livrei dela.
E estou outra vez ligado aos putos do beco.
O que somos nós os dois?
Somos pai e filho.
Um filho que tentou foder o pai...
...e um pai que fodeu o filho.
Encontrámo-nos porque querias entender.
Não há nada para entender.
O Secondigliano é meu...
...e de mais ninguém.
Onde raio está ela?
No carro!
Agarrem aquela cadela!
Desligue o motor.
Os seus documentos, por favor.
A sua identificação também.
Aqui é Nápoles 24, verificação de documentos.
Vá em frente, Nápoles 24.
Giuditta Arzano, nascida em...
Suspeita muito parecida com a foragida Annalisa Magliocca.
Os documentos são falsos, intervenha.
Enviem reforços.
Não te mexas!
Não te mexas, senão eles disparam.
Mallamore, não está cá ninguém.
Eles estão aqui.
Depressa!
Onde está o Ciro?
Saiu.
Vamos, depressa!
- Olá, Lelluccio. - Ciro!
Vamos.
Chamei o Lelluccio.
Para ele vos relatar na primeira pessoa
o que significa voltar a confiar no Savastano.
Não há lealdade.
a palavra não conta, nem mesmo a do filho dele, não é?
Até ontem,
o Savastano e os putos do beco andavam sempre às turras.
Hoje os filhos da puta entregaram-lhe a minha mãe.
E amanhã, também eles estarão a mais.
Só uma coisa é importante para o Savastano:
ele mesmo.
Ele quer governar sozinho.
Acho-te abatida.
E eu a si também.
Porque é que ele te poupou?
Estava com medo?
Disse que está cansado de matar.
Se posso perguntar, chegou a falar com o Genny?
- Cheguei. - O que lhe disse?
Disse-lhe que tem que se afastar. Quem manda agora sou eu.
O que foi, Patrizia?
Não está cansado?
- Eu podia não ter voltado. - Mas está aqui.
Estou cansado, Patrizia...
...mas não posso parar.
No próximo episódio...
Adaptação SARA DAVID LOPES
Legendagem IL SORPASSO
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