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Original subtitles

E então?

O que está a acontecer lá fora?

O senhor tinha razão, Don Pietro.

Eles estão todos doidos. Devia vê-los!

Suspeitam todos uns dos outros. Os tipos do beco só andam em grupo.

A Scianel mandou o seu pessoal dizer que não tem nada haver com isto.

E o Mulatto?

Disse que era como um irmão do Príncipe.

E agora quer a cabeça do Nano.

E Ciro, o que disse?

Convocou uma reunião.

Claro, uma reunião é a primeira coisa a fazer,

porque aquela ratazana ainda acredita em democracia.

A democracia não funciona,

porque os cães se comem uns aos outros, se não houver um bastão.

O Mallamore quer saber o que vamos fazer.

Temos que esperar que o veneno atinja o coração.

Ciro, todos nós sabemos quem foi.

Se isto é uma aliança, não podemos permitir que matem um de nós

e depois continuar como se nada tivesse acontecido.

O Príncipe tinha perdoado tudo, mas para o Rosario não foi o suficiente.

E mesmo que ele seja nosso amigo, tem de pagar.

Primeiro temos de saber quem foi.

Que merda é essa? Todos sabem que foi o Nano.

Eu não sei porra nenhuma.

Só sei que não há sinal do Pietro Savastano.

E quero saber se é por estar a cumprir o pacto ou se está a tramar alguma,

talvez com ajuda de alguém.

Ciro, se tens algo a dizer, diz agora. Foi para isso que viemos.

Todos conhecemos o teu Raffaele, Scianel. Está a sair, com muita fome,

e tu queres deixar uma bela mesa pronta.

Queremos agradar a ambos, assim como te queremos agradar a ti.

Perdeste um amigo querido, e queres justiça,

mas é preciso saber bem o que aconteceu.

Temos de ter 100% de certeza que não há aqui ninguém a trabalhar nas nossas costas.

Eu assumo a responsabilidade.

Eu garanto o apetite de todos vocês.

Mas a nossa fome não deve levar-nos a matar-nos uns aos outros.

E o Rosario Nano é da minha conta.

Se ele matou o Príncipe, vou fazê-lo pagar.

Mas se alguém lhe tocar sem minha licença,

faço-o engolir a própria mão, dedo por dedo.

Dá aí o isqueiro.

- Porque vais sair? - Porque ele quer me ver.

- E não tens medo? - De quê? Somos irmãos.

O teu irmão permitiu que te humilhassem no teu território, à frente de toda a gente.

- Não pôde fazer nada, Teresa. - Como? Queres é acreditar nisso.

Não sabes do que falas. De que falas, Teresa?

Sei o que ouvi na rua.

Quem é que fala?

Toda a gente.

Dizem todos a mesma coisa, Rosario: que foste tu.

- Mataste o Príncipe? - Não fui eu.

E o Ciro sabe-o bem.

A Scianel reuniu-se hoje com todos.

Contou-me uma amiga minha que conhece a nora da Scianel.

Isso são mexericos de mulheres.

Estão a chegar a acordo para dividir o teu ponto de venda.

O teu irmão está a cavar a tua sepultura.

Sepultura? O meu irmão?

Se eu tivesse que escolher entre ti e ele, escolhia-o sempre a ele. Sempre.

Que morras!

Que morras, tu que és a minha vida, se o que eu digo não é verdade.

Encontraram-no em Casavatore, frente a um armazém.

- O que foi o Gabriele lá fazer? - Tinha lá a pantera.

Estava sozinho?

Com o Angelino Sepino, que cuida dela.

Eu não sei quem foi,

só sei que o Príncipe não sabia o que era maldade.

Temos de encontrar o Angelo Sepino.

Quero-o para mim.

Aquele merdas sabe o que se passou. Vão a casa dele, onde está quem o conhece.

Temos de o encontrar e quem interferir vai acabar mal.

Lembras-te quando nos conhecemos?

Na festa de Santo Antonio, há uns bons vinte anos.

Éramos uns miúdos.

Éramos um bando do caraças, não éramos?

Estão aqui todos os nossos amigos.

O Nicola...

Foi morto pelo Sasso em 2006.

O Bombolone...

Que figura!

Apaixonou-se pela mulher errada.

Só restámos nós os dois.

Sabes o que eu penso?

Que o mataste, porque tinhas ciúmes dele.

Não fui eu.

Disseste que eu devia confiar em ti e eu confiei.

Rosario...

Não te quero ver aqui dentro.

Pega na Teresa e na tua filha e vai-te embora.

Olha para minha cara, Ciro, sou eu.

Os nossos aliados, a beijar-se na boca e a dar tiros na cabeça.

Somos nós, os miúdos de Secondigliano,

temos de romper a Aliança. Ficaremos só os dois.

Não romperei a Aliança, nem por ti, nem por ninguém.

Não acreditaste quando te disse que não fui eu?

Não foste tu?

Então vou ter de o provar.

Isto já foi longe demais. Já nos intoxicou a todos, a mim também.

Se eu tiver que salvar a tua vida, terás que partir.

Temos que ir embora.

Vamos embora, e depois?

Partiremos, eu e tu.

Leva-a para o carro.

O que aconteceu, Rosario?

Nada, vou ter de me ausentar uns dias.

Não há problema.

Mas isso não muda nada. Continua tudo a ser meu, entendido?

E se alguém da Aliança quiser apoderar-se da nossa área, mata-o.

Não te preocupes.

Coloca mais vigias, põe mais homens a vigiar o ponto de venda.

Não os deixamos entrar, quem manda somos nós.

Esta área é tua e nossa, e vamos defendê-la como se fosse a nossa casa.

Muito bem.

Ligo-te daqui a dois dias para te dizer o que fazer ao dinheiro.

Se me acontecer alguma coisa, o dinheiro é para elas.

Olha para mim, tenho que ter certeza.

Rosario, que eu morra aqui mesmo!

Adeus.

Fica bem, Rosario.

"Litoral de Lazio"

Já viste como isto é bonito?

Mãe, quando podemos voltar para casa?

Já voltamos...

Sabes o que tu e eu vamos fazer?

Vamos tomar um belo banho,

e fazer o mesmo que os teus colegas: os trabalhos de casa.

- Mãe, esta água não está fria? - Mas que fria? Vamos lá!

Desculpa-me, Teresa.

Eu não queria dizer aquilo que disse.

Quando discutimos, diz-se muita coisa.

- Eu sabia. - O quê, Rosario?

Que foi ele.

O que fez ele?

Foi ele que matou a Deborah.

Matou a mãe da filha.

Mas como pude pensar que ele hesitaria em matar um irmão?

O Ciro matou a Deborah?

E tu sabias?

Ajudaste-o?

Vou tomar um duche. Depois vamos jogar.

Gosto quando me vais buscar à escola e ficamos os dois.

Também gosto de estar contigo.

- Mas ficas pouco tempo. - O Pai tem muito que fazer.

Portanto, não percas tempo.

Eu só te tenho a ti, Pai.

Estarei sempre contigo.

Mas não é verdade que só me tens a mim,

tens um monte de amigos.

Eu é que só te tenho a ti.

Mas tens razão, temos de passar mais tempo juntos.

Vai lá brincar. Eu não demoro.

Que bonita!

Queres brincar um bocadinho?

- Vai lá, vai. - Quero!

Eu fico a ver daqui.

Não molhes os sapatos.

Pai!

Agora vai com este.

- Lello. - Ciro.

Entra.

O que foi?

Mataram o Rosario.

- Que merda é essa?! Quando? - Há duas horas.

Quem foi?

- Quem foi o filho da puta? - Não sei, Ciro.

Que se passa, Pai?

Mataram o Tio Rosario.

Faz como quiseres, dá um giro pelo bairro,

mas traz-me o nome de quem matou o meu irmão. Vai!

Entra.

Então é verdade?

É verdade. Foi morto à frente da filha.

- O Ciro está como louco. - O que vai acontecer agora?

O Ciro não descansará até descobrir quem foi.

- E se foi alguém da Aliança... - A Aliança está quebrada.

Agora eles vão tentar manter os pontos que estão livres.

E o que significa isso? Que pode ser o nossa hora.

- Para fazer o quê? - A guerra.

Diz ao Ciro que estamos a colaborar. Podes ver com os teus próprios olhos.

Quem não parece importar-se é o Mulatto.

É o único de nós que tinha mais de um motivo

para matar o Nano e vingar o seu amigo. Está claro?

Eu acho que está na hora de fazer algumas perguntas.

- Boa noite. - Até logo.

- Mulatto! - Diz.

O Nano está morto.

- O Ciro quer ver-te. - Eu estou aqui.

A Scianel falou mal de ti.

Diz ao Ciro que quem aponta o dedo é sempre aquele que atira.

Agora vai buscar champanhe. Vamos brindar.

O meu irmão Príncipe foi vingado.

Tanto quanto sabemos, o tiro não foi dado por um dos nossos.

Eles não são daqui, agiram por encomenda.

Ninguém sabe quem os contratou?

Não, Ciro.

A Scianel e o Mullato têm dito mal um do outro.

A verdade é que poderia ter sido qualquer um de nós, não é?

- A Teresa e a Simonetta? - Estão de volta, estão aqui.

Na casa de familiares.

Vai.

Eu gosto desta cor. Queres usá-la?

Deixem-no entrar.

Não tive tempo de fazer as pazes com ele.

Não consigo perdoar-me.

Vou encontrá-lo, Teresa.

Eu sei o que fizeste. Sei de tudo.

Tu é que ainda não percebeste qual é o preço de tudo isto.

O Rosario era o único que te amava pelo que tu és.

Agora estás sozinho, Ciro.

Sozinho com a tua consciência.

Por agora, tu e a menina têm de se afastar uns tempos.

Enquanto não descobrirmos quem matou o Rosario, tu não estarás sossegada.

Escondam-se e fiquem quietas.

É o melhor para todos.

Anda, Mariarita, vamos embora.

Não te preocupes.

Estava a escolher uma foto do Rosario.

Tens saudades?

Sim, tanto como tu.

A senhora disse que agora a Mãe pode ver tudo.

O que é, o que foi e o que será. É verdade?

Acho que a única coisa que a Mãe quer ver és tu.

Escolhi esta.

- Boa noite, Don Ciro. - Boa noite. O que aconteceu?

- Preciso dos seus serviços. - Estou à sua disposição.

- Preciso dum túmulo para um irmão. - Sem problema.

Preciso dele agora.

Peppe!

Peppe!

Don Amaturo...

Mas o que fazem aqui a esta hora?

Morreu um querido amigo meu, e preciso de um túmulo.

- Este aqui. - Esse está ocupado.

E de vez em quando vem cá alguém visitá-lo.

Mas há vagas para lá. Há uns dez de túmulos. Tranquilos.

Não quero discutir, talvez não tenha entendido.

Este é o túmulo do meu irmão, veja como movê-lo.

Não tem problema, Don Ciro.

Este é bonito.

Ainda precisa de nós?

Deixem o portão aberto.

- Não quero ninguém por perto. - Está bem.

Diz.

Vou já para aí.

Espera, eu tenho que estar aí.

Vá lá!

Tira-me essa idiota de cima.

Ele salvou a tua vida.

E tu mataste-o como um cão, seu merdas!

Ciro, temos que sair daqui.

Chama o pessoal. Levem-no para o cemitério.

Sai da frente.

Por favor, Don Ciro. Don Ciro, tenha piedade de mim.

- Cala a boca. - Tenha piedade, Don Ciro.

Eles obrigaram-me, também me queriam matar.

Eles procuram-me, Don Ciro, estão à minha procura.

Os seus inimigos são os meus inimigos.

Levaste-o a ver o bicho, porque te ordenaram, não foi?

Ameaçaram a Susy, disseram que iam matá-la.

Ela está à espera de bebé.

E o meu irmão?

Não sei nada sobre o Nano.

A Susy será o meu primeiro objectivo e depois enterro-a ao teu lado.

Então ficarão sempre juntos, tu, ela e o vosso bastardo.

Eu não sei nada!

Quem te mandou trair o Príncipe?

- Por favor... - Quem?

Por favor...

Eu conto-te tudo.

Sabiam que o Príncipe comprava droga ao Gennaro?

Fora do nosso acordo?

Daí ganhar tanto dinheiro.

O Rosario tinha razão.

Ele percebeu tudo, e por isso não confiava nele.

O Gennaro queria crescer,

e quando chegar o momento, vai querer virar a mesa.

E não foi o Nano que matou o Príncipe.

Foi o Pietro Savastano.

Embora soubesse que ele era sócio do filho.

E por trás da morte do Nano está o Pietro Savastano.

E porque está ele contra o filho?

Porque quer comandar sozinho.

Não quer ninguém ao seu lado, nem mesmo o filho.

Chegados a este ponto, vejo apenas dois caminhos.

Um onde estamos todos unidos e joga- mos este jogo com o pai e com o filho.

E outro que nos conduzirá a todos a um túmulo como este.

Temos apenas que decidir.

Sai.

Nunca mais te quero ver.

Se volto a ver-te, mato-te a ti e a toda a tua família.

- Obrigado, Don Ciro. - Vai-te, antes que eu mude de ideias.

Pai...

Porque me trouxeste aqui?

A tua mãe morreu aqui.

Queria que soubesses.

No próximo episódio...

Adaptação SARA DAVID LOPES

Legendagem IL SORPASSO

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