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Don Pietro, com sua licença...
Tem a certeza que é a única solução?
Tenho que o olhar nos olhos.
E ele tem que me explicar porque é que o traidor do Ciro continua vivo.
O senhor é que sabe.
O sangue é mastigado, mas não é cuspido, Patri.
Se Gennaro não fosse meu filho, já estaria morto.
Vamos lá, a viagem é longa.
Os presentes do teu baptizado.
Fizemos 500.
Uma criança nos braços da Virgem.
Era o que a tua mãe queria.
Em agradecimento à Nossa Senhora do Carmo,
pelo milagre que recebemos.
Já tínhamos ido a vários médicos.
Todos diziam que ela não podia ter filhos.
O meu pai disse-me que eu tinha que mudar de esposa.
Porque um "chefe" tem que ter um filho para herdar o nome de família.
Disse-lhe que teria que me matar,
porque eu já tinha escolhido a tua mãe.
E fiz bem, porque a tua mãe gerou-te.
Um filho.
E a esse filho eu dei a tarefa mais importante:
matar o Ciro Di Marzio.
E em vez disso, ele fez um acordo contra mim, que me deixa tolhido.
Se eu quisesse ver o Ciro Di Marzio morto,
já o teria matado.
Mas eu não quis, pois não nos convém.
Não convém a quem? Não entendo, Gennaro, explica-me.
Pai, estás a ficar velho.
Estás preso no passado e não consegues ver o futuro.
O futuro são os contatos que eu criei.
É uma linha directa que parte da nossa casa
e chega ao coração de Roma, e avança como um comboio.
Tu és meu filho.
E tens de fazer o que eu te digo.
É verdade, eu sou teu filho...
mas em breve também serei pai...
...e tenho de criar o meu caminho.
Desta vez, se quiseres, tens de ser tu a seguir-me.
E se eu não quiser?
Ficarás sozinho, e sozinho não irás a lugar algum em Nápoles.
Senão, já o terias conseguido.
Confia no filho que tanto querias.
Pelo menos uma vez na tua vida, confia nele.
- Que sorte! Mas que vaca! - Toma.
Não, tenho coisas a fazer.
E agora, o que fazemos?
Têm de cercar o bairro Fiori e Berlingieri.
Os Savastano estão presos como cães e não devem sair.
E se saírem, vocês vêm aqui para nos dizer.
- Dão conta disso? - Pode apostar que sim!
- E as armas? - As armas...
As armas são só para quem fica de vigília nos cruzamentos.
- Certo, e quanto me paga? - A ti, 350 por semana.
- E 150 para os teus companheiros. - Está bem.
- Sim? Então mexam-se. - Vamos lá.
Ouves-me?
- Onde raio vais tu? - Vou ver a minha mãe no hospital.
Não podes sair. Tens de ficar aqui com os teus companheiros.
Entendido? Não queremos sarilhos por tua causa.
Não me toques. O que procuras?
- E o que é isto, idiota? - Temos passado fome lá no beco.
Isso não é nada, é só para nos mantermos.
Têm de nos comprar a nós.
- Mas 48?/kg é muito caro. - Esse é o preço.
O caralho! O produto no Quartieri custa 28 a 30 o quilo.
Como raio querem que a venda a 48?
Agradece ao Genny por ainda estares vivo, entendeste?
Por eu não vos ter matado a todos. E agora vai para o teu buraco, vá!
- Tira as patas! - Sai daqui, imbecil!
- Fica atento, Capaebomba. - Não te preocupes.
Deixa ver.
É esta?
- Passa a grana! - Toma.
Tens?
- Mas o que é isso? - É o que ele tinha.
- Esta merda de ciganos... Tem balas? - Duas.
- Uma para ti e uma para mim? - Não sejas engraçado. Vamos lá.
- Todos no chão! - Gajos de merda!
- Põe a cara no chão! - Vem comigo!
O que querem?
Abre já isso! Abre!
Põe o dinheiro aqui, rápido!
Não se mexam!
- Despacha-te! - Estou a fazer! Um momento!
- Rápido! - Não se mexam!
Despachem-se, vá! Dá cá isso!
- Pronto? - Acabou-se, vamos embora!
Vamos.
Entendi.
É o Nano.
O que foi, Rosario?
Assaltaram a banca de apostas de Corso Itália.
- Que merda é essa? Quem? - Os putos lá do beco.
- Saíram do bairro deles? - Sim.
Foram a mando de alguém?
Não, actuaram sozinhos, sem pedir licença a ninguém.
- Tens a certeza? - Estão como cães, a mostrar os dentes.
Ninguém os apoiou do clã Savastano, mas eles são amigos do Genny.
O que vamos dizer à malta? Temos que os matar, Ciro, e rápido!
Temos de ter calma, Rosario.
Tu mesmo disseste que os putos são um problema deles.
Eles são do Savastano.
O Savastano que lide com eles.
Avisa o Mallamore.
Alerta-os a todos.
Nós temos um acordo. Eles podem mover-se na área deles.
A gente não fará nada. Mas se alguém se desgarrar,
se alguém sair e causar problemas, eles terão de responder por isso.
Está bem.
Eles disseram que se apoiarmos o assalto, quebrarão o acordo feito com o Genny.
Don Pietro...?
Ele mesmo me disse que eu nunca o fiz.
Fez o quê?
Disse que eu nunca confiei nele.
O meu pai costumava dizer que os filhos pequenos precisam de leite...
...e que os filhos grandes precisam de confiança.
Diz ao Mallamore que temos de respeitar o pacto do Gennaro.
E que castigue os miúdos do beco.
- Capaebomba, dá-me 50 euros. - Toma.
- Deixámo-los todos borrados! - Criámos o pânico.
Viste aquele gordo?
Até se mijou nas calças!
Quem é?
- Lince! - Olá, Capaebomba.
O que foi? O que se passa?
Não te mexas, idiota!
Anda cá, meu merdas.
Por mim, estarias morto.
Achas que me esqueci que disparaste a tua arma lá no meu território?
Mas agora há um acordo.
E o Don Pietro disse que temos que o respeitar,
e vocês também têm que o respeitar. Entendido?
Vamos.
Puto, vai chamar o Carmine.
- Fica atento. - Não te preocupes.
Carminie, chamam-te ali.
Que merda querem aqueles?
O que há?
Os teus amigos assaltaram uma agência de apostas.
Deixaram a vossa área sem pedir licença a ninguém.
Não sei de nada. mas já vamos resolver isso.
- Eu sei que não têm passado bem. - Hoje em dia, quem é que passa?
Mas para alguns, a noite está muita escura.
Tenho uma proposta para ti. Passa para o nosso lado.
Ciro... Estamos com o Savastano.
- Não é comigo que deves falar. - O que ganhaste sendo fiel?
Onde está o Gennaro?
Não o vejo.
Cuspiste sangue por ele, e ele deixou-te pendurado.
Cá para mim, não há porra nenhuma que te prenda a ele.
Pensa nisso.
Pitbull, vamos.
Cardillo, o que disseste ao Ciro?
Que não fomos nós que fizemos.
Olha como aqueles estupores me deixaram...
E nós temos que viver nesta vida de merda?
Estou farto de sofrer! Capaebomba, o que dizes?
- Temos que fazer o que propôs o Ciro. - Então? Querem enfrentar o Savastano?
E o que posso fazer? Estamos presos no bairro!
E nem sabemos onde raio está o Don Pietro!
O Don Pietro não ficará escondido como um rato para sempre.
E quando ele sair, vai ser um pandemónio!
- E de que lado vamos estar? - Onde nos for mais conveniente.
Para mim, vai dar ao mesmo.
Se querem avançar, avancem sem mim.
- Vai, vai. - Adeus, Cardillo.
Cobarde!
- O que disseram os putos? - Que para eles está bem.
Estamos a trazer ratazanas para dentro de casa.
Todos têm ratazanas em casa.
Vamos ver se vão comer comida ou se se comerão uns aos outros.
E se estala outra guerra? Não pensaste nisso?
Nem o Pietro nem os putos do beco têm força para lutar contra nós.
Vai ser como as lutas entre cães.
No máximo, morre um cão.
- Pessoal, que tal montarmos um clã? - Como?
Só temos uma arma comprada aos ciganos, toda estragada.
Mas temos o veneno.
- Nicola, quanto faz o local do Mallamore? - Uns 150 a 200 mil por semana.
Faz sentido, Capaebomba? E dizem que o sítio não é bom.
- Só sabem reclamar e chorar. - Mas agora vão chorar a sério.
Certo, mas quantos são eles?
Têm 3 grupos de 8 pessoas.
Mais quatro que preparam a droga sob os prédios da frente.
Trabalham das seis da manhã às quatro da tarde.
- E das 16h até à uma da manhã. - E todo o sábado até às duas?
Quem vai de manhã um dia, no outro dia vai à noite.
E têm todos 3 dias de folga por semana.
- Vamos fazê-los borrar-se todos! - Eles já estão no chão, O'Track!
O mais importante, Nicola: onde estão os homens de Mallamore?
No 2º andar, apartamento 9.
- Tens a certeza? - Claro.
- Levanta o saco! - O que foi?
Têm a certeza que isto aqui será suficiente?
Faust, qual é o problema? À noite, não se vê porra nenhuma.
- Vamos surpreender aqueles merdas. - Temos que os assustar!
Temos que os fazer sentir-se como ratos presos pelo rabo!
Toma a tua, O'Track.
- Está tudo em ordem? - Tudo em ordem.
Tudo em ordem?
Acabou!
Até amanhã.
Vamos, vamos!
Vão em frente, vocês!
- Vai, vai, entra, entra! - Sai daí, seu merdas!
Puledro!
Seu merdas!
Onde estão as armas?
Vais dizer-me, ou não? Queres ou não dizer-me?
Onde elas estão, seu merdas?
No último andar.
Vai, vai!
- E sai do caminho! - Desçam!
- Vou buscar as armas - Eu vou buscar os outros tipos.
Leva o resto para baixo.
Vamos, ouviram?
Vamos lá, seu merdas! Vamos!
Entra, estupor.
- Entra. - Cala a boca, desgraçado!
Está quieto, estupor!
Cretinos!
Vai, vai, vai!
Vamos já, rápido!
Cala a boca!
- Desçam! - Nicola, calma com as crianças.
- Não te preocupes. - Vamos, depressa!
Toca a andar!
Onde é a casa de Mallamore? Onde é a casa de Mallamore?
- Não sei! - Não sabes?
- Onde é? - É ali!
Desce-me esse infeliz!
- Diz adeus à tua casa. - Não!
Esta zona agora é nossa!
Se os putos do beco se revoltaram, esse é um problema do Savastano.
Nós respeitamos o acordo.
O que acontece entre eles não é da nossa conta.
Ainda não percebi o que temos a ver com o local do Savastano.
- Ciro, o que ganhamos com tudo isto? - O que ganhamos?
Com a cocaína do Gennaro, ganhamos todos mais dinheiro.
Voltámos a vender aos ricaços lá de Vomero.
Estamos a voltar a ser os nº 1 da Europa.
Annalisa, isso não vale um Berlingieri, vale dez.
Senta-te.
O Mallamore diz ter certeza de que isto foi apoiado pelo Ciro.
O problema agora não é o Ciro.
O Berlingieri é nosso e eles têm que respeitar o acordo que fizeram com o meu filho.
O meu tio reuniu toda a gente.
Tem homens e armas e está pronto para responder.
Estivemos parados à espera do que iria acontecer.
E não aconteceu nada de bom.
Diz ao Mallamore que vamos começar por aqueles que nos traíram.
Vamos fazê-los comer a sua própria merda.
Boa tarde.
Rápido.
É tudo?
É tudo.
- Tens a certeza? - Sim.
Bom.
- Capaebomba. - E o dinheiro?
Antes de começarmos a trabalhar.
A partir de hoje, a praça de Mallamore é nossa, o comando é nosso.
E haverá um extra para ti também.
Para onde raio estás a olhar?
Filhos da puta!
- Piglialo, Capaebomba! - Vamos!
Não te preocupes. Já está tudo bem.
- Quem é? - Recibos das apostas!
Vai comprar qualquer coisa. Não viste nada. Boa!
Tudo bem?
Os teus amigos traíram-te.
Eu sei, mas para nós isso não muda nada.
Temos que nos concentrar nos negócios.
O teu pai vai ficar furioso.
O que vais fazer? Já sabes?
Gabriele, estou em Roma e tenho outra perspectiva das coisas.
Estás em Roma, mas o teu coração ainda está em Secondigliano.
E a nossa terra é uma bomba-relógio, Gennà.
Tens um fusível nas mãos, entre o teu pai e o Ciro.
Temos de nos concentrar nos negócios, tu tens razão.
Mas esta confusão não é boa. Sabemos disso melhor que os outros.
Apaga esse fogo, Gennà, antes que queime tudo.
Aonde vais?
Vou a Nápoles. Resolver uns problemas.
E no que te interessa o que acontece em Nápoles?
Está lá o meu pai e os meus irmãos, ou já te esqueceste?
A tua família agora está aqui.
A nossa família.
Azzurra, tu és a minha vida.
Eu amo-te.
Mas nunca mais te intrometas entre mim e o meu sangue.
Viemos aqui só para conversar e nada mais, certo?
Certo. Sem disparates. Eu garanti isso aos dois.
Não te preocupes.
Esperem aqui.
Fiquem aqui. Quando a palha se aproxima do fogo, queima-se.
Vai levar no cu, tu e a palha!
- Como estás, Cardillo? - Genny.
- Que se passa? - Finalmente estás de volta.
- Mas não era para ser assim. - Eu sei, mas não havia outra solução.
Sabes que não se pode confiar no Ciro di Marzio?
Eles usam-vos para desestruturar o nosso clã.
Mas depois deitam-vos fora, como preservativo usado após a queca.
Então porque não o matam?
Porque desencadeará outra guerra, todos contra todos.
E depois viriam da Piscinola, Ponticelli ou do centro de Nápoles e levariam tudo.
E não posso permitir que isso aconteça.
O teu lugar é ao meu lado, onde sempre foi.
Até agora, sim, mas eu já vi coisas diferentes.
Tu não regressaste. Não é fácil apoiar um fantasma.
- Tens de voltar para nós. - Quais as condições?
As mesmas de antes.
E fingirei que não aconteceu nada estes dias.
- O que foi? O que disse ele? - Querem que voltemos para eles.
Nas as mesmas condições que antes.
- Aonde vais? - Esperem aqui...
- Gennaro, tudo bem? - Tudo bem, O'Track.
Temos que conversar.
- Mas que raio foi isso? - Sai-me da frente.
Senão enterro-te bem, Gennà!
Mas que raio foi isso? Enlouqueceste? Nós tínhamos conversado.
A partir de hoje, quem está com os Savastano está contra nós.
Carminie, com quem estás? Comigo ou com eles?
Estou contigo, mas não vamos enterrar o nome deles.
Eles são os Savastano. Não nos vamos meter com eles.
Não tocamos no Genny. Acalma-te.
Sai daqui.
Para nós, isto termina aqui.
Para nós, também termina aqui.
Mas diz ao teu pai que a partir de hoje não se passa fome no beco.
Vamos.
Bronco de merda.
Angioletto...
Levanta-te, Mallamore!
Don Pietro, o Mallamore está bem.
Mas não se pode fazer nada pelo Angioletto.
O Gennaro aceitou que essas merdas ficassem no beco, e agora até o Berlingieri.
E garantiu a paz.
Neste momento, para mim, a palavra do Gennaro não vale porra nenhuma.
No próximo episódio...
Adaptação SARA DAVID LOPES
Legendagem IL SORPASSO
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