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Um ano mais tarde
Aqueles filhos da puta estão aqui?
Vamos cortar-lhes a cabeça, irmão.
Para que sirvam de exemplo aos outros merdosos.
Espera um minuto.
- Onde está o capitão? - Lá em baixo.
Capitão...
Queres sair daqui vivo?
Sim.
Então tens que me fazer uma coisa.
O que estás a fazer? Mata-o!
Calma, amigo.
Achas que ele não te fazia o mesmo?
Eu já passei por isso, irmão.
E foi o dia mais afortunado da minha vida.
Olha para mim agora.
Sou o fornecedor de droga de toda a Europa.
Toma, Capitão.
Capitão...
Que se passa, Capitão?
Tem calma.
Acalma-te.
Olha...
Até um capitão do exército hondurenho está dedicado à nossa causa.
A nossa causa...
És mesmo um filho da puta, irmão.
Levem-no para perto do quartel deles. E libertem-no.
Vamos, levanta-te.
Leva-me ao aeroporto.
É chegada a minha hora.
Vais aborrecer-te sem mim, irmão.
Espero este momento há muito tempo. A minha hora chegou finalmente.
- Boa tarde. - Boa tarde, posso ajudar?
Bem-vindo Sr Savastano, estávamos à sua espera.
- Obrigado. - Vou prevenir o Sr Avitabile.
Há três anos que ganhas 5000 euros por mês.
Porque achas que te paguei tanto?
Para ser o primeiro a saber quanto te oferecem os outros.
Este contrato tem que ser meu, não posso perder por tua causa.
- Não depende de mim. - Tenho que o construir.
Caso contrário, muitas famílias ficarão na rua.
- Eu sei. - Quem sabe o que pode acontecer?
- Quando a gente tem fome, perde a cabeça. - Ele chegou.
Eu e o Vereador entendemo-nos.
- Gennaro, chegaste finalmente! - Boa tarde, Don Giuseppe.
- É um prazer hospedar-te aqui. - O prazer é meu.
Vou dar-te a minha melhor suíte.
Nunca tive oportunidade de te dizer,
mas a tua mercadoria tem uma qualidade fenomenal.
A minha mãe dizia sempre: nos negócios, a qualidade do produto é fundamental.
Falando em produtos, está tudo nos conformes?
- Chega a 22, a Málaga. - Perfeito.
Estamos a expandir-nos diariamente.
Se quiseres, fico-te com a mercadoria toda.
Com o teu produto e a minha organização, Roma será nossa.
É uma oferta atraente, Don Giuseppe.
Mas a minha mercadoria abastece o mercado todo.
Além disso, tenho que resolver alguns problemas familiares.
Fazes bem. A família vem em primeiro lugar.
Mas daqui a alguns dias, quando estiveres mais tranquilo, pensa nisso.
Posso comprar uma tonelada ou duas por mês, só depende de ti.
Gostas?
- É lindo! - É um prazer.
Se precisares de alguma coisa, chama-me.
Por agora, só preciso dum carro.
Não há problema.
Agora vou falar com a minha filha. Lembras-te dela?
Vou pedir-lhe que venha cá, chama-se Azzurra.
Quem é?
Quem é?
Vim por causa do carro.
Que tipo de carro queres?
Um carro que ande.
O meu pai diz que não te lembras de mim.
Não te lembras mesmo?
Então acho que tenho de te refrescar a memória.
Olha, Azzurra, não quero chatear o teu pai.
O meu pai já deixou de me dizer aquilo que devo fazer.
- Tens feito muitas asneiras? - Quem sabe...?
"Colónia, Alemanha"
Elas são como as tetas da vaca.
Só que em vez de leite,
dão gasolina que vem do Oriente.
O custo é uma migalha.
Basta subornar um funcionário do escritório
para ter uma bomba de gasolina como esta.
Os calabreses estão a fazer muito dinheiro assim.
O único problema é que este lugar é uma merda.
E mesmo gerindo tudo, continuamos a ser uns nadas.
Tu pareces estar bem.
Quanto tempo...!
- Acho-te um pouco pálido. - Nesta terra, o sol nunca aparece.
Já tinha percebido, está um frio do catano.
Fiz-te esperar, para ter a certeza que nenhum idiota te seguia.
Entendo, mas vamos andando. Tenho fome.
Onde estão eles?
No meu saco.
Antes de ir para casa, temos que nos encontrar com uma pessoa.
- Aqui? - Não, noutro sítio.
- Algum problema, além do frio? - Devias contar-me.
Se eu já sei, não há necessidade de tu saberes.
E então?
Eu diria que eles são...
...de péssima qualidade.
Graduação... Eu diria "M".
Não há acordo.
Eu não posso pagar-lhe o que me pediu.
Sim, mas este carga...
...é mais do que suficiente para satisfazer a sua necessidade.
Uns amigos falaram-me de ti.
E falaram bem ou mal?
O importante é terem falado.
Também me falaram de ti.
O seu filho tem colhões, não é, Don Pietro?
É o que dizem na sua terra, ou estou enganado?
Os filhos são lágrimas e sangue, você bem sabe.
Mas vamos falar sobre nós, isso é mais importante.
Vou fazer um esparguete com molho.
Eu prefiro outra coisa.
Vais comer o que eu fizer.
O que foi, Gennaro? Não consegues dormir?
Estou preocupado.
- Com o quê? - Com o Mico.
Como sabia que ele é o teu contacto, andei a informar-me.
E a quem foste pedir informações?
Fiz muitos amigos no negócio da droga.
- Especialmente entre os calabreses. - E o que te disseram eles?
Disseram que houve uma reunião em Polsi.
- E que a "Mãe" está muita irritada. - Explica-te melhor.
O Domenico tem a cabeça a prémio.
Não podemos negociar mais com ele. Temos de comprar as armas noutro sítio.
E comprar a quem, Gennari?
Achas que passei aqui um ano porque gosto?
Estou mortinho por voltar a casa.
Se fiquei aqui um ano,
é porque as coisas não estão a correr-nos bem, Gennari.
Não temos acesso ao nosso dinheiro.
Os nossos amigos e os nossos homens da frente estão todos sob investigação.
As contas correntes estão bloqueadas.
E, sem dinheiro e com a polícia no encalço,
ninguém quer negociar connosco.
Excepto aqueles que não têm alternativa.
Viste?
- Já entendeste a situação. - Mas isso não é bom!
Vinte anos, sempre de olhos bem abertos...
...para vigiar os amigos, os inimigos e os traidores.
Vinte anos...
Depois passei-te tudo para as mãos.
Confiei-te o leme do barco.
E para onde nos levaste tu?
E agora vens aqui para me dizer o que fazer?
A tua mãe costumava dizer:
"Mimas demais o miúdo,"
"dás-lhe sempre tudo o que ele pede e passas-lhes a mão na cabeça".
E eu respondia: "Não te preocupes, sê paciente,"
"ele não é como tu ou eu, precisa de tempo".
Mas agora o tempo passou, Genna. Percebeste ou não?
Foste longe demais.
Eu fui pedir-te ajuda,
mas tu fingiste-te louco na cadeia e deixaste-nos sozinhos,
sabendo que bastava uma única palavra.
O que queres dizer?
Se não te tivesses fingido louco,
e te tivesses preocupado connosco, a Mãe ainda aqui estaria.
Seu merdas!
Como te atreves?
Sabes porque me fingi de louco na cadeia?
Porque sabia, Gennari, que tu não te estavas a safar.
E a única maneira de resolver tudo era sair de lá.
Mas quando saí, já era tarde.
Vou tomar um duche.
Com isto, pode caçar os seus traidores e abrir-lhes um enorme buraco no cu!
Don Pietro...
Merda dum raio!
Porra, viram a explosão? Até fez tremer o chão.
E agora vamos aquecer-nos um pouco lá no meu clube.
Isso seria como se eu tivesse aceitado, Mico.
Não, Don Pietro, sem esse "como", não?
Gaetano, toma lá.
Sei que faço parte de um sistema que é maior do que eu.
Mas quero dizer uma coisa.
Esses tipos são os piores porcos do mundo.
Sinto-me mil vezes mais honesto do que qualquer um deles.
Quando os ouço falar, até me dá ganas de vomitar.
A "Mãe", na província,
conhece este tipo, fala com aquele, pede autorização aqueloutro...
Mas aqui o Mico Rinda conseguiu tudo sozinho.
Neste país de merda com um frio do caralho.
E o senhor sabe-o bem, Don Pietro.
E por conseguinte, agora quem dá ordens sou eu.
Obrigado.
Por favor, coma.
Pai, podes chegar aqui?
Dê-me um minuto, Mico.
O que aconteceu?
- Pai, temos que ir. - E porquê?
- Lembras-te do que te disse sobre o Mico? - Deixa-te de rodeios, Gennaro.
Os meus amigos calabreses avisaram-me, eles vêm a caminho.
Pára o carro.
Sai e vem comigo.
- O que se passa? - Não consigo.
- Temos que ir embora. - Não consigo.
Não estou bem, não posso continuar.
Eu já volto.
Vamos.
Vamos lá, Pai.
Sou eu.
Vem buscar-me.
Deichstrasse.
A Alemanha está em chamas.
Agora o melhor é que cada um siga o seu caminho.
Volta para onde estavas e deixa-te estar.
Se for preciso, eu entro em contacto.
A tua hora também chegará.
A vida é longa, Gennarino!
Mas agora eu tenho que fazer a minha parte,
e prefiro fazê-lo sozinho.
No próximo episódio...
Adaptação Sara David Lopes
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