All language subtitles for Eungyo 2012 1080p Blu-ray Remux AVC DTS-HD MA 5.1 - KRaLiMaRKo

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Original subtitles

CHOREI SEMPRE QUE PENSEI NISSO

CARO SR. LEE JEOKYO, ETERNAMENTE GRATO.

“Nunca vi uma lua tão bela.

Acho que ela estava a ver a mesma lua.

Mas, para ela...

...a lua não pareceria tão bela.

Cada pessoa vê uma versão diferente do mesmo objeto.”

Quem são vocês?

Quem és tu?

Sou a Eungyo.

Como é que entraste aqui?

Há uma escada, perto da cerca.

Sempre me quis sentar numa cadeira como esta.

A cadeira pertence-lhes?

Tu desceste o bosque?

Onde é que vives?

Ao lado da lavandaria.

Então, vou andando.

Adeus.

A expressão “poeta nacional” é grosseira.

É uma bênção, poder aprender com um tão grande professor.

Não creio que a idade importe, depois dos 20 anos.

Sou demasiado velho para me chamarem prodígio.

No meu caso, parece-me que tenho a idade certa...

...para apresentar O Coração ao mundo com confiança.

Esforçar-me-ei mais, no futuro.

E haverá muito mais sofrimento.

Está muito salgado?

Agora...

...consegues escrever as tuas histórias.

O Coração...

...é líder de vendas...

...por todo o lado!

A propósito disso, recebi uma encomenda de uma história.

O quê?

Recebi...

...uma encomenda de uma história.

Gostava de me concentrar nisso, portanto...

Lembra-se da rapariga que estava a dormir no seu alpendre?

Dei-lhe uma boleia da escola, por acaso.

Ela estava a procurar um trabalho em part-time.

Ela não está na secundária?

Ela diz que faz todo o trabalho doméstico em casa.

Diz-lhe que venha este sábado à tarde.

Olá.

Desculpe!

Não faz mal.

- Eu faço isso. - Não é preciso, eu faço.

Não, eu faço.

Não se preocupe.

Tenha cuidado.

OMD!

O que significa “OMD”?

Significa muito obrigada.

- O seu nome é... - Seo Eunpa.

Obrigado, Eunpa.

- Obrigado. - Pode dar-me um abraço?

Muito obrigado.

Quando limpo a parte de cima da janela, não tenho controlo sobre os dedos.

Faz-me lembrar as aulas de dança.

Tive aulas de dança até ao sétimo ano.

Pode apertar mais um pouco?

Como é que vais respirar?

E a saia?

Tão curta?

Mais curta.

Vão conseguir ver as tuas cuecas!

Pronto, fica assim.

Avô, os seus lápis estão rombos.

Quer que os afie?

Deixe-os estar.

Os lápis afiados dão pena.

Porque é que dão pena?

O que lhe parece?

Avô.

Se os lápis ficam tristes porque estão afiados...

...quer dizer que todos os lápis afiados são tristes?

Isso é...

...poesia?

As imagens que uma pessoa retira de um objeto...

...podem ser tão distintas como o céu e o inferno.

Quando penso nos lápis...

...vejo um rapaz a correr para a escola.

Restolhar, restolhar.

Ele adorava o som...

...do estojo dos lápis a chocalhar, na mochila da escola.

Quando o rapaz deixou de poder ir à escola...

...restolhar, restolhar...

...o chocalhar soava como se os lápis estivessem a chorar.

Por isso, para mim, os lápis significam lágrimas.

Quando diz: “Avô, por favor, afie o meu lápis...”

...eu oiço o seguinte:

“Avô, por favor, limpe as minhas lágrimas.”

Avô?

Sou eu, a Eungyo.

Avô.

O que faz aqui a estas horas da noite?

Não vê que estou encharcada? Começar por me dar um raspanete...

Avô.

Posso dormir aqui?

O quê?

Por favor, deixe-me ficar. Não posso ir para casa, esta noite.

Deixe-me ver a sua cara.

Deixe-me ver a sua cara.

Alguém lhe bateu.

Quem foi?

Foi alguém que conhece?

A minha mãe.

A sua mãe?

Ela não faz isto aos meus irmãos mais novos.

Só a mim.

Costumo ir para casa da minha amiga, quando acontece algo deste género.

Primeiro, tem de trocar de roupa.

Venha comigo.

Avô.

Posso dizer-lhe uma coisa?

Levo-a a casa quando a chuva parar.

Posso dizer-lhe uma coisa?

Posso?

O quê?

Perguntei se lhe podia dizer uma coisa.

Sim.

Lembrei-me...

...do seu poema no livro da escola.

Camélia, não é?

Um passarinho no túmulo das camélias.

Um pássaro triste de bico vermelho.

Um passarinho que deixou lágrimas carmesins.

Saiu no meu último teste.

É verdade.

A mim...

...os lápis fazem-me lembrar a minha mãe.

Quando era pequena...

...a minha mãe costumava afiar o meu lápis.

Depois, raspava os calcanhares com a lâmina dos lápis.

De cócoras.

Agora, já não o faz, porque trabalha nos banhos públicos.

Ainda está dorido.

Por isso, é preciso usar um secador.

Não sei o que é pior.

É por isso que acho que o afia é triste.

Ou o calcanhar é que é triste?

Isso é poesia.

Um lápis triste.

Um calcanhar triste.

Avô, o que acha dos meus pés?

OMD!

OMD?

Está a agradecer-me por ter deixado cair a camisa?

Avô.

Vamos tomar o pequeno-almoço.

Olá.

O que tens vestido?

É do Avô. É muito confortável.

Onde está ele?

Não sei.

Estará no estúdio?

Avô! Dormiu bem?

Ele não come pão.

Eu disse que ele não come pão.

Há algum no congelador.

É meu.

Acho que ele vai querer comê-lo.

O que é que tu sabes?

Achas que o conheces assim tão bem?

Claro.

A sério?

Avô.

Veja! Uma sanduíche clube caseira!

Não tem bom aspeto?

As coisas que estavam no frigorífico foram transformadas numa obra de arte.

Prove.

Sim.

O senhor não come pão.

Isto não é pão, é uma sanduíche.

Vou buscar café.

Senhor, ela é uma miúda do secundário.

Sim, pois é.

E que mal tem isso?

O que é?

Não é nada.

O barulho dos trovões era ensurdecedor.

Como conseguiu manter-se tão calmo?

Eu estava aterrorizada.

Deve ter muito peso na sua consciência.

Foi por isso que me escondi.

Encontrei-a perto da minha cintura, esta manhã.

Não é um bom sítio para se esconder.

É verdade, reparei na tatuagem que tem por baixo do pescoço.

É fascinante.

Refere-se à hena?

Não é uma tatuagem?

Sai passados poucos dias.

- Podes deixar de vir à casa dele. - Porquê?

Não te vou pagar mais.

Que estranho. Ele pediu-me para vir duas vezes por semana.

O quê?

Deu-me a chave do portão, porque a escada é perigosa.

Olá!

O meu espelho!

Desastrada! Porque precisas de um espelho no bosque?

É um espelho de princesa Anna Sui!

Anna Sui? O que é isso? Eu ofereço-te um igual.

A minha mãe deu-mo nos meus anos.

Eu compro-te um, compro-te um igual.

Não é o mesmo!

Mas o que...

Pode parecer-te igual mas, para mim, é tão diferente como o céu e o inferno.

Foi a primeira prenda de anos dela para mim!

Um igual não é o mesmo!

O que estás a dizer? Porque é que não é o mesmo?

Senhor?

Senhor!

Senhor, tenha cuidado!

Atenção aos pés!

Por baixo do seu pé! Aí mesmo!

- Faz qualquer coisa! - Calma!

Aí mesmo! Por baixo do pé! Cuidado!

Isso mesmo, senhor!

Senhor, ponha o espelho no bolso.

No bolso, no bolso, senhor!

Senhor!

Devagar, devagar. Agarre a minha mão.

Aqui está.

A sua mãe deu-lho. Por isso, deve ser-lhe precioso.

Isso foi muito perigoso!

Avô!

Avô!

Lembra-se do que me perguntou?

O quê?

Sobre a hena no meu peito.

Sim.

Foi quando percebi que o senhor queria experimentar.

Não, não.

Não está a falar a sério!

Tem curiosidade sobre o que fazem os adolescentes e eu sobre os adultos.

Não quero mesmo.

Vá lá.

Deite-se.

- Deite a cabeça na minha perna. - Na sua perna?

Senão, como vou desenhar?

Desabotoe a camisa.

Um, dois, três.

Avô.

O seu peito é muito suave.

É?

Pare de se mexer. Não consigo desenhar bem.

Feche os olhos.

Está bem.

Parece que os adultos também têm cócegas.

Eu tenho cócegas nos tornozelos.

Mesmo abaixo do tornozelo, na parte côncava.

Não.

Não.

“Facilmente conseguia envolver o tornozelo da Eungyo com a mão.

O calcanhar dela escapava-me pelos dedos.

E ela ria-se.

‘Ah, ah.’

A sua cabeça perfumada repousou por baixo do meu queixo.

E os meus lábios já estavam enredados no seu cabelo.

Ela suspirou como um fole.”

Avô, já pode abrir os olhos.

Veja.

É igual à minha.

Pois é.

PORQUE É QUE TE CONHECI?

“Segurei-te nos meus braços.

Acariciei o teu cabelo, os teus ombros, a tua cintura,

e pus o meu ouvido no teu peito, para escutar o bater do teu coração.

Estavas tão incrivelmente bela. Sentia-me incrivelmente subjugado.”

NÃO GRAVAR

Eungyo, podes fazer-me um favor?

Não, acho que estou com gripe.

Podes trazer-me medicamentos? Só algumas aspirinas.

Olá?

Está alguém aqui?

Como estás da gripe?

Tu!

- O que lhe estás a fazer? - O quê?

Ele não é quem tu julgas, percebes?

É um homem nobre!

Como é que sabes o que ele é para mim?

O que estás a dizer? O que é que eu fiz?

Como sabes o que ele é para mim?

Bate uma, seu idiota.

O que é que tu disseste? Bato uma?

O que é que disseste? Eu podia...

Estás a pô-lo em perigo.

Em perigo?

Se não tivesses andado a brincar com aquele espelho. Sim, o espelho!

Se não tivesses chorado, ele não teria arriscado a vida.

Foi por tua culpa que o deixei cair!

O que tem aquele espelho de tão especial?

É apenas um entre milhares, numa fábrica.

Podes comprar um igual várias vezes. Porquê tanto alarido?

- Foi uma prenda de anos da minha mãe! - E então?

Achas que está impregnado do amor dela?

Toma.

Já me tinha esquecido de que estudaste engenharia.

Engenharia?

Ele falou-me do dia em que vocês se conheceram.

Falou o quê?

Levaste dez anos a perceber que nem todas as estrelas são iguais.

O que acham que “isto” significa?

Sim?

Uma estrela.

Este é o exemplo que melhor ilustra a modernidade e a autorreferência na poesia.

É importante porque este poema dá ênfase à originalidade.

Professor.

Comparar algo tão belo como uma estrela...

...a comida de ganso ou a um muro de uma prisão...

...é considerado sentimento poético?

Eu conheço-o? Acho que não nos conhecemos.

Chamo-me Seo Jiwoo. Estou no 2º ano, no departamento de Engenharia Inorgânica.

Não sei quem lhe disse que as estrelas são bonitas.

As estrelas não são bonitas ou feias.

As estrelas são apenas estrelas.

Para os amantes, as estrelas podem parecer bonitas.

Mas, para uma pessoa com fome, podem parecer uma comida saborosa.

Se está na indústria inorgânica, a estrela pode parecer-lhe cheia de pesticidas.

Professor.

Inorgânica refere-se a materiais como cerâmicas e minerais.

Não a comida inorgânica.

O que mais te disse ele?

Falou de quando esteve preso,

de como aprendeu a arranjar carros, lá.

Ele consegue desmontar e voltar a montar um carro.

O que é que ele disse sobre mim?

Não sei.

Há alguma coisa que não devesse ouvir?

Ou alguma coisa que queres que ouça?

Então, este é O Coração.

Quero lê-lo. Posso levá-lo emprestado?

Olá, chegaste a lê-lo?

O quê?

Refiro-me a O Coração.

O teu romance?

Não, tenho andado ocupada com os exames deste período.

Não o leias, se ainda não começaste. É um romance comercial vulgar.

Espera! O que julgas que estás a fazer?

Qual é o problema?

Ele guarda os manuscritos aqui. Não é prático.

Já o viste a escrever?

É-lhe difícil andar para a frente e para trás. Este sítio é perfeito.

Não, não faças isso! Ele detesta ver as coisas fora do lugar.

Ele não gosta de mudanças.

Porquê desperdiçar esta arca bonita?

Já estava aqui ainda não tinhas nascido. É mais velha do que tu!

E se for mais velha do que eu? Ajuda-me a levá-la. Fica melhor aqui.

Vai-te embora.

Sai.

Achas que não o faço? Não! O que...

Sai daí, vá.

Sai, já te disse!

Sai daí, vá.

Não faças isso. Eu disse-te para saíres.

O que se passa contigo?

Já te avisei! Sai!

Aí vem ele!

Afasta-te daqui. Sai lá!

Avô!

LEE JEOKYO

EUNGYO

MINHA VIRGEM... EUNGYO

- Avô, passei o dia a limpar a biblioteca. - Passou?

Sim, não adiantei muito.

Avô, em relação àquela arca,

queria movê-la, para o ajudar, mas ele não me deixa.

O que fazes?

Eungyo, deixa-a estar.

Todos os móveis de madeira gostam de criar raízes em determinados sítios.

Já aí estava ainda não tinhas nascido.

Não quero que seja arrancada.

Desculpe.

Senhor, a data do encontro foi marcada.

Será na segunda-feira, ao almoço.

Fiz uma reserva no seu restaurante preferido.

Quem vai?

Representantes do município e elementos do Museu de Literatura Camélia.

Também quero ir.

Por favor, posso ir?

Agora estás a abusar.

Porque não posso ir?

Posso ir depois das aulas, vocês dão-me boleia.

Pode ser por volta das 18 horas.

Boa!

- A comida lá é muito boa. - A sério?

Vamos, só nós os dois.

É verdade, já leste O Coração?

O Coração?

Já o leste?

Sim.

O que achaste?

Fiquei agradavelmente surpreendida. É bom.

E o senhor?

É um romance de género, mas não é apenas isso.

É poético e mostra uma profunda introspeção do ser humano.

Senhor.

Mas acho que ele não gosta. Chamou-lhe um romance comercial vulgar.

Não o quis dizer assim.

Um pai nunca renega os seus filhos, por mais problemas que possam dar.

Tome uma bebida.

Talvez queira dizer alguma coisa.

Sabem...

...que idade tinha a rapariga do Camélia?

Está a falar da rapariga que o salvou dos comunistas?

Ela tinha 17 anos, apenas 17 anos.

Sobre o museu de literatura, senhor.

Eu vou andando.

- Porquê, senhor? - Não comeu nada.

Não tocou na comida.

Já está de saída? Onde é que vai?

Este jantar é em sua honra.

É algo de urgente? Talvez um encontro com a sua namorada?

Posso mostrar-lhe uma coisa?

Aqui, senhor?

- O senhor fez uma tatuagem? - Ainda na moda e com estilo.

Ena, que porreiro.

Esperem que eu morra, se quiserem construir esse museu de literatura.

Mas terão de esperar muito tempo.

Obrigado por ter vindo. Telefono-lhe em breve.

Adeus, senhor.

Eles estão ansiosos por que eu morra.

Não constroem museus sobre pessoas vivas.

Vou-me embora.

Porque é que o Seo Jiwoo o segue como um cão?

- O que queres dizer? - O que espera ele obter?

Reconhecimento! Apenas reconhecimento.

- Reconhecimento? - De que mais ele precisa?

Avô!

Ainda faltam 20 minutos. Esteve à minha espera?

Bem...

- Já esteve num sítio como este? - Não.

É um excelente sítio para conviver. Está dividido em vários temas.

Com licença.

Chá de marmelo?

- É para mim. - Para o Avô.

- OMD. - Desculpe?

Há algum problema?

Não.

Estou só a agradecer.

A agradecer?

Sim, não há problema nenhum.

- Obrigada. - Não tem de quê.

Bom apetite.

Avô!

OMD é uma expressão que nós usamos...

...quando nos sentimos surpreendidos, espantados, embasbacados ou admirados.

É então que a usamos.

Não significa obrigado?

Não.

Bodhi!

É uma palavra budista que significa que fomos iluminados.

Bodhi!

Porquê? Foi iluminado?

É assim que um professor repreende uma aluna, quando esta procura testá-lo.

OMD!

EUNGYO

Que diabo!

Ele estará?

Senhor, está aí?

Senhor!

Não atendeu o telefone. Tenho algumas novidades.

Decidimos chamar-lhe Sala Memorial Camélia.

Tirámos o “museu de literatura” do título.

E...

...eles querem expor o seu manuscrito.

Está bem.

Os elementos do município vão ficar encantados.

O Sr. Seo Jiwoo está?

Os autores de sucesso estão sempre ocupados.

Como é que O Coração está a vender?

Mais de 800 000 cópias.

O Sr. Seo conseguiu uma boa quantia com as royalties.

Oitocentas mil cópias.

Fizemos mais 30 000, na semana passada, logo, para ser exato, são 830 000 cópias.

Normalmente, a popularidade e a seriedade não andam de mãos dadas.

Felizmente, creio que o Sr. Seo conseguiu reunir as duas.

Já conhece o conto mais recente que ele escreveu?

Um conto?

É uma das suas melhores obras.

Os círculos literários estão em polvorosa por causa dele.

É assim tão bom?

Qual é o título?

O senhor devia lê-lo.

O título é Eungyo.

Eungyo?

É o nome de uma miúda do secundário.

Senhor, então, vou andando.

LIVRARIA

Senhor, é bom vê-lo.

Onde estão as revistas literárias?

Estão ali, na secção das novidades.

São muito populares, não sei porquê.

Sim, aqui.

Senhor, estou aqui.

Quer uma chávena de chá?

Temo que lhe possas ter posto veneno.

ALDEIA DA LITERATURA

Tens alguma coisa a dizer?

Fi-lo porque...

... era demasiado belo.

O quê? Fizeste-o porquê?

Assim que vi o seu manuscrito...

...não consegui deixar na arca uma obra de tamanha beleza.

Tinha de a dar a conhecer ao mundo.

Achas que isso é desculpa?

Como é que tu, um ladrão, te atreves a falar de beleza?

O senhor é que me criou.

O quê?

Foi o senhor que propôs que O Coração fosse publicado em meu nome.

O senhor quis fazê-lo.

Escreveu-o por diversão.

Considerei-o o teu ordenado.

Não tens talento, mas fazias-me companhia.

Escrevi-o em teu nome como uma oferta.

Está arrependido, agora que se tornou um sucesso?

Quer contar a todos que o escreveu?

A tensão está a enlouquecer-me.

Já não sei quem sou. Sou o Seo Jiwoo ou uma máscara do Lee Jeokyo?

O que é que recebi, por viver como a sua máscara?

Dinheiro? Quer que devolva as royalties?

Está calado!

Porque é que este é diferente de O Coração?

- Para com isso! - As pessoas não vão perceber!

A relação entre um homem de 70 anos e uma miúda do secundário não é amor, nunca!

É um escândalo.

Um escândalo obsceno!

Não o poderá publicar com o seu nome.

O senhor sabe!

Uma história sobre um poeta nacional a fazer sexo com uma menor?

Um escândalo obsceno?

- O senhor é um velho. - Dizes que é obsceno?

Porque é que não admite?

Filho da mãe! Não voltes a aparecer aqui!

Os teus olhos são assustadores! Sinto-me enojado só de ouvir a tua voz!

Tu és um ladrão!

Nunca tiveste potencial!

Nunca gostei desse teu olhar, como o de um lobo.

Para onde olhas? Arranco-te os olhos!

Atreveste a dizer que é obsceno? Achas que é um escândalo obsceno?

Seu sacana!

Sei que está aí.

Não sei porque é que não me deixa entrar.

Não me consigo concentrar nos estudos e os exames não me vão correr bem.

Porque é que dói tanto?

Não sei porque é que dói tanto.

ALDEIA DA LITERATURA

“Facilmente conseguia envolver o tornozelo da Eungyo com a mão.

O calcanhar dela escapava-me pelos dedos.

E ela ria-se.

A sua cabeça perfumada repousou por baixo do meu queixo.

E os meus lábios já estavam enredados no seu cabelo.

Ela suspirou como um fole.

Segurei-te nos meus braços.

Acariciei o teu cabelo, os teus ombros, a tua cintura.

e pus o meu ouvido no teu peito, para escutar o bater do teu coração.

Estavas tão incrivelmente bela. Sentia-me incrivelmente subjugado.”

Leste-o?

A Eungyo lê o Eungyo.

Todos os escritores fazem isto?

Roubam as histórias dos outros, usando os nomes sem autorização?

Desculpa.

Tu é que escreveste isto?

Como é que soubeste da hena dele?

Foi ele que me contou.

Ele contou-te?

Ele falou-te disso?

Vocês não guardam segredos um do outro?

O que é ele para ti?

O meu estimado e respeitado professor.

Uma figura paternal.

Quer dizer que tu também lhe contas tudo?

Sim.

Sou tão bonita, na história.

Obrigada.

Porque é que estás a fazer isto?

É porque gostas de mim?

Sinto-me só, é por isso.

Vais contar-lhe isto?

Já era hora de telefonarem.

Nunca hão de escolher um escritor de género ou de sucesso.

Finalmente.

Vencedor do Prémio Literário anual, Eungyo, de Seo Jiwoo.

A sério?

A sério. Eungyo.

Ganhei o Prémio Literário Anual?

Eu disse-te que ias ganhar.

Os juízes foram jantar.

Ena.

O Sr. Lee Jeokyo leu o Eungyo?

Sim.

O que disse?

Disse-me isto:

“É como...

...se tivesses entrado na minha cabeça.

É assustador.”

35º PRÉMIO LITERÁRIO ANUAL LEE SANG

Sr. Seo.

Pensava que ele não vinha?

- Não. Porquê? - Está aqui.

Ele está aqui.

O vencedor do 35º Prémio Literário Anual Lee Sang é Eungyo,

escrito pelo Sr. Seo Jiwoo.

É uma honra poder apresentar um convidado especial.

Veio proferir um discurso de parabéns.

Creio que esta é a sua primeira aparição pública.

O Sr. Seo Jiwoo chamou-lhe uma figura paternal.

É conhecido pela sua combinação estética de poesia lírica e realismo.

O verdadeiro poeta da sua geração, o Sr. Lee Jeokyo.

Eu, Lee Jeokyo, sou um homem velho.

Roethke disse...

...que envelhecer...

...era como carregar o peso do que não se fez.

Assim como a juventude...

...não é um prémio pelos nossos esforços...

...a minha velhice...

...não é um castigo pelos meus defeitos.

O romance Eungyo...

...é como a chuva que cai na terra seca.

Vai ser difícil escrever uma história mais bela...

...mais verdadeira ou mais plena.

Avô, muitos parabéns!

Trouxe-lhe um bolo e uma prenda.

Avô.

As suas janelas estão tão sujas.

Quer que as limpe, como prenda de anos?

A Eungyo está aqui.

Não parece contente por me ver.

Não, estou contente.

Avô.

Aqui tem o sal.

Tem muito bom aspeto.

Veja só isto, Avô!

Parece ser bom.

Também trouxe velas.

Vamos acender só uma.

O quê?

Acenda só uma vela.

Está bem.

O nosso escritor famoso está aqui.

Senhor.

Muitos parabéns.

Agora, vou andando.

Ele é diabético. Não pode comer bolo.

Sr. Seo!

Venha cá. Tome uma bebida, antes de partir.

Provem.

Vamos a isto.

Que tal estão, a minha salada e a minha sopa?

Estão muito boas.

Estão, não estão?

Avô, sabe quando é que se começou a beber vinho?

Encontraram uma garrafa de vinho com 4000 anos, na Geórgia.

É quase tão antigo como a raça humana.

Porque é que fazes perguntas a ele e não a mim?

Não o incomodes.

Nunca tens boas respostas.

É mais fácil, quando ele explica as coisas.

Tu és demasiado vago.

Um engenheiro típico.

Não sei como é que ele se tornou escritor.

Que mal tem ser formado em engenharia?

Escreveste poesia como ele, como o Avô?

Eu queria escrever poesia, queria-o desesperadamente.

Escreveste romances porque não conseguiste fazer poemas?

Então, a poesia é o patamar mais alto?

A poesia é superior.

Sabias que...

Eu, Seo Jiwoo, o romancista de género...

As pessoas desprezavam-me...

...mas, agora, adoram-me...

...só porque ganhei um prémio.

Os grandes críticos, que nunca me tinham telefonado...

...agora, não se fartam de mim.

O senhor é nobre. E depois?

É um poeta nacional. E depois?

O essencial é triunfar.

Dê por onde der!

Já não sou uma máscara.

Sou o Seo Jiwoo...

...e vou mesmo triunfar, senhor.

Realmente.

Tenho uma pergunta para si.

Quero que seja meu aluno, na próxima vida.

Porque acha que quero isto?

É a pergunta?

Para ele tratar da minha roupa e cozinhar.

Estou embriagado. Agora, vou para a cama.

A Eungyo devia ir já para casa.

Não disseste que tinhas um encontro ao pequeno-almoço, amanhã?

Vai para a cama.

Não é um encontro.

É uma palestra.

Boa noite, senhor.

Eu não preciso de dormir muito.

Ainda sou novo.

Muito obrigado.

Transformou um engenheiro num escritor.

Quem é que não sabia nada sobre estrelas? Obrigado, senhor.

Parabéns, Avô.

Boa noite.

É melhor ir para a cama.

Boa noite, Eungyo.

Aqui? Nesta parte côncava?

Tens cócegas aqui?

- Aqui e aqui. - Não!

Gostas muito de mim?

Gostas muito de mim?

Sabes porque é que as adolescentes fazem sexo?

Porque gostas de mim.

Voltaste porque gostas de mim.

Porque me sinto só.

Também me sinto só. É por isso.

Quem é que mexeu nisto?

A direção está descontrolada.

Tem sorte em estar vivo!

- É porque o carro é velho? - Não.

Alguém a desapertou.

- A desapertou? - Sim.

Se alguém a desapertou, quer dizer que foi de propósito.

Se o fizeram, queriam matá-lo.

Quem mexeu neste carro?

E é muito recente.

Veja, não há sinais de óleo.

Vê como um trabalho amador pode ser perigoso?

As pessoas acham que só precisam da Internet para arranjar um carro.

Julgavas que deixava que me matasses, velho?

Eu conheço bem a tua cabeça. Sei tudo sobre ela, velho.

Bolas!

EUNGYO

DESLEIXADO

O meu...

O meu estimado e respeitado...

...professor, que...

Como é que ele foi capaz de me fazer isto?

Depois de tudo o que fiz. Nenhum filho teria sido mais leal!

Tem uma mensagem nova.

Eu...

Eu matei o Seo Jiwoo.

Avô.

Cheira tanto a álcool.

A minha mãe.

Os calcanhares dela estão a gretar outra vez.

Como cortiça.

Ela voltou a raspá-los com uma faca.

De cócoras.

Eu estava a vê-la...

...quando, de repente, me lembrei.

Lembra-se da noite em que vim cá?

Desse momento.

Desse ar.

Dessa temperatura, dessa humidade.

Desse calor.

Algumas coisas não podem ser sentidas, por muito que as expliquemos.

Mesmo que tivesse contado a alguém...

...uma terceira pessoa nunca o conseguiria descrever.

Um engenheiro, que acha que todos os espelhos são iguais.

Como podia ele saber?

O Eungyo pertence-lhe.

O senhor escreveu o Eungyo.

Obrigada...

...por me fazer tão bonita, na história.

Eu...

Não sabia que era tão bonita.

Não fazia ideia.

Eu não sabia nada, como uma idiota.

Eu era apenas uma idiota arrogante.

Era tão estúpida.

Adeus, Avô.

Adeus...

...Eungyo.

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