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Embora a história se baseie na realidade,
as personagens e os diálogos são fictícios.
Não!
-Está bem assim? -Sim.
Obrigado.
Deviam ter uma arma no balcão. É um roubo.
Este levou-me o dinheiro todo.
-Compraste algo aos miúdos? -Eles estão a dormir.
-Mas trouxe-te uma coisa. -Boa.
Que mais tens aí para mim?
Só carne.
-Também tenho carne para ti. -Para...
-Para! -Dá-me um beijo pelo menos.
Está bem, mas há aqui pessoas. Para de me tocar.
O Giménez é esperto.
Viaja sempre para o Brasil para evitar este brinde.
Não sairei da Argentina pelo menos durante dois anos.
Ouviram falar do tsunâmi na Tailândia?
É de loucos. Não consigo entender.
Imagina! Ouves um barulho, viras-te
e vês uma onda de 30 metros, do tamanho de um arranha-céus, a vir na tua direção.
Não, eu morria!
Ou é um Príncipe Encantado, ou a morte, pronto.
-Ano Novo, nova Betty? -Exatamente.
-Vou estampar isso numa T-shirt. -Adoro!
Não entendo. Estou farta de me desiludir, percebes?
Talvez esteja a ficar velha ou já passou muita água debaixo da ponte.
A ponte inundou-se.
Aposta nos botes salva-vidas, então. Não tens escolha.
É a única solução.
INCÊNDIO NO CROMAÑÓN
...como acontece durante as festas.
Atenção, temos uma notícia de última hora. Estamos a ouvir, Daniel. Força.
Minha senhora, que aconteceu?
Houve um incêndio num sítio cheio de jovens.
-Quantas vítimas? -Não sabemos.
-Feridos? -Bastantes.
Estamos aqui em Once, em Jean Jaurès e Bartolomé Mitre.
São imagens terríveis.
Há uma grande quantidade de ambulâncias.
Os mesmos jovens que assistiam ao concerto
estão a ajudar outras pessoas aqui no Cromañón, que ardeu.
Daniel, o que nos contas é terrível. Já se sabe a causa do incêndio?
Não se sabe bem, mas poderá ter sido uma tocha.
CROMAÑÓN: THE NIGHT OF THE FIRE
Por favor, Malena, atende.
Estou, Betty?
Estou?
Betty, estou a ouvir-te mal. Estou na estrada e tenho pouca rede.
Fala baixo. Os miúdos estão a dormir.
Como assim, um incêndio?
Que aconteceu?
Sabes algo dos miúdos?
Está bem.
Conta-me o que aconteceu.
Houve um incêndio no Cromañón.
Esperem...
Silvia?
Não, não percebo o que dizes.
Não, não percebo o que dizes, Silvia. Acalma-te. Que se passa?
Acalma-te, Silvia. Que foi?
O quê?
Estou?
Adri, diz.
Tens notícias do Nico?
Eu também não.
Chego daqui a dez minutos.
Muitas pessoas são levadas à pressa para hospitais em carros da polícia,
porque não há ambulâncias suficientes disponíveis.
A situação é caótica e as urgências dos hospitais...
Nada!
Continuaremos a informar do local.
Senhor, imploro-Te. Por favor, que eles estejam seguros.
Tamara, filha!
Que alívio! Graças a Deus.
Estás bem, querida?
-Está com o Lucas? -Estás com o teu irmão?
Ele está bem.
Sim, querida, está tudo bem.
Querida, estamos a chegar...
Não te preocupes, querida, estamos a chegar. Onde estás?
Onde está ela?
Não te preocupes, querida. Já passou. Sim, já passou.
Pronto. Onde está ela?
-Já passou, Carlos. Graças a Deus. -Em que rua está ela?
Ela não está com o Lucas agora, mas viu-o há bocado
e ele estava bem. Sim.
No cruzamento da Bartolomé Mitre com a Ecuador.
Já passou.
-Desculpe, estou à procura da minha filha. -Não sei, senhora.
Estamos a fazer uma lista dos falecidos. É tudo o que temos até agora.
Sofía!
Minha senhora, atrás da barreira.
Vá filmar aqueles miúdos.
Vá filmar os que estão vivos.
Não filme. Não vê que há aqui pessoas a morrer?
Filme os que estão vivos para as famílias os verem.
Oxigénio, por favor! Oxigénio!
Malena Guzmán, é a minha filha.
Não, não está aqui.
Veja nos hospitais da zona para onde estão a levar os feridos.
Há outra lista na rua Junín.
-Onde está o meu filho? -Como se chama?
Luciano Galíndez.
Luciano Galíndez.
Tamara!
Tamara.
-Mãe... -Já passou.
-Estás bem? -Já passou.
Mãe...
Já passou, querida.
-Já passou. -Está tudo bem.
-Já passou. -Não...
Já passou, meu amor.
Estamos aqui, já passou.
Está tudo bem agora, meu amor. Coitadinha.
Aguenta-te, miúdo. Estamos quase.
Tamara.
O Lucas?
Onde está o teu irmão?
Onde o viste? Ele estava bem.
Onde o viste?
-Onde está o Lucas? -Não...
Filha.
Ele não sobreviveu.
Ele tentou, mas não sobreviveu.
O quê?
-O quê? -Ele não sobreviveu.
Ele não...
Acabei de saber.
O Nico viu-o.
Estou à procura do meu filho. Chama-se Lucas Binder.
-Falecido? -Sei que ele está aqui.
Força. Deixem-no passar.
Ele não está ali.
Para onde estão a levar os corpos?
Para as morgues dos hospitais.
-Que morgues? Que hospitais? -Carlos...
Não posso procurar em todo o lado.
É o que toda a gente está a fazer.
-Com licença. -Deixem-nos passar.
Deixem-nos passar.
-Senhor, acalme-se. -Está a dizer que não tem informações.
Como é possível?
-Eu entendo. -Por favor.
-Alguém tem de saber! -Estão a chegar informações.
Iremos partilhar as informações.
-Com licença. -Não estão a fazer nada.
Isso não é verdade. Estamos a trabalhar.
Estamos desesperados, não percebe?
Paciência, por favor.
Por favor, ainda não recebemos nenhuma informação.
Assim que conseguirmos, dar-vos-emos os dados dos feridos e dos hospitais.
Porque não há lista? Disseram que havia aqui.
Quer que sejamos pacientes?
-Não aguentamos. -Queremos saber onde eles estão.
Sergio, está aqui a lista.
Silêncio, por favor.
A lista dos primeiros feridos.
-Leia lá! -Silêncio, por favor!
Anselmi... Por favor!
-Ela tem 16 anos... -Anselmi, Mariana.
-Hospital Ramos Mejía... -Não o ouço!
-Aranovich, Diego, Hospital Fernández. -Deixem ouvir.
-Gandolfi, Martín. -É o meu neto!
-Minha senhora... -O meu neto!
Gandolfi, Hospital de Queimados.
Silêncio, é difícil ouvir. Por favor!
Gutiérrez, Sandra, Hospital Fernández.
-Irusta, Marcelo... -E Guzmán?
-Hospital Argerich. -Não tem uma Guzmán?
Está por ordem alfabética?
Não, estamos a fazer o que podemos. Não tem ordem.
López, Javier, Hospital de Queimados.
Por favor.
Por favor.
-Ajudem o meu filho! Está a sufocar! -As urgências são por aqui.
A minha filha está aqui?
Precisamos de uma maca, por favor!
-Fiquem aqui. -Está bem.
-Senhora, onde é a morgue? -Um minuto, por favor.
Florencia Castillo, a minha filha. Está viva?
-A morgue? -Ao fundo do corredor.
A minha filha, Chiara! Viram a minha filha, Chiara?
Chiara García, a minha filha...
Lamento.
A minha filha...
Chiara!
Queres esperar lá fora?
Vamos.
URGÊNCIAS
Pai!
MÉDICO-LEGISTA
Lucas...
Não...
Não!
Não, Lucas!
Senhor, que está a fazer?
Não!
Não me toque!
Por favor.
Só quero levar o corpo do meu filho.
Entendo, senhor, mas terá de esperar pelo transporte
que transferirá o corpo do hospital para o médico-legista.
Como imagina, todos os cadáveres serão submetidos a autópsia.
O meu filho está morto.
Eu mesmo o encontrei aqui,
nesta morgue, depois de procurar em outros dois hospitais,
e está a dizer-me que não posso levá-lo?
Não sei o que dizer.
Agora, depende da medicina legal.
Todos os falecidos têm de ir para lá antes de serem devolvidos às famílias.
Vou fazer uma cópia dos documentos para terminarmos isto.
-Nome? -Víctor.
Víctor, consegues ouvir?
Faça alguma coisa!
Ajude-o!
Vá lá, ele é meu amigo!
MEDICINA LEGAL
Ele não devia ter ido!
Porque o deixei?
Vamos tentar identificá-lo, mas não sei.
Sim...
Sim, Techera.
-Vim à procura do meu filho, que... -Um segundo. Já lhe ligo.
...morreu no Cromañón.
Disseram-me no hospital que o trariam para aqui.
Como posso saber se ele está aqui?
Pode esperar com os outros, por favor?
Não entende a situação?
O meu filho acabou de morrer.
Só quero saber se ele está aqui.
Tem a identificação ou a certidão de nascimento dele?
Não compreende.
-Compreendo. -Não, não compreende.
Compreendo,
mas não pode levar o corpo dele sem a certidão de nascimento do rapaz.
-Isto é alguma piada? -Não. Não posso fazer nada sem isso.
Senão, qualquer pessoa...
Chame o seu chefe. Diga-lhe que um advogado quer falar com ele.
Pode acalmar-se?
Vá buscá-lo ou terá grandes problemas! Vá buscá-lo.
Alguém lá fora diz que é pai...
Boa noite.
Todos queremos saber onde estão os nossos filhos falecidos,
mas ninguém nos diz nada.
Peço que sejam pacientes.
Que sejamos pacientes?
-Pacientes? -Acalme-se, senhor.
Todas as pessoas que vê a trabalhar cancelaram as férias para estar aqui.
Estamos a fazer os possíveis, mas não podemos fazer magia.
Lamento...
Da próxima vez que um dos nossos filhos morrer,
tentaremos que seja antes ou depois das festas
para não vos estragarmos as férias.
E vão para a puta que vos pariu!
Vejamos os números confirmados em conferência de imprensa
pelo presidente da câmara de Buenos Aires.
Cento e setenta e cinco vítimas, número que ainda pode aumentar.
Treze são crianças com menos de 11 anos...
A maior parte das mortes foi por asfixia
e queimaduras graves nas vias respiratórias superiores...
Não considerámos os corpos não identificados,
um sentimento doloroso para os argentinos,
que provoca desespero em tantas pessoas
que continuam a vir aqui...
...as consequências deste terrível acontecimento.
A tragédia comoveu até o Papa João Paulo II,
que transmitiu as suas condolências ao povo argentino.
...mas as famílias argentinas estão divididas.
Em alguns casos, porque um ente querido já não está cá.
Noutros casos, porque esses entes queridos estão no hospital.
O que vemos em todo o lado é desespero.
Os acidentes podem acontecer, fazem parte da condição humana,
mas as licenças terão sido concedidas sem conformidade de segurança...
Não há número oficial de mortos, desaparecidos ou feridos...
Infelizmente, foi ali que ocorreu a catástrofe
e onde procuramos respostas para as nossas questões...
Temos de questionar.
-Porquê a falta de segurança? -Não, esquece.
-Porquê os cadeados? -Não vamos a Mar del Plata.
Há 175 vítimas e mais de 600 feridos...
-Os miúdos estão com a Sandra, mãe. -Cada caso é uma história. Um nome...
Não sei se devemos trazê-los. Não vamos fazer nada.
-...o proprietário do Cromañón fugiu. -Está bem.
O PROPRIETÁRIO FUGIU
-A unidade de investigação... -Está bem. Depois, aviso-te. Beijinhos.
...e a polícia estavam à procura dele. Foi identificado como Omar...
-Não devíamos trazer os miúdos? -Para quê?
Para levarem com esta merda?
...o mundo do rock e do crime.
Aparentemente, Chabán estava na discoteca pouco antes de o incêndio começar...
Quando?
Está bem.
Sim.
Sim.
Claro que os processo.
Agora, não.
Não.
Não, depois ligo.
Isto é ultrajante.
A injustiça.
É de loucos.
Vou processá-los a todos.
Ao Ibarra, aos inspetores municipais...
A Tamara?
Está no quarto.
De que mais precisam eles, Carlos?
Quando o devolverão?
Amanhã ou depois de amanhã.
Mas...
...temos de nos organizar, porque...
Aqueles filhos da puta não podem escapar impunes.
Estava a pensar que...
Talvez pudéssemos...
Não podemos cair.
Se cairmos, eles ganham.
Sim.
Mas também não podemos mentir a nós mesmos.
Não consigo fazer o que fazes,
lutar e discutir...
Só quero ver o Lucas, Carlos.
Quero o meu filho.
Buenos Aires prepara-se para uma passagem de ano muito dolorosa.
Familiares e amigos das vítimas do Cromañón
reúnem-se espontaneamente na praça Once,
onde montaram um santuário perto da discoteca onde se deu a tragédia.
Exatamente, Fabio. Com forte presença policial...
Muito bem, ela terá alta em breve.
Não se preocupe, ela ficará bem.
Só precisa voltar para fazer exames. Mais nada.
-Depois, aviso. -Obrigada.
Mãe...
Não percebo nada.
Eu sei, querida. Eu estou aqui.
Estou aqui contigo.
Estou aqui contigo, minha querida.
O Lucas, mãe.
Eu sei, querida.
É tudo muito triste.
Quero ir à praça em Once.
Está bem, depois vemos.
Agora, descansa, está bem?
Nada é como pensei
Na montanha, o silêncio
Posso cruzar também
Posso juntar-me a eles
Ouvi-te dizer
O que perdi
Continua aí
MENSAGEM ENVIADA JAVI
Há uma sombra
À minha frente
O que perdi
Continua aí
NOVA MENSAGEM BICHITO
Nada é como pensei
1 - ACUSAÇÕES CRIMINAIS 2 - RELATÓRIOS DE PERITOS
3 - RESPONSABILIDADES
Na cidade deserta
Posso cruzar também
Posso juntar-me a eles
E ouvi-te dizer
INSPETORES - IBARRA LICENÇAS DA DISCOTECA
EMPRESA - CROMAÑÓN
O que perdi
Continua aí
Há uma sombra
À minha frente
POLÍCIA - SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA CALLEJEROS
O que perdi
Estou grávida.
Há uma sombra
À minha frente
O que perdi
Continua aí
Tami.
Basualdo, Analía. Galíndez, Luciano.
Santos, Mariano.
Palacio, Romina. Contreras, Pablo.
Peralta, Francisco.
Tomassi, Cristian. Bustos, Melina.
Sousa, Ismael. Dieguez, Sofía.
Montserrat, Sabrina. Miguel, Federico.
Landa, Sergio. Portillo, Martina.
Lotto, Raul. Maidana, Fernando.
Gutiérrez, Bárbara. Vila, Alejandro.
Ali, Benjamín. Moran, Fernando...
Legendas: Nadine Gil
Supervisão Criativa Hernâni Azenha
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