All language subtitles for The.Law.According.to.Lidia.Poet.S01E04.Episode.4.720p.NF.WEB-DL.DUAL.DDP5.1.H.264-WDYM

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Original subtitles

- Assassina! - Devias ter vergonha.

És uma assassina!

Assassina!

- Assassina! - Devias ter vergonha.

Pare.

Quero olhar para eles.

A LEI DE LIDIA POËT

A GAZETA DE PIEDMONT MARGHERITA SANGIACOMO NO TRIBUNAL AMANHÃ

Como me visto para o teu baile?

Com elegância?

Como um bobo?

Irás mais bem vestido do que eu, tio.

Obrigada, Jacopo. O teu espírito é sempre oportuno.

O espírito sopra onde quer. Já diz o Evangelho.

Mate certa, pater numquam.

Exato!

O que achas tu?

Perigoso, o espírito. Às vezes, leva-nos a lugares obscuros.

Tenho a impressão de que me reprovas por algo, mas não sei o quê.

- Não? - Não.

De todo. Estava a ler sobre a Margherita Sangiacomo. Estava distraída.

O julgamento começa hoje, pois é. Que horas são?

Vais escrever que ela é culpada, como toda a gente?

- Não achas que é? - Não.

Acho que todos a querem prender porque a odeiam.

E odeiam-na porque é uma mulher que estudou, que se formou,

que fez tudo o que uma mulher não devia fazer.

Não. A senhorita Sangiacomo tinha um motivo.

O professor roubou-lhe os resultados da investigação.

E tinha acesso ao veneno e foi a última a estar com Braschi antes de ele morrer.

Sim. Todos os professores da faculdade têm acesso ao veneno.

Ouve. Eles almoçam juntos.

O zelador fecha tudo e os dois ficam lá.

O professor é encontrado morto na segunda de manhã no gabinete dele.

Quem mais poderia ter sido?

Veremos.

- Aonde vais? - Os julgamentos são públicos.

Após ter examinado os documentos do procurador

e, de acordo com a minha cliente, a senhorita Margherita Sangiacomo,

a defesa tomou uma decisão que espero que o tribunal leve em conta,

especialmente tendo em conta a saúde dela.

Ela adoeceu na prisão. Por isso, ficou em liberdade provisória.

... admite a responsabilidade dela.

Silêncio! Senhoras e senhores!

- E pede... - Por favor!

Senhoras e senhores, silêncio, por favor!

E pede para ser ouvida pelo tribunal.

A minha mãe morreu

quando era muito nova.

Mas antes disse-me que não sabia quem era o meu pai.

O professor Braschi era como o pai que eu nunca conheci.

Ele permitiu que me licenciasse, num mundo em que uma mulher, em geral,

nem pode fazer exames do 3.o ciclo.

Portanto, não.

Não admito a minha responsabilidade. Sou inocente!

E o advogado Coletti já não tem a minha confiança.

Sr. Juiz,

isto é apenas um estratagema para adiar o julgamento.

A arguida tem direito a outro advogado,

mas dou-lhe apenas três dias.

Entretanto, de acordo com o artigo 205 do Código de Processo Penal,

ela ficará alojada no convento de Santa Severa, em Turim.

A audiência está adiada.

Pensaram que estava a fingir para não aguardar julgamento na prisão.

Disseram que uma febre alta não te deixa neste estado.

Mas não foi por isso que veio.

- Não. - Eu sei quem é.

Segui a sua história.

Agradeço, mas preciso de alguém que possa entrar no tribunal.

Sabes que um advogado oficioso nunca te absolverá.

O meu irmão estará no tribunal.

Precisas de alguém que faça tudo para que o júri acredite em ti.

Achas que sou um bode expiatório?

Sim, provavelmente.

Digamos que conheço os métodos do procurador.

Quando acha que encontrou um culpado, ignora as outras pistas.

Podemos demonstrar isso ao júri.

Queres levar o procurador a julgamento?

Não, quero levar ao tribunal todos os inimigos do Braschi,

mas preciso de saber se vocês tinham uma relação.

Quando estudaste na universidade, tiveste tempo para uma relação?

O Braschi passou o seu último dia contigo na universidade?

Não o dia todo.

O zelador diz que fechou às 19 horas e vocês ainda estavam lá dentro.

Terá morrido por volta das 20 horas.

Saí logo após o almoço.

E ele ficou lá sozinho.

Porque mentiu o zelador?

Não sei.

Quando saíste da faculdade, para onde foste?

Vim para aqui.

Alguém pode testemunhar isso?

A madre superiora, mas dizem que está demasiado envolvida.

Cresci neste convento

após a minha mãe morrer.

O teu pai?

A minha mãe era prostituta.

Sei por onde começar.

Se confiares em mim, o meu irmão terá todo o gosto em aceitar o teu caso.

- Achas que a madre está a mentir? - Até uma freira pode proteger alguém.

Foi por isso que o Coletti não usou o álibi.

Talvez outra pessoa a tenha visto.

- Talvez não, se estava na faculdade. - Não é isso que ela diz.

- Estás demasiado envolvida. - E tu és como os outros.

- Já a condenaste. - Dá-me isso aí.

Isto?

O Braschi roubou-lhe a investigação. Uma acusação pode basear-se nisto?

- Há também o zelador. - Enrico?

Diz que estavam sozinhos.

Falemos com ele. Verás que algo não bate certo.

Ouve, Lidia. Este caso não nos interessa.

Trabalhamos e tomamos decisões juntos.

Estamos a tomar a decisão errada.

- Pai, olha que vestido ridículo. - Tu decides, querido.

Albertina.

Eu gosto.

Não quero ir a este baile.

É a tua apresentação à sociedade.

Tem medo da atenção, mas podemos ajudá-la.

Para.

Senhorita.

Mais alguém tem medo de ser famoso?

- Outra vez? - Estamos a falar da nossa filha.

E nós, de uma oportunidade imperdível.

E eu suplico-vos que me deixem respirar!

Que oportunidade é essa?

Margherita Sangiacomo. Vem em todos os jornais. Não tem advogado.

Já respiraste?

Enrico.

Concordo com a tua irmã.

O quê?

A Dra. Sangiacomo chegou com professor Braschi

no domingo às 11 horas.

E, quando terminei às 19 horas, ela ainda não tinha saído.

Desculpem, também tenho de anotar os vossos nomes.

Lidia Poët. Enrico Poët.

Desculpem, estou ocupado.

- Mas que raio... - O que estás a fazer?

É a mesma porcaria que o Jacopo bebe para a ressaca.

Como se chama ele?

Leia no livro.

Não escreveu? E já se esqueceu.

O procurador sabe da sua paixão pelo álcool?

Isto pode ser problemático, dada a sua função.

Não, durante todo o tempo que estive aqui,

Sangiacomo não saiu da faculdade.

Falamos no tribunal.

Veremos se o júri acredita no testemunho de um alcoólico. Passar bem. Enrico, anda.

Não, espere.

Eu, às vezes,

adormeço.

E não vos posso dizer

se a senhora saiu nesse dia ou não.

Mas lembro-me bem de algo que vos pode interessar.

Naquele domingo, ao almoço, veio cá outra pessoa

e teve uma discussão feia com o Braschi.

- Ouvi os gritos daqui. - Porque não anotou?

Ele pediu-me para não anotar e, quando ele dá uma ordem,

convém obedecer.

Não tenho palavras. És um caso perdido.

Nem consegues calcular o PH de um ácido fraco!

- Professor Manganelli, olá. - Quem é a senhora?

Lidia Poët, assistente do advogado Enrico Poët.

Ferrero, deita fora essa porcaria e vai para o laboratório.

Filha ou mulher?

Perdão?

Tem o mesmo apelido do advogado.

Deduzo que seja nepotismo.

O Enrico é meu irmão. Defendemos Margherita Sangiacomo.

Queria saber

porque discutiu com o professor Braschi naquele domingo, há três meses.

Divergência de ideias. Tínhamos uma relação de respeito mútuo.

Que divergências?

Metade de Turim sabe que nesse domingo, desde o início da tarde até à noite,

estive no Clube de Uíste.

Se quisesse aproveitar a minha visita para envenenar o Braschi,

ele estaria morto antes das 20 horas.

Este álibi basta?

Não sou a pessoa que procura.

E, ao contrário da sua cliente,

não tinha rancor dele.

- Como assim? - A Margherita era ambiciosa.

E a ambição frustrada cria muito rancor.

Imagino que saiba isso.

Vá à merda!

Quando li sobre a Sangiacomo, pensei em ti.

Uma mulher, um génio, licenciada, e todos a querem ver na prisão.

- Devias ter cuidado. - Eu sei.

Na verdade, o Enrico diz que estou demasiado envolvida.

E o que diz o Enrico sobre o teu outro envolvimento?

Aquele Barberis...

- Não há envolvimento, Andrea. - Retiro o que disse.

É estranho.

Sim?

Na outra noite, vi-o sair de casa já muito tarde.

- Pronto, segui-o. - Seguiste?

Fiquei desconfiada. Tinha a certeza de que me estava a esconder algo.

Segui-o até uma quinta abandonada no meio do nada.

- E depois? - Nada. Ele...

... encontrou-se com uma mulher e beijaram-se.

Um final feliz para ele. Lamento por ti.

Não é isso. Há algo que não bate certo.

Porquê encontrar-se com uma mulher num sítio

tão sinistro?

- Não estou convencida. - Pois.

Tu é que não me convences.

Não te estás a apaixonar?

Estou focada no meu trabalho, na minha carreira e em mim.

Nunca me apaixonaria por esse Jacopo não-sei-das-quantas.

Não, só queria saber se tens dúvidas.

A ideia de que o trabalho não é tão importante

como a família,

o matrimónio, filhos...

Como para toda a gente.

Parece que tu achas mais isso do que eu.

Eu?

Não creio.

De todo.

Estes pensamentos andam aí pelo ar. Consegues senti-los?

Pensamentos estúpidos no ar?

Estás a sorrir porque me viste

ou porque te arranjei uma cliente?

Não. Estou só a sorrir, só isso.

Estás à minha espera?

Hoje, encontrei os teus apontamentos na mesa e...

... tomei a liberdade de os ler.

Não, estás a brincar.

Não.

Até escrevi

algumas sugestões.

Também estudaste Direito?

Nada disso. Na verdade,

entendi muito pouco deste extenso,

aliás, muito extenso ensaio académico.

Exato. Não sabes como é escrever um relatório para o Supremo Tribunal.

Não, mas sei que há sete juízes,

que são todos homens

e que não querem que lhes digam o que pensar.

Muito menos uma mulher.

O que quererias ouvir tu?

Uma história, Lidia.

A tua história.

Não escrevo romances, Jacopo.

E não vou contar a minha história a sete desconhecidos.

- Boa noite. - Boa noite.

Aqui está ela.

A Teresa?

- O que foi? - Senta-te!

Já estamos todos.

Marianna, estás linda.

O Cattani é o melhor costureiro de Turim.

Imagina os outros.

Não. Quer dizer...

Tens razão, tio. Pareço um abajur.

Não, Marianna. O teu tio...

Marianna, não corras que o rasgas.

Mentecapto.

Enfim, descobri que o arsénico demora dez minutos a fazer efeito.

Manganelli não estava na faculdade às 18 horas. Tem um álibi inatacável.

Vamos retirá-lo da nossa lista de suspeitos. Passa-me o chá.

Desculpa, Enrico, sabes muito de química?

- Sei o básico. - Exato.

O básico não chega.

Não posso dar essa informação, lamento.

E o professor nunca faria algo assim.

Ninguém o está a acusar.

Por favor, saia. Podem ver-nos.

Tens medo dele, não tens?

Ele está ansioso por te expulsar da faculdade.

Talvez ache que te daria uma boa lição de vida.

Como disse?

Não fazes ideia de quantos professores como ele já conheci, que te humilham,

pensando que é para o teu bem...

E tu achas que tens de aceitar.

Mas não é assim.

Não és obrigado.

Afinal, és um homem livre. Ou estou enganada?

Carvão vegetal.

O único elemento natural capaz de absorver outro elemento.

Retém a substância e liberta-a quando se dissolve.

Então, se tomar veneno com carvão vegetal,

fará efeito após algumas horas?

Quantas horas?

Duas? Três?

Até mais. Depende da quantidade consumida.

Obrigada.

Já agora,

o Manganelli subestima-te, sabes?

O Manganelli envenenou-o à hora do almoço.

Depois, foi jogar uíste para ter um álibi.

Funciona, não?

Não sei, Lidia.

Se dissermos isso em tribunal, dirão que Margherita pode ter feito o mesmo.

E o testemunho do zelador não nos valerá de nada.

Mas somos advogados da Margherita.

Ponho-me no lugar do júri. Porque te zangas?

- Não percebo de que lado estás. - Do lado de quem quer trabalhar bem.

E eu não?

Consegui retirar um depoimento desfavorável,

encontrei outro potencial culpado, falei com todos.

Que mais posso fazer?

- Estás a pedir-me conselhos? Estás bem? - Não brinques. Estou a falar a sério.

Bom,

primeiro, esquece isso do carvão vegetal, porque enfraquece a nossa estratégia.

Segundo, as pessoas estão convencidas de que Margherita é culpada.

Terceiro,

tenta pensar como elas

e encontrar algo que te faça mudar de ideias.

Está bem.

Assim...

Olá.

Tchau.

Passaram três meses. Não me lembro se o jardineiro estava lá.

Margherita, esforça-te. É importante.

Às vezes, sento-me lá fora a ler.

Se ele estava no claustro,

talvez me tenha visto.

Mas não sei se se lembrará.

Há forma de contactar esse homem?

A madre superiora tem um registo.

Podemos pedir-lhe a morada.

Está bem. Vamos.

"Professor suicida-se. Antonio Borghese."

Deixas-me louco.

Podemos ter encontrado uma testemunha e tu procuras outras coisas.

Enrico, é muito estranho guardar um artigo com 17 anos.

Eu calculei. É o ano em que a mãe da Margherita morreu.

Há um dicionário atrás de ti.

Procura a palavra "coincidência".

- Porque é que ela guardou tantos artigos? - Não sei, não me interessa.

Não querias fazer um bom trabalho? Já estás cansado?

Não. Não estou cansado, Lidia.

Só que o meu trabalho não é investigar os segredos da minha cliente.

Então, não queres saber a verdade.

Não sou o procurador da Coroa. Não estou interessado na verdade.

Vamos absolver a Sangiacomo, como querias. E pronto.

Não, tens razão.

Estou demasiado envolvida.

Não, aqui são corridas, cavalos, problemas agrícolas.

Problemas agrícolas não soam bem.

Mobília.

Attila, desculpe. Preciso da crónica do crime.

Posso intervir?

Ótimo.

"Outra prostituta encontrada morta perto da faculdade de química."

A terceira num mês.

Tem nome?

Não, mas é óbvio que se passava algo naquela faculdade.

Passa-me as outras.

TN.

TN.

Diz-te algo?

Assinou-os todos.

Todos.

Querem explicar-me?

Tarcisio Nava foi chefe de redação aqui.

Está bem. Podemos falar com ele?

Morreu.

E então?

Segundo ele, havia professores a fazer experiências

no limite da lei.

E estas raparigas eram cobaias.

Entre!

Lidia.

Como consegues respirar aqui?

Não te pedi para entrares.

Queria pedir desculpa pelo meu comentário à tua escrita.

Não foi...

... gentil.

Não.

Não foi gentil.

Mas foi honesto.

Agradeço.

E agradeço por hoje.

Vou... deixar-te trabalhar.

Jacopo.

Sim?

Não sei se me queres ajudar com o meu recurso.

Ainda não estou convencida do tom que estou a usar.

Sim. Claro.

Vê, apaguei

os pontos em que pareço muito zangada, mas agora parece muito servil.

Por isso, apago, reescrevo, fico ainda mais zangada...

... e fico confusa.

A confusão é o mais nobre dos sentimentos.

Shakespeare?

Não, é meu.

Na verdade, considero isso um grande elogio.

Está bem.

Não seria um pouco estúpido?

Nunca disse que era inteligente.

Aconteceu.

Tornei-me uma das tuas amantes oficiais?

Muito bem.

Então, quero o tratamento oficial.

Também me levas para a quinta?

Estou a brincar.

Não...

Tenho sede.

Jacopo, desculpa.

Segui-te na outra noite. Nem eu sei porquê.

E vi-te com aquela rapariga.

Desculpa.

Não te preocupes.

É uma de muitas. Não...

Não.

Espera.

Talvez seja melhor dormires no teu quarto.

Queres mesmo que vá?

- Boa noite. - Boa noite.

Muito bem. Prometo que, em tribunal, não farei referência aos seus...

... hábitos, mas deve ajudar-me.

Imagino que faz este trabalho há muito tempo, certo?

Lembra-se de alguma coisa sobre o Borghese,

o seu suicídio, a sua relação com o Braschi?

É uma história complicada.

Vai demorar.

Enrico!

- Tenho de falar com a Margherita. - Só me deixam entrar a mim.

- Faço à minha maneira! - Não! Por amor de Deus!

Fica aqui. Deixa comigo.

Senta-te.

PROFESSOR DE QUÍMICA SUICIDA-SE

O ATO DESESPERADO DO PROFESSOR ANTONIO BORGHESE

O Braschi e o Borghese fundaram um grupo de investigação.

Estavam a testar um fármaco contra a escarlatina.

As cobaias eram moças pobres, operárias sem família.

E sobretudo prostitutas.

Muitas morreram.

- Não sei de nada disso. - A tua mãe era uma delas.

O Borghese matou-se por culpa.

O grupo dissolveu-se.

- Ninguém soube mais disso. - Aonde queres chegar?

Diz a verdade.

Não te contentes em fazer pagar só o Braschi.

Não fiz ninguém pagar.

Não me tomes por idiota!

Querias vingança desde o início.

E agora, graças a mim, serás absolvida.

Não volto para a prisão.

Diz a verdade. Farão uma investigação e todos os envolvidos pagarão.

Sem a verdade, nunca haverá justiça.

A verdade é que o Braschi morreu às 18 horas

e eu estive no meu quarto a partir das 15 horas.

E tenho uma testemunha fiável.

É verdade.

Também é verdade que o carvão vegetal é a única substância natural

capaz de absorver outra substância.

Certo, doutora?

Isto fica entre nós.

Não conto a ninguém.

Mesmo que decidas não falar.

Se alguém matasse a tua família toda de repente,

como te sentirias?

Sozinha no mundo.

Eu sei.

Eu sei.

Confirma que a partir das 15 horas daquele domingo,

a senhorita Margherita Sangiacomo esteve no convento?

Confirmo.

Sr. Juiz,

sou obrigado a retratar o meu depoimento anterior.

Silêncio!

Concluo que a sua relação com o professor Braschi era cordial.

E que não o matou porque não tinha motivo para o matar.

Certo?

Sim. Confirmo isso.

Não tenho mais perguntas.

Senhorita, pode ir.

Uma noite, tinha eu sete anos,

a minha mãe chegou a casa a chorar.

Chorava de alegria.

Disse-me que podíamos finalmente sair da pensão Porta Nuova

e ir para uma casa a sério.

Passado um ano, mudámo-nos, mas ela estava mal.

Desmaiava muito.

Tive pena dela.

E não há nada mais terrível para uma criança

do que esperar que a mãe se volte a prostituir

para não a ver tão pálida e fraca.

E, após ela morrer, fiquei a saber

da Liliana, que trabalhava nos Murazzi,

e a Agata, que trabalhava na estação.

Sr. Juiz, não entendemos a questão.

A questão é que...

... matei o Braschi, senhor procurador.

Ele usou aquelas mulheres como cobaias.

E deixou-as morrer como animais!

Tem noção da gravidade dessa declaração?

Tenho, sim.

O Braschi tinha cúmplices.

E espero que agora

paguem pelos seus crimes.

- Devias pagar tu! - Tu é que devias pagar!

Assassina!

Já se disse

que a sabedoria coletiva sempre impediu as mulheres

de vestirem a toga.

Mas essa sabedoria coletiva

não é cúmplice da escravatura há séculos?

E que destino aguarda um povo

que não tem a coragem de admitir os seus erros?

Legendas: Georgina Torres

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