Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bihari
Bosnian
Breton
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Ali estão eles.
Parem!
- Alto! Carabineiros! - Deixem-me ir!
Deixem-me ir!
Parem!
Deixem-me ir!
- Pare, já disse! - Deixem-me ir!
Já mandei parar a carruagem!
A LEI DE LIDIA POËT
Hortelã. Gengibre.
Funcho.
Junta-se leite quente.
Uma gema de ovo fresca. Pronto.
Deem-me quando estiver bêbado. Meia hora depois, estarei bem.
Não era melhor não te embebedares?
Há muita dor, Teresa.
Ainda este ano, morreram Wagner, Marx...
De Sanctis morreu.
- Bom dia. - O que é isso?
Remédio para a ressaca.
- Que nojo. - Mas é bom para a alma.
Enfim, não encontrei o seu artigo.
Disse que era uma emergência.
Não, foi falso alarme.
Desculpe tê-la deixado jantar sozinha.
Desculpe, umas pessoas querem falar com o advogado. O que digo?
Manda-as embora. Ele volta amanhã.
Não...
- Não os mande embora. - Perdão?
Não, o Enrico pediu-me para copiar as cartas dele.
Acho que ele vai gostar se eu anotar os nomes
para não perdermos um cliente.
Leve-as ao escritório. A Lidia já vai ter com elas.
- Mas nada de extravagâncias. - Que extravagâncias?
Bom dia.
Não, sentem-se.
Então, como posso ajudar?
Procurávamos o advogado Poët,
que conseguiu prender o marquês de Clermont.
Sim. De momento, o advogado não está.
Ele está fora.
Mas estou eu, Lidia Poët. Sou licenciada em Direito.
- Prazer. - Então?
Em que posso ajudar?
A minha irmã foi presa ontem à noite.
Encontraram o corpo de uma mulher na carruagem dela,
com alguns panfletos, digamos, anarquistas.
Dra., o Gaetano tem medo de dizer, mas somos todos anarquistas na fábrica.
A Anita era a mais esperta. Acho que é por isso que a querem enganar.
Mas quem quer enganar a Anita?
O patrão. Querem sempre enganar-nos.
A Anita trabalhou durante anos na chocolataria De Santis.
A mulher que morreu é a esposa do patrão.
Nós e os camaradas dela decidimos que o advogado Poët nos podia ajudar.
O advogado, às vezes, passa semanas fora.
Ele pediu-me para o substituir.
Mas eu entendo que seja difícil confiar numa mulher, certo?
Somos tão frívolas e instáveis.
Não, senhorita, eu não acredito nessas barbaridades.
- Mas se não está... - Não está, mas volta.
Ele volta.
Se eu os deixar ir, garanto-vos que ele nunca me perdoará.
São causas como a vossa que lhe interessam.
É apaixonado por causas justas
e difíceis.
Se assinarem a procuração,
garanto que o advogado irá hoje à prisão falar com a sua irmã.
Mas não disse que ele está fora?
Eu disse isso?
Não, assim que ele souber que precisam dele,
volta de imediato.
É uma procuração assinada pelo advogado Poët.
Autoriza-me a falar com a cliente dele, a Anita Tosetti.
Senhorita Poët, gosto de si,
mas depois de tudo o que aconteceu, era melhor vir o advogado.
Claro.
Eu disse-lhe isso,
mas ele insistiu.
"Se contestarem a procuração, abro um processo disciplinar.
Vou arruiná-los."
Sabe como ele é.
Muita garganta.
Mas concordo totalmente consigo.
Eu vou avisá-lo.
- Obrigada. - Espere. Não contestei a procuração.
Não? Então, percebi mal.
- Vou mandar acompanhá-la. - Obrigada.
Porque estava o corpo da Elena De Santis na tua carruagem?
És como eles.
É muito fogo de vista. Acusação, defesa, juiz.
Mas já está tudo escrito.
Se preferes um advogado oficioso, é contigo. Só vais alinhar no jogo deles.
Isto não é a Inquisição Espanhola.
Claro que podemos perder, mas vamos lutar primeiro.
O juiz é obrigado por lei a ouvir a tua versão dos factos.
O meu irmão é carruageiro público.
Emprestou-me a carruagem para ir buscar panfletos
no sítio onde os imprimimos sempre,
junto ao rio.
Cheguei lá pelas 20 horas e amarrei o cavalo.
E deixei a carruagem sozinha.
A senhora já estava lá quando voltei, ensanguentada, mas viva.
Porque não pediste ajuda?
Queria salvá-la. Não havia tempo a perder. Ia para o hospital quando fui detida.
Não sabia que já estava morta.
Conhecias pessoalmente a Sra. De Santis?
Era a mulher do patrão.
Ela nunca foi à fábrica? Nunca falaram?
Umas duas vezes, talvez. Há uns meses, fizemos greve.
Ajudou-nos a conseguir um aumento.
Tens a certeza?
Estou sujeita ao sigilo profissional, mas, para ajudar, tenho de saber a verdade.
Sim, vi-a. Voltei a vê-la. O patrão arranjou uma desculpa para me despedir.
Ela ajudou-me a arranjar emprego na fábrica de tabaco.
Não tinha motivo para a matar.
Se ao menos houvesse uma forma de os convencer de que dizes a verdade...
Aguenta, Anita.
Espero voltar em breve com boas notícias. Obrigada.
Siga-me.
Dezasseis facadas.
Lâmina fina e afiada. O assassino foi extremamente violento.
A arma foi encontrada?
Doutora, deixei-a entrar porque prometeu não falar.
Com certeza.
Mas posso sugerir algo?
- Pode ser do interesse do procurador. - Que sugestão?
A senhorita Tosetti está disponível
para ser interrogada com uma luva volumétrica.
Sabe do que estou a falar.
Sei que o procurador já a usou várias vezes
para testar a boa-fé das testemunhas. Acho que ele não se oporá.
E a senhorita pergunta isso
em nome do seu irmão?
Sou só a mensageira.
Ouço as suas unhas a arranhar o espelho. Não é agradável.
Prefere um pedido assinado pelo advogado Poët?
Sem dúvida.
Com licença.
Anda.
Anda!
Aceitaste um caso em meu nome?
Disse-te que podias copiar cartas, não a minha assinatura, Lidia!
Tens de parar de pensar por ti.
Mas pensei por ti.
Pensei: "O que faria o Enrico se lhe oferecessem o caso De Santis?"
- Qual De Santis? Da chocolataria? - Exato.
Mataram-lhe a mulher. O procurador prendeu uma operária.
Não podia esperar. Já falei com ela.
- O quê? - É uma anarquista parva.
Mas parece-me inocente.
Não quero saber! Não posso defender uma anarquista.
Mas devias.
A menos que queiras admitir que falsifiquei a tua assinatura.
Segundo o artigo 118, dá seis meses a três anos de prisão.
Bem merecidos!
Seja como for, rejeitaram o "meu" pedido da luva...
- Volumétrica. - Isso.
Pensa noutra coisa.
- Pensemos juntos. - Esquece. Querias este caso?
- Resolve-o sozinha. - Enrico!
Merda.
Entre!
Querida.
Estás a esconder algo?
Não, nada.
Podes contar-me tudo. Não digo a ninguém.
Se houvesse algo para contar, eu contava.
Dizias-me se tivesses namorado?
Não tenho namorado, Marianna.
Quem é Andrea Caracciolo?
- Um amigo. - Enviou um telegrama.
Se não tens segredos, podemos abri-lo.
Está bem.
"Tenho seguido os teus casos com apreensão. Ponto.
O meu quarto, Maison d'Or, é sempre teu. Ponto.
Amo-te. Ponto."
Não é verdade. Não disse que me amava.
Não, mas podia ter dito.
Obrigada.
Se não é namorado, o que é?
Achas isso interessante?
Vocês, adultos, põem coisas interessantes de lado para fazerem coisas que odeiam.
Achas que sou uma adulta que faz coisas que odeia?
Não.
Tu és...
Tu és diferente.
Por exemplo,
descobriste que estou apaixonada pelo Lorenzo.
Mas não me perguntaste nada.
E queres falar sobre isso?
Vês? Entendes as coisas antes que alguém te diga.
Agora, por exemplo, entendo...
... que só queres passar duas horas sozinha com o Lorenzo.
Sim, mas não é possível.
Não.
Nós, os Poëts, não cedemos facilmente.
Vai dormir. Vou pensar em algo.
Talvez!
- Boa noite. - Boa noite!
Não tenha medo de moinhos de vento. Não a poderão deter.
Escreva o seu recurso
e, quando for advogada, conceda-me uma entrevista. Jacopo.
Porque achas que tenho medo de moinhos de vento?
Não me agradeças, por favor.
Não, queria pedir-te desculpa por ter faltado ao nosso jantar.
Estás desculpado.
E também me concedes a tua companhia esta manhã?
O comendador De Santis convidou alguns jornalistas para irem à fábrica.
E eu estava a pensar que uma mulher não pode ser advogada neste país,
mas ela pode escrever para um jornal.
- Que país moderno! - Sim.
Vais ver, a este ritmo, terás o direito de votar.
- Mas seria bom. - Seria bom.
O comendador De Santis agradece a vossa atenção.
Ele pediu-me para vos transmitir a sua mensagem.
"O ódio de classe não deve prevalecer.
Mesmo num momento como este,
devemos confiar na nossa excelente magistratura."
Eu acompanho o comendador desde que fundou esta fábrica.
Ele acolheu-me como se fosse filho dele.
Sr. Fumigi, tem a certeza de que o motivo é político?
Ouça, não sei se faz sentido chamar-lhe político.
Mas não há dúvida de que nós...
... somos vítimas de um profundo ressentimento.
Posso perguntar-lhe porque diz "nós", Sr. Fumigi?
Quem é a senhora?
A Gazeta é vanguardista. Também contratamos mulheres.
Está bem.
Já disse o que tinha a dizer. Obrigado. Agora, peço-vos que saiam, por favor.
É o Leone De Santis, o filho do comendador.
- Conheces? - Só de vista.
É melhor irmos embora.
Vai tu. Já vou ter contigo.
Confia em mim.
Comendador De Santis?
Não. É o meu pai.
Pensei que era o escritório dele.
Na verdade, é.
Mesmo que tenha poucas coisas dele.
As minhas condolências.
Imagino que, para si, a sua mãe...
Não seja ridícula.
Tínhamos a mesma idade. Ela nunca foi minha mãe.
O que se passa aqui?
- Quem a deixou entrar? - Olá.
Nada, pai. Esta senhorita é jornalista.
- Queria fazer-te umas perguntas. - Não.
- Não quero falar com ninguém. - Claro.
- Eu acompanho-a. - Não se preocupe, saio sozinha.
Por favor, aceite as minhas condolências, comendador.
Adeus.
Enrico, ouve. Fui ao gabinete do comendador.
Estava cheio de jarras chinesas, rendas, um biombo bordado...
- És perita em mobília? - Não.
Não é o que se espera ver no escritório de um homem.
Se juntarmos o facto de os operários pedirem aumentos a Elena,
isso faz-me crer que era ela que mandava na fábrica.
Fantástico. Como Catarina da Rússia.
Se ela tomava todas as decisões,
não me surpreenderia que Leone se sentisse ameaçado.
Então, estás a dizer que o filho do comendador a matou
e a escondeu na carruagem de uma anarquista?
Estamos a comer.
- Desculpa, ela puxa por mim. - Tu permites.
- Eu? - Sim.
Basta! Mudemos de assunto.
Marquei hora no alfaiate para o teu vestido.
- Outra vez o vestido? - Desculpa se quero que andes bonita.
Vês? A única coisa que importa é andar bonita.
Marianna.
A tua mãe tem razão.
Entrar na sociedade com o vestido certo pode trazer-te grande satisfação.
Vês? Até a tua tia me entende.
Teresa, se me permitires, posso tentar chamá-la à razão.
- Ela nunca concordará. - Se for com a tia, vou.
Teresa, não me parece má ideia.
Não, pode ser. Se a Lidia estiver disponível.
Muito bem.
Com licença. Perdi a fome.
Querida?
Luz da minha vida!
Posso saber o que aconteceu?
Fiz uma má sugestão?
Lidia, no que toca ao vestido,
estou-me nas tintas.
Mas achas mesmo que o Leone De Santis pode ter matado a Elena?
O que achas?
Não, o advogado não sou eu. Mas sei onde o posso encontrar.
Olha quem ele. Quem é vivo, sempre aparece.
Fico um pouco triste.
Pensei que te libertaras disto.
A liberdade é sobrevalorizada.
Frequentei isto durante dois meses. Depois, já nem o ópio me estimulava.
Não tens de te justificar. Ler Baudelaire tem os seus inconvenientes.
Sabe usar isto, senhorita?
Devagar.
Exato.
Vou deitar-me um pouco.
O que ainda fazes aqui?
Sabes como isto é absurdo, certo?
Cresci com o Alberto. Podia ser meu irmão.
É um ótimo partido. Conhecem-se.
Não é o que eu quero.
O casamento é sobretudo uma questão económica.
Quero decidir o meu destino.
Não quero agradecer a um homem por isso.
O nosso destino está nas mãos de Deus.
Especialmente o de uma jovem como tu.
Olha para mim.
O que te faz pensar que és diferente?
Achas-te melhor do que eu?
Achas-te melhor do que todos nós?
Olha quem está ali.
- Não saias daqui. - Não.
Anda a seguir-me, senhorita?
Sinceramente, sim.
Mas não tenho más intenções.
Acha que que me vai impressionar exibindo familiaridade com o ópio?
Não, não estou a exibir nada.
Já tem uma história para os seus leitores?
Não escrevo nada se não quiser.
Mas acho que Sra. De Santis, para si, não era só a segunda mulher do seu pai.
Por favor, vá-se embora.
A Elena era uma amiga.
Eu apresentei-a ao meu pai.
Eu sabia que ele ia gostar dela.
Não era difícil apaixonar-se por uma mulher como ela.
Mas ela escolheu o seu pai
e começou a gerir a fábrica em nome dele.
Deve ter sido difícil aceitar isso.
Olhe para mim.
Tenho cara de quem aceitou?
Devia ver a sua cara, senhorita.
Acha que eu a matei?
Eu não disse isso.
Sim.
Tem razão.
Devia tê-lo feito, tinha todos os motivos.
Mas nem isso fui capaz de fazer.
Pode voltar para junto do seu colega. Já conseguiu o que queria, não?
DESAPARECEU A MILITANTE ANARQUISTA NICOLE GREIMAS
O que queres?
Levanta-te e prepara-te. Daqui a uma hora, temos de estar na Procuradoria.
Pensei que não querias nada com isso.
O juiz marcou o interrogatório com a luva volumétrica.
Ele convocou-me, mas não faço ideia do que devo dizer.
Mas não recusaram o pedido?
Quando um advogado pede, a resposta é não.
Se o procurador pedir, a resposta é sim.
Diga-me, senhorita Tosetti,
reconhece estes panfletos?
Sim, imprimi-os.
Conhecia pessoalmente a Sra. Elena De Santis?
Falámos em março.
Houve uma greve na fábrica para pedir um aumento.
Podemos dizer que ganhou a confiança dela graças a essas conversações?
Acho que sim.
Graças a essa confiança, a um de dezembro, atraiu Elena para um lugar isolado?
- Não atraí ninguém. - Não atraiu ninguém, diz ela, Sr. Juiz.
Pode ler o bilhete, por favor?
Onde o encontrou?
"Preciso de te ver, junto ao rio, hoje, às 21 horas."
O bilhete estava num bolso do vestido de Elena. Escreveu-o?
Não.
A tensão arterial está a 172. Ela está a mentir.
Sei que está a mentir. É óbvio.
Estes são os resultados da perícia caligráfica da suspeita.
Como podem ver, é a mesma letra.
Não sei nada sobre esse bilhete.
Sr. Juiz, a análise pode ser contestada.
Então, conteste.
Não vai mudar o facto
de que a sua cliente se aproveitou da boa-fé da Sra. De Santis,
a atraiu para um lugar isolado e a matou com a brutalidade de um animal.
Anita, mataste a Elena De Santis?
Advogado!
Não matei ninguém.
Viram que as agulhas não mexeram nesta pergunta?
Peço desculpa por este espetáculo vergonhoso.
- Terminámos. - Elas não mexeram! Ela diz a verdade.
- Está a dizer a verdade. - Já chega!
Enrico, faz algo.
Já chega.
Enrico.
Enrico!
Espera!
Queres que seja expulso?
Se ela mentiu, deve haver uma razão.
Diria que sim. Na verdade, diria que foi ela.
Para, caraças!
Às vezes, não sei como podes ser minha irmã.
Não te queria bater. Só queria que parasses.
- Parei. Satisfeita? - Sei que estás zangado.
Também estou. Sei que achas que fui enganada por uma mentirosa.
Mas tem em conta que uma mulher pode ter segredos,
apesar de não ter matado alguém.
Carruageiro.
Supõe que escreveu o bilhete a combinar um encontro com a Sra. De Santis.
A margem do rio tem quilómetros. Como é que Elena sabia onde devia ir?
Estás a dizer...
Digo que o bilhete tinha um tom íntimo e amistoso,
de um tipo de amizade que não pode ser admitido.
Como assim?
A mulher do patrão
com uma operária anarquista.
- Não! - Sim.
- Não! - Mas é óbvio.
Não!
Recuso-me a acreditar que uma mulher casada teria uma relação...
- De amor? - Ilícita!
Não. É inconcebível.
"Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que a tua filosofia supõe."
- Enrico. - Bom dia.
Desculpe.
É verdade.
Eu amava a Elena.
No início, achava só
que ela estava preocupada com a situação na fábrica.
Mas depois...
Costumávamos encontrar-nos lá, na tipografia.
Esperei por ela naquela noite.
Esperei mais de meia hora, mas...
... ela nunca veio.
Foi por isso que o comendador a despediu?
Não.
Foi ideia da Elena.
Ela arranjou-me outro emprego para evitar boatos.
Sinceramente! Se continua a mentir, como a podemos defender?
Temos de informar o procurador.
Não podemos contar isto a ninguém.
Nem ao meu irmão e aos meus camaradas.
Anita, não creio que o teu irmão te julgue por isto.
Não?
Nunca te sentiste julgada pelos homens?
Sempre. Todos os dias.
Mas ainda não me conseguiram mudar.
Se tiveres recordações da Elena,
cartas, presentes, qualquer coisa,
podemos tentar provar que não a odiavas.
Não guardei nada.
Como poderia?
Sei que me querem ajudar.
Mas não tenho esperança.
São 300.
Consigo falsificar dois documentos de circulação. Basta-me duas semanas.
Mas vistos para o Uruguai são difíceis.
Eu trato disso.
Então, meu amigo, está combinado.
Anarquia e liberdade.
Anarquia e liberdade.
Já vais dormir?
Posso fazer-te companhia.
Queria muito que mo propusesses.
Tenho uma garrafa para abrir.
Na verdade, vou sair.
Dava-me jeito...
... a tua ajuda, se não te importares.
- Tu primeiro. - Logo vi.
Cala-te!
Anda.
Vamos ser rápidos. Procura ali. Procuramos presentes, cartas de amor...
Algo que prove a relação entre a Anita e a De Santis.
Pouco barulho!
Se tivesses um amante, escondias as cartas dele no teu escritório?
Eu queimo tudo.
Esperemos que a Sra. De Santis fosse mais romântica do que tu.
Não há cartas, mas o comendador coleciona facas.
O que estás a fazer?
Quando se copia uma carta,
às vezes, fica tinta na chapa.
Quero ver se foi limpa.
"Guido De Santis..."
O que é isto?
É um despedimento.
Acho isto mais interessante.
- Estava ali. - O que é?
Todas as outras estão cheias de pó. Esta parece polida.
Lâmina fina e afiada.
- É a arma do crime? - Não sei.
- O comendador... - Quem está aí?
Quem está aí?
- Às vezes... - Cala-te!
Quem está aí?
Quem está aí?
O que fazemos?
Tenho uma ideia, mas tens de colaborar.
Desde que resulte.
O que foi? Gosta de ver?
- Ando só a fazer a ronda. Desculpem. - Vá para outro lado.
Mais uns instantes e podemos ir.
Pronto.
Desculpa se ficaste incomodada.
Os fins justificam os meios, não?
Pronto. Vamos, antes que volte.
- A casa é por aqui. - Não vou para casa.
Vai tu, se quiseres.
Vou contigo. É tarde, não podes andar sozinha.
É aqui. Obrigada por me acompanhares.
Ofendi-te de alguma forma?
Não. Porquê? Não, de todo. Tu...
Tu ajudaste-me muito,
mas é melhor seguir sozinha a partir daqui.
Lidia.
Se vieste procurar alguém, não fico escandalizado.
Jacopo, não quero falar contigo sobre esse assunto, só isso.
Lidia!
Olá.
Que surpresa. Pensei que tinhas desaparecido.
- Desculpem, não queria incomodar. - Não, ele já se ia embora.
Andrea, Jacopo Barberis, cunhado do meu irmão.
O jornalista?
Muito prazer. Leio os seus artigos todos. Ótimos, mordazes.
Às vezes, é um pouco cínico, mas é um estilo. Cada um tem o seu.
O teu amigo é crítico literário?
Não, venho de uma família humilde.
Já é uma sorte saber ler. Mas você é um puro-sangue.
Continue. Persevere. Terá aqui sempre um leitor fiel.
- Vamos? - Vamos embora?
- Sim. - Estou a roubar-lha!
Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite.
Não, espera, Lidia.
Espera.
Um minuto. Estou um pouco cansado.
Que desilusão.
Acho que já te dei bastante esta noite.
E tu és a primeira a queixar-se.
Tu é que estás estranha.
Parece que queres deitar alguma coisa cá para fora.
O quê?
É o teu amigo jornalista? Andas a pensar nele?
- Para! - Faz-te bater o coração?
Não, a sério.
O que é? A tua expulsão da Ordem?
Que chato, Andrea.
Que chato.
Tens sempre de encontrar uma explicação para o que eu faço.
Não, estava só a perguntar.
Não queria pôr-te de mau humor.
- Não há problema. - Então, porque me ignoras?
Conheci uma mulher em Washington
que exerce advocacia livremente.
Chama-se Belva. Sei que não acreditas, mas é verdade.
Está a candidatar-se à presidência dos EUA.
E tu ainda estás aqui. Porquê?
Podias estar lá,
onde uma mulher pode fazer o mesmo que um homem.
Serias mais livre. Sem dúvida.
Estamos a cometer um erro.
Estamos a cometer outro grande erro
neste caso insensato que aceitaste sem eu saber.
Não! Espera. Eu sei.
Já estamos aqui, vamos tentar.
Deixa-me falar eu.
- As máquinas da Suíça. - Suíça?
Bom dia, cavalheiros. Sou Enrico Poët, advogado de Anita Tosetti.
Esta é a minha irmã e minha assistente.
Não era jornalista?
Nunca disse isso.
- Vou ligar à direção. - Espera, Rodolfo. Deixa-me ouvir.
- Certo. Temos... - Temos um documento que lhe pertence.
Achamos que é de interesse público.
Antes de o darmos à imprensa, queríamos falar consigo.
De que se trata?
Uma carta de despedimento escrita pela sua esposa
para tirar Rodolfo Fumigi da fábrica.
- Essa carta não existe. - É a sua assinatura, comendador.
Receio que ela a tenha falsificado.
A senhorita está a delirar.
Veja por si mesmo. Parece autêntica.
Esta é a letra da Elena.
O que significa?
Pergunte ao Sr. Fumigi.
Rodolfo, a Elena despediu-te?
A sério?
Acredita nos advogados de uma assassina? É um documento mal copiado.
Acreditamos que ele recebeu o original no dia do homicídio
e que o queimou.
Pelos vistos, a sua esposa fez uma cópia para o arquivo
e o Sr. Fumigi não sabia que ficam restos de tinta na prensa.
- Isto é absurdo... - Então, porque está tão preocupado?
Não sou como os seus amigos anarquistas.
Jamais a teria matado para evitar ser despedido.
Matou-a por uma causa mais nobre, Sr. Fumigi?
Porque a matou. Acabou de admitir.
Rodolfo, por favor. Esclarece este mal-entendido.
Não. Não é um mal-entendido.
É, sim.
Acha que eu...
... matei a senhora para defender o meu interesse, mas...
Mas?
Porque ela traía o comendador com uma mulher?
Porque ela geria a fábrica?
- Não sabe nada! - Ela fazia-o sentir-se pequeno.
Inútil, débil, um empregadozinho.
Ela estava a destruir tudo o que tinha construído, comendador.
Fez acordos com os operários. Estava a arruinar-nos!
Quando descobri que ela tinha uma relação com aquela operária,
tive a certeza de que isso me ajudaria a travá-la, mas...
Sabem o que ela me respondeu?
Que o senhor sabia de tudo.
Que não se importava!
E que, a partir daquele momento, eu estava despedido!
Matei-a para a parar, senhorita!
Pelo bem desta família!
Não para manter o meu emprego.
Fiz o que um filho a sério teria feito.
- O que tu devias ter feito! - Nojento!
Como pudeste fazer algo assim?
Nunca te perdoarei.
- Chama os carabineiros. - Sim.
Senhor.
Obrigado, senhor.
Vá lá, Marianna. É bonito.
Não é assim tão mau.
Não gosto.
Têm meia hora.
Obrigada, tia!
Vai!
Um dia, estas disputas sobre a dignidade feminina
parecerão grotescas.
Como nos parecem hoje as de há séculos
sobre se os ameríndios tinham ou não uma alma imortal.
Fomos chamados à Procuradoria.
Não fiz nada desta vez.
Aconteça o que acontecer, por favor, não digas nada.
Não lhe digo o que penso de um homem
que se deixa substituir por uma mulher
no exercício da sua profissão.
Na sua casa, é livre de ser humilhado como quiser,
mas quando se tratar de preservar a honra desta instituição,
a sua liberdade tem limites.
Já escrevi ao prefeito e abordei o assunto com o tribunal.
Nunca mais poderá delegar a uma mulher
a defesa de um juízo no Tribunal de Assizes,
permitindo-lhe aceder a lugares reservados a homens.
E a senhorita Poët
nunca mais porá os pés num tribunal.
Seja em que qualidade for.
Tem alguma objeção?
Legendas: Georgina Torres
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.