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Original subtitles

TheBlacklist_Br apresenta:

GROTESQUERIE

S01E07 "Unplugged"

Legenders:

ariemm92

MilleG

Padfoot

Redlizze

Tati Saaresto

Revisão: vitckari

Estamos tão empolgados com o futuro.

Nosso futuro.

-Então, estamos... -"Apaixonados", é isso?

E como vocês sabem disso?

Como você soube que estava apaixonada pelo seu marido?

Era uma vez.

Obviamente, as coisas mudam de forma.

Eu não sei se algum dia soube com certeza.

Eu estava tão perdida

que faria qualquer coisa ou diria que sentia qualquer coisa,

só para pertencer a alguém.

Bom, eu só quero te contar

que consegui, fui escolhida.

Vou participar do "Trauma de Meia Tonelada".

"Trauma de Meia Tonelada". Muito bem.

Então, você vai ser uma estrela. De certa forma.

Vou.

Eu e o Eddie vamos morar juntos.

Quando estamos gravando, é melhor ter um apoio, então...

É sempre bom.

Encontramos uma casinha fofa em um condomínio fechado.

Em um condomínio fechado?

Nossa. Que chique.

Sim, percebemos que, com os assassinatos,

as mortes e as doenças, tipo...

ninguém deveria ficar sozinho.

-Isso. -Sim.

Bom, isso é bem maduro da parte de vocês.

Parabéns pela maturidade.

E pelo fato de que não esconderam isso de mim,

porque eu posso tolerar qualquer coisa,

menos gente mentirosa. Bem, quase tudo.

Posso pedir mais uma rodada

e algo para minha filha e seu namorado?

Acho que ele está bebendo algo sem álcool.

Um Shirley Temple.

Toda virtude, sem graça.

Outra rodada saindo.

Então, minha querida filha...

Você sabe que eu e o Eddie Rapidinho

tivemos um rolo, né?

-Lo. -Um rolo indecente.

Um lance safado...

com uma ênfase especial no "safado."

Lois, por favor, não faça isso.

Quero dizer, eu mamei ele.

Lois.

Isso não aconteceu e você sabe disso.

Você está bêbada.

Não perca a linha na frente de sua filha.

Você vai se arrepender.

Eddie Rapidinho, o que tem a minha filha?

Você gosta de levantar as dobras dela,

os hectares de carne,

para encontrar sua bela pudenta?

Pudenta.

Sempre amei essa palavra.

É do latim "pudere",

que significa "ter vergonha".

E tem tanto aqui para se envergonhar.

-Para com isso. -As dobras com assaduras,

o buraco cor de rosa impossível de encontrar.

-Lois. -Mãe.

Não faça isso com você mesma.

Não faça isso comigo. Não faça isso conosco.

Por favor.

Se estiver tendo um colapso nervoso,

podemos apoiá-la.

Posso conseguir ajuda para você.

A verdade é que...

Você é uma causa perdida.

Seu coração está envolto em gordura endurecida

e o lodo que corre em suas veias

é como xarope.

E mais uma coisa.

Seu pai é um adúltero promíscuo

que fodia as alunas dele.

Você puxou isso dele.

Você está mentindo.

-Não. -Isso não é verdade.

Certo? E se fosse, você o levou a isso.

-Não. -Foi.

-Com sua briga constante. -Não.

-Não, não, não. -Sim. É você. É você.

Tudo o que eu sempre tentei fazer foi manter todos vocês...

Eu queria forçar todo mundo a ser tão forte quanto eu.

Tão forte quanto eu.

Para conseguir enfrentar esse pesadelo

do qual nenhum de nós consegue acordar.

Tudo o que eu sempre quis foi que você fosse forte,

para poder estar ao meu lado quando eu precisasse de você.

E sabe de uma coisa?

Nenhum de vocês...

Nenhum de vocês é forte.

Vocês estão todos

mergulhados na própria fraqueza do caralho

em relação a tudo.

Vocês nunca vão conseguir sobreviver

à essa nova e cruel realidade,

às novas regras de comportamento.

À nada disso. À porra nenhuma.

Já chega.

Lembra das reuniões do AA que te levei?

Aquele foi a porra do pior primeiro encontro

da minha vida.

-Como eu esqueceria? -Aquilo não foi um encontro,

foi um empurrão. Um empurrão na direção certa.

Um ato de bondade.

E eu vejo que você não lida bem com bondade.

Então agora vai receber amor duro. Levante-se, porra.

Para onde vamos?

-Para um motel? -Não.

Vamos para a reabilitação.

Não.

Você não manda em mim, porra.

Sou uma mulher adulta.

Entendeu?

Você vai ficar aqui,

e negar que flertou comigo?

Que deu em cima de mim?

A mais fodona de todos os tempos.

Então eu inventei tudo isso?

"É tudo invenção da Lois."

Não inventei.

Vou te dizer uma coisa.

Uma coisa

que você, branquelo bonitinho, não pode fazer

é tentar manipular uma mulher negra.

Nós sabemos nos virar pra caralho.

O que você está olhando?

Merda.

Que se foda.

Então você pensou sobre isso e chegou a essa decisão?

Sim.

Quero dizer...

É hora de encarar os fatos.

Ele só está vivo por causa das suas máquinas.

Posso perguntar por que mudou de ideia, Lois?

E já conversou sobre isso com sua filha?

Ela teve a chance de se despedir?

Acredito que sou representante médica dele, não sou?

Sou sim.

E, como descobri,

meu marido me traiu praticamente o tempo todo.

A amante dele até trabalha aqui.

Ela vem e sussurra palavras doces no ouvido dele.

Então, isso torna a decisão mais fácil para você?

Bem, eu...

Com licença, senhor.

Posso saber o que está acontecendo aqui?

Soube que essa alcoólatra descontrolada está aqui,

desperdiçando seu precioso tempo,

e isso eu não posso permitir.

Vadia, você tem uma caneta?

Anota aí, escreve um recado:

estou em uma reunião com a porra do seu chefe,

e vou desligar meu marido dos aparelhos.

Sim, vai acontecer.

Nunca abri mão do meu direito legal,

apesar das suas inúmeras manipulações,

que, pra ser bem sincera, eu superei.

A grandona aqui está na porra do comando,

e quem manda nesse show sou eu.

Senhor, isso é um absurdo.

-O senhor não pode permitir... -Cala a sua boca!

Cruzes, eu estou falando aqui.

Então, doutor, isso dificilmente é assassinato, certo?

Eu entendo de assassinato.

Sou a detetive-chefe de homicídios dessa cidade.

Mas era o que você queria.

Queria "liberar o leito dele".

Você nem sabia que ela disse isso, sabia?

Quando vocês desligam os tubos, é doloroso?

Não, ele recebe medicação. Ele só vai partir.

Parar de respirar. É tranquilo.

Que pena.

Como dizem, "sem justiça, sem paz"?

Tudo que você precisa para a paz e a justiça

é desligar alguém da tomada.

-Você tem um padre ou... -Ele é judeu.

Em parte. Não é crente.

Ele gosta de costeletas de porco, buceta,

e lagosta em molho de creme.

A única vez que o homem jejuou foi para uma colonoscopia.

Beleza.

Obrigada, doutor.

E obrigada pela sua atenção e cuidado.

Terminamos aqui.

Isso é engraçado.

Mandaram você para desligá-lo?

O que foi?

Se tem algo a dizer, diga. Está tudo bem.

Não tenho.

Eu só queria te perguntar

como você estava, Lois.

Estou aliviada.

Isso é loucura?

E você?

Bem...

há dois dias, você apontou uma arma para minha cabeça.

E agora está me pedindo para encerrar a vida dele.

Por que lutar mais?

Era por você que ele estava apaixonado.

Essa é a única graça que posso te oferecer.

Gostaria de poder fazer mais.

Estou triste por você.

E eu por você.

Relaxa, ruiva.

Vou dar a este homem o ritual que ele gostaria:

seu poeta e uísque favoritos.

Será uma festa.

Coma um doce.

"Porque eu não pude parar para a morte,

ele gentilmente parou por mim,

uma carruagem continha apenas nós

e a imortalidade.

Dirigimos lentamente,

ele não conhecia pressa,

e eu também havia deixado de lado

meu trabalho e meu lazer,

por sua civilidade."

Quanto tempo isso vai demorar?

Lois, é um processo.

Tudo bem.

"Passamos pela escola, onde as crianças brincavam,

suas lições quase terminadas,

passamos pelos campos de grãos pastando,

passamos pelo sol poente."

Essa parte é boa.

"Paramos diante de uma casa

que parecia uma elevação do solo,

o telhado mal era visível,

a cornija era apenas um monte...

Desde então, são séculos,

mas cada um parece mais curto do que o dia

em que eu primeiro suspeitei que as cabeças dos cavalos

estavam voltadas para a eternidade."

Bem.

Beleza.

Quem está pronto para um brinde?

Doutor?

Ao meu falecido marido.

Um homem sensível,

amante de poesia,

mentiroso

e traidor.

Descanse em paz.

Ele está perdoado. Viu, crianças?

É fácil. Eu te perdoo, amigo.

LIBERTAÇÃO DO MAL

NOSSO PADRE CHARLIE, UM ASSASSINO FRIO E SANGUINÁRIO

Sério, Cal? Que porra é essa?

Da boa.

O que vocês fumam hoje em dia é forte demais pra mim.

Tenho que ficar alerta.

Apague ou dê uma volta. Tem câmeras.

Você está diferente. Tem uma energia brilhante.

Transou essa noite ou algo assim?

Algo assim.

Desliguei meu marido e tive o melhor sono da minha vida.

O que é isso?

Um espaço de ensaio. Um estúdio de arte.

Artista da porra da morte.

VIMOS QUE OS ÓRGÃOS DELA NÃO FUNCIONAM SEM INTERVENÇÃO.

SUGERIMOS ENCERRAR O SUPORTE VITAL.

Lois.

O governador está na linha.

Ela quer parabenizá-la e agradecer por resolver o caso.

Se eu tivesse resolvido o caso, ainda estaria na cama agora.

Trata-se de encontrar uma nova história

com a textura certa.

Mas também com potencial de longo prazo.

Houve uma série de estupros em Saskatchewan nos anos 90

-que nunca foram resolvidos. -Padres,

se lembram de quando apresentei minha ideia para essa coluna?

Era um estudo do bem e do mal no mundo.

A audiência do Jornal Católico

aumentou mais de 5.000%.

A sua reportagem sobre estes crimes

foi notícia nacional.

Aconteceu o que chamam de viralizar.

As pessoas estão voltando para a igreja.

Em todo o país.

Então, tudo isso foi uma bênção?

Será que Cristo não poderia ter frustrado

aqueles que queriam crucificá-lo?

Realizar um milagre para escapar da cruz?

No entanto, ele sabia

que o horrível ato de sua crucificação

permitiria que a humanidade visse Deus.

E então ele permitiu que acontecesse.

-Está comparando... -De jeito nenhum.

O Padre Charlie era um homem perturbado.

Maldoso.

No entanto, ele também sabia que o ponto decisivo da fé

é o terror.

As pessoas querem acreditar, elas querem Deus,

e assim, há um apetite

pelo grotesco.

Só pedimos que sirva a refeição que sacia essa fome.

Eu assumo como editora e publicadora.

Quero três escritores, contratados por mim,

e tudo que for publicado terá meu aval.

Autonomia.

Só me deem as chaves.

Quero voltar, dar uma olhada e ver se perdi alguma coisa.

-Claro. -Entende?

Só tenho alguns papéis para você preencher.

Sim.

-O que é isso? -Eles só queriam um brinde.

Não se ganha balões por resolver um caso assim, é inapropriado.

Só seja simpática, beleza?

Obrigada.

Um brinde a um homicídio quíntuplo que não acontecerá hoje,

mas ainda é só meio-dia, então...

-Posso dar uma palavrinha? -Pode.

Pensei em me aposentar depois desse caso,

mas agora quero voltar, olhar todos os meus casos antigos,

-ver se perdi alguma coisa. -Lois.

Não estou pedindo para se aposentar.

Não estou pedindo.

Não vou pedir exoneração.

Me demita. Se tiver coragem.

Não cabe a mim. Mas eles vão demitir.

Estão cortando 65% da equipe.

Me levaram a St. Paul semana passada

-para uma apresentação. -Sobre o quê?

Tecnologias emergentes no policiamento.

-Coisas malucas. -Do que você está falando?

Inteligência artificial, carros autônomos,

uma rede de câmeras com um cérebro centralizado

que analisa as gravações,

cães-robôs policiais do caralho.

Não, não, não.

Resolvi este caso...

Resolvi todos os meus casos

porque tenho um cérebro de verdade.

E um coração. Assim como um criminoso.

Nada entende um humano como outro humano.

Bem, eles discordam.

É uma pensão integral.

Além de uma indenização adicional. Muito generosa.

É um salário integral para vida toda.

US$ 146 mil por ano para vida toda.

Além disso...

A pensão do Marshall,

seguro de vida...

Você pode fazer tudo que sempre sonhou.

É o que é.

O mundo está mudando.

Acorda, Lois.

Acordar.

MELHORAS!

BOA RECUPERAÇÃO

MELHORAS!

MELHORAS!

Lois, meu acesso, graças a você, nos deu força.

Temos tantos novos leitores.

Novas pessoas indo à igreja.

E ainda tem a reviravolta.

Nosso próprio editor foi quem cometeu os crimes.

Foi ainda maior que o impacto inicial.

Na missa de domingo, precisam até ficar em pé.

E sei que muitos são enxeridos, mas ainda assim...

Deus trabalha de formas misteriosas.

São pessoas que vieram para ouvir e testemunhar.

-Quanto ao porquê vieram... -Quem é você para julgar?

Acho que estou mais preocupada com meu próprio papel.

O que fazer por almas necessitadas agora que chegaram.

Estou surpresa

com a rapidez e tranquilidade da sua recuperação.

É quase como se o desgraçado que atirou em você

tivesse um plano.

Um propósito.

Entende?

Queria tirar sangue,

mas evitar uma artéria que pudesse levar à catástrofe.

Pensando bem nisso,

você ter levado tiro

é quase um ato teatral.

Só para se aparecer.

E sabe o que eu ia te perguntar, Irmã?

Eu ia te perguntar:

Seu editor, seu padre, nosso Grotesquerie...

Ele gostava de cosplay de arsenal?

Estou te perguntando

porque vocês pareciam próximos.

Amiga, quantas bebidas você tomou?

Sente-se e me entregue as chaves do carro.

Você está bêbada.

Você deve estar bêbada se está me acusando de...

Deixe-me ser clara.

Mesmo depois de duas bebidas, neste momento,

ainda estou sóbria como uma freira.

Louboutins?

Escolha interessante.

Admito que foi uma compra por impulso.

Cá entre nós, são de matar.

Você conhece a história das solas vermelhas?

As prostitutas de Nova York

trabalhavam no distrito dos frigoríficos

e diziam que era possível ver quem era um pecador

pelo sangue na sola dos sapatos.

Então deixe-me perguntar.

Você disse que estava preocupada

com o seu papel entre os paroquianos.

E quanto ao seu papel de mentira?

Qualquer pessoa séria pode ver

que foi a minha reportagem que levou à prisão dele.

Não.

Fui eu, com uma bala no peito.

Mas vamos testar sua teoria.

Vamos chutar a bola para o campo.

Talvez você seja inocente.

Talvez.

Só acho

que todos sabemos muito mais do que estamos dispostos a admitir.

Quero dizer...

Alguém é realmente inocente de alguma coisa?

2014 deve ter sido a última vez

que acreditei que alguém era inocente de alguma coisa.

O mundo não estava pegando fogo,

não tinha covid,

a eleição não nos dividiu ao meio,

a internet ainda era um brinquedo.

Mas agora...

Somos como...

homens das cavernas,

parados, olhando para o horizonte,

e estamos vendo

um homem ereto e sem pelos

vindo em nossa direção.

E nós sabemos

que é o fim.

Nós sabemos, não é?

Mas o que mais podemos fazer

além de fingir que não sabemos?

Lois.

Você está bem?

Não, Irmã,

eu não estou.

Eu pensei que era interessante,

até mesmo charmoso...

o seu envolvimento neste caso.

Você...

sempre sabia de tudo.

Sempre um passo à frente.

Às vezes, chegava às cenas do crime primeiro.

Dedicada.

Sempre tão...

cheia de teorias.

E aquele mural de assassinatos no seu escritório

onde você tinha

fotocópias de desenhos e de livros de verdade?

Eu disse à mim mesma:

"Essa mulher é como eu.

Ela é um dinossauro.

Ela realmente foi à biblioteca."

Isso me fez gostar de você.

Encontramos livros com aquelas mesmas imagens

na casa do Padre Charlie.

Nós falamos desde o início

que, quem fez isso,

tinha que ter experiência

com morte e assassinato.

Mas...

ele não tinha isso, tinha?

Ele sabia usar uma faca de trinchar.

Mas para conseguir fazer isso,

ele precisaria de um cúmplice.

Ele precisaria de ajuda.

E ele conseguiu o que precisava.

Uma Irmã perturbada.

Sim, essa..

Essa teorização, tem algo aí.

Vamos seguir essa linha de raciocínio.

E vamos supor, o que eu acredito,

que o bonitão do Padre Charlie

era um conquistador de matar.

De todas as maneiras possíveis.

E aí, você apareceu.

Esse híbrido peculiar

de uma seguidora do Manson

com um personagem ajudante de desenho da Disney.

E, por Cristo,

você queria ir pra cama.

A tensão sexual entre vocês dois

era insuportável.

-Cale a boca. -Mas você não podia.

Você não podia porque fez um voto,

e você é casada com o Senhor ou alguma merda assim.

Então, o vínculo,

a perversão,

o planejamento interminável,

a crueldade desses assassinatos,

num esforço para trazer as pessoas de volta à sua igreja decadente.

Lotar as igrejas

era a única consumação que você podia ter.

Puta que pariu, Irmã.

Acho que acabei de resolver o caso.

Blasfêmia!

Vadia maluca do caralho!

-Não! -Sai de cima de mim!

Lois!

-Pare! -Vadia maluca do caralho!

Venha aqui!

Não tem futuro depois disso,

não tem volta.

Acho que não mereço isso neste momento.

Você acha?

Mas divórcio?

Sério?

Pensei que a terapia estava indo tão bem. Eu...

Infidelidade é algo

com o qual muitos casais estão lidando,

atualmente.

Não vai ser fácil, mas vamos superar.

A traição eu aguento. Eu adoraria um passe livre.

Meu novo assistente...

Eu chuparia ele todinho amanhã.

Então,

do que se trata?

Eu não cresci com uma família.

Não como a sua.

Eu cresci em lares adotivos...

Ele nunca vai falar.

É a lista de desculpas prontas que ele está dizendo.

O trauma,

a bebedeira,

a vergonha...

Ele é um alcoólatra que ganha um salário mínimo,

que trabalha na Cinnabon do shopping,

casado com uma mulher que tem dois doutorados.

-E tenho orgulho. -Que literalmente...

Cale a porra da boca.

Que está literalmente curando o câncer.

Você me perguntou por que me casei com ele.

Me perguntou várias vezes,

e tenho vergonha de dizer que foi porque ele me fodia bem.

-Merritt! -Essa é a maldita verdade.

Está bem.

É justo.

Não quero dar desculpas.

Você não pode imaginar o que significou para mim

quando conheci Merritt e ela me apresentou à sua família.

Todos fizeram eu me sentir como parte de tudo.

Você precisa saber o quão grato eu sou por isso.

Como ainda sou grato.

Grato por você, por estar aqui.

Não estou aqui por você, seu fodido doente.

Lois.

Foi algo

que eu nunca tinha tido antes na minha vida.

-Uma mãe. -Pai.

Ele tem fodido a mamãe

pelos últimos dois anos.

Me desculpe por trazer alguém assim para casa.

Só queria que você entendesse.

Sabe o que eu quero?

Queria que não tivesse a porra de um mullet.

Queria que você se levantasse.

Queria que não trabalhasse no Cinnabon.

É constrangedor pra caralho.

Com a porra dos seus onion rings. Quem caralhos pede onion rings?

Você é um adulto, porra!

Como?

E aí, pessoal? Tudo bem?

Você está bem, Sr. Tryon?

Eu sei.

Eu coloquei as peônias que você trouxe.

Ficaram bonitas.

O médico fica dizendo que você não está mais aqui.

Mas eu respondo: “Não, ela está lá.

Eu posso senti-la."

É como um fio eletrizado entre nós,

vibrando,

e eu posso sentir que tem alguém na outra ponta.

Esse fio me faz fazer coisas.

Me traz aqui dia após dia,

me faz massagear seus pés,

passar vaselina nas suas axilas, entre suas pernas.

Me faz

segurar a sua mão.

Me faz ter esperança.

Mas isso não está certo, está?

Está na minha cabeça, não está?

Porque qualquer amor que tínhamos

morreu no dia que enrolou as pernas ao redor do seu genro.

Eu peço a Deus para que o médico esteja errado,

que ainda tenha uma brasa queimando em algum lugar aí dentro.

Eu espero

que possa me ouvir e sentir medo.

Porque está na hora de ir.

Marshall. Por favor.

Como posso ajudá-lo?

Está na hora. Sei que está na hora.

É uma decisão difícil.

Estamos aqui para apoiá-lo.

Temos recursos se quiser conversar com alguém.

Faça algo com o corpo.

Doe para a ciência,

tire fotos do fígado dela para panfletos do AA,

tanto faz.

Faça o que quiser.

Eu não vou levá-la.

Já falou com o resto da família sobre os desejos deles?

Podemos fazer isso amanhã às 10h?

Se é isso que você quer.

Estou curioso, Sr. Tryon, sobre como chegou a essa decisão.

Não vem dizendo há semanas que já está na hora?

Não é uma decisão que deve fazer com base em emoções temporárias.

Sugiro que pense bem nessa decisão antes de prosseguirmos.

Obrigado, John. É muito gentil da sua parte.

Estou fora.

É isso.

Boa noite.

Então, espere.

Há quanto tempo estamos fazendo isso?

Seis anos?

Homem famoso no campus,

calouras que entram e saem de seu escritório.

-Não é mesma coisa. -Então o quê?

Trair só é aceitável quando é você fazendo?

A diferença é que você e elas não são minhas noras.

Então é por isso que está irritado? A ética da coisa?

É doentio.

Ele é da família. É incesto.

Na verdade, eles não são parentes.

Vocês, homens, são demais.

Poderia desligar isso enquanto eu estiver aqui?

Tem mais de 600 pessoas assistindo.

O meu microfone está desligado. Relaxa.

Não faço tudo, querido.

Desde que o clube fechou, esse é o meu escritório.

Foi você que veio sem avisar.

Tecnicamente, é meu apartamento, já que estou pagando por ele.

Vamos deixar de lado a hipocrisia

de estar irritado com a traição.

Lois merece morrer?

E os seus erros?

Lembra quando você me levou ao Riacho Agate,

no dia dos namorados?

Não explicou nada para ela.

Quem sabe o que ela pode ter planejado?

Você sumiu por dois dias.

Ela não percebeu minha ausência.

Só ficava falando sobre ligar para ela terminando,

e não voltar para casa mais.

Uma mentira atrás da outra.

Sabia que as pessoas em coma

são afetadas por coisas ao seu redor?

É provável que deixou ela confusa,

entrando lá falando toda essa merda.

-Aonde você vai? -Não posso ficar perto de você.

O que devo fazer?

Eu não sei.

O apartamento é seu.

Chefe. Posso me sentar?

Sabia que a cada caso de violência doméstica resolvido,

outro acaba virando assassinato?

Um para um.

-Serei rápido. Só duas coisas. -Sim.

Primeiro, a família da Andrea está nos processando.

Com base em quê?

Andrea ligou seis vezes reportando abuso doméstico.

Lois era responsável.

Alegam que ela foi muito omissa,

que poderia ter ajudado a tirar Andrea da situação,

e prendido o namorado.

Se tivesse feito isso, Andrea ainda estaria viva.

O departamento quer fazer um acordo.

Não. Lois fez o que era legalmente capaz.

Forneceu informações e recursos. Andrea nunca registrou queixa.

Não pediu uma ordem de restrição.

Eu sei. Não é válido.

Se Lois tivesse aqui, jamais aceitaria isso.

Então que bom que você é a chefe e não ela.

E isso é a segunda coisa.

Falei com o administrador do hospital.

Chegou a hora.

Marshall aceitou.

-Eu quero estar lá. -Sim.

A maioria das pessoas, inclusive médicos,

acham que o pior que pode acontecer em um hospital

é a morte de um paciente.

Eles veem a morte como antiética. Com licença.

Mas discordo.

Acho que, quando um paciente está realmente sofrendo,

e temos a liberdade da dor,

negar esse tratamento é antiético.

Sinto muito, mamãe.

Fiz...

de tudo,

para ser quem você queria que eu fosse.

Entende?

Todo terapeuta me disse para eu deixar isso para lá.

Para...

Esse...

esforço para chegar às suas expectativas.

Mas não me importa.

Tudo o que fiz foi pelo seu amor.

Toda minha pesquisa.

Que porra é essa? Por que um banho?

Ela não vai num encontro, porra. Que isso?

-Senhor, é o que fazemos aqui. -Não, fora, fora!

Não. Não. Isso é particular.

-Quero prestar respeitos. -Não respeitava a Lois.

Quer a porra do trabalho dela.

E seus relatórios, repetidos durante anos...

Qualquer infração minúscula.

Ela detestava você.

Ela teve problemas comigo, Marshall,

mas não significa que eu não a admirasse.

Por favor. Só quero me despedir. E te agradecer.

Alguém tire esse homem...

Não, fora! Parem esse homem. Não!

Saia daqui, porra!

-O que está fazendo aqui? -Eu sei, Marshall.

-Saia daqui, porra! -Preciso vê-la.

-Não! -Não vou sair, até ver a Lois.

Você não vai vê-la. Saia daqui, porra!

-Papai. -Segurança!

-Por favor. -Segurança!

Estúpido do caralho.

-Vamos. Vamos fazer isso. -Papai.

Você realmente não vai deixá-los se despedir?

Não.

Está bem.

Eu sei o que está sentindo, certo?

Estou sentindo o mesmo.

Só deixe eles entrarem, se despedirem e irem embora.

Está bem?

Estou sofrendo,

e estou irritada pra caralho, está bem?

Mas não se trata só de nós.

-Entendeu? -De quem se trata?

Dela.

-Da mamãe. -Não se trata dela, não.

É isso. Chegou a hora.

-Não vai ser agora. -Não, não.

-Não faremos isso agora. -Não escute ela.

Eu tenho a decisão. Continue.

Não toque nela, está bem?

Só se quiser ser processado por homicídio negligente.

Você está me ouvindo? Você está entendendo?

Se afaste, porra!

Obrigada.

Deixe eles entrarem. Agora.

Eu disse que não. Eu digo. Eu decido.

Tire ela da tomada, porra. Tire agora.

Deixe que ela morra como viveu,

com tudo ao seu redor em turbulência,

-caos e disfunção do caralho! -Está falando sério?

-Foda-se! -Espere um pouco.

Agora, espere um pouco.

Se é isso que você quer fazer,

você vai perdê-la hoje,

e a mim.

E a mim.

Vou tocar a música favorita dela

porque é isso que eu quero fazer,

entendeu?

Vou tocar a música dela.

Sabe, eu...

Eu vejo a morte

meramente como uma ferramenta.

É a ausência de dor.

É a doce emancipação...

da alma.

Sabe...

Eu vejo a morte meramente como uma ferramenta.

A ausência de dor.

A doce emancipação da alma.

Sua vadia maluca do caralho.

Eu te amo.

Eu te perdoo, mamãe.

Pode ir, mãe.

Está tudo bem.

Mamãe.

-O que está havendo? -Eu não sei.

-Estou tentando descobrir. -Que porra está havendo?

Acho que ela pode estar sofrendo uma oscilação no momento.

Ela está respirando?

-O ritmo cardíaco está lento. -O que precisa fazer?

Ela está respirando?

Ela está respirando?

Não. Não, não.

Não. Não.

Não, não, não.

Aprenda a andar de salto alto, sua filha da puta.

Querida.

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