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1327 D. C.
LUDOVICO DI BAVIERA, FUTURO IMPERADOR
DO SACRO IMP�RIO ROMANO, PLOCLAMA A SEPARA��O
DA POL�TICA E DA RELIGI�O.
JO�O XXII EXCOMUNGA-O. O PAPA FRANC�S CONSIDERA-SE
O ELEITO DE DEUS, COM UM PODER ABSOLUTO
SOBRE O SOBERANO E O POVO.
EX�RCITOS CONFRONTAM-SE EM IT�LIA
Livrai-me, � Senhor, da morte eterna daquele dia temeroso,
Quando o C�u e a Terra forem movidos,
quando vieres para o julgamento.
Faz-me tremer e temo que,
at� que o Ju�zo esteja sobre n�s...
Pai.
Trouxe-te aqui por uma raz�o: aprenderes a lutar.
J� est� morto.
Vamos.
Ao alcan�ar o fim da minha vida pecaminosa,
preparo-me para dar o meu testemunho
dos espantosos e terr�veis eventos
que presenciei na minha juventude.
Eu era um aprendiz na Abadia Beneditina de Melk.
O meu pai, um general do Sacro Imp�rio Romano
afastou-me dos meus estudos, para lutar com ele em It�lia.
Fica com ela.
Ele disse que lut�vamos uma guerra justa,
mas n�o existe tal coisa de guerra justa.
N�o se pode mudar o mundo a matar pessoas.
Tinha 17 anos na altura,
e a minha vida estava prestes a mudar para sempre.
The Name of the Rose Epis�dio 1
FLOREN�A
Lembrem-se, quando deixamos esta terra,
n�o levamos nada do que recebemos,
s� o que damos.
Somos todos filhos de Deus.
Cada um � nosso irm�o.
O mundo � como um grande livro.
S� t�m de o aprender a ler correctamente.
S� h� uma forma de ir contra a ignor�ncia e o �dio:
usando o conhecimento para melhorar a ra�a humana.
Venha, irm�o.
Venha e junte-se a n�s.
N�o me toque.
� bem-vindo a ficar.
O p�ria...
Fui movido pelo desejo da verdade
e para a suspeita de que at� agora
eu n�o era o que me disseram.
- Nada direi... - As palavras do Franciscano
instru�ram-me mais do que o meu pai jamais conseguiu.
Porque � que me anda a seguir?
Porque � interessante.
N�o � uma boa raz�o para seguir algu�m.
Receio que deva continuar a minha jornada s�, meu amigo.
DESTACAMENTO DO COMANDO DO IMP�RIO ROMANO NA TOSCANA
William de Baskerville,
o Imperador agradece os seus servi�os.
- General. - Sente-se.
� isso que ele espera que consiga do Debate.
Lutamos com o Papa com o ferro.
Agora � a sua vez com as palavras.
Estou nesta jornada para servir e proteger a minha Ordem.
Estou perfeitamente ciente que est� a apoiar
os Franciscanos para nos usar contra o Papa.
Que pretende destru�-los.
Aceitando o apoio do Imperador, d�-nos o vosso.
Coma.
Os religiosos pensam que podem ignorar a pol�tica.
Tolice. Religi�o � pol�tica.
Continuo a tentar ensinar isso ao meu filho, em v�o, claro.
Ele quer ser monge.
Decerto ele tem as suas raz�es.
E eu tenho as minhas.
Convencido, teimoso como a falecida m�e.
Talvez s� seja um cobarde.
Porque se tornou Franciscano?
Ouvi a hist�ria de Giovanni di Bernardino,
um jovem rico, e a sua convers�o.
Como rejeitou o pai e a m�e.
Tirou as roupas de veludo, enrolou-as
num embrulho e colocou-as aos p�s do pai e disse:
"Isto pertence-lhe.
Fique com elas. Somos iguais agora."
Esse homem tornou-se em S�o Francisco.
Posso perguntar o nome do seu filho?
Adso. Porque pergunta?
Curiosidade.
Conhece-o?
Que eu saiba n�o.
Porque veio de t�o longe encontrar-se com esse bastardo?
Quando era fil�sofo,
duvidava que o mundo tivesse uma ordem.
Agora aconselho
para descobrir se n�o uma ordem,
pelo menos uma s�rie de liga��es,
em �reas pequenas dos assuntos do mundo.
Siga-me, se quiser.
- Sou o Adso. - Eu sei. O seu pai disse-me.
Est�vamos a andar por dias, do amanhecer ao anoitecer
muitas vezes em sil�ncio.
Est�vamos a ir para norte a uma Abadia Beneditina
numa cadeia de montanhas a norte de It�lia.
Durante a nossa jornada,
n�o sabia da miss�o do William.
Enquanto imagin�vamos um mundo melhor, ele disse-me:
"Os l�deres cegos conduzem pessoas cegas para o abismo".
PAL�CIO DOS PAPAS AVIGNON, FRAN�A
Esta figura ociosa de Cristo tem uma bolsa na cintura.
Apenas para lembrar �s pessoas que Ele n�o adorava a pobreza
nem mesmo quando estava na cruz.
Uma igreja de indigentes n�o tem futuro.
Os Franciscanos querem levar-nos a essa ru�na.
Sua Santidade.
Isso n�o � a ru�na, segundo os Franciscanos.
Pelo contr�rio, � o renascimento da Igreja.
Em Floren�a,
queim�mos um seguidor de Dolcino.
Eu sou o irm�o Bernard Gui,
inquisidor dominicano,
confiado com autoridade por Sua Santidade, o Papa,
sentencio o prisioneiro,
um seguidor da seita proibida de Fra Dolcino,
um fruto envenenado da Ordem Franciscana, � morte.
�s o Anticristo!
Vejo Deus em todo o lado,
menos em ti, filho bastardo de Satan�s!
Dolcino disse-te quando tentaste destruir-nos!
S�o Francisco foi s� o come�o!
"Penitencia-te!"
William de Baskerville tamb�m estava l�.
Tive de arranjar para ele se encontrar
com o herege antes do meu julgamento.
Preciso que ele se retrate e poderia ajudar-me.
Porque acha que tenho hip�teses de sucesso?
S�o irm�os.
Sob a pele.
Com um lampejo disso,
a sua grande hipocrisia, disse-me...
Porque deveria eu julgar o meu irm�o?
Deve saber que Baskerville foi escolhido
pelo Imperador para liderar o Debate.
PIEMONTE
- O que � isso? - Um astrol�bio.
Para algu�m apanhar corpos celestes.
Isto d�-nos uma imagem do c�u.
Astr�nomos e navegadores usam-no para medir
a posi��o relativa de um corpo celeste no c�u,
de dia ou � noite.
Para nos ajudar a ver o vis�vel e o invis�vel.
Sim.
Ela parece estar com fome.
Toma.
Comida.
Eu n�o...
Toma.
Obrigada.
Ela � da Occit�nia.
O rei de Fran�a est� em guerra com o povo dela.
Como muitos outros, ela est� a fugir de casa.
� in�til vaguearmos como um rebanho de ovelhas.
3 ou 4 de v�s, v�o por aquele caminho.
E os outros...
Dia aben�oado, irm�o Franciscano.
Para si tamb�m, jovem irm�o.
Sou o despenseiro da abadia. Procuramos por...
Obrigado por interromper a sua busca, irm�o.
O cavalo veio por aqui, tomou o caminho da direita.
- N�o ir� muito longe. - Viu-o?
N�o o vimos. Pois n�o, Adso?
Mas se andam � procura do Brunellus,
o cavalo s� pode ter ido para onde eu disse.
Brunellus. Como sabe o nome dele?
Ora, � �bvio. Andam � procura do Brunellus,
o cavalo favorito do abade. Porte m�dio, manto escuro,
cauda cheia, cascos pequenos e arredondados,
de trote firme, cabe�a pequena, orelhas espetadas, olhos grandes.
Ele foi para a direita. Despachem-se, continuem a busca.
N�o nos conhecemos de algum lado, irm�o?
N�o que me lembre.
H� sempre um prazer pecaminoso em ter raz�o.
Como � que descobri?
V� l�, Adso. N�o � assim t�o dif�cil.
Deve ter visto as pegadas do cavalo.
Ele partiu uns galhos a 1,5m atr�s e encontrei isto.
O caminho da direita leva aos penhascos,
porque eu vi ao subir para c�.
E a descri��o detalhada do animal?
Imaginei um cavalo que ainda n�o vi.
N�o estou certo das caracter�sticas,
mas sem d�vida os monges acreditaram.
N�o estariam t�o preocupados com o cavalo
se n�o fosse t�o importante para o abade.
Ent�o, dei-lhes caracter�sticas ideais
que um bom Beneditino esperaria do animal do seu mestre.
Mas e o nome?
Que o Esp�rito Santo ilumine a sua mente, filho.
Qual outro nome ele poderia ter?
Brunellus, "brunus".
- Em Latim. - Castanho.
Sim.
Irm�o!
O abade ser� sempre grato a si, irm�o.
Ele adora esse cavalo.
� William de Baskerville.
- Ent�o conhece-me. - N�o exactamente.
� que o abade estava a falar sobre si.
Esperava a sua visita, mas n�o t�o cedo.
Isso explica tudo.
O nosso irm�o Adelmo faleceu na noite passada.
Ainda n�o sabemos como ou porque � que ele morreu.
Convocarei todo o mosteiro
depois lermos os Salmos �s 18h.
O irm�o William de Baskerville est� aqui.
Talvez, Berengar,
possa preparar o corpo para o enterro?
William de Baskerville.
Que momento infeliz. Deus decidiu testar-me.
Fiquei feliz por saber que agiu como inquisidor,
de in�meras casos que decidiu que o acusado era inocente.
Inquisidores frequentemente, para demonstrar o seu zelo,
tentam uma confiss�o a todo o custo.
Inquisidores podem ser empurrados pelo Diabo.
Ent�o abandonei essa nobre actividade,
e agora preocupo-me com outras quest�es delicadas.
E gostaria de lidar com o que est� a angusti�-lo
se quiser falar comigo, padre.
Nas horas sombrias da noite passada,
um dos nossos melhores ilustradores, Adelmo de Otranto.
Como pode ver.
Provavelmente caiu durante a tempestade,
que soprou furiosamente de oeste.
Deus tenha miseric�rdia dele.
Dado o ataque que o seu pobre corpo sofreu
determinar o ponto preciso onde ele caiu n�o foi f�cil.
Certamente, janelas que se abrem em linhas ao lado da torre.
Estou a ver. Vejo que o seu problema � o seguinte:
Se esse jovem infeliz, Deus me livre, suicidou-se,
n�o teria permitido o corpo na igreja
e acredito que esta manh�, encontraria a janela aberta.
Considerando que as encontrou fechadas,
sem sinal de �gua abaixo de nenhuma delas.
- Quem lhe contou isso? - Voc� contou-me.
Se a janela fosse aberta, teria imediatamente
pensado que ele se tirado dela.
Poderia dizer do lado de fora, que s�o grandes janelas.
Janelas desse modelo em estruturas desse tamanho,
n�o s�o feitas da altura de um homem.
Ent�o, mesmo se a janela estivesse aberta,
teria sido imposs�vel para o infeliz inclinar-se
e perder o equil�brio.
Assim, o suic�dio teria sido a �nica explica��o conceb�vel.
Mas como lhe vai dar um enterro crist�o,
as janelas deviam estar fechadas.
Se estavam,
ent�o, o suposto suic�dio, pelo contr�rio, foi empurrado.
E se est� a perguntar quem � capaz,
n�o digo de empurr�-lo para o abismo,
mas de i��-lo para o peitoril.
E � isso.
Mas como sabe que n�o havia �gua abaixo das janelas?
Porque disse-me que o vento estava a soprar de oeste,
ent�o a �gua n�o estava contra as janelas
que se abrem para leste.
Falaram-me da sua intelig�ncia, irm�o,
mas isso n�o lhe faz justi�a.
Foi exactamente tudo como disse.
E ningu�m comete homic�dio sem raz�o.
Por mais perverso que seja.
- Mais alguma coisa? - N�o tenho mais nada para dizer.
Isso significa que n�o tem poder para falar algo.
Irm�o William.
Irm�o William,
por favor, ajude-me a encontrar o assassino do Adelmo
antes dos Delegados chegarem.
Imagine se o Papa souber que aqui, na casa de Deus...
Quem tem acesso � torre de noite?
Ningu�m. � absolutamente proibido a todos.
E quem guarda as chaves?
Os bibliotec�rios, Malaquias de Hildesheim
e o assistente Berengar.
Posso fazer perguntas aos monges?
Pode.
Posso andar livremente pela abadia?
Dou-lhe esse poder.
Devo confessar
que tenho um grande desejo de visitar a biblioteca,
que � descrita com admira��o por toda a Cristandade.
N�o posso permitir a sua entrada. Ningu�m pode entrar.
Mesmo que consiga entrar,
a biblioteca pode proteger-se.
� t�o invulner�vel como as verdades que abriga.
E � habilmente ilus�ria quanto �s mentiras que protege.
� um labirinto.
Pode entrar e nunca mais conseguir sair.
Ningu�m al�m dos bibliotec�rios pode entrar.
Sempre foi dessa forma.
Em Creta fizeram um labirinto para esconder um monstro.
N�o h� monstros na nossa biblioteca.
Livros. S� livros.
Muitos livros.
Como estudarei a morte de Adelmo se n�o posso ver o lugar
onde a hist�ria da morte pode ter come�ado?
Irm�o William,
um homem que descreveu o meu cavalo sem o ver,
e a morte de Adelmo n�o sabendo nada do caso,
n�o encontrar� dificuldades em estudar
lugares aos quais n�o tem acesso.
Como desejar. � s�bio e severo.
Se sou s�bio � porque sei como ser severo.
Porque � que o Papa est� a enviar pessoas aqui?
Disse algo sobre proteger a Ordem.
A Ordem de S�o Francisco.
Sim. Os emiss�rios do Papa est�o ligados ao que vim fazer,
e com o futuro da Igreja.
� o porco. Est�o a matar um porco.
Quando era pequeno, o meu pai obrigou-me a fazer,
se eu quisesse ser um homem.
Enterrei uma faca no cora��o dele
enquanto o segurava pelo pesco�o.
Andei surdo v�rios dias.
Obviamente houve um deslizamento
durante a noite, causado pela tempestade.
A terra moveu-se, e carregou
o corpo desse pobre jovem abaixo da torre leste,
onde foi encontrado, despeda�ado.
Quanto mais penso nisso, mais me conven�o
que o Adelmo atirou-se por vontade pr�pria
do parapeito desta parede.
- Porque acha isso? - Se o Adelmo caiu
da torre leste, teve de ir � biblioteca,
algu�m o atacou,
e ent�o essa pessoa, de alguma maneira, subiu � janela
com um corpo sem vida nas costas, abriu-a
e atirou o monge indefeso abaixo.
Com a minha hip�tese,
precisamos do Adelmo, a sua posi��o e da terra.
Tudo � explicado usando poucas causas.
Porque � que se mataria?
- Algo perturbava o Adelmo? - Porque pergunta?
Era o confidente dele. N�o pode falar
dos pecados dele comigo, mas pode falar do estado mental.
N�o quero ter essa conversa consigo, Irm�o William.
Ele pode ter tirado a pr�pria vida.
Bem-vindos.
Sou Malachi de Hildesheim, bibliotec�rio-chefe.
� uma honra conhecer um homem da sua distin��o,
- Irm�o William. - H� quanto tempo
- � bibliotec�rio aqui? - 30 anos.
� sempre nomeado um pelo seu antecessor
quando ele se torna abade.
A lei diz que, quando um abade morre,
quem o substitui � o bibliotec�rio.
Ent�o ser� o pr�ximo abade.
Que Deus conceda ao nosso abade uma longa vida.
Naturalmente.
A cozinha � por ali. E aqui � o Scriptorium.
Aqui � o cora��o da abadia.
Aqui criamos as j�ias mais valiosas do mundo.
Os nossos livros.
Aqui h� as tarefas de:
Tradutores, copistas,
ilustradores e miniaturistas.
Que ilustram nas min�sculas pinturas de uma p�gina
as imagens mais magn�ficas e elaboradas.
Este � Berengar de Arundel, o meu assistente.
Aqui temos Venantius de Salvemec,
um famoso estudioso grego.
Que faz um trabalho magn�fico com o nosso grande Arist�teles.
E Aymaro, mestre dos copistas.
Como � que os monges solicitam os livros?
N�s temos cat�logos.
Quando encontram um livro,
eles pedem-me a mim ou ao meu assistente.
Est�o organizados num c�digo que s� os dois sabemos.
S� n�s somos autorizados a passar pela porta.
� um labirinto. Qualquer um se perderia.
Benno de Uppsala. Est� a estudar Ret�rica
e a Arte da Caligrafia.
- Aonde o Adelmo trabalhava? - Logo ali.
N�o toc�mos em nada. A escrivaninha continua intacta.
- Ontem viu-o a sair? - Sim. Todos vimos.
Comemos todos juntos.
E o seu tempo na igreja durante as ora��es nocturnas?
Uma nova inven��o.
Que pode ampliar as imagens para aqueles com vis�o fraca.
Pobre Adelmo.
Por vezes perdia-se na sua imagina��o.
Fico contente por ser cego.
N�o tive de testemunhar tamanha estupidez.
Jorge de Burgos,
um dos estudiosos mais antigos da abadia.
Deve concordar, vener�vel Jorge,
que n�o ver algo n�o faz com que desapare�a.
Est� a falar com William de Baskerville.
O Franciscano.
Ent�o agora pregaremos aos p�ssaros,
cantaremos e dan�aremos
para demonstrarmos a compaix�o que temos pelo mundo.
Adelmo, possu�a tamanho prazer
pelos monstros que criara
que acabou por perder a no��o da verdade.
As imagens n�o s�o verdade se n�o mera tolice.
Deus � mencionado pelo mais distorcido,
Mas � assim que nos mostra a verdade.
Com todo o respeito, Jorge, sabe que Adelmo n�o perdeu a f�.
Ao falarmos disso, lembrei-o de que...
N�o sei do que est� a falar, jovem.
- Malachia tamb�m esteve aqui. - O Jorge n�o se lembra.
Mas voc� sim, Berengar. Afinal,
atende sempre a qualquer discuss�o sobre o seu querido amigo.
- Venantius! - Perdemos um irm�o.
Era muito amado por todos.
E esteve aqui, como todos n�s,
a viver a sua vida a adorar e a glorificar Deus.
Sempre quis ler "Apologeticum" de Tertutilliano.
Mas nunca o consegui encontrar.
Est� aqui. Eu tenho-o.
- Adorava encontr�-lo para si. - Ficarei muito agradecido.
Rapaz.
Sim?
Ent�o...
�s o aprendiz de William de Baskerville?
Consegue pensar em algu�m
que teria rancor ao Adelmo?
De maneira nenhuma.
Ele era um bom rapaz.
Tinha uma paix�o enorme pelo trabalho.
N�o deixes que o teu mestre
te conduza ao caminho errado.
Estamos a viver numa �poca
bem mais assustadora
do que um miniaturista poderia imaginar.
Penitencia-te!
Cuidado com o Drag�o
que vem do futuro para atormentar a tua alma.
Que a morte seja superior!
Reza ao Santo Padre.
Gostas de necromancia?
Libertai-vos do mal e livrai-vos de todos os nossos pecados.
Carne.
Carne.
Bonita, n�o �? Mas o Salvador "n�o � stupidus". Ele � como...
Penitencia-te! Penitencia-te!
Est� a estudar ret�rica?
Sim, estou.
Tamb�m gosto de estudar poesia.
Li muitos poetas pag�os.
Talvez as suas palavras sejam verdade.
Muito bem.
O que foi dito naquele dia quando estava
a discutir sobre as ilumina��es de Adelmo
a Berengar, Venantius, Malachia e Jorge?
Devo lembr�-lo que estou encarregado
pelo inqu�rito a mando do abade?
Jorge dizia que n�o � l�cito usar imagens rid�culas
para decorar os livros que cont�m a verdade.
Venantius falou dos outros livros e Jorge ficou zangado.
- Que livros? - N�o me lembro.
Do que importa de quais livros falavam?
Importa muito porque tentamos
entender o que houve entre os homens
que vivem entre livros, com livros, para os livros.
As palavras deles em livros tamb�m s�o importantes.
Sim, � verdade.
Vivemos pelos livros.
Uma maravilhosa miss�o deste mundo,
dominado pela desordem e decad�ncia.
O que eles disseram?
Venantius disse que
quando se trata desses enigmas espirituosos,
ningu�m supera os poetas africanos.
E ent�o?
Ent�o aconteceu algo que n�o entendi.
Berengar come�ou a rir.
Ele disse: "Se algu�m procurar atentamente entre os africanos,
enigmas bem diferentes seriam encontrados".
Jorge ficou com muito zangado e disse
que n�o era sensato ter os africanos como modelos.
E depois disso?
Malachia ficou furioso,
agarrou o Berengar pelo capuz, e mandou-o para as suas tarefas.
Depois, vi Adelmo a aproximar-se do Berengar e a pedir algo.
� noite, os dois estavam no convento a conversar.
� tudo o que sei.
O que o Berengar quis dizer com: "procurar entre os africanos"?
S� sei uma coisa.
Qualquer um que vir o cat�logo de livros
encontrar� v�rias vezes entre as classifica��es que,
infelizmente, s� os bibliotec�rios entendem,
uma que diz, "�frica".
Eu pr�prio encontrei um que diz: "Finis Africae",
o fim da �frica.
Isto � o que sei.
E por isso digo: investigue o Berengar.
O Franciscano William � perigoso.
N�o gosto dele, desse pobre animal.
Eu sei.
- N�o lhe deves contar nada. - Nada.
N�s, italianos, somos v�timas aqui dos estrangeiros.
S�o todos liderados pelo Malachia e Berengar.
Agora at� come�aram a matar-nos.
Aqui, no po�o da cobra.
O que ele queria?
Apresentar-se.
Por outras palavras, n�o escapar� ao pecado.
Morte e vida est�o no poder da l�ngua.
Coloquei uma restri��o na minha boca...
e fiz-me mudo.
Porque um famoso Franciscano o escolheu?
Poderia um rapaz novo
ter algo a dar em troca do seu conhecimento?
Deveria envergonhar-se s� de pensar nisso.
PAL�CIO PAPAL AVIGNONE, FRAN�A
Enviei uma delega��o muito fraca
para enfrentar os Franciscanos em debate.
Acabei de saber que William de Baskerville chegou � abadia
mesmo antes do General Franciscano.
- A sua delega��o j� est� l�? - Ainda n�o.
Ent�o chame-a de volta.
N�o posso. Fiz um acordo com o Imperador.
- O debate tem de ter lugar. - Podemos confiar no abade?
Espero que sim.
Dizem que Baskerville tem o seu encanto.
O encanto n�o � uma virtude.
N�o se esque�a de que,
como qualquer Franciscano de ra�a pura...
Ele odeia-o.
A viol�ncia da disputa
colocou em perigo a unidade da Igreja.
Por um lado, h� o Imperador contra o Papa,
por outro lado, o Papa contra os Franciscanos,
que tinham abra�ado as teorias espirituais
sobre a pobreza de Cristo.
Porque � que o Papa quer destruir a Ordem de S�o Francisco?
Porque pensamos que a igreja,
e mais importante, o Papa que a governa,
deve imitar a vida de Cristo.
N�o � isso que qualquer crente deve esperar?
Deveria ser.
E farei o meu melhor para fazer isso.
Porque fui encarregado de apresentar
o ponto de vista dos te�logos imperiais.
E o que acontece se perder o debate?
Nunca perco um debate.
Nunca?
N�o posso nem pensar em perder este debate.
Isso significaria que seria o �ltimo Papa
digno desse t�tulo.
Posso ter sido ing�nuo uma vez e subestimado o meu inimigo.
No entanto, este erro ser� remediado.
V�s, Bernard, vai sair imediatamente
para a abadia onde vai liderar a minha delega��o.
Estou honrado, Santidade.
Estou-lhe a dar uma escolta armada.
O meu sobrinho, Cardeal Di Pouget, vai juntar-se l� a si.
Ele � o homem que tirou os sorrisos
dos rostos daqueles malditos italianos.
Traidores, todos eles.
O objectivo dessa confer�ncia...
� exterminar a Ordem Franciscana...
De uma vez por todas.
Senhor, imploro-lhe com todo o meu cora��o...
Se n�o encontrar mais alegria na Sua lei,
devo morrer de tristeza.
Venham comigo! Todos, depressa!
Tirem-no dali! J�! Depressa!
- Outro cad�ver. - Quem pode ser?
Afogado.
Meu Deus! � o Venantius!
Venantius...
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