All language subtitles for 7y7ehdf8r838

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - Murrice -

Legenda - Hirschen -

Legenda - lucasvsribeiro -

Legenda - Spa -

Legenda - LaB -

Revis�o - Durenkian -

Posso perguntar algo a voc�?

N�o posso prometer que irei responder.

Sim... � exatamente isso que eu quis dizer.

� permitido a voc� falar no caminho?

Suponho que possa haver regras.

Pense desta forma:

Bem poucos fazem todo o percurso sem proferir uma palavra.

As pessoas s�o tomadas por uma necessidade

estranha e s�bita de se confessar nessas jornadas.

E nem sempre tudo tem

uma qualidade ret�rica excelente,

mas continue jovial,

s� n�o acredite que me dir� algo

que n�o ouvi antes.

A CASA QUE JACK CONSTRUIU

A CASA QUE JACK CONSTRUIU

1� INCIDENTE

Tentarei dividir minha narrativa

em cinco incidentes escolhidos aleatoriamente

durante um per�odo de 12 anos.

1� INCIDENTE

Estou aqui, em p�, segurando este macaco

que n�o est� funcionando.

Tem um macaco para me emprestar?

N�o, sinto muito.

- N�o? N�o? - N�o. N�o.

Que estranho, achei que todo mundo tinha um macaco.

Eu n�o.

Talvez possa dar uma olhada em meu carro?

Nem preciso dar uma olhada em seu carro.

O problema do seu macaco � que ele est� quebrado.

Aqui.

Ent�o, o que uma pessoa como eu poderia fazer?

Bom, acho que...

eu poderia ir at� a oficina do Sonny

e chamar o guincho.

� cerca de 8 km daqui.

Que tipo de oficina �?

Sonny � um ferreiro muito bom.

Ferreiro.

Talvez esse Sonny consiga consertar o macaco?

Teria que falar com ele.

Posso pedir encarecidamente para me levar at� l�?

Por favor.

Isso foi um erro.

- Erro? - Entrar nesse carro com voc�.

N�o foi uma m�e que disse

que nunca deveria entrar no carro de um estranho?

Bom...

N�o sei o que a sua m�e disse.

Voc� pode ser um assassino em s�rie.

Desculpe, mas voc� parece um.

Quer que eu a leve de volta a seu carro?

N�o, n�o. Eu cuido de mim mesma.

Desculpe, lhe ofendi ao cham�-lo de assassino em s�rie?

N�o.

N�o tem import�ncia alguma para mim.

Talvez seja a van.

� do tipo que algu�m usaria para sequestrar

ou para transportar cad�veres.

Mas se fosse mesmo um assassino em s�rie,

acho que o mais f�cil seria simplesmente

enterrar meu corpo ali, entre as �rvores

e teria que lembrar de enterr�-lo

com ao menos sete palmos para que as raposas

n�o conseguissem cavar meu t�mulo.

O que eu faria?

O que eu faria para evitar que n�o se safasse?

� claro que eu...

pegaria esse macaco e bateria em sua cabe�a.

Um macaco desses pode fazer um belo estrago,

n�o acha?

N�o sou m�dico legista.

Faria um belo estrago.

N�o esque�a disto. Boa sorte com Sonny.

Seria muito pedir para que me levasse de volta?

Se esse Sonny for r�pido quanto voc� fala?

Tenho certeza que Sonny � capaz

de lev�-la de volta...

Como eu disse antes, n�o gosto

de pegar carona com estranhos.

Bom, eu sou t�o estranho quanto Sonny.

Estamos nos dando bem.

Vou falar com Sonny, um minuto.

Sonny.

- Ol�, Jack. - Como vai?

Estava consertando o trator do Miller,

mas essa mo�a � de fato muito persistente.

N�o diga...

Grande erro.

Assassinos em s�rie podem andar livremente em nosso pa�s

porque n�o t�m conex�o entre si pr�prios

e suas v�timas.

Ent�o, voc� acabou de cometer um grande erro

em deixar Sonny ver n�s dois juntos.

Sabe...

Francamente, eu tenho coisas mais importantes

para fazer com minha vida

do que ficar perdendo tempo com essa merda.

Voc�... disse que ele era muito bom.

Sim, tenho certeza que Sonny apenas se distraiu

com sua maldita matraca.

Agora, preciso ir. Tenho um compromisso.

Compromisso? Que compromisso?

N�o � da droga da sua conta, �?

Voc� n�o pode simplesmente me deixar aqui.

Na verdade, era isso que eu estava pensando em fazer.

Com certeza outro assassino em s�rie passar�

e poder� lhe dar uma carona de volta � oficina.

Ao menos que ele decida matar voc� primeiro.

Mesmo se eu implorar para que voc� me leve de volta?

Uma �ltima vez?

Por favorzinho.

Sabe, eu retiro tudo que disse.

Antes, quando falei que voc� parecia um assassino em s�rie.

N�o, n�o, voc� n�o tem disposi��o

para esse tipo de coisa.

Voc� � covarde demais para assassinar algu�m.

Meu Deus, voc� � um homem perigoso,

bateu nela com um macaco, foi?

Para dizer a verdade, j� ouvi sobre assassinatos

mais do que consigo contar.

Ali�s, o que esse homem rid�culo tem a ver com o resto?

� Glenn Gould,

um dos maiores pianistas de nosso tempo.

Ele representa a arte.

Ent�o, bater com um macaco no rosto de uma mo�a

de fato insuport�vel foi uma obra de arte.

� isso que eu deveria pensar?

Querido Sr. Virg�lio, por favor, permita-me uma chance

de esclarecer um pouco mais a hist�ria do macaco.

As antigas catedrais, em muitos casos

t�m obras de arte sublimes escondidas

nos mais escuros cantos para que apenas Deus as veja,

ou para quem quiser falar

com o grande arquiteto por tr�s de tudo.

O mesmo vale para os assassinatos.

Quando eu digo catedrais, s�o principalmente

os edif�cios g�ticos que admiramos.

Aqui, arcos elegantes e agudos substitu�ram os mais antigos,

que eram mais primitivos e arredondados.

A arte da engenharia, � antes de tudo a fixa��o,

para que tudo fique em p�, mesmo com as v�rias for�as

que impactam as constru��es.

Assim, o arco agudo criou uma possibilidade de construir

muito mais alto e com muito mais luz,

mas o mais importante: com menos materiais.

Frequentemente digo que o material faz a obra.

Em outras palavras, ele tem um tipo de vontade pr�pria

e ao segui-la, o resultado ser�

primoroso.

Portanto, o material era o macaco

e ele "saltou" no rosto da mo�a por conta pr�pria.

A arte � muitas coisas.

Muito conveniente e incomum na pilha de desculpas ruins.

Mas tudo isso n�o interessa absolutamente nada

se voc� n�o for um engenheiro.

Eu sou um engenheiro.

Minha m�e tinha a opini�o de que ser um engenheiro

era a escolha financeira mais vi�vel,

mas meu sonho, na verdade, era tornar-me arquiteto.

Logo antes da mo�a e do macaco,

eu comprei um terreno,

e como eu era a pr�pria construtora

devido a uma heran�a substancial,

ningu�m p�de me impedir de desenhar

meus pr�prios projetos para minha pr�pria casa.

Seja engenheiro ou arquiteto,

o que vejo � um paciente com um caso grave de TOC.

Ou Ordnungszwang, Jack,

para usar uma boa palavra alem�.

Sim, talvez seja mesmo verdade

que eu sofri de compuls�es em minha inf�ncia.

Eu era completamente hist�rico com limpeza

e n�o conseguia sair de um local

que n�o estava perfeitamente arrumado e limpo.

Um padr�o dif�cil de se manter

na c�mara frigor�fica.

C�mara frigor�fica?

A c�mara frigor�fica da Avenida Perspectiva.

PERS A placa est� quebrada h� anos,

ent�o ningu�m sabia, de fato, qual era o nome da rua.

Comprei as pizzas do antigo dono

da c�mara frigor�fica.

Ele disse que era �timo neg�cio,

mas � claro que nunca consegui vend�-las,

ent�o isso acabou sendo um pouco demais para mim.

S� comi uma dessas pizzas de merda.

Pizza, pizza!

Marcelo me faz sempre com�-las.

E havia uma porta para outro c�modo

que nunca consegui abrir.

Um neur�tico desgra�ado, cheio de compuls�es obsessivas

e um sonho pat�tico de algo maior.

E a pol�cia?

Imagino que come�aram a se mexer bastante.

N�o. Pode chamar de sorte, se quiser.

Eu tentei esconder o carro dela,

mas para minha irrita��o suprema,

ainda se via partes dele da estrada principal.

Sabe, n�o perceber onde eu havia estacionado o carro

foi um golpe de g�nio.

Veja, um pequeno riacho demarca a fronteira do Estado,

e a pol�cia local, por defini��o,

n�o pode olhar al�m das fronteiras de Estados.

N�o est� sob jurisdi��o deles.

Ent�o, a pol�cia n�o fez nenhuma averigua��o.

Ali�s, nem sei se Sonny contou a eles sobre mim.

J� nos encontramos algumas vezes desde ent�o,

mas nunca falamos sobre isso.

2� INCIDENTE

Espere a�.

- Ol�. - Ol�.

Quem � voc�?

Pol�cia.

- Algo aconteceu? - N�o, n�o,

por sorte, nada aconteceu, pelo menos at� agora.

Pelo jeito, voc� gosta

de fazer compras no Supermercado do Carlson.

Por qu�? Algo aconteceu no supermercado?

N�o, mas gostar�amos, no entanto,

evitar que coisas acontecessem aos com�rcios nos arredores,

como...

o Supermercado do Carlson.

Eu... posso... posso entrar?

Quero ver seu distintivo.

Eu tamb�m.

Infelizmente, hoje, isso ser� um problema.

Agora...

Consigo perceber, pela sua express�o,

que acha que � algo ruim

eu n�o ter meu distintivo da pol�cia aqui comigo.

- Certo. - Estou aqui para inform�-la

de que �... uma coisa boa...

para a pol�cia, e n�o vou mentir a voc�, certo?

Tamb�m � algo bom para mim, a n�vel pessoal. Sim.

Veja, o meu... distintivo...

Est� no ourives.

Sim, est� no ourives.

Est�o polindo, e...

adicionando mais algumas cita��es a ele.

Fui promovido.

- Est� bem. - Isso.

Agora, voc�...

O que voc� � agora? Qual � a sua patente?

N�o temos liberdade para discutir tal assunto.

Isso � confidencial.

No entanto, acho que � seguro afirmar

que � uma consider�vel...

Subida na hierarquia.

- Agora posso... - N�o.

N�o sem um distintivo.

Bravo, excelente.

� exatamente o tipo de resposta que gostamos de receber.

Voc� negar faz o meu dia.

- Certo. - Claro,

todos sempre falam de seguran�a

mas o que, de fato, fazem sobre isso?

"N�o!" � uma resposta muito correta.

Isso, � uma resposta muito correta, de fato.

Claro que voc� nunca permitiria algu�m entrar em sua casa

s� porque dizem "Ol�! Sou policial."

- N�o, n�o. Voc� n�o faz isso. - N�o.

Espera at� que mostrem o devido...

- Distintivo. - Isso. O distintivo.

- Sim. - � o correto. Claro.

HONRA AOS 25 ANOS DE SERVI�O - Posso fazer uma pergunta...

Um pouco pessoal?

Quando exatamente...

Voc� perdeu o seu marido?

Fazem quase seis meses

que meu marido faleceu... Onde quer chegar com isso?

Estou pensando na sua...

Sua pens�o.

Pois, �...

Aposto que com uma liga��o para um dos meus colegas

na sede, eu poderia arranjar um...

aumento consider�vel na sua pens�o.

Aposto que poderia dobrar o que voc� recebe.

Espere um pouco.

Conseguiria dobrar minha pens�o

da delegacia, com liga��es?

Perdoe-me...

Eu enrolei um pouco.

Na verdade, como... j� percebeu,

n�o sou policial.

O qu�?

Sou agente de seguros, senhora.

Essa hist�ria toda sobre distintivo

� algo que nos pedem para fazer

a pedido das autoridades, para estat�stica ou algo assim.

- Oi, Glenn. - Ol�, Claire.

- � meu amigo Glenn. - Glenn. �timo cara.

- Voc� conhece Glenn? - Sim, claro.

Est� interessada nesse aumento, no dinheiro?

Bem, se voc� puder dobrar.

N�o vai demorar mais do que alguns minutos.

Tudo bem, voc� pode entrar.

Esta maldita porta emperra.

O que poderia acontecer de pior, contanto que dobre minha pens�o?

Droga.

Algum problema?

� t�o humilhante.

Ficar do lado de fora,

exposto, repetidamente,

ter que se colocar nessas situa��es.

Eu n�o sei porqu�.

Desculpa, eu s�...

Sabe quanto isso � humilhante?

Estou constantemente sendo colocado nessas situa��es.

Isso n�o � justo.

- N�o, n�o. - Voc� acha que � justo? N�o...

Quer uma x�cara de ch�?

N�o, n�o... N�o se preocupe.

Droga.

Droga, droga...

Onde acha que vai?

N�o. n�o.

Aqui.

Coloque isso sob a cabe�a.

Eu sinto muito.

Sinto muito mesmo.

O que eu posso fazer para reparar?

Diga.

O que posso fazer?

Como posso ajud�-la?

O que posso fazer para melhorar?

- Fale comigo. - Falar...

- N�o consegue falar? - N�o.

Certo.

Isso!

Espere um pouco.

Eu tenho algo que acho que voc� vai gostar.

Gosta de donuts?

Tome...

Pronto.

Sim, � camomila.

� bom para voc�.

Meu Deus...

TOC

Um assassino com TOC.

� quase rid�culo

mas que tristeza para voc�, Jack.

E ainda por cima, com compuls�es por limpeza.

Merda.

Por favor, saia do carro, senhor.

Posso dar uma olhada na van, senhor?

- Pegaria mal se eu disser n�o. - Abra, por favor.

Tudo bem.

Desculpe, senhor, mas houve um arrombamento no fim da rua.

Gostaria de perguntar sobre o que pode ter visto

ou ouvido.

Glenn disse que o senhor visitou Claire.

Desculpa, voc� mencionou um arrombamento?

Bem...

Infelizmente...

Acho que voc�s t�m um problema mais s�rio.

Claire est� desaparecida.

Clair Miller desapareceu?

Sim, estive aqui

nas �ltimas duas horas na minha van esperando por ela.

Certo.

Eu entrei em contato com Claire

porque o falecido marido dela era um amigo querido.

Trabalhamos juntos por alguns anos na ferrovia

e sou colecionador.

Sim, eu coleciono...

- Eu coleciono Trax. - Trax?

Artigos da Trax. � uma revista da ferrovia.

E, Jerry,

eu sei, por acaso,

que ele tamb�m se inscreveu e foi um entusiasta como eu.

Assim, Claire disse que veria l� dentro

se arranjaria algumas edi��es antigas para mim.

Ela nem me convidou para entrar.

- Certo. - Melhor prevenir que remediar

quando um estranho como eu aparece, certo?

- Sim... - �...

Ent�o, bati v�rias vezes e ela n�o respondeu.

Certo.

Senhor, terei que pedir para que fique aqui.

Vou dar uma olhada.

Claire, � o Ed.

- Talvez a porta esteja aberta. - O qu�?

N�o sei. Ou talvez n�o.

Claire, voc� est� aqui?

Claire?

- Ela est� l� em cima? - N�o.

Talvez ela tenha sa�do pelos fundos.

Acho que eu teria notado.

Isso � muito, muito estranho.

Se me perguntar, diria que precisa ser bem investigado.

Bem, eu n�o perguntei.

Mas, sabe, acho que ouvi

uns ru�dos vindos da sala de estar.

- Ru�dos? - Sim, ru�dos.

Eu, claro, n�o posso ter certeza

mas parecia uma...

- Como um tipo de briga. - Briga?

N�o, n�o. Coloque isso de volta, agora.

Esse tipo de investiga��o � com a pol�cia. N�o.

Certo, tudo bem.

Terei que pedir para que se retire da casa.

- Desculpa? - Senhor, agora!

Tudo bem.

Sabe, sairei sob protesto.

Sinto que minhas observa��es

poderiam ser �teis numa investiga��o.

Como um cidad�o de bem, com plena consci�ncia

dos meus direitos constitucionais.

O qu�?

Policial, por favor, me permita terminar,

s� estou tentando ajudar, certo?

- Um minuto, senhor. - Gostaria de sugerir,

e estou no meu direito,

que esta sala foi inspecionada impecavelmente.

Com uma lupa se � que me entende.

- Fora. - Tenha um bom dia, policial.

Saia, senhor.

Os policiais em sua hist�ria

n�o parecem excepcionalmente ing�nuos?

� esse o motivo?

N�o.

Mas estamos chegando ao motivo.

Mal posso esperar.

A enorme chuva!

Lavou a longa trilha de minha fuga.

Contudo, n�o me considero um homem de f�.

O que, claro, � algo insano a dizer,

considerando nossa presente situa��o,

mas devo admitir,

eu vivi a chuva, a mais feroz que eu j� vi,

como uma esp�cie de b�n��o

e o assassinato como uma esp�cie de liberta��o.

Senti que possu�a um protetor mais elevado.

E na realidade voc� era apenas

um aterrorizante e pervertido Sat�.

Mas voc� entendeu, melhor ainda, aceitou

a conex�o com sua personalidade?

Que voc� era um psicopata?

EGOTISMO

VULGARIDADE

GROSSERIA

IMPULSIVIDADE

NARCISISMO - N�o sou idiota.

INTELIG�NCIA

IRRACIONALIDADE

MANIPULA��O - Isso � bem incomum.

MUDAN�AS DE HUMOR - O psicopata nunca aceitar�

SUPERIORIDADE VERBAL - o seu diagn�stico.

Mas eu aceitei!

Por exemplo, a falta de empatia do psicopata.

Eu fiz grandes esfor�os para fingir uma empatia normal

para me esconder entre as massas.

Sorriso.

Sim, sim...

Desapontado.

Muito, muito desapontado.

E o capinzal?

Eu era uma crian�a muito sens�vel...

com um medo de brincar.

Por exemplo, esconde-esconde.

Quando era para me esconder,

sempre escolhi correr desesperadamente

em um capinzal.

Vejo mais que uma crian�a assustada.

Vejo uma crian�a com uma meta mais curiosa.

A escolha de entrar no capinzal foi uma fuga,

mas tamb�m um convite aberto para o perseguidor,

com a trilha clara de capim amassado deixado atr�s.

Houve uma esp�cie de esconde-esconde

em sua inf�ncia?

Ou talvez, mais importante, enquanto pessoa?

Nunca houve um gr�o min�sculo de decep��o

em rela��o a enorme chuva que lavou

seus rastros impedindo sua captura?

Mais como assombro...

Quando penso em tudo o que fiz na vida

sem isso e mesmo assim sem ser punido.

Eu adorava quando os alde�es

cortavam os prados com suas foices.

Naquela �poca, chamavam de respira��o do prado.

Todos trabalhando no ritmo, exalando quando cortavam

e inalando quando recuavam as foices.

Era como se o prado

ganhasse vida na minha consci�ncia

quando escutava aquela respira��o.

Pare com isso.

Pare com isso.

Pare!

Pare!

A experi�ncia me ensinou como estrangular corretamente

e por quanto tempo.

Bravo, Jack.

Voc� certamente � inteligente e dur�o...

como todos os outros criminosos.

A quest�o � que quando, ap�s v�rios outros assassinatos,

senti meu TOC diminuir

e comecei a me arriscar mais.

Desta vez estava completamente insatisfeito com as fotos

e decidi fazer novas.

Droga! Droga! Droga!

Merda!

Me surpreendeu como um rel�mpago em um c�u claro.

Droga!

N�o consegui resistir em fugir daquela velhinha.

Isso fez com que o meu j� ousado plano de trazer

o primeiro corpo de volta � cena do assassinato

para tirar algumas fotos mais inspiradas

fosse bem mais perigoso.

Agora eu tinha um corpo com uma hemorragia severa

e outro corpo em uma posi��o bizarra,

congelado em minhas m�os.

Droga!

Voc� poderia elaborar um pouco mais

por que a velhinha teve que morrer?

N�o sei explicar, mas talvez eu possa descrever

como um tipo de frenesi de sangue

que um arminho experimenta num galinheiro.

A OVELHA E O TIGRE - Conhece os poemas de Blake...

A OVELHA E O TIGRE - sobre a ovelha e o tigre?

Conhe�o Blake superficialmente,

mas receio que n�o em forma de explana��o pormenorizada.

Deus criou tanto a ovelha quanto o tigre.

A ovelha representa a inoc�ncia e o tigre a selvageria.

Ambas as partes s�o perfeitas e necess�rias.

O tigre vive de sangue e assassinatos

mata a ovelha...

E isso tamb�m � da natureza do artista.

Voc� l� Blake como o diabo l� a b�blia.

Afinal, a pobre ovelha n�o pediu para morrer

mesmo que fosse para se tornar uma obra de arte.

A ovelha foi agraciada com a honra de viver

para sempre na arte e a arte � divina.

Ainda � a mesma van vermelha, agora coberta de sangue.

Um pouco imprudente, eu deveria pensar

se n�o queria ser descoberto.

Foi exatamente o que pensei,

mas eu n�o tive a for�a para mudar isso.

E, al�m disso, tudo ainda estava indo muito bem.

�s vezes a melhor maneira

de se esconder � n�o se esconder.

Mas agora, como eu disse, o TOC estava diminuindo.

Ent�o corri riscos intencionais e n�o removi o sangue

nem do quarto e nem do carro.

Na verdade, foi muito libertador alcan�ar aquele ponto.

Acontece que a velhinha, que foi apenas um acidente,

adicionou um grande toque de humor

�s minhas montagens fotogr�ficas.

E fiquei muito satisfeito com o resultado.

Sofistica��o.

Sr. Sofistica��o? � claro!

Seu narcisismo n�o conhece limites.

Enviei a foto ao jornal local

que geralmente se distingue por correr atr�s de hist�rias

sobre desaparecimentos, para n�o dizer,

port�es de jardim roubados

e assim poderia fazer algo com uma hist�ria

com um pouco mais de empenho.

Para mim, o que foi realmente sensacional sobre o trabalho

com a foto, n�o foi a foto,

mas o negativo.

Quando eu tinha dez anos, eu descobri

que atrav�s do negativo, � poss�vel ver

a verdadeira qualidade interna demon�aca da luz.

A luz negra.

Mas e o arrependimento, Jack?

As pessoas com que converso

tendem a se arrepender de todo lado.

N�o me arrependo de nada. N�o importa quanto tempo

tenhamos que andar.

Mas pensei em algo outro dia.

Imagine um homem andando por uma rua

sob as l�mpadas de rua.

Bem debaixo de uma luz, a sombra dele � mais densa,

mas tamb�m � a menor.

Ent�o quando ele come�a a se mover,

sua sombra cresce na frente dele.

A sombra se torna cada vez maior

enquanto se dilui, e a sombra atr�s dele

criada pelo poste seguinte surge

e se torna cada vez menor,

at� atingir sua densidade m�xima

quando o homem fica diretamente debaixo da luz.

Vamos dizer que o homem em p�

embaixo do primeiro poste de luz seja eu,

quando acabei de cometer um assassinato.

Eu me sinto forte e contente.

Eu come�o a andar, e a sombra � minha frente fica maior

como meu prazer, mas ao mesmo tempo

a dor est� a caminho, representada pela sombra

atr�s de mim, criada pelo poste seguinte.

E no ponto m�dio entre os postes de luz,

a dor � t�o grande que supera o meu prazer.

E a cada passo � frente o prazer se dissolve

e dor se intensifica atr�s de mim.

Finalmente a dor � t�o insuportavelmente intensa

que preciso agir.

Logo, ao alcan�ar o ponto com a pr�xima l�mpada no z�nite,

eu irei matar de novo.

Sei que deseja ser uma pessoa especial, Jack,

mas sejamos francos, essa ilustra��o pode ser usada

por qualquer viciado em sofrimento.

O alcoolista esvazia a garrafa no z�nite

et cetera, et cetera.

Mas e a fam�lia?

A FAM�LIA

Entendo que a sua ocupa��o n�o deixou

nenhum espa�o para uma fam�lia na sua vida.

N�o, por qu�?

Bem, pode ser, apesar de tudo,

que especular sobre isso possa ter desencadeado

apenas um pouquinho de sentimento humano.

Por exemplo, uma variante

do que aqueles de n�s menos inteligentes

podem chamar de necessidade.

Necessidade? Porque nunca tive uma fam�lia?

N�o, n�o posso dizer que tive.

Mas o conceito de fam�lia na verdade inspirou

uma das minhas maiores obras.

TERCEIRO INCIDENTE

Certo, bon�s para todos.

Precisam ficar com eles o tempo todo.

- Obrigada. - Procedimentos de seguran�a.

Podemos ir l� em cima, m�e?

� claro que vamos subir.

Sorria, mal humorado, vai ser divertido.

Eu acho que n�o vai.

� para o seu bem que viemos at� aqui.

Eu te disse que n�o queria vir.

Quer ver as armas?

Este, George, � um rifle.

Esse rifle tem a capacidade

de acertar seu alvo

a uma dist�ncia de mais de 100 metros.

E matar animais grandes.

Voc� j� matou algum animal grande?

Bem, sim, j�.

Mas isso n�o � algo de que me orgulho.

Se eu tivesse matado alguns animais grandes

eu me orgulharia.

Acho que � a� que somos diferentes, Georgie.

Isto aqui � uma espingarda.

� o que chamam de uma arma de cano liso.

Ela n�o � t�o precisa como o rifle,

mas � mais eficaz

quando o animal est� mais perto e em movimento.

Pode tocar, se quiser.

Posso?

Pode.

N�s vamos ca�ar?

N�o.

Ca�ar � algo bem desagrad�vel.

Eu costumava ca�ar um pouco, mas parei.

Por qu�?

Para ser honesto, acho que ca�ar � desagrad�vel.

Por exemplo, se eu quisesse atirar em alguns dos corvos

naquela �rvore, n�s estar�amos falando sobre

o que � conhecido como "abate", o que significa

que voc� vai determinar quais animais voc� vai permitir

viver na sua floresta.

O corvo n�o tem valor como presa,

mas pode ser abatido porque s�o vistos

como um tipo de amea�a

aos animais que voc� quer cultivar.

"Abate" tamb�m � uma palavra muito desagrad�vel.

Tem um toque de limpeza �tnica nisso.

O ato muito doente e distorcido de ca�ar

foi ritualizado

a um grau t�o perturbador...

Os batedores, por exemplo,

onde uma fileira de batedores sobressalta a luz natural

de uma floresta inteira.

Sem mencionar o desfile de trof�us,

praticado principalmente na Europa ao final da ca�ada

como um insulto final

no qual cada esp�cie

tem seu pr�prio lugar tradicional.

N�s queremos subir na torre, m�e.

Quieto. George, espere.

Sim, vamos subir.

Muito bem, George, voc� quer atirar?

Eu vou apontar...

e voc� puxar� o gatilho.

Fogo!

Excelente!

Para derrubar um animal deste tamanho,

voc� precisa atingi-lo nos �rg�os vitais,

ou seja, aqui, na �rea dos pulm�es.

Como pode ver, este tiro atingiu aqui,

na parte traseira da cerva.

Um animal poderia correr uma grande dist�ncia

com uma ferida como esta.

� por isso que um bom ca�ador teria um c�o Schweiss

que � treinado para seguir uma trilha de sangue,

para que voc� possa rastrear o animal e terminar o trabalho.

"Schweiss". Essa � a palavra que usamos

para "trilha de sangue".

Parab�ns, jovem Georgie, voc� acertou o animal.

Ent�o voc� encontrou uma fam�lia para voc�?

Sim, tamb�m � dessa forma que gosto de olhar isso.

Mas tudo � muito mais simples com animais.

Como assim?

A ordem � importante.

A cerva normalmente corre na frente

com o maior cervo seguido do �ltimo, o menor.

Voc� normalmente atiraria no cervo

come�ando pelo menor,

baseado no fato de que os dois mais velhos podem sobreviver

sem o mais jovem,

considerando que, se voc� atirou na m�e primeiro

e n�o atingiu os outros,

os dois cervos provavelmente n�o sobreviveriam.

Ent�o, dessa maneira, voc� atira no cervo maior

e na m�e por �ltimo.

Fique abaixado!

Fique! George!

George!

Minha fam�lia estava se movendo na ordem errada.

Sempre levei muito a s�rio as regras �ticas de ca�a.

Sobre isso, penso em mim como um cavalheiro.

Um cavalheiro, s�rio?

Ou como o Sr. Sofistica��o?

N�o! N�o!

M�e!

N�o!

George n�o parece estar com muito apetite.

Talvez ele gostaria de um pouco daquela torta.

Sabe, quando eu era menino, nunca me davam torta suficiente.

Por que voc� n�o faz o que digo

e d� ao mais novo um peda�o de torta?

Isso se n�o tiver nada a dizer sobre o assunto.

Isto deveria ser um agrad�vel piquenique.

Hoje est� sendo um dia agrad�vel.

Um dia excelente.

Voc� tem um n�mero favorito?

Qualquer n�mero?

Todo mundo tem um n�mero favorito.

Doze.

Doze.

� um n�mero excelente.

Um n�mero muito bom mesmo.

O piquenique acabou.

Voc� pode ir embora.

Eu cuidarei das crian�as.

Um.

Dois.

Tr�s.

Quatro.

Cinco.

Seis.

Sete.

Oito.

Nove.

Dez.

Onze.

Doze.

Schweiss.

Exatamente.

Voc� espera que eu te elogie ou te aplauda?

Sabe, eu fico triste

que voc� me julgue assim, Virg�lio.

N�o olhe para os atos. Olhe para a obra.

Toda a no��o de trof�us.

N�o. N�o, n�o, n�o!

Voc� est� constantemente tentando me manipular.

E com as crian�as,

o assunto mais sens�vel de todos.

Eu tamb�m sou sens�vel, Virg�lio.

N�o consigo dormir num len�ol com o menor amassado.

A ca�a, afinal, � uma met�fora para o amor.

E esta � sua fraqueza, Jack.

Tanta coisa aconteceu durante aqueles dias,

vamos cham�-las de sinais no Sol e na Lua

que reivindicaram minha presen�a para outra obra de arte

e despertaram minha agressividade.

Primeiro, o eclipse.

Depois, a erup��o vulc�nica do Monte Santa Helena

que eu conseguia ver do meu terreno.

Eu havia decidido que usar blocos de concreto

era muito, muito errado.

Ent�o eu decidi mudar o material.

O material divino.

Amor, Jack.

O amor tamb�m � uma arte.

Sem mencionar a intimidade.

O Homem de Gelo sempre inala o �ltimo suspiro da v�tima.

Jack!

HOMIC�DIO DUPLO PELO SR. SOFISTICA��O

SR. SOFISTICA��O ATACA NOVAMENTE

Virg�lio?

Estou aqui, Jack.

N�o me sinto muito bem, Virg�lio.

Tem um gosto amargo na minha boca.

Quer que eu te mostre o caminho para o pr�ximo bar com u�sque?

Voc� est� come�ando a sentir o gosto do �cido.

Ele aparece nessa profundidade.

Temo que precisar� se acostumar com isso.

Eu deixei o Rabugento na antessala

e o deixei l� at� que o rigor mortis

tivesse desaparecido.

Eu tinha um plano para o pequeno Rabugento.

O que isso quer dizer?

Aqueles que s�o muito bons em taxidermia

conseguem fazer os animais parecerem vivos

mudando suas express�es e posi��es

para que se tornem uma pequena cena completa.

Eu descobri que se eu contornasse o rigor mortis

e trabalhasse antes que o corpo congelasse,

eu poderia manipular as express�es deles

e as posi��es, com cabos de a�o, pinos, fitas

e coisas assim.

E quando estivessem congelados,

remover tudo isso e ter um ser humano

quase completamente cr�vel.

O Rabugento n�o era mais rabugento.

Era isso o que voc� buscava?

Um ser humano completamente cr�vel?

Sem querer ser rom�ntico demais, poderia algu�m dizer

que exatamente isso � reminiscente

de um tipo de desejo por amor?

Eu tive um romance.

4� INCIDENTE

De onde veio a muleta, Jack?

N�o tinha se machucado, tinha?

� um truque bem �til se quer parecer inofensivo.

Em geral, se carregar alguma bagagem e uma muleta

as pessoas v�m correndo te ajudar

e depois voc� as obriga a entrar num carro com uma arma.

O que isso tem a ver com amor?

Eu realmente tinha sentimentos por essa.

Muito mais fortes do que um psicopata

conseguiria ter.

Sorria.

Ei.

Fale comigo.

N�o consigo.

Eu odeio o jeito como voc� me olha.

O jeito como te olho?

Est� bem.

Pode me dizer em que est� pensando agora?

Eu n�o sei onde consegui voc�.

Est� tentando me deixar?

Sinto que voc� est� tentando me deixar.

Eu n�o vou te deixar.

Estou bem aqui.

Sentiu isso?

Estou bem aqui, na outra ponta da linha.

Desligue um minuto.

- Al�. - Com quem estou falando?

Voc� sabe com quem est� falando.

Voc� sabe que eu nunca te deixaria.

Agora, o que voc� me diz?

N�o acha que merecemos uma bebida?

Claro.

Logo chego a� para uns drinques.

Simples?

Sabe que odeio quando me chama de Simples.

Meu nome � Jacqueline.

Jacqueline?

Os velhos Sr. e a Sra. Simples tinham de fato

uma imagina��o t�o v�vida?

Jacqueline... aposto que tiraram esse sobrenome

das palavras-cruzadas do The New York Times.

Para mim, seu nome � simples, Simples.

Voc� tem umas tetas �timas.

Por que voc� sempre tem que ser t�o bruto?

O qu�...

Isso � ser bruto?

N�o acho que fui bruto.

Voc� j� descobriu a diferen�a

entre le�es e tigres?

- Tigres t�m listras. - E onde eles vivem?

Na �frica?

E a diferen�a entre um arquiteto e um engenheiro?

Arquitetos desenham casas?

E um engenheiro?

Tamb�m desenha casas?

Voc� chama isso de diferen�a?

Um engenheiro l� m�sica, um arquiteto toca a m�sica.

Se isso for algo que seu c�rebro limitado

consiga processar.

Por que voc� sempre tem que ser t�o cruel?

Eu n�o sou totalmente est�pida.

Isso depende da sua defini��o de "totalmente".

Podemos falar de algo normal?

- Tipo... - Tipo?

O que voc� faz, algo assim?

Informa��o sobre o que eu fa�o.

Em termos simples que uma simpl�ria entenda.

� isso, Simples?

Sim.

Eu mato.

Certo.

Eu matei 60 pessoas.

Sou um assassino em s�rie, Simples.

Voc� � estranho.

Eu sou estranho?

Por qu�? Porque eu disse que matei 61 pessoas?

Voc� disse 60 antes.

Se voc� n�o fosse t�o burra quanto uma porta

estaria familiarizada com o termo "atualizado".

S� porque o n�mero era 60 uma hora atr�s

n�o quer dizer que n�o possa se tornar facilmente

61 em apenas alguns minutos.

Bom, eu n�o sou burra como uma porta.

Talvez eu n�o tenha lido tantos livros quanto voc�.

Simples, qual �?

Voc� � burra pra caramba.

Agora, por que n�o faz uma cara bonitinha

e pega para mim um pincel at�mico?

Pode me trazer um pincel at�mico?

Vermelho ou preto?

Pode ser qualquer um.

Voc� � estranho pra caramba.

Com licen�a.

- Policial. - Sim.

Meu amigo est� agindo estranho

e ele disse que matou 60 pessoas

ou talvez at� 61.

Voc� andou bebendo?

- Sim. - Ent�o pare.

Tudo o que essa mulher falou

� verdade.

Eu matei 60 pessoas!

Sessenta pessoas!

Sou um assassino em s�rie.

Por favor, me ajudem.

Eu tamb�m fui um humano horr�vel...

para essa mulher aqui...

Srta. Jacqueline.

Senhorita, faria a gentileza de pegar seu amigo aqui

e lev�-lo de volta para dentro?

N�o posso mandar voc�s dois pararem de beber

mas eu recomendaria isso.

N�o sei como te agradecer.

N�o sei como te agradecer.

Voc� consegue me perdoar?

Sim.

Eu te perdoo.

Vamos.

Vamos entrar.

Voc� precisa de uns rem�dios.

Eu tenho um amigo que tem uns bons.

Est� me deixando?

Eu s� ia atr�s de uns rem�dios.

Voc� est� com as minhas...

minhas chaves?

N�o vou tomar um rem�dio qualquer.

Sabe, sinceramente acho que mere�o mais do que isso.

Vou ficar com as chaves.

� um mau h�bito seu

sair correndo pelas escadas toda vez

que a gente come�a a se... a se divertir.

N�o �?

Voc� est� andando sem sua muleta.

E tamb�m n�o estava usando-as l� embaixo.

Voc� � o Sr. Sofistica��o, n�o �?

Se sentir vontade de gritar...

Eu realmente acho que voc� devia.

Chama isso de gritar?

Socorro! Socorro!

Socorro!

Sim, socorro!

Tem um assassino no pr�dio!

� o Sr. Sofistica��o!

Socorro!

Socorro!

Est� ouvindo?

Est� ouvindo alguma coisa?

Est� ouvindo algu�m descer as escadas para ajudar?

Que vizinhos os seus.

Quer tentar a janela?

Eu s� quero minhas chaves.

Eu s� quero minhas chaves.

Eu quero minhas chaves.

Socorro!

Socorro!

Algu�m me ajuda!

Por favor, socorro!

Sabe, posso estar errado, mas...

at� onde consigo ver

nem uma luz sequer acendeu

em qualquer apartamento ou escadaria.

Sabe por qu�?

Porque nesse lugar dos infernos

nesse pa�s dos infernos

nesse mundo dos infernos, ningu�m quer ajudar.

Voc� pode gritar...

De agora at� a v�spera de Natal

e a �nica resposta que ter�

� o sil�ncio ensurdecedor que est� ouvindo agora.

N�o podemos conversar?

Tem um momento para conversa,

e um momento para ficar quieto.

Abra a boca.

Abra a boca!

Certo, Simples.

Desculpa. Srta. Jacqueline.

Agora...

� hora...

de voc� escolher uma faca.

S� precisa acenar.

N�o?

Que tal esta?

Tamb�m n�o gostou?

Certo.

Que tal esta?

Bem..

� uma escolha interessante, Simples.

Sabe...

Uma coisa tem aborrecido o Sr. Sofistica��o,

h� um tempinho.

E talvez fosse mais interessante para ele

do que seria para voc�.

Mas para ser franco

ele fica muito puto da vida quando pensa nisso.

Por que � sempre culpa do homem?

N�o importa onde v�

parece que voc� � um tipo de n�made culpado.

Sem ter feito mal sequer a um simples gatinho.

Fico triste mesmo quando penso nisso.

Se algu�m � t�o desafortunado

por ter nascido homem,

ent�o voc� tamb�m nasceu culpado.

Pense na injusti�a disso.

Mulheres s�o sempre as v�timas, certo?

E os homens, sempre os criminosos.

J� falei, aqui � propriedade particular.

Quero que saiam.

Todos os cavalos e todos os homens do rei

n�o reconstituiriam Simples novamente.

Por que elas s�o sempre t�o burras?

Quem � burra?

Todas mulheres que matou, me pareceram nada inteligentes.

Venha.

Tamb�m matei homens.

Mas s� fala de mulheres burras

a n�o ser que ache todas mulheres burras.

As hist�rias que contei foram aleat�rias, mas...

Voc� se acha superior �s mulheres e quer se gabar?

Isso te excita, n�o �, Jack?

N�o, n�o. Mas com elas � mais f�cil.

N�o fisicamente, s�o s� mais f�ceis de lidar.

S�o mais cooperativas.

Para matar, voc� quer dizer.

Se preferir.

O Sr. Sofistica��o acredita nessa teoria.

Ent�o o Sr. Sofistica��o �... o te�rico?

Noto que voc� aceita f�cil

quando falo do Sr. Sofistica��o.

"Jack ouve vozes

que o mandam fazer isso e aquilo.

Jack deve ser um psic�tico."

Abomino diagn�sticos que se consegue por em letras.

Isso n�o � justo, as letras s�o claras.

Elas nos procuram, e criam limites

entre o bom e o mal, e elas carregam a religi�o.

A religi�o arruinou os seres humanos

pois seu Deus ensina as pessoas a renegarem seu tigre interior

e torna todos uma multid�o de escravos.

Envergonhados demais, para reconhecer isso.

Ah, Jack, voc� devia ter lido as letras certas, na sua vida.

Mas n�o quis.

O acervo de corpos era na maioria congelado

logo ap�s a morte,

mas acho que alguns deles, por acaso,

chegaram ao menos, a um certo grau de putrefa��o

antes de eu conseguir coloc�-los no gelo.

� poss�vel dizer se a putrefa��o � do bem ou do mal?

Muitos diriam que � o colapso natural

o que, em fim de contas, � uma rea��o da mat�ria

que � a base da vida na Terra.

Assim, ela n�o � do bem, nem do mal, em particular,

e um ser humano deve ser visto como vivo,

ao se descrever suas qualidades pessoais

e identificar seu objetivo final.

Mas � a� que o Sr. Sofistica��o tem uma opini�o muito diferente.

Ele argumenta muito bem que o objetivo definitivo

do ser humano n�o � anterior � morte

mas posterior.

Voc� reduz tudo que � humano � mat�ria

e assim a vida desaparece e junto com ela a arte

que voc� supervaloriza.

Virg�lio, voc� � um velho bastardo e amargo.

Voc� mata a arte impondo sua r�gua moral na vida

que quero libertar

pois a arte � t�o imensamente mais vasta

do que jamais compreender�.

Posso ilustrar isso agora?

N�o h� como evitar, h�?

N�o controlo quantos processos participam

no decaimento de um humano morto,

mas conhe�o um pouco sobre vinhos de sobremesa.

Para alcan�ar a mais nobre do�ura

nos melhores vinhos, a natureza nos forneceu

v�rios m�todos.

As tr�s formas mais comuns de decomposi��o s�o

congelamento,

desidrata��o

e um fungo com o misterioso e sedutor nome de:

a nobre putrefa��o.

A NOBRE PUTREFA��O

O primeiro m�todo � o que na Alemanha

� usado para fazer o "Eiswein".

O m�todo bem simples implica em:

deixar as uvas tanto tempo no vinhedo

aguardando que congelem por certo n�mero de noites

antes de serem amassadas.

Esse m�todo aumenta consideravelmente

o conte�do do a��car no vinho.

� muito arriscado,

pois as uvas devem ter certas qualidades

para aguentarem o processo.

Al�m disso, h� incerteza

sobre ser ou n�o a primeira noite de geada

que atender� exatamente �s expectativas, etc.

O segundo m�todo � chamado "Trockenbeeren"

em que as uvas ficam presas na videira

at� secarem e quase virarem passas.

O �ltimo m�todo, que, por exemplo,

� essencial para a produ��o dos "Sauternes",

� um tipo de mofo que torna as uvas bem encorpadas

com um conte�do explosivo de a��car.

Pode-se dizer que nos tr�s processos

� um colapso que leva a uva viva

a se tornar parte de uma obra de arte.

Voc� v� os processos come�ando num ser humano

ap�s a morte, da mesma maneira.

Segundo voc�! Eu ainda digo que sem amor n�o h� arte.

N�o cabe um debate.

O que voc� disse das uvas

� s� o m�todo da natureza de decompor.

Se a decomposi��o � caminho para salva��o

o que tem a dizer de sua casa?

Por Deus, voc� n�o consegue me convencer

que a ideia da sua primeira casa sendo derrubada

foi, de alguma maneira, animadora.

Voc� alega que ela foi constru�da para ser derrubada?

N�o, claro que n�o foi o ideal

e lamento dizer que isso aconteceu

n�o menos que tr�s vezes mais.

Eu come�ava a constru��o e ficava em d�vida.

Era dif�cil criar a casa com que sonhava.

O material n�o fazia o que eu queria que ele fizesse.

As casas que desenhei j� tinham

nos primeiros detalhes, algo banal

para n�o dizer ordin�rio, nelas.

N�o � o que em arte chamamos "epigonismo"?

Seu grande talento s� chegou at� voc� por enquanto,

artista de todos os tempos.

Quando escrevia, voc� mesmo n�o planejava

a destrui��o de seu trabalho liter�rio

mais popular?

"O Aeneid" foi um trabalho encomendado

em que a for�a regente e ideias eram exaltadas por mim

a ponto de deixar de ser arte.

Mas se exalta��o rebaixa um trabalho

por que destrui��o e demoli��o n�o podem fazer o oposto

e criar arte?

Albert Speer inventou "A Teoria do Valor de Ru�na"

examinando as ru�nas gregas e romanas

e fazendo suas constru��es com materiais fr�geis e fortes

para que em mil anos, parecessem

ru�nas esteticamente perfeitas.

Que felizmente foram reduzidas a �tomos

pouco tempo ap�s suas constru��es.

Arrog�ncia punida pela deusa da vingan�a

para usar uma velha express�o.

Um artista deve ser c�nico

e n�o se preocupar com bem estar de humanos e deuses em sua arte.

Essa conversa sobre o valor das ru�nas

torna �bvio demais, para n�o dizer outra coisa.

O valor de �cones.

O VALOR DOS �CONES

O Stuka

sem d�vida a aeronave mais linda do mundo

e ainda apresentava um estranho e sofisticado detalhe.

Sei que sabe do que estou falando.

N�o. Por Deus, isso nunca me interessou

mas me fale a respeito.

O Stuka era um bombardeiro de mergulho.

Dizem que os pilotos chegavam a desmaiar

por um curto instante durante o mergulho.

Mas o detalhe, 'per favore'.

Fant�stico.

Incompar�vel.

Repare no som quando o avi�o mergulha.

O som estridente.

Resultado de um projeto ruim, se me perguntar.

Projeto ruim... Por favor.

Ao contr�rio, a estrid�ncia era intr�nseca.

Sirenes eram colocadas no trem de pouso

projetadas com o prop�sito de ato de guerra psicol�gica.

Os que escutaram esse som em a��o, jamais ir�o esquec�-lo.

Ele fazia um sangue gelado correr nas veias de todos.

Ficou conhecido como 'Trompete de Jeric�'.

S�dico, mas a seus olhos provavelmente uma obra prima.

N�o, mais que uma obra prima.

Um �cone.

A pessoa ou pessoas, que conceberam o Stuka

e suas fun��es, foram criadores de �cones.

Onde quero chegar � que t�o relutante quanto o mundo �

em reconhecer a beleza da decad�ncia,

� relutante em dar cr�dito a estes que...

N�o. Cr�dito a n�s,

que criamos os verdadeiros �cones deste planeta.

Somos considerados o mal derradeiro.

Todos �cones que tiveram e sempre ter�o impacto no mundo

s�o para mim arte extravagante.

A nobre putrefa��o.

Pare!

Seu anticristo!

N�o lembro de jamais ter escoltado

um t�o completo depravado como voc�, Jack.

J� que parece ter atribu�do seu cora��o

� extermina��o em massa

me deixe fazer um breve coment�rio

sobre o campo Buchenwald

que enfatiza minha postura sobre arte e amor.

No meio desse campo de concentra��o havia uma �rvore

e n�o uma �rvore velha qualquer, mas um carvalho

e n�o qualquer carvalho, mas o que Goethe

quando era jovem, se sentou embaixo

e escreveu um dos trabalhos mais importantes da humanidade.

Goethe.

Agora se pode falar de obras primas

e o valor de �cones.

A personifica��o do humanismo, dignidade,

cultura e bondade foram por ironia do destino

subitamente presenteadas

em meio a um dos maiores crimes

de todos os tempos contra a humanidade.

Alguns alegam que as atrocidades que cometemos

em nossa fic��o s�o nossos desejos interiores

que n�o podemos cometer em nossa civiliza��o controlada.

S�o portanto, expressos atrav�s de nossa arte.

N�o concordo.

Penso que c�u e inferno s�o um s� e iguais.

As almas pertencem ao c�u e o corpo ao inferno.

A alma � a raz�o e o corpo �...

tudo o que � perigoso, por exemplo, arte e �cones.

Deixe-me terminar com uma curiosidade.

Sempre achei rid�culo

escutar falar do trof�u preferido

dos assassinos em s�rie.

Aqui est�, Jack.

E ainda assim fiquei tentado a n�o deixar

o outro seio de Simples ir para o lixo,

preparei-o e o introduzi no dia a dia.

Tamb�m um pequeno �cone.

Obrigado, senhor.

QUINTO INCIDENTE

Voc� quer morrer, porra?

- N�o. - Ent�o fa�a o que mando, porra.

Fa�a o que mando!

Abra.

Largue as chaves.

Vire-se.

Algeme.

Algeme!

Ajoelhe-se.

Estamos congelando.

Um deles desmaiou mais cedo.

Estamos morrendo de frio.

Estamos morrendo.

S�rio? "Estamos congelando."

Acho que devo aos senhores uma explica��o.

Durante a Segunda Guerra Mundial na frente oriental,

os soldados alem�es tiveram grandes programas de execu��es,

mas estavam com pouca muni��o.

Ent�o eles experimentaram a execu��o de v�rios indiv�duos

com apenas uma �nica bala.

Como uma homenagem a essa... engenhosidade,

conduzirei um pequeno experimento.

Vou utilizar...

uma bala de chumbo revestida de metal

que tem a capacidade

de passar por todas as suas cabe�as.

Isso n�o � algo que eu seria capaz de fazer

com muni��o b�sica de ca�a.

Espera, espera, senhor, senhor.

Isso � um mal-entendido, senhor.

- Ou�o muito isso. - N�o, senhor.

O que quero dizer � que est� errado

quanto � muni��o.

Isso n�o � muni��o revestida de metal, senhor.

Sou militar e eu sei, senhor.

Merda.

Voc� est� certo! Esta � uma bala de ca�a.

Esta caixa est� rotulada de forma errada.

Inferno!

Desculpem-me, senhores, vou ter que...

sair por um momento.

Sei que n�o � uma situa��o ideal.

N�o morram ainda, pessoal, est� bem?

Eu nunca gritei com voc� antes, Al,

mas estou prestes a fazer isso.

O que isso te parece, o que est� escrito a�?

30-06

- 30-06, exatamente. - Sim.

Tamb�m diz bala de chumbo revestida de metal.

E quando olho dentro da caixa...

Traga-me a droga da caixa, Al, e desta vez

certifique-se que tem bala de chumbo

revestida de metal nela!

� pedir demais para que a porra do conte�do da caixa

coincida com o que est� escrito no r�tulo?

Vejo que voc� est� certo,

o r�tulo n�o coincide com o...

conte�do.

- Exatamente. - �, mas...

A quest�o � que n�o consigo ver

� que a... a...

a caixa tenha sido comprada aqui na loja. Certo?

Compro todas as minhas merdas aqui.

Fa�o isso h� vinte anos.

Venho aqui quase a cada duas semanas.

O que h� com voc�, Al?

Desculpe, preciso ver o recibo.

- Recibo? - �.

N�o tenho a porra do recibo.

Nem lembro de receber um recibo aqui.

Estou com pressa.

Deixe-me comprar uma caixa nova.

Certifique-se que tenha balas de chumbo revestidas de metal.

Certo... posso ver o seu RG primeiro?

N�o fa�a essa porra, Al.

A quest�o � que a lei requer que eu tenha...

Que tal isso.

Nenhuma d�vida sobre sua identidade...

Venda-me apenas uma bala.

Posso... posso apenas perguntar...

por que apenas... uma?

Bem, isso n�o � da sua conta, cacete.

- Verdade. Desc... - Certo?

Compro aqui porque voc� n�o faz perguntas idiotas.

Desculpe, Jack. Desculpe.

Fecha essa merda, Al, v� pra casa, coma um sandu�che.

Voc� pirou o cabe��o, Al.

E. Sinto muito. Estou...

V� se ferrar, Al!

Al estava totalmente pirado.

Preciso de um cartucho bala de chumbo revestida de metal.

Ontem, a pol�cia visitou Al

e depois eu

com luzes e sirenes

para pegar voc�.

Agora acabou, Jack.

O que acabou?

Eles sabem o que voc� fez.

O qu�...

Certo, o que eu fiz?

O assalto.

Assalto?

� melhor que voc�s estejam juntos nessa porra.

N�o assaltei ningu�m.

Isso � rid�culo.

Vou ligar para a pol�cia, Jack.

Me d� sua arma.

N�o ando por a� com armas.

Isso �... Isso � loucura.

Sente-se, Jack.

Aqui � o S.P.

Quero falar com Rob.

Quando falar com ele,

diga para vir aqui imediatamente.

Eu peguei Jack.

Estou at� feliz por ter sido voc� que me pegou.

Talvez voc� n�o saiba disso,

mas te considero o meu melhor amigo.

Isso pode n�o ser nada de mais para voc�,

mas voc� significou muito para mim.

� muito bom saber que tudo acabou.

Algu�m tinha que me libertar

e me impedir de roubar coisas que n�o me pertencem.

E esse algu�m acabou sendo voc�.

Lembra da vez

que derrubou o cervo de oito pontos

que eu estava rastreando por quatro dias?

Ele estava no meu territ�rio.

Ningu�m est� questionando isso.

Voc� sempre foi um �timo atirador.

Ser� que voc� poderia parar de apontar essa arma para mim?

Isso meio que fere um pouco os meus sentimentos.

Eu n�o vou a lugar nenhum.

Afinal de contas, voc� me conhece, S.P.

�.

Eu conhe�o voc�.

E voc� nunca mentiu para mim.

N�o.

T�o r�pido como sempre fui, n�o �?

Voc� n�o conseguiria chegar at� a porta.

O que foi que eu fiz?

Voc� o pegou, S.P.

Bem, eu assumo a partir daqui.

Neste estamos de acordo?

� um cartucho bala de chumbo revestida de metal?

Sim, senhor. Esse �...

um cartucho bala de chumbo revestida de metal.

Por favor, por favor,

por favor, n�o fa�a isso, por favor.

- Excelente. - N�o fa�a isso, por favor.

N�o, n�o.

N�o consigo focar.

Est� perto demais.

Perfeito.

Jack!

Jack!

Quem � voc�?

Pode me chamar de Virg�lio.

Como entrou aqui?

O que voc� quer?

Pelo que entendo, foi voc� quem me chamou.

Eu estive com voc� por um tempo, voc� n�o me notou.

Ent�o, voc� veio aqui me impedir?

N�o vim aqui para te impedir de nada.

Apenas tenho uma pergunta.

Qual � a pergunta?

N�o havia algo sobre voc� estar construindo uma casa?

N�o era Jack que iria construir uma casa?

Sim.

Eu... eu... eu estava...

tentando...

mas n�o avancei muito.

� a pol�cia.

Saia com suas m�os onde possamos v�-las.

Percebo que vai ser um pouco dif�cil

construir aquela casa, mas talvez uma outra.

Pense, Jack, afinal de contas, voc� � um engenheiro

e chama a si pr�prio de arquiteto.

Tenho dito que voc� tem uma teoria interessante

sobre o material

que voc� alega ter vontade pr�pria.

Encontre o material, Jack.

E deixe-o fazer o trabalho.

Sua casa � uma �tima pequena casinha, Jack.

� completamente utiliz�vel.

Voc� vem, Jack?

EP�LOGO: KATABASIS (em grego, "DESCIDA")

Eu estou aqui... Jack.

Posso perguntar algo a voc�?

N�o posso prometer que irei responder.

Sim... � exatamente isso que eu quis dizer.

� permitido a voc� falar durante a caminhada?

Suponho que possa haver regras.

Pense desta forma:

Bem poucos fazem todo o percurso sem proferir uma palavra.

As pessoas s�o tomadas por uma necessidade

estranha e s�bita de se confessar nessas jornadas.

E nem sempre tudo tem

uma qualidade ret�rica excelente,

mas continue jovial,

s� n�o acredite que me dir� algo

que n�o ouvi antes.

Ouve um zumbido?

Sim.

E acho que voc� n�o vai querer saber

de onde ele vem.

Eu quero saber tudo.

Por milhares de anos os seres humanos

t�m tentado localizar o inferno.

Entre outros m�todos,

buscando o som que ele produz.

N�o se deve focar em extrair berros e lamentos,

porque os gritos de dor de tantos milh�es

de pessoas juntas...

se torna o que voc� acabou de ouvir.

Um zumbido cuja intensidade

aumentar� � medida que nos aproximamos

da presen�a do sofrimento.

Virg�lio?

Estou aqui, Jack.

N�o me sinto muito bem, Virg�lio.

Tem um gosto amargo na minha boca.

Quer que eu te mostre o caminho para o pr�ximo bar com u�sque?

Aqueles s�o os Campos El�sios.

N�o temos acesso daqui.

� essa a maior profundidade que o inferno atinge.

Na verdade n�o � aqui que vou te entregar,

no entanto, por mais improv�vel que possa parecer,

ser� dois c�rculos mais acima.

Eu trouxe voc� aqui embaixo como uma esp�cie de favor

porque, afinal de contas, voc� me deu algo para meditar

com a sua hist�ria, e eu entendi

que voc� queria ver o inferno todo.

Quando terminar de olhar, n�s vamos voltar.

Aonde leva esse caminho?

Aquele do outro lado.

Para fora do inferno e para cima.

Como pode ver j� houve uma ponte,

mas isso foi antes da minha �poca.

N�o � poss�vel ir escalando e dar a volta?

Por ali...

e chegar ao outro lado?

Muito poucos tentaram, mas devo dizer...

que nunca tiveram sucesso.

Eu n�o recomendaria,

mas a escolha � inteiramente sua.

Vou correr o risco.

Adeus, Jack.

Adeus, Virg�lio.

- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

Curta a gente no Face: facebook.com/ArtSubs

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.