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Original subtitles

TANTO GEORGIANO QUANTO TURCO SÃO IDIOMAS COM GÊNERO NEUTRO

ELES NÃO FAZEM DISTINÇÃO DE GÊNERO GRAMATICAL.

UM FILME DE LEVAN AKIN

CAMINHOS CRUZADOS

Ele não gostou de você ter pego o carro de novo.

Como se eu me importasse.

Garoto!

Está me ouvindo?

O que você quer?

Pegou meu carro de novo?

Não. Que carro?

Não?

Só trouxe uns turistas turcos da fronteira.

Turistas turcos?

Estou tentando ganhar dinheiro, como você sempre diz.

Você se senta assim na frente da minha esposa?

Vá fazer isso no quarto.

Que foi? Estou coberta.

Vá!

Tem uma mulher na frente da nossa casa.

Veja só!

Senhora Lia?

Senhora Lia.

Ruso, venha aqui, garota! Temos visita!

Não me reconhece?

Não.

Seu antigo aluno, Zaza?

Você engordou.

Sra. Lia, o que está fazendo aqui?

Procurando alguém que conhecesse minha sobrinha.

Ela morava nesses chalés.

Sério?

Sim, dizem que ela cruzou a fronteira e mudou para Istambul.

Entre, vamos perguntar à minha esposa,

ela deve saber de algo. Seja bem-vinda.

Ruso!

Desculpe entrar assim.

Imagine. Sente-se.

Garoto!

Traga uma boa garrafa!

Esta mulher é elegante e refinada,

ao contrário de vocês.

O futuro da Geórgia...

Depravados.

Inúteis, todos eles.

Traga os copos!

Já vou.

Então, senhora Lia...

Saúde.

Perdoe-me pelo que vou dizer.

O que há para perdoar?

Pessoas estranhas moravam naqueles chalés...

Prostitutas.

Não estou dizendo que sua sobrinha...

Como se chama sua sobrinha?

Ela se chama...

Tekla.

O quê? Você conhece essa garota?

Não.

Ela está falando de uma daquelas garotas trans.

Cuidado com o que diz, garoto!

Perdoe meu irmão.

Só estou tentando ajudá-la!

Meus pêsames, Sra. Lia.

É uma verdadeira tragédia para a família quando essas coisas...

De fato.

Garoto.

Sim?

Você a conhecia?

Não. Só a via por aí, mais nada.

Muitas moravam juntas, mas depois foram expulsas.

Está bem...

Sra. Lia, por que está procurando por ela? É melhor deixar para lá.

Mais uma vez, desculpe entrar assim.

Imagine.

Senhora!

Senhora, espere!

Você vai para Istambul procurar sua sobrinha?

Porque tenho o endereço dela.

Mostre-me.

Um segundo...

Viu?

O que eu deveria ver aí?

Está em turco.

- Escreva para mim em georgiano. - Posso ir com você?

Minha mãe também mora lá,

talvez eu possa encontrá-la e conseguir um emprego.

Eu falo um pouco de turco!

Oi, meu nome é Achi, como vai?

E aprendi inglês com o YouTube.

Serei seu tradutor.

Oi, como vai? Quanto é?

- Esse é mesmo o endereço dela? - Juro!

Ela deixou escrito, caso alguém perguntasse por ela.

Costumávamos fumar juntos.

Ela me disse que tinha amigos lá.

Esse é o endereço deles. Ela foi morar com eles.

Todos saem ganhando.

- Está bem. - Está bem? Está falando sério?

Espere, quando vamos partir?

- Agora. - Agora?

Espere, o quê? Agora mesmo?

- Você tem uma identidade? - Sim, em casa.

Encontre-me na fronteira amanhã de manhã.

Não acredito!

Senhora!

Senhora!

- O que está havendo? - Eu levo você para casa.

O que você quer? O que houve?

Deixe eu levar você!

Disse para você me encontrar amanhã de manhã.

- Onde você mora? - Em Khulo.

Meu irmão estava com meu documento. Dei um soco nele para recuperá-lo.

Dei um tapa naquela cara feia! Você deveria ter visto a reação dele.

Então, você é tia dela?

Isso mesmo.

A mãe dela era sua irmã?

Geralmente é assim que funciona.

- Onde está sua irmã? - Ela faleceu.

Então, por que quer encontrar Tekla?

Prometi à mãe dela que a encontraria e a levaria para casa.

Era o último desejo dela.

Diria que meu irmão conhecia Tekla muito bem.

Ele vivia entrando sorrateiramente no chalé dela.

Está animada para...

Chega de bobagens.

Não quero que você tagarele o dia todo, está claro?

Como quiser, senhora.

E nada de bebidas ou narcóticos. Entendido?

Quem você acha que sou?

Olhos na estrada.

O que está esperando? Entre e feche a porta.

Não tenho mais lenha.

Faz muito frio aqui à noite.

Me ajude.

Vá buscar pepinos e tomates no quintal do vizinho.

Está brincando. Por quê?

Ande.

Acorde.

Tem algum dinheiro?

Na verdade, não.

Agora você entende por que estamos levando pepinos.

- Madame Lia? - O que você quer?

Mamãe te viu pegar pepinos e tomates da nossa horta.

Ela achou que você também pudesse querer pelamushi.

É mesmo?

- Quem é esse? - Não é da sua conta.

Está saindo de férias?

Claro, menino. Diga à sua mãe que vou a Paris!

Paris?

Uau!

Vamos.

Obrigada.

Não quero saber. Nunca mais voltarei.

Passaporte ou documento de identidade?

Um momento.

Obrigada.

Olá.

Olá.

Parece exatamente igual.

O que você esperava?

Não estamos em outro país?

Espere até ver Istambul.

Espere, você já esteve em Istambul?

Uma vez.

Como foi?

Já esqueceu o que eu disse no carro?

Sim, desculpe. Sem conversas, Sra. Lia.

Mas deve ter sido legal, certo?

Não foi ruim.

- Olá. - Olá.

Olá.

Tudo isso.

Vai colher chá em Rize?

Sim.

Também aceitam ouro?

Sim.

Da minha irmã, de quando ela se casou.

Era da minha avó.

Supostamente traz sorte.

Vendemos tudo ao longo dos anos, mas guardei essas duas.

- Eu aceito. - Por quanto?

- 2500 liras. - Está louco?

Isso é um roubo. Não venda!

Você tem dinheiro para as passagens de ônibus?

Não.

Você deveria ter vergonha!

Eu conseguiria o triplo em Batumi.

Imbecil!

Quieto, garoto.

Parece que ele também é especialista em ouro.

Obrigada.

Ah, churchkhela.

O que foi?

Que foi? É só evitar a parte que já foi comida.

Quer um pouco?

Está brincando? Você trouxe chacha?

O que houve com "nada de bebidas"?

Que calor!

Talvez seja a menopausa.

Que foi? Minha avó teve isso.

Vamos deixar algo bem claro.

Não estou aqui para cuidar de você.

Entende?

Foi só uma intoxicação alimentar. Já passou.

Não preciso que cuidem de mim.

As mulheres da Geórgia perderam toda a dignidade.

Antigamente, nossas mulheres eram refinadas.

Senhora Lia.

Senhora Lia, acorde!

Olhe lá fora, chegamos.

Olhe.

Nossa mala.

Espere... Vá falar com a garota que você estava olhando no ônibus.

Mostre o endereço a ela.

Com licença.

Sabe como chegar aqui de forma rápida e barata?

Não sei, estou aqui a trabalho.

- Por que não procura? - Não tenho internet aqui.

Desça essa estrada. E, de lá, pegue uma balsa.

- Certo, obrigado. - Sem problemas.

Garota!

Como vai?

Olhe só para você, toda arrumada!

Mustafa vai me levar para sair.

Em público?

Claro, onde mais seria?

Uau! Finalmente conseguiu que ele saísse com você!

Não há motivo para nos despejar.

Principalmente sem aviso prévio.

Minhas mãos estão atadas.

Por que estão atadas?

Ela deveria ser advogada?

Esta é Evrim, uma advogada. O que, ela não pode ser advogada?

É voluntária comigo na Pink Life.

Advogada? Sério?

Senhoras, isso não tem nada a ver com vocês.

Evrim! Você sabe usar uma agulha, certo?

Venha me ajudar aqui em cima por dois minutos.

Ela não gosta de agulhas.

Vire-se.

Não se preocupe, minha mãe é enfermeira.

Tenho uma mão firme. Você não sentirá nada.

Ela viu pau o dia todo e tem medo de uma agulha minúscula.

Garota, você é formada?

Resolvido!

Agora vou pegar um documento feminino.

Advogada Evrim!

Nossa salvadora da polícia e dos clientes.

Tem toda razão. Salvarei vocês, fiquem tranquilas.

O médico te verá em breve.

Preencha isto enquanto espera.

- Tem uma caneta? - Aqui.

- Sua vez. - Já vou.

Onde você trabalha agora?

Trabalho na Pink Life, uma ONG.

- E eles podem te pagar? - Bem, um pouco.

Então, não faz trabalho sexual?

Não.

Você já fez?

Não, doutor, não fiz.

Tome isto e pague um exame médico à ginecologista.

Certo.

Isso deve ser assinado por todos os departamentos do hospital.

Está bem.

Isso é necessário para autorizar o status de mulher.

Está bem.

E estes são os documentos para pedir um documento feminino.

Obrigada. Então isso é tudo, certo?

A propósito, doutor, seu cabelo fica ótimo assim.

Disseram que preciso de assinaturas de todos os departamentos.

Todas custam tudo isso?

Não sei quanto aos outros departamentos.

Aqui está.

Obrigada.

Senhor? Posso mostrar o caminho!

Vá embora!

Não!

Senhor!

Por 5 liras.

- Por 5 liras. - Não.

Vá!

- Mostre o endereço a ele. - Ele está tentando nos enganar.

- Eu mandei mostrar. - Aposto que ele nem sabe ler.

Viu, eu disse!

Eu sei!

Vamos! Sigam-me.

Temos quartos muito bons e baratos!

Quartos baratos! Quartos baratos!

- Oi, Izzet. - Oi.

Oi, Izzet.

Oi.

Disseram que o nome dela é Tekla, Srta. Gülşen.

Tekla? Que tipo de nome é esse?

- Ela é trans? - Acho que sim.

Ela mora nessa rua?

Eu saberia se ela estivesse aqui.

Quantos anos ela tem?

Idade, número?

Qual é a idade da Tekla?

28.

Dois, oito, dois-oito.

Ele disse 28.

Aynur!

- Garota, Aynur! - O que foi?

Calma, querida.

Essas pessoas estão procurando alguém.

Parece que é uma garota trans. O nome dela é Tekla.

Uma estrangeira. Há estrangeiras no seu prédio?

Não há estrangeiras aqui, você sabe disso.

Você ouviu, menino.

Não.

Tekla não.

- Senhor, mais 5 liras, por favor. - Não!

Estou com muita fome, mais 5 liras, por favor.

Estou de saco cheio. Não, vá embora!

Para onde você foi?

Esse é realmente o endereço que ela te deu?

Sim.

Essa é a vida que ela escolheu?

Não acho que foi uma escolha.

O que faremos agora?

Vou descansar

e me arrumar para passar a noite.

Tomar um banho, dormir.

Amanhã cedinho, irei de porta em porta.

Alguém deve saber alguma coisa. É o que vou fazer.

Posso ir com você?

Você não vem?

Sim. Sim, vou.

Duas camas, tudo bem?

Sim, duas camas.

- O que ela está dizendo? - Nada, deixe para lá.

- O quarto é bom? - Sim.

As toalhas estão ali, senha do wi-fi.

- E a chave. - Ok.

- Obrigado. - De nada.

Não tem banheiro.

Ali está o chuveiro e o vaso sanitário.

Ah, droga.

A porta não tranca.

Você fica aí parado

vigiando até eu terminar.

As pessoas não vão ouvir o chuveiro e saber que está ocupado?

Este lugar deve estar cheio de pervertidos.

- Terminou? - Sim.

O que está olhando?

Não sabia que uma chacha por dia mantém o médico longe?

Tenho certeza de que é "uma maçã por dia".

Desinfeta o corpo.

Quer um pouco?

- Senhora Lia... - Sim.

- Posso fazer uma pergunta? - Não.

Qual é seu plano depois que encontrar Tekla?

Meu plano? Como assim?

Sim, para o futuro.

Não tenho futuro, portanto, não tenho planos.

Só estou aqui até não estar mais.

Apague as luzes, está na hora de dormir.

Senhora Lia?

Quando foi a última vez que você viu Tekla?

O que é isso, um interrogatório?

Mandei você dormir.

Desculpe.

Foi há muitos anos...

Pouco antes do pai dela a expulsar de vez.

Por que, por ela ser trans?

Sim, por que mais seria?

Foi uma grande vergonha...

para a nossa família.

Consegue imaginar a reação de todos na aldeia?

Não consigo...

Ela era tão inteligente, curiosa...

Me fazia perguntas sobre tudo.

Poderia ter se tornado alguém importante.

Naquela época, não sabíamos sobre esse tipo de coisa.

Claro que eu tinha ouvido histórias, mas...

Na aldeia vizinha, um menino foi morto a tiros.

O pai do menino alegou

que estava limpando o fuzil quando disparou sem querer.

Então...

O que dirá a ela se a encontrar?

Eu...

não sei.

Vá dormir agora.

Desculpe. Boa noite.

Que se dane!

Olá.

Tem um trabalho para mim aqui?

O chefe está ali.

Está bem. Obrigado.

Olá.

Você tem um trabalho para mim

- aqui? - Não.

Está bem. Obrigado.

Posso anotar seu pedido?

Estou esperando um amigo. Mais cinco minutos, por favor.

- É claro. - Obrigada.

Filho da puta.

Desgraçado de merda.

Precisa de carona?

Não.

- Eu te levo em casa. - Não sou prostituta.

Não estou dizendo que é.

Sou trans.

Eu perguntei?

Também vou fumar um.

Então, você gosta de pegar garotas trans?

Não.

Então?

Onde posso te deixar?

Eu?

Você é realmente um motorista?

Sim.

Mas precisa se sentar na frente.

Ou teremos problemas se a polícia nos parar.

Venha.

Se nos pararem, somos amigos da faculdade

indo para o aniversário de um amigo, certo?

Por que não dirige um táxi normal?

É muito caro conseguir a licença.

Além disso, o mercado de táxis piratas explodiu desde a inflação.

Qual faculdade?

O quê?

Se somos colegas de faculdade, o que estamos estudando? E onde?

Não sei.

Economia?

Universidade de Istambul?

Adoro essa música. Pode aumentar?

Tudo me faz

Lembrar de você

Volte, volte

Eu imploro, volte para mim

Não quer saber meu nome?

Se a polícia nos parar, vai saber que não somos amigos de verdade.

Tem razão.

Sou Ömer.

- Quantos anos você tem? - 25.

Prazer. Meu nome é Evrim.

Tenho 33 anos.

Meu signo é Gêmeos.

Não precisamos saber tudo isso.

Sem essa!

Está bem.

O meu é Sagitário.

Nasci em dezembro.

Somos de signos opostos do zodíaco.

É a melhor combinação, sabia?

Na amizade e no amor.

Ei!

Do albergue!

- Ele está hospedado no albergue. - Olá.

O que está fazendo?

Ah, nada. Só...

Andando. Procuro um emprego.

Meu nome é Achi, como vai?

Meu nome é Özge. Você fala turco?

Não.

- Então, de onde você é? - Batumi.

Vizinho!

- Geórgia. - Sim.

Ah, o país vizinho.

Sou Çerkez.

Circassiana, sabe, também da Caucásia.

Vamos para a festa.

Sim, a festa!

Vamos a uma festa agora,

- quer vir? - Festa?

Deixe eu tirar isso das suas mãos.

- Não finja ser tímido agora. - Ande, vamos.

Garota!

Você veio!

- Quem é ele? - Ninguém. Deixe para lá.

Mustafa apareceu?

Sim.

- É mesmo? - Juro pela alma da minha mãe.

Como se você se importasse com sua mãe.

Eu não pedi isso.

O que mais vai querer?

Pistache.

Ele está dizendo "pistache".

- "Baklava de noz." - Baklava de noz.

Quanto devemos?

Podem pagar depois.

Olá.

- O quê? - Olá.

Desculpe.

Bom dia.

Você cuida das pimentas, eu faço o resto...

Olá.

Gülşen!

- É aquela mulher de novo. - Que mulher?

Parece que não vai desistir.

Lembra de mim?

Não fique aí parada. Entre.

Não fique aí, ande.

Entre.

Santo Deus.

Sente-se, por favor.

Berinjela.

- O quê? - Berinjela.

Ah, berinjela.

É quase a mesma coisa.

Dê um chá turco a ela.

Chá contrabandeado, na verdade.

Você conhece a Tekla?

O que ela está dizendo?

Tekla, Tekla?

O que é esse "Tekla, Mekla" que ela está dizendo?

Está procurando a neta dela, ou algo assim.

Senhora, infelizmente não há uma garota aqui com esse nome.

Está procurando em vão.

Você fala russo?

Garota, acho que a senhora é russa.

Não, não falo russo. Falo um pouco de árabe.

- Batumi. - Batum?

Georgiana?

- Ah, a senhora é georgiana. - Sim, georgiana.

Meu avô também era. Tinha um feitio horrível.

Não há uma pessoa assim morando aqui.

Tekla não, não. Tekla não!

Ela não está entendendo.

Estou dizendo, ela é georgiana. Meu avô era igual.

Mas ela não é um doce?

Veio da Geórgia para procurá-la.

E se nossas famílias tivessem nos procurado?

Está louca? Deus me livre. Cala a boca.

- Aynur? - O quê?

- Cante para nós. - Garota, pare com isso.

Deixe a pobre mulher te ouvir cantar.

Vamos lá. Solte a voz!

Não me importo com a rosa que cresce no fogo ardente

Não sei nada de árabe ou persa não confio na fala

Sigo o caminho correto do Deus gracioso

Não me importo com o caminho pregado pelo Diabo

Não me importo com o caminho pregado pelo Diabo

Tenho uma doença estranha. Todos só se preocupam com si mesmos

Comerei o que encontrar hoje e Deus me ajudará amanhã

Não cobiço as riquezas do mundo

É Deus quem me sustenta não me curvo diante dos mortais

É Deus quem me sustenta não me curvo diante dos mortais

Onde estava? Esperei aqui o dia todo.

Sinto muito por ontem à noite.

Saí para caminhar ontem e procurar um emprego.

Encontrei uns hóspedes do albergue e perdi a noção do tempo.

Notícias boas! Conheci uma garota que trabalha em uma organização.

Talvez ela possa nos ajudar.

- E comprei um doce para você. - Obrigada.

Esperei aqui o dia todo para te levar ao escritório dela,

mas você nunca chegava...

Acho que já está fechado.

Deixe o endereço dela na recepção. Amanhã irei falar com ela.

Eu só precisava sair.

Farei de tudo para encontrar Tekla.

Juro!

Seu irmão estava certo sobre você.

Arrume suas coisas e vá embora.

Não tenho nada.

Melhor ainda.

Vai se foder!

Sua velha bêbada!

Inacreditável...

Que foi?

Está com fome?

Morrendo de fome.

Venha, então.

Sente-se. Gostaria de ver o cardápio?

Olá, bem-vindo. Gostaria de ver o cardápio?

Se só comermos arroz e batata, não ficará muito caro.

Olá, gostaria de ver o cardápio?

Adoro o cheiro de pepino.

Posso?

Não precisa nem perguntar.

Desculpe. Cigarro?

Obrigado.

Obrigado.

Perdão?

Vocês são georgianos?

Sim.

Estão aqui de férias?

Sim.

Eu moro aqui. Tenho uma empresa.

Este é Hasan.

É um georgiano local, da terceira geração do Mar Negro.

O que é isso? Só vão comer isso?

Permitam que eu seja seu anfitrião.

Não, não será necessário. Obrigada.

O que está tomando?

Nós estamos bem. Obrigada.

Já experimentou raki?

Não, mas obrigada.

Garçom!

Veja como cheira bem.

Saúde.

É a primeira vez de vocês aqui?

Não, já vim uma vez quando era criança.

- É mesmo? - Sim. Meu pai me trouxe.

Foi essa viagem que me inspirou

a me tornar professora de História.

Você ensina História?

Ensinava, já sou aposentada.

Desculpe, tenho que ir.

- Foi um prazer conhecê-los. - Igualmente.

- Adeus. - Adeus.

Ele é seu filho?

Não...

É amigo da minha sobrinha.

Saúde.

A você, Ramaz! Nosso irmão georgiano em Istambul!

- Saúde. - Saúde.

- Ele parece ser um bom garoto. - É sim.

Juntei as contas das duas mesas.

- Não deveríamos ir embora? - Seja educado.

Tudo bem.

Ah, não, Sr. Ramaz, não...

Não se preocupe, eu pago.

É demais.

Com que frequência eu conheço georgianos como você?

Você tem família?

Só minha sobrinha.

E...

você?

Eu tinha.

Nos separamos há dez anos.

Que pena.

- Saúde. - Saúde.

Uma rosa para a senhora?

Combinaria com você.

Senhor, dei uma rosa à senhora.

Com licença.

Já volto.

Está brincando?

Do que está falando?

Sei o que estou fazendo.

Com certeza.

Achi.

Lia me disse que você está procurando a sobrinha dela.

Talvez eu possa ajudar.

Podemos nos informar na igreja georgiana local.

Sim, tenho certeza de que serão muito prestativos...

- Onde ele está? - Como posso saber?

Você o afugentou?

O que disse a ele?

Nada. Só o vi indo embora.

Me conte o que você disse a ele!

O que eu teria dito?

Não deveria ter deixado ele ir.

- O que eu deveria fazer? - Ele ia nos ajudar!

O que deveria ter feito? Amarrá-lo? Você o afugentou!

Você está bem?

Sinto muito.

Não queria que isso acontecesse.

Sabe o arraso que eu era quando era mais jovem?

Os homens se atiravam em mim.

Hoje em dia, você também não é tão ruim.

- Você acha? - Claro.

Eu era a melhor dançarina da cidade.

Aqui está.

Funciona?

- Será que corto o cabelo? - Sim.

Pronto, obrigado.

Já chega, crianças.

Vão andando.

Então não sei o que fazer...

Venha até minha casa e eu ajudo a resolver o problema.

Não olhe agora. Disse para não olhar!

É o motorista do qual eu falei.

Meu Deus, ele está vindo!

Relaxe, talvez ele esteja vindo por minha causa.

Além disso, ele nem taxista é.

Oi.

Oi.

Queria te dar meu cartão.

Caso precise de carona.

É muito gentil da sua parte. Obrigada.

- Está no turno da noite? - Meu turno está quase no fim.

Preciso dormir, tenho um exame amanhã.

Exame? Você é um aluno de verdade?

Sim. Vou ser professor.

Meus pais também são professores.

Que ótimo!

Professor de quê?

- Geografia. - Que legal. Eu gosto de Geografia.

Está bem. Nos vemos por aí?

Até mais.

Ele também tem um belo traseiro.

Ele te comeu com os olhos.

Não, sem essa! Ele só está procurando clientes.

Sim, claro.

Você não está atendendo minhas chamadas.

Vai se foder.

Querida, estou aqui agora, não estou?

Me leva para tomar café da manhã amanhã?

Claro, querida.

O quê?

O que quer que eu faça?

Agora?

Acabei de deitar. Espere um segundo.

Você ligou para Şevval?

E Ahmet?

Está bem, já vou. Desligue.

Filho da puta.

Quanto tempo!

Sentimos sua falta.

O que foi? Quer ir presa de novo?

Estou aqui como representante.

Representante?

Estão mantendo alguém aqui sob falsos pretextos.

Isso é uma piada?

Agora você é advogada?

- Eu tenho um diploma. - Um diploma?

Ela disse que tem um diploma.

Então, onde você se formou? No circo?

Universidade de Istambul.

Universidade de Istambul?

Aposto que sim...

Vá em frente. Mostre seu documento de identificação.

Ainda não tenho.

Estou esperando para me apresentar a um juiz.

Será a qualquer momento.

- Então, você não é advogada, é? - Escute...

- Venha aqui. - Aqui está sua encomenda.

Por que isto está frio?

Sou voluntária na Pink Life.

Alguém está aqui sob falsos pretextos.

"Sob falsos pretextos"?

Quem é essa pessoa que estamos mantendo aqui?

Izzet Yilmaz.

Izzet Yilmaz?

E o que ele é seu?

Conheço a mãe dele, Firuze.

Diga para ela vir buscar o filho.

A mãe dele está fora da cidade.

Enquanto isso, ele está sob meus cuidados.

Por que motivo ele foi preso?

Ele tentou roubar de um turista.

- Você o pegou em flagrante? - Não...

Ele estava com algum dinheiro?

Como eu poderia saber?

Então, não podem detê-lo.

Não vamos detê-lo. Ele vai para o orfanato.

Não enquanto a mãe estiver por perto para cuidar dele.

Se quiser, posso ligar para a mãe dele.

Além disso, ele sairá logo do orfanato.

Está bem. Sente-se e aguarde.

Lá se foi meu almoço tranquilo!

- Você não assinou nada, certo? - Não.

Posso fumar um?

Não seja tolo.

Quem é essa?

Gülpembe, estou cuidando dela enquanto o irmão não está.

Onde está o irmão dela?

Em Malátia.

Vamos, acorde-a.

Gülpembe, acorde.

Vamos, acorde.

Levante-se.

Vamos, depressa.

Pegue a mão dela.

Onde arranjou isso?

Peguei emprestado de um amigo.

Claro que sim.

O que está fazendo?

Nada.

Achou que eu estava morta?

Não.

Seu hálito cheira mal. Me trouxe de volta à vida.

Quero te dizer uma coisa.

A propósito, o que aconteceu com sua mãe?

Como assim?

Você disse que sua mãe morava aqui.

Disse?

Não se lembra? Lá em Batumi.

Ah, sim.

Ela veio a trabalho quando eu era criança.

Mas depois de um tempo ela desapareceu.

Mas...

eu acho...

que ela morreu e ninguém quis me contar.

Ela nunca teria me abandonado.

Claro que não.

Também acho.

Principalmente com o gordo do meu meio-irmão.

Quer saber?

Parece que Istambul é um lugar

onde as pessoas vêm

para desaparecer.

O que fez com seu cabelo?

Achei uma máquina de cabelo e queria ver se funciona.

Idiota.

Por que não está na escola?

Quando sua mãe vai voltar?

Não sei.

Já faz quanto tempo dessa vez?

Não muito.

Então, agora você é batedor de carteira?

Não!

Se te pegarem de novo e tua mãe não estiver perto, não poderei ajudar.

Ela voltará em breve.

Venha aqui. Ainda pegará um resfriado.

Sente-se direito.

Devo ter comido algo estragado ontem à noite.

Claro, foi isso.

Esse lugar é longe?

Temos que atravessar para o outro lado.

Vou ficar tão legal! Obrigado, Evrim.

Escolheu seu penteado?

Garota, com quem você está flertando?

Está desonrando o salão! Sua vadiazinha!

Eu os conheço!

Ele e a avó estão procurando uma garota trans!

Espero que não esteja enganando eles.

Não.

Só mostrei o caminho.

Sou como um guia.

Está bem.

- De onde vocês são mesmo? - Batumi, Geórgia.

Izzet, vá buscar um chá para nós.

Ela também é trans?

Como posso saber?

Sim, sou trans.

Ela disse que é.

Como ela se chama mesmo?

- Tekla. - Tekla?

Disse que tinha um endereço?

Não. Não tenho endereço.

Ela pode estar em qualquer lugar.

E como sabemos se ela quer ser encontrada?

Evrim, nós sabemos o que eles são da garota?

O que estão dizendo?

O que houve?

Tem certeza de que ela quer ser encontrada?

Não.

- O quê? - Um segundo.

Essa é a mãe dela?

Não, é irmã da mãe.

Entendi.

- Você é só um amigo? - Sim.

O que acha?

Por outro lado,

ela tem o direito de saber que está sendo procurada.

Se é que está em Istambul.

Atenção, amigas!

Alguém conhece uma georgiana chamada Tekla?

Acho que já ouvi esse nome.

Onde?

Sabe as garotas que moram no apartamento de Ceylan?

Sim, estive lá esses dias.

Tem certeza?

Não tenho certeza absoluta,

mas parece familiar.

Certo, obrigada.

Eles a conhecem?

Não sei, meu turco não é tão bom.

- Ele conhece a Tekla? - Sim.

- Sim? - Mas...

Não tem certeza. Vamos ver.

Ela disse que não tem certeza.

Posso te levar lá.

Mas ela pode nos levar lá.

Pergunte se é difícil andar com saltos tão altos.

Não posso perguntar isso.

Pergunte.

O quê?

- Nada. - Não. O que foi?

Ela está interessada...

Seus sapatos...

Como...

- Seu... dói? - Não.

Eu gosto.

- O que ela disse? - Que são confortáveis.

Eu jamais conseguiria.

Obrigada.

Ah, a advogada mais gata da Turquia!

Bem-vinda, querida.

Olá.

Quem são esses?

Estão procurando uma garota chamada Tekla.

Levarei vocês até mamãe, então.

Posso oferecer um chá?

Desculpe incomodar assim.

Imagine.

Você tem ajudado muito com aqueles inquilinos desagradáveis.

Trouxemos doces.

Obrigada.

Garotas!

Sirvam chá aos nossos convidados!

E falem baixo!

Nada de barulho!

Sim, mãe, é para já.

Viemos perguntar sobre uma garota georgiana.

O nome dela é Tekla.

Ah, querida...

Muitas garotas georgianas passaram por aqui.

Todas arrogantes, de nariz empinado.

Disseram que ela poderia estar morando aqui.

Não.

O que estão dizendo?

Tem alguma ideia de onde ela possa estar?

Todas as minhas garotas tentaram encontrá-la.

O telefone dela está desligado. É como se tivesse evaporado.

Cuidado.

Sabe como é com essas garotas e as drogas.

Quando entram nessa vida, não há volta atrás.

É estritamente proibido aqui em casa...

Eu acho que ela deve ter saído da Turquia.

Essa é a família dela?

Esta é a tia

e aquele é o amigo dela.

Ela deixou alguns pertences.

Eles podem levar, se quiserem.

Muito obrigada.

De nada.

- Quero te dizer uma coisa. - O quê?

Nunca tive o endereço dela.

Pesquisei no Google "mulheres trans em Istambul" e te mostrei.

Eu sabia o tempo todo.

- Ei, Murat. - Olá.

Há um casamento hoje?

Sim, mas posso acomodá-los lá atrás.

- Talvez até te veja dançar. - Está bem, obrigada.

Venham.

Saúde!

Saúde.

Saúde!

Vá.

Está com fome?

Sempre.

Quer tomar café da manhã?

Por que não?

Então vamos.

Vai voltar para Batumi comigo?

Vou ficar aqui.

Disseram que poderia haver trabalho para mim no albergue.

Não me importo com a rosa Que cresce no fogo ardente

Não sei nada de árabe ou persa Não confio na fala

Sigo o caminho correto Do Deus gracioso

Não me importo com o caminho Pregado pelo Diabo

Não me importo com o caminho Pregado pelo Diabo

Tia?

Tia!

Tekla?

Você é igualzinha à sua mãe.

É você mesmo?

Gostou do meu jardim?

Fiz tudo como você me ensinou.

Tenho alguns tomates. Uns pepinos pequenos.

Como está o nosso jardim?

Não tive tempo de cuidar dele.

Que pena.

Quem mora aqui com você?

É o apartamento do meu namorado.

Ele é dono do salão de beleza no andar de baixo.

Lembra como eu cortava o cabelo de todo mundo?

Você precisa cortar e pintar o seu.

Vamos, o que você diria a ela?

Eu diria...

que falhamos com ela.

A mãe dela e eu.

Não fizemos nada por ela.

Perdemos tanto tempo.

Só nos preocupávamos com o que diriam sobre nós.

É o que eu diria a ela.

Eu diria...

que a mãe dela a amava muito.

Apesar de tudo.

Eu diria...

que também a amo muito.

Vou ficar aqui.

E continuar procurando até te encontrar.

Sei que o fará.

Atenção, passageiros. Esta balsa está voltando para

Eminönü e Karaköy.

ESCRITO E DIRIGIDO POR LEVAN AKIN

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