All language subtitles for Brasil.Imperial.S01E10.Episodio.10.720p.AMZN.WEB-DL.DDP2.0.H.264-NTb_track4_[por]

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Original subtitles

♪

♪ Melodia dramática ♪ [Gritaria ao fundo]

[Estilhaços]

♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

Pois muito bem. O mundo é testemunha de que eu tentei.

Mas se pensam que continuarei me humilhando, estão enganados.

Avisem ao Marquês de Barbacena que desista da empreitada.

- Continuarei solteiro. - Majestade.

Um pouco mais de paciência nesse momento seria bom.

Seu casamento com uma princesa europeia é fundamental

para que o prestígio do trono brasileiro permaneça elevado

junto às potências estrangeiras.

Quatro recusas, Chalaça. Quatro.

Achas que continuarei implorando por uma esposa?

Não se trata de implorar, Majestade.

Mas, sim, de procurar entender os obstáculos que impedem

as candidatas de enxergar a grande honra que seria

tornarem-se a nova Imperatriz do Brasil.

O que estás querendo dizer, Plácido?

Majestade, a morte de Dona Leopoldina causou muita comoção.

Não só aqui, mas em toda Europa.

E Vossa Majestade sabe bem o que as más línguas dizem.

O que dizem as más línguas, Plácido?

Fala, homem! Não me faças perder a paciência contigo.

A Marquesa de Santos.

Mas o que tem Domitila com isso?

Creio que ela é o maior estorvo para as negociações.

Eu estou farto, Plácido, de teus palpites e de tuas intrigas.

Eu agradeço a ti por não ter Bonifácio ao meu lado agora

quando eu preciso de um bom conselheiro.

- Eu dei-te ouvidos demais. - Majestade.

Talvez nós só devêssemos ser um pouco mais flexíveis

com as negociações para as novas núpcias.

- Flexíveis? - Sim.

Uma princesa de estirpe semelhante a dos Habsburgo

pode ser empresa difícil demais no momento.

Mas se o elevado nascimento e instrução

não forem imprescindíveis à nova candidata...

as opções podem aumentar.

O que queres tu, Chalaça?

Que me mandem uma mulher grosseira e mal acabada?

Não, isso nunca, Majestade.

A formosura e as virtudes continuariam sendo exigência no novo contrato.

Mas se a futura Imperatriz do Brasil

pertencer à uma nobreza de segunda linha,

não vejo tanto mal nisso.

Receber a quinta repulsa

envolve desonra não só à minha pessoa, mas ao Império.

Mas talvez tenhas razão.

Pedro.

- Eu preciso falar contigo. - Mas o que é isso, Domitila?

Não vês que trato de assuntos do Império?

Pedro, eu preciso falar contigo agora.

Deixem-me a sós com a Marquesa.

O que está acontecendo, Pedro?

Por que mandaste fechar a passagem que levava à minha casa?

Será que vou ter que te explicar tudo novamente?

Sim. Eu acho que eu preciso de mais explicações.

Evitas me receber e não tens me procurado mais.

Domitila, a situação da coroa é periclitante,

eu estou no meio de um furacão.

Nossas tropas foram massacradas em Ituzaingó. Perdemos a Cisplatina.

Entendes o que estou te dizendo? E agora dependo dos ingleses

para que seja costurado um humilhante tratado de paz.

Além de estarmos com as finanças arruinadas,

a indisciplina se espalha pelos quartéis.

Meu irmão me traiu e agora governa Portugal à revelia de minhas ordens.

O que mais queres que te diga?

Pedro, não me venhas com histórias que nada têm a ver com o que te pergunto.

Antes, quando ficava aflito, era em meus braços que te consolavas.

- E agora me rejeitas? - Não estou te rejeitando, Domitila.

Apenas preciso que tu entendas

que eu tenho a responsabilidade de governar dois reinos.

E eu preciso de um novo casamento.

Ah, então é isso.

Estás ansioso para te deitares com a lambisgoia

que os teus lacaios te trarão da Europa.

Meu foguinho, não vês a oportunidade que temos?

Casa-te comigo...

casa-te comigo e manda às favas as cortes europeias

que nada nos ajudam no que estamos passando.

Sabes que meu amor por ti é único e sincero. Sabes?

Eu acho que estás abusando do vinho, Domitila.

Ou colocastes o pito de pango em teu cachimbo.

Não vês que o que estás dizendo é um disparate?

♪

Tu não me amas mais? É isso?

♪

Sinto muito perder a tua companhia. Eu sinto.

Mas não há remédio.

Tu deves deixar o Rio de Janeiro.

♪

Não penses que te livrarás de mim com o bico da tua pena, Pedro.

Não deixarei essa cidade nem por nenhum decreto teu

nem por um daqueles deputados imundos

que me acusam culpada pela morte de Leopoldina.

O nome da Marquesa de Santos há de ser respeitado por essa

e pelas próximas gerações que hão de vir.

Eu te amei mais que a minha vida, Pedro.

E se perceberes a burrice que estás cometendo

eu estarei a tua espera.

♪

[Falatório]

Sempre vivas!

[Risos] [Falatório]

Caiu-te muito bem.

Distinguir-me dos portugueses é o que melhor me cai.

O correio de São Paulo deve chegar amanhã

com alguns exemplares do Observador Constitucional.

Badaró não se intimidou com as ameaças do juiz da comarca.

E nós temos também que nos manter firmes.

Precisamos fazer chegar ao povo

todos os artigos que defenderem a nossa constituição.

Não se preocupe, meu caro Evaristo.

Já temos as leituras públicas planejadas.

É, meus amigos! Não é fácil a vida de nós jornalistas

num país onde não se sabe ler.

Mesmo assim, a imprensa livre é a nossa principal arma.

Já que nas assembleias os portugueses ainda conseguem nos vencer.

É, mas não será por muito tempo, irmão Ledo.

Já podemos ver muitos chapéus de palha nas ruas.

Além das nossa sempre vivas, é claro.

O Imperador sabe que não poderá entregar o Brasil aos portugueses

novamente antes que muito sangue seja derramado.

Pedro trama alguma coisa, tenho certeza disso.

- Por que chamaria Bonifácio de volta? - Não acredito que Bonifácio volte.

Ele é orgulhoso, foi escorraçado da corte.

Não tenho tanta certeza.

Não sabemos o que lhe foi oferecido pelo Imperador.

Aquele lobo está vestindo pele de cordeiro.

A Marquesa de Santos saiu da cidade e o que dizem é que o canalha agora

vai ser um marido fiel à sua nova esposa.

[Risos]

Ele quer conquistar novamente o respeito do povo brasileiro,

mas, na verdade, só pensa em agradar os interesses de seus compatriotas.

Eu estou com muita confiança e otimismo.

Acho que o Brasil caminha para uma monarquia constitucionalista.

E isso é um caminho sem volta.

Se não for com Dom Pedro no trono, outro terá que sentar nele.

E quem seria? O pequeno Pedro é apenas uma criança ainda.

Irmãos. Sem especulações. O que virá não se sabe,

mas o que é certo é que Dom Pedro não tem moral para nos governar.

Nosso país tem um grande destino a cumprir,

será a maior potência do mundo, não tenho dúvidas.

Agora, para isso, temos que olhar para frente e nos livrar dos pesos

- do absolutismo antiquado. - Assim é que se fala, Ledo.

Mas enquanto não derrubamos Dom Pedro,

tens tempo para uma caneca de vinho?

Acho que posso dar um jeito,

mas prefiro uma boa aguardente nacional.

O que me dizes?

Meu caro Felisberto,

teus serviços à coroa foram sempre muito notáveis.

Mas tu te superaste no matrimônio que arranjaste para mim.

Devo manifestar minha gratidão.

Fico contente que Vossa Majestade tenha se agradado da nova Imperatriz.

Confesso que guardava algum receio de que a Princesa Amélia

o desapontasse quando comparada ao retrato que enviei.

Mas o que dizes? O original é muito superior ao retrato.

Meu entusiasmo é tão grande que só me falta estar doido.

Tive até vertigens quando a vi.

Foi o que de melhor se pôde conseguir.

Como estirpe, os Beauharnais talvez não se comparem aos Habsburgos,

mas Eugênio de Beauharnais foi um dos mais bravos generais de Napoleão.

Isso também me agrada, Felisberto.

Todos sabem de minha admiração por Napoleão.

Independente de qualquer acusação que sofreu,

ele foi o maior comandante militar da história.

É muito bom que estejas aqui, Felisberto. Vou precisar de ti.

Disponha de mim para o que mais for preciso, Majestade.

Preciso controlar a Câmara dos Deputados.

Aqueles malditos liberais tiveram a audácia de tentar aprovar

o impedimento de dois dos meus ministros.

Pelo que fiquei sabendo,

as acusações de má administração e abuso do poder eram sólidas.

Não me interessa.

Segundo a constituição, cabe somente a mim nomear ou demitir ministros.

O que esses jacobinos querem na verdade é reduzir o poder imperial.

E como posso ajudar?

Tu tens grande prestígio até mesmo entre os conspiradores.

Vou nomear-te ministro para que possas controlar esse mar de intrigas

em que se transformou nossa assembleia.

Majestade, muito me honra vossa lembrança, mas não posso aceitar.

Como assim, Felisberto? Não estou te entendendo,

vais recusar uma convocação de teu Imperador?

Peço minhas humildes desculpas.

Mas Vossa Majestade precisa entender que os tempos são outros.

Já não é possível governar com mão de ferro

sem que se busque a conciliação entre os desejos liberais

e a manutenção da monarquia.

Se aceitasse o posto de vosso ministro,

não teria outro caminho a não ser fortalecer o diálogo

com as correntes contrárias à vossa autoridade.

Pois que seja assim.

Dom Pedro, haveria algumas condições

para que esse projeto obtivesse sucesso.

Que condições são essas, Felisberto?

O parlamento está fortalecido.

E não mais aceitará as influências que vossos amigos portugueses

exercem na administração do Império.

Não me venhas falar do tal gabinete secreto.

Exatamente, Majestade.

Para que minha atuação como ministro lograsse êxito na extinção

do incêndio revolucionário que se anuncia no Brasil,

serão necessários atos concretos

que pudessem reconquistar a confiança dos deputados.

Diga os nomes, Felisberto.

Chalaça. E não só ele,

mas todos os portugueses mais próximos de Vossa Majestade.

São todos entraves para que a coroa recupere seu prestígio

e a sua autoridade seja fortalecida.

Queres que renegue meus amigos?

Não, Majestade.

Sou um humilde servo, não posso querer nada de meu monarca.

Por isso que declinei ao vosso convite.

Eu vou pensar no que me dizes, Felisberto. Vou pensar.

♪

A Princesa Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beuharnais,

neta da Imperatriz Josefina,

filha de Eugênio de Beuharnais e Imperatriz do Brasil.

Meu amor.

Vem, quero que conheças nossa criadagem.

Marquês de Barbacena.

Majestade.

Quel est ton nom?

Desculpe, Majestade?

Qual é o seu nome?

Chamo-me Plácido Pereira. Seu criado ao seu inteiro dispor.

Seus serviços no palácio não serão mais necessários, senhor Plácido.

O senhor deve deixar a Quinta da Boa Vista.

Não só ele, assim como todos vocês estão dispensados de suas funções.

E a partir de hoje todos falarão o francês

quando se dirigirem a mim ou ao imperador.

Podem ir agora.

♪

O que foi isso, Amélia?

Pedro, é preciso dar fim aos maus modos da tua corte.

Isso aqui está feio demais.

Trouxe comigo alguns criados de confiança

e os quero a frente do serviço no palácio.

Peço que não me tires a autoridade, pois isso representará para mim

a maior desfeita que meu marido poderia me fazer.

Tudo bem, meu amor. Se assim queres, assim será.

E outra coisa...

aquela que chamas Duquesa de Goiás também deve partir.

Amélia, ela é minha filha.

Eu já despachei Domitila, não verei mais a Marquesa de Santos.

Creio que não é justo castigar a menina.

Conheço um internato em Paris que aceitará a tua bastarda de bom grado.

Será bom para ela. E para mim também.

Precisas te livrar de teus amigos desqualificados, meu amor.

Cruzei o oceano para te desposar e ajudar a recuperar teu prestígio.

Espero que não me impeças de realizar meu propósito.

Pois o que faço, faço por amor a ti.

Com sua licença, Majestade.

♪

Pedro.

Pedro, o que significa isso?

Chalaça, depois eu converso contigo. Não me amofines.

- Mas, Pedro... - Depois, Chalaça. Depois.

Sua Majestade, o Imperador D. Pedro I,

faz saber a todos que indisciplinas e rebeldias

entre as tropas brasileiras não serão toleradas.

Aqueles que insistirem em cometer infidelidades

à real imagem de nosso monarca,

sofrerão os merecidos castigos

como o que agora aplicamos a esse insubordinado alemão.

♪

[Golpe]

[Chibatada] [Grito]

Senhor oficial!

Não aceitaremos mais receber esse tipo de castigo.

A falta desse homem não é suficiente

para que lhe seja aplicada esse tipo de pena.

Para trás, soldado.

Não queiras ter a mesma sorte que esse teu compatriota.

Não aceitaremos mais sermos tratados como escravos.

Soldado, eu te ordeno. Afasta-te.

Quando aceitastes servir o exército brasileiro,

te submeteste às ordens do Imperador.

Estás esquecido do que foi combinado pelos teus serviços?

Quando decidimos nos unir ao Brasil,

não foi para sermos tratados como animais.

E quanto ao que foi combinado,

eu acho muito bom que tenhas te lembrado disso,

pois estamos todos sem receber os nossos soldos.

O que pensas que vamos comer?

Estás fedendo a aguardente, soldado.

Por acaso foi com o teu dinheiro que eu comprei a minha bebida?

Oficial, prenda esse homem imediatamente.

Soldado, tu estás preso por insubordinação à coroa.

Levem esse homem para a masmorra.

Não escutaram o que ordenei?

Prendam esse insolente.

Vamos!

♪

[Lâmina de espada]

[Golpe]

[Ruídos metálicos]

[Golpes] [Gemidos]

♪ Suspense ♪

[Lâmina de espada]

♪ Suspense ♪

Morte ao Imperador e a seus porcos!

Vamos pegar o que é nosso!

[Gritaria]

♪ Suspense ♪

O que querem aqui? Saiam do meu estabelecimento.

Queremos beber, português.

Mostra-me o dinheiro e te sirvo.

Dinheiro?

Queres o dinheiro, português?

Então toma. [Tiro]

[Gemido]

Vamos, homens. Peguem tudo.

[Baque]

Vamos. Vamos sair daqui, homens.

[Estilhaços]

[Tiro]

[Baque]

[Tiro]

Caros amigos...

a execução...

O que está acontecendo, Arrebita?

Não saias de casa. De jeito nenhum.

Você está me assustando, homem.

Os mercenários estrangeiros se rebelaram, Ana.

E alguns soldados brasileiros estão ao lado deles.

As tropas leais à coroa tentam controlar a situação,

mas muito sangue está sendo derramado.

Ai, meu Deus. O sangue inocente é que me preocupa.

Está chegando a hora, Ana. O Império não se sustenta mais.

O povo está cansado de tanta patifaria e eu não vou ficar quieto.

E o que você vai fazer? Arrebita, lembra que nessa disputa

brasileiros e portugueses estão em lados opostos, homem.

Mas não és tu que sempre dizes que devemos reagir?

Que não devemos aceitar como cordeiros os desmandos da coroa?

Sim, mas você é português. Ou já se esqueceu disso?

[Batidas na porta]

Pega as crianças e te esconde. Anda, Ana! Rápido!

Quem é?

Encomenda para o senhor Arrebita, vinda de São Paulo.

Da parte de Gonçalves Ledo.

[Rangido de porta]

[Batida]

Meus amigos,

hoje eu tenho em minhas mãos um periódico paulista,

no qual um texto assinado pelo jornalista Libero Badaró

muito tem a nos dizer.

A todos nós que estamos fartos dos abusos da coroa;

desse falastrão que um dia foi considerado defensor perpétuo

de nossa pátria e que hoje trama para entregar nossas riquezas

novamente nas mãos dos portugueses.

Lê para nós, Arrebita.

Eu vou ler. E peço que prestem muita atenção.

Diz assim o texto:

“Cobrindo-se com chapéus de palha,

o povo brasileiro demonstra nas ruas sua insatisfação com os rumos

que as autoridades do Brasil escolheram para nossa pátria.

São esses amigos das trevas,

que se vestem da capa da moral e do sossego público,

para apontar os ditos abusos da imprensa.

Mas quem são eles para falar de abusos?

E do que não se abusa neste mundo?

Um mau juiz abusa do seu ministério: suprima-se a magistratura;

um mau sacerdote abusa da religião: suprima-se a religião;

um mau marido abusa do matrimônio: suprima-se o matrimônio!

Suprimam-se todos os abusos que será melhor.

A lei contra os abusos existe;

sirvam-se dela;

e se não é boa, faça-se outra;

e liberdade a todos de se esclarecerem sobre os malfeitos dos legisladores.

E viva a imprensa livre! Viva o Brasil verdadeiramente livre!”.

Viva o Brasil livre!

[Gritaria] [Protesto]

[Risos] [Falatório ao fundo]

[Risos] [Falatório ao fundo]

Com licença, por favor.

[Risos] [Falatório ao fundo]

[Suspiro]

Não, por favor, por favor.

E então, Chalacinha? Não gostaste dessas polacas?

- Posso te conseguir outras. - Deixem-me sozinho, Pedro, por favor.

O que há contigo, meu amigo?

Essa festa é para ti.

Não penses que foi fácil me desvencilhar da vigilância de Amélia.

Mas fiz questão de estar contigo.

Não esperava encontrar-te tão macambuzio.

É, eu não gosto de despedidas.

Não sejas turrão, homem.

Vinte e cinco mil francos por ano te darão uma boa vida na França.

Eu não sei se vou para a França. Talvez eu prefira Londres.

Pois que seja.

Tenho que arrumar algumas coisas por aqui, Chalaça.

Apenas preciso que passes uma temporada fora, só isso.

Assim que puder mando te chamar de volta.

Será que aquele trapaceiro do Marquês de Barbacena assim permitirá?

Ou a Imperatriz?

Já pediste autorização a eles?

Estás tornando as coisas mais difíceis do que já são, Chalaça.

Eu sujeitei-me a tudo nessa vida, Pedro,

a tudo para evitar os teus dissabores e as tuas inquietações.

Estive ao teu lado em todos os momentos que precisaste.

Encobri as tuas falcatruas, os teus romances secretos

e por isso eu atraí para mim a cólera de todos os teus inimigos.

E agora, eu devo abandonar o Brasil como um renegado.

Tu achas certo isso, Pedro?

A minha impopularidade só fez crescer

depois da morte de Leopoldina, Chalaça, tu sabes disso.

Os viscondes, barões e marqueses que ganharam de mim seus títulos

hoje me insultam em praça pública.

Aqueles malditos liberais estão contaminando a assembleia

e não há outro jeito senão ceder em alguns pontos, Chalaça.

Achei que irias entender minha situação.

É, eu também achei que me tinhas como irmão.

E é assim que te tenho.

Então por que não enfrentaste Barbacena?

Pedro, tu estás te aliando a uma cobra que não tarda a te morder.

E o seu veneno será mortal.

Não penses que Felisberto me engana. Sei bem com quem estou lidando.

Mas preciso dele nesse momento.

E de mim não precisas mais, não é, Majestade?

Pois muito bem.

Eu abandonarei esta terra sem o mínimo sentimento de desprazer.

Mas tu podes estar certo de uma coisa, Pedro,

nunca, em tempo algum,

tu terás um amigo fiel como eu fui.

Chalaça, espera, meu amigo.

- Quando devo partir? - Imediatamente.

Chegando lá, um alemão chamado Stock irá te procurar.

Stock...

O serviço deve ser rápido e limpo.

- Entendido, Tenente? - Sim, senhor.

[Risos] [Falatório ao fundo]

♪

Boa noite, senhores.

Boa noite. O senhor é Libero Badaró?

Sim, sou eu.

[Tiro]

[Gemido]

Badaró! Senhor Badaró!

O que aconteceu?

O juiz. O juiz.

Vá buscar ajuda. Rápido.

Badaró, aguente firme.

Não me iludam.

Eu sei que eu vou morrer.

Não importa.

Morre um liberal, mas não morre a liberdade.

Senhor Badaró. Senhor Badaró!

♪ Melodia dramática ♪

♪ Melodia dramática ♪

[Gonçalves Ledo] A morte de Libero Badaró

caiu como uma bomba em nossa assembleia.

Ficou evidente que não havia liberdade no Brasil

para manifestação de ideias contrárias aos interesses do Imperador.

Evaristo foi forte em seu discurso.

Acusou Dom Pedro de ser o mandante do crime

e de defender apenas os interesses dos portugueses.

Os deputados aliados ao império reagiram,

afirmando que o Juiz da comarca, acusado da morte do jornalista,

estava a caminho do Rio de Janeiro para um julgamento “justo”.

Mas sabíamos que aquilo era uma farsa e que não poderia haver justiça

em um julgamento no qual o “bode expiatório”

seria julgado por seus iguais.

O Marquês de Barbacena havia sido demitido acusado de corrupção

e com ele se foi a única chance de conciliação entre os deputados.

Enquanto o Imperador escolhia um novo ministério de Caramurús,

nós tínhamos certeza que a hora havia chegado.

E não iríamos retroceder.

Mesmo correndo o risco de sermos os próximos Badarós.

[Algazarra]

É muito bom ver-te novamente, meu amigo.

Vossa Majestade mandou me chamar. Aqui estou.

O trono no qual me sento não me exime de cometer erros, infelizmente.

Errei ao te afastar de mim, Bonifácio.

De minha família e... de meu Império.

Não consigo mais governar.

Vivo mergulhado em intrigas e conspirações de meus adversários

que estão por toda a parte.

Questionam minhas ordens e querem reduzir minha autoridade.

Tenho acompanhado com muita preocupação o que se passa no Brasil.

Eu receio que essa onda liberal que se formou,

ela dificilmente será contida, Majestade.

Eu era amado por esse povo.

O que será que fiz para que tudo mudasse tanto?

Isso é uma pergunta? Que deva ser respondida?

Ou é apenas uma reflexão pessoal de Vossa Majestade?

Bonifácio, deixemos os protocolos de lado, por favor.

Preciso da sinceridade de um amigo verdadeiro.

Pois muito bem.

Muitos foram os erros de Vossa Majestade.

Muitos. Os escândalos de sua vida privada, por exemplo.

Levaram a Princesa Leopoldina à morte. Causaram revolta entre o povo.

Estás me acusando pela morte de Leopoldina?

Não, só estou respondendo à pergunta que me foi feita

com a sinceridade que me foi pedida.

A guerra com a Argentina pelo controle da Cisplatina foi longa demais,

desgastante demais, Dom Pedro.

Os recrutamentos forçados levaram oito mil brasileiros à morte.

Oito mil homens.

A sua indecisão entre os interesses portugueses e brasileiros

acabou com a sua fama de salvador da pátria

que conquistou com a independência. E agora a morte desse jornalista.

- E nada tenho a ver com isso. - Eu tenho certeza que não.

Tu te lembras que também enfrentamos muitas dificuldades

depois que meu pai retornou a Portugal.

Sim. Eu me lembro perfeitamente.

Pois.

Repetirei a viagem que fiz à Minas Gerais antes da independência.

O povo mineiro sempre me foi fiel e não me faltará nesse momento.

Lá não é como esse covil de cobras peçonhentas

em que se transformou o Rio de Janeiro.

Levarei a Imperatriz comigo e voltarei novamente nos braços do povo.

É isso que farei, Bonifácio.

Pois muito bem, faça isso.

Pode ser que dê certo.

Mas não se esqueça, Majestade,

pode ser o último chumbo deflagrado numa guerra com muitos inimigos.

Estás bem acomodado na Ilha? Posso conseguir-te coisa melhor.

Não é preciso. Paquetá é um lugar muito aprazível.

Tenho tido tempo para escrever, virei até poeta.

Fiquei sabendo, meu amigo.

Quero eu também poder ler teus versos.

[Risos] Imagina.

Eu não imporia tal castigo ao meu soberano.

De maneira nenhuma.

Bonifácio,

preciso de tua ajuda na educação de meus filhos.

Tenho que prepará-los para o poder.

E tu és um homem culto, honrado e patriota.

Pedro um dia irá reinar. Me preocupo com ele.

Eu e meu irmão Miguel devemos ser os últimos malcriados desta família.

Imagina.

Se eu puder ser útil na educação do Príncipe,

eu ficarei muito honrado, Majestade.

Vamos ver como faremos isso quando eu voltar de Minas Gerais.

Sim.

Tirem as mãos de mim, seus lacaios fedorentos!

Mas o que é isso, Marquês?

Como te atreves a invadir o palácio desta maneira? Perdeste o juízo?

Vim te dar um recado. Teu fim está próximo, Dom Pedro.

E teus últimos dias serão em alguma prisão a título de doido.

Pois só um doido sacrifica os interesses de uma nação,

da sua família e da realeza

aos caprichos e seduções de criados caixeiros portugueses.

Vou te dar a oportunidade de saíres daqui imediatamente, Felisberto.

Ou ainda hoje estarás balançando na ponta de uma corda.

Todos agora sabem que tu és português absoluto de coração.

E tua catástrofe aparecerá em poucos meses;

talvez não chegue a seis.

Sai daqui! Ou eu mesmo te atiro fora com minhas próprias mãos!

Tirem essas patas sujas de mim!

Vês o que te disse? Assim que eu tenho que governar agora, Bonifácio.

Em outros tempos eu não hesitaria em mandar executar esse atrevido.

Temperança, Majestade.

Temperança.

Siga adiante com seu plano de ir a Minas Gerais.

E veremos o que acontece.

Mas se me permite um conselho,

não deixe também de considerar a possibilidade de voltar a Portugal.

E reivindicar o seu trono que foi usurpado por Dom Miguel.

E entregar o Brasil aos jacobinos?

É preciso escolher o que é menos pior.

♪ Suspense ♪

[Passos de cavalo]

[Gonçalves Ledo] Logo ao chegar a Minas Gerais,

D. Pedro percebeu que seu plano de restaurar sua popularidade

através do povo mineiro não iria dar certo.

O defensor perpétuo da pátria já não era mais reconhecido pelo povo

naquele monarca impopular.

♪

♪

Arrebita se sentia pronto para fazer o que fosse necessário

para ver D. Pedro derrotado.

Um português lutando por um país que não era seu de nascimento.

O Brasil quer ser monárquico constitucional.

E jamais sofrerá que um “ladrão coroado”

se sente no trono que a nação ergueu

para assento de um monarca constitucional.

[Gritaria] [Protesto]

[Gonçalves Ledo] Três meses após ter partido para Minas Gerais,

D. Pedro retornou derrotado em meio a rumores

de que já pensava em abdicar do trono.

Somente os que ainda desejavam mantê-lo no comando do Brasil

eram os portugueses,

que defendiam o absolutismo real, livre do parlamento.

E esses resolveram agir para homenagear o imperador decadente.

Evaristo! Sai da casa! [Batidas na porta]

Evaristo!

O que vocês querem?

Estamos comemorando a volta do Imperador.

E o que há para se comemorar neste malefício?

O povo leal à coroa colocou luminária em frente às suas casas.

Acendeu fogueiras.

Sim, colocarei luminárias, acenderei fogueiras,

subirei nas torres das igrejas e tocarei os sinos.

Vou até disparar canhões nas fortalezas.

Mas isso só no dia que Brasil estiver livre desta quadrilha de bandidos

que tomou o poder e faz sofrer o povo que nestas terras nasceu!

[Ruídos da natureza] [Chirriar de coruja]

[Estilhaços]

Ponhas luminárias, Evaristo. - Não ponho!

[Gritaria]

[Estilhaços]

O que é isso?

[Batida de porta] Cuidado!

[Gritos]

♪ Melodia dramática ♪

[Pancada] [Estilhaços]

♪ Melodia dramática ♪

[Golpe]

[Grito]

[Estilhaços]

♪ Melodia dramática ♪

[Tiro]

[Tiro]

♪ Melodia dramática ♪

♪ Melodia dramática ♪

♪ Melodia dramática ♪

♪ Melodia dramática ♪

[Falatório]

Brasileiros!

Povo brasileiro!

O imperador se mostra intransigente

diante de nossas reivindicações.

E se recusa a tomar providências contra os portugueses

que nos atacaram na Noite das Garrafadas.

E assim sendo, autoriza nossa vingança por todos os meios

que possam restaurar o nosso brio e nossa honra que foram maculados.

[Todos] Morte ao Imperador!

[Algazarra] [Protesto]

Ele se recusou a receber a nossa comissão

e nos enviou esta proclamação

para nos enganar

e para continuar a nos explorar.

Ele vai ver o que fazemos com seus decretos.

[Gritos]

[Gritaria] [Protestos]

Brasileiro! Brasileiro!

[Gritaria] [Protestos]

♪

Majestade.

Chegou a hora.

Onde estão meus soldados?

Estão com o povo no Campo de Santana.

O palácio está completamente desguarnecido. Devemos ter pressa.

O Major Miguel levou sua carta aos revoltosos,

mas a reação deles é imprevisível.

Os diplomatas da França e da Inglaterra estão

aguardando para acompanhá-lo até o cais.

♪ Melodia dramática ♪

Te confio meu tesouro mais precioso, Bonifácio.

Cuida bem dele. Cuida das minhas filhas também.

Não se preocupe, Majestade. Será feito conforme sua vontade.

Agora vamos, precisamos ir.

[Choro]

♪

Deputado Evaristo.

Sou eu.

Ele me pediu que lhe entregasse essa carta. Não a rasgue.

O que está escrito aí mudará a história de nosso país.

[Pigarro]

Meus amigos. Meus irmãos.

Eu tenho um comunicado importante do Imperador aqui em minhas mãos.

“Usando do direito que a constituição me concede...”

♪

[Dom Pedro] “nomeio tutor de meus amados filhos o muito probo,

honrado e patriótico cidadão,

o meu verdadeiro amigo José Bonifácio de Andrada e Silva.

Assim sendo, declaro que hei muito voluntariamente

abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho,

o Senhor D. Pedro de Alcântara.”

“Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um,

décimo da independência e do Império. Assinado: Pedro”.

Viva Dom Pedro II!

Viva! Viva!

[Comemoração]

Finalmente vencemos.

Ainda é cedo para festejar.

Então seremos governados por uma criança?

Sim, mas precisamos agir rapidamente.

Vamos convocar todos os senadores e deputados

que estão no Rio de Janeiro.

É urgente dar forma legal para a sucessão.

Vamos eleger três regentes para governar o país

durante a menoridade do imperador. Mas temos que fazer isso já.

Vamos! Vamos!

♪

[Gonçalves Ledo] Bonifácio acolheu Ana do Congo na Quinta da Boavista,

onde cumpriria sua missão de tutor do pequeno príncipe.

Eu me sentia cansado.

Pronto para deixar a cena política e ir cuidar de minha fazenda.

Mas com a certeza de ter cumprido o meu dever de patriota,

sem nunca ter sido pesado ao meu país.

O Brasil caminhava para um futuro magnífico onde todos,

sem exceção de raça, credo ou origem,

teriam igualdade de direitos e oportunidades.

Eu já podia descansar.

♪

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