All language subtitles for Brasil.Imperial.S01E04.Episodio.04.720p.AMZN.WEB-DL.DDP2.0.H.264-NTb_track4_[por]

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Original subtitles

♪

♪ Berimbau ♪ [Palmas ao fundo]

♪ Chama eu, chama eu ♪

♪ Chama eu, Angola, chama eu ♪

♪ Chama eu, chama eu ♪

♪ Chama eu, Angola, chama eu ♪

♪ Chama eu, chama eu ♪

♪ Chama eu, Angola, chama eu ♪

♪ Chama eu, chama eu ♪

♪ Chama eu, Angola, chama eu ♪

♪ Berimbau ♪ [Palmas ao fundo]

♪ Suspense ♪

O que vosmicê conseguiu?

Elias Antonio ofereceu uma recompensa a quem informar teu paradeiro.

O que mais?

O intendente de polícia disse que te capturar é questão de honra.

Pelo que parece, até agora não faz ideia de onde fica o quilombo.

Precisas tomar cuidado, Manoel. Paulo Fernandes não terá piedade.

Não somos acostumados com piedade de ninguém, português.

Quanto menos de branco como vosmicê.

Manoel,

não precisas me comparar a homens como Elias e Paulo Fernandes.

Serei eternamente grato pelo que fizeste pela minha Ana.

Estou juntando minhas patacas para comprar a liberdade dela

e espero poder te recompensar também.

Preto tem que casar com preto.

Os brancos nunca entenderão nosso sofrimento.

Por que vosmicê não escolhe uma branca para se casar?

Na casa da rainha não tem uma sinhá que te interesse?

Sei que não acreditas na sinceridade de meus sentimentos.

Mas nenhuma sinhá branca tem mais valor para mim do que minha Ana.

Se ela acredita em vosmicê, é o que importa.

Aqui os pretos têm liberdade de escolha.

Mas vosmicê tome cuidado,

que os brancos não aceitarão seus planos como nós.

♪ Berimbau ♪ [Palmas ao fundo]

♪ Berimbau ♪ [Palmas ao fundo]

♪ Berimbau ♪ [Palmas ao fundo]

♪

Branco é homem bom.

Mas vosmicê...

tem sempre um fuzuê

perseguindo vosmicê.

Vosmicê precisa de ajuda.

Eu vou ajudar vosmicê.

Eu vou proteger vosmicê.

♪

[Tiros]

[Gritos]

[Tiros] [Gritos]

Matem todos!

[Golpes] [Pancadas]

[Gritos ao fundo]

♪

Este eu quero vivo.

[Risada maliciosa]

♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

[Marulho]

[Gemidos suaves]

Como está a perna, Majestade?

Ainda doendo e inchada, Araújo.

Vossa Majestade tem tomado os banhos na praia do caju,

conforme as orientações médicas?

Nem me fale disso, Araújo.

Outro dia eu quase fui mordido por um caranguejo.

[Risos]

Maldito carrapato.

Como pode um bichinho tão pequeno me causar tamanho sofrimento?

Acho que os carrapatos e os caranguejos brasileiros

não reconhecem a autoridade da casa dos Braganças.

[Risos]

É verdade, Araújo. É verdade.

Ai!

Mas então, Araújo, como foi o funeral?

Triste, Majestade.

Uma lástima, Araújo, uma lástima.

Dom Fernando sempre foi fiel à coroa.

Morrer na penúria, sem ao menos ter recurso para pagar o seu enterro.

Não, ele não merecia essa sorte.

É verdade.

Foi-se um homem bom. Restam poucos como ele.

E tu, Araújo, também precisas cuidar de tua saúde,

vou precisar mais de ti agora. E sei que não andas bem de saúde.

Os anos chegam para todos, Majestade.

O que temos para hoje?

A situação de Pernambuco piorou.

A insubordinação dos oficiais do exército não foi contida

e o governador fugiu com a família.

Covarde.

A situação está fora de controle, Majestade.

Os comerciantes portugueses que tentam fugir estão sendo abatidos.

Por negros livres e escravos. Armaram-se de picas e machados.

As informações que nós temos são que os conspiradores

estão ligados às atividades obscuras dos maçons.

Estão tentando derrubar a monarquia, tornarem-se independentes.

Maçons...

Devíamos ter acabado com eles em Portugal, Araújo.

Temos que esmagar essa revolta, antes que essas ideias se espalhem.

Mandaremos uma grande força militar para Pernambuco.

Majestade, eu vou ver o que podemos fazer.

Mas grande parte das nossas tropas estão concentradas na Banda Oriental.

Estamos com os pagamentos de víveres e soldos atrasados.

Isso não importa, Araújo. Eu sou o Rei, guardião da coroa.

Não posso permitir esse tipo de desobediência.

Falem com Joaquim Azevedo, vamos ao Banco do Brasil.

Derretam moedas de prata para multiplicá-las.

Não me importa o que façam, Araújo, mas liquidem nossas dívidas.

Está bem, Majestade, eu vou falar com Azevedo.

E os marqueses, os condes, os viscondes, os duques,

a quem agraciei com as minhas honrarias?

É hora deles mostrarem mais gratidão à coroa,

que aumentem suas doações.

Nossas tropas têm que partir imediatamente para Pernambuco.

Sim, Majestade.

O que mais, Araújo?

A pressão para sua volta à Portugal

continuam chegando em forma de cartas e publicações vindas da Europa.

Umas dizem até que Vossa Majestade abandonou nosso povo à miséria.

Um dia entenderão que o que fiz foi garantir a independência de Portugal.

Precisamos providenciar a aclamação de Vossa Majestade e da Rainha Carlota.

Tudo a seu tempo, Araújo.

Precisamos é realizar o casamento de Pedro.

Como andam os preparativos?

As reformas do Palácio de São Cristóvão estão adiantadas.

A missão artística francesa trabalha na decoração dos Arcos do Triunfo.

E Paulo Fernandes está cuidando da beleza da cidade,

conforme Vossa Majestade ordenou.

Excelente, Araújo. Precisamos causar boa impressão à minha nora.

E Paulo Fernandes?

Conseguiu finalmente capturar o preto do quilombo?

Sim, Majestade, o quilombo foi destruído.

Uma preocupação a menos.

Mas, Majestade, sobre o casamento,

ainda há aquele problema para resolver.

Que problema, Araújo?

A dançarina francesa.

Ah, um neto bastardo!

Se já não me bastassem tantos problemas.

Araújo, nunca digas que já passaste por tudo nessa vida.

Mas isto Carlota vai resolver. Já está decidido.

Há também os ingleses. Continuam pressionando

para que o tráfico de escravos seja abolido no Brasil.

E como Vossa Majestade bem sabe, essa decisão ofenderia

a opinião dos comerciantes e proprietários brasileiros.

Além de exaltar a imaginação dos negros.

A revolta de São Domingos ainda está muito fresca na memória do povo.

Faremos o seguinte.

Promulgarei uma lei proibindo a marcação a ferro nos pretos.

E imporemos limites ao número de escravos transportados por navio.

Talvez isso diminua o número de mortos na travessia do Atlântico

e satisfaça os ingleses, pelo menos por enquanto.

Mas tens aí o desenho do novo pavilhão da Quinta?

Sim. Veja, Majestade.

As varandas serão feitas de ferro fundido e darão vistas para a Baía.

Bom, Araújo.

[Gonçalves Ledo] Dom Pedro sabia que em breve estaria casado

com uma desconhecida.

Mas não parecia nem um pouco disposto a abrir mão de sua irreverência

e muito menos de suas aventuras amorosas.

♪

Noémy Thierry foi despachada para o Nordeste,

onde o filho de Dom Pedro nasceria morto.

A francesa não teve como resistir à pressão da corte.

As ordens de Carlota Joaquina foram mais do que claras.

Ela recebeu um bom pagamento do Tesouro Real e partiu.

♪

Dom Pedro ficou furioso ao saber que não veria mais Noémy.

Mas de nada adiantou esbravejar.

Mais uma vez teria que aceitar as determinações de Dom João

e se resignar aos interesses da coroa.

♪

Quanto tempo mais?

Pouco. Eu vou encontrar uma solução.

Se me descobrirem aqui, vosmicê vai se dar mal e eu também.

O que queres que eu faça, que te entregue ao Paulo Fernandes?

Eu não tenho outra saída por enquanto. Basta que não saias deste quarto.

Ninguém pode te ver, entendeste?

Não acredito que estou presa novamente.

Pelo menos na casa do Senhor Elias eu podia ver a luz do sol.

Queres voltar para ele, é isso? Estás com saudades daquele imundo?

Olha, vosmicê não fala assim comigo porque não sou sua escrava... ainda.

Quando vosmicê me comprar, como vive dizendo,

vai poder me ofender o quanto quiser. Se é que isso vai acontecer.

Eu senti o cheiro da liberdade, Arrebita, e te agradeço por isso.

Mas durou pouco.

E agora estou aqui. Cativa novamente.

Me desculpa, Ana.

Me desculpa.

Estou angustiado demais com essa situação,

mas precisas ter um pouco mais de paciência.

Que paciência, Arrebita?

Eu hei de encontrar um jeito de tirá-la daqui

e te levar para um lugar seguro.

Por enquanto precisas ficar aqui.

Trago-te água e comida assim que eu puder.

Eu me lembro quando te vi pela primeira vez na casa do Joaquim.

Me lembro quando conversamos

e do jeito como riste quando te falei meu nome.

[Risos]

Arrebita...

Me lembro de cada vez que nos deitamos,

e não será para te ofender que tenho lutado por ti, Ana.

Temos que estar unidos para vencer essa situação.

Confias em mim?

Eu já perdi de tudo nessa vida.

E não me esqueço de cada momento que vosmicê me falou.

Eu não quero que eles acabem, não.

Arrebita.

Ai, Arrebita!

♪

[Batidas na porta]

Senhor Presas.

Mas que diabo pensas que estás fazendo?

Nada, Senhor Presas, eu estava me aprontando.

- Só me atrasei um pouco. - Não é disso que estou falando.

- Não? - Não. Claro que não!

Deixaste a Rainha esperando ontem à noite.

Ela está furiosa contigo!

Senhor Presas. Achei que não ficava bem

um funcionário no quarto da Rainha à noite.

E que seria mais prudente que ela me ditasse a carta hoje de manhã.

No salão.

Arrebita, não te faças de ingênuo, Arrebita!

Não, senhor.

Sabes muito bem qual é a carta que a Rainha quer te ditar

e não será no salão, diante de todos, que ela fará isso.

Não, senhor. Não, senhor. Não. Não será.

Mas é que eu não estava me sentindo bem, Senhor Presas,

eu estava com uma indisposição.

- Arrebita. - Sim, senhor.

- Deixa eu te dar um conselho. - Sim, senhor.

Carlota Joaquina escolhe aqueles que vão para sua cama

- e não gosta de ser contrariada. - Não, senhor.

Não importa se é um almirante inglês ou um rico fazendeiro...

Sim, senhor.

- Ou um serviçal do palácio. - Sim, senhor.

Aquele que não ceder aos seus apelos sofrerá com a sua ira.

E eu acho que não vais gostar nada

de ver a Rainha Carlota irada para o teu lado.

- Podes ter certeza do que te digo. - Não, senhor.

- Apressa-te! - Sim, senhor.

A primeira coisa que me perguntou hoje foi por ti.

Sim, já estou indo, senhor. Já estou indo.

Já estou indo, senhor. Já estou indo.

Gostas de trabalhar para mim, Antonio?

Sim, Majestade. Gosto muito.

Sou muito grato à Vossa Majestade pela oportunidade que me foi dada.

Sabes qual é a pior posição para um homem no Rio de Janeiro?

Pior até do que dos pretos escravos? A de um branco sem trabalho.

Os pretos de ganho, os forros, esnobam um branco sem renda.

Até os pretos cativos têm melhor sorte

que um branco sem trabalho nessa cidade.

Ao menos eles recebem a comida que seu dono dá.

Para um branco sem função, só resta a morte na miséria,

sabes disso, Antonio?

Sim, Majestade.

Me achas feia?

- Vamos, responda! - Não, Majestade.

Vossa Majestade é uma mulher imponente e muito bem afeiçoada.

Com todo o respeito.

Por acaso és maricas?

Não, Majestade.

Disseram-me que tens esse apelido, Arrebita,

por causa do teu jeito afoito com as mulheres.

Trouxeste essa alcunha de Portugal, não é mesmo?

Sim, Majestade. Creio que seja verdade.

Entonces que mierda estás haciendo? Esperei-te ontem em meu quarto.

Mil perdões, Majestade, eu não me sentia bem ontem.

Mentira! Já me evitastes outras vezes.

Não tens amor ao teu emprego, Antonio?

Te achas melhor que eu? Uma Bourbon, tua Rainha.

Não, Majestade, não é isso.

Podes arrumar tuas coisas.

Pega com Presas o que tens a receber e desaparece das minhas vistas.

Majestade, eu lhe suplico. Deixe-me explicar.

Explicar o quê, Senhor Arrebita?

Majestade, com todo o respeito, digo que Vossa Majestade

é uma mulher admirada e temida por muitos.

E para qualquer homem no Reino, estar em seu quarto

e desfrutar de sua companhia seria uma grande honra.

Além de um enorme prazer.

Para mim não seria diferente, em outras circunstâncias.

Que circunstâncias são essas que te fazem desobedecer

a um chamado da tua Rainha?

Majestade, temo ofendê-la com minhas justificativas.

Mas...

Mas quem fala a verdade não merece castigo.

E pelo respeito que tenho por Vossa Majestade,

nada além da verdade posso lhe dizer.

Sei que a senhora vai me considerar um tolo, mas...

Mas o meu coração pertence a outra mulher.

Eu não estaria à altura de Vossa Majestade

com meu pensamento fugindo a todo instante para fora de vossa cama.

Entendo que assim

eu estaria desrespeitando muito mais a Vossa Majestade.

Não te considero um tolo, Antonio.

Embora não seja o que dizem de mim por aí, também tenho um coração,

e reconheço a tua sinceridade. Podes ir.

Mas, Majestade, devo deixar o palácio?

Como disseste, quem fala a verdade não merece castigo.

Vamos esquecer o que conversamos aqui.

Por enquanto, prossegue com o teu trabalho.

Espero que essa mulher seja merecedora de tanto amor e fidelidade.

Mas não te enganes, Antonio, o amor traz dor e sofrimento.

E um homem enamorado como tu tem muitos pontos fracos.

Vai, volta ao trabalho.

Muito obrigado, Majestade. Com sua licença.

[Passos]

♪

[Falatório]

♪ Suspense ♪

Isso...

Isso é realmente necessário, Paulo?

O que está acontecendo, Joaquim? Estou te desconhecendo.

Não sei por quanto tempo essa situação se sustentará.

Desde que o Congresso de Viena aprovou a proibição

do tráfico negreiro ao norte do Equador, as pressões só aumentaram.

Esse tipo de espetáculo só faz piorar a nossa impopularidade.

Queres ser popular, Joaquim?

Quem cozinhará para ti e lavará tuas roupas?

Quem deslocará as cargas no porto, te trará água

e esvaziará o teu urinol?

Ou tu achas decente um branco como nós fazer tais serviços?

Eu só digo que não há necessidade de nos expormos dessa maneira.

Dom João não conseguirá enganar o resto do mundo por muito tempo,

enquanto esse tipo de carnificina

continuar a ser praticada a céu aberto.

Se não tomarmos uma providência

a abolição da escravidão será inevitável.

Não é bem assim, Joaquim.

O Brasil não funcionaria sem o braço escravo.

E esse está recebendo tudo o que merece.

Assim os outros pensarão mil vezes

antes de se rebelarem contra os seus senhores.

E por falar nisso, Paulo.

Quando terei minha Ana do Congo de volta?

Tenha calma. Ela não me escapa.

Deve estar escondida em algum lugar. Eu vou encontrá-la.

Os senhores se julgam muito espertos, não é mesmo?

Não conseguem deduzir onde a escrava está?

Nada me parece tão óbvio.

O que queres dizer, Joaquim?

Por acaso sabe onde está a escrava de Elias?

Saber, eu não sei.

Mas cabeça não é só pra usar chapéu, caros senhores.

♪ Berimbau ♪

♪ Berimbau ♪ [Falatório ao fundo]

♪ Berimbau ♪ [Falatório ao fundo]

[Homem ao fundo] Misericórdia! Misericórdia! Ele é inocente!

Misericórdia! Salvai esse homem!

♪ [Gritaria ao fundo]

Em nome do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves,

por ordem do intendente geral de polícia,

e pelos seus muitos crimes cometidos,

está sentenciado o escravo chamado Manoel,

a receber 50 chibatadas e a ser enforcado em praça pública.

Seu corpo fica exposto e que sirva de exemplo

aos que ousem desobedecer a autoridade da coroa.

[Gritaria ao fundo]

♪ Melodia dramática ♪ [Gritaria ao fundo]

[Ruído de madeira] [Tilintar de corrente]

♪ Berimbau ♪ [Gritaria ao fundo]

♪ Berimbau ♪ [Gritaria ao fundo]

♪

[Farfalhar de folhas]

[Marulho] [Canto dos pássaros]

♪ Melodia suave ♪

♪ Melodia suave ♪ [Falatório ao fundo]

♪ Melodia suave ♪ [Falatório ao fundo]

A arquiduquesa da Áustria e filha do Imperador Francisco I,

Maria Leopoldina Josefina Carolina de Habsburgo e Lorena.

Princesa Real de Hungria e da Boêmia.

Bem-vinda, minha filha, a este que será o seu novo reino.

A felicidade de meu filho está assegurada.

Assim como a dos meus povos que te terão um dia como Rainha.

Que sejas uma boa filha e uma boa mãe.

[Gonçalves Ledo] O casamento de Leopoldina e Dom Pedro

foi realizado por procuração em Viena,

e seis meses depois ela colocou seus nobres pés no Rio de Janeiro.

A Princesa chegou entusiasmada

com as visões românticas que tinha do Brasil.

Dona Leopoldina era extremamente culta e passaria a viver em uma terra

que até bem pouco tempo não possuía uma única universidade.

Para os olhos mais atentos, ficaria evidente

que esse casamento arranjado não era um encontro de almas gêmeas.

Mas, pelo menos, diferente de Arrebita e Ana do Congo,

eles teriam liberdade para viver a sua união.

Solta-me, solta-me! Tira as mãos de mim!

Estás enrascado, rapaz. Passarás o resto dos teus dias a ferros.

Vamos!

Vamos! Vamos!

[Arrebita] Ah! Aah! Solta! Solta-me!

Ah!! Ah!!

E tu, preta?

Pensavas que me enganarias por quanto tempo?

Ousaste invadir a casa da Rainha para esconder-te com teu amante.

És mesmo uma vagabunda, como diz Elias Antonio.

[Cuspe]

[Tapa] Não!

[Pancada] [Tosse]

Sei como te domar, égua xucra.

Vamos!

[Gritos] [Ofegante]

Me solta! Me solta!

[Gritos]

♪ Melodia dramática ao fundo ♪

[Gemidos ao fundo] [Choro]

[Grito ao fundo] [Choro baixo]

[Arrebita] Não! Não!!

[Gemidos de dor] [Choro]

♪ Melodia dramática ♪

O que está acontecendo aqui?

Majestade.

Não me estás vendo, Paulo Fernandes?

Por acaso és cego? Ajoelha-te, vamos.

Estás diante de tua Rainha. Vamos, ajoelhem-se todos!

Podem levantar-se.

Presas, o que o intendente de polícia e seus soldados fazem em minha casa?

O senhor intendente encontrou essa preta

escondida no quarto de Antonio.

Eu não sei há quanto tempo ela estava lá.

Saiam imediatamente daqui!

Não autorizei nenhum açoite em minha propriedade!

Mas, Majestade, essa preta pertence ao comerciante Elias Antonio.

Seu serviçal ajudou-a a fugir e colaborou com os pretos do quilombo.

Todos devem ser punidos mediante a lei.

Elias Antonio, aquele lambe botas de Dom João?

Tudo que está em minha propriedade me pertence, senhor Fernandes.

Essa escrava não é diferente.

Trabalhará para mim junto com as outras pretas.

Me perdoe, Majestade, mas o meu dever--

Teu dever é obedecer à tua Rainha.

Pega teus soldados e vai-te embora.

Não voltes mais a invadir a minha casa sem o meu consentimento.

E diz ao Elias Antonio que pagarei por ela o preço que ela vale.

Me perdoe, Majestade, mas Dom João não gostará nada de ouvir isso.

E esse alcoviteiro de pretas deve ser responsabilizado pelos seus atos.

Pensas que tenho medo de Dom João,

ou de ti, ou de qualquer um nessa terra maldita.

Não abuses de minha paciência, senhor intendente de polícia.

Uma ordem minha pode acabar com a tua carreira

e com os negócios desonestos

que tu e tua corja praticam na administração da corte.

Não sou idiota como Dom João.

E sei como tu, Elias Antonio e tantos outros corruptos

têm enriquecido e manipulado o Rei.

A mim não enganas.

Pode acreditar, senhor intendente, não gostarás de me ter como inimiga.

Pega teus soldados e não voltes mais aqui.

Nem incomodes mais meus criados.

Entendestes, senhor Fernandes? Ou precisarei ser mais clara?

Entendi.

Vamos, homens!

Com licença, Majestade.

[Choro baixo]

Presas, coloca-a junto das outras. E pelo amor de Deus,

providencie um banho para ela e roupas decentes também.

Sim, Majestade.

Vamos, mulher, levanta-te. Vai fazer o que mandei!

Ora, ora, ora, senhor Arrebita. Então era esse o seu segredo?

Majestade! Eu serei grato e fiel por toda a minha vida.

Disponha de mim da maneira como Vossa Majestade quiser.

Eu darei a minha vida se a senhora me pedir.

[Choro]

Não podes mais ficar aqui.

Aquele estafermo do Paulo Fernandes vai contar tudo ao Dom João.

Não quero que o Rei tenha ideias do porquê ajudei a ti e a tua preta.

Vou te dar uma carta, tu vais procurar por Luís Marrocos na Real Biblioteca.

Ele te conseguirá um trabalho por lá.

Não te esqueças: um homem apaixonado é um imbecil.

Mas um amor verdadeiro é raro e merece admiração.

♪

♪

♪

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