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Baseado na obra de J�lio Verne
Adapta��o e Argumento
M�sica
Um filme de
A FUGA
Acusado pelo Czar Alexandre II de atravessara Sib�ria em revolta
para se juntar ao Gr�o-Duque Dimitri amea�ado em Irkoutsk,
o Comandante Michel Strogoff
desmascarado pelos espi�es de Ivan Ogareff um dos chefes rebeldes,
v�-se perseguido como um animal.
Separado da sua companheira Nadia, prisioneira dos T�rtaros,
tenta escapar aos seus perseguidores
e consegue faz�-lo, at� ao dia em que,
apanhado entre as tropas de Ogareff e de Feofar Khan, seu aliado,
prestes ajuntarem-se,
Strogoff � feito prisioneiro por este �ltimo.
Feofar, por�m, ignora a sua verdadeira identidade.
Mas n�o por muito tempo, porque a chegada do ex�rcito de Ogareff
embora permita ao Correio do Czar reencontrar entre os prisioneiros
a sua m�e e Nadia,
vai tamb�m permitir-lhe encontrar o seu inimigo figadal.
N�o consegue impedir este de se apoderar do precioso selo imperial,
que permitir� posteriormente a Ogareff fazer-se passar,
perante o Gr�o-Duque Dimitri, pelo verdadeiro enviado do Czar.
Quanto a Strogoff entregue por Ogareff � crueldade de Feofar Khan,
� condenado por este �ltimo a um supl�cio extraordin�rio.
perante as tropas reunidas numa festa b�rbara,
cegam Strogoff com um sabre em brasa
aproximado dos seus olhos.
N�o. N�o tentes mexer-te.
- Nadia. - Sim.
Sim.
Deixaram-me ficar contigo.
Nunca mais te deixarei.
Porque fizeste isso?
Devias ter fugido.
Perdoa-me ter duvidado de ti.
Eu n�o sabia.
Eu n�o sabia.
O que � que tu n�o sabias?
Quem tu eras.
Isso agora n�o tem import�ncia.
Os meus olhos.
Os meus olhos.
Nunca mais verei a luz do dia.
Est�s vivo, Michel. � isso que importa.
Onde est� a minha m�e?
Onde est� ela?
A minha m�e?
Tu sabes!
Fala!
A Marfa est� morta.
Porque me deixaram viver?
N�o tens direito de falar assim, Michel.
J� esqueceste a tua miss�o?
N�o cumpri a minha miss�o.
Irkoutsk.
N�o cumpri a minha miss�o.
- Nadia, foi um fracasso. - N�o. Ainda n�o, Michel. N�o.
Um inv�lido.
Cego.
Sem for�as.
Um in�til.
Deixa-me.
Tu, a falares assim?
O homem que matou um urso com as pr�prias m�os?
Que atravessou rios, escalou montanhas?
O homem que ningu�m jamais conseguiu desviar do seu caminho?
N�o, Michel. N�o.
N�o percorreste quatro mil verstas para parares agora,
quando est�s t�o perto do teu objectivo.
J� n�o tenho for�as.
Eu dou-te for�as.
Restam-me muitas for�as para n�s dois.
Eu guio-te, eu serei...
Eu serei os teus olhos.
Juntos, chegaremos a Irkoutsk antes de Ogareff. Prometo-te, Michel.
Primeiro temos de encontrar um meio de sair daqui.
Vamos!
Talvez sejam dos nossos.
O que se passa?
As tropas russas apoderaram-se de surpresa da artilharia.
- E de onde sa�ram essas tropas? - E imposs�vel saber.
E onde est� Ogareff?
Est� a reunir os homens para tomar a colina de assalto.
Diz aos comandantes para selarem os cavalos.
Ivan Ogareff quer que prepares a defesa do acampamento,
caso os Russos o decidam atacar.
Ele ousa dar-me ordens?!
Boa ideia, n�o sabemos o que se passa.
Todos em estado de alerta!
Dupliquem os postos! E armem as defesas!
Ent�o?
As tropas de refor�o est�o atrasadas. Chegam daqui a tr�s ou quatro horas.
� imposs�vel resistir durante tanto tempo.
Os T�rtaros contra-atacam. O que aconteceu?
Um erro de liga��o entre as duas colunas
fez com que elas escapassem por pouco no rio Tom.
At� parece que Deus as ajudou.
Eu tinha raz�o para nada recear. Ogareff deteve-os.
N�o h� um �nico russo vivo, Coronel Ogareff.
�ptimo.
- Tivemos muitas baixas? - N�o. Os inimigos eram poucos.
Deviam ter outro truque na manga.
Tirem todos os n�meros de regimento dos cad�veres
e enviem patrulhas em todas as direc��es.
Um ex�rcito significativo foi visto nestas paragens.
Perfeito.
Vou receb�-los � minha maneira, � maneira dos guerreiros t�rtaros.
Ent�o, Tadjiss?
Que cara � essa?
- O Michel Strogoff desapareceu. - O qu�?
Uma explos�o destruiu a parede da casa onde eles estavam presos.
- Na confus�o da batalha, fugiram. - Desgra�ados!
V�o no encal�o deles, r�pido.
Quero o Michel Strogoff vivo, custe o que custar.
Desce da�!
Vamos!
Continuemos! Voc�s, v�o por ali!
Vamos parar, Nadia.
Deves estar cansada.
N�o. Temos de continuar. N�o nos podem apanhar.
N�o, Nadia.
Tudo isto � in�til.
Eles deslocam-se mais depressa do que n�s.
Michel, Michel, Michel.
Se tamb�m tiver de lutar contra ti, as minhas for�as esgotam-se.
Espera.
- Acho que h� outro meio. - Qual?
A muitos quil�metros a norte daqui
vamos encontrar um planalto
inacess�vel e �rido.
Se conseguirmos alcan��-lo,
creio que n�o nos seguir�o.
Estaremos s�os e salvos.
Se tiveres for�as, temos de ir.
Sim. E de l� poderemos tomar um caminho que nos leve a Krasnoiarsk.
Mas para l� chegar temos de atravessar uma estepe,
sem nenhuma nascente.
Mas � a nossa �ltima oportunidade.
Encontraram-nos?
Ainda n�o, Takhsire.
Uma mulher e um cego.
A vinte verstas daqui pass�mos a regi�o a pente fino.
T�m de duplicar as patrulhas!
- Tens de encontr�-los. - Sim, Takhsire.
Para que serve gritar e fazer tanto barulho agora?
Mais valia ter matado o Strogoff enquanto era poss�vel.
E porqu� tanta obstina��o em apanh�-los agora?
� preciso apanh�-los, Ivan. Trata-se do nosso futuro.
N�o exageremos, Sangarre.
Cego, sem o selo imperial,
o Strogoff j� n�o representa nenhum perigo para n�s.
Ser� apenas no dia em que o seu cora��o deixar de bater
que ele n�o representar� mais nenhum perigo para n�s.
O que se passa?
� imposs�vel continuar.
Nunca conseguiremos.
- N�o h� outra passagem? - N�o.
E tu, serias capaz?
Sim.
Sim, talvez.
Mas precisaria das duas m�os.
N�o te poderia ajudar.
N�o disseste que serias os meus olhos?
Disse, claro.
Disse, mas...
S� os meus olhos.
A tua m�o direita um pouco mais para cima.
Isso.
N�o, mais � esquerda. Isso.
Agora o teu p�. Mexe o p�. Isso.
Por a�. Ajuda com o bast�o.
Por a�, sim. Isso mesmo.
Devagar. Devagar.
Isso. Muito bem.
Continua.
Isso.
D�-me a m�o.
For�a. Isso.
Aguenta.
Isso, por a�. Muito bem. Continua.
N�o, mais � direita! � direita!
Cuidado!
- Pronto. - D�-me a m�o.
J� te agarrei. For�a.
Conseguimos. Vem, Michel.
N�o posso mais. J� n�o tenho for�as.
Porque n�o me disseste? Vamos descansar.
O sol est� a p�r-se.
O sol...
Anda, est� ali um arbusto. Vamos abrigar-nos l�.
Se ao menos tiv�ssemos comida...
Este arbusto
tem folhas verde-escuras
e pequenas bagas?
S�o vermelhas?
- Sim, s�o vermelhas. - Ent�o, podemos com�-las.
- O que � aquilo? - O qu�?
N�o sei. Parece um embrulho.
O que �?
Qualquer coisa embrulhada num pano. Que estranho.
Pareceu-me...
Eu sabia que uma pessoa se tinha aproximado.
Uma pessoa?
Sim, ouvi-a.
Fez barulho.
� comida.
E essa...
- Essa pessoa n�o disse nada? - N�o, nem uma palavra.
Primeiro, pensei que eras tu,
mas depois a pessoa foi-se embora, naquela direc��o.
N�o era ningu�m hostil,
caso contr�rio n�o nos teria trazido p�o.
� estranho.
Talvez...
Talvez essa pessoa nos possa ajudar.
Bem que precis�vamos de ajuda.
Temos de a encontrar.
Algu�m passou aqui.
Estamos no bom caminho.
Os latidos v�m daquela direc��o.
O que querem?!
Agradecer-lhe! Agradecer-lhe o p�o!
N�o se aproximem!
Mais valia ter-vos deixado morrer de fome.
� o meu trabalho que vos interessa?
Tudo isto me pertence.
N�o vos deixaria denunciar-me a ningu�m.
Denunci�-lo?
Mas a quem e porqu�?
Podem dizer-me o que fazem aqui?
Fugimos dos T�rtaros.
- Dos T�rtaros? - Sim.
E o senhor devia fazer o mesmo. Tem uma carro�a?
Isso s�o hist�rias.
Pagamos-lhe a viagem.
N�o acredito nessa hist�ria de invas�o t�rtara.
� uma mentira. N�o vou sair daqui.
Engana-se.
Vai perder o pouco ouro que encontrou.
N�o tenho ouro nenhum.
N�o percebo o que querem.
Eu sei o que tenho de fazer!
Como queira.
Onde fica o caminho para Krasnoiarsk?
Ali.
- Est�s a v�-lo bem, Nadia? - Estou.
V�o para o diabo que vos carregue!
V�o-se embora! Deixem-me em paz!
- Porque falaste no ouro? - N�o viste o lavadouro?
H� ouro aqui?
Espera.
H�, pois. E o Estado tem o monop�lio.
Para aqueles que infringem o monop�lio, a puni��o � severa.
Ent�o, por que raz�o o infringem?
Os mineiros t�m uma vida t�o dura
que s�o quase obrigados a faz�-lo.
Pobres diabos.
Verdade seja dita,
aquele homem n�o tinha ar de m� pessoa.
Voc�s os dois, subam!
Vamos!
Disseram a verdade quando falaram dos T�rtaros.
Sim.
Vi a coluna deles na plan�cie.
Foram eles que o cegaram, com certeza.
Ent�o?
Os destro�os do ex�rcito russo fugiram em direc��o ao norte.
Perfeito. Vamos persegui-los.
Housbir, leva toda a cavalaria e que nenhum russo escape.
- Vens, Ogareff? - N�o.
Vou voltar ao acampamento para preparar a partida para Irkoutsk.
Vais fazer-te passar pelo verdadeiro Correio do Czar?
Sou meio russo.
- Quando vais deixar-nos? - Amanh�.
A partir de amanh�, no Lenisser, prepara-te para ver os T�rtaros.
Enviei para l� o Tarass Khan que chegou do sul
e nos vai abrir caminho.
Diz-lhe que estarei l� daqui a dez dias, o tempo de acabar com os outros.
Eu digo-lhe.
Quando chegar a Irkoutsk, a Sangarre far� a liga��o entre n�s.
Como podes confiar numa mulher?
Boa sorte.
Vamos!
Est� tudo pronto?
Tenho de partir j�.
O que se passa?
Tenho um pressentimento de que isto vai correr mal, Ivan.
- Pensa melhor. - O que receias?
Que sei eu?
Estou rodeada de for�as hostis.
A fuga de Michel Strogoff. J� para n�o falar de Feofar Khan.
Desconfia dele, Ivan.
Sabes que o Strogoff me inspira respeito, �s vezes?
A sua obstina��o...
Sim, uma obstina��o que devemos temer.
N�o te preocupes.
Daqui a um m�s, tu estar�s do meu lado
no nosso pal�cio presidencial em Irkoutsk.
Acreditas mesmo nisso?
Claro que sim.
Pode traz�-lo.
N�o h� problema. J� n�o h� ningu�m nesta casa.
Para ali. Devagar. Para ali.
Ali. Ele pode deitar-se.
Vou tentar acender o fogo.
Porque par�mos?
N�o podemos continuar. N�o podemos ficar l� fora.
Tenta descansar.
N�o, temos de continuar.
Irkoutsk ainda � muito longe.
Fic�mos atolados na lama, Michel.
N�o podemos partir. N�o p�ra de chover.
N�o, n�o.
Tem calma.
Tem calma.
Tens... Tens um bocadinho de febre.
Mas n�o h�-de ser nada, vais ver.
Precisas de dormir muito.
Como est� ele?
O ferimento d�-lhe febre.
Est� a delirar.
Se ao menos parasse de chover...
E n�o temos nada para comer.
Talvez l� dentro.
Tome.
� tudo o que me resta. N�o � muito.
E o senhor?
N�o faz mal. N�o se preocupe.
Eu aguento, j� estou habituado.
Aceite.
N�o teria ficado atolado na lama se estivesse sozinho.
Estava escrito.
Temos de aceitar o que est� escrito, n�o temos?
Bolas!
N�o pega. A madeira est� molhada.
Eu sabia
que acabar�amos por ter sorte.
- O que � isso? - S�mola.
A casa est� vazia, mas esqueceram-se de levar este saco.
Vamos poder comer bem durante dois dias.
Michel. Michel. Michel!
Encontr�mos comida.
Vais recuperar as tuas for�as e tudo vai correr bem. Vais ver.
Desta vez, o fogo tem de pegar.
Juntemos tudo o que possa arder. Tudo.
Isso. Vai acabar por pegar.
- Mais? - N�o, j� chega.
Agora s� temos de rezar.
S� tenho dois f�sforos.
Tentemos este.
J� est�.
N�o nos vai aquecer muito, mas vai cozer bem a s�mola.
Sim.
S�mola envenenada.
N�o podemos mesmo partir?
Precisar�amos de meia d�zia de homens
para tirar a carro�a da lama.
Morrer de fome.
N�o pensei que isso fosse poss�vel.
� uma estupidez.
� uma estupidez, uma verdadeira estupidez.
Nadia.
Est� aqui o resultado do trabalho de toda uma vida.
E eles disseram que, quando voltasse a Krasnoiarsk, a minha terra,
eu seria rico.
Eles disseram que, muito em breve,
poder�amos mandar vir as nossas mulheres e os nossos filhos.
J� passaram cinco anos.
Nem sei se ela me reconheceria.
De qualquer maneira, isso caiu por terra
no dia em que decidi correr o risco sozinho.
O risco.
Foi um risco parvo.
Um inferno durante longos meses e para nada.
Est�s a ouvir?
Cavalos.
E se forem os T�rtaros?
Da forma como estamos, isso j� n�o importa.
Estamos vivos, Michel.
N�o vale a pena desesperar.
Os cossacos est�o muito mal. Sim.
Coragem.
O caminho agora est� livre.
Sabemos que n�o h� nenhum t�rtaro nesta regi�o.
Que estranho.
Tenho
um pouco de receio de ir para casa ap�s cinco anos.
Sonhei com isso tanto tempo.
Eu penso que a sorte nos � favor�vel.
S� pode ter mudado.
� capaz de ter raz�o.
Isto � Krasnoiarsk? Mas est� tudo deserto.
- Esta era a sua casa? - Ningu�m.
Est� vazia.
L� dentro s� encontrei este papel.
Leia-mo. Nunca aprendi a ler.
"Por ordem do Governador
"e perante a amea�a iminente de uma invas�o dos T�rtaros,
"os habitantes de Krasnoiarsk devem evacuar a cidade
"antes do dia 27 de Agosto do ano corrente.
"Todos os bens m�veis, objectos de valor,
"ferramentas diversas e g�neros aliment�cios
"que n�o possam ser levados e possam cair nas m�os do inimigo,
"dever�o ser destru�dos
"para que o invasor s� encontre no seu caminho desola��o e morte.".
Todos estes odres.
Pertenciam � minha m�e.
N�o me resta mais nada.
O que vai fazer?
Porque n�o vem connosco?
Vamos para leste.
Quem sabe?
Talvez encontrasse a sua fam�lia na outra margem do rio.
� verdade.
Devem ter tentado atravessar o rio.
Afinal de contas,
eu estar aqui ou l�, � igual.
Olhem bem para isto.
O �ltimo s�tio onde t�nhamos hip�tese de encontrar uma embarca��o.
N�o h� mais nada, mais nada.
N�o tinham outra alternativa.
Ao procurarem ref�gio na outra margem do Lenissei,
eles n�o iam ser est�pidos
ao ponto de deixarem aos T�rtaros um meio para os seguirem.
Temos de ficar aqui.
Talvez tenha tido uma ideia
que nos permitiria passar o rio com a carro�a.
Pronto.
Este j� est�.
Onde o pomos?
Na parte de tr�s da carro�a,
de forma a equilibrar o flutuador do varal.
N�o seria melhor livrarmo-nos de tudo o que tenho l� dentro?
N�o � preciso.
Precisamos de peso para aumentar a estabilidade.
Est� tudo pronto.
�ptimo.
Vamos atravessar o rio.
Obrigado.
Isso.
Agora tentemos mexer-nos o menos poss�vel
de forma a manter o equil�brio.
- Est� tudo bem, Pigassof?! - Est�!
Onde estamos?
Estamos mais ou menos a meio.
- Est�s a ouvir? - Estou.
Talvez sejam os refugiados de Krasnoiarsk.
- V� alguma coisa? - N�o.
Anda.
V�s algu�m?
N�o.
N�o, h� muitas �rvores.
Ali! Vejam!
Montem! Montem!
Quem s�o voc�s?
Somos simples viajantes que regressam a casa.
Onde vivem?
Em Irkoutsk.
Sou comerciante.
E ele?
- � o meu ajudante. - E ela?
Ela � minha mulher.
E o que � isso?
- Isso o qu�? - Essa venda.
O meu marido foi ferido. Est� cego.
Cego?
Aproxima-te.
Aproxima-te!
Deixe-nos ir, suplico-lhe.
Decidirei mais tarde o que farei convosco. Levem-nos.
- Tu, vem. Segue-me. - N�o!
- Vem! - N�o!
- Larga-a! - N�o!
Nadia.
Nadia!
Michel! Michel!
Michel!
Nadia!
- Nadia! - Michel! N�o!
Michel!
Michel!
Acho que me devias agradecer.
Fala. Diz qualquer coisa.
Ficaste muda? Responde.
Amanh� poderias ir em liberdade.
Aproveita esta oferta,
porque eu posso mudar de ideias.
N�o passas de uma mulher
e eu poderia facilmente n�o te dar nada e tirar-te tudo.
Teria de ser � for�a, se tivesse coragem para isso.
- Mas n�o espere nada de mim. - Vais arrepender-te dessas palavras.
Ser�s tu que me suplicar�s.
Basta!
Suplico-lhe.
Pare.
Eu sabia que ias acabar por ceder.
Michel!
A cerca!
Disparem! Disparem, j� disse!
Este vai pagar pelos outros.
Uma patrulha de reconhecimento de Feofar Khan chegou � outra margem.
Temos de ir ter com eles.
Acho que os T�rtaros ainda n�o invadiram esta regi�o.
N�o vi nada de preocupante.
N�o se v� ningu�m.
As casas, as aldeias...
Est� tudo vazio,
abandonado.
Numa das casas encontrei um peda�o de p�o. � para ti.
E colhi frutos de uma �rvore.
N�o tens fome?
O que se passa, Michel?
Estou a pensar em Pigassof.
Eu sei.
Eu sei, mas n�o pod�amos fazer nada por ele.
Pois n�o.
Tens raz�o, n�o pod�amos fazer nada por ele.
Ele morreu,
como as pobres gentes de Omsk, por minha causa.
A minha m�e,
os alde�es de Baraba...
Tantas pessoas mortas,
tantas carnificinas que eu deixei para tr�s.
Teremos o direito de massacrar tanta gente, mesmo por uma causa justa?
Teremos esse direito?!
Porque fazemos isso, Nadia?
O Gr�o-Duque Dimitri � um canalha.
E a Sib�ria
onde eu nasci
era dos T�rtaros.
N�s priv�mo-los dela.
Temos esse direito, Nadia?
Responde-me.
J� n�o sei.
J� n�o sei nada.
Eu sei uma coisa, Michel.
Tu n�o �s daqueles que desistem.
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