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E aqui temos a criatura mais temível do mundo, o Rei dos Demónios,
a enfrentar o seu inimigo natural, a meia dos patinhos.
Onde estás, meia dos patinhos?
-Porque é que me chamaste aqui? -Pois.
Humana Luz, andas tão obcecada com bruxaria
que não aprendeste nada da minha espécie.
Prepara-te para uma lição de Iniciação aos Demónios.
Nós somos vigaristas cruéis do anoitecer,
criaturas de enxofre e osso.
E patinhas fofinhas.
E patinhas fofinhas. Verdade.
Vivemos para criar caos e miséria.
As nossas fraquezas são a água purificada e comentários passivo-agressivos.
-Às vezes. -Vocês são sensíveis.
Até nós temos demónios interiores.
O demónio mais poderoso de todos é o Snaggleback.
-Ele é um... -Malandro.
FEROZ - Mandachuva
Luz, presta atenção. Isto um dia pode salvar-te a vida.
Não. Estou mesmo atenta. Esta é a minha cara de atenta.
Parece que vai chover.
-Adoro chuva. -Espera.
Adoro sentir as primeiras gotas no meu cabelo.
Aposto que também gostas, amiguinha.
-O quê? -Chuva escaldante. Todos para dentro.
Foi por pouco. Mas o importante é que não te magoaste.
Pois. Não me magoei.
Somos amigos de dói-dói.
Meu Deus. Adoro-te tanto.
Uma chuva escaldante na Ilha Escaldante. O clima é tão engraçado.
Pois, não temos clima.
Temos pragas, sanguenados, granizo de xisto, arco-doridos.
É como um arco-íris, mas olhar para ele vira-te do avesso.
Por isso, até a chuva parar, ninguém vem cá para fora.
E se a chuva não te apanhar, o Snaggleback apanha-te.
Eles vagueiam as chuvas, comem turistas escaldados.
Seja como for, este feitiço de campo de forças
deverá proteger a casa da chuva escaldante e de demónios inventados.
Despacha-te lá com esse campo de forças.
A chuva está a aproximar-se do meu estuque.
Sim, já percebi.
Um dia gostava de ser tão fixe como a Eda, a Mulher Coruja.
Mágica, atrevida, surpreendentemente atraente para a sua idade.
Porque lhe chamam Mulher Coruja?
-Porque sou tão sábia. -Porque cospe ossos de ratazana.
Acho que é por se distrair com objetos brilhantes.
Não é nada.
Brilha e cintila. Reluz e encanta.
Tenho de o ter para o meu ninho.
Tens um ninho? Eu quero um ninho. Festa de ninho.
Aquele campo de forças desgastou-me.
Estás um pouco lenta. A idade está a pesar?
Escuridão.
Isto é perfeito. Já que temos de ficar presos em casa,
a Eda terá de me ensinar um feitiço.
Não queres terminar a aula?
Ia deixar-te coçar a minha barriga.
Desculpa, Rei. Mas é magia.
Eda, hoje já lhe disse que as suas presas estão porreiras?
Seja o que for, não.
E o seu cabelo está... Miúda.
Esta noite não te ensino magia. Sou uma coruja sonolenta.
Por favor, Eda.
Como ganho o meu cajado de bruxa se não sei feitiços?
Não. Dormir.
Coisa brilhante.
Isto?
Não.
Ensine-me um feitiço e dou-lhe a coisa brilhante.
Respeito a tua astúcia, mas também te detesto por isso.
Se queres um cajado de bruxa como o meu, não me obrigues a repetir-me.
Os cajados de bruxa têm muito poder.
Dê-mo.
Mas antes de ser merecido,
todas as bruxas têm de saber lançar feitiços sozinhas.
Esta noite, vou ensinar-te a criar luz.
Aborrecido. Outra lição de feitiços maçadora
quando podias aprender como um demónio te mataria?
-Olha que dentuça. Morde. -Cala-te. Tenho de me concentrar.
Os humanos julgam que a magia nasce do nada, mas isso é estúpido.
Tudo provém de alguma coisa.
De onde achas que vem a magia?
Do coração?
Por acaso, tens razão.
A sério. Vem de um saco de bílis mágica preso ao coração da bruxa.
-Que nojo. Posso ficar com isso? -Não.
Tudo depende do círculo do feitiço.
Quanto maior o círculo, mais poderoso o feitiço.
Mas como posso eu, pequena Luz, fazer magia sem um saco de bílis mágica?
-Sabes, não tenho a certeza. -O quê?
Sei que antigamente faziam magia de forma diferente,
mas nunca me preocupei em saber como.
-Eda. -Não te preocupes. Eu descubro.
Agora, preciso de me deitar.
É só? Espere, tem de fazer a coisa do círculo de novo.
Desta vez, gravo no meu telefone.
Sorria. Está a ser filmada. Mais um feitiço não a mata.
Está bem.
O círculo do feitiço é a chave, porque...
Bem...
Parece que mais um feitiço matou a Eda.
Meu Deus. A minha obsessão por feitiços derrubou a Eda.
Sou um monstro.
Pois. Ela apagou.
-Só estava a ver. -Devíamos procurar ajuda.
-Chuva escaldante, lembras-te? -Deixa-a tentar. Vai ser divertido.
-E se a Eda estiver morta? -Coisa brilhante. Grande ninho.
Lembras-te que ficou sem cabeça na semana passada?
Ela sobrevive a tudo.
Deve estar cansada de passar a noite a caçar musaranhos e ratos.
Não podemos deixá-la no chão.
Desculpe forçá-la, Sra. Eda. Não me magoe quando acordar.
-Bato-lhe outra vez? -Deixa-a descansar, pequenino.
Anda. Vamos lá para baixo.
MUITO DENTUÇO!
Sim.
Ela só faz isto. Porque tem de ser tão enigmática?
O círculo do feitiço é a...
Sabes o que é mesmo enigmático?
Deixa-me falar-te do demónio mais arrepiante.
Bebé Querido e Fofinho.
É mais ameaçador do que o nome sugere.
Agora não, Rei. Quero entender este feitiço.
Para quê, se não tenho saco mágico?
Vou mexer os dedos sem magia para sempre.
Porque queres tanto aprender magia?
Em casa, não era ninguém.
Tornar-me bruxa é a minha chance de ser alguém.
Sabes o que é ninguém te levar a sério?
Se te ajudar com o feitiço, podemos terminar a aula?
Sim. Se me ensinares o feitiço, podes ensinar-me a semana toda.
Antigamente, a magia era diferente,
por isso deve haver forma, certo? E tenho uma teoria.
Todos os dias vejo a Eda beber este elixir especial às escondidas.
E tem sempre um impulso de energia.
É onde vai buscar os poderes.
MAGIA!
-E sei como arranjar algum. -A sério?
Muito obrigada. És um príncipe.
-Rei. Sou o Rei. -Certo.
Onde poderá estar?
UM ELIXIR POR DIA
-Boa tentativa. -Não, isto já não me entusiasma.
"Um elixir por dia." Enigmático.
Consegui.
Não acredito que vou aprender magia. Magia a sério. Isto é histórico.
O elixir dourado foi-se. Isto é horrível.
Quem precisa de feitiço de luz quando há tantas lâmpadas?
O Hooty controla as luzes na casa. Deve ter adormecido.
Piu, piu.
-Hooty. -Piu, piu.
Hooty, estás aí dentro?
Quem fez isto fugiu pela chuva. Como pode sobreviver a isso?
Meu Deus. O Snaggleback. Alimenta-se durante as chuvas.
Deve ter dado com a casa e viu-nos lá dentro.
Isto é assustador. Porque pareces tão feliz?
Porque isto pode ser uma lição.
Seria uma ótima forma de veres um demónio selvagem ao vivo.
Queres ir na direção deste barulho? Nem penses.
E se a Eda for comida?
Está lá em cima indefesa porque a derrubaste.
-Meu Deus. A Eda. -Foi levada pelo Snaggleback.
Eda?
Não. Marcas de golpes.
Rei, és perito em demónios. Preciso de ajuda.
Vou buscar o livro de demónios.
Espera. Primeira ou segunda edição?
Luz? O Snaggleback levou-a.
Sua besta cobarde. Devolve-me a minha amiga do dói-dói.
Luz?
Não tens por onde fugir.
Snaggleback?
-És mais pequeno em pessoa. -Desculpa.
Precisava de me abrigar das chuvas.
Porque derrubaste a porta e levaste a Luz?
Não tem piada, meu. Mau Snaggleback.
Não fiz nada disso. Entrei agora pela janela.
Então, o que...
Não, uma reviravolta!
Meu...
Afasta-te. Sou o Rei dos Demónios, está bem?
E como tal, exijo que cuspas os meus amigos de volta.
-Luz? -Rei.
-Ainda bem que estás a salvo. -Aonde foste?
Fui ver a Eda, e ela desapareceu e tu desapareceste.
E tropecei e perdi um sapato. Encontraste-o.
O que é isso?
MANTÉM A MALDIÇÃO À DISTÂNCIA
"Um elixir por dia mantém a maldição à distância."
Maldição? O que estás a dizer?
Estava errado. Aquilo não é o Snaggleback. Aquela criatura é...
Eda?
Meu, viste os olhos dela?
Estavam tipo... O que lhe aconteceu?
Não vês? O elixir não dá poderes à Eda.
Impede-a de se tornar naquela coisa.
Tornou-se num pesadelo e a culpa é minha. Lamento muito, Luz.
Só queria que gostasses de demónios como gostas de magia.
Não tenho muitos amigos, e ninguém me presta atenção.
Achei que se te ensinasse,
alguém se importaria com criaturas como eu.
Vamos terminar a lição.
A Eda vira demónio, e temos de a salvar.
Quem sabe mais sobre demónios?
Vamos ver.
Era maior, coberta de penas e tinha olhos pretos gigantes.
Demónios com olhos negros costumam ser sensíveis à luz.
É isso. Luz. Luz, usa o teu retângulo humano mágico.
-Não posso. A câmara partiu. -E aquele feitiço de luz?
Tu viste-me. Não sei desenhar círculos no ar.
Não sou como a Eda.
...o círculo do feitiço é a chave...
-Há um padrão no círculo do feitiço. -O quê? Onde?
Parece-se com isto.
Aqui está.
É lindo.
Meu Deus. Fiz magia.
Fiz magia.
Não vamos travar nada com algo tão pequeno.
-O que fazemos agora? -Acho que sei como trazer a Eda de volta.
Ajudas-me, amigo do dói-dói?
Já me deixei dessa alcunha. Mas está bem.
Que coisa linda temos aqui? É tão brilhante.
Céus. Minha nossa.
Desculpe, Eda, mas é para o seu bem.
O que aconteceu?
Que dor de cabeça. E tenho um mau gosto na boca.
Vou-me deitar aqui um minuto.
Estava à procura disto.
Encontrámos outro no armário.
Rei? Rei, roubaste o meu elixir?
Devia partir-te todos os ossos...
Ali.
Como está a fazer aquilo?
Não sei, mas fez tudo sozinha.
Fiz algumas asneiras há pouco,
e só queria dizer que lamento.
É bom que lamentes.
Tenho uma longa lista de tarefas nojentas para ti.
Mas não é tudo culpa tua.
Não fui totalmente honesta convosco.
Quando era mais nova, fui amaldiçoada.
Não sei bem como aconteceu.
Só sei que se não tomar o meu elixir...
Por isso é que me chamam Mulher Coruja.
Ninguém gosta de ser amaldiçoado, mas fizeres tudo bem, é controlável.
-Então, está bem? -Não tens de te preocupar?
Está tudo sob controlo. Desde que não roubem o meu elixir...
Rei. Então, fico bem. Mas olhem para isto.
Um humano a fazer magia. Que bom para ti, miúda.
Tive algum incentivo de um bom professor.
-Tu. -Então.
Está alguém aí? Olá? Piu. Estou no chão.
Está frio.
Essa voz horrorosa.
Nós tratamos dele. Fique na cama.
Anda, amiguinho pegajoso. Nós libertamos-te.
Acho que a minha cauda foi digerida.
Esta memória de novo, não.
Tu. Foste quem me amaldiçoaste, não foste?
Quem és tu?
Bem-vindo ao Clube dos Amigos do Dói-Dói, Hooty.
Sou finalmente parte de algo.
E depois tinha dentes no estômago.
Dentes no estômago. Acreditas nisso?
Sim, será uma boa adição ao meu livro de demónios.
Esse livro tem tantas coisas interessantes. Como isto.
Sou um dos demónios mais fortes na Ilha Escaldante.
Pois, vou ter de editar isso.
Legendas: Pedro Barbosa
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