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Original subtitles

Em Cada Coração, Um Pecado

Ressincronia para o Torrent: Mangusto.

KINGS ROW

Uma boa cidade limpa.

Uma boa cidade para viver e criar seus filhos.

O que estão esperando?

- Até logo, Drake. - Parris!

- Olá, Cassie. - Olá, Parris.

Vou pegar outra.

Está quente.

Quente o suficiente para nadar, eu acho.

Desabotoe minhas costas. Não consigo alcançar.

- Pronto. - Obrigado.

Não está tão quente no fundo.

As meninas devem se acostumar aos poucos.

Vou ficar feliz quando a escola acabar, você não?

Viremos nadar todos os dias, não é?

Vou ter que secar meu cabelo para o papai não descobrir.

Ele me daria uma surra, eu acho.

Você é muito bonita, Cassie.

- Eu sou? De verdade? - Pode apostar.

Eu acho você a garota mais bonita de toda a escola.

- Então, até logo. - Até logo.

Boa tarde, vovó!

Minha vovó linda!

Como é bondosa!

E como te amo!

Meu menino!

Está cansado?

Não. Mas estou atrasado nas minhas aulas.

Chegou algo para você.

Entregue por uma mocinha de forma muito elegante.

Obrigado.

- Está com fome? - É claro.

O que vai querer meu "Liebchen"?

Leite, pão, um folhado?

Louise Gordon vai dar uma festa no sábado, também.

No mesmo dia da festa de aniversário de Cassandra Tower.

Aposto que ela fez de propósito.

Bem, vá à festa dos Gordons, se quiser a minha opinião.

Anna, Parris já aprendeu a decidir por si mesmo

o que é certo e o que é errado.

Mesmo assim, tem alguma coisa estranha com estes Towers.

Um médico que diz que é médico mas nunca tem um paciente.

E sua esposa, que fica trancada no quarto o tempo todo.

É de dar arrepios.

Não é um relacionamento próprio para um menino como ele...

Não ligo para o que os outros dizem sobre os Towers.

Eu vou na festa de Cassie.

Gostaria de brincar de outra coisa?

Não, não gostaria.

Gostaria que todos fossem para casa.

Eu vou para casa se você quiser.

Talvez os outros me sigam.

Eu convidei tantas pessoas.

Bem...

Vou me despedir.

Sra. Tower.

Oh, Sra.Tower!

Sra.Tower!

Oh, Sra.Tower.

Menino?

Onde está indo?

Me despedir da Sra.Tower, senhor.

Isto não é necessário.

"Grand-mère" me recomendou fazê-lo, Dr. Tower.

Vou providenciar que a Sra.Tower receba a sua mensagem.

Por que ela não desce, senhor?

A mãe de Cassie não gosta de festas?

Cassandra, este convidado está indo embora.

- Adeus, Cassie. - Adeus!

Puxa, que pena.

Todo aquele sorvete e bolo.

Acho que vamos sobreviver.

Passei uma tarde muito agradável, senhor.

Adeus. Obrigado por ter vindo.

Obrigado por me convidar.

- Você é Parris Mitchell, não é? - Sim, senhor.

Dê minhas lembranças a sua avó.

Vamos, Parris! Entre aqui!

Ah, deixe ele para lá, nós não queremos ele aqui.

Ei, Parris! Espere!

Esta foi uma festa para garotas.

- Como foi com a Cassie? - Como você acha que seria?

Droga, Parris. Não me xingue.

Já estou envergonhado assim como está.

Todos foram na festa de Louise.

Até eu.

Mas eu saí para ficar com você, não foi?

É por isto que saiu?

Só para ficar comigo?

Claro.

Vamos para a estação.

Talvez dar de cara com Fulmer Green e sua turma.

Eles são metidos a valentões.

Baltimore e Ohio.

Chesapeake e Illinois.

Olhe, há um que vem do oeste. Denver e Rio Grande.

Aposto que é uma boa ferrovia, não acha?

Olá, Drake! Olá, Parris!

- Aqui em cima, na cerca. - Olá, Red.

- O que está fazendo aí em cima? - É onde eu moro.

O que vocês estão fazendo por aqui?

Vamos para o depósito de gelo de Elroy.

- Para quê? - Balançar nas argolas.

Porque não vem também?

Está bem.

Vocês vão indo. Eu alcanço vocês.

Por que ela não veio logo conosco?

Você não percebe muito as coisas, não é?

Acho que o pai dela sabe que não deve deixá-la sair com meninos.

Mesmo assim ela é do tipo forte. Você deveria ouvir ela xingar.

Olhe só!

Oh, eu posso fazer isto.

Tente isto!

Aqui vou eu!

Que legal!

Vamos, Parris, sua vez. Vá em frente, Parris.

Aposto que não consegue.

Vamos, rápido!

Vamos.

Tente de novo. O problema é que suas calças são muito apertadas.

Por que não tira?

Não posso. Não estou usando nada por baixo.

Tchau para vocês!

Voltarei aqui algum dia, Red.

Tudo bem! É um país livre, eu acho.

Olhe para estes cavalos. É a charrete do Dr.Gordon, não é?

Willy McIntosh. Ouvi dizer que seu pai está mais fraco que um gato.

Você pergunta para ele. Você é quem vai ser médico.

Sinto muito sobre seu pai, Willy.

O que o Dr. Gordon vai fazer com ele?

Ele vai fazer uma operação!

Papai tem uma úlcera em sua perna.

- O que é úlcera? - Eu não sei!

Mas elas são muito terríveis.

- Ele vai ter que cortá-la. - Espero que seu pai...

Ele tem que parar com isto. É o meu pai!

O Dr. Gordon não deu clorofórmio ao seu pai?

O doutor disse que ele tem uma doença no coração.

Pensei que eles davam clorofórmio para uma operação.

Ele tem que parar com isto. Ele tem que parar!

Vou matar este doutor. Vou matá-lo!

Vamos embora daqui.

Nunca vi um homem adulto gritar assim antes, e você?

Adeus. Drake. Me diverti muito hoje.

Claro. Porque não?

Você fica comigo e eu posso te ensinar muito.

Acho que você pode sim.

Claro. Somos amigos e devemos continuar sendo amigos.

Drake McHugh! Entre aqui e faça seus deveres!

Está bem, Tia Mamie!

Aqui é onde me encrenco de novo.

- Lembre do que acabei de falar. - Com certeza lembrarei, Drake.

Parris?

Céus. É você, Cassie?

Onde esteve?

Bem, lá na estação com Drake McHugh,

e no depósito de gelo de Elroy.

Ele, eu e Randy Monaghan nos balançamos nas argolas.

Você balançou nas argolas com Randy Monaghan?

Isto não quer dizer nada.

Não percebe que está quase escuro?

Tenho que lhe contar uma coisa, algo terrível.

Aqui, tenho um lenço em algum lugar.

Não posso mais ir para a escola.

Não pode?

Papa disse que vai me ensinar através de livros e outras coisas.

Ele disse que é o melhor para mim.

- Mas todo mundo vai para a escola. - Eu não. Nunca mais.

Mas se você não for para a escola,

não poderá caminhar comigo para casa,

ou ir nadar, ou brincar comigo, ou qualquer coisa!

Talvez eu nunca mais possa ir a nenhum lugar.

Talvez eu apenas tenha que ficar em casa como a mamãe faz todo o tempo.

Puxa!

Cassie, espere um minuto!

Cassie!

Parados aí!

Minha nossa! Olhe quem está aqui.

- Parris! - Olá, Drake.

Onde tem se escondido?

Este é o sujeito de quem eu estava lhes falando.

Conheça as garotas Ross. Jinny e Poppy Ross.

Como vão?

- Ouvi falar sobre suas... - Oh, aposto que ouviu.

O que você acha dos meus novos cavalo e charrete?

Acabei de receber minha mesada ontem.

A propósito, o que você tem feito?

Ando muito ocupado, Drake. A faculdade...

Ele está estudando para ser médico.

É tão esperto quanto um chicote.

Ei, suba na charrete e esqueça os estudos.

Vamos dar uma volta pelo campo.

Jinny senta no seu colo

ou te dou a Poppy se preferir as gordinhas. Eu gosto!

Um outro dia, Drake...

Não há momento melhor do que agora.

Não posso ir esta tarde.

Estava a caminho para visitar, bem, o Dr. Tower.

- O pai de Cassie? Para quê? - Vou estudar medicina com ele.

Nunca soube de alguém que já tenha visitado os Towers.

Há quanto tempo está fazendo isto?

Não estou... Esta é a primeira vez que vou lá.

Cassie Tower...

- Não é ela que... - Certamente, é ela.

O pai dela a mantém enclausurada

como se achasse que cada sujeito na cidade quisesse raptá-la.

Acho que gostariam mesmo!

Não tenho visto Cassie desde que éramos crianças na escola.

- Você a viu? - Não. Não, não vi.

Gostaria de estar no seu lugar. Depois me diga como foi.

Tenho que ir agora.

A única garota da escola que usava meias de seda.

Desculpe sobre esta tarde. Talvez outro dia.

Está tudo bem. Te vejo logo. Bem, aqui vamos nós!

Cassie?

Lá em baixo. Última porta.

- Como está, Cassie? - Estou bem.

Sinto muito saber que sua mãe não está bem.

Lá em baixo.

Entre.

Como vai, senhor?

Daqui em diante, pode entrar pela porta da sala de estudos.

Não será necessário para você atravessar a casa.

Desculpe-me?

Eu disse, daqui por diante, usará esta porta.

Você entrará por ela e sairá por ela.

- Sente-se. - Obrigado, senhor.

Soube que sua avó propôs enviá-lo para uma escola de medicina em Viena.

Sim, senhor.

Bem, se for inteligente,

serei capaz de prepará-lo para os exames.

Você quer ser um bom médico ou um destes curiosos do interior?

Eu quero ser um bom médico como...

Como quem?

Como os que se lê nos livros.

Que livros?

Não fui bem claro desta vez, não é senhor?

Acho que quis dizer o tipo de médico legendário.

Bem, Mitchell,

é claro, não sei nada sobre sua visão sobre a medicina.

Talvez você a considere como uma oportunidade

de se tornar um daqueles que ficam a beira da cama

com uma lista de pílulas adequadas para dar aos pacientes.

Particularmente quando você não sabe o que está acontecendo com ele.

Ou talvez sua meta seja se tornar um eminente carpinteiro

com uma faca, um cinzel e uma serra.

Talvez, seus pensamentos passem

pela nobreza de aliviar o sofrimento da humanidade.

Vou lhe dizer o que penso sobre a medicina.

É um jogo.

É um jogo no qual um homem força seu cérebro

contra forças de destruição e de doença.

No início, não espero que você seja capaz de participar do jogo.

Somente irá ouvir.

E acatar.

Você irá estudar, anotar e memorizar.

E fará tudo isto somente porque eu lhe disse para fazer.

Os detalhes são simples, Coronel.

Quero deixar tudo para Parris

para que seus estudos estejam garantidos.

Quero dar o melhor que posso a ele com o que eu tenho.

Sim, sim, é claro. É claro.

É sábio fazer um testamento, senhora.

Assim, caso algo lhe aconteça inesperadamente...

Não será inesperado agora, Isaac.

Acho que seja urgente completarmos os arranjos rapidamente.

Marie, tenho que ser direto.

Quanto tempo acha que lhe resta?

Bem, Henry?

Madame tem alguns meses, um ano no máximo.

Não acredito. Não acredito em uma só palavra.

Mas iremos agir como se Gordon soubesse do que ele está falando.

Você não parece doente, Marie. Não parece mesmo.

Todos temos que morrer. Eu não queria.

Pelo bem de Parris. Não queria isto de jeito nenhum.

Mas, por favor, com licença. Me sinto um pouco cansada agora.

Certamente, Marie.

- Boa noite, querida amiga. - Boa noite.

Obrigado a ambos por sua gentileza.

Acho que vou dormir agora, Ana.

Quando ela se for, o quanto se perderá com ela?

Todo um modo de vida.

Um modo de gentileza. Honra e dignidade.

Estas coisas estão se perdendo, Henry.

E nunca mais voltarão para este mundo.

Você está acordado até tarde.

A senhora também!

Mas todas as noites?

Estes livros, tão grossos e pesados.

Tem que ler todos eles?

Acho que estes livros são somente o início.

Você gosta de lê-los?

E o Dr.Tower, você gosta dele?

Sabia que eu iria gostar quando me mandou para ele.

Confesse.

Só sei que você tem que julgar as pessoas pelo que você acha delas

e não pelo o que as outras pessoas dizem.

Não pretendo compreendê-lo. Como ele é, quero dizer.

Mas é o homem mais brilhante que já conheci.

Sei que tenho sorte por trabalhar com ele.

Ele gosta de você?

Metade do tempo ele nem percebe que eu estou lá.

Bem, ele irá. Ele deveria.

Vá dormir agora, Parris.

- Cuide-se. - Olhe só quem fala.

Coloque ela logo na cama, Anna.

Obedeça ao homem.

Boa noite, meu querido.

Sou louco por você, lady.

- Boa noite, Anna. - Boa noite, Parris.

E em diagnósticos,

nunca subestime o valor da observação subconsciente.

Instinto, se quiser chamar assim.

Ou, mais apropriadamente, intuição.

É isto que faz um médico nato.

É melhor ir mais devagar em seu trabalho, jovem.

- Mas estou muito bem, senhor. - Não parece.

Tivemos um inverno difícil.

Tire a tarde de folga. Vá passear em algum lugar.

Precisa ver outros rapazes. Espaireça um pouco por aí. Fará bem.

- O que é? Não tem amigos? - Eu tenho um, senhor.

Bem, um pouco de solidão não faz mal, para dizer a verdade.

Você acaba se acostumando.

Há algo que eu quero lhe falar.

Sinto muitíssimo sobre a Sra. Tower.

Ninguém soube sobre o funeral.

Obrigado. Eu recebi seu cartão e da sua avó.

Gostaria de ver Cassandra e falar com ela, também, se possível.

Ficarei muito feliz em falar com Cassandra, obrigado.

Dr. Tower...

Alguma pergunta?

Não, senhor.

Vá logo, meu rapaz.

Até logo, Doutor.

Olá, Parris!

Puxa, Drake, estou feliz por te ver.

Se vai ficar com seu nariz enterrado

nestes livros o tempo todo, sobra para a mim ir atrás de você.

- Suba! - Claro.

Sabe, é engraçado ter lhe encontrado nesta tarde, Drake.

Dr. Tower acabou de me dizer que eu deveria te ver.

Eu?

Disse que deveria procurar um amigo.

Oh! Sou eu mesmo.

Como vai Cassie?

Eu não sei.

O que quer dizer, você não sabe?

O Dr. Tower me pediu para usar sempre a porta lateral e nunca consigo vê-la.

Aposto que eu acho um jeito.

Sabe, se não for atrás das coisas neste mundo, não consegue nada.

Você nunca foi comigo visitar as garotas Ross.

Levei-as e Dudley Wright no lago de Whaley semana passada num pic-nic.

- Aonde vamos agora, Drake? - Vamos dar uma parada nos Gordons.

Quero que me ajude a falar com Louise.

Sobre o que quer que eu fale com Louise?

Bem, ela é a garota com quem eu decidi me casar.

Drake, você vai se casar?

Não sabia sobre eu e Louise?

Pensei que todo mundo sabia de tudo nesta cidade.

Apenas faça isto por mim, certo? Estou numa situação ruim. Você vai ver.

Está quase a hora de Papa e Mama voltarem para casa.

- Drake, não acha que você... - Não!

Faça Drake se acalmar, Parris.

Sei que Papa não é compreensivo. Ele é mau comigo.

Mas eu sou uma garota, e tenho medo dele.

Bem, o que o velho tem contra mim?

Por que eu não posso mais te ver?

Ficaria furioso se eu dissesse uma coisa?

O quê? Não sei. Já estou furioso.

Eu não falarei então.

Continue. O que é?

Certo, vou lhe contar o que Papa falou.

Bem...

É sobre Poppy Ross.

Oh, isto.

Ele disse que você é um grosso.

É claro que eu não dei importância.

Eu sei que você a tem levado a passear de charrete.

Não me importo. Não muito.

Sei que se sente solitário e não está apaixonado por Poppy.

Mas também me sinto sozinha, e não tenho nenhuma Poppy Ross.

As pessoas estão falando e Papa e Mama lhes dão ouvidos...

O que é isto?

Rápido, saia pelos fundos.

Acho que é hora de enfrentar o velho conservador direto nos olhos.

Drake, você está agitado. Talvez se saísse e esfriasse...

Isto é sua culpa, Louise?

Não, é minha, Dr. Gordon. Quero falar com o senhor.

Não tenho nada a dizer ou ouvir de você.

Então gostaria de falar com a senhora, Sra. Gordon.

Drake McHugh, é uma benção que sua tia Mamie

não esteja mais viva para vê-lo atualmente.

- Ela era correta e temente a Deus. - Oh, é impossível.

Bem, acho que a decisão é sua Louise.

O que quer dizer, Drake?

Só vou receber o dinheiro que minha tia Mamie me deixou por dois anos,

mas até lá podemos nos arranjar de alguma forma.

Isto resolve tudo. Vamos.

Espere um minuto, Drake. Eu...

Só porque eu faço tudo às claras!

- Porque não fico me escondendo! - Seja razoável, Drake.

Vou mostrar a eles. Vou pegar meu cavalo e a charrete

e passar em frente aos Gordons todos os dias com Poppy Ross. Não me importo.

Até vou levá-la direto para minha casa se eu quiser.

Até fico pensando porque nunca tive esta idéia antes,

É muito difícil para uma garota ficar contra sua família.

Certo. Já sei. Eu sempre estou errado.

Eu sempre estive desde sempre.

Olá, Cassandra. Sou eu, Parris.

Não queria te assustar.

Bem, olá.

Entre.

Estava a caminho de casa quando lembrei

que deixei minhas anotações aqui hoje.

Vamos, entre.

Acho que já sabe onde eles estão.

Sim. O doutor sempre as deixa na mesma gaveta.

Quer sentar?

Eu gostaria.

O seu pai está?

Ele foi para St. Louis. No trem das 06h00.

Voltará na terça.

Você tem que ir?

Não.

- Posso ficar um pouco? - Aqui, perto de mim.

Eu...

Sabe, Cassie, não tenho visto ou conversado com você,

há muito tempo.

Sim, eu sei.

Todas as vezes que vim para estudar com seu pai

- esperava te ver. - Provavelmente será a única vez.

Oh, por quê?

Não posso ver ninguém.

Nunca mais.

Não sabia disto?

- Seu pai não deixa? - Eu disse que não posso ver ninguém.

Não precisa fazer perguntas para entender isto, precisa?

Bem, não sei.

Quero lhe perguntar porque, se não quiser me contar,

- se não quiser me ver... - Não se ofenda, Parris.

Vamos só conversar.

Está bem, Cassie.

- Sobre o que podemos conversar? - Oh, qualquer coisa.

Me conte o que faz todo o tempo.

Eu só leio, estudo e pratico, isto é tudo.

Ainda estuda música?

Sim.

Só fico lendo e estudando, então

acho que você está na minha frente.

Eu nunca vejo as pessoas.

Só leio livros.

Por que seu pai lhe tirou da escola quando você era criança?

Foi porquê...

Se quer saber, por que não pergunta a ele?

Sempre, depois disto, fico lembrando. Pequenas coisas.

Como você me acompanhava na estrada de volta da escola.

A maneira como inclinava sua cabeça quando olhava para cima.

A cor do seu cabelo refletindo o sol quando disse:

"Eu gosto de ser sua garota".

"Acho que você também é meu namorado."

É assim que eu penso em você na maior parte do tempo.

Então me lembrava que você também estava crescendo.

Você tinha dezesseis, agora dezoito.

Então pensava no que estaria fazendo, naquele exato momento.

Se estava costurando, ou estudando, ou chorando ou

poderia estar rindo?

Poderia estar rindo quando eu estava pensando tanto sobre você

- e me sentindo tão mal? - Crianças podem ser tão tolas.

Oh, não.

Não quis dizer isto, Parris. Você sempre foi o mais gentil.

Vamos falar de outra coisa, está bem?

Você é bonita, Cassie.

De verdade. Você está mais bonita do que jamais foi,

e sempre foi a garota mais bonita da cidade.

Não!

Oh, sinto muito.

- Cassie. - Parris.

- Ei, quem está aí fora? - Sou eu, Drake. Parris.

Minha nossa, o que está fazendo por aqui esta hora da noite?

- Deixe-me entrar, rápido. - Já vou descer.

- Qual é o problema? - Nada.

Só estava passando. Decidi arriscar.

Drake, posso ficar aqui, com você esta noite?

Está maluco, seu tolo?

Não. Não acho que esteja.

Ei, algo aconteceu e é melhor me contar o que foi.

Só quero ficar aqui.

Telefonarei para casa amanhã de manhã

e digo que passei toda a noite com você.

Está bem. Está bem.

Mas só queria ter certeza que não está metido em nenhuma encrenca.

- Melhor me contar onde esteve. - Prefiro não dizer, Drake.

Minha nossa, você?

Qual é a graça?

E eu por aí dizendo que te mostraria como as coisas funcionam!

Minha nossa! Vamos, tire este casaco molhado!

Vou te fazer uma xícara de café. Não vai levar um minuto.

Não, não, obrigado. Não quero nada.

Tudo bem, então. Suba e tire estas roupas molhadas.

Vou ter que cuidar de você agora. Vamos, vamos para cama.

É claro, terá que dormir comigo. Espero que não se importe, Sr. Mitchell.

É exatamente como falei, senhora.

Entra e sai a todo instante.

Anda distraído por toda a parte, absorto e só fica olhando as coisas.

- Talvez haja uma garota. - É mais do que uma garota, senhora.

Ele está apaixonado por isto, por este lugar.

Não tenho a menor idéia do que está falando.

Senhora, eu o observei crescer em cada dia da sua vida.

Eu sinto, aqui, algumas vezes exatamente o que ele sente.

É isto, ele sente uma mudança.

Acho que ele está com medo de alguma coisa que está para acontecer

e ele não entende.

- Anna, você não lhe contou. - Não, senhora.

Ele deve saber, Anna.

Oh, não, senhora, quando eu penso...

Não chore, Anna, por mim.

Vai ser pior para ele.

Meus problemas estão quase no fim e os dele estão apenas começando.

Crescer é tão difícil, Anna.

As desilusões e as mágoas.

Os problemas que assustam.

A mesquinhez e as crueldades do mundo.

Quantas vezes eu desejei que sua mãe estivesse viva,

ou seu pai.

Ou que eu fosse sua mãe.

Não é justo para um jovem ter sido criado por uma mulher velha

que irá deixá-lo quando ele mais precisa dela.

O que irá acontecer com ele?

- Parris é um bom rapaz, senhora. - Espero que sim.

Fiz o melhor que pude para fazer dele um cavalheiro.

E o melhor para garantir o seu futuro.

No mais, tudo deve ser agradável para ele

até que ele vá embora.

Vou tentar ficar viva até então.

- Estudando? - Oh, olá, Drake.

Algo parecido, eu acho. O que te trouxe até aqui?

Tenho um recado da sua namorada. Mensageiro do cupido, este sou eu.

Obrigado.

Qual é o problema?

Algo errado entre você e a velha Cass?

Algo vai acontecer, Drake. Alguma coisa ruim, não sei o quê.

É só algo que venho sentindo ultimamente. Algo que não posso impedir.

Talvez eu até mesmo seja o responsável de alguma forma.

Ela quer me ver na sua casa de novo, esta noite.

Bem, você não quer?

Eu não contaria isto a ninguém mais, Drake.

Desde que éramos crianças, nunca houve ninguém além dela.

Puxa, não fazia idéia.

Bem, então tudo deve estar maravilhoso.

Oh, entendi. O pai dela.

Não, não, há algo mais do que isto.

Algum mistério sobre a própria Cassie.

Dr. Tower disse uma vez,

"Cada um de nós vive em múltiplos mundos."

É assim com ela.

Lá vem o filósofo de sempre.

Não, eu não. Embora tenha aprendido muito com o Dr. Tower.

- Ainda não o suficiente, eu acho. - Ele é louco, não é?

Não, ele é mais centrado do que todos os homens desta cidade.

Bem, tem alguma coisa de loucura naquela casa.

Me sinto como um cão quando vou lá agora.

Gosto dele, Drake.

Ainda assim, quando penso em Cassie e na maneira que ele a obriga a viver...

Meu Deus, fico todo confuso.

- Entre, Parris. - Boa tarde, senhor.

Tem algo em sua mente?

Dr. Tower, vou lhe fazer uma pergunta que talvez não goste de responder.

Então não devo responder.

O Dr. Gordon é um bom médico?

Não é uma pergunta de muito tato, jovem,

nem muito ética para um futuro médico fazer.

Desde que posso lembrar tenho percebido coisas.

Quando era criança, houve o caso do pai de Willy MacIntosh

que morreu de choque durante uma operação sem anestesia.

Tem acontecido outros casos, Ludie Simms.

Conheceu a viúva que todos os homens olhavam?

Dr. Gordon executou uma operação nela,

agora todo um lado do seu rosto está horrivelmente paralisado.

Houve outros casos.

Agora ele está tratando da minha avó.

Posso lhe assegurar que no caso de sua avó

ele sabe o que está fazendo.

Fico feliz em ouvi-lo dizer isto, senhor.

Confia em meu julgamento, não confia?

Sei que é um homem sábio.

Talvez você seja um tolo, Parris Mitchell.

Gostaria de uma xícara de café, meu rapaz?

Sim, senhor.

Parris, comecei este trabalho com você com apreensão.

É justo que lhe diga agora que tenho gostado muito.

Deixe o diabo levar o último da fila, não é?

Acho que sim, senhor.

Não é uma filosofia muito ruim, às vezes.

Espero que goste de café preto.

Obrigado.

Você leu isto?

Sim, senhor.

Mas confesso que não compreendi completamente.

Bem, é um novo campo.

Ele têm um novo nome para isto: psiquiatria.

É algo em que eu nunca pensei.

Quero dizer, para um médico que quer curar doenças

das mentes das pessoas ao invés de seus corpos.

Suponho que seja um campo vasto, senhor.

Talvez vasto demais.

Talvez já exista há centenas de anos.

É claro, nunca saberemos. Há um movimento em Viena atualmente.

Não quero te influenciar de uma forma ou de outra,

mas se estiver interessado tenho outros materiais sobre o assunto.

Teve história medieval na escola este ano, não foi, Parris?

Sim, senhor.

Deveria dar atenção aos séculos XII e XIII.

A inquietação do homem,

sua real inquietação neste mundo começou não muito depois deles.

- Mas eu sempre... - Oh, eu sei, sabão.

Ruas calçadas, odontologia e liberdade de expressão.

- Sim, sim, senhor. - Fatores desprezíveis.

No século XIII, o homem era mais feliz

e sentia-se mais confortável neste mundo do que agora.

Estou falando do homem psíquico

e sua relação com todo o universo.

Entendi, senhor. Tudo era mais simples na época.

É isto mesmo, Parris. É isto mesmo.

Mas agora, neste mundo moderno e complicado,

o homem se acaba sob a pressão, o deslumbramento,

desapontamento e desilusão.

Ele se perde, enlouquece comete suicídio.

Não sei o que vai acontecer com este mundo

nos próximos cem anos ou mais,

mas posso lhe garantir que a vida não ficará mais simples.

Preocupações e dúvidas trazem dores estomacais.

A humanidade está construindo a maior dor de estômago na história.

É melhor eu parar com isto.

Parece que embarquei numa veia de pompa epigramática hoje.

Estava pensando, enquanto estava falando...

Não, não acho que eu deva dizer.

Prossiga, não há ninguém escutando a não ser eu.

Bem, o senhor estava dizendo que um homem pode se perder.

A mim parece que estas pessoas perdidas se enganam a si mesmas

para fugirem da realidade do mundo.

E a melhor maneira seria enganá-los para voltarem novamente,

como tentar agarrar um coelho que fugiu da sua gaiola.

Desvia-se sua atenção para algo diferente, ele não vê a porta

e a primeira coisa que percebe é...

que está em casa novamente, na gaiola.

Você leu esta frase em algum lugar? "está em casa novamente, na gaiola"?

Não senhor. Devo ter inventado.

Não me surpreenderia, meu jovem. se você se tornar um bom médico.

Talvez até mesmo um médico brilhante.

Agora, vá para casa.

Enviarei estes testes de admissão para Viena.

Gostei muito desta tarde, senhor.

Gosto da sua educação, Parris.

É um orgulho para sua avó. E será um para mim também.

Eu tentarei ser, senhor.

Se tivesse um filho...

gostaria que fosse tão parecido com você quanto possível.

Sim, sim, isto está bom.

Está melhor do que pode imaginar, Parris.

Que desperdício de talento para você se tornar um médico.

Com licença.

- Anna, como ela está hoje? - Na mesma.

O clima irá esfriar logo.

Se me der licença, professor Berdorff,

- Não estou disposto a terminar. - Claro.

Dr. Gordon veio aqui duas vezes hoje.

Anna.

Há quanto tempo isto tem sido necessário?

Que estúpida, eu esqueci!

Anna?

Há várias semanas, Parris.

- Câncer? - Sim, Parris.

Por que não me disseram? Por que me esconderam isto como a uma criança?

Madame quis assim.

Ela queria que terminasse seus estudos sem preocupações.

Ele me fez prometer.

Ela achou que viveria até setembro.

E ela não vai? É o que quer dizer?

É impossível que ela possa sobreviver mais que alguns dias.

- Somente alguns dias? - Sim, Parris.

Parris.

Oh, Parris, eu tinha que ver você.

Não tem medo de ficar aqui sozinha no escuro?

Um pouco. Você sabe que não teria lhe chamado neste momento

se não fosse importante.

Bem, vamos voltar para sua casa?

Não, tive que sair de casa esta noite. Não podia suportar.

- Cassie, qual é o problema? - Não podemos só caminhar aqui

entre as árvores?

Nunca percebi como você é pequena até caminhar ao seu lado.

Oh, você é que é muito alto.

Parece que foi há muito tempo desde que caminhamos por aqui de volta da escola.

Olhe, Parris, o lago.

Tinha esquecido de como era adorável.

Quer saber de uma coisa?

Costumava pensar nele como nosso lago secreto.

Eu também.

Que estranho nós dois devemos... Ou talvez não seja nada estranho.

Você estará partindo logo.

Sim, acho que sim.

Sentirei sua falta.

Sentirá mesmo, Cassie?

Tanto que não sei o que será de mim.

- Eu te adoro, Cassie. - Não.

Mesmo agora, não diga nada que não esteja sentindo.

Nem eu mesma sei como me sinto sobre você.

Não sei desde o dia em que veio a nossa casa

e eu abri a porta.

Só sei que nunca pensei em ninguém mais além de você, mas...

- Por que sempre que eu pergunto... - Não vim aqui para ser questionada.

Não consigo entendê-la.

- Às vezes... - Não fale sobre isto!

Por favor.

Disse que tinha algo para me contar.

Eu disse?

Parris?

Sabe que não faria nada para lhe prejudicar, não sabe?

O que é que te assusta?

É...

- Eu sou... - Diga-me!

Não acho que estejam lhe tratando corretamente, Parris.

É isto.

Parris, sua avó está morrendo e eles não lhe disseram nada.

Achei que deveria saber.

Tinha medo do que um choque súbito poderia ter feito a você.

Oh, querido!

Acho que foi tão ruim quanto a maneira que lhe contei.

Não, não. Está tudo bem, Cassie.

Eu sabia. Mesmo assim, fico feliz por querer me contar.

Eu não tenho ninguém mais, Cassie, quando...

Às vezes esqueço como você é bonita.

Oh, Parris!

- Está chorando. - Só um pouquinho, não importa.

Mas eu me importo. Me importo muito.

Oh, por que existem coisas acontecendo com você?

Por que tem que chorar?

Você é o mais gentil, o melhor.

Por que qualquer um de nós tem que chorar? Você ou eu, o que nós fizemos?

Oh, odeio isto. Odeio tudo.

Odiaria Deus se pudesse. Mas não há nada que se possa alcançar.

- Cassie! - Não. Não diga nada.

Quero que você odeie, também, o que quer que nos machuque.

Oh, Parris, não chore.

Por favor não chore, não posso suportar!

Oh, querido! Querido, querido.

Esta pode ser a última vez que eu lhe vejo.

Cassie, ouça.

Estou partindo, mas vou voltar.

Quero ser um bom médico, um excelente, se eu puder.

Quando voltar,

talvez de alguma forma o tempo passará rapidamente.

Quando eu voltar, casaria comigo?

- Cassie, não quer casar comigo? - Se pudesse fazê-lo entender.

- Talvez eu entenda. - Não, não entenderia.

Não mesmo, Não poderia.

- Bem, não importa, Cassie... - Por favor, Parris.

Tudo é perfeito até que tentamos falar sobre isto.

Não tente me compreender.

Mas só esteja comigo quando puder, e...

Cassie?

- Parris, você está aqui. - Sim, eu...

Procurei por você à meia-noite quando o Dr. Gordon saiu.

- Anna, ela... - Não.

Dr. Gordon disse que não poderia fazer mais nada.

Pensei que talvez,

esperava que estivesse terminado antes de você voltar.

Venha agora.

Anna, não posso ajudá-la.

Não, não!

- Arrumando tudo? - Oh, olá, Drake.

Tem certeza que não se importa que eu guarde todos estes livros aqui?

Acho que o velho celeiro é grande o suficiente para armazená-los.

É muita gentileza sua, Drake, me aceitando neste momento.

Não sou uma companhia divertida agora.

É como eu sempre disse,

você e eu estamos no mesmo barco, agora mais do que nunca.

Tem algo que quero lhe perguntar há bastante tempo, Drake.

Nunca mais falou nada sobre Loiuse Gordon e não sei porquê.

Droga. Acho que casarei com alguém como Poppy Ross.

- É mais divertido de qualquer jeito. - Não faria uma coisa destas.

Não, acho que não.

Algum dia irei surpreender algumas pessoas nesta cidade.

Quando conseguir meu dinheiro vou entrar nos negócios.

Me estabelecer bem, quando eu me ajustar.

Vou fazer Louise se orgulhar de mim e então talvez ela...

O que foi isto?

- Cassie. - Parris!

- Parris, preciso falar com você! - Se os dois me derem licença.

Não vá. Só tenho uma palavra a dizer.

Você sabe sobre nós, de qualquer forma.

Você parece... Você parece...

- Como? - Você parece assustada.

Parris, deixe-me partir com você!

Partir? Quer dizer quando eu for a Europa?

Qualquer lugar. Não me importo. Eu fugirei para algum lugar.

Deixe-me ir com você, posso cuidar de você.

Mas não podemos casar agora.

Tenho que passar por toda a faculdade primeiro.

Eu lhe pedi, quando eu voltar, se você...

Não importa.

Cassie, se preferir, eu...

Foi uma idéia maluca. Me desculpe.

Espere um minuto. Sente-se. Me conte o que aconteceu.

Nada. Nada mesmo. Eu preciso ir!

- Vou lhe levar para casa.. - Não. Não, não pode.

Tem que me deixar falar com você agora, Cassie.

Melhor me deixar até o meio do caminho.

Obrigada, não. Boa noite!

- Vou até lá. Drake. - Vá com calma.

Ela disse...bem, você a ouviu.

Não queria que você a acompanhasse.

Ela ficou duas vezes mais assustada quando você sugeriu.

Veja, não está acontecendo nada.

Ele está sentando no balanço da varanda.

Eu deveria ir até lá.

É exatamente o que vou fazer.

Vou tirá-la de lá bem na frente dele.

Vamos nos mudar para minha casa.

Você, um fazendeiro? Você vai ser um médico.

É o que você sempre quis e é o que avó planejou.

Se eu tiver que te bater...

Me largue, Drake. Eu...

Viu? Parece que está acontecendo alguma coisa?

A velha Cass estava apenas tendo um chilique

porque você está indo embora, é só isto.

Todas as mulheres e garotas agem desta forma às vezes.

Não quer dizer nada.

Mesmo assim, Drake, estou assustado. Não sei porquê.

O que você precisa é dormir. Está exausto e nervoso.

Vamos para casa. Poderá ver Cassie amanhã.

Só não conte nada para ele.

Talvez seja melhor eu levar.

Está acordado, rapaz?

Aqui. Tome seu café da manhã.

Por que toda esta atenção?

Vamos. É melhor comer isto.

Você está bem, Drake?

Tenho algo para te contar, mas...

tem que tomar seu café primeiro.

Me conte agora.

É uma coisa sobre Cassie.

Cassie está morta.

Ela foi morta no início da noite.

Acho que logo depois que saímos de lá.

Quem?

Seu pai a matou e cometeu suicídio.

- Não acredito. Você... - Controle-se, rapaz.

Vou te contar tudo o que sei.

Primeiro ouvi de Ester quando ela chegou cedo esta manhã.

Eu telefonei para a "Gazette", e confirmei.

Cassie foi envenenada.

Um pouco depois, Dr. Tower atirou em si mesmo.

Ele não estava morto há muito tempo

quando a cozinheira chegou e os encontrou.

Ele deixou algum tipo de carta ou cartas. Não sei ao certo, conforme a "Gazette".

Vou sair agora e ver o que posso descobrir.

Sim, é isto, Drake. Temos que ir até lá.

Você não vai, nem que eu tenha que te amarrar no porão.

- Eu tenho que ir! - Ouça, seu tolo.

Cassie estava aqui a noite passada.

Provavelmente fomos as últimas pessoas que a viram com vida.

Se quiser pensar em si mesmo.

Acho que pelo menos deveria pensar em protegê-la.

Protegê-la, Drake? Acho que eu a matei...

Certo.

Diga isto bem alto várias vezes e alguém vai acreditar.

Então como será seu futuro nesta cidade?

Não me importo.

Ouça, sei como se sente.

Sei o que gostaria de fazer.

Mas deixe-me ir primeiro. É tudo o que eu peço.

Eu voltarei e lhe contarei tudo.

Então poderá fazer o que achar melhor.

- Ei, McHugh! - Amigo da família.

- Descobriu algo mais? - Ainda não.

Maldito mistério.

Olá, Sam. Boa tarde, Coronel Skeffington.

Bem, o que quer por aqui, Drake? Isto não é hora...

Espere um minuto, Sam.

Já que passou por aqui...

Onde está Parris Mitchell? Ainda na sua casa?

Sim, senhor.

Pergunte se ele teria a bondade de esperar lá, até que eu possa vê-lo.

Posso perguntar por quê, senhor?

Quero falar com ele.

Não é com ele que o senhor deseja falar.

E por que não seria?

Algo novo?

Somente algo sobre a garota.

Quer dizer que ela tinha suas malas prontas para fugir?

Lhe digo mais tarde.

O que estava dizendo?

Quando falou que Parris não era com quem eu deveria conversar,

insinuou que haveria mais alguém?

Acho que quis dizer eu.

Sabe alguma coisa sobre este caso?

Eu conhecia Cassie Tower.

Acabei de ouvi-lo dizer que ela havia feito as malas.

Bem, nós íamos fugir juntos.

Ela vinha se encontrando comigo há muito tempo.

Tenho que dizer mais alguma coisa?

O Dr. Tower sabia algo sobre isto?

Acho que não estaria aqui hoje se ele soubesse.

Sorte minha, não?

Mas não sei nada sobre este crime ou o que quer que chame isto.

E se quiser me prender, vou mentir sobre o que acabei de lhe contar.

Tudo bem se eu for agora?

Acho que sim. Não há nada para detê-lo.

Por que veio até aqui para nos contar isto?

Só queria lhe poupar trabalho, senhor.

Não precisa falar com Parris agora, precisa?

Parece que se precipitou para a conclusão errada, Drake.

O motivo pelo qual eu queria ver Parris

era para lhe falar sobre esta carta que o Dr.Tower escreveu.

Ele lhe deixou sua propriedade, tudo o que possuía para Parris.

Ele o quê?

Bem, parece que você não é tão sortudo quanto achava.

Se ele soubesse sobre seu futuro genro

ele poderia ter deixado tudo para você.

Acho que vou embora agora, senhor.

Coisa engraçada.

Acho que gosto daquele rapaz. Ousado e direto.

E é o único jovem na cidade além de Parris Mitchell,

que tem educação suficiente para tratar os mais velhos por "senhor".

Minha nossa ...

Por que, Drake? Por que aconteceu?

Por que Cassie veio aqui na noite passada?

Do que ela estava com medo?

O que aconteceu desde a outra noite quando eu a vi?

Que motivo teria o pai dela para matá-la?

Que motivo teria para se matar?

Por que Cassie não explicou as coisas ontem à noite?

Por que o Dr. Tower me deixou sua propriedade?

Por que alguém desejaria matar Cassie, que nunca fez mal a ninguém?

Por quê?

Sabe que já é tarde da noite?

Sente-se, Drake.

Claro, o que é?

Acho que sei...

Sei por que o Dr. Tower matou Cassie e suicidou-se.

Tem certeza?

Tem que me prometer que será um segredo entre nós, Drake.

É claro.

Drake, você se lembra bem da Sra.Tower?

A mãe de Cassie? Um pouco, quando éramos crianças.

Como ela costumava ficar todo o tempo dentro de casa só olhando pela janela?

Claro. Todo mundo achava que ela era louca.

O que pensa sobre pessoas como ela, Drake?

Temos que falar sobre isto agora?

Como se sente sobre alguém que tem um coração doente,

ou tenha algo errado com suas pernas, suas mãos, seus olhos?

Bem, coisas como estas, não são sua culpa...

É assim que me sinto sobre pessoas que têm algo errado em seus cérebros.

Esta tentando me dizer que o Dr. Tower...

- Você sabe, sempre lhe disse... - Há uma anotação aqui no início

que diz: "Hoje, percebi o primeiro sinal em Cassandra."

Quer dizer que ela... Que Cassie...

Não que alguém pudesse perceber. Não como a Sra. Tower

quando o Dr.Tower se apaixonou e se casou com ela.

- Nossa própria Cassie? - Eram apenas as primeiras indicações,

os desajustes iniciais da "dementia praecox".

Ei, já está falando como um médico.

Certamente não me sinto como um.

Não vamos mais falar sobre isto...

Não, ao contrário.

Drake, acho que o Dr. Tower sabia sobre nós.

Sobre você e Cassie?

Mas, acha que ela sabia? Sobre ela mesma, quero dizer.

Sim, tenho certeza que sim.

É por isso que sempre que perguntava sobre nós,

ela sempre se esquivava.

E sobre a noite que ela veio e lhe pediu para levá-la embora?

Ela não estava se esquivando naquele momento.

Um tipo de desespero final, eu acho.

Não sei o que o Dr. Tower sabia sobre aquela noite. Talvez nada.

Talvez ele suspeitasse.

Talvez estivesse simplesmente cuidando do meu futuro.

- Não lhe entendi muito bem, rapaz. - Ele era um médico brilhante, Drake.

Por que ele veio para uma pequena cidade como Kings Row

e se enterrou aqui enquanto ainda era jovem?

Quer dizer a Sra. Tower?

Ele não queria que acontecesse comigo o que aconteceu com ele...

Interrompeu sua carreira.

Tinha mais consideração por mim do que jamais pude perceber, Drake.

Ouça, Parris.

Vamos queimar este livro e ninguém nunca saberá a não ser nós dois.

Não, Drake.

Não vamos queimá-lo.

Vou estudar este livro.

Estou cansado agora.

Claro. Vou apagar a luz.

Drake, vou partir o mais rápido possível.

Já suportei o tanto quando podia, eu acho.

E você, fique na casa até que seja vendida.

Qualquer coisa que quiser, qualquer coisa mesmo, pode pegar.

Desfaça-se do resto.

Escreva para mim.

Se a qualquer momento precisar de mim, meu "Liebchen", eu...

Eu sei, Anna, eu sei disto.

Olá, Drake McHugh.

Olá, Randy Monaghan. Puxa, não lhe vejo há muito tempo.

Nunca voltou ao depósito de gelo de Elroy. Está indo embora?

- Olá, Randy. - Olá, Parris.

Parris está partindo. Está indo direto para a Europa.

É mesmo? Vai ficar muito tempo?

Não sei. Não fiz muitos planos.

Acho que vou deixar as coisas acontecerem.

Ele vai voltar.

Soube que sua avó faleceu, Parris.

- Sim. - Sinto muito.

Sabe, Randy, aposto que você é a garota mais bonita do mundo.

Lá vem o trem.

- Meu Deus. - Qual é o problema?

Odeio ver aquele rapaz partir.

Ele é o melhor amigo que já tive.

- Ele é um rapaz muito bom, não é? - O melhor.

Mas se foi.

Por quatro ou cinco anos. Meu Deus.

Sabe, estou com minha charrete bem aqui.

Que tal dar uma volta fora da cidade?

Tudo bem, vamos.

Oh, espere um minuto. "Pão e manteiga."

Você já viu um dia mais lindo?

Ei, Tom Thumb (dedão). Qual é a pressa?

Por que você o chama de Tom Thumb, Drake?

Porque ele é muito grande.

- Faz sentido. - Meu tipo de sentido.

É isto o que eu quis dizer.

- Eu o treinei. - Estou vendo.

Ele sabe exatamente o que quero que faça.

Acho que tive um bom treino, também.

Quer dizer, andando sozinha?

Com certeza.

Por quê?

Por causa disto.

Sou tão inteligente quanto o cavalo, mas não tão bem treinada.

Puxa, Randy. Estou tão sozinho e triste.

Seja boazinha comigo, certo?

Talvez tenha me confundido com uma das garotas Ross.

Bem, que mal pode fazer um beijinho?

Um beijo?

Acho que temos que descobrir.

Não, não, espere um minuto!

Feliz século novo, bobinha!

É isto aqui, querida.

Você me trouxe até aqui no vento só para olhar a vista?

Mas vou comprar tudo isto com Peyton Graves

- quando receber meu dinheiro. - Para quê?

É só algo que venho sonhando.

Uma loteamento.

Pode imaginar como seria ter casas por aqui?

Sim. Com muito vento.

Cale a boca. Não venta todo o tempo.

Mas, Drake, somente pessoas ricas poderiam construir

casas como as que você está falando.

Bem, venderemos para pessoas ricas.

E quantas existem aqui em Kings Row?

Por que você está querendo jogar água fria?

Gostaria que eu lhe mostrasse o que penso sobre a sua boa idéia?

Para onde?

As terras, rio abaixo.

Do outro lado da ferrovia.

O meu lado.

Quer dizer aqui?

Não é delicioso?

Mexe com a gente, não é?

Quero dizer...

Sim, querido. Sei o que quis dizer.

- Mexe, não é? - Sim, acho que sim. Mas, Drake...

Agora está se preparando para me xingar sobre alguma coisa.

Não, estava só pensando.

Quase tudo mexe com você, não é?

Isto, o cheiro dos botões das ameixas, a luz do sol ou da lua,

ou manhã ou meio-dia ou noite. Simplesmente tudo.

- Mas principalmente você - É o que você diz.

De verdade.

Vamos descer e caminhar. Parece tão bonito.

Pode apostar!

Drake McHugh, você me deixa muito furiosa, às vezes.

Oh, uma das melhores coisas sobre você, querida

- é que você não finge nada. - Eu não finjo mesmo.

Bem, sobre o que estamos falando?

Bem, por exemplo, neste instante, sugeri que caminhássemos por aqui.

- Certo, o que tem de errado nisto? - No mesmo instante você pensa...

O quê?

Bem, todo o tempo só queria lhe contar minha idéia.

Vá em frente e me conte!

Estou ouvindo.

Eu vou. E não é uma má idéia.

Se quer comprar uma propriedade por que não compra esta?

Este lixo?

Poderia ser limpa e drenada.

Afinal de contas, há muitas pessoas que trabalham na lama,

nos moinhos e nas minas de carvão que gostariam de comprar casas também.

- Um monte de níqueis e centavos... - Fazem dólares.

Não entendo como alguém tão bonita pode ser tão prática.

Lembra da vez que você veio aqui no depósito de gelo de Elroy

e você, Parris e eu brincamos nas argolas?

Eu era uma pequena terrível, não era?

Oh, sim. Eu era. Mas você me provocava, tentava me superar.

Eu era um garoto terrível, eu acho.

Sim, você era.

Mas acho que fiquei mais furiosa naquele dia porque Parris estava lá.

Eu gostava muito mais dele do que de você...

naquela época.

- Tem certeza disto agora? - O que você acha?

Quando uma garota age assim como eu, está falando sério.

É porque eu quero.

Porque gosto de você mais do que qualquer um no mundo.

Isto tudo é sério?

Nada é sério para nós em todo o mundo, não é?

Drake, meu chapéu novo!

Oh não, meu chapéu novo!

Louise. Louise!

- Sim, o que a senhora quer? - Seu pai vai saber disto.

Por que está chorando?

- Faz alguma diferença? - Não me responda deste jeito.

Por que não pode me deixar em paz?

Porque não quero te ver aqui chorando como uma tola por nada.

- Por nada? - Sei porque está chorando.

Vi Drake McHugh passando com aquela

insignificante de subúrbio.

- Não tem vergonha? - Do quê?

Por deixá-la afastá-lo de mim?

Louise...

Sabe o que quis dizer. Não tem respeito próprio?

Não.

Bem, quase acredito em você.

Se ele quer sair por aí com aquele tipo de lixo...

Sabe como são os rapazes. Seu pai é um médico.

- Sabe tudo o que sei... - Não quero ouvir isto!

Pode ter certeza que quando um rapaz sai com uma garota como aquela, é só para...

Queria que fosse eu.

O que você disse?

Eu disse, que queria que fosse eu.

Queria que fosse eu! Queria que fosse eu!

- Olá, Randy. - Olá, Ed.

Oh, deixe-me descer aqui, Drake.

Por quê?

Por que nunca posso lhe deixar na porta da frente?

É tarde, e Pa e meu irmão Tod estarão em casa.

Não sou bom o suficiente nem para...

Drake...

Você ia dizer "nem mesmo para mim".

Não era isto.

Eu ia dizer, "Nem para eles."

E eles não acham que sou boa o suficiente para você.

Agora, acalme-se.

Não somos um casal que combina. Você pertence a Union Street.

Sua família era rica e aristocrática.

Meu pai é um chefe de ferrovia...

Se vai começar com esta bobagem de classes de novo...

Por que passou pelos Gordon ainda há pouco?

Bem...

Está no caminho de casa.

Mesmo quando não está, você passa por lá.

Não saiu com Louise por um tempo?

Sim. O pai dela me acha um grosso.

Então veio para o subúrbio.

Qualquer coisa ao sul dos trilhos de trem.

Randy, sabe que não é assim.

- Ainda pensa em Louise? - Às vezes.

- O que você pensa? - Fico furioso.

Sente mais alguma coisa?

- Eu não sei. - Obrigada, Drake.

- Pelo quê? - Por ser tão honesto.

Quando um rapaz que pertence a cidade

começa a levar uma garota do subúrbio para passear à noite de charrete,

as pessoas comentam. Sabe disto, não sabe?

Bobagem. Fofocas, fofocas, fofocas.

Gostaria de ouvi-los dizer na minha cara, algum dia.

Não podemos honestamente culpá-los por falar algo que é verdade, não é?

Oh, Randy, minha nossa.

Somente dizer, "Minha nossa" não resolve nada.

O que tem para ser resolvido?

O motivo porque meu pai não quer que eu saia com você.

Acho que minha mãe também não aprovaria, se ainda estivesse viva.

Vou sair com você enquanto você me quiser.

Mas não se zangue quando eu tento esclarecer as coisas.

Se me casasse com você, iria calar sua bocas.

Não me casaria com você, Drake.

O quê?

Ficou surpreso, não?

Sim, eu fiquei.

Bem é assim que é.

Continuarei deste jeito, mas de nenhum outro.

Vai se lembrar disto, não vai?

É aqui que quer descer?

Até logo, Drake.

Até logo, querida.

- Olá, mana. - Aí está você.

Não queria chegar tão tarde. Deixe, Pa, eu assumo.

- Uma vez não vai nos fazer mal. - Vamos, sente-se. Vou servir à mesa.

Arrumei aquela torção na terceira seção hoje, mana.

- Nivelei reto como aço. - É assim que se faz, Tod.

Quando Pa se aposentar e eu for o chefe da seção...

Drake!

Sr. Monaghan.

Sou Drake McHugh.

Talvez já tenha ouvido sobre mim.

Ficaria espantado se não tivesse do jeito o povo fala.

A maior parte do que dizem é verdade.

Mas a única coisa que não podem dizer é que já agi pelas costas de alguém.

Tenho levado sua filha para passear de charrete.

Gosto dela e ela gosta de mim.

Mas não quero fazer nada às escondidas.

Então, se tem alguma objeção quanto a eu continuar a vê-la,

agora é o momento de falar.

Bem, não, não.

Agora, o que você tem a dizer?

Não quer sentar e jantar conosco?

- Queria me ver, Sr. Lawes? - Oh, sim, McHugh.

Entre e sente-se.

É sobre sua conta.

Está com saldo negativo, não está?

Naturalmente, da forma como gasta por aí.

Mas achei que tinha mais de $1.000 na minha conta.

Como pôde gastar tanto além deste valor?

Não sei. Posso falar com o Sr. Curley?

O Sr. Curley está no Texas. Viajou a negócios.

Não o espero de volta até a próxima semana.

Bem, não tenho gastado muito dinheiro. Não muito.

Em julho deve ter havido um depósito de $1.000.

A mesada quinzenal de sempre.

É mesmo?

Espere um minuto.

Não houve nenhum depósito feito em julho.

Tem certeza?

Nada desde dois de abril.

Os documentos da mesada e propriedades

estão no cofre particular do Sr. Curley, suponho?

É onde ele sempre os guarda.

- Traga as chaves. - Sim, senhor.

Não diga nada a ninguém até que tenhamos certeza.

- A ninguém. - Sim, senhor.

ESCÂNDALO BANCÁRIO

Sr. Lucius Curley ainda desaparecido.

O Presidente do banco Burton foge com depósitos

da Sra. Pettigrew, dos gêmeos Hammond, da viúva Tierman e Drake McHugh.

REUNIÃO DOS DIRETORES DO BANCO

Entre os clientes particulares cujo fundo integral sumiu

após o desaparecimento de Lucius Curley, presidente do banco Burton County

está Drake McHugh. Os diretores do banco completaram a análise dos livros hoje...

A VENDA BARATO

Ei, Drake.

Entre, entre.

Gostaria de lhe falar por um instante, Sr. Monaghan.

Randy está aqui?

Não quero que ela me veja deste jeito.

Só quero falar com o senhor.

Ela está lá em cima.

Estava só passando o tempo por aqui.

Nunca soube o que fazer comigo mesmo aos domingos.

Quando Ma estava viva sentávamos e conversávamos.

Que tal uma xícara de café?

Não, obrigado. O guarda já me deu café.

Eu fiquei bêbado no Fritz Bachman na noite passada.

Sam Winters chegou e me levou para a cadeia

bem na hora de impedirem de me chutarem para fora.

Fritz Bachman, aquele verme.

Bem, não tinha nada que ter ido até lá e ficado bêbado.

Não, não tinha. Para falar a verdade, filho,

gostaria de falar com você já há algum tempo.

Não precisa.

Eu mesmo já me dei um sermão nesta manhã quando acordei na cadeia

com outros três convidados da cidade.

Quero um emprego, Sr. Monaghan.

Pode me conseguir um trabalho na ferrovia?

Não tenho nenhuma vaga na minha seção, Drake.

Acho que vou aceitar o café, por favor.

Olhe para mim, Sr. Monaghan.

Pareço um mendigo.

Serei um mendigo se ninguém me der um emprego.

- Já tentei com todos na cidade. - Drake?

- Oh, Drake, você parece... - Eu sei como pareço.

Como se tivesse passado toda a noite na cadeia por ficar bêbado.

Oh, Drake.

Sabe o que o pessoal na cidade está comentando sobre você e eu?

Não.

Estão dizendo que você vai me dar o fora a qualquer momento.

Muito simpático da parte deles tomar a decisão por mim.

Sinto muito. Não quis dizer isto.

Vou sair desta se você for paciente e me dar algum tempo

para sair desta confusão.

O problema é que nunca tive que pensar sobre dinheiro em toda a minha vida.

Só contava em recebê-lo, e agora...

Drake quer que eu lhe consiga um emprego.

Vou falar com o Sr. Turner.

Talvez ele lhe dê um trabalho no pátio.

Operador de trilhos, manobrista ou algo assim.

Significa trabalhar à céu aberto em qualquer tempo.

Não vai quebrar suas costas mas é trabalho duro com certeza.

O que seus amigos elegantes da Union Street vão dizer?

Vou lhe conseguir um emprego, filho.

Pode contar comigo.

Obrigado, senhor.

Se conseguir, venderei minha casa na cidade.

Vou arranjar um lugar aqui perto para morar.

- Será bem difícil. - Meus amigos estão aqui.

Bem, vou para casa agora e me limpar. Se puder voltar mais tarde...

Você fica aqui a partir de agora.

Suba ao quarto de Tod e lhe levarei água quente

para se lavar e barbear. Vou preparar algo para comer.

Depois vai para cama dormir.

Ruiva mandona, não é?

- Sabe de uma coisa, Randy? - O que é, Pa?

Quando era minha garotinha espoleta

ficava pensando em que iria se tornar.

Não devia ter me preocupado.

Baltimore e Ohio.

Chesapeake e Illinois.

Olá!

Olá!

Café, senhor?

Não deveria estar na rua em uma noite como esta.

Tenho que manter a ferrovia funcionando.

Além disso, tenho novidades.

Eu também, vim pensando nela.

Obrigado, querida.

Quem fala a novidade primeiro?

Você. Já conheço a minha.

Bem..

Pa ouviu esta tarde que você ganhará uma promoção.

Verdade?

O Sr. Turner finalmente se convenceu das suas boas intenções.

Assim, ele lhe fará seu assistente no escritório de carga com aumento de $2.

Está subindo, meu amigo.

Vinte ou trinta anos assim e serei alguém, não é?

Qual é a sua novidade?

Recebi uma carta de Parris.

- Como ele está? - Bem. Espera que eu também.

Quer saber de todas as novidades de Kings Row.

"Caro Drake, fico feliz em ouvir que está se sentindo bem"

"e tudo está indo tão..." Vou pular isto.

- "É claro..." - Porque nunca contou a Parris?

Sobre seu azar, quero dizer.

Acha que é para isso que tenho um amigo?

Adoro seu belo orgulho, querido.

"É claro, que estou me preparando como louco para os exames finais agora."

"Quem diria, a formatura é em junho."

"Definitivamente decidi o que vou fazer na vida, Drake."

"Vou ser um ..."

"Vou ser um ..."

"Um psiquiatra." Que isso quer dizer?

Não pergunte para mim. Eu sou a ignorante aqui.

"Acho que vai entender porquê, lembrando-se de Cassandra."

"Acho que serei o primeiro ..." Bem, aquela palavra de novo.

"em Kings Row e talvez na América."

Sabia que Parris seria o primeiro.

Aqui, leve para casa e leia o resto.

Puxa, sinto ter vendido a casa mesmo tendo conseguido $400.

- Por que sente? - Bem, se Parris vier neste verão

poderia ficar comigo.

Ainda vive do outro lado dos trilhos, não é?

Parris não é deste tipo.

Ele não é de Kings Row de forma nenhuma.

Não, não quis dizer isto.

O que quis dizer?

Só você, eu acho. Tenho pensado...

Hoje é a festa de Skeffington e sei que foi convidado.

- Triste por não estar lá? - Nem por um instante.

A maioria das pessoas de Kings Row já me esqueceu e eu posso esquecê-los.

Sabe, é engraçado como as coisas mudaram para nós.

Nós costumávamos ser tão... Bem, tão animados todo o tempo.

Cheios de entusiasmo e uma piada atrás da outra.

Agora nos acostumamos um com o outro, eu acho.

Às vezes, quando estamos juntos e você está deprimido,

não fala durante horas, até fico pensando se percebe que estou com você.

Não quero que seja assim.

Você é tudo para mim.

Quando não estou com você, mesmo por um minuto,

fico inquieto e perdido.

Eu sei, querido, sou mais feliz do que qualquer um poderia ser.

Espero que você também seja.

- Gostaria de mais café? - Não, obrigado.

Bem, talvez queira mais tarde.

Não esqueça de levar o bule de volta, certo?

Certo.

Vou lhe esperar para desejar boa-noite.

- Até logo. - Até logo, querida.

Até logo, rapazes!

Cuidado!

Rápido, Dutch, houve um acidente.

Chame o Dr. Gordon o mais rápido que puder!

Rápido, Drake McHugh foi atropelado!

Atropelado, Drake?

Não fique parado aí, chame o doutor!

Oh, Henry, você tem que deixar a festa?

Houve um acidente, Drake McHugh.

Drake McHugh?

Sim, esmagado por um vagão de carga.

O que aconteceu com Drake?

Nada que lhe diga respeito, Louise.

Onde ele está? Vou com você.

Não vai fazer nada disso.

Não pode me manter longe dele, não mais!

Harriet!

Louise.

- Tire suas mãos de mim! - Louise.

Vou até ele e ficarei com ele!

E nada que disserem ou fizerem vai me impedir.

- Henry! Oh, desculpe-me. - Está tudo bem, Coronel.

Acabei de saber sobre o jovem McHugh.

- Quer que vá com você? - Fique com seus convidados.

Segure-a aqui.

Eu vou lá!

Louise, as pessoas vão ouvir. Fique quieta.

- Vou precisar de ajuda. - O que vai fazer, doutor?

Alguém, você, Davis.

Traga alguns cobertores e meia dúzia de lençóis,

de qualquer lugar da vizinhança, e seja rápido.

Sim, senhor.

Pode aquecer água no fogareiro, Dutch?

Claro.

Vou ajudar, Doc. Me diga o que quer.

Certo, Sam, precisarei de alguém firme.

Agora, todo o resto saia.

O que quer que eu faça primeiro?

Corte suas roupas.

Alguém fique na porta e mantenha todos do lado de fora.

Eu farei isto, senhor, e os manterei do lado de fora.

E quando o senhor tiver terminado, pode levá-lo para minha casa.

É somente a alguns passos daqui.

Muito bem, feche estas cortinas.

Sim, senhor.

Agora, Sam, vamos ver.

O que deverá ser feito, doutor?

Amputação.

Sua perna?

- Qual? - As duas.

Só há uma chance.

- Pai. - A festa terminou?

Onde está sua mãe?

Eu saí.

Eu disse que faria.

Agüentei até onde pude, então fui até a ferrovia.

Não tinha nada a fazer por lá.

Você tinha acabado de sair.

Eles carregaram Drake para outro lugar.

Um velho terrível estava limpando a estação onde...

Agora basta!

Foi muito inadequado de a sua parte ir até lá

escancarando seus sentimentos, quaisquer que pense que sejam.

- Pai! - O que quer dizer?

Seu monstro, seu demônio!

Vou deixar o mundo saber o que você é,

nem que seja a última coisa que eu faça!

Amanhã... amanhã, vou contar a todos.

Sei o que você é.

Sei tudo sobre você e suas operações!

Você vai para a cama já!

- Não vou, vou contar tudo! - Louise, me escute.

Não posso permitir que minha filha faça uma cena histérica.

Agora, vá para seu quarto e não saia de lá novamente

até que tenha minha permissão.

Eu vou contar, vou contar, vou contar, vou contar para eles!

Chega deste seu ataque histérico.

Se insistir, só há uma coisa que devo fazer.

O quê?

Se pronunciar somente mais uma palavra deste absurdo que ouvi de você,

vou lhe internar em um asilo!

Não ousaria!

Só preciso ir até aquele telefone na sala e coloco você em uma cela,

atrás de grades, em uma hora.

- Não estou louca e o senhor sabe. - Não sei de nada disto.

Quer dizer, realmente pensa... O senhor realmente...

Não posso pensar em nada mais quando faz estas acusações insanas!

Eu irei.

Assim é melhor.

E fique no seu quarto até que eu diga que pode sair.

Sim, senhor.

Pode dar conta por uma hora ou duas

até que a enfermeira da noite chegue?

- Sim, sei o que fazer. - Boa noite, então.

Deveria sair para respirar ar fresco.

Tenho que estar aqui quando ele descobrir.

Sente-se e coma alguma coisa, criança.

Por favor, tome um pouco de café.

Não dorme há três noites.

Ele vai ficar bom, o doutor prometeu.

Sei o que está pensando.

Mesmo que ele fique bem, como ele vai sobreviver agora?

Gostaria que não falasse sobre isto.

Quero que ouça o que tenho a dizer.

Quer manter Drake aqui, não quer?

É o que você quer, não é, Randy?

- Randy. - Sim, Tod?

Ele está acordando, eu acho.

O doutor disse para lhe dar outra injeção nesta noite?

- Não, vou até ele para lhe falar... - Randy quer que Drake fique aqui.

Puxa, isto é bom.

Tem que ter alguém para cuidar dele.

Oh, Randy, qual é o problema, mana?

Drake não tem nenhum dinheiro.

Quase nenhum.

Dinheiro?

Sim, ele tem somente alguns dólares.

Bem, ele não precisa de nenhum, não é?

Oh, mana.

Randy! Randy!

Randy! Onde está o resto de mim?

- Drake. - Randy!

Sim, Drake?

Foi o acidente!

Sim, querido, mas não fale ainda.

Parris.

- Herr Mitchell. - Dr. Candell acabou de me chamar.

Chegou uma carta para o senhor, entrega especial.

- Achei que poderia ser importante. - Obrigado, Heinrich.

Entre.

- Boa tarde, Mitchell. - Boa tarde, senhor.

Desculpe-me, uma carta de casa.

De casa?

Aquela pequena vila na América do Norte, acredito.

Sim, senhor.

- Gostaria de lê-la agora? - Não, mais tarde.

Mitchell, gostamos do seu trabalho aqui.

Deve ficar feliz em que irá se formar

com uma das melhores notas de nossa história recente.

Verdade, senhor?

Outra coisa que pode lhe deixar contente.

Pelo menos, espero que sim.

Tenho conversado com os outros.

Planejamos expandir nosso Depto. de Pesquisa Psiquiátrica aqui.

Seria um prazer lhe oferecer uma colocação conosco.

Eu?

É claro, se quiser tempo para pensar.

Não mesmo, poderão mudar de idéia.

Muito bem!

Começará imediatamente. O período de verão.

E, se quiser celebrar esta noite,

dizem que há uma nova dançarina no Hotel Crillon que é divina.

Drake!

Esta primeira frase.

"Você e Randy fiquem juntos até que eu chegue aí."

Sim, sei de cor.

É claro, ele não entende que não tenho nenhum dinheiro.

Mesmo com a casa vendida são somente uma centena de dólares.

E daí?

Minha nossa, Randy, nunca mais poderei ganhar dinheiro.

Então, pensei...

Bem, lembrei que se você tivesse algum dinheiro...

Bem, já ouvi falar de asilos onde poderia me internar.

Drake McHugh.

Não faça isto, Randy, eu ficarei bem.

Vou me certificar que sim.

Ouça, Drake, não pedi para entrar na sua vida, pedi?

Não.

Certo, então me deve algo.

Você me deve você mesmo.

Drake, você está bem?

Sim.

Acho que não entendi o que você quer.

Quero que você se entregue inteiramente a mim por enquanto.

Até que esteja bem e de pé por aí...

Mas você sabe, querida, nunca mais estarei de pé, por aí.

O que aconteceu é terrível, mas você está vivo.

Isto é muita vantagem.

Está vivo e eu te amo.

Vou lhe dizer uma coisa e quero que ouça até que eu termine.

Então pode falar se quiser, mas quero falar tudo primeiro.

Antes de tudo, o que Parris disse no telegrama.

"Você e Randy fiquem juntos até que eu chegue aí."

Vamos fazer isto, mas eu já tinha me decidido

muito tempo antes disto acontecer.

Então depois do acidente, só tive que pensar como, só isto.

Lembra que uma vez falou algo sobre casar comigo?

Bem , fiquei furiosa porque achava que tinha sido ofendida.

Sabia que você nunca tinha pensado nisto até aquele momento.

Mas não deveria ter lhe culpado tanto por isto.

Nunca se preocupou com nada naqueles dias até que foi obrigado.

Então, depois veio para cá.

Lembra da manhã que pediu para Pa te ajudar a conseguir um emprego?

Bem, decidi naquele dia que casaria com você,

logo que o momento certo chegasse.

Acho que já estava convencida então, que você também queria casar comigo.

Eu sabia que queria casar com você...

- Randy, minha nossa, como eu ... - Quieto! Tem que escutar.

Agora o momento certo chegou.

Vamos nos casar, e então pensar numa maneira,

o que faremos depois.

- Randy! - Não estou ouvindo.

Vou telegrafar para Parris agora e lhe contar.

Ele ficará feliz, Drake.

"É claro, Randy, é uma chocante e terrível tragédia,"

"particularmente o que aconteceu com Drake."

"Ele vivia pela sua liberdade e independência."

"Ele irá perceber..."

"provavelmente já percebeu, que perdeu ambas."

"Será sua tarefa devolvê-las para ele."

"Reparar o corpo às vezes pode ser feito em um curto espaço de tempo."

"O ferimento na mente,"

"o que é conhecido como psique."

"Leva mais tempo."

"As feridas psíquicas atacam seu orgulho, sua iniciativa,"

" e devemos salvá-las se quisermos salvar Drake."

"Quando decidi me tornar um psiquiatra,"

"nunca imaginei que estaria escrevendo minha primeira prescrição"

"para meu melhor amigo."

"Logo que se sinta melhor,"

"deve encontrar um interesse além de si mesmo."

"Algum trabalho que o force a depender de si mesmo"

"e a tomar suas próprias decisões."

"O complexo do inválido inútil deve ser evitado a qualquer custo."

"Na verdade,"

"deve-se fazer com que ele acredite que uma vez que ganhe a vida sozinho"

"ele irá, é claro, ser capaz de se sustentar."

"Escrevi para o banco instruindo-os para entregar a vocês"

"a pequena propriedade que Tower deixou para mim."

"use como um tipo de novo início para vocês."

"Não importa que seja uma fazenda próspera ou uma criação de galinhas"

"desde seja algo que afaste sua mente de si mesmo"

"e o faça perceber que ainda é útil neste mundo."

"Me sinto tão inútil estando tão longe."

"Confio em você. Deve obedecer minhas instruções fielmente."

"Querido amigo, Parris,"

"Não sei o que faria sem suas cartas diárias."

"Acho que estou começando a entender o que está tentando conseguir."

"Tive momentos difíceis ao falar sobre dinheiro."

"Tentei lembrar do que você disse,"

"fazê-lo decidir por si mesmo."

"Mas conhece Drake, o quanto ele é orgulhoso."

"Se pudesse tê-lo visto, fechando a cara dizendo..."

Não aceito caridade.

- Muito bem, querido. - Quer que eu aceite?

Tem que decidir por você mesmo, Drake.

Mulheres não entendem nada sobre dinheiro.

É claro, odeio ver você magoando Parris.

Que quer dizer?

Ele teve tanto trabalho.

Faria o mesmo por ele, não é?

Acho que você também se sentiria muito mal,

se ele aceitasse parte do nosso dinheiro sem nenhuma intenção de devolvê-lo.

Mas esta é exatamente a questão. Como poderia pagá-lo de volta?

Acha que eu posso aprender crochê, querida?

Não brinque deste jeito.

Bem, se existisse algo que eu pudesse fazer...

Ainda tem seu cérebro, Drake.

Não, não vire seu rosto para a parede.

Olhe para mim.

Você é meu homem e eu te amo.

É um homem melhor do que muitos que conheço.

Veja Peyton Graves, por exemplo, estufado como um pombo

porque progrediu com aquele negócio de venda de propriedades sozinho.

Será...

Não, acho que não poderíamos.

Não poderíamos o quê?

Aquela terra rio abaixo que você gosta tanto.

Não sei porque não poderíamos.

Você é inteligente.

É claro, teria que me ensinar tudo o que tenho que fazer,

sou somente uma mulher.

Acha que deveríamos tentar?

Você é o chefe.

Oh, vamos, Drake. Podemos fazer qualquer coisa juntos!

Somos apenas um casal jovem começando a vida.

Outros casais já começaram com dinheiro emprestado.

O velho Parris não ficaria surpreso quando retornasse

e nos encontrasse já estabelecidos nos negócios?

O dinheiro dele poderia duplicar ou triplicar.

Ei, vá devagar.

Assim ele não sentiria vergonha de mim, não é?

Parris?

Ele ficaria orgulhoso de mim, não ficaria, Randy?

Com certeza ele ficaria.

Ele ficaria muito orgulhoso de mim, não ficaria?

Parris, meu rapaz!

Olá, senhor.

Bem, bem. Finalmente em casa!

Não ficaria mais feliz em ver qualquer outra pessoa.

Está parecendo muito bem, senhor.

Não mudou nada. Só cresceu um pouco, só isto.

Vamos, minha charrete está esperando.

Se importaria se não fôssemos para casa agora, senhor?

Gostaria de ver Drake.

- O senhor compreende? - Claro, claro.

- Me dê sua mala. - Muito bem.

Passe no escritório a qualquer hora que voltar de lá.

- Parris! - Randy!

Randy.

Oh, Parris, estou tão feliz em ver você!

Como ele está? Como ele está, de verdade?

Não sei, está melhor. Acho que está melhor.

Tenho tentado, Parris. Mas agora você está em casa!

Randy.

Depressa, Drake ficará maluco. Ficará tão feliz em vê-lo.

- Olhe! Olhe quem está aqui! - Drake!

Maria, abençoada Mãe de Deus.

Maria, abençoada Mãe de Deus.

Bem, como lhe parece a velha cidade?

Não sei, muito bem.

É claro, depois de Viena e Paris, é um pouco estranho.

Apostaria que sim.

Bem, é o mesmo velho buraco provincial.

População: 5 mil bodes e eu.

Enquanto o senhor e pessoas como o senhor existirem, Kings Row ficará bem.

Não quero mais tomar seu tempo, senhor.

Se me disser onde minha mala está, irei para o hotel.

Notou alguma coisa quando passou pelo hall?

Alguma coisa nova ou qualquer coisa parecida?

- Não, acho que não. - Nem uma coisinha?

Então tenho uma surpresa para você.

Sim, senhor, espere só para ver.

Arrumei tudo para que começasse com o pé direito e se sentisse em casa.

Gostou?

É muita consideração sua, senhor, eu...

Bem, devo dizer, não parece muito contente.

Não me diga que a Europa fê-lo mudar.

Não, não, senhor, não é isto. É só que...

Teve todo este trabalho

e acho que não ficarei aqui.

Não permanentemente, quero dizer.

Não em Kings Row? Por que não?

Por um motivo: me ofereceram uma posição na escola em Viena,

uma oportunidade irrecusável.

Solicitei uma dispensa e vim até aqui...

por causa de Drake.

Logo que tiver certeza que está bem, espero retornar.

Isto é um choque terrível, Parris, eu contava com...

Bem, precisamos de um novo homem aqui,

agora que o Dr. Gordon está morto.

O Dr. Gordon está morto?

Sim, não soube?

Faleceu no mês passado, de repente.

Coração, eu acho.

Devo ter pulado alguns jornais enquanto voltava para casa.

Sim, senhor, está mais morto do que um prego.

Algum dos senhores é o Dr. Mitchell?

Porque o senhor não é, Coronel Skeffington.

Então esta carta deve ser para o senhor.

- Brilhante dedução, Daisy. - Obrigado, Daisy.

De nada. É o doutor agora.

O pequeno Parris Mitchell, quem pensaria nisto?

- Sra. Henry Gordon. - Imagine só.

Não tenho visto muito os Gordons ultimamente.

Louise, de jeito nenhum.

Ela nem foi ao funeral do pai.

- Ela... - Bem, vou indo.

Venha até nossa casa quando puder. Vamos conversar.

Obrigado, eu irei.

Dr. Mitchell,

tenho certeza que está surpreso ao ouvir isto de mim.

De alguma forma eu...

Sinto que posso confiar em sua descrição

já que era amigo de Louise.

Tenho passado por uma experiência difícil desde que meu marido morreu.

Louise está doente?

Receio que sua mente tenha sido afetada.

Depois que Drake McHugh sofreu o acidente.

Louise fez uma cena terrível com seu pai.

Um pouco depois,

ouvimos uma notícia estranha de que ele realmente se casou...

Com Srta. Monaghan, que está cuidando maravilhosamente dele, Sra. Gordon.

- Realmente? - Sim.

Isto parece incrível, não é?

Mas deste dia em diante,

Louise se recusou a deixar seu quarto.

Ela não falou nada.

Não fez nada, a não ser ficar sentada em seu quarto.

Então o Dr. Gordon faleceu.

E agora...

Tenho que lhe contar uma coisa terrível.

Quando...

Quando meu querido marido

jazia aqui, nesta sala,

Louise desceu.

Eu a segui por alguns minutos,

Então a encontrei...

Sim, Sra. Gordon? Tente contar com calma.

Eu a encontrei inclinada sobre seu pai morto e...

Amaldiçoando-o.

Dr. Mitchell, sou uma mãe desesperada.

Não posso suportar que minha filha

difame a memória de um grande homem.

Sei que esteve estudando em Viena.

Não há nenhum médico aqui que entenda estas coisas.

Ninguém a quem eu possa recorrer.

Pode me ajudar com ela?

Para mantê-la calada!

Onde ela está?

Vou levá-lo até ela.

Trouxe um velho amigo para vê-la.

Parris Mitchell, filha.

É Dr. Mitchell agora, e ele veio para vê-la.

Olá, Louise.

Parris?

Sim.

Parris Mitchell.

Estou muito feliz em lhe ver novamente.

Já faz muito tempo.

Sim, já faz muito tempo.

Vá embora.

Você é o Dr. Mitchell agora?

Sim.

- Não estou louca, Parris. - É claro que não.

Ela pensa que estou.

É de admirar que não esteja, mas não estou.

Sei disto, Louise.

Viu Drake?

Sim.

Como ele está?

- Tão bem quanto possível. - Ela casou com ele!

Ela era o tipo que ela gostava. Ele nunca gostou de outro tipo!

Ela cuida dele muito bem, Louise.

Ele precisa de cuidados, você entende.

Meu pai cortou as pernas dele, Parris.

Sim, eu sei.

Eu estava lá.

Lá onde?

Cheguei tarde. Se não tivesse chegado tarde...

Não estou louca, Parris.

Eu sei, Louise.

Você deve descobrir o que aconteceu.

Havia um homem que ajudou meu pai, talvez ele saiba.

Acho que não era necessário. Meu pai fez isto por minha causa!

Vê? Também acha que estou louca.

Percebe o que está dizendo? É uma acusação terrível.

Tem que acreditar, guardei uma lista.

Ele sempre comentava sobre suas operações, outros médicos não fazem isto.

Achava que era seu dever punir a maldade onde quer que encontrasse.

Era um fanático como minha mãe, ele costumava falar com ela.

- Acho que ela sabia também. - Mas seu próprio pai!

Meu pai.

Quase sempre dizia que seus corações eram muito fracos para usar clorofórmio.

Mas seus corações não eram fracos demais para serem cortados em pedaços.

E com Drake, tinha uma duplo propósito. Ele o odiava por minha causa!

Parris.

Acha que estou louca?

Não, Louise, tenho certeza que não.

Quero que comece devagar.

Quero que reúna todas as evidências...

Mas seu pai está morto, esta tudo terminado para sempre.

Eu quero contar. Quero que todos saibam!

- Mas Louise... - Quero destruir sua memória!

Já pensou no terrível mal que poderia causar?

Talvez alguém que você ame. Você amava Drake.

Ficar aleijado já é terrível o suficiente, mas descobrir que foi desnecessário...

- Ela casou com ele! - Tente se acalmar.

Parris.

Você irá me ajudar?

Sim, Louise, vou ajudar em tudo que puder.

O que faremos primeiro?

Primeiro?

Não vamos contar nada sobre isto a ninguém.

Pelo menos por enquanto.

Vamos manter como um segredo entre nós, sabe, até termos certeza.

Virei e conversarei com você todos os dias, sempre que quiser.

Se quiser que lhe ajude, deve se entregar inteiramente em minhas mãos.

Fará isto por mim, Louise?

Talvez sim.

- Por algum tempo. - Assim está melhor.

Agora, vamos começar a pensar sobre outras coisas.

Há um livro que eu li que você poderia gostar.

Acha que poderia haver a menor possibilidade de fundamento

nas acusações de Louise contra seu pai?

Sim.

Mas um homem, um médico!

Não disse que era verdade. Disse que era possível.

Cirurgiões sádicos não são desconhecidos na história da medicina.

Eles são poucos, graças aos céus.

Um entre milhões.

Você ficou surpreendido que uma coisa como esta

possa ter acontecido bem aqui em Kings Row.

Não ficaria chocado se ouvisse ter acontecido

em alguma cidade distante na Europa.

Estou chocado por causa de Drake.

Filho, homens costumam matar outros homens que vão atrás de suas filhas.

Assassinato.

Parris, acho que é melhor deixar este caso dos Gordons.

Não posso!

Por que não?

Louise não está louca!

Então ela não precisa da sua ajuda!

Se não ajudá-la, ela se tornará louca.

Tentei tudo o que sabia. Conversa, livros, música.

Devo lhe dizer, ela ficará louca a menos que eu a livre desta obsessão

deixando que ela conte tudo o que sabe.

Acha que faria algum bem levando esta coisa a público?

Então quer um conselho de verdade, filho?

Sim, senhor.

Saia desta cidade. Agora.

Antes que se envolva demais.

- Mas achei que tinha dito... - Mudei de idéia.

Aquela oportunidade de ouro em Viena, aceite.

Não posso partir daqui com esta coisa sem solução.

Continue assim de caso a caso, e ficará aqui para toda a vida.

Não me diga que ficaria satisfeito em permanecer aqui.

Nunca quis ver Kings Row novamente.

Mas ainda é...

Não sei, é o lugar onde cresci.

Adorava caminhar pelo campo e simplesmente olhar para ele.

Cada folha e cada ramo.

Se pudesse fazer isto agora.

E não pode?

Tenho medo de encontrar fantasmas,

ou memórias. Pessoas que amei.

Minha avó,

Dr. Tower,

Cassandra.

Lugares que eu lembro.

A passagem na cerca, o lago, a casa que vivi.

Não foi até lá desde que voltou?

Não suportaria vê-la.

Pensei que espantar fantasmas da mente

das pessoas era exatamente seu trabalho.

- O quê? - Melhor eu ir agora.

- Espere um minuto, Coronel. - Até logo, filho.

Cassie!

Olá.

Não vá embora.

Não queria invadir. Sou Parris Mitchell e eu...

É o Dr. Mitchell, aquele que costumava tocar piano?

Ninguém em identificou assim antes.

O professor Berdoff sempre fala de você.

Você é aluna dele?

Sim, um pouco.

Mas ele me diz que tem só alunos estúpidos!

- Eu sou uma estúpida. - Não acredito.

Como poderia saber?

Ele disse que você é um gênio.

Bem, não sou.

Tem um pouco de sotaque. É européia?

- Sou vienense. - Estudei medicina em Viena!

Sim, eu sei.

- Sabe de tudo, não é mesmo? - Algumas pessoas têm falado.

Sou Elise Sandor.

Meu pai é chefe da estação experimental aqui.

É claro, veio ver sua casa.

Nos o esperávamos.

Sempre caminhava por aqui,

passava os degraus,

passeava pelas árvores, pelo lago.

O lago era um lugar muito,

muito especial.

É para mim, também.

Gostaria de descer e vê-lo mais de perto?

Se não se importar.

Por que me importaria? Era seu primeiro.

- Vive aqui há muito tempo? - Quase dois anos.

Todo este tempo?

E eu não sabia, Srta. Sandor.

Todos me chamam de Elise.

Ainda não estou acostumada com o "Srta."

Quantos anos tem? Se não se importa?

Dezenove.

- Puxa, é só uma garotinha. - Eu não acho.

Provavelmente não.

Achava que era uma criança quando tinha dezenove?

Não.

Quando me viu, me chamou por outro nome.

Porque fez isto?

Acho que fiquei deslumbrado com quem se parecia sentada lá.

Como alguém chamada Cassie?

Um pouco com alguém, sim.

Uma garotinha com quem eu costumava brincar.

Sua namorada?

Sim.

Costumávamos nadar aqui.

Éramos somente crianças,

mas acho que sabíamos que não devíamos.

Quer dizer... Oh, crianças travessas!

- Foi há muito tempo atrás. - O que aconteceu com ela?

Ela morreu.

Sinto muito.

Não, está tudo bem. Agora já posso pensar nisso.

Gostaria de subir e ver a casa?

Estou um pouco inseguro sobre isto.

Pode entender?

Vamos, vou com você.

Não parece a mesma?

Quase como quando eu voltava da escola.

Um pouco menor, mas esperava isto.

Pai!

Aqui está uma visita que veio nos ver.

É o Dr. Mitchell.

O que você acha?

Como vai, senhor.

Estou muito satisfeito em lhe receber, Dr. Mitchell.

Mas talvez, isto seja inapropriado.

Esta costumava ser sua casa.

- Nós somos os intrusos! - De forma alguma senhor.

Parece...bem, tínhamos o piano lá ao invés de onde está agora.

Mas fora isto, é como voltar para casa.

Ficará para jantar, então? Ele pode, não pode, pai?

Certamente!

Aposto que têm uma criada chamada Anna.

Você não é uma aluna estúpida.

- Mesmo? - Mesmo.

Algumas coisas não faz do modo certo.

Posso lhe mostrar?

Faria isto?

Mas isto é uma visita. Na próxima vez que vier.

Não, não. Vamos ver agora.

Não sou um professor, mas posso mostrar algumas coisas, eu acho.

- Irá praticar? - Seis horas por dia, se pedir.

Céus, não. Aqui, agora.

Do início.

Sua tonalidade está fraca.

Entendeu?

Não tinha idéia. Já são 23:00.

- Pai, que vergonha. - Por favor, me perdoe.

O quê?

Indo embora tão cedo, Dr. Mitchell?

Estou indo embora, mas não tão cedo, eu temo. Boa noite, senhor.

Deveria vir mais vezes, se minha filha não for cansativa.

Ela?

Ela fica um pouco solitária às vezes.

Fala demais, quando encontra alguém para escutar.

Pode sentir como se fosse um pouco sua casa novamente, se quiser.

Ela esta sendo sincera, Doutor. Eu também concordo.

Sempre há lugar aqui. Conhece a casa.

Quero que sinta que pode vir aqui às vezes para descansar,

para passar um domingo, ou quando quiser.

- Obrigado senhor. - Qual era o seu quarto?

O quarto do canto noroeste.

É meu quarto agora. Eu o adoro.

Minha cama fica em baixo da grande janela.

A minha também ficava.

Fico feliz que seja seu quarto.

E estou feliz que você... ambos morem aqui.

Boa noite agora.

Foi um dia e uma noite maravilhosos.

- Virá mais vezes? - Sim.

Pode ter certeza. Boa noite.

Vê todos estes marcados em vermelho?

Estão todos vendidos. Todo o agrupamento número um.

Vinte e quatro lotes.

Isto é maravilhoso!

Os trabalhadores compraram a maioria deles.

Preços baixos, mas mantêm os pagamentos em dia.

Tesoureira, mostre-lhe os resultados.

Acabei agora. É assim que estamos, até hoje.

Metade disto é seu, é claro.

Vamos todos ser pessoas velhas, ricas e desprezíveis. Posso prever isto.

Nada mal para uma garota e um aleijado preso em uma cama.

É maravilhoso, pessoal. Estou muito satisfeito.

Sabe o que deveriam fazer quando liberassem a novo agrupamento?

Deveriam guardar uns lotes para vocês, mudarem-se para uma nova casa.

Gostaria disto, não gostaria, Randy?

Gostar? É isto que quero acima de tudo.

Podemos Drake?

Randy...

Sim, querido, o que é?

Randy, ouça. Quero que me prometa uma coisa.

Prometo qualquer coisa.

Me prometa que nunca terei que sair desta casa até que esteja morto.

- Oh, Drake, que bobagem. - Me prometa!

É claro que prometerei se você quiser, querido.

Esqueça, Drake. Foi só uma idéia.

Sinto muito.

Está muito bem instalado aqui em cima. Esqueça.

Bem, tenho que ir. Tenho um paciente esperando.

Ouviu isto, Drake? Ele tem um paciente.

Consegui muitos pacientes.

Dois resfriados e gêmeos, semana passada.

Eu lhe disse que ele seria famoso.

Vou lhe acompanhar até a porta. Ficará bem, Drake?

Claro, o que você acha?

Até logo, milionário.

Até logo, Doutor.

Ficaria aborrecida se lhe pedisse uma xícara de café?

Gostaria de lhe falar por um minuto.

- É Drake... - Ele está bem.

Deve esperar estas explosões de raiva de vez em quando.

Olá, Pa, Tod.

- Olá, Doc. - Nos pegou em ação.

Parris quer falar comigo, Pa.

Oh, claro.

Bem, vamos para a varanda.

- Desculpem-me expulsá-los. - Está tudo bem.

- Não precisar fazer café novo. - Não é trabalho.

Não é bom,

este impulso dele de se esconder num canto.

Tentei fazê-lo sair, mesmo só até aqui em baixo.

Sei que é ruim para ele lá em cima.

Ele pode ver os trens e ouvi-los.

Às vezes ele tem pesadelos.

Eu o ouço acordar no meio da noite, gritando.

Ele não será o velho Drake até que possa ser tão livre quanto nós.

Tod lhe deu uma cadeira de rodas, uma vez, como presente.

Ele teria lhe matado se pudesse, e ele adora Tod.

Encontraremos uma maneira.

Ainda acredito que vencemos metade de luta muito delicada.

É claro, que se casar com ele significou mais do que qualquer coisa.

Nunca lhe falei, mas acho que foi muito bonito da sua parte.

Não me casei com Drake por piedade, Parris.

Eu sabia disto.

Nunca amei mais ninguém.

Mesmo na escola nunca tive atração pelos garotos.

Gostava deles ou não.

Diziam malcriações para mim e era só isto.

Além disto, me tratavam como um deles.

Então naquele dia que vi Drake na estação,

Bem, ele simplesmente abriu um espaço no meu coração

que estava esperando por ele.

Drake. Oh, Parris!

Alto, sempre rindo caminhando de cabeça erguida.

Então depois do acidente,

sabia que eu mesma tinha que me perguntar algo e responder.

Eu o amava por completo, e agora?

O que restou disto?

Estava com um pouco de medo que poderia amá-lo menos.

Algo que não poderia evitar,

algo físico, que pudesse me afastar dele.

Havia esta pergunta me encarando.

Então, em uma das suas cartas, havia uma frase,

"Deve lembrar agora, que Drake vive em um novo mundo"

"e que sua relação com este mundo, e com todos que vivem nele irá mudar."

Sabia que isto se aplicava a Drake e a mim mesma, também.

Um episódio de juventude e diversão havia terminado,

e com ela todas as pretensões desapareceram para sempre.

Entendi então, que não o amava menos,

somente de forma diferente.

Com um sentimento novo, envolvente e calmo, Parris,

de forma tão completa que substituiu o velho entusiasmo

que teria durado para sempre.

Randy, você é maravilhosamente sábia.

O café está fervendo.

Você não pode vê-lo. Ninguém pode vê-lo.

- Eu vou! Eu vou vê-lo! - O que é isto?

Louise! Não deveria ter vindo aqui.

Disse que me ajudaria, mas não o fez.

Está somente me enganando.

Vou contar ao Drake! Ele vai me ajudar!

O que se passa?

É a mulher com quem ele se casou!

Ouça-me, Louise. Controle-se.

Não deve ver Drake. Drake está doente.

- Disse que me ajudaria. - Disse que iria e eu vou.

Mas não posso se não fizer o que lhe digo.

Vá para casa agora.

- Pa, você a levará, não é? - Claro.

- Vai me ajudar? - Sim, Louise.

Mas deixe-me fazer isto ao meu modo.

Vá para casa com o Sr. Monaghan agora,

Irei falar com você esta noite.

- Fará isto por mim, não é? - Sim, Parris.

Parris, aquela pobre garota. O que ela queria?

Tenho tratado dela. Sua mãe me pediu.

Drake esteve apaixonado por ela uma vez.

Já estava acabado mesmo antes de eu partir para a Europa, Randy.

Suponho que já deva saber disto.

Louise sofreu um tipo de ataque nervoso.

Ela tem em mente que seu pai às vezes...

seu pai às vezes executava operações desnecessárias.

- Drake! - Não deve pensar, Randy.

- Não deve permitir-se pensar... - Parris, o Dr. Gordon...

- Não sei. - Sabe e não quer me contar!

- Não sei! - Poderia falar algo sobre isto?

Algo que nunca falei antes. Talvez eu não devesse falar agora.

Acho que é melhor sabermos tanto quanto possível agora.

- Eu estava lá naquela noite, - Sim, eu sei.

Algo que Sam Winters disse. Ele ajudou o doutor.

Algo que disse me fez pensar. Ele disse...

Continue, Tod.

- Drake não foi atropelado, Parris. - O que está dizendo?

Não, ele não foi.

Quando ele foi derrubado por aquelas telhas,

foi pego entre dois vagões.

Até onde eu sei, ele ficou meio,

acho que diria que ficou preso por uma roda

que não passou totalmente por cima dele.

O que Sam Winters disse exatamente, Tod?

Ele disse...

Posso me lembrar das palavras exatas.

Ele disse: "Dei uma boa olhada nas pernas,"

"nos ossos, e nenhum deles estavam quebrados."

Então é verdade!

Pare, Randy, pare com isto.

Mesmo assim, nunca poderemos saber.

Sam Winters é uma testemunha que não era um profissional.

O que ele disse não significa nada.

Sei como se sente, Randy, mas ainda temos Drake.

Drake ainda está vivo. É a única coisa que importa.

Quando Drake descobrir...

Ele nunca saberá.

Mas ele saberá. Ela voltará novamente ou outra pessoa...

Este tipo de notícia sempre chega em casa. E então?

Se chegar ao conhecimento de Drake que toda esta catástrofe

foi qualquer coisa menos um acidente...

O que aconteceria?

Acho que toda a estrutura que construímos para ele desmoronaria novamente.

E desta vez não poderíamos reconstruí-la.

Ele estaria perdido.

Louise tem que ser mantida calada, Parris.

Posso silenciá-la, Randy.

Ele poderia ser internada num asilo.

Sua mãe deseja isto.

Eu posso...

"Portanto meu julgamento é que sua condição"

"justifica seu confinamento em um asilo."

"Atenciosamente"

Sempre que tinha algo difícil demais para mim,

costumava recorrer a minha avó, aqui, em casa.

E o que ela diria, Parris?

Ela diria, ninguém pode me dizer o que é certo e o que é errado.

Exceto eu mesmo.

Ele deve ter sido uma senhora muito sábia.

Mas não há certo sem errado.

Um errado muito sério.

Devo entregar Louise Gordon para uma vida de horror inimaginável?

Ou deixo sua mãe prosseguir com seu plano, que é o mesmo que se eu o fizesse?

Não pode!

Então devo deixá-la livre e destruir Drake?

Não é justo que tenha que decidir tal coisa.

Sei o que posso fazer.

Não posso pegar um trem, então vou de barco.

Voltará comigo para Viena, Elise?

- Parris! - Estou falando sério.

Sim, Parris. Iria com você a qualquer lugar.

Mas não ficaria orgulhosa ao ir comigo.

Isto é verdade, não é?

Parris, tenho esperado tanto.

Por muitas coisas.

Desde que o vi pela primeira vez,

e todas as outras vezes, também.

Esperava que algum dia diria para mim exatamente o que falou agora.

E tenho esperado por outras coisas, também.

Esperava que nunca tivesse que voltar para Viena, mas que ficasse aqui.

E que encontrasse seu trabalho aqui, também.

Não posso ficar. Eu falhei aqui.

Teria sucesso em Viena?

Talvez esteja certa.

Talvez nunca devesse ter tentado ser um médico.

Esta infantilidade, não é digna de você.

Se pudesse achar uma saída!

Parris,

tem certeza que seu tratamento em relação a Drake é o correto?

Se não posso curá-lo, meu melhor amigo...

É exatamente isto.

Ele é seu melhor amigo.

Talvez o proteja demais.

E isto seria natural.

Suponha que ele seja só um paciente.

Suponha que ambos fossem. Ele e Louise Gordon.

Saberia o que fazer então?

Suponha que não sejam pessoas que ama ou

até mesmo conheça.

Não diga mais nada.

Elise, espere aqui por mim, bem aqui, só por uns instantes.

É claro que sim, mas por quê?

O que acabou de dizer, vou tentar uma coisa.

Se eu não voltar,

saberá que não tive sucesso.

Parris, não vá!

"Um novo feito em transmissão de notícias está sendo tentado"

"em conexão com o uso de telégrafo sem fio..."

Ei, rapaz.

- Prepare a sua cara, Drake. - Por quê?

Vai receber o soco mais violento da sua vida.

É mesmo? E quem vai me bater?

Eu vou.

Comece a se mexer.

É algo sobre você, Louise Gordon e o pai dela.

- Parris! - Ela esteve aqui hoje, Louise.

Ela queria lhe contar e eu não queria permitir.

- Parris, não pode. Você mesmo disse... - Acabei de vir dos Gordons.

Mandei que Loiuse saísse e contasse a todos que quisesse.

Mas para contar a você tinha que ser eu mesmo.

Não vou deixar, Parris. Por favor, se tiver sentimentos.

Não sou seu amigo agora. E você não é nada meu.

Sou seu médico. E você é meu paciente.

É como se eu o tivesse na mesa de operações

com o bisturi na mão, que pode curá-lo

ou destruí-lo.

Do que está falando?

Minha avó costumava dizer,

"Algumas pessoas crescem e algumas pessoas apenas ficam velhas."

Acho que é hora de descobrir sobre nós, você e eu.

Se eu sou um médico, e se você é um homem.

Sabe que tipo de homem estou falando, Drake.

Existe uma poesia, "Invictus".

Acho que não lembro de todas as palavras.

"Na noite que me cobre"

"negra como um abismo sem fim"

"agradeço aos deuses por minha alma invencível."

"Nas garras amargas do acaso não tremi nem chorei."

"Sob os golpes do destino"

"minha cabeça está sangrando,"

"mas não se curva."

Não sei se poderá agüentar isto, Drake.

Pode mandar.

Dr. Gordon cortou suas pernas. Não sei se era necessário.

Ele era deste tipo, um açougueiro,

que achava que tinha uma missão especial ao punir transgressores.

Com você ele teve um duplo incentivo por causa de Louise,

e os céus sabem mais o quê.

As cavernas da mente humana são repletas de sombras estranhas,

mas nada disto importa.

A verdade é que ele queria lhe destruir.

Não literalmente.

Queria destruir o Drake McHugh que era.

Queria vê-lo transformado em um aleijado para toda a vida.

Mentalmente, bem como fisicamente.

Isto é tudo, Drake.

Agora, se voltar seu rosto para aquela parede...

Esta foi demais, não foi?

Onde o Dr. Gordon pensava que eu vivia, nas minhas pernas?

Achava que aquelas pernas eram Drake McHugh?

Declame aquela poesia de novo, Parris. Nunca fui bom em poesia.

Drake, Drake!

O que era mesmo que queria, querida, construir uma casa?

Vamos nos mudar em plena luz do dia.

E vamos convidar os amigos, também.

Minha nossa, vamos dar uma festa, eu me sinto ótimo!

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