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DEUX - DOIS
Conheces mais alguma Madalena?
N�o...
S� tenho uma Madalena.
- Tu. - Encontrei isto.
Que queres que te conte?
Minhas pequeninas Maria e Madalena,
o tempo e a dist�ncia for�am-me a fazer
o que as mais duras necessidades nunca me obrigaram,
escrever-vos.
Estou cansada das frequentes tempestades de Fran�a
e eis-me de volta a Portugal.
Ficaria muito triste se pensassem que n�o gosto de voc�s,
e por isso vos escrevo.
Tive um sonho. Julguei...
... que era eu.
Beijo-vos.
E beijo-vos outra vez com todo o meu cora��o.
Vossa m�e, Ana.
Argumento
Um parque mergulhado na obscuridade, como se fora do destino.
As �rvores, jovens e antigas, est�o no seu lugar, � espera do amanh�,
todos os dias e noites que imaginaram estar neste parque.
Um parque belo, grande,
com relvados nas clareiras onde o trevo cresce em abund�ncia.
O solo est� coberto de folhas secas
e esta hora pinta o �ltimo verde de um cinzento-escuro inexpressivo.
Por volta das sete da tarde,
uma silhueta atravessa uma das clareiras.
� uma silhueta sombria.
� Madalena. N�o a reconhecemos.
Ela n�o quer ser reconhecida.
Produ��o
Maria!
Aquela que me era mais preciosa que a vida
e que eu via crescer rapidamente,
dotada de todas as qualidades da alma e do corpo,
dizia-me,
queria ter uma irm�zinha para brincar.
Recomenda ao bom Deus que me mande uma.
J� nessa altura, ela se interessava pelos animais,
e me perguntava por que raz�o
a andorinha se contenta em passar a rasar pelas chamin�s humanas,
sem ousar entrar.
Um filme de
Come-me, fode-me, querida
Querida, come-me, fode-me
Come-me aqui.
Come-me agora.
� nessa tarde de batalha
que n�s viramos para Ti os olhos,
as nossas esperan�as, as nossas ora��es,
as nossas exig�ncias e desejos e os nossos filhos.
Deus aben�oa as nossas armas,
os nossos sabres, as nossas pistolas,
e as balas de canh�o. Amen.
Vingan�a!
Vingan�a!
Vingan�a!
Come-me, fode-me
Querida, come-me
Agora, j�
Quando um cometa cai das estrelas,
� preciso pedir um desejo e mant�-lo em segredo.
A verdade � o que existe em mim.
O eu e o tu est�o sempre bem afastados.
Falo comigo e digo tu.
De vez em quando, l� sai um eu,
mas n�o � um verdadeiro eu, � uma necessidade.
Por que n�o tiras um bocado dessa maquilhagem?
- N�o te esque�as que sou casada. - Qual � a rela��o?
Sou mulher de Stanislas, n�o tua.
Que tem isso a ver com a maquilhagem?
� �bvio. � como o uniforme para os soldados.
Na guerra, eles matam e toda a gente acha bem.
Sem uniforme, seriam assassinos.
Com maquilhagem, n�o enganas o teu marido.
- Sem maquilhagem, �s-lhe infiel? - Exactamente.
Mas gosto muito de fazer amor contigo. Tu n�o?
Sim, mas depois, s� quero ver-te pelas costas.
Mal acabamos, uma perna come�a a ficar dormente,
depois s�o os formigueiros num bra�o. Acontece-me sempre isso.
� como se estivesse cortada em duas.
- lsso � porque tu n�o me amas. - Sim.
Em vez de usar compara��es vagas, como,
o nosso amor � grande como o mar, dev�amos dizer,
amamo-nos das 10 �s 11 da noite.
Beija-me.
Durante muito tempo,
adormecia abra�ada a um travesseiro de que n�o conseguia separar-me.
Precisava dele.
Era uma forma de me encarar sem complac�ncias,
mas com lealdade e ternura,
para me libertar de um lado secreto,
imposs�vel de desvendar em voz alta fosse a quem fosse.
No sil�ncio da minha solid�o, eu continuava a tecer
o la�o com o outro.
Amo-te.
Assustaste-a.
Escuta.
Gosto disto.
� for�a de ouvir, acabamos por aprender.
... Por exemplo.
E sobretudo a Carmen de George Bizet.
E sobretudo a Carmen de George Bizet.
Se n�o podes pag�-lo, ofere�o-te eu o chocolate. Est�s contente?
Esta manh�, cerca das 7:45,
o corpo de uma jovem assassinada foi encontrado em pleno campo,
j� em decomposi��o, escondido entre as folhas.
Ser� a quinta v�tima, em poucos meses,
daquele j� conhecido como O Homem das Flores,
porque embeleza sempre as suas v�timas com uma flor cortada,
pousada na boca.
As cinco mulheres que sofreram o mesmo calv�rio foram estranguladas
e parecem nunca ter visto o assassino em s�rie,
antes do seu encontro fatal com ele.
Queremos visitar a casa do senhor Van Gogh, morto aqui.
Querem visitar a casa de Van Gogh?
Onde � a casa do orelha cortada?
Amigos do loto, boa noite.
Espero que tenham aproveitado bem os �ltimos dias de f�rias
e tenham jogado ao loto, e conseguido bons n�meros,
e talvez esperem ficar entre os vencedores desta noite.
Desculpem. Mas sabem que Van Gogh j� morreu h� muito tempo...
Diz h� muito tempo?
Aqui n�o encontram nada.
Aqui n�o encontram nada.
Ele morreu h� 70 anos.
E muito longe daqui.
Ser� a quinta v�tima, em poucos meses,
daquele j� conhecido como O Homem das Flores,
porque ele embeleza sempre as suas v�timas com uma flor...
� um bandido alegre Destemido como nenhum
� um bandido alegre
� um bandido alegre Destemido como nenhum
Madalena, procurava-te...
H� quatro horas que ando � procura dela.
Quero que venhas comigo.
- Deixa-me. - Vem comigo!
Que te deu?
� a parteira das fadas.
N�o � maior que uma �gata no indicador de um magistrado
e vem, puxada por uma junta de pequenos �tomos,
pousar no nariz dos homens, enquanto dormem.
Dividerci il fato non potr�.
A sua carruagem � uma casca de noz vazia, confeccionada...
por um esquilo marceneiro...
Son tua, son tua col core e colla vita.
lo tamo, io tamo.
Os raios das rodas da sua carruagem
s�o feitos de longas patas de aranha...
lo tamo, io tamo.
A capota, de asas de gafanhoto,
os arreios, da mais fina seda.
E o cabresto, de h�midos raios de luar,
o seu chicote, de osso de grilo,
a ponta tecida de um fio da Virgem,
o seu cocheiro,
um pequeno mosquito vestido de cinzento,
nem metade sequer
da pequena lagartinha...
lo tamo, io tamo.
Deixe l�. N�o chore, senhora.
Tenho de ir. Os meus pais est�o � minha espera l� em baixo, no carro.
- Os teus pais falam portugu�s? - Franc�s, idiota.
- Diz l� au revoir em portugu�s. - Temos tanta vontade de ouvir.
Adeus.
Que foi que ele fez?
V�o-se embora!
E de repente,
enterrar as unhas no seu peito mole,
de forma a que ele n�o morra.
Pois se ele morresse,
n�o ter�amos depois a imagem da sua infelicidade.
Em seguida, bebemos o sangue, lambendo as feridas,
e durante esse tempo,
que deveria ser t�o longo como a eternidade,
a crian�a chora.
Duas semanas sem se verem n�o � a morte.
A Erica � a �nica pessoa aqui que n�o est� contente com as f�rias.
Minha pequenina Madalena,
o tempo e a dist�ncia for�am-me a fazer
o que as mais duras necessidades nunca me obrigaram,
a escrever-te.
Estou cansada de enfrentar frequentes tempestades em Fran�a
e eis-me de volta a Portugal.
Ficaria muito triste se pensasses que n�o gosto de ti,
e por isso te escrevo. Beijo-te.
E beijo-te outra vez com todo o meu cora��o. Tua m�e, Ana.
Madalena? Est�s deitada?
Estou.
Nem me dizes boa noite?
Estava esgotada.
Mam�?
Conheces mais alguma Madalena?
N�o, s� tenho uma Madalena.
Tu.
Escuta o que te quero dizer.
� preciso assassinar todas as mulheres gr�vidas. Todas,
como um ceifeiro de pesadelos.
� preciso aliviar a dor.
Tens de ir dormir.
Encontrei isto.
Que queres?
Que queres que te conte?
Suplico-te!
� preciso matar todas as crian�as antes de nascerem.
� preciso levar essa ca�ada a todo o mundo.
� preciso...
Ele era capit�o de um navio de longo curso
e trabalhava para um armador de Saint-Malo.
Ora,
depois de uma aus�ncia de 13 meses,
chegou ao ninho conjugal
no momento em que a sua mulher, ainda acamada,
acabava de lhe dar duas herdeiras.
Depois de as ver,
ele n�o se reconheceu nelas.
O capit�o n�o manifestou a sua surpresa, nem a sua c�lera,
Friamente, pediu � esposa que se vestisse,
e o acompanhasse a um passeio �s muralhas da cidade.
Estava-se em Janeiro.
Velho oceano,
os Homens, apesar da excel�ncia dos seus m�todos,
n�o conseguiram ainda deixar-se melhorar por eles.
Queres jogar comigo?
Eu agarro-te E tu agarras-me pela barbichinha
O primeiro de n�s dois que rir Leva uma palmada
V� l�, minha devassa!
Ele acabou de levar a crian�a.
Vejam se ele a cura e n�o a abandona,
como fizeram os seus pais. Ele foge...
Ele foge...
Menina, menina.
O comboio chegou, Menina, j� quase h� uma hora.
- � dia ou noite? - Come�a a fazer dia.
Reparei que tinha apenas um olho no meio da testa.
Espelhos arg�nteos,
incrustados nos pain�is de vest�bulos,
quantos servi�os j� me prestaram com o vosso poder reflector!
Desde o dia em que um gato angor� me mordiscou,
durante uma hora, o galo parietal,
como um tr�pano a perfurar o cr�nio,
lan�ando-se bruscamente sobre as minhas costas,
porque eu fervera as suas crias numa cuba de �lcool,
que n�o paro de lan�ar sobre mim mesmo a flecha dos tormentos.
Hoje, afectado pelos ferimentos
recebidos pelo meu corpo em diversas circunst�ncias,
quer pela fatalidade do meu nascimento, quer por culpa pr�pria,
acabrunhado pelas consequ�ncias da minha decad�ncia moral,
algumas foram cumpridas... quem preveria as outras?
espectador impass�vel de monstruosidades adquiridas
ou naturais, que decoram as aponevroses
e o intelecto de quem fala,
lan�o um longo olhar de satisfa��o � actualidade que me comp�e...
E considero-me
belo.
Mas que � isto?
Que fazes a�, Madalena?
Que fazes a�?
Tens aqui a porta.
E que fazes de casaco preto sobre a parede branca?
N�o sou nenhuma lavandaria a seco de muros brancos!
- Merda! - Que � que te deu?
A mulher � doida!
Larga-me!
Deixa-me!
- Ol�. - Ol�.
- Nunca te vi por aqui. - Acabei de chegar.
N�o estejas triste.
� f�cil de dizer.
Que fazes tu em Marselha?
Quero ser cantora.
Mas como vais consegui-lo, assim, sozinha, abandonada nas ruas?
Hei-de desenvencilhar-me.
Assim, sem nada?
Vem a minha casa.
Conhe�o algu�m que te pode ensinar a cantar.
Se n�o estudares, daqui a um ano continuas na rua.
Se o senhor estivesse no meu lugar, o que faria?
Eu teria confian�a.
N�o teria medo de ter confian�a.
N�o o quero incomodar.
Vivo s�. Apenas incomodarias a minha solid�o.
Sou todo fraqueza E fragilidade
Contra a minha vontade
Sinto as l�grimas correr
Perante tais sonhos desfeitos
Ter� o futuro
O encanto
Desses belos dias
J� passados
Adeus
Nossa boa mesa
L� busc�vamos outros l�bios
Cada um que l� bebia
L� busc�vamos outros l�bios
Cada um
Que l� bebia
Adeus nossa bela mesa
Adeus
Um vagabundo como os outros.
Mas o que s�o eles?
Ainda hoje me lembro de uma cena concreta da minha tenra inf�ncia.
O meu pai veio roubar-me em plena noite,
uma esp�cie de boneca de pano que a mam� me fizera,
e sem a qual eu n�o conseguia adormecer.
Chamava-lhe minha Beubeu
e acordava no meio da escurid�o aos berros,
quando n�o a encontrava ao meu lado.
Se a perdia, a cat�strofe para mim era t�o grande,
como a queda do mundo inteiro.
Ora, ele arrancara-ma da m�o e desaparecera.
Calma. Devagar.
N�o come?
A sua casa � bonita.
D� vontade de ficar.
De qualquer forma, n�o te deixaria partir.
Um, dois, tr�s, quatro,
cinco, seis, sete, oito,
nove, dez.
Ser� a quinta v�tima, em poucos meses,
daquele j� conhecido como O Homem das Flores,
porque ele embeleza sempre as suas v�timas com uma flor cortada,
pousada na boca.
As cinco mulheres que sofreram o mesmo calv�rio foram estranguladas
e parecem nunca ter visto o assassino em s�rie,
antes do seu encontro fatal com ele.
Quando uma mulher de voz de soprano lan�a notas
t�o vibrantes e melodiosas, ao escutar tal harmonia humana,
os meus olhos enchem-se de uma latente chama
e chispam fa�scas dolorosas,
enquanto aos meus ouvidos parece ressoar o fragor da canhonada.
Desanda daqui, ouviste?
Que fazes a�? Que procuras?
Est�s a ouvir-me?
�s muito manhosa, desconfiada,
falsa afabilidade,
grosseira.
Sabes que mais? �s uma ave de mau agouro!
�s uma mal amada!
Uma mal amada, entendes?
Estafermo!
Como eu amo os militares
Como eu amo os militares
Os seus bigodes E os seus penachos
- Senhora, as suas alunas esperam. - As alunas?
Como eu amo os militares
Est� melhor.
Manda-as entrar.
Vem, vem...
Como eu amo os militares
Adoro os militares
Com as suas braguilhas
As suas braguilhas?
Quando vejo os meus soldados
Prestes a partir pra guerra
Firmes e direitos Olhando de relance
� verdade que me orgulho
Ser�o vencedores Ou derrotados?
N�o sei nada � o que eu sei
N�o sei nada � o que eu sei
N�o sei nada � o que eu sei
Vem, vem!
... e com as costas apoiadas contra um chor�o,
ele p�e-se a verter l�grimas escaldantes.
Ele desfazia, um a um,
todos os seus belos sonhos de amizade cavalheiresca e sublime,
como a dos her�is da Jerusal�m Libertada.
Ver chegar a morte nada era, rodeado de almas her�icas e ternas,
de nobres amigos que nos apertam a m�o no momento do �ltimo suspiro!
Mas manter a exalta��o, rodeado por vis velhacos...
Fabrice exagerava como qualquer homem indignado.
Ao fim de um quarto de hora de emo��es,
notou que as balas de canh�o come�avam a chegar
� fila de �rvores � sombra das quais ele meditava.
Levantou-se e procurou orientar-se.
Olhou as pradarias bordejadas por um canal largo
e uma fieira de salgueiros frondosos.
Julgou reconhecer-se.
Deu conta de uma unidade de infantaria que passava o fosso
e entrava nas pradarias, a um quarto de l�gua � sua frente.
la dormir de bom grado, disse a si pr�prio,
mas n�o posso ser feito prisioneiro.
E p�s-se a caminhar muito depressa.
Tenho sede.
N�o tem nada que se beba? Tenho muito calor, com este uniforme.
- De onde vem? - De Paris.
E tenho de apanhar a liga��o para Portugal daqui a cinco minutos.
L� deve estar ainda mais calor.
Tenho de ir para casa. Ainda endoide�o, se n�o vir uma nuvem.
Eu gosto muito.
Por vezes, fico na esta��o, fecho os olhos e, de p�lpebras cerradas,
olho os clar�es luminosos do sol.
Conheci um rapaz cego que dizia,
Eu ou�o o sol.
E voc� � daqui?
N�o. Sou do s�tio para onde voc� vai. Ali�s,
tenho uma coisa a pedir-lhe.
Quando estiver em Portugal, pode p�r-me estes dois postais no correio?
Com prazer.
Que est� a pensar de mim?
Que devia eu pensar?
N�o sei. � por isso que lhe pergunto.
lncomodo-a.
Quer que me v� embora?
Por mim, estou-me nas tintas,
mas o comboio n�o.
Daqui a um minuto, est� a�.
N�o se esquece dos meus postais?
N�o me esquecerei. Voc� deu-me uma boa raz�o para ir a Portugal.
Que vai voc� fazer?
Continuar a ler.
� um livro que nunca me desilude.
Voc� est� a reler um livro que j� leu?
Melhor que isso. Nunca li outro, sen�o este.
Mas n�o releio tudo, s� uma passagem.
Ficaria de bom grado mais um pouco consigo.
Para meu prazer. Voc� agrada-me.
� pena haver este comboio.
Pobre soldado.
lsso passa-lhe.
Tudo passa.
� bom?
Podes comer tudo, j� n�o vem ningu�m.
Queres um copinho de vinho?
Onde vai?
Para casa.
De bicicleta percebemos melhor o mundo, que a p�.
E se eu a levasse?
N�o deve ser divertido fazer todos os dias o mesmo caminho.
N�o vamos dar a volta ao mundo. Levo-a s� at� sua casa.
Subo?
N�o tenha medo, eu agarro-a.
Est� bem sentada?
Descontraia-se, sen�o vai cair.
Voc� aguenta comigo?
Est� bem instalada?
Viu a Pena Capital, com a Diana Dors?
� a hist�ria de uma mulher
de cabelos louros como vagas de ouro.
Muito bonita.
H� um homem que a ama, mas ela j� n�o o ama.
N�o sentindo mais nada por ele,
ela rejeita-o com desd�m, � fria
e seca com ele.
Ele morre
e acusam-na a ela, sem raz�o,
de o ter morto.
Prendem-na.
Condenam-na � morte.
Essa condena��o destr�i a vida da fam�lia dela,
e vemos como a tratam os guardas da pris�o, nos seus �ltimos dias.
H� uma bela jovem que a acompanha,
que sente compaix�o por ela.
Ficam as duas muito pr�ximas nas �ltimas horas.
Antes da mulher de cabelos de ouro morrer,
uma velha crist� censura-lhe a falta de remorsos,
e a sua auto-piedade.
� um filme muito belo
sobre uma mulher que espera a sua sorte,
o desfecho do seu destino.
Tem de o ver.
Onde � que a deixo?
� uma daquelas casas, ali em cima. A pequena.
Um dia, vou rever esse filme.
Quer vir comigo?
Era bom.
- Est� bem? - Est� bem.
D�-me a sua m�o, n�o tenho onde escrever o meu n�mero de telefone.
Eu compro os bilhetes.
Adeus.
Os marinheiros Que morrem no mar
E que lan�amos no tenebroso abismo Como uma pedra
Juntamente com os crist�os J� hirtos
N�o v�o para o para�so
Ao encontro de S. Pedro
Eles rolam de escolho em escolho
Na inconsol�vel mortalha
De um saco de tela
Mas fiel ap�s a morte
A sua alma n�o voa
Para uma estrela
E ningu�m se apieda Da sua sorte
Sen�o a gaivota Em pleno voo
Alma e ave Fazendo um s�
O corpo do defunto procuram Longe da margem
E � por isso Que sob o negro c�u
A ave lan�a desesperada
O seu piar selvagem
N�o matem o alcatraz
Que plana sobre As ribombantes vagas
Ou que as aflora
Pois � a alma dum marujo
Que plana sobre um t�mulo
E chora
Chora
Est� a nevar.
Os sinos tocam Tocam os sinos
O Pai Natal morreu
Johnny pegou na pistola E pla cabe�a o faleceu
- Estou contente. - De teres bebido?
De eles terem partido.
Quando h� algu�m connosco, � como se tu n�o estivesses aqui.
Quando estamos sozinhas, n�o preciso de te olhar para saber que est�s a�.
E agora, reencontraste-me.
Talvez te pare�a idiota,
mas desde que me entreguei ao budismo, sinto-me muito melhor.
- Quando foi isso? - N�o h� muito tempo.
Tenho a impress�o
de ter acedido a qualquer coisa nova,
a uma verdade escondida por tr�s das apar�ncias.
Para Buda,
cada morte � seguida de um renascimento,
em fun��o do valor dos actos que praticaste.
Se respeitares as regras
e as observares rigorosamente, podes chegar ao Nirvana.
Tenho a impress�o que l� chegarei mais depressa com ele.
Para chegar � Via da Liberta��o,
� necess�rio abstermo-nos de cometer m�s ac��es,
come�ando pelo...
assass�nio,
o roubo,
a lux�ria,
a mentira
e o consumo de bebidas inebriantes.
E ainda, renunciar �s paix�es para apaziguar o esp�rito.
Acredita se quiseres, mas sinto
o esp�rito completamente apaziguado desde que me entreguei a isto.
Acredito-te.
Se me apetecer...
O papa que veio do frio.
Pela primeira vez desde h� cinco s�culos, n�o � italiano.
O novo chefe da lgreja � um cardeal polaco de 58 anos,
que decidiu chamar-se Jo�o Paulo ll.
Um homem de 20 anos acaba de ser descoberto enforcado, em casa.
Os vizinhos foram alertados pelo cheiro de putrefac��o
que exalava do apartamento.
A bicicleta na qual o homem efectuava todas as suas desloca��es
permanecia, im�vel, encostada � parede da casa, in�til.
O suic�dio ocorreu h� v�rios dias e o seu corpo definhou.
No popular bairro da rua L�o Lagrange reina a consterna��o.
� uma rapariga.
O t�tulo aparece esta manh� na maior parte dos jornais brit�nicos.
Ap�s v�rias semanas de espera,
o primeiro beb� proveta do mundo nasceu ontem em Oldham,
perto de Manchester.
Faz amor comigo, s� uma vez.
Gostaria muito de te agradar, mas prefiro ser sincera.
- N�o faltam mulheres por a�. - Claro, para fazer amor, h� sempre,
mas do que eu preciso � de uma que se chegue a mim,
que me abrace e diga, Por que est�s triste?
Gostaste da tua noite?
Desde que esteja contigo.
Um jovem
de cerca de 20 anos
acaba de ser descoberto
enforcado
em casa.
Anda c�, tu.
Al�m de atirares pedras contra as portas e de mijares como um porco,
saber�s tu, por acaso, de onde v�m os Homens?
Os Homens v�m de �frica. Sim, n�o olhes assim para mim,
v�m da �frica negra, tu e eu j� perdemos a cor.
V�m de �frica e sobretudo, v�m da Holanda,
onde nasceram os maiores pintores
com as suas paletas de cores flamejantes, como Rembrandt, Rubens.
Sil�ncio!
Est� a passar por voc�s um cortejo f�nebre.
Dobrem os joelhos por terra
e entoem c�nticos de al�m-t�mulo.
Se considerarem as minhas palavras como uma simples ordem imperativa,
mais que uma ordem formal e deslocada,
dar�o provas de esp�rito, e do melhor.
� poss�vel que consigam desta forma deleitar-se
com a alma daquele que descansar� da vida, num t�mulo.
Na realidade, isto �
para mim
um facto.
Que se passa? Atr�s de quem corre voc� dessa maneira?
A minha raposa. N�o a viu?
Ela corre t�o depressa... N�o posso mais.
- N�o consigo dar nem mais um passo. - Vamos encontr�-la.
Leonor j� n�o lhe interessa?
lnteressa. Mas quis vir ver o que se passava.
Voc� cheira a sono, se calhar adormeceu.
Que foi?
Devo ser a �nica nesta �pera com sapatos ordin�rios e um casaco velho.
Est� muito bem. Voc� � diferente dos outros.
S� a minha blusa � chique.
Sinta como � macia.
O seu bra�o � que � macio.
Era a ela que eu procurava.
L� est� ela.
- Talvez... - At� breve.
Durante muito tempo, adormecia abra�ada
a um travesseiro de que n�o conseguia separar-me.
Precisava dele.
Era uma forma de me encarar sem complac�ncias,
mas com lealdade e ternura,
para me libertar de um lado secreto,
imposs�vel de desvendar em voz alta fosse a quem fosse.
Era preciso continuar a tecer no sil�ncio da minha solid�o
o la�o com o outro.
lsso n�o corre bem, pois n�o?
N�o � nada. Vou lev�-la ao hospital, n�o se inquiete.
Subam o pano!
Maria.
Maria.
Madalena!
Mas entre os chacais, as panteras e as cadelas,
monstros esgani�ados, estridentes, rastejantes,
na infame colec��o dos nossos v�cios,
h� um mais feio, mais cruel e mais imundo!
Embora sem lan�ar grandes gestos ou grandes gritos,
alegremente esfacelaria a terra em detritos.
Uma vez aqui Uma vez al�m
Juntem-se aqui Que n�o � dif�cil
De p�!
Para os que entram na dan�a Em nome da grande esperan�a
Com menosprezo pela vida O meu filho canta
Marchar!
Para os que lutam pela vida Tendo s� por arma a vida
Para que vivam muito tempo O meu filho canta
Marchar!
Para aqueles que combatem a noite
Defendendo o dia Onde o sol brilhar�
Para todos os homens O meu filho canta
Para os que morrem em camisa No alvor do tempo das cerejas
Sob o olhar dos fuzis O meu filho canta
O meu filho e tu O filho
Que nascer� do meu filho Enquanto morre a liberdade
Para que a liberdade viva No mundo inteiro
Meu filho � preciso cantar
Que tem ela?
Por que n�o acorda?
Para os que atravessam Sem esperan�a
A porta estreita da Hist�ria
Em nome de um ideal O meu filho canta
Que tem ela?
Para os que arrastamos no escuro Pelo ch�o do �ltimo corredor
Das c�maras de tortura O meu filho canta
Para os que nunca mais ver�o O vermelho sol de Maio
Sobre a Porta de Pir�e O meu filho canta
Mam�!
Para aqueles que mesmo na morte T�m ainda for�a para a vida
Para os que v�o viver O meu filho canta
O meu filho e tu O filho
Que nascer� do meu filho Enquanto morre a liberdade
Para que a liberdade viva No mundo inteiro
Meu filho � preciso cantar
Parto sem ter tido um beijo na boca,
sem pensar no passado ou no futuro,
ao encontro da minha morte.
Vou-me embora.
E vais voltar?
N�o.
N�o quero que me enterrem, quero viver.
Tu e eu somos como rolhas num ribeiro.
Vamos para onde a corrente nos leva.
Desculpe, sabe onde � o grande museu de Lisboa,
onde est�o expostos quadros de Rubens e de Rembrandt?
- Ofere�o-lhe um caf�. - N�o, obrigada.
Menina, venha comigo.
Av� Maria
Cheia de gra�a
O Senhor � convosco
Bendita sois V�s
Entre as mulheres
Bendito seja
O fruto do Vosso ventre
Jesus
Santa Maria
M�e de Deus
Rogai por n�s
Pecadores
Agora e na hora
Da nossa morte
Amen
Queridos filhos que n�o tive,
fiz muito mal em n�o vos ter tido e agora, vou morrer.
Beijo-vos, n�o s� como m�e, mas como aos �nicos seres que me amam.
Nunca passou um s� dia, que eu n�o sonhasse convosco.
Minha querida m�e inacess�vel, minha excelente mam�,
tardei demais para te escrever, por fim.
O comboio que me levou � tua procura vai fazer-me desaparecer.
Tr�gico, n�o �?
lnformo-te que na vida,
me fiei sempre na minha boa estrela e me esforcei.
Entristece-me um pouco que, como �nica recorda��o de mim,
tenhas apenas as imagens dos meus primeiros dias.
Meu muito querido pai desconhecido.
Teria gostado tanto de ouvir os teus serm�es e censuras.
Poderias dizer as coisas mais desagrad�veis,
que mesmo assim eu sentiria prazer. lnfelizmente,
daqui a instantes, a morte vai levar-me
e nunca saberei que parte de mim herdei de ti.
Sempre tive um ventre e um sono perturbados.
Talvez tu tamb�m tenhas?
A Marpa, a Milar�pa,
ao senhor do Dharma Gampopa,
ao Karmapa,
�s descend�ncias Dri, Tak e Tsel,
assim como � gloriosa Droukpa,
� linhagem Dagpo Kagyu, incompar�vel protectora dos seres...
Mostra-te.
Encontrar-te-ei onde quer que te escondas.
Mesmo ao p� da praia, n�o me escapar�s.
A mar� que sobe contar-te-� que conhece o teu passado.
Os far�is costeiros perseguir-te-�o.
E assim te vergar�s a meus p�s. O combate ser� belo.
Eu, sozinha, contra ti.
Mostra-te!
Mostra-te!
Encontrar-te-ei onde quer que te escondas.
Mesmo ao p� da praia, n�o me escapar�s.
A mar� que sobe contar-te-� que conhece o teu passado.
Os far�is costeiros perseguir-te-�o.
E assim te vergar�s a meus p�s. O combate ser� belo.
Eu, sozinha, contra ti. Mostra-te!
Na sala do alto
Com Jesus
Deixa-me!
Na sala do alto
Com Jesus
Na sala do alto
Com o meu Senhor
� pris�o de Sintra.
Vou visitar os reclusos.
Sou visitante de pris�es.
Por que n�o me abra�as?
Tenho frio.
- O qu�? - Estavas distra�da. Bem vi...
- Nunca vi um cometa. - Mais uma raz�o para esperar.
Por mim, ficava aqui sentada toda a noite, � espera de ver um.
- Tamb�m nunca vi um eclipse. - Nunca viste um eclipse?
lncr�vel!
Observa a Lua. Fixa-a bem.
A Lua, conhe�o eu. Nunca vi foi um eclipse.
Fixa bem a Lua.
Enla�a-me.
Na parede do meu quarto,
que sombra desenha com incompar�vel vigor
a fantasmag�rica projec��o da sua silhueta encarquilhada.
Quando pouso no cora��o esta interroga��o delirante e muda,
n�o � tanto pela majestade da forma,
como pelo quadro da realidade,
que a sobriedade do estilo se conduz como o faz.
Sejas tu quem fores, defende-te,
pois vou dirigir contra ti a afronta de um terr�vel libelo,
esses olhos n�o te pertencem.
Onde foste tu busc�-los?
Caro senhor Arafat,
para qu� transformar a tr�gua em vigor num verdadeiro cessar-fogo?
As reuni�es de seguran�a em que o senhor participou, desde h� anos,
alguma vez deram alguma coisa?
E o Estado de lsrael deixou de matar com balas
os seus compatriotas e os vossos filhos?
N�o. Que v�o para o diabo!
Voc�s deviam reconquistar o s�mbolo que � Jerusal�m.
O seu territ�rio pertence aos palestinianos,
e para que eles o recuperem, s� h� uma solu��o,
bombarde�-la.
V�o-se embora!
Proponho-me,
sem qualquer emo��o,
entoar o canto s�rio e frio que ides ouvir.
Prestai aten��o, todos v�s, ao que ele diz,
e acautelai-vos das penosas impress�es que certamente deixar�,
como um estigma,
nas vossas perturbadas imagina��es.
N�o julgai que estou prestes a morrer,
pois ainda n�o sou esqueleto
e a velhice ainda n�o me est� colada ao rosto.
Dazet!
Tu, cuja alma � insepar�vel da minha,
tu, o mais belo filho da mulher, embora ainda adolescente...
Caro senhor Arafat...
porqu� extinguir a paz nos cora��es?
Porqu� recusar aos vossos filhos a seguran�a feliz do colo das m�es?
Cessai todas as incita��es � viol�ncia
e apreendei as armas ilegais.
Assim, os colonos cessar�o igualmente as suas exig�ncias.
Restabelecei a confian�a perdida dos dois lados.
Renunciai aos territ�rios.
Fazei da paz o objecto de todos os vossos votos e da vossa ternura.
E ela vos envolver� deliciosamente.
A viol�ncia come�a � nascen�a.
� j� com viol�ncia que a vossa m�e vos p�e no mundo.
A viol�ncia come�a � nascen�a.
� j� com viol�ncia que a vossa m�e vos p�e no mundo.
Tu, cujo nome se assemelha ao do grande amigo de inf�ncia de Byron,
por que n�o est�s comigo?
O teu peito contra o meu peito,
para contemplar este espect�culo que adoro.
Sa�do-te,
velho oceano.
A viol�ncia come�a � nascen�a.
� j� com viol�ncia que a vossa m�e vos p�e no mundo.
Como a ci�ncia, procuro saber mais sobre a m�gica anti-mat�ria,
que, em mir�ades, percorre o universo a extrema velocidade.
Aproveito todas as oportunidades de recordar aos �tomos e aos neutrinos
que ainda existo.
Como a anti-mat�ria,
quero, tamb�m eu, manifestar a minha exist�ncia,
projectando a minha luz sobre as coisas e sobre o mundo.
Quero viver e dan�ar, combinando o movimento das part�culas
e das for�as fundamentais do universo.
Adoraria que a sombra da anti-mat�ria
deslizasse, nua, para dentro do meu leito.
Esta noite, desejo que a mat�ria eterna,
o ur�nio e a platina,
regressem para enfeitar a minha triste estadia.
Morro de novo no seu enlace.
Que faz em casa do nosso Rei?
Rei? Que rei?
O nosso Rei.
O nosso Rei � um homem muito especial.
Magn�fico!
Supremo!
Adora de tal forma o canto da voz de soprano,
que Sua Majestade canta pessoalmente essas �rias,
vestido a rigor e acompanhado por uma pianista grandiosa...
Metes-me d�.
Eu meto-te d�? Que tens tu contra mim?
Eu tive uma crian�a de um piloto bombardeiro. E tu, nada!
Que te interessa isso? N�o me apetece.
Enganas-te.
� porque isso te mete medo. Eu tenho medo?
Olha como tu tremes... e sou eu que tenho medo?
N�o tenho medo. Mete isso na cabe�a e deixa-me em paz. Vou-me embora.
V�s, j� n�o sabes que responder, est�s desarmada.
Vou-me embora...
Prefiro ir, a ter de te escutar.
Pois �. Perturbo-te as ideias, mas continuarei a gritar.
Chega. �s doida, maldita sejas!
Amo-te.
Que fixa voc� na �gua?
Estava a ver um peixe a sair do seu territ�rio.
Devia andar � procura de um s�tio para morrer.
Toda a gente diz que um animal marca o seu territ�rio
com gl�ndulas anais e com urina,
com as quais demarca as fronteiras do seu espa�o.
Mas � muito mais que isso.
Na marca��o do territ�rio
interv�m tamb�m uma s�rie de posturas,
por exemplo, baixar-se, levantar-se,
uma s�rie de cores, de linhas
e uma s�rie de cantos.
- Est� a seguir-me? - Nem por isso.
Foi o rouxinol, e n�o a cotovia,
que penetrou na concha oculta do teu ouvido.
� noite, ele canta na rom�zeira.
Acredita-me, meu amor,
foi o rouxinol.
A no��o de territ�rio � um caracter�stica do animal,
e sair do seu territ�rio � aventurar-se.
H� animais
que reconhecem o seu consorte dentro do territ�rio, mas n�o fora dele.
E n�o h� territ�rio sem uma sa�da do territ�rio.
E n�o h� sa�da do territ�rio
sem um esfor�o para se re-territorializar,
noutro local e noutra coisa.
� isso que me fascina nos animais.
Os animais emitem sinais, nunca deixam de o fazer.
Reagem aos sinais, como uma aranha a quem tocam na teia,
ou deixam sinais.
Reconhecer os vest�gios,
os sinais do animal que ali passou,
� tudo.
O animal � o ser � espreita.
O artista est� � espreita.
O escritor
escreve para captar leitores, mas tamb�m em lugar dos leitores.
O escritor � um feiticeiro
pois vive como se s� para consigo fosse a sua responsabilidade.
Em todos os livros,
h� met�foras animais para descrever a morte de seres humanos,
um piar dorido, coisas assim.
Os animais sabem morrer.
Os Homens n�o.
Os Homens, quando morrem, morrem como animais.
Como eles, procuram um canto para morrer.
Foi o que fez este peixe.
Ele tinha de procurar um canto para morrer,
pois os animais procuram tamb�m o territ�rio da morte.
Eu gostaria de escrever no lugar deste peixe que morre
e levar a linguagem aos seus limites.
�s t�o linda, pequenina.
Que belas orelhas tens.
Minha queridinha...
Segue-me, em seguran�a, deixa-me levar-te para a morte,
roubar-te ao reino dos vivos e assim ajudar-te a fechar os olhos.
Eis a morte,
aquela luz de esperan�a que vem subitamente reconfortar-te.
Apressemo-nos. O tempo urge.
Matar muitos
e lev�-los para o c�u consigo.
O que � a tristeza?
Simplesmente, falta de coragem.
Matar muitos e lev�-los para o c�u consigo.
O que � a tristeza?
Amo os militares
Vem
Grande p�ssaro negro
Vem j�
A janela est� aberta
Olha
Pus-te a��car na janela
Os outros n�o compreender�o, mas � um acto de amor.
Vem a mim
Abre as tuas macias asas
E pousa-as Sobre os meus olhos febris
Por favor
Leva-me
Daqui
E voaremos alto
Atravessando o c�u
Rumo a um novo tempo
Um novo mundo
E hei-de cantar
E hei-de rir
Hei-de gritar Est�s a brincar
Pois entenderei por fim
O significado de tudo
Para ressuscitares a tua irm�
� preciso aceitares tudo o que ela te oferece.
Vem Grande p�ssaro negro
Ajuda-me se podes
Encosta o teu bico h�mido � grande ferida aberta
Na minha pobre testa
Vem Grande p�ssaro negro
O momento aproxima-se
Os outros dormem na cama Profundamente
A enfermeira n�o nos ouvir�
Por favor
Leva-me
Daqui
E voaremos
Bem alto
Atravessando o c�u
Para um novo tempo
Para um novo mundo
E hei-de cantar
Hei-de rir
Hei-de gritar Est�s a brincar
Pois entenderei por fim
O significado de tudo
Grande p�ssaro negro
Finalmente
Tenho saudades de te ver
Como � silencioso o teu voo
Meu Deus
Como � bela tua beleza
Vamos Grande p�ssaro negro
Voa
Os meus amores Ficar�o em paz
Querida menina Querida mam�, pap�
Por favor
Amo-te.
Vamos
Percorrer o c�u
N�o estejas triste
Raz�o n�o h�
Pois cantarei
E rir-me-ei
E gritarei Est�s a brincar
Pois entenderei por fim
Serei feliz
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