All language subtitles for Cidade de Deus A Luta Não Paraç.S01E04.1080p.WEB-DL.x264.NACiONAL.srt - por(2)

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Original subtitles

O Curió nunca foi santo. Isso não se discute.

Ele vendia drogas,

e, quando mexiam com ele, sentava o pau sem pena.

Não faz sentido homenagear traficante,

mas é que o Curió foi o melhor entre os piores.

E, nesses anos que ele esteve nas cabeças,

a CDD pode não ter sido um mar de rosas,

mas teve um pouco de sossego.

Geral para casa. Não tem nada para fazer na rua.

Só passa quem é da família do falecido. Quem não for, vaza.

Vocês têm sorte que o patrão está descendo velado.

Somos próximos.

Tu não escutou? Vaza, porra!

Tia, vai complicar a gente.

Agora que o velho traficante se foi,

sobrou o medo, e um mar de incertezas.

Na moral, não veio quase ninguém no enterro do homem.

É, Barbantinho.

Porra, amiga. Meu marido fez coisa boa para essa comunidade.

Ele não merecia isso, não.

Tia Marta.

Não queria que fosse desse jeito.

Eu não sou sua tia.

Olha o que você fez.

Olha, Waldemar.

Não estou podendo nem me despedir do meu marido direito.

Pode ficar tranquila. Não vai acontecer nada com a senhora.

Nem com a senhora, nem com a Day, nem com a Amanda.

E meu filho?

O que tu vai fazer com o Geninho?

Já tirou a vida do pai. Agora vai querer o quê?

O sangue do filho?

Meu coração está cortado em mais de mil pedaços,

mas tem uma coisa que me consola nessa história.

Quem com ferro fere, com certeza vai ser ferido.

O Curió, pelo menos, tem mulher e tem filhos.

Ele tem família.

Mas tu, garoto?

Tu...

Não vai ter uma viva alma para chorar por você.

Vai para casa.

Pode deixar. Eu fico com ele.

Não, não vou sair daqui.

Vou ficar aqui.

-O Bradock está na favela. Ele pode... -Sossega, mãe.

Ninguém sabe que ele está aqui.

Quero estar aqui quando ele descobrir.

O poder passa de um traficante para outro,

e o governo não pode entrar pra resolver?

Me desculpem o tom,

mas pelo bem do povo do Rio, eu me exalto!

Não peçam para eu me calar por ser filho do secretário de segurança.

Pelo contrário,

é justamente por saber que ele é comprometido

que vou cobrar essa atuação!

Bandido não pode ficar solto tendo vida boa!

É guerra que eles querem? Então, eles vão ter!

Tem que entrar atirando! Doa a quem doer!

-Isso. -Calma!

-Isso. -Calma, senhores.

Senhores, vamos manter a calma.

E os moradores, vereador? Como ficam os moradores?

As crianças, as escolas, as creches?

O povo quer sossego, não quer guerra.

-Está incomodado por quê? -Relaxa.

Vou acabar a festa da sua gangue.

Tu é capacho de bandido!

Por isso quer barrar a intervenção?

Mande seu chefe defensor de marginal se explicar!

Você falou o quê?

-De que lado vocês estão? -Vereador, calma.

Desculpe, Sr. presidente.

Me respeite, vereador.

Insultar um colega de trabalho, em pleno púlpito,

é quebra de decoro.

Quebra de decoro é defender marginal em plenária.

-Só se for o senhor! -É defender vagabundo em plenária!

O que o senhor defende?

A mentira é inimiga da verdade.

Você e o senhor seu pai são dois criminosos!

É isso que vocês são!

Como você está?

Lembra quando a gente vinha com o pai?

Você não pisava na areia de jeito nenhum.

Você falava que pinicava.

Ele ficava maluco quando eu fingia que estava me afogando.

Tu era muito sem noção, garota.

Tu que era medroso. Só fazia o que ele mandava.

Não consigo esquecer a cena do corpo dele no chão.

Tiro nas costas, porra.

Não pude nem ir no enterro.

Eu vou cobrar essa porra.

-Geninho, esquece. -Vou cobrar o Bradock.

Esquece isso, por favor.

Eu acabei de enterrar nosso pai.

Não quero te enterrar também.

Por favor.

Porra!

Não! Parou! Parou! Parou!

Parou.

Jerusa.

Você tem que entender uma coisa: você fez o que tinha que fazer.

Se você não o matasse, ele ia te matar.

Agora você tem que ficar firme, para gente ir cuidar do que é teu.

De pé, porra.

De pé, caralho.

Qual foi, patrão? Tem uns caras querendo falar contigo.

-Mas que caras? -O ZeroOnze e os moleques.

Vão ficar de palhaçada na boca?

Passa a bola.

Fica na atividade.

Apaga essa merda.

Apaga essa porra.

E aí, Bradock?

A molecada está tudo na mão. Pra você ver.

Então, a rapaziada era do bando do Curió.

Eles pediram para desenrolar um papo tranquilo.

Eu mesmo não metia as caras se não acreditasse.

Estamos dispostos a fortalecer o bonde.

A gente é cria daqui. Nós queremos permanecer na favela.

A gente só quer uma oportunidade.

E tu, moleque?

Vou dar o papo reto.

A vida de bicho solto não dá mais para mim.

Quero poder ficar tranquilo, tá ligado?

Poder ajudar minha coroa, treinar meu jiu-jitsu,

viver tranquilo,

mas para isso preciso do seu aval.

Vai andar na linha?

Eu vou. Papo de sujeito homem.

Vou ficar de olho.

Se eu te vir andando com vagabundo, te busco em casa.

Tu sabe disso.

-Sujeito homem? -Sujeito homem.

O bagulho de vocês a gente desenrola depois.

Bora, Crazy.

Aqui.

O que vai fazer?

-Não era tu que confiava no ZeroOnze? -Ele não vendeu o Curió?

Não garanto que ele não vai meter uma faca nas nossas costas.

E aí, chefe? É o Barbantinho.

Qual é, Barbantinho?

Dá uma circulada. Vamos.

-E aí? -E aí?

Cadê a Berê? Eu a chamei também.

Ela foi dar uma força para uma vizinha que está parindo.

Não pôde vir.

Avisa que da próxima vez que eu chamar, é para ela vir.

Não tem esse bagulho de parir, e os caralhos.

Se eu chamei, é porque quero dar um papo nela.

Mas o bagulho é outro. Senta aí.

-Senta aí, Cinthia, se quiser. -Não, não quero.

Barbantinho, quero fortalecer meu nome na favela de novo.

Quero saber se posso contar com vocês?

O que for para o bem da comunidade, a gente fecha.

Eu queria que tudo voltasse a ser do jeito que era antes.

Sem esculacho, tá ligado?

Se precisar do meu apoio, vai ter.

O que precisar. Dinheiro, lazer para as crianças. Tu vai ter.

Só preciso que essa favela volte a ser o que era.

Bradock, sabe que geral tinha consideração pelo Curió.

Pode demorar para os moradores aceitarem.

Está ligado?

Estou com o coração aberto.

Só quero o sossego da comunidade.

Vocês sabem que eu não queria a porra dessa guerra.

Só lutei pelo bagulho que era meu.

A gente não é dono da cabeça de ninguém,

mas vai fazer o possível para manter a paz.

É isso que eu preciso de vocês.

-Oss. -Oss.

Você sabe que cresci sem pai.

Você teve o teu até agora.

O carinho que teu pai te deu, ninguém vai tirar.

Tá bom?

Obrigada.

E o campeonato?

Está cedo.

Cedo?

Professor, estou com 18 anos.

Se eu não for para o brasileiro, minha carreira termina antes de começar.

Eu preciso disso.

Não, eu quero mais do que tudo.

Olha só, Amanda, bota uma coisa na sua cabeça.

Você é preta, favelada e filha de bandido.

Sempre que tu pisar em um tatame, vai estar geral de olho em você,

querendo te derrubar, te jogar no chão e te imobilizar.

É assim na vida, e é assim no tatame.

Você não pode errar nunca. Está ouvindo?

É isso que estão esperando de você.

-Só vai competir quando estiver pronta. -Eu estou pronta.

Estou pronta, poxa.

Confia em mim.

Se não confiar em mim, eu arrumo outra pessoa para me treinar.

Bora treinar?

Bora.

Confesso que, no começo, pensei que ela não ia durar nem um dia no Rio,

mas estava errado.

A Lígia tinha faro, e isso é para poucos.

Wilson, dá uma olhadinha neste negócio.

Está vendo...

esta figura?

Esta.

E esta? Também aparece aqui.

Ela está sempre pelas sombras.

Parece que está se escondendo.

E daí?

E daí que, se ela está se escondendo, alguma coisa tem.

E se a gente conseguisse uma foto melhor?

Se ela anda com o Reginaldo,

é só a gente colar nele, que uma hora ela sai da sombra.

Está sugerindo seguir o secretário de segurança do Rio?

Gol dos caras.

Tira essa porra!

Aperta ele! Aperta ele, meu irmão!

E aí, Bradock?

-Qual é, Barbantinho? -Cola pra cá. E aí, rapaziada?

Aceita cerveja? Churrasco? Carne?

Beleza? Tranquilo.

-E aí, Barbante? -Tudo bem? Beleza?

Estamos perdendo?

-Dois a um para os caras. -Caralho.

O centroavante e o zagueiro ficaram com medo de vir.

Dois meio-campistas tomaram tiro. Não dá para fazer milagre.

Olha lá.

Puta que pariu.

O 10 está cansado.

Não é só o 10, o 30 também, cara.

Calma aí. Opa.

Será que são eles?

São eles.

Espera, Wilson. Está maluco?

-Os caras vão ver a gente. -Foi mal.

-Boa noite. -Tudo bem?

Obrigado.

-Obrigada. -Obrigado.

Lígia.

Está vendo o cara de azul?

Ele mexe com jogo. Já o fotografei antes.

Aquela é a mulher das fotos?

Não sei. Não dá para ter certeza.

-Fotografa. Vai. -Certo.

Disfarça um pouco. Dá um sorriso.

Qual foi, Pézinho?

Cadê a Jerusa, mano?

Não sei. Não chegou ainda.

Caralho.

Berê.

Oi.

Estou aqui.

Há quanto tempo estou aqui?

Tem uma semana.

E o Curió?

Ele fez a passagem, Cleiton.

Você só está aqui por um milagre.

Não, fica calmo. Cleiton.

-Preciso sair daqui. -Cleiton.

Berenice, minha perna.

Cadê minha perna?

A minha perna, Berenice!

Estou aleijado, porra!

-Eu tinha que ter morrido! -Não fala isso.

E aí?

Saiu. Olha.

É ela.

Tenho a impressão de conhecê-la de algum lugar.

Com certeza. Ela aparece em várias outras fotos.

Mas não é daí. Acho que já vi pessoalmente.

Espera aí.

Aqui.

A mulher que anda para cima e para baixo com o secretário de segurança

namora o maior traficante da zona oeste do Rio de Janeiro.

Como assim?

Aqui. Está vendo esta foto?

Tirei depois que o Bradock saiu da prisão.

Esta mulher é a advogada dele.

Acha que o Reginaldo está envolvido com o tráfico?

Se for, não é a primeira vez.

Como assim?

Olha.

Eu achei. Olha.

Este, aqui, é o Reginaldo.

Na época, a gente o chamava de Cabeção.

Chama esse, chefia.

Esse cara, entregando dinheiro para ele, é o Zé Pequeno.

Ele mandava na Cidade de Deus na época que eu morava lá.

Esse podia ter sido o clique mais importante da minha vida,

só que publicar essa foto seria assinar minha sentença de morte.

O que a gente faz com isso?

Joga merda no ventilador e vê no que dá?

Não. Reginaldo tem costas quentes.

Ele é o queridinho do governador, da opinião pública.

O Maurício está certo. Ele vai vir para cima com tudo.

A gente só pode publicar quando tiver provas.

Se a namorada do Bradock está andando com o Reginaldo,

é óbvio que está envolvido.

Não faz sentido. A mineira nunca se deu com o tráfico.

Como a gente junta o Reginaldo, o Bradock e o Touro?

A gente não sabe o que essa mulher faz,

nem para o Reginaldo, nem para o Bradock.

Vai chegar a hora de dar o tiro, Lígia, mas tem que ser certeiro.

Na cabeça.

No Cabeção.

Depois de matar o Curió e tomar a boca dos apês,

o Bradock estava na missão de conseguir o respeito da comunidade.

Mas respeito não se compra, se conquista, tá ligado?

Por isso, o novo chefão da CDD

estava contando com o carisma e o apoio do Barbantinho.

Um minuto da atenção de vocês, por favor, rapaziada.

Eu gostaria de fazer um agradecimento para a rapaziada presente.

Muito obrigado. Esse evento foi feito para vocês.

Quero agradecer ao pagodão do Bira. Valeu, Bira!

Arrasou. Tirou onda.

E, claro, em especial, agradecer também ao nosso anfitrião,

que providenciou toda a cerveja, toda a carne no 0800.

Palmas para ele!

Obrigado.

Onde passou a noite?

Tenho casa. Esqueceu?

A gente dormiu junto e, quando acordei, você não estava.

Você roncou para caralho,

falou enquanto dormia, e toma esse monte de remédio.

Fui para casa para ter um pouquinho de paz.

Ficou com saudade?

Sai! Sai, Crazy. Sai, porra.

Caralho!

Dá licença, patrão.

Eu queria trocar um papo contigo.

-Na moral. -Tira a mão de mim, irmão.

-Só não encosta. -Nada de mais.

É que estou precisando saber daquela parte do lance do Curió.

A Jerusa disse que depois que o serviço estivesse feito,

eu ia assumir a gerência.

Porra nenhuma.

Gerência?

Aí.

Por que a favela amava o Curió?

Qual foi, Bradock?

Sei lá.

Responde, porra.

Responde a pergunta que estou fazendo.

Porque o Curió era responsa.

Você amava o velho?

Eu amava, mas tem coisa que tem que mudar.

E por que traiu meu pai, filho da puta?

Está vendo, Jerusa?

Está vendo essa porra?

A partir de agora, vai ser assim.

Traiu? Morreu.

E aí, comunidade?

Está tudo certo. Não precisa ter medo.

O bagulho era pessoal.

Pode rolar o samba. Vai ter churrasco.

Pézinho, limpa essa porra.

Traz molho. Eu quero comer churrasco.

-Você viu? -Rapaziada, volta com a porra do pagode!

Estou mandando! Vai, caralho!

-Só alegria, comunidade. -É isso.

Vamos lá.

Opa.

Até o final do estadual.

Gente.

O Delano deu uma olhada neste contrato.

E?

E que esse cara aí dentro é o maior 171 do Brasil.

Desde quando o Robocop é especialista em contrato?

Cidão, não fode. O cara estudou direito. Não lembra?

-Está misturando as coisas. -Juro. Não estou misturando as coisas.

Ele passou a perna na gente, e a gente deu moral.

Todo mundo sabe que o contrato é cagado. Não precisa ser um Einstein.

-Você sabia? -Que opção que a gente tem?

Como assim? Todo mundo sabe?

-Eu não estava sabendo. -E aí?

Bora lá?

Vem.

-E aí? -E aí?

A gente estava lendo isto,

e você só tira, tira, tira...

É só "venha a nós". "Vosso reino" nada. Aí é mole, né?

E os contatos?

E a visibilidade?

Olha aqui.

Estou nesse ramo desde antes de você nascer.

Está maluca? Vai me ensinar a fazer meu trabalho?

Está desde antes de eu nascer passando a perna nas pessoas.

Está achando que é quem?

Igual a vocês, tem às dúzias por aí.

Igual não, melhor.

Sem mim, vão continuar tocando

para meia dúzia de gatos pingados na favela.

Porra!

Não sei onde eu estava com a cabeça quando fui dar uma chance para vocês.

Quer saber?

Acho que foi por pena.

Quero ver quem que ia dar moral para uma fanchona...

-Uma... -Segura a onda!

Uma o quê? Termina de falar.

Estou avisando.

Se romper esse contrato, não vai mais tocar em lugar nenhum...

Foda-se!

Escroto do caralho. Dá licença.

Filha da puta!

Apesar de bancar o durão,

o Bradock era só uma criança desamparada que cresceu sem pais.

A única família que o Waldemar conheceu na vida,

foi a do crime.

Mas agora que ele tinha matado o pai,

o rapaz precisava mostrar

que estava à altura de Curió, para mandar na CDD.

E, para mandar na CDD,

o Bradock ia precisar do apoio da Cinthia e da Berê.

Bravo!

Bravo!

Oi, vereador.

E aí, Bradock? Beleza?

Cinthia, parabéns.

A molecada manda bem para caralho.

Deram um tiro no meu coração.

Parabéns. Parabéns, molecada.

Tinha que arrumar um jeito de levar esses moleques

para tocar na Cinelândia, onde tem os bagulhos do balé.

-É do municipal que você está falando? -Esse mesmo.

Eles são bons, mas ainda tem muita estrada.

Mas parabéns.

E aí, Berenice?

Está no meu conceito? Vou te proteger.

Ninguém vai te fazer mal.

Amanda.

Fiquei sabendo que vai competir o campeonato nacional.

Agora a Cidade de Deus vai ter a campeã que merece.

Não vai faltar nada para você, nem para sua mãe.

-Pode contar comigo. -Está tudo certo.

A gente não precisa da tua ajuda.

Está maluco, moleque?

Estou falando contigo?

Estou falando com a minha irmã.

Desculpa.

Amanda.

Estou contigo.

E aí, Letícia Carolaine,

já começou a entregar currículo, procurar emprego?

Foda-se, Cidão.

Ficar sendo explorada por branco a essas horas?

Tudo é sobre você, não é? Sempre.

Você, você e você.

É isso mesmo, Leka. Tu estraga tudo.

Já parou para pensar no quanto ia ajudar na faculdade da Koral?

Na competição de quem está mais fodida, a gente empata.

Não está fácil para ninguém, mas, pelo menos, a gente está tentando.

Entendi. Eu não quero que dê certo.

É isso que estão falando.

Vocês ouviram o que ele disse.

Eu defendi você, e você.

Eu defendi a gente, para não ser explorada,

e agora estou contra a gente.

-É isso? -Está com medo de quê?

Tem medo de a parada bombar e meter o pé da favela igual seu pai.

Fala se não é isso!

Assume, porra.

Quer saber de uma parada?

Vai tomar no cu, Cidão!

Você também. Não fode.

O que está fazendo?

O que está fazendo, moleque?

Espera aí!

Para!

Para! Vem aqui, garoto!

Moleque, para aí, porra!

-Está roubando? -Não.

Não precisa. Não é nada disso.

-Sabe que as coisas não são assim. -Não precisa.

-Vamos ter uma conversinha, tia. -Não precisa. Libera ele!

Está roubando.

Quer morrer?

Está vacilando na minha favela, moleque.

Menor...

Quer saber por que meu nome é Matarrindo?

Calma aí, Matarrindo. O moleque vai falar.

Bradock e Pézinho eram amigos desde a Caixa Baixa.

Os dois sabiam muito bem como a banda toca na CDD.

Na favela, roubou? Tem que pagar.

Vocês vão pagar pelos que fugiram.

Escolhe. Quer tomar o tiro onde? No pé ou na mão?

O Pézinho tinha pagado o preço nas mãos do Zé Pequeno,

mas, nesse dia, ele teve a chance de fazer diferente.

Você sabe que não pode roubar.

-Caralho. Qual é seu nome? -Josias.

-É o quê? -Josias.

Não roubei nada.

Não mente. Olha para mim.

Roubou, ou não roubou?

Eu roubei, sim.

Por que roubou?

-Dificuldade em casa. -Sua mãe sabe?

Está ligado que vou desenrolar com a sua mãe.

Eu roubei para comprar um tênis.

Vamos trocar uma ideia, menor.

-Você estuda, cara? -No Cimpa.

Vou fazer um trato contigo.

Você trazer teu boletim para mim,

e, se estiver com nota boa, vou te dar o tênis.

Mas, se eu te pegar dando mole, você está fodido.

Vai lá. Se adianta.

O que o filho do Curió estava fazendo aqui? Cleiton.

Eu liguei, e o cara veio.

Você ligou para ele?

Olha onde isso te trouxe. Olha onde você está.

Por que você não mete o pé, e vive uma vida nova?

Vai para Minas Gerais.

Que porra de Minas Gerais!

O Bradock arrancou minha perna. Vou arrancar as dele.

Vou beber o sangue daquele filho da puta.

Que merda é essa? Onde arranjou essa arma?

Você quer ser preso? É isso?

Olha para mim, porra!

Então? Vai me falar ou não vai?

Sei que tem alguma minhoca esburacando o seu juízo.

Eu te conheço, Leka.

Não é nada. Estou cansada.

Só isso.

Eu te conheço mais do que tu mesma.

Está bem?

Vó, estou desanimada, sabe?

Vou deixar para lá essa história que eu inventei.

Vou conseguir um emprego.

Vou conseguir um emprego, e vou ajudar a cuidar da senhora.

O que está dizendo?

Esse negócio de música não dá em nada.

Escuta, minha filha.

Se começar a desistir agora,

vai desistir de tudo que você quer na sua vida.

Eu não te criei para isso.

Eu criei você para fazer sucesso, minha filha.

Para subir no palco, pegar o microfone. Sabe?

Não desista.

Vai desistir?

Obrigada, vó.

Tem que prestar atenção no tio, em quem está ensinando.

-A gente apoia... -Esconde a arma.

Crianças, terminou. Amanhã, no mesmo horário. Pode ser?

E aí, Cinthia?

Não precisa me filmar.

Eu comprei tudo novo para a molecada.

-Não precisava. -É claro que precisava.

É tudo novo. Eu comprei de coração.

Irmão, não é para me filmar. Filma só ela.

-Só a Cinthia. -Está filmando as crianças.

Depois você filma as crianças com os instrumentos.

Bradock, agradeço muito, mas eles têm os instrumentos deles.

-É tudo velho, Cinthia. -É que...

Eles já estão acostumados.

Instrumento de corda fica melhor com o tempo.

Aí ganha vida. Entende?

Qual foi, Cinthia? Comprei tudo para as crianças.

Por que não aceita o presente, e cala a porra da boca?

-Acha que é melhor do que eu? -Não.

Acha que eu não entendo nada?

Vamos pegar os instrumentos, e botar em outra instituição.

Vai ser ótimo. Vai ter música, Bradock.

Bradock.

Acabou!

Não tem mais nada!

Acabou, porra!

-Acabou, Cinthia! -Vai, vai. Filma.

Acabou, porra!

É tudo novo! É tudo novo!

Pézinho, pega os instrumentos.

Bota tudo que é novo.

As crianças merecem o que é novo.

Aqui, princesa.

Pode pegar.

Pode pegar.

É tudo novo para vocês.

Foi o tio que comprou.

Princesa, toca aquela música para o tio?

Aquela...

O Barbantinho está lá.

-Qual é, Barbantinho? -E aí, Bradock?

Qual foi?

Aquele lance dos instrumentos no centro cultural.

Qual foi, compadre?

Falou para mim que queria a consideração da rapaziada. Assim?

Assim tu não me ajuda, mano.

Irmão, se tu não se controlar, a comunidade não vai fechar contigo.

Barbantinho, qual foi da parada?

Está achando que pode chegar aqui falando o que eu não posso fazer?

-Bradock, não é isso, não. -"Não é isso, não" é o caralho.

Tenho maior consideração por você.

Mas da próxima vez que entrar pagando sugestão,

tu vai ganhar dois tiros.

-Irmão... -Mete o pé dessa porra.

Mete o pé dessa porra!

Não está falando com as tuas putas.

Tomar no cu. Está achando o quê?

-Qual foi, Bradock? -Qual foi o quê?

-Qual foi? -O Barbantinho está certo.

-Dando sugestão, qual foi? -Independente, irmão.

Qual é? Segura a onda.

Está demais, meu parceiro.

Na fita tem material bruto.

E no DVD está editado, como a senhora pediu.

Valeu, meu querido. Muito obrigada.

Aqui o combinado.

Certinho.

Até a próxima.

A gente precisa acabar com essa merda logo.

Ele está muito imprevisível.

Desde que ele matou o velho, ele nem dorme direito.

Está acabando. Eu prometo.

Pensei que fosse te ver no jantar.

-Ele achou melhor eu não ir. -Por quê?

Acho que ele não confia em mim.

O coroa é paranoico. Não confia em ninguém.

Toma.

Acho que isto aqui vai fazer ele mudar de ideia.

Até quando o secretário de segurança e o governador

vão permitir um negócio como esse aqui?

Reginaldo, o que está faltando para o Estado tomar as medidas cabíveis?

O que eu posso garantir, Tucão,

é que se o governador não me der carta branca para agir,

eu entrego o meu cargo.

Isso não vai ficar assim.

Vamos colocar esse bandido atrás das grades

e devolver a paz aos moradores da Cidade de Deus.

Esse é um compromisso que estou assumindo ao vivo

com a população do Rio de Janeiro.

Ou isso ou o meu cargo.

Essa de entregar o cargo se eu não te der carta branca,

foi jogada de mestre, Cabeção.

Eu sabia que você ia gostar.

Mas se a gente perde o controle, a popularidade despenca.

Por outro lado, se a gente pegar esse merda,

a eleição está garantida.

Depois desse vídeo, a opinião pública está na mão.

A gente vai fazer desse limão uma limonada, governador.

Muito bem.

Tu queria carta branca. Está aí, tu tem carta branca.

Vê se não faz merda às vésperas da eleição.

-Chegando lá, faça o que sabe fazer. -Deixa comigo.

Delano, você conhece aquela ratoeira como ninguém.

Você vai comigo no caveirão.

Se encontrar resistência, é para abrir fogo.

A ordem é entrar e só sair de lá com o chefe preso.

-Bora. -Partiu.

Só queria que soubesse que te amo.

Eu te amo, Berê.

Eu te amo para caralho.

Berenice!

Berê!

Berenice!

Me solta, porra!

Berenice!

Berê!

Berê!

Berenice!

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